sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Aximage, 2-5 Fev, N=600, Tel.

Entre parêntesis, resultados de Janeiro:

Resultados com redistribuição proporcional de indecisos:
PS: 40,0% (40,2%)
PSD: 24,9% (25,1%)
BE:12,6% (12,3%)
CDU:9,6% (8,7%)
CDS:8,1% (8,3%)
OBN: 4,9% (5,5%)

Resultados brutos:
PS: 38,2% (37,3%)
PSD: 23,8% (23,3%)
BE:12,0% (11,4%)
CDU:9,2% (8,1%)
CDS:7,7% (7,7%)
OBN: 4,7% (5,1%)
Indecisos:4,5% (7,1%)

Aqui.

(Actualizado e corrigido um erro em relação à sondagem de Janeiro; espero que seja o último)

"Porque não telefonam para os telemóveis também?"

Pergunta-se num comentário. Aqui vai:

1. Custos de comunicação, tornando certo tipo de trabalhos economicamente inviáveis (tudo o que for sondagens para os media, por exemplo);
2. Perda da informação territorial que (por enquanto) ainda está associada aos números fixos. Há maneira de tentar resolver (obter a informação de residência na própria chamada) mas aí o ponto anterior ainda fica mais complicado.
3. Grande número de números válidos (com cartões SIM activados) mas sem utilização real (telefones desligados), provocando mensagens de voice mail, obrigando a novas tentativas durante o trabalho de campo que vão ser inevitavelmente fracassadas.
4. Falta de confiança nos dados sobre o universo. As estimativas dos domicílios cell-only em Portugal oscilam entre os 15% e os 48% (!!!).
5. A unidade de amostragem numa sondagem telefónica convencional é o domicílio, dentro do qual se selecciona aleatoriamente um indivíduo pertencente ao universo; a unidade de amostragem numa sondagem através de móvel é o indivíduo. Isto seria resolúvel se o ponto 4 não fosse o que é.

Acho que é isto. Não é por acaso que, até nos Estados Unidos, a utilização de telemóveis para sondagens políticas a sério só começou este ano e ainda a um nível algo experimental.

Mesma sondagem, títulos diferentes.

Sondagem: Socialistas em queda.

PS desce nas intenções de voto... mas PSD ainda cai mais

"O PSD tem muito mais razões para estar preocupado"

Bipartidarismo perde para a esquerda

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Eurosondagem, 28 Jan-3 Fev, N= 1025, Tel.

PS: 40,3%
PSD: 29,1%
BE: 10,1%
CDU: 8,8%
CDS-PP: 6,9%
OBN: 4,8%

Aqui (obrigado @rfam)

Perspectiva

Só para pôr as coisas em perspectiva, os resultados de uma sondagem CESOP/Católica de Maio de 2007, comparados com a sondagem recente sobre o caso Freeport:

Com que interesse tem acompanhado ...?
Muito ou algum interesse:
- Caso Univ. Independente (2007): 44% (em relação ao total da amostra)
- Caso Freeport (2009): 49% (em relação ao total da amostra, e não apenas em relação aos que dizem ter ouvido falar do caso).

Acha que José Sócrates esclareceu completamente as dúvidas que surgiram ou que ficaram ainda coisas por esclarecer?
Ficaram coisas por esclarecer:
- Caso Univ. Independente (2007): 62%
- Caso Freeport (2009): 51%

No seguimento desta controvérsia, a sua opinião sobre José Sócrates...
Piorou:
- Caso Univ. Independente (2007): 19%
- Caso Freeport (2009): 26%

Telefónicas

Há dias, no Twitter, o Gabriel Silva perguntava:

GabrielfSilva @PCMagalhaes 1a questão técnica (q há mto desejava fazer): as sondagens por telefone é só para fixo? Se sim, tal não distorce 1 bocadinho?...

Começo por dizer que sei muito menos sobre isto do que devia. O grosso do trabalho da Católica são presenciais, e os inquéritos académicos com que lido no ICS (European Social Survey, European Values Study, estudos eleitorais de vários tipos, etc) também, pelo que nunca fiz investigação própria sobre a matéria. Mas há algumas coisas que se podem dizer.

A primeira é que, segundo o INE, em 2008, havia 30% de alojamentos privados que não tinham telefone fixo. Isto significa um primeiro desvio sério em relação à pressuposição de amostragem aleatória da população: a probabilidade dos residentes em domicílios sem telefone fixo de serem seleccionados para responder às sondagens telefónicas que são feitas em Portugal sobre intenções de voto ou estudos políticos vários não é igual à dos restantes. É zero. Zero.

Isto é um problema? À partida, a resposta tem de ser sempre "Sim". É por isso os inquéritos académicos que servem de "golden standard" para a indústria são todos presenciais: se as pessoas que não vivem em alojamentos com telefone fixo forem sistematicamente diferentes das outras, todas as inferências que se façam da amostra para a população em geral vão estar enviesadas.

Contudo, na prática, as coisas podem não ser tão graves como se possa pensar:

1. Pode haver matérias em que aquilo em que a população que vive em alojamentos sem fixo é diferente da população sem fixo não esteja correlacionado com as variáveis de interesse.
2. A utilização de amostragem por quotas ou ponderação pós-amostral, dando à amostra características conhecidas do universo, pode ajudar a corrigir esses enviesamentos.
3. As vantagens das sondagens telefónicas- nomeadamente, um controlo muito mais apertado sobre o trabalho de campo do que nas presenciais - podem compensar as desvantagens.
4. As características socio-demográficas da população sem telefone fixo podem ser suficientemente heterogéneas para neutralizarem os enviesamentos causados. Por exemplo, há boas razões para supor que a população sem fixo combina população idosa e rural com população mais jovem e urbana (mobile-only).

Tudo isto são questões para investigar, coisa que não fiz. Nos Estados Unidos, onde até há uns anos toda a gente tinha fixo, o grande espectro hoje é a população "mobile-only". E apesar de toneladas de papel de investigação sobre o assunto, que relata diferenças significativas entre as diferentes populações, a causa dessas diferenças permanece um mistério. Em Portugal, julgo saber que há estudos de mercado que tratam esta população, e era bom haver estudos sobre o assunto. Não conheço nenhum.

No fim de tudo, diria o seguinte:
1. Resistiria sempre muitíssimo à ideia de fazer um estudo académico sobre atitudes e comportamentos sociais pelo telefone em Portugal.
2. Sou menos resistente à ideia de fazer estudos sobre intenções de voto e atitudes políticas pelo telefone, por uma razão simples: não existem diferenças significativas entre a precisão das sondagens, confrontadas com resultados eleitorais, ditadas pelo modo de inquirição (mas isto é para um objectivo muito concreto, ou seja, descrever opiniões políticos ou intenções de voto. Para investigação séria e "pesada" sobre causas de comportamentos políticos, acho as telefónicas, genericamente, inapropriadas).
3. Se as perspectivas futuras fossem a de um desaparecimento do fixo e aumento da população "mobile-only", estaria disposto a rever a posição 2. Mas felizmente para nós, os pacotes de comunicações, que incluem internet, cabo e telefone, podem ajudar a contrariar esta tendência.
4. Independentemente disto, há um espectro mais grave: as pessoas cada vez menos querem responder a sondagens. Mas isso é uma verdade para as presenciais e para as telefónicas. Hoje, taxas de resposta de 30% em estudos presenciais académicos, com montanhas de dinheiro, 5 ou 6 revisitas ao mesmo domicílio, etc, são consideradas óptimas. O estudo da Católica sobre o Freeport demorava três minutos a responder e teve uma taxa de resposta de 52%. A metade que responde é igual à metade que recusou ou não estava acessível? Não é. O grande problema, para mim, é este. Parece que a resposta do futuro é o chamado "multi-mode" ou "mixed-mode", ou seja, adoptar para um mesmo inquérito vários métodos de inquirição (postal, presencial, internet, telefónica) adaptados a cada população. A ver.

Bach tocado por Gould, Vampire Weekend, enfim, mantendo uma certa coerência musical.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Margens com menos erro.

Não sei se já repararam na coluna do lado direito. Daqui até às eleições, o Luís Aguiar-Conraria vai também andar por estes lados. A ideia, claro, é espremermos os dados das sondagens eleitorais até ao tutano. Nem vai ser preciso ler a assinatura dos posts: se for disparate, é meu; se for inteligente, o mais provável é que seja dele.

Finalmente, um fã.

"Um rapaz doutorado a dizer uma bujardas destas, ainda se fosse um almeida da CML seria aceitável, agora um doutorado.., expert em estatísticas e extrapolações..."

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

(Atrasada): Intercampus, 17-21 Janeiro, N=609, Tel.

PS: 42,3%
PSD: 27%
BE: 12,2%
PCP: 11,9%
CDS-PP: 5,7%

Estes resultados foram apresentados na última 6ª feira, em comparação com os da sondagem que terminou dia 28. Mas não os consegui ver apresentados na emissão da TVI da 6ª feira anterior (onde apenas se mostrou a "pontuação" dos líderes políticos). Acho que faz sentido, contudo, tomá-los em conta.

Intercampus, 23 a 28 Janeiro, N=621, Tel.

PS: 36,9%
PSD: 31,4%
BE:13,6%
PCP: 13%
CDS-PP:5,1%

A soma destes resultados dá 100%, pelo que a projecção não contempla votos para outros partidos, brancos e nulos.

Obrigado, Helena.

domingo, fevereiro 01, 2009

Intercampus

Não consigo descobrir os resultados da sondagem divulgada 6ª feira na TVI. Alguém sabe?

sábado, janeiro 31, 2009

Marktest, 20-23 Janeiro, N=809

PS: 39,6%
PSD: 24,9%
CDU: 11,9%
BE: 10,1%
CDS-PP: 9,7%

O título no Semanário Económico - "José Sócrates está mais longe da maioria absoluta" - é um caso interessante. A jornalista esperaria perdas em relação à última sondagem, devido ao caso Freeport. Mas o trabalho de campo acabou a 23, pelo que não poderia reflectir claramente quaisquer efeitos do caso. Logo, uma perda de 0,5 pontos percentuais em relação a Novembro passado, que normalmente significaria "estabilidade", passa a significar "José Sócrates está mais longe da maioria absoluta".

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Intervalo higiénico

Para quem se interessa por política, como eu, os últimos dias têm sido animados. Mas hoje à tarde, um intervalo. Já estou, pelo menos em relação a isto, como o João Gonçalves: ponho isto (por acaso o que tenho é o Schiff, mas não faz mal) no leitor de CD's e, dois segundos depois, fica-se a achar que esta fantochada toda, esta gente - eu incluído -e este país não têm, afinal, importância de espécie alguma. Experimentem clicar e vejam lá se não é.



Já me passa.

Tempo político

A Marina Costa Lobo, minha colega no ICS, tem agora um blogue: Tempo Político. Já dá para perceber que vai valer a pena seguir. Gostei especialmente do post a propósito de Samuel Huntington, onde se ilustra uma tendência do Embaixador José Cutileiro para falar de coisas sobre as quais nada sabe. Não é a primeira vez.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Shortcuts

Aqui ao lado, na barra lateral, encontram ligações directas para dois gráficos. Um é um scatterplot para todas as sondagens, enquanto o outro tem as estimativas mensais controlados os "house effects".

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Linhas de referência

Daqui a umas semanas, o gráfico que mostrei num post abaixo vai ter, para além dos dados das sondagens que se seguirem, uma linha de referência adicional. Vou marcá-la no dia 21 de Janeiro e vou-lhe dar o título "Freeport".