sexta-feira, setembro 16, 2005

Alemanha: últimas sondagens

Estas deverão ser as últimas sondagens publicadas na Alemanha, onde não existe uma tradição de publicar sondagens nos últimos dias da campanha (porquê? Não sei, tenho de investigar):



Chegámos aqui através de um caminho tortuoso: em Junho e Julho, lento declínio da intenção de voto CDU/CSU, e subida da Linke. Em Agosto e Setembro, estabilização CDU/CSU e subida SPD, aparentemente à custa da Linke:















O mesmo fenómeno é visível quando nos concentramos nas tendências individuais verificadas para CDU/CSU e SPD por cada instituto em Agosto e Setembro:















Por saber: quase tudo.

1. O que irão fazer os 20%-30% (depende das sondagens) daqueles que se dizem "indecisos"?
2. Terão CDU/CSU + FDP os 49% que, em média, as sondagens lhes atribuem, e chegará isso para uma maioria absoluta?
3. Qual a ordem relativa FDP, Linke e Verdes?

As sondagens alemãs têm uma magnífica reputação, coisa facilitada por um sistema de voto proporcional (o "misto" para aqui não interessa, dado que estas percentagens se reportam apenas ao voto em lista). No entanto, resta saber como irão os eleitores lidar com dois estímulos contraditórios: o forte repúdio da actuação do actual governo e a má imagem de Merkel em comparação com Schröder. Domingo se verá.

quinta-feira, setembro 15, 2005

Sondagem presidenciais Intercampus

Intercampus, 5-10 Setembro, N=529, não se diz se é telefónica ou face-a-face nem método de amostragem.

1ª volta:
Cavaco Silva: 43,8%
Mário Soares: 20,9%
Francisco Louçã:10,7%
Jerónimo de Sousa: 4,3%
Indecisos: 20,4%

1ª volta com indecisos redistribuidos proporcionalmente:
Cavaco Silva: 55%
Mário Soares: 26%
Francisco Louçã:13%
Jerónimo de Sousa: 5%

2ª volta
Cavaco Silva: 50,6%
Mário Soares: 26,5%
Ns/Nr: 22,9%

2ª volta com indecisos redistribuidos proporcionalmente:
Cavaco Silva: 66%
Mário Soares: 34%

Resultados têm semelhanças e diferenças com os das anteriores duas sondagens.

1. Semelhanças: na 1ª volta, tal como na sondagem da Católica, Cavaco segura melhor eleitorado PSD do que Soares o eleitorado PS. Na segunda volta, tal como sucedia com as anteriores sondagens, Cavaco Silva é atirado para 60% ou mais dos votos, enquanto metade ou menos dos eleitores BE e PCP admitem votar Soares.

2. Diferenças: Cavaco e Louçã consideravelmente acima na 1ª volta nesta sondagem em comparação com o que sucedia nasondagem da Católica, diferença que, no segundo caso, está acima da margem de erro. É possível que essa diferença se deva ao facto de a sondagem da Católica se concentrar, na estimativa de resultados eleitorais, apenas nos eleitores com maior probabilidade de votar (o que explicaria igualmente o facto de Jerónimo de Sousa aparecer bem melhor na sondagem da Católica do que na sondagem Intercampus). Mas estou a especular.

Bush

Por cá, há quem se entretenha a apontar a calamidade que se seguiu ao furacão Katrina como uma espécie de castigo divino à "soberba imperial" da América e do seu presidente, ao passo que aqueles que a propósito da catástrofe criticam o modelo americano de organização política e social são invariavelmente acusados do pecado capital dos nossos tempos ("anti-americanismo", parece que é assim que se chama), entre outras igualmente sérias e incrivelmente acutilantes observações. Tudo isto está muito bem, apesar de raras vezes ter alguma espécie de interesse.

Seria bom, no entanto, que todo este frenesim intelectual não nos desviasse a atenção, como é costume, do óbvio. Por um lado, como os dados das várias sondagens revelam, os americanos não culpam Bush pela catástrofe (o que seria pura e simplesmente imbecil) e mesmo a avaliação que fazem da sua actuação durante a crise é previsivelmente colorida pelas suas predisposições iniciais. Ou seja: simpatizantes Democratas avaliam mal a sua actuação, enquanto os Republicanos a avaliam bem, o que resulta em algo que não se distancia muito de um fifty-fifty ("rating of Bush on 'the situation caused by Hurricane Katrina:" 44% approve, 54% disapprove). Mais importante: o impacto directo que a crise Katrina teve na avaliação que os americanos fazem de Bush parece ser praticamente nulo, como assinala Franklin: não mais do que -1%.

Contudo, isso não impede que Bush tenha vindo a perder apoio independentemente do Katrina, uma perda linear de 0,03% por dia desde Janeiro de 2005. Uma perda fundada na avaliação maioritariamente negativa (por vezes de forma esmagadora) que os americanos fazem da sua actuação no que respeita ao Iraque, à política energética e ambiental e à segurança social, assim como na manifesta contradição entre as posições que o seu governo defende em vários aspectos ético-morais e aqueles que predominam na sociedade americana. Ou seja, uma avaliação negativa em quase tudo aquilo que realmente conta.

Logo, o verdadeiro contributo destes posts é o de fazer com que não desviemos a atenção do essencial: independentemente do Katrina, Bush é hoje visto por uma clara maioria dos americanos como um mau presidente, incapaz de resolver quer os problemas que existiam quer aqueles que ele próprio se encarregou de criar. Um presidente below average. É simples, é claro e não é, creio, "anti-americano". E se querem uma discussão interessante, que tal a de saber por que razão terá demorado tanto tempo para que todos percebessem o óbvio? Com esta discussão, sim, já me parece útil perder bastante tempo.

Big fish in huge pond

Um dos maiores especialistas americanos (ou seja, mundiais) no estudo da opinião pública e das metodologias quantitativas tem...um blogue. Chama-se Charles Franklin, está na Universidade do Wisconsin e o blogue chama-se Political Arithmetik (where numbers and politics meet).

George e Richard

A percentagem de americanos que aprova a actuação de George Bush é a mais baixa desde Richard Nixon (2º mandato). Espantoso, especialmente tendo em conta que sabemos agora que estes resultados pouco ou nada têm a ver com a catástrofe do Katrina.

George e Katrina

Os efeitos do Katrina na avaliação de Bush, por quem sabe.

terça-feira, setembro 13, 2005

Ainda as sondagens presidenciais

Ainda a propósito das sondagens da semana passada e das opções de voto colocadas perante os eleitores, permanece alguma confusão. Como já disse aqui, a sondagem da Aximage apresentava apenas resultados para Cavaco Silva e Mário Soares, pelo que a melhor intepretação possível seria a de que estávamos perante um cenário de 2ª volta. Não é assim, contudo, que a sondagem tem sido interpretada.

Mas eis que recebo um e-mail do leitor Abel Carvalho (vem identificado, porque o assunto é sério):

Bom dia. Leitor do seu blogue, e tendo sido contactado via telefone pela Aximage para a sondagem desta semana, deixo à consideração o seguinte: as perguntas no geral, não estão correctas, pois fui colocado perante um cenário de votos em que os candidatos seriam, Soares, Cavaco e Portas !!!!!!!!!!!

Será esta a sondagem divulgada na semana passada? Será que a Aximage andou a ler isto?

Alegre e as sondagens (actualizado)

Paulo Gorjão faz eco da pergunta de Manuel Alegre: - "Não sei por que é que me tiraram das sondagens. Estou na mesma situação que Cavaco Silva” - e levanta a hipótese de que isso se deva ao "receio de que possa ter melhores resultados do que Mário Soares".

Eu, que fui um dos responsáveis por uma das sondagens divulgadas na passada semana, posso tentar responder pela minha parte:

1. Que eu saiba, a esmagadora maioria da comunicação social que cobriu o discurso em Viseu de Manuel Alegre intepretou-o como sendo de desistência (exemplos: aqui, aqui, aqui). Não se pode dizer aos eleitores que se desiste de uma candidatura para depois pedir que as sondagens perguntem aos eleitores se votariam nela. Ah, mas não era isso que se queria dizer? Então teria sido necessário desmentir claramente os títulos de jornal. O que não pode suceder, técnica e metodologicamente, é colocar perguntas e opções de voto numa sondagem que os inquiridos, na base da informação de que dispõem, não possam intepretar como outra coisa que não sendo absurdas. E as sondagens não têm a obrigação de corrigir os jornais ou explicar aos eleitores aquilo que os políticos não sabem ou não querem explicar.

2. A comparação com Cavaco é falaciosa. Cavaco não desistiu de nada, e sejamos claros: é preciso viver em Plutão para imaginar que não será candidato. Aliás, numa pergunta aberta (sem opções de voto), onde se perguntava quem irá ganhar as eleições, a maioria dos eleitores respondeu Cavaco Silva. Para esses, pelo menos, a candidatura de Cavaco é um dado adquirido.

3. O mesmo não sucede, nem de perto nem de longe, com Manuel Alegre. A pergunta da Católica apresentava os quatro candidatos (CS, MS, JS e FL) como opção de voto e adicionava explicitamente uma opção "Outro". Não vou fazer de conta que esse estímulo equivale a explicitamente colocar o nome de Manuel Alegre. Mas a verdade é que essa opção "Outro" foi assinalada por ...3% dos eleitores. Se a candidatura de Manuel Alegre fosse vista como existente e viável por alguém, esse valor seria certamente superior.

Pareço ligeiramente irritado? É possível. Conheço o Paulo e tenho apreço por ele, mas não gosto de ler coisas como esta: "Boa pergunta, por que é que o tiraram das sondagens?Existe algum receio de que possa ter melhores resultados do que Mário Soares?" Eu percebo que a intenção do post é política, e não outra coisa qualquer. Mas eu, que sou o responsável pela sondagem, não considero justo ter de ler coisas como esta à custa das intenções políticas dos outros.

P.S.- Esclarecido.

Hubris?

Schröder declara-se convicto de que irá ganhar as eleições de Domingo. À primeira vista, parece puro descaramento, mas a verdade é que a vantagem da CDU/CSU passou de 20% em finais de Junho para 7% na média das últimas três sondagens (Forsa. Enmid, GMS). Na mesma média, CDU/CDU+FDP somam 48%, em princípio abaixo da maioria absoluta. No último Politbarometer da ZDF, 53% afirmam preferir Schröder como Chanceler, contra 42% que preferem Merkel. E nos mercados electrónicos, já após o debate de ontem, a CDU/CSU aparece apenas com 5% de vantagem.

Espantoso, para mim - certamente por ignorância - é o grau de politização da imprensa alemã...

sexta-feira, setembro 09, 2005

O eleitorado BE e as presidenciais

Vocês lá saberão, mas a minha sugestão é que não se tirem excessivas conclusões desta ideia de que 57% dos eleitores do BE (Aximage) ou 45% dos eleitores Louçã na 1ª volta (Católica) tencionam votar Cavaco numa 2ª volta. Porque:

1. São percentagens calculadas em relação a sub-amostras, tendo por isso associadas margens de erro substancialmente superiores às da amostra total, tal como se avisa nos quadros publicados hoje no Público. A Católica, por exemplo, tem 51 inquiridos a dizer que vão votar Louçã na primeira volta. A Aximage, com uma amostra de 600 pessoas, há-de ter bastante menos eleitores declarados do BE. Só para vos dar uma exemplo, a uma amostra aleatória de 51 inquiridos está associada uma margem de erro máxima de...13,7%.

2. A segunda volta "não existe". É um cenário. Soares ainda não é o candidato da esquerda. BE ainda não deu recomendações de voto aos seus eleitores. Isto não quer dizer que as reacções actuais dos eleitores aos cenários sejam completamente irrelevantes. Mas é um salto muito grande aquele que vai de se dizer que o eleitorado BE não se encontra de momento predisposto a deslocar o seu voto para Soares para se dizer que metade do eleitorado BE vai votar em Cavaco. Os eleitores são as suas preferências e as suas circunstâncias, e as circunstâncias de hoje não são as circunstâncias de Janeiro.

Agora que a coincidência destas suas sondagens num resultado semelhante dá que pensar sobre o que será isto do "eleitorado do BE", lá isso dá. Prometo voltar ao assunto, e prometo também que não vou dar o exemplo que já ouvi mil vezes das "tias de Cascais" que acham que o Francisco Louçã "fala muito bem" e é uma pessoa "muito honesta" (mas que las hay, las hay).

Katrina and the waves

Evolução (negativa) da avaliação do trabalho de Bush no que respeita ao furacão. Isto, e muito mais, aqui. Excertos:

The American public is highly critical of President Bush's handling of Hurricane Katrina relief efforts. Two-in-three Americans (67%) believe he could have done more to speed up relief efforts, while just 28% think he did all he could to get them going quickly. At the same time, Bush's overall job approval rating has slipped to 40% and his disapproval rating has climbed to 52%, among the highest for his presidency. Uncharacteristically, the president's ratings have slipped the most among his core constituents ­ Republicans and conservatives.

(...)

In addition, blacks and whites draw very different lessons from the tragedy. Seven-in-ten blacks (71%) say the disaster shows that racial inequality remains a major problem in the country; a majority of whites (56%) say this was not a particularly important lesson of the disaster. More striking, there is widespread agreement among blacks that the government's response to the crisis would have been faster if most of the storm's victims had been white; fully two-thirds of African Americans express that view. Whites, by an even wider margin (77%-17%), feel this would not have made a difference in the government's response.

(...)

The deep and enduring differences over Bush's presidency are once again evident in attitudes toward government's response to the disaster. Fully 85% of Democrats and 71% of independents think the president could have done more to get aid to hurricane victims flowing more quickly. Republicans, on balance, feel the president did all he could to get relief efforts going, but even among his own partisans 40% say he could have done more.

Alemanha: maioria CDU/FDP em risco

Como já tinha aqui previsto (nem sempre acerto, mas aqui aconteceu), as sondagens realizadas após as férias de Agosto e pós-debate trazem novidades muito sérias (aqui):

1. SPD passa de 30-32% para 33-34%;

2. Mas mais importante, soma CDU/CSU+FDP passa de uns consistentes 50% para 48%.















Nos mercados electrónicos, a CDU/CSU já aparece com menos de 40% de votos, ao passo que a opção de "grande coligação" CDU-SPD como provável futuro governo já passou à frente da solução CDU-FDP.

Sondagens presidenciais: comentários

1. Importa começar por notar que as duas sondagens publicadas hoje são sobre coisas diferentes. A primeira apresenta um cenário de 1ª volta com 4 candidatos presidenciais, três certos e um provável. A segunda apresenta um cenário de 2ª volta, com Cavaco e Soares. As comparações possíveis são, portanto, altamente limitadas. Contudo, a sondagem da Católica colocou também os eleitores perante um possível cenário de 2ª volta, o que já permite comparação com a sondagem Aximage. Assim, temos:

Cavaco, 2ª volta, após redistribuição de indecisos
Católica: 64%
Aximage: 60%

Soares, 2ª volta, após redistribuição de indecisos
Católica: 36%
Aximage: 40%

As diferenças estão dentro da margem de erro. Há ainda várias coisas parecidas nas duas sondagens, em particular o facto (à primeira vista surpreendente) de a maior parte do eleitorado de Louçã (na Católica) e BE (Aximage) declarar tencionar votar Cavaco na 2ª volta, ao passo que a maior parte do eleitorado Jerónimo (Católica) e CDU (Aximage) afirma que tenciona abster-se.

2. Dito isto, os resultados de uma possível 2ª volta são o que menos interessa. Soares não é o candidato nem do BE nem do PCP, e uma 2ª volta não passa de um cenário hipotético. Só quando Soares se tornar o candidato desses dois partidos - quando e se houver uma segunda volta - é que se pode ter uma ideia mais clara do que esses eleitorados irão fazer. Para já, Soares surge, com toda a probabilidade, muito subestimado nestas sondagens no que respeita a uma 2ª volta.

3. Muito mais interessante é perceber o que se passa na 1ª volta. Tenho vindo a defender em vários posts que a natureza destas eleições - eleições que não servem para eleger um governo - favorece, por parte dos eleitorado do PS, a sua utilização para castigar o partido de governo, ao passo que desincentiva eleitores "sinceros" de outros partidos, que terão votado útil no PS nas legislativas, de repetir a façanha em eleições presidenciais. E assim parece acontecer: em ambas as sondagens, os eleitores do PS encontram-se menos motivados para votar Soares que os eleitores PSD para votar Cavaco, e os eleitores à esquerda do PS hesitantes em passar para Soares numa segunda volta (pelo menos para já).

4. Para mim, perturbante: que a maioria dos eleitores (quer os que tencionam votar Cavaco, quer Soares, quer todos os outros) achem que o Presidente deva ter mais poderes ou que deva intervir na vida política do dia-a-dia para "ajudar a resolver os problemas do país" (72%). Quando se acha que os problemas do país se resolvem de Belém, isso significa que se acha que as instituições que de facto deviam governar e legislar estão bloqueadas. A importância inusitada que a comunicação social e os comentadores têm vindo a dar as presidenciais de há dois anos para cá é sintoma disto. Mas que isto fosse assim durante o consulado de Santana Lopes, ou mesmo antes, não me surpreende muito. Agora que se continue a achar isso quando um governo dispõe de uma maioria absoluta só posso ver como mau sinal.

Sondagens presidenciais: os resultados

Católica, 6-7 Setembro, Telefónica, Aleatória, N=961.

Resultados brutos
Cavaco Silva: 27%
Mário Soares: 15%
Francisco Louçã: 5%
Jerónimo de Sousa: 5%
Outro: 3%
B/N:3%
Não vai votar: 16%
Não sabe: 19%
Não responde: 7%

Estimativa de resultados eleitorais*:
Cavaco Silva: 49%
Mário Soares:32%
Jerónimo de Sousa: 11%
Francisco Louçã: 7%

*Obtida calculando a percentagem das intenções directas de voto em cada partido em relação ao total de votos válidos (excluindo abstenção, não respostas, brancos e nulos) e redistribuindo indecisos com base numa segunda pergunta sobre intenção de voto, sendo contados apenas votos e inclinações de voto de quem diz “ter a certeza” que vai votar na 1ª volta das próximas presidenciais. Estas estimativas têm valor meramente indicativo, dado que diferentes métodos de estimação poderão gerar resultados diferentes (era bom que o Público, como é hábito, colocasse sempre esta nota quando publica as estimativas...)

Já agora, aproveito para corrigir um novo lapso nos resultados da sondagem da Católica apresentados pelo Público. Na estimativa de resultados, Jerónimo de Sousa (JS) e Francisco Louçã (FL) aparecem trocados nos gráficos do jornal. Na verdade, é JS que tem 11% e FL que tem 7%, tal como divulgado ontem pela RTP e RDP. Podem também perguntar-se porque aparecem JS e FL com 5% cada nos resultados brutos e depois com uma diferença de 4% na estimativa. É simples: na estimativa, os indecisos são redistribuídos de acordo com a sua inclinação de voto, e é tomada em conta a probabilidade de ir votar (contam-se apenas os votos daqueles que dizem ter a certeza que vão votar - cerca de 70% nesta sondagem). Por estas e por outras é que é bom as pessoas que lêem os jornais (e não apenas a meia dúzia de gatos pingados, sem ofensa, que vêm a este blog) disponham da informação completa sobre como se chega aos resultados apresentados.

Aximage, 5-6 Setembro, Telefónica, Quotas, N=600.

Cavaco Silva: 53,4%
Mário Soares: 36,2%
Indecisos: 10,4%

quinta-feira, setembro 08, 2005

Presidenciais 3

Hoje, Pedro Adão e Silva escreve que, tal como eu teria assinalado aqui, "na primeira volta das presidenciais de 1986, Soares, Zenha e Pintasilgo tiveram menos votos do que PS, PRD e PCP nas legislativas de 1985". Ora a releitura do meu post mostrará que aquilo que eu escrevi foi que Soares e Zenha (não Pintassilgo) tiveram menos votos que PS, PRD e PCP. Dado que o objectivo do exercício era perceber até que ponto o apoio partidário se converte em votos presidenciais, Pintassilgo não poderia ser contabilizada, dado que não recebeu apoios partidários de partidos relevantes.

Contudo, isto, e um e-mail que recebi, faz-me pensar que o exercício poderá ter ainda mais problemas que aqueles que eu sugeri à partida que tinha. Na verdade, o facto de os candidatos de esquerda com apoios partidários não terem "realizado o seu potencial" em 1986 deveu-se, em parte, claro, à presença de uma candidatura de esquerda apartidária.Eis um excerto de um e-mail que recebi sobre isto, que adianta ainda outros aspectos interessantes dessas eleições:

Para assumir algum rigor, é preciso recordar que a "Esquerda" surgiu tripartida nas Presidenciais de '86, já que uma parte do PRD, porventura a mais "romântica" e "basista" convergiu na Candidatura da Eng.ª Pintassilgo com votantes da UDP e algumas votantes da então APU. É preciso não esquecer que a Candidatura de Zenha surgiu tardiamente, num momento no qual boa parte dos votantes do PRD haviam assumido que esta força apoiaria Pintassilgo, enquanto o "Pintassilguismo", com o MAD - Movimento para o Aprofundamento da Democracia, já estava no terreno antes das Legislativas de '85 e constituiu um parte substancial da estrutura territorial que permitiu a efectividade da primeira campanha eleitoral do PRD. Adicionalmente, este último partido não tinha, nem veio a ter..., um eleitorado consolidado e passível de ser condicionado nas suas opções por um "endorsement" do General Eanes, como ocorreu entre a 1.ª e a 2.ª voltas com o do PCP/APU. Em suma, creio ser demonstrável que os três candidatos, entre si, fixaram eleitoralmente o "Povo de Esquerda"...

Certo. Mas eu não duvido que três candidaturas "partidárias" de esquerda fixem melhor o "povo de esquerda" do que uma candidatura única soarista. O que eu duvido é que a fixação do "povo de esquerda" chegue para compensar a punição que Soares sofrerá por parte dos eleitores menos partidarizados do PS por ser nada mais do que o candidato do governo. Ou por outras palavras: em 1986, a "esquerda"era a "oposição", e isso simplica tudo numa campanha. Hoje, a "esquerda" é "oposição" e "governo". E isso complica tudo.

Mas para terminar esta série de posts, sejamos pragmáticos: esta discussão é meramente académica, porque a entrada de Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa na corrida nada tem a ver com o que Mário Soares, Cavaco Silva, o PS, o governo, a "esquerda" (seja lá o que isso for) ou a "direita" (idem) queiram ou deixem de querer. Porque por muito que possa custar ao BE e ao PCP ver Cavaco Silva no governo (se é que custa alguma coisa, mas admitamos que sim), essa consideração é irrelevante comparada com a necessidade de marcar terreno político, fixar eleitorado, aproveitar exposição mediática e consolidar as lideranças (oficiosa uma, oficial outra) de cada partido.

P.S.- Informam-me que Francisco Louçã é o líder oficial (e não oficioso) do BE desde o último congresso. Ando um bocado desatento em relação à vida do BE...

quarta-feira, setembro 07, 2005

Katrina

Do Polling Report:

ABC News/Washington Post Poll. Sept. 2, 2005. N=501 adults nationwide. MoE ± 4. Fieldwork by TNS Intersearch.

Do you approve or disapprove of the way George W. Bush is handling the situation caused by Hurricane Katrina?
Approve: 46%
Disapprove: 47%
Unsure:8%

Do you think the federal government should have been better prepared to deal with a storm of this size, or do you think it was as prepared as it reasonably could have been?
Should Have Been Better Prepared:67%
Prepared As Could Have Been:31%
Unsure: 2%

How about the state and local governments in the affected areas? Do you think they should have been better prepared to deal with a storm of this size, or do you think they were as prepared as they reasonably could have been?
Should Have Been Better Prepared:75%
Prepared As Could Have Been:24%
Unsure:1%

terça-feira, setembro 06, 2005

Alemanha, a 12 dias

Poll of polls (últimas 3 sondagens):
CDU/CSU: 42,7%
SPD: 31,7%
Linke: 8,3%
Grüne:7,3%
FDP:7,0%

CDU/CSU+FDP:49,7% (maioria absoluta)
SPD+Grüne:39%

Mercados electrónicos (aqui):
CDU/CSU: 40,2%
SPD: 32,5%
Linke: 8,4%
Grüne:8,3%
FDP:7,6%

CDU/CSU+FDP:47,8% (sem maioria absoluta)
SPD+Grüne:40,8%

Prognóstico Norpoth/Gschwend de votação nos partidos de governo (com base num modelo incluindo popularidade do chanceler e apoio partidário de longo-prazo, explicado aqui .pdf, e que se revelou um excelente preditor do voto nos últimos anos):
SPD+Grüne:42%

Dúvidas quase nulas sobre vitória CDU/CSU. Incógnita total sobre se coligação maioritária poderá sair de CDU/FDP ou se terá de sair de CDU/SPD...

segunda-feira, setembro 05, 2005

Presidenciais 2

Para Vital Moreira, a vantagem da separação da esquerda em três candidaturas presidenciais consiste em permitir que Soares fique livre para disputar o eleitorado do "centro" ao passo que PCP (Jerónimo de Sousa) e BE (Francisco Louçã) consolidam posições "à esquerda". Assim, os dois "eleitorados" ("de centro" e "de esquerda") são mobilizados para impedir a vitória de Cavaco à 1ª volta, para logo depois tudo convergir em Soares na 2ª volta.

Eu acho que isto tem a sua lógica. Mas também acho que essa lógica depende da validade das nossas pressuposições sobre o que causa o comportamento de voto em eleições presidenciais. VM acha que, fundamentalmente, os eleitores em eleições presidenciais votam por candidatos que melhor representam as suas "posições ideológicas". Pode ser que assim seja.

Mas o que sucede se as presidenciais não forem sobre exactamente (ou apenas) sobre isso? O que sucede se as presidenciais tiverem a tendência para se transformarem num referendo à actuação do governo, à situação do país, ou até numa mera decisão sobre a conveniência de colocar em Belém alguém de um partido diferente do governo?

Se assim for, Soares pode perder ao apresentar-se como mero candidato "do PS" ou "do governo", ónus que diluiria claramente ao apresentar-se como o candidato de todo o centro-esquerda alternativo a Cavaco (condição na qual, aliás, já se apresenta, mas que é dificilmente sustentável ao longo dos próximos meses, supondo eu que era isto que Ricardo Costa queria dizer aqui). Se assim for, nada garante que, no cômputo geral da esquerda (e da possibilidade de evitar o 50%+1 de Cavaco), as perdas do "candidato do governo" sejam compensadas pelos ganhos que podem advir de ter o BE e o PCP envolvidos na corrida presidencial.

Claro que o que eu acabo de escrever também só tem lógica na medida em que se pressuponha que a votação de Soares será directamente afectada pela popularidade do governo, que essa popularidade está em queda, e que os governos tendem a ser penalizados neste tipo de eleições (especialmente quando elas têm lugar fora dos períodos de "lua de mel"). Pressuposições, é o que temos... Logo se verá.

Antes do debate

O debate Schröder-Merkel foi ontem. Ao que parece, segundo as sondagens realizadas após o debate, Schröder ganhou-o, sem surpresa, mas Merkel não cometeu erros catastróficos.

Seja como for, a sondagem de intenções de voto mais recente foi publicada anteontem, pelo que não reflecte o debate. E continua a ser uma sondagem cujo trabalho de campo foi feito em Agosto. E o que mostra, tal como todas as sondagens da última semana, é o mesmo que as anteriores de Agosto já mostravam: CDU estável nos 42-43%, SPD a subir, Linke a descer.

sexta-feira, agosto 26, 2005

Alemanha: ponto da situação

Arrumo a casa, antes de uma pausa de uma semana.

Poll of polls, média móvel dos resultados das últimas 3 sondagens, com 51 sondagens desde 14 de Junho, sendo a última sondagem a do Forschungsgruppe Wahle, divulgada hoje pela ZDF:


CDU/CSU estável, SPD em (lentíssima) subida desde início de Agosto, subida concomitante com igualmente lenta descida Linke. Resto estável desde o início.








Para confirmar essas tendências detectadas desde o início de Agosto, isolo os resultados dos institutos que têm publicado mais sondagens e analiso as tendências de cada um:



Forsa é o único que identifica descida da CDU em Agosto, mas era também, desde o início, o "outlier" em termos da (alta) intenção de voto para a CDU. Infratest e Enmid mostram estabilidade. Ao mesmo tempo, todos mostram SPD a subir.





Mas tenho algumas desconfianças sobre sondagens conduzidas em meses de férias escolares... Voltamos a falar na primeira semana de Setembro.

Presidenciais

Mais algumas curiosidades para adicionar a esta, e já passo à análise:

Presidenciais 1986
Soma dos votos de candidatos apoiados por partidos de esquerda, 1ª volta (Soares-PS, Zenha-PRD, PCP): 45,8%
Soma dos votos desses partidos nas eleições de 1985: 52,2%
Saldo a favor do candidato: -6,4%

Soma dos votos de candidatos apoiados por partidos de direita, 1ª volta (Freitas-PSD, CDS): 45,8%
Soma dos votos desses partidos nas eleições de 1985: 39,9%
Saldo a favor do candidato: +5,9%


Presidenciais 1996
Soma dos votos de candidatos apoiados por partidos de esquerda (Sampaio-PS,PCP): 52,7%
Soma dos votos desses partidos nas eleições de 1995: 52,4%
Saldo a favor do candidato: +0,3%

Soma dos votos de candidatos apoiados por partidos de direita (Cavaco: PSD, CDS): 45%
Soma dos votos desses partidos nas eleições de 1995: 43,2%
Saldo a favor do candidato: +1,8%


Ora bem. Espero não me ter enganado nas contas, que isto foi feito um bocado à pressa. E não quero levar isto demasiado longe. Dois casos são só dois casos. São os únicos comparáveis às eleições de 2006 (sem o incumbent a concorrer e com esquerda e direita divididas) e não há teorias que que possam ser testadas com tão poucas observações. Mas permito-me assinalar três coisas :

1. Quer Freitas quer Cavaco adicionaram, como candidatos presidenciais, mais à sua "base partidária de apoio" do que os candidatos de esquerda.
2. Cavaco adicionou algo ao resultado dos partidos que o apoiaram em 1996 mesmo em período de "lua de mel" do governo PS e em circunstâncias políticas gerais que lhe eram altamente desfavoráveis. Pelo contrário, Sampaio quase não somou nada ao voto PS+PCP, nas mesmas circunstâncias, mesmo tendo que conta que, presumivelmente, deveria ter recolhido apoio do eleitorado marginal dos restantes pequenos partidos. E convém lembrar que, para Cavaco, ou melhor, para a imagem que dele faz o eleitorado, 2006 não é 1996.
3. Em 1986, diferentes candidatos para diferentes partidos de esquerda significaram menos votos para a soma desses candidatos do que para a soma dos partidos que os apoiaram. Logo, não sei se aquilo que Vital Moreira presume aqui - que "as três candidaturas à esquerda somarão, em conjunto, mais votos concorrendo separadas do que concentradas em Mário Soares logo à primeira volta" - é de todo previsível.
Mas não há certezas. Por um lado, há isto, e isto é muito forte:
Soma dos votos PS, PCP e BE nas eleições de 2005: 58,9%
Soma dos votos PSD e CDS nas eleições de 2005: 36.2%


Mas por outro lado, não se pode ignorar que o PS começa a sofrer o desgaste previsível da governação, sendo presumível que um seu candidato, seja ele quem for, não consiga reter todo o eleitorado de Fevereiro. Isso é facilitado pelo facto de as eleições presidenciais não terem para os eleitores a mesma importância do que as legislativas. Isto leva a que eleitores que votaram "útil" no PS tenham menos incentivos para voltar a fazer o mesmo num seu candidato, ao passo que eleitores "sinceros" do PS agora descontentes tenham maiores incentivos para usar as presidenciais para expressar o seu descontentamento. E a mobilização diferencial da direita será certamente maior que a mobilização da esquerda, ou pelo menos que a do eleitorado PS: está muito mais em jogo para a direita do que para a esquerda nestas eleições (ou pelo menos assim se julga).

Logo, não estou nada seguro que a vitória de Soares seja melhor assegurada por uma 1ª volta onde se apresentem 3 candidatos. Unir a esquerda num único candidato significa ajudar o eleitorado a "esquecer" que Soares é "apenas" o candidato do PS, coisa que de todo não lhe convém ser. E seria um passo para a necessária "dramatização" das eleições, sem a qual não há hipóteses de concorrer com a "dramatização" à direita ("o Estado nas mãos nas mãos do socialismo", "salvação nacional", etc.).

Voltarei, claro, ao assunto, quando houver sondagens.

quinta-feira, agosto 25, 2005

Uma curiosidade (prólogo a futuras conversas)

Universidade Católica, Janeiro de 2004, Aleatória estratificada, N=1206, face-a-face

Se pudesse decidir por si, quem gostaria que fosse o próximo Presidente da República? (pergunta aberta, resposta espontânea, codificada à posteriori)
Cavaco Silva: 19%
Jorge Sampaio:18%
Santana Lopes:7%
António Guterres:6%
Marcelo Rebelo de Sousa:2%
Mário Soares: 1%
21 outras personalidades, incluindo esta, todos com menos de 1% cada um:7%
Não sabe:20%
Não responde:20%

Se numa 2ª volta das eleições presidenciais concorressem Cavaco Silva e Mário Soares, em qual deles votaria?
Cavaco Silva: 44%
Mário Soares: 32%
Votava branco/nulo:5%
Não votava: 8%
Ns/Nr:11%

Isto foi, repito, em Janeiro de 2004. Volto em breve a este assunto...

quarta-feira, agosto 24, 2005

Não mata mas mói

Brasil, Ibope, 13-17 Agosto 2005, N=2002, Face-a-face

Na sua avaliação, o Governo do Presidente Lula está sendo:

Bom/Ótimo: 29% (-7%)
Regular: 38% (-2%)
Ruim/Péssimo:31% (+7%)
Ns/Nr: 2%

terça-feira, agosto 23, 2005

Dos arquivos do genial Professor Pollkatz

Wishfull thinking? Nixon vs. Bush.
















Uma opinião pública movida a gasolina:

















Isto e muito mais aqui.

Eleições e mercados electrónicos

(à atenção da Lei da Espada)

Há uma tendência para que os mercados electrónicos, como o IEM, consigam prever os resultados de eleições tão bem como algumas sondagens, e quase sempre melhor que a média das sondagens. Na verdade, as sondagens visam descrever o estado da opinião, não prever, mas o certo é que muita gente as procura como modo de previsão, pelo que vale a pena comparar o que se passa nos mercados com o que se passa nas sondagens.

Por estes dias, a poll of polls das sondagens alemãs dá o seguinte:
CDU/CSU: 43%
SPD: 29%
Linke: 9%
Verdes:8%
FDP: 8%

Mas no Wahlstreet, a história é ligeiramente diferente:
CDU/CSU: 40%
SPD: 31%
Linke: 10%
Verdes:8%
FDP: 7%

O "mercado" aposta que a CDU vai ter menos do que na sondagens e o SPD algo mais. E é plausível, especialmente tendo em conta a impopularidade de Merkel e a "espiral do silêncio" que deve estar a funcionar contra o SPD. Importa também dizer, contudo, que o mercado é, ele, próprio, muito sensível às sondagens: comparem a evolução das sondagens aqui com a evolução do mercado aqui e verão, especialmente no que respeita ao "arrefecimento" das expectativas em relação à coligação PDS-WASG...

Diminui apoio à retirada dos colonatos

Israel, Maagar Mochot, 18 Agosto, N=511, Telefónica.

Do you support or oppose the disengagement plan?
Support: 46% (-7%)
Oppose: 42% (+12%)
Outros:12% (-5%)

segunda-feira, agosto 22, 2005

CDU/CSU + FDP

Apesar de sondagens em Agosto me levantarem algumas dúvidas - num recente Eurobarómetro, 80% dos alemães declararam passar pelo menos duas semanas fora de casa durante as férias, com as consequências para a amostragem durante o mês de Agosto que se imaginam - não parece haver grandes dúvidas sobre qual vai ser o partido mais votado nas eleições na Alemanha. A dúvida é se CDU/CSU e FDP conseguem, em conjunto, chegar à maioria absoluta.

Na base dos dados das sondagens feitas até agora, creio que as coisas se inclinam para que sim. Vejamos: o valor mínimo da soma das intenções de voto obtidas pelos dois partidos até agora foi 48%. Em 1994, CDU/CSU e FDP obtiveram em conjunto 48,4% dos votos e, em conjunto, 341 deputados, 4 mais do que aqueles que necessitavam para a maioria absoluta. E há outros exemplos de situações em que menos de 50% de votos para as somas CDU/CSU+FDP ou SPD+FDP seriam suficientes para mais de 50% dos assentos parlamentares. Assim foi em 1961, 1965, 1969 e 1998, por exemplo. E importa recordar que 48% foi o mínimo que CDU/CSU e FDP obtiveram em conjunto nas últimas sondagens, já que, na poll of polls, têm andado sempre pelos 49-50%. Em resumo, apesar do sistema eleitoral alemão ser bastante proporcional na conversão de votos em mandatos - mais do que o nosso, por exemplo - continua a ser possível ter maiorias absolutas de deputados com maiorias relativas de votos.

Contudo, isto é um pouco mais complicado do que parece. Por exemplo, o sistema alemão tem uma cláusula barreira que exclui da representação parlamentar todos os partidos que tenham menos de 5% de voto a nível nacional ou não consigam ganhar pelo menos três assentos nos círculos uninominais, sendo os assentos que teoricamente caberiam a esses partidos redistribuidos pelos restantes. Logo, esta exclusão (ou falta dela) pode ser crucial para determinar o que se passa com os partidos não excluídos. E desta vez, os maiores partidos não vão ter a vida facilitada, dado que a coligação PDS/WASG foi feita precisamente para garantir a ultrapassagem da cláusula-barreira por parte destes partidos.

Mas talvez se possa dizer que tudo o que seja abaixo dos 48% em votos para CDU/CSU+FDP significa elevado risco de não dispor de uma maioria absoluta. Tendo em conta a enorme vantagem da CDU/CSU sobre o SPD, o vencedor não está em dúvida. A dúvida é, precisamente, quanto somam, em votos e assentos, CDU/CSU e FDP. Por enquanto, as coisas inclinam-se para que haja maioria centro-direita. Mas estou curioso para ver as primeiras sondagens de Setembro...

Suportar o terrorismo IV

Do UK Polling Report:

Following the details of the IPCC investigation into the shooting of Jean Charles de Menezes which were leaked earlier this week, there is a new BPIX poll in today’s Mail on Sunday. When it first emerged that Mr de Menezes was not a terrorist public support for the “shoot to kill” policy remained pretty much unchanged. A YouGov survey for the Mirror immediately after the shooting when it was thought Mr de Menezes was a terrorist showed 71% support for the policy; a YouGov poll a few days later for the Economist when it was clear that Mr de Menezes was innocent showed an almost identical 70% support.

The revelations earlier this week that Mr de Menezes was, in fact, not wearing a bulky jacket, nor did he run from the police, or leap over a ticket barrier and he may not even have been warned have finally started to change public opinion: only 58% of people told BPIX they supported the shoot to kill policy, with 28% thinking it wrong. While this is still obviously an overall majority, it is a significant fall from earlier levels of support.

There was also a fall in support for Metropolitan Police Commissioner Sir Ian Blair. In the days immediately following the London bombings BPIX found that 68% of people had confidence in Sir Ian Blair; following this week’s disclosures, confidence has fallen to only 54%. In July 23% said they had little or no confidence in Blair, that figure has now risen to 40%. BPIX also asked people directly whether or not Sir Ian Blair should resign over the police’s handling of the shooting - almost a quarter said he should, with 60% saying he should stay on.

sexta-feira, agosto 19, 2005

Teoria dos dominós

De entre os catorze blogues que aqui, há oito meses, confessei fazerem parte das minhas leituras regulares - Aviz, O País Relativo, A Praia, Barnabé, Bloguítica, Causa Nossa, O Acidental, Fora do Mundo, Blasfémias, Indústrias Culturais, Cartas de Londres, Intermitente, Portugal dos Pequeninos e Homem a Dias - seis já fecharam portas (apesar de um deles se ter passado para outro lado). Dois deles nesta semana.

quinta-feira, agosto 18, 2005

German update (só mesmo para fanáticos...)

Após nova sondagem (Infratest-Dimap) de ontem.

Poll of polls:
















Poll of polls com coligações:
















Tendências CDU/CSU e SPD por instituto:
















Descida da CDU e subida Linke são ainda os principais factos da campanha, mas tendência para estabilização de ambos. SPD não conseguiu beneficiar completamente da descida CDU. CDU/FDP estão no fio da navalha para uma maioria absoluta.

quarta-feira, agosto 17, 2005

Suportar o terrorismo III

Do UK Polling Report, há duas semanas:

There was a BPIX poll published in yesterday’s Mail on Sunday, covering public support for increased police powers and the “shoot-to-kill” policy. It was conducted on the 29th-30th July, so the news that the man shot at Stockwell was entirely innocent would have had plenty of time to sink in. As suggested in the YouGov poll for the Economist though, this has had little or no effect on public support for the policy - 68% of people thought the police did the right thing at the time, and a similar number continue to support the policy.
On other policies, 62% support the re-introduction of the death penalty for terrorist murders (pretty much the same as the 60% who supported it’s re-introduction in a BPIX poll straight after the July 7th bombings - opinions on moral issues like capital punishment don’t tend to change much), just under 60% supported the abolition of the Human Rights Act, most controversially, almost a third of respondents said that they thought torture could sometimes be justified in interrogating terrorist suspects.


Do Times de Londres, hoje:

SCOTLAND YARD made “a series of catastrophic errors” that led to armed officers hunting the July 21 bombers shooting dead an innocent Brazilian, it was claimed last night. (...) CCTV footage shows that Mr de Menezes was wearing a thin denim jacket that could not conceal a bomb, and he was not carrying a bag. Far from running from police, he did not realise that anyone was following him and even picked up a free newspaper before using his season ticket to pass through the barrier. He began to run only when he saw his train pull into the station. At the time of the shooting, Scotland Yard said that Mr de Menezes’s “clothing and his behaviour at the station added to their suspicions”. It was only when Mr de Menezes boarded the train that a surveillance officer guided four armed police into the same carriage. A man sitting opposite him is quoted as saying: “Within a few seconds I saw a man coming into the double doors to my left. He was pointing a small, black handgun towards a person sitting opposite me. “He pointed the gun at the right hand side of the man’s head. The gun was within 12 inches of the man’s head when the first shot was fired.”

Ninguém no seu perfeito juízo ou em boa fé poderá retirar qualquer satisfação da revelação das reais circunstâncias da morte de Jean Charles de Menezes. Mas a única esperança é que desta tragédia venha alguma lucidez. Lucidez suficiente para que se deixe de pensar que discutir a tensão entre a liberdade e a luta contra o terrorismo não passa de uma coisa de "burocratas bruxelenses" que só serve para "facilitar a vida aos terroristas".

The real thing

Eis a fonte de todas as fontes para as sondagens na Alemanha: esta, da responsabilidade de Martin Fehndrich, Wilko Zicht e Matthias Cantow. Cheguei lá através do indispensável UK Polling Report.

Com este elenco completo de resultados, a poll of polls actualizada fica assim (clicar na imagem para ver em formato maior):
















Os mesmos dados da poll of polls, agora com coligações:

















Depois da descida CDU e subida SPD das últimas semanas, os dados mais recentes indicam uma relativa estabilização. Vale a pena ler a breve e claríssima análise do Uk Polling Report, aqui.

quinta-feira, agosto 11, 2005

Maioria de israelitas apoia retirada

Maagar Mochot, 8 Agosto 2005, N=506, Telefónica.

Are you for or against the disengagement plan?
For: 57% (+5% em relação a 20 de Julho)
Against: 31% (+1%)
Ns/Nr: 12% (-6%)

quarta-feira, agosto 10, 2005

Alemanha, tendências por instituto e conclusões



A pouco mais de um mês das eleições na Alemanha, o que dizem as sondagens?

1. Distância ainda enorme entre CDU/CDU e SPD;

2. Diminuição progressiva dessa distância ao longo dos últimos meses;

3. Encurtamento da vantagem da CDU/CSU concomitante com deterioração da imagem de Angela Merkel e aumento da popularidade pessoal de Schröder, que já ultrapassa Merkel como melhor opção como Chanceler (ver aqui alguns incidentes de campanha ligados a isto);

4. Diminuição do score CDU/CSU e estabilidade (por baixo) do FDP tornam maioria absoluta da coligação CDU/CSU-FDP menos plausível.

5. Subida do PDS/WASG torna maioria SPD/Verdes altamente implausível.

6. Postura política e ideológica do PDS/WASG torna sua participação numa coligação de esquerda altamente implausível.

7. Logo, opção de coligação mais favorecida pelos alemães é uma "grande coligação" CDU/CSU-SPD. Mas isso não impede - pelo contrário - a cada vez menos desejada Merkel como Chanceler. A CDU e/ou os eleitores alemães vão ter de encontrar uma solução para este dilema.

Alemanha, poll of polls, coligações

terça-feira, agosto 09, 2005

Alemanha, poll of polls

Hiroshima e Nagasaki

Public Opinion Research Center/Ipsos

Japão, Julho 1-3, 2005; N=1945
Estados Unidos, Julho 7-10, 2005, N=1000

Acha que os bombardeamentos atómicos de Hiroshima e Nagasaki em 1945 foram inevitáveis ou desnecessários para conduzir a guerra a um fim rápido?

Inevitáveis
Japão: 35%
Estados Unidos: 60%

Desnecessários
Japão: 63%
Estados Unidos: 39%

Não sabe/não responde
Japão: 2%
Estados Unidos:1%


Acha que algum país poderá alguma vez ter justificação para usar uma arma nuclear primeiro contra outro país?
Sim
Japão: 14%
Estados Unidos: 28%

Não
Japão: 82%
Estados Unidos: 69%

Não sabe/não responde
Japão: 4%
Estados Unidos:3%

sexta-feira, agosto 05, 2005

Os sondagistas alemães apertam os cintos de segurança (actualizado)




































E Schwarz-Gelb ohne Mehrheit, ou seja, CDU/CSU-FDP sem maioria.

Serviço público

A Marktest tem a amabilidade de fazer no seu site sobre sondagens eleitorais um link para este blogue. Mas acreditem que, pelo menos no que respeita a eleições autárquicas, o que mais conta agora é o link no sentido inverso. Aqui, a Marktest reúne todas as sondagens publicadas até ao momento sobre eleições autárquicas, por concelho. Cada link do concelho tem os resultados de cada sondagem e o fundamental das suas fichas técnicas, o recorte dos jornais onde foram publicadas, e dados socio-demográficos e eleitorais do concelho. Melhor que isto é difícil. A não perder.

quinta-feira, agosto 04, 2005

Alemanha, update
















A imagem está longe de ser perfeita, mas creio que dá para perceber. São todas as sondagens de intenção de voto realizadas desde Maio na Alemanha, disponíveis aqui. SPD tem vindo lentamente a descer, passando-se o mesmo (em menor grau) com CDU/CSU. Só a aliança de esquerda sobe, aparentemente ganhando votos ao SPD na Alemanha Ocidental e à CDU (!) no Leste.

No pós-guerra, só em 1957 ocorreu uma maioria absoluta monopartidária no parlamento (CDU/CSU). Com os 45% da última sondagem, é impossível que CDU/CSU chegue à maioria absoluta. E os 7% da FDP podem não chegar.

O Economist tem, claro, um bom artigo sobre o assunto, recordando experiências anteriores de "grandes coligações" e as dificuldades que daí poderiam surgir (aqui, para assinantes).

terça-feira, agosto 02, 2005

Es wird interessanter

O meu post de ontem sobre as sondagens eleitorais na Alemanha, se bem que servisse como comentário de "longo prazo" acerca das diferenças entre o Leste e o Oeste, tencionava também chamar a atenção para outra coisa, de que o Insurgente, entretanto, já se apercebeu. Para isto:

We've had a four-party system since the 1980's," Richard Hilmer, managing director of Infratest dimap, a leading polling organization, said in an interview. He meant that for a quarter-century, power has generally alternated between a stable two-party moderate-right coalition and a two-party moderate left one, the current one in power being what is called the Red-Green coalition, between Mr. Schröder's Social Democrats and the Greens."But a five-party system makes things much more complicated than they were before," Mr. Hilmer said. Indeed, without the Left Party, it has seemed almost a certainty that a right-of-center coalition between the Christian Democratic Union, or C.D.U., led by Angela Merkel, and the small Free Democratic Party would win the September elections and form a government with Mrs. Merkel as chancellor, which is still a strong possibility. Still, pollsters like Mr. Hilmer say there is a 50-50 chance that the center-right alliance will not get a majority. If that should happen, Mrs. Merkel could be forced to enter into what is being called a "grand coalition" with the very Social Democrats she has been battling for two years.

Ou isto:

Last week, the talk in Germany was of a grand coalition which would put the parties of Angela Merkel and Gerhard Schroeder into a single government, likely with Merkel as its chancellor and Schroeder's SPD as junior partner. But this week, the media and chattering classes are speculating about a possible "Red-Red-Green" coalition that would put the SPD, Left Party and Greens under a single roof. As improbable as the "Red-Red-Green" coalition may be, just the talk of it puts the fear of God in Social and Christian Democratic leaders.The speculation isn't entirely unfounded. As unpalatable as it may be, the latest public opinion polls suggest a scenario in which neither the Social Democrats and Greens nor the Christian Democrats and neoliberal Free Democratic Party (FDP) would garner enough votes to form majority coalitions.The largest single percentage of German voters, 42 percent, say they would prefer a grand coalition to a fraying patchwork quilt of pseudo socialist parties with a lot of historical baggage and diverging political interests.

Pois é. Numa sondagem do dia 18 de Junho (TNS Emnid), a coligação PDS/WASG tinha 9%. Na última sondagem do mesmo instituto (19 de Julho) já tem12%, tendo vindo a subir sistematicamente.

E como se isto não chegasse, temos também que:

segunda-feira, agosto 01, 2005

Alemanhas, Ano Quinze

Forschungsgruppe Wahle, 22 Julho 2005

Intenções de voto Alemanha:
CDU/CSU: 44%
SPD:24%
Linke (PDS/WASG): 12%
Grüne: 11%
FDP: 6%

Intenções de voto Alemanha de Leste:
Linke (PDS/WASG): 34%
CDU/CSU: 33%
SPD:21%
Grüne: 6%
FDP: 3%

sexta-feira, julho 15, 2005

"No nation could preserve its freedom in the midst of continual warfare". James Madison, burocrata bruxelense*

É por isso que não basta bater no peito e dizer que “somos todos londrinos” e na volta da esquina já estar a discutir as tenebrosas propostas do Sr. Blair para limitar direitos de privacidade das mensagens porque isso facilita a vida aos terroristas. Na volta da memória, escarnecer o Patriot Act, essa “fascização da América” como já lhe ouvi falar, atacada por tudo que é burocracia bruxelense e suas extensões nacionais, como se, sobre a dupla pressão dos autocarros que explodem, e da insegurança popular, não se tenha também que ir por aí, com a prudência e as cautelas que as democracias tem que ter por tal caminho. Já o disse e repito, a separação cada vez maior entre elites europeias e americanas nesta questão do terrorismo, vem dos segundos se acharem em guerra e os primeiros não. Será apenas uma questão de tempo, até esta ser apenas uma questão de termos, não de substância, porque, falando como um sábio da Guerra das Estrelas, “em guerra estamos”.
(...)
Acima de tudo, não compreendo porque razão um terrorismo apocalíptico, que tenta por todos os meios ter as armas mais pesadas, nucleares, químicas e bacteriológicas, para garantir o seu Armagedão sacrificial, que tem como objectivo a guerra total, ou seja a aniquilação de milhões dos seus adversários, haja os meios para isso, não tem que ser combatido com tudo o que tenho á mão: tropas, polícias, agentes de informações, à dentada diria um velho inglês da Home Guard, daqueles que esperava a invasão da sua ilha e achava que sempre podia levar um “boche” consigo. E aí o “não se limpam armas”, é de um simplicidade brutal. Ou nós ou eles.

*in "Political Observations," 20 de Abril de 1795, in Letters and Other Writings of James Madison, Volume IV, Lippincott: 1867, p. 491.

Agora é que é: até Agosto.

quinta-feira, julho 14, 2005

Férias

Até Agosto.

A opinião pública é uma coisa complicada II

Tenho de me dedicar mais ao Brasil para além da praia ( desta e desta). O Ivan - da outra - tenta ajudar-me a perceber algo de que nada sei:

As minhas apreciações sobre a política brasileira são puramente impressionistas. No entanto, quem lê os opinion-makers (de direita) daqui é levado a crer que o Lula era encarado, em finais de 2002, quando foi eleito, como uma espécie de salvador. A minha percepção, quando estive no Brasil nessa altura, foi precisamente a contrária. É certo que toda a gente falava de política, incluindo as empregadas da lanchonete, de uma maneira que não é comum cá. Mas as apreciações sobre o Lula não tinham messianismo nenhum, eram uma coisa contida, do género «vamos fazer a experiência», «já é hora de dar uma oportunidade», etc. A impressão com que fiquei - pode ser errada, evidentemente - é que o Brasil já tinha tido o Collor uma vez, e que tinha aprendido com a experiência. Se isto for verdade, pode talvez ser em parte creditado ao FHC. E o Lula pode perder a próxima eleição, mas não vai passar abruptamente de anjo a demónio. Talvez as pessoas compreendam que o poder dele não é absoluto.

Sobre o Lula, as ilusões de óptica no "primeiro mundo" parecem ser, de facto, comuns. Ver aqui e aqui, mas principalmente, e se puderem, aqui.

A opinião pública é uma coisa complicada

No Brasil, depois disto, isto.
























Vá-se lá perceber. Talvez a percentagem de "ficou como sempre esteve" ajude a compreender o que se passa.
Mais informação aqui.

O insucesso escolar de Valadares Tavares

Recomendo vivamente a leitura deste post no Canhoto. À excepção de um artigo do Nuno Crato no Público que, infelizmente, já não consigo localizar, é a primeira vez que vejo expostas com clareza as gravíssimas debilidades metodológicas do estudo de LVT. E só queria dizer que, como os meus alunos de métodos e técnicas de investigação do ICS e da Católica bem sabem, tenho usado este estudo como exemplo da chamada falácia ecológica.

Autárquicas, Lisboa

Católica, 7-11 Julho, N=989, Aleatória (com ponderação sexo, idade e instrução pós-amostragem), Telefónica.

Intenção directa de voto:
Carmona Rodrigues (PSD): 24%
Manuel Maria Carrilho (PS): 22%
José Sá Fernandes (BE): 5%
Ruben de Carvalho (CDU): 4%
Maria José Nogueira Pinto (CDS): 2%
Outro: 2%
Em branco/nulo: 4%
Não vai votar: 11%
Não sabe : 18%
Não responde: 9%

Estimativa de resultados eleitorais:
Manuel Maria Carrilho (PS): 41%
Carmona Rodrigues (PSD): 36%
José Sá Fernandes (BE): 8%
Ruben de Carvalho (CDU): 6%
Maria José Nogueira Pinto (CDS): 3%
Outro: 3%
Em branco/nulo: 2%

Gera-se sempre alguma perplexidade quando os "resultados brutos" parecem dizer uma coisa e as "estimativas" (os resultados apresentados de forma comparável aos resultados de eleições) parecem dizer outra. Quando, para fins de tornar os resultados de sondagens comparáveis com os de eleições, se tratam os indecisos como abstencionistas, essa aparente contradição nunca surge. Os indecisos são proporcionalmente redistribuídos pelas opções válidas de voto e, claro, as ordens mantêm-se.

Contudo, nem sempre é essa a opção utilizada. A Marktest, por exemplo, utilizada um modelo de redistribuição de indecisos baseado em anteriores resultados eleitorais e/ou anteriores resultados de sondagens e/ou no anterior comportamento de voto dos inquiridos (confesso que nunca percebi bem, apesar das várias explicações dos responsáveis no DN). Seja como for, sucede por vezes (e sucedeu várias vezes em 2001 e 2002, gerando alguma controvérsia) que o partido mais votado nos "resultados brutos" não era o mesmo.

Nesta sondagem da Católica, isso acontece por razões mais fáceis de explicar. As sondagens da Católica que não sáo feitas em urna usam uma "squeeze question", onde àqueles que dizem "não saber" em quem votariam é pedida uma "inclinação" de voto. Porquê? Passo a palavra a outro:

"The reason for the inclusion of this second question is purely pragmatic - history has shown, and the present has continued to show, that pollsters get better results by having it than by not having it".*

Eu até acho que é algo mais do que isso: a "squeeze question" permite-nos ir um pouco mais longe na recolha de intenções de voto que os inquiridos preferem ocultar ("espiral do silêncio") ou, pelo menos, permite-nos basear a redistribuição dos indecisos não em pressuposições abstractas mas sim em algo que os próprios inquiridos indecisos nos dizem: em que partido ou candidato se sentem inclinados a votar. E o que sucedeu aqui foi que, quando se foi saber o que os indecisos tencionavam, apesar de tudo, fazer, houve uma concentração desproporcional em Manuel Maria Carrilho. Quando se juntaram as inclinações às intenções, MMC passou à frente de Carmona. Questionável, controverso, não necessariamente a melhor opção? Claro, tudo isso pode ser, já foi, e continuará a ser debatido. Mas o que me interessa é que se perceba.

Interpretações? Haveria duas principais:
1. MMC está a conseguir trazer para o seu campo eleitores não habituais do PS, que hesitam em assumir (perante si próprios e os outros) uma real intenção em votar em Carrilho.
2. MMC está a conseguir repelir para fora do seu campo eleitores habituais do PS, que adiam a decisão devido à contradição entre a sua fidelidade partidária e a opinião menos positiva que têm de Carrilho.

Há algo que torna a segunda mais plausível: para os eleitores que já formaram opinião dos candidatos, Carrilho é pior do que Carmona Rodrigues em tudo. Ainda por cima, Carmona tem a(o) suprema(o) sorte/mérito de ter estado no poder o tempo suficiente para criar uma imagem positiva e tempo insuficiente para ser responsabilizado seja pelo que for, como a comparação entre a avaliação da sua actuação e da de Santana Lopes revelam. Logo, a avaliação do trabalho da CML vai ter pouca importância nestas eleições, em desfavor de factores mais tradicionais: simpatia partidária/ideológica e imagem dos candidatos. E neste último domínio, MMC parece muito chamuscado. Isto é confirmado por uma coisa que, apesar de não vir no Público, creio poder dizer-vos sem problemas: quando se cruza a intenção de voto com a opinião sobre os candidatos, os eleitores de Carmona estão sistematicamente mais unidos em torno das maiores qualidades do seu candidato do que os eleitores de Carrilho.

Chamo ainda a atenção para três coisas:

1. Atenção que Ruben de Carvalho passa para a frente de Sá Fernandes quando se consideram apenas aqueles que dizem "ter a certeza que vão votar";
2. As mulheres, os menos instruídos e os mais jovens dizem-se mais indecisos;
3. Maria José Nogueira Pinto falava ontem da exclusão dos "idosos isolados" do "universo" da sondagem (suponho que queria dizer "amostra"). Queria só dizer que o que se passa, na realidade, é o contrário. Os eleitores a que uma sondagem com amostragem aleatória e feita por telefone tem mais dificuldade em chegar são, precisamente, os mais jovens. Por isso é que há quem use quotas (procurando assegurar à partida que a amostra não fica povoada desproporcionalmente por idosos, que estão mais tempo em casa e tendem a não substituir o telefone fixo por telemóvel) e há (como a Católica) quem pondere os resultados a que chegou de acordo com os dados do recenseamento.


* Nick Moon (1999), Opinion Polls: History, Theory, and Practice. Manchester: Manchester University Press, p. 73.

quarta-feira, julho 13, 2005

Sem limites

Quando se pensa que nada podia ser pior, o horror recorda-nos que não tem limites.

24 CHILDREN DEAD IN IRAQ BOMB13.7.2005. 19:18:39
A car bomb in south-eastern Baghdad has killed 24 Iraqi schoolchildren and a US soldier. Hospital and US military sources said another 20 children were wounded, along with at least one US soldier. "A driver approached one of the US Humvees and then detonated his car," said Sergeant David Abrams, according to AFP. A witness said children had gathered around the Americans who were handing out sweets when the bomber drove towards them and blew himself up. A parent of one of the slain children said he heard the explosion and rushed out of his house to find his son. "I only found his bicycle," said Abu Hamed, speaking at Kindi hospital where hundreds of distraught parents were gathered. He said he had found his son in the hospital morgue. "I recognized him from his head. The rest of the body was completely burnt," he said. The blast is said to have taken place as the US patrol was passing through Baghdad's al-Jedidah district. Another witness said nearby homes were demolished in the explosion.

Homónimos

Uma visita ao Technorati obriga a que vos informe que:

Não sou este.
Nem este.
Nem ainda este (mas se calhar gostava de ser).
E muito menos este.

Política pós-moderna

O político mais popular na Alemanha, quem será? Schröder? Claro que não. Merkel, talvez? Também não. É Christian Wulff, da CDU, Presidente da Baixa Saxónia.



Uma visita ao site pessoal é particularmente informativa. De especial relevância são as secções "Philosophische Provokationen" e "Mein Tag" (o homem farta-se mesmo de trabalhar). Mas confesso que, para alguém cujos cinco anos de alemão acabaram por ser insuficientes para conseguir ler um artigo de jornal, as fotos têm um encanto especial. Digam lá se isto não ficava bem no catálogo da Banana Republic:














Sabemos também, claro, que nos países civilizados não se usa a família para ganhar votos:













De certeza que quer continuar com as fotografias a preto e branco?

Autárquicas, Porto

Segundo soube, por lapso, o Público esqueceu-se da ficha técnica. Sai amanhã. Entretanto, aqui vai:
Esta sondagem foi realizada pelo Centro de Sondagens e Estudos de Opinião da Universidade Católica (CESOP) para a Antena 1, o Público e a RTP nos dias 4 a 6 de Julho de 2005. O universo alvo é composto pelos indivíduos com 18 ou mais anos residentes em domicílios com telefone fixo no concelho do Porto. Os números de telefone foram seleccionados aleatoriamente da lista telefónica correspondente ao concelho do Porto. Em cada domicílio, foi seleccionado o último aniversariante com 18 ou mais anos. Foram obtidos 910 inquéritos válidos e a taxa de resposta foi de 70%. 51% dos inquiridos eram do sexo feminino. Todos os resultados obtidos foram ponderados de acordo com a distribuição da população com 18 ou mais anos residente no concelho do Porto por sexo, escalões etários e qualificação académica. A margem de erro máximo associado a amostra aleatória de 910 inquiridos é de 3,2%, com um nível de confiança de 95%.

Rui Rio (PSD/CDS): 55%
Francisco Assis (PS): 29%
Rui Sá (CDU): 9%
J. Teixeira Lopes: 3%
Outro: 2%
B/N: 2%

Esta estimativa partiu dos seguintes "resultados brutos":
Rui Rio (PSD/CDS): 38%
Francisco Assis (PS): 19%
Rui Sá (CDU): 6%
J. Teixeira Lopes: 2%
Outro: 1%
B/N: 3%
Não vai votar: 15%
Não sabe: 11%
Não responde: 6%

O Público, por opção editorial, não publicou uma parte da sondagem. Enquanto o CESOP não divulga os resultados em site próprio (está para muito breve...), aqui ficam eles. Tratava-se de um conjunto de perguntas sobre os "dois maiores problemas" da cidade do Porto, as duas melhores áreas de actuação da CMP e as duas piores. As perguntas eram abertas e de resposta espontânea, sendo codificadas posteriormente:

Na sua opinião, quais são os dois problemas mais importantes da cidade do Porto?
(pergunta aberta, com respostas codificadas posteriormente; resposta múltipla até dois, com soma das percentagens superior a 100%)
Edifícios degradados:26%
Criminalidade/insegurança:24%
Trânsito/estacionamento:22%
Pobreza, falta de apoio aos mais desfavorecidos:16%
Ruas/passeios/equipamentos danificados:14%
Falta de/maus transportes públicos:9%
Sujidade das ruas:9%
Falta de casas/casas caras:7%
Má qualidade do ambiente/ espaços verdes:6%
Falta de actividades culturais e de lazer: 3%
Outros problemas:23%
Ns/Nr:14%

Na sua opinião, quais são as duas coisas que a Câmara Municipal do Porto tem feito MELHOR?
(perguntas abertas, com respostas codificadas posteriormente; resposta múltipla até dois, com soma das percentagens superior a 100%)
Restauração e conservação de edifícios: 15%
Apoio aos mais desfavorecidos:11%
Transportes públicos: 11%
Conservação de equipamentos/ruas/passeios: 11%
Actividades culturais e de lazer:8%
Combate à criminalidade: 7%
Limpeza das ruas: 5%
Melhoria do trânsito/estacionamento: 5%
Ambiente/espaços verdes:4%
Habitação: 4%
Outras: 22%
Ns/Nr: 42%

Na sua opinião, quais são as duas coisas que a Câmara Municipal do Porto tem feito PIOR? (perguntas abertas, com respostas codificadas posteriormente; resposta múltipla até dois, com soma das percentagens superior a 100%)
Restauração e conservação de edifícios: 12%
Conservação de equipamentos/ruas/passeios: 11%
Melhoria do trânsito/estacionamento: 10%
Combate à criminalidade: 9%
Habitação: 7%
Apoio aos mais desfavorecidos:6%
Transportes públicos: 6%
Ambiente/espaços verdes: 5%
Limpeza das ruas: 5%
Actividades culturais e de lazer: 4%
Outras: 24%
Ns/Nr: 41%

Hoje (RTP/RDP) e amanhã (Público) é divulgada a sondagem de Lisboa. Ou muito me engano ou os resultados poderão gerar perplexidade entre algumas pessoas. Amanhã explico o melhor que puder.

Suportar o terrorismo II

UK, Yougov, 8 Julho, N=1834

Do you think that it may sometimes be necessary to restrict the civil liberties of suspected terrorists even though there is not enough usable evidence to charge and convict them, or should nobody ever have their civil liberties restricted unless they are charged with a specific offence and taken before the courts?
Sometimes necessary to restrict civil liberties:70%(58% em Fevereiro)
Nobody should have their liberty restrictedwithout being charged and taken to court: 23%
(32% em Fevereiro)
Don’t know:7% (10%)

Do you agree or disagree with the following statement? – The threat of terrorism in Britain these days is so serious that it may be necessary sometimes to take action against people who have not yet committed any offence, but about whom the intelligence services have evidence that they are planning an act of terrorism.
Agree: 81% (75% em Fevereiro)
Disagree: 11% (14% em Fevereiro)
Don’t know: 8% (10% em Fevereiro)


Itália, Ispo, Jul. 8-9, N=1600, Telefónica:
Do you think a terrorist attack could take place in Italy soon?
Yes: 82%
No:10%
Not sure:8%


EUA, Gallup, Jul. 7 to Jul. 10, N= 517, Telefónica
Do you think the war with Iraq has made the U.S. safer—or less safe—from terrorism?

Safer: 40% (44% em Maio)
Less safe:54% (39%)
No change:5% (13%)
No opinion: 1% (4%)

segunda-feira, julho 11, 2005

Darwin às voltas na tumba em Westminster

Estados Unidos, Harris Interactive, Junho17-21, N=1000, Telefónica

Do you think human beings developed from earlier species or not?
Yes, think so: 38%
No, do not think so: 54%
Not sure / Declined to answer:8%

Which of the following do you believe about how human beings came to be?
Human beings were created directly by God: 64%
Human beings evolved from earlier species: 22%
Human beings are so complex that they required apowerful force or intelligent being to help:10%
Not sure / Declined to answer:4%

sábado, julho 09, 2005

Suportar o terrorismo

Após o atentado de Londres, a punditry nacional e internacional regressa ao tema da "democratização" do Médio Oriente. Contudo, Vasco Pulido Valente coloca também a questão contrária: sobreviverá a democracia ocidental ao terrorismo?

"Os sinais não prometem. Na América, há hoje, como em tempo de guerra, leis de excepção e Guantánamo não deixou de existir. Em Inglaterra, a Câmara dos Lordes recusou recentemente a Blair algumas medidas drásticas de segurança, como o direito de fixar residência e passar buscas por ordem policial. (...) Resta saber se não chegou ainda o ponto de ruptura: se alguma vez chegar, e esperamos que não. Em teoria, no entanto, nada impede que chegue e ninguém sabe qual seria a reacção da Espanha, da França, da Inglaterra ou da América a um desastre igual ao 11 de Setembro. Pensar que somos 'civilizados' demais para voltar aos crimes do passado é uma ilusão que partilhamos com os criminosos do passado" (Público, 9 Julho 2005, sem link).

Na blogosfera, o assunto tem merecido a atenção de um dos blogues que leio regularmente, o Insurgente. Contudo, FCG - que certamente pensará que o Prevention of Terrorism Act foi inventado em 2005 - discute os riscos das restrições arbitrárias aos direitos cívicos como eles fossem, pasme-se, um resultado da "fúria reguladora do New Labour". Por vezes, o contorcionismo intelectual necessário para mantêr a aparência de alguma coerência ideológica é suficiente para partirmos o pescoço. Já LA aponta outras e mais diversificadas "fúrias reguladoras". Mas ambos parecem partir do princípio não explicitado que essas fúrias se fazem contra a vontade dos cidadãos, os "corajosos" e "fleumáticos" britânicos. Pois atenção ao seguinte:

ICM Research, 23-24 Abril 2004, N=510, Telefónica.
Here are some things people have suggested should be done to counter the risks of terrorism. Others oppose them as they say they would endanger the rights of everyone. Bearing these two things in mind, for each one please say whether you would suppose or oppose the measure to counter terrorism?
Indefinite detention of foreign terrorist suspects. Support: 62%.
Police powers to stop and search anyone at any time. Support:69%.
Detain all immigrants and asylum seekers until they can be assessed as potential terror threats. Support: 66%

Yougov, 24-25 Fevereiro 2005, N=1970.
Do you agree or disagree with the following statements?
It may be necessary sometimes to take action against people who have not yet committed any offence, but about whom the intelligence services have evidence that they are planning an act of terrorism. Agree: 75%

It is sometimes necessary to restrict the civil liberties of suspected terrorists even though there is not enough usable evidence to charge and convict them. Agree: 58%

E ainda na sondagem Yougov:
If a situation arose in which the Government HAD to choose between taking steps to prevent a terrorist act and defending civil liberties, which should the Government do?
Protect national security 61%
Defend civil liberties: 28%

E como não, se a questão for colocada nesses termos? Quem é capaz de colocar manutenção dos "direitos cívicos" antes da sua vida e a dos seus? Na verdade, apesar de muitos lamentarem a "fraqueza" das democracias ocidentais, acomodadas à prosperidade e à segurança e impreparadas para lidar com o terrorismo, essa "fraqueza" tem sido a sua força: é precisamente devido ao facto de uma grande parte dos seus eleitorados ter sido socializada no contexto de relativa paz e prosperidade que a segurança física e material foi relegada para segundo plano em favor de outras preocupações mais "imateriais", tais como os "direitos" e a "democracia". E, mais importante, é também isso que tem permitido a emergência de eleitorados cada vez mais instruídos e sofisticados, que aprenderam a desconfiar de governos que lhes dizem que têm de escolher entre a prevenção do terrorismo e a defesa dos direitos cívicos.

Mas por quanto tempo durará esta resistência, numa "guerra sem fim"? Dois terços dos americanos, por exemplo, parecem já ter capitulado:

Gallup, Jun. 24-26, N=1006, Telefónica.
Based on what you have read or heard, do you think the Patriot Act goes too far, is about right, or does not go far enough in restricting people’s civil liberties in order to fight terrorism?
Too far: 30%
About right: 41%
Not far enough: 21%
No opinion: 8%

sexta-feira, julho 08, 2005

Lula em queda



Dois anos depois

ICM Research, 5-6 Fevereiro 2003, N=1003, Telefónica.

Do you think Britain's support for America's war against terror makes it more or less likely that Britain will be a target for terrorists?
More likely:87%
Less likely:5%
Don't know: 9%

How likely do you think it is that there will be a major terrorist attack in Britain over the next year or so?
Certain: 7%
Very likely: 31%
Fairly likely:42%
Not very likely:10%
Very unlikely:4%
Don't know:5%

quinta-feira, julho 07, 2005

Mais Alemanha, sem novidades

TNS Enmid, 23-30 Junho, N=3236
CDU-CSU:44%
SPD: 26%
PDS/WASG: 11%
Grüne: 9%
FDP: 7%

Forsa, 27 Junho-1 Julho
CDU-CSU:47%
SPD: 26%
PDS/WASG: 10%
Grüne: 7%
FDP: 6%

TNS Enmid, 27 Junho-4 Julho, N=2555
CDU-CSU:43%
SPD: 27%
PDS/WASG: 11%
Grüne: 8%
FDP: 7%

Estou com dificuldade em recolher detalhes metodológicos das minhas fontes, mas espero que a coisa melhore.

E também sei que, com o que aconteceu hoje em Londres, nada disto interessa seja a quem for. Mas fica arquivado. Depois voltaremos ao assunto.

Alemanha, 28-29 Junho

Infratest-Dimap, N=1000, Telefónica.

What party would you support in Germany’s next federal election?
CDU-CSU: 44%
SPD: 27%
PDS/WASG: 10%
Grüne: 8%
FDP: 7%

quarta-feira, julho 06, 2005

Autárquicas, Coimbra

IPAM, N=400, Telefónica, sem data de trabalho de campo online

Carlos Encarnação (PSD/CDS-PP/PPM): 38,3%
Vitor Baptista (PS): 13%
José Manuel Pureza (BE): 5,1%
Gouveia Monteiro (CDU): 4,6%
Outros: 1,8%
Indecisos: 27%
Não responde: 10,2%

Não vão votar: 32,5% em relação ao total da amostra
Não sabem se vão votar: 18,5% em relação ao total da amostra

Após redistribuição de indecisos (feita pelo IPAM "de acordo com a matriz de transferência/fidelização de voto tendo em conta as autárquicas de 2001"):
Carlos Encarnação (PSD/CDS-PP/PPM): 61%
Vitor Baptista (PS): 22%
Gouveia Monteiro (CDU): 11%
José Manuel Pureza (BE): 5%

Fonte: Diário de Coimbra, enviado por amável leitor.

A encarar com as cautelas necessárias ditadas pela distância temporal em relação ao acto eleitoral e a dimensão reduzida da amostra. Há também - pelo menos na versão online da notícia a que acedi - uma certa falta de clareza no processo de redistribuição de indecisos, se bem que seja sempre difícil explicar como se fazem estas coisas. Mas por isso mesmo, haveria que explicar, por exemplo, como é que o BE tem 5,1% em intenção directa de voto e fica só com 5% após a redistribuição de indecisos.

Provavelmente, o voto em eleições passadas está aqui a pesar muito nesta redistribuição. Mas se assim é, importa pensar no seguinte. O BE teve, como se diz na notícia, 1,8% nas últimas autárquicas em Coimbra. Mas teve 3,7% no concelho de Coimbra nas legislativas de 2002. E 8,8% no concelho de Coimbra nas legislativas de 2005...

terça-feira, julho 05, 2005

Mais sondagens sobre o SCOTUS

Mais informação favorável ao Partido Republicano e aos interesses mais conservadores: a maioria dos americanos não quer "filibustering" por parte da minoria e quer que a Constituição seja interpretada "tal como escrita" (expressão-código que significa uma interpretação "originalista" a la Scalia, ou seja, em oposição ao "broad constructionism" que permitiu a expansão das liberdades cívicas). Sei que estou a simplificar mas, para um eleitor normal, é isto que "exactly as it was written" significa hoje em dia.

SurveyUSA, 1 Julho, N=1200, Telefónica

President Bush’s nominee to replace Sandra Day O’Connor must be approved by the United States Senate. If a minority of senators oppose the nominee, but do not have enough votes to defeat the nominee, do you think it is acceptable or unacceptable for those senators to use a filibuster to prevent the nominee from coming to a vote?
Acceptable: 32%
Unacceptable: 53%
Not sure: 15%

Which of the following two statements do you more agree with: The U.S. Supreme Court should interpret the Constitution exactly as it was written; or The U.S. Supreme court should interpret the Constitution in light of modern circumstances.
Exactly as it was written: 53%
In light of modern circumstances: 44%
Not sure: 3%

segunda-feira, julho 04, 2005

A saída de O'Connor (actualizado)

Sandra Day O'Connor vai sair do Supremo Tribunal americano. "Moderate conservative", é como é descrita pela imprensa. As análises de comportamento judicial confirmam: O'Connor votou contra precedentes ditos "liberais" 70% das vezes, enquanto só o fez para precedentes "conservadores" em 30% das vezes.* Contudo, num tribunal maioritariamente conservador (muito mais conservador do que nos tempos de Fortas, Warren, Brennan ou Marshall), O'Connor até faz figura de liberal, tendo à sua esquerda apenas juízes como Breyer ou Ginsburg. Os últimos, aliás, foram ambos nomeados por Clinton. O resto são nomeações de presidentes Republicanos.

Será talvez um exagero dizer-se que "the Senate debates may prove more divisive than those over Judge Robert Bork, a conservative rejected by the Senate in 1987, and Justice Clarence Thomas, who became the Supreme Court's most conservative judge after winning narrow Senate confirmation in 1991". É difícil imaginar algo, à excepção de uma guerra civil, que possa ser "more divisive" que as nomeações de Bork e Thomas.

Mas não vai ser bonito. Para já, a coisa não parece muito favorável aos Democratas:

1. Bush não concorre a novas eleições, logo, sente-se menos constrangido;

2. Do ponto de vista do conteúdo das políticas públicas, os Democratas têm muito a perder com a entrada de alguém hostil à affirmative action ou ao aborto;

3. Os Republicanos poderiam ter muito a perder do ponto de vista eleitoral, ao apresentarem-se como excessivamente conservadores. Mas o que se passa é que:

In general, is the United States Supreme Court in-step with your beliefs, out-of-step with your beliefs, do you not know enough about the court to have an opinion?
In step: 27%
Out of step : 53%
Don’t know: 20%

Survey USA, Julho 1, N=1200, Telefónica

E agora perguntamo-nos : out of step em que sentido? Neste:

Suppose one of the U.S. Supreme Court justices retires at the end of this term. Would you like to see President Bush nominate a new justice who would make the Supreme Court more liberal than it currently is, more conservative than it currently is or who would keep the Court as it is now?

More Liberal: 30%
More Conservative: 41%
Keep As It Is Now: 24%
Unsure: 5%


Gallup, Junho 16-19, N=1006.

Mais conservador? Com certeza, arranja-se já.

P.S.- Sobre o mesmo tema, ver os posts do Causa Nossa e do Insurgente (mas o que quer dizer AAA com "o sinal correcto")?

*Jeffrey A. Segal e Harold J. Spaeth, The Supreme Court and the Attitudinal Model Revisited. Nova Iorque: Cambridge University Press, 2002.

sábado, julho 02, 2005

Zapatero sabe o que faz

Opina, 29 Jun, N=1000, Telefónica

Apoia ou rejeita a decisão do governo em legalizar o casamento de pessoas do mesmo sexo?
Apoia: 63%
Rejeita: 30%
Ns/Nr:6%

sexta-feira, julho 01, 2005

Exterminado implacavelmente?

Field, 13-19 Junho, N=711, votantes recenseados da Califórnia, telefónica

Suppose that governor Arnold Schwarzenegger runs for re-election next year. As things stand now, are you inclined to vote to re-elect Schwarzenegger as governor?

Inclined: 36%
Not inclined: 57%

É melhor esperarem sentados

Knowledge Networks / Program on International Policy Attitudes, Junho 22-26, N=812

As you may know, at the G-8 summit there will be discussion of the idea of all the wealthy countries committing at least seven tenths of one percent of their gross domestic product to reducing poverty and disease, and promoting economic development in poor countries, especially in Africa. If the other wealthy countries are willing to make this commitment, do you think the U.S. should or should not be willing to make such a commitment?

Should: 65%
Should not: 29%
No answer: 6%

Contudo...

Zogby America Poll. June 27-29, 2005. N=905 likely voters nationwide. MoE ± 3.3 (for all likely voters).

"Do you agree or disagree that if President Bush did not tell the truth about his reasons for going to war with Iraq, Congress should consider holding him accountable through impeachment?"
Agree: 42%
Disagree: 50%
Unsure: 8%

Mas nós gostamos dele na mesma...

Zogby America Poll. June 27-29, 2005. N=905 likely voters nationwide. MoE ± 3.3.

Overall, how would you rate President Bush's performance on the job . . . ?"
Excellent/Good: 43%
Fair/Poor: 56%
Unsure:1%

"Is your overall opinion of George W. Bush very favorable, somewhat favorable, somewhat unfavorable, or very unfavorable, or you are not familiar enough to form an opinion?"
Favorable: 50%
Unfavororable: 48%
NotFamiliar/Unsure: 1%

Fonte: Polling Report

Voltamos ao mesmo

Correio da Manhã, 26-6-05

Ainda ontem, o semanário ‘Expresso’ publicava uma sondagem onde o candidato apoiado pelo PSD, Carmona Rodrigues, ganhava a autarquia com uma margem folgada – 41 por cento, contra 33 por cento de Carrilho.Confrontado com os números, o candidato socialista contrapôs com as conclusões de uma outra sondagem, esta encomendada pelo PS e realizada pela Metris, que lhe dava a vitória.“Hoje [sexta-feira] recebi os resultados de uma outra sondagem, feita em urna – não como esta que é telefónica – com a proporcionalidade das freguesias, dos estratos sociais e profissionais, e que me dá 39, a Carmona Rodrigues 33, ao Partido Comunista 12, ao Bloco 9 e ao PP 5”, especificou.

Se bem que neste caso, ao contrário de aqui, é altamente provável que a sondagem exista. Mas o problema não é esse...É este.

Há aqui alguém que anda seriamente enganado...

Marktest, 18-19 Maio, N=811, Telefónica, Quotas
Referendo à Constituição Europeia
Sim: 54,5%
Não: 7,3%
Ns/Nr: 38,2%

Eurosondagem, 6-8 Junho, N=1057, Presencial (urna), Estratificada Aleatória
Referendo à Constituição Europeia
Sim: 50,8%
Não: 49,2%

Marktest, 14-17 Junho, N=800, Telefónica, Quotas
Referendo à Constituição Europeia
Sim: 36,6%
Não: 22,8%
Ns/Nr: 40,6%

Católica, 18-20 Junho, N=1354, Presencial, Estratificada Aleatória
Referendo à Constituição Europeia
Sim: 43%
Não: 25%
Ns/Nr:33%