Segundo Alberto Gonçalves, "Obama concentrou na quase totalidade o voto preto, avalanche que nem a tradicional predilecção das minorias pelo partido democrático justifica. Com a eleição de Obama, insusceptível de repetição noutra democracia, o racismo dos brancos americanos tornou-se, pelo menos oficialmente, uma memória triste. O racismo dos pretos americanos é, se calhar, uma questão actual. A que não convém aludir."
Suponho que isto quer dizer que o facto de John Kerry ter captado "apenas" 88% do voto dos negros que participaram na eleição em 2004 e Obama ter captado 95% do mesmo voto em 2008 deverá ser visto como expressão do "racismo dos pretos americanos". Nem imagino como Alberto Gonçalves interpretará o facto de, em 2008, 62% do voto asiático ter ido para Obama, contra 56% do mesmo voto para Kerry em 2004. Ou o facto de 67% do voto hispânico ter ido para Obama, contra apenas 53% do mesmo voto ter ido para Kerry em 2004. Só pode ser, claro, o anti-branquismo dos castanhos e dos amarelos. Realmente, sobre questões de "raça" e voto, não tem sido fácil dar uma para a caixa.
segunda-feira, novembro 10, 2008
sexta-feira, novembro 07, 2008
Participação eleitoral
Em O Tempo das Cerejas, discute-se qual terá sido realmente a participação/abstenção eleitoral nas eleições americanas. O problema é complicado, e o Number's Guy no WSJ.com discute-o hoje.
Curtis Gans, do Committee for the Study of the American Electorate, explica por que é tão complicado e por que razão as estimativas de participação são tão diferentes (tão maiores) do que o número de votos contados até ao momento (cerca de 124 milhões, esta manhã):
"This is complicated this year by the enormous number of ballots which were cast before election day. Some states are better equipped than others to count those ballots in a timely fashion. But California, for instance, often does not fully complete its counting of a massive number of absentee ballots until three weeks after the election. Oregon and Washington can take up to two weeks. None of those states are battleground states but both Oregon and Washington have close statewide contests--Oregon for Senate, Washington for governor. In some of the battleground states, complete or even nearly complete may not be available tonight. Any reporting that I and CSAE do will make note of the states like the western ones for which the early tallies are not indicative of the actual turnout when counting has been completed."
Curtis Gans, do Committee for the Study of the American Electorate, explica por que é tão complicado e por que razão as estimativas de participação são tão diferentes (tão maiores) do que o número de votos contados até ao momento (cerca de 124 milhões, esta manhã):
"This is complicated this year by the enormous number of ballots which were cast before election day. Some states are better equipped than others to count those ballots in a timely fashion. But California, for instance, often does not fully complete its counting of a massive number of absentee ballots until three weeks after the election. Oregon and Washington can take up to two weeks. None of those states are battleground states but both Oregon and Washington have close statewide contests--Oregon for Senate, Washington for governor. In some of the battleground states, complete or even nearly complete may not be available tonight. Any reporting that I and CSAE do will make note of the states like the western ones for which the early tallies are not indicative of the actual turnout when counting has been completed."
quinta-feira, novembro 06, 2008
Apanhado geral
1. As sondagens estiveram bem. Os agregadores de sondagens ainda melhor. As previsões com modelos quantitativos também. Nate Silver é o maior.
2. Isto não implica necessariamente que não tenha havido Bradley effect. Mas implica que, se houve, foi neutralizado por outros factores.
3. A boa prestação dos modelos quantitativos, que, em geral, previam este resultado há muitos meses, também não implica que a campanha tenha sido irrelevante. Mas implica que os fundamentals são o primeiro sítio para onde olhar e que as flutuações de curto-prazo nas sondagens devem ser descontadas.
4. Essa prestação também não implica necessariamente que a raça tenha sido irrelevante para o voto. Mas em conjunto com a prestação de Obama junto dos eleitores brancos (que não foi nada má, em comparação com Kerry, por exemplo), põe o fardo da prova do outro lado.
5. A participação eleitoral voltou a aumentar, pela terceira eleição consecutiva. Quando se lembrarem de dizer que os Estados Unidos são um país de elevada abstenção, mordam a língua: por estes dias, Portugal não é muito diferente.
6. A participação dos jovens aumentou, mas pouco. O que aumentou mais foi a participação de jovens que votou em Obama. Entre os que têm menos de 30 anos, 66% votou em Obama. Há pelos menos 30 anos que não se via nada assim. O legado para o futuro pode ser importante.
7. Obama dominou entre as minorias étnicas, entre os mais pobres, entre os menos instruídos, mas também entre os mais instruídos. E esteve a par de McCain entre os mais ricos. Isto mostra fissuras nas bases sociais de apoio tradicionais dos Republicanos. E apesar de quer McCain quer Obama terem conseguido mobilizar bem aqueles que se identificam com, respectivamente, os partidos Republicano e Democrata, há cada vez menos "Republicanos", e os "Republicanos" estiveram mais desmobilizados nesta eleição. Curto prazo, ou legado para o futuro? A ver.
8. O declínio da imagem de McCain nas sondagens coincide com a crise financeira. Mas a crise financeira não teve grande impacto nas sondagens de intenções de voto propriamente ditas. Não vai ser fácil perceber isto, e muito menos tendo em conta que tudo isto também coincide com os debates e com o desencanto com Sarah Palin.
9. Não há sinais claros de que o mapa dos "estados vermelhos" e "estados azuis" tenha sido redesenhado. Pelo contário: as perdas e ganhos são uniformes. Simon Jackman já tinha avisado. A tese do grande "realinhamento" sofre aqui um bocadinho (talvez um bocadão).
2. Isto não implica necessariamente que não tenha havido Bradley effect. Mas implica que, se houve, foi neutralizado por outros factores.
3. A boa prestação dos modelos quantitativos, que, em geral, previam este resultado há muitos meses, também não implica que a campanha tenha sido irrelevante. Mas implica que os fundamentals são o primeiro sítio para onde olhar e que as flutuações de curto-prazo nas sondagens devem ser descontadas.
4. Essa prestação também não implica necessariamente que a raça tenha sido irrelevante para o voto. Mas em conjunto com a prestação de Obama junto dos eleitores brancos (que não foi nada má, em comparação com Kerry, por exemplo), põe o fardo da prova do outro lado.
5. A participação eleitoral voltou a aumentar, pela terceira eleição consecutiva. Quando se lembrarem de dizer que os Estados Unidos são um país de elevada abstenção, mordam a língua: por estes dias, Portugal não é muito diferente.
6. A participação dos jovens aumentou, mas pouco. O que aumentou mais foi a participação de jovens que votou em Obama. Entre os que têm menos de 30 anos, 66% votou em Obama. Há pelos menos 30 anos que não se via nada assim. O legado para o futuro pode ser importante.
7. Obama dominou entre as minorias étnicas, entre os mais pobres, entre os menos instruídos, mas também entre os mais instruídos. E esteve a par de McCain entre os mais ricos. Isto mostra fissuras nas bases sociais de apoio tradicionais dos Republicanos. E apesar de quer McCain quer Obama terem conseguido mobilizar bem aqueles que se identificam com, respectivamente, os partidos Republicano e Democrata, há cada vez menos "Republicanos", e os "Republicanos" estiveram mais desmobilizados nesta eleição. Curto prazo, ou legado para o futuro? A ver.
8. O declínio da imagem de McCain nas sondagens coincide com a crise financeira. Mas a crise financeira não teve grande impacto nas sondagens de intenções de voto propriamente ditas. Não vai ser fácil perceber isto, e muito menos tendo em conta que tudo isto também coincide com os debates e com o desencanto com Sarah Palin.
9. Não há sinais claros de que o mapa dos "estados vermelhos" e "estados azuis" tenha sido redesenhado. Pelo contário: as perdas e ganhos são uniformes. Simon Jackman já tinha avisado. A tese do grande "realinhamento" sofre aqui um bocadinho (talvez um bocadão).
quarta-feira, novembro 05, 2008
Para bushistas, clintonistas e palinistas, with love
Essas coisas do "saber perder" ou do "fair play" são tretas - como se pode ver por aqui ou por aqui - e só têm graça nos livros do P. G. Wodehouse. E o "saber ganhar" também é um atributo sobrevalorizado:
"No calor da noite, esqueci-me de saudar os bloggers portugueses que acolheram a designação de Sarah Palin para candidata a VP como uma escolha «brilhante» de John McCain. É esta argúcia que lhes tem valido darem hoje opinião em tudo quanto é jornal, estação de rádio ou canal de televisão portugueses. É o chamado «circo mediático». Embora eu não esteja certo de que esta expressão contenha alguma metáfora."
Aqui e aqui. Vale mesmo a pena ler tudo.
"Nesta hora, guardo um pensamento para os adversários lusos de Barack Obama. Não os apoiantes de McCain (de que, aliás, só consegui recensear um), mas os bushistas, da primeira à última hora, e os clintonistas; a arrogância e o desdém com que trataram o candidato democrata e os seus apoiantes merecem ser recordados. Obama e os seus seguidores foram quase sempre tratados como pouco mais do que idiotas, patetas e crédulos. Os patamares de infantilismo argumentativo atingidos neste percurso conheceram exemplos notáveis – e que vão perdurar."
"No calor da noite, esqueci-me de saudar os bloggers portugueses que acolheram a designação de Sarah Palin para candidata a VP como uma escolha «brilhante» de John McCain. É esta argúcia que lhes tem valido darem hoje opinião em tudo quanto é jornal, estação de rádio ou canal de televisão portugueses. É o chamado «circo mediático». Embora eu não esteja certo de que esta expressão contenha alguma metáfora."
Aqui e aqui. Vale mesmo a pena ler tudo.
Para digerir lentamente
A página da CNN sobre as sondagens à boca das urnas. O mais interessante de tudo? A tabela sobre rendimento e voto, nomeadamente a irrelevância das diferenças entre McCain e Obama nos escalões mais altos.
P.S.- Andrew Gelman já tem uma primeira análise, assim do como do desempenho das sondagens pré-eleitorais. No Bradley effect, thank you very much.
O fim da Guerra Civil
And so it came to pass that on Nov. 4, 2008, shortly after 10 p.m. Eastern time, the American Civil War ended, as a black man — Barack Hussein Obama — won enough electoral votes to become president of the United States.
Finishing our Work, por Thomas L. Friedman.
Finishing our Work, por Thomas L. Friedman.
terça-feira, novembro 04, 2008
Exit polls
(Corrigido)
No FiveThirtyEight, 10 razões para ignorar as sondagens à boca das urnas: diz-se o que eu tinha dito aqui, e muito mais.Pergunta-se num comentário:
"A minha percepção é que as sondagens à boca da urna em Portugal tem sido mais precisas que as sondagens pré-eleitorais, embora todos nos lembremos de um ou dois casos em que falharam, como na segunda eleição de Guterres em que pelo menos uma delas previa a maioria absoluta. Há evidência que favoreçam a fiabilidade de um tipo de sondagens sobre as outras? A falta de credibilidade atribuída por este e outros blogues de sondagens (como o pollster) terá a ver com diferenças metodológicas?"
Algumas respostas em cima do joelho:
1. A percepção é correcta. Em abstracto, não pode deixar de ser assim. Uma sondagem à boca das urnas usa uma amostra muito maior que uma sondagem pré-eleitoral e mede comportamentos de votantes, não intenções de eventuais votantes.
2. O problema dos Estados Unidos começa por ser, claro, de exigência e escala. O que se pede como elemento informativo é uma boa estimativa do voto em cada um dos 50 estados (ou, no mínimo, dos 15 ou 16 estados mais competitivos), e não uma boa estimativa do voto popular no conjunto do país, ao contrário do que sucede em Portugal. Ainda por cima, quer-se sempre saber se há alguém que tenha mais um voto que qualquer um dos adversários em cada estado, e não se, digamos, o PS tem mais ou menos à volta de 43%. É muito difícil, e os recursos envolvidos são tão astronómicos que, nos EUA, há uma única sondagem à boca das urnas (e não três, como em Portugal).
3. Depois, há toda uma série de "trapalhadas" que nós podemos pura e simplesmente ignorar: early voting, antes de mais, assim como durações diferentes de abertura de locais de voto, regras diferentes de estado para estado, centenas de eleições diferentes a ocorrerem ao mesmo tempo (não se esqueçam que, em cada condado, se está a votar para muitas outras coisas para além do Presidente e diferentes umas das outras), etc, etc, etc.
4. Depois, o problema de recusa sistemática (ou de participação entusiástica) de um determinado tipo de eleitor ou outro, sendo também real em Portugal, parece ser, pelo que consigo perceber, muito menos grave (por enquanto).
Estou menos convencido com o ponto 1 dos argumentos de Nate Silver, ligado à amostragem. Claro que cluster sampling (onde só os indivíduos nos locais de voto seleccionados têm probabilidade de serem seleccionados) tem uma margem de erro maior que uma sondagem puramente aleatória (onde todos os eleitores têm a mesma probabilidade de serem seleccionados). Em rigor é mesmo assim e é por isso que os intervalos que cá se dão nas estimativas no fecho das urnas são maiores do que aquilo que seriam se as amostras fossem puramente aleatórias. Mas na prática, que sondagem acaba por ter uma amostra verdadeiramente aleatória? Nenhuma.
Duas leituras aconselhadas às luminárias da opinião nacional que acham que quem ganhar hoje "não vai fazer grande diferença"
The Plum Book (United States Government Policy and Supporting Positions): 2004 Edition, com as mais de de 7.000 posições no governo federal nomeadas pelo Presidente dos Estados Unidos.
A página da Casa Branca sobre os juízes dos tribunais federais nomeados por George W. Bush.
A página da Casa Branca sobre os juízes dos tribunais federais nomeados por George W. Bush.
Haveria mais coisas para ler, mas eu sei que vocês são pessoas muito ocupadas.
segunda-feira, novembro 03, 2008
Milagres
A convergência miraculosa nos resultados das últimas sondagens antes das eleições, já antes assinalada neste blogue aqui ou aqui a propósito das eleições inglesas ou portuguesas, volta a acontecer, desta vez nos Estados Unidos. Nate Silver não está com meias medidas:
"Has the race settled down some? Perhaps in some proverbial sense it has. But I also think that pollsters peek at one another's results, and that there's something of a herd mentality not to be the one who falls out of line. Remember, folks, it's these final sets of national numbers that will go down on the record for all time's sake."
"Has the race settled down some? Perhaps in some proverbial sense it has. But I also think that pollsters peek at one another's results, and that there's something of a herd mentality not to be the one who falls out of line. Remember, folks, it's these final sets of national numbers that will go down on the record for all time's sake."
Evidentemente.
Amanhã.
Não me passa pela cabeça tentar dizer-vos aquilo que outros podem dizer e explicar muito melhor do que eu. De resto, uma das coisas mais espantosas desta eleição - que já se antevia em eleições passadas - é a qualidade e sofisticação das análises disponíveis sobre as eleições americanas. Desde o Pollster - cuja encarnação anterior, o Mistery Pollster, é uma das razões que me fez criar este blogue - até ao FiveThirtyEight, passando pelo The Ballot ou o The Monkey Cage, tudo o que há para dizer de interesse está lá dito.
O que sobra é apenas reforçar algumas ideias para a noite de 4 para 5 de Novembro. Aqui vão (e espero não me ter enganado nas contas no meio desta complicação):
1. Quais os estados onde a vitória de Obama é uma quase certeza absoluta, na base das sondagens e dos resultados de eleições anteriores? Os seguintes: Vermont, Connecticut, Delaware, Illinois, Maine, Maryland, Massachussets, DC, New Jersey, Michigan, Minnesota, New York, Rhode Island, Wisconsin, California, Hawaii, Oregon e Washington. Aqui não há "efeito Bradley" que valha. Perder é quase impensável. Feitas as contas, são 227 votos eleitorais. Faltam 43 para Obama ganhar.
2. Depois há alguns estados onde Obama tem vantagens muito expressivas nas sondagens mas que, na história recente, nem sempre foram ganhos por candidatos democratas. Falamos de New Hampshire (onde W. Bush ganhou a Gore), New Mexico (onde W. Bush ganhou a Kerry) e Iowa (idem). Neste momento, a estimativa da vantagem de Obama sobre McCain nestes três estados oscila entre os 9 e os 13 pontos. De resto, Clinton em 1992 e Kerry em 2004 ganharam NH, ao passo que Clinton em 1992 e Gore em 2000 ganharam Iowa and New Mexico. As dúvidas são muito poucas. Somem lá mais 16 votos. Faz 243. Ficam a faltar 27 para Obama ganhar.
3. Onde poderá Obama ir buscar esses 27? Há um estado onde a vantagem, não sendo tão expressiva como nos casos anteriores, é ainda assim muito relevante: Pennsylvania. Nas sondagens realizadas desde finais de Abril passado, há apenas uma em que McCain estava à frente de Obama, e isso foi em 12 de Setembro e era uma sondagem da Zogby (enough said). Nas sondagens realizadas na última semana (desde dia 27 de Outubro), a vantagem de Obama anda entre os 4 e os 14 pontos. Clinton ganhou Pennsylvania em 1992 (9 pontos) e 1996 (idem). Gore ganhou em 2000 (4 pontos). Kerry ganhou em 2004 (3 pontos). Vamos, com algumas cautelas, colocar já estes 21 votos do lado de Obama. Faz 264. Ficam a faltar 6.
4. Onde pode Obama ir buscar os 6 votos que faltam? Todos os restantes estados têm ou vantagens curtas para um ou outro candidato ou resultados passados menos tranquilizadores para os Democratas.
Mas notem: só faltam 6 votos. Segue-se uma lista de estados onde Obama pode ganhar e onde, se ganhar apenas um deles (e na base das pressuposições anteriores), ultrapassa os 270 votos. Por ordem de encerramento das urnas:
- Virginia: 13 votos, vantagem de 6 pontos nas sondagens;
- Carolina do Norte: 15 votos, vantagem de 1 ponto nas sondagens;
- Ohio: 20 votos, vantagem de 5 pontos nas sondagens.
- Florida: 27 votos, vantagem de 3 pontos nas sondagens;
- Missouri, 11 votos, vantagem de 2 pontos nas sondagens;
- Colorado, 9 votos, vantagem de 7 pontos nas sondagens.
Por outras palavras: se tudo o que está nos pontos 1, 2 e 3 der certo, basta que um destes estados caia para Obama para os 270 estarem garantidos. E a isto acrescem alguns estados que estão com ligeira vantagem para McCain nas sondagens mas ainda competitivos: Georgia (15 votos) e Indiana (11 votos). E há ainda estados que, sózinhos, não chegam aos 6 votos, mas estão, neste momento, ambos inclinados para Obama: North Dakota (3 votos) e Nevada (5 votos).
5. Logo, como se sugere aqui, atenção então a Virginia, Indiana e Georgia, que encerram à meia-noite de Lisboa. Se um deles cair para Obama, ficamos com sinais muito fortes de que tudo poderá estar terminado. Mas se nenhum deles cair para Obama, ainda haverá várias outras hipóteses.
6. Dito isto, muito cuidado com as sondagens à boca das urnas. Quatro razões:
- É sempre possível que haja fuga de dados durante o dia, apesar da equipa responsável estar de quarentena, fechada numa sala, até às cinco da tarde. Mas mesmo que haja fugas, serão dados parciais e não ponderados ou até, possivelmente, pura desinformação.
- Os dados que estarão disponíveis nos sites após o encerramento serão mais fiáveis, mas há uma razão para que esses dados, comuns e iguais para todas as estações, sejam trabalhados em cada uma delas por um batalhão de analistas. Quando dizem too close to call, é por que é too close to call. Já ninguém confia apenas nas sondagens à boca das urnas, a não ser que as vantagens sejam muito grandes. E se são muito grandes, não deverá ser em nenhum dos estados que interessam.
- O voto antecipado está a ser muito grande nalguns estados. Nalguns estados muito importantes para a decisão de amanhã, os números são incríveis. No Colorado, por exemplo, as pessoas que já votaram correspondem a 74% dos todos os que votaram em 2004. 54% na Florida. 61% na Georgia. 67% no Nevada. 73% no Novo México. Neste contexto, só se fossem atrasados mentais é que as pessoas na Edison-Mitofsky se limitavam a conduzir sondagens no dia das eleições. Como é óbvio, não são. O consórcio encarregado da sondagem à boca das urnas tem vindo a fazer sondagens em 18 estados de forma a medir o comportamento daqueles que já votaram, e ponderará esses elementos no dia das eleições. Mas seja como for, não é preciso ser-se atrasado mental para cometer erros e usar pressuposições erradas nessas ponderações.
- Também devido ao voto antecipado, será preciso ter cuidado com os primeiros dados "reais" a virem das assembleias de voto e que são usados para tomar decisões em conjugação com os dados das sondagens à boca da urnas. Como avisa Michael MacDonald,
Beware of election night results released at poll closing, as they may be misleading. Many states and localities quickly report results for their early voters. The reporting method varies widely among states. If these surveys are correct that Obama supporters are voting early at higher rates than McCain supporters, these early election results may give a false impression of what the actual election result will be once all votes are counted.
7. Finalmente: muito do que está acima presume que as centenas e centenas de sondagens divulgadas estão a dar informação fiável sobre as intenções de voto, ou pelo menos informação onde os enviesamentos são aleatórios ou, se não forem aleatórios, se cancelam mutuamente ou, se não se cancelarem mutuamente, são enviesamentos relativamente limitados. Há algumas razões para supor que isto não é necessariamente verdade. Estão muito bem resumidas e discutidas aqui por Anthony Wells, mas a ideia com que se fica é que não são suficientes para nos convencerem de que aquilo que julgamos estar a ver com as sondagens está fundamentalmente errado. E no entanto...
E é tudo. Sei que há muita gente interessada nisto por aí. Isto foi escrito um pouco à pressa. Logo, se encontrarem algum erro de raciocínio ou de contabilidade no que está acima, agradeço mesmo que me avisem.
O que sobra é apenas reforçar algumas ideias para a noite de 4 para 5 de Novembro. Aqui vão (e espero não me ter enganado nas contas no meio desta complicação):
1. Quais os estados onde a vitória de Obama é uma quase certeza absoluta, na base das sondagens e dos resultados de eleições anteriores? Os seguintes: Vermont, Connecticut, Delaware, Illinois, Maine, Maryland, Massachussets, DC, New Jersey, Michigan, Minnesota, New York, Rhode Island, Wisconsin, California, Hawaii, Oregon e Washington. Aqui não há "efeito Bradley" que valha. Perder é quase impensável. Feitas as contas, são 227 votos eleitorais. Faltam 43 para Obama ganhar.
2. Depois há alguns estados onde Obama tem vantagens muito expressivas nas sondagens mas que, na história recente, nem sempre foram ganhos por candidatos democratas. Falamos de New Hampshire (onde W. Bush ganhou a Gore), New Mexico (onde W. Bush ganhou a Kerry) e Iowa (idem). Neste momento, a estimativa da vantagem de Obama sobre McCain nestes três estados oscila entre os 9 e os 13 pontos. De resto, Clinton em 1992 e Kerry em 2004 ganharam NH, ao passo que Clinton em 1992 e Gore em 2000 ganharam Iowa and New Mexico. As dúvidas são muito poucas. Somem lá mais 16 votos. Faz 243. Ficam a faltar 27 para Obama ganhar.
3. Onde poderá Obama ir buscar esses 27? Há um estado onde a vantagem, não sendo tão expressiva como nos casos anteriores, é ainda assim muito relevante: Pennsylvania. Nas sondagens realizadas desde finais de Abril passado, há apenas uma em que McCain estava à frente de Obama, e isso foi em 12 de Setembro e era uma sondagem da Zogby (enough said). Nas sondagens realizadas na última semana (desde dia 27 de Outubro), a vantagem de Obama anda entre os 4 e os 14 pontos. Clinton ganhou Pennsylvania em 1992 (9 pontos) e 1996 (idem). Gore ganhou em 2000 (4 pontos). Kerry ganhou em 2004 (3 pontos). Vamos, com algumas cautelas, colocar já estes 21 votos do lado de Obama. Faz 264. Ficam a faltar 6.
4. Onde pode Obama ir buscar os 6 votos que faltam? Todos os restantes estados têm ou vantagens curtas para um ou outro candidato ou resultados passados menos tranquilizadores para os Democratas.
Mas notem: só faltam 6 votos. Segue-se uma lista de estados onde Obama pode ganhar e onde, se ganhar apenas um deles (e na base das pressuposições anteriores), ultrapassa os 270 votos. Por ordem de encerramento das urnas:
- Virginia: 13 votos, vantagem de 6 pontos nas sondagens;
- Carolina do Norte: 15 votos, vantagem de 1 ponto nas sondagens;
- Ohio: 20 votos, vantagem de 5 pontos nas sondagens.
- Florida: 27 votos, vantagem de 3 pontos nas sondagens;
- Missouri, 11 votos, vantagem de 2 pontos nas sondagens;
- Colorado, 9 votos, vantagem de 7 pontos nas sondagens.
Por outras palavras: se tudo o que está nos pontos 1, 2 e 3 der certo, basta que um destes estados caia para Obama para os 270 estarem garantidos. E a isto acrescem alguns estados que estão com ligeira vantagem para McCain nas sondagens mas ainda competitivos: Georgia (15 votos) e Indiana (11 votos). E há ainda estados que, sózinhos, não chegam aos 6 votos, mas estão, neste momento, ambos inclinados para Obama: North Dakota (3 votos) e Nevada (5 votos).
5. Logo, como se sugere aqui, atenção então a Virginia, Indiana e Georgia, que encerram à meia-noite de Lisboa. Se um deles cair para Obama, ficamos com sinais muito fortes de que tudo poderá estar terminado. Mas se nenhum deles cair para Obama, ainda haverá várias outras hipóteses.
6. Dito isto, muito cuidado com as sondagens à boca das urnas. Quatro razões:
- É sempre possível que haja fuga de dados durante o dia, apesar da equipa responsável estar de quarentena, fechada numa sala, até às cinco da tarde. Mas mesmo que haja fugas, serão dados parciais e não ponderados ou até, possivelmente, pura desinformação.
- Os dados que estarão disponíveis nos sites após o encerramento serão mais fiáveis, mas há uma razão para que esses dados, comuns e iguais para todas as estações, sejam trabalhados em cada uma delas por um batalhão de analistas. Quando dizem too close to call, é por que é too close to call. Já ninguém confia apenas nas sondagens à boca das urnas, a não ser que as vantagens sejam muito grandes. E se são muito grandes, não deverá ser em nenhum dos estados que interessam.
- O voto antecipado está a ser muito grande nalguns estados. Nalguns estados muito importantes para a decisão de amanhã, os números são incríveis. No Colorado, por exemplo, as pessoas que já votaram correspondem a 74% dos todos os que votaram em 2004. 54% na Florida. 61% na Georgia. 67% no Nevada. 73% no Novo México. Neste contexto, só se fossem atrasados mentais é que as pessoas na Edison-Mitofsky se limitavam a conduzir sondagens no dia das eleições. Como é óbvio, não são. O consórcio encarregado da sondagem à boca das urnas tem vindo a fazer sondagens em 18 estados de forma a medir o comportamento daqueles que já votaram, e ponderará esses elementos no dia das eleições. Mas seja como for, não é preciso ser-se atrasado mental para cometer erros e usar pressuposições erradas nessas ponderações.
- Também devido ao voto antecipado, será preciso ter cuidado com os primeiros dados "reais" a virem das assembleias de voto e que são usados para tomar decisões em conjugação com os dados das sondagens à boca da urnas. Como avisa Michael MacDonald,
Beware of election night results released at poll closing, as they may be misleading. Many states and localities quickly report results for their early voters. The reporting method varies widely among states. If these surveys are correct that Obama supporters are voting early at higher rates than McCain supporters, these early election results may give a false impression of what the actual election result will be once all votes are counted.
7. Finalmente: muito do que está acima presume que as centenas e centenas de sondagens divulgadas estão a dar informação fiável sobre as intenções de voto, ou pelo menos informação onde os enviesamentos são aleatórios ou, se não forem aleatórios, se cancelam mutuamente ou, se não se cancelarem mutuamente, são enviesamentos relativamente limitados. Há algumas razões para supor que isto não é necessariamente verdade. Estão muito bem resumidas e discutidas aqui por Anthony Wells, mas a ideia com que se fica é que não são suficientes para nos convencerem de que aquilo que julgamos estar a ver com as sondagens está fundamentalmente errado. E no entanto...
E é tudo. Sei que há muita gente interessada nisto por aí. Isto foi escrito um pouco à pressa. Logo, se encontrarem algum erro de raciocínio ou de contabilidade no que está acima, agradeço mesmo que me avisem.
domingo, novembro 02, 2008
sábado, novembro 01, 2008
If at first you don't succeed, try, try again.
1. "O CDS sobe, talvez por efeito dos ecos do bom resultado eleitoral nos Açores." Vem no site da SIC Notícias e foi dito em off na peça televisiva por uma jornalista. A subida consistiu em ter passado de 4,8 para 5,2%, ou seja, uma subida de uns espectaculares 0,4 pontos percentuais. Por outras palavras, nem sequer sabemos se o CDS subiu, desceu ou ficou na mesma. E a dos "ecos do bom resultado eleitoral dos Açores", então, é de truz. Uma relação causa-efeito tão credível como se ela tivesse dito que o CDS subiu na sondagem por causa do pastel de nata que eu comi ontem pela tarde.
No Público de ontem, sobre os rankings, para além de ser provavelmente o primeiro colunista na história da imprensa escrita a usar a expressão Hierarchical Linear Modelling num jornal de grande circulação, André Freire diz o óbvio, mas um óbvio que vale a pena repetir:
"Penso que é preciso ultrapassar este nível de discussão (até agora baseado numa troca de argumentos sustentada, na melhor das hipóteses, numa análise metodologicamente insuficiente dos dados) para passarmos a um debate alicerçado em evidência empírica avaliada com as metodologias adequadas."
Mas importa perceber o que significa "ultrapassar este nível de discussão". Em primeiro lugar, como assinala o próprio André Freire, significa que é imperioso recolher dados a nível individual de forma a que as "causas" (na medida em que qualquer estudo observacional possa apurar causas) do desempenho escolar individual, em particular as ligadas ao ambiente escolar, possam ser estimadas controlando os efeitos de variáveis ligadas ao capital escolar e económico dos pais.
Em segundo lugar, significa também perceber que os efeitos desse capital escolar e económico são, em certo sentido, triviais. É obvio que eles existem e estão mais do que demonstrados. Mas no que diz respeito às políticas públicas, esses efeitos são tão desinteressantes como os efeitos, por exemplo, do desenvolvimento económico na estabilidade dos regimes democráticos. Ou para irmos mais directamente ao tema, são quase tão desinteressantes como os efeitos das capacidades cognitivas inatas (que também existem) dos alunos no seu desempenho escolar. Aquilo que queremos saber é que outros factores, cuja modificação a curto e médio-prazo esteja ao alcance da vontade dos educadores, dos pais, das escolas e dos decisores políticos, exercem efeitos para além e independentemente (ou em interacção com) esse capital escolar e económico ou essas capacidades inatas. É verdade que - voltando ao ponto anterior - só podemos saber que factores são esses se controlarmos os efeitos do capital escolar e económico das famílias (e seria bom termos medidas de capacidades inatas, mas como provavelmente nao podemos em contextos não experimentais, o que teremos no final é muita variância não explicada). Mas o ponto é este: se é verdade que essas variáveis de controlo não podem ser esquecidas, também não se pode pressupor que tudo é subsumido por elas. É preciso estudar o assunto como deve ser, e pronto.
Em terceiro lugar, ultrapassar o actual nível de discussão significa também assumir que a simples dicotomia público/privado é uma péssima e provavelmente inválida maneira de medir seja o que for de relevante sobre o ambiente escolar e os efeitos que esse ambiente pode induzir sobre o desempenho. Citando o relatório que André Freire menciona no seu artigo:
"It should be borne in mind that private schools constitute a heterogeneous category and may differ from one another as much as they differ from public schools. Public schools also constitute a heterogeneous category. Consequently, an overall comparison of the two types of schools is of modest utility."
Como deveria ser óbvio - pensava eu - o que interessa é estimar os efeitos de atributos do ambiente escolar - condições físicas e materiais, práticas educativas, currículos, etc, etc, etc - que podem ou não estar correlacionados entre si ou com a dicotomia público/privado. Se não estimarmos os efeitos destes aspectos, não ficamos a saber nada de relevante no final. "Privado melhor do que público"? "Público não é pior que privado"? Frases úteis para discussões puramente ideológicas, inúteis para tudo o resto.
Em quarto lugar, ultrapassar o actual nível de discussão significa também pressupor que os bons modelos explicativos do desempenho escolar serão certamente muito complexos, incluindo efeitos de interacção entre características individuais, efeitos de características contextuais sobre desempenhos individuais e efeitos de interacção entre contextos e atributos individuais.
2. A propósito dos rankings das escolas, reponho de seguida o que escrevi há um ano. Nada mudou, os disparates que se diziam continuam a ser ditos, continuam a ser refutados, e nada disto, pelos vistos, faz qualquer espécie de diferença. Não faz mal.
A citação do W.C. Fields que dá o título a este post não acaba aqui. Continua assim: "Then quit. No use being a damn fool about it." Mas eu sou um damn fool.
Sobre os rankings e o cheque-escolar (5-11-2007):
"Penso que é preciso ultrapassar este nível de discussão (até agora baseado numa troca de argumentos sustentada, na melhor das hipóteses, numa análise metodologicamente insuficiente dos dados) para passarmos a um debate alicerçado em evidência empírica avaliada com as metodologias adequadas."
Mas importa perceber o que significa "ultrapassar este nível de discussão". Em primeiro lugar, como assinala o próprio André Freire, significa que é imperioso recolher dados a nível individual de forma a que as "causas" (na medida em que qualquer estudo observacional possa apurar causas) do desempenho escolar individual, em particular as ligadas ao ambiente escolar, possam ser estimadas controlando os efeitos de variáveis ligadas ao capital escolar e económico dos pais.
Em segundo lugar, significa também perceber que os efeitos desse capital escolar e económico são, em certo sentido, triviais. É obvio que eles existem e estão mais do que demonstrados. Mas no que diz respeito às políticas públicas, esses efeitos são tão desinteressantes como os efeitos, por exemplo, do desenvolvimento económico na estabilidade dos regimes democráticos. Ou para irmos mais directamente ao tema, são quase tão desinteressantes como os efeitos das capacidades cognitivas inatas (que também existem) dos alunos no seu desempenho escolar. Aquilo que queremos saber é que outros factores, cuja modificação a curto e médio-prazo esteja ao alcance da vontade dos educadores, dos pais, das escolas e dos decisores políticos, exercem efeitos para além e independentemente (ou em interacção com) esse capital escolar e económico ou essas capacidades inatas. É verdade que - voltando ao ponto anterior - só podemos saber que factores são esses se controlarmos os efeitos do capital escolar e económico das famílias (e seria bom termos medidas de capacidades inatas, mas como provavelmente nao podemos em contextos não experimentais, o que teremos no final é muita variância não explicada). Mas o ponto é este: se é verdade que essas variáveis de controlo não podem ser esquecidas, também não se pode pressupor que tudo é subsumido por elas. É preciso estudar o assunto como deve ser, e pronto.
Em terceiro lugar, ultrapassar o actual nível de discussão significa também assumir que a simples dicotomia público/privado é uma péssima e provavelmente inválida maneira de medir seja o que for de relevante sobre o ambiente escolar e os efeitos que esse ambiente pode induzir sobre o desempenho. Citando o relatório que André Freire menciona no seu artigo:
"It should be borne in mind that private schools constitute a heterogeneous category and may differ from one another as much as they differ from public schools. Public schools also constitute a heterogeneous category. Consequently, an overall comparison of the two types of schools is of modest utility."
Como deveria ser óbvio - pensava eu - o que interessa é estimar os efeitos de atributos do ambiente escolar - condições físicas e materiais, práticas educativas, currículos, etc, etc, etc - que podem ou não estar correlacionados entre si ou com a dicotomia público/privado. Se não estimarmos os efeitos destes aspectos, não ficamos a saber nada de relevante no final. "Privado melhor do que público"? "Público não é pior que privado"? Frases úteis para discussões puramente ideológicas, inúteis para tudo o resto.
Em quarto lugar, ultrapassar o actual nível de discussão significa também pressupor que os bons modelos explicativos do desempenho escolar serão certamente muito complexos, incluindo efeitos de interacção entre características individuais, efeitos de características contextuais sobre desempenhos individuais e efeitos de interacção entre contextos e atributos individuais.
sexta-feira, outubro 31, 2008
Sondagens à la carte.
Quem está esperançoso ou angustiado com a possibilidade de as sondagens nos Estados Unidos estarem erradas, e muito especialmente quem acha que os resultados das sondagens são condicionados pelas preferências de quem as faz ou do meio de comunicação social que as encomenda e publica, pode ver todos os seus anseios ou receios confirmados por este paper: Evidence of Systematic Bias in 2008 Presidential Polling (via Andrew Gelman).
Claro que sou suspeito, mas por que não pensar que parte do enviesamento se deve ao próprio inquirido, recusando responder para certas sondagens ou ocultando-lhes o seu comportamento?
Claro que sou suspeito, mas por que não pensar que parte do enviesamento se deve ao próprio inquirido, recusando responder para certas sondagens ou ocultando-lhes o seu comportamento?
quinta-feira, outubro 30, 2008
Obamercial 2
Aqui está ele:
O melhor comentário que li até agora, na Slate:
"whatever the next four years may bring, we're in for some damn good camera angles."
O melhor comentário que li até agora, na Slate:
"whatever the next four years may bring, we're in for some damn good camera angles."
quarta-feira, outubro 29, 2008
Obamercial
Hoje, vai passar um anúncio/programa com a duração de meia-hora, publicidade da campanha da Barack Obama, na Fox, NBC, CBS, Univision, MSNBC e BET, em horário nobre. Só a ABC e a CNN ficam de fora. NBC e CBS vão receber um milhão de dólares cada. Não se via disto desde Ross Perot.
Ainda sobre "forecasting", a questão racial e as sondagens
Recebi hoje a PS, e voltei a olhar para os modelos de forecasting de que tenho falado várias vezes. E há uma coisa muito interessante de que não me tinha dado conta. O modelo de Lewis-Beck e Tien prevê, como eu dizia aqui, 43% dos votos para McCain na base de quatro variáveis: popularidade de Bush em Julho; crescimento real do PNB do último trimestre de 2007 até ao 2º trimestre de 2008; se o incumbent concorre ou não; e o crescimentos dos empregos.
Simplesmente, Lewis-Beck e Tien defendem que "Obama will lose a chunk of votes because he is black". Logo, estimam factores de correcção para a votação inicialmente prevista para Obama - 57%. Esses factores de correcção resultam de duas fontes:
1. Um estudo de 2007 sobre a prediposição para votar num presidente negro;
2. A comparação entre as votações, estado a estado, de Kerry e Obama nas primárias.
E concluem que Obama terá 50,1%. Ora aqui vamos ter uma boa oportunidade para perceber se Lewis-Beck e Tien deviam ter mexido no modelo original ou não por causa da questão "racial".
Simplesmente, Lewis-Beck e Tien defendem que "Obama will lose a chunk of votes because he is black". Logo, estimam factores de correcção para a votação inicialmente prevista para Obama - 57%. Esses factores de correcção resultam de duas fontes:
1. Um estudo de 2007 sobre a prediposição para votar num presidente negro;
2. A comparação entre as votações, estado a estado, de Kerry e Obama nas primárias.
E concluem que Obama terá 50,1%. Ora aqui vamos ter uma boa oportunidade para perceber se Lewis-Beck e Tien deviam ter mexido no modelo original ou não por causa da questão "racial".
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