quarta-feira, maio 09, 2007

França, legislativas



É possível que ainda tenha de fazer uns ajustamentos a este quadro, dependendo da maneira como os resultados vão ser divulgados nas próximas sondagens, mas para já serve para dar uma ideia...

P.S. - Vítor Dias tem razão na nota que faz (e não é por ser tão amável) e já agora, no resto do post também.

terça-feira, maio 08, 2007

Outlier: navigating in the dark

A propósito deste post do Abrupto, vale a pena instalar isto ou isto no computador. Devo ter sido um dos últimos palermas a descobrir que estas coisas existiam. Não passava tanto tempo à frente de um computador sem ser para trabalhar desde o ZX Spectrum. E no meu caso, tenho a desculpa bestial de o fazer com o meu filho.

Sócrates, licenciatura e popularidade

No eixo y, a diferença entre a percentagem de inquiridos que fazem uma avaliação positiva e a percentagem dos que fazem uma avaliação negativa da actuação de José Sócrates (o "saldo" de opiniões positivas). No eixo x, último dia do trabalho de campo da sondagem. A azul, Eurosondagem. A verde, Marktest. A linha de referência vertical é o dia 22 de Março, data da publicação do primeiro artigo no Público sobre o dossier "Universidade Independente". Falta uma das sondagens Marktest, o Barómetro de Março (trabalho de campo terminado no dia 21 de Março), cujos dados exactos não consegui obter.



segunda-feira, maio 07, 2007

Senso comum

Haverá muitos estudos científicos e muitas teorias sobre as razões históricas, sociológicas e políticas da vitória de Sarkozy, sem contar com colunas e comentários em tom vagamente místico - para os Sarkozistas - ou ressabiado - para os Royalistas. Mas antes de ter de ler todas essas coisas e fazer cara séria enquanto as leio, permitam-me uma resposta simples: quem, entre os que acompanharam a campanha e assistiram aos discursos e aos debates, acha que Ségolène merecia ganhar? Mãozinhas no ar. Alguém? Não? Obrigado.

França

Sobre as sondagens francesas, por preguiça mas também por manifesta inutilidade, não vou mostrar os quadros do costume. Todas fizeram amostragem por quotas, tudo telefónico, e todas estiveram muito perto. Sarkozy teve 53,1% dos votos. No dia 3, a TNS dava-lhe 54,5%, a IPSOS 54% e a CSA e o IFOP 53%.

Mais interessantes são os resultados das sondagens à boca das urnas ou as telefónicas pós eleitorais, que mostram o que não podia deixar de ser: Ségo foi buscar bastante bem o voto da extrema-esquerda; Sarko bem também com o anterior voto Le Pen. O problema foi que o eleitorado Bayrou se dividiu, e segundo a IPSOS (.pdf) e a CSA, únicas que vi com atenção, com ligeira vantagem para Sarkozy. De notar também um dado interessante: segundo o estudo da IPSOS, 14% dos votantes em Sarkozy dizem ter votado nele para impedir a vitória de Royal, enquanto 42% dos votantes Royal dizem ter votado nela para impedir a vitória de Sarkozy. Talvez por isso 98% por cento dos votantes simpatizantes da UMP tenham votado Sarko, enquanto o valor baixa para 90% entre os simpatizantes PS que votaram Ségo (10%, portanto, votaram Sarko). É assim, bocadinho a bocadinho se faz uma vitória numa eleição como esta.

Pelos vistos, os franceses (mesmo os que votaram Royal) queriam agora Jean-Louis Borloo como PM, mas Sarkozy deverá nomear François Fillon. E as legislativas já mexem: o Movimento Democrata de Bayrou já vai nos 15% e a UMP parte com vantagem (escassa, contudo) sobre o PS. A vida não está fácil para a Internacional Socialista.

domingo, maio 06, 2007

Madeira: rescaldo boca das urnas



E amanhã fala-se de França, apesar de já todos terem percebido que quase não há história para contar.

Madeira: rescaldo, 1


A metodologia é a do costume: confrontar as últimas estimativas de cada instituto com os resultados, calcular o desvio absoluto entre umas e outros, e calcular a média desses desvios. Não há teorias que se possam testar com três casos, mas face-a-face e proximidade em relação à data parecem ajudar à precisão. As plausíveis razões para a superioridade do face-a-face, e especialmente da simulação de voto em urna, intuem-se facilmente do que foi dito aqui.

Madeira, 4

Quando recebem os resultados de sondagens, os jornalistas obtêm declarações dos responsáveis políticos reagindo a esses resultados, de forma a divulgar essas declarações em conjunto com os resultados. Este é o meio mais comum de disseminação "privada" dos resultados de uma sondagem antes da sua divulgação oficial: seja porque estão outros jornalistas presentes no momento da recolha dessas reacções seja porque os responsáveis políticos passam essa informação a outros jornalistas de outros órgãos de comunicação.

Um jornalista do Diário de Notícias da Madeira escreveu para este blogger comentando este meu post:

"Eu acho que o assunto merece reflexão. Pelas declarações inqualificáveis do Pedro usando termos como 'usurpar' e pelas insinuações graves '0s resultados chegaram às mãos do jornal por via privada, provavelmente através dos partidos'. E também no capítulo das estratégias de comunicação. Toda a gente sabe que há meios que encomendam sondagens e que fornecem dados a terceiros para estes ajudem a amplificar a notícia. Terá sido o caso?".

E no blogue acrescenta-se:

"O que eu penso é que mesmo que tenha havido fuga de informação, seria a primeira vez que isso aocntecia. E mais. Confirmo que na tarde desse mesmo dia - quando o site online do DN local deu notícias - vários quadrantes políticos regionais já tinham conhecimento dos resultados provavelmente porque os autores da sondagem também não terão guardado grande segredo sobre os mesmos..."

Bem, três coisas. Em primeiro lugar, o que quis dizer com 'os resultados chegaram às mãos do jornal por via privada, provavelmente através dos partidos' é o que escrevi na abertura deste post, e lamento se isso não ficou claro.

Segundo, no fundamental, "o Pedro" ficou na mesma. Continuo sem saber por que razão um órgão de comunicação social divulga os resultados de uma sondagem encomendada por outro órgão de comunicação social antes daquele que encomendou ter tido a oportunidade de a divulgar publicamente. Disseram-me hoje que não foi apenas o DN-Madeira a fazer isso, e que a TSF daqui também o terá feito. Continuo sem encontrar justificação para isso, e o autor do e-mail não a dá.

Terceiro, "os autores da sondagem" limitaram-se a enviar os resultados e respectiva ficha técnica às direcções de informação da RTP e da RDP e à Entidade Reguladora para a Comunicação Social. Quanto a "estratégias de comunicação", não sei, mas sei que as direcções de informação da RTP e da RDP não estão contentes com o sucedido, e com toda a razão.

De resto, o DN-Madeira e a TSF, por terem divulgado resultados de uma sondagem sem facultarem a respectiva ficha técnica completa arriscam-se a uma sanção pesada da ERC. E para quê? Por duas meras horas...

sexta-feira, maio 04, 2007

França, 4 de Maio

Todas as sondagens sobre o grande debate Ségo-Sarko mostram que a maioria dos eleitores achou o segundo mais convincente, em proporções não muito distintas das próprias intenções de voto. Por outras palavras, o debate pode não ter mudado nada, mas pelo menos não afectou o equilíbrio que já existia, favorável a Sarkozy (com a possibilidade, que terá de ser confirmada na sondagem à boca da urnas, de Sarko ter acabado por ficar com a maioria do eleitorado Bayrou).

Com as sondagens divulgadas hoje, ficamos assim para Sarko, que até dá um sinalzinho de subida:

Tudo isto, de resto, é muito parecido com o que se passou na segunda volta de 1995. Chirac contra Jospin, com 53/54 nas sondagens, acabando com pouco menos (52,6%).

Madeira, 3

Parece que ficamos assim de sondagens. Até Domingo, então.

Madeira, 2

Ontem, o Diário de Notícias da Madeira achou que era uma boa ideia divulgar no seu site os resultados da sondagem da Católica em primeira mão, por volta das 16.00h. O único problema, claro, é que a sondagem não foi feita para o Diário de Notícias da Madeira, e sim para a RTP e a RDP, que a encomendaram e pagaram. Os resultados chegaram às mãos do jornal por via privada, provavelmente através dos partidos, que as recebem para que preparem os comentários aos resultados à RDP e à RTP.

Logo, o DN da Madeira decidiu usurpar o trabalho de outros para benefício próprio. É certo que há coisas mais graves. Mas é estranho que órgãos de comunicação social se comportem assim com outros órgãos de comunicação social. É um pouco como um jornalista de um semanário publicado aos sábados preparar uma peça de investigação mas, na semana em que a peça vai sair, um jornal diário apanhá-la na tipografia publicá-la na 6ª feira anterior. Não passa pela cabeça de ninguém, pois não? Mas nas sondagens parece que não há problema.

E vale a pena comparar este comportamento com o comportamento dos blogues...

Interlúdio

"Alberto João Jardim disse que as sondagens que lhe são maioria absoluta são um truque da oposição. O candidato afirmou, no último comício antes das eleições, que os adversários esperam que o povo da Madeira acredite que as eleições estão ganhas e que, assim, não vão votar.", aqui.

Déja vu all over again, como diria o inigualável Yogi Berra.

quinta-feira, maio 03, 2007

Madeira

As sondagens que conheço sobre as eleições na Madeira são as seguintes:


(clique para aumentar)

Creio que amanhã será divulgada outra.

Como se vê, algumas discrepâncias importantes. Não admira. Para além de sondagens serem sondagens e não serem previsões, etc. e tal, há duas coisas nestas eleições que me causam maior incerteza sobre a relação entre estas estimativas e os que possam vir a ser os resultados do dia 6.

Primeiro, a enorme vantagem do incumbent, factor que costuma gerar desmobilização por certeza de vitória e passagem de voto útil para voto sincero (a segunda potencialmente agravada pela mudança no sistema eleitoral).

A segunda é o próprio contexto social, mediático e político da Madeira. Nunca tivemos, na Católica, tantas recusas para responder a uma simples simulação de voto em urna como aqui na Madeira: 1/3 de todos os contactados. E há quem pergunte - garanto-vos - se depois de responderem à sondagem têm de ir votar na mesma no dia 6 ou se "já está", ou mesmo "o que é isso de uma sondagem?". Realmente, o hábito de responder a sondagens não existe, e há, por outro lado, uma opção política que é de tal forma dominante que quem a não partilha parece hesitar em declará-lo. Digo eu, porque uma recusa é uma recusa é uma recusa, sabe-se lá o que quer dizer. Mas não deve ser por acaso que a percentagem de recusas seja maior quanto menos "laranja" é a freguesia...

Em resumo, fazer sondagens aqui é outra coisa. Seja como for, as dificuldades são iguais para todos. Vamos ver no que isto dá...

segunda-feira, abril 30, 2007

Sego-Sarko, a 30 de Abril

Três novas sondagens: TNS, IFOP e IPSOS. As três convergem mais ou menos nos mesmos resultados: Sarkozy 52-52,5%; Royal 47,5-48%. Mas nenhuma ainda capta qualquer potencial efeito do debate Royal/Bayrou.

A evolução das intenções de voto em Sarko para a 2ª volta:



E os mesmos dados, agora por instituto.


Os dados disponíveis confirmam que tudo se joga na captação do eleitorado Bayrou. Segundo a IPSOS, à volta de 70% (as margens de erro para estas sub-amostras são elevadas e por isso não vale a pena ter grandes precisões) dos eleitores da esquerda do PS e de Le Pen votam, respectivamente, em Royal e Sarkozy. Mas os eleitores de Bayrou estão divididos, com ligeira vantagem para Royal. O Le Monde tem um gráfico divertido: o "bayroumètre", onde se mostram os esforços de cada candidato para atraír o eleitorado Bayrou.



quinta-feira, abril 26, 2007

A 1ª volta e meia

Débat télévisé entre Ségolène Royal et François Bayrou samedi

2ª volta

Nem sempre sucede, e quando sucede pode não ser pelas razões que pensamos. Mas a verdade é que, nestas eleições francesas, colocar os eleitores perante o cenário de Sarkozy vs. Royal na segunda volta e o facto de Sarkozy vs. Royal na segunda volta não parece fazer diferença. As sondagens antes e depois do dia 22 (à esquerda e à direita da linha de referência vertical no gráfico seguinte) não mostram mudanças.

terça-feira, abril 24, 2007

Sarkozy e Mitterrand

"Ce qui est remarquable concernant ce vote utile, c'est que Nicolas Sarkozy a composé avec l'électorat habituel du Front National à l'instar de ce que François Mitterrand avait réussi à faire avec le parti communiste en 1981. Nous sommes quasi dans le même contexte aujourd'hui qu'en 1981 - à l'exception des convictions politiques des deux hommes. Nicolas Sarkozy a réussi à régler le problème sur sa droite, reste désormais à se focaliser sur le centre. Le problème avait, en partie, été réglé avec la création de l'UMP en 2002 mais reste à l'actuel candidat de la droite parlementaire de terminer de le résoudre pour accéder à la présidence de la République." (Gérard Grunberg, Director de pesquisa no CEVIPOF)

Os analistas franceses adoram estes paralelismos históricos, e é bom quando, uma vez por outra, eles fazem sentido.

Outlier (and shameless plug, in a way)

Os cientistas sociais que andem por aí não se devem esquecer de que o ICS, onde trabalho, vai atribuir um prémio "destinado a galardoar obras de excepcional qualidade que contribuam, de forma decisiva, para o conhecimento da realidade portuguesa, histórica ou contemporânea" publicadas entre 1 de Janeiro de 2002 e 31 de Dezembro de 2006, o Prémio Sedas Nunes.

O júri é constituído pelo Presidente do Conselho Científico do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (Jorge Vala) e por Carlos Fortuna (Coimbra), Diogo Lucena (Nova), Francisco Bethencourt (King’s College), José Ramón Montero (Autónoma de Madrid e Juan March), Maria Benedicta Monteiro (ISCTE), Robert Fishman (Notre Dame e Pompeu Fabra) e Robert Rowland (ISCTE).

Não se acanhem. Sempre são 20.000 euros.

Eu não posso concorrer, antes de mais porque ajudei a escolher o júri, mas também porque não tenho ideia de ter escrito "obra de excepcional qualidade" no período em questão. Maybe next time..

segunda-feira, abril 23, 2007

"L'indécision est en partie une création des sondages"

Um artigo interessante, já com duas semanas, no Le Monde, sobre a forma como a "indecisão" nas sondagens é "estimulada" nos inquéritos pelos próprios institutos, de forma a se protegerem dos erros e terem sempre justificação para o caso de as suas estimativas de afastarem na realidade.

Interessante, mas com dois erros um bocado a dar para o fatal. O primeiro vem quando o politólogo entrevistado diz que o que se passa na realidade é que os inquiridos ocultam o seu comportamento dos inquiridores, "e é por isso que as sondagens à boca das urnas falham também". Isso seria interessante se fosse verdade, mas não é, como se pode ver por aqui e muitos outros exemplos em posts neste mesmo blogue, em vários países.

O segundo vem quando o entrevistado afirma que está demonstrado que os inquiridos não se recordam "exactamente" de quanto tomaram uma decisão. Certo, mas a verdade é que nenhum inquérito pergunta a um eleitor "quando exactamente tomou" uma decisão. O que dá são intervalos de tempo relativamente amplos, e que funcionam, de resto, como uma escala ordinal entre "há muito" e "há pouco" tempo. E há carradas de artigos que mostram como os eleitores que se posicionam em diferentes pontos dessa escala são diferentes uns dos outros, e ainda por cima de maneiras previsíveis (mais ideologizados, com maior fidelidade partidária e mais sofisticados aqueles que tomam decisões antes).

O artigo também foi publicado na edição portuguesa do Courrier International.

O futuro

Há muita informação para digerir. Alguns resultados das sondagens à boca das urnas ou das telefónicas conduzidas ontem (muito mais interessantes e completas do que aquelas que se fazem em Portugal, que estão geralmente interessadas única e exclusivamente nas estimativas de voto) são animadores para Ségolène. Por exemplo, a CSA (agora dá para desconfiar um bocado, mas enfim) fez uma sondagem com amostra de1005 inquiridos, telefónica, conduzida na noite de ontem, em que mostra a intenção de voto futura de acordo com a passada:

Eleitores Bayrou: 45% Ségo, 19% Sarko, 16% abstenção.

Eleitores Le Pen: 60% Sarko, 19% Ségo, 21% abstenção.

A concentração de eleitores Le Pen em Sarkozy é muito menor do que se poderia esperar, ao passo que Ségolène domina entre os eleitores Bayrou.
Mas estes resultados não conferem com os de outros institutos. O IFOP sugere que os votos Bayrou se dividem, neste momento, entre 54% para Sarko e 46% para Ségo, com 83% dos votos Le Pen a irem para Sarko. Uma diferença enorme para os resultados da CSA. E mesmo com os resultados da CSA, Ségo continua abaixo de Sarko nas intenções de voto para a 2ª volta. Aliás, todas as sondagens de intenção de voto na 2ª volta conduzidas ontem (à direita da linha de referência vertical) dão-na abaixo de 50%:


Seja como for, há muito caminho para percorrer. Atente-se nisto: nas sondagens à boca das urnas conduzidas ontem, a percentagem de eleitores que disseram ter decidido em quem votar na última semana andou pelos 30% (BVA), 34% (CSA) e 36% (IPSOS). Cerca de um em cada três dos que votaram ontem terão tomado a sua decisão na última semana. É obra.

2º rescaldo

Ora bem. Pegando na última sondagem divulgada de cada instituto de opinião, calculando o desvio absoluto entre cada estimativa para cada um dos quatro principais candidatos e aqueles que foram os resultados finais, e calculando a média desses desvios, chegamos à coluna a vermelho:


Todos subestimaram Sarkozy, todos sobrestimaram Le Pen, todos sobrestimaram o peso dos pequenos candidatos. A IPSOS, a TNS e a BVA foram as que andaram mais próximo. Houve algumas avarias na CSA, ao contrário do que se tinha passado em 2002. A IPSOS apostou muitíssimo nestas eleições, especialmente com a tracking poll, e está a compensar. E, se me permitem, queria chamar a atenção para o facto de que este desempenho das sondagens não ser superior ao verificado, por exemplo, nas presidenciais em Portugal em 2006.

Nas sondagens à boca das urnas, tudo normal:

domingo, abril 22, 2007

Primeiro rescaldo

Amanhã veremos a coisa com calma, mas o essencial sobre como as sondagens se portaram está aqui.

O futuro? Um bom sítio para começar é o site da IPSOS, especialmente nos resultados completos de uma sondagem conduzida hoje pelo telefone. Muitas pistas interessantes, que analisaremos nos próximos dias.

sexta-feira, abril 20, 2007

Photo finish

Bem, ao que parece a IPSOS, pelo menos, ainda vai lançar dar uns números adicionais cá para fora, mas seria estranho que variassem muito dos anteriores. Os gráficos finais com as tendências:


Sim, estão a ver bem. "Ele" é o único que sobe.


Actualização:
CSA, 20-4, N=1002:
Sarko: 26,5%
Ségo: 25,5%
Le Pen: 16,5%
Bayrou: 16%
IPSOS, 20-4, N=1598
Sarko: 30%
Ségo: 23,5%
Bayrou: 17%
Le Pen: 13,5%
Há uns sondageiros que vão ficar muito mal dispostos no dia 22. A questão é, quais?

França: a recta final

Não sei se haverá mais sondagens durante o dia de hoje, mas é provável que a coisa fique por aqui. O quadro que se segue mostra as quatro sondagens de intenção de voto cujo trabalho de campo é mais recente (terminado ontem):



A CSA está cheia de incertezas sobre a ordem dos candidatos do ponto de vista das intenções de voto actuais, ao contrário do que sucede com as outras. Mas convém notar que, em 2002, a CSA nem foi quem se saiu pior: sobrestimou Jospin, como toda a gente, e subestimou Le Pen, como toda a gente. Mas a TNS-Sofres subestimou ainda mais Le Pen e a IPSOS teve resultados muito parecidos com os da CSA. Dia 22 pode, afinal, trazer surpresas.

quinta-feira, abril 19, 2007

quarta-feira, abril 18, 2007

segunda-feira, abril 16, 2007

O outro divino Marquês

Segundo as sondagens, Bayrou ganharia quer a Sarkozy quer a Royal numa segunda volta. Isto sucede porque, para além de ser a primeira preferência de um em cada cinco eleitores, ele é também a segunda preferência de muitos eleitores de Sarkozy e muitos eleitores de Royal. Contudo, como há mais eleitores cujas primeiras preferências são Sarkozy ou Royal, Bayrou pode não passar à segunda volta. Logo, apesar de haver uma maioria de eleitores que prefere Bayrou a Sarkozy, e uma maioria de eleitores que prefere Bayrou a Royal, Bayrou não será - a acreditar nas sondagens - presidente. O problema, de resto, já tinha sido detectado há mais de 200 anos por outro francês, que inventou um método para resolvê-lo. Mas não é assim que vai ser.

França

Estamos a menos de uma semana. Desde o dia 10, inclusivé, foram terminados os trabalhos de recolha de sete sondagens de intenções de voto nas presidenciais, de cinco institutos diferentes (todos os habituais menos a Louis-Harris, cujo último trabalho ainda é do dia 7).

Podemos começar por olhar para as médias das intenções de voto nas últimas sondagens conduzidas por esses institutos, assim como para o valor máximo e mínimo estimados para cada candidato:

Sarkozy: 28% (entre 26 e 30%)
Ségolène: 24% (entre 23 e 26%)
Bayrou: 18% (entre 17 e 21%)
Le Pen: 14% (entre 12 e 15%)

Nenhum instituto põe em causa esta ordenação dos candidatos . O valor mais alto para Ségolène em qualquer sondagem é igual ao valor mais baixo obtido por Sarkozy, e os valores mais altos para Bayrou e Le Pen, respectivamente, inferiores aos valores mais baixos para Ségolène e Bayrou.

Mas para Ségo e Bayrou há ainda muita incerteza. De resto, o voto à direita parece ser o mais seguro. A IPSOS fornece os dados se uma segunda questão, em que é pedido àqueles que declaram uma intenção de voto que digam se essa intenção é definitiva ou pode mudar. A percentagem dos que declaram ser essa a sua intenção definitiva, para cada candidato, são os seguintes:

Le Pen: 86%
Sarkozy: 74%
Ségolène: 67%
Bayrou: 50%

Logo, pelos vistos, e previsivelmente, é na opções Royal e Bayrou que parece poder haver maior instabilidade até ao dia das eleições, o que. presumivelmente, pode dar para tudo. Bayrou a subir à conta de Royal ou, pelo contrário, Royal a subir à conta de Bayrou.

Há ainda os que não indicam intenções de voto: 17% na IPSOS, 7% no IFOP, 21% na CSA, 23% na TNS. Aqui tudo se complica, porque não é evidente dos relatórios o que isto mede: pessoas que têm intenção de votar mas não sabem ou não dizem em quem, ou abstencionistas declarados, ou ambos. Mas há um factor que joga a favor de que as estimativas de intenção de voto feitas neste momento se aproximem relativamente dos resultados finais, e que é a comparativamente baixa abstenção que estas eleições deverão ter: todos os indicadores de interesse pela campanha revelam mobilização superior à de 2002. Em 2002, a abstenção na 1ª volta foi de 28,2%.

segunda-feira, abril 09, 2007

Montanha russa

Não há vaga de sondagens sobre as presidenciais francesas que não traga uma novidade qualquer, muitas vezes contraditória com a novidade anterior. Desta vez, com as primeiras sondagens de Abril, a "novidade" é mais uma descida de Ségolène, chegando aos valores mais baixos desde o início do ano (22%).


segunda-feira, abril 02, 2007

Outlier: a Tapada das Necessidades

Há quase um ano, escrevi isto neste blogue. Na edição de ontem do Público explica-se como se chegou a esta situação. Não consigo fazer um link à notícia, mas penso poder resumir: ministros e directores-gerais de vários governos, associações e ex-presidentes, todos metidos ao barulho. Protocolos assinados e não cumpridos e decisões casuísticas que se revogam umas às outras. E já promete tribunais, o que, como bem sabemos, permitirá certamente a resolução célere do assunto. O habitual.

quarta-feira, março 28, 2007

Soigne ta droite

Em quatro sondagens recentes, Sarko e Ségo estão tecnicamente empatados. Quem diria?

CSA, 22/3:
Sarko, 26%; Ségo, 26%.

TNS-Sofres, 22/3:
Sarko, 28%; Ségo, 26,5%.

IFOP, 23/3:
Sarko, 26%; Ségo, 25%.

Louis-Harris, a mais recente, 24/3:
Sarko, 27%; Ségo, 27%.

IPSOS e BVA estão a dar margens maiores, mas mesmo assim..

P.S. - O BVA já não. Sarko, 28%; Ségo, 27%.

terça-feira, março 27, 2007

Grandes portugueses, 2º e último post

Os institutos de sondagens que trabalham em Portugal, ou qualquer associação ou organismo que os representasse, deveriam ter dito alguma coisa sobre os resultados do concurso antes de eles serem conhecidos. Não necessariamente no sentido de criticar o programa mas sim de explicar os limites do exercício. Agora é tarde. Soa tudo um bocado a falso, como se se quisesse deslegitimar o resultado em concreto e não todo o processo. Eu disse alguma coisa, aqui, mas eu sou só eu e isto é só um blogue. Mais um elemento a considerar quando se pensar na lamentável ausência de uma instância de auto-regulação dos institutos de sondagens, que a APODEMO, compreensivelmente mais voltada para os estudos de mercado, não consegue suprir.

Isto não impede que se discuta o concurso como fenómeno "mediático" ou "cultural". Aí sim, estejam à vontade. Nem impede sequer que o concurso seja visto como tendo alguma "bondade" intrínseca, no sentido em que promoveu - será que promoveu? - alguma discussão - entre quem? - séria - em parte - sobre a história - recente - e a identidade portuguesas.

O que já percebo menos é o que terá passado pela cabeça do meu amigo André Freire para analisar os resultados como fruto de "uma militância de protesto contra a democracia, a classe política actual" como relectindo "um certo falhanço da democracia" ou um "défice de explicação aprofundada do que foi o regime e das vantagens que vieram com a democracia". O ponto é este, e muito simples: os resultados não merecem análise. O que eles significam e representam é completamente indeterminado. E quando a inferência descritiva é deficiente, a inferência explicativa é uma pura perda de tempo.

P.S- O que o André Azevedo Alves diz aqui seria correcto se dispuséssemos de um qualquer outro elemento dos resultados para além da distribuição de frequências do sentido de voto. Se soubéssemos, por exemplo, as características socio-demográficas ou as atitudes políticas dos votantes no concurso, poderíamos compará-las com as da população em geral, ou procurar relações entre essas características e o sentido de voto. Contudo, não creio que essa informação tenha sido recolhida.

sexta-feira, março 23, 2007

O homem, afinal, dá-me razão

Várias sondagens conduzidas nos últimos dias sobre as presidências francesas: TNS, BVA, CSA, Louis-Harris e, claro, a tracking poll da IPSOS.

Média das últimas três sondagens (BVA, IPSOS e CSA, entre os dias 20 e 22 de Março):

Sarkozy: 29%
Ségolène: 25%
Bayrou: 18%

Bayrou desce, portanto, enquanto Ségo e Sarko dão sinais de subida. O que tem de ser tem muita força. Dito isto, há discrepâncias muito importantes entre as sondagens. Basta dizer que a CSA coloca Sarko e Ségo empatados.

sexta-feira, março 16, 2007

França

Uma análise preciosa dos resultados das sondagens em França, no forum da IPSOS. Alguns destaques:

1. "Alors que depuis fin février, le score de Nicolas Sarkozy était stable au-dessus des 30% d'intentions de vote, il vient de perdre 4,5 points sur les 5 derniers jours (28,5% sur la mesure du 14 mars). On enregistre moins de mouvements autour de la candidature de Ségolène Royal, qui capte environ un quart des intentions de vote 1er tour. La dynamique est en revanche particulièrement favorable à François Bayrou, qui a gagné 10 points d'intentions de vote en un mois (23% aujourd'hui)." (agradeço e retribuo a confiança do João Gonçalves, mas acho que ele não leu o meu post que cita aqui com suficiente atenção. É que os problemas de Ségo já vieram à tona há muito tempo. São os problemas de outros que começam a vir à tona agora...).

2. "Jean Peyrelevade analyse la dynamique favorable à François Bayrou comme résultant du succès d'un discours "non démagogique", sans promesse non financée, qui évite la "réponse catégorielle systématique", c'est-à-dire le fait de donner verbalement satisfaction à chacune des catégories de personnes croisées pendant la campagne (infirmières, ouvriers d'airbus, enseignants, agriculteurs etc.). Pour lui, l'état de crise du pays, morale et intellectuelle, rend aujourd'hui recevable une réponse globale : "un projet politique général, cohérent, pas toujours très précis mais non démagogique et non catégorielle". Eric Dupin est d'accord avec cette proposition, que l'état de crise de la société française explique le succès de François Bayrou. (..) "Cela étant, il y a aussi dans le succès de François Bayrou l'état de défiance à l'égard de la classe politique. De ce point de vue là, les positions d'hostilité au système politique et médiatique ont lourdement contribué à sa progression."

3. "Les candidatures de Nicolas Sarkozy et François Bayrou ont en commun d'attirer au-delà de leur sensibilité politique d'origine. Nicolas Sarkozy bénéficie depuis quelques mois du soutien d'une partie des sympathisants du Front National et de l'UDF, quand François Bayrou mord sur l'électorat socialiste, et plus récemment UMP."

4. "Dans le détail, on relèvera surtout la perméabilité de l'opinion à une série de réformes 'de droite' . La majorité des Français se déclare favorable à l'alignement des régimes spéciaux de retraite sur le régime général, à la mise en place d'un système plus sélectif avant le baccalauréat, à l'assouplissement du droit du travail sur les conditions d'embauche et de licenciement des salariés, à la remise en cause de la loi sur les 35 heures."

5. "Pierre Giacometti termine l'exposé des données d'opinion en présentant les niveaux de fermeté du choix électoral par candidat, un des points clés de l'instabilité du rapport de force actuel. Avant la dégradation rapide et brutale de Jean-Pierre Chevènement il y a 5 ans, à peine la moitié des électeurs qui déclaraient une intention de vote en sa faveur déclaraient ce choix définitif. Aujourd'hui, la fermeté du choix "François Bayrou" est au même niveau, ce qui ouvre le champ des possibles. "

quinta-feira, março 15, 2007

Tendências França

Nada de muito novo, mas não faz mal voltar a olhar. A tentação, à medida que Bayrou se aproxima de Ségolène, é vê-la a ela como a mais ameaçada na passagem à 2ª volta. E é certamente correcto. Mas reparem como, nos últimos tempos, é Sarkozy o mais afectado pela subida de Bayrou. Há uma crescente convergência na intenção de voto para os três candidatos. E for assim:

- conseguirá Bayrou suster os seus eleitores que ainda se dizem incertos sobre a sua opção (em maior número do que os eleitores de Ségo ou Sarko)?

- e se não conseguir, para onde irão eles?

Ségo:




Sarko:



Bayrou:


França: mais três sondagens

BVA, CSA e IPSOS (rotação completa da amostra na tracking poll). Médias:

Sarkozy: 28%
Ségolène: 24%
Bayrou: 22%

terça-feira, março 13, 2007

Outlier: a carta do Ministro

Anda muita gente preocupada com a centralização de poder em José Sócrates e no Ministério da Administração Interna. Paulo Gorjão tem feito o inventário do que se tem escrito sobre o tema. Confesso que também andava inquieto, mas hoje fiquei muito mais descansado. Na página 38, o Público divulga uma carta do Ministro da Administração Interna, António Costa, dirigida a Paulo Ferreira, subdirector do jornal, onde, depois de contestar as suas afirmações em editoriais dos dias 3 e 9, conclui da seguinte forma:

"Até lá sugiro, que, para a próxima, pense três vezes antes de me insultar novamente".

Uma pessoa, assim, até fica mais descansada. Tento imaginar Michael Chertoff, Secretário do Departamento de Homeland Security, a escrever uma carta como esta a Bill Keller, do New York Times ("Until then I suggest that, next time, you think three times before insulting me again") e não consigo. Já consigo imaginar Bill Keller a ser inspeccionado pelo IRS, escutado pelo FBI e vigiado pela CIA, mas a receber uma carta estilo "cabeçada à Cais do Sodré" é mais difícil. O que até pode ser um bom sinal: quem realmente tem poder não fala assim.

segunda-feira, março 12, 2007

França: três novas sondagens

IPSOS (rotação completa da amostra da tracking poll); IFOP (já mencionada aqui anteontem); e TNS-Sofres, com trabalho de campo terminado entre os dias 8 e 10, e com metodologias muito semelhantes. Média dos três primeiros:

Sarkozy: 29%
Ségolène: 25%
Bayrou: 23%

sábado, março 10, 2007

Mas o homem insiste em desmentir-me

Sondagem que sai amanhã, do IFOP (9 Março, N= 881, Quotas, Telefónica):

Sarko: 28%
Ségo: 23%
Bayrou: 23%

Bayrou apanha Ségolène. E esta?

Ségo-Sarko em queda, Bayrou em alta

Ségolène:

Sarkozy:


Bayrou:

Eu continuo céptico sobre as chances de Bayrou. Ao contrário do que se pensa - e já falámos nesta história a propósito dos referendos - a identificação partidária conta muito para o comportamento eleitoral mesmo em eleições personalizadas ou onde não se vota em listas de partidos, e o PS vai fazer sentir o seu peso. E o voto em Bayrou é volátil. Mas os resultados são o que são.

quinta-feira, março 08, 2007

As sondagens em França, do ponto de vista dos sondados

Estudo interessante da IPSOS. Principais resultados:

* 57% des personnes interrogées jugent les sondages et enquêtes d’opinion indispensables à la démocratie;

Mas:

* Méfiance de 78% des personnes interrogées d’accord pour affirmer que les médias font parfois dire n’importe quoi aux chiffres issus des sondages;

E:

* 57% des personnes interviewées pensent que les sondages ont une influence sur les programmes et thèmes abordés dans la campagne et 55% qu’ils influent sur le choix des candidats officiels des partis politiques.

*Quand 59% des interviewés pensent que les sondages publiés au moment des périodes électorales ont une influence forte sur le vote des électeurs, ils ne sont plus que 15% à se dire personnellement influencés dans leur propre vote.

Há, na notícia, um tom de "auto-elogio" ou "auto-satisfação" com alguns resultados do inquérito que não me agrada especialmente. De resto, recordar o seguinte: por muito que seja o esforço na introdução de critérios "não-enviesados" para a selecção das amostras, as sondagens são feitas a amostras de pessoas que aceitam responder a sondagens. Nalguns casos, isso pode não ser problemático. Neste, contudo, é quase certo que a predisposição para responder está correlacionada com a opinião sobre as sondagens.

Pânico nas candidaturas Ségo e Sarko

Bayrou com 24% na sondagem CSA e 21% na BVA (ambos os links são pdfs). Bate Sarko e Ségo à vontade numa segunda volta.

Mas há outros resultados (IPSOS com 19%) e importa lembrar isto. Mesmo assim, não é por acaso que...

Simone Veil doit annoncer aujourd'hui qu'elle prend la tête du comité de soutien à Sarkozy

quarta-feira, março 07, 2007

Bayrou

Vejam onde aparece François Bayrou nesta hierarquia das "personalidades políticas " das quais os franceses têm melhor opinião, na última sondagem IFOP. Bem acima de Ségo ou Sarko.


Mas note-se também isto na tracking poll da IPSOS:

"La fermeté du choix de vote 1er tour est nettement différente selon le candidat considéré. Les deux tiers de ceux qui ont porté leur intention de vote sur Ségolène Royal et Jean-Marie Le Pen assurent que leur choix est définitif ; c'est plus élevé que pour Nicolas Sarkozy (58%). En revanche, près de 60% des électeurs actuels de François Bayrou se réservent le droit de changer d'avis. "

Bayrou est chouette, trés tendance. Mas isso chega?

terça-feira, março 06, 2007

O povo é sereno

E já que falamos de candidatos "up and coming", algumas peças sobre as sondagens e o que pode vir a ocorrer nos Estados Unidos:

1. Can You Trust What Polls Say about Obama's Electoral Prospects?

No one would deny that race still matters in U.S. politics. For the past half century, the political parties have been increasingly divided in their positions on racial issues, and that, in turn, has affected voters' decisions to call themselves Republicans or Democrats. But this review of exit polls and electoral outcomes in several recent elections suggests that fewer people are making judgments about candidates based solely, or even mostly, on race itself, and that relatively few people are now unwilling to tell pollsters how they honestly feel about particular candidates. In such an environment, the high standing of Barack Obama in presidential polling -- or, for that matter, of Colin Powell prior to the 1996 presidential election -- represents a significant change in American politics.

2. Blacks Shift To Obama, Poll Finds

Clinton's and Obama's support among white voters changed little since December, but the shifts among black Democrats were dramatic. In December and January Post-ABC News polls, Clinton led Obama among African Americans by 60 percent to 20 percent. In the new poll, Obama held a narrow advantage among blacks, 44 percent to 33 percent. The shift came despite four in five blacks having a favorable impression of the New York senator.

Mas:

Perhaps pollsters are just cautious by nature, but while I would have included those results as part of the story, I would have given them far less emphasis. The problem is that despite all efforts to emphasize the underlying statistical imprecision, specific numbers inevitably take on a life of their. The narrowing of the race among all voters was more modest, and given the other results out last week, the real shift among African-Americans was likely less than the 40 point net shifts measured by the Post/ABC polls. But that did not stop one Sunday talk show I watched (Chris Matthews) from pushing the 40 point shift as it if was the definitive result (no transcript available yet).

3. E aquilo que as sondagens nos dizem sobre o futuro: How Reliable Are the Early Presidential Polls? Pouco.

A look back at nearly 50 years of early primary polls suggests that Republican front-runners are often a good bet to capture the nomination, but the picture is more mixed for leading Democrats.

Republicanos:
Unfortunately for Republican aspirants in this cycle, no candidate can benefit from the GOP's traditional early leader tenacity for the simple reason that no single frontrunner has been established. Until recently, former New York mayor Rudy Giuliani and Sen. John McCain had been running neck-in-neck in Republican horse race polls. Although recent nationwide polls show Giuliani slightly outpacing McCain among likely GOP primary voters, some election watchers are skeptical about Giuliani's chances, given his relatively liberal views on social issues.

Democratas:
By contrast, early Democratic poll leaders won four out of eight open contests between 1960 and 2004. In early 2003, Sen. John Kerry was tied with Sen. Joseph Lieberman, but fell behind Gen. Wesley Clark and Vermont Gov. Howard Dean at different times later in the year before eventually getting the final nod from Democrats.

Em geral:
Early general election presidential trial heat polls have a poor track record. History suggests the political climate is almost certain to change between now and November 2008.

Ségo-Sarko, 6 de Março

Nova sondagem Louis-Harris. Sem novidades, a não ser para dizer que Bayrou chega, pela primeira vez, aos 20%...

segunda-feira, março 05, 2007

Ségo-Sarko

Duas novas sondagens: uma da TNS, e outra da IPSOS (que corresponde à primeira rotação completa da amostra na sua traking poll). Curioso é verificar que:

1.Ségo, depois de ter travado a descida, não dá, pelo contrário, sinais consistentes de recuperação.




2. Apesar disso, Sarko desce:


3. E como é isso possível? Bem, porque há alguém que está a subir:




sexta-feira, março 02, 2007

Ségo-Sarko, 2 de Março

Depois de três sondagens que indiciavam uma recuperação de Ségo, quatro mais recentes começam a contar uma história ligeiramente diferente: Ségo parou de descer, mas não é evidente que esteja a subir (ou, talvez, a "subida" terá sido uma reacção a quente ao programa de televisão). Esta indeterminação decorre também do facto de estarmos um período em que os resultados dos diferentes institutos mostram discrepâncias importantes: CSA mais Ségo, IPSOS mais Sarko.

Ainda quanto à IPSOS, continua a tracking poll. No fim da primeira rotação completa da amostra voltamos a olhar para eles.








Sondagem Universidade Católica sobre Lisboa

Universidade Católica, 28 Fevereiro, N=786, Aleatória, Telefónica

Alguns destaques:

Em geral, como avalia a actuação de Carmona Rodrigues como Presidente da Câmara?
Muito boa: 4%
Boa: 17%
Assim-assim: 38%
Má: 21%
Muito má:11%
Ns/Nr: 9%

Na sua opinião, a situação da cidade nos últimos dois anos melhorou, piorou ou ficou na mesma?
Melhorou: 15%
Piorou: 39%
Na mesma: 45%
Ns/Nr: 2%

Dos últimos presidentes que a Câmara de Lisboa teve, qual deles foi para si o melhor: Jorge Sampaio, João Soares, Santana Lopes ou Carmona Rodrigues?
Jorge Sampaio: 42%
João Soares:25%
Santana Lopes: 9%
Carmona Rodrigues: 11%
Ns/Nr: 13%

Tendo em conta a situação que se vive actualmente na Câmara de Lisboa, qual das seguintes coisas preferia que acontecesse?
Que Carmona Rodrigues cumprisse o seu mandato até ao fim: 44%
Que Carmona Rodrigues fosse substituído por outro vereador: 7%
Que houvesse eleições antecipadas para a Câmara Municipal:: 41%
Ns/Nr: 8%

Se houvesse eleições, já tem uma ideia em que partido votaria, esperaria para saber quem é o candidato, ou abstinha-se?
Já tem uma ideia: 29%
Esperaria para saber quem é o candidato: 56%
Abstinha-se:9%
Ns/Nr: 6%

Se houvesse eleições, como votaria (questão colocada àqueles que, na pergunta anterior, dizem "já ter uma ideia em que partido votariam"; percentagens resultam da resposta combinada às duas perguntas):
Esperaria para saber quem é o candidato: 56%
PS: 12%
PSD: 10%
BE: 2,5%
CDU: 1,5%
CDS/PP: 0,5%
Outro: 0%
Abstinha-se: 9%
Ns/Nr: 8,5%

Na próxima vez que por aqui haja dúvidas sobre sondagens da Católica, já sabe a quem pode recorrer, até porque assim evita dar resultados errados. O endereço de e-mail está no cabeçalho. Aqui ninguém tem vergonha do trabalho que faz nem medo do escrutínio público.

quinta-feira, março 01, 2007

Ségo: revisão em baixa

A tracking poll da IPSOS apresenta os seus primeiros resultados hoje. Ségo não se sai tão bem como nas sondagens anteriores. Ainda não é suficiente para matar a já detectada tendência de recuperação, mas..

Mais tesourinhos perplexizantes da história eleitoral portuguesa

Resultados oficiais do referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, 1998, arquivo de resultados eleitorais do STAPE:

Sim: 1.308.607
Não: 1.357.698
Nulos: 16.102
Brancos:29.063
Votantes: 2.711.470
Abstenções: 5.776.956
Inscritos:8.488.426

Resultados oficiais do referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, 1998, arquivo de resultados eleitorais da CNE:

Sim: 1.308.130
Não: 1.356.754
Nulos: 15.562
Brancos: 29.057
Votantes: 2.709.503
Abstenções: 5.786.586
Inscritos: 8.496.089

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Tesourinhos perplexizantes da história eleitoral portuguesa

Já agora que começamos a falar na Madeira, e após ter sido chamado a atenção para isto numa conversa hoje com pessoa amiga, haverá alguma alma caridosa que me possa explicar isto?

Eleições para a Assembleia Legislativa Regional da Madeira:

Eleitores inscritos:
1980: 153.439
1984: 80.349
1988: 185.340

Fonte: CNE.

França: tracking poll

Os gauleses cedem finalmente aos encantos das tracking polls - mais tarde que os portugueses, note-se - chamando-lhes, como não podia deixar de ser, outra coisa: baromètre électoral en continu. É na IPSOS, e começa hoje.

Entretanto, também no site da IPSOS, um óptimo texto do director, Pierre Giacometti, sobre sondagens de intenções de voto. Já aprendi umas coisas hoje.

Madeira

Começam as sondagens na Madeira. Esta foi divulgada ontem:

Eurosondagem, 23 de Fevereiro, N=525
PSD: 59,1%
PS: 25%
CDS: 5,9%
PCP: 4,8%
BE: 3,4%
OBN: 1,8%

Recebi mensagens de leitores que me pedem comentários. Conheço muito mal a vida política na Madeira, mas dá para perceber que a coisa é divertida. Um dos e-mails aponta o facto de, no comunicado do PSD-Madeira em reacção aos resultados, se desvalorizar a sondagem por estar a "inflacionar" os resultados do PSD com vista a desmobilizar os seus eleitores, ao mesmo mesmo tempo se manifesta descrença nos resultados do PS ("o PSD não acredita na subserviência a Lisboa por parte de um quarto dos madeirenses"). Logo, pelos vistos, aquilo em que o PSD Madeira acredita mesmo é que o CDS, o PCP e o BE vão ter melhores resultados do que a sondagem sugere...

Outro e-mail aponta algo que não consegui descortinar das notícias a que tive acesso: que cerca de 100 dos 525 inquiridos não respondeu à pergunta sobre intenção de voto. As implicações disto são simples: por um lado, significa que a dimensão da amostra na base da qual se fizerem inferências sobre os resultados é menor do o total de inquiridos, o que, alías, sucede em todas as sondagens (há sempre pessoas que recusam responder a esta pergunta); por outro lado, lança a questão de saber se haverá um determinado perfil de votante que tende a rejeitar mais responder a este tipo de perguntas pelo telefone. Suponho que é este raciocínio que está subjacente àquilo que o leitor me diz no final do e-mail:

"Dois dias antes das eleições regionais de 2004, foi publicada outra sondagem que previa que o PSD teria 63% e PS 22 % das intenções de voto, e o que se verificou foi que o PSD obteve apenas 53% e o PS 27%."´

Pois, é muito possível que eleitores que não sejam do PSD tenham maior relutância em admitir as suas opções numa sondagem, especialmente pelo telefone. O mesmo, alías, parece suceder nas eleições autárquicas em relação ao partido que esteja no poder. Mas seria necessário ter pontos de comparação com sondagens que utilizassem outros métodos de inquirição para perceber se a ideia tem pernas para andar. Para já, é só uma hipótese.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Not really, but who cares

Rui Castro, no 31 da Armada, afirma que "de acordo com o barómetro feito pela Marktest para o DN e para a TSF, o Governo socialista e o Primeiro Ministro atingem os mais elevados níveis de popularidade desde que iniciaram funções há 2 anos".

Como podem ver no gráfico do post anterior, isto não é rigorosamente verdade, pelo menos no dito Barómetro.* But who cares? Isto, de resto, é só mais um exemplo daquilo que que falava aqui. É verdadeiramente curioso este desfasamento entre aquilo que os dados dizem sobre a opinião pública e aquilo que é, na "opinião publicada" (para lhe dar este nome), a percepção da popularidade do governo. Geralmente, estes desfasamentos são explicados em termos de uma assimetria no acesso à informação: enquanto a "opinião publicada" tem informação privilegiada, as "massas" reagem mais "tarde" ou são mais "manipuláveis". Foi assim, por exemplo, que se tentou explicar por que razão o PS continuava a merecer forte apoio popular em 2001, quando a "opinião publicada" já dava o governo Guterres como moribundo.

Mas desta vez, enquanto as "massas" estão longe de ser unânimes no apoio ao Primeiro-Ministro, são as "elites" que o apoiam ou, pelo menos (o que, na prática, não é tão diferente como possa parecer) partilham uma percepção de que o apoio é esmagador. Como se explica isto? Deixando de lado explicações socio-económicas das posições de "elites" e "massas" (mas não sei de as devemos deixar completamente de lado), talvez a explicação seja a mesma: a "informação privilegiada" que as "elites" têm (ou julgam ter) é a de que os "custos" da governação Sócrates são inevitáveis ou mesmo desejáveis, ao passo que "as massas" estão menos dispostas a ver a coisa por esse lado tão "reformista" e de "longo-prazo".

Mas veremos, no final, quem realmente sabia o quê.

* Suponho que a afirmação de Rui Castro seja mais ditada pelas intenções de voto no PS no mesmo Barómetro, que são realmente muito altas. Mas quem dá muita importância face value a intenções de voto em sondagens a dois anos de legislativas está, na minha opinião, a perder o seu tempo.

Barómetro Marktest

O saldo de popularidade de Sócrates actualizado com a sondagem divulgada hoje.
Sócrates recupera, mas a diferença entre os dois "barómetros" continua a ser grande.