Diogo Belford Henriques (DBH) comenta, num post no 31 da Armada, este meu post sobre as sondagens à boca das urnas nos Açores.
DBH confunde várias coisas, a saber:
1. "Porque (sic) foram os resultados das eleições de ontem diferentes da sondagem (Eurosondagem, não CESOP)?"
O meu post não tem a ver com esse assunto. O meu post tem a ver com o facto da realização de sondagens nos Açores introduzir dificuldades diferentes (e superiores) à realização de outro tipo de sondagens eleitorais, mesmo que sejam sondagens à boca das urnas (e, por isso, livres dos problemas trazidos pela abstenção não declarada e pela medição de intenções e não comportamentos).
2. "Ao contrário do que diz o Pedro Magalhães, é possível ir a todas as ilhas"
Ao contrário do que sugere DBH, nenhum meio de comunicação social está disposto a pagar o que seria necessário pagar para que um instituto de sondagens pudesse realizar trabalho de campo presencial em todas as ilhas dos Açores, dispondo assim de uma amostra representativa dos - neste caso - votantes em todo o arquipélago e evitando assim ter de estimar alguns resultados por extrapolação, com todo o risco e incerteza que isso implica. A não ser que DBH esteja a querer dizer que é possível ir a todas as ilhas, ou seja, que há meios de transporte para lá chegar caso se queira lá ir. Mas se é isso, La Palisse estará contente na sua tumba.
3. "É possível telefonar (se não puder ir) a eleitores em todas as ilhas"
Quando DBH me explicar como é que se fazem sondagens à boca das urnas pelo telefone, eu ficar-lhe-ei eternamente grato.
4. "É possível ler na internet os jornais e rádios de cada ilha e conhecer as notícias e a política local (...) Mas implica trabalho."
Não, não vou dizer que não é possível ler rádios. Mas vou dizer que qualquer organização tem de ponderar os recursos de que dispõe e os benefícios que tenciona recolher do seu investimento. E vou dizer também que, por muito investimento que se faça, é muito mais fácil a alguém que conhece a política nacional e algumas "políticas locais" saber onde procurar informação e interpretá-la correctamente do que a alguém que não as conhece. O meu post era uma confissão de ignorância. Fizemos investimento para compensar essa ignorância (que nos permitiu perceber, entre muitas outras coisas, que os resultados que estávamos a captar do CDS eram credíveis) mas esse investimento daria sempre, em comparação com o que fizéssemos noutros contextos com os quais temos maior familiaridade, menos retornos.
5. "É possível que os "pequenos partidos" decidam livremente e consigam ter bons candidatos em nove ilhas."
Sim, é possível. E?
E parece que a palavra "chatice" também foi mal interpretada. Foi usada no sentido de dizer que as eleições nos Açores, por razões que já devem ser óbvias, nos colocam problemas maiores que as outras. Mas não é "chato" trabalhar nos Açores. Faz-se o que se gosta e, ainda por cima, aprende-se. E não é chato ir aos Açores. São lindos. Têm uma pessoa ou outra um bocado obtusa. Mas isso é coisa que também há (se calhar até mais) no Continente.
P.S- Dou-me conta que a única parte do post que não comentei foi o parágrafo final. Mas essa é a única parte do texto que me parece verdadeiramente mal-intencionada, pelo que nem vale a pena comentar.
segunda-feira, outubro 20, 2008
Ainda o Bradley effect
O Professor e o Monstro.
Larry Bartels tem um ensaio imperdível intitulado "The Irrational Electorate" na The Wilson Quartely. A economia comportamental está na berra, e chega a altura da sua influência se sentir também na Ciência Política. Bartels chega a citar um dos mais conhecidos livros de divulgação sobre o tema, que por acaso li nestas férias:
E uma curiosidade: Rush Limbaugh adorou o ensaio. Sim, Rush Limbaugh:

Outros livros relacionados que li nestas férias, já agora:
Achei-os todos muito bons, o Winner's Curse mais canonicamente académico, os restantes óptimos livros de divulgação académica (o Nudge mais "policy-oriented", aparentemente próximo dos círculos de Obama), como cá não há.
Voltando a Bartels:
"These and other recent studies offer abundant evidence that election outcomes can be powerfully affected by factors unrelated to the competence and convictions of the candidates. But if voters are so whimsical, choosing the candidate with the most competent-looking face or the most recent television ad, how do they often manage to sound so sensible? Most people seem able to provide cogent-sounding reasons for voting the way they do. However, careful observation suggests that these “reasons” often are merely rationalizations constructed from readily available campaign rhetoric to justify preferences formed on other grounds."
O ensaio é uma crítica à ideia de que os votantes são racionais e de que a sua ignorância possa ser compensada quer pelo recurso a "heurísticas" quer pela agregação das decisões individuais.
E uma curiosidade: Rush Limbaugh adorou o ensaio. Sim, Rush Limbaugh:
"I mention this story, actually it's an article from the Wilson Quarterly, the Woodrow Wilson Center for scholars: "The Irrational Electorate." It's by Larry Bartels who directs the Center for the Study of Democratic Politics in Princeton University's Woodrow Wilson School of Public and International Affairs. He is the author of Unequal Democracy: The Political Economy of the New Gilded Age, published earlier this year by the Russell Sage Foundation and Princeton University Press. Now, when you print it out, it runs four or five pages. I'm not a scholar, and Mr. Bartels is, and, to me, the first part -- I had to read this a bunch of times. It reads like gobbledygook, and what it is is an analysis of a whole bunch of studies worldwide over many, many decades of the electorates, the electorates in democracies. And let me just give you some excerpts. One sentence in this piece -- and this is about how people determine who they are going to vote for. People are very short term in their focus. They tend to vote based on how the economy is going, rewarding or throwing the bums out regardless of party. But here's some interesting bits for you."
Açores 2
Rodrigo Moita de Deus pergunta no 31 de Armada: "Nas últimas legislativas regionais da Madeira também houve directos de televisão e mesas redondas com comentadores?"
Uma das maiores constipações da minha vida foi apanhada no dia 6 de Maio de 2007, noite das eleições regionais da Madeira, sentado três horas ao ar livre na Baía do Funchal enquanto José Alberto Carvalho, Marcelo Rebelo de Sousa, António Vitorino e, a espaços, Joe Berardo e outros madeirenses, discutiam animadamente os mais variados assuntos (incluindo a vitória de Sarkozy) em directo e ao vivo para a RTP nacional.
Por isso sim - atchim - houve directos de televisão e mesas redondas com comentadores...
Uma das maiores constipações da minha vida foi apanhada no dia 6 de Maio de 2007, noite das eleições regionais da Madeira, sentado três horas ao ar livre na Baía do Funchal enquanto José Alberto Carvalho, Marcelo Rebelo de Sousa, António Vitorino e, a espaços, Joe Berardo e outros madeirenses, discutiam animadamente os mais variados assuntos (incluindo a vitória de Sarkozy) em directo e ao vivo para a RTP nacional.
Por isso sim - atchim - houve directos de televisão e mesas redondas com comentadores...
Açores
De seguida, o quadro comparando as estimativas da sondagem à boca da urnas do CESOP com os que vieram a ser os resultados finais.
Não é mau, mas é pior que na Madeira, não é? Enquanto que tudo está muito próximo para os restantes partidos, o PS foi claramente sobrestimado.
Porquê? Os Açores é sempre uma chatice. Não se consegue ir a todas as ilhas e não conhecemos a política local: o carteiro que era candidato de um partido e agora passou para outro; os eleitores que andam chateados com a Câmara Municipal e castigam o partido nas regionais, etc. Ainda por cima, este ano, à conta do círculo de compensação, os pequenos partidos foram a todo o lado.
Pelo que consigo perceber neste momento, há duas razões para a sobrestimação do PS:
1. O problema começa logo na sondagem feita em S. Miguel e na Terceira (as únicas ilhas a que realmente fomos). Os resultados reais no conjunto das duas ilhas são 29,4% para o PSD e 53,5% para o PS. Mas nós tínhamos 27,1% para o PSD e 55,5% para o PS. Porquê este desvio? Não é assim tão grande, mas é maior do que costumamos apanhar. Não parecem ser as recusas: a correlação entre a percentagem de pessoas que recusou responder e a votação no PSD em 2004 é de .22, positiva (como se esperaria) mas baixa.
2. A extrapolação do que se passa na Terceira e S. Miguel para o resto dos Açores é perigosa, ou foi perigosa nesta eleição. Mesmo com os valores correctos para Terceira e S. Miguel, o nosso modelo continua a dar votos a mais ao PS (51%). Conclusão: parece que a entrada dos pequenos partidos em todos os círculos eleitorais mudou o jogo.
sexta-feira, outubro 17, 2008
Manipulação no Intrade
A propósito deste post:
Obrigado ao José Gomes André pela notícia.
"Robocalls"
Podem ouvir aqui e aqui duas das chamadas telefónicas pré-gravadas que a candidatura de McCain anda a fazer na Carolina do Norte, no Ohio, no Colorado e na Virginia.
(via The Ballot).
(via The Ballot).
Brooks on Obama
O conservador preferido dos liberais americanos, David Brooks, escreve um belo artigo sobre Obama no NYT. Brooks tem dúvidas: um potencial grande presidente, ou um "mero observador em vez de um líder"? Mas ver Obama comparado a F.D.R. e a Reagan é, ao mesmo tempo, extravagante e arguto:
"Some candidates are motivated by something they lack. For L.B.J., it was respect. For Bill Clinton, it was adoration. These politicians are motivated to fill that void. Their challenge once in office is self-regulation. How will they control the demons, insecurities and longings that fired their ambitions? But other candidates are propelled by what some psychologists call self-efficacy, the placid assumption that they can handle whatever the future throws at them. Candidates in this mold, most heroically F.D.R. and Ronald Reagan, are driven upward by a desire to realize some capacity in their nature. They rise with an unshakable serenity that is inexplicable to their critics and infuriating to their foes. Obama has the biography of the first group but the personality of the second."
"Some candidates are motivated by something they lack. For L.B.J., it was respect. For Bill Clinton, it was adoration. These politicians are motivated to fill that void. Their challenge once in office is self-regulation. How will they control the demons, insecurities and longings that fired their ambitions? But other candidates are propelled by what some psychologists call self-efficacy, the placid assumption that they can handle whatever the future throws at them. Candidates in this mold, most heroically F.D.R. and Ronald Reagan, are driven upward by a desire to realize some capacity in their nature. They rise with an unshakable serenity that is inexplicable to their critics and infuriating to their foes. Obama has the biography of the first group but the personality of the second."
Visualização de informação
Charles Franklin tem mais um gráfico - agora o nerd em mim toma conta - lindo no Political Arithmetik. E com esse gráfico, mostra:
1. Como a tarefa de McCain é incrivelmente difícil;
2. Como não se pode dizer que ela é completamente impossível, especialmente tendo em conta o que, aparentemente, se está a passar no Ohio. Ver aqui e, nas "tools", escolher a opção de smoothing "more sensitive".
Obama faz o que lhe compete quando avisa apoiantes: "I guess it's two words for you: New Hampshire".
1. Como a tarefa de McCain é incrivelmente difícil;
2. Como não se pode dizer que ela é completamente impossível, especialmente tendo em conta o que, aparentemente, se está a passar no Ohio. Ver aqui e, nas "tools", escolher a opção de smoothing "more sensitive".
Obama faz o que lhe compete quando avisa apoiantes: "I guess it's two words for you: New Hampshire".
Azares
O Público coloca na primeira página "McCain cada vez mais longe de Obama". A média móvel da vantagem de Obama sobre McCain na Real Clear Politics passa de +8,2 (dia 14) para +7,3 (dia15) para +6,8 (dia 16). A internet está em baixo na Rua Viriato?
Só me meto com o Público porque é o "meu" jornal, quer como leitor quer como colunista.
Só me meto com o Público porque é o "meu" jornal, quer como leitor quer como colunista.
quinta-feira, outubro 16, 2008
O Senado
Nos blogues portugueses, não se tem falado muito nas eleições para o Senado, mas agora que a vitória nas presidenciais parece muito provável, a preocupação dos Democratas é ganhar suficientes lugares no Senado para terem não só uma maioria mas também uma maioria "fillibuster-proof", ou seja, 60 lugares.
Como estão as coisas? Bem, democratas e republicanos têm 49 senadores cada, e há ainda 2 independentes: Joe Lieberman (cada vez mais próximo dos Republicanos, mas liberal - no sentido americano - em muitos temas) e Bernie Sanders (o único socialista no Senado e que vota com os Democratas a maior parte das vezes). Lieberman e Sanders fazem parte do grupo parlamentar dos Democratas (mas Lieberman pode mudar de ideias).
Em Novembro, estão em disputa 35 lugares, 23 nas mãos de Republicanos e 12 nas mãos de Democratas. Há uma série de estados onde nada deve mudar. Não há estados Democratas em risco de passaram para Republicanos. Mas há várias possibilidades de mudança de mãos de Republicanos para Democratas: Alaska, Colorado, Georgia, Minnesota, New Hampshire, New Mexico, North Carolina, Oregon e Virginia. Nove potenciais pick-ups, que deixariam os Democratas com 58 senadores. Com Sanders, 59. E Lieberman 60. Parece que, se queremos emoções no dia 4, vai ter de ser aqui.
Como estão as coisas? Bem, democratas e republicanos têm 49 senadores cada, e há ainda 2 independentes: Joe Lieberman (cada vez mais próximo dos Republicanos, mas liberal - no sentido americano - em muitos temas) e Bernie Sanders (o único socialista no Senado e que vota com os Democratas a maior parte das vezes). Lieberman e Sanders fazem parte do grupo parlamentar dos Democratas (mas Lieberman pode mudar de ideias).
Em Novembro, estão em disputa 35 lugares, 23 nas mãos de Republicanos e 12 nas mãos de Democratas. Há uma série de estados onde nada deve mudar. Não há estados Democratas em risco de passaram para Republicanos. Mas há várias possibilidades de mudança de mãos de Republicanos para Democratas: Alaska, Colorado, Georgia, Minnesota, New Hampshire, New Mexico, North Carolina, Oregon e Virginia. Nove potenciais pick-ups, que deixariam os Democratas com 58 senadores. Com Sanders, 59. E Lieberman 60. Parece que, se queremos emoções no dia 4, vai ter de ser aqui.
Os debates
A vantagem de Obama, em pontos percentuais, nas sondagens sobre os "vencedores dos debates":
Dia 27 de Setembro:
CNN: +13
CBS (indecisos): +28
Mediacurves (independentes): +22
Dia 8 de Outubro:
CNN: +24
CBS (indecisos): +12
Mediacurves (independentes): +18
Dia 15 de Outubro:
CNN: +27
CBS (indecisos):+31
Mediacurves (independentes):+30
É curioso que seja neste último debate que as vantagens de Obama sejam maiores, tendo em conta que, objectivamente, não é nada evidente que este tenha sido o melhor debate para ele, pelo contrário. Mas esta amostra é, se pensarmos bem, auto-seleccionada (só viu o debate quem quis) e a leitura do que se passou é, naturalmente, moldada pelo "mood" geral da campanha. McCain esteve melhor que nos debates anteriores, mas manifestamente não chegou, e nunca poderia ter chegado (a não ser que tivesse havido uma catástrofe qualquer).
Dia 27 de Setembro:
CNN: +13
CBS (indecisos): +28
Mediacurves (independentes): +22
Dia 8 de Outubro:
CNN: +24
CBS (indecisos): +12
Mediacurves (independentes): +18
Dia 15 de Outubro:
CNN: +27
CBS (indecisos):+31
Mediacurves (independentes):+30
É curioso que seja neste último debate que as vantagens de Obama sejam maiores, tendo em conta que, objectivamente, não é nada evidente que este tenha sido o melhor debate para ele, pelo contrário. Mas esta amostra é, se pensarmos bem, auto-seleccionada (só viu o debate quem quis) e a leitura do que se passou é, naturalmente, moldada pelo "mood" geral da campanha. McCain esteve melhor que nos debates anteriores, mas manifestamente não chegou, e nunca poderia ter chegado (a não ser que tivesse havido uma catástrofe qualquer).
quarta-feira, outubro 15, 2008
Boatos
Aproveito para informar que o Centro de Sondagens e Estudos de Opinião da Universidade Católica não conduziu nem vai conduzir qualquer estudo nos Açores medindo intenções de voto. O único trabalho que será feito é uma sondagem à boca das urnas, cujos resultados serão divulgados à hora de encerramento das urnas. Logo, todos os alegados resultados de uma "sondagem da Católica nos Açores" que circulam por aí são falsos.
Early voting
A impressão que me ficou desta visita a uma secção de voto em Columbus parece ser mais representativa do que eu imaginava. Nas sondagens que vem fazendo nalguns estados, a Survey USA tem tentado apanhar os early voters. Conclusões (via FiveThirtyEight):
1. Nos estados do Ohio, Novo México, Georgia e Indiana, até aos dias 9-13 de Outubro, tinham votado mais de 10% dos eleitores recenseados. Na Carolina do Norte, até ao dia 6, apenas 5%.
2. Entre os que ainda não votaram - entre as intenções de voto - Obama domina no Indiana, Novo México e Ohio, enquanto McCain domina na Georgia e na Carolina do Norte.
3. Mas entre os early voters, Obama domina nos cinco estados, com margens que chegam aos 34%.
Mera correlação entre prediposição para votar antes e preferência por Obama? Ou também sinal de uma excepcional mobilização dos Democratas?
1. Nos estados do Ohio, Novo México, Georgia e Indiana, até aos dias 9-13 de Outubro, tinham votado mais de 10% dos eleitores recenseados. Na Carolina do Norte, até ao dia 6, apenas 5%.
2. Entre os que ainda não votaram - entre as intenções de voto - Obama domina no Indiana, Novo México e Ohio, enquanto McCain domina na Georgia e na Carolina do Norte.
3. Mas entre os early voters, Obama domina nos cinco estados, com margens que chegam aos 34%.
Mera correlação entre prediposição para votar antes e preferência por Obama? Ou também sinal de uma excepcional mobilização dos Democratas?
ACORN
Começam a acumular-se relatos de tentativas de fraude no registo de novos eleitores por parte de uma organização chamada ACORN, alegadamente apartidária mas com também alegadas ligações ao Partido Democrata e até a Obama. Obama já tentou neutralizar o potencial escândalo.
Maldade
terça-feira, outubro 14, 2008
The Ohio State Buckeyes








Apesar da separação entre Estado e Igreja, há uma religião oficial no Ohio. O estádio está cheio para todos os jogos. São 105.000 pessoas. Começam por beber uns copos numa zona chamada Heiny Gate. Esta zona está vedada e ninguém pode levar bebidas alcoólicas para fora dela. Contudo, para muitos undergrduates, os copos começam 6ª feira à noite e só acabam na noite do dia seguinte. Depois seguem, os que cabem, para a St. John Arena, onde toca a TBDBITL: The Best Damn Band in the Land. Depois a banda segue em passo de corrida para o estádio, onde há uma cerimónia adicional à entrada do túnel. No estádio, todos de pé, primeiro para ouvir a Carmen Ohio e depois para o hino dos Estados Unidos. O Script Ohio consiste em escrever o nome do estádio com os elementos da banda. Depois há o "dotting the i", ou seja, um dos músicos serve de "ponto no i". Depois disto tudo ainda há o jogo, e pelo meio cheerleaders, os gestos que fazem O-H-I-O com os braços em cada um dos quatro lados do estádio, o half-time show, festejos se Michigan está a perder, o Hang On Sloopy no último quarter e, se ganham os Buckeyes, tocam os sinos no estádio. Ganhámos a Purdue, não me lembro por quantos. O jogo foi chato, toda a gente achou. Há um livro do Eric Hobsbwam que se chama The Invention of Tradition de que gostei muito quando li, há muito muito tempo.
Está tudo decidido?
Larry Bartels e Robert Erikson.
Já agora, lembro-me de há uns anos anunciar neste blogue a chegada à blogosfera de vários cientistas políticos. Mas com Bartels e Erikson, chegámos finalmente ao topo da cadeia alimentar.
segunda-feira, outubro 13, 2008
Votar em Columbus, Ohio
Já se pode. E já se podia a 35 dias das eleições. De há dois anos para cá, o chamado absentee voting passou a ser aberto a todas as pessoas. Na baixa de Columbus existe um centro aberto. Basta levar a carta de condução ou dar o número da Segurança Social. Ate há dias, era ainda possível, no mesmo local, o recenseamento e o voto. Durante esses dias, havia filas com centenas de pessoas. Mas agora só se aceitam votos.
O boletim de voto é impresso no momento. Isto sucede porque neste centro podem votar pessoas que residem em diferentes círculos eleitorais e em cada círculo eleitoral há eleições com candidatos diferentes para cargos diferentes. Vota-se em muita coisa ao mesmo tempo. Abaixo está um sample ballot, um boletim de voto fictício distribuido pelo Partido Democrata, onde se explica em quem se deve votar para cada cargo.
Tenho assim um palpite sobre o partido em que a maior parte das pessoas abaixo estão a votar.
A distribuição dos sample ballots faz-se à porta, por voluntários dos partidos e até alguns candidatos. Têm de estar a uma distância minima do edifício, 50 metros, creio. Hoje, e em todos os dias anteriores desde que isto abriu, dizem-me, só estiveram aqui voluntários e candidatos do Partido Democrata. Nao sei como interpretar isto. Sentimento de derrota antecipada? Early voters are all Democrats anyway?
A candidata a Coroner pelo Partido Democrata, Jan Gorniak.
domingo, outubro 12, 2008
Cell only
Há três grandes dúvidas sobre todas as sondagens que vamos conhecendo sobre as eleições americanas: o "Bradley" effect; os modelos de "votantes prováveis"; e as sondagens telefónicas.
Sobre o primeiro, já falei aqui: a opinião generalizada é a de que este efeito - que leva a uma subestimação dos votos contra candidatos negros - se existir, deverá ser muito menor que no passado. Mas quanto menor? E será que as conclusões de estudos anteriores sobre outro tipo de eleição se aplicam a uma eleição como esta?
Sobre o segundo, o que importa dizer é que várias sondagens usam modelos de votantes prováveis, de forma a eliminar os efeitos de uma "sobredeclaração" de voto. Os modelos baseiam-se em resultados anteriores e, por isso, podem estar completamente errados. Mas por outro lado, não se detectam diferenças significativas entre as sondagens que usam estes modelos e sondagens que não o fazem, pelo que o problema talvez não seja de grande importância.
O terceiro problema é simples: as sondagens telefónicas são feitas para telefones fixos. Mas estima-se que 17% dos adultos só tenham telefones celulares. São desproporcionalmente jovens, desproporcionalmente mais abstencionistas - o que mitiga os efeitos da sua não representação nas sondagens - mas também - guess what - desproporcionalmente pró-Obama. E parece que a utilização de ponderadores amostrais, reequlibrando as amostras em termos de idade, não chegam para lidar com este efeito.
Isto tudo para dizer o quê? A vantagem de Obama nas sondagens - de momento quase em 9 pontos a nível nacional -pode estar a ser sobrestimada devido ao Bradley effect. Mas pode estar a ser subestimada devido à exclusão de eleitores cell-only.
P.S.- Via O Valor das Ideias, mais um artigo sobre o Bradley effect.
Sobre o primeiro, já falei aqui: a opinião generalizada é a de que este efeito - que leva a uma subestimação dos votos contra candidatos negros - se existir, deverá ser muito menor que no passado. Mas quanto menor? E será que as conclusões de estudos anteriores sobre outro tipo de eleição se aplicam a uma eleição como esta?
Sobre o segundo, o que importa dizer é que várias sondagens usam modelos de votantes prováveis, de forma a eliminar os efeitos de uma "sobredeclaração" de voto. Os modelos baseiam-se em resultados anteriores e, por isso, podem estar completamente errados. Mas por outro lado, não se detectam diferenças significativas entre as sondagens que usam estes modelos e sondagens que não o fazem, pelo que o problema talvez não seja de grande importância.
O terceiro problema é simples: as sondagens telefónicas são feitas para telefones fixos. Mas estima-se que 17% dos adultos só tenham telefones celulares. São desproporcionalmente jovens, desproporcionalmente mais abstencionistas - o que mitiga os efeitos da sua não representação nas sondagens - mas também - guess what - desproporcionalmente pró-Obama. E parece que a utilização de ponderadores amostrais, reequlibrando as amostras em termos de idade, não chegam para lidar com este efeito.
Isto tudo para dizer o quê? A vantagem de Obama nas sondagens - de momento quase em 9 pontos a nível nacional -pode estar a ser sobrestimada devido ao Bradley effect. Mas pode estar a ser subestimada devido à exclusão de eleitores cell-only.
P.S.- Via O Valor das Ideias, mais um artigo sobre o Bradley effect.
sábado, outubro 11, 2008
Xanax, precisa-se
McCain Draws Line on Attacks as Crowds Cry ‘Fight Back’
By ELISABETH BUMILLER
Published: October 10, 2008
LAKEVILLE, Minn. — After a week of trying to portray Senator Barack Obama as a friend of terrorists who would drive the country into bankruptcy, Senator John McCain abruptly changed his tone on Friday and told voters at a town-hall-style meeting that Mr. Obama was “a decent person” and a “family man” and suggested that he would be an acceptable president should he win the White House. But moments later, Mr. McCain, the Republican nominee, renewed his attacks on Mr. Obama for his association with the 1960s radical William Ayers and told the crowd, “Mr. Obama’s political career was launched in Mr. Ayers’ living room.”
(...)
When a man told him he was “scared” of an Obama presidency, Mr. McCain replied, “I want to be president of the United States and obviously I do not want Senator Obama to be, but I have to tell you — I have to tell you — he is a decent person and a person that you do not have to be scared" of "as president of the United States.” The crowd booed loudly at Mr. McCain’s response. Later, a woman stood up at the meeting, held at Lakeville South High School in a far suburb of Minneapolis, and told Mr. McCain that she could not trust Mr. Obama because he was an “Arab.” Mr. McCain replied: “No, ma’am, he’s a decent family man, citizen who I just happen to have disagreements with on fundamental issues. And that’s what this campaign is all about.” At that, the crowd applauded.
(continua)
Ontem à noite, no programa de Larry King, Jonah Goldberg parecia próximo da apoplexia, especialmente quando comentava a frase de McCain num comício: "no reason to be scared of him [Obama]being the President of the United States". O establishment republicano, de resto, pelo que ouço nos talk-shows na rádio, prepara-se para culpar McCain pela derrota, nomedamente pelas afirmações de ontem sobre Obama e por não ter votado contra o bailout.
Como vêem, a proximidade aos acontecimentos aumenta exponencialmente a minha imparcialidade...
By ELISABETH BUMILLER
Published: October 10, 2008
LAKEVILLE, Minn. — After a week of trying to portray Senator Barack Obama as a friend of terrorists who would drive the country into bankruptcy, Senator John McCain abruptly changed his tone on Friday and told voters at a town-hall-style meeting that Mr. Obama was “a decent person” and a “family man” and suggested that he would be an acceptable president should he win the White House. But moments later, Mr. McCain, the Republican nominee, renewed his attacks on Mr. Obama for his association with the 1960s radical William Ayers and told the crowd, “Mr. Obama’s political career was launched in Mr. Ayers’ living room.”
(...)
When a man told him he was “scared” of an Obama presidency, Mr. McCain replied, “I want to be president of the United States and obviously I do not want Senator Obama to be, but I have to tell you — I have to tell you — he is a decent person and a person that you do not have to be scared" of "as president of the United States.” The crowd booed loudly at Mr. McCain’s response. Later, a woman stood up at the meeting, held at Lakeville South High School in a far suburb of Minneapolis, and told Mr. McCain that she could not trust Mr. Obama because he was an “Arab.” Mr. McCain replied: “No, ma’am, he’s a decent family man, citizen who I just happen to have disagreements with on fundamental issues. And that’s what this campaign is all about.” At that, the crowd applauded.
(continua)
Ontem à noite, no programa de Larry King, Jonah Goldberg parecia próximo da apoplexia, especialmente quando comentava a frase de McCain num comício: "no reason to be scared of him [Obama]being the President of the United States". O establishment republicano, de resto, pelo que ouço nos talk-shows na rádio, prepara-se para culpar McCain pela derrota, nomedamente pelas afirmações de ontem sobre Obama e por não ter votado contra o bailout.
Como vêem, a proximidade aos acontecimentos aumenta exponencialmente a minha imparcialidade...
sexta-feira, outubro 10, 2008
Sobre a Appalachia (em resposta a um comentário)
Obama zeros in on Ohio
Strickland helps nominee court Appalachian vote
Friday, October 10, 2008 3:04 AM
By Joe Hallett
PORTSMOUTH, Ohio -- With Appalachian Ohio's favorite son in tow, Democratic presidential nominee Barack Obama last night appealed to voters in the state's most economically distressed and politically fickle region, one which could decide the outcome of the Ohio election. A month to the day from his last visit to Ohio, Obama began a strategic swing to an area that was unfriendly to him in the March primary election, stressing that his economic plan offers more to voters than "John McCain's George Bush policies."
Obama zeroed in on another dismal day on Wall Street following yesterday's 679-point Dow Jones loss.
"Now is not the time for fear or panic; now is the time for resolve and leadership so we can steer out of this crisis," Obama told a huge outdoor gathering at Shawnee State University.
Obama was joined at every stop yesterday, including Dayton and Cincinnati, by Gov. Ted Strickland. But nowhere does he need Strickland's help more than in Ohio's 29-county Appalachian region, which Strickland won with 70 percent of the vote in 2006 and Obama lost by an average of 44 points per county to Sen. Hillary Clinton in the March primary.
Greeted like a hometown hero, Strickland beseeched the crowd "to put aside the angry rhetoric and smear tactics" of the McCain campaign and vote for Obama in their own economic self-interests.
On the same day that the National Rifle Association endorsed McCain, Strickland reassured voters in a gun-loving region that "if you are a hunter or a gun owner ... you have nothing to fear from Barack Obama. You spread the word -- Ted Strickland said so."
Appalachia Ohio is a traditional swing area in presidential elections -- Republican President George W. Bush won it twice and Democratic President Bill Clinton won it twice before him -- because voters often are in a throw-the-bums-out mood because of chronically high unemployment.
(continua)
Strickland helps nominee court Appalachian vote
Friday, October 10, 2008 3:04 AM
By Joe Hallett
PORTSMOUTH, Ohio -- With Appalachian Ohio's favorite son in tow, Democratic presidential nominee Barack Obama last night appealed to voters in the state's most economically distressed and politically fickle region, one which could decide the outcome of the Ohio election. A month to the day from his last visit to Ohio, Obama began a strategic swing to an area that was unfriendly to him in the March primary election, stressing that his economic plan offers more to voters than "John McCain's George Bush policies."
Obama zeroed in on another dismal day on Wall Street following yesterday's 679-point Dow Jones loss.
"Now is not the time for fear or panic; now is the time for resolve and leadership so we can steer out of this crisis," Obama told a huge outdoor gathering at Shawnee State University.
Obama was joined at every stop yesterday, including Dayton and Cincinnati, by Gov. Ted Strickland. But nowhere does he need Strickland's help more than in Ohio's 29-county Appalachian region, which Strickland won with 70 percent of the vote in 2006 and Obama lost by an average of 44 points per county to Sen. Hillary Clinton in the March primary.
Greeted like a hometown hero, Strickland beseeched the crowd "to put aside the angry rhetoric and smear tactics" of the McCain campaign and vote for Obama in their own economic self-interests.
On the same day that the National Rifle Association endorsed McCain, Strickland reassured voters in a gun-loving region that "if you are a hunter or a gun owner ... you have nothing to fear from Barack Obama. You spread the word -- Ted Strickland said so."
Appalachia Ohio is a traditional swing area in presidential elections -- Republican President George W. Bush won it twice and Democratic President Bill Clinton won it twice before him -- because voters often are in a throw-the-bums-out mood because of chronically high unemployment.
(continua)
Sondagem CESOP, Outubro de 2008
Realizada para o JN, a RTP e a RDP. O relatório-síntese do estudo pode ser descarregado aqui.
quinta-feira, outubro 09, 2008
Ohio e os comícios
McCain, Palin and Obama andam pelo Ohio por estes dias. Numa semana, as duas campanhas gastaram 4 milhões de dólares em publicidade só neste estado. Os dados sugerem que Obama tem, nesta fase, mais dinheiro para gastar que McCain, e que está a geri-lo de forma diferente. Os Democratas estão a gastar em estados antes vistos como improváveis mas onde as mudanças das últimas semanas sugerem a possibilidade de vitória. No Indiana, o rácio a favor de Obama em despesas de campanha é de 20 para 1.
Obama vem a Columbus amanhã. Pelas mailing lists da Universidade, circulam mensagens pedindo voluntários entre as 10 e as 16h de amanhã para gerir o comício. É assim que a coisa funciona. O dinheiro vai quase todo para os anúncios televisivos. Contudo, há cada vez menos pessoas que os vêem. Cada vez mais pessoas têm sistemas tipo TiVo, através dos quais gravam os programas que querem ver e saltam a publicidade. Anteontem, foi assim que assisti ao debate: com um atraso de alguns minutos em relação à emissão ao vivo, fazendo "pausa" para discutirmos pormenores, retomando depois o visionamento da gravação.
Os comícios de McCain e Palin estão tornar-se um bocado edgy. Antes de um ou outro chegarem, há discursos de figuras locais para aquecer a multidão, onde Obama é chamado "Barack Hussein Obama". Quando se lhes pede comentários, McCain e Palin dizem que não têm nada a ver com o assunto. Os discursos deles têm sido pontuados por gritos dos assistentes quando o nome de Obama é mencionado: "terrorist", "traitor" e coisas assim. Há dias, parece que alguém gritou "kill him", e um técnico de som da CNN, negro, foi insultado.
Obama vem a Columbus amanhã. Pelas mailing lists da Universidade, circulam mensagens pedindo voluntários entre as 10 e as 16h de amanhã para gerir o comício. É assim que a coisa funciona. O dinheiro vai quase todo para os anúncios televisivos. Contudo, há cada vez menos pessoas que os vêem. Cada vez mais pessoas têm sistemas tipo TiVo, através dos quais gravam os programas que querem ver e saltam a publicidade. Anteontem, foi assim que assisti ao debate: com um atraso de alguns minutos em relação à emissão ao vivo, fazendo "pausa" para discutirmos pormenores, retomando depois o visionamento da gravação.
Os comícios de McCain e Palin estão tornar-se um bocado edgy. Antes de um ou outro chegarem, há discursos de figuras locais para aquecer a multidão, onde Obama é chamado "Barack Hussein Obama". Quando se lhes pede comentários, McCain e Palin dizem que não têm nada a ver com o assunto. Os discursos deles têm sido pontuados por gritos dos assistentes quando o nome de Obama é mencionado: "terrorist", "traitor" e coisas assim. Há dias, parece que alguém gritou "kill him", e um técnico de som da CNN, negro, foi insultado.
quarta-feira, outubro 08, 2008
Levar Sarah Palin a sério
O que eu queria dizer com "levar Sarah Palin a sério" é mais ou menos isto:
New York Times
Op-Ed Columnist
Palin’s Kind of Patriotism
By THOMAS L. FRIEDMAN
Criticizing Sarah Palin is truly shooting fish in a barrel. But given the huge attention she is getting, you can’t just ignore what she has to say. And there was one thing she said in the debate with Joe Biden that really sticks in my craw. It was when she turned to Biden and declared: “You said recently that higher taxes or asking for higher taxes or paying higher taxes is patriotic. In the middle class of America, which is where Todd and I have been all of our lives, that’s not patriotic.”
What an awful statement. Palin defended the government’s $700 billion rescue plan. She defended the surge in Iraq, where her own son is now serving. She defended sending more troops to Afghanistan. And yet, at the same time, she declared that Americans who pay their fair share of taxes to support all those government-led endeavors should not be considered patriotic.
I only wish she had been asked: “Governor Palin, if paying taxes is not considered patriotic in your neighborhood, who is going to pay for the body armor that will protect your son in Iraq? Who is going to pay for the bailout you endorsed? If it isn’t from tax revenues, there are only two ways to pay for those big projects — printing more money or borrowing more money. Do you think borrowing money from China is more patriotic than raising it in taxes from Americans?” That is not putting America first. That is selling America first.
Sorry, I grew up in a very middle-class family in a very middle-class suburb of Minneapolis, and my parents taught me that paying taxes, while certainly no fun, was how we paid for the police and the Army, our public universities and local schools, scientific research and Medicare for the elderly. No one said it better than Justice Oliver Wendell Holmes: “I like paying taxes. With them I buy civilization.”
I can understand someone saying that the government has no business bailing out the financial system, but I can’t understand someone arguing that we should do that but not pay for it with taxes. I can understand someone saying we have no business in Iraq, but I can’t understand someone who advocates staying in Iraq until “victory” declaring that paying taxes to fund that is not patriotic.
How in the world can conservative commentators write with a straight face that this woman should be vice president of the United States? Do these people understand what serious trouble our country is in right now?
We are in the middle of an economic perfect storm, and we don’t know how much worse it’s going to get. People all over the world are hoarding cash, and no bank feels that it can fully trust anyone it is doing business with anywhere in the world. Did you notice that the government of Iceland just seized the country’s second-largest bank and today is begging Russia for a $5 billion loan to stave off “national bankruptcy.” What does that say? It tells you that financial globalization has gone so much farther and faster than regulatory institutions could govern it. Our crisis could bankrupt Iceland! Who knew?
And we have not yet even felt the full economic brunt here. I fear we may be at that moment just before the tsunami hits — when the birds take flight and the insects stop chirping because their acute senses can feel what is coming before humans can. At this moment, only good governance can save us. I am not sure that this crisis will end without every government in every major economy guaranteeing the creditworthiness of every financial institution it regulates. That may be the only way to get lending going again. Organizing something that big and complex will take some really smart governance and seasoned leadership.
Whether or not I agree with John McCain, he is of presidential timber. But putting the country in the position where a total novice like Sarah Palin could be asked to steer us through possibly the most serious economic crisis of our lives is flat out reckless. It is the opposite of conservative.
And please don’t tell me she will hire smart advisers. What happens when her two smartest advisers disagree?
And please also don’t tell me she is an “energy expert.” She is an energy expert exactly the same way the king of Saudi Arabia is an energy expert — by accident of residence. Palin happens to be governor of the Saudi Arabia of America — Alaska — and the only energy expertise she has is the same as the king of Saudi Arabia’s. It’s about how the windfall profits from the oil in their respective kingdoms should be divided between the oil companies and the people.
At least the king of Saudi Arabia, in advocating “drill baby drill,” is serving his country’s interests — by prolonging America’s dependence on oil. My problem with Palin is that she is also serving his country’s interests — by prolonging America’s dependence on oil. That’s not patriotic. Patriotic is offering a plan to build our economy — not by tax cuts or punching more holes in the ground, but by empowering more Americans to work in productive and innovative jobs. If Palin has that kind of a plan, I haven’t heard it.
New York Times
Op-Ed Columnist
Palin’s Kind of Patriotism
By THOMAS L. FRIEDMAN
Criticizing Sarah Palin is truly shooting fish in a barrel. But given the huge attention she is getting, you can’t just ignore what she has to say. And there was one thing she said in the debate with Joe Biden that really sticks in my craw. It was when she turned to Biden and declared: “You said recently that higher taxes or asking for higher taxes or paying higher taxes is patriotic. In the middle class of America, which is where Todd and I have been all of our lives, that’s not patriotic.”
What an awful statement. Palin defended the government’s $700 billion rescue plan. She defended the surge in Iraq, where her own son is now serving. She defended sending more troops to Afghanistan. And yet, at the same time, she declared that Americans who pay their fair share of taxes to support all those government-led endeavors should not be considered patriotic.
I only wish she had been asked: “Governor Palin, if paying taxes is not considered patriotic in your neighborhood, who is going to pay for the body armor that will protect your son in Iraq? Who is going to pay for the bailout you endorsed? If it isn’t from tax revenues, there are only two ways to pay for those big projects — printing more money or borrowing more money. Do you think borrowing money from China is more patriotic than raising it in taxes from Americans?” That is not putting America first. That is selling America first.
Sorry, I grew up in a very middle-class family in a very middle-class suburb of Minneapolis, and my parents taught me that paying taxes, while certainly no fun, was how we paid for the police and the Army, our public universities and local schools, scientific research and Medicare for the elderly. No one said it better than Justice Oliver Wendell Holmes: “I like paying taxes. With them I buy civilization.”
I can understand someone saying that the government has no business bailing out the financial system, but I can’t understand someone arguing that we should do that but not pay for it with taxes. I can understand someone saying we have no business in Iraq, but I can’t understand someone who advocates staying in Iraq until “victory” declaring that paying taxes to fund that is not patriotic.
How in the world can conservative commentators write with a straight face that this woman should be vice president of the United States? Do these people understand what serious trouble our country is in right now?
We are in the middle of an economic perfect storm, and we don’t know how much worse it’s going to get. People all over the world are hoarding cash, and no bank feels that it can fully trust anyone it is doing business with anywhere in the world. Did you notice that the government of Iceland just seized the country’s second-largest bank and today is begging Russia for a $5 billion loan to stave off “national bankruptcy.” What does that say? It tells you that financial globalization has gone so much farther and faster than regulatory institutions could govern it. Our crisis could bankrupt Iceland! Who knew?
And we have not yet even felt the full economic brunt here. I fear we may be at that moment just before the tsunami hits — when the birds take flight and the insects stop chirping because their acute senses can feel what is coming before humans can. At this moment, only good governance can save us. I am not sure that this crisis will end without every government in every major economy guaranteeing the creditworthiness of every financial institution it regulates. That may be the only way to get lending going again. Organizing something that big and complex will take some really smart governance and seasoned leadership.
Whether or not I agree with John McCain, he is of presidential timber. But putting the country in the position where a total novice like Sarah Palin could be asked to steer us through possibly the most serious economic crisis of our lives is flat out reckless. It is the opposite of conservative.
And please don’t tell me she will hire smart advisers. What happens when her two smartest advisers disagree?
And please also don’t tell me she is an “energy expert.” She is an energy expert exactly the same way the king of Saudi Arabia is an energy expert — by accident of residence. Palin happens to be governor of the Saudi Arabia of America — Alaska — and the only energy expertise she has is the same as the king of Saudi Arabia’s. It’s about how the windfall profits from the oil in their respective kingdoms should be divided between the oil companies and the people.
At least the king of Saudi Arabia, in advocating “drill baby drill,” is serving his country’s interests — by prolonging America’s dependence on oil. My problem with Palin is that she is also serving his country’s interests — by prolonging America’s dependence on oil. That’s not patriotic. Patriotic is offering a plan to build our economy — not by tax cuts or punching more holes in the ground, but by empowering more Americans to work in productive and innovative jobs. If Palin has that kind of a plan, I haven’t heard it.
The heart of it all
segunda-feira, outubro 06, 2008
Chiqueiro.
Sen. Barack Obama (D-Ill.) on Monday is launching a multimedia campaign to draw attention to the involvement of Sen. John McCain (R-Ariz.) in the “Keating Five” savings-and-loan scandal of 1989-91, which blemished McCain’s public image and set him on his course as a self-styled reformer.
Tenho dúvidas sobre a sensatez político-eleitoral desta coisa. É certo que enfraquece McCain num ponto muito mais sensível e importante hoje do que a conversa de Palin sobre os Weathermen. Mas retira ainda mais a Obama a possibilidade de invocar superioridade moral no que respeita à "campanha negativa". E contradiz aquilo que o próprio disse há uns meses.
A campanha nem estava a ser particularmente negativa, pelo contrário...
Tenho dúvidas sobre a sensatez político-eleitoral desta coisa. É certo que enfraquece McCain num ponto muito mais sensível e importante hoje do que a conversa de Palin sobre os Weathermen. Mas retira ainda mais a Obama a possibilidade de invocar superioridade moral no que respeita à "campanha negativa". E contradiz aquilo que o próprio disse há uns meses.
A campanha nem estava a ser particularmente negativa, pelo contrário...
Avé Maria
O terceiro coelho que a candidatura de McCain tirou da cartola - depois de Sarah Palin e do "congelamento da campanha" - é o ataque às ligações de Obama a Bill Ayers, antigo líder dos Weathermen. Não é a primeira vez o assunto aparece: a candidatura de Hillary Clinton foi, aliás, a primeira a falar dele. Há uma breve análise dos factos num post antigo, de Fevereiro, de Noam Scheiber.
Não há muito a dizer, a não ser que cada coelho denuncia de forma crescente a percepção de que a eleição está perdida a não ser que se faça uma jogada desesperada. No futebol americano chama-se a isto um "hail Mary pass":
"a very long forward pass thrown near the end of a game where there is no probability for any other play to score points. This play is unlikely to be successful, because of the general inaccuracy of the pass and the defensive team's preparedness for the play makes it likely that it can intercept or knock down the ball."
Um dos passes bem sucedidos mais famosos de sempre é o "Flutie pass", num jogo entre Boston College e Miami:
Não há muito a dizer, a não ser que cada coelho denuncia de forma crescente a percepção de que a eleição está perdida a não ser que se faça uma jogada desesperada. No futebol americano chama-se a isto um "hail Mary pass":
"a very long forward pass thrown near the end of a game where there is no probability for any other play to score points. This play is unlikely to be successful, because of the general inaccuracy of the pass and the defensive team's preparedness for the play makes it likely that it can intercept or knock down the ball."
Um dos passes bem sucedidos mais famosos de sempre é o "Flutie pass", num jogo entre Boston College e Miami:
sexta-feira, outubro 03, 2008
Os VP's
O debate esteve longe de ser o freak show que alguns previam. Cada um teve total liberdade de representar o papel que lhe tinha sido escrito. As sondagens, que dão clara vitória a Biden, não reflectem o que se passou em St. Louis. Reflectem sim o que se está a passar no resto do país: as predisposições de quem assistiu e o mood geral da campanha. O debate não mudou nada. E como não mudou nada, tornou o desfecho previsto no post abaixo um pouco, apenas um pouco, mais plausível.
quinta-feira, outubro 02, 2008
Porrada (post para nerds completos das sondagens; pessoas normais não devem ler o que se segue)
Nos Estados Unidos, analistas e sites agregadores de sondagens há muitos, mas o Real Clear Politics, o Pollster.com de Blumenthal e Franklin e o FiveThirtyEight de Nate Silver são os mais conhecidos. Mas enquanto o RCP é mero agregador de dados e outra informação política, o Pollster.com e o FiveThirtyEight são analistas, e óptimos (e vale a pena ir também ao site de Drew Linzer para uma abordagem completamente diferente - Bayesiana - da de Nate Silver em relação à estimação das probabilidades de vitória nacional e nos estados).
Agora, o 538 deu-se conta de uns truques do Real Clear Politics no que respeita às sondagens incluidas e excluídas das médias móveis. A importância do RCP no debate político americano é hoje em dia tão grande que isto é grave. Aguarda-se reacção oficial.
Agora, o 538 deu-se conta de uns truques do Real Clear Politics no que respeita às sondagens incluidas e excluídas das médias móveis. A importância do RCP no debate político americano é hoje em dia tão grande que isto é grave. Aguarda-se reacção oficial.
Os pobres, a religião e o voto.
É muito comum - e ouvi a versão simplificada e cómica do argumento num stand-up show do Bill Maher há uns dias - pensar-se que há muitos "pobres" americanos que votam contra os seus interesses económicos. Por outras palavras, votam no Partido Republicano porque têm a cabeça cheia de disparates (versão "liberal") ou de valores (versão "conservadora") que lhe são metidos lá dentro pela religião.
Na verdade, é ao contrário. A probabilidade de os ricos votarem Bush em 2004 foi muito mais afectada pela religião do que a probabilidade dos pobres fazerem o mesmo. Este artigo explica porquê, e faz algumas comparações interessantes (incluindo Portugal, no less). Na verdade, a moral da história é a oposta à que é vulgarmente circulada:
This again fits the story of post-materialism, that economic concerns are more important in poorer areas, with social and religious issues mattering more among the rich. Religious and secular voters differ no more in America than in France, Germany, Sweden, and many other European countries, consistent with the post-materialist notion that people in richer countries have the luxury of voting on social issues.
P.S.- Mas se olharem para as linhas na figura 3, percebem desde logo como esta história é apenas uma parte da história. Portugal - pobre e desigual - parece um país rico - em que os rendimentos não afectam a propensão para votar à direita. Aqui e aqui, por exemplo, explica-se porquê. Tem a ver com o facto da clivagem económica no sistema partidário português ter estado subsumida a uma clivagem sobre o regime e com o facto de PS e PSD terem nascido catch-all parties e sem ancoragem social, como partidos "de poder" e não de representação de bases sociais. E há outros casos - Israel, por exemplo - em que a teoria geral cede a particularismos locais.
Na verdade, é ao contrário. A probabilidade de os ricos votarem Bush em 2004 foi muito mais afectada pela religião do que a probabilidade dos pobres fazerem o mesmo. Este artigo explica porquê, e faz algumas comparações interessantes (incluindo Portugal, no less). Na verdade, a moral da história é a oposta à que é vulgarmente circulada:
This again fits the story of post-materialism, that economic concerns are more important in poorer areas, with social and religious issues mattering more among the rich. Religious and secular voters differ no more in America than in France, Germany, Sweden, and many other European countries, consistent with the post-materialist notion that people in richer countries have the luxury of voting on social issues.
P.S.- Mas se olharem para as linhas na figura 3, percebem desde logo como esta história é apenas uma parte da história. Portugal - pobre e desigual - parece um país rico - em que os rendimentos não afectam a propensão para votar à direita. Aqui e aqui, por exemplo, explica-se porquê. Tem a ver com o facto da clivagem económica no sistema partidário português ter estado subsumida a uma clivagem sobre o regime e com o facto de PS e PSD terem nascido catch-all parties e sem ancoragem social, como partidos "de poder" e não de representação de bases sociais. E há outros casos - Israel, por exemplo - em que a teoria geral cede a particularismos locais.
quarta-feira, outubro 01, 2008
Quem votou como no bailout, 2
Mais ou menos definitivo, Nolan McCarty. Há uma regressão e tudo :-)
De resto, isto dá que pensar. Há uns anos, não muitos, teríamos de esperar por longas investigações, recolhas de dados e publicações em revistas especializadas para saber a resposta "não jornalística" à pergunta "que factores determinaram o voto dos congressistas?". Hoje, com os blogues, e com os dados do financiamento das campanhas, do voting record passado e das sondagens coligidos, organizados e acessíveis em formato digital, são dois dias para termos uma resposta robusta e academicamente sustentável à pergunta. É incrível, se pensarmos bem nisso.
Códigos de cores
No Pollster.com, o mapa mais pequeno com a silhueta dos Estados Unidos, que dá a tendência nacional, exibe, pela primeira vez desde Julho passado, o tom azul escuro.
A cotação de Obama nos Iowa Markets no contrato winner take all já está cima dos 70%, o que significa que se dá a McCain uma probabilidade de vitória inferior a 30%. Mas no contrato vote share a coisa anda - como é natural e acertado, parece-me - muito estável à volta dos 52-54%.
Sobre o Intrade, perdi confiança. Aqui explica-se porquê (com uma sugestão bastante sinistra do que poderá estar a acontecer).
A cotação de Obama nos Iowa Markets no contrato winner take all já está cima dos 70%, o que significa que se dá a McCain uma probabilidade de vitória inferior a 30%. Mas no contrato vote share a coisa anda - como é natural e acertado, parece-me - muito estável à volta dos 52-54%.
Sobre o Intrade, perdi confiança. Aqui explica-se porquê (com uma sugestão bastante sinistra do que poderá estar a acontecer).
terça-feira, setembro 30, 2008
Quem votou como no bailout.
Aqui se explica quem votou como no Congresso. É simples: os congressistas nos distritos mais competitivos tenderam a votar mais contra do que os que estão seguros nas próximas eleições. Mas a verdade é que a lei não passava na mesma se só votassem os distritos seguros. E como estes belos gráficos sugerem, fica muito por explicar com a teoria anterior. Talvez o Pedro Lains esteja no caminho certo para outra variável explicativa.
P.S. - Mais variáveis:
The Center for Responsive Politics, a Washington nonprofit group that studies money and politics, reports that on average, lawmakers who voted in favor of the bailout bill have received 51 percent more in campaign contributions from sources in the finance, insurance and real estate industries — or FIRE industries, for short — over their congressional careers than those who opposed the emergency legislation.
Esta era tão óbvia que nem me ocorreu...
P.S. - Mais variáveis:
The Center for Responsive Politics, a Washington nonprofit group that studies money and politics, reports that on average, lawmakers who voted in favor of the bailout bill have received 51 percent more in campaign contributions from sources in the finance, insurance and real estate industries — or FIRE industries, for short — over their congressional careers than those who opposed the emergency legislation.
Esta era tão óbvia que nem me ocorreu...
P.P.S.-Leiam este post de Pedro Sales, no Arrastão, vejam bem os links que lá estão, e digam-me lá se há ou não há coincidências absolutamente incríveis....
Ainda os VP's
Se os debates entre os candidatos à presidência têm impacto reduzido sobre as intenções de voto, o mínimo que se pode dizer sobre os debates dos VP's é que o seu efeito na corrida deverá ser, provavelmente, nulo. Mas isto é como na publicidade: a razão que faz com que os efeitos sejam nulos ou reduzidos é porque todos levam tudo isto a sério. Se alguém não o fizesse, os efeitos apareciam logo.
Vem isto a propósito do entusiasmo com que - como vimos no post anterior - alguns sectores do Partido Democrata encaram a possibilidade da "tonta" da Palin se espalhar na próxima 6ª feira. Eu espero que os coaches de Joe Biden não sejam tão estúpidos como isso. A última vez que se achou que havia um candidato meio tonto, sem experiência, cheio de esqueletos no armário e representando as ideias mais abstrusas da direita religiosa, esse candidato, se bem me lembro, foi eleito. E de resto, Biden também tem um currículo invejável de disparates. É precisamente por ter todos os defeitos e fraquezas que os "liberais" lhe encontram, e por defender tantas ideias tão profundamente repelentes, que a Sra. Palin deve ser levada muito a sério.
P.S. - Parece que os coaches estão acordados:
"Bush was blistered for being too dismissive of Geraldine Ferraro in 1984 (note the similarity in his approach to John McCain's in last Friday's debate); Biden would risk similar criticism if he's disdainful Thursday."
Vem isto a propósito do entusiasmo com que - como vimos no post anterior - alguns sectores do Partido Democrata encaram a possibilidade da "tonta" da Palin se espalhar na próxima 6ª feira. Eu espero que os coaches de Joe Biden não sejam tão estúpidos como isso. A última vez que se achou que havia um candidato meio tonto, sem experiência, cheio de esqueletos no armário e representando as ideias mais abstrusas da direita religiosa, esse candidato, se bem me lembro, foi eleito. E de resto, Biden também tem um currículo invejável de disparates. É precisamente por ter todos os defeitos e fraquezas que os "liberais" lhe encontram, e por defender tantas ideias tão profundamente repelentes, que a Sra. Palin deve ser levada muito a sério.
P.S. - Parece que os coaches estão acordados:
"Bush was blistered for being too dismissive of Geraldine Ferraro in 1984 (note the similarity in his approach to John McCain's in last Friday's debate); Biden would risk similar criticism if he's disdainful Thursday."
segunda-feira, setembro 29, 2008
Sobre o debate dos VP's
Não se pode dizer que as fontes sejam de uma imparcialidade à prova de bala, mas...
Memo to Joe Biden: Let Palin Talk, no FiveThirtyEight.
Breaking News from Big Eddie: McCain Camp insiders say Palin "clueless", Ed Schultz.
Memo to Joe Biden: Let Palin Talk, no FiveThirtyEight.
Breaking News from Big Eddie: McCain Camp insiders say Palin "clueless", Ed Schultz.
De como as perguntas determinam as respostas
Los Angeles Times/Bloomberg Poll. Sept. 19-22, 2008. N=1,428 adults nationwide. MoE ± 3.
"Do you think the government should use taxpayers' dollars to rescue ailing private financial firms whose collapse could have adverse effects on the economy and market, or is it not the government's responsibility to bail out private companies with taxpayers' dollars?"
Use Taxpayers' Dollars: 31%
Not Government's Responsibility: 55%
Unsure: 14%
Pew Research Center survey conducted by Opinion Research Corporation. Sept. 19-22, 2008. N=1,003 adults nationwide. MoE ± 3.5.
"As you may know, the government is potentially investing billions to try and keep financial institutions and markets secure. Do you think this is the right thing or the wrong thing for the government to be doing?"
Right Thing: 57%
Wrong Thing: 30%
Unsure: 13%
Fonte: Polling Report
"Do you think the government should use taxpayers' dollars to rescue ailing private financial firms whose collapse could have adverse effects on the economy and market, or is it not the government's responsibility to bail out private companies with taxpayers' dollars?"
Use Taxpayers' Dollars: 31%
Not Government's Responsibility: 55%
Unsure: 14%
Pew Research Center survey conducted by Opinion Research Corporation. Sept. 19-22, 2008. N=1,003 adults nationwide. MoE ± 3.5.
"As you may know, the government is potentially investing billions to try and keep financial institutions and markets secure. Do you think this is the right thing or the wrong thing for the government to be doing?"
Right Thing: 57%
Wrong Thing: 30%
Unsure: 13%
Fonte: Polling Report
sábado, setembro 27, 2008
Depois do debate
Usar sondagens para determinar os vencedores de debates é arriscado, por razões que estão explicadas aqui. E provavelmente pouco relevante, por razões explicadas aqui. Mas o saldo final do debate parece ter favorecido Obama, por pouco. Ver isto, isto ou isto, por exemplo (mas confesso que não percebi exactamente como a Mediacurves faz os seus estudos).
P.S. - Agora que os dados da CNN estão completamente disponíveis, parece que a coisa foi ainda pior para McCain do que parecia inicialmente.
sexta-feira, setembro 26, 2008
Pollster.com
O Pollster.com tem novos gráficos, cujos parâmetros podem ser mudados pelos utilizadores. É tudo tão bom e tão bem feito que até fico doente.
Há debate.
Dizem aqui. Por que raio é que eu julgo que alguém vai saber a notícia por este blogue e por que razão então a estou a dar já é outro problema. Deve ser por ser 6ª feira.
McCain: à procura de um "insurgent issue"
Um post muito inteligente de Lynn Vavreck no blogue que o Departamento de Política de Princeton montou para estas eleições. Excertos:
Using terminology from The Message Matters (forthcoming from Princeton University Press), McCain is an insurgent candidate who needs to focus the election off of the economy and on to some other issue on which he is closer than Obama to most voters – and on which Obama is committed to an unpopular position.
(...)
Talking about the economy when it helps the other guy is not a great insurgent issue. No insurgent candidate in the last half-century has beaten the predicted economic winner by talking about the economy more than anything else.
(...)
So, when McCain says he wants to postpone Friday’s debate until a compromise and a deal is reached to bailout the nation’s struggling, “cratering” economy – I say, “I’ll bet he does.” Any time McCain is talking about the economy he is not talking about his insurgent issue, which means he is not making progress toward refocusing the election off of the economy and on to his issue. Unfortunately, the dramatic manner in which he suspended his campaign and shuffled off to Washington only underscores the importance of the economy as an issue in this election.
Using terminology from The Message Matters (forthcoming from Princeton University Press), McCain is an insurgent candidate who needs to focus the election off of the economy and on to some other issue on which he is closer than Obama to most voters – and on which Obama is committed to an unpopular position.
(...)
Talking about the economy when it helps the other guy is not a great insurgent issue. No insurgent candidate in the last half-century has beaten the predicted economic winner by talking about the economy more than anything else.
(...)
So, when McCain says he wants to postpone Friday’s debate until a compromise and a deal is reached to bailout the nation’s struggling, “cratering” economy – I say, “I’ll bet he does.” Any time McCain is talking about the economy he is not talking about his insurgent issue, which means he is not making progress toward refocusing the election off of the economy and on to his issue. Unfortunately, the dramatic manner in which he suspended his campaign and shuffled off to Washington only underscores the importance of the economy as an issue in this election.
Aaron Sorokin, eat your heart out
In the Roosevelt Room after the session, the Treasury secretary, Henry M. Paulson Jr., literally bent down on one knee as he pleaded with Nancy Pelosi, the House Speaker, not to “blow it up” by withdrawing her party’s support for the package over what Ms. Pelosi derided as a Republican betrayal.
“I didn’t know you were Catholic,” Ms. Pelosi said, a wry reference to Mr. Paulson’s kneeling, according to someone who observed the exchange. She went on: “It’s not me blowing this up, it’s the Republicans.”
Mr. Paulson sighed. “I know. I know.”
Fonte: NYT.
Melhor que sete temporadas seguidas do "West Wing"
“I didn’t know you were Catholic,” Ms. Pelosi said, a wry reference to Mr. Paulson’s kneeling, according to someone who observed the exchange. She went on: “It’s not me blowing this up, it’s the Republicans.”
Mr. Paulson sighed. “I know. I know.”
Fonte: NYT.
Melhor que sete temporadas seguidas do "West Wing"
quinta-feira, setembro 25, 2008
Acrobacias 2
1. Argumentos a favor e contra a táctica de McCain;
2. Números sobre a táctica de McCain (para já, a maior parte, contra).
2. Números sobre a táctica de McCain (para já, a maior parte, contra).
Acrobacias
A campanha de John McCain tirou mais um coelho da cartola: a suspensão da campanha, o apelo à união em face da crise, o pedido do adiamento do debate previsto para amanhã. A maior parte das pessoas que comentam a política americana com alguma objectividade já tinham reconhecido a maleabilidade e criatividade da campanha de McCain em face de circunstâncias adversas, algo de que a escolha de Sarah Palin tinha sido o melhor símbolo. Mas agora há dúvidas sobre se isto faz algum sentido. Esta suspensão vem (e tem sido interpretada como vindo) na sequência de sondagens particularmente adversas, incluindo duas (esta e esta) em que Obama surge com mais de 50% das intenções de voto, incluindo indecisos, os melhores resultados de sempre desde o início da campanha.
Tudo começa a parecer um erro de cálculo brutal por parte de McCain. Aparentemente, a campanha Republicana insistiu para que o debate inicial - o tal que talvez ocorra amanhã - fosse sobre política externa, de forma a que McCain arrancasse a série de debates em terreno vantajoso para recuperar algo do que tem perdido nos últimos tempos. Obama concordou, preferindo que o último debate se concentrasse em terreno mais vantajoso para ele, a economia. Mas com o que se tem passado nos últimos dias, a campanha de McCain terá percebido que o tema mais vantajoso para McCain é, de momento, o que menos interessa aos americanos. Este emendar de mão, contudo, cheira muito mais a manobra do que a acesso repentino de responsabilidade política.
O mais irónico disto tudo é que é muito duvidoso que os debates tenham assim tanta importância no voto. Tom Holbrook, cientista político em Wisconsin, mostra aqui como a norma é que os debates provoquem mudanças muito reduzidas nas intenções de voto. Claro que, numa corrida destas, qualquer pontinho conta. Mas o risco é que McCain perca mais com as acrobacias recentes do que aquilo que poderia perder ou ganhar com os debates.
Tudo começa a parecer um erro de cálculo brutal por parte de McCain. Aparentemente, a campanha Republicana insistiu para que o debate inicial - o tal que talvez ocorra amanhã - fosse sobre política externa, de forma a que McCain arrancasse a série de debates em terreno vantajoso para recuperar algo do que tem perdido nos últimos tempos. Obama concordou, preferindo que o último debate se concentrasse em terreno mais vantajoso para ele, a economia. Mas com o que se tem passado nos últimos dias, a campanha de McCain terá percebido que o tema mais vantajoso para McCain é, de momento, o que menos interessa aos americanos. Este emendar de mão, contudo, cheira muito mais a manobra do que a acesso repentino de responsabilidade política.
O mais irónico disto tudo é que é muito duvidoso que os debates tenham assim tanta importância no voto. Tom Holbrook, cientista político em Wisconsin, mostra aqui como a norma é que os debates provoquem mudanças muito reduzidas nas intenções de voto. Claro que, numa corrida destas, qualquer pontinho conta. Mas o risco é que McCain perca mais com as acrobacias recentes do que aquilo que poderia perder ou ganhar com os debates.
terça-feira, setembro 23, 2008
Outlier: a Lisboa turística
Não faz parte dos meus circuitos habituais e talvez por isso estranhe mais. Mas isto que aqui está, junto ao Castelo de São Jorge, ao lado de um dos melhores hotéis de Portugal, é quase inverosímil. Só não o é completamente porque as imagens são o que são.
Via Cidadania Lx.
Via Cidadania Lx.
segunda-feira, setembro 22, 2008
McCains 13- Obamas 1
Um artigo ao mesmo tempo absurdo e muito informativo sobre a frota automóvel das famílias dos candidatos. Só lido, que mais comentários estragariam a coisa.
domingo, setembro 21, 2008
Sobre o Bradley Effect e outros parecidos, se é que eles (ainda) existem.
1. Uma das mais importantes contribuições originais sobre o tema: Race of Interviewer Effects in a Pre-Election Poll, de Steven Finkel e outros.
2. Sinais recentes de mudança: White Voters and African American Candidates for Congress, de Benjamin Highton.
3. Coisas muito recentes:
- Daniel J. Hopkins, No More Wilder Effect, Never a Whitman Effect: When and Why Polls Mislead about Black and Female Candidates;
- The Persistent Myth of the Bradley Effect, no FiveThirtyEight de Nate Silver;
E de forma mais geral, sobre a questão racial nas eleições americanas: The Centrality of Race in American Politics, de Vincent L. Hutchings e Nicholas A. Valentino.
Voltarei a tudo isto em breve.
P.S.- Mal sabia eu, ontem Domingo 21, que este ia ser o grande tema de debate hoje, dia 22. Mera coincidência:
- Poll shows gap between blacks and whites over racial discrimination;
- Race in the Race, por Larry Bartels, um dos mais importantes cientistas políticos americanos;
- Morning Buzz: Will Race Cost Obama?
Mas por favor não confundir as notícias de hoje com o "Bradley effect". Este tem a ver com a propensão para não revelar um sentido de voto contra um candidato negro numa sondagem (e há quem fale num reverse-Bradley effect junto dos eleitores negros), e não com a propensão para não votar num candidato negro pelo mero facto de ele ser negro. São duas coisas diferentes.
2. Sinais recentes de mudança: White Voters and African American Candidates for Congress, de Benjamin Highton.
3. Coisas muito recentes:
- Daniel J. Hopkins, No More Wilder Effect, Never a Whitman Effect: When and Why Polls Mislead about Black and Female Candidates;
- The Persistent Myth of the Bradley Effect, no FiveThirtyEight de Nate Silver;
E de forma mais geral, sobre a questão racial nas eleições americanas: The Centrality of Race in American Politics, de Vincent L. Hutchings e Nicholas A. Valentino.
Voltarei a tudo isto em breve.
P.S.- Mal sabia eu, ontem Domingo 21, que este ia ser o grande tema de debate hoje, dia 22. Mera coincidência:
- Poll shows gap between blacks and whites over racial discrimination;
- Race in the Race, por Larry Bartels, um dos mais importantes cientistas políticos americanos;
- Morning Buzz: Will Race Cost Obama?
Mas por favor não confundir as notícias de hoje com o "Bradley effect". Este tem a ver com a propensão para não revelar um sentido de voto contra um candidato negro numa sondagem (e há quem fale num reverse-Bradley effect junto dos eleitores negros), e não com a propensão para não votar num candidato negro pelo mero facto de ele ser negro. São duas coisas diferentes.
quinta-feira, setembro 18, 2008
Os independentes.
A tendência que me interessava mostrar - e que aqui atribuí erradamente a um efeito directo de Palin, se bem que os dados da Gallup talvez ainda me venham a dar razão - era a de que, apesar da campanha nos últimos tempos ter ajudado a cristalizar o voto dos fiéis (especialmente para McCain, que disso bem precisava), o efeito nos independentes deveria ser a favor de Obama. Para McCain, adquirir credenciais junto do eleitorado conservador significa perder a aura de "independente", "moderado" e "maverick". A última sondagem da CBS conta bem essa história. Mas será a história verdadeira? A ver:

A minha "teoria" (que termo pomposo) é que McCain está colocado numa posição estruturalmente mais difícil que Obama. Porque esta eleição não é, ao contrário das anteriores, sobre "mobilizar os fiéis". Claro que era preciso fazê-lo, e é isso que o "novo McCain" tem feito nos últimos tempos. Teve, como se vê, grande sucesso. Mas do outro lado, os fiéis democratas estão mobilizados há muito tempo. Logo, estas eleições não são sobre isso. São sobre como ganhar os moderados. E para conseguir uma coisa, McCain perdeu a outra.
Mas pode ser que isto seja tudo wishful thinking...
P.S.- A Gallup não confirma a minha história, ou seja, conta uma história diferente da CBS/NYT. Porquê? Não sei.

A minha "teoria" (que termo pomposo) é que McCain está colocado numa posição estruturalmente mais difícil que Obama. Porque esta eleição não é, ao contrário das anteriores, sobre "mobilizar os fiéis". Claro que era preciso fazê-lo, e é isso que o "novo McCain" tem feito nos últimos tempos. Teve, como se vê, grande sucesso. Mas do outro lado, os fiéis democratas estão mobilizados há muito tempo. Logo, estas eleições não são sobre isso. São sobre como ganhar os moderados. E para conseguir uma coisa, McCain perdeu a outra.
Mas pode ser que isto seja tudo wishful thinking...
P.S.- A Gallup não confirma a minha história, ou seja, conta uma história diferente da CBS/NYT. Porquê? Não sei.
quarta-feira, setembro 17, 2008
Previsões
Tenho vindo aqui a defender a ideia de que, para quem quer ter uma boa ideia do que vai suceder nas eleições americanas em Novembro, as sondagens, nacionais ou estaduais, podem ser enganadoras. Na verdade, a experiência passada mostra que elas só começam a convergir nos resultados finais bastante tarde, certamente só após os debates e, por vezes, até mais tarde.
Quais as alternativas, então? Os mercados electrónicos, e o Iowa Market em especial, têm desempenhado bem como instrumentos de previsão. E o que dizem as cotações? Teimosamente, apesar das flutuações das sondagens e da vantagem que McCain adquiriu nas intenções de voto nacionais, a cotação de Obama no contrato vote share anda, desde Maio passado, acima dos 50%, ao passo que no contrato winner take all (no fundo, a probabilidade de vitória) acima dos 53% (apesar de ter levado um grande rombo desde Julho).
A outra alternativa são as estimativas econométricas. Já aqui reportei algumas das mais recentes, e todas davam uma percentagem de voto superior a Obama (nuns casos marginalmente) Mas..
O último número da PS, uma revista da American Political Science Association, vai ter, como de costume, as previsões. Aqui estão:

A primeira coisa que salta à vista é que a única previsão que não era conhecida até agora, a de James Campbell, dá a vitória a McCain. Há também duas que os dão empatados. A de Campbell é a mais recente, e distingue-se da maior parte das outras por combinar dados de intenção de voto com dados da economia (apesar de Wlezien e Erikson fazerem o mesmo).
O que significa que a incerteza continua. E falta tomar em conta choques como a falência do Lehmann Brothers e a crise na AIG (apenas e só a 18ª maior companhia do mundo), como vão correr os debates, até que ponto as próprias sondagens (usadas nalguns destes modelos) sofrem de um Bradley effect ou, no sentido inverso, de uma subestimação da mobilização eleitoral dos Democratas, etc, etc, etc. Os dias não estão fáceis para os prognosticators.
Quais as alternativas, então? Os mercados electrónicos, e o Iowa Market em especial, têm desempenhado bem como instrumentos de previsão. E o que dizem as cotações? Teimosamente, apesar das flutuações das sondagens e da vantagem que McCain adquiriu nas intenções de voto nacionais, a cotação de Obama no contrato vote share anda, desde Maio passado, acima dos 50%, ao passo que no contrato winner take all (no fundo, a probabilidade de vitória) acima dos 53% (apesar de ter levado um grande rombo desde Julho).
A outra alternativa são as estimativas econométricas. Já aqui reportei algumas das mais recentes, e todas davam uma percentagem de voto superior a Obama (nuns casos marginalmente) Mas..
O último número da PS, uma revista da American Political Science Association, vai ter, como de costume, as previsões. Aqui estão:

A primeira coisa que salta à vista é que a única previsão que não era conhecida até agora, a de James Campbell, dá a vitória a McCain. Há também duas que os dão empatados. A de Campbell é a mais recente, e distingue-se da maior parte das outras por combinar dados de intenção de voto com dados da economia (apesar de Wlezien e Erikson fazerem o mesmo).
O que significa que a incerteza continua. E falta tomar em conta choques como a falência do Lehmann Brothers e a crise na AIG (apenas e só a 18ª maior companhia do mundo), como vão correr os debates, até que ponto as próprias sondagens (usadas nalguns destes modelos) sofrem de um Bradley effect ou, no sentido inverso, de uma subestimação da mobilização eleitoral dos Democratas, etc, etc, etc. Os dias não estão fáceis para os prognosticators.
terça-feira, setembro 16, 2008
Erro de análise e outras coisas
Uma leitora chama-me a atenção para o facto de que a tendência apontada no post anterior não ser um "efeito Palin", porque já vinha de trás. É absolutamente verdade, e penalizo-me. O problema foi que, em vez de olhar para todas as observações, me limitei a comparar dois pontos no tempo. Mas olhando para a série é evidente que, se acontece alguma coisa (reforço das bases de McCain mas perdas entre os independentes) é num momento anterior à convenção Republicana. Sorry, my mistake.
Outras questões. Primeiro, a de saber se a atenção que é dada aos resultados nacionais em detrimento dos estaduais faz algum sentido:
Acho mesmo que o uso destes valores é negligente pois induz o eleitor a tomar comportamentos e formular conclusões que podem não ser os mais correctos. Muitos deles apontam para um empate técnico em que a vantagem de um ou outro situa-se dentro da margem de erro. Concluir progressões com valores destes é para mim um erro, que se potencia ao ser divulgado e comentado. A eleição de Bush parece não ter servido de Lição.
Eu não seria tão céptico. Por um lado, se é evidente que a eleição o Presidente americano não é nem directa nem feita através de um círculo eleitoral nacional, a verdade também é que só três vezes (1876, 1888 e 2000) o candidato que teve mais votos não foi o Presidente. Pelo que a intenção de voto nacional e saber quem tem mais intenções de voto a esse nível é um indicador muito razoável de quem poderá ser o vencedor. Por outro lado, a verdade é que se dá muita atenção ao que se passa nos estados, como se pode ver aqui. O problema, claro, é que em vários estados há poucas sondagens e as indicações do que se vai passar neles são pouco fiáveis, pelo que basearmo-nos exclusivamente nessas sondagens seria também perigoso. Pelo que o enfoque na intenção de voto nacional não me parece errado, desde que, claro, se perceba que uma coisa é tentar fazer inferências sobre o voto popular a nível nacional e outra é fazer inferências sobre quem terá mais membros no colégio eleitoral (sendo que ambas as coisas tendem a coincidir).
Agora, para quem faz campanhas, as sondagens a nível nacional têm pouca utilidade. Veja-se o que diz o campaign manager de Obama:
"All we care about is these 18 states," he said. He repeated, with emphasis, that the campaign does not care about national polling. Instead, the campaign's own identification, registration and canvassing efforts provide the data he uses to determine where to invest money and resources. Plouffe also emphasized that the internal polling the campaign does is focused on those same 18 states, and that their real concern is not the horse race results but the "data underneath." Later, he added, "the top-line [polling data] doesn't tell you anything." Rather, they focus on who the "true undecideds" are, "how they're likely to break," and what messages will best persuade them.
Outro ponto:
A sondagem da Gallup que linkou, foi realizada com base em ca. de 2700 inquéritos. E é assumido um erro de cerca de 2% associado à sondagem. Estatísticamente, parece-me certo. Mas de facto esta amostra só poderia ser considerada representativa no caso da eleição para a presidência dos EUA se basear contagem total dos vos e não na eleição de um colégio eleitoral em cada estado. Para o último caso, a amostra tem de ser ponderada estadualmente. Em anexo tenho os cálculos da ponderação dos 2700 inquéritos por estado. E surpreendi-me quando vi que um número significativo de estados não chegam sequer à dezena. Com isto estamos bem longe de um erro de 2%! É legítimo apresentar-se resultados com tão pouca consistência para justificar tendências de voto?
Isto está ligado ao ponto anterior. Uma sondagem como esta da Gallup está a tentar fazer uma inferência descritiva sobre o voto popular, não sobre quem tem mais eleitos no colégio. Para o primeiro fim, está muito bem. Da mesma maneira que uma sondagem feita em Portugal raramente está a tentar apurar - pelo menos directamente - quem vai ter mais deputados. Para fazer isso directamente seria necessário fazer sondagens com amostras representativas de cada distrito e estimar deputados por distrito. Mas, claro, ninguém faz isso, porque os benefícios não compensam os custos: saber quem tem mais votos a nível nacional costuma ser suficiente para saber quem terá mais deputados. O que já é mais perigoso é tentar fazer esses cálculos com alguma aparência de objectividade com base em sondagens que têm como único objectivo medir o voto a nível nacional. Dei aqui um exemplo disso há uns anos. Até pode correr bem, mas também pode correr muito mal.
Outras questões. Primeiro, a de saber se a atenção que é dada aos resultados nacionais em detrimento dos estaduais faz algum sentido:
Acho mesmo que o uso destes valores é negligente pois induz o eleitor a tomar comportamentos e formular conclusões que podem não ser os mais correctos. Muitos deles apontam para um empate técnico em que a vantagem de um ou outro situa-se dentro da margem de erro. Concluir progressões com valores destes é para mim um erro, que se potencia ao ser divulgado e comentado. A eleição de Bush parece não ter servido de Lição.
Eu não seria tão céptico. Por um lado, se é evidente que a eleição o Presidente americano não é nem directa nem feita através de um círculo eleitoral nacional, a verdade também é que só três vezes (1876, 1888 e 2000) o candidato que teve mais votos não foi o Presidente. Pelo que a intenção de voto nacional e saber quem tem mais intenções de voto a esse nível é um indicador muito razoável de quem poderá ser o vencedor. Por outro lado, a verdade é que se dá muita atenção ao que se passa nos estados, como se pode ver aqui. O problema, claro, é que em vários estados há poucas sondagens e as indicações do que se vai passar neles são pouco fiáveis, pelo que basearmo-nos exclusivamente nessas sondagens seria também perigoso. Pelo que o enfoque na intenção de voto nacional não me parece errado, desde que, claro, se perceba que uma coisa é tentar fazer inferências sobre o voto popular a nível nacional e outra é fazer inferências sobre quem terá mais membros no colégio eleitoral (sendo que ambas as coisas tendem a coincidir).
Agora, para quem faz campanhas, as sondagens a nível nacional têm pouca utilidade. Veja-se o que diz o campaign manager de Obama:
"All we care about is these 18 states," he said. He repeated, with emphasis, that the campaign does not care about national polling. Instead, the campaign's own identification, registration and canvassing efforts provide the data he uses to determine where to invest money and resources. Plouffe also emphasized that the internal polling the campaign does is focused on those same 18 states, and that their real concern is not the horse race results but the "data underneath." Later, he added, "the top-line [polling data] doesn't tell you anything." Rather, they focus on who the "true undecideds" are, "how they're likely to break," and what messages will best persuade them.
Outro ponto:
A sondagem da Gallup que linkou, foi realizada com base em ca. de 2700 inquéritos. E é assumido um erro de cerca de 2% associado à sondagem. Estatísticamente, parece-me certo. Mas de facto esta amostra só poderia ser considerada representativa no caso da eleição para a presidência dos EUA se basear contagem total dos vos e não na eleição de um colégio eleitoral em cada estado. Para o último caso, a amostra tem de ser ponderada estadualmente. Em anexo tenho os cálculos da ponderação dos 2700 inquéritos por estado. E surpreendi-me quando vi que um número significativo de estados não chegam sequer à dezena. Com isto estamos bem longe de um erro de 2%! É legítimo apresentar-se resultados com tão pouca consistência para justificar tendências de voto?
Isto está ligado ao ponto anterior. Uma sondagem como esta da Gallup está a tentar fazer uma inferência descritiva sobre o voto popular, não sobre quem tem mais eleitos no colégio. Para o primeiro fim, está muito bem. Da mesma maneira que uma sondagem feita em Portugal raramente está a tentar apurar - pelo menos directamente - quem vai ter mais deputados. Para fazer isso directamente seria necessário fazer sondagens com amostras representativas de cada distrito e estimar deputados por distrito. Mas, claro, ninguém faz isso, porque os benefícios não compensam os custos: saber quem tem mais votos a nível nacional costuma ser suficiente para saber quem terá mais deputados. O que já é mais perigoso é tentar fazer esses cálculos com alguma aparência de objectividade com base em sondagens que têm como único objectivo medir o voto a nível nacional. Dei aqui um exemplo disso há uns anos. Até pode correr bem, mas também pode correr muito mal.
sexta-feira, setembro 12, 2008
Voto por ideologia/identificação partidária- Gallup
Um dos resultados mais interessantes das sondagens sobre as eleições americanas não são tanto as intenções de voto gerais, mas a história que é contada pelos cruzamentos entre identificação partidária e voto.
Se olharem para esse cruzamento, a história das últimas semanas fica muito (demasiado?) simples:
1. Voto McCain entre Republicanos conservadores:
4-10 Agosto: 90%
1-7 Setembro: 94%
2. Voto McCain entre Republicanos moderados/liberais:
4-10 Agosto: 70%
1-7 Setembro: 78%
3. Voto McCain entre independentes:
4-10 Agosto: 33%
1-7 Setembro: 28%
3. Voto Obama entre independentes:
4-10 Agosto: 22%
1-7 Setembro: 29%
Não sei se perceberam a história: são os benefícios e os custos de Palin. McCain reforça a base, mas enfraquece junto aos independentes. O primeiro movimento foi o que lhe permitiu encostar a Obama. O segundo movimento é o de que Obama precisa que se consolide para ganhar em Novembro.
P.S- E antes que digam ou pensem:
1. Estas flutuações, apesar de não muito grandes e de se darem em sub-amostras, podem ser significativas porque não se referem a uma única sondagem, mas ao conjunto de todos os inquiridos na tracking poll durante uma semana.
2. Claro que a probabilidade dos independentes acabarem por votar é menor.
3. À luz disto, percebe-se melhor isto, não?: Barack Obama's campaign is seeking to retake the offensive in the contest against John McCain today with a renewed focus on the economy.
Se olharem para esse cruzamento, a história das últimas semanas fica muito (demasiado?) simples:
1. Voto McCain entre Republicanos conservadores:
4-10 Agosto: 90%
1-7 Setembro: 94%
2. Voto McCain entre Republicanos moderados/liberais:
4-10 Agosto: 70%
1-7 Setembro: 78%
3. Voto McCain entre independentes:
4-10 Agosto: 33%
1-7 Setembro: 28%
3. Voto Obama entre independentes:
4-10 Agosto: 22%
1-7 Setembro: 29%
Não sei se perceberam a história: são os benefícios e os custos de Palin. McCain reforça a base, mas enfraquece junto aos independentes. O primeiro movimento foi o que lhe permitiu encostar a Obama. O segundo movimento é o de que Obama precisa que se consolide para ganhar em Novembro.
P.S- E antes que digam ou pensem:
1. Estas flutuações, apesar de não muito grandes e de se darem em sub-amostras, podem ser significativas porque não se referem a uma única sondagem, mas ao conjunto de todos os inquiridos na tracking poll durante uma semana.
2. Claro que a probabilidade dos independentes acabarem por votar é menor.
3. À luz disto, percebe-se melhor isto, não?: Barack Obama's campaign is seeking to retake the offensive in the contest against John McCain today with a renewed focus on the economy.
terça-feira, setembro 09, 2008
Agora sim
Agora sim, McCain encosta a Obama. O saldo dos dois "bounces" das convenções ainda está por fazer (pode acontecer ao de McCain o mesmo que aconteceu ao de Obama, ou seja, dissipar-se um pouco) mas, para já, tudo indica que quem mais ficou a ganhar com as convenções foi o ticket republicano. Como é hábito, excelente tratamento do tema por Charles Franklin.
sexta-feira, setembro 05, 2008
quinta-feira, setembro 04, 2008
Palin
Muito do que está aqui me parece bem observado sobre o discurso de ontem. A escolha de Palin teve uma dupla dimensão: o género e a ideologia. A primeira jogaria num sentido - por assim dizer, de atracção do eleitorado que votou em Hillary e de "retirar uma bandeira" aos Democratas, os únicos que tinham até agora tido uma mulher no ticket - e a segunda noutro - de consolidação do eleitorado Republicano mais conservador, permitindo a McCain uma certa despreocupação com essa base eleitoral. Ao contrário do que eu próprio julgava nos minutos seguintes depois de conhecer a nomeação de Palin, a dimensão mais importante parece ser a segunda. A primeira está lá, implícita, mas são os pergaminhos ultra-conservadores de Palin que mais contaram ontem.
Parece-me que os boatos iniciais sobre o filho de Palin, Trig, (que seria, segundo o boato, realmente o seu neto), difundidos inicialmente por um blog de simpatias democratas, só jogam contra os próprios Democratas, da mesma maneira que o artigo do NYT sobre a suposta amante de McCain. Não posso provar, mas de cada vez que qualquer coisa dessas aparecer e não se confirmar verdadeira, devem ser mais uns pontos percentuais de eleitores com simpatias republicanas que se consolidam como votantes de McCain. A percepção entre os Republicanos é a de que os media são todos visceralmente liberais, e coisas destas só o parecem confirmar. O grande problema de McCain - como atrair, com o seu perfil, o eleitorado Republicano mais conservador - parece, de resto, quase resolvido: 91% deles dizem que votarão nele na última tracking poll da Gallup.
Uma nota pessoal e, eventualmente, pouco imparcial: a exibição do filho de Palin, de quatro meses de idade, a passar de colo em colo de cada membro da família e até pelo colo da mulher de McCain, à noite, no meio de um barulho ensurdecedor, parecendo mais inconsciente - quase inerte - do que adormecido, constantemente focado pelas câmaras de televisão, especialmente quando Palin promete ser na Casa Branca uma "defensora" de quem filhos deficientes, foi para mim, que tenho um filho com oito meses de idade, uma das coisas mais obscenas que vi num ecrã de televisão em toda a minha vida. Mas não sou imparcial quando se trata de eleições americanas, repito. Depois do que se passou nos últimos oito anos, se em vez Obama o candidato Democrata fosse o Pato Donald, eu, se pudesse, votava no pato. É para verem o grave da coisa.
Parece-me que os boatos iniciais sobre o filho de Palin, Trig, (que seria, segundo o boato, realmente o seu neto), difundidos inicialmente por um blog de simpatias democratas, só jogam contra os próprios Democratas, da mesma maneira que o artigo do NYT sobre a suposta amante de McCain. Não posso provar, mas de cada vez que qualquer coisa dessas aparecer e não se confirmar verdadeira, devem ser mais uns pontos percentuais de eleitores com simpatias republicanas que se consolidam como votantes de McCain. A percepção entre os Republicanos é a de que os media são todos visceralmente liberais, e coisas destas só o parecem confirmar. O grande problema de McCain - como atrair, com o seu perfil, o eleitorado Republicano mais conservador - parece, de resto, quase resolvido: 91% deles dizem que votarão nele na última tracking poll da Gallup.
Uma nota pessoal e, eventualmente, pouco imparcial: a exibição do filho de Palin, de quatro meses de idade, a passar de colo em colo de cada membro da família e até pelo colo da mulher de McCain, à noite, no meio de um barulho ensurdecedor, parecendo mais inconsciente - quase inerte - do que adormecido, constantemente focado pelas câmaras de televisão, especialmente quando Palin promete ser na Casa Branca uma "defensora" de quem filhos deficientes, foi para mim, que tenho um filho com oito meses de idade, uma das coisas mais obscenas que vi num ecrã de televisão em toda a minha vida. Mas não sou imparcial quando se trata de eleições americanas, repito. Depois do que se passou nos últimos oito anos, se em vez Obama o candidato Democrata fosse o Pato Donald, eu, se pudesse, votava no pato. É para verem o grave da coisa.
terça-feira, setembro 02, 2008
Previsões de modelos econométricos
Já aqui mencionei o último número do International Journal of Forecasting, sobre previsões das eleições americanas. No máximo, os artigos apresentavam modelos e previsões condicionais. Mas com as eleições a aproximarem-se e com dados da economia e de popularidade com um lag relativamente pequeno a ficarem disponíveis, aparecem as primeiras previsões concretas. Alguns dos papers foram apresentados na semana passada na reunião da American Political Science Association:
1. Lewis-Back e Tien. Paper e previsão para McCain: 43.2% do voto popular bipartidário.
2. Sidman e Mak. Paper e previsão para McCain: 243 votos no colégio eleitoral (derrota).
3. Cuzan e Bundrik. Paper e previsão para McCain: 48% do voto popular bipartidário.
4. Abramovitz. Paper e previsão para McCain: 44.9% do voto popular bipartidário.
5. Erikson e Wlezien. Paper e previsão para McCain: 47% do voto popular bipartidário.
6. Klarner. Paper e previsão para McCain: 47% do voto popular bipartidário.
7. Hibbs. Paper e previsão para McCain: 48.2% do voto popular bipartidário.
8. Fair. Previsão para McCain: 48.5% do voto popular bipartidário.
Obama, supostamente, ganha em todos os modelos.
1. Lewis-Back e Tien. Paper e previsão para McCain: 43.2% do voto popular bipartidário.
2. Sidman e Mak. Paper e previsão para McCain: 243 votos no colégio eleitoral (derrota).
3. Cuzan e Bundrik. Paper e previsão para McCain: 48% do voto popular bipartidário.
4. Abramovitz. Paper e previsão para McCain: 44.9% do voto popular bipartidário.
5. Erikson e Wlezien. Paper e previsão para McCain: 47% do voto popular bipartidário.
6. Klarner. Paper e previsão para McCain: 47% do voto popular bipartidário.
7. Hibbs. Paper e previsão para McCain: 48.2% do voto popular bipartidário.
8. Fair. Previsão para McCain: 48.5% do voto popular bipartidário.
Obama, supostamente, ganha em todos os modelos.
segunda-feira, setembro 01, 2008
Efeitos da Convenção?
Um dos efeitos de curto-prazo sempre mais comentados é o "convention bounce", a ideia de que, após a convenção, o candidato tem um ganho em termos de intenções de voto. Este artigo de 1999, usando dados entre 1952 e 1992, sugere que o ganho médio anda pelos 7 pontos.
Um post no Pollster começa a abordar este assunto com os dados disponíveis. Na tracking poll da Gallup, de uma empate 45-45, passou-se para uma vantagem de 8 pontos para Obama. Na tracking poll da Rasmussen, um efeito muito menor.
O post lista várias razões para sermos cépticos em relação à capacidade para medir rigorosamente esse "bounce". E um artigo de John Zaller, de 2002, é mais céptico ainda:
"detection of exposure effects is likely to be unreliable unless the effects are both large and captured in a large survey. Surveys, or subsets of surveys, having fewer than about 2000 cases may be unreliable for detecting almost any sort of likely exposure effect; even surveys of 3000 could easily fail to detect politically important effects."
Alguma coisa deve ter beneficiado. Mas quanto, e por quanto tempo?
Um post no Pollster começa a abordar este assunto com os dados disponíveis. Na tracking poll da Gallup, de uma empate 45-45, passou-se para uma vantagem de 8 pontos para Obama. Na tracking poll da Rasmussen, um efeito muito menor.
O post lista várias razões para sermos cépticos em relação à capacidade para medir rigorosamente esse "bounce". E um artigo de John Zaller, de 2002, é mais céptico ainda:
"detection of exposure effects is likely to be unreliable unless the effects are both large and captured in a large survey. Surveys, or subsets of surveys, having fewer than about 2000 cases may be unreliable for detecting almost any sort of likely exposure effect; even surveys of 3000 could easily fail to detect politically important effects."
Alguma coisa deve ter beneficiado. Mas quanto, e por quanto tempo?
sexta-feira, agosto 29, 2008
Parece que Hillary vai ter de continuar a dar uma ajudinha.
McCain Picks Palin. O primeiro passo para mostrar que não é igual a Bush.
Rescaldo da DNC
Não estou a inventar nada de muito original, apenas a sintetizar ideias de outros. A coisa parece estar assim:
1. O discurso de ontem de Obama foi mais concreto e menos vago e gongórico que o habitual. Ainda bem para ele. Um dos problemas de Obama é que começa a haver cansaço - pelo menos entre a opinião publicada, se bem que talvez ainda não entre os eleitores - de tanto brilhantismo retórico, tanto dom da palavra e tanto recurso às emoções. O discurso ajudou a corrigir isso. Os comentadores estão a reagir como previsto. Se calhar, para os eleitores não faz nem nunca iria fazer diferença. Mas condicionar o comentário político é importante.
2. A táctica dos Democratas parece definida. McCain é um cidadão respeitabilíssimo - todas as referências, TODAS as que lhe foram feitas nos discursos mais importantes começavam com um elogio - mas está do lado errado da História. Desde que entrou na campanha, as suas políticas são iguais às de Bush. Oito anos já chegam. The third time is not the charm. Etc. Até o Economist tem saudades do McCain dos velhos tempos, seja lá o que isso for.
3. Há quem ache que isto é um erro catastrófico para os Democratas e uma oportunidade para McCain. Basta negar e recordar o passado de oposição a Bush e à direita dos Republicanos, e toda a campanha de Obama cai pela base. Este "basta" é duvidoso. Vai haver uma altura em que McCain poderá dizer isso. Mas agora, com a Convenção Republicana, não é certamente. Mas talvez possa dizer pouco depois. Mais de 80% dos Republicanos já dizem que votarão McCain, o que sugere que a base está consolidada e que, depois da convenção, a viragem ao centro já é possível. O Tricky Dick é capaz de não estar a ver a coisa completamente mal.
1. O discurso de ontem de Obama foi mais concreto e menos vago e gongórico que o habitual. Ainda bem para ele. Um dos problemas de Obama é que começa a haver cansaço - pelo menos entre a opinião publicada, se bem que talvez ainda não entre os eleitores - de tanto brilhantismo retórico, tanto dom da palavra e tanto recurso às emoções. O discurso ajudou a corrigir isso. Os comentadores estão a reagir como previsto. Se calhar, para os eleitores não faz nem nunca iria fazer diferença. Mas condicionar o comentário político é importante.
2. A táctica dos Democratas parece definida. McCain é um cidadão respeitabilíssimo - todas as referências, TODAS as que lhe foram feitas nos discursos mais importantes começavam com um elogio - mas está do lado errado da História. Desde que entrou na campanha, as suas políticas são iguais às de Bush. Oito anos já chegam. The third time is not the charm. Etc. Até o Economist tem saudades do McCain dos velhos tempos, seja lá o que isso for.
3. Há quem ache que isto é um erro catastrófico para os Democratas e uma oportunidade para McCain. Basta negar e recordar o passado de oposição a Bush e à direita dos Republicanos, e toda a campanha de Obama cai pela base. Este "basta" é duvidoso. Vai haver uma altura em que McCain poderá dizer isso. Mas agora, com a Convenção Republicana, não é certamente. Mas talvez possa dizer pouco depois. Mais de 80% dos Republicanos já dizem que votarão McCain, o que sugere que a base está consolidada e que, depois da convenção, a viragem ao centro já é possível. O Tricky Dick é capaz de não estar a ver a coisa completamente mal.
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