terça-feira, maio 31, 2005

E na Alemanha...

FG Wahlen, 26 de Maio (telefónica, N=1162)

Quem preferiria como chanceler?
Angela Merkel (CDU): 50%
Gerhard Schroeder (SPD): 44%

CDU/CSU: 44%
SPD: 30%
Verdes: 8%
FDP:6%
PDS:5%
Outros:6%

Avaliação da actuação do governo:
Positiva:30%
Negativa:66%

E para terminar: a pertença à UE traz para a Alemanha:
Mais vantagens que desvantagens: 22%
Tantas vantagens como desvantagens: 45%
Mais desvantagens que vantagens: 29%

For what it's worth...

UK, ICM Research, 22 de Maio:
“If there were a referendum tomorrow, would you vote for Britain to sign up to the European Constitution or not?
Sim: 24%
Não: 57%
Não sabe: 19%

Mais Holanda

Polls point to a strong No

Infelizmente, não pertenço à classe, mas os leitores de neerlandês podem entreter-se aqui.

Holanda, TNS Nipo, 27 Maio

Sim: 41%
Não: 59%
Depois de redistribuídos os indecisos. O Sim está a subir, mas isto foi antes do resultado francês...

segunda-feira, maio 30, 2005

Uma opinião

O blogue não é exactamente para isto, mas não resisto a dizer o que penso sobre os resultados do referendo.

O que tenho a dizer já o tinha dito aqui, e ontem no Público (quando, noto, pensava que a coisa tanto podia pender para o "Não" como para o "Sim"): tenho muitas dúvidas sobre a bondade dos referendos como modo de tomar decisões sobre matérias como esta. Reconheço-lhes virtudes, como, por exemplo, aquela que aqui assinalei: o debate sobre os temas europeus em França foi mais vivo e generalizado do que nunca. E se puxarem muito por mim, até reconheço virtudes ao próprio desfecho substantivo: uma vitória do "Sim" teria sido, em parte, uma vitória de um discurso algo chantagista ("uma Constituição não renegociável", quando nada na política é "não renegociável") e de alguns medos que, eles sim, são o que me metem medo ("a perda de poder da França" e coisas semelhantes).

Contudo, importa não ignorar algumas coisas sobre este resultado. Por um lado, ele é também, em parte, uma vitória de medos, que neste caso encontram a sua expressão no proteccionismo económico (uma Constituição demasiado "liberal"), na intolerância religiosa e no nacionalismo mais primitivo ("não à Turquia"). Lamento imenso, mas a ideia de que a informação que este resultado fornece às elites políticas europeias é a da necessidade de "repensar-se a União de forma diferente da dos últimos anos, mais democrática, mais solidária, menos ambiciosa e mais prudente" parece-me simplesmente cândida. Pacheco Pereira projecta no "Não" as suas próprias motivações, ignorando as motivações reais dos eleitores franceses. Mas as que realmente contam são as deles, e não as dele. A mensagem que o "Não" fornece aos políticos europeus é a de os medos dos franceses terão de ser acomodados de alguma forma no futuro da construção europeia. E eu preferia que (estes) não fossem.

Por outro lado, não se pode ignorar outro aspecto fundamental. O resto da explicação da vitória do "Não" encontra-se em factores como a situação económica e social em França e a percepção por parte de muitos eleitores de que deviam e podiam usar o referendo para sinalizar o seu descontentamento, especialmente quando um governo que defende o "Sim" se encontra na pior fase do ciclo político e quando tantos franceses acham que o resultado não terá grande importância. Sendo assim, percebem-se mal os "pudores democráticos" que fazem com se fique tão chocado quando alguém sugere fazer um novo referendo. Basta que um novo referendo tenha lugar sob um governo socialista no início do seu mandato para que a probabilidade de uma vitória do "Sim" aumente exponencialmente. E então? O que faz com que este "Sim" valha menos ou seja "menos democrático" que o anterior "Não"? Na verdade, ambos são os resultados de uma pura "lotaria eleitoral". É certo que é sempre preciso arranjar uma maneira qualquer de tomar decisões e de lhes dar um verniz de legitimidade democrática, e os referendos servem para o efeito (por enquanto). Mas será a melhor maneira? Duvido.

Destaques das sondagens à bocas das urnas

É de aproveitar este excelente trabalho da Ipsos. Destaques:

1. Confirma-se clivagem social já aqui assinalada, se bem que as suas razões continuem a não ser evidentes dos dados;

2. 56% dos eleitores próximos do PS votaram "Não". Foi principalmente isto que andou a mudar de sondagem para sondagem. Parte do "Não" decidiu-se aqui.

3. Motivações mais apresentada pelos eleitores para o "Sim": reforço do peso da Europa em relação aos Estados Unidos e à China (64%, atravessando simpatizantes de todos os partidos), funcionamento da Europa a 25 (44% - idem) e evitar enfraquecimento do peso da França na Europa (43% - especialmente entre eleitores UMP);

4. Motivação mais apresentada pelos eleitores para o "Não": "descontentamento com a actual situação económica e social em França"(52%), seguida de "constituição demasiado liberal no plano económico" (40%). Mas aqui, tudo varia de acordo com proximidade partidária. Se o "descontentamento" é forte entre todos (menos os eleitores UMP), o receio do "liberalismo" prevalece à esquerda. E entre os eleitores UMP e FN, a principal motivação de rejeição é "a ocasião de se opor à entrada da Turquia na UE";

5. Largas maiorias dos eleitorados (excepto FN) dizem-se "favoráveis à construção europeia". É bonito, and yet means nothing;

6. 42% dos eleitores UMP querem correr com Raffarin, contra 38% que o querem manter. Dos eleitores dos outros partidos não vale a pena falar. Os eleitores UMP querem...Sarkozy, bien sur.

Fifty five

Os resultados ainda não são os validados, mas não é de esperar que se desviem particularmente de 55% para o Não e 45% para o Sim. Assim sendo, temos:

1. A TNS Sofres e a CSA teriam feito melhor em não divulgar as sondagens que terminaram a 27, ficando-se pelas que concluiram, respectivamente, nos dias 24 e 26. Ceteris paribus, sondagens conduzidas mais próximo da data das eleições são sempre mais precisas. Mas os ceteris raramente são paribus no mundo real, e as duas sondagens divulgadas na noite de 6ª ficaram fora das margens de erro amostral. É provável apareça alguém a denunciar possíveis tentativas de manipulação do voto de última hora. Duvido muitíssimo, mas se assim foi, fico especialmente aborrecido: eu levei-as muito (demasiado?) a sério.

2. A sondagem Ipsos terminada a 25 de Maio parece ter sido a mais precisa. É certo que a diferença no sentido de maior precisão, quando comparada com a da Ifop, é tão diminuta que pode perfeitamente ser fruto do acaso. E ambas são telefónicas, ambas usaram quotas, ambas têm amostras de dimensão aproximada. O resto, especialmente no que respeita ao apuramento dos prováveis abstencionistas, é menos claro dos relatórios, mas a Ipsos explica que deu as intenções de voto usando o filtro mais exigente: "de certeza que vai votar". Um sinal importante. Mas fico contente se for a Ipsos, por uma razão muito simples: o site da Ipsos.fr deu uma cobertura excelente ao referendo. Bons textos analíticos, relatórios exaustivos e até as sondagens dos outros institutos (nem todas, mas quase...) E poucas horas depois do referendo, uma decomposição completa da sondagem à boca das urnas. Quando se fazem estas coisas tão bem, é natural que se faça bem o resto...

sábado, maio 28, 2005

Fifty fifty, finalmente

As sondagens divulgadas ontem, captando os presumíveis efeitos da dramatização final na campanha do referendo francês, relançam a incerteza. O Não vinha em (novo) crescendo desde a 2ª semana de Maio, e as sondagens dos dias 24 a 26 de Maio davam-lhe uma vantagem aparentemente confortável. Mas tudo se desvaneceu no último dia de campanha, com as sondagens TNS Sofres e CSA. Aliás, quem tivesse reparado nas notas de rodapé da última sondagem Ipsos de 25 de Maio não poderia senão ficar com dúvidas. Lá em baixo, em letras pequeninas bem escondidas, dizia-se:

(*) 23% des personnes interrogées, certaines d’aller voter, n’ont pas exprimé d’intention de vote

23% dos que disseram ter a certeza de ir votar não exprimiram intenção de voto. É muito.

É certo que há ainda a sondagem Ifop (56% para o Não) e que, apesar de tudo, o Não é maioritário nas duas restantes. Mas recordem-se de 1992. Na altura, o Sim aparecia com cerca de 53/54% das intenções de voto, e 70% dos eleitores prognosticavam uma vitória do Sim. Acabou o Sim com 51%. Agora, o Não aparece, em média, com 53%, enquanto que 50% dos eleitores prevêem uma vitória do Não (contra apenas 23% a preverem uma vitória do Sim), o que aponta para a possibilidade de uma desmobilização comparativa dos eleitores do Não.

Fifty- fifty. Mais que isto não é possível.

sexta-feira, maio 27, 2005

Atenção!

TNS Sofres, 26 e 27 de Maio
Sim: 49%
Não:51%

CSA, 26 e 27 de Maio(pdf)
Sim: 48%
Não: 52%

Ifop, 26 e 27 de Maio
Sim: 44%
Não: 56%

São, que eu saiba, as únicas sondagens a poderem captar os efeitos do discurso ao país de Jacques Chirac. Duas mostram recuperação de última hora do "Sim", enquanto que outra mostra o "Não" a subir. Está mesmo tudo em aberto.

França, últimas sondagens

É possível que ainda se conheçam outros resultados até ao fim do dia, mas para já, estas são as sondagens conhecidas:

TNS Sofres, 24 Maio (quotas, 1000 inquiridos, face-a-face):
Sim: 46%
Não: 54%

Ipsos, 25 Maio (quotas, 804 inquiridos, telefone):
Sim: 45%
Não: 55%

CSA, 26 Maio (quotas, 1002 inquiridos, telefone):
Sim: 45%
Não: 55%

Há um reforço consistente no Não em relação às sondagens anteriores de cada um dos institutos, e a vantagem do Não é superior às margens de erro amostrais.

quarta-feira, maio 25, 2005

Holanda

TNS Nipo, 18 de Maio
Sim: 33%
Não: 66%

Mas isto é só entre quem já tem intenção de voto. 35% ainda não sabem como irão votar (!) e 10% não respondem.

Volto Sábado, com a análise das sondagens da próxima 6ª feira em França.

Os sondagistas franceses divertem-se

Question : Laquelle de ces personnalités, selon vous, incarnerait le mieux l’image de l’Europe dans le monde et dans les différents pays européens?

Sophie Marceau (France): 32%
Monica Belucci (Italie):16%
Adriana Karembeu (Slovaquie):14%
Cécile de France (Belgique): 4%
Pénélope Cruz (Espagne): 4%
Claudia Schiffer (Allemagne): 4%

Fonte: TNS Sofres

terça-feira, maio 24, 2005

Mais uma

Ifop, 23 de Maio
Sim: 46%
Não: 54%
8% de indecisos

O "Sim" perde força entre o eleitorado de direita:

Odivelas

Há muitos posts atrás, falei aqui de uma sondagem feita em Odivelas, depois de ter sido alertado por um leitor. Vale a pena ler esta deliberação da AACS sobre o assunto. Um excerto particularmente comovente:

Assevera que só após a recepção do ofício desta Alta Autoridade se perceberam de que há legislação sobre sondagens, facto que “completamente” desconheciam. Não obstante, aduz que antes da realização da “sondagem” tentaram, em vão, colher informações, junto do Instituto de Comunicação Social, sobre a legislação relativa a “este tipo de perguntas”. Quanto ao questionário escreve: “as três forças políticas, sobre as quais incidiam as perguntas, apenas nos alertaram para o facto de um dos partidos não ter candidato e isso influir no resultado, e pouco mais“. Para repetir que só após a recepção da carta da Alta Autoridade se aperceberam de que havia legislação “sobre este tipo de matérias”. A terminar, reitera a ignorância da legislação sobre sondagens, garante que não a voltarão a violar e afirma disponibilidade para publicar as rectificações que a Alta Autoridade para a Comunicação Social entender.

Autárquicas

Alertado pelo Esquerdices, chego a um conjunto de sondagens Marktest sobre os candidatos que os eleitores acham que vão ganhar as eleições: Carrilho em Lisboa, Seara em Sintra, Rio no Porto, todos por margens consideráveis e com nunca menos de 20% de respostas "não sabe".

Interessante. Mas claro, não susceptível de ser confundido com intenções de voto (ver esta deliberação da AACS). Nas últimas legislativas, mais de 70% dos portugueses "sabiam" que o PS ia ganhar, o que não significa que nele votassem. E notem: a amostra é nacional. Ou seja, estas são as opiniões dos eleitores portugueses sobre o que se vai passar em cada um dos concelhos, não as dos eleitores de cada concelho. É, para já, uma medida do "clima político" apercebido pelos portugueses em relação a cada um dos concelhos, e muito contaminada pela visibilidade pública dos candidatos, nuns casos, e pela "incumbency", noutros.

CSA, 23 de Maio

Sim: 47%
Não: 53%

Ipsos, 21 de Maio

Sim: 47%
Não: 53%

E uma revolução em relação aos estudos anteriores no que diz respeito aos prognósticos dos eleitores sobre quem irá ganhar: segundo a Ipsos, 41% já acham que o "Não" irá ganhar, contra 34% que prevêm vitória do "Sim".

Ifop, 20 de Maio

Sim: 48%
Não: 52%

segunda-feira, maio 23, 2005

França, análises complementares

Mais alguns dados retirados das últimas sondagens:

1. Eleitorado do Partido Socialista francês partido ao meio em torno do referendo ao TCE;

2. Ligeira tendência para que os eleitores "Não" se afirmem estar mais certos de que essa será a sua decisão definitiva, especialmente nas sondagens mais recentes, indicando potencial maior desmobilização entre eleitores do "Sim" (mas a sondagem Louis-Harris dá resultados inversos...);

3. Inclinações dos indecisos distribuem-se equitativamente para o "Sim" e o "Não" (entre os indecisos que dizem ter uma qualquer inclinação);

4. Mais eleitores a preverem a vitória do "Sim" do que aqueles que prevêm a vitória do "Não" (relação de quase 2 para 1);

5. Uma aparente clivagem social em torno do tema: proprietários, indivíduos mais instruídos e com estatuto socio-profissional mais elevado estão desproporcionalmente a favor do "Sim", enquanto que os empregados da indústria e dos serviços e aqueles com menor instrução estão desproporcionalmente a favor do "Não". Mas importa dizer que isto coincide com uma clivagem ainda mais clara, aquela entre eleitores dos partidos do governo e eleitores dos partidos da oposição em França. Pelo que é difícil saber, olhando apenas para dados agregados, se essa clivagem social é real (traduz uma clivagem entre "vencedores" ou "beneficiários" sociais da integração contra os outros) ou, pelo contrário, mera função dos alinhamentos partidários (e o que eles significam de apoio versus punição do governo);

6. Católicos tendencialmente a favor do "Sim", e tanto mais quanto mais praticantes. Curioso, tendo em conta as animadas polémicas sobre a "herança cristã". Mas também aqui se aplicam as cautelas do ponto 5.

Prognóstico: reservado.

França, a uma semana do referendo

1. Saiu mais uma sondagem, da Louis-Harris, com último dia de trabalho de campo a 21:
Sim: 48%
Não: 52%

Nada de novo em relação a todas as sondagens mais recentes dos restantes institutos: depois da recuperação do "Sim" na 1ª metade de Maio, o "Não" volta a ganhar ascendência.

2. Percentagens do "Não" nas sondagens mais recentes:

- Sofres, 12 de Maio (face-a-face, quotas, 1000 inquiridos): 53%
- IFOP, 13 de Maio (telefone, quotas, 1018 inquiridos): 54%
- Ipsos, 14 de Maio (telefone, quotas, 972 inquiridos): 51%
- CSA, 16 de Maio (telefone, quotas, 1002 inquiridos): 51%
- BVA, 20 de Maio (telefone, quotas, 963 inquiridos): 53%
- Louis-Harris, 21 de Maio (telefone, quotas, 1006 inquiridos): 52%

Perturba um pouco a unanimidade na utilização de quotas, podendo constituir fonte de enviesamento oculto. Mas não há diferença significativa entre uso de telefone e face-a-face.


3. Poll of polls (média móvel das 3 sondagens mais recentes):


4. Outros dados interessantes:

- Fica a impressão que o tipo de dramatização feita pelo lado do "Sim" ("não será possível rever esta Constituição") funciona ao contrário: a maioria dos eleitores "Sim" crê que a Constituição poderá ser revista num futuro próximo, enquanto que os do "Não" pensam o oposto (Louis-Harris);

- A evolução dos dados é diferente da de 1992: em 1992, o Sim estava à frente nas sondagens das últimas semanas, se bem que por margens reduzidas;

- Nunca se falou ou debateu tanto sobre temas europeus em França: ver aqui (pdf). Um ponto a favor dos defensores dos referendos.

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