Num
post anterior, mencionei uma
queixa que o PND tinha feito sobre uma sondagem da Data Crítica, alegando que, nessa sondagem, os inquiridos tinham sido confrontados com uma lista de candidatos mas que, no caso do PND, o nome do candidato tinha sido omitido, e alegando esse facto revela "falta de precisão rigor e objectividade, constituindo uma violação do princípio da igualdade de tratamento das várias candidaturas."
No comentário que fiz, assinalei que:
1. A ser verdade o que está na queixa do PND e a não ser um mero lapso na aplicação do guião, mencionar todos os cabeças de lista menos os de um partido não me parecia boa ideia;
2. E que, a ser verdade o que está na queixa do PND e a não ser um mero lapso na aplicação do guião, não mencionar os partidos dos cabeças de lista também não me parecia boa ideia.
Recebi um
e-mail da Data Crítica, do qual transcrevo o excerto relevante. Permito-me apenas sublinhar os pontos que têm relação directa quer com a queixa do PND quer com os meus comentários anteriores. Farei alguns comentários adicionais no final.
"1
) As perguntas relacionadas com as intenções de voto não foram inicialmente colocadas pelo entrevistador de forma assistida. Isto é, a pergunta foi inicialmente apresentada ao inquirido com a formulação da pergunta, não sendo sugerida ou proposta qualquer opção de resposta. Caso o inquirido indicasse espontaneamente um candidato, ou força partidária, a sua opção era assinalada pelo inquiridor. Caso o inquirido não soubesse, ou hesitasse, na resposta sobre o candidato, era lida a lista de candidatos que consta do questionário. Alguns dos comentários efectuados baseiam-se no pressuposto de que a lista de candidatos foi inicialmente lida, na sondagem realizada pela Data Crítica, a todos inquiridos – o que não é correcto.
Não foi identificado qualquer caso, no decurso da supervisão realizada, em que a lista de candidatos tenha sido lida inicialmente pelo inquiridor, no momento da primeira formulação da pergunta. Não foi obviamente objecto de supervisão post hoc a chamada específica em que a queixa se baseia, devido aos princípios e normas de anonimato e confidencialidade estabelecidos. Consideramos, contudo, que o cenário mais provável corresponderá a uma resposta equívoca ou hesitante, por parte do inquirido, sobre a sua intenção de voto, no momento da primeira formulação da pergunta – cujas eventuais motivações não nos compete procurar interpretar;
2) A lista de candidatos incluída no questionário identifica, para além do nome do cabeça de lista, as forças partidárias através das quais os candidatos apresentam as listas, ou a situação de candidatura independente. Não consideramos, por esse motivo, que seja de todo aplicável à sondagem realizada pela Data Crítica o comentário segundo o qual terão sido identificadas “as opções com o nome do cabeça de lista sem mencionar o partido”;
3) No caso do Partido da Nova Democracia (PND) foi, efectivamente, incluída no questionário a força política, não sendo mencionado o primeiro candidato da lista. Esta opção foi tomada devido ao facto de a entrega da candidatura no Tribunal e a apresentação da candidatura terem sido efectuadas no dia 28 de Maio – dia em que teve início a recolha de informação – e de não ter sido localizada informação que permitisse estabelecer de forma inequívoca que a lista do PND seria encabeçada pelo Dr. Manuel Monteiro – inclusivamente no jornal online do PND. Uma vez que o questionário é preparado e finalizado com antecedência, a entrega da candidatura do PND e a sua apresentação pública surgiram depois de a preparação da recolha de informação se encontrar concluída. Foi, na altura, avaliada a possibilidade de incluir a referência ao candidato, mas tal operação só poderia ser efectuada a meio do processo de recolha. Considerámos, por um conjunto de motivos que poderemos vir a detalhar, caso esta questão venha a merecer debate adicional, mais adequado manter a formulação original. Esta opção é baseada em critérios metodológicos e não tem evidentemente por objectivo introduzir qualquer distorção no princípio da igualdade de tratamento de candidaturas."Em síntese, temos que:
1. Segundo a Data Crítica, "caso o inquirido não soubesse, ou hesitasse, na resposta sobre o candidato, era lida a lista de candidatos que consta do questionário, e "a lista de candidatos incluída no questionário identifica, para além do nome do cabeça de lista, as forças partidárias através das quais os candidatos apresentam as listas, ou a situação de candidatura independente." Segundo o PND, naquele inquérito concreto, "em seguida foram-lhe apresentados os nomes dos candidatos independentes Carmona Rodrigues e Helena Roseta e os nomes dos candidatos apresentados pelo PS, PSD, CDS, BE, CDU e PCTP/MRPP", ou seja, depreende-se, a lista fornecida continha apenas os nomes dos candidatos. Logo, houve um erro: ou errou o PND na descrição do sucedido, ou errou o inquiridor da Data Crítica que aplicou o questionário àquele inquirido em concreto.
2. Confirma-se que, no caso do PND, apenas o partido foi usado para descrever a opção, e não o nome do candidato. A Data Crítica dá a sua explicação do sucedido.
3. Último ponto, o que para mim é relevante: toda a gente parece ter a noção da enorme importância da formulação das perguntas e da potencial sensibilidade dos resultados a essa formulação.