segunda-feira, abril 10, 2006
Maratona
Já se percebeu que isto vai demorar. A projecção para a Câmara já está atrasada mais de duas horas e, tendo em conta o que aconteceu com o Senado, todos já esperam que a vantagem seja, afinal, inferior a 5 pontos. Vai ser preciso contar os votos. Volto depois.
Senado
Se se confirmar a projecção, sete senadores de vantagem é muito pouco para garantir qualquer espécie de governabilidade com coligações tão fragmentadas e com um Senado com tantos poderes como o italiano.
(Uma nova projecção para o Senado -17.45h hora portuguesa - dá 51% para Unione e 49% para Cdl, sem impacto na distribuição de senadores).
(Uma nova projecção para o Senado -17.45h hora portuguesa - dá 51% para Unione e 49% para Cdl, sem impacto na distribuição de senadores).
Primeiras projecções, mais renhido do que parecia (17.00h)
As primeiras projecções - não sondagens, mas sim dados de sondagens combinados com dados do apuramento - são para o Senado: 50,4% para a Unione, 48,6% para a Cdl. Mais renhido do que era sugerido pelas sondagens à boca das urnas (que davam 50-54% para a Unione e 45-49% para a Cdl). Ainda não há, que eu saiba, projecções para a Câmara dos Deputados...
Itália, actualização 16.35h
Itália, actualização
Segundo os dados da sondagem à boca das urnas por partido, parece que as contas podem ter corrido mal a Berlusconi. Os pequenos partidos da Unione aparecem com estimativas acima dos 2%, à excepção da UDEUR, ao passo que a CD/Psi e a Alternativa Sociale da coligação de Berlusconi aparecem abaixo dos 2%.
Itália, 1ª sondagem boca das urnas, 15.01h (hora italiana)
Unione (Prodi): 50-54
Cdl: (Berlusconi): 45-49
Aposta-se já, portanto, num vencedor em termos de votos. Mas a conversa no que respeita a assentos pode ser outra...
Cdl: (Berlusconi): 45-49
Aposta-se já, portanto, num vencedor em termos de votos. Mas a conversa no que respeita a assentos pode ser outra...
Itália, a menos de duas horas
Originais em tudo, os italianos encerram as urnas às 15.00h de segunda-feira, ou seja, 14.00h de Lisboa. As últimas sondagens, divulgadas a 15 dias das eleições, apontavam para um resultado que andaria entre os 52 e os 54% para a Unione de Prodi.
Contudo, muita atenção ao que se segue. Por um lado, sempre foram 15 dias. Por outro lado, há o sistema eleitoral. E o sistema eleitoral implica o seguinte:
1. Todos os partidos integrados numa coligação que obtenham menos de 2% dos votos (e todos os partidos foram de coligações que tenham menos de 3% dos votos) não elegem deputados, ou seja, ficam excluídos por uma cláusula-barreira.
2. Em princípio, isto não deverá afectar a Liga Norte ou os Democratas Cristãos membros da Casa de Berlusconi, que, em 2001, tiveram mais de 3% dos votos.
3. Contudo, isto pode afectar seriamente a eleição de deputados por parte de todos os partidos da Unione com excepção do Ulivo e da Refundação Comunista.
4. Acresce a isto que há um "bónus" para a coligação mais votada, garantindo-lhe pelo menos 340 assentos parlamentares em 630, ou seja, uma maioria absoluta.
5. Eu disse coligação "mais votada"? Não é bem "mais votada": é mais votada depois de redistribuidos os votos dos partidos que não passaram a cláusula-barreira de 2%, ou seja, com toda a probabilidade, vários partidos da Unione.
6. Logo, é perfeitamente possível que a Unione tenha mais votos que a Casa, mas fique com menos após a redistribuição e que, logo, seja a Casa de Berlusconi fique com o bónus e, logo, com uma maioria absoluta, apesar de ter, em absoluto, menos votos!
Contudo, muita atenção ao que se segue. Por um lado, sempre foram 15 dias. Por outro lado, há o sistema eleitoral. E o sistema eleitoral implica o seguinte:
1. Todos os partidos integrados numa coligação que obtenham menos de 2% dos votos (e todos os partidos foram de coligações que tenham menos de 3% dos votos) não elegem deputados, ou seja, ficam excluídos por uma cláusula-barreira.
2. Em princípio, isto não deverá afectar a Liga Norte ou os Democratas Cristãos membros da Casa de Berlusconi, que, em 2001, tiveram mais de 3% dos votos.
3. Contudo, isto pode afectar seriamente a eleição de deputados por parte de todos os partidos da Unione com excepção do Ulivo e da Refundação Comunista.
4. Acresce a isto que há um "bónus" para a coligação mais votada, garantindo-lhe pelo menos 340 assentos parlamentares em 630, ou seja, uma maioria absoluta.
5. Eu disse coligação "mais votada"? Não é bem "mais votada": é mais votada depois de redistribuidos os votos dos partidos que não passaram a cláusula-barreira de 2%, ou seja, com toda a probabilidade, vários partidos da Unione.
6. Logo, é perfeitamente possível que a Unione tenha mais votos que a Casa, mas fique com menos após a redistribuição e que, logo, seja a Casa de Berlusconi fique com o bónus e, logo, com uma maioria absoluta, apesar de ter, em absoluto, menos votos!
Popularidade líderes Abril
Com a divulgação do estudo da Eurosondagem, é possível actualizar o gráfico apresentado antes aqui. O que se faz, recorde-se, é:
1. Recorrer aos Barómetros Marktest (TSF, DN) e Eurosondagem (Expresso, SIC, RR), nas questões de avaliação da actuação dos líderes políticos;
2. Calcular um índice (2*% "Positiva" + %"Assim-assim;Ns;Nr)/2, que varia entre 0 e 100;
3. Calcular valores para cada mês do ano, limpos de "house effects".

Sampaio termina em Março com um score de 81 pontos em 100. Cavaco entra em Março com 64,4 pontos mas já subiu em Abril para 68,8. Sócrates prossegue recuperação de popularidade iniciada após as autárquicas, estando a menos de 10 pontos do score verificado no primeiro mês de governação. Mendes está estável, com menos 10 pontos do que tinha quando assumiu, há um ano, a liderança do PSD.
1. Recorrer aos Barómetros Marktest (TSF, DN) e Eurosondagem (Expresso, SIC, RR), nas questões de avaliação da actuação dos líderes políticos;
2. Calcular um índice (2*% "Positiva" + %"Assim-assim;Ns;Nr)/2, que varia entre 0 e 100;
3. Calcular valores para cada mês do ano, limpos de "house effects".

Sampaio termina em Março com um score de 81 pontos em 100. Cavaco entra em Março com 64,4 pontos mas já subiu em Abril para 68,8. Sócrates prossegue recuperação de popularidade iniciada após as autárquicas, estando a menos de 10 pontos do score verificado no primeiro mês de governação. Mendes está estável, com menos 10 pontos do que tinha quando assumiu, há um ano, a liderança do PSD.
sexta-feira, abril 07, 2006
Vietname e Iraque
Fonte: Gallup (dados disponíveis aqui e aqui)
Questão 1: "In view of the developments since we entered the fighting in Vietnam, do you think the U.S. made a mistake sending troops to fight in Vietnam?" Gráfico mostra % daqueles que respondem afirmativamente. No eixo x, dias desde operação Rolling Thunder.
Questão 2: "In view of the developments since we first sent our troops to Iraq, do you think the United States made a mistake in sending troops to Iraq, or not?" Gráfico mostra % daqueles que respondem afirmativamente. No eixo x, dias desde invasão do Iraque.
(Clicar na imagem para ver melhor)

Não creio que precise de comentários.
Questão 1: "In view of the developments since we entered the fighting in Vietnam, do you think the U.S. made a mistake sending troops to fight in Vietnam?" Gráfico mostra % daqueles que respondem afirmativamente. No eixo x, dias desde operação Rolling Thunder.
Questão 2: "In view of the developments since we first sent our troops to Iraq, do you think the United States made a mistake in sending troops to Iraq, or not?" Gráfico mostra % daqueles que respondem afirmativamente. No eixo x, dias desde invasão do Iraque.
(Clicar na imagem para ver melhor)

Não creio que precise de comentários.
quinta-feira, abril 06, 2006
Brasil
Saiu uma sondagem do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social, no Jornal do Brasil. Vamos ter calma e, com a continuação, tentar perceber se as diferenças entre as sondagens estão a reflectir apenas erro amostral e diferenças entre métodos ou se, pelo contrário, reflectem mudança nas intenções de voto. Certo é que Lula tem menos 7 pontos do que na sondagem de 11 de Março, enquanto Alckmin subiu 9. A seguir com atenção.
segunda-feira, abril 03, 2006
Popularidade dos líderes políticos
No dia 31, o DN e a TSF divulgaram os dados de uma sondagem da Marktest, realizada entre os dias 21 e 24 de Março, telefónica, quotas, N= 813. No que respeita à popularidade dos líderes, há várias maneiras de se pegar nos dados:
1. Avaliações positivas (Marktest):

Com a primeira sondagem incidindo sobre a avaliação de Cavaco Silva como Presidente, há uma queda abrupta em relação à última sondagem que incidia sobre a avaliação de Jorge Sampaio. Para Sócrates, depois de uma subida contínua desde as autárquicas, há estabilização. E Marques Mendes parece ter estancado uma lenta descida desde as autárquicas.
2. Saldo %"actuação positiva" - % "actuação negativa" (Marktest): o gráfico anterior negligencia o facto de a percentagem de respostas "não sabe/não responde" variar muito consoante os diferentes objectos de avaliação, não tomando por isso em conta a possibilidade de a uma grande percentagem de opiniões positivas poder também corresponder uma grande percentagem de opiniões negativas (nem a possibilidade de a uma baixa percentagem de opiniões positivas poder corresponder também uma baixa percentagem de opiniões negativas). Logo, o gráfico seguinte apresenta o saldo de opiniões negativas-positivas:

Como se vê, Sócrates e Mendes geram muito mais polarização, para já, do que o Presidente, que apesar de ter poucas avaliações positivas tem também muito poucas avaliações negativas. Seja como for, as tendências ao longo do tempo são as mesmas.
3. Índice limpo de "house effects": uma maneira de procurar resolver os problemas anteriores consiste em calcular o índice que forma a que dê algum significado à percentagem de "não respostas". Para além disso, há um segundo problema, o facto de as sondagens Eurosondagem e Marktest não serem rigorosamente comparáveis, dado que as sondagens da Eurosondagem dão a opção de resposta "assim-assim". Assim, procedemos da seguinte forma:
a. Cálculo do índice:
I= (2*%positivo + %"assim-assim"+"ns"+"nr")/2.
Tudo o que estiver acima de 50 significa que há mais opiniões positivas que negativas. O valor 0 (zero) significa que todas as opiniões são negativas. O valor 100 significa que todas as opiniões são positivas. "Ns/nr" é tratado como indicador de indiferença, "nem bom nem mau".
b. Eliminação de "house effects": segui p procedimento descrito aqui. Março não aparece na Presidência porque uma sondagem incidiu sobre Sampaio e outra sobre Cavaco.

Estes resultados são os que posso fornecer que me parecem mais próximos de captarem reais tendências de mudança ao longo do tempo, por um lado, e permitir comparabilidade entre os líderes políticos e as diferentes empresas de sondagem, por outro.
Assim, é visível uma descida inicial dos três líderes políticos até ao Outono (mais mitigado no caso do PR) e uma posterior recuperação (igualmente mitigada no PR e também com Marques Mendes, mais acentuada com Sócrates).
1. Avaliações positivas (Marktest):

Com a primeira sondagem incidindo sobre a avaliação de Cavaco Silva como Presidente, há uma queda abrupta em relação à última sondagem que incidia sobre a avaliação de Jorge Sampaio. Para Sócrates, depois de uma subida contínua desde as autárquicas, há estabilização. E Marques Mendes parece ter estancado uma lenta descida desde as autárquicas.
2. Saldo %"actuação positiva" - % "actuação negativa" (Marktest): o gráfico anterior negligencia o facto de a percentagem de respostas "não sabe/não responde" variar muito consoante os diferentes objectos de avaliação, não tomando por isso em conta a possibilidade de a uma grande percentagem de opiniões positivas poder também corresponder uma grande percentagem de opiniões negativas (nem a possibilidade de a uma baixa percentagem de opiniões positivas poder corresponder também uma baixa percentagem de opiniões negativas). Logo, o gráfico seguinte apresenta o saldo de opiniões negativas-positivas:

Como se vê, Sócrates e Mendes geram muito mais polarização, para já, do que o Presidente, que apesar de ter poucas avaliações positivas tem também muito poucas avaliações negativas. Seja como for, as tendências ao longo do tempo são as mesmas.
3. Índice limpo de "house effects": uma maneira de procurar resolver os problemas anteriores consiste em calcular o índice que forma a que dê algum significado à percentagem de "não respostas". Para além disso, há um segundo problema, o facto de as sondagens Eurosondagem e Marktest não serem rigorosamente comparáveis, dado que as sondagens da Eurosondagem dão a opção de resposta "assim-assim". Assim, procedemos da seguinte forma:
a. Cálculo do índice:
I= (2*%positivo + %"assim-assim"+"ns"+"nr")/2.
Tudo o que estiver acima de 50 significa que há mais opiniões positivas que negativas. O valor 0 (zero) significa que todas as opiniões são negativas. O valor 100 significa que todas as opiniões são positivas. "Ns/nr" é tratado como indicador de indiferença, "nem bom nem mau".
b. Eliminação de "house effects": segui p procedimento descrito aqui. Março não aparece na Presidência porque uma sondagem incidiu sobre Sampaio e outra sobre Cavaco.

Estes resultados são os que posso fornecer que me parecem mais próximos de captarem reais tendências de mudança ao longo do tempo, por um lado, e permitir comparabilidade entre os líderes políticos e as diferentes empresas de sondagem, por outro.
Assim, é visível uma descida inicial dos três líderes políticos até ao Outono (mais mitigado no caso do PR) e uma posterior recuperação (igualmente mitigada no PR e também com Marques Mendes, mais acentuada com Sócrates).
quarta-feira, março 29, 2006
Blogues temáticos
Falar de Blogues Temáticos
30 de Março, 19:00 horas, Livraria Almedina
Doc Log , Leonor Areal
Educar para os Media ,Vitor Relvas
E o mordomo que trabalha nesta casa, vindo a correr de apresentar um paper sobre as sondagens autárquicas no Congresso da Associação Portuguesa de Ciência Política.
30 de Março, 19:00 horas, Livraria Almedina
Doc Log , Leonor Areal
Educar para os Media ,Vitor Relvas
E o mordomo que trabalha nesta casa, vindo a correr de apresentar um paper sobre as sondagens autárquicas no Congresso da Associação Portuguesa de Ciência Política.
Israel, sondagens e resultados
Como de costume, remeto para quem sabe fazer mais e melhor. Um breve resumo:
- Kadima ganha, mas abaixo das sondagens, confirmando tendência de descida que vinha desde as eleições palestiniananas;
- catástrofe no Likud; Netanyahu castigado;
- Yisrael Beiteinu passa para terceiro partido, confirmando tendência de subida;
- surpresa: Gil, o partido dos pensionistas, consegue 7 lugares no Knesset;
O Kadima fica na posição privilegiada de partido pivot. Sem eles, não há governo, e podem "escolher", por assim dizer, com quem governar. Tudo se parece encaminhar para uma coligação de centro-esquerda: Kadima, Trabalhistas, Shas (partido sefardita, flexível na questão palestiniana e favorável a políticas sociais) e Gil.
O comentário do Haaretz:
"Those who mocked Labor and Peretz because of their social agenda - saying all that matters in Israel are security-diplomacy issues - will have to think again. It's not just Labor doing better than expected that proves this, but mainly the success of the senior citizens' party. Maybe it's because Israelis are already set on the right solution for the Palestinian issue (i.e. unilateral steps), that they figured that they can now vote on something else."
- Kadima ganha, mas abaixo das sondagens, confirmando tendência de descida que vinha desde as eleições palestiniananas;
- catástrofe no Likud; Netanyahu castigado;
- Yisrael Beiteinu passa para terceiro partido, confirmando tendência de subida;
- surpresa: Gil, o partido dos pensionistas, consegue 7 lugares no Knesset;
O Kadima fica na posição privilegiada de partido pivot. Sem eles, não há governo, e podem "escolher", por assim dizer, com quem governar. Tudo se parece encaminhar para uma coligação de centro-esquerda: Kadima, Trabalhistas, Shas (partido sefardita, flexível na questão palestiniana e favorável a políticas sociais) e Gil.
O comentário do Haaretz:
"Those who mocked Labor and Peretz because of their social agenda - saying all that matters in Israel are security-diplomacy issues - will have to think again. It's not just Labor doing better than expected that proves this, but mainly the success of the senior citizens' party. Maybe it's because Israelis are already set on the right solution for the Palestinian issue (i.e. unilateral steps), that they figured that they can now vote on something else."
terça-feira, março 28, 2006
Brasil, a seis meses
Não pensaram que estas escapavam? As eleições mais interessantes do ano. Agora que Alckmin e Garotinho estão confirmados e que as respostas já não são sobre meros cenários, é a altura de começar a coligir dados.
Conheço três institutos que divulgam dados de intenção de voto regularmente: IBOPE, Datafolha e Sensus. Se conhecerem mais, avisem. Para já, após a confirmação de Alckmin, só conheço duas sondagens: uma do IBOPE e outra da Datafolha. Em relação a sondagens anteriores, que lidavam apenas com cenários, Alckmin sobe e Garotinho mantem-se estável. Mas há muito caminho para percorrer.
Dois quadros apresentados abaixo: um com os resultados brutos e outro que os dados são apresentados como se fossem resultados eleitorais, excluindo brancos e nulos e tratando "não respostas" e indecisos como abstencionistas (ou seja, redistribuindo-os proporcionalmente pelas opções válidas). Para já, temos Lula à 1ª volta, e um surpreendentemente baixo número de indecisos.
Falta dizer que a reputação dos institutos de sondagens no Brasil é impecável: grande mercado, muito dinheiro, muita competência, voto obrigatório (o que limita os efeitos nefastos da abstenção sobre as estimativas de resultados eleitorais).
Conheço três institutos que divulgam dados de intenção de voto regularmente: IBOPE, Datafolha e Sensus. Se conhecerem mais, avisem. Para já, após a confirmação de Alckmin, só conheço duas sondagens: uma do IBOPE e outra da Datafolha. Em relação a sondagens anteriores, que lidavam apenas com cenários, Alckmin sobe e Garotinho mantem-se estável. Mas há muito caminho para percorrer.
Dois quadros apresentados abaixo: um com os resultados brutos e outro que os dados são apresentados como se fossem resultados eleitorais, excluindo brancos e nulos e tratando "não respostas" e indecisos como abstencionistas (ou seja, redistribuindo-os proporcionalmente pelas opções válidas). Para já, temos Lula à 1ª volta, e um surpreendentemente baixo número de indecisos.
Falta dizer que a reputação dos institutos de sondagens no Brasil é impecável: grande mercado, muito dinheiro, muita competência, voto obrigatório (o que limita os efeitos nefastos da abstenção sobre as estimativas de resultados eleitorais).
segunda-feira, março 27, 2006
Israel, véspera de eleições
A última actualização da análise das sondagens sobre as eleições israelitas no indispensável Political Arithmetik, mostra o Kadima a descer (tal como vem sucedendo desde as eleições na Palestina), mas ainda, e muito claramente, como vencedor. Trabalhistas e Likud parecem estáveis, mas o Yisrael Beiteinu, que tem forte implantação entre os judeus vindo da ex-União Soviética, prepara-se para se tornar o 4º partido (não sendo completamente de excluir que ultrapasse o Likud, o que seria um resultado espantoso).
Sobre o panorama de coligações pós-eleitorais, Matthew Shugart apontava há dias as várias possibilidades. Na base das estimativas mais recentes, os cenários de Shugart continuam a fazer sentido.
Sobre o panorama de coligações pós-eleitorais, Matthew Shugart apontava há dias as várias possibilidades. Na base das estimativas mais recentes, os cenários de Shugart continuam a fazer sentido.
sexta-feira, março 24, 2006
Itália
Segundo todas as sondagens e também por admissão própria e dos seus aliados, Berlusconi perdeu o debate com Prodi. Também perdeu a cabeça numa reunião da Confindustria, acusando os grandes empresários de terem "esqueletos no armário" e de terem sido perdoados por "juízes vermelhos". E pelos vistos, vai perder as eleições, se bem que importa ter cuidado com dois factores: a mudança do sistema eleitoral, concebida especificamente para favorecer a Cdl; e o facto de, devido à restritiva legislação italiana, estas serem as últimas sondagens a serem divulgadas antes das eleições. Em quinze dias pode mudar muita coisa. Seja como for, o pós-debate revela uma subida clara da Unione. Os dois "outliers" que vêm lá em baixo - duas sondagens da empresa Psb - são sondagens encomendadas pela...Forza Italia.
quarta-feira, março 22, 2006
Popularidades
Nos Estados Unidos e (em menor grau) no Reino Unido, a avaliação do desempenho do chefe do executivo é seguida com enorme atenção pelos órgãos de comunicação social, pelos agentes políticos e pelos estudiosos da opinião pública, suscitando, por parte destes últimos, o tipo de análises aprofundadas que se podem encontrar aqui ou aqui. Por um lado, isto deve-se ao grande desenvolvimento dos estudos de opinião pública e à enorme quantidade de recursos que nelas são dispendidos. E por outro lado, aos próprios sistemas políticos. Nos Estados Unidos, temos a concentração do poder executivo num cargo uninominal. No Reino Unido, apesar de se tratar de um sistema parlamentar, estamos também perante um dos casos onde a concentração de poder nas mãos do PM e líder do partido é maior entre as democracias ocidentais. Logo, a atenção tende também ela a concentrar-se na pessoa do líder, nas suas qualidades e na avaliação que delas fazem os eleitores.
Em Portugal, o que se sabe sobre o factores que mais afectam o comportamento eleitoral é que a avaliação que os eleitores fazem dos líderes tem enorme impacto na decisão do voto, acima do que seria de esperar com um sistema eleitoral proporcional. Logo, seria de esperar que fosse dada grande atenção aos dados disponíveis sobre essa avaliação. Mas assim não sucede. Os meios de comunicação social encomendam apenas as duas empresas de sondagens - Marktest e Eurosondagem - dados regulares sobre essa matéria, e são raros os estudos disponíveis utilizando esses dados (com a notável excepção do trabalho de dois investigadores da Universidade do Minho, Francisco José Veiga e Linda Veiga).
Quais os dados disponíveis desde a tomada de posse do actual governo. A Marktest, no seu barómetro mensal, coloca a seguinte questão sobre vários líderes políticos:
No caso de [líder]: Em sua opinião diria que a actuação de [líder]) tem sido POSITIVA ou NEGATIVA ?
A formulação concreta da pergunta colocada pela Eurosondagem deverá ser semelhante, ficando contudo a dúvida se é fornecida uma opção intermédia "Assim-assim". Nalguns casos, os quadros publicados no Expresso sugerem que assim é (afirmando-se que as percentagens apresentadas excluem respostas "não sabe/não responde" e "assim-assim"). Noutros casos, essa referência está ausente.
Talvez as diferentes formulações ajudem a explicar as discrepâncias entre os resultados das duas empresas. Nos gráficos abaixo, apresenta-se a evolução ao longo do tempo das percentagens de indivíduos que fazem uma avaliação positiva do Primeiro-Ministro, do Presidente da República e do líder do principal partido da oposição nas duas sondagens desde a tomada de posse do actual governo (agradeço à Marktest o envio dos dados completos; os dados da Eurosondagem foram recolhidos do Expresso; datas correspondem ao último dia de trabalho de campo):



Apesar das discrepâncias nas avaliações de Sampaio serem mínimas, o mesmo não sucede para Sócrates ou Marques Mendes: as sondagens publicadas no Expresso tendem a obter maiores percentagens de aprovação para ambos em comparação com a Marktest.
Dito isto, é tranquilizador verificar que, apesar das discrepâncias absolutas, as tendências que detectam são semelhantes. Descida de Sócrates até às autárquicas, seguida de recuperação (claríssima na Marktest, sugerida na Eurosondagem); subida de Marques Mendes imediatamente após autárquicas, e posterior retorno aos níveis (baixos) de Abril de 2005. Em ambos os casos, e para as últimas sondagens, as taxas de aprovação de Sócrates estão cerca de 20 pontos percentuais acima das taxas de aprovação de Marques Mendes.
Os resultados de Sócrates não estão exactamente na linha do que anteriores estudos sobre as funções de popularidade poderiam sugerir. No passado, a popularidade do PM tendeu a diminuir com o aumento do desemprego, especialmente quando o seu governo dispunha de maioria absoluta. E diminuia também assim que se ultrapassava o período inicial de seis meses de "lua de mel". Mas não é bem isso que parece estar a ocorrer. Com o desemprego a aumentar de 7,5% para 8% do primeiro para o último trimestre de 2005 e ultrapassada a "lua de mel", Sócrates quase regressa aos níveis de popularidade de que gozava imediatamente no início do ciclo. Aumenta assim a curiosidade em relação ao que as próximas sondagens dirão: será a recuperação de popularidade dos últimos meses para durar, ou uma fugaz anomalia em relação à tendência de descida que se iniciou logo após a tomada de posse? Logo se verá.
Em Portugal, o que se sabe sobre o factores que mais afectam o comportamento eleitoral é que a avaliação que os eleitores fazem dos líderes tem enorme impacto na decisão do voto, acima do que seria de esperar com um sistema eleitoral proporcional. Logo, seria de esperar que fosse dada grande atenção aos dados disponíveis sobre essa avaliação. Mas assim não sucede. Os meios de comunicação social encomendam apenas as duas empresas de sondagens - Marktest e Eurosondagem - dados regulares sobre essa matéria, e são raros os estudos disponíveis utilizando esses dados (com a notável excepção do trabalho de dois investigadores da Universidade do Minho, Francisco José Veiga e Linda Veiga).
Quais os dados disponíveis desde a tomada de posse do actual governo. A Marktest, no seu barómetro mensal, coloca a seguinte questão sobre vários líderes políticos:
No caso de [líder]: Em sua opinião diria que a actuação de [líder]) tem sido POSITIVA ou NEGATIVA ?
A formulação concreta da pergunta colocada pela Eurosondagem deverá ser semelhante, ficando contudo a dúvida se é fornecida uma opção intermédia "Assim-assim". Nalguns casos, os quadros publicados no Expresso sugerem que assim é (afirmando-se que as percentagens apresentadas excluem respostas "não sabe/não responde" e "assim-assim"). Noutros casos, essa referência está ausente.
Talvez as diferentes formulações ajudem a explicar as discrepâncias entre os resultados das duas empresas. Nos gráficos abaixo, apresenta-se a evolução ao longo do tempo das percentagens de indivíduos que fazem uma avaliação positiva do Primeiro-Ministro, do Presidente da República e do líder do principal partido da oposição nas duas sondagens desde a tomada de posse do actual governo (agradeço à Marktest o envio dos dados completos; os dados da Eurosondagem foram recolhidos do Expresso; datas correspondem ao último dia de trabalho de campo):



Apesar das discrepâncias nas avaliações de Sampaio serem mínimas, o mesmo não sucede para Sócrates ou Marques Mendes: as sondagens publicadas no Expresso tendem a obter maiores percentagens de aprovação para ambos em comparação com a Marktest.
Dito isto, é tranquilizador verificar que, apesar das discrepâncias absolutas, as tendências que detectam são semelhantes. Descida de Sócrates até às autárquicas, seguida de recuperação (claríssima na Marktest, sugerida na Eurosondagem); subida de Marques Mendes imediatamente após autárquicas, e posterior retorno aos níveis (baixos) de Abril de 2005. Em ambos os casos, e para as últimas sondagens, as taxas de aprovação de Sócrates estão cerca de 20 pontos percentuais acima das taxas de aprovação de Marques Mendes.
Os resultados de Sócrates não estão exactamente na linha do que anteriores estudos sobre as funções de popularidade poderiam sugerir. No passado, a popularidade do PM tendeu a diminuir com o aumento do desemprego, especialmente quando o seu governo dispunha de maioria absoluta. E diminuia também assim que se ultrapassava o período inicial de seis meses de "lua de mel". Mas não é bem isso que parece estar a ocorrer. Com o desemprego a aumentar de 7,5% para 8% do primeiro para o último trimestre de 2005 e ultrapassada a "lua de mel", Sócrates quase regressa aos níveis de popularidade de que gozava imediatamente no início do ciclo. Aumenta assim a curiosidade em relação ao que as próximas sondagens dirão: será a recuperação de popularidade dos últimos meses para durar, ou uma fugaz anomalia em relação à tendência de descida que se iniciou logo após a tomada de posse? Logo se verá.
quarta-feira, março 15, 2006
Abu Ghraib
A Salon publica finalmente o anunciado conjunto de 276 fotografias que obteve sobre tortura e abuso de prisioneiros em Abu Ghraib, relatando igualmente que nenhum soldado acima da patente de sargento foi levado a tribunal. Isto inclui o operacional da CIA que interrogou o prisioneiro Manadel al-Jamadi, que acabou por ser encontrado morto.
"The failure of a democratic society to investigate well-documented abuses by its soldiers". Indeed. Mas dir-se-ia mais: o falhanço de uma sociedade democrática em conseguir que aqueles em que delega poder governem de acordo com as suas preferências.
TNS/Washington Post/ABC News, 15-18 Dezembro 2005, N=1003, Telefónica
Would you regard the use of torture against people suspected of involvement in terrorism as an acceptable or unacceptable part of the U.S. campaign against terrorism?
Acceptable: 32%
Not acceptable: 64%
Depends on the torture: 3%
No opinion: 2%
"The failure of a democratic society to investigate well-documented abuses by its soldiers". Indeed. Mas dir-se-ia mais: o falhanço de uma sociedade democrática em conseguir que aqueles em que delega poder governem de acordo com as suas preferências.
TNS/Washington Post/ABC News, 15-18 Dezembro 2005, N=1003, Telefónica
Would you regard the use of torture against people suspected of involvement in terrorism as an acceptable or unacceptable part of the U.S. campaign against terrorism?
Acceptable: 32%
Not acceptable: 64%
Depends on the torture: 3%
No opinion: 2%
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