segunda-feira, agosto 25, 2008

Biden: reacções

Dos mercados electrónicos. Positiva:




Dos eleitores. Mixed (Rasmussen reports):
On the day that Barack Obama announced Joe Biden as his running mate, 39% of voters said he made the right choice. A Rasmussen Reports national telephone survey found that 25% disagreed and another 35% are not sure. Women are notably less enthusiastic than men—33% of women say Biden was the right choice while 27% disagreed. Men, by a 46% to 24% margin, said that Obama made the right choice. Biden is now viewed favorably by 48% of voters and unfavorably by 34%. Those figures reflect a slight improvement from Thursday night polling. He earns favorable reviews from 52% of men and 45% of women.
Just 16% of women have a Very Favorable opinion of Biden while 19% have a Very Unfavorable view.
Obama has struggled among older voters and that’s one area where Biden shines—60% of senior citizens have a favorable opinion of him.

quinta-feira, agosto 21, 2008

Zogby

"John McCain pela primeira vez à frente de Barack Obama", é notícia do Público que dá direito a primeira página. A sondagem é esta. É este o comentário do Pollster.com.

A irrelevância desta sondagem em si mesma não nega outra coisa, essa sim fundamental: McCain recupera terreno em relação a Obama nas últimas semanas.

segunda-feira, agosto 18, 2008

Non sequitur

Uma coisa que demorei 38 anos para descobrir. No Continente, os panorama/vista/paisagem/passeio/caminho mais bonitos não são nunca os mais bonitos de Portugal. Nos Açores há sempre melhor.

sexta-feira, agosto 15, 2008

O nosso contributo para a silly season

O Sol destaca hoje um trabalho que fiz com o Luís Aguiar-Conraria, e que foi publicado pela IPRISVerbis. Pode ser descarregado aqui (.pdf). O working paper propriamente dito, um pouco mais extenso, está aqui (.pdf). Prevê, a mais de um ano de eleições, que o PS terá 38,4% dos votos nas eleições de 2009 (na pressuposição de um crescimento económico de 1% entre meados de 2008 e meados de 2009 e ausência de conflitos com Belém). Silly? Vocês dirão. Mas nós achamos que não.

Quem lê este blogue regularmente (sim, vocês os três) imagina como isto começou: a leitura de um número de uma revista dedicada a previsões das presidenciais americanas, um estímulo adicional e mãos à obra.

Obrigado ao Sol e ao jornalista Carlos Madeira pelo artigo cuidadoso, e ao Paulo Gorjão pelo convite.

domingo, agosto 03, 2008

Magalhães

Agradeço toda a atenção, e tal, mas é um bocado excessivo. Mas a grande vantagem é que é altamente improvável que gerações futuras de funcionários da Segurança Social me voltem a pôr o til no "e", como há dias na Loja do Cidadão. Só por isso, um grande bem-haja ao Plano Tecnológico.

terça-feira, julho 15, 2008

Férias

Este blogue entra em pausa estival, na esperança de que, em Setembro, alguém ainda se lembre que esta coisa existe. Nessa altura, as eleições americanas estarão ao rubro, após as convenções. Até lá.

Sondagem Católica para RTP/RDP/JN

O segundo barómetro político CESOP-UCP do ano (haverá quatro no total) foi realizado entre os dias 5 e 9 de Julho. Foi divulgado ontem e hoje pela RTP, RDP e o JN. Podem descarregar o relatório-síntese aqui.

Com esta sondagem, é possível fazer um ponto de situação em relação ao imediato "pós-Ferreira Leite":

Não é muito fácil comparar estas sondagens entre si, especialmente porque a Aximage não divulga - pelo menos no site do Correio da Manhã - dados sobre indecisos, outros partidos, brancos ou nulos. Logo, não é possível apresentar os dados de forma comparável com resultados eleitorais ou com as estimativas dos outros institutos. Por outro lado, pelo menos na notícia aqui, a soma das percentagens da Eurosondagem dá 102,1%, devendo haver um lapso qualquer (arredondamentos não será, porque os resultados são apresentados com uma casa decimal).

Contudo, numas contas muito simplistas, se os OBN para a Aximage fossem 5% (como nas legislativas de 2005), e se redistribuirmos indecisos proporcionalmente (eu sei que eles não gostam muito, mas vou fazer na mesma), os resultados ficariam assim:


Logo:

1. PS continua a ser o partido com mais intenções de voto;

2. Mas há grandes discrepâncias na vantagem sobre o PSD: entre 1 e 11 pontos;

3. PCP+BE entre 17 e 24%.

sexta-feira, julho 04, 2008

Popularidade

O mesmo gráfico que aqui, só que desta vez com os dados da Eurosondagem, divulgados hoje.

quarta-feira, julho 02, 2008

Lisboa SOS

Um blogue novo que publica fotografias enviadas por leitores que ilustram a degradação dos espaços públicos de Lisboa. "Contra a distracção". Infelizmente, vou ter muitas fotografias para mandar.

Projectos

Estou a trabalhar nisso. A sério. Não nas "chaves", nas no resto...

segunda-feira, junho 30, 2008

Previsões para as presidenciais americanas

O último número do International Journal of Forecasting é uma delícia para viciados nas eleições americanas. Vários artigos discutem o desempenho passado de modelos de previsão dos resultados das eleições, das sondagens e dos mercados electrónicos.

Em 2004, o primeiro modelo a ser divulgado, logo em Janeiro, foi o de Helmut Norpoth. Foi o primeiro modelo porque se baseia em variáveis que podem ser medidas relativamente cedo: os resultados das primárias em New Hampshire, os resultados das duas últimas eleições presidenciais e uma variável medindo identificação partidária (baseada nos resultados das eleições para o Congresso). Aplicado a todas as eleições desde 1912, o modelo prevê correctamente o vencedor em todas as eleições menos uma (1960). Para 2004, previa que Bush iria derrotar Kerry por 54,7% contra 45,3%. Na verdade, o resultado foi 50,7% contra 48,3%. Mas o modelo bateu, de longe, como instrumento de previsão, quer as sondagens quer as cotações dos mercados electrónicos da mesma altura, ou seja, Janeiro de 2004. E o que diz o modelo desta vez para Obama-McCain em 2008? 50,1% contra 49,9%. Um dos problemas disto, claro, está aqui:


O modelo de Douglas Hibbs tem duas variáveis principais:

(1) weighted-average growth of per capita real personal disposable income over the term, and (2) cumulative US military fatalities owing to unprovoked, hostile deployments of American armed forces in foreign conflicts.

Em 2004, previu correctamente a vitória de Bush, errando por apenas 1,8%. A previsão para 2008:

Those political-economic fundamentals imply an expected Republican two-party vote share centered on 48.2%. Barring unforeseen political shocks favoring the Republican candidate (presumptively John McCain), the Democratic standard bearer (presumptively Barack Obama) ought to win the 2008 presidential election by a margin in the neighborhood of 3.6 percentage points.

Ray Fair, com um modelo que inclui crescimento, inflação e nº de períodos trimestrais com crescimento económico elevado prevê 47,8% para os Republicanos. A página deixa-nos brincar com os valores das variáveis independentes e obter novas previsões.

Estes modelos costumam ter versões finais em Julho/Agosto, dado que utilizam dados da economia ou da popularidade do incumbent que só nesta altura estão disponíveis. Mas neste último número do IJF - com artigos escritos entre Julho e Novembro de 2007 - há já outras "previsões condicionais", baseadas em valores hipotéticos dos dados da popularidade e do crescimento. Alan Abramovitz prevê que uma vitória do Partido Republicano é impossível com os actuais valores da popularidade de Bush. Ela só começaria a tornar-se possível com um saldo de popularidade acima dos 10% em Junho de 2008. Neste momento, existe um saldo negativo com valores entre os -30 e os -50%. Michael Lewis-Beck e Charles Tien prevêm, condicionalmente, uma votação para o Partido Republicano entre 41.4 e 48.5%, dependendo de utilização de crescimento económico ou criação de empregos como variáveis independentes.

E depois há, claro, algo completamente diferente: The Keys to the White House, por Alan Lichtman, um historiador da American University. O método de Lichtman é um índice, de natureza qualitativa, que usa simplesmente respostas "sim"/"não" a 13 perguntas básicas. Quanto mais respostas "sim", maior a probabilidade de que o partido no poder renove a vitória. O método prevê correctamente o resultado de todas as eleições desde 1860 (mas ver aqui como a frase anterior não faz muito sentido). Eis as "chaves":


Destas perguntas, Lichtman respondia negativamente, em Novembro de 2007, a oito delas (e com Obama talvez tenha de responder a nove, ou seja, à última). Resposta: Democratas ganham. E como isto é convertível num modelo de previsão de percentagem de voto - nº de keys como variável independente do voto no incumbent - Lichtman prevê 46% para os Republicanos.

A última coisa a tomar em consideração, neste momento, é que, em 2004, a partir de Maio, os valores do Iowa Prediction Market estabilizou numa percentagem para Bush que, comparada com o que se veio a verificar em Novembro, exibia um desvio sempre igual ou inferior a um ponto percentual. E qual tem sido o valor para vote shares?


Em suma: ninguém, com excepção de Norpoth em Janeiro passado, prevê outra coisa que não uma vitória dos Democratas nesta eleição. Vou actualizando isto com as novas previsões à medida que forem saindo.

sexta-feira, junho 27, 2008

Novo ciclo

Com a última sondagem da Marktest, ficamos com uma primeira aproximação à avaliação que os portugueses fazem da actuação de Manuela Ferreira Leite. 43% não acham coisa alguma, o que não lhes fica mal, tendo em conta que, sensu stricto, não há nada para avaliar. Mas outros recorrem às suas predisposições ideológicas e partidárias, à imagem que dela formaram no passado recente ou distante ou até, quem sabe, à comparação com Sócrates, para chegar a uma conclusão. A conclusão a que a maioria desses chega é negativa, mas menos negativa que em relação a Menezes no período anterior ou Sócrates no momento actual. Mas tudo pode mudar à medida que mais opiniões se forem cristalizando. Para a Menezes, a mudança posterior foi para pior. Em relação a MFL, quem sabe?*

O gráfico que se segue (cliquem nele que verão melhor) é apenas para os dados da Marktest. Usa-se um saldo de % de avaliações positivas - % avaliações negativas, ponderado pelas não respostas. As linhas verticais marcam as últimas sondagens realizadas antes de momentos relevantes: eleição de Cavaco Silva; caso Independente; eleição de Menezes; eleição de Ferreira Leite.



*Ou para usar a terminologia de uma abordagem que aprendi há pouco tempo (olá LA-C): trará a eleição de MFL uma mudança de estrutura à serie de popularidade do líder do PSD, tal como aquela que, aparentemente, ocorre no caso de Sócrates após o caso Independente?

quarta-feira, junho 25, 2008

"Mobilização assimétrica", julgo ser o termo


Ainda a Irlanda

Poucas pessoas sabem tanto sobre o comportamento eleitoral na Irlanda (e não só) como Michael Marsh. Vale a pena ler este artigo no Sunday Post sobre o referendo: What did the voters mean when they said No to the Lisbon Treaty? Nem tudo o que lá é dito confere exactamente com o que defendi aqui, pelo que é ainda mais interessante, pelo menos para mim. Algumas passagens:

In this referendum campaign, although five out of six Irish parties, with a combined support of 85 per cent at the last national elections, supported the treaty, only 9 per cent of voters were contacted in person by the Yes side. The No side reached 8 per cent. A small group was contacted by both sides (3 per cent), but 86 per cent were not contacted at all. It seems difficult to maintain that the government or the other parties on the Yes side went all out to secure a victory. Moreover, it is indeed remarkable that the No side, lacking the established infrastructure of party organisations, reached about the same number of voters as the Yes side.

We asked whether Lisbon would have compromised Ireland’s neutrality; made the practice of abortion more likely in Ireland; led to a change in tax on businesses; reduced Ireland’s influence on EU decisions; strengthened the protection of workers’ rights; caused even more unemployment; lost us our European Commissioner for some of the time; and finally, simplified decision-making in the EU. The results indicate that the No arguments seemed to have won the campaign. Substantial majorities agree with their interpretation over the interpretation of the Yes side. Even on abortion, where their arguments were rejected by the Electoral Commission, a significant minority (39 per cent) was concerned that abortion could be brought closer had Ireland voted Yes.

Those most uncertain about their economic future, due to perceived decline in their own living standards in the last year, also tended to vote No. These factors are outside anyone’s immediate capacity to address, although dissatisfaction with the government - equally high at the time of Nice II - is not necessarily associated with a rejection of an EU treaty, at least to the degree it is associated here. Nor is it the case that voters were simply rejecting Europe. Over 40 per cent of No voters supported even more integration over protecting our independence from the EU.

E um gráfico espantoso, que mostra - aqui sim de acordo com o meu argumento - que o problema não foi a abstenção: aqueles que não votaram eram ainda mais hostis ao Tratado. Mais informação sobre a sondagem pós-eleitoral aqui.

terça-feira, junho 17, 2008

E já agora, este senhor para running mate.

"I'm not particularly interested in having a picture of me and George W. Bush on my wall" (a história completa contada aqui).

E agora, para o que realmente interessa


Para ficar tudo clarinho, neste blogue, por muito que se tente, não se consegue ser imparcial em relação ao resultado final. Independentemente de simpatias ou antipatias pessoais com os candidatos, quer-se tudo azul.

Mas na Polónia, ainda assim, sim

Survey: Poles support EU's reform treaty
Poles would back the European Union's Lisbon Treaty by a wide margin if it were put to a referendum, a newspaper reported Monday. A poll of 1,000 adults found 71 per cent of Poles said they would vote for the reform treaty, which Irish voters rejected in a referendum last week, the Dziennik daily said.

Na Holanda, também não

Poll: Dutch Would Also Reject EU Treaty

A majority of the Dutch is against the Treaty of Lisbon, according to a poll by Maurice de Hond. But the Netherlands is going ahead with its ratification. If the Netherlands were to hold a referendum now on the new EU treaty, 54 percent would vote against it, De Hond reported. He polled the views of the Dutch after the Irish rejected the treaty last week. A majority (56 percent) wants the Netherlands to also hold a referendum on the Treaty of Lisbon. It is an adaptation of the European Constitution, on which a referendum was held in the Netherlands in 2005 - which rejected it by 62 to 38 percent. (...) But there will be no referendum. The Netherlands is going ahead with the ratification of the Treaty of Lisbon, even though the Irish have rejected it, said Premier Jan Peter Balkenende.

segunda-feira, junho 16, 2008

Leitura útil por estes dias

Second-order’ versus ‘Issue-voting’ Effects in EU Referendums

Are referendums on EU treaties decided by voters’ attitudes to Europe (the ‘issue-voting’ explanation) or by voters’ attitudes to their national political parties and incumbent national government (the ‘second-order election model’ explanation)? In one scenario, these referendums will approximate to deliberative processes that will be decided by people’s views of the merits of European integration. In the other scenario, they will be plebiscites on the performance of national governments. We test the two competing explanations of the determinants of voting in EU referendums using evidence from the two Irish referendums on the Nice Treaty. We find that the issue-voting model outperforms the second-order model in both referendums. However, we also find that issue-voting was particularly important in the more salient and more intense second referendum. Most strikingly, attitudes to EU enlargement were much stronger predictors of vote at Nice 2 than at Nice 1. This finding about the rise in importance of attitudes to the EU points to the importance of campaigning in EU referendums.

sexta-feira, junho 06, 2008

Adenda

Há uns tempos, escrevi uma coisa sobre os "valores de esquerda" da actual Câmara de Lisboa. Junto adenda:

"A apresentação de um novo modelo da marca de automóveis Skoda arrancou ontem à tarde na Praça das Flores, sob os protestos dos comerciantes e moradores da zona. Em causa está o facto de a Câmara de Lisboa ter autorizado que a organização vedasse o local durante os 17 dias do evento, (...) a troco de 150 mil euros e da reabilitação do jardim central. (...) 'Ia a passar pelo meio do jardim, quando os seguranças apareceram e me barraram a passagem'"

Referendo Irlanda:

A sondagem mais recente, divulgada hoje, é da TNS, e é a primeira que dá vantagem ao Não.

Irish Times /TNS mrbi poll:


Isto contrasta, apesar de tudo, com as sondagens da Red C que tenho divulgado aqui. Aqui, chama-se a atenção para a diferença na formulação das perguntas. E toda a campanha fala em "Lisbon Treaty", em vez de "Reform Treaty"...

Uma coisa é certa: quando mais tempo dura a campanha, menos indecisos e mais "nãos".

quinta-feira, junho 05, 2008

Altruistic (sort of) plug

Eu se fosse a vocês não perdia isto:

Pedro Lains: Lectures on the History of European Integration

Sobre o voto económico

No seguimento do que escrevi 2ª feira passada, duas notas:

1. Num artigo muito recente, Pedro Adão Silva menciona que "há uma hipótese da sociologia eleitoral que tem revelado assinalável potencial explicativo e que nos diz que os eleitores sabem distinguir os partidos em função das suas prioridades e que, em períodos de maior desemprego e crise social, votarão mais à esquerda e em períodos de maior inflação e dificuldades financeiras, votarão mais à direita."

Aquilo a que o Pedro se refere é ao chamado "voto económico prospectivo". Ao contrário do que sucederia com o "voto económico retrospectivo" - em que os partidos de governo, e eventualmente mais os de esquerda - seriam prejudicados pelo desemprego, no "voto económico prospectivo" a hipótese é que os partidos de esquerda poderiam ser beneficiados pelo desemprego, sugerindo que os eleitores votam a pensar na forma como situações actuais podem ser resolvidas por políticas futuras.

Um dos aspectos mais interessantes deste livro tem precisamente a ver com este assunto e com alguma clarificação que é trazida a este respeito: o que eles concluem é que os efeitos do desemprego são diferentes consoantes a dimensão dos partidos de esquerda. "Grandes" partidos de esquerda no governo são castigados pelo desemprego. Partidos de esquerda "pequenos" são beneficiados pelo desemprego. Não sei se era bem nisto que o Pedro estava a pensar...

2. Ninguém percebeu ainda muito bem as "micro-fundações" do mecanismo através do qual os eleitores castigam os governos pelo mau desempenho da economia. Uma das conclusões que - pelo menos a mim - geram mais perplexidade é o facto de, quando usamos inquéritos, as avaliações que os inquiridos fazem da situação económica do país ter consequências muito maiores no voto que a avaliação da situação económica pessoal. Há quem diga que isto sinaliza "altruísmo"e grande responsabilidade dos eleitores, mas acho que há para aqui muita endogeneidade (a avaliação da situação económica é muito explicada por simpatias partidárias, e há muita racionalização das respostas nos inquéritos, mas enfim).

Seja como for, se for mesmo verdade que os eleitores retiram muita da informação sobre a economia dos media, então o que há a esperar até 2009 é um combate ferocíssimo sobre a interpretação dos números. Aqui vai haver imenso trabalho e espero que detectem as contabilidades criativas de ambos os lados. E vai valer muito a pena reler este clássico.

quarta-feira, junho 04, 2008

Boas companhias

Um guitarrista: Jerry Garcia (um machado quando tinha 4 anos).

Dois presidentes: Lula da Silva (precisamente o mindinho da mão esquerda) e Boris Yeltsin (dois, aparentemente a brincar com uma granada).

Dois actores do cinema mudo:Buster Keaton e Harold Lloyd.

The famous outlaw Jesse James.

Claus von Stauffenberg.

E Galileo Galilei (post mortem, ao que parece).

Never trust a pollster


É todo vosso. Já me disseram que se pode fazer uma vida quase normal.

segunda-feira, junho 02, 2008

sábado, maio 31, 2008

Popularidade Líderes Políticos, Maio 2008

Com os resultados do Barómetro Marktest, cujo trabalho de campo terminou no dia 26 de Maio, fica aqui a actualização dos saldos de popularidade do Presidente e do Primeiro-Ministro (novo método de cálculo explicado aqui). A verde, Marktest. A azul, Eurosondagem. Linhas verticais: para o gráfico do Presidente, primeira sondagem após eleição de Cavaco Silva; para gráfico Sócrates, primeira sondagem após divulgação de caso Independente pelo Público.


Antecipação: o Público amanhã

Amanhã, em "O Público errou":

"No 'Sobe e Desce' de ontem, ilustrando um texto sobre José Oliveira e Costa, ex-presidente do BPN, colocámos a fotografia de Rui Oliveira e Costa, Director da Eurosondagem. Pelo sucedido, as nossas desculpas."

segunda-feira, maio 26, 2008

As sondagens do PSD

Ando para aqui a tentar fazer algum sentido das várias sondagens que têm saído sobre os candidatos à liderança do PSD. Olhemos para elas:

1. Eurosondagem, 23 a 29 de Abril. Universo do estudo: totalidade dos eleitores.
Questão:
- "Quem está em melhores condições para liderar o PSD?" MFL, 29%; PSL,25%; PPC, 15,5%; NSilva e PA: 3%. Não respostas: 14,5% (cálculo próprio).

2. Aximage, 5 a 9 de Maio. Universo do estudo: totalidade dos eleitores, mas percentagens entre os eleitores do PSD.
Questões:
- "Quem é o melhor candidato para a liderança do PSD?" (aparentemente, pergunta aberta, des resposta espontânea). MFL, 40,8%; PSL, 13,2%; Jardim, 7,5%; Menezes, 4,5%; PPC: 3%; Marcelo, 2,5%; Outro, 4,1%; Sem opinião: 23,4%.
- "Quem tem mais hipóteses de vencer eleições a Sócrates?". MFL, 64,1%; PSL, 20%; PPC, 5,8%; PA; 1,6%; NSilva, 0,1%; Outro, 0,3%; Indiferente, 1,5%; Sem opinião, 6,6%.

3. Intercampus, 16 a 20 de Maio. Universo do estudo: totalidade dos eleitores.
Questão:
- "Qual é o melhor candidato à liderança do PSD?". MFL: 43,3%; PSL, 20,2%; PPC, 19,2%; NSilva e PA: menos de 1%. Sobram cerca de 17%, que devem ser não respostas.
Perguntou-se também"qual dos candidatos é o melhor para enfrentar José Sócrates nas legislativas?", mas as notícias não têm as frequências. Diz-se também que MFL é também a preferida quando se olha apenas para o eleitorado do PSD, mas não são reportados resultados.

Alguns comentários:

1. Note-se como todas as sondagens foram feitas a amostras representativas da totalidade do eleitorado, não do "eleitorado PSD". Nalguns casos, reportam-se resultados da sub-amostra do "eleitorado PSD", mas as notícias não explicam como foi medido esse conceito (votantes em 2005, pessoas que declaram actual intenção de voto no PSD, simpatizantes do partido ou outra coisa?). Note-se que isto implica margens de erro amostral muito superiores às declaradas para a totalidade da amostra. A Aximage, bem, reporta-as: 8,1%. A dimensão de uma amostra aleatória para inferências com margens de erro de 8.1% anda pelos 150 inquiridos.

2. Há que ter muito cuidado com as comparações, seja porque os universos sobre os quais se estão a fazer inferências são diferentes (totalidade do eleitorado ou eleitorado PSD) seja porque as questões são distintas. Os resultados da Intercampus, quase um mês depois da sondagem da Eurosondagem, são mais lisonjeiros para MFL e PPC no que respeita à totalidade do eleitorado. mas o resto é muito difícil, para não dizer impossível, de comparar.

3. Uma indicação interessante na sondagem da Aximage: há 64% dos inquiridos que acham que MFL é a melhor para bater Sócrates, mas apenas 41% que acham que é a melhor candidata. Há diferenças no formato da respostas - fechado na primeira pergunta, aberto na segunda - mas isto sugere que MFL beneficia de um eleitor do PSD "estratégico": ela não é a "melhor possível", mas é a melhor num contexto de competição com o PS.

E uma questão para os juristas: isto que se segue é uma sondagem? E se não é, o que é? E independentemente do que seja, como se fizeram exactamente estas contas? A versão online do jornal não é muito informativa a este respeito.

Ferreira Leite e Passos Coelho disputam vitória ombro-a-ombro
Por Sofia Rainho
Manuela Ferreira Leite e Pedro Passos Coelho disputam ombro-a-ombro a liderança do PSD, de acordo com uma contagem de espingardas, distrito a distrito, feita pelo SOL. Passos Coelho parece assim recuperar terreno, depois do enorme favoritismo atribuído à partida a Ferreira Leite. Santana Lopes fica-se, por ora, pelo terceiro lugar

quinta-feira, maio 22, 2008

Politólogo

Substantivo masculino. Estudioso ou especialista de ciências políticas. 

Vem no Dicionário de Língua Portuguesa da Porto Editora. A ver se isto ajuda Constança Cunha e Sá a poupar nas aspas. A não ser que, em conjunto com as longas citações, tenha sido para chegar o mais depressa possível ao limite de caracteres. E eu compreendo, oh se compreendo. Há dias em que não apetece nada escrever.

sexta-feira, maio 16, 2008

Referendo Irlanda




Treaty “No” vote remain a threat
In order to better understand where campaigners need to concentrate their efforts we have looked in more detail at the poll results. This more in depth analysis of voting intentions, suggests that those more likely to vote No tend to come from younger 18-44 year old male social demographic groups where, when re-proportioned to exclude Don’t Knows, the No vote wins out with more than half (54%) of voters claiming they will vote No. While those living in Connaught and Ulster regions are also far more likely to state they will vote No. It is these groups perhaps that the Yes campaigners need to target for conversion, and also that the No campaigners need to encourage to turn out to vote. In terms of further education on the issues involved in ratification of the Lisbon Reform Treaty, it appears that middle aged 25-44 female social demographic groups are most likely to state that they don’t know how they will vote, with almost half (49%) claiming this is the case. As such both campaigns will need to target this important group in an aim to win over potential floating voters.

quinta-feira, maio 15, 2008

Shameless plug

Sugiro uma visita ao site do novo Doutoramento em Ciência Política da Universidade de Lisboa. É um verdadeiro 3º ciclo, com uma forte componente curricular, mas que ao mesmo tempo permite a cada aluno que vá desenhando a forma como quer navegar pela Teoria Política, pelo Direito e pela Ciência Política empírica ao longo da sua formação. E confesso que fiquei surpreendido pela forma como foi fácil juntar a Faculdade de Direito, a Faculdade de Letras e o Instituto de Ciências Sociais neste projecto. Acho que vai valer a pena. Vão lá dar uma vista de olhos.

quarta-feira, maio 14, 2008

Jovens e política, 3

Jovens e política, 2

Sugestão de leitura: a página da National Foundation for Educational Research do Reino Unido sobre educação para a cidadania. É ler e comparar com o que faz por cá. Exemplo:

Citizenship at key stages 1 and 2 (Year 3-6). Unit 08: How do rules and laws affect me?

About this unit
In this unit, children learn about rules and how laws are made in a democracy. They develop their appreciation of why we need rules to protect rights and how they help us - at home, at school and in our wider communities. They discuss class and school rules and learn how to make suggestions and changes through the class or school council. They find out about the work of Parliament and MPs in creating and changing laws, and about the importance of discussion and debate. They take part in preparing and presenting arguments on topical issues. Using examples, children reflect on the variety of personal choices they can make and consider rights and responsibilities. They consider coercion and peer influence and explore the consequences of breaking the law. Children reflect on their learning and devise a poster to communicate what they have found out.


Depois não se admirem.

terça-feira, maio 06, 2008

Sobre o estudo do ICS sobre sexualidade

Recordava-me deste post de Eduardo Pitta e acabo de vir (foi só subir as escadas) da apresentação dos resultados do estudo pelo Pedro Moura Ferreira. Há uma clarificação importante a fazer. Em relação àquilo que EP menciona no post, falta um ponto na escala que foi realmente aplicada no inquérito: "nunca erradas". E o mais interessante - confirmando, de resto, o que EP sugere no post - é que as categorias intermédias são residuais: as respostas mais frequentes são "totalmente erradas" e "nunca erradas", sendo que a primeira é a moda (no sentido estatístico de ser a opção mais escolhida, claro). Assim, sobre o uso desta escala, e sobre as suas consequências sobre o "pretenso rigor do estudo" (e sem querer ser "caseiro") acho que a conclusão de EP é algo precipitada, fruto eventualmente da notícia que lhe serviu de fonte.

Outro ponto relevante: quer em relação à homossexualidade feminina quer masculina, as mulheres escolhem a opção "nunca erradas" mais frequentemente que os homens. O oposto sucede, por exemplo, em relação à infidelidade. E entre os mais jovens, a escolha do "nunca erradas" é mais frequente em ambos os casos. Tudo previsível.

segunda-feira, maio 05, 2008

Leituras e limites das sondagens

Algumas coisas com as quais tendo a concordar:

Sondagens & afins, no Origem das Espécies.

Sondagens & sondagens, no Tempo das Cerejas.

Em jeito de reciprocidade, no Lugares comuns.

Estudos de Mercado e Profecias Auto-Realizáveis, no Dissonância Cognitiva.

Apesar de tudo e do pessimismo de Vítor Dias, a verdade é que não me recordo de, antes da blogosfera, haver sítios onde se discutissem publicamente estes assuntos. Menos mal.

segunda-feira, abril 28, 2008

Fundação Vox Populi

Luis Queirós, da Marktest, e a sua mulher, Paula Queirós, criaram uma fundação sem fins lucrativos, chamada Vox Populi, com objectivos que "visam a prossecução e difusão das boas práticas aplicáveis à exegese dos estudos de opinião, ao desenvolvimento de investigação científica, académica e de cidadania, vocacionado para o estudo das comunidades portuguesas espalhadas pelo Mundo, na perspectiva de incentivar e promover a defesa da sustentabilidade e do progresso social e ambiental."

É uma boa notícia.

Jovens e política

Já não é novidade para ninguém que o Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Católica, que dirijo, fez o estudo mencionado pelo Presidente no discurso do 25 de Abril. O estudo já foi muito comentado e não serei eu nem o Jesus Sanz, co-autores, que o vamos comentar para já. Os dados são passíveis de muitos tratamentos mais exaustivos e sofisticados, que tencionamos fazer. E estamos disponíveis para todos os esclarecimentos. Mas o que tínhamos para dizer para já, e com o tempo disponível, está lá, e agora cabe a outros dizerem o que muito bem entenderem.

No entanto, fica aqui de novo a ligação ao documento completo. Só faço isto para notar que muito do que tenho lido sobre o tema sugere que, quem comentou, não leu. Ou se leu, interpretou mais aquilo que já pensava sobre o assunto do que aquilo que o estudo realmente sugere.

quarta-feira, abril 23, 2008

Pennsylvania,3


Mas apesar disso, ainda não podem vir cortar. Eu aviso quando chegar a altura.

Pennsylvania, 2

A propósito da campanha Clinton na penúltima NYRB. Lembrei-me muito de mim e do meu dedinho:

The Clinton campaign's false assumption—based on a 350-page, state-by-state study in the summer of 2007 by key strategist Mark Penn—that Clinton's victory was "inevitable" led to a series of mistakes: (1) presenting herself as the "inevitable" nominee; (2) prematurely running a general election campaign; (3) assuming that the race would be over on February 5—Super Tuesday; and (4) believing that a number of small states that held caucuses could be skipped. And if Penn's strategy didn't work there was no Plan B. It's never a good idea to have a pollster in an important policy position in a campaign, since he or she can design the polling to get the answers he or she wants, as some believed Penn had done in the Clinton White House.

Pennsylvania

As sondagens portaram-se geralmente bem. Clinton tem mais um balão de oxigénio. A possibilidade de ainda vir a chegar a uma maioria dos votos é algo distante, mas existe. Continua tudo em aberto. Já o bem ou mal que isto faz à candidatura democrata, seja ela qual for, é outra conversa.

Outlier: só uma ideia

A propósito da "meada de calculismos" no PSD de que fala Rui Ramos hoje no Público, há um tema sobre o qual, no dia de hoje, e nos dias de hoje, seria bom voltarmos a ouvir as opiniões da candidata Manuela Ferreira Leite:

Ferreira Leite desaconselha temas da regionalização e referendo europeu
"Outra questão que não deve ser abordada pelos sociais-democratas, acrescentou Manuela Ferreira Leite, é o referendo ao Tratado da união Europeia. 'A questão devia ser deixada ao PS. Qual o interesse do PSD em ter uma campanha em que andará de braço dado com o PS? É tudo o que menos nos interessa', referiu.


sexta-feira, abril 18, 2008

As sondagens e o PSD

É impressionante o papel que as sondagens desempenham na vida do PSD. É certo que é difícil dizer até que ponto a derrota de Mendes ou a demissão de Menezes se devem aos maus resultados que um e outro tinham nas sondagens que antecederam imediatamente os dois eventos: afinal, quer os resultados dessas sondagens quer a derrota/demissão são ambos consequência de coisas mais profundas e menos visíveis. Mas é impossível não acreditar nalgum papel independente dos resultados das sondagens no processo: não só elas são constantemente mencionadas pelos agentes como arma de arremesso (até António Borges falava ontem das ditas) mas os acontecimentos sucedem-se em aparente ligação directa à divulgação dos resultados. O PSD é também o partido, de longe, que mais se agita publicamente com as sondagens, como este exemplo ilustra bem, para já não falar das obsessões permanentes com a comunicação social e a sua "independência". Para Durão Barroso, poucas coisas foram tão nefastas à sua consolidação como líder do partido como as sondagens que davam a vitória ao PS de Guterres, mesmo depois de 1999.

O que talvez diga alguma coisa sobre a natureza do partido. O PSD tem muitas semelhanças com o PS, e não as quero desvalorizar. Mas enquanto o PS tem apesar de tudo, facções internas divididas por conflitos em cuja base ainda se vislumbram fundamentos ideológicos, o PSD transformou-se em nada mais do que uma máquina para (tentar) ganhar eleições e converter votos em lugares políticos. Tudo, absolutamente tudo, depende da capacidade da liderança do momento para fazer esta máquina funcionar. É fascinante, e também algo deprimente. E note-se: dá à comunicação social - para já não falar dos institutos de sondagens - um poder sobre a vida do partido que, enfim, é capaz de ir um bocado para além do saudável.

PSD

Há uns dias, recebi um e-mail de uma jornalista que me pedia um depoimento em resposta à pergunta "O PSD pode desaparecer?". Estava fora do país e cheio de trabalho, entre aulas e conferências, e ao ler o e-mail de relance achei a pergunta algo despropositada e não lhe respondi (sorry). Mas pensando melhor...

quinta-feira, abril 17, 2008

Berlusconi

Tem-se falado muito por aí nos blogues sobre a forma como a classe jornalística portuguesa (essa corja de esquerdistas radicais) tem decidido ignorar, minimizar ou relativizar a vitória de Berlusconi em Itália. Eu até percebo a ideia. Mas para além de me fazer lembrar um bocado a ladainha do Partido Republicano sobre o media bias liberal generalizado nos Estados Unidos - uma "verdade" auto-evidente que tende a ser desmentida sempre que o assunto é abordado com um mínimo de seriedade - receio que leve a que se ignorem os óptimos exemplos. Com algum atraso, remeto para o artigo da passada 3ª feira de Jorge Almeida Fernandes. E se o faço é também para aproveitar para dizer que não me recordo de ter alguma vez lido um artigo de Jorge Almeida Fernandes que não fosse inteligente, ilustrado e objectivo. Caso raríssimo entre aqueles que escrevem nos jornais com regularidade, incluindo, receio bem, este que vos escreve estas linhas.

segunda-feira, abril 14, 2008

Itália 2

Primeiros resultados das sondagens à boca das urnas: 2 pontos de vantagem na câmara baixa, 3 no Senado, em ambos os casos para o Pdl de Berlusconi. Menor vantagem, portanto, do que aquilo que as sondagens de há duas semanas atrás sugeriam.

19.00: mas algumas horas depois (estive numa longa reunião), parece afinal que a vantagem anda pelos 4 pontos para o Pdl, 8 pontos para a coligação. Como sucedeu há dois anos, as sondagens à boca das urnas em Itália não são para ser levadas demasiado a sério...

Itália

Daqui a 30 minutos começam a cair os resultados das sondagens à boca das urnas. As últimas sondagens - divulgadas a 15 dias de distância - davam cerca de 5 pontos de vantagem para Berlusconi. Importa no entanto recordar que, em 2006, a vantagem dada pelas sondagens à Unione sobrestimou a que veio a ser a vantagem real. Há um paper na net sobre o assunto. O que significa uma de três coisas:

- as sondagens italianas sobrestimam o voto do vencedor;
- as sondagens italianas sobrestimam o voto da esquerda;
- as eleições de 2006 não servem para fazer inferências a este respeito.

Ficamos na mesma, portanto. Mas já falta pouco.

sexta-feira, abril 11, 2008

Um momento para ponderarmos possíveis dúvidas sobre as teorias do eleitor racional

As sondagens, 2

Deixo aqui também as mais recentes sondagens de cada instituto sobre intenções de voto, assinalando apenas as "estimativas de resultados eleitorais", ou seja, a forma como cada instituto entendeu apresentar os seus resultados de forma comparável com os resultados de eleições. Excluo a Aximage, apenas porque os resultados tais como os conheço não permitem distinguir indecisos e votos noutros partidos, brancos ou nulos.




Passou mais de um mês entre a sondagem do CESOP e a da Eurosondagem e há diferenças importantes quer na inquirição quer na amostragem e posteriores ponderações dos resultados. Mas a ordem dos partidos é igual nas três e as mensagens genéricas também: o PS lidera claramente mas está aquém da maioria absoluta; o PSD não passa dos trinta e muito poucos; os partidos à esquerda do PS somam perto ou acima dos 20%; o CDS-PP é o 5º partido.

As sondagens, 1

Com as mais recentes sondagens Marktest e Eurosondagem, podemos actualizar os gráficos habituais. Algumas alterações:

1. Os resultados de Mendes e Menezes num mesmo gráfico, assinalando o momento da mudança;
2. Os resultados de Sampaio e Cavaco num mesmo gráfico, assinalando o momento da mudança;
3. O saldo de popularidade pondera agora as não respostas, da seguinte forma:
(%Positivas-%Negativas)*(1-Não respostas ou indiferentes/100).








É fácil verificar que:

1. Depois de comparativamente baixos valores iniciais, Cavaco converge em valores elevados, semelhantes aos de Sampaio em final de mandato.
2. Discrepâncias Eurosondagem e Marktest para o caso de Sócrates; independentemente disso, não parece ainda possível dizer que a tendência é outra que não a de descida, iniciada após divulgação do caso "Independente";
3. Eleição de Menezes interrompeu tendência de descida para líder do PSD, mas as últimas sondagens Marktest sugerem nova descida, colocando hoje Menezes no ponto onde Mendes estava no 1º semestre de 2007.

quarta-feira, abril 02, 2008

Divertimento de alta qualidade

Aqui.
(Só uma correcção, irrelevante para o caso: o grupo que representa 50% da população é o que tem conhecimentos de economia e de matemática abaixo da mediana. Sou constitucionalmente obrigado a assinalar estas coisas.)

The "bumbling nincompoop" versus "the killjoy Stalinist"

Boris tem 47%, contra 37% de Ken Livingstone. Mr. Livinsgtone está desgostoso com as sondagens. Como não: 1/5 dos que se identificam com os trabalhistas tencionam votar Boris. Ken ainda não percebeu que, para um cargo sem poder, o melhor é arranjar um tipo que dê para distrair.

segunda-feira, março 24, 2008

Outlier: O Museu Broad

Com as leituras atrasadas, só agora cheguei a um artigo da NYRB sobre um novo museu integrado no Los Angeles County Museum of Art (LACMA), o Broad Contemporary Art Museum. "Broad" (lê-se como "road") é o nome de um senhor chamado Eli Broad, um bilionário americano que fez fortuna com negócios imobiliários e com forte pendor para a filantropia. O senhor Broad e a sua mulher Edythe têm uma colecção de arte contemporânea muito boa (ou pelo menos com coisas muito caras de nomes muito conhecidos), sendo que a maior parte das peças pertence a uma fundação com o seu nome, cuja missão consiste em emprestar arte contemporânea a museus públicos. So far so good.

Sucede que o senhor Broad achou que seria ainda melhor se tivesse um local onde pudesse mostrar em permanência muitas das suas valiosas peças. Deu então 56 milhões de dólares (cerca de 1% da sua fortuna) ao LACMA, instituição a cujo board of directors já pertencia, para construir um novo museu, com o seu nome, desenhado por um arquitecto por si escolhido (Renzo Piano). Entretanto, a directora do LACMA foi ejectada da instituição, ao que parece devido a conflitos com...Broad. A coisa construiu-se, e Broad comprometeu-se a gastar mais 10 milhões em aquisições.

Contudo, um mês antes da inauguração, o senhor Broad anunciou que, afinal, em vez de doar as obras ao LACMA, vai apenas emprestá-las, ao abrigo do modelo genérico que já tinha adoptado para a sua Fundação, sendo que todos os custos de operação são a cargo do LACMA, ou seja, dos contribuintes californianos. No NYRB, a coisa comenta-se assim:

The Los Angeles County Museum of Art receives substantial public funds and many of its staff members are civil service employees of Los Angeles County. Thus the parties who acceded to Broad's de facto privatization of a big chunk of LACMA—the cultural equivalent of a leveraged buyout, or taking a public company private—have done a grave disservice to the taxpayers of the county, who, whether they like it or not, will be footing the bill for much of Broad's monument to himself. It has long been customary for benefactors rich enough to have a museum named after them to provide an endowment for the upkeep of the building in perpetuity. The annual expense of such unglamorous necessities as utilities, cleaning, maintenance, guards, liability insurance, and other carrying charges is so daunting that many collectors who fantasized about founding a private museum have fallen into the arms of established institutions once they realized what autonomy would cost them. Strange as it may seem to those unfamiliar with the ways of American museums, art world veterans agree that Eli Broad pulled off an enviable deal for approximately $60 million.

Ao que parece, o edifício está muitos furos abaixo de anteriores museus de Renzo Piano. E a opinião do NYT sobre a exposição é a que se pode ler abaixo:

The works are intended to reflect the Broads’ penchant for collecting in depth. But the accumulation reads foremost as a display of pricey trophies, greatest hits of the present and recent past.

Enfim, coisas que acontecem muito longe daqui.

Obama e o Pastor, 2

Começa a formar-se um consenso nos analistas sobre uma mudança na campanha, como consequência do caso Wright. Leiam-se os títulos ou passagens dos artigos (e também os próprios, de preferência):


So Much for the "Post-Racial" Candidate

Wright Has Altered the Dem Race

Ou até a descoberta de que:

Racial Problems Transcend Wright

E etc. Tudo isto, claro, coexiste com muitas outras análises que sugerem a impossibilidade de uma vitória de Clinton:

Her own campaign acknowledges there is no way that she will finish ahead in pledged delegates. That means the only way she wins is if Democratic superdelegates are ready to risk a backlash of historic proportions from the party’s most reliable constituency. Unless Clinton is able to at least win the primary popular vote — which also would take nothing less than an electoral miracle — and use that achievement to pressure superdelegates, she has only one scenario for victory. An African-American opponent and his backers would be told that, even though he won the contest with voters, the prize is going to someone else. People who think that scenario is even remotely likely are living on another planet.

O que dizem as sondagens? Várias coisas importantes:

1. Nas preferências nacionais dos Democratas, Obama ainda lidera, mas Clinton recupera nos últimos dias.

2. O cenário para as próximas primárias parece fundamentalmente inalterado. Clinton é favorita na Pennsylvania e em West Virginia, enquanto Obama é favorito na Carolina do Norte. Mas aqui - muito importante - a coisa já esteve menos tremida (vejam as sondagens mais recentes) e falta muito tempo.

3. Independentemente disto, como se sabe, ninguém terá a maioria dos delegados. São os superdelegados que decidem. Quem vai ter a maioria dos delegados eleitos (Obama, certamente) e/ou a maioria dos votos (Obama ou Clinton, a grande questão) pode ser o argumento.

4. E a elegibilidade de Obama sofreu, nos últimos dias, um abalo. Nas sondagens nacionais, Clinton bate McCain (por uma unha negra) mas McCain bate Obama (por uma unha negra também).

Mesmo se for verdade que Obama já não pode perder a nomeação Democrata (um grande "se"), então também é verdade que, para McCain e os Republicanos, o aparecimento de Wright foi a melhor coisa que lhes poderia ter acontecido. Mas claro, a ideia de que este candidato poderia ser "pós-racial", particularmente nos estados do Sul, já tinha sido desmontada há algum tempo (ver ponto 1).


quarta-feira, março 19, 2008

Cinco anos amanhã


Fonte: Gallup





Obama e o Pastor

A história é conhecida: divulgadas as declarações do padre da paróquia onde Obama pertence, Obama distanciou-se do conteúdo, mas não da personagem. Em que ficámos? A CBS tem uma sondagem. A maioria diz não ter mudado de opinião sobre Obama. Entre os que mudaram, a mudança é negativa, mas é difícil dizer que isto produz efeitos relevantes. Entre os Democratas, ainda fez menos diferença.

E no entanto:

A tendência já vinha de trás. Mas a sondagem Rasmussen mais recente tem más notícias para Obama.

May Boris be With You

E em Maio, a Câmara de Londres. Boris Johnson, MP, partiu de trás mas está neste momento à frente nas sondagens, em parte, sem dúvida, devido ao apoio dos motociclistas e aos feridos da Guerra do Iraque.Quatro anos de divertimento garantido, é o que é.

Itália

A 13 de Abril haverá eleições legislativas em Itália, dois anos depois das últimas, ganhas por uma unha negra pela Unione liderada por Prodi. Mas a coligação mal resistiu em 2007 a uma votação sobre o envio de mais tropas para o Afeganistão, um mero sintoma, de resto, de problemas muito mais profundos, que se confirmaram na derrota na moção de confiança em Janeiro passado.

Desta vez é Berlusconi contra Walter Veltroni, líder do Partido Democrático. Veltroni quebrou a coligação e reconstituiu um outra, em versão reduzida, desta vez com os Radicais e a o partido de Di Pietro. Os comunistas e os verdes fizeram a sua própria coligação, La Sinistra - L'Arcobaleno (é bonito). Berlusconi lidera um partido de designação não menos encantadora: Popolo delle Libertá. Nem vou fazer de conta que percebo um décimo desta confusão e do que está por detrás dela.

Mas há sondagens, todas depositadas aqui. Há 16 sondagens até agora neste mês de Março. A soma das percentagens do PD (Veltroni)+IV (Di Pietro) anda, em média das sondagens realizadas em Março, pelos 36,7%, enquanto a média da soma das percentagens do PdL, Liga Norte e MPA (a coligação Berlusconi) anda pelos 43,9%. Tudo muito estável. No Economist, sofre-se:

The Economist Intelligence Unit now expects Silvio Berlusconi to be Italy's next prime minister. His coalition is still largely intact, which means he is likely to win the bonus seats under the existing electoral laws. His government is likely to be at least as unstable and ineffective as his previous one (2001-06), which did little to reform the economy.

Pois.

segunda-feira, março 10, 2008

Espanha

Um vírus (não informático) ou outro bicharoco qualquer que atacou metade da família (a minha metade) nos últimos dias impediu-me de dar a justa atenção ao caso das eleições espanholas. Constato, contudo, que do ponto de vista dos resultados, acabou por não suceder nada que obrigasse a uma revisão disto. E que do ponto de vista da sua interpretação política, não aconteceu nada que me leve a rever isto. O PP não parece ter perdido tanto como merecia, ou tanto como precisava, para se poder renovar e abrir espaço para figuras como esta. Mas vamos ver os próximos dias: pode ser que me engane.

P.S.- Nos órgãos de comunicação social portugueses, a precipitação habitual quando se trata de interpretar as sondagens estrangeiras. De que parlamento com menos de 350 deputados estavam a falar as pessoas que escreveram isto ou isto?

quarta-feira, março 05, 2008

Famílias

Das duas uma: ou depois de quatro anos a escrever nos jornais ainda ninguém faz a mais pequena ideia sobre qual é a minha"família" política; ou esse é um assunto que não interessa a ninguém. Inclino-me para a segunda hipótese.

Clinton

O meu dedinho, que se bem se recordam tem em risco a sua ligação à minha mão à conta de uma previsão apressada, respirou de alívio, pelo menos para já. Clinton ganhou TX, OH e RI, e tem apenas menos 300.000 votos e 130 delegados que Obama. Tem-se dito que os superdelegados - que, já se sabe, vão ser decisivos -votarão com a maioria. Certo. Mas a maioria de quê: votos ou delegados eleitos?

segunda-feira, março 03, 2008

Popularidade Líderes Políticos Fevereiro 2008

A Marktest deixou, aparentemente, de trabalhar para a parceria DN/TSF, mas continua a conduzir o seu barómetro político, cujos resultados podem ser consultados aqui. Saiu também, entretanto, uma sondagem da Eurosondagem. A evolução da popularidade dos líderes dos dois principais partidos e do PR é apresentada nos gráficos seguintes (saldo % opiniões positivas-% opiniões negativas). As linhas são curvas de regressão local, à excepção de Menezes (insuficientes observações):




Nem tudo o que está aqui é congruente entre si (permanece a enorme discrepância entre Mkt e Euro no que respeita ao PM) ou com os resultados do último estudo do CESOP. As convergências são:
1. Cavaco paira sobre os líderes partidários;
2. Avaliação de Menezes degrada-se.

As dúvidas:
1. Avaliação de Sócrates maioritariamente positiva (Eurosondagem) ou negativa (CESOP, Marktest)?
2. Sócrates melhor (Eurosondagem, CESOP) ou pior (Marktest) avaliado que Menezes?
3. Sócrates estável ou recupera desde Outubro (Eurosondagem, CESOP) ou continua a declinar (Marktest)?

Note-se que os resultados do CESOP não são directamente comparáveis com os outros, porque no questionário se pede aos inquiridos que façam uma avaliação de 0 a 20 para os líderes, enquanto que os restantes perguntam se avaliam positiva ou negativamente a sua actuação.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

CESOP, 23-24 Fevereiro

Tinha prometido aqui um site novo para o CESOP com divulgação dos resultados das sondagens político-eleitorais. Estamos atrasados. Não somos os únicos, a julgar pelos bancos de dados (vazios ou desactualizados) dos sites dos institutos espanhóis, mas isso consola-me pouco. Seja como for, parte da promessa pode ser cumprida pela porta do cavalo: se clicarem aqui, descarregam o relatório-síntese da sondagem (.pdf), com a respectiva ficha técnica, formulação das perguntas e principais resultados. Em breve, espero, haverá maneira de transmitir informação mais detalhada.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Espanha

Como vão as coisas com os nossos vizinhos? Bem, sondagens não faltam:

1. O Instituto Opina tem o que me parece ser uma tracking poll telefónica, divulgando resultados diariamente. Na última sondagem (dia 25), PSOE liderava com 4 pontos (44/40), como resultado de subida recente.

2. O Publiscopio, para o Publico (o deles), vai apresentando também as suas sondagens. Na última (dia 21), 42,8% para o PSOE, 40,4% para o PP:

3. Demometrica, para a TeleCinco: 44,2% PSOE, 38,6% PP.

4. Noxa, para a La Vanguardia: 4 pontos de vantagem para o PSOE.

5. DYM, para ABC: 42/39,2, para o PSOE.

6. Metroscopia, para o El Pais: 42,3/38,6, para o PSOE.

Todas estas sondagens são anteriores ao debate, pelo que os seus efeitos são impossíveis de estimar, mas as sondagens "flash" realizadas após o debate deram vitória (por pouco) a Zapatero, um facto de interpretação difícil e contestada (geralmente, as opiniões prévias condicionam completamente a análise do "vencedor" dos debates).

Em suma, PSOE lidera as intenções de voto em todas as sondagens, e nunca deixou de o fazer desde as últimas eleições, sobre isto creio que ninguém tem dúvidas. Análises aqui e aqui.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

SEDES 2

Resta talvez dizer que o indicador "confiança nas instituições", especialmente no Governo e no Parlamento, se encontra altamente "contaminado"/"determinado", a nível individual por percepções do estado da economia ou do desempenho do governo, e a nível agregado pelo crescimento económico. Pelo que as diferenças mais interessantes são as que se detectam entre países - relativamente estáveis - do que entre períodos temporais num mesmo país - muito afectadas pela conjuntura. Há grande controvérsia sobre a existência de tendências "seculares" de diminuição ou crescimento da confiança nas instituições.

SEDES

Estive fora, e dou-me conta quer um dos temas da semana foi uma "tomada de posição" da SEDES onde se assinala, entre outras coisas, que se tem "acentuado a degradação da confiança dos cidadãos nos representantes partidários, praticamente generalizada a todo o espectro político."

O que dizem os dados disponíveis sobre este assunto? As séries mais longas são dadas pelo Eurobárómetro, que vem colocando as mesmas questões sobre a confiança no parlamento nacional, no governo e nos partidos políticos desde 1997, pedindo aos inquiridos que digam se "tendem a confiar" ou se "tendem a não confiar" em várias instituições. Os gráficos seguintes mostram a evolução em Portugal até Outubro de 2007 da percentagem de inquiridos que diz "tender a confiar", aplicando uma regressão linear simples para detectar tendências:






As indicações mais clara de "degradação da confiança" residem nas atitudes em relação ao Governo. Mas essa "degradação" começa, note-se, em 2002. E analisando os dados ponto a ponto - sempre arriscado, dado o erro aleatório associado a inquéritos usando amostras - atinge o seu ponto mais baixo em 2004, tendo recuperado, ainda que ligeiramente, desde então. Só o mais recente inquérito - final de 2007 - dá sinais de nova descida, mas esses sinais terão de ser confirmados no Eurobarómetro desta Primavera. No que respeita ao Parlamento, as tendências são semelhantes, mais atenuadas, se bem que a última descida seja mais abrupta. E no que respeita aos partidos, a estabilidade é total.

Os dados do European Social Survey têm uma vantagem e uma desvantagem. Por um lado, resultam de inquéritos face a face, realizados com grande rigor do ponto de vista da selecção da amostra, e logo muito mais fiáveis do que o Eurobarómetro. As séries, contudo, são muito mais curtas. Seja como for, os dados são os seguintes. Para cada objecto - Governo, Partidos e "Políticos", a percentagem de inquiridos que se colocam na metade superior de uma escala de 11 pontos - entre 0 e 10 - em que 0 significa que "não têm confiança nenhuma" e 10 que têm "total confiança":

Parlamento
:
2002: 28%
2004: 19%
2006: 21%

Partidos
:
2004: 4%
2006: 7%

Políticos
:
2002: 8%
2004: 4%
2006: 7%

Os valores, especialmente para partidos e políticos, são baixíssimos do ponto de vista comparativo. Mas por outro lado, não se percebe muito bem de que fala a SEDES quando menciona que se "acentuou a degradação da confiança". Qual o ponto de comparação? Se é 2002, a afirmação é porventura correcta. Mas se é 2004, é incorrecta. E se se referem aos resultados do último Eurobarómetro (EB68, Outono de 2007), então deveria ter havido mais cuidado, dado que um único estudo dificilmente autoriza diagnósticos tão categóricos.

Não me entendam mal. Simpatizo com a SEDES e até tenho estima particular por alguns dos signatários da "tomada de posição". Mas da mesma forma como ninguém se atreveria a fazer afirmações sobre a evolução da economia sem olhar para os dados disponíveis, surpreende-me a facilidade com que se fazem afirmações sobre atitudes políticas sem olhar para os dados disponíveis que, felizmente, já vão sendo cada vez mais abundantes.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Jay Cost

Jay Cost, em dois posts recentes, faz a melhor análise dos dados disponíveis sobre o comportamento de voto nas primárias Democratas até ao momento, na minha opinião. Se posso resumir, é assim:

1. Os factores que afectam o melhor desempenho de um ou outro candidato são identificáveis. Clinton tem melhores resultados em estados onde os rendimentos são mais baixos, mais racialmente heterogéneos, no Sul, com maiores taxas de sindicalização, mais população Católica e mais população branca. O facto desta conclusão ser obtida com uso de análise estatística multivariada é importante: tem sido dito que Obama se tem revelado um melhor candidato para ganhar os estados do Sul. Mas isso sucede apenas porque estes estados têm mais população negra, que tende a votar nele em grandes números. Quando controlamos esse efeito, o que vemos é que:

There is evidence that Obama wins Independents, African Americans, white males in the North, "upscale" white voters, and white voters in homogeneously white states. He also seems to do well in caucus states where enthusiasm is a factor. There is evidence that Clinton wins Democrats, Hispanics, white females everywhere, white males in the South, "downscale" white voters, Catholics, and white voters in heterogeneous states.

Os brancos no sul (e o Sul, independentemente de composição racial) votam mais Clinton que Obama.Quando pensamos bem, claro que não podia ser de outra maneira.

2. A última série de vitórias de Obama teve lugar em estados cujas características se encaixam perfeitamente no perfil de eleitores que até agora tem votado nele:

These contests are tailor-made for a candidate that fuses the coalitions of Hart and Jackson, and one who inspires tremendous enthusiasm among his supporters. Given the voting coalitions that have formed over the last month and a half, Clinton never really stood a chance in any of them. African Americans drove Obama's victory in Louisiana. In the District of Columbia, Maryland, and Virginia, African Americans combined with wealthy whites to secure him victory. In Maine, Nebraska, and Washington - Obama took advantage of largely homogenous white populations and caucus contests to secure victory.

Logo, se isto não exclui a possibilidade de que esteja o "momentum" a seu favor em jogo, a explicação das vitórias recentes não precisa desse "momentum".

3. Quando olhamos para os estados que faltam, as suas características são menos desfavoráveis para Clinton:

All in all, this implies a rough parity from here until the end of the primary season. Approximately speaking, neither candidate seems to have an advantage in the remaining contests. So, my suggestion to readers is not to get caught up in the "Obama is inevitable" storyline. Minimally, we should all remember how well the "Clinton is inevitable" storyline worked out five months ago!

4 .Mas atenção:

Again, these considerations assume stable voting coalitions, and therefore an absence of momentum. This assumption might not hold. If it does not, what we will see is Clinton start to lose portions of her strongholds, or Obama consolidating support in his.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Exit polls

Maryland:


Virginia:

Posso estar enganado. Mas acho que são as primeiras primárias em que Obama ganha quer entre homens quer entre mulheres, e até entre hispânicos (se bem que a diferença não seja estatisticamente significativa) e brancos (Virginia). A coisa está a ficar muito difícil para Hillary, assim como para o meu dedinho que adivinha(va).

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Um mau bocado para Clinton (actualizado)

Tudo indica que Clinton, depois de ter evitado ficar completamente submersa pela avalanche Obama, vai passar agora um mau bocado. Amanhã temos Nebraska, Louisiana e Washington. Os dois primeiros deverão ser para Obama e no terceiro a sondagem mais recente também o favorece. Depois vem Maine (hipótese), mas seguem-se logo DC e Maryland, que não devem escapar a Obama. Virginia é a possibilidade de Clinton voltar à tona (mas já nem isso é seguro). São muitos estados a levar pancada.

Entretanto, agora que já se sabe quem é o candidato Republicano, a questão que começa a tornar-se fundamental é qual, Obama ou Clinton, poderá derrotar McCain. E aí as sondagens - independentemente do que acharmos sobre a sua fiabilidade - estão a enviar um sinal: Obama bate McCain; Clinton just maybe.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

E 90 milhões de dólares depois...

“I must now stand aside, for our party and our country,” Romney, a Michigan native and son of the late governor George Romney, told the Conservative Political Action Conference in Washington in prepared remarks this afternoon.

Post mortem

No Insurgente, faz-se um post mortem da minha "previsão", feita no fim de Dezembro, de que a 5 de Fevereiro, após a Super Tuesday, "já estará tudo decidido quanto aos candidatos à presidência de cada partido".

Mas se posso ainda estrebuchar um bocadinho, não creio que o problema seja o de dar demasiado peso à informação passada. A previsão até tinha algumas pernas para andar em abstracto, e não apenas enquanto mera pressuposição de que o passado se iria repetir: em suma, havia muita coisa escrita e explicada sobre o fenómeno do "momentum". Se a isto adicionássemos a concentração de tantas primárias num só dia, havia boas razões para supor que tudo estaria resolvido.

Mas não foi assim. A resposta fácil é the Obama surprise. É fácil, mas não é má de todo. É tão boa, aliás, que no próprio Insurgente se presumia que, após a Super Tuesday, o que iria ficar por resolver era o problema dos Republicanos, e não dos Democratas. Foi o contrário, claro.

A resposta que me é menos fácil dar - mas tenho de dar - é que não tomei em conta a proporcionalidade na distribuição dos mandatos nas primárias Democratas. Se o sistema fosse como o Republicano, a vantagem de Clinton - com Califórnia, NY, NJ e Mass. no bolso- já seria bastante mais expressiva.

E é capaz de haver outras. Já a ideia de que há "poucas observações" no passado, avançada nos comentários ao post, me parece menos interessante. Se a ideia é apenas fazer indução, então as séries são sempre curtas. E por muito longas que sejam, há sempre um cisne negro à espreita depois de vermos muitos cisnes brancos. No pun intended.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Análises para todos os gostos...

...dos politólogos americanos de serviço durante a madrugada, aqui. Exemplos:

Clinton +:

"Obama thought that if he could win one of the big ones, he could end it tonight," said Sandy Maisel, Colby political scientist. "He's shown he is viable, but I don't think he has proven he can knock her off yet."

I was beginning to feel optimistic," said Notre Dame political scientist Darren Davis. "I bought into the fascination with Obama as the primary season went on." Obama's success winning support from blacks, independents, the college educated and young voters is "all well and good, but not significant enough to counteract the traditional Democratic base."

Obama +:

"I think Obama is pretty well positioned, although he did not get the real hits on Clinton that he wanted, like NJ or CA," said [Norman] Ornstein. "He now enters a stretch for three weeks where he will do well and she will not -- he could win all of the contests before March 4. And in Texas, an open primary may help him. Add to that his substantial money advantage and the momentum he brought into tonight, and he is very, very viable."

""It seems clear to me that Obama is viable. His appeal is broad and national in scope," said [Mark] Hetherington. "


Both:
"David Leege, a colleague of Davis' at Notre Dame, contended that "Obama remains viable." Obama's campaign aides "set their sites a little too high, but they can still spin the number and location of the states they have carried. Clinton, of course, stopped his momentum again. Chesapeake [the February 12 primaries in Maryland, Virginia and the District of Columbia] is promising for Obama. Ohio and Texas [on March 4] will be tough, especially the latter, because the same folks [Latinos] who are the difference for Clinton in California are in abundance in Texas."




Califórnia

Apesar de ainda não declarada, a exit poll dá Clinton com 7 pontos de vantagem. Se se confirmar, o resumo da noite é que nem Hillary assegura a nomeação definitivamente nem Obama consegue transformar o "momentum" dos últimos dias numa viragem da campanha a seu favor. Teve várias vitórias que seriam impensáveis há algumas semanas, mas não conseguiu roubar os troféus decisivos a Clinton, que se sai melhor (apesar dos inevitáveis Georgia e Illinois) nos maiores estados. Num certo sentido, as altíssimas expectativas criadas em torno de Obama nos últimos dias jogam um pouco contra si quando de tratar de dar o spin à noite de hoje. 

New Jersey

E anuncia-se também NJ para Clinton (projecção Fox). Mas é incrível que tenha sido tão renhido. Seja como for, restabelece-se a "normalidade" em face das previsões.

Mass.

Fox projecta vitória de Clinton. Se se confirmar, é uma vitória importante, especialmente tendo em conta os Kennedys.

Estados que fecham às 2am

Destes, vitórias claras de Clinton são esperadas apenas em NY. (E assim foi: 2.03am)

MA e NJ

Olhando para as exit polls, parciais por sexo, é muito fácil calcular os resultados para o total dos votantes. Obama e Clinton estão empatados nas sondagens à boca das urnas em Mass. e NJ. Má notícia para ela.

Sondagens e primeiras estimativas

Entre os estados que encerram à 1 da manhã, para o duelo Obama/Clinton, o que se esperava, e o que parece que está a acontecer (projecções CNN):

AL: renhido/?
CT: renhido/?
DE: ?/?
IL: Obama/Obama.
MA: Clinton/?
MO: renhido/?
NJ: Clinton/?
OK: Clinton/Clinton.
TN: Clinton/Clinton (Fox)