quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Sondagem na Palestina

É em alturas como estas que me lembro de uma razão fundamental para que as sondagens devam existir: para que os cidadãos sejam ouvidos, e para que as suas vozes não sejam substituídas pelos palpites de quem acha que "sabe" o que "nós" queremos ou o que "eles" querem. Alguns exemplos:

Margem Ocidental e Faixa de Gaza, Jerusalem Media & Communication Center - Public Opinion Poll Unit, 8-12 Fevereiro, N=1200, Aleatória, Presencial

Q12. The PA is committed to the option of political negotiations with Israel. Do you believe that the new government headed by Hamas has to continue with the political negotiations, stop the political negotiations and should adopt other options?
To continue with the political negotiations: 66.3%
Stop the political negotiations 29.6%
No answer: 4.1%

Q17. Some believe that a two-state formula is the favored solution for the Israeli-Palestinian conflict, while others believe that historic Palestine cannot be divided and thus the favored solution is a bi-national state on all of Palestine where Palestinians and Israelis enjoy equal representation and rights. Which of these solutions do you prefer?
Two-state solution: an Israeli and a Palestinian: 57.9%
Bi-national state on all of historic Palestine: 22.3%
One Palestinian state:10.5%
Islamic state: 2.7%
No solution: 3.9%
Don't know 1.6%
No answer 1.1%

Q19. Do you support the resumption of the military operations against Israeli targets as a suitable response within the current political conditions, or do you oppose them and find them harmful to Palestinians national interests?
I oppose them and find them harmful to Palestinian national interests: 51.5%
Suitable response within the current political conditions: 43.8%
Others: 0.3%
Don’t know: 2.8%
no answer 1.6%

Q20. Hamas has executed violent operations against Israeli targets inside Israel and in the West Bank and Gaza strip against civilians and against military troops, now and after Hamas victory in the PLC elections, do you believe that Hamas should continue with such operations or that it should halt them?
Hamas has to stop its operations: 51.7%
Hamas has to continue with its operations: 39.1%
No answer 9.2%

Q24. If you voted for Hamas , why so?*
Religious Factors: 18.8%
Hope to end the Corruption: 43.0%
Hope to live in better living conditions: 10.7%
For their political agenda: 11.8%
To stop Fateh's control over the government:7.5%
Others 2.1%
No answer: 6.1%

*This question was asked who said that they voted for Hamas

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Piccolo divertimento

Em Itália, as eleições estão marcadas para o dia 9 de Abril de 2006. O crescimento económico médio nos últimos quatro anos não se recomenda: 0,7%. Em 2005, apenas 0,2%. A campanha deverá correr, em princípio, sob nova legislação obrigando a uma cobertura mediática equilibrada dos vários partidos. Mas as eleições vão decorrer sob um novo (mais um) sistema eleitoral, desta vez de representação proporcional, que deverá beneficiar a direita.

A Unione de Prodi procura desalojar a Casa de Berlusconi. Mas a Unione é tudo menos o que o nome indica: é um saco de gatos, reunindo desde democratas-cristãos (seja lá o que isso queira dizer hoje em Itália) até Trotsquistas (idem), cujo único objectivo em comum é correr com Berlusconi e repartir os despojos. E a Itália é a Itália, e Berlusconi é Berlusconi. Berlusconi esse que se descreveu há dias como "o Jesus Cristo da política", já prometeu que vai baixar os impostos, aumentar as pensões, e abstinência sexual até ao dia das eleições (esta última promessa já foi retirada, as outras ainda não).

Mas não se equivoquem: there is some method to his madness, como se diz no Economist.

Começo agora de mansinho, e deixo as análises complicadas lá mais para a frente. Notem, contudo:
- entre 1/5 e 1/4 de indecisos;
- margens para a Unione entre 0 e 8 por cento;
- e que essa margem de 0 por cento é dada por uma sondagem encomendada pela...Forza Italia. Ao menos aqui sabemos com o que contamos...

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

E mais uma...

Sem grande novidades de fundo em relação ao post anterior, mas com algumas respostas interessantes.

UK, Mori, 9-10 Fevereiro, N=601, Telefónica.

Q1-15 From what you have heard or read about the cartoons of the Prophet Mohammed which have been published in a number of European newspapers, do you agree or disagree that …(exemplos)

Q11 "British papers were right not to publish the cartoons"
Agree: 72%
Disagree: 16%
DK: 11%

Q12 "Muslims were right to be offended by the cartoons"
Agree: 62%
Disagree: 22%
DK: 16%

Mas...

Q6 "Demonstrators carrying placards calling for beheading and other acts of violence were justified"
Agree: 3%
Disagree: 93%
DK: 4%

Q7 "The Police should have arrested those demonstrators promoting acts of violence"
Agree: 80%
Disagree: 12%
DK: 8%

E a melhor de todas é que, afinal (tal como na Palestina)...

Q18 Have you personally seen the cartoons of the Prophet Mohammed which were published in some newspapers and shown on some television programmes and Internet sites?
Yes:25%
No: 74%
Don't know: 1%

As sondagens sobre os cartoons: novos dados e observações gerais

Uma nos Estados Unidos:
Gallup, 9-12 Fevereiro, N=1000, Telefónica

As you may know, several newspapers in Europe recently printed cartoons showing Mohammed, the founder of Islam, in ways that offended the religious views of many Muslims. Do you think the European newspapers that printed these cartoons acted responsibly or irresponsibly?
Responsibly: 29%
Irresponsibly:61%
No opinion: 10%

Overall, do you think this controversy is due more to?
Western nations’ lack of respect for the Islamic religion: 21%
Muslims’ intolerance of different points of view: 61%
Both: 6%
Neither: 2%
No opinion:9%

Which comes closer to your view—the U.S. news media have an obligation to show controversial items that are newsworthy even if they may offend the religious views of some people, the U.S. news media have an obligation to avoid offending the religious views of some people even if that prevents them from showing controversial items that are newsworthy?
Obligation to show controversial items: 57%
Obligation to avoid offending religious views: 33%
No opinion: 10%

Outra na Dinamarca:
Gallup, 8 a 10 de Fevereiro, N=1003, Telefónica

Would you say you understand why Muslims were offended by the cartoons?
Yes: 56%
No: 41%
Not sure: 3%

Do you think Jyllands-Posten was right or wrong to publish the cartoons?
Right: 43%
Wrong:49%
Not sure:8%

Só se conhecem percentagens agregadas e as sondagens não são rigorosamente comparáveis, e seria precipitado tirar grandes conclusões. Mas há algumas semelhanças e diferenças nas sondagens feitas em Inglaterra, Estados Unidos, França e Dinamarca:

-a existência de maiorias que defendem que a publicação não devia ter ocorrido ou foi irresponsável, sendo que na Dinamarca essa percepção não era inicialmente maioritária mas, pelos vistos, cresceu;

- a existência de maiorias que defendem o direito em abstracto a publicar informação ou comentário que podem ser ofensivos, em Inglaterra e, de forma algo mais mitigada, nos Estados Unidos (if controversial items are newsworthy). Mas não tanto em França (onde 65% defendem que o Islão não deve ser objecto de humor);

- "incompreensão"/"não aceitação" das "razões" da controvérsia ou da indignação por parte dos muçulmanos nos Estados Unidos ou em França, mas sim na Dinamarca.

O que explicará estas variações? Já havia tema para uma tese de mestrado.

Entretanto, na Palestina, o pior de dois mundos: a maioria não viu os cartoons, mas associa a responsabilidade pela sua publicação à Dinamarca como país.

Near East Consulting, 9-11 Fevereiro, N=1300, Face-a-face
Were the cartoons carried out on a private level or is it a general Danish position?
They represent a general position by Denmark: 62%
They were carried out on a private level:38%
Have you seen any of the Danish cartoons?
Yes: 31%
No: 69%

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Uma sondagem dos muçulmanos britânicos (pré-cartoons)

Comentada aqui, e apresentada em detalhe no site da Populus (consultar o Poll Archive).

Há dados reconfortantes, mas outros perturbantes. Menos de um terço dos muçulmanos britânicos recusa o direito à existência de Israel eum máximo de 16% (dependendo dos alvos e locais) acham que atentados suicidas podem ser justificados. Contudo, estas percentagens são sempre mais elevadas entre os mais jovens, que em todas as questões revelam maior radicalização. Questão "de idade" (ciclo de vida) ou uma nova geração mais fundamentalista?

Guerras (2)

E para aqueles cujo interesse na questão tratada no post anterior vai ao ponto de quererem dispender algum tempo adicional, gostava de sugerir a consulta destes powerpoints de aulas da Pippa Norris na Kennedy School em Harvard, onde se discute a questão com algum detalhe (aproveitando assim também para mostrar o tipo de coisas que um professor que domina as tecnologias de informação pode fazer pelos seus alunos): esta e esta.

Guerras

Agora que, em defesa da liberdade de expressão, Pacheco Pereira nos relembra que estamos em guerra (da mesma forma que, há uns meses, a mesma retórica lhe tinha servido em defesa limitações dos direitos cívicos impostas pelo Patriot Act e pelo Prevention of Terrorism Act), e agora que Paulo Gorjão nos convida a irmos à fonte (Huntington e o choque das civilizações), há uma afirmação de Huntington nesse famoso artigo que merece ser examinada:

At a more basic level, however, Western concepts differ fundamentally from those prevalent in other civilizations. Western ideas of individualism, liberalism, constitutionalism, human rights, equality, liberty, the rule of law, democracy, free markets, the separation of church and state, often have little resonance in Islamic, Confucian, Japanese, Hindu, Buddhist or Orthodox cultures. Western efforts to propagate each ideas produce instead a reaction against "human rights imperialism" and a reaffirmation of indigenous values, as can be seen in the support for religious fundamentalism by the younger generation in non-Western cultures.

Foi o que fizerem Ronald Inglehart e Pippa Norris, aqui. Os dados utilizados são do World Values Survey entre 1995 e 2001, resultantes de inquéritos aplicados não só na maior parte dos países ocidentais mas também no Irão, Egipto, Argélia, Turquia, Indonésia, Marrocos, Jordânia, Azerbeijão, Turquia e Bangladesh, entre outros. As questões colocadas foram as seguintes:






















Os resultados obtidos foram estes:























Conclusões:

1. With the exception of Pakistan, most of the Muslim countries surveyed think highly of democracy: In Albania, Egypt, Bangladesh, Azerbaijan, Indonesia, Morocco, and Turkey, 92 to 99 percent of the public endorsed democratic institutions—a higher proportion than in the United States (89 percent);

2. A solid majority of people living in Western and Muslim countries gives democracy high marks as the most efficient form of government, with 68 percent disagreeing with assertions that “democracies are indecisive” and “democracies aren’t good at maintaining order.” (...) And an equal number of respondents on both sides of the civilizational divide (61 percent) firmly reject authoritarian governance, expressing disapproval of “strong leaders” who do not “bother with parliament and elections.”

3. Muslim societies display greater support for religious authorities playing an active societal role than do Western societies. (...) Citizens in some Muslim societies agree overwhelmingly with the statement that “politicians who do not believe in God are unfit for public office” (88 percent in Egypt, 83 percent in Iran, and 71 percent in Bangladesh), but this statement also garners strong support in the Philippines (71 percent), Uganda (60 percent), and Venezuela (52 percent). Even in the United States, about two fifths of the public believes that atheists are unfit for public office.

4. When it comes to attitudes toward gender equality and sexual liberalization, the cultural gap between Islam and the West widens into a chasm. On the matter of equal rights and opportunities for women—measured by such questions as whether men make better political leaders than women or whether university education is more important for boys than for girls—Western and Muslim countries score 82 percent and 55 percent, respectively. Muslim societies are also distinctively less permissive toward homosexuality, abortion, and divorce.

5. “The peoples of the Islamic nations want and deserve the same freedoms and opportunities as people in every nation,” President Bush declared in a commencement speech at West Point last summer. He’s right. Any claim of a “clash of civilizations” based on fundamentally different political goals held by Western and Muslim societies represents an oversimplification of the evidence. Support for the goal of democracy is surprisingly widespread among Muslim publics, even among those living in authoritarian societies. (...) But economic development generates changed attitudes in virtually any society. (...) Thus, relatively industrialized Muslim societies such as Turkey share the same views on gender equality and sexual liberalization as other new democracies.
(...)
The United States cannot expect to foster democracy in the Muslim world simply by getting countries to adopt the trappings of democratic governance, such as holding elections and having a parliament. Nor is it realistic to expect that nascent democracies in the Middle East will inspire a wave of reforms reminiscent of the velvet revolutions that swept Eastern Europe in the final days of the Cold War. A real commitment to democratic reform will be measured by the willingness to commit the resources necessary to foster human development in the Muslim world. Culture has a lasting impact on how societies evolve. But culture does not have to be destiny.

Os franceses e os cartoons

CSA, 8 de Fevereiro, N=1000, Telefónica

Vous savez que la publication des caricatures du prophète Mahomet a suscité de l'indignation chez certains musulmans. Diriez-vous que vous comprenez tout à fait, plutôt, plutôt pas ou pas du tout cette indignation ?
Comprend tout à fait: 14%
Comprend plutôt: 22%
Ne comprend plutôt pas: 18%
Ne comprend pas du tout: 35%
Ne se prononcent pas: 11%

Vous savez que certaines personnes se demandent si l'on peut rire sur tous les sujets. Diriez-vous que c'est une très bonne chose, plutôt bonne chose, plutôt mauvaise chose ou très mauvaise chose de faire de l'humour sur…? (percentagens "mauvaise chose"):

Le handicap des personnes: 84%
L'islam: 65%
L'origine ethnique, la nationalité des personnes: 64%
Le judaïsme: 63%
Le christianisme: 60%
Le comportement sexuel des personnes: 55%

Selon-vous les journaux ont-ils eu raison ou tort de publier les caricatures du prophète Mahomet ?

Ils ont eu raison au nom de la liberté d'expression: 38%
Ils ont eu tort car cela constituait une provocation inutile: 54%
Ne se prononcent pas: 8%

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Os ingleses e os cartoons

Populus UK, 3-5 Fevereiro, N= 1508, Telefónica

Do you agree with the following statements? (saldo a favor da frase, ou seja, percentagem de respostas "sim" - respostas "não, por ordem decrescente)

Newspapers have the right in principle to publish the cartoons, but they should not do so out of respect for the Muslim community: +40%

Muslims should accept the principle of freedom of speech, which means that newspapers must be free to publish such cartoons if they choose: +38%

The cartoons should be banned from publication because they cause grave offence to Muslims: +13%

By not publishing the cartoons, in the face of protests and warnings about terrorist attacks, the British press is giving into terrorism: - 24%

Em resumo, as opiniões claramente maioritárias são:
- não os deviam ter publicado;
- mas devem poder fazê-lo se quiserem;
- e não, não estamos a ceder ao terrorismo pelo facto de não os publicarmos.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Têm dias

Muito do que tenho lido na blogosfera e na imprensa sobre o caso dos cartoons - especialmente quando se colocam as coisas em termos como a "defesa dos valores ocidentais" - faz-me pensar naquilo que investigação empírica na área da opinião pública e da cultura política nos diz sobre o tema da "tolerância", ou seja, "a disponibilidade para permitir a expressão de ideias e interesses a que nos opomos".

Os clássicos são os livros de Herbert McClosky e John Sullivan, e as conclusões não são particularmente surpreendentes: quando as questões são colocadas em abstracto ("Acredita na liberdade de expressão para todos, sejam quais forem as opiniões expressas?", por exemplo), a maioria dos cidadãos tende a manifestar concordância. É por aqui, contudo, a defesa do "Ocidente" como bastião da tolerância e da liberdade começa a esboroar. Vale a pena (a propósito deste assunto e de muitos outros) ler isto (.pdf) com alguma atenção, onde se mostra que aquilo que realmente distingue as opiniões públicas dos países ocidentais e islâmicos não é a posição dos indivíduos sobre os ideais e valores da democracia política mas sim as suas posições sobre valores sociais, tais como a liberalização dos costumes ou a igualdade entre os sexos. Há um choque de civilizações sim, mas não onde normalmente se julga...

Mas a coisa complica-se ainda mais quando se aprecia até que ponto vai realmente a "tolerância" dos "ocidentais": uma coisa é a resposta "ideológica" e "normativa", outra coisa é a resposta concreta em relação aos direitos de grupos concretos. É sabido, inquérito após inquérito, que nos Estados Unidos, por exemplo, mais de dois terços dos cidadãos, após estimulados a seleccionar um grupo social cujas opiniões ou comportamentos mais deplore, responde depois sem hesitar que um membro desse grupo não deveria poder ensinar em escolas públicas, fazer manifestações, ou ter uma coluna de opinião no jornal. E as coisas pioram quanto mais próximo do inquirido se coloca a acção: a recusa de manifestações desse grupo na cidade onde se vive é ainda mais acentuada do que a recusa genérica.

E se pensam que isto é um fenómeno americano, think again: se se pode dizer alguma coisa é que na Europa os níveis de intolerância política tendem a ser mais elevados que nos Estados Unidos, desde que se coloquem os indivíduos perante grupos concretos (e não abstracções piedosas).* Isto apesar dos objectos concretos da intolerância variarem de sociedade para sociedade (sendo que na Europa um desses objectos tendem a ser as minorias étnicas, enquanto que nos Estados Unidos tendem a ser grupos políticos ou minorias sociais). A tolerância tem limites, que só são largos quando tudo se passa ao nível da mais pura abstracção. E é selectiva, sendo maior quando mais se aplica a um grupo ou interesse com o qual menos antipatizamos.

Não me surpreende, por isso, que alguns daqueles que (e bem, para o meu gosto) agora se colocam ao lado da liberdade de expressão sejam também aqueles que, há bem pouco tempo, acusavam os que criticavam as limitações aos direitos cívicos dos ingleses e dos americanos a propósito do Prevention of Terrorism Act ou do Patriot Act de "tibieza" em relação ao terrorismo e desígnios anti-ocidentais. De facto, como a pesquisa demonstra, a "tolerância" e a "liberdade" têm dias.

*Ver, por exemplo, M. Peffley e R. Rohrschneider, "Democratization and Political Tolerance in 17 Countries", Political Research Quarterly, Vol. 56, 2003.

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Dinamarqueses divididos sobre cartoons (actualizado)

Epinion, 3 de Fevereiro, N=509, Telefónica

Considering the events that have occurred in the past week, should Jyllands-Posten have published the cartoons featuring Mohammed?
Yes: 47%
No: 46%
Not sure: 7%

Should Prime Minister Anders Fogh Rasmussen apologize on Denmark's behalf?
No: 79%
Yes: 18%
Not sure:3%

E just in case you're wondering, a minha opinião sobre o assunto é, sem tirar nem pôr, exactamente, e muito melhor do que eu alguma vez poderia ter colocado, esta.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Hibernação

Este blogue vai entrar agora em hibernação. A procura, de resto, é sazonal, pelo que a oferta também o será. Se ocorrerem eventos tão interessantes como as eleições no Reino Unido ou na Alemanha ou o referendo francês, que foram aqui cobertos, voltarei com certeza com regularidade. E há um referendo à vista em Portugal. O regresso poderá ser lento, mas é seguro.

Obrigado pelos e-mails e comentários e ligações nos vossos blogues. E desculpem as irritações ocasionais, mas a blogosfera é como as famílias: we only hurt the ones we love. E eu gosto mesmo disto.

Mas para já, chega de sondagens.

Rescaldo 2

No quadro seguinte estão as projecções apresentadas às 20.00h e a comparação dos pontos médios dos intervalos com os resultados eleitorais. A vermelho sobre cada ponto médio, o desvio absoluto. O resto já sabem.



Muito próximo do que se passou em 2001 e em todas as sondagens à boca das urnas desde aí: grande precisão. Ao contrário do que se tem passado até agora, SIC e Eurosondagem muito próxima (para todos os efeitos, igual) dos restantes canais e institutos. Católica com ligeira vantagem na questão da margem de vitória.

Rescaldo 1

O quadro seguinte compara os resultados eleitorais com as últimas sondagens pré-eleitorais conduzidas por cada instituto. Algumas notas:

1. As sondagens Intercampus e Pitagórica foram conduzidas antes das restantes, o que diminuiu à partida a sua capacidade para captar mudanças de preferências nos eleitores ocorridas mais perto do acto eleitoral;

2. Os resultados apresentados no quadro para a Pitagórica resultam de uma redistribuição proporcional de indecisos. O JN não apresentou esses resultados, e sim apenas resultados anteriores à redistribuição de indecisos. A redistribuição é feita apenas para o fim de tornar os resultados da sondagem comparáveis com resultados eleitorais, seguindo prática académica comum já aqui muitas vezes mencionada e fundamentada.

3. Calculam-se dois tipos de erro: Método 3 (a média dos desvios absolutos) e Método 5 (a diferença entre a margem de vitória prevista e a margem de vitória de real na base dos dados publicados de acordo com a opção dos institutos). Para mais informação sobre isto, ver estes posts e as referências lá citadas. A sua aplicação neste momento não vai ser na versão mais completa e "canónica" - que exige umas operações adicionais - mas isso, para o fundamental, não vai fazer diferença. Quando houver resultados eleitorais definitivos far-se-á a versão completa.



Compreensivelmente, as sondagens cujo trabalho de campo foi conduzido mais longe das eleições ficaram mais longe dos resultados, apesar de a Intercampus, apesar de tudo, ter ficado mais perto que a Eurosondagem. Quanto àquelas que são realmente comparáveis entre si e com os resultados eleitorais - as da última semana - a Católica ficou mais perto do ponto de vista do desvio absoluto médio e a Marktest do ponto de vista da margem de vitória. Mas as diferenças entre estas e a da Aximage carecem de qualquer espécie de significado. Para todos os efeitos, foram igualmente precisas. Curioso, assim, verificar que diferentes metodologias e dimensões amostrais podem gerar resultados igualmente fiáveis. E curioso também que, uma vez mais, a margem de vitória é sempre sobrestimada, tal como em 1996 e 2001.

Como se compara isto com o passado? Uma visita aqui revelará que as sondagens pré-eleitorais nas presidenciais de 2006 foram substancialmente mais precisas do que as realizadas em 1996 ou 2001. Isso sucede mesmo quando tomamos em conta o facto de o desvio absoluto médio ser sensível ao número de estimativas feitas (quantas mais, menor o erro médio). Assim, por exemplo, com cinco candidatos em 2001, a média dos "desvios absolutos médios" para a várias sondagens foi de 3,9%, enquanto que em 2006, para os cinco primeiros candidatos, foi de 1,6%. (para as sondagens da última semana). Em 1996, com dois candidatos, a média dos desvios absolutos médios foi de 3,2%. Em 2006, apenas para os dois primeiros candidatos, foi de 2%. Mas nas legislativas de 2005 as sondagens ainda foram mais precisas...

Em resumo, resultados muito apresentáveis quer em comparação com o passado quer em comparação internacional.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Afinal volto...

Porque entretanto dei com um mais um post do Doc Log sobre estes assuntos.

Primeiro, se não for grande incómodo, gostava de ser citado correctamente. O "tema que se encontra resolvido" noutros países é o da adopção de standards sobre como se apresentam resultados de sondagens, e não o da "suspeição sistemática sobre as intenções por detrás da apresentação deste ou daquele resultado". Sendo também certo que as confusões evitáveis no primeiro domínio contribuem bastante para a suspeição. E se se quer saber como se evitam, pode-se consultar isto e isto.

Segundo, a ideia de que "a opção dos media em divulgar resultados que não consideram a fatia de indecisos, nem os votos em branco, parecendo ser uma opção técnica, é principalmente uma opção ética – de má ética jornalística" é errada. Os media divulgam (ou devem divulgar, e na sua maioria fazem-no) ambos os resultados, os brutos e aqueles que são comparáveis com resultados eleitorais. Não divulgar os segundos seria, isso sim, uma enorme irresponsabilidade. Não sei como fazer isto sem me repetir, mas as percentagens de "indecisos" e "abstencionistas" são altamente sensíveis a variações nos formatos dos questionários e em metodologias de inquirição, o que significa que nem eles são directamente comparáveis entre si nem os restantes resultados brutos, por arrastamento, o são.

Isto não quer dizer que os resultados brutos sejam irrelevantes. Por isso mesmo podem e devem ser publicados (e, com raras excepções, são-no).

Ok? Podemos partir para outra?

O futuro

Uma coisa é dizer que a nossa incerteza sobre a forma como as preferências dos eleitores evoluiram até agora diminuiu. Outra ainda é dizer que estamos igualmente menos incertos sobre quais seriam elas à volta dos dias 15-18 de Janeiro. Contudo, outra muito diferente é a nossa incerteza sobre o futuro. Estas sondagens são o passado. O futuro é Domingo.

O que pode trazer o futuro? Antes de mais, convém dizer que, como é óbvio, não faço ideia. Ou melhor, faço pelo menos duas. O problema é que são contraditórias em termos do desfecho que podem gerar:

1. O primeiro cenário é aquele onde Cavaco Silva vem em perda de intenções válidas de voto não só porque os indecisos da área socialista se começam a decidir (e presumivelmente não por ele) mas também porque começa a perder votos de eleitores que antes tencionavam nele votar. Na primeira sondagem da tracking poll Marktest, divulgada dia 9, Cavaco recolhia o voto de 17% de eleitores socialistas. Na sondagem Marktest dos dias 11-14 de Janeiro, 15% dos socialistas tencionavam votar Cavaco. Na sondagem dos dias 15-18, essa percentagem é 9%. Um erosão comparável, se bem que muito menos significativa em termos absolutos, ocorre com os exóticos comunistas que, nas sondagens anteriores, tencionavam votar Cavaco. Agora, pelos vistos, não há nenhum. Cavaco necessitava destes votos - assim como daqueles que não são próximos de qualquer partido político - para a maioria absoluta. Agora, não é seguro que os tenha, seja porque se estão a desmobilizar à última hora seja porque decidiram "voltar ao redil" de um voto orientado pela identificação partidária e ideológica.

É certo que estas sondagens e o ambiente geral do comentário político vêm minimizando os riscos ligados a uma outra possibilidade que já discuti aqui, o de "abstenção por certeza de vitória", que afectaria de forma diferencial o eleitorado potencial de Cavaco Silva. Não me parece que isso continue a ser um factor de peso: certezas sobre o resultado já ninguém com dois dedos de testa consegue ter. Mas se Cavaco vem perdendo o eleitorado socialista e apartidário de que dispunha até agora - seja porque ele se assustou com a prometida vigilância às actividades do Governo, seja porque a identificação partidária e ideológica fala mais forte, seja ainda por desinteresse em torno de uma opção que, para eles, nunca terá sido particularmente entusiasmante e inequívoca - então a segunda volta está aí ao virar da esquina.

2. Há, contudo, pelo menos uma outra possibilidade. A de que, curiosamente, a abstenção diferencial afecte mais os candidatos de esquerda do que Cavaco, especialmente, diria, Alegre e Louçã. Sabemos que a abstenção declarada em sondagens é sempre inferior à abstenção real. E a verdade é que, em todas as sondagens cujos dados publicados permitem esta análise, o eleitorado de Cavaco foi-se sempre mostrando mais convicto da sua decisão de votar e da sua decisão de em quem votar. Na medida em que não haja uma desmobilização "táctica" por certeza de vitória - possibilidade que, como disse, me parece diminuída pelos eventos desta última semana - eles estão lá, seguros da sua decisão, prontos para ir votar.

E os outros, estão? É certo que há o famoso "povo de esquerda" que se foi escondendo das sondagens até agora, como Medeiros Ferreira sugeria desde o início. Tal como os últimos resultados mostram, tinha, num certo sentido, razão, como aliás lhe dei na altura:

Diria que é altamente presumível que, neste momento e para estas eleições concretas, muitos eleitores de "esquerda" não tenham ainda, pura e simplesmente, decidido o que vão fazer, em face da multiplicação de candidatos, dos sinais confusos e contraditórios emanados inicialmente pelo Partido Socialista, da insatisfação de algum eleitorado PS com a actuação do governo, etc. É possível, e provável, que muitos desses indecisos se venham a abster, mas certamente muitos deles irão também acabar por votar num dos candidatos de esquerda (não excluindo, claro, que alguns venham a votar em Cavaco Silva).

Esse "povo" apareceu finalmente, abandonando progressivamente a sua indecisão e declarando nas sondagens as suas intenções (se bem que talvez não no sentido que Medeiros Ferreira desejaria). Mas a pergunta que fica é esta: vão mesmo votar? Vão votar tanto como os agora declarados eleitores de Cavaco Silva? A abstenção, quem dela vem e quem para ela passa, é, como sempre, a chave dos resultados eleitorais, muito mais do que as transferências de voto deste para aquele partido ou candidato. Não é um acaso, portanto, que todos os candidatos apelem de forma dramática e quase desesperada à participação eleitoral. Da resposta diferencial a esses apelos depende o resultado de Domingo. A ver vamos.

A não ser que a sondagem Intercampus diga qualquer coisa de extraordinariamente surpreendente, só cá volto 2ª feira.

P.S.- Ontem na SIC, Rui Oliveira e Costa falava da especial dificuldade que estas eleições trazem para as sondagens à boca das urnas, devido ao facto de existir um candidato independente cujo peso presumível na amostra selecccionada não poder se apreciado à luz de resultados eleitorais passados. É por isso que as sondagens à boca das urnas são importantes e interessantes. Livres do problema das pré-eleitorais - a medição de intenções em vez de comportamentos - elas são o teste último aos procedimentos de amostragem adoptados por cada instituto, e são de facto a única altura em que a bondade desses procedimentos pode ser testada e melhorada em face de circunstâncias novas, como a candidatura de Alegre.

Tendência

Qual o caminho percorrido para chegarmos aos resultados conhecidos hoje? É duvidoso que as diferenças entre as sondagens feitas ao longo do tempo resultem exclusivamente de mudanças nas preferências nos eleitores. Várias das hipóteses avançadas nos posts anteriores para a "convergência" nos últimos dias são, aliás, contrárias a essa ideia, e o céptico que aqui escreveu juntou razões adicionais.

Contudo, suspendam por momentos a descrença. Como apreciar a plausibilidade a ideia de que as preferências dos eleitores mudaram ao longo da campanha e pré-campanha? Três maneiras, por ordem crescente de sofisticação:

1. Comparar sondagens entre si mantendo constante o instituto que as produziu. Se nos concentrarmos nos institutos com mais observações ao longo do tempo - Aximage e Marktest - rapidamente verificamos que em ambas:

- Cavaco mantém-se estável até pelo menos até à primeira semana de 2006, descendo a partir daí;
- Alegre desce até à primeira semana de 2006, começando a subir a partir daí;
- Soares sobe até fim de Dezembro/início de 2006, descendo de seguida e estabilizando no final.


2. Smoothing:






As tendências são confirmadas quando ajustamos uma regressão local aos dados: Cavaco oscilante, com tendência final de descida; Alegre a descer até ao princípio de Janeiro, crescendo no final; Soares sobe até final de Dezembro, iniciando depois declínio e com estabilização final; Jerónimo e Louçã com tendência de lenta mas consistente subida ao longo do tempo.


3. Controlar "house effects":

O problema das abordagens anteriores é o facto de estarem ainda, porventura, excessivamente dependentes de quem faz as sondagens. Notem: se partirmos do princípio de que existem "house effects" - um enviesamento sistemático resultante do facto de um determinado instituto fazer um conjunto estável de opções metodológicas - então não devemos ficar surpreendidos com o facto da abordagem 2. repetir as conclusões da abordagem 1.: afinal, a Aximage e a Marktest foram que mais com sondagens para o bolo total.

Uma maneira de tentar chegar a um resultado "livre" de house effects é a avançada por Erikson e Wlezien, num artigo intitulado "Presidential Polls as a Time Series", no volume 63 da Public Opinion Quarterly (1999). Os que não gostam de estatística saltam para o parágrafo seguinte. Se regredirmos os resultados das sondagens em relação a variáveis dicotómicas (com valores 0 e 1) representando os institutos de sondagens que as fizeram (todos menos um) e as datas das sondagens, os coeficientes associados às variáveis temporais vão, se a constante for excluída da equação, representar as estimativas para cada candidato "livres" de house effects (ou seja, mantendo esses efeitos constantes).

Devido ao escasso número de sondagens, tive de definir as variáveis temporais como representando períodos e não datas singulares. Os resultados da análise são os seguintes:

Não tem os valores concretos porque, para o que conta (e por razões técnicas que não vale a pena explicar aqui), esses valores não são muito importantes e variam de acordo com algumas opções que se tomem na análise. O que importa, e é indiferente a essas opções, é a tendência. E essa é clara: independentemente dos efeitos que cada instituto de sondagens impõe - pelas opções técnicas que metodológicas que toma - nos resultados, Cavaco desce na última semana, Alegre sobe na última semana, Soares desde a partir de Dezembro e Jerónimo e Louça sobem com ultra-lentidão.

Era o que toda a gente já sabia? Pois. Mas assim a incerteza diminui.

Convergência

Aqui há uns tempos, chamei a atenção neste blogue para duas coisas:

1. O facto de os resultados das sondagens até então parecerem ser afectados por algumas (poucas) mas aparentemente cruciais variações metodológicas.

2. E a hipótese de que as sondagens conduzidas mais perto das eleições acabassem por obter, por um lado, resultados substancialmente diferentes das precedentes, e por outro, mais convergentes entre si do que as anteriores.

Não é preciso grandes cálculos matemáticos para observar que a hipótese se confirmou, com excepção (no que respeita à dispersão) dos resultados de Manuel Alegre. O quadro seguinte, rudimentar mas suficiente, mostra a média e o desvio padrão associado aos resultados estimados para os diferentes candidatos em três períodos de realização do trabalho de campo:



Por que acontece este fenómeno? Várias hipóteses:

1. Mero acaso;

2. À medida que intenções de voto vão cristalizando e diminuindo o nº de indecisos sobre se irão votar e/ou em quem, as diferentes opções tomadas para os medir e redistribuir perdem impacto nos resultados;

3. À medida que nos aproximamos do dia das eleições, investimento em recursos por parte dos órgãos de comunicação social e dos institutos de sondagem aumenta;

Há ainda uma hipótese adicional, levantada aqui e aqui há uns meses a propósito das eleições no Reino Unido, que não pode ser completamente excluída.

Seja como for, há uma preocupação que é mitigada com estas últimas sondagens: temos de tudo. Telefónicas e presenciais. Escolha aleatória de inquiridos (Católica e Eurosondagem) e amostragem por quotas (Aximage e Marktest). Redistribuição proporcional de indecisos (Marktest, Eurosondagem), redistribuição por "inclinação de voto" (Católica) e redistribuição "mistério" (Aximage). Questionário sem (Marktest) e com (Católica) filtros para determinar prováveis abstencionistas. Os resultados convergem.

O facto de convergirem não quer dizer que estão a medir correctamente as intenções de voto no momento em que foram feitas (podem estar a ser afectadas por um enviesamento comum e indiferente às variações metodológicas) e muito menos que servem para prever seja o que for. Mas diminui a incerteza, o que já não é mau.

Os resultados

Algumas notas:

1. As sondagens estão colocadas por ordem crescente do último dia de trabalho de campo;

2. As últimas sondagens de cada instituto estão assinaladas no final, a azul.

3. A última sondagem Marktest tem um dia de trabalho de campo comum com a anterior que estava no quadro. Logo, retirei a anterior e deixei apenas a última.

4. A sondagem Aximage anterior foi também retirada do quadro e colocada apenas a divulgada hoje, já que as sondagens divulgadas nos últimos dias no CM resultam da acumulação de novos inquiridos à amostra inicial. Os pontos de interrogação dizem respeito aos elementos que a Aximage ou o Correio da Manhã decidiram não querer partilhar com os leitores, nomeadamente, os resultados brutos, para além do próprio método de redistribuição dos indecisos.

5. Deverá faltar aqui, pelo menos, a sondagem Intercampus para a TVI. Se existir - só deverá ser divulgada hoje à noite.


quinta-feira, janeiro 19, 2006

Últimas arrumações

Um amável e-mail de Alexandre Picoito, responsável da Pitagórica, ajuda-me a acabar de preencher o quadro das sondagens. Para não sobrecarregar o blogue, limito-me a substituir a imagem que estava aqui.

Alexandre Picoito esclarece também que o tratamento de abstenção a que se aludia no JN "resulta de várias questões incluídas no questionário e cujas respostas ponderadas entre si, identificam uma 'projecção provável' de abstencionistas que são retirados das análises de voto". É, de facto, uma prática comum a outras sondagens, especialmente em países de abstenção elevada (a que nós, em bom rigor, começamos a pertencer).

O curioso destas coisas gostaria de saber exactamente como se constrói esse modelo. Mas aqui, admito, a curiosidade tem limites. Por um lado, não é fácil a qualquer órgão de comunicação explicar exactamente todos os pormenores destas coisas. E por outro, mais importante, os responsáveis dos institutos de sondagens não são obrigados a fazê-lo, e podem, se assim o entenderem, encarar estes modelos como uma propriedade intelectual que não desejam partilhar.

Muito diferente é a questão da redistribuição dos indecisos: ao contrário do que alguns ainda parecem julgar, é a própria legislação que obriga a que, "sempre que seja efectuada a redistribuição dos indecisos" se faça na ficha técnica "a descrição das hipóteses em que a mesma se baseia". Aqui não pode haver "segredo industrial". Mas isso nada tem a ver com a sondagem da Pitagórica: o jornal nem publicou os resultados após redistribuição dos indecisos e que as hipóteses que a empresa faz na sua análise, cujos resultados coloco agora no quadro, são claras, simples e evidentes: redistribuição proporcional.