segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Rescaldo

Os resultados provisórios do referendo de ontem são conhecidos:

Portugal:
Sim: 59,25%
Não: 40,75%

Continente:
Sim: 60,3%
Não: 39,7%

Apesar de serem provisórios, escusamos de estar com excessivos preciosismos e podemos partir deles para avaliar como correram as sondagens.

1. Pré-eleitorais: seguindo a sugestão deste leitor, os resultados das sondagens pré-eleitorais devem de facto ser comparados com os resultados no Continente e não com os resultados nacionais, dado que o universo destas sondagens é o conjunto dos eleitores no Continente. Noutras eleições isso costuma fazer pouca diferença, mas neste referendo (tal como em 1998) a inclinação forte dos Açores e da Madeira para o "Não", em contraste com o resto do país, fazem com que, apesar de tudo, haja uma diferença de um ponto percentual em relação aos resultados nacionais.



Olhando para o quadro anterior, é fácil perceber que TNSEuroteste, Intercampus e Católica (por esta ordem) foram quem, a uma semana ou pouco menos das eleições, mais se aproximaram daqueles que vieram a ser os resultados finais. Já a Aximage, apesar de, curiosamente, ter um trabalho de campo mais tardio, ficou um pouco mais longe que os outros três institutos. A Eurosondagem mais longe ainda. Andava, aliás, desalinhada dos restantes institutos desde o início, e assim continuou no fim. Compare-se isto com as presidenciais e os desvios na estimação dos resultados de Cavaco Silva ou com as legislativas e os desvios na estimação dos resultados do PS para percebermos como os referendos trazem, apesar de tudo, mais dificuldades do que outras eleições.

2. Sondagens boca das urnas: aqui, a comparação deve ser com os resultados nacionais. Nuns casos porque, verdadeiramente, os institutos de sondagens conduziram trabalho de campo nas regiões. Nos outros porque, mesmo que não haja trabalho de campo nas ilhas, as ditas "projecções" têm sempre ajustamentos de forma a poderem inferir de alguma forma esses resultados e o seu impacto nos resultados nacionais.



Neste caso, foi a Católica que ficou mais perto, mas as diferenças entre os diversos institutos são reduzidas: as projecções estiveram fundamentalmente correctas.

Em resumo: o cepticismo em relação às sondagens eleitorais que davam uma vantagem confortável ao Sim era exagerado. Isto é uma boa notícia: que se consiga fazer sondagens relativamente precisas em eleições com 56% de abstencionistas significa que há boas práticas na estimação dos votantes prováveis.

sábado, fevereiro 10, 2007

Correcção

Sem querer perturbar a vossa "reflexão", um e-mail de um leitor:

"No quadro do seu post "As sondagens de 1998" há um detalhe que talvez não seja muito rigoroso - é que não se pode comparar os valores das sondagens com os resultados nacionais globais: por norma, as sondagens são só feitas em Portugal continental. Ora, no "continente" o resultado não foi "49,1% - Sim; 50,9% - Não", foi mais algo como "50,3% - Sim; 49,7% - Não", o que quer dizer que as sondagens não falharam tanto como isso (pelo menos acertaram no vencedor, no contexto da população estudada)."

O leitor tem razão.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Factores de incerteza

E na verdade, são boas as razões para esse sentimento de incerteza:

1. Começa por aqui: sondagens realizadas num curto intervalo de tempo chegam a conclusões bastante diferentes sobre a relação de forças entre intenções de voto "Sim" e "Não". É quase certo que, no momento em que foram feitas, se possa dizer que entre os eleitores as intenções em votar "Sim" eram mais numerosas que as intenções em votar "Não". Mas quanto mais numerosas? E acresce a isto a percentagem considerável daqueles que dizem tencionar votar mas que se encontram indecisos (entre 6 e 17%). Nas legislativas de 2005, por exemplo, não passavam, na pior das hipóteses, de 10%.

2. Continua por aqui: reparem, por exemplo, na notável estabilidade das intenções de voto nas legislativas. Vejam como só nas sondagens da última semana essa estabilidade foi quebrada nas presidenciais. E como tudo tem sido diferente e mais volátil neste referendo. Nada disto é inesperado:

"The dynamics of a referendum campaign can often be harder to anticipate than those of an election, and the breadth of participation of the electorate cannot always be assumed. It follows, therefore, that the outcome of many referendums is not easily predictable, even in some cases where the distribution of public opinion on the issue of the referendum is well known. The short term perceptions of the referendum question on the part of voters, the images that they may hold of the groups and individuals involved, or their reactions to the discourse of the campaign, can be as important to the voting decision as their opinions or beliefs on the fundamental issue itself. While longer term factors such as partisanship or ideology may also be important, the short-term impact of campaign strategies and tactics can often make a substantial difference in determining referendum outcomes. A referendum presents a somewhat different set of choices to the voter than does an election. No political parties or candidate names appear on the ballot. In a referendum, unlike an election, voters must decide among alternatives that are sometimes unfamiliar and perhaps lacking in reliable cues. One might therefore expect a greater degree of volatility and uncertainty in referendum voting behaviour than is typically found in elections."

3. Aumenta quando olhamos para isto. Nenhuma sondagem em 1998 foi feita a tempo de tirar uma fotografia que fosse igual àquilo que, vários dias depois, acabou por suceder. Quem nos diz que a dinâmica de 2007 não é semelhante?

Dito isto, não quero que se saia daqui só com dúvidas absolutas. Há, pelo menos, uma afirmação probabilística que se pode fazer na base dos dados disponíveis: as chances de vitória do "Sim" são maiores hoje do que em 1998. A vantagem do "Sim" parece ser maior a menos tempo da eleição do que era em 1998 a mais tempo (não esquecer que as últimas sondagens de 1998 foram realizadas com maior distância do dia do referendo). É altamente provável que a participação eleitoral seja mais elevada o que, em princípio - "em princípio", noto - deverá favorecer o "Sim". Mas certezas? Impossível.

E agora, chega de sondagens. O que conta é o voto.

P.S.- Desculpem todas as "auto-ligações", mas foi para poupar tempo.

As sondagens interpretadas na imprensa

As expectativas partilhadas pelos jornalistas sobre o que irão ser os resultados são facilmente inferidas na base do tratamento dado às sondagens na imprensa.

1. Destaque de primeira página no Expresso para os votos válidos no "Sim": 53,1%.

2. Jornal de Notícias: 58% na primeira página, mas em letra pequena. Ênfase na peça à possível desmobilização dos jovens.

3. Público: é quase preciso virar o jornal do avesso para descobrir os 62% e toda a ênfase da peça é na "descida" do Sim e nos factores de incerteza.

Em resumo: independentemente dos resultados das sondagens, a incerteza é grande e ninguém acredita em vantagens confortáveis do "Sim".

Interlúdio

«A Universidade Católica, que é um instrumento do não, apresentou a espantosa sondagem de 16% de diferença para o sim, pretendendo que as pessoas não votem. Temos que garantir todos os votos, porque em 1998 as sondagens davam a vitória ao sim e depois tal não aconteceu, por um voto se ganha e por um se perde», afirmou Jerónimo de Sousa, num encontro realizado no Ginásio Atlético Clube, na Baixa da Banheira.

Dispersão

É grande. Reparem, de uma forma muito simples, nas sondagens divulgadas na última semana nas legislativas de 2005, nas presidenciais de 2006 e agora:




Em 2005 e 2006, as sondagens davam estimativas muito aproximadas para a votação no PS ou em Cavaco. Hoje, 9 pontos separam as estimativas máxima e mínima para o "Sim".

Tendências 2

Para perceber se há mudanças significativas de curto prazo, corri uma regressão linear simples com a percentagem de votos válidos no "Sim" como variável dependente e variáveis independentes "dummy" (o e 1) medindo se uma sondagem foi realizada por este ou aquele instituto e três variáveis "temporais": "Antes de Janeiro" (sondagens realizadas entre Outubro e Dezembro); "Janeiro"; e "Fevereiro". Eis os resultados:





A interpretação é simples: quando controlamos os efeitos do facto de diferentes sondagens terem sido realizadas por diferentes institutos, a estimativa de votos válidos no "Sim" tem vindo sempre a descer: 65% antes de Janeiro, 61% em Janeiro e 57% em Fevereiro. Esta análise está muito condicionada pelo facto de termos poucos casos (21 sondagens) e do "mix" concreto de institutos que realizaram sondagens em determinados períodos de tempo. Mas é o que se pode (ou o que sei) fazer. Os valores estimados para cada período visam apenas avaliar a existência de tendências estatisticamente significativas. E confirma-se também a Eurosondagem como "outlier", com estimativas significativamente abaixo das dos restantes institutos ao longo do período (o que não significa uma avaliação da precisão de uns ou outros).

Tendências 1

O que nos dizem as últimas sondagens à luz daquilo que já sabíamos sobre a evolução das intenções de voto?

Olhando para os dados em conjunto, continua a ser manifesta uma tendência de "médio prazo" de descida dos votos válidos no "Sim" a partir do início de Janeiro. Mas o declive tornou-se menos acentuado com as últimas sondagens.

As últimas sondagens

(Aditado no que respeita à TNSEuroteste)


Cá vamos nós. Relembrando as regras básicas:

1. Coloco apenas a informação publicada nos jornais ou que se pode inferir directamente dessa informação;

2. Nas "intenções directas de voto", excluo a abstenção declarada ou estimada da base de cálculo, deixando apenas intenções "Sim", "Não", e "Indecisos/Não respostas". Isto sucede porque, nalguns casos, os institutos apresentam valores para a abstenção declarada, enquanto noutros parece evidente que os valores apresentados resultam de uma estimativa que não sei como é feita em cada caso.

3. No caso da sondagem Intercampus, não posso fazer o que descrevo no ponto anterior, porque a peça no Público não apresenta a percentagem daqueles que, entre todos os inquiridos, disseram tencionar votar mas não saber ainda como. É possível que a questão nem tenha sido colocada assim, tendo em conta que no Público se divulgam os resultados das respostas a uma escala sobre "clareza do voto". É possível que esta escala tenha sido usada para ponderar os votos. Mas não sei.

4. A minha informação sobre a sondagem TNS Euroteste foi retirada de um despacho da Lusa e com a ajuda de uma amável jornalista que lá trabalha. Mas vou ainda hoje comprar o Sol - uma estreia - para confirmar.

5. Há quatro casos - Católica, Intercampus, Eurosondagem e TNSEuroteste - em que, para além das intenções directas de voto, são dadas na imprensa estimativas de votos válidos, invariavelmente partindo da pressuposição da abstenção dos indecisos. Apresento essas estimativas. No caso da Aximage, sou eu quem aplica essa pressuposição, com o mero fim analítico de tornar todas as sondagens comparáveis entre si e com os resultados eleitorais.


quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Últimas sondagens: Eurosondagem

Aqui.

Últimas sondagens: Intercampus e Católica

Aqui e aqui. Amanhã com mais calma...

Últimas sondagens: Aximage

Está aqui. A divulgação da ficha técnica ficou adiada para amanhã.

Sim: 52,6%
Não: 41,5%
Indecisos: 5,9%

Se, apenas para o fim de tornar esta sondagem comparável com outras e com resultados eleitorais, redistribuirmos os indecisos proporcionalmente pelas opções válidas, ficamos com 56% para o Sim e 44% para o Não. Em relação à anterior sondagem da Aximage, isto representa uma estabilização das intenções de voto.

Hoje haverá mais duas, pelo menos.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Heresthetics

Por estes dias, já só consigo pensar no grande William Riker.

" 'Democratic political outcomes (...) are an amalgamation that often operates quite personally and unfairly, giving special advantages to smarter or bolder or more powerful or more creative ot simply luckier participants' (Riker 1982, p. 200). The outgrowth of the indeterminacy Riker sees in democratic regimes is a type of political entrepeneurship he labels heresthetic. This is the art of creating successful coalitions by reframing alternatives, so that people are induced or compelled to join without necessarily being persuaded to the leader's point of view."

Linda L. Fowler, recensão de The Art of Political Manipulation


"The classic heresthetic is reducing or increasing dimensionality. Thus, when 'a person expects to lose on some decision, the fundamental heresthetical device is to divide the majority with a new alternative, one that he prefers to the alternative previously expected to win. (...) A pure heresthetic does not shape preferences but structures a situation so that other participants must act in a way that suits the heresthetician's interests even though the former's preferences remain unchanged."

Andrew Taylor, Stanley Baldwin, heresthetics and the realignment of British politics


"Advocates attempt to manipulate preferences in several ways. (...) However, the most frequently attempted manipulation - and the one to which advocates devote most of their creative energy and time - is the formulation and presentation of 'interpretations' of various policy proposals. (...) An 'interpretation' consists on a set of arguments about the consequences of the policy proposal. (...) The aim of each interpretation is to emphasize a dimension of judgement what will lead people to prefer on policy proposal over competing, alternative proposals."

Richard Lau et al, Political Beliefs, Policy Interpretations, and Political Persuasion.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Sobre a importância do "centro" num referendo...

"Asked for their views in an opinion poll prior to or at an early stage of the campaign, the pragmatists might well have shown sympathy for change. However, these views would not have been particularly strongly held and would have been likely to be susceptible to change. In short, the hypothesis would be that the centrists or pragmatists swung from YES to NO over the course of the campaign because they were open to persuasion. (...) It is essential to take the intensity and salience of voters' (and non-voters) opinions into account and (...) these two features are likely to vary systematically depending on voters' proximity to the centre of the distribution of opinion."

Richard Sinnott, in Cleavages, parties and referendums: Relationships between representative and direct democracy in the Republic of Ireland.


"Another explanation for the no-side's success is that they were able to set the agenda and claim the middle ground. In this light, the Danish referendum seems to fit the patterm know as "the opinion reversal referendum". Canadian psephologist Larry LeDuc has found that the yes-side in a referendum often loses if the no-side captures the centre ground. (...) Therefore, while the government is often ahead when the referendum is called, the no-side often closes the gap - if it succeeds in appealing to the median voter."

Mads H. Qvortrup, in How to Lose a Referendum: the Danish Plebiscite on the Euro.

Trend a 5 de Fevereiro


Regressão local (smoothing) aplicada à percentagem de votos "Sim" em estimativas de resultados eleitorais.

Sondagem Aximage

Com a sondagem divulgada ontem, o quadro completo até ao momento fica assim:

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Reflexões irlandesas para o fim de semana

Ando para aqui a reler umas coisas antigas sobre referendos, e reencontro um artigo que teria valido muito a pena ler em 1998 e que volta a ser útil agora. Para quem tiver acesso à B-On ou ao JSTOR , chama-se Referendum Dynamics and the Irish Divorce Amendment.

Para quem não tiver acesso ao artigo, é sobre o referendo de 1986 na Irlanda, onde se votou sobre o levantamento de uma proibição constitucional do divórcio. Os factos descrevem-se rapidamente: em Fevereiro e Abril de 1986, havia maiorias claras nas sondagens a favor do "Sim"; em Junho, o "Não" ganhou. Onde é que eu já ouvi isto?

Darcy e Laver discutem várias hipóteses explicativas desta mudança maciça de opinião, à luz de outros exemplos de "opinion reversal" em referendos nos Estados Unidos: referendos sobre a fluorização da água e de ratificação da Equal Rights Amendment. E concluem duas coisas sobre aquilo que faz com que uma aparente maioria na opinião pública antes de uma campanha possa ser convertida numa derrota eleitoral:

1. A primeira, negando a ideia de que os eleitores estavam "confusos", e sugerindo, pelo contrário, que tomaram uma decisão "racional" (sem que isto seja um juízo de valor) na base da maneira como o assunto acabou por lhe ser apresentado:

"Voters favoring a limited form of divorce but voting no may not have been confused at all. Rather, they could well have adopted these superficially contradictory positions because they were not certain that only a limited form of divorce could be maintained once the constitution was amended. And we should note that the allegedly inexorable drift that would take place toward 'divorce on demand' was another key plank in the campaign of the antis. (...) This suggests the shift away from support for the divorce amendment was a shift away from the details of one specific proposal, not a shift away from support for divorce itself"


2. A segunda, sugerindo que um dos factores explicativos para a derrota do "Sim" foi o crescente afastamento das elites políticas da campanha e a transformação da campanha num "conflito comunitário":

"Wary both of internal splits and of finding themselves on the wrong side of an increasingly divisive issue, established elite organizations begin to develop strategies for avoiding participation. As a resulf of this, ad hoc groups outside the political elite carry on the struggle for both sides and 'finally, with the widening of the conflict, the tone of the debate shifts to one fo antagonism, personal slander, and overt hostility' (Boles, 1979, 18). Elite withdrawal from an increasingly ugly campaign, fought using techniques that often break the established rules of the game, appears to the public as elite doubt over the issue at stake. The proposed change thereby loses legitimacy and the result is defeat for the proposal. "

Dito isto, uma nota menos pessimista para o "Sim": em 1995, um novo referendo sobre o tema foi aprovado. Dessa vez, como se explica neste paper do Michael Gallagher, havia mais partidos a favor do "Sim" e os anteriores oposicionistas tiveram posições mais ambíguas (onde é que eu já ouvi isto?) Mas a verdade é que a nova proposta tomava em conta várias das preocupações sobre liberalização ilimitada (legítimas ou não, é indiferente) que tinham surgido em 1986. E que mesmo assim, ganhou por apenas 50,3% contra 49,7%...

Bom fim de semana.

Papel e caneta

Enviada por um amigo, uma notícia que nos ajuda a perceber melhor o futuro radioso da "democracia electrónica":

Florida Moves to End Touch-Screen Voting
Gov. Charlie Crist today announced plans today to abandon the touch-screen voting machines that many of Florida's largest counties installed after the disputed 2000 presidential election, instead adopting a statewide system of casting paper ballots counted by scanning machines. (ler mais)

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Sondagem IPOM

Noticiada aqui. Sugiro cautela com a interpretação dos "votos válidos". Primeiro, como sucede noutras ocasiões, são cálculo meu, não do órgão de informação ou do instituto. Segundo, porque 45,6+37,2+8,8+3,4=95, e não sei o que foi feito dos 5% que faltam. É possível que a notícia esteja incompleta de alguma forma ou que eu não a tenha intepretado correctamente, apesar de a ter relido várias vezes. Seja como for, imputo os 5% em falta aos Ns/Nr. Para quem não se recorda do que é o IPOM, fará melhor em ver aqui.

Ségo-Sarko


Sarko continua em crescendo.

Campanhas, 2

Esta notícia é interessante e intrigante. Parto sempre do princípio que os actores políticos são racionais e conhecem muito melhor a estrutura de custos e benefícios de uma decisão do que os "analistas" e "comentadores". Logo, quando não percebo uma decisão, tendo a concluir imediatamente que não tenho informação ou argúcia suficiente para a perceber. É este o caso: não entendo a posição de António Costa, logo, haverá qualquer coisa que não estou a ver bem.

O que me parecia que o "Não" tinha de fazer nesta campanha, e tem feito muito bem, é com que os eleitores não se limitem a ver neste referendo apenas uma decisão sobre a "despenalização do aborto", reenquadrando o tema de forma a que ele apareça como um referendo sobre o respeito pela vida, sobre a ordem social e moral onde queremos viver e sobre onde vai parar o dinheiro dos nossos impostos, por exemplo. E o "Não" teria também de sugerir, como tem feito, a existência de uma incerteza fundamental sobre o "day after" de uma vitória do "Sim": aumento do número de abortos, desregulação, abortos a passarem à frente de intervenções cirurgicas, despenalização "na prática" de abortos depois das 10 semanas, etc, etc, etc.

Isto parece-me uma boa estratégia a dois níveis. Por um lado, joga bem com o facto dos eleitores serem avessos ao risco: o que existe pode ser mau, mas se o que vem tanto pode ser melhor como pode ser pior, é melhor ficar como estamos. Por outro lado, como o "day after" de uma vitória do "Sim" pode ter várias configurações diferentes, importa que o eleitor o conceba como trazendo aquela que é a configuração mais radical de todas: o modelo de "período" - escolha livre ilimitada da mulher dentro de um determinado período de tempo - em vez de um modelo de "distress", em que, apesar da decisão última ser da mulher dentro de um determinado período e dessa decisão não ser penalizada, o aborto continua a ser visto como excepção e alguma espécie de aconselhamento ou mesmo dissuasão são obrigatórios, solução, de resto, comum na Europa. Visto à luz da primeira alternativa, o "Sim" pode aparecer aos eleitores como sendo demasiado extremista e radical, desmobilizando os moderados e reduzindo os votantes - como sucedeu em 1998 - aos "núcleos duros" de cada opção.

Nestas circunstâncias, sabendo como praticamente metade dos portugueses acha que a "vida" começa na concepção - mesmo que não vejam necessariamente essa vida como detentora dos mesmos direitos de uma pessoa humana - ou que a maioria dos portugueses acha que a escolha da mulher não pode ser ilimitada, o "Sim" teria de fazer duas coisas. Uma seria abandonar o discurso da "barriga é minha". Isso foi feito, apesar de tudo, com consideráveis rigor e disciplina. A outra seria tentar persuadir os eleitores - partindo do princípio que tal coisa é possível - que o "day after" de uma vitória do "Sim" não traria necessariamente incerteza, desregulação e radicalismo, mas sim uma solução que, apesar de tudo, poderia aparecer como moderada, de compromisso, e logo de equilíbrio e estável para o futuro. Que, uma vez mais, o poder político não iria usar o referendo apenas para se desresponsabilizar, obtendo uma decisão dos eleitores mas deixando depois o "day after" ao acaso. No passado, o "Não" sempre tomou muita atenção a este aspecto, explicando que, apesar de defender a manutenção da penalização, haveria no "day after" de uma vitória do "Não" um esforço em matéria de planeamento familiar e de apoio social.

António Costa, contudo, quer silêncio absoluto sobre o "day after". Do ponto de vista estrito do resultado do referendo, a decisão parece, à primeira vista, péssima. Mas é possível que António Costa ache que vitória do "Sim" está "no papo", ou que, apesar das dúvidas, é sempre preferível não se comprometer com nada que não saiba se vai querer cumprir. Ele lá saberá.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Amostras voluntárias

Não me passava pela cabeça, inicialmente, escrever sobre este assunto, que é o tipo de coisas que me costumam passar por baixo do radar. Mas começa a ser evidente que muitas pessoas parecem estar persuadidas de que os resultados do "Big Brother Grandes Portugueses" são representativos de alguma coisa. De facto, de alguma coisa serão representativos, mas da opinião da população portuguesa não serão certamente. Vamos lá então à história clássica, já contada mil e uma vezes em aulas de cadeiras de metodologia das ciências sociais ou de estudos de opinião pública:

"The first rule of survey sampling is that respondents cannot select themselves. Self-selection introduces socioeconomic and demographic biases; "man-on-the-street" polls, straw polls, call-ins, and mail-ins all violate this rule. Most online polls are also not scientific in nature and should be taken as entertainment. One example of the impact of poor methodology on poll results is the 1936 Literary Digest poll. 10 million ballots were mailed to households listed in telephone directories or state auto registrations. This introduced significant biases since, in 1936, Republicans were more likely than working class Democrats or Southern farmers to have phones or cars. 2.4 million ballots were returned, but this type of mail-in return allows people to self-select as poll respondents. The problem with self-selection is that people who respond to mail surveys tend to be better educated, have higher incomes, and feel more strongly about the matters dealt with in the questionnaire than the general population. As a result of so many errors, the poll incorrectly predicted that Republican Gov. Alf Landon of Kansas would defeat Democrat Franklin Delano Roosevelt for President. "

Aliás, foi nestas eleições que um jovem chamado George Gallup começou a construir o seu império e mudou a face das sondagens e dos estudos de opinião pública.

Outra história que já nos poderá ser mais familiar é a "vitória" de Santana Lopes no debate com Sócrates na SIC Notícias em Fevereiro de 2005. Como ilustração das virtudes do método, basta.

E isto não é uma "crítica" aos "Grandes Portugueses". Criticar o quê? "Should be taken as entertainment". Nem mais, nem menos.

P.S.- Sobre o assunto, ler Rui Ramos, no Público.

P.P.S. - Certo, certo, mas já agora vale a pena explicar porquê: quando se trata de amostras de populações humanas, o facto de alguém de recusar a fornecer informação faz desde logo com que a informação recolhida provenha de uma amostra auto-seleccionada. Mas a diferença está em que o processo de selecção não é ele próprio enviesado, para além de que se pode recolher alguma informação sobre quem recusou e procurar com ela corrigir os enviesamentos causados pelas não-respostas. Numa amostra de um call-in, tudo, do princípio ao fim, está fora de controlo.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Trends 1998/2007


Regressões locais (smoothing) aplicadas à percentagem de votos "Sim" em estimativas de resultados eleitorais.

Sondagem Markest

Divulgada hoje no DN, mas realizada antes da sondagem da Católica divulgada na passada 6ª feira (na ficha técnica - .pdf. - publicada no DN vem 20 de Outubro de 2006, mas é evidentemente um lapso: deverá ser 19 de Janeiro, tal como vem na TSF). Lista actualizada:

terça-feira, janeiro 23, 2007

As sondagens em 1998

As incertezas e contradições que resultam da leitura do quadro apresentado aqui fazem com que, desta vez, antecipe um exercício que costumo deixar para os últimos dias antes das eleições, a saber, a análise das sondagens pré-eleitorais em actos eleitorais anteriores. Fui pescar aos arquivos as sondagens divulgadas pelo Público, Diário de Notícias, Expresso, Independente e Visão nos três meses que antecederam o referendo de 1998 (é possível que me tenha falhado uma ou outra, mas procurei ser exaustivo).

Apresento-as da mesma forma que venho adoptando para as sondagens do referendo de 11 de Fevereiro: excluindo abstencionistas e apresentando apenas intenções directas de voto e estimativas de resultados (sem brancos e nulos). Sempre que um órgão de comunicação não apresentou estimativas, limitei-me a redistribuir indecisos proporcionalmente, para comparar resultados entre si e com resultados eleitorais. Quando essas estimativas foram divulgadas, apresento os resultados tal como foram apresentados na imprensa. As fichas técnicas costumavam ser mais incompletas do que são hoje, mas procurei interpretá-las o melhor que pude para dar a informação metodológica. Recordem-se, por fim, que até 2000 não era possível divulgar sondagens na última semana antes do acto eleitoral.



Lendo artigos recentes na imprensa sobre as sondagens de 1998 e alguns comentários nos blogues, até parece que os resultados do referendo apanharam toda a gente de surpresa. Na época, eu nem estava no país e não acompanhei isto, mas não pode ter sido bem assim.

É verdade que a Euroexpansão (não confundir com a Eurosondagem) dava, a um mês do referendo, nada menos que 86% de intenções de votos válidos para o "Sim". E é também verdade que, a duas semanas do referendo, o Centro de Sondagens da Universidade Moderna dava uma vantagem de 22 pontos para o "Sim" em votos válidos. Mas olhem para as sondagens da Metris em Abril e Maio, para já não falar das duas sondagens realizadas mais perto do dia (Metris e Católica, esta última sem divulgação dos resultados brutos na imprensa). Para quem olhava para isto com olhos de ver, não teria sido preciso muito para perceber que, com a dinâmica de descida do "Sim" evidente na comparação das várias sondagens Metris, SIC/Visão e Católica ao longo do tempo, e com uma mera vantagem de 4 a 5 pontos a mais de uma semana do referendo, o resultado final só podia ser incerto. Hindsight ajuda sempre, claro. Mas se, na altura, alguém tinha certezas sobre a vitória do "Sim", então era porque não tinha pensado muito sobre o assunto.

O que nos diz isto que possa servir para a situação actual? A verdade é que suscita mais dúvidas que certezas. Por um lado, parece evidente que as dificuldades que um referendo - e em particular um referendo num tema como este - coloca à capacidade de descrever e prever intenções de voto (descritas aqui ou aqui, por exemplo) não são inultrapassáveis. Mas por outro lado, diz-nos também que aquilo que a maioria das sondagens está a dizer não é necessariamente o que estará mais próximo da realidade. É possível que os actuais resultados da Eurosondagem vão suscitando algum cepticismo quando confrontados com os obtidos pelos outros institutos, e esse é, confesso, o meu primeiro e imediato instinto (mais sondagens a dizer uma coisa que outra). Mas quem nos diz que esse cepticismo não é igual àquele que foi certamente suscitado pelos resultados que a Metris ia obtendo nos meses de Abril e Maio de 1998?

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Leituras

Muito recomendáveis no momento actual:

1. Um número especial do European Journal of Political Research (volume 41, nº 6) sobre referendos;

2. Lawrence LeDuc, "Referendums and Elections: How do Campaigns Differ?" (.pdf)., um paper que depois veio a aparecer depois, adaptado, neste livro. Duas citações potencialmente interessantes:

"The dynamics of a referendum campaign can often be harder to anticipate than those of an election, and the breadth of participation of the electorate cannot always be assumed. It follows, therefore, that the outcome of many referendums is not easily predictable, even in some cases where the distribution of public opinion on the issue of the referendum is well known. The short term perceptions of the referendum question on the part of voters, the images that they may hold of the groups and individuals involved, or their reactions to the discourse of the campaign, can be as important to the voting decision as their opinions or beliefs on the fundamental issue itself. While longer term factors such as partisanship or ideology may also be important, the short-term impact of campaign strategies and tactics can often make a substantial difference in determining referendum outcomes. A referendum presents a somewhat different set of choices to the voter than does an election. No political parties or candidate names appear on the ballot. In a referendum, unlike an election, voters must decide among alternatives that are sometimes unfamiliar and perhaps lacking in reliable cues. One might therefore expect a greater degree of volatility and uncertainty in referendum voting behaviour than is typically found in elections."

"A second type of dynamic occurs when a referendum on a reasonably well known issue begins to take on a new direction over the course of the campaign. Often this takes place when opposition groups are successful in changing the subject of a referendum, or raising doubts about the issue that is really being discussed. D'Arcy & Laver (1990) documented this type of campaign in their study of the 1986 Irish divorce referendum, coining the term opinion reversal to describe the dynamic. Prior to that campaign, public opinion polls had shown substantial support for a change in the laws governing divorce, and there was initially little organized opposition to the referendum. But the campaign took on an unexpected direction as non-party groups became involved and began to refocus the debate in terms of the rights of women and the integrity of family life. Support for the proposed change in the divorce law declined rapidly. Within a few months after the referendum, however, public opinion polls had returned to a normal reading on the issue of divorce. But the rapid shift in the discourse over a short campaign had been enough to defeat the proposal."

Sondagens referendo despenalização aborto: ponto de situação

O quadro seguinte lista as sondagens publicadas na comunicação social desde Outubro de 2006 sobre intenções de voto no referendo da despenalização do aborto, incluindo a de hoje divulgada no Correio da Manhã.

As discrepâncias existentes no que respeita às estimativas da abstenção divulgadas pela comunicação social - ou melhor, o facto de umas sondagens divulgarem "estimativas" e outras apenas "abstenção declarada" - são de tal modo grandes que, no que respeita à "intenção directa de voto" ou "resultados brutos", decidi excluir a abstenção do total e limito-me apenas a apresentar a forma como as intenções "Sim", "Não" e os "Ns/Nr/Brancos/Nulos" se distribuem numa base de 100%.

Para algumas sondagens - Eurosondagem, por exemplo - isso implicou fazer alguns simples cálculos adicionais, dado que as intenções foram apresentadas de forma separada por dois segmentos: os que dizem que "iriam votar" e os que dizem que "talvez fossem votar". Isso é perfeitamente legítimo, claro, mas o quadro seguinte apresenta a distribuição de todas as intenções de voto recolhidas (independentemente da convicção de votar), para tornar os resultados das diferentes sondagens comparáveis entre si.

Já nos "votos válidos", o quadro apresenta aquilo que cada instituto ou órgão de comunicação social entendeu divulgar como melhor estimativa da distribuição de votos válidos, quando o fez. Mas aqui também, houve institutos que divulgaram apenas intenções directas de voto (incluindo indecisos e outros votos não válidos). Nesses casos - assinalados no quadro com um asterisco*- limitei-me a redistribuir os indecisos proporcionalmente, com o mero fim de tornar, uma vez mais os resultados comparáveis entre si.


Que confusão, não? O "Sim" parece ter perdido algum gás desde Outubro. Mas quanto? Até ao quase empate da Eurosondagem? Ou até à ainda confortável vantagem da Intercampus ou da Aximage?

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Sondagem referendo aborto Eurosondagem

Erosão do voto "Sim" desde Outubro, claro que sim, mas...tanto? Ou será que sim? Nova sondagem, aqui.

Eurosondagem, 16 Janeiro, N=2569, Aleatória, Telefónica

Sim: 44,1%
Não: 39,9%
Branco/Nulo/Ns/Nr: 16,0%

Se não fosse o Oliveira e Costa, esta coisa das sondagens não tinha piada nenhuma...

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Exercícios com os dados de intenção de voto (longo)

Este é um tipo de exercício que nunca costumo fazer. Explicar o comportamento eleitoral é algo que só faz realmente sentido a posteriori, com dados de inquérito que meçam comportamentos dos indivíduos, e não intenções de voto ou de votar. Mas tenho lido muita coisa, especialmente em comentários jornalísticos, sobre quem são os supostos apoiantes do sim, do não, os indecisos e abstencionistas no referendo. Tenho dúvidas sobre o que tenho lido e vale a pena olhar para isto com alguma atenção.

O que fiz foi pegar na base de dados da última sondagem da Católica sobre o referendo (Outubro) e reparti os eleitores em quatro grupos na base das suas intenções de voto declaradas.

1. Os que dizem ter a certeza que vão votar e que vão votar "Sim" (46%);
2. Os que dizem ter a certeza que vão votar e que vão votar "Não"(18%);
3. O que não têm a certeza se vão votar, ou dizem que sim mas não sabem como votarão ("Indecisos" - 19%);
4. E os que dizem desde já que não tencionam votar (17%).

O inquérito perguntava também aos inquiridos a sua idade, o grau de instrução, o posicionamento ideológico esquerda-direita, a identificação partidária e se tinham filhos. E tinha informação sobre o sexo de cada um e sobre a dimensão da freguesia onde o inquérito tinha sido feito (para medir, mesmo que superficialmente, a existência de uma clivagem urbano-rural).

Pegando neste informação, corri uma regressão multinomial logística com a intenção de voto como variável dependente, "Sim" como categoria de referência e os factores descritos anteriormente como variáveis independentes. Por outras palavras, a pergunta é: em que aspectos em que os declarados votantes do Não, os indecisos e os declarados abstencionistas se diferenciam significativamente dos votantes do Sim?

A resposta aparece nos quadros seguintes, que os curiosos podem usar para chegarem às suas próprias conclusões (isto foi tudo feito um bocado à pressa e peço desculpa pela apresentação um bocado canhestra; não tive maneira de assinalar os coeficientes estatisticamente significativos, pelo que vão ter de confiar no que vos direi):



O que quer isto dizer em português ? Várias coisas:
1. A dimensão das freguesias onde se vive e ter ou não ter filhos não têm efeitos de qualquer espécie na intenção de voto, assim que se controlam os efeitos das restantes variáveis.
2. O sexo dos inquiridos não ajuda a distinguir os eleitores entre si no que respeita às suas intenções, a não ser numa coisa: a intenção de votar. Por outras palavras, os homens declaravam-se desde já, em Outubro, mais inclinados a abster-se que as mulheres. Mas a diferença não é grande, apesar de ser estatisticamente significativa.
3. Quanto mais instruídos os inquiridos, mais inclinados a votar e menos indecisos. A instrução, contudo, não afecta a intenção de voto dos que a declaram: a distribuição entre "Sim" e "Não" (mais de 2 para 1) é igual nos níveis de instrução mais altos e nos mais baixos. Isto é curioso, dado que a instrução não costuma ter efeitos significativos na abstenção quando medida em estudos pós-eleitorais. Sugere duas coisas: este efeito da instrução está a ser sobrestimado (muitos dos que dizem que agora que vão votar acabam por não ir); ou então (ou também) os referendos são diferentes de outros actos eleitorais, sendo mais exigentes em termos de recursos cognitivos. Há boas razões para supor que as duas coisas são verdade.
4. Os mais velhos (55 ou mais anos) tendem, em comparação com os restantes, a declarar que vão votar "Não" ou que não vão votar de todo. Por outro lado, nos dois outros estratos (18-34 e 35-54), há uma razão de votos previstos "Sim"/"Não" praticamente igual, mas nos estratos mais jovens há mais indecisão.
5.Ideologia: para além de, naturalmente, tenderem mais a escolher o "Não", os indivíduos mais à direita estão também mais indecisos e declaram-se mais abstencionistas que os outros.
6. Religiosidade: quanto mais religiosos admitem ser subjectivamente, mais os eleitores tendem a votar "Não" e, em geral, a declarar já ter uma intenção de voto definida. É entre os que se dizem menos religiosos que há já mais abstenção assumida.
7. Identificação partidária: o que se espera. Em comparação com os "independentes" ou sem simpatias partidárias, os que as têm estão todos mais mobilizados. E no sentido previsível: simpatizantes do BE e do PCP muitíssimo mais inclinados a votarem "Sim", do PS muito mais inclinados a votarem "Sim", PSD algo (pouco) mais inclinados a votarem "Não", do CDS muitíssimo mais inclinados a votarem "Não". Depois venham-me cá dizer que o que se decide em referendos não tem nada a ver com partidos (sobre esta cândida ilusão, vale muito a pena ler isto).
No fim da próxima semana, vou tentar voltar com uma análise semelhante dos dados da próxima sondagem da Católica, a ver se estes padrões se confirmam ou se mudaram.
Mas entretanto, para o futuro, o raciocínio pode ser este: esta abstenção que as sondagens pré-eleitorais medem é inferior àquela que se vai verificar; logo, se queremos ter alguma ideia sobre como os resultados vão evoluir, o jogo pode consistir em pensar em que grupos a participação está a ser mais sobrestimada e, logo, como a sua previsível desmobilização pode afectar os resultados. Deste ponto de vista, há alguns sinais animadores para o "Não". Os mais jovens tendem hoje a dizer-se mobilizados, e mobilizados para o "Sim", mas haverá uma erosão inevitável desta participação. As pessoas que se situam à esquerda também se dizem mais mobilizadas e com tendência clara para o "Sim", mas aqui também deverá haver alguma erosão.
Contudo, para que o "Não" capitalize com isto, tem de evitar a desmobilização no seu próprio campo. Quem fará o trabalho para trazer as pessoas de direita, que se dizem especialmente indecisos e desinclinados a votar, para as eleições ou, pelo menos, evitar a sua desmobilização? O PSD não será certamente. A igreja? Claro. Mas com que efeitos? Os menos religiosos já são os que mais se tencionam abster e, mesmo assim, a margem do "Sim" continua muito grande. Poder-se-á ainda persuadir os mais religiosos que tencionam votar "Sim", que os há. Mas com que efeitos? Esses que se dizem "mais religiosos" são apenas 20% dos eleitores.
Logo, se a distribuição das intenções de voto que as sondagens vêm medindo nestes meses - mais de 2 para 1 a favor do "Sim" - for real, a margem para inverter a relação entre o "Sim" e o "Não" neste referendo é muito limitada.*
Já quanto à abstenção e à "vinculatividade" do referendo, bem, isso é outra conversa...
*Tudo isto, claro, partindo do pressuposto de que já será difícil fazer com que muitas pessoas que têm manifestado uma intenção de voto mudem de opinião, dado que essas intenções, pelos vistos, já se encontram bem ancoradas em factores de longo prazo (religiosidade, identificação partidária, identificação ideológica). O pressuposto - mais um - parece-me razoável, mas pode revelar-se errado, claro.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Bonjour Monsieur Hulot

Não é este, mas sim este. Os Verdes estão em polvorosa e aguarda-se por uma decisão no dia 22. Entretanto, já dá para ver que Hulot (cenários com a sua candidatura, abaixo, a verde) é muito mais atraente para os eleitores que Voynet (que anda pelos 2% de intenção de voto). Aliás, os franceses adoram-no: é a terceira figura pública mais popular, logo a seguir a Zidane e Yannick Noah.




Mas em quem eu votaria, de caras, era mesmo neste.

Já não era mau

BBC Editoral Guidelines

Reporting opinion polls
The following rules for reporting the findings of voting intention polls in the United Kingdom conducted by any polling organisation must be applied:

- we do not lead a news bulletin or programme simply with the results of a voting intention poll.
- we do not headline the results of a voting intention poll unless it has prompted a story which itself deserves a headline and reference to the poll's findings is necessary to make sense of it.
-we do not rely on the interpretation given to a poll's results by the organisation or publication which commissioned it. We should look at the questions, the results and the trend.
- we report the findings of voting intention polls in the context of trend. The trend may consist of the results of all major polls over a period or may be limited to the change in a single pollster's findings. Poll results which defy trends without convincing explanation should be treated with particular care.
- we do not use language which gives greater credibility to the polls than they deserve. We should say polls "suggest" but never "prove" or even "show".
-we report the expected margin of error if the gap between the contenders is within the margin. Television and online graphics should always show the margin of error.
- we report the organisation which carried out the poll and the organisation or publication which commissioned it. This information too should always be shown in television and online graphics.
- we report the dates of the fieldwork, and include them in television and online graphics, and draw attention to events which may have had a significant effect on public opinion since it was done.
- we report whether the poll was carried out face to face, by telephone or over the internet.

Popularidade líderes políticos (Portugal)

A não ser que me tenha escapado alguma coisa, a Marktest não tem feito o seu Barómetro habitual desde Novembro. Ficamos com a Eurosondagem e os resultados divulgados no Expresso no Sábado passado. Os gráficos seguintes mostram a evolução dos saldos de opiniões positivas (% positivas - % negativas) para Sócrates, Cavaco e Marques Mendes na Marktest e na Eurosondagem de Março de 2005 (Sócrates), Abril de 2005 (Mendes) e Março de 2006 (Cavaco) até agora.





sexta-feira, janeiro 12, 2007

Sondagens referendo aborto

Com a da Intercampus, divulgada ontem, e a da Aximage, divulgada hoje, ficamos assim:


(gralha corrigida. Obrigado LA-C)

Esquecendo os resultados das sondagens Aximage e Eurosondagem em Outubro de 2006 (claros outliers em relação aos restantes, incluindo os de outras sondagens conduzidas pelos mesmos centros), é porventura a primeira vez que chega um sinal de que, apesar da vantagem do "Sim" permanecer grande, a relação entre as intenções de voto "Sim" e "Não" está a alterar-se a favor do "Não". Na Aximage, onde é possível fazer a comparação (mesma metodologia em todas as sondagens), os indecisos diminuem em relação ao final de 2006, o "Sim" desce e o "Não" sobe. Não deixa de ser verdade, contudo, que duas sondagens realizadas no mesmo momento mas com metodologias bem distintas - as mais recentes Aximage e Intercampus - dão resultados também diferentes, a segunda mais favorável ao "Sim".

Um aspecto recorrente no tratamento jornalístico dos resultados da sondagem Intercampus é a "contradição" entre os resultados da pergunta do referendo e os de outras perguntas. Há quem fique muito perturbado com o assunto e pressinta graves malfeitorias por detrás deste tipo de coisas. Importa não esquecer, contudo, o seguinte:

- esta "contradição" não é nova. Em duas sondagens anteriores da Católica, apesar de expressivas maiorias se pronunciarem pelo "Sim" ao referendo, as mesmas pessoas mostravam-se mais cépticas quando as questões sobre o aborto eram colocadas de outra forma, ou seja, perguntando-lhes se acham que "o aborto deveria ser legal" em determinadas circunstâncias. Esta sondagem da Intercampus usa questões muito semelhantes (trocando, parece-me, o "legal" pelo "autorizado") e dá resultados onde, mais uma vez, o apoio manifestado desta forma é bastante menor do que o verificado na pergunta tal como será colocada no referendo;

- se uma "contradição" destas se repete sistematicamente, então a "contradição" só deverá estar na nossa cabeça. E assim me parece ser: o estímulo dado pela pergunta do referendo - "despenalização", "10 semanas", "estabelecimento de saúde legalmente autorizado" - é muito diferente do estímulo dado quando se pergunta genericamente se o aborto deve ser "legal" ou "autorizado" nesta ou naquela circunstância. Logo, a resposta terá de ser diferente, e tudo isto só chama a atenção para a complexidade do tema "aborto" e a ambivalência de sentimentos e atitudes que gera entre os cidadãos.

Não me canso de chamar a atenção para as consequências do "enquadramento" do tema para a resposta dos eleitores. Já escrevi sobre o tema aqui.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Sondagem aborto Intercampus

Nova sondagem sobre intenção de voto no referendo de despenalização do aborto, aqui, a primeira até ao momento com simulação de voto em urna.

Sim: 67%
Não 33%

Amanhã o Público deverá trazer mais detalhes e actualizarei o quadro habitual. Mas é fácil constatar, desde já, a consistência com a maioria das sondagens mais recentes, pelo menos no que respeita à distribuição daqueles que indicam uma intenção de voto.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Campanhas

Só para chamar a atenção da argúcia dos movimentos que apoiam o "Não" quando introduzem a questão de "quem paga" neste complicado pacote de temas e dimensões que se formou em torno do referendo do dia 11. Ao fazerem-no, criam uma "no-win situation" para os lados do "Sim": se for o Estado, então "não com os meus impostos"; se for privado, então são "as clínicas espanholas que vêm enriquecer à custa dos abortos". Uma vez mais, vê-se como, em situações como estas, o enquadramento que é dado aos temas é absolutamente central, afectando a opinião pública directa ou, mesmo, indirectamente (levando os oponentes a cometerem erros e a dizerem o que não devem).

Dito isto, também não acho que a "campanha" do "Sim" seja assim tão má como se diz. Pelo menos, parece ter percebido que teria de enfatizar um determinado enquadramento da questão que tinha sido secundarizado em 1998: a do referendo como mera oportunidade para "despenalização". Para o bem ou para o mal, a ideia de "livre escolha das mulheres" (a "barriga é minha") ou as preocupações de saúde pública parecem comover pouca gente, mas o mesmo não sucede com a ideia de colocar mulheres na cadeia por fazerem um aborto. Isto é certo e sabido dos dados de opinião, e só se estranha que tenha demorado tanto tempo a perceber.

O problema do "Sim" talvez seja outro: não parece haver "uma campanha do Sim", mas sim "campanhas", pouco concertadas entre si, deixando uma vez mais aos partidos de esquerda, tal como em 98, a quase totalidade do trabalho e, especialmente, da coordenação, coisa que, precisamente, são incapazes de fazer. Em 98, a coisa terá sido tão difícil que, em vez de coordenação dos partidos existentes, se deu origem a um partido novo (o BE, claro).

Contudo, a principal diferença de 2007 reside nas posições do PS e do PSD, na prática simétricas em relação ao que se passou em 98. Não é diferença pequena. É provavelmente ela que explica a enorme vantagem do Sim em relação ao Não nas sondagens e o facto dessa diferença ter vindo a resistir ao longo do tempo. A posição do PS ligou o"Sim" a uma predisposição de longo-prazo dos eleitores (a identificação partidária), ligação essa que tinha sido diluída em 98. E a não posição do PSD facilita, por parte dos eleitores, a identificação do "Não" como uma posição exclusiva da "Direita", coisa que costuma ser fatal por estas bandas.

Mas isto não diminui a argúcia de quem vem conduzindo a campanha do "Não". E daqui até 11 de Fevereiro ainda corre muita água.

Obrigado

Ao Insurgente e ao Kontratempos, dois dos poucos blogues que tenho tempo para pôr aqui, especialmente ao segundo por me fazer ver, mesmo que involuntariamente, que o título que tenho dado aos posts que fogem ao tema do blogue ("off topic") deveria ter sido desde o início, claro, "outlier". Burro.

Ségo-Sarko 2

Nova sondagem CSA:

Presidenciais 2008

A não perder, os vários posts do Political Arithmetik sobre as opiniões dos americanos sobre os possíveis candidatos para 2008 e a informação do The Fix sobre o que se vai passando nas "máquinas" das diferentes candidaturas. Os Democratas com o dilema habitual: os únicos candidatos viáveis com apoio junto das bases são os que geram opiniões mais polarizadas entre a população. Os Republicanos com um dilema simétrico: os candidatos com maiores chances a nível nacional - McCain e Giuliani - são os que geram mais urticária actual (McCain) e potencial (Giuliani) junto das bases mais conservadoras do partido.

Off topic: a guerra da imaginação

O que fazer quando todos os factos contrariam as nossas teorias? Capitular? Nunca. A solução é torná-las invulneráveis aos factos. Fazer com que sejam "infalsificáveis", formulando-as de tal modo que se tornem insusceptíveis de serem refutadas (ou confirmadas) pelos dados da realidade.

Rui Ramos, discutindo a invasão do Iraque, fornece-nos hoje no Público uma amostra deste tipo de estratégia argumentativa: "Um presidente Gore, acolitado por Lieberman (tão "falcão" como Cheney) teria feito o mesmo [que a administração Bush]". E eis-nos assim transportados para um mundo alternativo, visitável apenas com as asas da imaginação, invulnerável a qualquer confronto com o mundo real.

Contudo, essa invulnerabilidade é só aparente. Apesar de nunca podermos vir a observar se uma presidência Gore agiria da mesma forma que uma presidência Bush, sabemos qual é premissa na base da qual Rui Ramos chega a essa conclusão: a de que "os EUA tinham esgotado o saco de truques para contar Saddam", ou seja, a de que a invasão era inevitável. Rui Ramos vende-nos isto como um axioma (o "óbvio", suponho, quanto há uma semana nada o era). Mas era precisamente isto que merecia demonstração empírica, em vez de ser apresentado como uma "verdade auto-evidente". E não é, claro, como qualquer ser humano que tenha lido algum relato sobre o processo de inspecções ou sobre o processo de tomada de decisão no interior da administração Bush (mesmo as que não descrevem a invasão com antipatia) facilmente poderia constatar. E é aqui que um artigo erudito e elegante, como sempre, revela aquilo que o torna absolutamente inútil: o seu total - e aparentemente consentido ou mesmo deliberado - divórcio da realidade.

Inútil e, num certo sentido, nocivo: afinal, como se pode ler num artigo de Mark Danner publicado na penúltima NYRB e que dá o título a este post, foi este divórcio da realidade, antes, durante e depois da invasão, que produziu o desastre que já ninguém consegue evitar reconhecer.

terça-feira, janeiro 09, 2007

Jogo perigoso

É inevitável que o PP, em Espanha, critique o PSOE pela sua postura em relação à ETA, especialmente as hesitações entre "suspender" e "pôr fim" ao processo negocial, procurando assim, naturalmente, recolher benefícios políticos. Mas o jogo tem de ser jogado com muita cautela:

Metrocopia/ABC, 3 Jan. 2007, N=605, Telefónica

Devem o PSOE e o PP trabalhar em conjunto para alcançar a paz no País Basco?
Sim: 90%
No: 10%

Como avalia o desempenho de José Luis Rodríguez Zapatero e de Mariano Rajoy depois do ataque da ETA?

Zapatero:
Bom:22%
Médio: 38%
Mau: 30%

Rajoy:
Bom:13%
Médio: 32%
Mau: 42%

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Ségo-Sarko

Agora que muitas investiduras tiveram lugar e que Sarkozy apresentou a sua declaração de candidatura, Dezembro parece bom momento para começar a acompanhar as intenções de voto para as presidenciais francesas. Não que as sondagens realizadas ao longo de 2006 tenham dito coisas muito diferentes daquilo que as de Dezembro dizem: Ségo e Sarko estão lado a lado, com pequenas variações de instituto para instituto.



E este ano vamos salvar muitas árvores e poupar muita tinta a propósito de temas como a "subida da extrema-direita", o fenómeno "Frente Nacional" e o Angst habitual sobre tudo o que sucede em França: não haverá surpresa Le Pen. O que não impede, pelo contrário, análises interessantes sobre o eleitorado da Frente Nacional. Ver, por exemplo, esta entrevista com Nonna Mayer, do CEVIPOF, que desfaz alguns mitos sobre o assunto.

E a propósito desta entrevista, veja-se como os sites dos institutos de sondagens franceses são um manancial de informação onde os fanáticos destes temas se podem entreter ininterruptamente daqui até ao dia das eleições. Particularmente interessantes são os seguintes dossiês:

1. BVA: os temas chave da campanha;

2. A síntese de fim de ano de Pierre Giacometti, director da IPSOS;

3. Todo o site especial da TNS-Sofres dedicado às presidenciais;

4. O Barómetro Político Francês do CEVIPOF.


Voltarei com mais calma a alguns dos resultados destes estudos.

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Referendo: mais uma

Da Aximage, hoje, no Correio da Manhã:
Sem mudanças significativas.
Duas notas para fanáticos:
1. A ficha técnica de hoje explica que a amostragem foi aleatória e estratificada por região, habitat, sexo, idade, instrução e voto legislativo. Normalmente, sem outra explicação, isso significaria que, na verdade, foi aleatória na selecção de domicílios e por quotas na selecção de inquiridos. Mas depois explica-se na ficha publicada no jornal que houve "reequilibragem" da amostra para garantir proporcionalidade pelas variáveis de estratificação. Isso já deve significar que foi de facto aleatória na selecção de inquiridos e que, na base de informação obtida dos inquiridos e de informação conhecida acerca do universo, os resultados foram ponderados, corrigindo distorções na amostra em termos de sexo, idade, instrução e comportamento de voto passado. Mudo, portanto, de "quotas" para "aleatória" na coluna "amostragem". É até possível que tenha sido sempre assim, mas não detectei esse ponto em fichas anteriores.
2. A notícia do Correio da Manhã incide muito sobre o tema da abstenção: 43,2% nesta sondagem. "Abstenção ameaça 'sim', escreve-se. Mas, esperando que os responsáveis da Aximage não se aborreçam outra vez comigo, o leitor interessado gostaria de ter, mesmo sem grandes detalhes, uma explicação genérica sobre como se chega a este valor. Resultará ele das respostas de inquiridos que dizem abertamente tencionar não votar, mesmo após ponderação? Duvidoso: valores desta ordem não surgem nem em sondagens pós-eleitorais, quanto mais em sondagens de intenção de voto. Logo, deverá resultar de uma inferência, de uma extrapolação. Mas qual, como, e na base de quê? Eu tenho os meus palpites, mas isso não serve de nada.

Iraque

Iraq Centre for Research and Strategic Studies/Gulf Research Center, N=2000v (apenas Bagdade, Anbar e Najaf), Novembro 2006, Face-a-face.

Do you feel the situation in the country is better today or better before the U.S.-led invasion?
Better today: 5%
Better before: 90%
Not sure: 5%

Notar que o universo não é a população iraquiana, mas sim das três cidades assinaladas. Ver aqui uma breve discussão sobre as dificuldades em fazer sondagens em locais como o Iraque. Mas notar também, por outro lado, que o ICRSS é dirigido por Saadoun al Duleimi, nem mais nem menos que o Ministro da Defesa no actual governo iraquiano.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Leituras

Um número triplo extraordinário da Critical Review que não vai ser esquecido tão cedo por todos os que se interessam pelos temas da opinião pública. Estão lá muitos dos que contam nesta área: Althaus, Graber, Hardin, Lupia, Kinder, Popkin e até o velhinho Converse.

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Grande Rússia (e saudades da Pequena e da Branca)

Public Opinion Foundation, Dez. 9-10, N=1500, Face-a-face
Leonid Brezhnev ruled the country for 18 years, from 1964 to 1982. Would you rate Brezhnev’s rule as good or bad for the country?
Good: 61%
Bad: 17%
Hard to answer: 22%

All-Russian Public Opinion Research, Dez.16-17, N=1600, Face-a-face
Who was Russia’s politician of the year?
Vladimir Putin: 76%
Vladimir Zhirinovsky: 13%
Dmitry Medvedev: 12%

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Merry As You Like It

Estados Unidos, FOX News/Opinion Dynamics Poll, Nov. 29-30, 2005. N=900, Telefónica

Around this time of year, there is talk about whether holiday decorations on public property should include a nativity scene. Some say nativity scenes should not be on public property because this violates the separation of church and state. Others say it is acceptable for nativity scenes to be on public property because they are part of the historical celebration of Christmas. What is your view? Should nativity scenes be allowed on public property, or not?
Allowed: 83%
Not Allowed12%
Unsure:5%

Are you offended by stores that instruct employees not to say 'Merry Christmas' and make it a policy to specifically not use the words 'Merry Christmas' in advertising and promotions?
Yes:45%
No: 49%
Unsure: 6%

Merry Christmas

Estados Unidos, Princeton Survey Research Associates, N= 1,009, Dez-2-4, 2004,Telefónica

Now, regardless of your own religious beliefs, we'd like your views on Jesus. Do you think Jesus Christ ever actually lived, or not?
Did: 93%
Did Not: 3%
Unsure: 4%

Now I have a few questions about the Bible. Do you believe that every word of the Bible is literally accurate -- that the events it describes actually happened, or not?
Yes, Believe: 55%
No, Do Not Believe: 38%
Unsure: 7%

Which of these two positions do you most agree with?
The entire story of Christmas—the Virgin Birth, the angelic proclamation to the shepherds, the Star of Bethlehem and the Wise Men from the East—is historically accurate: 67%
The story of Christmas is a theological invention written to affirm faith in Jesus Christ: 24%
DK/NA: 9%

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Chile e Pinochet

Observo, perplexo, esta espécie de polémica sobre se Pinochet foi ou não bom para a humanidade em geral e o Chile em particular. A maioria dos chilenos, provavelmente, também ficaria espantada:

Chile, Centro de Encuestas La Tercera, 14-15 de Dezembro, N=564, Telefónica.
Was Augusto Pinochet personally responsible for human rights violations?
Completely or mostly responsible: 69%
Somewhat or not responsible: 31%
Do you think Pinochet’s government was important for Chile to reach its current economic development?
Yes: 63%
No: 39%
Qual es el aspecto que tiene más importancia en la trayectoria de Pinochet, al hacer un juicio sobre él y su gobierno?
Las violaciones a los derechos humanos : 56%
El nuevo modelo económico que introdujo en Chile: 24%
El golpe de Estado que terminó con el gobierno de Allende: 20%
Centro de Estudios de la Realidade Contemporánea, 27-Jul-6 Ago., Face-a-face, N=1200
How do you think Augusto Pinochet will be remembered?
As a dictator:82%
As a good leader:18%

Simples, não? Se não, o Pedro Lomba no DN de Sábado passado explica.

Sondagem referendo aborto

Esta, da Aximage, tinha-me passado despercebida. Actualizo agora o quadro. A anterior discrepância entre os resultados da Aximage e os da Marktest, Católica ou Intercampus desaparece.

domingo, dezembro 17, 2006

O estudo para a APF, 2

Os inquéritos por questionário visam por vezes medir atitudes e comportamentos que os inquiridos têm dificuldades em admitir, especialmente quando essas atitudes e comportamentos são potencialmente sujeitos a censura social ou moral. É o caso quando se colocam questões sobre a abstenção (vista por muitos como "dever cívico"), o consumo de drogas, a violência doméstica, práticas sexuais, evasão fiscal ou o aborto, só para dar alguns exemplos. William Foddy, no livro Constructing Questions for Interviews and Questionnaires (traduzido e editado em português pela Celta como Como Perguntar?) tem um capítulo inteiro dedicado ao assunto.

Era isto que, à partida, me interessava saber sobre o estudo feito para a APF. Lendo o relatório, verifica-se que foram tomadas duas principais medidas para lidar com o assunto. Por um lado, para inquirir presencialmente as 2000 mulheres entre os 18 e os 49 anos seleccionadas aleatoriamente para fazerem parte da amostra, foram apenas utilizadas entrevistadoras (e não entrevistadores). A pressuposição é que, num tema como este, mulheres se sentirão mais à vontade respondendo a mulheres. A segunda medida, segundo o relatório, foi a de aplicar todo o bloco de perguntas sobre "práticas de aborto" em sistema de auto-preenchimento, ou seja, preservando o anonimato também perante as próprias entrevistadoras.

Nunca se sabe se isto é suficiente, mas alguma coisa se fez, e quase tudo o resto que se pode fazer tem mais a ver com a formação dos entrevistadores e a confiança que conseguem transmitir aos entrevistados. Seja como for, há algo que é praticamente certo: a percentagem estimada neste estudo para as mulheres entre os 18 e os 49 anos que já fizeram um aborto não espontâneo (14,5%) deverá estar a subestimar os valores reais. Não é que não haja factores que também podem levar à sobrestimação: as mulheres mais dispostas a responder a estas perguntas poderão, eventualmente, tender a partilhar valores que, também eles, mais as predispõem a ter feito uma IVG. Mas os factores no sentido contrário - o da subestimação - tendem a ser muito mais fortes. Só para dar um exemplo, um estudo de 2001 realizado em New Jersey, onde se confrontaram os resultados de um inquérito por questionário com os registos médicos de mulheres cobertas pelo Medicaid, mostra que apenas 29% dos abortos efectivamente realizados foram reportados nas respostas aos inquéritos. Não estou a dizer que a subestimação, neste inquérito em Portugal, será da mesma ordem: as diferenças do contexto são tão grandes que essa inferência é impossível. Mas há muitas razões que nos fazem supor que a subestimação exista (cf. artigo e referências citadas). O que, por sua vez, obriga a alguma cautela quando se afirma que a maior parte das IVG's têm lugar até às 10 semanas: há razões para pensar que o "underreporting" seja maior quando o aborto acontece mais tarde...

Quanto ao resto, seria realmente bom que o estudo fosse disponibilizado de forma a que todos lhe pudessem ter acesso. Para além do interesse substantivo dos resultados, há várias coisas a discutir: a selecção da amostra (que tem apenas explicação sumária no relatório); a opção de restringir o universo a mulheres com 18 anos ou mais (por que não ter começado aos 15, como é prática comum em estudos semelhantes?), o facto de não se distinguir claramente as IVG's realizadas ao abrigo da lei vigente das restantes; etc.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

O estudo da APF (aditado)

Era muito bom que o relatório do estudo encomendado pela Associação para o Planeamento da Família sobre o aborto em Portugal fosse colocado online. Fui ao site da APF e só encontro o programa da sessão onde foi apresentado (.pdf). Pelas notícias de jornal, para além de alguns dos resultados, sabemos que foi um inquérito por questionário, aplicado a 2000 mulheres, pela empresa Consulmark. Segundo o DN, o estudo também incide sobre as intenções de voto das mulheres no referendo de Fevereiro. Quer isto dizer que as 2.000 mulheres inquiridas no estudo eram todas eleitoras, ou seja, com 18 anos ou mais? Ou que as intenções de voto foram obtidas junto de uma sub-amostra? Estas e muitas outras questões. Em resumo, era bom saber mais.

P.S.- Entretanto, amavelmente, já mo fizeram chegar. Comento em breve, se houver comentários úteis a fazer.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Jagshemash

Borat existe mesmo, mas não é no Cazaquistão:

Poll: One-third of Ukrainians don't want Jews

(via Fruits and Votes)

Sondagem da Católica para "Não Obrigada"

Paulo Pinto Mascarenhas menciona os dados de uma sondagem que a Universidade Católica conduziu no final de Setembro para a plataforma "Não Obrigada". Na verdade, os resultados não são surpreendentes. Basta comparar com outra sondagem, com semelhante metodologia de amostragem e inquirição, que foi feita também pela Católica, apenas 15 dias depois. Ao contrário do que sucedeu com a sondagem para a RTP/RDP e Público, não fui eu o técnico responsável pela coordenação do trabalho para a "Não Obrigada", apesar dos inquéritos terem, nalguns casos, questões muito semelhantes, o que se deve ao facto de ambos se terem parcialmente baseado num estudo anterior da Católica, por sua vez parcialmente inspirado em exemplos internacionais.

Os resultados divulgados pela "Não Obrigada", e a comparação com a sondagem realizada posteriormente:

Sondagem "Não Obrigada":
"O aborto devia ser permitido quando a mãe ou a família não têm meios para sustentar a criança". Sim: 33%
Sondagem RTP/RDP/Público:
"O aborto devia ser legal quando a mãe ou a família não têm meios para sustentar a criança". Sim: 34%

Sondagem "Não Obrigada":
"O aborto devia ser permitido quando a mulher não quer ter o filho". Sim: 32%
Sondagem RTP/RDP/Público:
"O aborto devia ser legal quando a mãe não deseja ter o filho" Sim: 29%

Os resultados apresentados pela "Não Obrigada" em relação a uma questão adicional já não são directamente comparáveis, dado que os menus de opções de resposta fornecidos eram ligeiramente diferentes: a sondagem para a "Não Obrigada" introduzia a opção "Desde o momento em que bate o coração", ao passo que a sondagem RTP/RDP/Público introduzia uma opção "Não tenho opinião formada sobre o assunto". Mas mesmo assim, aqui ficam os dados.

Sondagem "Não Obrigada":
"Em sua opinião, quando é que começa a vida humana?"
Desde o momento da concepção: 54%
Desde o momento em que há actividade cerebral no feto:7%
Desde o momento em que o feto tem possibilidade de sobreviver fora da barriga da mãe: 7%
Desde o momento do nascimento: 15%

Sondagem RTP/RDP/Público:
"Na sua opinião, quando é que se pode dizer que começa uma vida humana?"
A partir do momento da concepção: 48%
A partir do momento em que há actividade cerebral:15%
A partir do momento em que há possibilidade de sobreviver fora da barriga da mãe: 8%
A partir do momento do nascimento: 8%

Uma nota final: apesar das semelhanças nos resultados, leio e releio a formulação das perguntas e das opções de resposta e reforço uma conclusão a que já tinha chegado há muito tempo: nos inquéritos, não há perguntas "neutras". Nunca. Por muito que seja o esforço em evitar enviesamentos óbvios, todas introduzem estímulos diferentes, com potenciais efeitos nos resultados (efeitos esses, contudo, cuja existência real e dimensão são muito difíceis de apurar, devido a todas as outras fontes de erro associadas a uma sondagem). E obviamente, o mesmo sucede quanto à formulação das perguntas colocadas em referendos...

terça-feira, dezembro 12, 2006

Iraque: fim de ciclo

Estados Unidos, Rasmussen, N=1000, Dez. 2-3, Telefone

The Iraq Study Group is expected to recommend removing almost all U.S. combat troops from Iraq by early 2008. Do you favour or oppose this proposal?
Favour: 64%
Oppose: 22%
DK/NA:4%

Estados Unidos, Knowledge Networks, N=1326, Nov. 21-29, Internet poll (representativa)

Do you think the U.S. military presence in Iraq is currently:
A stabilizing force: 35%
Provoking more conflict than it is preventing: 60%
No answer: 5%

To try to address the problem of stabilizing Iraq, there is a debate about whether to work with Iraq’s neighboring countries with whom we have other disputes. Do you think it is a good idea or bad idea for the US to have talks with Iran?
Good idea: 75%
Bad idea: 21%
No Answer: 4%

What about having such talks with Syria?
Good idea:75%
Bad idea: 19%
No Answer: 6%

Do you think the US should or should not have permanent military bases in Iraq?
Should:27%
Should not:68%
No Answer: 5%

Discurso eleitoral

Como é que os políticos fazem discursos na noite eleitoral?

"Tendo em conta a conhecida aversão dos portugueses aos números, assim como a concorrência desleal de blogues que usam despudoradamente a imagem e as mais modernas técnicas de propaganda para influenciar os eleitores, este nosso resultado - um segundo lugar - só pode ser visto como uma inequívoca, retumbante e arrasadora vitória eleitoral. Queria agradecer desde já às nossas bases, que demonstraram enorme dedicação e exemplar sentido cívico em circunstâncias adversas, etc."

Agora a sério: fico muito contente. Obrigado aos organizadores e a quem votou.

quinta-feira, novembro 30, 2006

Votações e enviesamentos cognitivos

Desde já se adverte que o facto de, nesta votação, isto aparecer, da última vez que vi, à frente disto na lista dos melhores blogues temáticos, não tem qualquer fundamento racional, e só poderá ser uma consequência dos seguintes enviesamentos cognitivos:

1. Efeito de primazia, causado pela primeira votação ;

2. Efeito bandwagon, suscitado após as consequências do efeito de primazia, reforçando-o.

O conteúdo deste post é, por sua vez, explicado por um terceiro tipo de enviesamento cognitivo.

Sondagem referendo aborto

Mais uma, da Marktest. O texto não esclarece se a pergunta sobre intenção de voto foi apenas colocada àqueles que disseram tencionar votar (73%), mas é provável que assim tenha sido.



Continua a "clivagem" entre os resultados da Católica, da Intercampus e da Marktest, por um lado, e aqueles obtidos pela Aximage e pela Eurosondagem, por outro. Nestas condições, "tendências" é coisa sobre a qual nem vale a pena perder muito tempo, a não ser para dizer o óbvio: diminuição do "Sim" e aumento do "Não" na sondagem Marktest, mas demasiado pequenas para podermos daí inferir a existência de uma mudança real.

quarta-feira, novembro 29, 2006

Mais Turquia

O Eurobarómetro 64, realizado há um ano, dá uma boa ideia dos sentimentos dos europeus em relação à entrada da Turquia na União Europeia. 55% dos Europeus são contra. A rejeição é mais elevada na Áustria, na Alemanha e em França, para cima de 70%. Isto é especialmente importante porque, como se dizia no Guardian a propósito de um estudo anterior, "France and Austria are due to hold referendums on Turkish membership once the accession talks end in about 10 years, all but guaranteeing that Turkey will be blocked if the current climate prevails."

É também por saberem isso que os turcos estão cada vez mais indispostos "connosco", como se vê neste relatório (.pdf). E como não? Para quê apoiar todas as reformas pedidas pela UE, algumas delas tocando nos receios de perda de identidade nacional e em temas que beliscam o nacionalismo turco, se, no final, os políticos europeus se escudarão por detrás dos referendos para deixar a Turquia de fora? O crescimento do cepticismo é perfeitamente racional.

É por tudo isto que a posição do Papa é tão importante. Afinal, até o Papa pode mudar de ideias...

terça-feira, novembro 28, 2006

Turquia

Quem também parece ter perdido a paciência, neste caso com a União Europeia, são os turcos:

International Strategic Research Organization, N=1100, Nov. 4, 2006
Should Turkey suspend its accession talks with the European Union (EU) in the event of continued pressure from the bloc on opening ports and airports?
Yes: 70%
No: 20%
Not sure: 10%

Do you think Turkey and the EU will reach a compromise on the row over ports and airports?
Yes: 26%
No: 63%
Not sure: 11%

O nacionalismo turco é uma coisa potente. Mas não é fácil persuadir seja quem for da seriedade das intenções europeias - ou da plausibilidade da entrada da Turquia na UE, faça a Turquia o que fizer - quando se vêem coisas como estas:

Alemanha, FG Wahlen / ZDF, N=1303, Nov. 9
Do you support or oppose Turkey’s accession to the European Union (EU)?
Support: 33%
Oppose: 61%
Not sure: 6%

Israel

Enquanto Olmert procura negociar com a Autoridade Palestiniana, os israelitas parecem ter perdido a paciência com Olmert. Para posição negocial, dificilmente poderia ser pior.

Teleseker / Maariv, N=450, Nov. 9, 2006.
Should prime minister Ehud Olmert resign?
Yes: 51%
No: 42%

Dahaf Institute / Yediot Ahronot, N=4999, Nov. 20, 2006
Who is best to be prime minister?
Benjamin Netanyahu:47%
Ehud Olmert: 22%

Mas as as coisas para a outra parte não estão muito melhor:

Palestinian Center for Public Opinion, 18 Out. 2006, N=1020
How do you evaluate the performance of the Palestinian Prime Minister, Mr. Ismael Haniyyeh at present?
Very good: 18%
Good: 23%
Mediocre: 26%
Bad: 15%
Very bad: 17%
Don't know: 2%

segunda-feira, novembro 27, 2006

Ainda Venezuela (aditado)

Clima generalizado de suspeita sobre as sondagens. Sobre a Penn, Shoen & Berland, cujas sondagens dão Rosales bem perto de Chávez, algumas notícias - cuja proveniência merece, ela própria, algum cepticismo - relata antigas acções fraudulentas. Realmente, a reputação da PSB é a de associar com excessiva facilidade aos actores políticos locais: veja-se Itália e os trabalhinhos para Berlusconi. E reconheça-se que não é fácil acreditar nestas sondagens quando se lê esta notícia sobre a garantida "vitória por avalanche" de Rosales na ... www.petroleumworld.com...

Mas entretanto, vale a pena ler os resultados desta experiência, onde diferentes inquiridos numa sondagem preencheram o voto com canetas de cores diferentes, de forma a se estimarem os efeitos da percepção de que a sondagem poderia estar associada a diferentes candidaturas. Friederich Welsch é um politólogo com obra publicada. Isto não garante tudo, mas ajuda, e o argumento - a "espiral do medo" - é plausível.

Mas a lição final talvez seja esta: quando não se pode confiar nas eleições, também não se pode confiar nas sondagens.

P.S. - Ilustração do ponto anterior: resultados eleitorais vs. sondagens à boca da urnas na Venezuela.

P.P.S. - E um post, desta vez criticando as sondagens "chavistas".

Mais Venezuela

Este é mais um exemplo de como o conhecimento do contexto é vital e o meu é, para ser generoso, limitadíssimo (talvez um português que esteja na Venezuela e que leia isto possa ajudar, mas duvido que o Margens de Erro chegue tão longe...)

Eis que logo depois de avisar aqui acerca das sondagens que dão Rosales muito perto de Chávez para as eleições do dia 3 de Dezembro, surge esta (relatório completo, .pdf), da IPSOS, que coloca Chávez com uma vantagem brutal. A IPSOS é uma grande multinacional e não costuma brincar em serviço, mas haveria que saber mais sobre quem está a fazer o trabalho na Venezuela. Pelos vistos, é a IPSOS-Brasil, que esteve ausente de tudo o que foram sondagens para as presidenciais brasileiras publicadas nos media... Mas especulo: olho para a variedade incrível de resultados nas sondagens para as presidenciais na Venezuela e não sei o que pensar. O melhor é continuar a seguir aqui.

sexta-feira, novembro 24, 2006

Popularidade líderes políticos, Portugal

Nova sondagem da Marktest para DN e TSF, aqui (.pdf). O gráfico seguinte mostra a evolução do saldo entre as percentagens de opiniões positivas e negativas para Sócrates, Marques Mendes, e Cavaco (e Sampaio como ponto de comparação para este último) nas sondagens de Marktest desde Março de 2005:

Mantém-se a discrepância de valores entre a Eurosondagem (a azul) e a Marktest (a verde) no que respeita a Sócrates. Numa, Sócrates tem estado relativamente estável e até com tendência de subida. Noutra, Sócrates desceu abruptamente em Outubro, e agora pouco recupera. Vá-se lá saber.


Os gráficos estão feitos um bocado à pressa, mas estou sem tempo para mais.