quinta-feira, maio 31, 2007

Shameless, shameless plugs (mas um não)


1. Lançamento de um livro intitulado Eleições e Cultura Política, editado pela Imprensa de Ciências Sociais, e organizado por André Freire, Marina Costa Lobo e este vosso criado. Vão apresentar o livro Pedro Tavares de Almeida, do Departamento de Estudos Políticos da Nova, e Manuel Meirinho Martins, do ISCSP. É no dia 4 de Junho, às 17.45h, no ICS.

2. Ainda mais "shameless": passei a ser o coordenador do Curso de Mestrado em Política Comparada do ICS, agora na sua 5ª edição. Suspeito que alguns dos visitantes deste blogue são potenciais candidatos e não queria que a informação lhes passasse ao lado. É um mestrado "científico", ou seja, não pretende ser uma mera repetição ou extensão das coisas que andaram a ouvir no 1º ciclo em Ciência Política (e muito menos se o curso tiver sido outro). É muito voltado para a investigação, com tutores individuais e acompanhamento directo de concepção e execução de projectos. O Rui Ramos deu-me há dias uma boa definição. Este Mestrado está para os Estudos Políticos como os cursos de "creative writing" estão para a Literatura: "hands on".
O plano de estudos está aqui, o corpo docente aqui, e há ainda a somar a estes mais vinte investigadores portugueses e estrangeiros que vêm leccionar seminários especializados e módulos de cadeiras, quase todos já confirmados. Escrevam se quiserem saber mais coisas.

3. Um plug que não é para mim: Jorge Camões tem um dos blogues temáticos mais interessantes da blogosfera portuguesa, BizViz, sobre visualização de informação. O Jorge está a pensar promover um curso sobre análise gráfica de informação. Eu tenciono inscrever-me. Há muita gente que, se não tenciona, devia.

4. E logo ao fim da tarde, na Gulbenkian, integrado no Estado do Mundo, algumas considerações sobre o que significa fazer "ciência" na Ciência Política.

E já chega.

quarta-feira, maio 30, 2007

"Conseguir o Impossível"

Vale a pena ler o livro sobre a campanha de Manuel Alegre às presidenciais, tal como também valia a pena ler o livro de Filipe Santos Costa sobre a campanha de Soares (e não é por este blogue ser mencionado em ambos).

São dois produtos muito diferentes. O livro sobre Soares é uma reportagem jornalística, o livro sobre Alegre é uma obra colectiva, escrita por pessoas ligadas à campanha. Mas o capítulo de Helena Roseta ("Uma candidatura pioneira"), apesar dos enviesamentos compreensíveis, serve como reportagem da pré-campanha e campanha tal como vista pelo lado da candidatura de Alegre, tem muita informação factual e está uma coisa que me parece realmente bem feita. Os capítulos de António Pina Ferreira - sobre o financiamento - e de Nuno David - sobre a campanha na Net - são também muito informativos. E há o capítulo de Luis Moita sobre "A estratégia de campanha eleitoral de Manuel Alegre", que é de especial interesse para apreciar semelhanças e diferenças com que se vai passar por aqui. O resto do livro é mais soft e interessa mais aos fiéis da crença.

Temas "quentes" não há muitos, a não ser alguns elementos adicionais da intriga em torno da escolha de candidato por parte do PS, acusações bastante explícitas de manipulação dos resultados de sondagens feitas à Eurosondagem e um alegado acordo "implícito" entre Soares e o PCP e o BE. Mas há também uma janela, nos vários textos, para a mundividência e para o tipo de discurso político que está por detrás deste tema do "poder dos cidadãos", de que havemos ouvir falar mais vezes . E há outra coisa que me interessa pessoalmente: a enorme importância que as sondagens divulgadas publicamente parecem ter, não tanto (directamente) para o comportamento do eleitorado, mas sim para o interior das próprias campanhas, aumentando o ânimo ou o desânimo, dando a percepção de objectivos atingidos ou por atingir, afectando estratégias e, logo, afectando a capacidade de mobilização dessas campanhas e a sua eficácia. Uma sondagem em particular, feita pela Católica e divulgada no dia 7 de Janeiro, parece ter sido um momento charneira nas candidaturas Soares e Alegre, para além, claro, do impacto da "tracking poll" da Marktest. Feita a constatação, não sei bem o que deva ficar a pensar sobre o assunto.

Em resumo, independentemente do que achemos disto tudo, publicar livros destes após eleições é um bom hábito, que seria bom que não se perdesse.

Outlier: Resistance is Futile

Paul Wolfowitz demitiu-se da presidência do Banco Mundial. George W. Bush nomeou Robert Zoellick. O Público faz uma breve resenha biográfica. Mas esqueceu-se do fundamental: a participação de Zoellick num grupo auto-designado "Os Vulcanos", que desenhou a política externa de Bush enquanto candidato nas eleições de 2000 e preservou a sua influência nos anos que se seguiram.

Composição dos Vulcanos: Condoleezza Rice, Richard Armitage, Robert Blackwill, Stephen Hadley, Richard Perle, Dov Zakheim e Paul Wolfowitz, para além do próprio Zoellick. Há um livro sobre eles, e um artigo recente do Chicago Tribune.

segunda-feira, maio 28, 2007

Legislativas, França, 28 Maio


Popularidade líderes políticos, Maio

Com o último Barómetro Marktest, ficamos assim. No caso de Sócrates, o que está à direita da linha de referência vertical são os barómetros "pós-Independente".


As coisas não estão brilhantes para o PM, mas estão ainda piores para o líder do maior partido da oposição. O Presidente plana por cima disto tudo.

sábado, maio 26, 2007

Lisboa

Três sondagens divulgadas publicamente - Marktest, Eurosondagem e Católica - as três presumindo cenário com candidatura de Carmona. Os resultados são estes:



Confirma-se, por um lado, que de nada serve comparar resultados brutos de diferentes sondagens. Reparem na diferença entre a abstenção declarada na sondagem da Católica (23%) com a declarada na Marktest (3.2%), ao passo que a Eurosondagem nem a reporta. Diferentes normas de divulgação de resultados e, provavelmente, diferentes questionários - com a Marktest provavelmente a colocar o "não voto" como opção residual numa pergunta de intenção de voto e a Católica a fazer uma pergunta-filtro sobre probabilidade de votar - fazem com que esses resultados nem sejam comparáveis.

Olhando para as "estimativas" - ou seja, os resultados das sondagens expressos de forma a serem comparáveis entre si e com resultados eleitorais - há diferenças importantes. António Costa aparece com mais de 30% das intenções de voto válidas nas três, mas no que se segue há uma grande confusão. Carmona com 20% na Marktest, 17% na Eurosondagem e 14% na Católica; Negrão a ir na direcção oposta (12, 15 e 18%, respectivamente), e Roseta com 17, 16 e 13%.

É muito cedo para tirar grandes conclusões. As sondagens foram feitas em momentos em que não havia ainda confirmação de Carmona e, mesmo depois dessa confirmação, duvido que os eleitores tenham ainda bem arrumado na sua cabeça quem são estas pessoas, a que partido (não) pertencem e, afinal, a que vêm.

sexta-feira, maio 25, 2007

Outlier: Inimigo Público

Uma pessoa sabe que atingiu um ponto particular na sua carreira e percurso de vida quando lhe acontece uma coisa destas. Se é o zénite ou o nadir é que é mais difícil saber.

Portugal é Lisboa e o resto é paisagem

Alertado por um leitor e blogger, gostaria de chamar a vossa atenção para esta notícia da edição online do jornal Sol, onde se relatam os resultados de uma sondagem realizada a uma amostra representativa dos eleitores residentes em Portugal Continental, e onde o PS surge com 46,8% das intenções de voto válidas. O título da notícia resume "Sondagens dão maioria ao PS na Câmara de Lisboa". Errar é humano. Mas se há ministros que não deviam fazer discursos depois do almoço, há jornalistas que não deviam escrever notícias antes do pequeno-almoço.

P.S.- 12.03h. No Sol já se corrigiu o título.

terça-feira, maio 22, 2007

Legislativas, França, 22 Maio

Prémio

Um blogue ganhou um prémio de uma associação académica, mais concretamente o prémio Warren J. Mitofsky de Inovação concedido pela Associação Americana para a Pesquisa de Opinião Pública. É o www.pollster.com, que junta os esforços de Mark Blumenthal (do antigo Mystery Pollster) e de Charles Franklin (do Political Artithmetik). Poucos prémios são tão merecidos. Congratulations.

segunda-feira, maio 21, 2007

Lisboa: legislativas e autárquicas

Só para irmos pensando: a comparação entre o resultado do partido de governo nas eleições legislativas e na eleição subsequente para a câmara municipal, sempre no concelho de Lisboa. Quando há coligações num lado (governo) ou noutro (câmara), comparam-se os resultados das somas dos partidos que as compõem. O que importa é que o partido de governo esteja sempre de um lado e do outro.



Partidos de governo ou coligações contendo partidos de governo têm sempre, no concelho de Lisboa, piores resultados nas autárquicas do que nas legislativas precedentes, com duas excepções: as eleições separadas por dias ou poucos meses: 1979 e 1985. As "punições" maiores sofridas pelo governo, se quisermos chamar-lhes assim - 1991/1993 e 2005 - foram sofridas por partidos que governavam sozinhos e concorreram sozinhos à câmara de Lisboa.

Isto encaixa muito bem com a ideia de que as autárquicas são eleições de "segunda-ordem":

- por serem vistas como menos importantes do que as legislativas, dão incentivos a que potenciais apoiantes do governo as usem para exprimir a sua insatisfação;

- insatisfação a exprimir é menor em períodos de "lua de mel" governamental: autárquicas realizadas pouco depois das legislativas têm menor ou nula punição. 2005 parece excepção, e é. Mas a "lua de mel" deste governo socialista durou pouco ou, se quisermos, o resultado excepcionalmente baixo de 2005 em Lisboa dá a medida de quão mal correu a campanha ao PS;

- também por serem vistas como menos importantes, autrárquicas retiram incentivos para voto estratégico nos maiores partidos. Daí, dir-se-ia, a razão pela qual as punições do governo são "mitigada" com coligações.

Mas cuidado com a extracção de implicações para 15 de Julho:

1. Estas eleições estão rodeadas de maior dramatização do que é habitual: candidato do PS é ex-membro destacado do governo;
2. Eleições atípicas em comparação com as outras autárquicas.

Mas é só para irmos pensando.

Legislativas, França, 21 Maio


sexta-feira, maio 18, 2007

It's not what you say, it's what people hear

"LPM trabalha campanha do PS à Câmara de Lisboa" (Jornal de Negócios)

"Agora, em Lisboa, estaremos perante um caso de "renovar o sonho" ou algo de parecido? Não. Andamos à procura do rigor, da ambição, da exigência. Somos vizinhos dos espanhóis, mas vivemos em estados de espírito diferentes." (Luis Paixão Martins, ontem, no seu blogue).


Do Público (Nuno Ferreira Santos)

Por mero acaso, ontem estava a ler uma recensão na New York Review of Books de um livro de Frank Luntz, o ex-"spinmeister" do Partido Republicano (que esteve em Portugal há uns anos, no ICS, quando o ICS ficava num corredor do ISCTE) e, agora, dos Conservadores no Reino Unido. Só o título do livro, Words That Work: It's Not What You Say, It's What People Hear, é todo um programa.

Sondagens

Esta, da Marktest, mas sem candidato para o CDS-PP, sem Manuel Monteiro e presumindo candidatura da Carmona. Não serve para termos uma ideia do que pode acontecer no dia 1 de Julho, mas serve como indicador da notoriedade e do poder de atracção de Fernando Negrão: 4º lugar nas intenções de voto, com 9,5%, atrás de Costa, Carmona e Roseta.

Um exercício absurdo, mas só para o PSD não ficar muito desanimado: as intenções de voto de Carmona e Negrão somadas são exactamente 25,2%, o mesmo que Costa. E outro exercício absurdo, mas para animar as hostes: as primeiras sondagens nas presidenciais davam Alegre com 17%; acabou com 20%. Roseta aparece agora com 13,5%.

E outra sondagem, da Católica, sobre intenções de voto em legislativas e avaliações do governo e dos líderes políticos. Duas peças no JN que, parece-me, fazem uma boa interpretação dos resultados.

quinta-feira, maio 17, 2007

Game theory

Há para aí uma grande vontade de fazer sondagens em Lisboa, mas uma dúvida sobre quando isso começa a fazer sentido. Uma percentagem muito grande dos eleitores diz, nas sondagens a propósito das autárquicas, que a identidade do cabeça de lista é o mais importante para si. Isso pode não ser exactamente verdade - os eleitores costumam ser os piores analistas dos seus próprios comportamentos - mas não há dúvida que, pelo menos em comparação com as legislativas (onde o peso das lideranças é, mesmo assim, muito grande nas considerações dos eleitores), saber que menu concreto de candidatos existe é fulcral para que as pessoas cheguem a uma decisão qualquer.

Acresce a isto que as "pistas" habituais a que os eleitores recorrem para tomar decisões vão estar muito baralhadas nestas eleições. Julgar o trabalho do "incumbent"? Mas o "incumbent" é o PSD ou o candidato independente Carmona Rodrigues? O líder da oposição camarária passou a ser o ex-vice-líder do governo. O ex-candidato do BE quer apoiar um candidato independente, uma coligação ou correr sozinho, como independente ou com apoio do BE? Uma confusão. Vão-se fazer sondagens, e em breve. Até ao dia 1 de Julho haverá muita confusão a resolver nas cabeças dos eleitores (incluindo na minha).

Dito isto, e não sendo muito dado a estas "análises políticas" - pelo menos quando não tenho "dados" - confesso a minha total perplexidade com a actuação de Marques Mendes neste processo. Até ao dia 2 de Maio, apesar de pressionado pelas circunstâncias, Marques Mendes tinha a faca e o queijo na mão para decidir se e - mais importante - quando provocava a queda de Carmona. Decide fazê-lo no dia 2. Mas fá-lo, constata-se agora, desperdiçando completamente esse poder de iniciativa. Fá-lo sem ter assegurado um candidato forte que pudesse constranger as estratégias do PS e de Carmona. Com a bola nos pés, em vez de chutar à baliza, passa para o adversário a ver o que acontece.

Segue-se o inevitável: percebendo que o PSD andava aos papeis, o PS responde apresentando o candidato mais forte que poderia apresentar- o nº 2 do governo, caramba - diminuindo a probabilidade de que Marques Mendes conseguisse de seguida recrutar alguém de jeito disposto a arriscar o pêlo numa derrota em Lisboa. Sobra Fernando Negrão, pessoa porventura estimável - não faço ideia - mas com peso político e reconhecimento na opinião pública próximos do zero. E assim se abriu caminho para que Carmona sinta que vale a pena arriscar também. A primeira ronda do jogo - e há eleições, como, por exemplo, as legislativas de 2005, onde a primeira ronda é a última - estava perdida para o PSD.

Das duas uma: ou alguém tirou o tapete a Marques Mendes; ou Marques Mendes decidiu fazer cair a Câmara sem ter a mínima ideia do que tencionava fazer de seguida. O resultado, contudo, é o mesmo: a não ser que haja uma surpresa monumental nas eleições de Lisboa, Marques Mendes pode começar a pensar em arrumar os papeis no gabinete da S. Caetano à Lapa.

P.S.- Isto foi escrito há umas horas no pressuposto de que Carmona seria candidato. Agora, pelas 16:30, a coisa está em dúvida. Mas a perplexidade com a táctica do PSD é a mesma.

Legislativas, França, 17 Maio


Entretanto, a mesma sondagem da IPSOS pergunta "Parmi les personnalités suivantes, quelle est celle que vous souhaiteriez voir conduire la campagne du Parti socialiste pour les élections législatives?". Das suivantes, a maioria dos simpatizantes do PS (53%) escolhem Ségo. Da generalidade da amostra, uma maioria relativa (33%) escolhe Strauss-Khan.

terça-feira, maio 15, 2007

Presidenciais americanas

O melhor lugar para acompanhar o que se passa nas sondagens sobre as presidenciais americanas é, como sempre, o Political Arithmetik.

Aqui, as primárias nos partidos Republicano e Democrata. Giuliani destaca-se entre os republicanos, enquanto Hillary permanece no topo entre os democratas, apesar de a subida dos restantes (especialmente Obama) sugerir que aqueles que se vão decidindo o vão fazendo não por ela, mas por outros.

Aqui, os potenciais confrontos. É curioso verificar que, enquanto Obama parece capaz de bater todos os Republicanos, Clinton bate apenas Romney. Até Edwards parece um candidato mais viável, neste momento, para bater os candidatos republicanos do que Clinton.

Mas o melhor mesmo é ir lá, ler e aprender com o melhor blogue que existe sobre sondagens.

quinta-feira, maio 10, 2007

You're making a mistake



"Helplessly, the Perownes watched them all approach. In a sudden press of bodies they were introduced to the Prime Minister. He took Rosalind's hand first, then Henry's. The grip was firm and manly, and to Perowne's surprise, Blair was looking at him with recognition and interest. The gaze was intelligent and intense, and unexpectedly youthful. So much had yet to happen.
He said, 'I really admire the work you're doing.'
Perowne said automatically, 'Thank you.' But he was impressed. It was just conceivable, he supposed, that Blair with his good memory and reputation for absorbing the details of his ministers' briefs would have heard of the hospital's excellent report last month - all targets met - and even of the special mention of the neurosurgery department's exceptional results. Procedures twenty-three per cent up on last year. Later Henry realized what an absurd notion it was.
The Prime Minister, who still had hold of his hand, added, 'In fact, we've got two of your paintings hanging in Downing Street. Cherie and I adore them.'
'No, no,' Perowne said.
'Yes, yes,' the Prime Minister insisted, pumping his hand. He was in no mood for artistic modesty.
'No, I think you-'
'Honestly. They're in the dining room.'
'You're making a mistake,' Perowne said, and on that word there passed through the Prime Minister's features for the briefest instant a look of sudden alarm, of fleeting self-doubt. No one else saw his expression freeze and his eyes bulge minimally. A hairline fracture appeared in the assurance of power."

Ian McEwan, Saturday, pp. 143-144.

A true story.

Mais legislativas, França