quarta-feira, junho 20, 2007

Reagan II?

Atentem neste gráfico retirado do Political Arithmetik:

O que este gráfico mostra, simplesmente, é que Fred Thompson, ex-senador do Tennessee e actor no Law and Order, ultrapassou McCain nas sondagens para as primárias do Partido Republicano. E Thompson não é sequer ainda (oficialmente) candidato. Reagan II à vista.

terça-feira, junho 19, 2007

Boa pergunta

A que é colocada aqui sobre a popularidade do Primeiro Ministro. Como sabem os leitores deste blogue, não tenho dados suficientes para dar resposta. A não ser para dizer:

1. Apesar dos valores absolutos serem diferentes, as sondagens Eurosondagem e Marktest parecem reflectir tendências semelhantes, como se vê aqui.

2. Das quatro sondagens que regularmente medem a apreciação do Primeiro-Ministro, apenas a Eurosondagem o coloca, em termos absolutos, num patamar claramente positivo. As restantes não o fazem: aqui, aqui e aqui. E isto independentemente das intenções de voto maioritárias no PS (expressas, de resto, por pouco mais de metade das amostras, o que não sucede com a avaliação do PM). E apesar das dúvidas sobre o impacto do caso Independente, apesar de a pouco e pouco, à medida que resultados sucessivos após Março inferiores à média anterior se vão sucedendo, esse impacto negativo me parecer cada vez mais inquestionável.

3. Continuo a suspeitar que algumas das diferenças radicam na heterogeneidade dos questionários, da formulação das perguntas e da opções de resposta.

O povo é quem mais ordena

Católica, 13 de Maio de 2007, N= 1337, Aleatória, Face-a-face

Acha que já há condições para tomar uma decisão definitiva ou que se devia fazer mais estudos sobre a localização do novo aeroporto?

Já há condições para uma decisão: 19%
Devia-se fazer mais estudos: 47%
Não sabe: 32%
Não responde: 1%

sexta-feira, junho 15, 2007

Outlier: A frase do ano (pelo menos)

«Estou a fazer um investimento cultural», tendo em conta que «o Benfica faz parte da minha cultura», rematou Joe Berardo.

Até o "rematou" está perfeito.

Lisboa, Intercampus

A sondagem divulgada hoje no Público é interessante porque usa inquirição presencial e simulação de voto em urna, permitindo confrontar resultados obtidos com essa metodologia com os anteriores (onde se fizeram sondagens telefónicas). Há alguns elementos de informação que a notícia não faculta, tais como os resultados brutos ou as opções de amostragem. O que temos é o seguinte:




Confirma-se Costa na frente (mas dúvida sobre com que vantagem) e Carmona abaixo de Negrão. Roseta bastante abaixo de valores anteriores e Ruben e Sá Fernandes bastante acima.

A mão no bolso

O melhor resumo da minha comunicação na Gulbenkian, no ciclo Estado do Mundo, aqui.

O Presidente, o Congresso as Primárias

Ponto de situação, no indispensável Political Arithmetik. Destaques:

1. Bush no ponto mais baixo de popularidade de sempre;

2. Declínio no apoio ao Congresso, especialmente para Republicanos mas também para os Democratas;

3. Pessimismo generalizado e crescente sobre a direcção do país;

4. Surpresa nas primárias Republicanas: McCain e Giuliani em declínio, Fred Thompson - ex-senador do Tennessee - a subir. Para quem não esteja bem a ver de quem se trata, pode clicar aqui e garanto que ficará surpreendido.

5. Menos surpresas nas primárias do Partido Democrata: Obama e Clinton estabilizam (depois de subida do primeiro e descida da segunda), mas Gore sobe nas sondagens...

terça-feira, junho 12, 2007

Um aeroporto no deserto

TVI, Intercampus, 11 Junho, N=605, Telefónica, nacional

Preferência por localização do novo aeroporto
"Margem Sul": 48,4%
Ota: 16,9%
Outros: 3,1%
Ns/Nr: 31,6%

O que vale a quem, como eu, trabalha nesta actividade, é que há sempre mais de metade dos inquiridos que em qualquer sondagem e em qualquer pergunta têm sempre opinião sobre seja o que for. Que Deus os guarde.

Mais a sério, este é um dos grandes temas do estudo da opinião pública: como as pessoas exprimem opiniões na base de reduzidíssima informação e sem qualquer (aparente) base racional. E até que ponto decisões como essas podem, de facto, ser "racionais". Um número inteiro de uma revista dedicado ao assunto: aqui.

4,7%, 0 deputados

Procuro não me repetir, mas tenho desta vez o pretexto de estar a repetir o que outros disseram:

"Ce qui est remarquable concernant ce vote utile, c'est que Nicolas Sarkozy a composé avec l'électorat habituel du Front National à l'instar de ce que François Mitterrand avait réussi à faire avec le parti communiste en 1981. Nous sommes quasi dans le même contexte aujourd'hui qu'en 1981 - à l'exception des convictions politiques des deux hommes." (Gérard Grunberg, Director de pesquisa no CEVIPOF)

segunda-feira, junho 11, 2007

França, legislativas

Com o andar da carruagem, confesso que me fui desinteressando das legislativas francesas, pela aparente previsibilidade da coisa. Pelos vistos, não fui o único: a abstenção ontem terá andado pelos 39,5%. Em 2002, aliás, o valor foi parecido, o que faz das duas últimas legislativas as eleições com maior abstenção na história da democracia francesa. Se nos recordarmos da elevada participação nas presidenciais, ficamos com a confirmação daquilo que já se sabe há muito tempo: o papel fundamental das instituições e dos contextos políticos na explicação da participação eleitoral.

O quadro seguinte mostra as últimas sondagens e os resultados com 98% dos inscritos. Correram razoavelmente bem, com alguma sobrestimação do partido de Bayrou.





quarta-feira, junho 06, 2007

Controvérsia sobre a sondagem Data Crítica, 2

Num post anterior, mencionei uma queixa que o PND tinha feito sobre uma sondagem da Data Crítica, alegando que, nessa sondagem, os inquiridos tinham sido confrontados com uma lista de candidatos mas que, no caso do PND, o nome do candidato tinha sido omitido, e alegando esse facto revela "falta de precisão rigor e objectividade, constituindo uma violação do princípio da igualdade de tratamento das várias candidaturas."

No comentário que fiz, assinalei que:

1. A ser verdade o que está na queixa do PND e a não ser um mero lapso na aplicação do guião, mencionar todos os cabeças de lista menos os de um partido não me parecia boa ideia;

2. E que, a ser verdade o que está na queixa do PND e a não ser um mero lapso na aplicação do guião, não mencionar os partidos dos cabeças de lista também não me parecia boa ideia.

Recebi um e-mail da Data Crítica, do qual transcrevo o excerto relevante. Permito-me apenas sublinhar os pontos que têm relação directa quer com a queixa do PND quer com os meus comentários anteriores. Farei alguns comentários adicionais no final.

"1) As perguntas relacionadas com as intenções de voto não foram inicialmente colocadas pelo entrevistador de forma assistida. Isto é, a pergunta foi inicialmente apresentada ao inquirido com a formulação da pergunta, não sendo sugerida ou proposta qualquer opção de resposta. Caso o inquirido indicasse espontaneamente um candidato, ou força partidária, a sua opção era assinalada pelo inquiridor. Caso o inquirido não soubesse, ou hesitasse, na resposta sobre o candidato, era lida a lista de candidatos que consta do questionário. Alguns dos comentários efectuados baseiam-se no pressuposto de que a lista de candidatos foi inicialmente lida, na sondagem realizada pela Data Crítica, a todos inquiridos – o que não é correcto.

Não foi identificado qualquer caso, no decurso da supervisão realizada, em que a lista de candidatos tenha sido lida inicialmente pelo inquiridor, no momento da primeira formulação da pergunta. Não foi obviamente objecto de supervisão post hoc a chamada específica em que a queixa se baseia, devido aos princípios e normas de anonimato e confidencialidade estabelecidos. Consideramos, contudo, que o cenário mais provável corresponderá a uma resposta equívoca ou hesitante, por parte do inquirido, sobre a sua intenção de voto, no momento da primeira formulação da pergunta – cujas eventuais motivações não nos compete procurar interpretar;

2) A lista de candidatos incluída no questionário identifica, para além do nome do cabeça de lista, as forças partidárias através das quais os candidatos apresentam as listas, ou a situação de candidatura independente. Não consideramos, por esse motivo, que seja de todo aplicável à sondagem realizada pela Data Crítica o comentário segundo o qual terão sido identificadas “as opções com o nome do cabeça de lista sem mencionar o partido”;

3) No caso do Partido da Nova Democracia (PND) foi, efectivamente, incluída no questionário a força política, não sendo mencionado o primeiro candidato da lista. Esta opção foi tomada devido ao facto de a entrega da candidatura no Tribunal e a apresentação da candidatura terem sido efectuadas no dia 28 de Maio – dia em que teve início a recolha de informação – e de não ter sido localizada informação que permitisse estabelecer de forma inequívoca que a lista do PND seria encabeçada pelo Dr. Manuel Monteiro – inclusivamente no jornal online do PND. Uma vez que o questionário é preparado e finalizado com antecedência, a entrega da candidatura do PND e a sua apresentação pública surgiram depois de a preparação da recolha de informação se encontrar concluída. Foi, na altura, avaliada a possibilidade de incluir a referência ao candidato, mas tal operação só poderia ser efectuada a meio do processo de recolha. Considerámos, por um conjunto de motivos que poderemos vir a detalhar, caso esta questão venha a merecer debate adicional, mais adequado manter a formulação original. Esta opção é baseada em critérios metodológicos e não tem evidentemente por objectivo introduzir qualquer distorção no princípio da igualdade de tratamento de candidaturas."


Em síntese, temos que:

1. Segundo a Data Crítica, "caso o inquirido não soubesse, ou hesitasse, na resposta sobre o candidato, era lida a lista de candidatos que consta do questionário, e "a lista de candidatos incluída no questionário identifica, para além do nome do cabeça de lista, as forças partidárias através das quais os candidatos apresentam as listas, ou a situação de candidatura independente." Segundo o PND, naquele inquérito concreto, "em seguida foram-lhe apresentados os nomes dos candidatos independentes Carmona Rodrigues e Helena Roseta e os nomes dos candidatos apresentados pelo PS, PSD, CDS, BE, CDU e PCTP/MRPP", ou seja, depreende-se, a lista fornecida continha apenas os nomes dos candidatos. Logo, houve um erro: ou errou o PND na descrição do sucedido, ou errou o inquiridor da Data Crítica que aplicou o questionário àquele inquirido em concreto.

2. Confirma-se que, no caso do PND, apenas o partido foi usado para descrever a opção, e não o nome do candidato. A Data Crítica dá a sua explicação do sucedido.

3. Último ponto, o que para mim é relevante: toda a gente parece ter a noção da enorme importância da formulação das perguntas e da potencial sensibilidade dos resultados a essa formulação.

terça-feira, junho 05, 2007

Popularidade Sócrates

Sondagens Marktest e Eurosondagem; no eixo y, percentagem de opiniões positivas subtraída de opiniões negativas; linha de referência vertical indica antes e depois do caso Independente.

Um problema sem solução (simples), 2

Nuno Guedes enviou-me (obrigado) três artigos seus publicados no Expresso que falam deste mesmo assunto. Alguns excertos:

"Recenseamento: 1,5 milhões de votos trocados
Os portugueses devem votar no local da sua residência habitual. Um milhão e meio de eleitores estão em situação irregular face à actual lei do recenseamento eleitoral, garante o Secretariado Técnico dos Assuntos para o Processo Eleitoral (STAPE), responsável pela organização de eleições e referendos. Há sete anos, quando a legislação mudou e passou a exigir que a residência habitual do eleitor fosse a que está no bilhete de identidade, o número, resultante do cruzamento do recenseamento com o registo civil, chegava aos três milhões, recorda Jorge Miguéis, director-geral do STAPE.

Os eleitores mal recenseados tinham cinco anos para fazer a mudança, mas o prazo caducou em 2004 e a lei não deixou qualquer meio ou sanção para regularizar estes casos. ‘‘Alertámos o Ministério da Administração Interna para a situação, que na altura considerou a legislação irrealista’’, conta o responsável, que explica: ‘‘Não houve meios para fazer cumprir a lei. Seriam necessárias milhões de notificações’’.

Em 2005, ano de autárquicas e legislativas, um terço dos 308 concelhos do país tinha dez ou mais por cento de eleitores quando comparado com a população residente segundo o Instituto Nacional de Estatística. Sobretudo, no interior centro e norte do continente (distritos de Bragança, Castelo Branco, Guarda, Viana do Castelo, Vila Real, Viseu) e Madeira. Votos que em cerca de 80 municípios eram suficientes para alterar o vencedor das eleições autárquicas.

Na capital, a situação é semelhante, mas por perda de população para a periferia. Lisboa tem mais 90 mil eleitores do que pessoas a viver na cidade - Carmona Rodrigues ganhou a autarquia por 45 mil votos. No Porto, a situação é igual - 37 mil recenseados a mais. Nos concelhos à volta, a situação inverte-se e a população com mais de 18 anos é quase sempre bastante superior aos inscritos para votar. ‘‘Lisboa perdeu mais de um habitante por hora nos últimos 10 anos’’, recorda Fernando Seara, presidente da Câmara de Sintra, que tem um défice de 65 mil eleitores no concelho."


"Sócrates vive em Lisboa mas vota na Covilhã
Há duas décadas que José Sócrates vive em Lisboa, desde que foi eleito deputado, pela primeira vez, em 1987. Na declaração de rendimentos entregue no Tribunal Constitucional, desde 1999 que a única morada apresentada pelo primeiro-ministro fica na capital, rua Castilho.
Sem respostas, o Expresso perguntou aos colaboradores mais directos de José Sócrates por que continua a votar na Covilhã e que residência tem no bilhete de identidade, que deveria corresponder à sua morada habitual. Em São Bento a ausência de resposta foi justificada pela falta de tempo do primeiro-ministro."

segunda-feira, junho 04, 2007

Um problema sem solução (simples)

Já repararam como, entre os concelhos da Grande Lisboa, as diferenças entre o nº de eleitores inscritos no recenseamento eleitoral e as estimativas da população com 18 ou mais anos são, elas próprias, muito diferentes entre si?

Por exemplo: a 31 de Dezembro de 2006, havia 266.655 eleitores inscritos no concelho de Sintra, incluindo cidadãos da União Europeia e outros estrangeiros residentes com capacidade eleitoral. Contudo, em finais de 2005, a estimativa provisória intercensitária de residentes no concelho de Sintra com 18 ou mais anos andava pelos 330.000. Muito mais residentes que inscritos.

E no concelho de Lisboa? Os mesmos dados apontam para 525.043 inscritos. Mas ao contrário de Sintra, onde há mais residentes que inscritos, em Lisboa é o inverso: a estimativa de residentes aponta para 440.000.

Esqueçamos a discrepância de um ano entre estimativa e recenseamento, dado que ela é comum aos dois concelhos. Se repetiram esta operação consistentemente para todos os concelhos da Grande Lisboa, vão verificar que, com a excepção de Cascais e Lisboa, há mais residentes que inscritos em todos os concelhos. Isto é curioso, dado que contraria o padrão que se julga existir no resto do país (mais inscritos que residentes). E Cascais é muito menos excepção que Lisboa, dado que o nº de inscritos e residentes é quase o mesmo. Só em Lisboa há uma enorme discrepância entre inscritos e residentes e a favor dos inscritos.

Já perceberam onde isto nos leva, não já? Há muita gente inscrita em Lisboa que já não reside em Lisboa. E se não perceberam bem a implicação disto, eu digo: quando uma sondagem escolhe nºs de telefone de domicílios no concelho de Lisboa, ou quando se faz uma sondagem presencial pelas ruas das freguesias de Lisboa, há muitos inscritos cuja probabibilidade de serem seleccionados para responder à sondagem é nula, porque eles não residem no concelho.

E se eles vierem votar na mesma? E se os que vêm votar forem tendencialmente diferentes dos votantes que residem em Lisboa? Bonito serviço.

Controvérsia sobre a sondagem Data Crítica

Mini-controvérsia instalada por causa da sondagem da Data Crítica que menciono no post anterior. O PND enviou uma queixa à CNE e à ERC:

No passado dia 29 de Maio, a Dra. Maria Augusta Montes, por coincidência membro da Direcção do Partido da Nova Democracia foi inquirida no âmbito da realização de uma sondagem telefónica pela empresa Datacrítica, com vista às próximas eleições intercalares para a Câmara Municipal de Lisboa. A pergunta relativa à intenção de voto foi-lhe formulada nos seguintes termos: “Se as eleições fossem hoje em qual destes candidatos votaria?”. Em seguida foram-lhe apresentados os nomes dos candidatos independentes Carmona Rodrigues e Helena Roseta e os nomes dos candidatos apresentados pelo PS, PSD, CDS, BE, CDU e PCTP/MRPP e em seguida foi-lhe apresentada a opção “representante da Nova Democracia”, omitindo o nome do candidato à Presidência da CML apresentado pelo Partido da Nova Democracia, o Dr. Manuel Monteiro.

Começo já por dizer - full disclosure - que tenho um amigo na Data Crítica. Mas também que não falei com ele sobre isto. Quatro comentários:

1. Pode ter sido um problema de aplicação deficiente, por um inquiridor concreto, do guião da entrevista.

2. Se não foi esse o caso, não parece boa ideia que, na listagem da série de opções de voto, sejam identificadas algumas pelo nome do cabeça de lista e outra sem esse nome.

3. Independentemente disso, também não me parece boa ideia - pelo menos neste fase - identificar as opções com o nome do cabeça de lista sem mencionar o partido. Os partidos são uma pista fundamental para que os eleitores tomem decisões, e nesta fase inicial omitir o partido parece-me dar um estímulo deficiente e demasiado irrealista ao eleitor, pressupondo que ele sabe mais do que aquilo que realmente sabe. Mais tarde, quando os candidatos forem conhecidos e a sua ligação a partidos também, poderá já não fazer diferença.

4. E independentemente de tudo isto, por aqui se vêem as limitações das sondagens: com muitas opções, é preciso reduzir a lista de alguma forma, ou a pergunta deixa de ser compreensível. Quem se lembra de uma lista lida oralmente com 12 ou mais opções? Os "pequenos partidos" é que sofrem. Talvez por isto também os resultados das sondagens só tendam a convergir uns com os outros no final de uma campanha: neste momento, as sondagens captam apenas as opções daqueles que já as tomaram e que, quando se lhes lê a lista, estão só à espera de ouvir a opção que corresponde à decisão já tomada. Para os outros, o pressuposto de que, numa sondagem, se está a colocar as pessoas perante um contexto "realista" de tomada de decisão e que através dele se capta de forma fiável essa decisão, é dificilmente sustentável.

sexta-feira, junho 01, 2007

Lisboa, Data Crítica, 29 de Maio

Foi divulgada mais uma sondagem sobre as intercalares de Lisboa, pela Data Crítica para o Diário Económico. Quem quiser saber as intenções de voto escusa de ir ler a notícia publicada no Diário Económico - pelo menos a da versão online - porque elas não estão lá. Mas a Data Crítica fez a amabilidade de me enviar esses resultados, que também terão sido enviados para a ERC. Aqui estão eles:



É cedo para detectar tendências consistentes e muito menos para presumir que estaremos próximo do que sucederá dia 15. Mas não há dúvidas sobre a liderança de Costa, e começam a sedimentar-se três ideias adicionais:

- Nas sondagens mais recentes, Carmona está, afinal, atrás de Negrão;

- Ruben de Carvalho e Sá Fernandes sofrem a bem sofrer com a presença de Roseta;

- Telmo Correia vai ter de fazer um esforço muito grande para que alguém se aperceba da sua existência.

quinta-feira, maio 31, 2007

Shameless, shameless plugs (mas um não)


1. Lançamento de um livro intitulado Eleições e Cultura Política, editado pela Imprensa de Ciências Sociais, e organizado por André Freire, Marina Costa Lobo e este vosso criado. Vão apresentar o livro Pedro Tavares de Almeida, do Departamento de Estudos Políticos da Nova, e Manuel Meirinho Martins, do ISCSP. É no dia 4 de Junho, às 17.45h, no ICS.

2. Ainda mais "shameless": passei a ser o coordenador do Curso de Mestrado em Política Comparada do ICS, agora na sua 5ª edição. Suspeito que alguns dos visitantes deste blogue são potenciais candidatos e não queria que a informação lhes passasse ao lado. É um mestrado "científico", ou seja, não pretende ser uma mera repetição ou extensão das coisas que andaram a ouvir no 1º ciclo em Ciência Política (e muito menos se o curso tiver sido outro). É muito voltado para a investigação, com tutores individuais e acompanhamento directo de concepção e execução de projectos. O Rui Ramos deu-me há dias uma boa definição. Este Mestrado está para os Estudos Políticos como os cursos de "creative writing" estão para a Literatura: "hands on".
O plano de estudos está aqui, o corpo docente aqui, e há ainda a somar a estes mais vinte investigadores portugueses e estrangeiros que vêm leccionar seminários especializados e módulos de cadeiras, quase todos já confirmados. Escrevam se quiserem saber mais coisas.

3. Um plug que não é para mim: Jorge Camões tem um dos blogues temáticos mais interessantes da blogosfera portuguesa, BizViz, sobre visualização de informação. O Jorge está a pensar promover um curso sobre análise gráfica de informação. Eu tenciono inscrever-me. Há muita gente que, se não tenciona, devia.

4. E logo ao fim da tarde, na Gulbenkian, integrado no Estado do Mundo, algumas considerações sobre o que significa fazer "ciência" na Ciência Política.

E já chega.

quarta-feira, maio 30, 2007

"Conseguir o Impossível"

Vale a pena ler o livro sobre a campanha de Manuel Alegre às presidenciais, tal como também valia a pena ler o livro de Filipe Santos Costa sobre a campanha de Soares (e não é por este blogue ser mencionado em ambos).

São dois produtos muito diferentes. O livro sobre Soares é uma reportagem jornalística, o livro sobre Alegre é uma obra colectiva, escrita por pessoas ligadas à campanha. Mas o capítulo de Helena Roseta ("Uma candidatura pioneira"), apesar dos enviesamentos compreensíveis, serve como reportagem da pré-campanha e campanha tal como vista pelo lado da candidatura de Alegre, tem muita informação factual e está uma coisa que me parece realmente bem feita. Os capítulos de António Pina Ferreira - sobre o financiamento - e de Nuno David - sobre a campanha na Net - são também muito informativos. E há o capítulo de Luis Moita sobre "A estratégia de campanha eleitoral de Manuel Alegre", que é de especial interesse para apreciar semelhanças e diferenças com que se vai passar por aqui. O resto do livro é mais soft e interessa mais aos fiéis da crença.

Temas "quentes" não há muitos, a não ser alguns elementos adicionais da intriga em torno da escolha de candidato por parte do PS, acusações bastante explícitas de manipulação dos resultados de sondagens feitas à Eurosondagem e um alegado acordo "implícito" entre Soares e o PCP e o BE. Mas há também uma janela, nos vários textos, para a mundividência e para o tipo de discurso político que está por detrás deste tema do "poder dos cidadãos", de que havemos ouvir falar mais vezes . E há outra coisa que me interessa pessoalmente: a enorme importância que as sondagens divulgadas publicamente parecem ter, não tanto (directamente) para o comportamento do eleitorado, mas sim para o interior das próprias campanhas, aumentando o ânimo ou o desânimo, dando a percepção de objectivos atingidos ou por atingir, afectando estratégias e, logo, afectando a capacidade de mobilização dessas campanhas e a sua eficácia. Uma sondagem em particular, feita pela Católica e divulgada no dia 7 de Janeiro, parece ter sido um momento charneira nas candidaturas Soares e Alegre, para além, claro, do impacto da "tracking poll" da Marktest. Feita a constatação, não sei bem o que deva ficar a pensar sobre o assunto.

Em resumo, independentemente do que achemos disto tudo, publicar livros destes após eleições é um bom hábito, que seria bom que não se perdesse.

Outlier: Resistance is Futile

Paul Wolfowitz demitiu-se da presidência do Banco Mundial. George W. Bush nomeou Robert Zoellick. O Público faz uma breve resenha biográfica. Mas esqueceu-se do fundamental: a participação de Zoellick num grupo auto-designado "Os Vulcanos", que desenhou a política externa de Bush enquanto candidato nas eleições de 2000 e preservou a sua influência nos anos que se seguiram.

Composição dos Vulcanos: Condoleezza Rice, Richard Armitage, Robert Blackwill, Stephen Hadley, Richard Perle, Dov Zakheim e Paul Wolfowitz, para além do próprio Zoellick. Há um livro sobre eles, e um artigo recente do Chicago Tribune.

segunda-feira, maio 28, 2007

Legislativas, França, 28 Maio


Popularidade líderes políticos, Maio

Com o último Barómetro Marktest, ficamos assim. No caso de Sócrates, o que está à direita da linha de referência vertical são os barómetros "pós-Independente".


As coisas não estão brilhantes para o PM, mas estão ainda piores para o líder do maior partido da oposição. O Presidente plana por cima disto tudo.

sábado, maio 26, 2007

Lisboa

Três sondagens divulgadas publicamente - Marktest, Eurosondagem e Católica - as três presumindo cenário com candidatura de Carmona. Os resultados são estes:



Confirma-se, por um lado, que de nada serve comparar resultados brutos de diferentes sondagens. Reparem na diferença entre a abstenção declarada na sondagem da Católica (23%) com a declarada na Marktest (3.2%), ao passo que a Eurosondagem nem a reporta. Diferentes normas de divulgação de resultados e, provavelmente, diferentes questionários - com a Marktest provavelmente a colocar o "não voto" como opção residual numa pergunta de intenção de voto e a Católica a fazer uma pergunta-filtro sobre probabilidade de votar - fazem com que esses resultados nem sejam comparáveis.

Olhando para as "estimativas" - ou seja, os resultados das sondagens expressos de forma a serem comparáveis entre si e com resultados eleitorais - há diferenças importantes. António Costa aparece com mais de 30% das intenções de voto válidas nas três, mas no que se segue há uma grande confusão. Carmona com 20% na Marktest, 17% na Eurosondagem e 14% na Católica; Negrão a ir na direcção oposta (12, 15 e 18%, respectivamente), e Roseta com 17, 16 e 13%.

É muito cedo para tirar grandes conclusões. As sondagens foram feitas em momentos em que não havia ainda confirmação de Carmona e, mesmo depois dessa confirmação, duvido que os eleitores tenham ainda bem arrumado na sua cabeça quem são estas pessoas, a que partido (não) pertencem e, afinal, a que vêm.

sexta-feira, maio 25, 2007

Outlier: Inimigo Público

Uma pessoa sabe que atingiu um ponto particular na sua carreira e percurso de vida quando lhe acontece uma coisa destas. Se é o zénite ou o nadir é que é mais difícil saber.

Portugal é Lisboa e o resto é paisagem

Alertado por um leitor e blogger, gostaria de chamar a vossa atenção para esta notícia da edição online do jornal Sol, onde se relatam os resultados de uma sondagem realizada a uma amostra representativa dos eleitores residentes em Portugal Continental, e onde o PS surge com 46,8% das intenções de voto válidas. O título da notícia resume "Sondagens dão maioria ao PS na Câmara de Lisboa". Errar é humano. Mas se há ministros que não deviam fazer discursos depois do almoço, há jornalistas que não deviam escrever notícias antes do pequeno-almoço.

P.S.- 12.03h. No Sol já se corrigiu o título.

terça-feira, maio 22, 2007

Legislativas, França, 22 Maio

Prémio

Um blogue ganhou um prémio de uma associação académica, mais concretamente o prémio Warren J. Mitofsky de Inovação concedido pela Associação Americana para a Pesquisa de Opinião Pública. É o www.pollster.com, que junta os esforços de Mark Blumenthal (do antigo Mystery Pollster) e de Charles Franklin (do Political Artithmetik). Poucos prémios são tão merecidos. Congratulations.

segunda-feira, maio 21, 2007

Lisboa: legislativas e autárquicas

Só para irmos pensando: a comparação entre o resultado do partido de governo nas eleições legislativas e na eleição subsequente para a câmara municipal, sempre no concelho de Lisboa. Quando há coligações num lado (governo) ou noutro (câmara), comparam-se os resultados das somas dos partidos que as compõem. O que importa é que o partido de governo esteja sempre de um lado e do outro.



Partidos de governo ou coligações contendo partidos de governo têm sempre, no concelho de Lisboa, piores resultados nas autárquicas do que nas legislativas precedentes, com duas excepções: as eleições separadas por dias ou poucos meses: 1979 e 1985. As "punições" maiores sofridas pelo governo, se quisermos chamar-lhes assim - 1991/1993 e 2005 - foram sofridas por partidos que governavam sozinhos e concorreram sozinhos à câmara de Lisboa.

Isto encaixa muito bem com a ideia de que as autárquicas são eleições de "segunda-ordem":

- por serem vistas como menos importantes do que as legislativas, dão incentivos a que potenciais apoiantes do governo as usem para exprimir a sua insatisfação;

- insatisfação a exprimir é menor em períodos de "lua de mel" governamental: autárquicas realizadas pouco depois das legislativas têm menor ou nula punição. 2005 parece excepção, e é. Mas a "lua de mel" deste governo socialista durou pouco ou, se quisermos, o resultado excepcionalmente baixo de 2005 em Lisboa dá a medida de quão mal correu a campanha ao PS;

- também por serem vistas como menos importantes, autrárquicas retiram incentivos para voto estratégico nos maiores partidos. Daí, dir-se-ia, a razão pela qual as punições do governo são "mitigada" com coligações.

Mas cuidado com a extracção de implicações para 15 de Julho:

1. Estas eleições estão rodeadas de maior dramatização do que é habitual: candidato do PS é ex-membro destacado do governo;
2. Eleições atípicas em comparação com as outras autárquicas.

Mas é só para irmos pensando.

Legislativas, França, 21 Maio


sexta-feira, maio 18, 2007

It's not what you say, it's what people hear

"LPM trabalha campanha do PS à Câmara de Lisboa" (Jornal de Negócios)

"Agora, em Lisboa, estaremos perante um caso de "renovar o sonho" ou algo de parecido? Não. Andamos à procura do rigor, da ambição, da exigência. Somos vizinhos dos espanhóis, mas vivemos em estados de espírito diferentes." (Luis Paixão Martins, ontem, no seu blogue).


Do Público (Nuno Ferreira Santos)

Por mero acaso, ontem estava a ler uma recensão na New York Review of Books de um livro de Frank Luntz, o ex-"spinmeister" do Partido Republicano (que esteve em Portugal há uns anos, no ICS, quando o ICS ficava num corredor do ISCTE) e, agora, dos Conservadores no Reino Unido. Só o título do livro, Words That Work: It's Not What You Say, It's What People Hear, é todo um programa.

Sondagens

Esta, da Marktest, mas sem candidato para o CDS-PP, sem Manuel Monteiro e presumindo candidatura da Carmona. Não serve para termos uma ideia do que pode acontecer no dia 1 de Julho, mas serve como indicador da notoriedade e do poder de atracção de Fernando Negrão: 4º lugar nas intenções de voto, com 9,5%, atrás de Costa, Carmona e Roseta.

Um exercício absurdo, mas só para o PSD não ficar muito desanimado: as intenções de voto de Carmona e Negrão somadas são exactamente 25,2%, o mesmo que Costa. E outro exercício absurdo, mas para animar as hostes: as primeiras sondagens nas presidenciais davam Alegre com 17%; acabou com 20%. Roseta aparece agora com 13,5%.

E outra sondagem, da Católica, sobre intenções de voto em legislativas e avaliações do governo e dos líderes políticos. Duas peças no JN que, parece-me, fazem uma boa interpretação dos resultados.

quinta-feira, maio 17, 2007

Game theory

Há para aí uma grande vontade de fazer sondagens em Lisboa, mas uma dúvida sobre quando isso começa a fazer sentido. Uma percentagem muito grande dos eleitores diz, nas sondagens a propósito das autárquicas, que a identidade do cabeça de lista é o mais importante para si. Isso pode não ser exactamente verdade - os eleitores costumam ser os piores analistas dos seus próprios comportamentos - mas não há dúvida que, pelo menos em comparação com as legislativas (onde o peso das lideranças é, mesmo assim, muito grande nas considerações dos eleitores), saber que menu concreto de candidatos existe é fulcral para que as pessoas cheguem a uma decisão qualquer.

Acresce a isto que as "pistas" habituais a que os eleitores recorrem para tomar decisões vão estar muito baralhadas nestas eleições. Julgar o trabalho do "incumbent"? Mas o "incumbent" é o PSD ou o candidato independente Carmona Rodrigues? O líder da oposição camarária passou a ser o ex-vice-líder do governo. O ex-candidato do BE quer apoiar um candidato independente, uma coligação ou correr sozinho, como independente ou com apoio do BE? Uma confusão. Vão-se fazer sondagens, e em breve. Até ao dia 1 de Julho haverá muita confusão a resolver nas cabeças dos eleitores (incluindo na minha).

Dito isto, e não sendo muito dado a estas "análises políticas" - pelo menos quando não tenho "dados" - confesso a minha total perplexidade com a actuação de Marques Mendes neste processo. Até ao dia 2 de Maio, apesar de pressionado pelas circunstâncias, Marques Mendes tinha a faca e o queijo na mão para decidir se e - mais importante - quando provocava a queda de Carmona. Decide fazê-lo no dia 2. Mas fá-lo, constata-se agora, desperdiçando completamente esse poder de iniciativa. Fá-lo sem ter assegurado um candidato forte que pudesse constranger as estratégias do PS e de Carmona. Com a bola nos pés, em vez de chutar à baliza, passa para o adversário a ver o que acontece.

Segue-se o inevitável: percebendo que o PSD andava aos papeis, o PS responde apresentando o candidato mais forte que poderia apresentar- o nº 2 do governo, caramba - diminuindo a probabilidade de que Marques Mendes conseguisse de seguida recrutar alguém de jeito disposto a arriscar o pêlo numa derrota em Lisboa. Sobra Fernando Negrão, pessoa porventura estimável - não faço ideia - mas com peso político e reconhecimento na opinião pública próximos do zero. E assim se abriu caminho para que Carmona sinta que vale a pena arriscar também. A primeira ronda do jogo - e há eleições, como, por exemplo, as legislativas de 2005, onde a primeira ronda é a última - estava perdida para o PSD.

Das duas uma: ou alguém tirou o tapete a Marques Mendes; ou Marques Mendes decidiu fazer cair a Câmara sem ter a mínima ideia do que tencionava fazer de seguida. O resultado, contudo, é o mesmo: a não ser que haja uma surpresa monumental nas eleições de Lisboa, Marques Mendes pode começar a pensar em arrumar os papeis no gabinete da S. Caetano à Lapa.

P.S.- Isto foi escrito há umas horas no pressuposto de que Carmona seria candidato. Agora, pelas 16:30, a coisa está em dúvida. Mas a perplexidade com a táctica do PSD é a mesma.

Legislativas, França, 17 Maio


Entretanto, a mesma sondagem da IPSOS pergunta "Parmi les personnalités suivantes, quelle est celle que vous souhaiteriez voir conduire la campagne du Parti socialiste pour les élections législatives?". Das suivantes, a maioria dos simpatizantes do PS (53%) escolhem Ségo. Da generalidade da amostra, uma maioria relativa (33%) escolhe Strauss-Khan.

terça-feira, maio 15, 2007

Presidenciais americanas

O melhor lugar para acompanhar o que se passa nas sondagens sobre as presidenciais americanas é, como sempre, o Political Arithmetik.

Aqui, as primárias nos partidos Republicano e Democrata. Giuliani destaca-se entre os republicanos, enquanto Hillary permanece no topo entre os democratas, apesar de a subida dos restantes (especialmente Obama) sugerir que aqueles que se vão decidindo o vão fazendo não por ela, mas por outros.

Aqui, os potenciais confrontos. É curioso verificar que, enquanto Obama parece capaz de bater todos os Republicanos, Clinton bate apenas Romney. Até Edwards parece um candidato mais viável, neste momento, para bater os candidatos republicanos do que Clinton.

Mas o melhor mesmo é ir lá, ler e aprender com o melhor blogue que existe sobre sondagens.

quinta-feira, maio 10, 2007

You're making a mistake



"Helplessly, the Perownes watched them all approach. In a sudden press of bodies they were introduced to the Prime Minister. He took Rosalind's hand first, then Henry's. The grip was firm and manly, and to Perowne's surprise, Blair was looking at him with recognition and interest. The gaze was intelligent and intense, and unexpectedly youthful. So much had yet to happen.
He said, 'I really admire the work you're doing.'
Perowne said automatically, 'Thank you.' But he was impressed. It was just conceivable, he supposed, that Blair with his good memory and reputation for absorbing the details of his ministers' briefs would have heard of the hospital's excellent report last month - all targets met - and even of the special mention of the neurosurgery department's exceptional results. Procedures twenty-three per cent up on last year. Later Henry realized what an absurd notion it was.
The Prime Minister, who still had hold of his hand, added, 'In fact, we've got two of your paintings hanging in Downing Street. Cherie and I adore them.'
'No, no,' Perowne said.
'Yes, yes,' the Prime Minister insisted, pumping his hand. He was in no mood for artistic modesty.
'No, I think you-'
'Honestly. They're in the dining room.'
'You're making a mistake,' Perowne said, and on that word there passed through the Prime Minister's features for the briefest instant a look of sudden alarm, of fleeting self-doubt. No one else saw his expression freeze and his eyes bulge minimally. A hairline fracture appeared in the assurance of power."

Ian McEwan, Saturday, pp. 143-144.

A true story.

Mais legislativas, França


quarta-feira, maio 09, 2007

França, legislativas



É possível que ainda tenha de fazer uns ajustamentos a este quadro, dependendo da maneira como os resultados vão ser divulgados nas próximas sondagens, mas para já serve para dar uma ideia...

P.S. - Vítor Dias tem razão na nota que faz (e não é por ser tão amável) e já agora, no resto do post também.

terça-feira, maio 08, 2007

Outlier: navigating in the dark

A propósito deste post do Abrupto, vale a pena instalar isto ou isto no computador. Devo ter sido um dos últimos palermas a descobrir que estas coisas existiam. Não passava tanto tempo à frente de um computador sem ser para trabalhar desde o ZX Spectrum. E no meu caso, tenho a desculpa bestial de o fazer com o meu filho.

Sócrates, licenciatura e popularidade

No eixo y, a diferença entre a percentagem de inquiridos que fazem uma avaliação positiva e a percentagem dos que fazem uma avaliação negativa da actuação de José Sócrates (o "saldo" de opiniões positivas). No eixo x, último dia do trabalho de campo da sondagem. A azul, Eurosondagem. A verde, Marktest. A linha de referência vertical é o dia 22 de Março, data da publicação do primeiro artigo no Público sobre o dossier "Universidade Independente". Falta uma das sondagens Marktest, o Barómetro de Março (trabalho de campo terminado no dia 21 de Março), cujos dados exactos não consegui obter.



segunda-feira, maio 07, 2007

Senso comum

Haverá muitos estudos científicos e muitas teorias sobre as razões históricas, sociológicas e políticas da vitória de Sarkozy, sem contar com colunas e comentários em tom vagamente místico - para os Sarkozistas - ou ressabiado - para os Royalistas. Mas antes de ter de ler todas essas coisas e fazer cara séria enquanto as leio, permitam-me uma resposta simples: quem, entre os que acompanharam a campanha e assistiram aos discursos e aos debates, acha que Ségolène merecia ganhar? Mãozinhas no ar. Alguém? Não? Obrigado.

França

Sobre as sondagens francesas, por preguiça mas também por manifesta inutilidade, não vou mostrar os quadros do costume. Todas fizeram amostragem por quotas, tudo telefónico, e todas estiveram muito perto. Sarkozy teve 53,1% dos votos. No dia 3, a TNS dava-lhe 54,5%, a IPSOS 54% e a CSA e o IFOP 53%.

Mais interessantes são os resultados das sondagens à boca das urnas ou as telefónicas pós eleitorais, que mostram o que não podia deixar de ser: Ségo foi buscar bastante bem o voto da extrema-esquerda; Sarko bem também com o anterior voto Le Pen. O problema foi que o eleitorado Bayrou se dividiu, e segundo a IPSOS (.pdf) e a CSA, únicas que vi com atenção, com ligeira vantagem para Sarkozy. De notar também um dado interessante: segundo o estudo da IPSOS, 14% dos votantes em Sarkozy dizem ter votado nele para impedir a vitória de Royal, enquanto 42% dos votantes Royal dizem ter votado nela para impedir a vitória de Sarkozy. Talvez por isso 98% por cento dos votantes simpatizantes da UMP tenham votado Sarko, enquanto o valor baixa para 90% entre os simpatizantes PS que votaram Ségo (10%, portanto, votaram Sarko). É assim, bocadinho a bocadinho se faz uma vitória numa eleição como esta.

Pelos vistos, os franceses (mesmo os que votaram Royal) queriam agora Jean-Louis Borloo como PM, mas Sarkozy deverá nomear François Fillon. E as legislativas já mexem: o Movimento Democrata de Bayrou já vai nos 15% e a UMP parte com vantagem (escassa, contudo) sobre o PS. A vida não está fácil para a Internacional Socialista.

domingo, maio 06, 2007

Madeira: rescaldo boca das urnas



E amanhã fala-se de França, apesar de já todos terem percebido que quase não há história para contar.

Madeira: rescaldo, 1


A metodologia é a do costume: confrontar as últimas estimativas de cada instituto com os resultados, calcular o desvio absoluto entre umas e outros, e calcular a média desses desvios. Não há teorias que se possam testar com três casos, mas face-a-face e proximidade em relação à data parecem ajudar à precisão. As plausíveis razões para a superioridade do face-a-face, e especialmente da simulação de voto em urna, intuem-se facilmente do que foi dito aqui.

Madeira, 4

Quando recebem os resultados de sondagens, os jornalistas obtêm declarações dos responsáveis políticos reagindo a esses resultados, de forma a divulgar essas declarações em conjunto com os resultados. Este é o meio mais comum de disseminação "privada" dos resultados de uma sondagem antes da sua divulgação oficial: seja porque estão outros jornalistas presentes no momento da recolha dessas reacções seja porque os responsáveis políticos passam essa informação a outros jornalistas de outros órgãos de comunicação.

Um jornalista do Diário de Notícias da Madeira escreveu para este blogger comentando este meu post:

"Eu acho que o assunto merece reflexão. Pelas declarações inqualificáveis do Pedro usando termos como 'usurpar' e pelas insinuações graves '0s resultados chegaram às mãos do jornal por via privada, provavelmente através dos partidos'. E também no capítulo das estratégias de comunicação. Toda a gente sabe que há meios que encomendam sondagens e que fornecem dados a terceiros para estes ajudem a amplificar a notícia. Terá sido o caso?".

E no blogue acrescenta-se:

"O que eu penso é que mesmo que tenha havido fuga de informação, seria a primeira vez que isso aocntecia. E mais. Confirmo que na tarde desse mesmo dia - quando o site online do DN local deu notícias - vários quadrantes políticos regionais já tinham conhecimento dos resultados provavelmente porque os autores da sondagem também não terão guardado grande segredo sobre os mesmos..."

Bem, três coisas. Em primeiro lugar, o que quis dizer com 'os resultados chegaram às mãos do jornal por via privada, provavelmente através dos partidos' é o que escrevi na abertura deste post, e lamento se isso não ficou claro.

Segundo, no fundamental, "o Pedro" ficou na mesma. Continuo sem saber por que razão um órgão de comunicação social divulga os resultados de uma sondagem encomendada por outro órgão de comunicação social antes daquele que encomendou ter tido a oportunidade de a divulgar publicamente. Disseram-me hoje que não foi apenas o DN-Madeira a fazer isso, e que a TSF daqui também o terá feito. Continuo sem encontrar justificação para isso, e o autor do e-mail não a dá.

Terceiro, "os autores da sondagem" limitaram-se a enviar os resultados e respectiva ficha técnica às direcções de informação da RTP e da RDP e à Entidade Reguladora para a Comunicação Social. Quanto a "estratégias de comunicação", não sei, mas sei que as direcções de informação da RTP e da RDP não estão contentes com o sucedido, e com toda a razão.

De resto, o DN-Madeira e a TSF, por terem divulgado resultados de uma sondagem sem facultarem a respectiva ficha técnica completa arriscam-se a uma sanção pesada da ERC. E para quê? Por duas meras horas...

sexta-feira, maio 04, 2007

França, 4 de Maio

Todas as sondagens sobre o grande debate Ségo-Sarko mostram que a maioria dos eleitores achou o segundo mais convincente, em proporções não muito distintas das próprias intenções de voto. Por outras palavras, o debate pode não ter mudado nada, mas pelo menos não afectou o equilíbrio que já existia, favorável a Sarkozy (com a possibilidade, que terá de ser confirmada na sondagem à boca da urnas, de Sarko ter acabado por ficar com a maioria do eleitorado Bayrou).

Com as sondagens divulgadas hoje, ficamos assim para Sarko, que até dá um sinalzinho de subida:

Tudo isto, de resto, é muito parecido com o que se passou na segunda volta de 1995. Chirac contra Jospin, com 53/54 nas sondagens, acabando com pouco menos (52,6%).

Madeira, 3

Parece que ficamos assim de sondagens. Até Domingo, então.

Madeira, 2

Ontem, o Diário de Notícias da Madeira achou que era uma boa ideia divulgar no seu site os resultados da sondagem da Católica em primeira mão, por volta das 16.00h. O único problema, claro, é que a sondagem não foi feita para o Diário de Notícias da Madeira, e sim para a RTP e a RDP, que a encomendaram e pagaram. Os resultados chegaram às mãos do jornal por via privada, provavelmente através dos partidos, que as recebem para que preparem os comentários aos resultados à RDP e à RTP.

Logo, o DN da Madeira decidiu usurpar o trabalho de outros para benefício próprio. É certo que há coisas mais graves. Mas é estranho que órgãos de comunicação social se comportem assim com outros órgãos de comunicação social. É um pouco como um jornalista de um semanário publicado aos sábados preparar uma peça de investigação mas, na semana em que a peça vai sair, um jornal diário apanhá-la na tipografia publicá-la na 6ª feira anterior. Não passa pela cabeça de ninguém, pois não? Mas nas sondagens parece que não há problema.

E vale a pena comparar este comportamento com o comportamento dos blogues...

Interlúdio

"Alberto João Jardim disse que as sondagens que lhe são maioria absoluta são um truque da oposição. O candidato afirmou, no último comício antes das eleições, que os adversários esperam que o povo da Madeira acredite que as eleições estão ganhas e que, assim, não vão votar.", aqui.

Déja vu all over again, como diria o inigualável Yogi Berra.

quinta-feira, maio 03, 2007

Madeira

As sondagens que conheço sobre as eleições na Madeira são as seguintes:


(clique para aumentar)

Creio que amanhã será divulgada outra.

Como se vê, algumas discrepâncias importantes. Não admira. Para além de sondagens serem sondagens e não serem previsões, etc. e tal, há duas coisas nestas eleições que me causam maior incerteza sobre a relação entre estas estimativas e os que possam vir a ser os resultados do dia 6.

Primeiro, a enorme vantagem do incumbent, factor que costuma gerar desmobilização por certeza de vitória e passagem de voto útil para voto sincero (a segunda potencialmente agravada pela mudança no sistema eleitoral).

A segunda é o próprio contexto social, mediático e político da Madeira. Nunca tivemos, na Católica, tantas recusas para responder a uma simples simulação de voto em urna como aqui na Madeira: 1/3 de todos os contactados. E há quem pergunte - garanto-vos - se depois de responderem à sondagem têm de ir votar na mesma no dia 6 ou se "já está", ou mesmo "o que é isso de uma sondagem?". Realmente, o hábito de responder a sondagens não existe, e há, por outro lado, uma opção política que é de tal forma dominante que quem a não partilha parece hesitar em declará-lo. Digo eu, porque uma recusa é uma recusa é uma recusa, sabe-se lá o que quer dizer. Mas não deve ser por acaso que a percentagem de recusas seja maior quanto menos "laranja" é a freguesia...

Em resumo, fazer sondagens aqui é outra coisa. Seja como for, as dificuldades são iguais para todos. Vamos ver no que isto dá...

segunda-feira, abril 30, 2007

Sego-Sarko, a 30 de Abril

Três novas sondagens: TNS, IFOP e IPSOS. As três convergem mais ou menos nos mesmos resultados: Sarkozy 52-52,5%; Royal 47,5-48%. Mas nenhuma ainda capta qualquer potencial efeito do debate Royal/Bayrou.

A evolução das intenções de voto em Sarko para a 2ª volta:



E os mesmos dados, agora por instituto.


Os dados disponíveis confirmam que tudo se joga na captação do eleitorado Bayrou. Segundo a IPSOS, à volta de 70% (as margens de erro para estas sub-amostras são elevadas e por isso não vale a pena ter grandes precisões) dos eleitores da esquerda do PS e de Le Pen votam, respectivamente, em Royal e Sarkozy. Mas os eleitores de Bayrou estão divididos, com ligeira vantagem para Royal. O Le Monde tem um gráfico divertido: o "bayroumètre", onde se mostram os esforços de cada candidato para atraír o eleitorado Bayrou.



quinta-feira, abril 26, 2007

A 1ª volta e meia

Débat télévisé entre Ségolène Royal et François Bayrou samedi

2ª volta

Nem sempre sucede, e quando sucede pode não ser pelas razões que pensamos. Mas a verdade é que, nestas eleições francesas, colocar os eleitores perante o cenário de Sarkozy vs. Royal na segunda volta e o facto de Sarkozy vs. Royal na segunda volta não parece fazer diferença. As sondagens antes e depois do dia 22 (à esquerda e à direita da linha de referência vertical no gráfico seguinte) não mostram mudanças.

terça-feira, abril 24, 2007

Sarkozy e Mitterrand

"Ce qui est remarquable concernant ce vote utile, c'est que Nicolas Sarkozy a composé avec l'électorat habituel du Front National à l'instar de ce que François Mitterrand avait réussi à faire avec le parti communiste en 1981. Nous sommes quasi dans le même contexte aujourd'hui qu'en 1981 - à l'exception des convictions politiques des deux hommes. Nicolas Sarkozy a réussi à régler le problème sur sa droite, reste désormais à se focaliser sur le centre. Le problème avait, en partie, été réglé avec la création de l'UMP en 2002 mais reste à l'actuel candidat de la droite parlementaire de terminer de le résoudre pour accéder à la présidence de la République." (Gérard Grunberg, Director de pesquisa no CEVIPOF)

Os analistas franceses adoram estes paralelismos históricos, e é bom quando, uma vez por outra, eles fazem sentido.

Outlier (and shameless plug, in a way)

Os cientistas sociais que andem por aí não se devem esquecer de que o ICS, onde trabalho, vai atribuir um prémio "destinado a galardoar obras de excepcional qualidade que contribuam, de forma decisiva, para o conhecimento da realidade portuguesa, histórica ou contemporânea" publicadas entre 1 de Janeiro de 2002 e 31 de Dezembro de 2006, o Prémio Sedas Nunes.

O júri é constituído pelo Presidente do Conselho Científico do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (Jorge Vala) e por Carlos Fortuna (Coimbra), Diogo Lucena (Nova), Francisco Bethencourt (King’s College), José Ramón Montero (Autónoma de Madrid e Juan March), Maria Benedicta Monteiro (ISCTE), Robert Fishman (Notre Dame e Pompeu Fabra) e Robert Rowland (ISCTE).

Não se acanhem. Sempre são 20.000 euros.

Eu não posso concorrer, antes de mais porque ajudei a escolher o júri, mas também porque não tenho ideia de ter escrito "obra de excepcional qualidade" no período em questão. Maybe next time..

segunda-feira, abril 23, 2007

"L'indécision est en partie une création des sondages"

Um artigo interessante, já com duas semanas, no Le Monde, sobre a forma como a "indecisão" nas sondagens é "estimulada" nos inquéritos pelos próprios institutos, de forma a se protegerem dos erros e terem sempre justificação para o caso de as suas estimativas de afastarem na realidade.

Interessante, mas com dois erros um bocado a dar para o fatal. O primeiro vem quando o politólogo entrevistado diz que o que se passa na realidade é que os inquiridos ocultam o seu comportamento dos inquiridores, "e é por isso que as sondagens à boca das urnas falham também". Isso seria interessante se fosse verdade, mas não é, como se pode ver por aqui e muitos outros exemplos em posts neste mesmo blogue, em vários países.

O segundo vem quando o entrevistado afirma que está demonstrado que os inquiridos não se recordam "exactamente" de quanto tomaram uma decisão. Certo, mas a verdade é que nenhum inquérito pergunta a um eleitor "quando exactamente tomou" uma decisão. O que dá são intervalos de tempo relativamente amplos, e que funcionam, de resto, como uma escala ordinal entre "há muito" e "há pouco" tempo. E há carradas de artigos que mostram como os eleitores que se posicionam em diferentes pontos dessa escala são diferentes uns dos outros, e ainda por cima de maneiras previsíveis (mais ideologizados, com maior fidelidade partidária e mais sofisticados aqueles que tomam decisões antes).

O artigo também foi publicado na edição portuguesa do Courrier International.

O futuro

Há muita informação para digerir. Alguns resultados das sondagens à boca das urnas ou das telefónicas conduzidas ontem (muito mais interessantes e completas do que aquelas que se fazem em Portugal, que estão geralmente interessadas única e exclusivamente nas estimativas de voto) são animadores para Ségolène. Por exemplo, a CSA (agora dá para desconfiar um bocado, mas enfim) fez uma sondagem com amostra de1005 inquiridos, telefónica, conduzida na noite de ontem, em que mostra a intenção de voto futura de acordo com a passada:

Eleitores Bayrou: 45% Ségo, 19% Sarko, 16% abstenção.

Eleitores Le Pen: 60% Sarko, 19% Ségo, 21% abstenção.

A concentração de eleitores Le Pen em Sarkozy é muito menor do que se poderia esperar, ao passo que Ségolène domina entre os eleitores Bayrou.
Mas estes resultados não conferem com os de outros institutos. O IFOP sugere que os votos Bayrou se dividem, neste momento, entre 54% para Sarko e 46% para Ségo, com 83% dos votos Le Pen a irem para Sarko. Uma diferença enorme para os resultados da CSA. E mesmo com os resultados da CSA, Ségo continua abaixo de Sarko nas intenções de voto para a 2ª volta. Aliás, todas as sondagens de intenção de voto na 2ª volta conduzidas ontem (à direita da linha de referência vertical) dão-na abaixo de 50%:


Seja como for, há muito caminho para percorrer. Atente-se nisto: nas sondagens à boca das urnas conduzidas ontem, a percentagem de eleitores que disseram ter decidido em quem votar na última semana andou pelos 30% (BVA), 34% (CSA) e 36% (IPSOS). Cerca de um em cada três dos que votaram ontem terão tomado a sua decisão na última semana. É obra.

2º rescaldo

Ora bem. Pegando na última sondagem divulgada de cada instituto de opinião, calculando o desvio absoluto entre cada estimativa para cada um dos quatro principais candidatos e aqueles que foram os resultados finais, e calculando a média desses desvios, chegamos à coluna a vermelho:


Todos subestimaram Sarkozy, todos sobrestimaram Le Pen, todos sobrestimaram o peso dos pequenos candidatos. A IPSOS, a TNS e a BVA foram as que andaram mais próximo. Houve algumas avarias na CSA, ao contrário do que se tinha passado em 2002. A IPSOS apostou muitíssimo nestas eleições, especialmente com a tracking poll, e está a compensar. E, se me permitem, queria chamar a atenção para o facto de que este desempenho das sondagens não ser superior ao verificado, por exemplo, nas presidenciais em Portugal em 2006.

Nas sondagens à boca das urnas, tudo normal:

domingo, abril 22, 2007

Primeiro rescaldo

Amanhã veremos a coisa com calma, mas o essencial sobre como as sondagens se portaram está aqui.

O futuro? Um bom sítio para começar é o site da IPSOS, especialmente nos resultados completos de uma sondagem conduzida hoje pelo telefone. Muitas pistas interessantes, que analisaremos nos próximos dias.

sexta-feira, abril 20, 2007

Photo finish

Bem, ao que parece a IPSOS, pelo menos, ainda vai lançar dar uns números adicionais cá para fora, mas seria estranho que variassem muito dos anteriores. Os gráficos finais com as tendências:


Sim, estão a ver bem. "Ele" é o único que sobe.


Actualização:
CSA, 20-4, N=1002:
Sarko: 26,5%
Ségo: 25,5%
Le Pen: 16,5%
Bayrou: 16%
IPSOS, 20-4, N=1598
Sarko: 30%
Ségo: 23,5%
Bayrou: 17%
Le Pen: 13,5%
Há uns sondageiros que vão ficar muito mal dispostos no dia 22. A questão é, quais?

França: a recta final

Não sei se haverá mais sondagens durante o dia de hoje, mas é provável que a coisa fique por aqui. O quadro que se segue mostra as quatro sondagens de intenção de voto cujo trabalho de campo é mais recente (terminado ontem):



A CSA está cheia de incertezas sobre a ordem dos candidatos do ponto de vista das intenções de voto actuais, ao contrário do que sucede com as outras. Mas convém notar que, em 2002, a CSA nem foi quem se saiu pior: sobrestimou Jospin, como toda a gente, e subestimou Le Pen, como toda a gente. Mas a TNS-Sofres subestimou ainda mais Le Pen e a IPSOS teve resultados muito parecidos com os da CSA. Dia 22 pode, afinal, trazer surpresas.

quinta-feira, abril 19, 2007

quarta-feira, abril 18, 2007

segunda-feira, abril 16, 2007

O outro divino Marquês

Segundo as sondagens, Bayrou ganharia quer a Sarkozy quer a Royal numa segunda volta. Isto sucede porque, para além de ser a primeira preferência de um em cada cinco eleitores, ele é também a segunda preferência de muitos eleitores de Sarkozy e muitos eleitores de Royal. Contudo, como há mais eleitores cujas primeiras preferências são Sarkozy ou Royal, Bayrou pode não passar à segunda volta. Logo, apesar de haver uma maioria de eleitores que prefere Bayrou a Sarkozy, e uma maioria de eleitores que prefere Bayrou a Royal, Bayrou não será - a acreditar nas sondagens - presidente. O problema, de resto, já tinha sido detectado há mais de 200 anos por outro francês, que inventou um método para resolvê-lo. Mas não é assim que vai ser.

França

Estamos a menos de uma semana. Desde o dia 10, inclusivé, foram terminados os trabalhos de recolha de sete sondagens de intenções de voto nas presidenciais, de cinco institutos diferentes (todos os habituais menos a Louis-Harris, cujo último trabalho ainda é do dia 7).

Podemos começar por olhar para as médias das intenções de voto nas últimas sondagens conduzidas por esses institutos, assim como para o valor máximo e mínimo estimados para cada candidato:

Sarkozy: 28% (entre 26 e 30%)
Ségolène: 24% (entre 23 e 26%)
Bayrou: 18% (entre 17 e 21%)
Le Pen: 14% (entre 12 e 15%)

Nenhum instituto põe em causa esta ordenação dos candidatos . O valor mais alto para Ségolène em qualquer sondagem é igual ao valor mais baixo obtido por Sarkozy, e os valores mais altos para Bayrou e Le Pen, respectivamente, inferiores aos valores mais baixos para Ségolène e Bayrou.

Mas para Ségo e Bayrou há ainda muita incerteza. De resto, o voto à direita parece ser o mais seguro. A IPSOS fornece os dados se uma segunda questão, em que é pedido àqueles que declaram uma intenção de voto que digam se essa intenção é definitiva ou pode mudar. A percentagem dos que declaram ser essa a sua intenção definitiva, para cada candidato, são os seguintes:

Le Pen: 86%
Sarkozy: 74%
Ségolène: 67%
Bayrou: 50%

Logo, pelos vistos, e previsivelmente, é na opções Royal e Bayrou que parece poder haver maior instabilidade até ao dia das eleições, o que. presumivelmente, pode dar para tudo. Bayrou a subir à conta de Royal ou, pelo contrário, Royal a subir à conta de Bayrou.

Há ainda os que não indicam intenções de voto: 17% na IPSOS, 7% no IFOP, 21% na CSA, 23% na TNS. Aqui tudo se complica, porque não é evidente dos relatórios o que isto mede: pessoas que têm intenção de votar mas não sabem ou não dizem em quem, ou abstencionistas declarados, ou ambos. Mas há um factor que joga a favor de que as estimativas de intenção de voto feitas neste momento se aproximem relativamente dos resultados finais, e que é a comparativamente baixa abstenção que estas eleições deverão ter: todos os indicadores de interesse pela campanha revelam mobilização superior à de 2002. Em 2002, a abstenção na 1ª volta foi de 28,2%.

segunda-feira, abril 09, 2007

Montanha russa

Não há vaga de sondagens sobre as presidenciais francesas que não traga uma novidade qualquer, muitas vezes contraditória com a novidade anterior. Desta vez, com as primeiras sondagens de Abril, a "novidade" é mais uma descida de Ségolène, chegando aos valores mais baixos desde o início do ano (22%).


segunda-feira, abril 02, 2007

Outlier: a Tapada das Necessidades

Há quase um ano, escrevi isto neste blogue. Na edição de ontem do Público explica-se como se chegou a esta situação. Não consigo fazer um link à notícia, mas penso poder resumir: ministros e directores-gerais de vários governos, associações e ex-presidentes, todos metidos ao barulho. Protocolos assinados e não cumpridos e decisões casuísticas que se revogam umas às outras. E já promete tribunais, o que, como bem sabemos, permitirá certamente a resolução célere do assunto. O habitual.

quarta-feira, março 28, 2007

Soigne ta droite

Em quatro sondagens recentes, Sarko e Ségo estão tecnicamente empatados. Quem diria?

CSA, 22/3:
Sarko, 26%; Ségo, 26%.

TNS-Sofres, 22/3:
Sarko, 28%; Ségo, 26,5%.

IFOP, 23/3:
Sarko, 26%; Ségo, 25%.

Louis-Harris, a mais recente, 24/3:
Sarko, 27%; Ségo, 27%.

IPSOS e BVA estão a dar margens maiores, mas mesmo assim..

P.S. - O BVA já não. Sarko, 28%; Ségo, 27%.

terça-feira, março 27, 2007

Grandes portugueses, 2º e último post

Os institutos de sondagens que trabalham em Portugal, ou qualquer associação ou organismo que os representasse, deveriam ter dito alguma coisa sobre os resultados do concurso antes de eles serem conhecidos. Não necessariamente no sentido de criticar o programa mas sim de explicar os limites do exercício. Agora é tarde. Soa tudo um bocado a falso, como se se quisesse deslegitimar o resultado em concreto e não todo o processo. Eu disse alguma coisa, aqui, mas eu sou só eu e isto é só um blogue. Mais um elemento a considerar quando se pensar na lamentável ausência de uma instância de auto-regulação dos institutos de sondagens, que a APODEMO, compreensivelmente mais voltada para os estudos de mercado, não consegue suprir.

Isto não impede que se discuta o concurso como fenómeno "mediático" ou "cultural". Aí sim, estejam à vontade. Nem impede sequer que o concurso seja visto como tendo alguma "bondade" intrínseca, no sentido em que promoveu - será que promoveu? - alguma discussão - entre quem? - séria - em parte - sobre a história - recente - e a identidade portuguesas.

O que já percebo menos é o que terá passado pela cabeça do meu amigo André Freire para analisar os resultados como fruto de "uma militância de protesto contra a democracia, a classe política actual" como relectindo "um certo falhanço da democracia" ou um "défice de explicação aprofundada do que foi o regime e das vantagens que vieram com a democracia". O ponto é este, e muito simples: os resultados não merecem análise. O que eles significam e representam é completamente indeterminado. E quando a inferência descritiva é deficiente, a inferência explicativa é uma pura perda de tempo.

P.S- O que o André Azevedo Alves diz aqui seria correcto se dispuséssemos de um qualquer outro elemento dos resultados para além da distribuição de frequências do sentido de voto. Se soubéssemos, por exemplo, as características socio-demográficas ou as atitudes políticas dos votantes no concurso, poderíamos compará-las com as da população em geral, ou procurar relações entre essas características e o sentido de voto. Contudo, não creio que essa informação tenha sido recolhida.