Eu acho que é possível, mas acho também que falta uma óbvia terceira possibilidade. Exemplifico: há dias, um jornalista ligava-me para confirmar a existência de um alegado estudo da Católica que teria sido feito a pedido de Belém, que o Presidente já teria citado várias vezes em reuniões de trabalho, e que supostamente mostraria que os portugueses "sabiam distinguir bem entre eleições" e apoiaria a convocação de eleições legislativas para a mesma data que as europeias. Pergunto ao Eduardo: de onde é que ele acha que terá vindo este conto de ficção científica? Das duas, três.
sábado, janeiro 10, 2009
Das duas, três
Uma nota rapidíssima sobre este post de Eduardo Pitta (que é também um dos poucos bloggers que ainda leio regularmente) onde, a propósito da notícia do Sol sobre o Orçamento, dos comentários de Mário Crespo sobre "fontes anónimas" e a reacção da Casa Civil, se cita Crespo com aprovação: "Uma coisa é certa: ou as notícias saem lá de dentro [da Presidência da República] ou são inventadas pelos jornais."
quinta-feira, janeiro 08, 2009
Sondagens em Israel, 2
Benjamin Netanyahu’s Likud party has lost momentum as a general ballot in Israel draws near, according to a poll by Teleseker published in Maariv. A prospective tally of seats shows the rightist party would get 28 seats in the Knesset in next month’s election, down seven since December. The ruling Kadima party would also get 28 seats—up seven in three weeks. Labour is third with 16 mandates, followed by Israel Our Home with 12 seats, and the International Organization of Torah-observant Sephardic Jews (Shas) with 11 mandates.
Ler mais aqui.
Ler mais aqui.
Sondagens em Israel, 1
Maagar Mochot/Israel Radio, 28.12.08, N= 502, Telefone
Do you support the current military operation in Gaza?
Support: 81%
Oppose: 12%
Not sure: 7%
Will the current operation stop the Qassam rockets against Israel?
Forever: 6%
For a long period: 11%
For a short period: 24%
No: 39%
Not sure: 20%
Do you support the current military operation in Gaza?
Support: 81%
Oppose: 12%
Not sure: 7%
Will the current operation stop the Qassam rockets against Israel?
Forever: 6%
For a long period: 11%
For a short period: 24%
No: 39%
Not sure: 20%
terça-feira, dezembro 30, 2008
Outlier: sobre o Estatuto dos Açores
Em parte em comentário ao que Luís Campos e Cunha escreve no Blog da Sedes, tenho alguma dificuldade em compreender por que razão o Presidente não optou, em qualquer momento deste processo, por enviar o Estatuto dos Açores para fiscalização preventiva pelo Tribunal Constitucional. Há muito tempo que não me debruço sobre estes temas, o assunto é muitíssimo complicado, não sou jurista e podia escrever mais alguns "disclaimers". Mas para abreviar, acho que fez mal, por várias razões:
1. A apreciação que o Presidente fez do Estatuto na sua comunicação ao país de ontem (assim como na do Verão passado) não deixa margem para dúvidas: sem nunca usar o termo, não há dúvida que o Presidente entende que o Estatuto é inconstitucional. Se assim entende, então não pode argumentar que fez "tudo o que estava ao [seu] alcance para defender os superiores interesses do Estado". Não fez uma coisa: solicitar ao supremo intérprete da constitucionalidade das leis que faça o seu trabalho em relação uma lei que o PR entende ser inconstitucional.
2. Ao não o fazer, abre caminho a uma série de interpretações - todas provavelmente ilegítimas, mas não por isso menos possíveis de tentar fazer vingar na opinião pública - sobre a sua actuação, nomeadamente a de que suspeita que o Tribunal não apoiaria a sua interpretação ou até de que suspeita que o Tribunal seria influenciado pelos interesses partidários que criticou na sua comunicação. Ao não pedir a fiscalização, o Presidente, mesmo que involuntariamente, desvaloriza o TC.
3. Faz ainda uma outra coisa. O TC, na fiscalização preventiva, serve para precisamente para confirmar ou infirmar dúvidas que o Presidente tenha sobre a constitucionalidade das leis. E serve especialmente para evitar que leis inconstitucionais entrem em vigor. O que vai suceder, contudo, é que uma lei que o Presidente entende ser inconstitucional vai acabar por entrar em vigor. E vai entrar em vigor sem que o intérprete supremo se tenha pronunciado sobre o que retém (ou não) da interpretação do Presidente. Cria-se assim na opinião pública uma sensação perturbante: a de que, no nosso sistema, é possível que entrem em vigor leis inconstitucionais, ou que o Presidente entende serem inconstitucionais, sem que haja uma última palavra sobre se são inconstitucionais ou não.
4. Num plano ainda mais "político" da questão, ter enviado a lei pra o TC teria evitado ainda outras interpretações, nomeadamente a de que o tema com que Presidente se preocupou mais até agora no seu mandato foi um tema ligado aos seus próprios poderes. A comunicação ao país procurou infirmar esta ideia. Mas ela teria sido infirmada mais eficazmente se a questão tivesse sido deslocada da discordância política do Presidente com o estatuto e com o comportamento dos agentes políticos para o plano mais "abstracto" da adequação da lei à nossa ordem constitucional.
5. Mais geral ainda: na afirmação de que "não se trata apenas de uma questão jurídico-constitucional" há uma desvalorização implícita do que é "jurídico-constitucional". O que a Constituição - e a sua interpretação - fazem é, precisamente, lidar com "os fundamentos essenciais que alicerçam o nosso sistema político" ou "o relacionamento entre órgãos de soberania". De resto, a Constituição e o seu intérprete até fazem muito mais do que isso. Logo, dever-se-ia olhar para isto ao contrário daquilo que fez o Presidente: não se trata apenas de uma questão política, é também uma questão jurídico-constitucional, ou seja, é a questão mais importante de todas na nossa vida colectiva.
6. Agora, mesmo que seja pedida fiscalização sucessiva, quem conhece e estudou o Tribunal sabe o que vai suceder: a decisão só será conhecida daqui a muito tempo, e quase ninguém vai dar por isso, mesmo que a decisão seja desfavorável. Todos os efeitos negativos anteriores já terão ocorrido e sem correcção possível.
7. O plano mais "político" de todos é o menos interessante: se o Presidente sai fortalecido, ou enfraquecido ou nem uma coisa nem outra no fim disto tudo em relação ao governo do PS. Não sei. Mas no nosso sistema, em face de uma maioria absoluta, o veto e a fiscalização preventiva são as "armas dos fracos". A sua eficácia é limitada ou incerta para colocar obstáculos directos às maiorias. Mas o seu uso é indispensável para legitimar outras formas de actuação junto da opinião pública. Caso contrário, com o devido respeito, "ladra-se", mas não se "morde". A "autoridade moral" precisa de vir com alguma artilharia por detrás.
Postado também aqui.
1. A apreciação que o Presidente fez do Estatuto na sua comunicação ao país de ontem (assim como na do Verão passado) não deixa margem para dúvidas: sem nunca usar o termo, não há dúvida que o Presidente entende que o Estatuto é inconstitucional. Se assim entende, então não pode argumentar que fez "tudo o que estava ao [seu] alcance para defender os superiores interesses do Estado". Não fez uma coisa: solicitar ao supremo intérprete da constitucionalidade das leis que faça o seu trabalho em relação uma lei que o PR entende ser inconstitucional.
2. Ao não o fazer, abre caminho a uma série de interpretações - todas provavelmente ilegítimas, mas não por isso menos possíveis de tentar fazer vingar na opinião pública - sobre a sua actuação, nomeadamente a de que suspeita que o Tribunal não apoiaria a sua interpretação ou até de que suspeita que o Tribunal seria influenciado pelos interesses partidários que criticou na sua comunicação. Ao não pedir a fiscalização, o Presidente, mesmo que involuntariamente, desvaloriza o TC.
3. Faz ainda uma outra coisa. O TC, na fiscalização preventiva, serve para precisamente para confirmar ou infirmar dúvidas que o Presidente tenha sobre a constitucionalidade das leis. E serve especialmente para evitar que leis inconstitucionais entrem em vigor. O que vai suceder, contudo, é que uma lei que o Presidente entende ser inconstitucional vai acabar por entrar em vigor. E vai entrar em vigor sem que o intérprete supremo se tenha pronunciado sobre o que retém (ou não) da interpretação do Presidente. Cria-se assim na opinião pública uma sensação perturbante: a de que, no nosso sistema, é possível que entrem em vigor leis inconstitucionais, ou que o Presidente entende serem inconstitucionais, sem que haja uma última palavra sobre se são inconstitucionais ou não.
4. Num plano ainda mais "político" da questão, ter enviado a lei pra o TC teria evitado ainda outras interpretações, nomeadamente a de que o tema com que Presidente se preocupou mais até agora no seu mandato foi um tema ligado aos seus próprios poderes. A comunicação ao país procurou infirmar esta ideia. Mas ela teria sido infirmada mais eficazmente se a questão tivesse sido deslocada da discordância política do Presidente com o estatuto e com o comportamento dos agentes políticos para o plano mais "abstracto" da adequação da lei à nossa ordem constitucional.
5. Mais geral ainda: na afirmação de que "não se trata apenas de uma questão jurídico-constitucional" há uma desvalorização implícita do que é "jurídico-constitucional". O que a Constituição - e a sua interpretação - fazem é, precisamente, lidar com "os fundamentos essenciais que alicerçam o nosso sistema político" ou "o relacionamento entre órgãos de soberania". De resto, a Constituição e o seu intérprete até fazem muito mais do que isso. Logo, dever-se-ia olhar para isto ao contrário daquilo que fez o Presidente: não se trata apenas de uma questão política, é também uma questão jurídico-constitucional, ou seja, é a questão mais importante de todas na nossa vida colectiva.
6. Agora, mesmo que seja pedida fiscalização sucessiva, quem conhece e estudou o Tribunal sabe o que vai suceder: a decisão só será conhecida daqui a muito tempo, e quase ninguém vai dar por isso, mesmo que a decisão seja desfavorável. Todos os efeitos negativos anteriores já terão ocorrido e sem correcção possível.
7. O plano mais "político" de todos é o menos interessante: se o Presidente sai fortalecido, ou enfraquecido ou nem uma coisa nem outra no fim disto tudo em relação ao governo do PS. Não sei. Mas no nosso sistema, em face de uma maioria absoluta, o veto e a fiscalização preventiva são as "armas dos fracos". A sua eficácia é limitada ou incerta para colocar obstáculos directos às maiorias. Mas o seu uso é indispensável para legitimar outras formas de actuação junto da opinião pública. Caso contrário, com o devido respeito, "ladra-se", mas não se "morde". A "autoridade moral" precisa de vir com alguma artilharia por detrás.
Postado também aqui.
Rescaldo das previsões eleitorais U.S.
O rescaldo "oficial" das sondagens pré-eleitorais nos Estados Unidos pode ser encontrado aqui. O National Council on Public Polls conclui que "the 19 national presidential polls conducted in 2008 and published at the end of the campaign came very close to the election outcome" e que "despite widely discussed concerns such as the growing size of the cell-phone-only population (and this year the possibility of a repeat of Bradley/Wilder effect), there was no change in poll average error [em relação a 2004]."
O resultado de 46,6% dos votos para McCain (em relação à soma McCain + Obama) pode também ser comparado com os modelos quantitativos de forecasting que foram apresentados nos meses anteriores. É curioso verificar que os três modelos que mais sobrestimaram o voto em McCain foram os de Norpoth (que tomava em conta os resultados das primárias), os de Lewis-Beck e Tien (que introduziam uma "correcção" para o "Bradley effect") e os de Campbell (que utilizava dados de intenção de voto).
Os Iowa Political Markets estimavam, em 2 de Novembro, 46,7% para McCain...
O resultado de 46,6% dos votos para McCain (em relação à soma McCain + Obama) pode também ser comparado com os modelos quantitativos de forecasting que foram apresentados nos meses anteriores. É curioso verificar que os três modelos que mais sobrestimaram o voto em McCain foram os de Norpoth (que tomava em conta os resultados das primárias), os de Lewis-Beck e Tien (que introduziam uma "correcção" para o "Bradley effect") e os de Campbell (que utilizava dados de intenção de voto).
Os Iowa Political Markets estimavam, em 2 de Novembro, 46,7% para McCain...
sexta-feira, dezembro 19, 2008
Barómetro CESOP/Católica
O relatório-síntese da última sondagem do CESOP para a RTP, Antena 1 e JN pode ser descarregado aqui. Para além das perguntas habituais, dois temas: perspectivas para 2009 e as relações entre o governo e o Presidente da República.
terça-feira, dezembro 16, 2008
Novidades
Bem sei que o meu silêncio sobre as sondagens que têm saído pode parecer estranho. Mas há uma boa razão. Em Janeiro, em preparação do ano eleitoral de 2009, haverá aqui novidades. Nessa altura falamos.
quarta-feira, dezembro 10, 2008
Outlier: o absentismo dos deputados
Das três uma (ou duas, ou três): ou os "problemas do país" não mudam, ou eu já ando nisto há demasiado tempo e já disse todo o pouco que tenho para dizer sobre eles, ou então estou um velho rezingão que não consegue mudar de opinião. Em suma: o que acho que tenho para dizer sobre o assunto do absentismo dos deputados está aqui, num texto de 2006.
Uma floresta de enganos
O absentismo dos deputados parece ser suficientemente grave para que, segundo se anuncia, o Presidente da República vá amanhã falar sobre o assunto no parlamento. Estamos em terreno de tal modo fértil para a demagogia e as banalidades que não estou seguro, confesso, de conseguir chegar ao fim deste texto sem incorrer numa ou noutras. Será então prudente que comece pelos factos.
O primeiro é que os parlamentares portugueses parecem ter adoptado para si próprios um dos mais duros regimes de punição de faltas às sessões plenárias existentes nas democracias ocidentais, prevendo — salvo motivo justificado — a perda de mandato por falta de comparência a apenas quatro sessões plenárias. Uma visita à base de dados da União Interparlamentar revela, por exemplo, que dos vinte e cinco regimentos dos parlamentos da União Europeia, apenas em quatro deles (Áustria, Finlândia, Letónia e Portugal) se prevê a perda de mandato de deputado por semelhante motivo. Na maioria dos casos existem apenas sanções pecuniárias, havendo inclusivamente seis países — Bélgica, Dinamarca, Holanda, Suécia, Reino Unido e Estónia — em que não existe sequer uma obrigatoriedade de presença no plenário. Não consta que tenha sido isto que levou ao declínio do Império Britânico, nem que seja factor de peso na “qualidade” das democracias dinamarquesa ou sueca. E não deixa de ser enigmático que, na mesma altura em que instituições como o Centro Europeu de Pesquisa e Documentação Parlamentar discutem a utilização de meios electrónicos que permitam discussões e votações sem a presença física dos deputados no parlamento - para que possam passar mais tempo junto dos seus círculos eleitorais e noutras actividades políticas - os nossos deputados coloquem tanto empenho em criar regras que, supostamente, os deveriam manter sentados no hemiciclo.
O segundo facto ajuda a decifrar o enigma. Na verdade, não é evidente que os parlamentares portugueses tenham tido alguma vez a intenção de colocar estas regras draconianas em prática, se não na letra pelo menos no espírito. Por exemplo, em Julho de 2001, numa das várias épocas de caça ao deputado faltoso abertas pela comunicação social nos últimos anos, relatava-se que nada menos de 30 deputados tinham já ultrapassado o limite de três faltas injustificadas nessa sessão legislativa. Mas ficou-se também a saber que o processo de perda de mandatos não tinha sequer sido accionado, alegando-se que os serviços administrativos tinham marcado faltas ao plenário a quem estava a trabalhar em comissão. E pelo caminho, foi o próprio Presidente da Assembleia quem veio afirmar, afinal, a sua discordância “pessoal” com o “excesso de rigor” da norma. Ao longo dos meses que se seguiram, os faltosos puderam — chamemos-lhe assim — “justificar” as suas faltas, muito depois do período regulamentar para tal. Através deste e outros processos semelhantes ocorridos nos últimos anos, nunca um deputado perdeu o mandato por excesso de faltas injustificadas, sendo mesmo raríssimos os casos de faltas que tenham ficado por justificar.
O que se costuma seguir a esta constatação é a denúncia pública do “escândalo”, a contrição dos líderes partidários e parlamentares e o apelo a mais regras “moralizadoras”, de forma a “recuperar o prestígio” do parlamento junto da opinião pública. Tudo bem. Mas talvez seja importante recordar que não há qualquer estudo de opinião que sugira que a imagem que os portugueses têm do seu parlamento seja minimamente afectada, para o mal ou para o bem, quer pelos supostos “escândalos” quer pelas supostas “reformas” que lhes têm respondido ao longo dos últimos anos. Não tem havido, em termos da imagem do parlamento, um “antes” ou um “depois” dos diversos “pacotes” de reforma parlamentar. O que a investigação sugere é, pelo contrário, que o anti-partidarismo dos portugueses é forte, arreigado e não tem sofrido mudanças especialmente notáveis nos últimos anos. E que as avaliações que fazem do parlamento são muito mais sensíveis a factores como o desemprego, a inflação e o crescimento económico, sendo também mais negativas, naturalmente, entre os simpatizantes dos partidos que estão a cada momento na oposição. De facto, nem é sequer seguro que os cidadãos tenham uma “imagem” propriamente dita do “parlamento”, de tão dependente que ela parece ser daquela que é feita do sistema político em geral e do seu desempenho.
Deste modo, a preocupação com o impacto destes rocambolescos eventos na imagem do parlamento e dos políticos está provavelmente a confundir causas e efeitos. Se os parlamentares vão aprovando para si próprios normas de conduta de aplicabilidade incerta e, nalguns casos, indesejada à partida, é precisamente porque querem dar ao público aquilo que pensam — provavelmente com razão — que o público quer, ou seja, regras que tratem os políticos na base de um princípio generalizado de suspeição. E se de seguida os mesmos parlamentares subvertem o espírito das normas que por eles próprios aprovadas, é porque também julgam — mais uma vez com acerto — que, quando chegar a hora da verdade, nada disto vai ter qualquer efeito no que realmente conta: a sua colocação em lugares elegíveis nas listas e a opção de voto dos eleitores neste ou naquele partido.
É por tudo isto que o habitual discurso do “escândalo”, seguido da necessidade de “moralização”, pode facilmente tornar-se, nesta floresta de enganos, no mais situacionista dos discursos. Em primeiro lugar, porque permite que não se repense sequer por um segundo qual poderá ser o papel dos deputados e dos parlamentos nas democracias contemporâneas, ou sequer os mecanismos de responsabilização política que poderiam dispensar a adopção de regras mais ou menos absurdas que tratam deputados eleitos como funcionários públicos tendencialmente relapsos. E em segundo lugar, porque ajuda a perpetuar um jogo perverso entre políticos, jornalistas e opinião pública que, a esta hora, os primeiros já aprenderam a jogar de olhos fechados.
Uma floresta de enganos
O absentismo dos deputados parece ser suficientemente grave para que, segundo se anuncia, o Presidente da República vá amanhã falar sobre o assunto no parlamento. Estamos em terreno de tal modo fértil para a demagogia e as banalidades que não estou seguro, confesso, de conseguir chegar ao fim deste texto sem incorrer numa ou noutras. Será então prudente que comece pelos factos.
O primeiro é que os parlamentares portugueses parecem ter adoptado para si próprios um dos mais duros regimes de punição de faltas às sessões plenárias existentes nas democracias ocidentais, prevendo — salvo motivo justificado — a perda de mandato por falta de comparência a apenas quatro sessões plenárias. Uma visita à base de dados da União Interparlamentar revela, por exemplo, que dos vinte e cinco regimentos dos parlamentos da União Europeia, apenas em quatro deles (Áustria, Finlândia, Letónia e Portugal) se prevê a perda de mandato de deputado por semelhante motivo. Na maioria dos casos existem apenas sanções pecuniárias, havendo inclusivamente seis países — Bélgica, Dinamarca, Holanda, Suécia, Reino Unido e Estónia — em que não existe sequer uma obrigatoriedade de presença no plenário. Não consta que tenha sido isto que levou ao declínio do Império Britânico, nem que seja factor de peso na “qualidade” das democracias dinamarquesa ou sueca. E não deixa de ser enigmático que, na mesma altura em que instituições como o Centro Europeu de Pesquisa e Documentação Parlamentar discutem a utilização de meios electrónicos que permitam discussões e votações sem a presença física dos deputados no parlamento - para que possam passar mais tempo junto dos seus círculos eleitorais e noutras actividades políticas - os nossos deputados coloquem tanto empenho em criar regras que, supostamente, os deveriam manter sentados no hemiciclo.
O segundo facto ajuda a decifrar o enigma. Na verdade, não é evidente que os parlamentares portugueses tenham tido alguma vez a intenção de colocar estas regras draconianas em prática, se não na letra pelo menos no espírito. Por exemplo, em Julho de 2001, numa das várias épocas de caça ao deputado faltoso abertas pela comunicação social nos últimos anos, relatava-se que nada menos de 30 deputados tinham já ultrapassado o limite de três faltas injustificadas nessa sessão legislativa. Mas ficou-se também a saber que o processo de perda de mandatos não tinha sequer sido accionado, alegando-se que os serviços administrativos tinham marcado faltas ao plenário a quem estava a trabalhar em comissão. E pelo caminho, foi o próprio Presidente da Assembleia quem veio afirmar, afinal, a sua discordância “pessoal” com o “excesso de rigor” da norma. Ao longo dos meses que se seguiram, os faltosos puderam — chamemos-lhe assim — “justificar” as suas faltas, muito depois do período regulamentar para tal. Através deste e outros processos semelhantes ocorridos nos últimos anos, nunca um deputado perdeu o mandato por excesso de faltas injustificadas, sendo mesmo raríssimos os casos de faltas que tenham ficado por justificar.
O que se costuma seguir a esta constatação é a denúncia pública do “escândalo”, a contrição dos líderes partidários e parlamentares e o apelo a mais regras “moralizadoras”, de forma a “recuperar o prestígio” do parlamento junto da opinião pública. Tudo bem. Mas talvez seja importante recordar que não há qualquer estudo de opinião que sugira que a imagem que os portugueses têm do seu parlamento seja minimamente afectada, para o mal ou para o bem, quer pelos supostos “escândalos” quer pelas supostas “reformas” que lhes têm respondido ao longo dos últimos anos. Não tem havido, em termos da imagem do parlamento, um “antes” ou um “depois” dos diversos “pacotes” de reforma parlamentar. O que a investigação sugere é, pelo contrário, que o anti-partidarismo dos portugueses é forte, arreigado e não tem sofrido mudanças especialmente notáveis nos últimos anos. E que as avaliações que fazem do parlamento são muito mais sensíveis a factores como o desemprego, a inflação e o crescimento económico, sendo também mais negativas, naturalmente, entre os simpatizantes dos partidos que estão a cada momento na oposição. De facto, nem é sequer seguro que os cidadãos tenham uma “imagem” propriamente dita do “parlamento”, de tão dependente que ela parece ser daquela que é feita do sistema político em geral e do seu desempenho.
Deste modo, a preocupação com o impacto destes rocambolescos eventos na imagem do parlamento e dos políticos está provavelmente a confundir causas e efeitos. Se os parlamentares vão aprovando para si próprios normas de conduta de aplicabilidade incerta e, nalguns casos, indesejada à partida, é precisamente porque querem dar ao público aquilo que pensam — provavelmente com razão — que o público quer, ou seja, regras que tratem os políticos na base de um princípio generalizado de suspeição. E se de seguida os mesmos parlamentares subvertem o espírito das normas que por eles próprios aprovadas, é porque também julgam — mais uma vez com acerto — que, quando chegar a hora da verdade, nada disto vai ter qualquer efeito no que realmente conta: a sua colocação em lugares elegíveis nas listas e a opção de voto dos eleitores neste ou naquele partido.
É por tudo isto que o habitual discurso do “escândalo”, seguido da necessidade de “moralização”, pode facilmente tornar-se, nesta floresta de enganos, no mais situacionista dos discursos. Em primeiro lugar, porque permite que não se repense sequer por um segundo qual poderá ser o papel dos deputados e dos parlamentos nas democracias contemporâneas, ou sequer os mecanismos de responsabilização política que poderiam dispensar a adopção de regras mais ou menos absurdas que tratam deputados eleitos como funcionários públicos tendencialmente relapsos. E em segundo lugar, porque ajuda a perpetuar um jogo perverso entre políticos, jornalistas e opinião pública que, a esta hora, os primeiros já aprenderam a jogar de olhos fechados.
quarta-feira, dezembro 03, 2008
Not fillibuster-proof.
Os Democratas falham a fasquia dos 60 senadores: o Senador Republicano Saxby Chambliss ganhou a segunda volta das eleições na Georgia. Alguns Democratas estarão a pensar que, afinal, deviam ter expulsado Lieberman. Too late. De resto, o homem até já adora Obama.
domingo, novembro 30, 2008
Lawrence Summers, novo director do Conselho Económico Nacional de Barack Obama
''President Summers asked me, didn't I agree that, in general, economists are smarter than political scientists, and political scientists are smarter than sociologists?"
Contado por Peter Ellisson ao Boston Globe, via Josep Colomer.
Contado por Peter Ellisson ao Boston Globe, via Josep Colomer.
quinta-feira, novembro 27, 2008
Coisas que os americanos esperam de Obama.
ABC News, 19-23 Novembro, N=1003, Telefónica.
How much do you think Obama will be able to do to improve the economy - a great deal, a good amount, only some or not much at all?
A great deal/a good amount: 44%
Only some/not much: 49%
Nothing (voluntary): 1%
No opinion: 6%
Would you approve or disapprove of Obama selecting Hillary Clinton to serve as Secretary of State? Would you approve/disapprove strongly or somewhat?
Approve: 66%
Disapprove: 27%
No opinion: 7%
AP-GfK, 6-10 Novembro, N=1,001, Telefónica
Do you think Barack Obama should appoint some qualified Republicans to important posts in his administration, or do you think he should only appoint Democrats to those positions?
Some Republicans: 73%
Only Democrats: 15%
Unsure: 12%
How much do you think Obama will be able to do to improve the economy - a great deal, a good amount, only some or not much at all?
A great deal/a good amount: 44%
Only some/not much: 49%
Nothing (voluntary): 1%
No opinion: 6%
Would you approve or disapprove of Obama selecting Hillary Clinton to serve as Secretary of State? Would you approve/disapprove strongly or somewhat?
Approve: 66%
Disapprove: 27%
No opinion: 7%
AP-GfK, 6-10 Novembro, N=1,001, Telefónica
Do you think Barack Obama should appoint some qualified Republicans to important posts in his administration, or do you think he should only appoint Democrats to those positions?
Some Republicans: 73%
Only Democrats: 15%
Unsure: 12%
terça-feira, novembro 25, 2008
Só para tirar uma dúvida.
Num artigo da autoria de Joana Ferreira da Costa e Leonete Botelho, na página 8 do Público, escreve-se a certa altura o seguinte:
"Sabe-se ainda que [Rui Rio] fala muitas vezes com Manuela, o que alimenta alguns cenários de sucessão surpreendentes. Como a possibilidade de a líder se afastar sem se demitir, com uma doença oportuna por exemplo, lá para a Primavera, estendendo a passadeira vermelha a Rui Rio."
A ver se eu entendi bem: as jornalistas que assinam a peça acham que o facto de Rui Rio e Manuela Ferreira Leite falarem muitas vezes a sós...
a) Permite que se infira que Manuela Ferreira Leite irá, na Primavera de 2009...
b) Ou tem levado a que outras pessoas (quais?) infiram que Manuela Ferreira Leite irá, na Primavera de 2009...
c) Inventar uma doença para poder passar a liderança a Rui Rio, ou...
d) Aproveitar uma doença que já tenha como pretexto para o mesmo.
É mesmo isto que está escrito hoje na página 8 do Público? Percebi bem? Obrigado.
"Sabe-se ainda que [Rui Rio] fala muitas vezes com Manuela, o que alimenta alguns cenários de sucessão surpreendentes. Como a possibilidade de a líder se afastar sem se demitir, com uma doença oportuna por exemplo, lá para a Primavera, estendendo a passadeira vermelha a Rui Rio."
A ver se eu entendi bem: as jornalistas que assinam a peça acham que o facto de Rui Rio e Manuela Ferreira Leite falarem muitas vezes a sós...
a) Permite que se infira que Manuela Ferreira Leite irá, na Primavera de 2009...
b) Ou tem levado a que outras pessoas (quais?) infiram que Manuela Ferreira Leite irá, na Primavera de 2009...
c) Inventar uma doença para poder passar a liderança a Rui Rio, ou...
d) Aproveitar uma doença que já tenha como pretexto para o mesmo.
É mesmo isto que está escrito hoje na página 8 do Público? Percebi bem? Obrigado.
segunda-feira, novembro 24, 2008
Ainda sobre "eleitores que não são tolos".
UK, ComRES, 21-23 Novembro, N=1001, Telefónica.
2) Do you Agree or Disagree with the following statements:
"Any tax cuts the Government gives away will just mean higher taxes in the future."
Agree 79%
Disagree 19%
DK/NA: 2%
Via UK Polling Report.
2) Do you Agree or Disagree with the following statements:
"Any tax cuts the Government gives away will just mean higher taxes in the future."
Agree 79%
Disagree 19%
DK/NA: 2%
Via UK Polling Report.
Outlier: Dissonância cognitiva
Um dos conceitos mais importantes da Psicologia Social é o "princípio de redução de dissonância cognitiva". Quando confrontados com percepções e atitudes que não se ajustam entre si, os indivíduos procuram resolver esta contradição. Se têm uma atitude sobre algo, evitam expor-se a informação que a contrarie. E se expostos a essa informação, tendem a desvalorizá-la e a esquecê-la, de forma a não colocar em risco uma atitude pré-existente. As aplicações do conceito são múltiplas, até nos estudos eleitorais, especialmente no que diz respeito à convicção de muitos investigadores de que as predisposições que os eleitores já trazem consigo para as campanhas só muito dificilmente são mudadas por elas, pelos debates ou pela comunicação social.
Vem isto a propósito de um artigo de Rui Tavares hoje no Público (e dentro de dias, aqui). Nele, criticando a "falta de coragem democrática" com um dos principais problemas políticos de Portugal, recorre a um artigo que tinha escrito há meses sobre uma tomada de posição da SEDES, que Rui Tavares interpretou (e interpreta) como fazendo parte de uma "funesta tradição de gente que desconfia das eleições [ou da democracia])."
É muito curiosa esta leitura. A tomada de posição da SEDES, para aqueles que se recordam, analisava três áreas da governação: legislação laboral, saúde e educação. Depois de documentar várias medidas em cada uma dessas áreas que os signatários achavam dignas de aplauso, o documento mencionava sinais recentes e concretos de que o governo se preparava para mudar de políticas nalgumas dessas áreas para direcções mais incertas, e relacionava essa inflexão com a aproximação das eleições. E criticava essa inflexão, sugerindo inclusivamente que, ao contrário da interpretação habitual, a popularidade do governo poderia sofrer mais com essa inflexão do que com o caminho já percorrido: "exactamente no momento em que o Governo inicia uma aparente suspensão do processo das reformas, a opinião pública parece voltar-se contra ele. Coincidência ou causalidade, nunca saberemos, mas os sacrifícios feitos por todos não podem, nem devem, ser desperdiçados."
A leitura feita por Rui Tavares e muitos outros nessa altura - e, pelos vistos, ainda hoje - foi a de que tudo isto exprimia desconfiança em relação aos eleitores e à democracia. Mas foram raros os que fizeram a leitura que, à luz do que o documento realmente diz, seria a mais correcta: precisamente a leitura oposta. A de que os governos não necessitam de ter medo dos eleitores; de que a distribuição de benesses de última hora não enganaria muita gente; e de que muitos eleitores que estiveram dispostos a fazer sacrifícios não estariam muito dispostos a ver esses sacrifícios desperdiçados. Mas o "princípio de redução da dissonância cognitiva" impediu, pelos vistos, essa leitura.
Há provavelmente alguns atavismos anti-democráticos na cultura política portuguesa: uma visão muito negativa do conflito político e partidário; a ideia de que a democracia produz indecisão e ingovernabilidade; e até, talvez, a percepção de os eleitores não são gente de confiança (o meu artigo no Público de hoje, amanhã aqui, é em parte sobre isto). Mas há outro atavismo não menos curioso: a ideia de que todos os debates políticos se podem resumir a conflitos entre maioria e oposição e de que todas as vozes críticas são de “inimigos do governo”. A facilidade com que pessoas inteligentes se encaixam neste esquema é por vezes, mesmo com toda a Psicologia Social, surpreendente.
(Postado também aqui).
P.S. - O Rui já comentou este post aqui. Acrescento apenas que tenho de admitir que não é fácil recuperar a "leitura mais correcta" de um texto que em si mesmo permitia diversas leituras, porventura até para aqueles que o redigiram e subscreveram e, certamente, ainda mais para aqueles que o leram. Mas a leitura que predominou não era a única possível e nem era sequer, parece-me, a que mais se impunha no texto. O que se leu nele pareceu ser mais influenciado por aquilo que já se esperava e já se pensava sobre alguns dos seus subscritores do que por aquilo que era realmente lá dito. Esse é o único ponto deste post (o que não impede que o texto pudesse ter feito mais para o antecipar, claro, mas para isso é que, realmente, já vamos tarde).
Vem isto a propósito de um artigo de Rui Tavares hoje no Público (e dentro de dias, aqui). Nele, criticando a "falta de coragem democrática" com um dos principais problemas políticos de Portugal, recorre a um artigo que tinha escrito há meses sobre uma tomada de posição da SEDES, que Rui Tavares interpretou (e interpreta) como fazendo parte de uma "funesta tradição de gente que desconfia das eleições [ou da democracia])."
É muito curiosa esta leitura. A tomada de posição da SEDES, para aqueles que se recordam, analisava três áreas da governação: legislação laboral, saúde e educação. Depois de documentar várias medidas em cada uma dessas áreas que os signatários achavam dignas de aplauso, o documento mencionava sinais recentes e concretos de que o governo se preparava para mudar de políticas nalgumas dessas áreas para direcções mais incertas, e relacionava essa inflexão com a aproximação das eleições. E criticava essa inflexão, sugerindo inclusivamente que, ao contrário da interpretação habitual, a popularidade do governo poderia sofrer mais com essa inflexão do que com o caminho já percorrido: "exactamente no momento em que o Governo inicia uma aparente suspensão do processo das reformas, a opinião pública parece voltar-se contra ele. Coincidência ou causalidade, nunca saberemos, mas os sacrifícios feitos por todos não podem, nem devem, ser desperdiçados."
A leitura feita por Rui Tavares e muitos outros nessa altura - e, pelos vistos, ainda hoje - foi a de que tudo isto exprimia desconfiança em relação aos eleitores e à democracia. Mas foram raros os que fizeram a leitura que, à luz do que o documento realmente diz, seria a mais correcta: precisamente a leitura oposta. A de que os governos não necessitam de ter medo dos eleitores; de que a distribuição de benesses de última hora não enganaria muita gente; e de que muitos eleitores que estiveram dispostos a fazer sacrifícios não estariam muito dispostos a ver esses sacrifícios desperdiçados. Mas o "princípio de redução da dissonância cognitiva" impediu, pelos vistos, essa leitura.
Há provavelmente alguns atavismos anti-democráticos na cultura política portuguesa: uma visão muito negativa do conflito político e partidário; a ideia de que a democracia produz indecisão e ingovernabilidade; e até, talvez, a percepção de os eleitores não são gente de confiança (o meu artigo no Público de hoje, amanhã aqui, é em parte sobre isto). Mas há outro atavismo não menos curioso: a ideia de que todos os debates políticos se podem resumir a conflitos entre maioria e oposição e de que todas as vozes críticas são de “inimigos do governo”. A facilidade com que pessoas inteligentes se encaixam neste esquema é por vezes, mesmo com toda a Psicologia Social, surpreendente.
(Postado também aqui).
P.S. - O Rui já comentou este post aqui. Acrescento apenas que tenho de admitir que não é fácil recuperar a "leitura mais correcta" de um texto que em si mesmo permitia diversas leituras, porventura até para aqueles que o redigiram e subscreveram e, certamente, ainda mais para aqueles que o leram. Mas a leitura que predominou não era a única possível e nem era sequer, parece-me, a que mais se impunha no texto. O que se leu nele pareceu ser mais influenciado por aquilo que já se esperava e já se pensava sobre alguns dos seus subscritores do que por aquilo que era realmente lá dito. Esse é o único ponto deste post (o que não impede que o texto pudesse ter feito mais para o antecipar, claro, mas para isso é que, realmente, já vamos tarde).
quarta-feira, novembro 19, 2008
Os limites das "coligações de minorias".
The Gay Marriage Vote
By Nik Bonovich (ABC News Polling Unit)
Perhaps the most notable change in the gay marriage vote was among blacks: While most other groups moved away from a ban on gay marriage, African-Americans moved toward it, voting 70-30 percent in favor this year, compared with 59-41 percent eight years ago.
Strikingly, blacks broadly favored the gay marriage ban despite their almost unanimous support for Barack Obama, who’d opposed the initiative, Proposition 8. Indeed, among non-black Obama voters in California, 74 percent opposed Prop. 8. Blacks were more aligned with John McCain’s voters, who favored it overwhelmingly, 84-16 percent.
(continua)
À atenção do Rui, claro.
By Nik Bonovich (ABC News Polling Unit)
Perhaps the most notable change in the gay marriage vote was among blacks: While most other groups moved away from a ban on gay marriage, African-Americans moved toward it, voting 70-30 percent in favor this year, compared with 59-41 percent eight years ago.
Strikingly, blacks broadly favored the gay marriage ban despite their almost unanimous support for Barack Obama, who’d opposed the initiative, Proposition 8. Indeed, among non-black Obama voters in California, 74 percent opposed Prop. 8. Blacks were more aligned with John McCain’s voters, who favored it overwhelmingly, 84-16 percent.
(continua)
À atenção do Rui, claro.
P.S.- Numa notícia relacionada, o Supremo Tribunal da Califórnia já agendou uma decisão sobre este assunto.
terça-feira, novembro 18, 2008
Obama e o Supreme Court.
Jennifer Agiesta faz a síntese sobre o SCOTUS poderá ter pesado nas eleições:
(continua)
The SCOTUS bloc is a slim group. Few, 7 percent, singled out the court as their top voting consideration, though more than half called appointments to the high court an important factor according to network exit polls. Overall, voters who gave the court some weight in deciding how to vote split 52 percent for Obama, 46 percent for McCain. Those who said it was their top issue broke more heavily for the Democrat, 57 percent to 41 percent.
(continua)
Hei-de voltar a isto.
E havia de ter sido bonito se a tivesse escolhido para Vice.
Cabinet post for Clinton roils Obamaland
By: Ben Smith November 18, 2008 04:51 AM EST
Barack Obama's serious flirtation with his one-time rival, Hillary Clinton, over the post of secretary of State has been welcomed by everyone from Henry Kissinger to Bill Clinton as an effective, grand gesture by the president-elect.
It's not playing quite as well, however, in some precincts of Obamaland. From his supporters on the progressive wing of the Democratic Party, to campaign aides of the soon-to-be commander-in-chief, there's a sense of ambivalence about giving a top political plum to a woman they spent 18 months hammering as the compromised standard-bearer of an era that deserves to be forgotten."
These are people who believe in this stuff more than Barack himself does," said a Democrat close to Obama's campaign. "These guys didn't put together a campaign in order to turn the government over to the Clintons."
(continua)
By: Ben Smith November 18, 2008 04:51 AM EST
Barack Obama's serious flirtation with his one-time rival, Hillary Clinton, over the post of secretary of State has been welcomed by everyone from Henry Kissinger to Bill Clinton as an effective, grand gesture by the president-elect.
It's not playing quite as well, however, in some precincts of Obamaland. From his supporters on the progressive wing of the Democratic Party, to campaign aides of the soon-to-be commander-in-chief, there's a sense of ambivalence about giving a top political plum to a woman they spent 18 months hammering as the compromised standard-bearer of an era that deserves to be forgotten."
These are people who believe in this stuff more than Barack himself does," said a Democrat close to Obama's campaign. "These guys didn't put together a campaign in order to turn the government over to the Clintons."
(continua)
Project Implicit
O Project Implicit é um site contém uma série de inquéritos online que procuram detectar enviesamentos inconscientes através de associações implícitas. Há testes sobre atitudes em relação a homossexuais, obesos, preferências por ciências humanas ou naturais, tons de pele, países e idades. Há versões dos inquéritos em português.
Não juro pela validade científica desta coisa. Cheguei a isto, precisamente, através de um artigo no NYT onde se discute o assunto (via Social Science Statistics Blog). Mas por outro lado, não tenho dúvida de que muitas das perguntas usadas em questionários convencionais sobre estas coisas estão completamente contaminados pela normatividade social, por aquilo que os respondentes acham que os inquiridores querem ouvir (ou mesmo por aquilo que nós queremos ouvir sobre nós próprios). Não é impossível que testes deste género ajudem a contornar este problema.
Experimentem.
Não juro pela validade científica desta coisa. Cheguei a isto, precisamente, através de um artigo no NYT onde se discute o assunto (via Social Science Statistics Blog). Mas por outro lado, não tenho dúvida de que muitas das perguntas usadas em questionários convencionais sobre estas coisas estão completamente contaminados pela normatividade social, por aquilo que os respondentes acham que os inquiridores querem ouvir (ou mesmo por aquilo que nós queremos ouvir sobre nós próprios). Não é impossível que testes deste género ajudem a contornar este problema.
Experimentem.
segunda-feira, novembro 17, 2008
Ainda a raça e as eleições americanas.
Preparava-me para não voltar ao assunto da raça e o voto nas eleições americanas enquanto não houvesse mais dados e análises possíveis. O American National Election Study deverá estar no campo e daqui a meses haverá coisas interessantes para dizer. E é possível que o Pew tenha coisas sobre o tema em breve. Contudo, numa questão lateral à que me ocupou aqui, mas centralíssima em si mesma, vale muito a pena ler este texto do LA-C: Uma Lança na América.
Bibliografia para os dias que correm.



Mais aqui. Kenneth Peterson, autor de vários destes livros, tem um site muito interessante sobre este tema. Foi lá que encontrei o seguinte texto. Atenção ao mito nº 5.
THE TEN MYTHS (AND TRUTHS) OF TEACHER EVALUATION:
Myth 1: The central purpose of teacher evaluation is to improve teachers and teaching. The truth is that there is scarce research to suggest that evaluation causes teacher growth. Rather, teachers will improve if you give them enough TIME to work on good ideas: uninterrupted time with students, time to plan and implement what is already known, and sufficient discretionary time to be full human beings. There are other very good reasons to evaluate: to document current good practice, reassure teachers of a needed and effective job, reassure audiences, identify good teaching practices for emulation, and prevent bad evaluation practices.
Myth 2: Better teacher evaluation is just a better rating instrument or framework of teacher behaviors. The truth is that educators do not agree on what should be included in any single catalog of teacher performances or competencies, none could encompass all of what the open-ended nature of teaching should have, teachers are effective using different sets of small numbers of behaviors, and teachers work in varied contexts which call for different competency sets. Comprehensive frameworks, descriptions, systems analysis, and lists of duties (e.g., Danielson, 1996; Heath & Nelson, 1974; Scriven, 1988) help build understanding of good teaching, but they don't cause good evaluation.
Myth 3: Excellent teaching is accomplished by strong performance of 22 (or 27 or 60) components of teaching. Rather, a good teacher performs three or four components extremely well, adequately performs some others, and (to be honest) poorly or spottily performs many other things that a teacher is "supposed" to do. Doing a few things well at the moment carries the entire performances of teaching and learning; the other possible performances simply don't matter at the given time in the real human world of a classroom. It is a misleading strategy to try to assess every possible component, duty, competency, or element of a teacher performance at a point in time in order to understand the overall quality of that teaching.
Myth 4: Specific a priori goals (unique to individual or from a general framework) are needed to evaluate a teacher. Rather, good teaching can be documented after the teaching has been done by highlighting the actual specific outcomes, performances, or preparations that played a role in that specific teacher performance.
Myth 5: A uniform system of teacher evaluation is essential: all teachers should be evaluated the same way. The reality is that teachers are good for different constellations of reasons. They work in quite different settings, with different kinds of demands and criteria for quality. Also, we just cannot get all the information we might want for each instance of teacher evaluation. Fairness demands that all teachers have an equal opportunity to document their quality in the ways most appropriate to them.
Myth 6: Pupil achievement data cannot be used in teacher evaluation, or they can be used for all teachers. Rather, we can get good pupil achievement data for some but not all teachers in a district; and the teacher evaluation system should reflect the state-of-the-art of data availability.
Myth 7: Teacher quality can be objectively measured and known by using a sufficiently accurate checklist and rating scheme, or by comparing pupil achievement test scores. Rather, all evaluation is subjective. However, there is good subjectivity and bad subjectivity. Good subjectivity is (a) based on the best objective evidence available, (b) controlled for individual bias, (c) involves the interested audiences, and (d) employs some public logic.
Myth 8: Teacher Evaluation and Staff Development are inextricably bound together. The reality is that these are two important, but independent, programs.
Myth 9: The principal is the only and best evaluator. Rather, others can provide information or opinion, and should be involved. Peer teachers, clients, and comparative norms all play a role.
Myth 10: Bad teachers cannot be dismissed. The reality is that action on unsatisfactory teachers is a principal duty which is widely expected by lay public, parents, teachers, the legal system, and some school districts. It is difficult (and expensive), and should be, to badly dismiss a deficient teacher or to dismiss a good teacher. However, principals can effectively team with other district personnel to act on the small number of deficient teachers.
P.S. - Como é óbvio, não percebo nada deste assunto. Mas alguns minutos de pesquisa mostram que há, pelos vistos, muito para tentar perceber.
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