segunda-feira, abril 17, 2006

Lei eleitoral italiana: correcção

O Sniper fez pontaria e acertou. Ao contrário do que eu tinha dito aqui, o "prémio de maioria", se necessário, atribui-se à coligação mais votada e não à coligação com mais assentos após a exclusão dos partidos que não ultrapassam a cláusula-barreira. O site da Câmara dos Deputados italiana explica (clicar em "Norme", "Legge Elettorale" e "Scheda illustrativa") e espero, desta vez, ter entendido correctamente (partes relevantes em negrito):

I seggi sono ripartiti proporzionalmente in ambito nazionale tra le coalizioni di liste e le liste che abbiano superato le soglie di sbarramento previste dalla legge. Sono ammesse alle ripartizione dei seggi soltanto le coalizioni che abbiano raggiunto almeno il 10% del totale dei voti validi e, al loro interno, le liste che abbiano ottenuto il 2% dei voti, le liste rappresentative di minoranze linguistiche con almeno il 20% dei voti della circoscrizione e la lista che abbia conquistato più voti tra quelle che non hanno conseguito il 2% dei voti.

Partecipano inoltre alla ripartizione dei seggi le liste che non fanno parte di alcuna coalizione, a condizione che abbiano avuto almeno il 4% dei voti a livello nazionale. Alla coalizione di liste (o alla lista non coalizzata) più votata, qualora non abbia già conseguito almeno 340 seggi, è attribuito un premio di maggioranza tale da farle raggiungere il numero di seggi in questione. Le varie fasi della distribuzione dei seggi proporzionali sono le seguenti:

1. Si accerta, nelle circoscrizioni e in ambito nazionale, il totale dei voti conseguiti da ciascuna coalizione o singola lista non collegata e si individua quale di esse ha ottenuto a livello nazionale il maggior numero di voti ai fini dell’attribuzione dell’eventuale premio di maggioranza;

2. Si individuano le coalizioni di liste e le liste non collegate che, superando le soglie di sbarramento, sono ammesse all’assegnazione dei seggi;

3. Si determina su base nazionale il numero di seggi spettanti a ciascuna coalizione di liste o lista non collegata che ha superato la soglia di sbarramento. La ripartizione è effettuata in proporzione ai voti ottenuti con il metodo dei quozienti interi e dei più alti resti;

4. Si verifica se la coalizione di liste o la lista non collegata che ha ottenuto il più alto numero di voti ha cnseguito 340 seggi;

5. In caso positivo, il premio di maggioranza non trova applicazione. I seggi spettanti a ciascuna coalizione sono assegnati alle liste ammesse al riparto che le compongono. Si procede quindi a distribuire in ogni circoscrizione i seggi assegnati in sede nazionale a ciascuna lista ammessa;

6. Se nessuna coalizione di liste o lista non collegata ha ottenuto almeno 340 seggi, si attribuisce a quella di esse più votata il premio di maggioranza, consistente in un numero di seggi pari alla differenza tra 340 e il numero di seggi ad essa assegnati sulla base della ripartizione proporzionale. I 277 seggi rimanenti sono distribuiti tra le altre coalizioni o liste non collegate secondo il metodo dei quozienti interi e dei più alti resti;

7. Si proclamano, nelle diverse circoscrizioni, i candidati eletti secondo l'ordine di successione fissato in ciascuna lista. Se la lista dei candidati è esaurita, si attinge, nell’ordine, alla medesima lista in un’altra circoscrizione, ad un’altra lista della stessa coalizione presentata nella circoscrizione originaria, ovvero in un’altra circoscrizione.

terça-feira, abril 11, 2006

Da Itália para o Brasil

E porque não convém perder embalagem, nova sondagem sobre as presidenciais brasileiras, da Datafolha. As discrepâncias entre os diferentes institutos são demasiado grandes (e o número de observações demasiado pequeno) para tirar grandes conclusões. Mas não deixa de ser curioso verificar que, em relação à anterior sondagem Datafolha, quem parece ter perdido alguma embalagem é Alckmin (o mesmo sucedendo, aliás, no cenário hipotético de "2º turno" contra Lula). Mas é cedo, muito cedo...

Acabou (?)

Do La Stampa:



Dos votos dos eleitores no estrangeiro resultaram 4 senadores em 6 para a Unione. Maioria relativa então para Prodi no Senado e absoluta na Câmara. Mas a Cdl contesta o resultado e quer recontagem.

O dia seguinte


Retirado do La Stampa.

Unione ganha na Câmara, por 25 mil votos, e permanece indefinição no Senado, se bem que a votação dos eleitores no estrangeiro pareça estar a favorecer Prodi. Seja como for, não haverá maioria absoluta no Senado nem para Unione nem para Cdl, devido aos senadores vitalícios (inclinados à esquerda). A Cdl pede recontagem.

Entretanto, os sondagistas são trucidados:

Elezioni: il flop dei sondaggi

Exit-poll, che disastro

«Sfida già finita alle quindici»: e ora chiamateli pure exit flop

Fim, por hoje

Uma mera curiosidade, porque já só vale a pena contar os votos, mas a oitava (!) projecção apresentada para o Senado continua a dar 7 assentos de vantagem à Cdl, enquanto a terceira (!) projecção para a Câmara dá a Cdl e a Unione empatados com 49,8% (!) e retira a anterior maioria absoluta para a Cdl (!). A Nexus desiste, e deixa de dar projecções de deputados.

Por mim, já esgotei os pontos de exclamação, mas o director da Nexus, ao "Porta a Porta", ainda tem mais um: "são as piores eleições da história!" Bem podes dizê-lo outra vez.

Amanhã prosseguem os jogos.

segunda-feira, abril 10, 2006

Mais projecçoes

A projecções mais recentes não mudam nada: às 20.15h (hora portuguesa), continuam a estimar uma maioria absoluta (com o bónus) para a Cdl de Berlusconi quer na Câmara quer no Senado.

Há uma pessoa em cujo lugar em não gostaria de estar hoje: Fabrizio Massa, da Nexus, que esteve a coordenar as sondagens à boca das urnas e as projecções...

Pois...

Projecção Nexus (19.30h hora portuguesa), Câmara:
Cdl: 49,9% (340 deputados)
Unione: 49,6% (277 deputados)

Projecção Nexus (19.00h hora portuguesa), Senado:
Cdl: 49,1% (157 senadores)
Unione: 49,8% (152 senadores)

Maratona

Já se percebeu que isto vai demorar. A projecção para a Câmara já está atrasada mais de duas horas e, tendo em conta o que aconteceu com o Senado, todos já esperam que a vantagem seja, afinal, inferior a 5 pontos. Vai ser preciso contar os votos. Volto depois.

Senado

Se se confirmar a projecção, sete senadores de vantagem é muito pouco para garantir qualquer espécie de governabilidade com coligações tão fragmentadas e com um Senado com tantos poderes como o italiano.

(Uma nova projecção para o Senado -17.45h hora portuguesa - dá 51% para Unione e 49% para Cdl, sem impacto na distribuição de senadores).

Prudência

Na televisão italiana, fala-se em "prudência" e "ligeira vantagem".

Primeiras projecções, mais renhido do que parecia (17.00h)

As primeiras projecções - não sondagens, mas sim dados de sondagens combinados com dados do apuramento - são para o Senado: 50,4% para a Unione, 48,6% para a Cdl. Mais renhido do que era sugerido pelas sondagens à boca das urnas (que davam 50-54% para a Unione e 45-49% para a Cdl). Ainda não há, que eu saiba, projecções para a Câmara dos Deputados...

Itália, actualização 16.35h

Segundo as duas sondagens à boca das urnas (Nexus e Piepoli), a Unione parece conseguir garantir os 340 assentos parlamentares na Câmara dos Deputados e também uma maioria no Senado. Abstenção deverá andar pelos 15%, abaixo da verificada em 2001.

Itália, actualização

Segundo os dados da sondagem à boca das urnas por partido, parece que as contas podem ter corrido mal a Berlusconi. Os pequenos partidos da Unione aparecem com estimativas acima dos 2%, à excepção da UDEUR, ao passo que a CD/Psi e a Alternativa Sociale da coligação de Berlusconi aparecem abaixo dos 2%.

Itália, 1ª sondagem boca das urnas, 15.01h (hora italiana)

Unione (Prodi): 50-54
Cdl: (Berlusconi): 45-49

Aposta-se já, portanto, num vencedor em termos de votos. Mas a conversa no que respeita a assentos pode ser outra...

Itália, a menos de duas horas

Originais em tudo, os italianos encerram as urnas às 15.00h de segunda-feira, ou seja, 14.00h de Lisboa. As últimas sondagens, divulgadas a 15 dias das eleições, apontavam para um resultado que andaria entre os 52 e os 54% para a Unione de Prodi.

Contudo, muita atenção ao que se segue. Por um lado, sempre foram 15 dias. Por outro lado, há o sistema eleitoral. E o sistema eleitoral implica o seguinte:

1. Todos os partidos integrados numa coligação que obtenham menos de 2% dos votos (e todos os partidos foram de coligações que tenham menos de 3% dos votos) não elegem deputados, ou seja, ficam excluídos por uma cláusula-barreira.

2. Em princípio, isto não deverá afectar a Liga Norte ou os Democratas Cristãos membros da Casa de Berlusconi, que, em 2001, tiveram mais de 3% dos votos.

3. Contudo, isto pode afectar seriamente a eleição de deputados por parte de todos os partidos da Unione com excepção do Ulivo e da Refundação Comunista.

4. Acresce a isto que há um "bónus" para a coligação mais votada, garantindo-lhe pelo menos 340 assentos parlamentares em 630, ou seja, uma maioria absoluta.

5. Eu disse coligação "mais votada"? Não é bem "mais votada": é mais votada depois de redistribuidos os votos dos partidos que não passaram a cláusula-barreira de 2%, ou seja, com toda a probabilidade, vários partidos da Unione.

6. Logo, é perfeitamente possível que a Unione tenha mais votos que a Casa, mas fique com menos após a redistribuição e que, logo, seja a Casa de Berlusconi fique com o bónus e, logo, com uma maioria absoluta, apesar de ter, em absoluto, menos votos!

Popularidade líderes Abril

Com a divulgação do estudo da Eurosondagem, é possível actualizar o gráfico apresentado antes aqui. O que se faz, recorde-se, é:

1. Recorrer aos Barómetros Marktest (TSF, DN) e Eurosondagem (Expresso, SIC, RR), nas questões de avaliação da actuação dos líderes políticos;
2. Calcular um índice (2*% "Positiva" + %"Assim-assim;Ns;Nr)/2, que varia entre 0 e 100;
3. Calcular valores para cada mês do ano, limpos de "house effects".
















Sampaio termina em Março com um score de 81 pontos em 100. Cavaco entra em Março com 64,4 pontos mas já subiu em Abril para 68,8. Sócrates prossegue recuperação de popularidade iniciada após as autárquicas, estando a menos de 10 pontos do score verificado no primeiro mês de governação. Mendes está estável, com menos 10 pontos do que tinha quando assumiu, há um ano, a liderança do PSD.

sexta-feira, abril 07, 2006

Vietname e Iraque

Fonte: Gallup (dados disponíveis aqui e aqui)

Questão 1: "In view of the developments since we entered the fighting in Vietnam, do you think the U.S. made a mistake sending troops to fight in Vietnam?" Gráfico mostra % daqueles que respondem afirmativamente. No eixo x, dias desde operação Rolling Thunder.

Questão 2: "In view of the developments since we first sent our troops to Iraq, do you think the United States made a mistake in sending troops to Iraq, or not?" Gráfico mostra % daqueles que respondem afirmativamente. No eixo x, dias desde invasão do Iraque.
(Clicar na imagem para ver melhor)


Não creio que precise de comentários.

quinta-feira, abril 06, 2006

Brasil

Saiu uma sondagem do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social, no Jornal do Brasil. Vamos ter calma e, com a continuação, tentar perceber se as diferenças entre as sondagens estão a reflectir apenas erro amostral e diferenças entre métodos ou se, pelo contrário, reflectem mudança nas intenções de voto. Certo é que Lula tem menos 7 pontos do que na sondagem de 11 de Março, enquanto Alckmin subiu 9. A seguir com atenção.

segunda-feira, abril 03, 2006

Popularidade dos líderes políticos

No dia 31, o DN e a TSF divulgaram os dados de uma sondagem da Marktest, realizada entre os dias 21 e 24 de Março, telefónica, quotas, N= 813. No que respeita à popularidade dos líderes, há várias maneiras de se pegar nos dados:

1. Avaliações positivas (Marktest):


Com a primeira sondagem incidindo sobre a avaliação de Cavaco Silva como Presidente, há uma queda abrupta em relação à última sondagem que incidia sobre a avaliação de Jorge Sampaio. Para Sócrates, depois de uma subida contínua desde as autárquicas, há estabilização. E Marques Mendes parece ter estancado uma lenta descida desde as autárquicas.


2. Saldo %"actuação positiva" - % "actuação negativa" (Marktest): o gráfico anterior negligencia o facto de a percentagem de respostas "não sabe/não responde" variar muito consoante os diferentes objectos de avaliação, não tomando por isso em conta a possibilidade de a uma grande percentagem de opiniões positivas poder também corresponder uma grande percentagem de opiniões negativas (nem a possibilidade de a uma baixa percentagem de opiniões positivas poder corresponder também uma baixa percentagem de opiniões negativas). Logo, o gráfico seguinte apresenta o saldo de opiniões negativas-positivas:


Como se vê, Sócrates e Mendes geram muito mais polarização, para já, do que o Presidente, que apesar de ter poucas avaliações positivas tem também muito poucas avaliações negativas. Seja como for, as tendências ao longo do tempo são as mesmas.

3. Índice limpo de "house effects": uma maneira de procurar resolver os problemas anteriores consiste em calcular o índice que forma a que dê algum significado à percentagem de "não respostas". Para além disso, há um segundo problema, o facto de as sondagens Eurosondagem e Marktest não serem rigorosamente comparáveis, dado que as sondagens da Eurosondagem dão a opção de resposta "assim-assim". Assim, procedemos da seguinte forma:

a. Cálculo do índice:

I= (2*%positivo + %"assim-assim"+"ns"+"nr")/2.

Tudo o que estiver acima de 50 significa que há mais opiniões positivas que negativas. O valor 0 (zero) significa que todas as opiniões são negativas. O valor 100 significa que todas as opiniões são positivas. "Ns/nr" é tratado como indicador de indiferença, "nem bom nem mau".

b. Eliminação de "house effects": segui p procedimento descrito aqui. Março não aparece na Presidência porque uma sondagem incidiu sobre Sampaio e outra sobre Cavaco.


Estes resultados são os que posso fornecer que me parecem mais próximos de captarem reais tendências de mudança ao longo do tempo, por um lado, e permitir comparabilidade entre os líderes políticos e as diferentes empresas de sondagem, por outro.

Assim, é visível uma descida inicial dos três líderes políticos até ao Outono (mais mitigado no caso do PR) e uma posterior recuperação (igualmente mitigada no PR e também com Marques Mendes, mais acentuada com Sócrates).

quarta-feira, março 29, 2006

Blogues temáticos

Falar de Blogues Temáticos
30 de Março, 19:00 horas, Livraria Almedina

Doc Log , Leonor Areal
Educar para os Media ,Vitor Relvas
E o mordomo que trabalha nesta casa, vindo a correr de apresentar um paper sobre as sondagens autárquicas no Congresso da Associação Portuguesa de Ciência Política.