sexta-feira, fevereiro 29, 2008
CESOP, 23-24 Fevereiro
Tinha prometido aqui um site novo para o CESOP com divulgação dos resultados das sondagens político-eleitorais. Estamos atrasados. Não somos os únicos, a julgar pelos bancos de dados (vazios ou desactualizados) dos sites dos institutos espanhóis, mas isso consola-me pouco. Seja como for, parte da promessa pode ser cumprida pela porta do cavalo: se clicarem aqui, descarregam o relatório-síntese da sondagem (.pdf), com a respectiva ficha técnica, formulação das perguntas e principais resultados. Em breve, espero, haverá maneira de transmitir informação mais detalhada.
quarta-feira, fevereiro 27, 2008
Espanha
Como vão as coisas com os nossos vizinhos? Bem, sondagens não faltam:
1. O Instituto Opina tem o que me parece ser uma tracking poll telefónica, divulgando resultados diariamente. Na última sondagem (dia 25), PSOE liderava com 4 pontos (44/40), como resultado de subida recente.
2. O Publiscopio, para o Publico (o deles), vai apresentando também as suas sondagens. Na última (dia 21), 42,8% para o PSOE, 40,4% para o PP:
3. Demometrica, para a TeleCinco: 44,2% PSOE, 38,6% PP.
4. Noxa, para a La Vanguardia: 4 pontos de vantagem para o PSOE.
5. DYM, para ABC: 42/39,2, para o PSOE.
6. Metroscopia, para o El Pais: 42,3/38,6, para o PSOE.
Todas estas sondagens são anteriores ao debate, pelo que os seus efeitos são impossíveis de estimar, mas as sondagens "flash" realizadas após o debate deram vitória (por pouco) a Zapatero, um facto de interpretação difícil e contestada (geralmente, as opiniões prévias condicionam completamente a análise do "vencedor" dos debates).
Em suma, PSOE lidera as intenções de voto em todas as sondagens, e nunca deixou de o fazer desde as últimas eleições, sobre isto creio que ninguém tem dúvidas. Análises aqui e aqui.
1. O Instituto Opina tem o que me parece ser uma tracking poll telefónica, divulgando resultados diariamente. Na última sondagem (dia 25), PSOE liderava com 4 pontos (44/40), como resultado de subida recente.
2. O Publiscopio, para o Publico (o deles), vai apresentando também as suas sondagens. Na última (dia 21), 42,8% para o PSOE, 40,4% para o PP:
3. Demometrica, para a TeleCinco: 44,2% PSOE, 38,6% PP.
4. Noxa, para a La Vanguardia: 4 pontos de vantagem para o PSOE.
5. DYM, para ABC: 42/39,2, para o PSOE.
6. Metroscopia, para o El Pais: 42,3/38,6, para o PSOE.
Todas estas sondagens são anteriores ao debate, pelo que os seus efeitos são impossíveis de estimar, mas as sondagens "flash" realizadas após o debate deram vitória (por pouco) a Zapatero, um facto de interpretação difícil e contestada (geralmente, as opiniões prévias condicionam completamente a análise do "vencedor" dos debates).
Em suma, PSOE lidera as intenções de voto em todas as sondagens, e nunca deixou de o fazer desde as últimas eleições, sobre isto creio que ninguém tem dúvidas. Análises aqui e aqui.
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
SEDES 2
Resta talvez dizer que o indicador "confiança nas instituições", especialmente no Governo e no Parlamento, se encontra altamente "contaminado"/"determinado", a nível individual por percepções do estado da economia ou do desempenho do governo, e a nível agregado pelo crescimento económico. Pelo que as diferenças mais interessantes são as que se detectam entre países - relativamente estáveis - do que entre períodos temporais num mesmo país - muito afectadas pela conjuntura. Há grande controvérsia sobre a existência de tendências "seculares" de diminuição ou crescimento da confiança nas instituições.
SEDES
Estive fora, e dou-me conta quer um dos temas da semana foi uma "tomada de posição" da SEDES onde se assinala, entre outras coisas, que se tem "acentuado a degradação da confiança dos cidadãos nos representantes partidários, praticamente generalizada a todo o espectro político."
Os dados do European Social Survey têm uma vantagem e uma desvantagem. Por um lado, resultam de inquéritos face a face, realizados com grande rigor do ponto de vista da selecção da amostra, e logo muito mais fiáveis do que o Eurobarómetro. As séries, contudo, são muito mais curtas. Seja como for, os dados são os seguintes. Para cada objecto - Governo, Partidos e "Políticos", a percentagem de inquiridos que se colocam na metade superior de uma escala de 11 pontos - entre 0 e 10 - em que 0 significa que "não têm confiança nenhuma" e 10 que têm "total confiança":
Parlamento:
Partidos:
Políticos:
Os valores, especialmente para partidos e políticos, são baixíssimos do ponto de vista comparativo. Mas por outro lado, não se percebe muito bem de que fala a SEDES quando menciona que se "acentuou a degradação da confiança". Qual o ponto de comparação? Se é 2002, a afirmação é porventura correcta. Mas se é 2004, é incorrecta. E se se referem aos resultados do último Eurobarómetro (EB68, Outono de 2007), então deveria ter havido mais cuidado, dado que um único estudo dificilmente autoriza diagnósticos tão categóricos.
Não me entendam mal. Simpatizo com a SEDES e até tenho estima particular por alguns dos signatários da "tomada de posição". Mas da mesma forma como ninguém se atreveria a fazer afirmações sobre a evolução da economia sem olhar para os dados disponíveis, surpreende-me a facilidade com que se fazem afirmações sobre atitudes políticas sem olhar para os dados disponíveis que, felizmente, já vão sendo cada vez mais abundantes.
O que dizem os dados disponíveis sobre este assunto? As séries mais longas são dadas pelo Eurobárómetro, que vem colocando as mesmas questões sobre a confiança no parlamento nacional, no governo e nos partidos políticos desde 1997, pedindo aos inquiridos que digam se "tendem a confiar" ou se "tendem a não confiar" em várias instituições. Os gráficos seguintes mostram a evolução em Portugal até Outubro de 2007 da percentagem de inquiridos que diz "tender a confiar", aplicando uma regressão linear simples para detectar tendências:
As indicações mais clara de "degradação da confiança" residem nas atitudes em relação ao Governo. Mas essa "degradação" começa, note-se, em 2002. E analisando os dados ponto a ponto - sempre arriscado, dado o erro aleatório associado a inquéritos usando amostras - atinge o seu ponto mais baixo em 2004, tendo recuperado, ainda que ligeiramente, desde então. Só o mais recente inquérito - final de 2007 - dá sinais de nova descida, mas esses sinais terão de ser confirmados no Eurobarómetro desta Primavera. No que respeita ao Parlamento, as tendências são semelhantes, mais atenuadas, se bem que a última descida seja mais abrupta. E no que respeita aos partidos, a estabilidade é total.
Os dados do European Social Survey têm uma vantagem e uma desvantagem. Por um lado, resultam de inquéritos face a face, realizados com grande rigor do ponto de vista da selecção da amostra, e logo muito mais fiáveis do que o Eurobarómetro. As séries, contudo, são muito mais curtas. Seja como for, os dados são os seguintes. Para cada objecto - Governo, Partidos e "Políticos", a percentagem de inquiridos que se colocam na metade superior de uma escala de 11 pontos - entre 0 e 10 - em que 0 significa que "não têm confiança nenhuma" e 10 que têm "total confiança":
Parlamento:
2002: 28%
2004: 19%
2006: 21%
Partidos:
2004: 4%
2006: 7%
Políticos:
2002: 8%
2004: 4%
2006: 7%
Os valores, especialmente para partidos e políticos, são baixíssimos do ponto de vista comparativo. Mas por outro lado, não se percebe muito bem de que fala a SEDES quando menciona que se "acentuou a degradação da confiança". Qual o ponto de comparação? Se é 2002, a afirmação é porventura correcta. Mas se é 2004, é incorrecta. E se se referem aos resultados do último Eurobarómetro (EB68, Outono de 2007), então deveria ter havido mais cuidado, dado que um único estudo dificilmente autoriza diagnósticos tão categóricos.
Não me entendam mal. Simpatizo com a SEDES e até tenho estima particular por alguns dos signatários da "tomada de posição". Mas da mesma forma como ninguém se atreveria a fazer afirmações sobre a evolução da economia sem olhar para os dados disponíveis, surpreende-me a facilidade com que se fazem afirmações sobre atitudes políticas sem olhar para os dados disponíveis que, felizmente, já vão sendo cada vez mais abundantes.
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
Jay Cost
Jay Cost, em dois posts recentes, faz a melhor análise dos dados disponíveis sobre o comportamento de voto nas primárias Democratas até ao momento, na minha opinião. Se posso resumir, é assim:
1. Os factores que afectam o melhor desempenho de um ou outro candidato são identificáveis. Clinton tem melhores resultados em estados onde os rendimentos são mais baixos, mais racialmente heterogéneos, no Sul, com maiores taxas de sindicalização, mais população Católica e mais população branca. O facto desta conclusão ser obtida com uso de análise estatística multivariada é importante: tem sido dito que Obama se tem revelado um melhor candidato para ganhar os estados do Sul. Mas isso sucede apenas porque estes estados têm mais população negra, que tende a votar nele em grandes números. Quando controlamos esse efeito, o que vemos é que:
There is evidence that Obama wins Independents, African Americans, white males in the North, "upscale" white voters, and white voters in homogeneously white states. He also seems to do well in caucus states where enthusiasm is a factor. There is evidence that Clinton wins Democrats, Hispanics, white females everywhere, white males in the South, "downscale" white voters, Catholics, and white voters in heterogeneous states.
Os brancos no sul (e o Sul, independentemente de composição racial) votam mais Clinton que Obama.Quando pensamos bem, claro que não podia ser de outra maneira.
2. A última série de vitórias de Obama teve lugar em estados cujas características se encaixam perfeitamente no perfil de eleitores que até agora tem votado nele:
These contests are tailor-made for a candidate that fuses the coalitions of Hart and Jackson, and one who inspires tremendous enthusiasm among his supporters. Given the voting coalitions that have formed over the last month and a half, Clinton never really stood a chance in any of them. African Americans drove Obama's victory in Louisiana. In the District of Columbia, Maryland, and Virginia, African Americans combined with wealthy whites to secure him victory. In Maine, Nebraska, and Washington - Obama took advantage of largely homogenous white populations and caucus contests to secure victory.
Logo, se isto não exclui a possibilidade de que esteja o "momentum" a seu favor em jogo, a explicação das vitórias recentes não precisa desse "momentum".
3. Quando olhamos para os estados que faltam, as suas características são menos desfavoráveis para Clinton:
All in all, this implies a rough parity from here until the end of the primary season. Approximately speaking, neither candidate seems to have an advantage in the remaining contests. So, my suggestion to readers is not to get caught up in the "Obama is inevitable" storyline. Minimally, we should all remember how well the "Clinton is inevitable" storyline worked out five months ago!
4 .Mas atenção:
Again, these considerations assume stable voting coalitions, and therefore an absence of momentum. This assumption might not hold. If it does not, what we will see is Clinton start to lose portions of her strongholds, or Obama consolidating support in his.
1. Os factores que afectam o melhor desempenho de um ou outro candidato são identificáveis. Clinton tem melhores resultados em estados onde os rendimentos são mais baixos, mais racialmente heterogéneos, no Sul, com maiores taxas de sindicalização, mais população Católica e mais população branca. O facto desta conclusão ser obtida com uso de análise estatística multivariada é importante: tem sido dito que Obama se tem revelado um melhor candidato para ganhar os estados do Sul. Mas isso sucede apenas porque estes estados têm mais população negra, que tende a votar nele em grandes números. Quando controlamos esse efeito, o que vemos é que:
There is evidence that Obama wins Independents, African Americans, white males in the North, "upscale" white voters, and white voters in homogeneously white states. He also seems to do well in caucus states where enthusiasm is a factor. There is evidence that Clinton wins Democrats, Hispanics, white females everywhere, white males in the South, "downscale" white voters, Catholics, and white voters in heterogeneous states.
Os brancos no sul (e o Sul, independentemente de composição racial) votam mais Clinton que Obama.Quando pensamos bem, claro que não podia ser de outra maneira.
2. A última série de vitórias de Obama teve lugar em estados cujas características se encaixam perfeitamente no perfil de eleitores que até agora tem votado nele:
These contests are tailor-made for a candidate that fuses the coalitions of Hart and Jackson, and one who inspires tremendous enthusiasm among his supporters. Given the voting coalitions that have formed over the last month and a half, Clinton never really stood a chance in any of them. African Americans drove Obama's victory in Louisiana. In the District of Columbia, Maryland, and Virginia, African Americans combined with wealthy whites to secure him victory. In Maine, Nebraska, and Washington - Obama took advantage of largely homogenous white populations and caucus contests to secure victory.
Logo, se isto não exclui a possibilidade de que esteja o "momentum" a seu favor em jogo, a explicação das vitórias recentes não precisa desse "momentum".
3. Quando olhamos para os estados que faltam, as suas características são menos desfavoráveis para Clinton:
All in all, this implies a rough parity from here until the end of the primary season. Approximately speaking, neither candidate seems to have an advantage in the remaining contests. So, my suggestion to readers is not to get caught up in the "Obama is inevitable" storyline. Minimally, we should all remember how well the "Clinton is inevitable" storyline worked out five months ago!
4 .Mas atenção:
Again, these considerations assume stable voting coalitions, and therefore an absence of momentum. This assumption might not hold. If it does not, what we will see is Clinton start to lose portions of her strongholds, or Obama consolidating support in his.
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
Exit polls
Maryland:


Virginia:
Posso estar enganado. Mas acho que são as primeiras primárias em que Obama ganha quer entre homens quer entre mulheres, e até entre hispânicos (se bem que a diferença não seja estatisticamente significativa) e brancos (Virginia). A coisa está a ficar muito difícil para Hillary, assim como para o meu dedinho que adivinha(va).
sexta-feira, fevereiro 08, 2008
Um mau bocado para Clinton (actualizado)
Tudo indica que Clinton, depois de ter evitado ficar completamente submersa pela avalanche Obama, vai passar agora um mau bocado. Amanhã temos Nebraska, Louisiana e Washington. Os dois primeiros deverão ser para Obama e no terceiro a sondagem mais recente também o favorece. Depois vem Maine (hipótese), mas seguem-se logo DC e Maryland, que não devem escapar a Obama. Virginia é a possibilidade de Clinton voltar à tona (mas já nem isso é seguro). São muitos estados a levar pancada.
Entretanto, agora que já se sabe quem é o candidato Republicano, a questão que começa a tornar-se fundamental é qual, Obama ou Clinton, poderá derrotar McCain. E aí as sondagens - independentemente do que acharmos sobre a sua fiabilidade - estão a enviar um sinal: Obama bate McCain; Clinton just maybe.
Entretanto, agora que já se sabe quem é o candidato Republicano, a questão que começa a tornar-se fundamental é qual, Obama ou Clinton, poderá derrotar McCain. E aí as sondagens - independentemente do que acharmos sobre a sua fiabilidade - estão a enviar um sinal: Obama bate McCain; Clinton just maybe.
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
Post mortem
No Insurgente, faz-se um post mortem da minha "previsão", feita no fim de Dezembro, de que a 5 de Fevereiro, após a Super Tuesday, "já estará tudo decidido quanto aos candidatos à presidência de cada partido".
Mas se posso ainda estrebuchar um bocadinho, não creio que o problema seja o de dar demasiado peso à informação passada. A previsão até tinha algumas pernas para andar em abstracto, e não apenas enquanto mera pressuposição de que o passado se iria repetir: em suma, havia muita coisa escrita e explicada sobre o fenómeno do "momentum". Se a isto adicionássemos a concentração de tantas primárias num só dia, havia boas razões para supor que tudo estaria resolvido.
Mas não foi assim. A resposta fácil é the Obama surprise. É fácil, mas não é má de todo. É tão boa, aliás, que no próprio Insurgente se presumia que, após a Super Tuesday, o que iria ficar por resolver era o problema dos Republicanos, e não dos Democratas. Foi o contrário, claro.
A resposta que me é menos fácil dar - mas tenho de dar - é que não tomei em conta a proporcionalidade na distribuição dos mandatos nas primárias Democratas. Se o sistema fosse como o Republicano, a vantagem de Clinton - com Califórnia, NY, NJ e Mass. no bolso- já seria bastante mais expressiva.
E é capaz de haver outras. Já a ideia de que há "poucas observações" no passado, avançada nos comentários ao post, me parece menos interessante. Se a ideia é apenas fazer indução, então as séries são sempre curtas. E por muito longas que sejam, há sempre um cisne negro à espreita depois de vermos muitos cisnes brancos. No pun intended.
Mas se posso ainda estrebuchar um bocadinho, não creio que o problema seja o de dar demasiado peso à informação passada. A previsão até tinha algumas pernas para andar em abstracto, e não apenas enquanto mera pressuposição de que o passado se iria repetir: em suma, havia muita coisa escrita e explicada sobre o fenómeno do "momentum". Se a isto adicionássemos a concentração de tantas primárias num só dia, havia boas razões para supor que tudo estaria resolvido.
Mas não foi assim. A resposta fácil é the Obama surprise. É fácil, mas não é má de todo. É tão boa, aliás, que no próprio Insurgente se presumia que, após a Super Tuesday, o que iria ficar por resolver era o problema dos Republicanos, e não dos Democratas. Foi o contrário, claro.
A resposta que me é menos fácil dar - mas tenho de dar - é que não tomei em conta a proporcionalidade na distribuição dos mandatos nas primárias Democratas. Se o sistema fosse como o Republicano, a vantagem de Clinton - com Califórnia, NY, NJ e Mass. no bolso- já seria bastante mais expressiva.
E é capaz de haver outras. Já a ideia de que há "poucas observações" no passado, avançada nos comentários ao post, me parece menos interessante. Se a ideia é apenas fazer indução, então as séries são sempre curtas. E por muito longas que sejam, há sempre um cisne negro à espreita depois de vermos muitos cisnes brancos. No pun intended.
quarta-feira, fevereiro 06, 2008
Análises para todos os gostos...
...dos politólogos americanos de serviço durante a madrugada, aqui. Exemplos:
Clinton +:
"Obama thought that if he could win one of the big ones, he could end it tonight," said Sandy Maisel, Colby political scientist. "He's shown he is viable, but I don't think he has proven he can knock her off yet."
I was beginning to feel optimistic," said Notre Dame political scientist Darren Davis. "I bought into the fascination with Obama as the primary season went on." Obama's success winning support from blacks, independents, the college educated and young voters is "all well and good, but not significant enough to counteract the traditional Democratic base."
Obama +:
"I think Obama is pretty well positioned, although he did not get the real hits on Clinton that he wanted, like NJ or CA," said [Norman] Ornstein. "He now enters a stretch for three weeks where he will do well and she will not -- he could win all of the contests before March 4. And in Texas, an open primary may help him. Add to that his substantial money advantage and the momentum he brought into tonight, and he is very, very viable."
""It seems clear to me that Obama is viable. His appeal is broad and national in scope," said [Mark] Hetherington. "
Both:
"David Leege, a colleague of Davis' at Notre Dame, contended that "Obama remains viable." Obama's campaign aides "set their sites a little too high, but they can still spin the number and location of the states they have carried. Clinton, of course, stopped his momentum again. Chesapeake [the February 12 primaries in Maryland, Virginia and the District of Columbia] is promising for Obama. Ohio and Texas [on March 4] will be tough, especially the latter, because the same folks [Latinos] who are the difference for Clinton in California are in abundance in Texas."
Clinton +:
"Obama thought that if he could win one of the big ones, he could end it tonight," said Sandy Maisel, Colby political scientist. "He's shown he is viable, but I don't think he has proven he can knock her off yet."
I was beginning to feel optimistic," said Notre Dame political scientist Darren Davis. "I bought into the fascination with Obama as the primary season went on." Obama's success winning support from blacks, independents, the college educated and young voters is "all well and good, but not significant enough to counteract the traditional Democratic base."
Obama +:
"I think Obama is pretty well positioned, although he did not get the real hits on Clinton that he wanted, like NJ or CA," said [Norman] Ornstein. "He now enters a stretch for three weeks where he will do well and she will not -- he could win all of the contests before March 4. And in Texas, an open primary may help him. Add to that his substantial money advantage and the momentum he brought into tonight, and he is very, very viable."
""It seems clear to me that Obama is viable. His appeal is broad and national in scope," said [Mark] Hetherington. "
Both:
"David Leege, a colleague of Davis' at Notre Dame, contended that "Obama remains viable." Obama's campaign aides "set their sites a little too high, but they can still spin the number and location of the states they have carried. Clinton, of course, stopped his momentum again. Chesapeake [the February 12 primaries in Maryland, Virginia and the District of Columbia] is promising for Obama. Ohio and Texas [on March 4] will be tough, especially the latter, because the same folks [Latinos] who are the difference for Clinton in California are in abundance in Texas."
Califórnia
Apesar de ainda não declarada, a exit poll dá Clinton com 7 pontos de vantagem. Se se confirmar, o resumo da noite é que nem Hillary assegura a nomeação definitivamente nem Obama consegue transformar o "momentum" dos últimos dias numa viragem da campanha a seu favor. Teve várias vitórias que seriam impensáveis há algumas semanas, mas não conseguiu roubar os troféus decisivos a Clinton, que se sai melhor (apesar dos inevitáveis Georgia e Illinois) nos maiores estados. Num certo sentido, as altíssimas expectativas criadas em torno de Obama nos últimos dias jogam um pouco contra si quando de tratar de dar o spin à noite de hoje.
New Jersey
E anuncia-se também NJ para Clinton (projecção Fox). Mas é incrível que tenha sido tão renhido. Seja como for, restabelece-se a "normalidade" em face das previsões.
Mass.
Fox projecta vitória de Clinton. Se se confirmar, é uma vitória importante, especialmente tendo em conta os Kennedys.
Estados que fecham às 2am
Destes, vitórias claras de Clinton são esperadas apenas em NY. (E assim foi: 2.03am)
MA e NJ
Olhando para as exit polls, parciais por sexo, é muito fácil calcular os resultados para o total dos votantes. Obama e Clinton estão empatados nas sondagens à boca das urnas em Mass. e NJ. Má notícia para ela.
Sondagens e primeiras estimativas
Entre os estados que encerram à 1 da manhã, para o duelo Obama/Clinton, o que se esperava, e o que parece que está a acontecer (projecções CNN):
AL: renhido/?
CT: renhido/?
DE: ?/?
IL: Obama/Obama.
MA: Clinton/?
MO: renhido/?
NJ: Clinton/?
OK: Clinton/Clinton.
TN: Clinton/Clinton (Fox)
Georgia
Obama ganha, previsivelmente. E 40% dos eleitores brancos é muito. E 30 pontos de vantagem - como parece ser, fazendo as contas aos parciais de eleitores brancos e negros - é muitíssimo, tendo em conta as sondagens.
À 1 da manhã fecham muitos estados, mas o que mais me interessa é New Jersey. Se houver dúvidas sobre quem ganha NJ ao fecho das urnas, é um sinal de que as coisas não estão nada bem para Clinton.
terça-feira, fevereiro 05, 2008
Exit polls
Resultados das primeiras exit polls. No surprises. Não são resultados por candidato, mas apenas cruzamentos.
Baralhados
Três dos melhores politólogos americanos discordam:
Robert Shapiro: "All signs are the trends are moving in Obama's direction (...) But no evidence for Obama overtaking Clinton. I would trust the trends but not the magnitude - [it] could be greater or less."
Gary Jacobson: "Obama is closing the gap, but I don't think he has enough time to close it all the way. He would be better off if he had another week."
Robert Erikson: "If, as all accounts suggest, Obama is gaining, it is possible that he is surging even more than the polls suggest."
Sem eles estão assim, temos todos desculpa (eu a ver se safo o dedinho).
segunda-feira, fevereiro 04, 2008
Califórnia e finanças de campanha
Uma actualização e uma correcção, suscitadas por mensagens de leitores:
1. A sondagem Rasmussen na Califórnia já não é um outlier. Basta ver aqui.
2. Os dados das finanças da campanha que linkei tinham um mês de atraso. Obama recolheu 32 milhões em Janeiro.
Em suma, os leitores acham que o meu dedinho pode estar em risco. O traço comum nas mensagens é a detecção de uma tendência de recuperação de Obama que pode:
- produzir resultados inesperados à última hora, comprimindo ainda mais a já comprimida vantagem de Clinton em muitos estados da Super Tuesday;
- beneficiá-lo numas primárias cuja decisão se prolongue para além da Super Tuesday.
Pois. A sério, acho que são bons argumentos.
1. A sondagem Rasmussen na Califórnia já não é um outlier. Basta ver aqui.
2. Os dados das finanças da campanha que linkei tinham um mês de atraso. Obama recolheu 32 milhões em Janeiro.
Em suma, os leitores acham que o meu dedinho pode estar em risco. O traço comum nas mensagens é a detecção de uma tendência de recuperação de Obama que pode:
- produzir resultados inesperados à última hora, comprimindo ainda mais a já comprimida vantagem de Clinton em muitos estados da Super Tuesday;
- beneficiá-lo numas primárias cuja decisão se prolongue para além da Super Tuesday.
Pois. A sério, acho que são bons argumentos.
sexta-feira, fevereiro 01, 2008
Super Tuesday
Um e-mail:
Admito que entre os Republicanos, McCain esteja bem sólido na frente; o apoio de Giuliani acaba por lhe dar mais votos na Califórnia e em Nova Iorque, onde já liderava. (...) Agora os Democratas: sigo com atenção os gráficos do Pollster e outros sites, e creio que as últimas tendências devem levar-nos a proceder com cautela. Repare: nos dois Estados mais relevantes (CA, NY), Clinton tem uma vantagem ligeira. Obama tem vindo sempre a recuperar e parece que ganha votos a cada dia que passa. A última sondagem da Rasmussen já só dá uma diferença de três pontos. Em Nova Iorque, o cenário é parecido: o de dia 29 da PPP dá Clinton a perder 11 pontos (!) e Obama a subir 5. A diferença ainda é razoável? Claro que sim. Mas mesmo partindo do princípio que Clinton vence os dois Estados, julgo que será por uma margem curta. Ora, havendo proporcionalidade na distribuição dos delegados... Além disso, Obama poderá compensar com um triunfo esmagador no Illinois (que também tem uma boa percentagem de delegados). E pelo que tenho visto, pode ainda ganhar a Geórgia, o Colorado, e se calhar mais dois ou três Estados do Sul.
Dir-me-á que o "trend" de todas as sondagens é claramente favorável a Clinton. É um facto, mas também é certo que a maioria das sondagens recentes de que dispomos foram feitas ainda antes das Primárias da Carolina do Sul, onde Obama venceu de forma clara. Creio que esse triunfo terá criado algum "momentum" – certamente mais que a vitória "irrelevante" de Clinton na Florida. Em resumo e para não maçar mais: com a tendência actual, que é a de Clinton descer e Obama subir – e faltando ainda alguns dias para Terça-Feira – não lhe parece que há boas probabilidades de os resultados serem muito próximos? (...) Não será ainda "too soon to call?"
Eu acho que o leitor tem genericamente razão em tudo o que diz (assinalo a bold os pontos que me parecem mais importantes). Ou seja: é mesmo "too soon to call", sem dúvida. Em muitos dos estados em jogo no próximo dia 5, o resultado é uma incógnita, devido ao reduzido número de sondagens. E Obama está claramente a subir nas sondagens a nível nacional, que captam o "mood" geral desta fase da campanha.
Contudo:
- A sondagem Rasmussen para a Califórnia é, para já, um outlier;
- A vantagem de Clinton em Nova Iorque é bastante mais confortável do que uma leitura apressada da mensagem pode sugerir, e não estou seguro que os dados indiquem o crescimento de Obama;
- Nos mercados electrónicos - mas enfim, importa debater o que valem - ninguém tem dúvidas sobre quem vai ganhar em NY, NJ e Cal, e a vantagem de Clinton para a nomeação é muito grande.
- Clinton tem mais dinheiro para gastar que Obama neste momento.
Em suma: se eu tivesse de apostar, apostava Clinton sem a mais pequena hesitação, mas não apostava a casa e o carro. Apostava, sei lá, o dedo mindinho da mão esquerda (mas com anestesia).
Admito que entre os Republicanos, McCain esteja bem sólido na frente; o apoio de Giuliani acaba por lhe dar mais votos na Califórnia e em Nova Iorque, onde já liderava. (...) Agora os Democratas: sigo com atenção os gráficos do Pollster e outros sites, e creio que as últimas tendências devem levar-nos a proceder com cautela. Repare: nos dois Estados mais relevantes (CA, NY), Clinton tem uma vantagem ligeira. Obama tem vindo sempre a recuperar e parece que ganha votos a cada dia que passa. A última sondagem da Rasmussen já só dá uma diferença de três pontos. Em Nova Iorque, o cenário é parecido: o de dia 29 da PPP dá Clinton a perder 11 pontos (!) e Obama a subir 5. A diferença ainda é razoável? Claro que sim. Mas mesmo partindo do princípio que Clinton vence os dois Estados, julgo que será por uma margem curta. Ora, havendo proporcionalidade na distribuição dos delegados... Além disso, Obama poderá compensar com um triunfo esmagador no Illinois (que também tem uma boa percentagem de delegados). E pelo que tenho visto, pode ainda ganhar a Geórgia, o Colorado, e se calhar mais dois ou três Estados do Sul.
Dir-me-á que o "trend" de todas as sondagens é claramente favorável a Clinton. É um facto, mas também é certo que a maioria das sondagens recentes de que dispomos foram feitas ainda antes das Primárias da Carolina do Sul, onde Obama venceu de forma clara. Creio que esse triunfo terá criado algum "momentum" – certamente mais que a vitória "irrelevante" de Clinton na Florida. Em resumo e para não maçar mais: com a tendência actual, que é a de Clinton descer e Obama subir – e faltando ainda alguns dias para Terça-Feira – não lhe parece que há boas probabilidades de os resultados serem muito próximos? (...) Não será ainda "too soon to call?"
Eu acho que o leitor tem genericamente razão em tudo o que diz (assinalo a bold os pontos que me parecem mais importantes). Ou seja: é mesmo "too soon to call", sem dúvida. Em muitos dos estados em jogo no próximo dia 5, o resultado é uma incógnita, devido ao reduzido número de sondagens. E Obama está claramente a subir nas sondagens a nível nacional, que captam o "mood" geral desta fase da campanha.
Contudo:
- A sondagem Rasmussen para a Califórnia é, para já, um outlier;
- A vantagem de Clinton em Nova Iorque é bastante mais confortável do que uma leitura apressada da mensagem pode sugerir, e não estou seguro que os dados indiquem o crescimento de Obama;
- Nos mercados electrónicos - mas enfim, importa debater o que valem - ninguém tem dúvidas sobre quem vai ganhar em NY, NJ e Cal, e a vantagem de Clinton para a nomeação é muito grande.
- Clinton tem mais dinheiro para gastar que Obama neste momento.
Em suma: se eu tivesse de apostar, apostava Clinton sem a mais pequena hesitação, mas não apostava a casa e o carro. Apostava, sei lá, o dedo mindinho da mão esquerda (mas com anestesia).
quinta-feira, janeiro 31, 2008
Tables2Graphs
Dois gráficos - o termo "geniais" ocorre-me mas pode ser algum exagero - de Charles Franklin sobre as sondagens da Super Tuesday. Mas insisto: são geniais porque num mesmo gráfico se vê:
1. As vantagens de Clinton/McCain sobre Obama/Romney em cada estado;
2. A importância relativa de cada estado em termos de delegados;
3. As tendências.
Mais e melhor seria difícil. Um exemplo de como vale a pena aderir a este "movimento".
1. As vantagens de Clinton/McCain sobre Obama/Romney em cada estado;
2. A importância relativa de cada estado em termos de delegados;
3. As tendências.
Mais e melhor seria difícil. Um exemplo de como vale a pena aderir a este "movimento".
quarta-feira, janeiro 30, 2008
Edwards
Edwards abandona. Por agora não apoia Clinton ou Obama. Resta saber - as sondagens ainda não medem isso - o efeito do apoio dos Kennedy a Obama. Mas isso não deve chegar. O que poderia ainda lançar incerteza sobre o dia 5 - talvez a única coisa que o poderia fazer - seria o apoio de Edwards a Obama.
Publicidade
A propósito das eleições americanas, não posso deixar de anunciar a vinda ao ICS de Michael Werz, fellow do German Marshall Fund, para uma palestra sobre o tema, já em rescaldo da Super Tuesday. O título é The Two Year Campaign: Remarks on the most unusual American Election since World War II. Vai ser dia 14, às 17.00h. Mais informações aqui.
E no dia seguinte vai à FLAD, para uma palestra sobre as relações entre os EUA e a Europa. É aproveitar, que vai certamente valer a pena.
E no dia seguinte vai à FLAD, para uma palestra sobre as relações entre os EUA e a Europa. É aproveitar, que vai certamente valer a pena.
Clinton e McCain
...ganharam na Florida. Giuliani cai fora, e apoia McCain. Para os três estados mais importantes da Super Tuesday - Califórnia, Nova Iorque e Nova Jérsia - ambos lideram as sondagens, com vantagens, no caso de Clinton, confortáveis. Georgia e, claro, Illinois, parecem ser, de momento, os únicos em que Obama pode ganhar. Não sei o que vos parece, mas a coisa começa a ficar com ar de encerrada.
segunda-feira, janeiro 28, 2008
Sem título, técnica mista sobre papel, 2008
"Atenção: não há três mas sim cinco tempos verbais; além do passado, do presente e do futuro, todos tempos finitos, há ainda dois tempos infinitos - o nunca e o sempre"
Paulo Teixeira Pinto
(na sua crónica no suplemento NS, do DN, no passado dia 26, que continha também por um poema da sua autoria, um texto sobre o International Klein Blue e uma citação do Almada Negreiros)
Paulo Teixeira Pinto
(na sua crónica no suplemento NS, do DN, no passado dia 26, que continha também por um poema da sua autoria, um texto sobre o International Klein Blue e uma citação do Almada Negreiros)
South Carolina
Os erros foram maiores que em New Hampshire, mas como o vencedor foi o esperado nem se nota. Funny how the psychology of poll numbers works.
Se o vencedor foi o esperado, é magnitude da vantagem que espanta. Mas a pergunta central é esta:
There is a simple explanation for Obama's victory last night: he won African American voters. They constituted 53% of the vote, and 80% of them went for Obama. This is an incredible result. Of this there is no doubt. But it invites a question - can Obama win white voters?
E a resposta é: sim, não e talvez. Pronto, ficamos assim.
Se o vencedor foi o esperado, é magnitude da vantagem que espanta. Mas a pergunta central é esta:
There is a simple explanation for Obama's victory last night: he won African American voters. They constituted 53% of the vote, and 80% of them went for Obama. This is an incredible result. Of this there is no doubt. But it invites a question - can Obama win white voters?
E a resposta é: sim, não e talvez. Pronto, ficamos assim.
quinta-feira, janeiro 24, 2008
Sampaio/Cavaco: as consequências da coabitação para a função de popularidade do PR (a olhómetro, para já)
Um gráfico muito simples, mostrando os saldos entre opiniões positivas e negativas para Sampaio e Cavaco nos barómetros Marktest e Eurosondagem, o primeiro entre Março de 2005 e Março de 2006 e o segundo deste então. Ambos mostram o declínio de Sampaio durante o primeiro ano de mandato do actual governo e uma recuperação final. Deste ponto de vista, é um espelho do que se passou com a popularidade do Primeiro Ministro no mesmo período.

Mas com Cavaco, a história é algo diferente. Para além de mostrar a velocidade alucinante com que Cavaco deixou de ser o "Presidente da direita" e chegou aos níveis "base" de alta popularidade de um Presidente da República, o gráfico mostra também como Cavaco é menos vulnerável ao declínio da popularidade do Primeiro Ministro desde o início de 2007. Na Marktest - onde a descida de Sócrates é mais visível - Cavaco está trendless. Na Eurosondagem, há declínio, mas ligeiro. A coabitação - ou falta dela - tem consequências.
quarta-feira, janeiro 23, 2008
segunda-feira, janeiro 21, 2008
Rescaldo Nevada e SC e o que se segue
Como se pode ver por aqui, aqui e aqui, as sondagens não se portaram mal nestes dois estados. O que segue, dia 26, é a Carolina do Sul para os Democratas, onde tudo sugere uma vitória de Obama: 10 pontos de vantagem na média das últimas quatro sondagens e favoritismo claro nos mercados electrónicos. Segue-se depois a Florida para os dois partidos, no dia 29, última etapa antes da Super Tuesday no dia 5 de Fevereiro (os Republicanos ainda têm o Maine antes disso no dia 1).
Curiosamente, segundo parece (e confesso-me algo perdido nos meandros do caos eleitoral americano), nenhum mandato será atribuído nas primárias do partido Democrata na Florida, e apenas metade nas do partido Republicano, pelo facto de terem sido antecipadas contra a vontade dos órgãos nacionais dos partidos. Mas isso retira pouco à importância deste estado. Será crucial para Giuliani, cuja vantagem inicial parece, à luz das sondagens, ter-se evaporado. McCain começa a parecer - relutantemente - o frontrunner, mas evitar um GOP dividido após a Super Tuesday pode em grande medida depender do que suceder na Florida. E depois da presumível vitória de Obama em SC, era importante para ele que conseguisse evitar ou mitigar a vitória que se antevê para Clinton na Florida, para que seja o showdown no dia 5 a resolver o assunto a favor de um ou de outro.
Curiosamente, segundo parece (e confesso-me algo perdido nos meandros do caos eleitoral americano), nenhum mandato será atribuído nas primárias do partido Democrata na Florida, e apenas metade nas do partido Republicano, pelo facto de terem sido antecipadas contra a vontade dos órgãos nacionais dos partidos. Mas isso retira pouco à importância deste estado. Será crucial para Giuliani, cuja vantagem inicial parece, à luz das sondagens, ter-se evaporado. McCain começa a parecer - relutantemente - o frontrunner, mas evitar um GOP dividido após a Super Tuesday pode em grande medida depender do que suceder na Florida. E depois da presumível vitória de Obama em SC, era importante para ele que conseguisse evitar ou mitigar a vitória que se antevê para Clinton na Florida, para que seja o showdown no dia 5 a resolver o assunto a favor de um ou de outro.
sexta-feira, janeiro 18, 2008
A blogosfera e a política
A blogosfera chegou às ciências sociais "sérias" (a Economia e a Ciência Política, portanto*): o último número (duplo) da Public Choice (no less) é dedicado ao tema Blogs, Politics and Power. Ainda não li uma linha, a não ser a Introdução:
"Blogs are not only more than a passing fad; they are a major topic for research both because they affect politics in their own right, and as a means of approaching important questions for the social sciences more generally."
A ler urgentemente.
*Os psicólogos (sociais) são sérios quando trabalham em articulação com uma delas. Hate mail de sociólogos, antropólogos e historiadores pode ser enviado para o endereço acima. Economistas que acham que a Ciência Política não é seria não precisam de escrever, que eu já sei. Cientistas que acham que "ciência social" é um oxímoro não lêem este blogue. :-)
"Blogs are not only more than a passing fad; they are a major topic for research both because they affect politics in their own right, and as a means of approaching important questions for the social sciences more generally."
A ler urgentemente.
*Os psicólogos (sociais) são sérios quando trabalham em articulação com uma delas. Hate mail de sociólogos, antropólogos e historiadores pode ser enviado para o endereço acima. Economistas que acham que a Ciência Política não é seria não precisam de escrever, que eu já sei. Cientistas que acham que "ciência social" é um oxímoro não lêem este blogue. :-)
Florida or bust
Giuliani apostou tudo na ideia de que nenhum momentum claro iria emergir das primárias nos pequenos estados - "early chaos" - e que, logo, o melhor era fazer o mais racional à luz do sistema eleitoral: apostar tudo nos grandes estados. O primeiro é a Florida, no dia 29.
Mas, há um pequeno problema:
1. Milagrosamente, McCain voltou ao mundo dos vivos. Mais: está a subir em todos os próximos estados e nas sondagens nacionais. O early chaos é menos caótico do que parece.
2. Florida está cada vez menos segura para Giuliani. As últimas cinco sondagens colocam-no atrás de McCain e Giuliani já não é o favorito nos mercados electrónicos. Se perde Florida, não é apenas Florida: é toda uma estratégia eleitoral que vai parecer, à luz dos analistas e dos eleitores, ter ido pelos ares.
Mas, há um pequeno problema:
1. Milagrosamente, McCain voltou ao mundo dos vivos. Mais: está a subir em todos os próximos estados e nas sondagens nacionais. O early chaos é menos caótico do que parece.
2. Florida está cada vez menos segura para Giuliani. As últimas cinco sondagens colocam-no atrás de McCain e Giuliani já não é o favorito nos mercados electrónicos. Se perde Florida, não é apenas Florida: é toda uma estratégia eleitoral que vai parecer, à luz dos analistas e dos eleitores, ter ido pelos ares.
quarta-feira, janeiro 16, 2008
Nevada, dia 19
Nas sondagens, e entre os Democratas, Obama aproxima-se de Clinton (a sondagem mais recente tem Obama com 2 pontos de avanço). Entre os Republicanos, entre estimativas pontuais e tendencias, é a confusão total. Neste momento, os mercados apostam em Obama e Romney.
Hirschman
"With this argument, the reactionary takes on once again the progressive’s clothes and argues as though both the new and the old progress were desirable, and then shows typically how a new reform, if carried out, would mortally endanger an older, highly prized one that has only recently been put into place. The older, hard-won conquests or accomplishments, so it is argued, are still fragile, still need to be consolidated and would be placed in jeopardy by the new program. I therefore call this argument the jeopardy thesis."
"Once again, then, a group of social analysts found itself irresistibly attracted to deriding those who aspire to change the world for the better. And it is not enough to show that these naive Weltverbesserer (world improvers) fall flat on their face: it must be proven that they are actually, if I may coin the corresponding German term, Weltverschlechterer (world worseners) , that they leave the world in a worse shape than prevailed before any 'reform' had been instituted."
"I hope that I will have convinced the reader that it is worthwhile to trace these theses through the debates of the last two hundred years, if only to marvel at certain invariants in argument and rhetoric, just as Flaubert liked to marvel at the invariant bêtise of his contemporaries. To show how the participants in these debates are caught by compelling reflexes and lumber predictably through certain set motions and maneuvers (...) My account and critique of the lines of argument most commonly used on behalf of reactive/reactionary causes could serve to make advocates of such causes a bit reluctant to trot out these same arguments over again and inclined to plead their case with greater originality, sophistication, and restraint. Second, my exercise could have an even more useful impact on reformers and sundry progressives. They are given notice here of the kinds of arguments and objections that are most likely to be raised against their programs. Hence, they may be impelled to take extra care in guarding against conceivable perverse effects and other problematic consequences."
"Once again, then, a group of social analysts found itself irresistibly attracted to deriding those who aspire to change the world for the better. And it is not enough to show that these naive Weltverbesserer (world improvers) fall flat on their face: it must be proven that they are actually, if I may coin the corresponding German term, Weltverschlechterer (world worseners) , that they leave the world in a worse shape than prevailed before any 'reform' had been instituted."
"I hope that I will have convinced the reader that it is worthwhile to trace these theses through the debates of the last two hundred years, if only to marvel at certain invariants in argument and rhetoric, just as Flaubert liked to marvel at the invariant bêtise of his contemporaries. To show how the participants in these debates are caught by compelling reflexes and lumber predictably through certain set motions and maneuvers (...) My account and critique of the lines of argument most commonly used on behalf of reactive/reactionary causes could serve to make advocates of such causes a bit reluctant to trot out these same arguments over again and inclined to plead their case with greater originality, sophistication, and restraint. Second, my exercise could have an even more useful impact on reformers and sundry progressives. They are given notice here of the kinds of arguments and objections that are most likely to be raised against their programs. Hence, they may be impelled to take extra care in guarding against conceivable perverse effects and other problematic consequences."
Albert O. Hirschman, "Two Hundred Years of Reactionary Rhetoric: The Case of the Perverse Effect", Tanner Lectures on Human Values, 1988 (obrigado à Mónica pela lembrança)
Iraque/Vietname
Apesar das melhorias reais no terreno, as mudanças na opinião pública são imperceptíveis. A última sondagem da Gallup sobre o Iraque é já de meados de Dezembro passado. O primeiro gráfico mostra a evolução das respostas à mesma questão colocada também pela Gallup sobre o Vietname, em sondagens realizadas a partir de 1965, e numa escala temporal aproximada (com 100 dias de diferença):

Balões de oxigénio
Para Romney (que ganha em Michigan), para as sondagens (que, numa análise geral, colocavam Romney em ligeira vantagem) e para os mercados electrónicos (que, correctamente, deram no final menos hipóteses a McCain do que as próprias sondagens).
Clinton ganhou? Sim, claro. Mas perdeu entre o eleitorado negro.
O excelente Jay Cost:
"Tonight's results are another indication that African Americans are breaking his [Obama's] way. The Clinton campaign should be worried about this. It appears as if Obama might be able to take an important part of the traditional Democratic coalition. He is thus moving beyond the relatively narrow appeal of previous "insurgent" Democratic candidates like Bill Bradley and Gary Hart. This is bad news for Clinton."
Clinton ganhou? Sim, claro. Mas perdeu entre o eleitorado negro.
O excelente Jay Cost:
"Tonight's results are another indication that African Americans are breaking his [Obama's] way. The Clinton campaign should be worried about this. It appears as if Obama might be able to take an important part of the traditional Democratic coalition. He is thus moving beyond the relatively narrow appeal of previous "insurgent" Democratic candidates like Bill Bradley and Gary Hart. This is bad news for Clinton."
segunda-feira, janeiro 14, 2008
Dois genes
Um paper com uma explicação genética para a participação eleitoral. Vou começar a preencher os papéis do subsídio de desemprego.
Michigan
Para os Democratas, é simples: Clinton será a candidata mais votada. Obama e Edwards não aparecem nos boletins. Mas a coisa é complicada. Tudo explicado aqui.
Para os Republicanos, Romney e McCain taco-a-taco nas sondagens (fonte: Pollster) e nos mercados electrónicos. As primeiras dão ligeira vantagem a Romney, os segundos a McCain (à hora a que escrevo isto) mas ambos sinalizam subida na fase final para Romney,



Entretanto, os recentes ataques mútuos de Obama e Clinton revelam a enorme delicadeza das circunstâncias desta eleição e os riscos que as campanhas negativas comportam para estas candidaturas (mais para Clinton do que para Obama, parece-me).
Para os Republicanos, Romney e McCain taco-a-taco nas sondagens (fonte: Pollster) e nos mercados electrónicos. As primeiras dão ligeira vantagem a Romney, os segundos a McCain (à hora a que escrevo isto) mas ambos sinalizam subida na fase final para Romney,



Entretanto, os recentes ataques mútuos de Obama e Clinton revelam a enorme delicadeza das circunstâncias desta eleição e os riscos que as campanhas negativas comportam para estas candidaturas (mais para Clinton do que para Obama, parece-me).
Popularidade
Com os novos dados da Eurosondagem de Janeiro de 2008, o saldo entre opiniões positivas e negativas para Sócrates, Cavaco e Menezes (sendo que, para este último, há ainda poucas observações). A discrepância entre os resultados da Marktest e da Eurosondagem para Sócrates permanece.
O tratamento das sondagens na imprensa
Vale a pena ler o artigo de ontem (para assinantes) do Provedor do Leitor do Público.
sexta-feira, janeiro 11, 2008
Dois e-mails
"Os seus posts sobre o falhanço das sondagens sobre as últimas primárias levantou-me uma dúvida. Não poderemos estar perante um caso em que as sondagens anunciadas possam ter tido uma influência sobre o comportamento dos eleitores, quer em termos de escolha como de abstenção?"
Num post antigo, escrevi sobre os efeitos das sondagens no comportamento, mencionando o estudo mais exaustivo sobre a matéria que conheço. Os resultados são inconclusivos. Creio que este caso ilustra novamente as dificuldades associadas a estimar o efeito das sondagens. Parece mais ou menos evidente que, para entre os eleitores que se decidiram mais tarde, Clinton teve vantagem. Mas como isolar os efeitos da imensidão de factores se escondem por detrás desse "mais tarde"? As sondagens que davam um bounce para Obama, produzindo uma reacção de mobilização dos eleitores de Clinton e/ou desmobilização dos eleitores de Obama? Talvez. Mas as lágrimas de Hillary? Talvez também. O último debate? Por que não? Os estudos que recorrem ao método experimental, que se dão num contexto de randomização de grupos (permitindo portanto isolar de forma clara o efeito das sondagens de outros efeitos) sugerem que elas produzem efeitos significativos. O problema, claro, é a validade externa desses estudos. Não creio que consigamos ter tão cedo uma resposta para estas questões.
"Gostaria de deixar duas notas, que podem ser relevantes sobre este tema: 1) O poder predictivo dos information markets, não é avaliado em função de resultados absolutos. A avaliação do interesse deste tipo de mecanismo, deve ser efectuada por comparação com outros métodos A questão relevante é determinar se, em cada momento do tempo, existe outra fonte de informação com maior poder predictivo.
A comparação entre os information markets e as sondagens tradicionais, foi objecto de estudos extensos e detalhados, em que as conclusões tendem a favorecer os Information Markets. Será ainda mais assim, se incorporarmos os custos de obtenção de informação e o seu atraso.
2) A audiência: em nenhum destes textos se refere que os Mercados apresentados são de âmbito nacional, enquanto estas "eleições" (podemos chamar isto?) são locais. Sendo assim, a ausência de informação adicional de uma larga maioria de participantes e o Teorema do Júri de Condorcet, são bons principios de explicação para as, supostas, más previsões."
Dois comentários:
1. Não creio que seja verdade que as conclusões dos estudos existentes tendam a favorecer invariavelmente uma maior capacidade preditiva dos prediction markets. Num post anterior encontra já um que chega à conclusão contrária. Ou melhor: à conclusão de que uma visão realista da forma como uma sondagem pode servir como elemento de previsão revela a ausência de superioridade dos prediction markets (eles próprios altamente influenciados, como se sabe e se viu, pelas sondagens). E mesmo os defensores dos prediction markets detectam vários enviesamentos e avançam dúvidas. Ver aqui, por exemplo.
2. Concordo com o problema que resulta da assimetria de informação entre a minoria dos participantes com informação "local" e a maioria dos participantes sem ela, sem dúvida.
Finalmente: não intepretem o meu post anterior sobre o tema como uma condenação geral dos prediction markets. Por forças ou fraquezas que tenham, alguma informação útil hão-de dar. E não é um caso isolado, como NH, que serve para chegar a veredictos. Agora que NH serviu para evidenciar fraquezas, lá isso serviu.
Num post antigo, escrevi sobre os efeitos das sondagens no comportamento, mencionando o estudo mais exaustivo sobre a matéria que conheço. Os resultados são inconclusivos. Creio que este caso ilustra novamente as dificuldades associadas a estimar o efeito das sondagens. Parece mais ou menos evidente que, para entre os eleitores que se decidiram mais tarde, Clinton teve vantagem. Mas como isolar os efeitos da imensidão de factores se escondem por detrás desse "mais tarde"? As sondagens que davam um bounce para Obama, produzindo uma reacção de mobilização dos eleitores de Clinton e/ou desmobilização dos eleitores de Obama? Talvez. Mas as lágrimas de Hillary? Talvez também. O último debate? Por que não? Os estudos que recorrem ao método experimental, que se dão num contexto de randomização de grupos (permitindo portanto isolar de forma clara o efeito das sondagens de outros efeitos) sugerem que elas produzem efeitos significativos. O problema, claro, é a validade externa desses estudos. Não creio que consigamos ter tão cedo uma resposta para estas questões.
"Gostaria de deixar duas notas, que podem ser relevantes sobre este tema: 1) O poder predictivo dos information markets, não é avaliado em função de resultados absolutos. A avaliação do interesse deste tipo de mecanismo, deve ser efectuada por comparação com outros métodos A questão relevante é determinar se, em cada momento do tempo, existe outra fonte de informação com maior poder predictivo.
A comparação entre os information markets e as sondagens tradicionais, foi objecto de estudos extensos e detalhados, em que as conclusões tendem a favorecer os Information Markets. Será ainda mais assim, se incorporarmos os custos de obtenção de informação e o seu atraso.
2) A audiência: em nenhum destes textos se refere que os Mercados apresentados são de âmbito nacional, enquanto estas "eleições" (podemos chamar isto?) são locais. Sendo assim, a ausência de informação adicional de uma larga maioria de participantes e o Teorema do Júri de Condorcet, são bons principios de explicação para as, supostas, más previsões."
Dois comentários:
1. Não creio que seja verdade que as conclusões dos estudos existentes tendam a favorecer invariavelmente uma maior capacidade preditiva dos prediction markets. Num post anterior encontra já um que chega à conclusão contrária. Ou melhor: à conclusão de que uma visão realista da forma como uma sondagem pode servir como elemento de previsão revela a ausência de superioridade dos prediction markets (eles próprios altamente influenciados, como se sabe e se viu, pelas sondagens). E mesmo os defensores dos prediction markets detectam vários enviesamentos e avançam dúvidas. Ver aqui, por exemplo.
2. Concordo com o problema que resulta da assimetria de informação entre a minoria dos participantes com informação "local" e a maioria dos participantes sem ela, sem dúvida.
Finalmente: não intepretem o meu post anterior sobre o tema como uma condenação geral dos prediction markets. Por forças ou fraquezas que tenham, alguma informação útil hão-de dar. E não é um caso isolado, como NH, que serve para chegar a veredictos. Agora que NH serviu para evidenciar fraquezas, lá isso serviu.
Outlier: as palavras e os actos
Os políticos portugueses gostam muito de aludir aos resultados dos estudos de sociológos e politólogos como eu e muitos outros a propósito do cepticismo e da descrença dos eleitores em relação à política, aos políticos e aos partidos. Gostam de dizer que isso os preocupa e que gostavam de contribuir para a resolução do problema, como se se tratasse de uma espécie de catástrofe natural sem intervenção humana. E maneira como se propõem resolver o problema é sugerindo mil e uma "reformas institucionais". Eu gostava de acreditar neles. Mas os actos falam mais alto que as palavras. Não há "reforma institucional" que valha para compensar as consequências daquilo que o governo fez nos últimos dois dias.
quinta-feira, janeiro 10, 2008
Teorias sobre o fiasco das sondagens em NH
Para todos os gostos, mas alguma convergência naquelas que têm já algum apoio empírico:
1. What was going on with the New Hampshire polls? Excessiva filtragem dos votantes menos prováveis, ponderações amostrais e o "Bradley effect" (eleitores dizem que votam em candidato negro e depois não o fazem)..
2. Why presidential polls are wrong? Recuperação de última hora de Hillary.
3. Pollsters Review Tactics After Forecast `Fiasco' . Recuperação de última hora de Hillary.
4. Pollsters flummoxed by New Hampshire primary. The New Hampshire contrarians.
5. Ballot Changes Cited in Vote's Discrepancy With Polls. A ordem dos candidatos nos boletins. isto é para levar a sério: Krosnick é uma das pessoas na academia que mais sabe sobre sondagens.
6. New Hampshire: So What Happened? Recuperação de última hora de Hillary e "Bradley effect".
7. Why were the polls wrong in New Hampshire? Mostly all of the above, excelente síntese por Anthony Wells.
E outras aqui, aqui e até uma conspiração aqui. Uma síntese (irónica): How the world will explain Clinton’s win despite final polling showing her way behind Obama
"Didn’t factor in the 24 hours of tears? The fact that New Hampshirites like to make news? That independents turned out for McCain and Clinton as well as for Obama? That without Huckabee as a factor, the McCain-Romney fight was taken more seriously in the end? That all those comments that she was bussing in people from New York and Massachusetts to pad the crowds were the nonsense some always suspected them to be? That Bill Clinton acting out and saying crazy things reminded people that they were once sympathetic to his wife? That her debate performance was mocked by the pundits but loved by the voters? The lingering impression of Billy Shaheen’s pre-Iowa words? The shadowy hand of Michael Whouley? That negative attacks — through the mail on issues such as abortion — work? The appeal of Clinton to 20 somethings? The 'doer versus talker' message? All those prominent women supporters in a state that has a lot of women elected leaders? The Chris Matthews hug? That Obama has limited appeal to blue-collar Democrats in places like Epping? That she took questions in town meetings at the end, which New Hampshire voters really like? That Obama had a Tom Bradley-Doug Wilder problem? More coming…."
1. What was going on with the New Hampshire polls? Excessiva filtragem dos votantes menos prováveis, ponderações amostrais e o "Bradley effect" (eleitores dizem que votam em candidato negro e depois não o fazem)..
2. Why presidential polls are wrong? Recuperação de última hora de Hillary.
3. Pollsters Review Tactics After Forecast `Fiasco' . Recuperação de última hora de Hillary.
4. Pollsters flummoxed by New Hampshire primary. The New Hampshire contrarians.
5. Ballot Changes Cited in Vote's Discrepancy With Polls. A ordem dos candidatos nos boletins. isto é para levar a sério: Krosnick é uma das pessoas na academia que mais sabe sobre sondagens.
6. New Hampshire: So What Happened? Recuperação de última hora de Hillary e "Bradley effect".
7. Why were the polls wrong in New Hampshire? Mostly all of the above, excelente síntese por Anthony Wells.
E outras aqui, aqui e até uma conspiração aqui. Uma síntese (irónica): How the world will explain Clinton’s win despite final polling showing her way behind Obama
"Didn’t factor in the 24 hours of tears? The fact that New Hampshirites like to make news? That independents turned out for McCain and Clinton as well as for Obama? That without Huckabee as a factor, the McCain-Romney fight was taken more seriously in the end? That all those comments that she was bussing in people from New York and Massachusetts to pad the crowds were the nonsense some always suspected them to be? That Bill Clinton acting out and saying crazy things reminded people that they were once sympathetic to his wife? That her debate performance was mocked by the pundits but loved by the voters? The lingering impression of Billy Shaheen’s pre-Iowa words? The shadowy hand of Michael Whouley? That negative attacks — through the mail on issues such as abortion — work? The appeal of Clinton to 20 somethings? The 'doer versus talker' message? All those prominent women supporters in a state that has a lot of women elected leaders? The Chris Matthews hug? That Obama has limited appeal to blue-collar Democrats in places like Epping? That she took questions in town meetings at the end, which New Hampshire voters really like? That Obama had a Tom Bradley-Doug Wilder problem? More coming…."
quarta-feira, janeiro 09, 2008
Mudando de assunto (ou, num certo sentido, não)...
Fonte:Ellen Nolte e C. Martin McKee (2008), "Measuring the Health of Nations: Updating an Earlier Analysis", Health Affairs 27: 58-71. Resumo aqui.
Citações:
"The concept of amenable mortality - that is, deaths from certain causes before age 75 that are potentially preventable with timely and ef-fective health care - was developed in the 1970s to assess the quality and performance of health systems and to track changes over time. (...) In a Commonwealth Fund-supported study comparing preventable deaths in 19 industrialized countries, researchers found that the United States placed last. While the other nations improved dramatically between the two study periods—1997–98 and 2002–03—the U.S. improved only slightly on the measure."
"The largest reductions in amenable mortality were seen in countries with the highest initial levels, including Portugal, Finland, Ireland, and the U.K, but also in some higher-performing countries, like Australia and Italy. In contrast, the U.S. started from a relatively high level of amenable mortality but experienced smaller reductions. "
E a cobertura noticiosa do estudo, aqui.
E o outro fiasco...(actualizado)
Bad Bet: Why were the political futures markets so wrong about Obama and Clinton?
By Daniel Gross
"So, I've been watching the action in one of the political futures markets this evening, Intrade. And the action in this prediction market has reinforced my opinion that these are less futures markets than immediate-past markets. The price movement tends to respond to conventional wisdom and polling data; it doesn't lead them. Throughout the day and into the early evening, while polls were still open, Democratic investors, mimicking the post-Iowa c.w. and polls, believed Obama was highly likely to be the Democratic nominee. The Obama contract was trading in the lows 70s, meaning investors believed he had a 70 percent chance of being the nominee, while Hillary Clinton contracts were in the 20s. But between 7 p.m. and 8 p.m., as the Concord Monitor began to post early returns showing Hillary Clinton in the lead, the contracts started to move quickly."
Nobody knows anything
By Paul Krugman
"But to be more specific, the prediction markets — which you see, again and again, touted as having some mystical power to aggregate information, know no more than the conventional wisdom. (...) From inevitability to pitiful failure to front-runner again in just a few days. There’s no hint that the market saw either Iowa or New Hampshire coming, or knew anything beyond the bloviations of the talking heads."
E um paper de Setembro de 2007:
Are Political Markets Really Superior to Polls as Election Predictors?
ByRobert Erikson and Christopher Wlezien
"By our tests, the IEM election markets are not better than trial-heat polls for predicting elections. In fact, by a reasonable as opposed to naïve reading of the polls, the polls dominate the markets as an election forecaster. This is true in the sense that a trader in the market can readily profit by 'buying' candidates who, according to informed readings of the polls, are undervalued. Moreover, we find that market prices contain little information of value for forecasting beyond the information already available in the polls."
By Daniel Gross
"So, I've been watching the action in one of the political futures markets this evening, Intrade. And the action in this prediction market has reinforced my opinion that these are less futures markets than immediate-past markets. The price movement tends to respond to conventional wisdom and polling data; it doesn't lead them. Throughout the day and into the early evening, while polls were still open, Democratic investors, mimicking the post-Iowa c.w. and polls, believed Obama was highly likely to be the Democratic nominee. The Obama contract was trading in the lows 70s, meaning investors believed he had a 70 percent chance of being the nominee, while Hillary Clinton contracts were in the 20s. But between 7 p.m. and 8 p.m., as the Concord Monitor began to post early returns showing Hillary Clinton in the lead, the contracts started to move quickly."
Nobody knows anything
By Paul Krugman
"But to be more specific, the prediction markets — which you see, again and again, touted as having some mystical power to aggregate information, know no more than the conventional wisdom. (...) From inevitability to pitiful failure to front-runner again in just a few days. There’s no hint that the market saw either Iowa or New Hampshire coming, or knew anything beyond the bloviations of the talking heads."
E um paper de Setembro de 2007:
Are Political Markets Really Superior to Polls as Election Predictors?
ByRobert Erikson and Christopher Wlezien
"By our tests, the IEM election markets are not better than trial-heat polls for predicting elections. In fact, by a reasonable as opposed to naïve reading of the polls, the polls dominate the markets as an election forecaster. This is true in the sense that a trader in the market can readily profit by 'buying' candidates who, according to informed readings of the polls, are undervalued. Moreover, we find that market prices contain little information of value for forecasting beyond the information already available in the polls."
Fiasco
A vitória de Hillary Clinton em New Hampshire é daqueles acontecimentos que acabam por ser muito positivos para quem faz sondagens, se bem que não pareça. Quando tudo parece correr bem, ninguém se preocupa em investigar o que falhou, mesmo que muito possa ter corrido mal: pode "acertar-se" pelas razões erradas, ou mesmo por acaso. Mas quando há um desafasamento tão óbvio entre as sondagens e os resultados - a média das últimas cinco sondagens dava 38% para Obama e 31% para Clinton, quando os resultados foram 39% para Clinton e 37% para Obama - não há alternativa se não investigar o que correu mal e claro, aprender. Isto dito por quem, felizmente, não teve de fazer sondagens em New Hampshire...
Há um risco, contudo: a da multiplicação de explicações ad hoc e post hoc sobre o que se passou. Ontem de madrugada, já andava o inefável Wolf Blitzer na CNN a explicar que a lágrima ao canto do olho de Clinton"mostrou o seu lado humano" e que isso pode ter influenciado os resultados e yadda, yadda, yadda. A minha sugestão é que não acreditem. Aliás, não acreditem em nenhuma das dezenas de explicações que vão aparecer agora para dar conta do que aconteceu. Vai passar algum tempo e vai ser precisa muita análise até que se perceba qual ou quais dessas razões poderá estado realmente por detrás do falhanço das sondagens.
No mesmo sentido, ver Gary Langer, sobre o New Hampshire's Polling Fiasco:
"There will be a serious, critical look at the final pre-election polls in the Democratic presidential primary in New Hampshire; that is essential. It is simply unprecedented for so many polls to have been so wrong. We need to know why. But we need to know it through careful, empirically based analysis. There will be a lot of claims about what happened - about respondents who reputedly lied, about alleged difficulties polling in biracial contests. That may be so. It also may be a smokescreen - a convenient foil for pollsters who'd rather fault their respondents than own up to other possibilities - such as their own failings in sampling and likely voter modeling."
Há um risco, contudo: a da multiplicação de explicações ad hoc e post hoc sobre o que se passou. Ontem de madrugada, já andava o inefável Wolf Blitzer na CNN a explicar que a lágrima ao canto do olho de Clinton"mostrou o seu lado humano" e que isso pode ter influenciado os resultados e yadda, yadda, yadda. A minha sugestão é que não acreditem. Aliás, não acreditem em nenhuma das dezenas de explicações que vão aparecer agora para dar conta do que aconteceu. Vai passar algum tempo e vai ser precisa muita análise até que se perceba qual ou quais dessas razões poderá estado realmente por detrás do falhanço das sondagens.
No mesmo sentido, ver Gary Langer, sobre o New Hampshire's Polling Fiasco:
"There will be a serious, critical look at the final pre-election polls in the Democratic presidential primary in New Hampshire; that is essential. It is simply unprecedented for so many polls to have been so wrong. We need to know why. But we need to know it through careful, empirically based analysis. There will be a lot of claims about what happened - about respondents who reputedly lied, about alleged difficulties polling in biracial contests. That may be so. It also may be a smokescreen - a convenient foil for pollsters who'd rather fault their respondents than own up to other possibilities - such as their own failings in sampling and likely voter modeling."
segunda-feira, janeiro 07, 2008
Obama e os efeitos de Iowa para NH
Algumas ideias:
1. NH: View from Sunday Morning, no habitual Pollster. Merece ser lido integralmente, mas:
"Obama is certainly rising, the only question is by how much;"
"Firm conclusions are premature for two important reasons. The first involves the issue of weekend interviewing, or more specifically, surveys based on interviews completed entirely on Friday night and Saturday. (...) The second and more important reason to be cautious about this Sunday morning snapshot is that New Hampshire voters are still in the midst of a difficult decision;"
"I cannot point to an academic study to prove this, but most campaign pollsters will tell you that when a candidate is gaining, vote preference is usually the last thing to change. The movement usually shows up first on internal measures."
2. Polls Picking Up an Obama Surge?, no também habitual The Fix:
"In the days since Clinton's third-place finish in Iowa, her campaign has insisted that New Hampshire would pay little attention to what happened in the Hawkeye State. "Voters in New Hampshire are fiercely independent," argued Clinton deputy communications director Phil Singer in the spin room following last night's Democratic debate. 'They make their own decisions [based on] what they see, not what happens in other places.' Tonight's polls seem to contradict that argument."
"Unlike in years past, however, there is so little time between the votes in Iowa and New Hampshire that even a temporary bounce could be enough to carry Obama to victory in the primary, a win that would be another major step forward in his quest for the nomination."
1. NH: View from Sunday Morning, no habitual Pollster. Merece ser lido integralmente, mas:
"Obama is certainly rising, the only question is by how much;"
"Firm conclusions are premature for two important reasons. The first involves the issue of weekend interviewing, or more specifically, surveys based on interviews completed entirely on Friday night and Saturday. (...) The second and more important reason to be cautious about this Sunday morning snapshot is that New Hampshire voters are still in the midst of a difficult decision;"
"I cannot point to an academic study to prove this, but most campaign pollsters will tell you that when a candidate is gaining, vote preference is usually the last thing to change. The movement usually shows up first on internal measures."
2. Polls Picking Up an Obama Surge?, no também habitual The Fix:
"In the days since Clinton's third-place finish in Iowa, her campaign has insisted that New Hampshire would pay little attention to what happened in the Hawkeye State. "Voters in New Hampshire are fiercely independent," argued Clinton deputy communications director Phil Singer in the spin room following last night's Democratic debate. 'They make their own decisions [based on] what they see, not what happens in other places.' Tonight's polls seem to contradict that argument."
"Unlike in years past, however, there is so little time between the votes in Iowa and New Hampshire that even a temporary bounce could be enough to carry Obama to victory in the primary, a win that would be another major step forward in his quest for the nomination."
domingo, janeiro 06, 2008
sexta-feira, janeiro 04, 2008
Um ponto adicional sobre Iowa...
...é o seguinte (e que me foi sugerido hoje ao almoço pelo José Tavares): quando olhamos para os resultados das sondagens "à boca das urnas" (por assim dizer), vemos que não há uma grande correlação entre o voto em Obama e características socio-demográficas ou mesmo atitudinais dos eleitores. Obama dominou em quase todas as "auto-identificações ideológicas" e níveis de rendimento. As correlações mais fortes são com a idade e com o estado civil (provavelmente espúria esta última), mas isso, como vimos aqui, é o sinal de uma vantagem na capacidade de mobilização de novos eleitores. Isto não se passa da mesma forma com os candidatos republicanos, cada um deles aparentemente mais representante de determinados segmentos ou nichos do eleitorado. Se a isto somarmos o facto de um negro ter ganho num estado de brancos religiosos e conservadores, temos aqui duas coisas: por um lado, um sintoma da natureza "transversal" da candidatura de Obama; e por outro, um potencial efeito de demonstração que esse facto terá sobre as considerações dos eleitores nas futuras primárias. Há "electability" para dar e vender na candidatura de Obama.
Notas sobre Iowa
1. Obama e os novos eleitores:
"Obama's field operation -- led by Iowa state director Paul Tewes, adviser Steve Hildebrand and caucus director Mitch Stewart-- deserves a MASSIVE amount of credit for the work they did to recruit first-time caucus-goers. The Iowa Democratic Party was estimating turnout at 236,000 -- a huge increase from the 125,000 or so who turned out in 2004 (and an even larger leap over 2000's tiny 59,000 turnout). Tewes and Hildebrand were widely regarded as two of the best in the business, but even those who spoke glowingly of them didn't think they could grow the electorate over 200,000. Well, they did that and much, much more."
E ver isto.
2. A mobilização dos Democratas
"Republicans could well be in deep, deep trouble next November if turnout patterns in tonight's Iowa caucuses are born out across the country. More than 230,000 Democrats turned out, more than double the number of Iowa Republicans who did the same. The energy deficit has been clear for much of the past few years and led to Democrats' gains in the House and Senate in 2006. That chasm appears to be growing wider."
3. Iowa é importante, mas apenas na medida em que influencia New Hampshire:
"New Hampshire is the early state that has the biggest impact. Not Iowa. Iowa has a habit of picking losers. It is easy for media types to forget that because in its most recent outing, 2004, it single-handedly determined the winner. But historically, Iowa does not make much of a big ripple nationwide. The big question: will Iowa move New Hampshire? Obama needs it to. He is in second there right now. We don't have an answer yet - and history provides a mixed message. Sometimes Iowa does move New Hampshire. Sometimes it doesn't."
Ver também aqui.
4. Romney é o candidato dos Republicanos anti-Bush. Não parece que isso lhe seja particularmente favorável.
"Tonight was bad for Romney. Really bad. He lost by a lot. He lost by more than anybody expected. He lost after having led for a year. He lost after a monumental effort. This loss was bigger than Clinton's. He is not his party's frontrunner. He cannot afford to lose a state he tried so hard to win. Worse for Romney - McCain had already surged ahead of him in New Hampshire prior to tonight's loss."
"Obama's field operation -- led by Iowa state director Paul Tewes, adviser Steve Hildebrand and caucus director Mitch Stewart-- deserves a MASSIVE amount of credit for the work they did to recruit first-time caucus-goers. The Iowa Democratic Party was estimating turnout at 236,000 -- a huge increase from the 125,000 or so who turned out in 2004 (and an even larger leap over 2000's tiny 59,000 turnout). Tewes and Hildebrand were widely regarded as two of the best in the business, but even those who spoke glowingly of them didn't think they could grow the electorate over 200,000. Well, they did that and much, much more."
E ver isto.
2. A mobilização dos Democratas
"Republicans could well be in deep, deep trouble next November if turnout patterns in tonight's Iowa caucuses are born out across the country. More than 230,000 Democrats turned out, more than double the number of Iowa Republicans who did the same. The energy deficit has been clear for much of the past few years and led to Democrats' gains in the House and Senate in 2006. That chasm appears to be growing wider."
3. Iowa é importante, mas apenas na medida em que influencia New Hampshire:
"New Hampshire is the early state that has the biggest impact. Not Iowa. Iowa has a habit of picking losers. It is easy for media types to forget that because in its most recent outing, 2004, it single-handedly determined the winner. But historically, Iowa does not make much of a big ripple nationwide. The big question: will Iowa move New Hampshire? Obama needs it to. He is in second there right now. We don't have an answer yet - and history provides a mixed message. Sometimes Iowa does move New Hampshire. Sometimes it doesn't."
Ver também aqui.
4. Romney é o candidato dos Republicanos anti-Bush. Não parece que isso lhe seja particularmente favorável.
"Tonight was bad for Romney. Really bad. He lost by a lot. He lost by more than anybody expected. He lost after having led for a year. He lost after a monumental effort. This loss was bigger than Clinton's. He is not his party's frontrunner. He cannot afford to lose a state he tried so hard to win. Worse for Romney - McCain had already surged ahead of him in New Hampshire prior to tonight's loss."
"The press is not interpreting this as 'Clinton ties Obama among Democrats in entrance poll' or 'Mormon Romney finishes strong second in evangelical Iowa.' This matters. Watch how the press continues to interpret these results over the next few days. It is the source of information for persuadable voters in New Hampshire."
Resumo:
- Nos Democratas. Iowa acaba com Edwards. Agora é só entre Obama e Clinton. E se Obama ganha New Hampshire...Nas sondagens ainda está atrás de Clinton. Mas nos mercados electrónicos, que já estão a reagir a Iowa, já está à frente.
- Nos Republicanos, McCain, que parecia perdido, pode voltar à lista dos favoritos com New Hampshire. Romney sofre uma derrota muito grave e acaba se não ganhar New Hampshire, o que é cada vez mais provável. Thompson já acabou. Huckabee já não é uma curiosidade. Giuliani em suspenso.
quinta-feira, janeiro 03, 2008
Over by Tuesday?
No Insurgente, duvida-se que na Super Duper Tuesday, o dia 5 de Fevereiro de 2008, se fique a saber o nome dos candidatos dos partidos Democrata e Republicano.
Não há dúvida que é possível que permaneça alguma incerteza depois desse dia. Nessa altura, terão sido realizadas primárias em apenas (este "apenas" devia ter aspas) 30 estados para o candidato Democrata e 28 para o candidato Republicano. "Apenas" 60% dos delegados estarão eleitos por essa altura. E nem todos estão comprometidos com um candidato. E as convenções terão "superdelegados", não determinados pelos resultados das primárias. Matematicamente, é claro que é possível que os nomeados só se conheçam na última primária, a 3 de Junho.
Mas é, claro, altamente improvável. Na era "moderna" das primárias (e na era "pós-moderna" das Super Tuesdays, que começou em 1988), houve apenas um caso onde uma candidatura (de um partido onde o incumbent não seja o candidato) não ficou decidida na Super Tuesday. Foi em 1988, precisamente, com Dukakis a emergir após resultados inconclusivos nos estados do Sul. Mas em 1992 decidiu-se Clinton, em 1996 Dole, e em 2000 Bush e Gore. Acresce a isto que, este ano, com o crescente frontloading, a Super Tuesday vai bater o recorde de número de estados onde se realizam primárias e de número de delegados eleitos. Ao contrário das primeiras Super Tuesdays, o menu de estados é muito diverso, e vai desde o Arkansas à Califórnia. Eu ficaria muito, mas mesmo muito, surpreendido se tudo não ficasse decidido aí.
Não há dúvida que é possível que permaneça alguma incerteza depois desse dia. Nessa altura, terão sido realizadas primárias em apenas (este "apenas" devia ter aspas) 30 estados para o candidato Democrata e 28 para o candidato Republicano. "Apenas" 60% dos delegados estarão eleitos por essa altura. E nem todos estão comprometidos com um candidato. E as convenções terão "superdelegados", não determinados pelos resultados das primárias. Matematicamente, é claro que é possível que os nomeados só se conheçam na última primária, a 3 de Junho.
Mas é, claro, altamente improvável. Na era "moderna" das primárias (e na era "pós-moderna" das Super Tuesdays, que começou em 1988), houve apenas um caso onde uma candidatura (de um partido onde o incumbent não seja o candidato) não ficou decidida na Super Tuesday. Foi em 1988, precisamente, com Dukakis a emergir após resultados inconclusivos nos estados do Sul. Mas em 1992 decidiu-se Clinton, em 1996 Dole, e em 2000 Bush e Gore. Acresce a isto que, este ano, com o crescente frontloading, a Super Tuesday vai bater o recorde de número de estados onde se realizam primárias e de número de delegados eleitos. Ao contrário das primeiras Super Tuesdays, o menu de estados é muito diverso, e vai desde o Arkansas à Califórnia. Eu ficaria muito, mas mesmo muito, surpreendido se tudo não ficasse decidido aí.
quarta-feira, janeiro 02, 2008
Momento
Por estes dias, a leitura mais útil é o velhinho (1988) Presidential Primaries and the Dynamics of Public Choice, de Larry Bartels. Bartels mostrou pela primeira vez a importância do momento (o termo da Física, usado aqui num sentido figurativo) que os candidatos adquirem com os resultados das primeiras primárias. Segundo Bartels, os eleitores escolhem candidatos nas primárias na base da informação (em muitos casos reduzida) que têm sobre eles, das suas próprias predisposições e das suas expectativas sobre o desfecho do processo de nomeação. O primeiro e último pontos são cruciais. Os eleitores são estratégicos e, logo, escolhem entre candidatos próximos em relação às suas preferências mas também entre candidatos viáveis. E os eleitores sabem muito pouco sobre política (têm mais em que pensar) e, logo, usam os resultados das primárias como "heurística" para tomar decisões. Já na altura, Bartels criticava a possibilidade de que determinados candidatos insuficientemente conhecidos e testados ganhassem "momento" demasiado depressa (hoje, Obama, e ainda mais, Huckabee).
Jay Cost, no Real Clear Politics, tem um excelente artigo (em duas partes) sobre o assunto. Duas citações:
"The average voter pays little attention to politics, and so has little knowledge of it. This is how momentum can have such an effect. An electoral victory is big news to a voter who knows relatively little about the race. He undoubtedly hears about it, and so hears lots of positive information about the winner. As he did not know much to begin with, this information can be critical to his decision-making. Unsurprisingly, researchers have found that momentum can have its greatest effect on those who do not pay as much attention to the campaign."
"Clearly, the Republicans have no pre-election year frontrunner - like the Democrats in 1988. This means that momentum definitely could be a factor. As I said, we probably will not see the kind of successful slow-building momentum akin to what McCain almost had in 2000, though it is still possible. What is more likely is momentum that comes from a win in Iowa and/or New Hampshire - a candidate then uses those victories to launch himself beyond the rest of a lackluster field. "
O artigo de Jay Cost (que ainda há pouco tempo era um doutorando na Universidade de Chicago) é, de resto, um exemplo notável de como se pode trazer para o debate público e de forma compreensível mas rigorosa coisas bastante complicadas da bibliografia de Ciência Política.
Jay Cost, no Real Clear Politics, tem um excelente artigo (em duas partes) sobre o assunto. Duas citações:
"The average voter pays little attention to politics, and so has little knowledge of it. This is how momentum can have such an effect. An electoral victory is big news to a voter who knows relatively little about the race. He undoubtedly hears about it, and so hears lots of positive information about the winner. As he did not know much to begin with, this information can be critical to his decision-making. Unsurprisingly, researchers have found that momentum can have its greatest effect on those who do not pay as much attention to the campaign."
"Clearly, the Republicans have no pre-election year frontrunner - like the Democrats in 1988. This means that momentum definitely could be a factor. As I said, we probably will not see the kind of successful slow-building momentum akin to what McCain almost had in 2000, though it is still possible. What is more likely is momentum that comes from a win in Iowa and/or New Hampshire - a candidate then uses those victories to launch himself beyond the rest of a lackluster field. "
O artigo de Jay Cost (que ainda há pouco tempo era um doutorando na Universidade de Chicago) é, de resto, um exemplo notável de como se pode trazer para o debate público e de forma compreensível mas rigorosa coisas bastante complicadas da bibliografia de Ciência Política.
segunda-feira, dezembro 31, 2007
Iowa, a três dias
Estamos em pleno dark side of the moon. Mas é evidente que, nos estudos mais recentes, Clinton e Edwards sobem e Obama desce. Como sempre, o Pollster analisa tudo o que é importante:
- o desempenho passado das sondagens no Iowa;
- os efeitos do processo de caucus em fortalecer os dois candidatos da frente e prejudicar os afectados por quedas recentes. À luz dos dados mais recentes, isto é muito bom para Clinton e potencialmente mau para Obama.
- o desempenho passado das sondagens no Iowa;
- os efeitos do processo de caucus em fortalecer os dois candidatos da frente e prejudicar os afectados por quedas recentes. À luz dos dados mais recentes, isto é muito bom para Clinton e potencialmente mau para Obama.
sábado, dezembro 29, 2007
O ano eleitoral
2008 não será particularmente excitante. A excepção é o main event, nos Estados Unidos, que dura o ano todo. Começa já no dia 3 de Janeiro, no Iowa. Cinco dias depois é New Hampshire. Dia 5 de Fevereiro temos a Super Duper Tuesday. Por esta altura, já estará tudo decidido quanto aos candidatos à presidência de cada partido. Depois é gastar até ao dia 4 de Novembro. Em 2004, gastaram-se (oficialmente) mil e quatrocentos milhões de dólares, 0,7% do produto interno bruto português. Neste ciclo de 2008, para já, vamos em 426 milhões.
Salva-se também Espanha, em Março. A sondagem mais recente, do Instituto Opina, dá 45% ao PSOE, 8 pontos acima do PP, e a satisfação com Zapatero está acima dos 50 pontos. Mas as coisas podem não ser tão simples. O barómetro de Novembro do CIS dá apenas 2 pontos de vantagem ao PSOE e, mesmo se a vitória do PSOE parece provável, duvida-se de uma maioria absoluta.
Na Rússia, eleições presidenciais a 2 de Março. Dimitry Putin, desculpem, Vladimir Medvedev lidera as intenções de voto, com 40 pontos de vantagem sobre o segundo classificado, um senhor chamado Zhirinovsky. Vai ser emocionante. No Zimbabwe, também em Março, Mugabe concorre a um sexto mandato, e em Setembro (5 e 6), haverá legislativas em Angola. Vai ser tão emocionante como na Rússia.
Salva-se também Espanha, em Março. A sondagem mais recente, do Instituto Opina, dá 45% ao PSOE, 8 pontos acima do PP, e a satisfação com Zapatero está acima dos 50 pontos. Mas as coisas podem não ser tão simples. O barómetro de Novembro do CIS dá apenas 2 pontos de vantagem ao PSOE e, mesmo se a vitória do PSOE parece provável, duvida-se de uma maioria absoluta.
Na Rússia, eleições presidenciais a 2 de Março. Dimitry Putin, desculpem, Vladimir Medvedev lidera as intenções de voto, com 40 pontos de vantagem sobre o segundo classificado, um senhor chamado Zhirinovsky. Vai ser emocionante. No Zimbabwe, também em Março, Mugabe concorre a um sexto mandato, e em Setembro (5 e 6), haverá legislativas em Angola. Vai ser tão emocionante como na Rússia.
quinta-feira, dezembro 27, 2007
Iowa e New Hampshire update, a uma semana
1. Nos Democratas, uma sondagem recente do American Research Group dá uns espectaculares 14 pontos de avanço a Hillary Clinton sobre Edwards em Iowa, com Obama em terceiro. A confirmar nos próximos dias. Mas no Pollster, uma nota importante: o ARG tem dado resultados para Clinton sempre acima da tendência. Seja como for, os mercados electrónicos de futuros parecem ter levado a sondagem a sério: Obama desce e Clinton sobe no Intrade.
2. Nos Republicanos, Huckabee parece imparável, quer nas sondagens quer nos mercados electrónicos: a estimativa Franklin e Blumenthal para Huckabee, neste momento, é de 34%, contra 23% para Romney. No Intrade, Huckabee é absolutamente favorito. Mas há uma tendência recente para a diminuição da vantagem de Huckabee, que os mercados parecem não ter detectado (ou não levar ainda a sério).
3. Dito isto, duas precauções gerais sobre Iowa:
- as sondagens mais recentes estão potencialmente afectadas pelo período festivo. Polling on the dark side of the Moon, chama-lhe Blumenthal;
- as sondagens para um caucus, com baixíssima participação, estão sempre potencialmente afectadas pela dificuldade em estimar os votantes prováveis.
4. Em New Hampshire, Clinton e Obama praticamente empatados, se não contarmos, mais uma vez, com a sondagem ARG (que dá grande vantagem para Clinton). Mas tudo vai ser afectado pelo resultado de Iowa. E a grande notícia vem dos Republicanos: a subida de McCain, que já aparece empatado com Romney numa das sondagens.
5. E há quem esteja farto de ver as primárias americanas tão poderosamente afectadas por eleições em dois estados pequenos e não representativos (G. Terry Madonna e Michael Young, "Iowa e New Hampshire: Same Old, Same Old"):
"The entire nominating apparatus is again fixated on Iowa and New Hampshire, resulting in more candidate visits than ever; more media coverage than ever; more TV commercials than ever; and more money spent than ever. Once again the outcome of a presidential race may depend on the results of two small unrepresentative states";
"When the early states vote, many voters in other states not have thought deeply about their choices. But the intense and concentrated coverage for Iowa and New Hampshire introduce candidates to a national electorate as de facto "winners" or "losers" before more than 90% of voters can cast ballots."
2. Nos Republicanos, Huckabee parece imparável, quer nas sondagens quer nos mercados electrónicos: a estimativa Franklin e Blumenthal para Huckabee, neste momento, é de 34%, contra 23% para Romney. No Intrade, Huckabee é absolutamente favorito. Mas há uma tendência recente para a diminuição da vantagem de Huckabee, que os mercados parecem não ter detectado (ou não levar ainda a sério).
3. Dito isto, duas precauções gerais sobre Iowa:
- as sondagens mais recentes estão potencialmente afectadas pelo período festivo. Polling on the dark side of the Moon, chama-lhe Blumenthal;
- as sondagens para um caucus, com baixíssima participação, estão sempre potencialmente afectadas pela dificuldade em estimar os votantes prováveis.
4. Em New Hampshire, Clinton e Obama praticamente empatados, se não contarmos, mais uma vez, com a sondagem ARG (que dá grande vantagem para Clinton). Mas tudo vai ser afectado pelo resultado de Iowa. E a grande notícia vem dos Republicanos: a subida de McCain, que já aparece empatado com Romney numa das sondagens.
5. E há quem esteja farto de ver as primárias americanas tão poderosamente afectadas por eleições em dois estados pequenos e não representativos (G. Terry Madonna e Michael Young, "Iowa e New Hampshire: Same Old, Same Old"):
"The entire nominating apparatus is again fixated on Iowa and New Hampshire, resulting in more candidate visits than ever; more media coverage than ever; more TV commercials than ever; and more money spent than ever. Once again the outcome of a presidential race may depend on the results of two small unrepresentative states";
"When the early states vote, many voters in other states not have thought deeply about their choices. But the intense and concentrated coverage for Iowa and New Hampshire introduce candidates to a national electorate as de facto "winners" or "losers" before more than 90% of voters can cast ballots."
terça-feira, dezembro 18, 2007
sexta-feira, dezembro 14, 2007
14%
Rússia, VCIOM, 5-6 Maio, N=1600
Recently, Russia was criticized for human rights violations by the US Department of State. Why do you think the US Department of State criticized Russia? (up to two responses):
Because the US are disatisfied with Russia being independent and are looking for excuses to discredit Russia: 40%
Because of the US traditional preconceived attitude to Russia and Russians: 27%
To support westernized opposition forces in Russia:16%
Because human rights are often violated: 14%
Other:1%
Hard to answer:14%
Recently, Russia was criticized for human rights violations by the US Department of State. Why do you think the US Department of State criticized Russia? (up to two responses):
Because the US are disatisfied with Russia being independent and are looking for excuses to discredit Russia: 40%
Because of the US traditional preconceived attitude to Russia and Russians: 27%
To support westernized opposition forces in Russia:16%
Because human rights are often violated: 14%
Other:1%
Hard to answer:14%
Perguntas directas, respostas directas
Rússia, Nov. 20-23, Yury Levada Analytical Center, N=1600.
Do you agree or disagree with this statement? - "Maintaining order is very important, even if democratic principles and personal freedoms are trampled."
Agree: 69%
Disagree: 18%
Hard to answer: 13%
Do you agree or disagree with this statement? - "Maintaining order is very important, even if democratic principles and personal freedoms are trampled."
Agree: 69%
Disagree: 18%
Hard to answer: 13%
quinta-feira, dezembro 13, 2007
Referendos e ditaduras
E no meio da conversa que houve há uma semana sobre as "estranhas ditaduras" onde se perdem referendos, esqueci-me do melhor exemplo de todos.
Da Wikipedia:
The Zimbabwe constitution referendum of February 12-13, 2000 saw the defeat of a proposed new Constitution of Zimbabwe which had been drafted by a Constitutional Convention the previous year. The defeat was unexpected and was taken as a personal rebuff for President Robert Mugabe and a political triumph for the newly-formed opposition group, the Movement for Democratic Change. The new proposed constitution was notable for giving power to the government to seize farms owned by white farmers, without compensation, and transfer them to black farm owners as part of a scheme of land reform.
E a seguir:
DESPITE its humiliating defeat in last weekend's constitutional referendum, the Zimbabwe government said yesterday that it would push through an amendment that would allow the state to seize white-owned farms without compensation.
O resto já sabemos como foi.
Da Wikipedia:
The Zimbabwe constitution referendum of February 12-13, 2000 saw the defeat of a proposed new Constitution of Zimbabwe which had been drafted by a Constitutional Convention the previous year. The defeat was unexpected and was taken as a personal rebuff for President Robert Mugabe and a political triumph for the newly-formed opposition group, the Movement for Democratic Change. The new proposed constitution was notable for giving power to the government to seize farms owned by white farmers, without compensation, and transfer them to black farm owners as part of a scheme of land reform.
E a seguir:
DESPITE its humiliating defeat in last weekend's constitutional referendum, the Zimbabwe government said yesterday that it would push through an amendment that would allow the state to seize white-owned farms without compensation.
O resto já sabemos como foi.
terça-feira, dezembro 11, 2007
sexta-feira, dezembro 07, 2007
Marktest, 20-23 de Novembro
Há dias, mencionei aqui que o DN não tinha publicado os resultados completos do Barómetro, nomeadamente em relação à avaliação dos líderes políticos. Mas a Marktest, como é hábito, põe tudo cá fora. Está aqui. E ainda tiveram a amabilidade de me cederem dados mais desagregados:
Cavaco Silva
Actuação positiva: 70%
Negativa: 12%
Ns/Nr: 18%
José Sócrates
Actuação positiva: 38%
Negativa: 45%
Ns/Nr: 17%
Luis Filipe Menezes
Actuação positiva: 27%
Negativa: 26%
Ns/Nr: 47%
Jerónimo de Sousa
Actuação positiva: 38%
Negativa: 31%
Ns/Nr: 31%
Paulo Portas
Actuação positiva: 28%
Negativa: 49%
Ns/Nr: 23%
Francisco Louçã
Actuação positiva: 42%
Negativa: 31%
Ns/Nr: 27%
Obrigado.
Cavaco Silva
Actuação positiva: 70%
Negativa: 12%
Ns/Nr: 18%
José Sócrates
Actuação positiva: 38%
Negativa: 45%
Ns/Nr: 17%
Luis Filipe Menezes
Actuação positiva: 27%
Negativa: 26%
Ns/Nr: 47%
Jerónimo de Sousa
Actuação positiva: 38%
Negativa: 31%
Ns/Nr: 31%
Paulo Portas
Actuação positiva: 28%
Negativa: 49%
Ns/Nr: 23%
Francisco Louçã
Actuação positiva: 42%
Negativa: 31%
Ns/Nr: 27%
Obrigado.
quarta-feira, dezembro 05, 2007
Al Gathafi speaks...
Miguel Vale de Almeida chama a atenção para um anúncio de página inteira no Público que convida os eleitores a visitarem o site de Muammar Al Gathafi e onde se fazem umas considerações críticas à Convenção de Otava sobre Minas Terrestres ("Os países poderosos não precisam de minas para se protegerem. As minas são o meio de auto-defesa dos países fracos") e sobre a "ilegalidade do Tribunal Criminal Internacional".
Não quero estragar completamente o dia a Miguel Vale de Almeida, mas se ele soubesse que o Centro de História da Universidade de Lisboa, "em colaboração com a Reitoria e com o Instituto Luso-Árabe para a Cooperação", vai organizar depois de amanhã um "Seminário" com a presença de Muammar Al Gathafi (ou Al Khadafi) onde ele vai falar sobre "Problemas da Sociedade Contemporânea"... Ai não acreditam? Então confirmem.
Não quero estragar completamente o dia a Miguel Vale de Almeida, mas se ele soubesse que o Centro de História da Universidade de Lisboa, "em colaboração com a Reitoria e com o Instituto Luso-Árabe para a Cooperação", vai organizar depois de amanhã um "Seminário" com a presença de Muammar Al Gathafi (ou Al Khadafi) onde ele vai falar sobre "Problemas da Sociedade Contemporânea"... Ai não acreditam? Então confirmem.
Iowa
Em rigor, já não se pode dizer que Hillary Clinton lidera as sondagens no Iowa. A média das 13 sondagens conduzidas em Novembro é de 28% para Clinton e 25% para Obama. Mas quando olhamos apenas para as conduzidas na 2ª metade do mês, Clinton e Obama estão empatados com 27%.
Em New Hampshire, a mesma tendência. Clinton com 35% em média em Novembro, Obama com 23%. Mas na segunda metade do mês, 33% para Clinton e 24% para Obama. Aqui a margem ainda é confortável. Mas quem sabe o que se passará no Iowa, e as consequências disso?
Karl Rove, no Finantial Times (via Atlântico, onde ainda cheira um bocado a queimado), partilha pelos vistos da opinião (ah, ah!) que dei aqui em Outubro: Iowa é a única e derradeira chance que Obama tem para evitar o inevitável. Mas por que razão gostaria Rove de evitar este inevitável? Aposto tudo o que vocês quiserem que a campanha Clinton vai usar este artigo para mostrar que Rove e os Republicanos gostariam que Obama ganhasse. No meio da crise, um ponto para Hillary, portanto.
Em New Hampshire, a mesma tendência. Clinton com 35% em média em Novembro, Obama com 23%. Mas na segunda metade do mês, 33% para Clinton e 24% para Obama. Aqui a margem ainda é confortável. Mas quem sabe o que se passará no Iowa, e as consequências disso?
Karl Rove, no Finantial Times (via Atlântico, onde ainda cheira um bocado a queimado), partilha pelos vistos da opinião (ah, ah!) que dei aqui em Outubro: Iowa é a única e derradeira chance que Obama tem para evitar o inevitável. Mas por que razão gostaria Rove de evitar este inevitável? Aposto tudo o que vocês quiserem que a campanha Clinton vai usar este artigo para mostrar que Rove e os Republicanos gostariam que Obama ganhasse. No meio da crise, um ponto para Hillary, portanto.
segunda-feira, dezembro 03, 2007
Ainda a Venezuela e a "democracia", pós-referendo
A principal razão por que me interessa discutir se a Venezuela é ou não uma democracia é talvez um pouco diferente daquela que move alguns dos que têm debatido esta questão na blogosfera e fora dela. É evidente que não simpatizo com os atropelos de Chávez e que , independentemente dos benefícios ou não que tenham decorrido da sua governação para os venezuelanos (um aspecto sobre o qual se presume muito e demonstra pouco), acho que viver em democracia é um bem em si mesmo, algo intrinsecamente positivo.
Mas para além desta motivação assumidamente política, tenho outra, que talvez até seja mais importante para mim. Quando quero perceber, na minha actividade profissional, o que causa a emergência ou a sobrevivência das democracias, quais as consequências de se ter ou viver num regime democrático, ou a explicação dos comportamentos políticos nas democracias, convém-me ter no bolso pelo menos uma definição qualquer de "democracia", para saber que casos devo incluir, que casos excluir ou como os classifico. Num sentido mais lato, esta discussão continua a ser "política". Mas num sentido mais estrito, é uma questão de medição. O que é e o que não é uma democracia? Questão complicada, mas que tenho de quotidianamente tentar resolver.
Vem tudo isto a propósito dos resultados do referendo e de algumas reacções que inspiraram. Particularmente simbólica é esta:
"Estranha ditadura que promove eleições e que aceita os resultados quando é derrotada nas urnas. (...) Estranha ditadura em que a pobreza diminui e em que os estudos internacionais mostram que a maioria esmagadora dos eleitores está contente com a qualidade da democracia",
escreve Nuno Ramos de Almeida no cinco dias.
Pois lamento, mas ainda não estou persuadido. Tenho visto aqui e ali referências ao Chile, e acho que podemos começar por aí. Por um conjunto de razões que ainda se discutem, o referendo acabou mesmo por ser convocado em 1988, permitiu uma votação sem fraudes e os seus resultados - inesperadamente desfavoráveis para Pinochet - foram aceites pelos militares. Foi o início da transição para a democracia no Chile. Mas daí até dizer-se que o Chile era uma democracia em 1988 ou até em 1987, 1986 ou antes vai alguma distância, que pelos vistos Nuno Ramos de Almeida tem alguma dificuldade em discernir. Esta ideia de "validação" à posteriori do carácter democrático de um regime, através da qual se classifica como democrático todo o regime no qual o detentor do poder acaba por perder eleições, não deixa de ter um bom pedigree. Este belo livrinho usa-a, precisamente, para distinguir democracias de regimes não-democráticos. Mas se queremos ir por aqui e seguir os critérios de Przeworski e seus colegas, então temos de esperar que Chávez perca eleições presidenciais. Não me consta que tenha sido isso que sucedeu no passado Domingo.
De resto, é curioso que se mencione o caso do Chile e ninguém se tenha lembrado do caso...português. Em 1975, com alguma surpresa, quem ganhou as eleições não foi quem controlava as rédeas do poder. As eleições de 1975 tiveram, aliás, o condão especial de revelarem que o PCP e os sectores mais à esquerda do aparelho militar que tutelavam na altura o regime tinham muito menos apoio popular do que se julgava. Mas a não ser que Nuno Ramos de Almeida esteja preparado para nos explicar como, em 1975, Portugal era um regime democrático- coisa que, manifestamente, (ainda) não era - a derrota eleitoral dos detentores do poder não chega para definir um regime.
Chamo a atenção para um conjunto de estudos de Steven Levitsky e Lucan Way (obrigado Andrés pela lembrança). Levitsky e Way vêm escrevendo sobre aquilo que chamam "autoritarismos competitivos". Vale a pena ler com atenção:
"In competitive authoritarian regimes, formal democratic institutions are widely viewed as the principal means of obtaining and exercising political authority. Incumbents violate those rules so often and to such an extent, however, that the regime fails to meet conventional minimum standards for democracy. (...) Competitive authoritarianism must be distinguished from democracy on the one hand and full-scale authoritarianism on the other. Modern democratic regimes all meet four minimum criteria: 1) Executives and legislatures are chosen through elections that are open, free, and fair; 2) virtually all adults possess the right to vote; 3) political rights and civil liberties, including freedom of the press, freedom of association, and freedom to criticize the government without reprisal, are broadly protected; and 4) elected authorities possess real authority to govern, in that they are not subject to the tutelary control of military or clerical leaders. Although even fully democratic regimes may at times violate one or more of these criteria, such violations are not broad or systematic enough to seriously impede democratic challenges to incumbent governments. In other words, they do not fundamentally alter the playing field between government and opposition. (...) In competitive authoritarian regimes, by contrast, violations of these criteria are both frequent enough and serious enough to create an uneven playing field between government and opposition. Although elections are regularly held and are generally free of massive fraud, incumbents routinely abuse state resources, deny the opposition adequate media coverage, harass opposition candidates and their supporters, and in some cases manipulate electoral results. Journalists, opposition politicians, and other government critics may be spied on, threatened, harassed, or arrested. Members of the opposition may be jailed, exiled, or—less frequently—even assaulted or murdered. Regimes characterized by such abuses cannot be called democratic."
E há um artigo interessante na Foreign Policy de Janeiro do ano passado que explora a aplicação do conceito ao caso da Venezuela.
Há muita gente que discorda de Levitsky e Way. Não quero com tudo isto desvalorizar os resultados do referendo de Domingo passado, nem aquilo que eles nos podem dizer sobre a natureza do regime ou as suas perspectivas de mudança e evolução. Nem sequer estou certo se consigo, para já, chegar a um veredicto sobre se a Venezuela é ou não é uma democracia. Mas não me parece que perder um referendo chegue, por si só, para esse veredicto.
Mas para além desta motivação assumidamente política, tenho outra, que talvez até seja mais importante para mim. Quando quero perceber, na minha actividade profissional, o que causa a emergência ou a sobrevivência das democracias, quais as consequências de se ter ou viver num regime democrático, ou a explicação dos comportamentos políticos nas democracias, convém-me ter no bolso pelo menos uma definição qualquer de "democracia", para saber que casos devo incluir, que casos excluir ou como os classifico. Num sentido mais lato, esta discussão continua a ser "política". Mas num sentido mais estrito, é uma questão de medição. O que é e o que não é uma democracia? Questão complicada, mas que tenho de quotidianamente tentar resolver.
Vem tudo isto a propósito dos resultados do referendo e de algumas reacções que inspiraram. Particularmente simbólica é esta:
"Estranha ditadura que promove eleições e que aceita os resultados quando é derrotada nas urnas. (...) Estranha ditadura em que a pobreza diminui e em que os estudos internacionais mostram que a maioria esmagadora dos eleitores está contente com a qualidade da democracia",
escreve Nuno Ramos de Almeida no cinco dias.
Pois lamento, mas ainda não estou persuadido. Tenho visto aqui e ali referências ao Chile, e acho que podemos começar por aí. Por um conjunto de razões que ainda se discutem, o referendo acabou mesmo por ser convocado em 1988, permitiu uma votação sem fraudes e os seus resultados - inesperadamente desfavoráveis para Pinochet - foram aceites pelos militares. Foi o início da transição para a democracia no Chile. Mas daí até dizer-se que o Chile era uma democracia em 1988 ou até em 1987, 1986 ou antes vai alguma distância, que pelos vistos Nuno Ramos de Almeida tem alguma dificuldade em discernir. Esta ideia de "validação" à posteriori do carácter democrático de um regime, através da qual se classifica como democrático todo o regime no qual o detentor do poder acaba por perder eleições, não deixa de ter um bom pedigree. Este belo livrinho usa-a, precisamente, para distinguir democracias de regimes não-democráticos. Mas se queremos ir por aqui e seguir os critérios de Przeworski e seus colegas, então temos de esperar que Chávez perca eleições presidenciais. Não me consta que tenha sido isso que sucedeu no passado Domingo.
De resto, é curioso que se mencione o caso do Chile e ninguém se tenha lembrado do caso...português. Em 1975, com alguma surpresa, quem ganhou as eleições não foi quem controlava as rédeas do poder. As eleições de 1975 tiveram, aliás, o condão especial de revelarem que o PCP e os sectores mais à esquerda do aparelho militar que tutelavam na altura o regime tinham muito menos apoio popular do que se julgava. Mas a não ser que Nuno Ramos de Almeida esteja preparado para nos explicar como, em 1975, Portugal era um regime democrático- coisa que, manifestamente, (ainda) não era - a derrota eleitoral dos detentores do poder não chega para definir um regime.
Chamo a atenção para um conjunto de estudos de Steven Levitsky e Lucan Way (obrigado Andrés pela lembrança). Levitsky e Way vêm escrevendo sobre aquilo que chamam "autoritarismos competitivos". Vale a pena ler com atenção:
"In competitive authoritarian regimes, formal democratic institutions are widely viewed as the principal means of obtaining and exercising political authority. Incumbents violate those rules so often and to such an extent, however, that the regime fails to meet conventional minimum standards for democracy. (...) Competitive authoritarianism must be distinguished from democracy on the one hand and full-scale authoritarianism on the other. Modern democratic regimes all meet four minimum criteria: 1) Executives and legislatures are chosen through elections that are open, free, and fair; 2) virtually all adults possess the right to vote; 3) political rights and civil liberties, including freedom of the press, freedom of association, and freedom to criticize the government without reprisal, are broadly protected; and 4) elected authorities possess real authority to govern, in that they are not subject to the tutelary control of military or clerical leaders. Although even fully democratic regimes may at times violate one or more of these criteria, such violations are not broad or systematic enough to seriously impede democratic challenges to incumbent governments. In other words, they do not fundamentally alter the playing field between government and opposition. (...) In competitive authoritarian regimes, by contrast, violations of these criteria are both frequent enough and serious enough to create an uneven playing field between government and opposition. Although elections are regularly held and are generally free of massive fraud, incumbents routinely abuse state resources, deny the opposition adequate media coverage, harass opposition candidates and their supporters, and in some cases manipulate electoral results. Journalists, opposition politicians, and other government critics may be spied on, threatened, harassed, or arrested. Members of the opposition may be jailed, exiled, or—less frequently—even assaulted or murdered. Regimes characterized by such abuses cannot be called democratic."
E há um artigo interessante na Foreign Policy de Janeiro do ano passado que explora a aplicação do conceito ao caso da Venezuela.
Há muita gente que discorda de Levitsky e Way. Não quero com tudo isto desvalorizar os resultados do referendo de Domingo passado, nem aquilo que eles nos podem dizer sobre a natureza do regime ou as suas perspectivas de mudança e evolução. Nem sequer estou certo se consigo, para já, chegar a um veredicto sobre se a Venezuela é ou não é uma democracia. Mas não me parece que perder um referendo chegue, por si só, para esse veredicto.
sexta-feira, novembro 30, 2007
Dados em falta
Como sabem, não dou grande cobertura neste blogue a sondagens sobre intenções de voto em períodos fora das eleições. Uma percentagem muito elevada de eleitores não manifesta qualquer intenção e isso produz grande volatilidade e discrepâncias entre sondagens. Acho muito mais interessante, neste período, analisar as perguntas a que quase toda a gente responde, e que têm a ver com avaliação do desempenho do governo, da actuação dos líderes políticos ou da situação da economia. Como nem a primeira nem a última perguntas são regularmente colocadas, ficamos com a segunda.
Vem tudo isto a propósito do Barómetro Marktest divulgado hoje. Ao contrário do que é habitual, o DN não publica as avaliações de Sócrates, Cavaco e Menezes, limitando-se à intenção de voto e avaliações de ministros. Há alusões no texto às avaliações de Cavaco e Portas, mas os dados não foram colocados cá fora. Espero que ainda sejam.
Vem tudo isto a propósito do Barómetro Marktest divulgado hoje. Ao contrário do que é habitual, o DN não publica as avaliações de Sócrates, Cavaco e Menezes, limitando-se à intenção de voto e avaliações de ministros. Há alusões no texto às avaliações de Cavaco e Portas, mas os dados não foram colocados cá fora. Espero que ainda sejam.
quinta-feira, novembro 29, 2007
Rescaldo
O rescaldo do debate CNN/You Tube entre os candidatos republicanos. Ou como "Mo" Udall disse uma vez do seu próprio partido: "When Democrats organize a firing squad, they form a circle."
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