sexta-feira, julho 13, 2007

Sobre as sondagens

Se se esperava que estas últimas sondagens viessem, como sucede noutras ocasiões, "convergir" nesta última semana, e resolver assim algumas das incertezas que permaneciam, não foi isso que sucedeu.

* Onde a incerteza diminuiu um pouco foi em relação ao PS. Até este semana, tínhamos visto resultados entre os 31 e os 40 por cento, nove pontos de diferença. Mas nesta semana, o mínimo é 32 e o máximo 37.1. Se excluirmos a Intercampus, o mínimo é 32 e o máximo 34.2. Nada, absolutamente nada, sugere que o PS poderá não ganhar esta eleição. E nada sugere que a possa ganhar com maioria absoluta. Não há impossíveis, mas...

* A incerteza também diminuiu em relação às restantes listas, mas muito menos. Na base destes resultados, é impossível saber quem tem mais intenções de voto: Carmona ou Negrão. Em duas sondagens (Intercampus e Aximage) estão, para todos os efeitos, empatados. Noutras duas (Católica e Eurosondagem), é Negrão quem leva vantagem. Para outra ainda (Marktest) é Carmona. Leio os comentaristas e vejo que está toda a gente muito certa de que Carmona ficará em segundo. Os dados não consentem essa ideia, mas quem sabe?

* Se esquecermos a Intercampus, Roseta, Ruben e Sá Fernandes são quem têm a vida mais certa: entre 9.5 e 12.1 para a primeira, entre 7 e 10.2 para o segundo, e entre 4.8 e 8 para o terceiro. O problema é que não há razão plausível para esquecer a Intercampus. É certo que, em 2005, as coisas lhes correram mal, mas as coisas já "correram mal" a quase toda a gente. A Intercampus está farta de fazer sondagens pré-eleitorais e à boca das urnas e, na base do único parâmetro que temos - a comparação com os resultados eleitorais - não há razão nenhuma (pelo contrário) para dizermos que não são capazes de descrever correctamente as intenções e comportamentos dos eleitores. Pelo que a incerteza permanece.

* Telmo Correia entre 2 e 4. Eu percebo, mas sinceramente não estou a ver. Cá estaremos para confirmar.

Até a detecção de tendências parece impossível. A ideia geral que fica é que Costa, Carmona, Negrão e Roseta podem todos ter descido, ao passo que Ruben, Sá e Telmo subido. Mas isso é só comparando as primeiras sondagens com estas últimas. Comparando instituto a instituto, há tendências para todos os gostos. E do ponto de vista metodológico, se alguém encontrar alguma relação entre método de amostragem ou de inquirição e os resultados, avise que eu gostava de saber qual é.

Esta eleição tem a receita ideal para gerar esta incerteza nas sondagens, assim como desfasamentos elevados entre estes resultados e o que venha a suceder no Domingo:
- candidatos independentes, que como já vimos, produzem volatilidade acima do normal;
- presumível elevada abstenção, sempre problemática para as sondagens;
- eleitores ausentes em férias que podem regressar entretanto e eleitores presentes que podem partir para férias entretanto;
- eleitores recenseados em Lisboa mas que não vivem em Lisboa e podem vir votar (não tendo sido captados pelas sondagens).

Sejam quais forem os resultados no Domingo, já se pode dizer que haverá institutos cujas estimativas se vão desviar bastante desses resultados. Continua a ser difícil fazer sondagens em Lisboa.

quinta-feira, julho 12, 2007

As últimas sondagens

Este post vai ser actualizado ao longo do próximo dia e meio. Vamos só recordar as regras básicas, para não haver confusões:

1. Os resultados são retirados da imprensa. Fazem-se hiperligações para as notícias sempre que disponíveis.

2. São apresentados dois tipos de resultados: intenções directas de voto/resultados brutos, ou seja, a distribuição das diversas opções de resposta pelo total da amostra; e estimativas de resultados eleitorais, a negrito, ou seja, a distribuição das opções válidas de voto.

3. Quando os institutos não divulgam uma estimativa de resultados eleitorais, isto significa que não querem fazer quaisquer pressuposições sobre a forma como os indivíduos que dizem não saber ou não querer dizer em quem vão votar se distribuem pelas restantes opções.

4. Contudo, nesses casos, calculamos as estimativas de resultados eleitorais presumindo que as opções "Ns/Nr" significam abstenção (casos assinalados com um asterisco). Porquê?

- as intenções directas de voto não são comparáveis entre si, devido a diferenças metodológicas que causam enormes variações nas percentagens de não respostas e de abstencionistas declarados que são captados pelas sondagens, e devido ao facto de que os abstencionistas declarados são incluídos nuns casos e não noutros.

- alguns institutos não divulgam intenções directas de voto, o que inviabiliza ainda mais quaisquer comparações;

- tornar os resultados comparáveis entre si e com resultados eleitorais presumindo abstenção de "Ns/Nr" é a boa prática internacional nesta área, sancionada e confirmada dezenas de vezes em muitos estudos académicos (como este ou este, ou ainda neste referência clássica).

Isto não significa que o autor deste blogue esteja convicto (ou deixe de o estar) de que esta pressuposição é a que permite melhores inferências descritivas sobre a população ou até melhores "previsões". E é perfeitamente respeitável que os responsáveis de institutos não tenham qualquer teoria sobre o que fazer aos "indecisos". Contudo, na ausência dessa teoria, convém evitar confusões desnecessárias na opinião pública causadas pela não-comparabilidade dos resultados (como neste caso) ou até, como infelizmente já sucedeu (mas felizmente cada vez menos), que a posteriori se possam fazer manipulações grosseiras , comparando resultados brutos de sondagens com resultados eleitorais sempre que isso ajude a dar uma imagem de "maior precisão".

5. Quando as estimativas são calculadas por mim, os resultados são apresentados sem casas decimais, apenas porque sou da opinião que não faz sentido apresentar casas decimais em sondagens. Aqui explica-se porquê. Contudo, isto não passa de uma opinião. Os resultados divulgados com casas decimais são apresentados tal como divulgados.

Então vamos lá (14.56h, dia 13):


-Grande estabilidade nos resultados da Marktest em relação à última sondagem. Aumento de OBN deve-se, em grande medida, ao aumento da declaração de "voto em branco";

- Na Católica, em comparação com o final de Maio, o mais assinalável é a subida de Ruben e Sá. Mas note-se nos resultados brutos: 32% de indecisos. Estes valores variam muito de instituto para instituto, porque são medidos de maneira diferente (nuns casos como opção dada pelo inquirido de forma espontânea, noutros como uma de várias opções previstas, noutros com uma pergunta específica). Mas nunca tinha visto, em sondagens da Católica, um valor tão alto.;

- A Intercampus mostra estimativas que prolongam tendências que vem detectando desde o início: Costa, Carmona e Ruben a subirem; Negrão e Roseta a descerem. É mais "excêntrica" sondagem das últimas quatro, nomeadamente no que diz respeito a Costa, Roseta e Ruben, mas isso nada diz sobre a precisão com que está a captar a realidade, que pode ser maior do que a de todas as restantes;

- Eurosondagem muito semelhante à sua sondagem anterior.

Amanhã falamos com mais calma.

Fontes para as últimas sondagens:
Marktest
Eurosondagem
Intercampus
Aximage



quarta-feira, julho 11, 2007

Dismal science

Já que andamos a falar da "dismal science", um artigo interessante na última International Political Science Review, intitulado "Should Economists Rule the World? Trends and Implications of Leadership Patterns in the Developing World, 1960—2005". O artigo mostra o aumento do número de líderes políticos mundiais com formação em economia, e procura relacionar isso com o desempenho económico dos países. O resultado é desastroso. O artigo tem vários problemas teóricos e empíricos, nomeadamente o facto de não estimar os efeitos da "tecnocratização" das lideranças controlando o efeito de muitas outras coisas que podem afectar o desempenho económico. Mas mesmo assim, vale a pena ler.


Mercados electrónicos

Neste blogue, já fiz diversas menções aos mercados electrónicos de previsão de resultados eleitorais, tais como o Wahlstreet na Alemanha ou os Iowa Markets nos Estados Unidos. Há uma grande discussão, um bocado defensiva de parte a parte, sobre as virtudes e defeitos destas coisas. A bibliografia existente é enorme.

Agora há uma iniciativa portuguesa: Eu Voto. Que isto possa vir a ter algum interesse depende da taxa de participação, pelo que só posso apelar a que entrem em jogo.

Eu já participei, sob pseudónimo. Comprei umas acções baratíssimas. E ainda antes de ter inside information (só a deverei ter hoje ao fim da noite).

terça-feira, julho 10, 2007

Os pequenos partidos nas sondagens

aqui alguma discussão sobre a apresentação de estimativas sobre os pequenos partidos nas sondagens, em parte motivada pelo facto de, neste blogue, elas serem agregadas com as estimativas de votos brancos e nulos. Duas explicações:

1. Comparabilidade: nem todas as sondagens apresentaram resultados para partidos com intenções de voto inferiores às do CDS-PP.

2. Erro amostral:
- 16% dos inquiridos da última sondagem da Intercampus afirmaram que não iriam votar. Logo, com uma amostra de 800, as estimativas foram calculadas na base das intenções de voto manifestadas por 672 votantes.
- Não sei quantos disseram que não sabem em quem votariam. Mas imaginemos que foram 9% como na sondagem anterior da Intercampus. Logo, teríamos intenções de votos válidas dadas por 612 pessoas.
- A notícia relata que, entre esses, 1% disseram que votariam em Garcia Pereira. 1% de 612 são...6 pessoas. Para uma amostra aleatória de 612, a margem de erro associada a uma estimativa de 1%, com 95% de confiança, é 0,79% Isto quer dizer que Garcia Pereira pode ter, com 95% de confiança e se a amostra fosse aleatória (que não é), qualquer coisa entre 0,21% e oito vezes mais do que isso, ou seja, 1,79%. Dizer isto sobre o PCTP/MRPP ou não dizer nada é a mesma coisa. É por isto que prefiro não dar os resultados dos pequenos partidos, achando preferível agregá-los.

Dito isto, o CDS-PP está incluído no quadro, mesmo tendo intenções de voto, nalguns casos, de 1%. Mas como noutras sondagens tem estimativas bastante superiores, achei que fazia sentido incluir Telmo Correia.

Outlier: É preciso azar

Nuno Teles, do Ladrão de Bicicletas, dá-me um arraial de porrada a propósito deste artigo ontem no Público: chama-lhe um "arrazoado de dados e comparações entre a Europa e os E.U.A. feitas à medida do argumento" e uma coisa pouco séria (e é pequeno consolo que diga que o meu trabalho "normalmente prima pela seriedade").

Se eu me tivesse conseguido explicar melhor, Nuno Teles teria conseguido detectar que:

1. Começo por apresentar dois ângulos possíveis de análise ao facto de, nos países europeus da OCDE, se trabalhar menos (e cada vez menos) que nos Estados Unidos. Ambos resultam, em grande medida, deste trabalho de Alberto Alesina (e mais indirectamente, disto ou disto). O primeiro consiste em lamentar o facto e as suas causas (impostos e sindicatos), dado que ele favorece que, em contextos de aumento da produtividade nos EUA a ritmo superior ao que se passa na Europa (a não ser que Nuno Teles deseje contestar isso também), o declínio do trabalho leva ao declínio económico da Europa. O segundo consiste em assinalar, como Alesina também o faz, que nos países europeus onde se trabalha menos as pessoas parecem estar mais satisfeitas com a vida, sugerindo que escolher a solução que produz mais "bem estar" deste ponto de vista depende, em grande medida, do que queiramos definir como "bem estar". Afinal, os europeus estão "bem" assim, independentemente de acharmos que são parvos ou não.

2. Contudo, uma das coisas que me intriga no artigo de Alesina é que a hipótese de que "menos trabalho" produz "mais satisfação" é testada apenas, a nível micro ou macro, em contextos europeus. O que me fez pensar que a ideia de que há um "trade-off" entre "trabalho" e "felicidade" pode não ser verdadeira, ou verdadeira apenas para alguns contextos. Foi essa ideia que tentei explorar.

3. Mas claro que o Nuno nunca poderia ter percebido que era essa a minha intenção. Ainda se eu tivesse escrito qualquer coisa assim como:

"Há, por isso, um terceiro ângulo possível para o assunto, que não se concentra nem nos efeitos perversos do "estatismo" ou do "sindicalismo" europeus nem nas tradicionais descrições dos americanos como "bárbaros" fanatizados pelo trabalho e pelo consumismo."

o Nuno teria podido perceber que aquilo o que o meu artigo procurava fazer era explorar um ângulo alternativo aos dois anteriores, e escusava de ter andado a gastar o teclado a atacar-me por ter defendido coisas que não defendi. Mas espera: e não é que eu escrevi mesmo aquilo? Deve ter sido o Público do Nuno que ia com essa parte cortada. É preciso azar.

4. O terceiro ângulo é, afinal, o da "job satisfaction", que está em declínio na Europa e, após um declínio nos anos 70/80, estabilizou nos Estados Unidos. Procurei sugerir que a noção de que há um trade-off entre trabalho e satisfação é uma coisa muito europeia, e dar algumas indicações de que, nos Estados Unidos, a preocupação dos gestores com as condições físicas e psicológicas de trabalho, com a autonomia e a participação, tendem a ser maiores do que na Europa. Baseei-me nos trabalhos de Francis Green e, sem o nomear, num artigo que li há uns tempos no NYT do Alan Kruger.

Mas claro que o Nuno não podia saber isto. Não estava lá escrito. Ou estava? Uma pessoa, às tantas, já nem sabe.

segunda-feira, julho 09, 2007

Sócrates, Eurosondagem, Julho 2007

Nova sondagem da Eurosondagem relevante para a questão da popularidade de Sócrates. Adicionando esta, a evolução desde 2005 pode ser acompanhada assim:

A diferença entre os resultados obtidos pela Marktest e pela Eurosondagem é enorme, apesar da semelhança das tendências. Não sei que razões explicam isto.

sexta-feira, julho 06, 2007

Outlier: Materiais fundamentais para o estudo do PCP no século XXI

"No outro dia, vi que tinha os dois últimos números da New York Review of Books por ler. Então dei-me conta de há quanto tempo estou em campanha".

Ruben de Carvalho, citado no Público.

Lisboa, Intercampus e Marktest, 4 de Julho

A lista completa, com os resultados das sondagens divulgadas hoje:


Mostro também a média das estimativas de resultados e uma medida de dispersão (a mais simples, a diferença entre as estimativas máxima e mínima). Note-se como, proporcionalmente, os resultados atribuídos a Helena Roseta e a Ruben de Carvalho são os mais díspares. Isto pode resultar de mudança ao longo do tempo, mas pode significar também pura incerteza.

Mas há indicações de que há reais mudanças desde Maio. Quando há mais sondagens, faz sentido examinar tendências utilizando toda a informação. Mas neste caso, só com nove, concordo que o melhor é comparar sondagens feitas pelo mesmo instituto entre si. Costa aparece com tendência de subida porque sobe na Marktest, na Intercampus e na Eurosondagem. O mesmo sucede com Ruben de Carvalho. E Roseta desce nas três. Quando aos outros, nuns casos sobem, noutros descem.

Uma breve nota: o gráfico de hoje no Público troca, no que respeita à sondagem anterior da Intercampus, os resultados atribuídos a Ruben de Carvalho e a Sá Fernandes, como se pode ver se consultarmos isto.

Lisboa

Duas sondagens hoje, uma no Diário de Notícias e outra no Público (e TVI). Ao fim da manhã vamos olhar para elas com mais calma.

terça-feira, julho 03, 2007

As sondagens e a CDU em Lisboa

Neste blogue, José Carlos Mendes tem repetido a afirmação de que, "em 2005 todas (todas) as sondagens publicadas desde Junho até 7 de Outubro apostaram em votações da CDU entre os 5 e os 7%". Fá-lo aqui, como já tinha feito aqui.

Esta informação é incorrecta. Como se pode ver por este quadro, onde se vêem as últimas sondagens divulgadas por cada instituto antes das eleições de 2005, nenhuma sondagem dá menos que 8,5% à CDU. Uma delas, inclusivamente, dá-lhe 12%.

Aliás, o mesmo pode ser verificado num conjunto de resultados de sondagens contidos num post do mesmo blogue. Esse post é de leitura algo difícil e talvez resulte daí o equívoco. Nada disto impede, claro, a constatação de uma subestimação da CDU por parte da maioria das sondagens. Mas a magnitude dessa subestimação não deve ser...sobrestimada.

As autárquicas de 2001 em Lisboa

Este livro - Eleições viciadas? O frágil destino dos votos, de João Ramos de Almeida, também já mencionado aqui e aqui - merece ser lido com muita atenção. O autor já me permitiu que o lesse. Ele assume que o livro não responde à pergunta que coloca no título, ou seja, não prova, sem margem para dúvidas, se as autárquicas de 2001 foram viciadas ou não. Mas mostra, com detalhe e paciência, como as fragilidades do processo eleitoral em Portugal são mais sérias do que se possa pensar e como há discrepâncias nos resultados obtidos nas diversas fases do processo para as quais os responsáveis não têm, pura e simplesmente, explicação.

Depois de ler o livro, é muito difícil ficar seguro sobre quem ganhou, de facto, as eleições de 2001 em Lisboa. Isto é, por um lado, grave. Sem provar que houve fraude, o livro prova como a fraude é possível, mostra as brechas por onde, em Portugal, ela pode entrar. Mas o mais interessante é a forma como mostra que a democracia repousa em bases mais movediças do que possa parecer à primeira vista, mas que precisam, para se revelarem, de situações-limite, como as que se passaram nos Estados Unidos em 2000, na Alemanha em 2005, em Itália em 2006, ou em Portugal em 2001.

Como há margem de erro nos próprios resultados eleitorais - e não apenas nas sondagens - há momentos em que a aplicação das regras não chega para produzir soluções inequívocas, e tudo passa a depender do consentimento de uma das partes em abdicar de disputar o poder por outros meios. Gore acabou por abdicar, Schröder e Berlusconi também, e uma das coisas mais interessantes do livro é mostrar como João Soares também o fez. Mas passamos a estranhar menos que haja outros contextos, onde os jogadores têm porventura mais a perder, onde não se aceitem resultados eleitorais. Nem é preciso ir a democracias recentes: basta ver como, num certo sentido, o PP em Espanha nunca chegou a aceitar os resultados de 2004. A democracia está presa por arames muito finos.

Outlier: Rastejantes

Pelos vistos, a degradação política, ética e moral desta administração americana não tem limites.

WASHINGTON (Reuters) - President George W. Bush on Monday spared former White House aide Lewis "Scooter" Libby a prison term, enraging Democrats who accused Bush of abusing power in a case that has fueled debate over the Iraq war. Stalwart conservatives in Bush's Republican party had pressured him to pardon Libby - Vice President Dick Cheney's former chief of staff - and saw him as the victim of an overly zealous prosecutor when he was sentenced last month to 2-1/2 years in prison for obstructing a CIA leak probe. Bush stopped short of an outright pardon, leaving intact a $250,000 fine and Libby's two-years' probation. A senior White House official said Bush felt it was important to respect the jury process that convicted Libby of perjury. "I respect the jury's verdict. But I have concluded that the prison sentence given to Mr. Libby is excessive," Bush said in a statement. "Therefore, I am commuting the portion of Mr. Libby's sentence that required him to spend 30 months in prison."

Uma sondagem da Survey USA mostra que, dos americanos que dizem conhecer o caso, 60% estão contra a decisão do Presidente.

segunda-feira, julho 02, 2007

Lisboa, Eurosondagem, 27 Junho

Sondagem da Eurosondagem para a SIC e o Expresso.




De um leitor:

Gostaria de saber a sua opinião sobre o facto de a maioria (todas?) as sondagens relativas às eleições à CML terem como alvo uma amostra representativa do território nacional. Ou seja, apenas uns 5% serão realmente residentes em Lisboa. Mais curioso é o facto de os jornais usarem frases e títulos como"Lisboetas acham que...", "Lisboetas dão maioria a ..."


Não creio que isto seja assim. De facto, há algum tempo, a Eurosondagem divulgou intenções de voto numa eventual eleição autárquica em Lisboa tendo por base uma amostra nacional. Isto deu origem a uma deliberação da ERC (aqui, .pdf) e textos de rectificação do Expresso. Mas o que dizem as fichas técnicas das sondagens listadas acima? Alguns exemplos:

"O Universo é a população com 18 anos ou mais, residente no Concelho de Lisboa e habitando em lares com telefone da rede fixa."

"UNIVERSO: Indivíduos inscritos nos cadernos eleitorais do concelho de Lisboa em lares com telefone fixo."

"O Universo é constituído pela população portuguesa com 18 ou mais anos, recenseada no concelho de Lisboa"

"O universo alvo é a população com 18 ou mais anos recenseada e residente no concelho de Lisboa em alojamentos com telefone fixo"

Aqui escreve-se:

Tenho observado que nas fichas técnicas se indica que o universo consultado se refere a recenseados no concelho de Lisboa, mas desconfio que nunca terão sido exigidos os comprovativos dessa condição.

A desconfiança deverá ser plenamente justificada. Pelo telefone, não se pode pedir "comprovativos". E presencialmente, duvido que se peça o cartão de eleitor. Não creio que haja alguma sondagem que o faça, seja quando o universo é o dos eleitores lisboetas seja quando é o dos eleitores nacionais. Faz-se a pergunta, e confia-se na palavra dos eleitores. Pedir "comprovativos" seria introduzir um elemento de perturbação na relação entre inquiridor e inquirido cujos benefícios seriam, provavelmente, bem menores que os custos.

Note-se, contudo, como numa das fichas técnicas anteriores a condição de "recenseado no concelho de Lisboa" não é condição para fazer parte da amostra, mas sim apenas o facto de ter 18 ou mais anos e residir no concelho. Isto já não me parece grande ideia.

sexta-feira, junho 29, 2007

Apertem os cintos de segurança

E a propósito do post anterior, este gráfico é retirado de um paper de Francisco José Veiga e Linda Veiga sobre a popularidade do PM e outros orgãos políticos. As linhas a vermelho marcam - um bocado a olhómetro, dado que não tenho os dados - o início e o fim dos semestres das presidências portuguesas da UE.

Estão a ver o mesmo que eu? Não tenho uma teoria sobre o assunto. Mas é giro, não é?

Popularidade líderes políticos, Junho

Sondagem Marktest para o Diário de Notícias e a TSF.

Sócrates prossegue a sua descida, no seguimento do caso "Independente". Chegou ao segundo valor mais baixo desde que é PM, só superado (pela negativa) pelos valores de Setembro de 2005.

Com a descida de Sócrates, isto arrisca-se a passar despercebido, mas o líder do principal partido da oposição tem uma avaliação ainda mais negativa que o PM e também tem vindo a descer. Essa descida, contudo, já vem de mais longe. Marques Mendes nunca foi tão impopular como é hoje.

Cavaco pelas alturas.








terça-feira, junho 26, 2007

A constituição europeia

Por estes dias, vale a pena dar uma vista de olhos pelos resultados do Eurobarómetro (.pdf) mais recente, realizado entre Abril e Maio passados. Alguns destaques:

1. Taking results for this wave only, it can be seen that there are no countries where those against a constitution outnumber those in the ‘for’ camp. In particular, we note that support in France and the Netherlands, the two countries rejecting the constitution via referenda, stands at 68% and 55% respectively.

2. However, those holding the ‘against’ view do form a very significant segment of opinion in Finland (43% ‘against’, 4 points lower than ‘for’) and the UK (36% ‘against’, 7 points lower than ‘for’).

Nos 27, este apoio cresceu de 2006 para cá. Mas atenção: a questão é colocada apenas "em abstracto", em termos de "uma constituição" e não "que constituição".

Outlier: O resto é paisagem

"Antes, o roteiro da arte contemporânea terminava em Madrid. A partir de hoje, começa aqui, em Lisboa". José Sócrates, ontem, na inauguração do Museu Colecção Berardo.

Não quero ser chato nem "polícia da linguagem". Mas isto deve querer dizer que o Museu de Arte Contemporânea de Serralves fica algures entre Barcelona, Valência e Madrid. E nem falo disto.

segunda-feira, junho 25, 2007

Outlier: Mais um momento "so, what do you think about Portugal?"*

Parlamento Europeu acredita no sucesso da presidência portuguesa

*Pergunta regulamentar a fazer por jornalistas a celebridades estrangeiras que visitam o país, na esperança, sempre fundada, de que saia qualquer coisa simpática.

Peso morto

O anúncio do abandono de Blair deu-se no dia 10 de Maio. De seguida, por instituto, respectivamente:

- a vantagem a favor dos Conservadores, em pontos percentuais, nas intenções de voto na última sondagem realizada antes do dia 10 de Maio;
- a vantagem a favor dos Conservadores, em pontos percentuais, nas intenções de voto na primeira sondagem realizada depois do dia 10 de Maio;
- a vantagem dos Conservadores, em pontos percentuais, na sondagem mais recente.

YouGov:5/4/2
MORI: 7/2/-3
Populus: 8/4/3
ICM: 7/2/5
Communicate:9/4 (a primeira sondagem após 10 de Maio é também a mais recente).

Fonte: UK Polling Report.

sexta-feira, junho 22, 2007

Sondagens de Lisboa

Não se admirem com o facto de não ter feito grandes comentários à sondagem da Aximage para o Correio da Manhã. É porque não sei bem o que dizer. Quando há muitas sondagens disponíveis, é possível tentar, com os controlos apropriados, detectar tendências. Mas quando há poucas, e ainda por cima com a dispersão que estas têm, o melhor é estar calado (mas veja-se como sou suficientemente tonto para não resistir no final deste post). E basta olharmos para o que se passou em 2005 para percebermos que:

1. Não é de todo garantido que esta dispersão de resultados diminua à medida que nos aproximaremos do dia das eleições, como acontece noutras eleições e é normal que aconteça.

2. As discrepâncias entre as diferentes sondagens e aqueles que vêm a ser os resultados eleitorais não têm as explicações que muitas vezes lhes tendemos a atribuir.

3. As sondagens feitas em Lisboa são geralmente imprecisas, ponto.

Mas dito isto, se esta sucessão de resultados captasse "tendências" reais (e não uma miríade de outros factores causadores de variação), não me parece que esta sondagem venha assim em tanta contradição com as anteriores. Se olharmos com atenção, vemos:

1. Costa sobe (com Intercampus outlier);
2. Negrão sobe (com Aximage outlier);
3. Carmona e Roseta descem.
4. Ruben sobe.

Ficavam surpreendidos com o esmorecer do entusiasmo nos candidatos independentes e com o reforço do voto partidário à medida que a campanha avança? Mas porquê? (mas isto não fui eu que disse)

O chavismo e as sondagens: uma troca de e-mails

No artigo de hoje apresentas uma sondagem sobre o apoio da populacao a Chávez, e como costumas ser tão rigoroso há algo que tenho de perguntar, tendo em conta as grandes disparidades sociais que existem na Venezuela. Como foi feita tal sondagem? Telefonicamente? Nas zonas ricas? pobres? Misto? Sinceramente, e tendo em conta toda a problemática/dualidade da sociedade venezuelana, sinto que seja quase impossível ser feita uma sondagem imparcial. Não terá sido também esta encomendada pelos media, estando estes claramente alinhados a um tipo de resposta? No fim, rematas com "É em momentos como este que as minhas dúvidas existenciais sobre a contribuição das sondagens para a democracia se dissipam completamente. Depois voltam, mas o momento é de aproveitar."Achas que este tipo de sondagem contribui de que forma para a democracia? Ou, a que te referes quando falas de democracia?
Nota: não acho grande piada ao Chávez, embora ache interessante muito do que ele anda a fazer pela Venezuela, por isso não consideres isto um mail de apoio incondicional ao Chávez, mas apenas o que é, uma série de dúvidas.

Na verdade, concedo facilmente que o caso da Venezuela (e possivelmente o de muitas outras "semi-democracias" ou "semi-autoritarismos") é um bom exemplo de como as sondagens tendem a ser objecto de forte manipulação. Já relatei isso no caso da Venezuela há uns meses atrás, e confesso que não sei o suficiente sobre o panorama político da Venezuela para conseguir navegar com segurança por este mar de acusações mútuas.

Mas sei o seguinte: no referendo de 15 de Agosto 2004, o resultado final foi 59/41, favorável ao Não, ou seja, como saberás, favorável a Chávez. A Datos, em Junho, estava a dar 51/39, o que redistribuindo dá 57/43. É um resultado muito próximo do final, e favorável a Chávez. Tomei isto, conciliado agora com os resultados desfavoráveis a Chávez, como indicação de que estamos perante uma empresa minimamente séria. Isto pode não chegar, mas é a indicação que tenho, e não me parece má.

Agora, é certo que a sondagem - e deveria ter mencionado isso no post - não foi feita a uma amostra nacional mas sim a uma amostra da população residente nas 8 maiores cidades, representando apenas 1/3 da população do país. Mas a amostra, como verás, tem uma maioria de inquiridos dos estratos sociais mais baixos. Assim, mesmo com algumas precauções, e especialmente tendo em conta resultados tão expressivos, acho que se pode dizer com alguma segurança que as últimas medidas de Chávez estão a ser mal recebidas pela população.

Finalmente, por que é que contribui para a democracia? Se não conhecêssemos estes resultados, aquilo que saberíamos da vontade do povo seria apenas aquilo que Chávez e os seus opositores teriam para nos dizer. E tendo em conta que Chávez vem silenciando os opositores, seria provavelmente apenas a versão do primeiro. Mas com esta sondagem, sabemos algo mais, e melhor.


Eu dei uma vista de olhos no powerpoint da sondagem, mas, não conhecendo a realidade "socio-geografica" do país não consigo ter opinião sobre a justeza dos sítios escolhidos. Tenho algumas dificuldades em acreditar que consigamos saber o que se passa na Venezuela através de sondagens, e penso, ao contrário do que dizes, que muito do que nos chega, é pelo contrario, contrario a Chávez, e não oriundo deste ou do estado/máquina estatal venezuelana. Como podemos nós compreender um pais claramente do 3º mundo, com problemas gravíssimos de fome, miséria, degradação social em todos os aspectos? É-me muito difícil criticar Chávez a nível das medidas, quando o vejo (pode ser apenas aparente) a efectivar medidas que melhoram as condições de vida dos extractos mais baixos. É-me difícil criticar Chávez por fechar um canal de televisão que se dedicava 24/24 a criticas absolutamente destrutivas, e quantas vezes mentirosas contra o estado (inclusive dentro das telenovelas, com todo o controlo social que isso implica). Qual seria a reacção do estado português a uma SIC ou TVI que participasse activamente num golpe de estado, e em milhentas iniciativas para derrubar o estado? Penso que não seja a liberdade de expressão que esteja em causa, mas sim algo diferente.

Lisboa, Aximage, 20 Junho

Mais uma sondagem, aqui. O quadro completo:

quinta-feira, junho 21, 2007

O chavismo já teve melhores dias

Venezuela, Datos, 8-10 Junho, Telefónica e Presencial, N=600

¿En que grado está usted de acuerdo con la medida tomada por el gobierno nacional de no renovar la concesión a RCTV?
Muy de Acuerdo/De Acuerdo: 20,4%
Ni de Acuerdo ni en Desacuerdo: 12,2%
Muy en Desacuerdo/ En desacuerdo: 66,9%

¿Usted estaría de acuerdo con la salida del aire de Globovisión?
Si:17,2%
No: 75,2%
Nr: 7,7%

En vista de las manifestaciones estudiantiles que se han llevado a cabo en el país recientemente, ¿qué opinión le merece la actitud de los estudiantes?
Muy bien: 29,7%
Bien: 26,5%
Regular: 19,3%
Mal: 15,3%
Muy mal: 8,5%
No sabe/No responde: 0,7%

¿Piensa usted que el cierre de RCTV atenta contra la libertad de expresión en Venezuela?
Si: 56,5%
No: 36,3%
Ns/Nr: 7,2%

Resultados completos aqui. É em momentos como este que as minhas dúvidas existenciais sobre a contribuição das sondagens para a democracia se dissipam completamente. Depois voltam, mas o momento é de aproveitar.

quarta-feira, junho 20, 2007

Reagan II?

Atentem neste gráfico retirado do Political Arithmetik:

O que este gráfico mostra, simplesmente, é que Fred Thompson, ex-senador do Tennessee e actor no Law and Order, ultrapassou McCain nas sondagens para as primárias do Partido Republicano. E Thompson não é sequer ainda (oficialmente) candidato. Reagan II à vista.

terça-feira, junho 19, 2007

Boa pergunta

A que é colocada aqui sobre a popularidade do Primeiro Ministro. Como sabem os leitores deste blogue, não tenho dados suficientes para dar resposta. A não ser para dizer:

1. Apesar dos valores absolutos serem diferentes, as sondagens Eurosondagem e Marktest parecem reflectir tendências semelhantes, como se vê aqui.

2. Das quatro sondagens que regularmente medem a apreciação do Primeiro-Ministro, apenas a Eurosondagem o coloca, em termos absolutos, num patamar claramente positivo. As restantes não o fazem: aqui, aqui e aqui. E isto independentemente das intenções de voto maioritárias no PS (expressas, de resto, por pouco mais de metade das amostras, o que não sucede com a avaliação do PM). E apesar das dúvidas sobre o impacto do caso Independente, apesar de a pouco e pouco, à medida que resultados sucessivos após Março inferiores à média anterior se vão sucedendo, esse impacto negativo me parecer cada vez mais inquestionável.

3. Continuo a suspeitar que algumas das diferenças radicam na heterogeneidade dos questionários, da formulação das perguntas e da opções de resposta.

O povo é quem mais ordena

Católica, 13 de Maio de 2007, N= 1337, Aleatória, Face-a-face

Acha que já há condições para tomar uma decisão definitiva ou que se devia fazer mais estudos sobre a localização do novo aeroporto?

Já há condições para uma decisão: 19%
Devia-se fazer mais estudos: 47%
Não sabe: 32%
Não responde: 1%

sexta-feira, junho 15, 2007

Outlier: A frase do ano (pelo menos)

«Estou a fazer um investimento cultural», tendo em conta que «o Benfica faz parte da minha cultura», rematou Joe Berardo.

Até o "rematou" está perfeito.

Lisboa, Intercampus

A sondagem divulgada hoje no Público é interessante porque usa inquirição presencial e simulação de voto em urna, permitindo confrontar resultados obtidos com essa metodologia com os anteriores (onde se fizeram sondagens telefónicas). Há alguns elementos de informação que a notícia não faculta, tais como os resultados brutos ou as opções de amostragem. O que temos é o seguinte:




Confirma-se Costa na frente (mas dúvida sobre com que vantagem) e Carmona abaixo de Negrão. Roseta bastante abaixo de valores anteriores e Ruben e Sá Fernandes bastante acima.

A mão no bolso

O melhor resumo da minha comunicação na Gulbenkian, no ciclo Estado do Mundo, aqui.

O Presidente, o Congresso as Primárias

Ponto de situação, no indispensável Political Arithmetik. Destaques:

1. Bush no ponto mais baixo de popularidade de sempre;

2. Declínio no apoio ao Congresso, especialmente para Republicanos mas também para os Democratas;

3. Pessimismo generalizado e crescente sobre a direcção do país;

4. Surpresa nas primárias Republicanas: McCain e Giuliani em declínio, Fred Thompson - ex-senador do Tennessee - a subir. Para quem não esteja bem a ver de quem se trata, pode clicar aqui e garanto que ficará surpreendido.

5. Menos surpresas nas primárias do Partido Democrata: Obama e Clinton estabilizam (depois de subida do primeiro e descida da segunda), mas Gore sobe nas sondagens...

terça-feira, junho 12, 2007

Um aeroporto no deserto

TVI, Intercampus, 11 Junho, N=605, Telefónica, nacional

Preferência por localização do novo aeroporto
"Margem Sul": 48,4%
Ota: 16,9%
Outros: 3,1%
Ns/Nr: 31,6%

O que vale a quem, como eu, trabalha nesta actividade, é que há sempre mais de metade dos inquiridos que em qualquer sondagem e em qualquer pergunta têm sempre opinião sobre seja o que for. Que Deus os guarde.

Mais a sério, este é um dos grandes temas do estudo da opinião pública: como as pessoas exprimem opiniões na base de reduzidíssima informação e sem qualquer (aparente) base racional. E até que ponto decisões como essas podem, de facto, ser "racionais". Um número inteiro de uma revista dedicado ao assunto: aqui.

4,7%, 0 deputados

Procuro não me repetir, mas tenho desta vez o pretexto de estar a repetir o que outros disseram:

"Ce qui est remarquable concernant ce vote utile, c'est que Nicolas Sarkozy a composé avec l'électorat habituel du Front National à l'instar de ce que François Mitterrand avait réussi à faire avec le parti communiste en 1981. Nous sommes quasi dans le même contexte aujourd'hui qu'en 1981 - à l'exception des convictions politiques des deux hommes." (Gérard Grunberg, Director de pesquisa no CEVIPOF)

segunda-feira, junho 11, 2007

França, legislativas

Com o andar da carruagem, confesso que me fui desinteressando das legislativas francesas, pela aparente previsibilidade da coisa. Pelos vistos, não fui o único: a abstenção ontem terá andado pelos 39,5%. Em 2002, aliás, o valor foi parecido, o que faz das duas últimas legislativas as eleições com maior abstenção na história da democracia francesa. Se nos recordarmos da elevada participação nas presidenciais, ficamos com a confirmação daquilo que já se sabe há muito tempo: o papel fundamental das instituições e dos contextos políticos na explicação da participação eleitoral.

O quadro seguinte mostra as últimas sondagens e os resultados com 98% dos inscritos. Correram razoavelmente bem, com alguma sobrestimação do partido de Bayrou.





quarta-feira, junho 06, 2007

Controvérsia sobre a sondagem Data Crítica, 2

Num post anterior, mencionei uma queixa que o PND tinha feito sobre uma sondagem da Data Crítica, alegando que, nessa sondagem, os inquiridos tinham sido confrontados com uma lista de candidatos mas que, no caso do PND, o nome do candidato tinha sido omitido, e alegando esse facto revela "falta de precisão rigor e objectividade, constituindo uma violação do princípio da igualdade de tratamento das várias candidaturas."

No comentário que fiz, assinalei que:

1. A ser verdade o que está na queixa do PND e a não ser um mero lapso na aplicação do guião, mencionar todos os cabeças de lista menos os de um partido não me parecia boa ideia;

2. E que, a ser verdade o que está na queixa do PND e a não ser um mero lapso na aplicação do guião, não mencionar os partidos dos cabeças de lista também não me parecia boa ideia.

Recebi um e-mail da Data Crítica, do qual transcrevo o excerto relevante. Permito-me apenas sublinhar os pontos que têm relação directa quer com a queixa do PND quer com os meus comentários anteriores. Farei alguns comentários adicionais no final.

"1) As perguntas relacionadas com as intenções de voto não foram inicialmente colocadas pelo entrevistador de forma assistida. Isto é, a pergunta foi inicialmente apresentada ao inquirido com a formulação da pergunta, não sendo sugerida ou proposta qualquer opção de resposta. Caso o inquirido indicasse espontaneamente um candidato, ou força partidária, a sua opção era assinalada pelo inquiridor. Caso o inquirido não soubesse, ou hesitasse, na resposta sobre o candidato, era lida a lista de candidatos que consta do questionário. Alguns dos comentários efectuados baseiam-se no pressuposto de que a lista de candidatos foi inicialmente lida, na sondagem realizada pela Data Crítica, a todos inquiridos – o que não é correcto.

Não foi identificado qualquer caso, no decurso da supervisão realizada, em que a lista de candidatos tenha sido lida inicialmente pelo inquiridor, no momento da primeira formulação da pergunta. Não foi obviamente objecto de supervisão post hoc a chamada específica em que a queixa se baseia, devido aos princípios e normas de anonimato e confidencialidade estabelecidos. Consideramos, contudo, que o cenário mais provável corresponderá a uma resposta equívoca ou hesitante, por parte do inquirido, sobre a sua intenção de voto, no momento da primeira formulação da pergunta – cujas eventuais motivações não nos compete procurar interpretar;

2) A lista de candidatos incluída no questionário identifica, para além do nome do cabeça de lista, as forças partidárias através das quais os candidatos apresentam as listas, ou a situação de candidatura independente. Não consideramos, por esse motivo, que seja de todo aplicável à sondagem realizada pela Data Crítica o comentário segundo o qual terão sido identificadas “as opções com o nome do cabeça de lista sem mencionar o partido”;

3) No caso do Partido da Nova Democracia (PND) foi, efectivamente, incluída no questionário a força política, não sendo mencionado o primeiro candidato da lista. Esta opção foi tomada devido ao facto de a entrega da candidatura no Tribunal e a apresentação da candidatura terem sido efectuadas no dia 28 de Maio – dia em que teve início a recolha de informação – e de não ter sido localizada informação que permitisse estabelecer de forma inequívoca que a lista do PND seria encabeçada pelo Dr. Manuel Monteiro – inclusivamente no jornal online do PND. Uma vez que o questionário é preparado e finalizado com antecedência, a entrega da candidatura do PND e a sua apresentação pública surgiram depois de a preparação da recolha de informação se encontrar concluída. Foi, na altura, avaliada a possibilidade de incluir a referência ao candidato, mas tal operação só poderia ser efectuada a meio do processo de recolha. Considerámos, por um conjunto de motivos que poderemos vir a detalhar, caso esta questão venha a merecer debate adicional, mais adequado manter a formulação original. Esta opção é baseada em critérios metodológicos e não tem evidentemente por objectivo introduzir qualquer distorção no princípio da igualdade de tratamento de candidaturas."


Em síntese, temos que:

1. Segundo a Data Crítica, "caso o inquirido não soubesse, ou hesitasse, na resposta sobre o candidato, era lida a lista de candidatos que consta do questionário, e "a lista de candidatos incluída no questionário identifica, para além do nome do cabeça de lista, as forças partidárias através das quais os candidatos apresentam as listas, ou a situação de candidatura independente." Segundo o PND, naquele inquérito concreto, "em seguida foram-lhe apresentados os nomes dos candidatos independentes Carmona Rodrigues e Helena Roseta e os nomes dos candidatos apresentados pelo PS, PSD, CDS, BE, CDU e PCTP/MRPP", ou seja, depreende-se, a lista fornecida continha apenas os nomes dos candidatos. Logo, houve um erro: ou errou o PND na descrição do sucedido, ou errou o inquiridor da Data Crítica que aplicou o questionário àquele inquirido em concreto.

2. Confirma-se que, no caso do PND, apenas o partido foi usado para descrever a opção, e não o nome do candidato. A Data Crítica dá a sua explicação do sucedido.

3. Último ponto, o que para mim é relevante: toda a gente parece ter a noção da enorme importância da formulação das perguntas e da potencial sensibilidade dos resultados a essa formulação.

terça-feira, junho 05, 2007

Popularidade Sócrates

Sondagens Marktest e Eurosondagem; no eixo y, percentagem de opiniões positivas subtraída de opiniões negativas; linha de referência vertical indica antes e depois do caso Independente.

Um problema sem solução (simples), 2

Nuno Guedes enviou-me (obrigado) três artigos seus publicados no Expresso que falam deste mesmo assunto. Alguns excertos:

"Recenseamento: 1,5 milhões de votos trocados
Os portugueses devem votar no local da sua residência habitual. Um milhão e meio de eleitores estão em situação irregular face à actual lei do recenseamento eleitoral, garante o Secretariado Técnico dos Assuntos para o Processo Eleitoral (STAPE), responsável pela organização de eleições e referendos. Há sete anos, quando a legislação mudou e passou a exigir que a residência habitual do eleitor fosse a que está no bilhete de identidade, o número, resultante do cruzamento do recenseamento com o registo civil, chegava aos três milhões, recorda Jorge Miguéis, director-geral do STAPE.

Os eleitores mal recenseados tinham cinco anos para fazer a mudança, mas o prazo caducou em 2004 e a lei não deixou qualquer meio ou sanção para regularizar estes casos. ‘‘Alertámos o Ministério da Administração Interna para a situação, que na altura considerou a legislação irrealista’’, conta o responsável, que explica: ‘‘Não houve meios para fazer cumprir a lei. Seriam necessárias milhões de notificações’’.

Em 2005, ano de autárquicas e legislativas, um terço dos 308 concelhos do país tinha dez ou mais por cento de eleitores quando comparado com a população residente segundo o Instituto Nacional de Estatística. Sobretudo, no interior centro e norte do continente (distritos de Bragança, Castelo Branco, Guarda, Viana do Castelo, Vila Real, Viseu) e Madeira. Votos que em cerca de 80 municípios eram suficientes para alterar o vencedor das eleições autárquicas.

Na capital, a situação é semelhante, mas por perda de população para a periferia. Lisboa tem mais 90 mil eleitores do que pessoas a viver na cidade - Carmona Rodrigues ganhou a autarquia por 45 mil votos. No Porto, a situação é igual - 37 mil recenseados a mais. Nos concelhos à volta, a situação inverte-se e a população com mais de 18 anos é quase sempre bastante superior aos inscritos para votar. ‘‘Lisboa perdeu mais de um habitante por hora nos últimos 10 anos’’, recorda Fernando Seara, presidente da Câmara de Sintra, que tem um défice de 65 mil eleitores no concelho."


"Sócrates vive em Lisboa mas vota na Covilhã
Há duas décadas que José Sócrates vive em Lisboa, desde que foi eleito deputado, pela primeira vez, em 1987. Na declaração de rendimentos entregue no Tribunal Constitucional, desde 1999 que a única morada apresentada pelo primeiro-ministro fica na capital, rua Castilho.
Sem respostas, o Expresso perguntou aos colaboradores mais directos de José Sócrates por que continua a votar na Covilhã e que residência tem no bilhete de identidade, que deveria corresponder à sua morada habitual. Em São Bento a ausência de resposta foi justificada pela falta de tempo do primeiro-ministro."

segunda-feira, junho 04, 2007

Um problema sem solução (simples)

Já repararam como, entre os concelhos da Grande Lisboa, as diferenças entre o nº de eleitores inscritos no recenseamento eleitoral e as estimativas da população com 18 ou mais anos são, elas próprias, muito diferentes entre si?

Por exemplo: a 31 de Dezembro de 2006, havia 266.655 eleitores inscritos no concelho de Sintra, incluindo cidadãos da União Europeia e outros estrangeiros residentes com capacidade eleitoral. Contudo, em finais de 2005, a estimativa provisória intercensitária de residentes no concelho de Sintra com 18 ou mais anos andava pelos 330.000. Muito mais residentes que inscritos.

E no concelho de Lisboa? Os mesmos dados apontam para 525.043 inscritos. Mas ao contrário de Sintra, onde há mais residentes que inscritos, em Lisboa é o inverso: a estimativa de residentes aponta para 440.000.

Esqueçamos a discrepância de um ano entre estimativa e recenseamento, dado que ela é comum aos dois concelhos. Se repetiram esta operação consistentemente para todos os concelhos da Grande Lisboa, vão verificar que, com a excepção de Cascais e Lisboa, há mais residentes que inscritos em todos os concelhos. Isto é curioso, dado que contraria o padrão que se julga existir no resto do país (mais inscritos que residentes). E Cascais é muito menos excepção que Lisboa, dado que o nº de inscritos e residentes é quase o mesmo. Só em Lisboa há uma enorme discrepância entre inscritos e residentes e a favor dos inscritos.

Já perceberam onde isto nos leva, não já? Há muita gente inscrita em Lisboa que já não reside em Lisboa. E se não perceberam bem a implicação disto, eu digo: quando uma sondagem escolhe nºs de telefone de domicílios no concelho de Lisboa, ou quando se faz uma sondagem presencial pelas ruas das freguesias de Lisboa, há muitos inscritos cuja probabibilidade de serem seleccionados para responder à sondagem é nula, porque eles não residem no concelho.

E se eles vierem votar na mesma? E se os que vêm votar forem tendencialmente diferentes dos votantes que residem em Lisboa? Bonito serviço.

Controvérsia sobre a sondagem Data Crítica

Mini-controvérsia instalada por causa da sondagem da Data Crítica que menciono no post anterior. O PND enviou uma queixa à CNE e à ERC:

No passado dia 29 de Maio, a Dra. Maria Augusta Montes, por coincidência membro da Direcção do Partido da Nova Democracia foi inquirida no âmbito da realização de uma sondagem telefónica pela empresa Datacrítica, com vista às próximas eleições intercalares para a Câmara Municipal de Lisboa. A pergunta relativa à intenção de voto foi-lhe formulada nos seguintes termos: “Se as eleições fossem hoje em qual destes candidatos votaria?”. Em seguida foram-lhe apresentados os nomes dos candidatos independentes Carmona Rodrigues e Helena Roseta e os nomes dos candidatos apresentados pelo PS, PSD, CDS, BE, CDU e PCTP/MRPP e em seguida foi-lhe apresentada a opção “representante da Nova Democracia”, omitindo o nome do candidato à Presidência da CML apresentado pelo Partido da Nova Democracia, o Dr. Manuel Monteiro.

Começo já por dizer - full disclosure - que tenho um amigo na Data Crítica. Mas também que não falei com ele sobre isto. Quatro comentários:

1. Pode ter sido um problema de aplicação deficiente, por um inquiridor concreto, do guião da entrevista.

2. Se não foi esse o caso, não parece boa ideia que, na listagem da série de opções de voto, sejam identificadas algumas pelo nome do cabeça de lista e outra sem esse nome.

3. Independentemente disso, também não me parece boa ideia - pelo menos neste fase - identificar as opções com o nome do cabeça de lista sem mencionar o partido. Os partidos são uma pista fundamental para que os eleitores tomem decisões, e nesta fase inicial omitir o partido parece-me dar um estímulo deficiente e demasiado irrealista ao eleitor, pressupondo que ele sabe mais do que aquilo que realmente sabe. Mais tarde, quando os candidatos forem conhecidos e a sua ligação a partidos também, poderá já não fazer diferença.

4. E independentemente de tudo isto, por aqui se vêem as limitações das sondagens: com muitas opções, é preciso reduzir a lista de alguma forma, ou a pergunta deixa de ser compreensível. Quem se lembra de uma lista lida oralmente com 12 ou mais opções? Os "pequenos partidos" é que sofrem. Talvez por isto também os resultados das sondagens só tendam a convergir uns com os outros no final de uma campanha: neste momento, as sondagens captam apenas as opções daqueles que já as tomaram e que, quando se lhes lê a lista, estão só à espera de ouvir a opção que corresponde à decisão já tomada. Para os outros, o pressuposto de que, numa sondagem, se está a colocar as pessoas perante um contexto "realista" de tomada de decisão e que através dele se capta de forma fiável essa decisão, é dificilmente sustentável.

sexta-feira, junho 01, 2007

Lisboa, Data Crítica, 29 de Maio

Foi divulgada mais uma sondagem sobre as intercalares de Lisboa, pela Data Crítica para o Diário Económico. Quem quiser saber as intenções de voto escusa de ir ler a notícia publicada no Diário Económico - pelo menos a da versão online - porque elas não estão lá. Mas a Data Crítica fez a amabilidade de me enviar esses resultados, que também terão sido enviados para a ERC. Aqui estão eles:



É cedo para detectar tendências consistentes e muito menos para presumir que estaremos próximo do que sucederá dia 15. Mas não há dúvidas sobre a liderança de Costa, e começam a sedimentar-se três ideias adicionais:

- Nas sondagens mais recentes, Carmona está, afinal, atrás de Negrão;

- Ruben de Carvalho e Sá Fernandes sofrem a bem sofrer com a presença de Roseta;

- Telmo Correia vai ter de fazer um esforço muito grande para que alguém se aperceba da sua existência.

quinta-feira, maio 31, 2007

Shameless, shameless plugs (mas um não)


1. Lançamento de um livro intitulado Eleições e Cultura Política, editado pela Imprensa de Ciências Sociais, e organizado por André Freire, Marina Costa Lobo e este vosso criado. Vão apresentar o livro Pedro Tavares de Almeida, do Departamento de Estudos Políticos da Nova, e Manuel Meirinho Martins, do ISCSP. É no dia 4 de Junho, às 17.45h, no ICS.

2. Ainda mais "shameless": passei a ser o coordenador do Curso de Mestrado em Política Comparada do ICS, agora na sua 5ª edição. Suspeito que alguns dos visitantes deste blogue são potenciais candidatos e não queria que a informação lhes passasse ao lado. É um mestrado "científico", ou seja, não pretende ser uma mera repetição ou extensão das coisas que andaram a ouvir no 1º ciclo em Ciência Política (e muito menos se o curso tiver sido outro). É muito voltado para a investigação, com tutores individuais e acompanhamento directo de concepção e execução de projectos. O Rui Ramos deu-me há dias uma boa definição. Este Mestrado está para os Estudos Políticos como os cursos de "creative writing" estão para a Literatura: "hands on".
O plano de estudos está aqui, o corpo docente aqui, e há ainda a somar a estes mais vinte investigadores portugueses e estrangeiros que vêm leccionar seminários especializados e módulos de cadeiras, quase todos já confirmados. Escrevam se quiserem saber mais coisas.

3. Um plug que não é para mim: Jorge Camões tem um dos blogues temáticos mais interessantes da blogosfera portuguesa, BizViz, sobre visualização de informação. O Jorge está a pensar promover um curso sobre análise gráfica de informação. Eu tenciono inscrever-me. Há muita gente que, se não tenciona, devia.

4. E logo ao fim da tarde, na Gulbenkian, integrado no Estado do Mundo, algumas considerações sobre o que significa fazer "ciência" na Ciência Política.

E já chega.

quarta-feira, maio 30, 2007

"Conseguir o Impossível"

Vale a pena ler o livro sobre a campanha de Manuel Alegre às presidenciais, tal como também valia a pena ler o livro de Filipe Santos Costa sobre a campanha de Soares (e não é por este blogue ser mencionado em ambos).

São dois produtos muito diferentes. O livro sobre Soares é uma reportagem jornalística, o livro sobre Alegre é uma obra colectiva, escrita por pessoas ligadas à campanha. Mas o capítulo de Helena Roseta ("Uma candidatura pioneira"), apesar dos enviesamentos compreensíveis, serve como reportagem da pré-campanha e campanha tal como vista pelo lado da candidatura de Alegre, tem muita informação factual e está uma coisa que me parece realmente bem feita. Os capítulos de António Pina Ferreira - sobre o financiamento - e de Nuno David - sobre a campanha na Net - são também muito informativos. E há o capítulo de Luis Moita sobre "A estratégia de campanha eleitoral de Manuel Alegre", que é de especial interesse para apreciar semelhanças e diferenças com que se vai passar por aqui. O resto do livro é mais soft e interessa mais aos fiéis da crença.

Temas "quentes" não há muitos, a não ser alguns elementos adicionais da intriga em torno da escolha de candidato por parte do PS, acusações bastante explícitas de manipulação dos resultados de sondagens feitas à Eurosondagem e um alegado acordo "implícito" entre Soares e o PCP e o BE. Mas há também uma janela, nos vários textos, para a mundividência e para o tipo de discurso político que está por detrás deste tema do "poder dos cidadãos", de que havemos ouvir falar mais vezes . E há outra coisa que me interessa pessoalmente: a enorme importância que as sondagens divulgadas publicamente parecem ter, não tanto (directamente) para o comportamento do eleitorado, mas sim para o interior das próprias campanhas, aumentando o ânimo ou o desânimo, dando a percepção de objectivos atingidos ou por atingir, afectando estratégias e, logo, afectando a capacidade de mobilização dessas campanhas e a sua eficácia. Uma sondagem em particular, feita pela Católica e divulgada no dia 7 de Janeiro, parece ter sido um momento charneira nas candidaturas Soares e Alegre, para além, claro, do impacto da "tracking poll" da Marktest. Feita a constatação, não sei bem o que deva ficar a pensar sobre o assunto.

Em resumo, independentemente do que achemos disto tudo, publicar livros destes após eleições é um bom hábito, que seria bom que não se perdesse.

Outlier: Resistance is Futile

Paul Wolfowitz demitiu-se da presidência do Banco Mundial. George W. Bush nomeou Robert Zoellick. O Público faz uma breve resenha biográfica. Mas esqueceu-se do fundamental: a participação de Zoellick num grupo auto-designado "Os Vulcanos", que desenhou a política externa de Bush enquanto candidato nas eleições de 2000 e preservou a sua influência nos anos que se seguiram.

Composição dos Vulcanos: Condoleezza Rice, Richard Armitage, Robert Blackwill, Stephen Hadley, Richard Perle, Dov Zakheim e Paul Wolfowitz, para além do próprio Zoellick. Há um livro sobre eles, e um artigo recente do Chicago Tribune.

segunda-feira, maio 28, 2007

Legislativas, França, 28 Maio


Popularidade líderes políticos, Maio

Com o último Barómetro Marktest, ficamos assim. No caso de Sócrates, o que está à direita da linha de referência vertical são os barómetros "pós-Independente".


As coisas não estão brilhantes para o PM, mas estão ainda piores para o líder do maior partido da oposição. O Presidente plana por cima disto tudo.

sábado, maio 26, 2007

Lisboa

Três sondagens divulgadas publicamente - Marktest, Eurosondagem e Católica - as três presumindo cenário com candidatura de Carmona. Os resultados são estes:



Confirma-se, por um lado, que de nada serve comparar resultados brutos de diferentes sondagens. Reparem na diferença entre a abstenção declarada na sondagem da Católica (23%) com a declarada na Marktest (3.2%), ao passo que a Eurosondagem nem a reporta. Diferentes normas de divulgação de resultados e, provavelmente, diferentes questionários - com a Marktest provavelmente a colocar o "não voto" como opção residual numa pergunta de intenção de voto e a Católica a fazer uma pergunta-filtro sobre probabilidade de votar - fazem com que esses resultados nem sejam comparáveis.

Olhando para as "estimativas" - ou seja, os resultados das sondagens expressos de forma a serem comparáveis entre si e com resultados eleitorais - há diferenças importantes. António Costa aparece com mais de 30% das intenções de voto válidas nas três, mas no que se segue há uma grande confusão. Carmona com 20% na Marktest, 17% na Eurosondagem e 14% na Católica; Negrão a ir na direcção oposta (12, 15 e 18%, respectivamente), e Roseta com 17, 16 e 13%.

É muito cedo para tirar grandes conclusões. As sondagens foram feitas em momentos em que não havia ainda confirmação de Carmona e, mesmo depois dessa confirmação, duvido que os eleitores tenham ainda bem arrumado na sua cabeça quem são estas pessoas, a que partido (não) pertencem e, afinal, a que vêm.

sexta-feira, maio 25, 2007

Outlier: Inimigo Público

Uma pessoa sabe que atingiu um ponto particular na sua carreira e percurso de vida quando lhe acontece uma coisa destas. Se é o zénite ou o nadir é que é mais difícil saber.

Portugal é Lisboa e o resto é paisagem

Alertado por um leitor e blogger, gostaria de chamar a vossa atenção para esta notícia da edição online do jornal Sol, onde se relatam os resultados de uma sondagem realizada a uma amostra representativa dos eleitores residentes em Portugal Continental, e onde o PS surge com 46,8% das intenções de voto válidas. O título da notícia resume "Sondagens dão maioria ao PS na Câmara de Lisboa". Errar é humano. Mas se há ministros que não deviam fazer discursos depois do almoço, há jornalistas que não deviam escrever notícias antes do pequeno-almoço.

P.S.- 12.03h. No Sol já se corrigiu o título.

terça-feira, maio 22, 2007

Legislativas, França, 22 Maio

Prémio

Um blogue ganhou um prémio de uma associação académica, mais concretamente o prémio Warren J. Mitofsky de Inovação concedido pela Associação Americana para a Pesquisa de Opinião Pública. É o www.pollster.com, que junta os esforços de Mark Blumenthal (do antigo Mystery Pollster) e de Charles Franklin (do Political Artithmetik). Poucos prémios são tão merecidos. Congratulations.

segunda-feira, maio 21, 2007

Lisboa: legislativas e autárquicas

Só para irmos pensando: a comparação entre o resultado do partido de governo nas eleições legislativas e na eleição subsequente para a câmara municipal, sempre no concelho de Lisboa. Quando há coligações num lado (governo) ou noutro (câmara), comparam-se os resultados das somas dos partidos que as compõem. O que importa é que o partido de governo esteja sempre de um lado e do outro.



Partidos de governo ou coligações contendo partidos de governo têm sempre, no concelho de Lisboa, piores resultados nas autárquicas do que nas legislativas precedentes, com duas excepções: as eleições separadas por dias ou poucos meses: 1979 e 1985. As "punições" maiores sofridas pelo governo, se quisermos chamar-lhes assim - 1991/1993 e 2005 - foram sofridas por partidos que governavam sozinhos e concorreram sozinhos à câmara de Lisboa.

Isto encaixa muito bem com a ideia de que as autárquicas são eleições de "segunda-ordem":

- por serem vistas como menos importantes do que as legislativas, dão incentivos a que potenciais apoiantes do governo as usem para exprimir a sua insatisfação;

- insatisfação a exprimir é menor em períodos de "lua de mel" governamental: autárquicas realizadas pouco depois das legislativas têm menor ou nula punição. 2005 parece excepção, e é. Mas a "lua de mel" deste governo socialista durou pouco ou, se quisermos, o resultado excepcionalmente baixo de 2005 em Lisboa dá a medida de quão mal correu a campanha ao PS;

- também por serem vistas como menos importantes, autrárquicas retiram incentivos para voto estratégico nos maiores partidos. Daí, dir-se-ia, a razão pela qual as punições do governo são "mitigada" com coligações.

Mas cuidado com a extracção de implicações para 15 de Julho:

1. Estas eleições estão rodeadas de maior dramatização do que é habitual: candidato do PS é ex-membro destacado do governo;
2. Eleições atípicas em comparação com as outras autárquicas.

Mas é só para irmos pensando.

Legislativas, França, 21 Maio


sexta-feira, maio 18, 2007

It's not what you say, it's what people hear

"LPM trabalha campanha do PS à Câmara de Lisboa" (Jornal de Negócios)

"Agora, em Lisboa, estaremos perante um caso de "renovar o sonho" ou algo de parecido? Não. Andamos à procura do rigor, da ambição, da exigência. Somos vizinhos dos espanhóis, mas vivemos em estados de espírito diferentes." (Luis Paixão Martins, ontem, no seu blogue).


Do Público (Nuno Ferreira Santos)

Por mero acaso, ontem estava a ler uma recensão na New York Review of Books de um livro de Frank Luntz, o ex-"spinmeister" do Partido Republicano (que esteve em Portugal há uns anos, no ICS, quando o ICS ficava num corredor do ISCTE) e, agora, dos Conservadores no Reino Unido. Só o título do livro, Words That Work: It's Not What You Say, It's What People Hear, é todo um programa.

Sondagens

Esta, da Marktest, mas sem candidato para o CDS-PP, sem Manuel Monteiro e presumindo candidatura da Carmona. Não serve para termos uma ideia do que pode acontecer no dia 1 de Julho, mas serve como indicador da notoriedade e do poder de atracção de Fernando Negrão: 4º lugar nas intenções de voto, com 9,5%, atrás de Costa, Carmona e Roseta.

Um exercício absurdo, mas só para o PSD não ficar muito desanimado: as intenções de voto de Carmona e Negrão somadas são exactamente 25,2%, o mesmo que Costa. E outro exercício absurdo, mas para animar as hostes: as primeiras sondagens nas presidenciais davam Alegre com 17%; acabou com 20%. Roseta aparece agora com 13,5%.

E outra sondagem, da Católica, sobre intenções de voto em legislativas e avaliações do governo e dos líderes políticos. Duas peças no JN que, parece-me, fazem uma boa interpretação dos resultados.

quinta-feira, maio 17, 2007

Game theory

Há para aí uma grande vontade de fazer sondagens em Lisboa, mas uma dúvida sobre quando isso começa a fazer sentido. Uma percentagem muito grande dos eleitores diz, nas sondagens a propósito das autárquicas, que a identidade do cabeça de lista é o mais importante para si. Isso pode não ser exactamente verdade - os eleitores costumam ser os piores analistas dos seus próprios comportamentos - mas não há dúvida que, pelo menos em comparação com as legislativas (onde o peso das lideranças é, mesmo assim, muito grande nas considerações dos eleitores), saber que menu concreto de candidatos existe é fulcral para que as pessoas cheguem a uma decisão qualquer.

Acresce a isto que as "pistas" habituais a que os eleitores recorrem para tomar decisões vão estar muito baralhadas nestas eleições. Julgar o trabalho do "incumbent"? Mas o "incumbent" é o PSD ou o candidato independente Carmona Rodrigues? O líder da oposição camarária passou a ser o ex-vice-líder do governo. O ex-candidato do BE quer apoiar um candidato independente, uma coligação ou correr sozinho, como independente ou com apoio do BE? Uma confusão. Vão-se fazer sondagens, e em breve. Até ao dia 1 de Julho haverá muita confusão a resolver nas cabeças dos eleitores (incluindo na minha).

Dito isto, e não sendo muito dado a estas "análises políticas" - pelo menos quando não tenho "dados" - confesso a minha total perplexidade com a actuação de Marques Mendes neste processo. Até ao dia 2 de Maio, apesar de pressionado pelas circunstâncias, Marques Mendes tinha a faca e o queijo na mão para decidir se e - mais importante - quando provocava a queda de Carmona. Decide fazê-lo no dia 2. Mas fá-lo, constata-se agora, desperdiçando completamente esse poder de iniciativa. Fá-lo sem ter assegurado um candidato forte que pudesse constranger as estratégias do PS e de Carmona. Com a bola nos pés, em vez de chutar à baliza, passa para o adversário a ver o que acontece.

Segue-se o inevitável: percebendo que o PSD andava aos papeis, o PS responde apresentando o candidato mais forte que poderia apresentar- o nº 2 do governo, caramba - diminuindo a probabilidade de que Marques Mendes conseguisse de seguida recrutar alguém de jeito disposto a arriscar o pêlo numa derrota em Lisboa. Sobra Fernando Negrão, pessoa porventura estimável - não faço ideia - mas com peso político e reconhecimento na opinião pública próximos do zero. E assim se abriu caminho para que Carmona sinta que vale a pena arriscar também. A primeira ronda do jogo - e há eleições, como, por exemplo, as legislativas de 2005, onde a primeira ronda é a última - estava perdida para o PSD.

Das duas uma: ou alguém tirou o tapete a Marques Mendes; ou Marques Mendes decidiu fazer cair a Câmara sem ter a mínima ideia do que tencionava fazer de seguida. O resultado, contudo, é o mesmo: a não ser que haja uma surpresa monumental nas eleições de Lisboa, Marques Mendes pode começar a pensar em arrumar os papeis no gabinete da S. Caetano à Lapa.

P.S.- Isto foi escrito há umas horas no pressuposto de que Carmona seria candidato. Agora, pelas 16:30, a coisa está em dúvida. Mas a perplexidade com a táctica do PSD é a mesma.

Legislativas, França, 17 Maio


Entretanto, a mesma sondagem da IPSOS pergunta "Parmi les personnalités suivantes, quelle est celle que vous souhaiteriez voir conduire la campagne du Parti socialiste pour les élections législatives?". Das suivantes, a maioria dos simpatizantes do PS (53%) escolhem Ségo. Da generalidade da amostra, uma maioria relativa (33%) escolhe Strauss-Khan.

terça-feira, maio 15, 2007

Presidenciais americanas

O melhor lugar para acompanhar o que se passa nas sondagens sobre as presidenciais americanas é, como sempre, o Political Arithmetik.

Aqui, as primárias nos partidos Republicano e Democrata. Giuliani destaca-se entre os republicanos, enquanto Hillary permanece no topo entre os democratas, apesar de a subida dos restantes (especialmente Obama) sugerir que aqueles que se vão decidindo o vão fazendo não por ela, mas por outros.

Aqui, os potenciais confrontos. É curioso verificar que, enquanto Obama parece capaz de bater todos os Republicanos, Clinton bate apenas Romney. Até Edwards parece um candidato mais viável, neste momento, para bater os candidatos republicanos do que Clinton.

Mas o melhor mesmo é ir lá, ler e aprender com o melhor blogue que existe sobre sondagens.

quinta-feira, maio 10, 2007

You're making a mistake



"Helplessly, the Perownes watched them all approach. In a sudden press of bodies they were introduced to the Prime Minister. He took Rosalind's hand first, then Henry's. The grip was firm and manly, and to Perowne's surprise, Blair was looking at him with recognition and interest. The gaze was intelligent and intense, and unexpectedly youthful. So much had yet to happen.
He said, 'I really admire the work you're doing.'
Perowne said automatically, 'Thank you.' But he was impressed. It was just conceivable, he supposed, that Blair with his good memory and reputation for absorbing the details of his ministers' briefs would have heard of the hospital's excellent report last month - all targets met - and even of the special mention of the neurosurgery department's exceptional results. Procedures twenty-three per cent up on last year. Later Henry realized what an absurd notion it was.
The Prime Minister, who still had hold of his hand, added, 'In fact, we've got two of your paintings hanging in Downing Street. Cherie and I adore them.'
'No, no,' Perowne said.
'Yes, yes,' the Prime Minister insisted, pumping his hand. He was in no mood for artistic modesty.
'No, I think you-'
'Honestly. They're in the dining room.'
'You're making a mistake,' Perowne said, and on that word there passed through the Prime Minister's features for the briefest instant a look of sudden alarm, of fleeting self-doubt. No one else saw his expression freeze and his eyes bulge minimally. A hairline fracture appeared in the assurance of power."

Ian McEwan, Saturday, pp. 143-144.

A true story.

Mais legislativas, França


quarta-feira, maio 09, 2007

França, legislativas



É possível que ainda tenha de fazer uns ajustamentos a este quadro, dependendo da maneira como os resultados vão ser divulgados nas próximas sondagens, mas para já serve para dar uma ideia...

P.S. - Vítor Dias tem razão na nota que faz (e não é por ser tão amável) e já agora, no resto do post também.

terça-feira, maio 08, 2007

Outlier: navigating in the dark

A propósito deste post do Abrupto, vale a pena instalar isto ou isto no computador. Devo ter sido um dos últimos palermas a descobrir que estas coisas existiam. Não passava tanto tempo à frente de um computador sem ser para trabalhar desde o ZX Spectrum. E no meu caso, tenho a desculpa bestial de o fazer com o meu filho.

Sócrates, licenciatura e popularidade

No eixo y, a diferença entre a percentagem de inquiridos que fazem uma avaliação positiva e a percentagem dos que fazem uma avaliação negativa da actuação de José Sócrates (o "saldo" de opiniões positivas). No eixo x, último dia do trabalho de campo da sondagem. A azul, Eurosondagem. A verde, Marktest. A linha de referência vertical é o dia 22 de Março, data da publicação do primeiro artigo no Público sobre o dossier "Universidade Independente". Falta uma das sondagens Marktest, o Barómetro de Março (trabalho de campo terminado no dia 21 de Março), cujos dados exactos não consegui obter.



segunda-feira, maio 07, 2007

Senso comum

Haverá muitos estudos científicos e muitas teorias sobre as razões históricas, sociológicas e políticas da vitória de Sarkozy, sem contar com colunas e comentários em tom vagamente místico - para os Sarkozistas - ou ressabiado - para os Royalistas. Mas antes de ter de ler todas essas coisas e fazer cara séria enquanto as leio, permitam-me uma resposta simples: quem, entre os que acompanharam a campanha e assistiram aos discursos e aos debates, acha que Ségolène merecia ganhar? Mãozinhas no ar. Alguém? Não? Obrigado.

França

Sobre as sondagens francesas, por preguiça mas também por manifesta inutilidade, não vou mostrar os quadros do costume. Todas fizeram amostragem por quotas, tudo telefónico, e todas estiveram muito perto. Sarkozy teve 53,1% dos votos. No dia 3, a TNS dava-lhe 54,5%, a IPSOS 54% e a CSA e o IFOP 53%.

Mais interessantes são os resultados das sondagens à boca das urnas ou as telefónicas pós eleitorais, que mostram o que não podia deixar de ser: Ségo foi buscar bastante bem o voto da extrema-esquerda; Sarko bem também com o anterior voto Le Pen. O problema foi que o eleitorado Bayrou se dividiu, e segundo a IPSOS (.pdf) e a CSA, únicas que vi com atenção, com ligeira vantagem para Sarkozy. De notar também um dado interessante: segundo o estudo da IPSOS, 14% dos votantes em Sarkozy dizem ter votado nele para impedir a vitória de Royal, enquanto 42% dos votantes Royal dizem ter votado nela para impedir a vitória de Sarkozy. Talvez por isso 98% por cento dos votantes simpatizantes da UMP tenham votado Sarko, enquanto o valor baixa para 90% entre os simpatizantes PS que votaram Ségo (10%, portanto, votaram Sarko). É assim, bocadinho a bocadinho se faz uma vitória numa eleição como esta.

Pelos vistos, os franceses (mesmo os que votaram Royal) queriam agora Jean-Louis Borloo como PM, mas Sarkozy deverá nomear François Fillon. E as legislativas já mexem: o Movimento Democrata de Bayrou já vai nos 15% e a UMP parte com vantagem (escassa, contudo) sobre o PS. A vida não está fácil para a Internacional Socialista.

domingo, maio 06, 2007

Madeira: rescaldo boca das urnas



E amanhã fala-se de França, apesar de já todos terem percebido que quase não há história para contar.

Madeira: rescaldo, 1


A metodologia é a do costume: confrontar as últimas estimativas de cada instituto com os resultados, calcular o desvio absoluto entre umas e outros, e calcular a média desses desvios. Não há teorias que se possam testar com três casos, mas face-a-face e proximidade em relação à data parecem ajudar à precisão. As plausíveis razões para a superioridade do face-a-face, e especialmente da simulação de voto em urna, intuem-se facilmente do que foi dito aqui.

Madeira, 4

Quando recebem os resultados de sondagens, os jornalistas obtêm declarações dos responsáveis políticos reagindo a esses resultados, de forma a divulgar essas declarações em conjunto com os resultados. Este é o meio mais comum de disseminação "privada" dos resultados de uma sondagem antes da sua divulgação oficial: seja porque estão outros jornalistas presentes no momento da recolha dessas reacções seja porque os responsáveis políticos passam essa informação a outros jornalistas de outros órgãos de comunicação.

Um jornalista do Diário de Notícias da Madeira escreveu para este blogger comentando este meu post:

"Eu acho que o assunto merece reflexão. Pelas declarações inqualificáveis do Pedro usando termos como 'usurpar' e pelas insinuações graves '0s resultados chegaram às mãos do jornal por via privada, provavelmente através dos partidos'. E também no capítulo das estratégias de comunicação. Toda a gente sabe que há meios que encomendam sondagens e que fornecem dados a terceiros para estes ajudem a amplificar a notícia. Terá sido o caso?".

E no blogue acrescenta-se:

"O que eu penso é que mesmo que tenha havido fuga de informação, seria a primeira vez que isso aocntecia. E mais. Confirmo que na tarde desse mesmo dia - quando o site online do DN local deu notícias - vários quadrantes políticos regionais já tinham conhecimento dos resultados provavelmente porque os autores da sondagem também não terão guardado grande segredo sobre os mesmos..."

Bem, três coisas. Em primeiro lugar, o que quis dizer com 'os resultados chegaram às mãos do jornal por via privada, provavelmente através dos partidos' é o que escrevi na abertura deste post, e lamento se isso não ficou claro.

Segundo, no fundamental, "o Pedro" ficou na mesma. Continuo sem saber por que razão um órgão de comunicação social divulga os resultados de uma sondagem encomendada por outro órgão de comunicação social antes daquele que encomendou ter tido a oportunidade de a divulgar publicamente. Disseram-me hoje que não foi apenas o DN-Madeira a fazer isso, e que a TSF daqui também o terá feito. Continuo sem encontrar justificação para isso, e o autor do e-mail não a dá.

Terceiro, "os autores da sondagem" limitaram-se a enviar os resultados e respectiva ficha técnica às direcções de informação da RTP e da RDP e à Entidade Reguladora para a Comunicação Social. Quanto a "estratégias de comunicação", não sei, mas sei que as direcções de informação da RTP e da RDP não estão contentes com o sucedido, e com toda a razão.

De resto, o DN-Madeira e a TSF, por terem divulgado resultados de uma sondagem sem facultarem a respectiva ficha técnica completa arriscam-se a uma sanção pesada da ERC. E para quê? Por duas meras horas...