segunda-feira, setembro 04, 2006
Blumenthal + Franklin
Os dois blogues que me servem de referência para o que significa informar sobre e analisar sondagens - o Mystery Pollster e o Political Arithmetik - conduzidos por Mark Blumenthal e Charles Franklin, decidiram juntar forças aqui: pollster.com. O Political Arithmetik continua - ainda bem - a ter existência própria. A não perder, especialmente tendo em conta a aproximação das "midterm elections" no Estados Unidos.
quinta-feira, agosto 31, 2006
Ciência Política no Brasil
Através deste site, cheguei ao site da Associação Brasileira de Ciência Política, um lugar de visita indispensável a quem se interessa a sério pela política no Brasil. Especialmente interessante é a lista de papers apresentados no último encontro (o 5º; nós por cá na APCP ainda só tivemos três), que foi em Belo Horizonte. O site não é particularmente amigável, mas se clicarem em "Programação" e forem às sessões temáticas lá encontrarão os papers.
Vale muito a pena ler vários, entre os quais este (.pdf), de Yan de Souza Carreirão, sobre os efeitos do Mensalão nas preferências, atitudes políticas e intenções de voto dos brasileiros. Principais conclusões (ainda preliminares, note-se):
1. "Começando pelas preferências partidárias: foram afetadas pelo "mensalão", mas de forma não muito intensa, embora aparentemente mais duradoura, já que o PT, mesmo tendo se recuperado um pouco em relação ao período mais crítico, parece ter perdido algo em torno de 5% das preferências em âmbito nacional, comparando com o período "pré-mensalão". Nenhum partido conseguiu crescer significativamente com o declínio do PT; o efeito principal do "mensalão", parece ter sido o do aumento do descrédito dos eleitores nos partidos e nos políticos, em geral."
2. "Contrariamente ao que ocorreu nas três últimas eleições presidenciais, mas, de forma semelhante ao que ocorreu em 1989, as clivagens socioeconômicas (de renda, escolaridade e região do país) têm se mostrado relevantes para diferenciar os eleitores, segundo a avaliação que fazem do governo e segundo suas intenções de voto. São os mais pobres, menos educados e das regiões mais pobres que avaliam melhor o governo e votam mais em Lula."
3. "A avaliação moral tem um impacto relevante: isso fica claro com o declínio da aprovação ao governo, da preferência pelo PT e das intenções de voto em Lula, durante o auge da crise do "mensalão", bem como as variações nestas variáveis, segundo as opiniões dos eleitores sobre corrupção. Mas, a avaliação dos resultados das políticas econômica e social do governo também mostra sua força ao longo de todo o período. A manutenção da estabilidade econômica, com taxas de crescimento econômico um pouco maiores do que as ocorridas no governo anterior; o aumento do emprego com carteira assinada; um maior crescimento do poder de compra do salário mínimo; a ampliação da abrangência e do volume de recursos destinados aos programas sociais do governo que implicam em transferência de renda (especialmente o Bolsa Família), tudo isso parece ter neutralizado, em grande parte, os efeitos negativos das denúncias do "mensalão" e resultado numa avaliação mais positiva do governo Lula, comparado ao governo FHC, especialmente nos segmentos mais pobres e mais beneficiados pelo aumento do salário mínimo e pelos programas sociais."
E uma pergunta muito interessante:
"Central para ponderar a influência de cada um destes fatores é a interpretação sobre as causas da recuperação da avaliação do governo e das intenções de voto no presidente Lula, ao longo do presente ano. É possível pensar que essa recuperação se deva em parte a uma avaliação "final" (até o momento) de que o presidente Lula não estava envolvido nos fatos revelados pelas acusações. Outra possibilidade é a de que essa recuperação seja fruto de uma percepção mais "cínica": o que importaria seria a avaliação sobre os benefícios trazidos pelas políticas governamentais, independente da moralidade das suas ações. O fato de serem especialmente os mais pobres, menos escolarizados e da região Nordeste que avaliam melhor o governo e têm maiores intenções de voto no presidente, coloca como questão crucial a relação de causalidade: estes segmentos sustentam o presidente por terem menos informações e, portanto, por não conseguirem avaliar "corretamente" a gravidade das acusações e o grau de envolvimento do presidente, ou por se sentirem beneficiários dos resultados das políticas governamentais ?"
A história do próximo dia 1 de Outubro já começou a ser escrita. À atenção daqueles que se interessam por estas coisas.
Vale muito a pena ler vários, entre os quais este (.pdf), de Yan de Souza Carreirão, sobre os efeitos do Mensalão nas preferências, atitudes políticas e intenções de voto dos brasileiros. Principais conclusões (ainda preliminares, note-se):
1. "Começando pelas preferências partidárias: foram afetadas pelo "mensalão", mas de forma não muito intensa, embora aparentemente mais duradoura, já que o PT, mesmo tendo se recuperado um pouco em relação ao período mais crítico, parece ter perdido algo em torno de 5% das preferências em âmbito nacional, comparando com o período "pré-mensalão". Nenhum partido conseguiu crescer significativamente com o declínio do PT; o efeito principal do "mensalão", parece ter sido o do aumento do descrédito dos eleitores nos partidos e nos políticos, em geral."
2. "Contrariamente ao que ocorreu nas três últimas eleições presidenciais, mas, de forma semelhante ao que ocorreu em 1989, as clivagens socioeconômicas (de renda, escolaridade e região do país) têm se mostrado relevantes para diferenciar os eleitores, segundo a avaliação que fazem do governo e segundo suas intenções de voto. São os mais pobres, menos educados e das regiões mais pobres que avaliam melhor o governo e votam mais em Lula."
3. "A avaliação moral tem um impacto relevante: isso fica claro com o declínio da aprovação ao governo, da preferência pelo PT e das intenções de voto em Lula, durante o auge da crise do "mensalão", bem como as variações nestas variáveis, segundo as opiniões dos eleitores sobre corrupção. Mas, a avaliação dos resultados das políticas econômica e social do governo também mostra sua força ao longo de todo o período. A manutenção da estabilidade econômica, com taxas de crescimento econômico um pouco maiores do que as ocorridas no governo anterior; o aumento do emprego com carteira assinada; um maior crescimento do poder de compra do salário mínimo; a ampliação da abrangência e do volume de recursos destinados aos programas sociais do governo que implicam em transferência de renda (especialmente o Bolsa Família), tudo isso parece ter neutralizado, em grande parte, os efeitos negativos das denúncias do "mensalão" e resultado numa avaliação mais positiva do governo Lula, comparado ao governo FHC, especialmente nos segmentos mais pobres e mais beneficiados pelo aumento do salário mínimo e pelos programas sociais."
E uma pergunta muito interessante:
"Central para ponderar a influência de cada um destes fatores é a interpretação sobre as causas da recuperação da avaliação do governo e das intenções de voto no presidente Lula, ao longo do presente ano. É possível pensar que essa recuperação se deva em parte a uma avaliação "final" (até o momento) de que o presidente Lula não estava envolvido nos fatos revelados pelas acusações. Outra possibilidade é a de que essa recuperação seja fruto de uma percepção mais "cínica": o que importaria seria a avaliação sobre os benefícios trazidos pelas políticas governamentais, independente da moralidade das suas ações. O fato de serem especialmente os mais pobres, menos escolarizados e da região Nordeste que avaliam melhor o governo e têm maiores intenções de voto no presidente, coloca como questão crucial a relação de causalidade: estes segmentos sustentam o presidente por terem menos informações e, portanto, por não conseguirem avaliar "corretamente" a gravidade das acusações e o grau de envolvimento do presidente, ou por se sentirem beneficiários dos resultados das políticas governamentais ?"
A história do próximo dia 1 de Outubro já começou a ser escrita. À atenção daqueles que se interessam por estas coisas.
quarta-feira, agosto 30, 2006
Vietname/Iraque
Um artigo interessante que explica por que razão o paralelismo entre a situação no Iraque e no Vietname tem limites, sugerindo que os desafios enfrentados no primeiro caso são muito menos complexos que no segundo. A contrapor com outro, também recente, igualmente apontando as diferenças entre os dois contextos, mais analítico e ligeiramente menos optimista.
Só lhes falta explicar por que razão essa diferença objectiva (a favor, apesar de tudo, das perspectivas no Iraque) tem como contraponto uma opinião pública que ficou muito mais pessimista muito mais depressa e com muito menos baixas. Mudança de valores sociais? Papel da comunicação social? Polarização de opiniões sobre presidência Bush? Rápida deslegitimação da intervenção por revelação do logro das WMD's?
Só lhes falta explicar por que razão essa diferença objectiva (a favor, apesar de tudo, das perspectivas no Iraque) tem como contraponto uma opinião pública que ficou muito mais pessimista muito mais depressa e com muito menos baixas. Mudança de valores sociais? Papel da comunicação social? Polarização de opiniões sobre presidência Bush? Rápida deslegitimação da intervenção por revelação do logro das WMD's?

Eleições Brasil (longo)
Nova rodada de pesquisas eleitorais no Brasil: Sensus, IBOPE e Datafolha. Começo por dizer que, quando olhamos para as intenções válidas de voto (eliminando e redistribuindo proporcionalmente as percentagens de indecisos, votos e branco e não respostas), todas apontam para uma muito ligeira subida de Lula. De 61 para 62% na Sensus; de 56 para 57% na Datafolha; e (num mais curto espaço de tempo), de 57 para 59% no IBOPE. A subida nem mereceria menção se não tivesse ocorrido nas três sondagens, o que diminui a probabilidade de ser fruto de mero erro amostral.

O gráfico seguinte mostra a evolução dos resultados para Lula, ajustando aos pontos obtidos uma curva de regressão local. É visível, quando tomamos em conta toda a informação disponível, que a descida de Lula em meados de Julho aqui assinalada parece ter sido mero acidente de percurso.

É evidente que a evolução mostrada no quadro anterior está muito dependente do número de sondagens feitas por cada instituto e o momento em que a fizeram. Logo, podemos estimar uma intenção de voto "mensal" para cada candidato que seja independente dos "house effects" trazidos para os resultados por cada instituto (ver aqui como se faz):

Por outras palavras, independentemente do instituto que realizou a pesquisa, a melhor estimativa para as intenções de voto em Lula nas pesquisas realizadas em Agosto é de 56,1%, uma subida em relação a Julho. Alckmin desce e Helena sobe, apesar de, em relação a esta última, os dados de mais curto prazo (as últimas sondagens de Agosto) sugerem que as coisas estão menos bem que no início do mês de Agosto.
Falta um mês. O que pode mudar? Começo por assinalar aquilo que alguns portugueses já sabem: os institutos brasileiros têm excelente reputação internacional, apesar de serem ajudados, no que diz respeito à relação entre as estimativas que dão e os resultados eleitorais, pelo voto obrigatório.
Noto também um único elemento de incerteza em relação aos resultados dados até agora: o único instituto (IBPS) que utilizou uma metodologia de amostragem e de inquirição diferente dos restantes (selecção aleatória de inquiridos e telefónica) deu resultados significativamente mais baixos para Lula do que os restantes. Tudo o resto - excepto o IBOPE no início de Junho - são sondagens muito próximas umas das outras. Não sei se há algum brasileiro a ler isto que nos possa ajudar, mas eu gostava de saber se, no passado, o desempenho das sondagens pareceu ser afectado por opções sobre amostragem e inquirição. O meu palpite é que telefónicas no Brasil hão-de comportar grandes problemas de exclusão das camadas mais pobres da população - domicílios sem telefone - e daí piores resultados para Lula e, potencialmente, mais longe dos valores reais da população. Mas é só um palpite.
O que parece, tendo em conta os baixos números de indecisos, é que a coisa está quase feita: Lula tem tudo para ganhar no 1º turno. Contudo, eleições presidenciais em países com sistemas de partidos com baixíssimos níveis de institucionalização ajudam a criar um eleitorado muito volátil, muito sensível a factores de curto prazo. Pelo que convém ir vendo o que as próximas sondagens vão dizer.

O gráfico seguinte mostra a evolução dos resultados para Lula, ajustando aos pontos obtidos uma curva de regressão local. É visível, quando tomamos em conta toda a informação disponível, que a descida de Lula em meados de Julho aqui assinalada parece ter sido mero acidente de percurso.

É evidente que a evolução mostrada no quadro anterior está muito dependente do número de sondagens feitas por cada instituto e o momento em que a fizeram. Logo, podemos estimar uma intenção de voto "mensal" para cada candidato que seja independente dos "house effects" trazidos para os resultados por cada instituto (ver aqui como se faz):

Por outras palavras, independentemente do instituto que realizou a pesquisa, a melhor estimativa para as intenções de voto em Lula nas pesquisas realizadas em Agosto é de 56,1%, uma subida em relação a Julho. Alckmin desce e Helena sobe, apesar de, em relação a esta última, os dados de mais curto prazo (as últimas sondagens de Agosto) sugerem que as coisas estão menos bem que no início do mês de Agosto.
Falta um mês. O que pode mudar? Começo por assinalar aquilo que alguns portugueses já sabem: os institutos brasileiros têm excelente reputação internacional, apesar de serem ajudados, no que diz respeito à relação entre as estimativas que dão e os resultados eleitorais, pelo voto obrigatório.
Noto também um único elemento de incerteza em relação aos resultados dados até agora: o único instituto (IBPS) que utilizou uma metodologia de amostragem e de inquirição diferente dos restantes (selecção aleatória de inquiridos e telefónica) deu resultados significativamente mais baixos para Lula do que os restantes. Tudo o resto - excepto o IBOPE no início de Junho - são sondagens muito próximas umas das outras. Não sei se há algum brasileiro a ler isto que nos possa ajudar, mas eu gostava de saber se, no passado, o desempenho das sondagens pareceu ser afectado por opções sobre amostragem e inquirição. O meu palpite é que telefónicas no Brasil hão-de comportar grandes problemas de exclusão das camadas mais pobres da população - domicílios sem telefone - e daí piores resultados para Lula e, potencialmente, mais longe dos valores reais da população. Mas é só um palpite.
O que parece, tendo em conta os baixos números de indecisos, é que a coisa está quase feita: Lula tem tudo para ganhar no 1º turno. Contudo, eleições presidenciais em países com sistemas de partidos com baixíssimos níveis de institucionalização ajudam a criar um eleitorado muito volátil, muito sensível a factores de curto prazo. Pelo que convém ir vendo o que as próximas sondagens vão dizer.
terça-feira, agosto 29, 2006
A opinião pública libanesa
Seria bom se tivéssemos uma maneira de apreciar o efeito da guerra no Médio Oriente na opinião pública libanesa em relação ao Hezbollah. Mas não é nada fácil. O exemplo junto mostra como a simples escolha de opções de resposta a uma mesma pergunta em duas sondagens diferentes pode inviabilizar uma comparação segura.
Em Abril de 2004, como já referi aqui, 79% dos Xiitas estavam contra o desarmamento do Hezbollah em quaisquer circunstâncias, enquanto que, entre os restantes grupos religiosos, aqueles que defendiam esse desarmamento eram, mesmo assim, minoritários. A divisão para o total da população era:
Do you agree or disagree with the following statement?"Hezbollah should be disarmed".
Agree: 6%
Agree, if peace exists: 18%
Only if Hezbollah Agrees: 31%
Disagree:41%
O que temos agora (14-17 Agosto)?
"The poll by IPSOS for the French-language daily L'Orient-Le Jour found 51 percent of respondents supported the group's disarmament, with 49 percent against, a difference within the survey's margin of error."
O apoio ao desarmamento aumentou ou diminuiu? Depende. Pode ter aumentado de 24% para 51% ou diminuido de 55% para 51%, dependendo da forma como agregamos os resultados do primeiro inquérito e daquilo que nele significa "concordância" com o desarmamento.
Fica contudo a sensação de que, pelo menos, houve algo que aumentou: a polarização de opiniões entre grupos religiosos.
"Among the Shiite community -- Lebanon's largest and the support base for Hizbullah -- the poll found 84 percent of respondents wanted the group to keep its weapons.But among the Druze and Christian communities, 79 percent and 77 percent respectively wanted the group to surrender its arsenal.Among the Sunni community, the poll found a slender majority of 54 percent in favor of the group disarming."
Disto isto, com estas incertezas todas, o anterior resultado torna ainda mais curioso o recente artigo no Jerusalem Post do nosso já conhecido amigo Edward Luttwak. Aqui há uns tempos, num artigo reproduzido no Público que mencionei aqui, Luttwak defendia que o verdadeiro objectivo de Israel no conflito era, aumentando os custos da tolerância em relação do Hezbollah, deslegitimá-lo enquanto partido político aos olhos da população libanesa. Hoje, Luttwak acha que "the outcome of the war is likely to be more satisfactory than many now seem to believe". Porque o Hezbollah foi deslegitimado enquanto partido político? Não.
"Nasrallah has a political constituency, and it happens to be centered in southern Lebanon. Implicitly accepting responsibility for having started the war, Nasrallah has directed his Hizbullah to focus on rapid reconstruction in villages and towns, right up to the Israeli border. He cannot start another round of fighting that would quickly destroy everything again. Yet another unexpected result of the war is that Nasrallah's power-base in southern Lebanon is more than ever a hostage for Hizbullah's good behavior."
Afinal, a guerra produziu efeitos positivos porque o Hezbollah sobreviveu como partido político e por isso está condicionado pelos interesses das suas bases. Sucede que essas bases, como acabámos de ver, estão tão ou mais encarniçadamente contra o desarmamento do que estavam no passado.
Isto de um tipo ter de falar todos os dias sobre a mesma coisa (e de já saber a mensagem que quer transmitir antes de meter os factos na equação) é no que dá.
Em Abril de 2004, como já referi aqui, 79% dos Xiitas estavam contra o desarmamento do Hezbollah em quaisquer circunstâncias, enquanto que, entre os restantes grupos religiosos, aqueles que defendiam esse desarmamento eram, mesmo assim, minoritários. A divisão para o total da população era:
Do you agree or disagree with the following statement?"Hezbollah should be disarmed".
Agree: 6%
Agree, if peace exists: 18%
Only if Hezbollah Agrees: 31%
Disagree:41%
O que temos agora (14-17 Agosto)?
"The poll by IPSOS for the French-language daily L'Orient-Le Jour found 51 percent of respondents supported the group's disarmament, with 49 percent against, a difference within the survey's margin of error."
O apoio ao desarmamento aumentou ou diminuiu? Depende. Pode ter aumentado de 24% para 51% ou diminuido de 55% para 51%, dependendo da forma como agregamos os resultados do primeiro inquérito e daquilo que nele significa "concordância" com o desarmamento.
Fica contudo a sensação de que, pelo menos, houve algo que aumentou: a polarização de opiniões entre grupos religiosos.
"Among the Shiite community -- Lebanon's largest and the support base for Hizbullah -- the poll found 84 percent of respondents wanted the group to keep its weapons.But among the Druze and Christian communities, 79 percent and 77 percent respectively wanted the group to surrender its arsenal.Among the Sunni community, the poll found a slender majority of 54 percent in favor of the group disarming."
Disto isto, com estas incertezas todas, o anterior resultado torna ainda mais curioso o recente artigo no Jerusalem Post do nosso já conhecido amigo Edward Luttwak. Aqui há uns tempos, num artigo reproduzido no Público que mencionei aqui, Luttwak defendia que o verdadeiro objectivo de Israel no conflito era, aumentando os custos da tolerância em relação do Hezbollah, deslegitimá-lo enquanto partido político aos olhos da população libanesa. Hoje, Luttwak acha que "the outcome of the war is likely to be more satisfactory than many now seem to believe". Porque o Hezbollah foi deslegitimado enquanto partido político? Não.
"Nasrallah has a political constituency, and it happens to be centered in southern Lebanon. Implicitly accepting responsibility for having started the war, Nasrallah has directed his Hizbullah to focus on rapid reconstruction in villages and towns, right up to the Israeli border. He cannot start another round of fighting that would quickly destroy everything again. Yet another unexpected result of the war is that Nasrallah's power-base in southern Lebanon is more than ever a hostage for Hizbullah's good behavior."
Afinal, a guerra produziu efeitos positivos porque o Hezbollah sobreviveu como partido político e por isso está condicionado pelos interesses das suas bases. Sucede que essas bases, como acabámos de ver, estão tão ou mais encarniçadamente contra o desarmamento do que estavam no passado.
Isto de um tipo ter de falar todos os dias sobre a mesma coisa (e de já saber a mensagem que quer transmitir antes de meter os factos na equação) é no que dá.
sexta-feira, agosto 25, 2006
Líderes
Segue-se a minha melhor estimativa da evolução real dos níveis de popularidade de Sócrates, Cavaco e Mendes, com Sampaio introduzido para servir de ponto de comparação. Há duas empresas a fazerem sondagens regulares, pelo menos uma vez por mês cada. Cada uma delas pergunta aos inquiridos se têm uma opinião positiva ou negativa da actuação dos vários líderes políticos. Mas como a pergunta tem formulações ligeiramente diferentes e, ao que me parece, diferentes opções de resposta (para já não falar de metodologias de amostragem e inquirição diferentes), o que faço é o seguinte:
1. Elaboro um índice de popularidade, calculado da seguinte forma: (2* "% de opiniões favoráveis" + "% de indiferentes")/2. Resulta daqui um valor que oscila entre 0 e 100, com 0 a significar 100% de opiniões negativas, 100 a significar 100% de opiniões positivas, e 50 a significar que há tantas positivas como negativas.
2. Usando dummies para a Eurosondagem e a Marktest e para cada um dos meses onde foram conduzidos inquéritos, corro uma regressão em que a variável dependente é o índice de popularidade para cada líder político e excluindo a constante da equação. Aquilo que obtenho para cada mês é a estimativa do índice de popularidade limpo de "house effects". Tudo isto funcionaria muito melhor se houvesse mais sondagens e mais institutos, mas é o que se pode fazer.

Nas próximas semanas deverão aparecer as sondagens realizadas em Agosto e logo se verá se isso traz novidades especiais. Mas entretanto, é impossível não notar:
1. A estagnação de Marques Mendes a níveis perto do "fifty/fifty" (tantas opiniões positivas como negativas);
2. A subida de Sócrates, lenta mas imperturbável, desde que ultrapassadas as confusões das autárquicas. Não é muito frequente ver um padrão deste género. A curva "clássica" do ciclo de popularidade é um ligeiro aumento logo após as eleições, seguida de uma descida até a meio do mandato, seguida de uma subida até ao final. Mas o que este conseguiu foi perder gás nos primeiros oito meses (se bem que de forma muito menos abrupta do que tinha sucedido com Durão Barroso em 2002) para de seguida começar logo a subir. Macacos me mordam se o apoio de Sócrates a Cavaco nas presidenciais (não erro muito se colocar a coisa nesses termos, pois não?) não tem qualquer coisa a ver com isto...
3. Cavaco sobe ainda mais depressa e já ultrapassou os valores que Sampaio exibia, por exemplo, em Outubro. Sobre isto, há um artigo (para subscritores) de Constança Cunha e Sá no Público, onde a única coisa que não percebo é por que razão a autora parece julgar que a coisa poderia ser diferente.
1. Elaboro um índice de popularidade, calculado da seguinte forma: (2* "% de opiniões favoráveis" + "% de indiferentes")/2. Resulta daqui um valor que oscila entre 0 e 100, com 0 a significar 100% de opiniões negativas, 100 a significar 100% de opiniões positivas, e 50 a significar que há tantas positivas como negativas.
2. Usando dummies para a Eurosondagem e a Marktest e para cada um dos meses onde foram conduzidos inquéritos, corro uma regressão em que a variável dependente é o índice de popularidade para cada líder político e excluindo a constante da equação. Aquilo que obtenho para cada mês é a estimativa do índice de popularidade limpo de "house effects". Tudo isto funcionaria muito melhor se houvesse mais sondagens e mais institutos, mas é o que se pode fazer.

Nas próximas semanas deverão aparecer as sondagens realizadas em Agosto e logo se verá se isso traz novidades especiais. Mas entretanto, é impossível não notar:
1. A estagnação de Marques Mendes a níveis perto do "fifty/fifty" (tantas opiniões positivas como negativas);
2. A subida de Sócrates, lenta mas imperturbável, desde que ultrapassadas as confusões das autárquicas. Não é muito frequente ver um padrão deste género. A curva "clássica" do ciclo de popularidade é um ligeiro aumento logo após as eleições, seguida de uma descida até a meio do mandato, seguida de uma subida até ao final. Mas o que este conseguiu foi perder gás nos primeiros oito meses (se bem que de forma muito menos abrupta do que tinha sucedido com Durão Barroso em 2002) para de seguida começar logo a subir. Macacos me mordam se o apoio de Sócrates a Cavaco nas presidenciais (não erro muito se colocar a coisa nesses termos, pois não?) não tem qualquer coisa a ver com isto...
3. Cavaco sobe ainda mais depressa e já ultrapassou os valores que Sampaio exibia, por exemplo, em Outubro. Sobre isto, há um artigo (para subscritores) de Constança Cunha e Sá no Público, onde a única coisa que não percebo é por que razão a autora parece julgar que a coisa poderia ser diferente.
terça-feira, agosto 22, 2006
Brasil
Failing to be smart
De volta.
Uma semana depois do cessar-fogo no Líbano, os israelitas não estão felizes. 70% acham que Israel não devia ter acedido ao cessar-fogo sem o regresso dos soldados raptados. 66% acham ou que nem Israel nem o Hezbollah ganharam a guerra ou mesmo que foi o Hezbollah o vencedor. 67% querem ver Hassan Nasrallah morto, mesmo que isso implique o recomeço da guerra. 63% gostavam de ver um ataque "preventivo" de Israel contra instalações nucleares no Irão. Aqui, aqui e aqui.
No Líbano, o apoio ao Hezbollah aumentou, pelo menos a julgar por sondagens realizadas durante o conflito. 87% apoiavam a reacção do Hezbollah à "agressão israelita". O apoio era maioritário em todos os grupos religiosos, incluindo Drusos e Cristãos. Aqui. Isto mesmo tendo em conta que, na mesma sondagem, a maioria dos Drusos se manifestou contra o rapto de soldados israelitas. No Egipto, o apoio ao Hamas também subiu exponencialmente. Aqui.
Na Palestina, há cada vez menos palestinianos a desejarem um acordo de paz com Israel. Eram 76% em Junho. São 51% agora. Aqui. 97% apoiam o Hezbollah contra Israel. A confiança em Ismael Hanieh, do Hamas, já ultrapassou a confiança em Mahmoud Abbas. Aqui (.pdf).
"Sadly, the struggle over soft power did not have to turn out this way. (...) Israel had to use force in response to Hezbollah's attack to reestablish the credibility of its deterrence, but it misjudged the scale and duration of its hard-power response. (...) And with dead Lebanese children continually displayed on television day after day, public outrage was bound to limit the leeway of moderate Arab leaders and enhance Hezbollah's narrative. (...) By failing to be smart about how we combine our hard and soft power in the struggle against jihadist terrorism, we fall into the trap set by Al Qaeda's Osama bin Laden and Hezbollah's Hassan Nasrallah, who want to cast the conflict as a clash of civilizations." (Joseph Nye, aqui, via Bloguítica).
Uma semana depois do cessar-fogo no Líbano, os israelitas não estão felizes. 70% acham que Israel não devia ter acedido ao cessar-fogo sem o regresso dos soldados raptados. 66% acham ou que nem Israel nem o Hezbollah ganharam a guerra ou mesmo que foi o Hezbollah o vencedor. 67% querem ver Hassan Nasrallah morto, mesmo que isso implique o recomeço da guerra. 63% gostavam de ver um ataque "preventivo" de Israel contra instalações nucleares no Irão. Aqui, aqui e aqui.
No Líbano, o apoio ao Hezbollah aumentou, pelo menos a julgar por sondagens realizadas durante o conflito. 87% apoiavam a reacção do Hezbollah à "agressão israelita". O apoio era maioritário em todos os grupos religiosos, incluindo Drusos e Cristãos. Aqui. Isto mesmo tendo em conta que, na mesma sondagem, a maioria dos Drusos se manifestou contra o rapto de soldados israelitas. No Egipto, o apoio ao Hamas também subiu exponencialmente. Aqui.
Na Palestina, há cada vez menos palestinianos a desejarem um acordo de paz com Israel. Eram 76% em Junho. São 51% agora. Aqui. 97% apoiam o Hezbollah contra Israel. A confiança em Ismael Hanieh, do Hamas, já ultrapassou a confiança em Mahmoud Abbas. Aqui (.pdf).
"Sadly, the struggle over soft power did not have to turn out this way. (...) Israel had to use force in response to Hezbollah's attack to reestablish the credibility of its deterrence, but it misjudged the scale and duration of its hard-power response. (...) And with dead Lebanese children continually displayed on television day after day, public outrage was bound to limit the leeway of moderate Arab leaders and enhance Hezbollah's narrative. (...) By failing to be smart about how we combine our hard and soft power in the struggle against jihadist terrorism, we fall into the trap set by Al Qaeda's Osama bin Laden and Hezbollah's Hassan Nasrallah, who want to cast the conflict as a clash of civilizations." (Joseph Nye, aqui, via Bloguítica).
sexta-feira, julho 21, 2006
Brasil: temos eleição

As duas sondagens mais recentes confirmam a tendência de descida de Lula. Essa descida faz-se não por diminuição do número de pessoas que nele tencionam votar, mas sim por:
1. Diminuição do número de indecisos e a concomitante...
2. Subida das intenções de voto em Alckmin a partir de Junho, assim como a ...
3. Subida das intenções de voto em Heloísa Helena desde o início de Julho.
A partir de hoje entro em serviços mínimos até meados de Agosto. Quem se interesse pela política brasileira não perde nada em ir, por exemplo, aqui (aproveitando também a lista de ligações a cientistas políticos que estudam o Brasil), aqui ou aqui.
Os americanos e a guerra no Médio Oriente
Survey USA, 16 de Julho, N=1200, Telefónica
Should the United States military get involved? Or should the United States military stay out of it?
Get involved: 12%
Stay out of it: 84%
Not sure: 4%
Should United States diplomats attempt to negotiate a ceasefire between Israel and its neighbours? Or should the United States stay out of it?
Stay out of it: 52%
Attempt to negotiate a ceasefire: 44%
Not sure: 4%
Does Israel have the right to attack Lebanon?
Yes:54%
No: 34%
Not sure: 12%
About the Middle East. Is the kidnapping of Israeli soldiers an act of war against Israel? Or not?
Yes: 60%
No: 25%
Not sure: 15%
Opinion Research Corporation, 19 Julho, N=633, Telefónica
Do you think Israel's military reaction to the situation in the Middle East has gone too far, not gone far enough, or been about right?
Too Far: 31%
Not Far Enough: 14%
About Right: 35%
Unsure: 20%
Which of the following statements comes closer to your view of what Israel should do? Israel should continue taking military action until Hezbollah can no longer launch attacks against Israel. OR, Israel should agree to a cease-fire as soon as possible.
Continue: 39%
Cease-fire: 43%
Unsure: 17%
Tendências maioritárias: apoio a Israel e ao direito de retaliar, resposta tende a ser mais vista como adequada ou até insuficiente, divisão sobre cessar-fogo ou continuação de ataques, desejo de não envolvimento americano (especialmente militar).
Should the United States military get involved? Or should the United States military stay out of it?
Get involved: 12%
Stay out of it: 84%
Not sure: 4%
Should United States diplomats attempt to negotiate a ceasefire between Israel and its neighbours? Or should the United States stay out of it?
Stay out of it: 52%
Attempt to negotiate a ceasefire: 44%
Not sure: 4%
Does Israel have the right to attack Lebanon?
Yes:54%
No: 34%
Not sure: 12%
About the Middle East. Is the kidnapping of Israeli soldiers an act of war against Israel? Or not?
Yes: 60%
No: 25%
Not sure: 15%
Opinion Research Corporation, 19 Julho, N=633, Telefónica
Do you think Israel's military reaction to the situation in the Middle East has gone too far, not gone far enough, or been about right?
Too Far: 31%
Not Far Enough: 14%
About Right: 35%
Unsure: 20%
Which of the following statements comes closer to your view of what Israel should do? Israel should continue taking military action until Hezbollah can no longer launch attacks against Israel. OR, Israel should agree to a cease-fire as soon as possible.
Continue: 39%
Cease-fire: 43%
Unsure: 17%
Tendências maioritárias: apoio a Israel e ao direito de retaliar, resposta tende a ser mais vista como adequada ou até insuficiente, divisão sobre cessar-fogo ou continuação de ataques, desejo de não envolvimento americano (especialmente militar).
quinta-feira, julho 20, 2006
O BE e os seus militantes
Este artigo de Ruben de Carvalho (via Abrupto) é muito divertido.
Para a próxima vez, sugiro que se use uma metodologia menos conspícua mas ainda simples (daí chamar-se "regra de três simples"). Por exemplo:
BE/Portalegre: 3216 votos; 61 militantes.
BE/Lisboa: 103944 votos; logo, 103944*61/3216 militantes, ou seja, 1972 militantes.
Assim, a coisa ficava menos óbvia, ao passo que os matematicamente inclinados não deixariam de apreciar uma proporcionalidade esteticamente atraente entre votos e militantes em todos os distritos. Mais: se se fizer a coisa no Excel, pode actualizar-se automaticamente a base de dados de militantes com a mera introdução de novos resultados eleitorais em cada distrito, solução simples para um problema que vem afectando outros partidos. E na medida em que tudo nesta equação passa a depender de Portalegre, talvez valesse a pena um esforço maior de mobilização nesse distrito, de forma a automaticamente aumentar o número de militantes em todos o país. Vão por mim que é só vantagens.
Haverá, fora de brincadeiras, uma explicação plausível para o sucedido? Difícil imaginar.
Para a próxima vez, sugiro que se use uma metodologia menos conspícua mas ainda simples (daí chamar-se "regra de três simples"). Por exemplo:
BE/Portalegre: 3216 votos; 61 militantes.
BE/Lisboa: 103944 votos; logo, 103944*61/3216 militantes, ou seja, 1972 militantes.
Assim, a coisa ficava menos óbvia, ao passo que os matematicamente inclinados não deixariam de apreciar uma proporcionalidade esteticamente atraente entre votos e militantes em todos os distritos. Mais: se se fizer a coisa no Excel, pode actualizar-se automaticamente a base de dados de militantes com a mera introdução de novos resultados eleitorais em cada distrito, solução simples para um problema que vem afectando outros partidos. E na medida em que tudo nesta equação passa a depender de Portalegre, talvez valesse a pena um esforço maior de mobilização nesse distrito, de forma a automaticamente aumentar o número de militantes em todos o país. Vão por mim que é só vantagens.
Haverá, fora de brincadeiras, uma explicação plausível para o sucedido? Difícil imaginar.
quarta-feira, julho 19, 2006
Hezbollah e opinião pública libanesa
Não sei onde Edward Luttwak foi buscar a ideia, expressa hoje em artigo no Público (aqui, para subscritores) de que o desarmamento do Hezbollah era visto como condição para a sua aceitação pelos libaneses. Pelo menos, o que sabe da opinião pública libanesa lança sérias dúvidas sobre o diagnóstico. Em Abril de 2004, foi feita a seguinte sondagem no Líbano:
Zogby International, N=600, 2ª semana de Abril de 2004
Do you agree or disagree with the following statement? - "Hezbollah should be disarmed".
Agree: 6%
Agree, if peace exists: 18%
Only if Hezbollah Agrees: 31%
Disagree:41%
Decompondo os resultados por filiação religiosa, nem entre os Maronitas havia uma maioria a favor do desarmamento incondicional, enquanto que, entre os Xiitas, 79% eram contra esse desarmamento em quaisquer circunstâncias. Na mesma sondagem, questionados sobre se estavam ou não de acordo que os Estados Unidos colocassem maior pressão sobre a Síria para o desarmamento do Hezbollah, 61% eram contra (e só entre os Maronitas havia uma maioria a favor).
As perspectivas noutros países não são especialmente diferentes. Na Jordânia, numa sondagem bem mais recente (23 de Junho passado, Centre for Strategic Studies at the University of Jordan), 63% classificavam o Hezbollah como uma "organização de resistência legítima" (e não como uma organização terrorista).
É possível que "o objectivo político de Israel" seja "destruir a posição do Hezbollah enquanto partido político legítimo do Líbano". E é muito possível que os líderes árabes vejam o Hezebollah como um "irritante" ou mesmo um "inimigo mais perigoso que Israel", como também se diz numa notícia do Público. Mas o sentimento das populações não condiz nem com o putativo objectivo de Israel nem com as alegadas posições das lideranças políticas árabes, o que, em última análise, vai condicionar quer o sucesso do primeiro quer a manutenção das segundas. Esse sentimento, aquilo que o produz e o ressentimento brutal quer contra Israel quer contra os Estados Unidos, não deviam - pela milionésima vez - ser sub-estimados na análise da questão.
Zogby International, N=600, 2ª semana de Abril de 2004
Do you agree or disagree with the following statement? - "Hezbollah should be disarmed".
Agree: 6%
Agree, if peace exists: 18%
Only if Hezbollah Agrees: 31%
Disagree:41%
Decompondo os resultados por filiação religiosa, nem entre os Maronitas havia uma maioria a favor do desarmamento incondicional, enquanto que, entre os Xiitas, 79% eram contra esse desarmamento em quaisquer circunstâncias. Na mesma sondagem, questionados sobre se estavam ou não de acordo que os Estados Unidos colocassem maior pressão sobre a Síria para o desarmamento do Hezbollah, 61% eram contra (e só entre os Maronitas havia uma maioria a favor).
As perspectivas noutros países não são especialmente diferentes. Na Jordânia, numa sondagem bem mais recente (23 de Junho passado, Centre for Strategic Studies at the University of Jordan), 63% classificavam o Hezbollah como uma "organização de resistência legítima" (e não como uma organização terrorista).
É possível que "o objectivo político de Israel" seja "destruir a posição do Hezbollah enquanto partido político legítimo do Líbano". E é muito possível que os líderes árabes vejam o Hezebollah como um "irritante" ou mesmo um "inimigo mais perigoso que Israel", como também se diz numa notícia do Público. Mas o sentimento das populações não condiz nem com o putativo objectivo de Israel nem com as alegadas posições das lideranças políticas árabes, o que, em última análise, vai condicionar quer o sucesso do primeiro quer a manutenção das segundas. Esse sentimento, aquilo que o produz e o ressentimento brutal quer contra Israel quer contra os Estados Unidos, não deviam - pela milionésima vez - ser sub-estimados na análise da questão.
terça-feira, julho 18, 2006
Mais sondagens Médio Oriente
Uma mensagem convida-me a adoptar uma definição mais lata do "conflito" e a incluir sondagens anteriores aos ataques do Hezbollah, incluindo também o período que se seguiu ao rapto de Gilad Shalit e os ataques de Israel em Gaza. O que encontro é isto:
* 53 percent of Israelis polled said the country should hold negotiations to secure his [Gilad Shalit] release, while 43 percent backed a military operation;
*58 percent of those polled would back a prisoner release if it was clear militants would otherwise kill the soldier, while 35 percent opposed it.
E já agora, aprovação da actuação de Olmert (são sondagens de institutos diferentes e formulações da pergunta ligeiramente distintas, mas as diferenças são tão grandes que certamente não se devem a isso):
* 7 Junho: 35%;
* 5 de Julho: 43%.
* 17 de Julho: 78%.
Logo:
1. Na Palestina, apoio forte ao rapto de Shalit e aos ataques a Israel;
2. Em Israel, fica a ideia que as atitudes mudaram substancialmente quando o Hezbollah e o Líbano entraram na equação;
3. Se a ideia era testar Olmert e se a ideia de Olmert é dar uma imagem de força neste teste, então a coisa não lhe está a correr mal para já. Resta saber as consequências a médio e longo prazo disto tudo...
Na Palestina [Jerusalem Media Communications Center, 21-22 Junho, N=1197, face-a-face, aleatória (aqui, .pdf)]
* 77.2% expressed its support for the military operation that included the abduction of the Israeli soldier Gilad Shalit while only 21.7% said they opposed it;
* 66.8% supported the continuation of such operations that aim at the abduction of Israeli soldiers as a suitable response within the current political conditions compared with 30.7% who reject them and find them harmful to the Palestinian national interests;
* 60.4% supported the continuation of firing rockets against Israeli targets as a suitable response within the current political conditions whereas only 36% said they reject them and find them harmful to the Palestinian national interests;
Em Israel (30 Junho, sondagem publicada no Yedioth Ahronoth, não tenho elementos metodológicos):
* 53 percent of Israelis polled said the country should hold negotiations to secure his [Gilad Shalit] release, while 43 percent backed a military operation;
*58 percent of those polled would back a prisoner release if it was clear militants would otherwise kill the soldier, while 35 percent opposed it.
E já agora, aprovação da actuação de Olmert (são sondagens de institutos diferentes e formulações da pergunta ligeiramente distintas, mas as diferenças são tão grandes que certamente não se devem a isso):
* 7 Junho: 35%;
* 5 de Julho: 43%.
* 17 de Julho: 78%.
Logo:
1. Na Palestina, apoio forte ao rapto de Shalit e aos ataques a Israel;
2. Em Israel, fica a ideia que as atitudes mudaram substancialmente quando o Hezbollah e o Líbano entraram na equação;
3. Se a ideia era testar Olmert e se a ideia de Olmert é dar uma imagem de força neste teste, então a coisa não lhe está a correr mal para já. Resta saber as consequências a médio e longo prazo disto tudo...
Israel, Líbano, Hezbollah: sondagem
A primeira sondagem feita em Israel desde o início do conflito foi feita pelo Dahaf Institute e os resultados aparecem publicados no Yedioth Ahronoth.
Dahaf Institute, N=513, Telefónica, 17 Julho:
"Fighting should continue until Hizbullah is completely eradicated": 58%
"Fighting should go on only until Hizbullah pulls back from the border": 23%
"We should stop fighting and start negotiating": 17%
"Military operation is justified": 86%
"Military action is a mistake": 14%
Performance of Israeli military forces:
"Very good": 62%
"Fairly good": 25%
"Fairly bad": 5%
"Very bad": 4%
O apoio à acção militar e ao desempenho das IDF é ainda mais elevado entre a população que vive no norte de Israel.
Vou tentar acompanhar a publicação doutras sondagens quer em Israel quer noutros países, mas para já julgo poder dizer com segurança que esta é a única publicada até agora sobre o tema.
Dahaf Institute, N=513, Telefónica, 17 Julho:
"Fighting should continue until Hizbullah is completely eradicated": 58%
"Fighting should go on only until Hizbullah pulls back from the border": 23%
"We should stop fighting and start negotiating": 17%
"Military operation is justified": 86%
"Military action is a mistake": 14%
Performance of Israeli military forces:
"Very good": 62%
"Fairly good": 25%
"Fairly bad": 5%
"Very bad": 4%
O apoio à acção militar e ao desempenho das IDF é ainda mais elevado entre a população que vive no norte de Israel.
Vou tentar acompanhar a publicação doutras sondagens quer em Israel quer noutros países, mas para já julgo poder dizer com segurança que esta é a única publicada até agora sobre o tema.
terça-feira, julho 11, 2006
Cá está
Presidenciais Brasil
Enquanto estive fora saíram duas sondagens: Vox Populi e Datafolha (hoje, ao que parece, há resultados da Sensus). Os resultados são intrigantes: depois dos dados IBOPE, que colocavam Lula com resultados estratosféricos no âmbito da "crise" do PMDB, agora Lula volta a descer e Alckmin a subir. Particularmente interessantes são os quadros da Datafolha, que mostram que os eleitores do PMDB estão, na sua maioria, indecisos, mas que os decididos se dividem agora, quase equitativamente, entre Lula e Alckmin. Deverá estar aqui a chave da subida de Alckmin. Afinal, as coisas estão mais abertas para uma segunda volta do que se pensava.
segunda-feira, julho 10, 2006
Popularidade líderes políticos Portugal
Depois de uns dias sem posts, regresso com a análise habitual dos barómetros da Marktest e da Eurosondagem. O primeiro gráfico mostra a evolução dos índices de popularidade de José Sócrates, Marques Mendes, Cavaco Silva e (como ponto de comparação com o anterior) Jorge Sampaio de Março de 2005 a 23 de Junho de 2006 (último dia de trabalho de campo do último barómetro Marktest). A forma como o índice é calculado já foi explicada em posts anteriores, mas recordo que pode oscilar entre 0 (100% de opiniões negativas) e 100 (100% de opiniões positivas).

Como podem verificar, segundo a Marktest:
1. Cavaco continua a subir, aproximando-se dos valores de Sampaio no final do mandato;
2. Estabilidade para Sócrates e Mendes, com o primeiro a manter a vantagem que conquistou ao segundo a partir do fim de 2005. Último barómetro dá ligeira descida do primeiro e subida do segundo, mas é cedo para tirar conclusões. Estas flutuações já ocorreram em meses anteriores, tendo sido de seguida corrigidas, parecendo ser mais fruto de erro aleatório do que outra coisa qualquer. Veremos se o mesmo sucede no próximo mês (se bem que a realização deste tipo de inquéritos durante o Verão comporta os mais variados problemas, a começar pela qualidade das amostras).
O gráfico seguinte mostra a mesma análise para a Eurosondagem, desde Abril de 2005 a 4 de Julho de 2006 (último dia de trabalho de campo da última sondagem). Há semelhanças e diferenças em relação à Marktest. Semelhanças em relação a Cavaco, cuja subida constante desde a tomada de posse se confirma (apesar de total estabilidade de Junho para Julho). Diferenças no que respeita a Sócrates, que obtém resultados mais lisonjeiros aqui na Eurosondagem, nunca tendo estado a par com Marques Mendes e mostrando tendência de subida.

Politicamente, contudo, tudo igual: Cavaco ganhou rapidamente "pátina" presidencial; Sócrates mantém imagem mais positiva que negativa; líder da oposição ainda longe do PM. Tanto trabalho para tão poucas novidades...

Como podem verificar, segundo a Marktest:
1. Cavaco continua a subir, aproximando-se dos valores de Sampaio no final do mandato;
2. Estabilidade para Sócrates e Mendes, com o primeiro a manter a vantagem que conquistou ao segundo a partir do fim de 2005. Último barómetro dá ligeira descida do primeiro e subida do segundo, mas é cedo para tirar conclusões. Estas flutuações já ocorreram em meses anteriores, tendo sido de seguida corrigidas, parecendo ser mais fruto de erro aleatório do que outra coisa qualquer. Veremos se o mesmo sucede no próximo mês (se bem que a realização deste tipo de inquéritos durante o Verão comporta os mais variados problemas, a começar pela qualidade das amostras).
O gráfico seguinte mostra a mesma análise para a Eurosondagem, desde Abril de 2005 a 4 de Julho de 2006 (último dia de trabalho de campo da última sondagem). Há semelhanças e diferenças em relação à Marktest. Semelhanças em relação a Cavaco, cuja subida constante desde a tomada de posse se confirma (apesar de total estabilidade de Junho para Julho). Diferenças no que respeita a Sócrates, que obtém resultados mais lisonjeiros aqui na Eurosondagem, nunca tendo estado a par com Marques Mendes e mostrando tendência de subida.

Politicamente, contudo, tudo igual: Cavaco ganhou rapidamente "pátina" presidencial; Sócrates mantém imagem mais positiva que negativa; líder da oposição ainda longe do PM. Tanto trabalho para tão poucas novidades...
quarta-feira, junho 14, 2006
Brasil: PMDB sem candidato
Ao longo dos últimos meses, tenho afixado aqui os resultados das sondagens de intenção de voto realizadas no Brasil após a confirmação da candidatura de Alckmin. Contudo, havia ainda algo por decidir: se o PMDB teria candidato. Confirma-se agora que não terá candidato, preferindo o partido repartir os despojos da previsível vitória de Lula.
Logo, revisitei as sondagens anteriores de modo a apresentar os resultados das respostas à pergunta sobre intenção de voto onde o cenário oferecido aos eleitores era aquele sem um candidato do PMDB. Nem todas ofereciam esse cenário, pelo que nem todos os resultados apresentados são comparáveis entre si. O que são comparáveis entre si estão assinalados a negrito.

Já toda a gente disse e repetiu que a ausência de um candidato para o PMDB - especialmente a ausência de Garotinho - iria favorecer Lula e aumentar a probabilidade de uma vitória à ª1 volta. Mas talvez valha agora a pena assinalar é que as intenções de voto em Lula estão a aumentar independentemente da presença ou ausência de um candidato do PMDB, especialmente porque a subida de Lula está associada a uma descida de Alckmin mesmo nos cenários de ausência de candidato PMDB (se excluirmos a sondagem IBPS de 3 de Maio, um claro outlier).
Logo, revisitei as sondagens anteriores de modo a apresentar os resultados das respostas à pergunta sobre intenção de voto onde o cenário oferecido aos eleitores era aquele sem um candidato do PMDB. Nem todas ofereciam esse cenário, pelo que nem todos os resultados apresentados são comparáveis entre si. O que são comparáveis entre si estão assinalados a negrito.

Já toda a gente disse e repetiu que a ausência de um candidato para o PMDB - especialmente a ausência de Garotinho - iria favorecer Lula e aumentar a probabilidade de uma vitória à ª1 volta. Mas talvez valha agora a pena assinalar é que as intenções de voto em Lula estão a aumentar independentemente da presença ou ausência de um candidato do PMDB, especialmente porque a subida de Lula está associada a uma descida de Alckmin mesmo nos cenários de ausência de candidato PMDB (se excluirmos a sondagem IBPS de 3 de Maio, um claro outlier).
segunda-feira, junho 12, 2006
Popularidade II
Para facilitar a leitura, fica a evolução dos índices de popularidade nos dois barómetros (Marktest e Eurosondagem):
Marktest

Eurosondagem

Como vêem, tudo muito parecido, a não ser com Sócrates. A Marktest parece ser mais sensível a mudanças do que a Eurosondagem; a Marktest sugere que Sócrates está a descer desde Março, enquanto a Eurosondagem lhe dá sinais de recuperação recente.
Marktest

Eurosondagem

Como vêem, tudo muito parecido, a não ser com Sócrates. A Marktest parece ser mais sensível a mudanças do que a Eurosondagem; a Marktest sugere que Sócrates está a descer desde Março, enquanto a Eurosondagem lhe dá sinais de recuperação recente.
Popularidade líderes políticos Portugal
Sondagem da Eurosondagem divulgada no Expresso neste Sábado. Cavaco sobe vertiginosamente seja qual for o indicador utilizado [% de opiniões positivas, saldo positivas-negativas, índice (2*positivo+ns-nr-indif)/2]. Resultados coincidem na tendência com os obtidos há dias pela Marktest.

Mendes sobe nas opiniões positivas, mas desce globalmente, devido a aumento muito acentuado das opiniões negativas. Resultados congruentes com os da Marktest.

Sócrates recupera depois de uma descida em Maio, seja qual for o indicador utilizado. Aqui as coisas não jogam com o Barómetro da Marktest, que sugere, na melhor da hipóteses, estagnação e, na pior, continuação de tendência de descida iniciada a partir de Março.

A seguir com atenção. Estes barómetros, apesar de terem sempre resultado em valores absolutos muito diferentes, tem sido quase perfeitamente congruentes nas tendências detectadas.

Mendes sobe nas opiniões positivas, mas desce globalmente, devido a aumento muito acentuado das opiniões negativas. Resultados congruentes com os da Marktest.

Sócrates recupera depois de uma descida em Maio, seja qual for o indicador utilizado. Aqui as coisas não jogam com o Barómetro da Marktest, que sugere, na melhor da hipóteses, estagnação e, na pior, continuação de tendência de descida iniciada a partir de Março.

A seguir com atenção. Estes barómetros, apesar de terem sempre resultado em valores absolutos muito diferentes, tem sido quase perfeitamente congruentes nas tendências detectadas.
Lidos no Canhoto
Este post de Paulo Pedroso, com uma análise bi-dimensional (notoriedade e popularidade) dos rankings dos membros do governo medidos através do Barómetro Marktest.
Estes posts de Rui Pena Pires, sobre o tema do voto obrigatório, tema que já foi abordado em vários posts na blogosfera (por exemplo, este).
Estes posts de Rui Pena Pires, sobre o tema do voto obrigatório, tema que já foi abordado em vários posts na blogosfera (por exemplo, este).
sexta-feira, junho 09, 2006
Timor: sondagem
Como complemento àquilo que escrevi aqui, assim como àquilo vamos lendo aqui, aqui ou aqui, talvez valha a pena olharmos para os resultados de uma das poucas sondagens realizadas em Timor-Leste [mantenho o inglês dos relatório original (.pdf), mas claro que as perguntas e opções de resposta foram feitas nas várias línguas originais]:
The Asia Foundation/Charney Research/AC Nielsen, Dezembro 2002, N=1114, aleatório, presencial
In what languages can you speak? (pergunta de resposta múltipla; soma das percentagens superior a 100%):
Tetum: 88%
Indonesian: 40%
Mambae: 17%
Makasa’e: 10%
Portuguese: 7%
Others with 5% or less: 27%
Apenas 7% dos inquiridos declaram saber falar português.
How concerned are you about corruption in the government: very concerned, somewhat concerned, not really concerned, or not at all concerned?
Very: 76%
Somewhat: 14%
Not concerned: 5%
DK/NA: 5%
90% dos inquiridos estavam, do final de 2002, "muito" ou "algo" preocupados com a corrupção no governo
People talk a lot in East Timor today about the Constitution. What does the Constitution mean for the country?
Source of law / basic law for citizens: 28%
Way of life / guidance on being citizens: 15%
Law and order: 8%
Rules for an independent country: 7%
Public and government participation: 4%
A good thing: 3%
Effort to develop rules / future law and order; 2%
Other: 1%
Unsure: 33%
1/3 da população não sabia dizer o que era a Constituição.
This year the Constitution was adopted as the highest law in East Timor. Did you feel there was genuine public participation when it was written, or not?
Yes: 45%
No: 41%
DK/NA: 15%
Mais de 40% acham que a Constituição foi aprovada sem participação pública. O sentimento era especialmente forte em Baucau e na região Leste do país, claro.
Nada acontece por acaso.
The Asia Foundation/Charney Research/AC Nielsen, Dezembro 2002, N=1114, aleatório, presencial
In what languages can you speak? (pergunta de resposta múltipla; soma das percentagens superior a 100%):
Tetum: 88%
Indonesian: 40%
Mambae: 17%
Makasa’e: 10%
Portuguese: 7%
Others with 5% or less: 27%
Apenas 7% dos inquiridos declaram saber falar português.
How concerned are you about corruption in the government: very concerned, somewhat concerned, not really concerned, or not at all concerned?
Very: 76%
Somewhat: 14%
Not concerned: 5%
DK/NA: 5%
90% dos inquiridos estavam, do final de 2002, "muito" ou "algo" preocupados com a corrupção no governo
People talk a lot in East Timor today about the Constitution. What does the Constitution mean for the country?
Source of law / basic law for citizens: 28%
Way of life / guidance on being citizens: 15%
Law and order: 8%
Rules for an independent country: 7%
Public and government participation: 4%
A good thing: 3%
Effort to develop rules / future law and order; 2%
Other: 1%
Unsure: 33%
1/3 da população não sabia dizer o que era a Constituição.
This year the Constitution was adopted as the highest law in East Timor. Did you feel there was genuine public participation when it was written, or not?
Yes: 45%
No: 41%
DK/NA: 15%
Mais de 40% acham que a Constituição foi aprovada sem participação pública. O sentimento era especialmente forte em Baucau e na região Leste do país, claro.
Nada acontece por acaso.
quarta-feira, junho 07, 2006
Estancou a sangria?
Há sinais de que a popularidade de Bush, no mínimo, parou de descer e, no máximo, estará a recuperar. O Political Arithmetik analisa os dados e aponta as posições de Bush sobre a imigração (apoiadas transversalmente pela população) como presumíveis responsáveis. Mas assinala também como esta recuperação está intimamente ligada a uma subida da popularidade de Bush entre os simpatizantes do Partido Republicano. A aproximação das eleições é certamente responsável por esta remobilização das bases.
segunda-feira, junho 05, 2006
Sondagens Brasil
Duas novas sondagens, uma do IBOPE e outra da Vox Populi. Lula continua a subir à custa da indefinição no PMDB. Mas mesmo no cenário com Garotinho (na Vox Populi), Lula tem vitória à 1ª volta, e o cenário Pedro Simon usado no IBOPE é-lhe, claro, ainda mais favorável.
Popularidade líderes políticos Portugal
Com algum atraso, vamos aos dados do Barómetro Marktest (.pdf). O gráfico abaixo mostra a evolução dos resultados do Barómetro desde Março de 2005 no que respeita à percentagem de inquiridos que faz uma avaliação positiva da actuação de cada um dos líderes políticos. Sampaio permanece no gráfico para termos um ponto de comparação com Cavaco.

Usando toda a informação resultante do Barómetro Marktest - opiniões positivas, negativas e sem opinião - tenho usado um índice já explicado aqui. Os resultados não são muito diferentes, fazendo apenas com que as diferenças entre eles e o efeito da passagem do tempo se tornem menos expressivos:

Logo:
1. Cavaco começa aproximação ao habitual "olimpo" presidencial;
2. Sócrates, apesar da manter vantagem sobre Mendes, dá sinais de descida.

Usando toda a informação resultante do Barómetro Marktest - opiniões positivas, negativas e sem opinião - tenho usado um índice já explicado aqui. Os resultados não são muito diferentes, fazendo apenas com que as diferenças entre eles e o efeito da passagem do tempo se tornem menos expressivos:

Logo:
1. Cavaco começa aproximação ao habitual "olimpo" presidencial;
2. Sócrates, apesar da manter vantagem sobre Mendes, dá sinais de descida.
quinta-feira, maio 25, 2006
quarta-feira, maio 24, 2006
O livro de Carrilho: notas de leitura
Lá fui ler o livro. Queria apenas deixar umas notas sobre as passagens em que o autor se refere a sondagens pré-eleitorais:
"A sondagem da Universidade Católica, de meados de Julho, é curiosa, porque nos dados brutos a relação entre a minha candidatura e a de C. Rodrigues é de 22/24, a favor dele, mas quando se projectam os votos dos indecisos o resultado final é-me favorável, com 41%, ficando ele nos 36%" (p. 116)
Sobre isto, os interessados podem consultar este meu post da altura.
"Nesta situação, abria-se também o debate sobre o significado destes dados. O ponto principal era o de avaliar a credibilidade das sondagens e dos métodos utilizados, uma vez que umas empresas (a Aximage e a Eurosondagem) utilizavam o sistema de consulta telefónica, a Universidade Católica utilizara o sistema de consulta de rua e a Metris utilizava o método de voto em urna". (p. 116)
Só uma clarificação: a Católica não faz sondagens pré-eleitorais por "consulta de rua", mas sim nos domicílios dos eleitores, presencial ou telefonicamente. Há alguns casos, excepcionais, em que se recorre a entrevistas na rua no contexto de uma sondagem presencial, mas apenas quando as dificuldades em contornar o problema das recusas ou das ausências nos domicílios são muito grandes.
"Tendo confirmado que Lisboa está já com uma cobertura de rede fixa muito baixa, perto dos 50%, pareceu-me que a metodologia a seguir deveria ser a do voto em urna, em que o cidadão é colocado numa situação análoga à do dia da eleição propriamente dita. Foi nesse sentido também que recebi pareceres de especialistas, que contudo me alertaram para a maior deficiência desta metodologia, e que é a de não medir a abstenção, factor que nas eleições de hoje - e nomeadamente nas autárquicas - é muitas vezes decisivo" (p. 116)
"a Metris, com o voto em urna, a acreditar na vitória do PS, a Aximage, com o voto telefónico, a distanciar o PSD. A acreditar nestes dados, tudo seria decidido (como foi) pela abstenção, e sobretudo pelo tipo (mais de esquerda ou de direita) da abstenção, que é o que as sondagens de voto em urna não apanham" (p. 163).
Há aqui dois equívocos. O primeiro consiste em dizer-se que as sondagens que utilizam voto simulado em urna "medem" melhor ou pior a abstenção. Não há razão nenhuma para tal. Todas as sondagens, de forma a procurarem medir a intenção de não votar (ou quaisquer outros indicadores na base dos quais a intenção de não votar se possa inferir) têm de fazer perguntas. Nada impede que uma sondagem de voto em urna coloque essas perguntas e que, após respondidas, entregue o boletim ao inquirido para que ele o preencha confidencialmente. Não percebo qual é o problema especial das sondagens com voto em urna deste ponto de vista. Dificuldade em estimar a abstenção têm todos, telefónicos, com urna ou sem urna.
O segundo equívoco está na"deficiência" das sondagens de voto em urna: elas têm uma deficiência, sim, mas não tem a ver com a abstenção. Tem a ver com o facto de impedirem que se coloque uma bateria de perguntas de dimensão razoável que nos permita conhecer em detalhe as características socio-demográficas a atitudinais dos indivíduos. Precisamente para não se perturbar a vantagem do voto em urna - inquérito breve e confidencial no que respeita à intenção de voto - o questionário associado tem de ser igualmente breve. Logo, até podemos obter uma maior precisão na medição das intenções reais de voto, mas ficamos a saber muito pouco sobre o eleitorado.
Já agora, por que razão anda uma campanha a fazer sondagens com urna? De que serve a essa campanha "saber" quais as percentagens de voto que ela ou os adversários vão obter, ainda por cima a meses das eleições? Não servirão as sondagens dos media para isso? Não seria mais útil para a campanha conhecer melhor as características do eleitorado, os alvos que deve procurar atingir, as prioridades e atitudes dos eleitores? Para isso, as sondagens em urna não servem. E se não servem para isto, de que servem a uma campanha? É possível que haja uma explicação, mas não estou a ver.
"A sondagem da Universidade Católica, de meados de Julho, é curiosa, porque nos dados brutos a relação entre a minha candidatura e a de C. Rodrigues é de 22/24, a favor dele, mas quando se projectam os votos dos indecisos o resultado final é-me favorável, com 41%, ficando ele nos 36%" (p. 116)
Sobre isto, os interessados podem consultar este meu post da altura.
"Nesta situação, abria-se também o debate sobre o significado destes dados. O ponto principal era o de avaliar a credibilidade das sondagens e dos métodos utilizados, uma vez que umas empresas (a Aximage e a Eurosondagem) utilizavam o sistema de consulta telefónica, a Universidade Católica utilizara o sistema de consulta de rua e a Metris utilizava o método de voto em urna". (p. 116)
Só uma clarificação: a Católica não faz sondagens pré-eleitorais por "consulta de rua", mas sim nos domicílios dos eleitores, presencial ou telefonicamente. Há alguns casos, excepcionais, em que se recorre a entrevistas na rua no contexto de uma sondagem presencial, mas apenas quando as dificuldades em contornar o problema das recusas ou das ausências nos domicílios são muito grandes.
"Tendo confirmado que Lisboa está já com uma cobertura de rede fixa muito baixa, perto dos 50%, pareceu-me que a metodologia a seguir deveria ser a do voto em urna, em que o cidadão é colocado numa situação análoga à do dia da eleição propriamente dita. Foi nesse sentido também que recebi pareceres de especialistas, que contudo me alertaram para a maior deficiência desta metodologia, e que é a de não medir a abstenção, factor que nas eleições de hoje - e nomeadamente nas autárquicas - é muitas vezes decisivo" (p. 116)
"a Metris, com o voto em urna, a acreditar na vitória do PS, a Aximage, com o voto telefónico, a distanciar o PSD. A acreditar nestes dados, tudo seria decidido (como foi) pela abstenção, e sobretudo pelo tipo (mais de esquerda ou de direita) da abstenção, que é o que as sondagens de voto em urna não apanham" (p. 163).
Há aqui dois equívocos. O primeiro consiste em dizer-se que as sondagens que utilizam voto simulado em urna "medem" melhor ou pior a abstenção. Não há razão nenhuma para tal. Todas as sondagens, de forma a procurarem medir a intenção de não votar (ou quaisquer outros indicadores na base dos quais a intenção de não votar se possa inferir) têm de fazer perguntas. Nada impede que uma sondagem de voto em urna coloque essas perguntas e que, após respondidas, entregue o boletim ao inquirido para que ele o preencha confidencialmente. Não percebo qual é o problema especial das sondagens com voto em urna deste ponto de vista. Dificuldade em estimar a abstenção têm todos, telefónicos, com urna ou sem urna.
O segundo equívoco está na"deficiência" das sondagens de voto em urna: elas têm uma deficiência, sim, mas não tem a ver com a abstenção. Tem a ver com o facto de impedirem que se coloque uma bateria de perguntas de dimensão razoável que nos permita conhecer em detalhe as características socio-demográficas a atitudinais dos indivíduos. Precisamente para não se perturbar a vantagem do voto em urna - inquérito breve e confidencial no que respeita à intenção de voto - o questionário associado tem de ser igualmente breve. Logo, até podemos obter uma maior precisão na medição das intenções reais de voto, mas ficamos a saber muito pouco sobre o eleitorado.
Já agora, por que razão anda uma campanha a fazer sondagens com urna? De que serve a essa campanha "saber" quais as percentagens de voto que ela ou os adversários vão obter, ainda por cima a meses das eleições? Não servirão as sondagens dos media para isso? Não seria mais útil para a campanha conhecer melhor as características do eleitorado, os alvos que deve procurar atingir, as prioridades e atitudes dos eleitores? Para isso, as sondagens em urna não servem. E se não servem para isto, de que servem a uma campanha? É possível que haja uma explicação, mas não estou a ver.
segunda-feira, maio 22, 2006
A jornalista e o "especialista": estudo de caso
Na semana passada fui contactado telefonicamente por uma jornalista do Expresso, que me pediu um depoimento sobre o livro de Manuel Maria Carrilho e as questões por ele levantadas. Comecei por lhe dizer que não li o livro e que nada sei sobre o mundo das agências de informação, mas retorquiu-me que queria falar comigo para discutir a questão do efeito real da comunicação social no comportamento de voto. Acedi.
Disse-lhe, mais uma vez, que não tinha lido o livro. Que em Portugal não havia, que eu soubesse, muita investigação sobre o efeito das mensagens dos media nos resultados eleitorais. Mas que havia muita investigação noutros países, e o que se sabia, em geral, era o seguinte:
1. Que o facto de alguém ser exposto a mensagens negativas sobre um candidato ou partido não tem necessariamente um grande efeito sobre o seu comportamento. Que os indivíduos não são uma "folha em branco". Eles partem para a campanha com as suas próprias predisposições políticas, que os fazem interpretar essas mensagens de uma forma congruente com essas predisposições. Dei um exemplo extremo: o facto de um simpatizante do Partido Comunista ser exposto a muitas mensagens negativas sobre o partido não implica que deixe de votar nele. Pelo contrário: pode mesmo interpretar essas mensagens como sendo enviesadas e, assim reforçar as suas predisposições. Que, deste ponto de vista, não conhecia estudos que indicassem que o factor decisivo numa vitória ou derrota eleitoral tenha sido a comunicação social.
2. Que, no caso Carrilho, parece ter sucedido algo muito semelhante ao caso Santana Lopes: a cobertura do candidato foi quase universalmente negativa, o que sugere que, em vez de uma "conspiração" por parte de um conjunto concreto de órgãos de comunicação, o problema estaria no candidato, na sua actuação e na desadequação do seu perfil em relação àquilo que os media definem como o perfil "aceitável" de um candidato.
3. Contudo, apesar do que disse no ponto 1, sabe-se que os media podem ter efeitos mais insidiosos no comportamento eleitoral, ao carregaram a agenda política de temas que desfavorecem ou favorecem o ângulo através do qual um candidato pode ser avaliado, mesmo sem transmitirem mensagens explícitas a favor ou contra ele. Dei o exemplo simples do que implica para o sucesso eleitoral de um Presidente ou Primeiro-Ministro que, sob condições económicas negativas, a agenda dos media esteja carregada de notícias sobre o estado da economia. Não há propriamente uma mensagem explícita contra esse líder político, mas há a construção de um critério de avaliação. Não falei em "agenda-setting", "framing" ou "priming", para não complicar.
4. Que, a olho, me parecia que os jornais portugueses eram muito vulneráveis à influência de seja quem for que lhes coloque nas mãos informação "preparada". Que, por inexperiência, incompetência ou excesso de trabalho, os jornalistas tendem frequentemente a assumir uma atitude passiva em relação aos "pacotes" de informação que as agências e os assessores lhes fazem chegar (na altura, não sabia que "cerca de 70% das notícias publicadas nos jornais portugueses têm como origem as agências de informação ou os gabinetes de Imprensa", mas estou tudo menos surpreendido).
A jornalista pediu-me autorização para usar dados deste blogue para procurar uma relação entre a cobertura jornalística da campanha autárquica em Lisboa e os resultados de sondagens. Dei-lha, sugerindo também que consultasse o site da Marktest, pedindo-lhe apenas que referisse as fontes.
Qual foi o resultado destes dez minutos de conversa? Este parágrafo:
Pedro Magalhães, do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica, refuta de forma categórica as teses de Carrilho e alerta para os efeitos contraproducentes das campanhas negativas: «Se eu for apoiante do Partido Comunista e se recebo da Comunicação Social apenas críticas ao meu partido, começo a achar que elas são enviezadas e posso até reforçar as minhas crenças».
Não interpretem este post como uma crítica à jornalista. Como é óbvio, ela tinha de fazer uma selecção daquilo que eu disse e integrar essa selecção de forma coerente em toda a notícia ( tenho apenas duas críticas: os resultados das sondagens foram apresentados no Expresso sem menção da fonte de onde foram coligidos; "enviesadas" escreve-se com "s", e não com "z").
Mas este pequeno e irrelevante caso levanta várias questões interessantes. Já tinham pensado como, de cada vez que lêem "depoimentos" nos jornais, eles resultam de uma criteriosa selecção por parte do jornalista daquilo que foi dito? E quais os critérios de selecção e apresentação? Por que razão terá a jornalista optado por escrever que o autor do depoimento "refuta de forma categórica das teses de Carrilho", quando esse autor lhe disse que não conhece em pormenor as ditas teses e quando o conjunto do seu depoimento não parece constituir exactamente uma "refutação categórica" delas (ver pontos 3. e 4.).
E o caso faz também com que me coloque a mim próprio outras questões. Há um ano, Pacheco Pereira escreveu um texto onde defendia que as opiniões daqueles que estudam temas políticos não eram diferentes "de opiniões políticas, de cidadãos, no espaço público" sem outra "legitimidade acrescida enquanto opiniões de natureza política":
"O resultado ou são truísmos (a transposição de um resultado académico ipsis verbis para uma afirmação de carácter político raras vezes resulta noutra coisa) ou são puras opiniões políticas, a que o estatuto académico dá uma aura de isenção e intangibilidade que confunde o debate público."
Na altura critiquei-o, defendendo que o debate político poderia "eventualmente beneficiar da contribuição de pessoas cujas 'opiniões políticas' são informadas, claro, pela sua ideologia e convicções políticas, mas também, claro, por uma formação académica específica que os faz prestar atenção a determinadas fenómenos e produzir sobre elas um determinado tipo de discurso."
Contudo, este caso faz-me pensar se ele não terá razão. Que contribuição específica ou adicional ao debate político pode dar um "especialista" quando aquilo que ele diz é "ensalsichado" pela máquina de produção de notícias e depois, ainda por cima, se vende a salsicha como proveniente de região especial demarcada, legitimando uma mensagem que, da forma como é apresentada, acaba por fazer parte de um determinado argumentário político (mesmo que não partilhado pela fonte)?
Esta foi a parte do pensamento sobre o tema. A parte da acção é mais simples: nunca mais dou um depoimento à imprensa sem ter completo controlo sobre a forma como esse depoimento vai ser apresentado. Live and learn.
Disse-lhe, mais uma vez, que não tinha lido o livro. Que em Portugal não havia, que eu soubesse, muita investigação sobre o efeito das mensagens dos media nos resultados eleitorais. Mas que havia muita investigação noutros países, e o que se sabia, em geral, era o seguinte:
1. Que o facto de alguém ser exposto a mensagens negativas sobre um candidato ou partido não tem necessariamente um grande efeito sobre o seu comportamento. Que os indivíduos não são uma "folha em branco". Eles partem para a campanha com as suas próprias predisposições políticas, que os fazem interpretar essas mensagens de uma forma congruente com essas predisposições. Dei um exemplo extremo: o facto de um simpatizante do Partido Comunista ser exposto a muitas mensagens negativas sobre o partido não implica que deixe de votar nele. Pelo contrário: pode mesmo interpretar essas mensagens como sendo enviesadas e, assim reforçar as suas predisposições. Que, deste ponto de vista, não conhecia estudos que indicassem que o factor decisivo numa vitória ou derrota eleitoral tenha sido a comunicação social.
2. Que, no caso Carrilho, parece ter sucedido algo muito semelhante ao caso Santana Lopes: a cobertura do candidato foi quase universalmente negativa, o que sugere que, em vez de uma "conspiração" por parte de um conjunto concreto de órgãos de comunicação, o problema estaria no candidato, na sua actuação e na desadequação do seu perfil em relação àquilo que os media definem como o perfil "aceitável" de um candidato.
3. Contudo, apesar do que disse no ponto 1, sabe-se que os media podem ter efeitos mais insidiosos no comportamento eleitoral, ao carregaram a agenda política de temas que desfavorecem ou favorecem o ângulo através do qual um candidato pode ser avaliado, mesmo sem transmitirem mensagens explícitas a favor ou contra ele. Dei o exemplo simples do que implica para o sucesso eleitoral de um Presidente ou Primeiro-Ministro que, sob condições económicas negativas, a agenda dos media esteja carregada de notícias sobre o estado da economia. Não há propriamente uma mensagem explícita contra esse líder político, mas há a construção de um critério de avaliação. Não falei em "agenda-setting", "framing" ou "priming", para não complicar.
4. Que, a olho, me parecia que os jornais portugueses eram muito vulneráveis à influência de seja quem for que lhes coloque nas mãos informação "preparada". Que, por inexperiência, incompetência ou excesso de trabalho, os jornalistas tendem frequentemente a assumir uma atitude passiva em relação aos "pacotes" de informação que as agências e os assessores lhes fazem chegar (na altura, não sabia que "cerca de 70% das notícias publicadas nos jornais portugueses têm como origem as agências de informação ou os gabinetes de Imprensa", mas estou tudo menos surpreendido).
A jornalista pediu-me autorização para usar dados deste blogue para procurar uma relação entre a cobertura jornalística da campanha autárquica em Lisboa e os resultados de sondagens. Dei-lha, sugerindo também que consultasse o site da Marktest, pedindo-lhe apenas que referisse as fontes.
Qual foi o resultado destes dez minutos de conversa? Este parágrafo:
Pedro Magalhães, do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica, refuta de forma categórica as teses de Carrilho e alerta para os efeitos contraproducentes das campanhas negativas: «Se eu for apoiante do Partido Comunista e se recebo da Comunicação Social apenas críticas ao meu partido, começo a achar que elas são enviezadas e posso até reforçar as minhas crenças».
Não interpretem este post como uma crítica à jornalista. Como é óbvio, ela tinha de fazer uma selecção daquilo que eu disse e integrar essa selecção de forma coerente em toda a notícia ( tenho apenas duas críticas: os resultados das sondagens foram apresentados no Expresso sem menção da fonte de onde foram coligidos; "enviesadas" escreve-se com "s", e não com "z").
Mas este pequeno e irrelevante caso levanta várias questões interessantes. Já tinham pensado como, de cada vez que lêem "depoimentos" nos jornais, eles resultam de uma criteriosa selecção por parte do jornalista daquilo que foi dito? E quais os critérios de selecção e apresentação? Por que razão terá a jornalista optado por escrever que o autor do depoimento "refuta de forma categórica das teses de Carrilho", quando esse autor lhe disse que não conhece em pormenor as ditas teses e quando o conjunto do seu depoimento não parece constituir exactamente uma "refutação categórica" delas (ver pontos 3. e 4.).
E o caso faz também com que me coloque a mim próprio outras questões. Há um ano, Pacheco Pereira escreveu um texto onde defendia que as opiniões daqueles que estudam temas políticos não eram diferentes "de opiniões políticas, de cidadãos, no espaço público" sem outra "legitimidade acrescida enquanto opiniões de natureza política":
"O resultado ou são truísmos (a transposição de um resultado académico ipsis verbis para uma afirmação de carácter político raras vezes resulta noutra coisa) ou são puras opiniões políticas, a que o estatuto académico dá uma aura de isenção e intangibilidade que confunde o debate público."
Na altura critiquei-o, defendendo que o debate político poderia "eventualmente beneficiar da contribuição de pessoas cujas 'opiniões políticas' são informadas, claro, pela sua ideologia e convicções políticas, mas também, claro, por uma formação académica específica que os faz prestar atenção a determinadas fenómenos e produzir sobre elas um determinado tipo de discurso."
Contudo, este caso faz-me pensar se ele não terá razão. Que contribuição específica ou adicional ao debate político pode dar um "especialista" quando aquilo que ele diz é "ensalsichado" pela máquina de produção de notícias e depois, ainda por cima, se vende a salsicha como proveniente de região especial demarcada, legitimando uma mensagem que, da forma como é apresentada, acaba por fazer parte de um determinado argumentário político (mesmo que não partilhado pela fonte)?
Esta foi a parte do pensamento sobre o tema. A parte da acção é mais simples: nunca mais dou um depoimento à imprensa sem ter completo controlo sobre a forma como esse depoimento vai ser apresentado. Live and learn.
sexta-feira, maio 19, 2006
Sondagem em São Paulo
Da Datafolha. Alguns destaques:
- "Para 56% dos moradores da cidade de São Paulo, o governador Cláudio Lembo (PFL) teve uma atuação ruim ou péssima durante os ataques do PCC que deixaram o estado de São Paulo em pânico nos últimos dias";
- "Quando indagados sobre a responsabilidade pelos ataques terem acontecido, a maioria (55%) atribui muita responsabilidade ao Poder Judiciário pelos acontecimentos. Para 30% o governador Cláudio Lembo tem muita responsabilidade e para 39% um pouco de responsabilidade pelos ataques. (...) Atribuem muita responsabilidade ao presidente Lula (PT) 39%, e acham que o ex-governador Geraldo Alckmin, que deixou o cargo para se candidatar à Presidência há pouco mais de um mês, é muito responsável pelos ataques 37%."
- "Para 65% o governo do estado negociou para que os ataques parassem. Desses, 42% acham que o governo agiu mal ao negociar e 21% acham que agiu bem."
- "Para 56% dos moradores da cidade de São Paulo, o governador Cláudio Lembo (PFL) teve uma atuação ruim ou péssima durante os ataques do PCC que deixaram o estado de São Paulo em pânico nos últimos dias";
- "Quando indagados sobre a responsabilidade pelos ataques terem acontecido, a maioria (55%) atribui muita responsabilidade ao Poder Judiciário pelos acontecimentos. Para 30% o governador Cláudio Lembo tem muita responsabilidade e para 39% um pouco de responsabilidade pelos ataques. (...) Atribuem muita responsabilidade ao presidente Lula (PT) 39%, e acham que o ex-governador Geraldo Alckmin, que deixou o cargo para se candidatar à Presidência há pouco mais de um mês, é muito responsável pelos ataques 37%."
- "Para 65% o governo do estado negociou para que os ataques parassem. Desses, 42% acham que o governo agiu mal ao negociar e 21% acham que agiu bem."
segunda-feira, maio 15, 2006
"Everything is up in the air"
USA Today, 17 de Março de 2003:
"It's a new era for foreign policy," says William Kristol, a leading Republican who helped develop the strategy while the party was out of power during the Clinton administration. "Iraq has implications beyond Iraq and in a sense is about more than Iraq. It reflects a broader worldview. How it goes — whether it goes well or not — will very much affect people's judgments about what to do in the future" in the world. (...) If war with Iraq succeeds as envisioned, Kristol says, the United States will be in a position to pursue a more confrontational policy toward rogue regimes and move to "remake" the Middle East.
And if it doesn't go well? "Then everything is up in the air."
Estados Unidos, CBS News/NYT Poll, 8 Maio de 2006, Telefónica, N=1241.
"Looking back, do you think the United States did the right thing in taking military action against Iraq, or should the U.S. have stayed out?"
Did the right thing: 39% (Fevereiro: 41%)
Should have stayed out: 56% (Fevereiro: 54%)
Unsure: 5% (Fevereiro: 5%)
"Which comes closer to your opinion—Iran is a threat to the United States that requires military action now, Iran is a threat that can be contained with diplomacy now, or Iran is not a threat to the United States at this time?"
Threat requiring action now: 11% (Fevereiro: 20%)
Threat that can be contained: 58% (Fevereiro: 55%)
Not a threat at this time: 22% (Fevereiro: 19%)
Not sure: 8% (Fevereiro: 6%)
"It's a new era for foreign policy," says William Kristol, a leading Republican who helped develop the strategy while the party was out of power during the Clinton administration. "Iraq has implications beyond Iraq and in a sense is about more than Iraq. It reflects a broader worldview. How it goes — whether it goes well or not — will very much affect people's judgments about what to do in the future" in the world. (...) If war with Iraq succeeds as envisioned, Kristol says, the United States will be in a position to pursue a more confrontational policy toward rogue regimes and move to "remake" the Middle East.
And if it doesn't go well? "Then everything is up in the air."
Estados Unidos, CBS News/NYT Poll, 8 Maio de 2006, Telefónica, N=1241.
"Looking back, do you think the United States did the right thing in taking military action against Iraq, or should the U.S. have stayed out?"
Did the right thing: 39% (Fevereiro: 41%)
Should have stayed out: 56% (Fevereiro: 54%)
Unsure: 5% (Fevereiro: 5%)
"Which comes closer to your opinion—Iran is a threat to the United States that requires military action now, Iran is a threat that can be contained with diplomacy now, or Iran is not a threat to the United States at this time?"
Threat requiring action now: 11% (Fevereiro: 20%)
Threat that can be contained: 58% (Fevereiro: 55%)
Not a threat at this time: 22% (Fevereiro: 19%)
Not sure: 8% (Fevereiro: 6%)
quarta-feira, maio 10, 2006
Presidenciais italianas e voto obrigatório (actualizado)
Dois posts recentes a ler com atenção no blogue do cientista político Matthew Soberg Shugart, um sobre a eleição do presidente italiano (menos "cerimonial" do que parecer à primeira vista) e outro sobre o voto obrigatório, a propósito de um relatório de um "think tank" britânico que advoga a sua adopção no Reino Unido.
Menciona-se também um artigo académico acabado de sair sobre o assunto no Journal of Theoretical Politics, mas não esquecer a referência fundamental sobre o assunto: o artigo de Arend Lijphart, "Unequal Participation: Democracy's Unresolved Dilemma." American Political Science Review 91: 1-14.
De notar, claro, que a linha da frente da defesa do voto obrigatório é a existência de desigualdades sociais na propensão para a participação eleitoral (e, logo, de desigualdades nos interesses representados politicamente), fenómeno generalizado nos Estado Unidos e outros países de elevadíssima abstenção mas menos comum noutros. Mas não nos fazia mal discutir o assunto...
P.S.- Ou o Insurgente é especialmente bem frequentado, ou então não se pode dizer que as caixas de comentários são sempre lugares para insultos e frustrações. Basta ler os comentários até agora a este post sobre o voto obrigatório.
Independentemente dos méritos ou deméritos do voto obrigatório, há um problema central: os sistemas políticos onde o voto obrigatório poderia "fazer diferença" - ou seja, nos países em que aqueles que não votam são sistematicamente "diferentes" daqueles que votam em termos das suas preferências políticas (o que nem sempre sucede) - são também aqueles onde há actores políticos interessados em que esses mesmos eleitores não entrem no sistema, porque isso poderia fortalecer os seus adversários. Isto vale para os dois lados do espectro ideológico: nos Estados Unidos, por exemplo, os Republicanos nunca aceitariam o voto obrigatório, porque isso implicaria a potencial entrada de eleitores do partido Democrata no sistema (nem sequer conseguem mudar o voto de 3ª feira para Domingo...). Por outro lado, noutros países, não é de excluir que o voto obrigatório aumentasse a votação de partidos de direita "anti-sistema".
Há uma história que, que eu saiba (mas pode haver sem eu saber), está por fazer, e que é a dos processos de "desenho" institucional que levaram a que, nalguns países, se tivesse adoptado o voto obrigatório (Brasil, Austrália, Bélgica) e, noutros (Itália, Holanda), tivesse sido abandonado. Quem defendeu o quê nessas alturas? Assim se perceberá quem sentia que tinha mais a ganhar e a perder. E serão sempre os mesmos? Provavelmente não.
Menciona-se também um artigo académico acabado de sair sobre o assunto no Journal of Theoretical Politics, mas não esquecer a referência fundamental sobre o assunto: o artigo de Arend Lijphart, "Unequal Participation: Democracy's Unresolved Dilemma." American Political Science Review 91: 1-14.
De notar, claro, que a linha da frente da defesa do voto obrigatório é a existência de desigualdades sociais na propensão para a participação eleitoral (e, logo, de desigualdades nos interesses representados politicamente), fenómeno generalizado nos Estado Unidos e outros países de elevadíssima abstenção mas menos comum noutros. Mas não nos fazia mal discutir o assunto...
P.S.- Ou o Insurgente é especialmente bem frequentado, ou então não se pode dizer que as caixas de comentários são sempre lugares para insultos e frustrações. Basta ler os comentários até agora a este post sobre o voto obrigatório.
Independentemente dos méritos ou deméritos do voto obrigatório, há um problema central: os sistemas políticos onde o voto obrigatório poderia "fazer diferença" - ou seja, nos países em que aqueles que não votam são sistematicamente "diferentes" daqueles que votam em termos das suas preferências políticas (o que nem sempre sucede) - são também aqueles onde há actores políticos interessados em que esses mesmos eleitores não entrem no sistema, porque isso poderia fortalecer os seus adversários. Isto vale para os dois lados do espectro ideológico: nos Estados Unidos, por exemplo, os Republicanos nunca aceitariam o voto obrigatório, porque isso implicaria a potencial entrada de eleitores do partido Democrata no sistema (nem sequer conseguem mudar o voto de 3ª feira para Domingo...). Por outro lado, noutros países, não é de excluir que o voto obrigatório aumentasse a votação de partidos de direita "anti-sistema".
Há uma história que, que eu saiba (mas pode haver sem eu saber), está por fazer, e que é a dos processos de "desenho" institucional que levaram a que, nalguns países, se tivesse adoptado o voto obrigatório (Brasil, Austrália, Bélgica) e, noutros (Itália, Holanda), tivesse sido abandonado. Quem defendeu o quê nessas alturas? Assim se perceberá quem sentia que tinha mais a ganhar e a perder. E serão sempre os mesmos? Provavelmente não.
Artigos no Público
Aqui há uns anos, uma alma caridosa e anónima foi colocando alguns dos artigos que escrevi durante 2003 no Público num blogue criado para o efeito. Ainda por cima, era uma alma caridosa com discernimento, porque só colocava os artigos de que gostava (que eram também aqueles que eu próprio ia achando mais razoavelmente decentes).
Mas como a caridade começa em casa, a partir de agora, esses artigos vão para as Outras Margens, com uns dias de atraso. A verdade é que este suporte tem algumas vantagens em relação ao jornal, permitindo-me fazer ligações a algumas das fontes que uso para os artigos. E quanto mais não seja, sempre podem ir vendo quanto tempo passa até que me comece a contradizer.
Mas como a caridade começa em casa, a partir de agora, esses artigos vão para as Outras Margens, com uns dias de atraso. A verdade é que este suporte tem algumas vantagens em relação ao jornal, permitindo-me fazer ligações a algumas das fontes que uso para os artigos. E quanto mais não seja, sempre podem ir vendo quanto tempo passa até que me comece a contradizer.
Mais Brasil
Mais uma sondagem sobre as presidenciais no Brasil, desta vez do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (relatório .pdf, aqui). Estabilidade quase total em relação ao estudo de final de Março: Lula à frente mas sem maioria absoluta, Alckmin perdeu o gás.
Os cenários possíveis estão ainda no ar: com ou sem Garotinho (ainda em greve de fome, à hora que escrevo, protestando contra a Globo e a campanha; how to starve your electoral chances to death, explica-se no brazilianpolitics.com), com ou sem Itamar, com ou sem Sarney, ou mesmo sem candidato do PMDB. Sábado é, creio, a convenção do partido. Seja como for, se Garotinho não for candidato, quem beneficia é Lula.

A propósito, mesmo sendo um bocado caseiro, não posso deixar de sugerir um seminário que vai ter lugar no ICS no dia 16, de manhã: A América Latina: Um Olhar Contemporâneo (programa em .pdf, aqui). Participam Andrés Malamud, do ISCTE, certamente o politólogo a trabalhar em Portugal que mais sabe sobre a América Latina; e Octávio Amorim Neto, da Fundação Getúlio Vargas, um dos melhores investigadores brasileiros nestas áreas (para além de um estudioso do nosso e outros semi-presidencialismos). No final, um debate entre Manuel Villaverde Cabral, Wilson Trajano e Bernardino Gomes. Entrada livre.
Os cenários possíveis estão ainda no ar: com ou sem Garotinho (ainda em greve de fome, à hora que escrevo, protestando contra a Globo e a campanha; how to starve your electoral chances to death, explica-se no brazilianpolitics.com), com ou sem Itamar, com ou sem Sarney, ou mesmo sem candidato do PMDB. Sábado é, creio, a convenção do partido. Seja como for, se Garotinho não for candidato, quem beneficia é Lula.

A propósito, mesmo sendo um bocado caseiro, não posso deixar de sugerir um seminário que vai ter lugar no ICS no dia 16, de manhã: A América Latina: Um Olhar Contemporâneo (programa em .pdf, aqui). Participam Andrés Malamud, do ISCTE, certamente o politólogo a trabalhar em Portugal que mais sabe sobre a América Latina; e Octávio Amorim Neto, da Fundação Getúlio Vargas, um dos melhores investigadores brasileiros nestas áreas (para além de um estudioso do nosso e outros semi-presidencialismos). No final, um debate entre Manuel Villaverde Cabral, Wilson Trajano e Bernardino Gomes. Entrada livre.
segunda-feira, maio 08, 2006
Off topic: Tapada das Necessidades
Não sei se isto é uma micro-causa, mas o que lhe chamo interessa pouco. O Águas do Sul mostra algumas fotografias daquele que, se me perguntassem, facilmente responderia ser um dos meus locais favoritos na cidade de Lisboa: a Tapada das Necessidades. A primeira coisa que importa dizer é que a degradação que a Tapada hoje sofre - visível apenas quando nos aventuramos a caminhar acima do relvado principal a que se acede através da entrada sul - é muito maior do que aquilo que as fotografias podem transmitir. Edifícios e pavilhões abandonados e cobertos de grafittis, caminhos quase intransitáveis pela multiplicação de buracos e pedras, tanques vazios, cancelas fora dos gonzos, ervas que invadem caminhos e passeios, lixo abundante disperso pela vegetação, etc. Tudo isto se passa, note-se, nas traseiras do Ministério dos Negócios Estrangeiros e do Instituto de Defesa Nacional.
Mais: diz o Águas do Sul que o atelier de pintura do Rei D. Carlos I vai ser o gabinete do ex-presidente Jorge Sampaio. Tive a oportunidade de verificar ontem que este atelier está a sofrer obras de beneficiação: pintadinho, recuperado, impecável, e já com relva verdinha e aparada à entrada. Acho muito bem. Mas tenho alguma dificuldade em conceber que Jorge Sampaio se sinta confortável nas suas novas instalações ao mesmo tempo que sabe que a Tapada onde elas estão localizadas está entregue ao mais completo e deprimente abandono, visível, aliás, logo a poucos metros do atelier, num pavilhão cujo miradouro se encontra invadido pelas ervas daninhas e pelos ramos por podar das árvores que o envolvem.
Eu junto-me já ao "Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades" que o Águas do Sul sugere. E até digo mais: se o Ministério da Agricultura, dos Negócios Estrangeiros, e a Câmara e seja lá quem for que tem tutela sobre a Tapada não encontram maneira de se coordenarem para garantir um mínimo de manutenção para o espaço, ou se acham que têm outras coisas mais importantes onde gastar o dinheiro - escrevam no Google as expressões "patrocínio do Ministério dos Negócios Estrangeiros" ou "patrocínio da Câmara Municipal de Lisboa" e ficarão a saber alguns dos sítios onde o orçamento destas instituições vai parar - eu até estou disposto a fazer-lhes um donativo. E se outros se juntassem, poderíamos ter à entrada do parque e em cada zona recuperada da Tapada uma placa dizendo: "Pago com donativos adicionais dos já contribuintes lisboetas". É isso que é preciso? Dou já.
Mais: diz o Águas do Sul que o atelier de pintura do Rei D. Carlos I vai ser o gabinete do ex-presidente Jorge Sampaio. Tive a oportunidade de verificar ontem que este atelier está a sofrer obras de beneficiação: pintadinho, recuperado, impecável, e já com relva verdinha e aparada à entrada. Acho muito bem. Mas tenho alguma dificuldade em conceber que Jorge Sampaio se sinta confortável nas suas novas instalações ao mesmo tempo que sabe que a Tapada onde elas estão localizadas está entregue ao mais completo e deprimente abandono, visível, aliás, logo a poucos metros do atelier, num pavilhão cujo miradouro se encontra invadido pelas ervas daninhas e pelos ramos por podar das árvores que o envolvem.
Eu junto-me já ao "Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades" que o Águas do Sul sugere. E até digo mais: se o Ministério da Agricultura, dos Negócios Estrangeiros, e a Câmara e seja lá quem for que tem tutela sobre a Tapada não encontram maneira de se coordenarem para garantir um mínimo de manutenção para o espaço, ou se acham que têm outras coisas mais importantes onde gastar o dinheiro - escrevam no Google as expressões "patrocínio do Ministério dos Negócios Estrangeiros" ou "patrocínio da Câmara Municipal de Lisboa" e ficarão a saber alguns dos sítios onde o orçamento destas instituições vai parar - eu até estou disposto a fazer-lhes um donativo. E se outros se juntassem, poderíamos ter à entrada do parque e em cada zona recuperada da Tapada uma placa dizendo: "Pago com donativos adicionais dos já contribuintes lisboetas". É isso que é preciso? Dou já.
sábado, maio 06, 2006
Eurosondagem
Nova edição do Barómetro da Eurosondagem para o Expresso, SIC e Rádio Renascença.
José Sócrates (entre parêntesis, %'s do mês anterior):
Actuação positiva: 55,7% (57,9%)
Nem boa nem má: 17% (18,7%9
Actuação negativa: 20,5% (20,7%)
Ns/Nr: 6,8% (5,7%)
Cavaco Silva (entre parêntesis, %'s do mês anterior):
Actuação positiva: 58,7% (57,1%)
Nem boa nem má:14% (15,4%)
Actuação negativa: 19,8% (19,6%)
Ns/Nr: 7,5% (7,9%)
Marques Mendes (entre parêntesis, %'s do mês anterior):
Actuação positiva: 35% (38,7%)
Nem boa nem má: 24,5% (22,7%)
Actuação negativa: 29,6% (28,7%)
Ns/Nr: 10,9% (9,9%)
O nosso índice habitual de 0 a 100 (ver posts anteriores), aplicado apenas aos dados da Eurosondagem, revela a seguinte evolução para Sócrates e Mendes:


Em resumo: tal como sucedia na sondagem Markest do final de Abril, Sócrates vê travada uma tendência de subida que vinha desde as autárquicas. Mendes também desce. E Cavaco também sobe (não vale a pena fazer gráfico dado que temos apenas duas observações). As mudanças são mínimas, mas o seu sentido é o mesmo nos dois Barómetros.
José Sócrates (entre parêntesis, %'s do mês anterior):
Actuação positiva: 55,7% (57,9%)
Nem boa nem má: 17% (18,7%9
Actuação negativa: 20,5% (20,7%)
Ns/Nr: 6,8% (5,7%)
Cavaco Silva (entre parêntesis, %'s do mês anterior):
Actuação positiva: 58,7% (57,1%)
Nem boa nem má:14% (15,4%)
Actuação negativa: 19,8% (19,6%)
Ns/Nr: 7,5% (7,9%)
Marques Mendes (entre parêntesis, %'s do mês anterior):
Actuação positiva: 35% (38,7%)
Nem boa nem má: 24,5% (22,7%)
Actuação negativa: 29,6% (28,7%)
Ns/Nr: 10,9% (9,9%)
O nosso índice habitual de 0 a 100 (ver posts anteriores), aplicado apenas aos dados da Eurosondagem, revela a seguinte evolução para Sócrates e Mendes:


Em resumo: tal como sucedia na sondagem Markest do final de Abril, Sócrates vê travada uma tendência de subida que vinha desde as autárquicas. Mendes também desce. E Cavaco também sobe (não vale a pena fazer gráfico dado que temos apenas duas observações). As mudanças são mínimas, mas o seu sentido é o mesmo nos dois Barómetros.
quarta-feira, maio 03, 2006
Consolações
Steven Colbert, do Daily Show, diverte-se e diverte-nos à grande à custa do Presidente Bush (vídeo aqui, transcrição aqui). Uma citação que, compreenderão, achei particularmente bela:
Now, I know there are some polls out there saying this man has a 32% approval rating. But guys like us, we don't pay attention to the polls. We know that polls are just a collection of statistics that reflect what people are thinking in "reality." And reality has a well-known liberal bias.
Para os "liberais" que levam as estatísticas a sério, Charles Franklin tem as novidades:

E as novidades são simples: We have simply never seen a president this unpopular going into a midterm election.
Mas nem tudo é mau para o Presidente Bush. Afinal, há ainda alguém cuja popularidade (.pdf) é inferior à dele:
sexta-feira, abril 28, 2006
Opinião publicada e opinião pública (2)
E eis que, nem de propósito, chegam os dados da Marktest para medir o "fim do estado de graça do governo". Os gráficos seguintes mostram a evolução da popularidade de Sócrates nas sondagens Marktest medida de três formas: as opiniões positivas; o saldo entre opiniões positivas e negativas; e um índice, que varia de 0 a 100, calculado da seguinte forma: (2*%opiniões positivas + %ns;nr;"assim-assim")/2



"Fim do estado de graça" parece exagerado. E é só uma sondagem, sujeita a múltiplas fontes de erro, e cujos resultados carecem de ser confirmados (ou não) por mais observações. Mas por outro lado, estes resultados levantam a hipótese de que, pelo menos, a subida que Sócrates vinha fazendo desde as eleições autárquicas possa ter chegado para já ao seu limite máximo: é a primeira sondagem Marktest desde Novembro em que o índice de popularidade de Sócrates não sobe. Veremos o que trazem as próximas sondagens.
Entretanto, com esta sondagem da Marktest, podemos actualizar o gráfico já apresentado aqui e assim "fechar" o mês de Abril, apreciando a evolução dos índices de popularidade do PM, do PR e do Líder da Oposição por mês, limpos de "house effects". Não há grandes diferenças em relação aos resultados anteriores quando englobamos na análise os resultados da Marktest e a Eurosondagem. Sócrates e Cavaco quase par a par (se bem que Sócrates tenha muito mais opiniões quer positivas quer negativas e Cavaco ainda muita indiferença), Mendes quase não mexe pouco acima do limiar positivo dos 50.



"Fim do estado de graça" parece exagerado. E é só uma sondagem, sujeita a múltiplas fontes de erro, e cujos resultados carecem de ser confirmados (ou não) por mais observações. Mas por outro lado, estes resultados levantam a hipótese de que, pelo menos, a subida que Sócrates vinha fazendo desde as eleições autárquicas possa ter chegado para já ao seu limite máximo: é a primeira sondagem Marktest desde Novembro em que o índice de popularidade de Sócrates não sobe. Veremos o que trazem as próximas sondagens.
Entretanto, com esta sondagem da Marktest, podemos actualizar o gráfico já apresentado aqui e assim "fechar" o mês de Abril, apreciando a evolução dos índices de popularidade do PM, do PR e do Líder da Oposição por mês, limpos de "house effects". Não há grandes diferenças em relação aos resultados anteriores quando englobamos na análise os resultados da Marktest e a Eurosondagem. Sócrates e Cavaco quase par a par (se bem que Sócrates tenha muito mais opiniões quer positivas quer negativas e Cavaco ainda muita indiferença), Mendes quase não mexe pouco acima do limiar positivo dos 50.
quarta-feira, abril 26, 2006
Opinião publicada e opinião pública
Na opinião publicada, o fim do estado de graça foi declarado. O "Simplex" terá levado a vertente propagandística deste governo longe demais, e os relatórios do BP, do FMI e da OCDE constituem o marco temporal mais visível desse eventual fim.
Mas o que me desperta mais curiosidade é saber com que décalage temporal isto se reflecte na opinião pública, em que conjunto ou tipo de eleitores ou, até, se se reflecte de todo. Paulo Gorjão acha que sim, e anuncia que "os próximos estudos sobre a popularidade do Governo já irão reflectir -- embora ainda de forma ténue - a dúvida que se instalou sobre a bondade das medidas do Governo". Aproxima-se o barómetro Marktest e cá estaremos para ver se há algum efeito visível.
Mas importa recordar o que se passou no final da governação Guterres. Entre os comentadores, o "pântano" começou logo após as eleições de 1999. Mas curioso é verificar que, em Outubro de 2001, as sondagens continuavam a colocar o PS em primeiro lugar das intenções de voto. "Guterres recupera e PS já sobe" e "Poder rosa em grande" eram os títulos do Expresso de... 5 de Outubro de 2001. Não se trata apenas de um qualquer factor "Eurosondagem", porque os resultados da Universidade Católica não eram diferentes.
Problema das sondagens, ou problema das pressuposições sobre a forma como o discurso mediático penetra ou influencia a opinião pública? E se forem as segundas que estão erradas, que factores medeiam a relação entre um e outra que fazem com que a relação seja muito mais indirecta e cheia de nuances do que se poderia prever?
Mas o que me desperta mais curiosidade é saber com que décalage temporal isto se reflecte na opinião pública, em que conjunto ou tipo de eleitores ou, até, se se reflecte de todo. Paulo Gorjão acha que sim, e anuncia que "os próximos estudos sobre a popularidade do Governo já irão reflectir -- embora ainda de forma ténue - a dúvida que se instalou sobre a bondade das medidas do Governo". Aproxima-se o barómetro Marktest e cá estaremos para ver se há algum efeito visível.
Mas importa recordar o que se passou no final da governação Guterres. Entre os comentadores, o "pântano" começou logo após as eleições de 1999. Mas curioso é verificar que, em Outubro de 2001, as sondagens continuavam a colocar o PS em primeiro lugar das intenções de voto. "Guterres recupera e PS já sobe" e "Poder rosa em grande" eram os títulos do Expresso de... 5 de Outubro de 2001. Não se trata apenas de um qualquer factor "Eurosondagem", porque os resultados da Universidade Católica não eram diferentes.
Problema das sondagens, ou problema das pressuposições sobre a forma como o discurso mediático penetra ou influencia a opinião pública? E se forem as segundas que estão erradas, que factores medeiam a relação entre um e outra que fazem com que a relação seja muito mais indirecta e cheia de nuances do que se poderia prever?
quinta-feira, abril 20, 2006
Vietname/Iraque
A comparação das tendências da opinião pública americana verificadas durante as guerras do Vietname e do Iraque, já aqui feita de forma puramente descritiva, começa a merecer cada vez mais atenção nos Estados Unidos.
Ontem, baseando-se nos mesmos dados, Chris Cillizza, no blogue do Washington Post, concluía que:
1. O ponto aparentemente definitivo de viragem ocorreu em meados de 2005 - aproximadamente 800 dias depois da invasão no gráfico abaixo - momento a partir do qual passa a haver uma maioria dos americanos que pensam que a guerra no Iraque foi um erro. Isto coincide com o caso Cindy Sheehan, a mãe de um militar morto no Iraque que montou uma vigília junto ao rancho de George Bush, em Crawford.
2. Este ponto de viragem foi anterior ao da guerra do Vietname, que se deu por altura da ofensiva de Tet. Para ser mais preciso, o ponto a partir do qual a opinião pública american ficou maioritariamente persuadida de que a guerra do Vietname tinha sido um erro foi após a ofensiva de Tet de 1968 (mais de 1200 dias após Rolling Thunder), que revelou que, apesar da derrota militar dos norte-vietnamitas, não havia qualquer esperança de uma vitória rápida dos Estados Unidos. Desde esse momento, não voltou a haver uma maioria na opinião pública americana a favor da guerra.
3. Chillizza menciona um artigo de Novembro de 2005 na Foreign Affairs que, sem desculpa, me tinha passado ao lado: de John Mueller, ainda por cima um professor da minha alma mater. Algumas citações de um artigo que merece ser lido na íntegra:
Comparando a evolução ao longo de várias guerras:
The most striking thing about the comparison among the three wars is how much more quickly support has eroded in the case of Iraq. By early 2005, when combat deaths were around 1,500, the percentage of respondents who considered the Iraq war a mistake -- over half -- was about the same as the percentage who considered the war in Vietnam a mistake at the time of the 1968 Tet offensive, when nearly 20,000 soldiers had already died.
Especulando sobre implicações para as eleições para o Congresso:
"The impact of war discontent on congressional races is less clear. Democrats attempted to capitalize on the widespread outrage over Nixon's invasion of Cambodia in 1970 but were unable to change things much."
Sobre a improbabilidade de inversão da tendência:
"There never were periods of continuous good news in the wars in Korea or Vietnam, so there is no clear precedent here. But should good news start coming in from Iraq -- including, in particular, a decline in American casualty rates -- it would more likely cause the erosion in public support to slow or even cease rather than trigger a large upsurge in support. For support to rise notably, many of those now disaffected by the war would need to reverse their position, and that seems rather unlikely: polls that seek to tap intensity of feeling find that more than 80 percent of those opposed to the war "strongly" feel that way. If you purchase a car for twice what it is worth, you will still consider the deal to have been a mistake even if you come to like the car."
Sobre os limites da comparação entre o Vietname e o Iraque e por que razão isso pode fazer com que uma retirada seja menos dramática:
When the United States was preparing to withdraw from Vietnam, many Americans feared that there would be a bloodbath if the country fell to the North Vietnamese. And indeed, on taking control, the Communists executed tens of thousands of people, sent hundreds of thousands to "reeducation camps" for long periods, and so mismanaged the economy that hundreds of thousands fled the country out of desperation, often in barely floating boats. (What happened in neighboring Cambodia when the Khmer Rouge took over makes even the word "bloodbath" seem an understatement.) (...) Although the consequences of a U.S. withdrawal from Iraq are likely to be messy, they may be less dire. The insurgency in Iraq, albeit deadly and dedicated, represents a much smaller, less popular, and less organized force than the Vietcong did, and it does not have the same kind of international backing. Moreover, many of the insurgents are fighting simply to get U.S. troops out of the country and can be expected to stop when the Americans leave.
E sobre as consequências, essas sim potencialmente catastróficas, do fracasso no Iraque para toda a região:
In the meantime, any country that suspects it may be on the list has the strongest incentive to make the American experience in Iraq as miserable as possible. Some may also come to consider that deterring the world's last remaining superpower can be accomplished by preemptively and prominently recruiting and training a few thousand of their citizens to fight and die in dedicated irregular warfare against foreign occupiers. (....) Ultimately, the chief beneficiaries of the war in Iraq may be Iraq's fellow members of the "axis of evil."
Actualizo os dados sobre a opinião pública americana acerca de uma e outra guerras, aproximadamente no mesmo período de tempo, nos gráficos abaixo:

Ontem, baseando-se nos mesmos dados, Chris Cillizza, no blogue do Washington Post, concluía que:
1. O ponto aparentemente definitivo de viragem ocorreu em meados de 2005 - aproximadamente 800 dias depois da invasão no gráfico abaixo - momento a partir do qual passa a haver uma maioria dos americanos que pensam que a guerra no Iraque foi um erro. Isto coincide com o caso Cindy Sheehan, a mãe de um militar morto no Iraque que montou uma vigília junto ao rancho de George Bush, em Crawford.
2. Este ponto de viragem foi anterior ao da guerra do Vietname, que se deu por altura da ofensiva de Tet. Para ser mais preciso, o ponto a partir do qual a opinião pública american ficou maioritariamente persuadida de que a guerra do Vietname tinha sido um erro foi após a ofensiva de Tet de 1968 (mais de 1200 dias após Rolling Thunder), que revelou que, apesar da derrota militar dos norte-vietnamitas, não havia qualquer esperança de uma vitória rápida dos Estados Unidos. Desde esse momento, não voltou a haver uma maioria na opinião pública americana a favor da guerra.
3. Chillizza menciona um artigo de Novembro de 2005 na Foreign Affairs que, sem desculpa, me tinha passado ao lado: de John Mueller, ainda por cima um professor da minha alma mater. Algumas citações de um artigo que merece ser lido na íntegra:
Comparando a evolução ao longo de várias guerras:
The most striking thing about the comparison among the three wars is how much more quickly support has eroded in the case of Iraq. By early 2005, when combat deaths were around 1,500, the percentage of respondents who considered the Iraq war a mistake -- over half -- was about the same as the percentage who considered the war in Vietnam a mistake at the time of the 1968 Tet offensive, when nearly 20,000 soldiers had already died.
Especulando sobre implicações para as eleições para o Congresso:
"The impact of war discontent on congressional races is less clear. Democrats attempted to capitalize on the widespread outrage over Nixon's invasion of Cambodia in 1970 but were unable to change things much."
Sobre a improbabilidade de inversão da tendência:
"There never were periods of continuous good news in the wars in Korea or Vietnam, so there is no clear precedent here. But should good news start coming in from Iraq -- including, in particular, a decline in American casualty rates -- it would more likely cause the erosion in public support to slow or even cease rather than trigger a large upsurge in support. For support to rise notably, many of those now disaffected by the war would need to reverse their position, and that seems rather unlikely: polls that seek to tap intensity of feeling find that more than 80 percent of those opposed to the war "strongly" feel that way. If you purchase a car for twice what it is worth, you will still consider the deal to have been a mistake even if you come to like the car."
Sobre os limites da comparação entre o Vietname e o Iraque e por que razão isso pode fazer com que uma retirada seja menos dramática:
When the United States was preparing to withdraw from Vietnam, many Americans feared that there would be a bloodbath if the country fell to the North Vietnamese. And indeed, on taking control, the Communists executed tens of thousands of people, sent hundreds of thousands to "reeducation camps" for long periods, and so mismanaged the economy that hundreds of thousands fled the country out of desperation, often in barely floating boats. (What happened in neighboring Cambodia when the Khmer Rouge took over makes even the word "bloodbath" seem an understatement.) (...) Although the consequences of a U.S. withdrawal from Iraq are likely to be messy, they may be less dire. The insurgency in Iraq, albeit deadly and dedicated, represents a much smaller, less popular, and less organized force than the Vietcong did, and it does not have the same kind of international backing. Moreover, many of the insurgents are fighting simply to get U.S. troops out of the country and can be expected to stop when the Americans leave.
E sobre as consequências, essas sim potencialmente catastróficas, do fracasso no Iraque para toda a região:
In the meantime, any country that suspects it may be on the list has the strongest incentive to make the American experience in Iraq as miserable as possible. Some may also come to consider that deterring the world's last remaining superpower can be accomplished by preemptively and prominently recruiting and training a few thousand of their citizens to fight and die in dedicated irregular warfare against foreign occupiers. (....) Ultimately, the chief beneficiaries of the war in Iraq may be Iraq's fellow members of the "axis of evil."
Actualizo os dados sobre a opinião pública americana acerca de uma e outra guerras, aproximadamente no mesmo período de tempo, nos gráficos abaixo:

segunda-feira, abril 17, 2006
Mais Brasil
Uma nova sondagem, da Sensus. Realizada ao mesmo tempo que a sondagem Datafolha, confirma os seus resultados: Lula abaixo da maioria absoluta, Alckmin parou de subir, Garotinho sobe.
Lei eleitoral italiana: correcção
O Sniper fez pontaria e acertou. Ao contrário do que eu tinha dito aqui, o "prémio de maioria", se necessário, atribui-se à coligação mais votada e não à coligação com mais assentos após a exclusão dos partidos que não ultrapassam a cláusula-barreira. O site da Câmara dos Deputados italiana explica (clicar em "Norme", "Legge Elettorale" e "Scheda illustrativa") e espero, desta vez, ter entendido correctamente (partes relevantes em negrito):
I seggi sono ripartiti proporzionalmente in ambito nazionale tra le coalizioni di liste e le liste che abbiano superato le soglie di sbarramento previste dalla legge. Sono ammesse alle ripartizione dei seggi soltanto le coalizioni che abbiano raggiunto almeno il 10% del totale dei voti validi e, al loro interno, le liste che abbiano ottenuto il 2% dei voti, le liste rappresentative di minoranze linguistiche con almeno il 20% dei voti della circoscrizione e la lista che abbia conquistato più voti tra quelle che non hanno conseguito il 2% dei voti.
Partecipano inoltre alla ripartizione dei seggi le liste che non fanno parte di alcuna coalizione, a condizione che abbiano avuto almeno il 4% dei voti a livello nazionale. Alla coalizione di liste (o alla lista non coalizzata) più votata, qualora non abbia già conseguito almeno 340 seggi, è attribuito un premio di maggioranza tale da farle raggiungere il numero di seggi in questione. Le varie fasi della distribuzione dei seggi proporzionali sono le seguenti:
1. Si accerta, nelle circoscrizioni e in ambito nazionale, il totale dei voti conseguiti da ciascuna coalizione o singola lista non collegata e si individua quale di esse ha ottenuto a livello nazionale il maggior numero di voti ai fini dell’attribuzione dell’eventuale premio di maggioranza;
2. Si individuano le coalizioni di liste e le liste non collegate che, superando le soglie di sbarramento, sono ammesse all’assegnazione dei seggi;
3. Si determina su base nazionale il numero di seggi spettanti a ciascuna coalizione di liste o lista non collegata che ha superato la soglia di sbarramento. La ripartizione è effettuata in proporzione ai voti ottenuti con il metodo dei quozienti interi e dei più alti resti;
4. Si verifica se la coalizione di liste o la lista non collegata che ha ottenuto il più alto numero di voti ha cnseguito 340 seggi;
5. In caso positivo, il premio di maggioranza non trova applicazione. I seggi spettanti a ciascuna coalizione sono assegnati alle liste ammesse al riparto che le compongono. Si procede quindi a distribuire in ogni circoscrizione i seggi assegnati in sede nazionale a ciascuna lista ammessa;
6. Se nessuna coalizione di liste o lista non collegata ha ottenuto almeno 340 seggi, si attribuisce a quella di esse più votata il premio di maggioranza, consistente in un numero di seggi pari alla differenza tra 340 e il numero di seggi ad essa assegnati sulla base della ripartizione proporzionale. I 277 seggi rimanenti sono distribuiti tra le altre coalizioni o liste non collegate secondo il metodo dei quozienti interi e dei più alti resti;
7. Si proclamano, nelle diverse circoscrizioni, i candidati eletti secondo l'ordine di successione fissato in ciascuna lista. Se la lista dei candidati è esaurita, si attinge, nell’ordine, alla medesima lista in un’altra circoscrizione, ad un’altra lista della stessa coalizione presentata nella circoscrizione originaria, ovvero in un’altra circoscrizione.
I seggi sono ripartiti proporzionalmente in ambito nazionale tra le coalizioni di liste e le liste che abbiano superato le soglie di sbarramento previste dalla legge. Sono ammesse alle ripartizione dei seggi soltanto le coalizioni che abbiano raggiunto almeno il 10% del totale dei voti validi e, al loro interno, le liste che abbiano ottenuto il 2% dei voti, le liste rappresentative di minoranze linguistiche con almeno il 20% dei voti della circoscrizione e la lista che abbia conquistato più voti tra quelle che non hanno conseguito il 2% dei voti.
Partecipano inoltre alla ripartizione dei seggi le liste che non fanno parte di alcuna coalizione, a condizione che abbiano avuto almeno il 4% dei voti a livello nazionale. Alla coalizione di liste (o alla lista non coalizzata) più votata, qualora non abbia già conseguito almeno 340 seggi, è attribuito un premio di maggioranza tale da farle raggiungere il numero di seggi in questione. Le varie fasi della distribuzione dei seggi proporzionali sono le seguenti:
1. Si accerta, nelle circoscrizioni e in ambito nazionale, il totale dei voti conseguiti da ciascuna coalizione o singola lista non collegata e si individua quale di esse ha ottenuto a livello nazionale il maggior numero di voti ai fini dell’attribuzione dell’eventuale premio di maggioranza;
2. Si individuano le coalizioni di liste e le liste non collegate che, superando le soglie di sbarramento, sono ammesse all’assegnazione dei seggi;
3. Si determina su base nazionale il numero di seggi spettanti a ciascuna coalizione di liste o lista non collegata che ha superato la soglia di sbarramento. La ripartizione è effettuata in proporzione ai voti ottenuti con il metodo dei quozienti interi e dei più alti resti;
4. Si verifica se la coalizione di liste o la lista non collegata che ha ottenuto il più alto numero di voti ha cnseguito 340 seggi;
5. In caso positivo, il premio di maggioranza non trova applicazione. I seggi spettanti a ciascuna coalizione sono assegnati alle liste ammesse al riparto che le compongono. Si procede quindi a distribuire in ogni circoscrizione i seggi assegnati in sede nazionale a ciascuna lista ammessa;
6. Se nessuna coalizione di liste o lista non collegata ha ottenuto almeno 340 seggi, si attribuisce a quella di esse più votata il premio di maggioranza, consistente in un numero di seggi pari alla differenza tra 340 e il numero di seggi ad essa assegnati sulla base della ripartizione proporzionale. I 277 seggi rimanenti sono distribuiti tra le altre coalizioni o liste non collegate secondo il metodo dei quozienti interi e dei più alti resti;
7. Si proclamano, nelle diverse circoscrizioni, i candidati eletti secondo l'ordine di successione fissato in ciascuna lista. Se la lista dei candidati è esaurita, si attinge, nell’ordine, alla medesima lista in un’altra circoscrizione, ad un’altra lista della stessa coalizione presentata nella circoscrizione originaria, ovvero in un’altra circoscrizione.
terça-feira, abril 11, 2006
Da Itália para o Brasil
E porque não convém perder embalagem, nova sondagem sobre as presidenciais brasileiras, da Datafolha. As discrepâncias entre os diferentes institutos são demasiado grandes (e o número de observações demasiado pequeno) para tirar grandes conclusões. Mas não deixa de ser curioso verificar que, em relação à anterior sondagem Datafolha, quem parece ter perdido alguma embalagem é Alckmin (o mesmo sucedendo, aliás, no cenário hipotético de "2º turno" contra Lula). Mas é cedo, muito cedo...
Acabou (?)
Do La Stampa:

Dos votos dos eleitores no estrangeiro resultaram 4 senadores em 6 para a Unione. Maioria relativa então para Prodi no Senado e absoluta na Câmara. Mas a Cdl contesta o resultado e quer recontagem.

Dos votos dos eleitores no estrangeiro resultaram 4 senadores em 6 para a Unione. Maioria relativa então para Prodi no Senado e absoluta na Câmara. Mas a Cdl contesta o resultado e quer recontagem.
O dia seguinte

Retirado do La Stampa.
Unione ganha na Câmara, por 25 mil votos, e permanece indefinição no Senado, se bem que a votação dos eleitores no estrangeiro pareça estar a favorecer Prodi. Seja como for, não haverá maioria absoluta no Senado nem para Unione nem para Cdl, devido aos senadores vitalícios (inclinados à esquerda). A Cdl pede recontagem.
Entretanto, os sondagistas são trucidados:
Elezioni: il flop dei sondaggi
Exit-poll, che disastro
«Sfida già finita alle quindici»: e ora chiamateli pure exit flop
Fim, por hoje
Uma mera curiosidade, porque já só vale a pena contar os votos, mas a oitava (!) projecção apresentada para o Senado continua a dar 7 assentos de vantagem à Cdl, enquanto a terceira (!) projecção para a Câmara dá a Cdl e a Unione empatados com 49,8% (!) e retira a anterior maioria absoluta para a Cdl (!). A Nexus desiste, e deixa de dar projecções de deputados.
Por mim, já esgotei os pontos de exclamação, mas o director da Nexus, ao "Porta a Porta", ainda tem mais um: "são as piores eleições da história!" Bem podes dizê-lo outra vez.
Amanhã prosseguem os jogos.
Por mim, já esgotei os pontos de exclamação, mas o director da Nexus, ao "Porta a Porta", ainda tem mais um: "são as piores eleições da história!" Bem podes dizê-lo outra vez.
Amanhã prosseguem os jogos.
segunda-feira, abril 10, 2006
Mais projecçoes
A projecções mais recentes não mudam nada: às 20.15h (hora portuguesa), continuam a estimar uma maioria absoluta (com o bónus) para a Cdl de Berlusconi quer na Câmara quer no Senado.
Há uma pessoa em cujo lugar em não gostaria de estar hoje: Fabrizio Massa, da Nexus, que esteve a coordenar as sondagens à boca das urnas e as projecções...
Há uma pessoa em cujo lugar em não gostaria de estar hoje: Fabrizio Massa, da Nexus, que esteve a coordenar as sondagens à boca das urnas e as projecções...
Pois...
Projecção Nexus (19.30h hora portuguesa), Câmara:
Cdl: 49,9% (340 deputados)
Unione: 49,6% (277 deputados)
Projecção Nexus (19.00h hora portuguesa), Senado:
Cdl: 49,1% (157 senadores)
Unione: 49,8% (152 senadores)
Cdl: 49,9% (340 deputados)
Unione: 49,6% (277 deputados)
Projecção Nexus (19.00h hora portuguesa), Senado:
Cdl: 49,1% (157 senadores)
Unione: 49,8% (152 senadores)
Maratona
Já se percebeu que isto vai demorar. A projecção para a Câmara já está atrasada mais de duas horas e, tendo em conta o que aconteceu com o Senado, todos já esperam que a vantagem seja, afinal, inferior a 5 pontos. Vai ser preciso contar os votos. Volto depois.
Senado
Se se confirmar a projecção, sete senadores de vantagem é muito pouco para garantir qualquer espécie de governabilidade com coligações tão fragmentadas e com um Senado com tantos poderes como o italiano.
(Uma nova projecção para o Senado -17.45h hora portuguesa - dá 51% para Unione e 49% para Cdl, sem impacto na distribuição de senadores).
(Uma nova projecção para o Senado -17.45h hora portuguesa - dá 51% para Unione e 49% para Cdl, sem impacto na distribuição de senadores).
Primeiras projecções, mais renhido do que parecia (17.00h)
As primeiras projecções - não sondagens, mas sim dados de sondagens combinados com dados do apuramento - são para o Senado: 50,4% para a Unione, 48,6% para a Cdl. Mais renhido do que era sugerido pelas sondagens à boca das urnas (que davam 50-54% para a Unione e 45-49% para a Cdl). Ainda não há, que eu saiba, projecções para a Câmara dos Deputados...
Itália, actualização 16.35h
Itália, actualização
Segundo os dados da sondagem à boca das urnas por partido, parece que as contas podem ter corrido mal a Berlusconi. Os pequenos partidos da Unione aparecem com estimativas acima dos 2%, à excepção da UDEUR, ao passo que a CD/Psi e a Alternativa Sociale da coligação de Berlusconi aparecem abaixo dos 2%.
Itália, 1ª sondagem boca das urnas, 15.01h (hora italiana)
Unione (Prodi): 50-54
Cdl: (Berlusconi): 45-49
Aposta-se já, portanto, num vencedor em termos de votos. Mas a conversa no que respeita a assentos pode ser outra...
Cdl: (Berlusconi): 45-49
Aposta-se já, portanto, num vencedor em termos de votos. Mas a conversa no que respeita a assentos pode ser outra...
Itália, a menos de duas horas
Originais em tudo, os italianos encerram as urnas às 15.00h de segunda-feira, ou seja, 14.00h de Lisboa. As últimas sondagens, divulgadas a 15 dias das eleições, apontavam para um resultado que andaria entre os 52 e os 54% para a Unione de Prodi.
Contudo, muita atenção ao que se segue. Por um lado, sempre foram 15 dias. Por outro lado, há o sistema eleitoral. E o sistema eleitoral implica o seguinte:
1. Todos os partidos integrados numa coligação que obtenham menos de 2% dos votos (e todos os partidos foram de coligações que tenham menos de 3% dos votos) não elegem deputados, ou seja, ficam excluídos por uma cláusula-barreira.
2. Em princípio, isto não deverá afectar a Liga Norte ou os Democratas Cristãos membros da Casa de Berlusconi, que, em 2001, tiveram mais de 3% dos votos.
3. Contudo, isto pode afectar seriamente a eleição de deputados por parte de todos os partidos da Unione com excepção do Ulivo e da Refundação Comunista.
4. Acresce a isto que há um "bónus" para a coligação mais votada, garantindo-lhe pelo menos 340 assentos parlamentares em 630, ou seja, uma maioria absoluta.
5. Eu disse coligação "mais votada"? Não é bem "mais votada": é mais votada depois de redistribuidos os votos dos partidos que não passaram a cláusula-barreira de 2%, ou seja, com toda a probabilidade, vários partidos da Unione.
6. Logo, é perfeitamente possível que a Unione tenha mais votos que a Casa, mas fique com menos após a redistribuição e que, logo, seja a Casa de Berlusconi fique com o bónus e, logo, com uma maioria absoluta, apesar de ter, em absoluto, menos votos!
Contudo, muita atenção ao que se segue. Por um lado, sempre foram 15 dias. Por outro lado, há o sistema eleitoral. E o sistema eleitoral implica o seguinte:
1. Todos os partidos integrados numa coligação que obtenham menos de 2% dos votos (e todos os partidos foram de coligações que tenham menos de 3% dos votos) não elegem deputados, ou seja, ficam excluídos por uma cláusula-barreira.
2. Em princípio, isto não deverá afectar a Liga Norte ou os Democratas Cristãos membros da Casa de Berlusconi, que, em 2001, tiveram mais de 3% dos votos.
3. Contudo, isto pode afectar seriamente a eleição de deputados por parte de todos os partidos da Unione com excepção do Ulivo e da Refundação Comunista.
4. Acresce a isto que há um "bónus" para a coligação mais votada, garantindo-lhe pelo menos 340 assentos parlamentares em 630, ou seja, uma maioria absoluta.
5. Eu disse coligação "mais votada"? Não é bem "mais votada": é mais votada depois de redistribuidos os votos dos partidos que não passaram a cláusula-barreira de 2%, ou seja, com toda a probabilidade, vários partidos da Unione.
6. Logo, é perfeitamente possível que a Unione tenha mais votos que a Casa, mas fique com menos após a redistribuição e que, logo, seja a Casa de Berlusconi fique com o bónus e, logo, com uma maioria absoluta, apesar de ter, em absoluto, menos votos!
Popularidade líderes Abril
Com a divulgação do estudo da Eurosondagem, é possível actualizar o gráfico apresentado antes aqui. O que se faz, recorde-se, é:
1. Recorrer aos Barómetros Marktest (TSF, DN) e Eurosondagem (Expresso, SIC, RR), nas questões de avaliação da actuação dos líderes políticos;
2. Calcular um índice (2*% "Positiva" + %"Assim-assim;Ns;Nr)/2, que varia entre 0 e 100;
3. Calcular valores para cada mês do ano, limpos de "house effects".

Sampaio termina em Março com um score de 81 pontos em 100. Cavaco entra em Março com 64,4 pontos mas já subiu em Abril para 68,8. Sócrates prossegue recuperação de popularidade iniciada após as autárquicas, estando a menos de 10 pontos do score verificado no primeiro mês de governação. Mendes está estável, com menos 10 pontos do que tinha quando assumiu, há um ano, a liderança do PSD.
1. Recorrer aos Barómetros Marktest (TSF, DN) e Eurosondagem (Expresso, SIC, RR), nas questões de avaliação da actuação dos líderes políticos;
2. Calcular um índice (2*% "Positiva" + %"Assim-assim;Ns;Nr)/2, que varia entre 0 e 100;
3. Calcular valores para cada mês do ano, limpos de "house effects".

Sampaio termina em Março com um score de 81 pontos em 100. Cavaco entra em Março com 64,4 pontos mas já subiu em Abril para 68,8. Sócrates prossegue recuperação de popularidade iniciada após as autárquicas, estando a menos de 10 pontos do score verificado no primeiro mês de governação. Mendes está estável, com menos 10 pontos do que tinha quando assumiu, há um ano, a liderança do PSD.
sexta-feira, abril 07, 2006
Vietname e Iraque
Fonte: Gallup (dados disponíveis aqui e aqui)
Questão 1: "In view of the developments since we entered the fighting in Vietnam, do you think the U.S. made a mistake sending troops to fight in Vietnam?" Gráfico mostra % daqueles que respondem afirmativamente. No eixo x, dias desde operação Rolling Thunder.
Questão 2: "In view of the developments since we first sent our troops to Iraq, do you think the United States made a mistake in sending troops to Iraq, or not?" Gráfico mostra % daqueles que respondem afirmativamente. No eixo x, dias desde invasão do Iraque.
(Clicar na imagem para ver melhor)

Não creio que precise de comentários.
Questão 1: "In view of the developments since we entered the fighting in Vietnam, do you think the U.S. made a mistake sending troops to fight in Vietnam?" Gráfico mostra % daqueles que respondem afirmativamente. No eixo x, dias desde operação Rolling Thunder.
Questão 2: "In view of the developments since we first sent our troops to Iraq, do you think the United States made a mistake in sending troops to Iraq, or not?" Gráfico mostra % daqueles que respondem afirmativamente. No eixo x, dias desde invasão do Iraque.
(Clicar na imagem para ver melhor)

Não creio que precise de comentários.
quinta-feira, abril 06, 2006
Brasil
Saiu uma sondagem do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social, no Jornal do Brasil. Vamos ter calma e, com a continuação, tentar perceber se as diferenças entre as sondagens estão a reflectir apenas erro amostral e diferenças entre métodos ou se, pelo contrário, reflectem mudança nas intenções de voto. Certo é que Lula tem menos 7 pontos do que na sondagem de 11 de Março, enquanto Alckmin subiu 9. A seguir com atenção.
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