segunda-feira, março 02, 2009

Outlier: o pluralismo da comunicação social.

A Presidência acaba de anunciar o veto do decreto que aprova "a Lei do pluralismo e da não concentração dos meios de comunicação social". Os argumentos ligam-se ao facto de a Comissão Europeia estar ainda a discutir os critérios desse pluralismo, a utilização de conceitos indeterminados como "instrumentos de aferição reconhecidos no meio", à possível necessidade de intervenção do Estado no sector e a necessidade de "consenso político alargado para a aprovação de regras objectivas, claras e transparentes".

Interessam-me especialmente o segundo e quarto argumentos. Discuti-os aqui, há umas semanas, no blogue da Sedes. Como ficará óbvio da leitura desse post, acho que o veto era uma necessidade absoluta. Ainda bem que ocorreu.

domingo, março 01, 2009

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Outlier: "Lá Fora", no Museu da Electricidade.

O que se passa, assim muito rapidamente, é que a exposição tem coisas (e não são poucas) realmente boas. Acaba a 15 de Março.

O eleitorado português em 2005, 13

Termino como comecei:

"Portuguese society at the beginning of the period under examination here was the most unequal in terms of income distribution, and in the nineteen century shared a tradition of conflict between traditionalist religious believers and anticlericals with both Italy and Spain, and yet, with the partial exception of the PCP, does not have parties whose electorates are anchored in these cleavages."

O eleitorado português em 2005, 12


Mais de um em cada quatro eleitores da CDU em 2005 encontravam-se filiados num sindicato. A "infraestrutura" reencontra-se, em parte, com a "superestrutura".

O eleitorado português em 2005, 11


Com todas as cautelas sobre a fiabilidade dos dados sobre o rendimento do agregado familiar tal como recolhidas em inquéritos, é curiosa a ausência de relação entre, digamos assim, a "infraestrutura" e a "superestrutura", não sei se me faço entender.

O eleitorado português em 2005, 10


As diferenças são pequenas. Mas é curioso que o eleitorado do PS tenha sido o único onde as mulheres estiveram em maioria, e que o eleitorado da CDU seja o mais "masculinizado"

O eleitorado português em 2005, 9

Quando analisamos como se distribui o eleitorado de cada partido em termos das suas qualificações académicas, é evidente a diferença do BE e, em menor grau, do CDS-PP: uma forte presença de diplomados do ensino superior. Forte, digamos, em termos do país e do que se passa nos outros partidos.

O eleitorado português em 2005, 8

Outra maneira de olhar para a questão consiste em analisar não a predisposição deste ou daquele grupo social para votar neste ou naquele partido, mas sim a composição do eleitorado de cada partido do ponto de vista socio-demográfico. Começando pela idade:

É comum dizer-se que o eleitorado do PCP está "muito envelhecido". Mas isso não é mais verdade para o PCP do que para os restantes partidos. Com a excepção do BE, claro, que se distinguiu muito dos restantes no que respeita à composição etária do seu eleitorado em 2005.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

O eleitorado português em 2005, 7


Assim - e no gráfico anterior - se vê a força do Pêçê. E irá o PS dar-se bem aqui em 2009? Hum...

O eleitorado português em 2005, 6


PS e CDU receberam uma parcela desproporcional das opções dos votantes sindicalizados. Voltará a ser assim para o PS em 2009? Hum...

O eleitorado português em 2005, 5



Previsivelmente, os partidos da esquerda dão-se muito melhor junto do eleitorado menos religioso. Curioso, e conhecido, o facto de não haver relação entre a religiosidade e o voto no PS. É por isso que as coisas são assim.

O eleitorado português em 2005, 4



Duas notas. Primeiro, os dados obtidos através de inquéritos sobre o rendimento são reconhecidamente pouco fiáveis. Segundo - e isto aplica-se a todos os gráficos anteriores e seguintes - "correlação não é causalidade". E no entanto, joga bem com os dados sobre a instrução, não joga?

O eleitorado português em 2005, 3



Entre os votantes com maiores qualificações académicas, o CDS-PP e o BE tiveram claramente melhor desempenho que entre a generalidade dos votantes.

O eleitorado português em 2005, 2



Mulheres e homens não votam de maneiras que se possa dizer serem significativamente diferentes.

O eleitorado português em 2005, 1

Há uns tempos, no Twitter, perguntaram-me o que se sabia sobre a relação entre a composição social do eleitorado e o voto. Creio que se pode responder rapidamente dizendo aquilo que uma quantidade já muito razoável de estudos vem confirmando de há uns anos para cá: "the Portuguese electorate is relatively low in social-structural anchoring of partisanship"(1). Por outras palavras, são poucos e fracos os correlatos sociais do comportamento de voto em Portugal. Quem quiser explicar por que razão os portugueses votam neste ou naquele partido terá de olhar para outros factores, nomeadamente o posicionamento ideológico, a identificação partidária, a avaliação do estado da economia e a avaliação dos líderes partidários.

Dito isto, o exercício não é completamente inútil. O que se segue é uma série de gráficos que comparam as percentagens de voto em cada partido nas eleições de 2005 e o comportamento de voto declarado de alguns grupos sociais. Os dados são do inquérito pós-eleitoral de 2005 coordenado aqui no ICS no âmbito do projecto Comportamento Eleitoral dos Portugueses. (2) A cinzento, os resultados eleitorais; a negro, as opções de voto válidas de diferentes grupos sociais. (3)
Começamos pela questão da idade, nomeadamente pelo comportamento de voto dos mais jovens. Falta aqui, claro, a abstenção, a opção que verdadeiramente triunfou entre os mais jovens. Mas se olharmos apenas para as opções de voto válidas, é fácil verificar que os mais jovens não são muito diferentes da generalidade do eleitorado nas escolhas que fazem. Excepção: o voto no BE. Entre os mais jovens, em 2005, o BE já era o terceiro partido.


(2) 5 Março a 8 de Maio de 2005; N=2801, aleatória estratificada por região e habitat; presencial; Continente. Coordenação geral de António Barreto e coordenação executiva de André Freire, Marina Costa Lobo e Pedro Magalhães.
(3) Os resultados da totalidade da amostra foram ponderados de acordo com os resultados eleitorais reais, de forma a corrigir desvios causados por não colaboração e não respostas.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Agradecimentos

Nalguns casos muito atrasados, ao Quarta República, ao Bios Politikos, ao Pensamentos, a o tempo das cerejas, ao Delito de Opinião, ao Vasco Campilho, ao Dissonância Cognitiva, ao Insurgente e ao Da Literatura. E espero não me estar a esquecer de ninguém.

Dispatches from the War Room

Um livro de Stanley Greenberg, pollster e consultor político, sobre o seu trabalho com Blair, Clinton, Mandela, Barak e Sánchez de Lozada.

Foi comentado toda a semana no Pollster.com. Já está no shopping cart. Pelos comentários, este é bem capaz de ser o livro mais importante sobre a relação entre as sondagens e a política publicado nos últimos anos.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Intervalo até ao fim da próxima semana

Entretanto, o meu filho de seis anos gosta imenso disto. Eu na idade dele gostava do Patolas Patatchim, o Pato Equilibrista.

Recordação

Resultados de uma sondagem CESOP/Católica, 4-5 Out. 2008, N=1297, presencial.

Acha que casais formados por pessoas do mesmo sexo deviam ter acesso ao casamento civil em iguais circunstâncias aos outros casais? (total da amostra):
Sim: 42%
Não: 53%
Não sabe: 4%
Recusa responder: 1%

Entre simpatizantes PS:
Sim: 47%
Não: 51%
Não sabe: 1%
Recusa responder: 1%

Entre simpatizantes PSD:
Sim: 29%
Não: 67%
Não sabe: 4%
Recusa responder: 0%

Das seguintes frases, qual a que mais se aproxima da sua posição?
Os casais formados por pessoas do mesmo sexo deviam ter acesso ao casamento civil em iguais circunstâncias aos outros casais :42%
Os casais de pessoas do mesmo sexo deviam poder celebrar uma união civil com os mesmos direitos e deveres de um casamento: 1%
Os casais de pessoas do mesmo sexo deviam poder celebrar uma união civil mas sem todos os direitos e deveres de um casamento: 4%
A lei devia limitar-se a reconhecer a existência de uniões de facto, como sucede hoje em dia: 11%
A lei não deveria reconhecer de forma alguma os casais formados por pessoas do mesmo sexo: 33%
Não sabe : 7%
Recusa responder: 3%


Um partido que tenha sobre este assunto uma posição diferente da sua é um partido no qual…
Nunca votaria: 35%
Poderia mesmo assim votar nesse partido: 49%
Não sabe: 14%
Não responde: 2%

Acha que deveria haver em Portugal um referendo sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo?
Sim: 51%
Não: 44%
Não sabe: 5%
Não responde: 1%

Mais detalhes, incluindo ficha técnica, aqui.