quarta-feira, março 11, 2009

The pulse of what people are thinking

No Pollster, Mark Blumenthal cita um recente perfil de David Axelrod, assessor principal de Obama, publicado no NYT. O artigo fala das "reuniões de 4ª feira à noite":

"Jon Favreau, the president’s chief speechwriter, said there was a familiar refrain during these meetings, with Mr. Axelrod urging the team not to become consumed by the insularity of Washington. 'Can I speak on behalf of the American people here?' he said Mr. Axelrod often asks aloud. That is precisely why, Mr. Axelrod said, he convened the Wednesday Night Meetings: to keep the pulse of what people were thinking. Locked in the White House all day, he added, he can no longer hear those voices on his own.

[T]he Wednesday night meetings suggest that
the strong belief in polling and focus groups from the campaign are alive in the White House. Joel Benenson, a pollster for Mr. Obama, is among the participants in the sessions. He said that Mr. Axelrod often asked one question above all: 'How do we make sure that the arguments from the president’s agenda are made in the most persuasive way?'

Foi (também) sobre isto que eu tentei escrever aqui.

segunda-feira, março 09, 2009

Bases de dados

No lado direito, passam a estar disponíveis duas folhas de Excel com os dados sobre as estimativas de intenção de voto e avaliações do Presidente, do Primeiro Ministro e do líder do PSD desde 2005. No que respeita às intenções de voto, procurei incluir todas as sondagens de que tive conhecimento, com os procedimentos, cautelas e omissões descritos aqui e aqui. No que respeita à popularidade, incluo apenas a Eurosondagem e a Marktest, por serem as séries mais longas.

Se detectarem erros, ficarei imensamente grato que mos apontem, para poder corrigir. Não garanto actualização tão regular para as bases como para os gráficos que vou apresentando, mas a verdade é que qualquer um de vós poderá, a partir de agora, usar estas bases para as actualizar. Se usarem estes dados para algum fim público, só peço que mencionem onde os encontraram.

sábado, março 07, 2009

Aximage, 2-5 Mar, N=600, Tel.

Resultados com redistribuição proporcional de indecisos:
PS:40,2% (40,0%)
PSD:25,2% (24,9%)
BE:13,2% (12,6%)
CDU:9,5% (9,6%)
CDS:7,1% (8,1%)
OBN:4,7% (4,9%)

Resultados brutos:
PS:38,3% (38,2%)
PSD:24,0% (23,8%)
BE:12,6% (12,0%)
CDU:9,0% (9,2%)
CDS:6,8% (7,7%)
OBN:4,5% (4,7%)
Indecisos:4,8% (4,5%)

Este é o tipo de resultados que, suspeito, os jornalistas detestam: nada para dizer a não ser falar de "subida de 0,1 pontos percentuais". A notícia está aqui. Obrigado aos leitores que foram, entretanto, deixando estes resultados nos comentários.

sexta-feira, março 06, 2009

Outlier: Out, liar.


Maybe not.


O marketing político não devia ser visto como uma disciplina completamente inútil

O Bloco Central


Actualização: estimativas mensais, controlados "house effects"


Notem a diferença em relação ao gráfico abaixo. Nesse, o smoother que capta a tendência é afectado pela contribuição diferente que diferentes institutos são para a mancha de pontos. Mas quando estimamos um resultado mensal onde se assumem efeitos fixos dos institutos de sondagem, o retrato é um pouco diferente: há um boost para o PS em Outubro (crise), mas lento declínio desde aí. PSD estabiliza após queda de Outubro. Ou se quiserem ver a coisa doutra forma, PSD não recupera do embate da segunda metade de 2008 ao passo que PS, após boost de curto-prazo trazido pela crise, retoma tendência anterior.

Actualização: estimativas de resultados eleitorais


Eurosondagem, 26 Fev-3 Mar, N= 1018, Tel.

PS: 39,0% (40,3%)
PSD: 28,3% (29,1%)
BE: 10,4% (10,1%)
CDU: 9,6% (8,8%)
CDS-PP: 7,7% (6,9%)
OBN: 5,0% (4,8%)

Aqui.

quarta-feira, março 04, 2009

"Personalização"

Os dados completos da última sondagem da Marktest já podem ser encontrados aqui. Há um gráfico que não mostro há muito tempo, o da popularidade dos líderes. Mostro de seguida os dados da Marktest (porque os da Eurosondagem, tal como apresentados no Expresso, estão sistematicamente incompletos de há meses para cá e o site da SIC é uma confusão pegada onde nunca se encontra nada). Cada valor corresponde ao saldo entre opiniões positivas e negativas, corrigido pela percentagem de não respostas.

Isto para dizer duas coisas. Primeiro, que a vida não está fácil para ninguém, Presidente incluído. Segundo, que concordando genericamente com o que a Marina diz sobre a "falta de novidade" da "personalização da política", isto (o "Movimento Sócrates 2009") é capaz de ser um bocadinho exagerado à luz daquilo que o "líder" parece ter para oferecer em valor eleitoral acrescentado.

segunda-feira, março 02, 2009

Outlier: o pluralismo da comunicação social.

A Presidência acaba de anunciar o veto do decreto que aprova "a Lei do pluralismo e da não concentração dos meios de comunicação social". Os argumentos ligam-se ao facto de a Comissão Europeia estar ainda a discutir os critérios desse pluralismo, a utilização de conceitos indeterminados como "instrumentos de aferição reconhecidos no meio", à possível necessidade de intervenção do Estado no sector e a necessidade de "consenso político alargado para a aprovação de regras objectivas, claras e transparentes".

Interessam-me especialmente o segundo e quarto argumentos. Discuti-os aqui, há umas semanas, no blogue da Sedes. Como ficará óbvio da leitura desse post, acho que o veto era uma necessidade absoluta. Ainda bem que ocorreu.

domingo, março 01, 2009

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Outlier: "Lá Fora", no Museu da Electricidade.

O que se passa, assim muito rapidamente, é que a exposição tem coisas (e não são poucas) realmente boas. Acaba a 15 de Março.

O eleitorado português em 2005, 13

Termino como comecei:

"Portuguese society at the beginning of the period under examination here was the most unequal in terms of income distribution, and in the nineteen century shared a tradition of conflict between traditionalist religious believers and anticlericals with both Italy and Spain, and yet, with the partial exception of the PCP, does not have parties whose electorates are anchored in these cleavages."

O eleitorado português em 2005, 12


Mais de um em cada quatro eleitores da CDU em 2005 encontravam-se filiados num sindicato. A "infraestrutura" reencontra-se, em parte, com a "superestrutura".

O eleitorado português em 2005, 11


Com todas as cautelas sobre a fiabilidade dos dados sobre o rendimento do agregado familiar tal como recolhidas em inquéritos, é curiosa a ausência de relação entre, digamos assim, a "infraestrutura" e a "superestrutura", não sei se me faço entender.

O eleitorado português em 2005, 10


As diferenças são pequenas. Mas é curioso que o eleitorado do PS tenha sido o único onde as mulheres estiveram em maioria, e que o eleitorado da CDU seja o mais "masculinizado"

O eleitorado português em 2005, 9

Quando analisamos como se distribui o eleitorado de cada partido em termos das suas qualificações académicas, é evidente a diferença do BE e, em menor grau, do CDS-PP: uma forte presença de diplomados do ensino superior. Forte, digamos, em termos do país e do que se passa nos outros partidos.

O eleitorado português em 2005, 8

Outra maneira de olhar para a questão consiste em analisar não a predisposição deste ou daquele grupo social para votar neste ou naquele partido, mas sim a composição do eleitorado de cada partido do ponto de vista socio-demográfico. Começando pela idade:

É comum dizer-se que o eleitorado do PCP está "muito envelhecido". Mas isso não é mais verdade para o PCP do que para os restantes partidos. Com a excepção do BE, claro, que se distinguiu muito dos restantes no que respeita à composição etária do seu eleitorado em 2005.