quinta-feira, março 26, 2009

Antecipação

Aconselho aos outros maluquinhos das sondagens que adiantem já a leitura da seguinte passagem das fichas técnicas das sondagens eleitorais da Marktest, explicando a forma como são ponderados os resultados brutos:

Projecção com base na ponderação da amostra considerando o voto em eleições anteriores
A projecção apresentada da intenção de voto para a totalidade dos eleitores não pode ser feita linearmente considerando a elevada percentagem de lares excluídos da amostra efectiva pelo não contacto, pelas ausências e recusas e cujo comportamento não será necessariamente representado pelos respondentes.
Para garantir que a amostra é representativa do eleitorado, em cada mês, é perguntado ao entrevistado em que partido votou nas últimas eleições legislativas , Fevereiro 2005. Com base nestes resultados a amostra é reequilibrada por forma a poder ajustar-se fielmente à estrutura dos resultados eleitorais de 2005. Nesta ponderação é utilizado o processo de "rim-weighting" que é um processo iterativo o qual para alem de reproduzir os resultados eleitorais de 2005, mantêm a composição da amostra no que respeita às variáveis de controlo: região, sexo, idade. Após este procedimento são retabulados as respostas sobre a intenção de voto actual, obtém-se a estimativa da intenção de voto. O valor dos Voto em Branco/Outros/Nulos, é ajustado ao valor médio obtido nos dois últimos actos eleitorais para a Assembleia da República. Estes resultados são apresentados ao cliente como sendo resultado de uma previsão da responsabilidade da Marktest, com base nos resultados da sondagem.


Sobre a prática de ponderar os resultados na base de recordação de voto, ler, por exemplo, Weighting, no UK Polling Report, especialmente a secção intitulada "Political weighting".

E pronto: já libertei o fim de semana.

P.S.- Boas hipóteses, mas a resposta é difícil. Se a Marktest divulgar a distribuição das respostas à pergunta sobre a recordação de voto a coisa fica mais fácil. Capazes disso são eles, espero.

segunda-feira, março 23, 2009

Ainda JM

Por mera curiosidade, já encontrei a passagem relevante para o post anterior. Não me recordava dos pormenores, mas o fundamental está correcto:

"O Sr. Jorge Miranda (ASDI): Por um lado, quanto às entidades com poder genérico de iniciativa, verifica-se que, da parte da FRS, se mantêm as actualmente constantes do n.° 1 do artigo 281.° e se acrescenta uma referência a grupo parlamentar. O PCP, em vez da referência a grupo parlamentar, indica um determinado número de deputados. Julgo ser mais correcta a posição do PCP do que a posição constante do projecto da FRS, porque um grupo parlamentar pode hoje ser formado por um número extremamente reduzido de deputados e convém que a iniciativa, no domínio da apreciação da inconstitucionalidade, não seja aberta sem quaisquer cautelas. Parece-me também que o número proposto pelo PCP - um décimo do número de deputados- é um número razoável e vai ao encontro das preocupações de harmonização que deve haver neste domínio. É um domínio particularmente sensível, em que não se trata de desencadear uma qualquer acção política -se fosse isso, valeria a pena dar-se a qualquer grupo parlamentar, mesmo que formado por 2 deputados, tal poder -, mas, pelo contrário, trata-se de algo em que apenas a partir de certo número de deputados deve haver possibilidade de uma intervenção do Tribunal Constitucional.
(...)
O Sr. Presidente [Borges de Carvalho (PPM)]: Registe-se a posição notavelmente altruísta do Sr. Deputado Jorge Miranda, de que eu não seria, evidentemente, capaz.

(...)
O Sr. Nunes de Almeida (PS): O deputado Jorge Miranda colocou-me, como deve calcular, numa situação difícil. Esta proposta da FRS tinha em conta os pequenos grupos parlamentares, já que era subscrita por deputados de um chamado partido grande e de dois partidos pequenos. O Dr. Jorge Miranda libertou-nos, de certa forma. Não podia, em nome de todos, retirar o que cá está, pois não está presente a UEDS. Restaria, portanto, essa questão.
(...)
O Sr. Jorge Miranda (ASDI) - Sr. Presidente, relativamente à minha intervenção onde, de forma algo extemporânea, me referi aos grupos parlamentares, valeria a pena dizer que, por um lado, se aqui aparecem os grupos parlamentares, foi por bondade ou por consideração específica que o PS teve em relação aos outros dois grupos subscritores do projecto da FRS. Foi também, para falar com toda a franqueza, tendo em vista a discussão a travar nesta Comissão. Desde o momento em que aparece uma fórmula, como a do PCP, que parece preferível, da nossa parte não há nenhum problema, até porque, repito, esta matéria da fiscalização da constitucionalidade se situa muito para além da defesa dos interesses políticos deste ou daquele grupo parlamentar. Temos de tomar em consideração a necessidade de evitar qualquer banalização da fiscalização. Um dos grandes perigos que pode haver no domínio da fiscalização da constitucionalidade é o da banalização, do abuso, da chicana constitucional. À partida, é de supor que um décimo dos deputados da Assembleia da República ponderarão, até devido à sua representatividade, mais uma qualquer solicitação ao Tribunal Constitucional do que um qualquer grupo parlamentar, formado, por hipótese, por 2, 3 ou 4 deputados. E nada impedirá que quaisquer deputados, individualmente considerados, integrantes de diversos grupos parlamentares, se juntem para o efeito. Além disso, esta solução tem a vantagem de valorizar o estatuto do deputado, a qual deve ser uma preocupação fundamental da revisão constitucional, com vista à consolidação do regime democrático em Portugal. Por tudo isto, congratulo-me com o princípio de consenso a que parece ter-se chegado."

In D.A.R. II Série, Suplemento ao nº 69, II Legislatura, 2ª sessão legislativa. Acta da reunião do dia 13 de Janeiro de 2002 da Comissão Eventual para a Revisão Constitucional, pp. 1-36.

domingo, março 22, 2009

Outlier: Jorge Miranda

Em tempos que já lá vão, quando fazia investigação para uma tese de doutoramento sobre o Tribunal Constitucional, encontrei uma passagem nos debates na AR em 1982 que me impressionou bastante. O que se debatia era uma coisa muito técnica, mas com implicações políticas importantes: a saber, a quantos deputados se deveria dar o direito de solicitar a fiscalização sucessiva das leis junto do TC. O projecto da FRS, à qual a ASDI de Jorge Miranda pertencia, previa que esse direito devia ser concedido a qualquer grupo parlamentar, ou seja, dando à ASDI (e à UEDS) o poder de solicitar essa fiscalização. O PCP, por seu lado, propunha 1/10 dos deputados, o que daria a si próprio essa possibilidade, mas não aos grupos parlamentares mais pequenos. A AD estava inicialmente contra a possibilidade de que os deputados pudessem sequer iniciar esta litigância, temendo que o PCP a usasse de forma desbragada.

Agora não tenho tempo para procurar as páginas do DAR onde o tema foi discutido, mas recordo a surpresa geral com que a intervenção de Jorge Miranda foi recebida. Miranda defendeu que, sabendo bem que o projecto da FRS convinha à ASDI, achava mal. Achava que os parlamentares deveriam poder iniciar a sucessiva, mas que importava colocar alguns limites, exigindo que uma proporção significativa de deputados subscrevessem o pedido, de forma a evitar uma trivialização da litigância constitucional. Lembro-me inclusivamente que ficou tudo tão pasmado com a sua intervenção que houve um deputado, não me recordo quem, que alertou Jorge Miranda para o facto de que a ideia que estava a defender ir prejudicar o seu próprio partido, mas que lhe agradecia a posição, dado que facilitaria o consenso. Ao que, se não erro, JM respondeu que tomava essa posição por questões de princípio, independentemente de isso ir prejudicar o seu grupo parlamentar. Acabou por haver acordo em torno da proposta do PCP e a ASDI ficou sem direito de iniciar a sucessiva.

Apesar de tudo o resto de muito mais importante que Jorge Miranda fez na sua vida, é disto que me lembro quando penso nele. Nunca tinha visto nada assim, e nunca mais voltei a ver.

Começa bem

"As sondagens são uma coisa e o que o povo pensa é outra."

Elisa Ferreira, em entrevista ao Correio da Manhã.

sexta-feira, março 20, 2009

Menções de políticos na imprensa

O Abrupto mostra um exercício interessante enviado por um leitor: uma pesquisa no DN pelas expressões "passos coelho" e "ferreira leite", revelando que, para a primeira, existem 2826 resultados, enquanto que, para a segunda, apenas 1308.

Fiquei a pensar por que razão nunca me teria lembrado disto, e comecei logo a congeminar um quadro comparativo para os vários jornais que permitissem essa pesquisa. Contudo, quando fui ao DN, aconteceu-me isto (pesquisas no motor de busca da página de abertura, expressões entre aspas, aspas essas que não sei se estão a funcionar, dado desaparecerem dos resultados da pesquisa):



Passos Coelho, 2826 resultados; Ferreira Leite, 9008. Ora bolas. Mas continua a ser interessante. Seria óptimo se houvesse maneira de obter estes dados de forma realmente fiável, em série temporal, e jornal a jornal. As empresas de recortes não terão isto? Os agregadores de notícias não permitirão este tipo de análise?

quarta-feira, março 18, 2009

Greenberg, on solicitousness about public opinion.

"When you look at all of these leaders, you begin to realize, as you look across them, that they worked to be in tune with the public (...), they are reporting back on progress, they're engaged with people and trying to mobilize them at various times. They are trying to bring pressure on others, they're trying to educate people, they are trying to persuade, you know, and move people. And so, what is characteristic of these leaders, you know, was a solicitousness about public opinion, a sense of responsibility to educate and engage, which made them much more effective, in my sense made them more democratic leaders that produced an healthier society and healthier outcomes. (...) And that contrasts...what brought it home to me, more than anything, was George Bush and Vice-President Cheney. Cheney in particular. When asked by a reporter about, when we was in Iraq, noting that two-thirds of the American people thought the Iraq War was a mistake, and what he thought of that. And he paused, and his response was 'So?'. He said 'We don't drive our mission from focus groups and polls.' Maybe if they thought that part of their responsibility as leaders was to try to persuade, and engage, and educate, maybe they would have pursued different kinds of policies as they went forward."

Greenberg, again.

"Voters want their pound of flesh. You ran, you said you were going to do certain things... every one of these people [Blair, Clinton, Barak, Losada, Mandela] had immense difficulties doing what they said they were going to do. Either because they overpromised, because the economy turned out to be much tougher, the budgets had to be more austere, there were other power centers that came into play, they were not as strong as they thought they were, they were not as united as they thought they were ... all of them had trouble succeeding. So all of them faced a kind of renegotiation with the voter. And voters are willing to listen, if there's reality."

Podcast de conferência na Royal Society for the encouragement of Arts, Manufactures and Commerce (RSA) , 3 de Março de 2009, a propósito de Dispatches from the War Room.

terça-feira, março 17, 2009

Stanley Greenberg

"I begin with a respect for voters, and viewed my work, from the beginning, first as an academic and then as a political pollster in campaigns, as trying to figure out how to get leaders to respect people, how to make leaders more responsive, how to make them, ultimately, more accountable. The problem is that I'm now a pollster, a close cousin to spin-doctor, which has the profession, in American terms, of making shit shine. Of making things the opposite of what they are, manipulating, making reality...making reality seem the opposite of what it is. And so, the danger - and which I take as real, I didn't write this book as a defense of my profession or what I do - my starting point is that I'm not sure that the tools that I developed to make leaders more accountable to voters aren't in fact making leaders less accountable. I was particularly focused, as I wrote this book, on the United States, where there is building, building evidence of leaders holding on to power despite being out of touch with voters on an extraordinary range of issues. Leaders growing more arrogant, seeming they can avoid accountability. And my techniques are not a small part of the process of avoiding accountability. So my starting point is, am I in fact making the problem worse than I set out to solve?"

Podcast de conferência na Royal Society for the encouragement of Arts, Manufactures and Commerce (RSA) , 3 de Março de 2009, a propósito de Dispatches from the War Room.

segunda-feira, março 16, 2009

Contem-me como foi.

Colaboro com o Centro de Sondagens e Estudos de Opinião da Católica desde 1999. A partir do momento em que fiquei responsável pelas sondagens políticas, comecei a arquivar os resultados. O que mostro de seguida são as estimativas de resultados eleitorais desde essa altura, nas sondagens do CESOP/Católica, para o PS e o PSD, até à mais recente sondagem (Dezembro de 2008). São 29 sondagens, em regra trimestrais, mas cuja regularidade foi por vezes perturbada por razões de calendário eleitoral (das legislativas - maior regularidade - e de outras eleições - impondo maior espaçamento) e outros condicionalismos. As linhas de referência verticais são as eleições, com os respectivos resultados.

Se coloco aqui isto é porque me suscita uma questão muito simples. Para alguns, a resposta vai ser fácil: as sondagens não prestam, ou têm dificuldade em captar determinado tipo de eleitores em períodos longe das eleições, etc e tal. Tudo bem. Sinceramente, não excluo, mas gostava de perceber que argumentos existem. Mas para outros, a questão permanece: como foi que uma coisa destas aconteceu ao PSD?

P.S.- Por aqui a discussão vai boa.

sexta-feira, março 13, 2009

Mais gráficos

Há dias, numa apresentação que fiz no Museu Biblioteca República e Resistência, num ciclo organizado pelo ICSTE, mostrei uns gráficos. Há dois que gostava de mostrar aqui.

O primeiro mostra a soma das percentagens de votos válidos obtidos pelo PS e pelo PSD em cada eleição. Em 1979 e 1980, a votação do PSD é estimada como uma proporção do voto na AD, calculada na base da média dos resultados PSD, CDS e PPM nas eleições imediatamente anteriores e posteriores. E para 2009, os 67% são a estimativa das sondagens para Março de 2009, controlados "house effects". O que o gráfico diz é simples: se as eleições fossem hoje (eu sei, eu sei), PS e PSD teriam, no seu conjunto, o pior resultado desde as eleições de 1985.

O segundo gráfico repete esta informação mais adiciona uma série, a da soma dos votos válidos nos candidatos presidenciais apoiados pelo PS e pelo PSD (1º volta, quando houve duas). Exclui, no entanto, todas as eleições presidenciais onde o Presidente se apresentou a reeleição, por terem características muito diferentes.

Há uma "teoria" sobre a bipartidarização em Portugal que a vê como efeito das presidenciais, ou seja, como efeito da constituição de dois "blocos" em torno de dois principais candidatos, que ajudaria a cristalizar os votos em torno dos dois principais partidos. A "teoria" inversa - bipartidarização concentra votos nos candidatos dos dois principais partidos - é igualmente plausível e, confesso, nem sei bem por onde começaria para testar uma ou outra como deve ser. Mas a observação das duas séries é, digamos, sugestiva. Até para pensarmos em como as presidenciais de 2006 podem ter ajudado a "soltar" eleitores do PS...

quinta-feira, março 12, 2009

A popularidade de Sócrates

Eduardo Pitta comenta a peça do Público sobre a evolução da popularidade do PM, questionando-se sobre a fonte que os leva a dizer que Sócrates está em terreno negativo desde Maio de 2007.

Mesmo não tendo responsabilidades na peça, vamos ver se posso ajudar:

1. Os dados são da Marktest. Isso é mencionado no jornal. O gráfico do Público há-de ser muito parecido, por exemplo, com este que aqui publiquei, no que a Sócrates diz respeito, a não ser que me parece que o Público se limita a calcular o saldo "opiniões positivas" - "opiniões negativas", e eu corrijo esse saldo pelas não respostas.

2. É também verdade aquilo que Eduardo Pitta afirma: nos estudos da Eurosondagem divulgados no Expresso, na RR e na SIC, Sócrates está em terreno positivo.

3. De notar, contudo, que a comparação entre os resultados de um e outro instituto é complicada pelo facto de a Eurosondagem ter uma opção adicional de resposta: "nem boa nem má". Mas como venho mostrando aqui há muito tempo, isso não explica tudo. Os resultados da Eurosondagem para o PR exibem tendências muito semelhantes às da Marktest, mas não tanto no caso do PM. isto não é um juízo sobre quem "tem razão". Não faço ideia. É uma constatação de facto.

4. Eduardo Pitta já não tem razão quando diz que "a afirmação dos jornalistas contradiz todas — repito: todas — as sondagens encomendadas e divulgadas até hoje pelo próprio Público, pelo DN, pelo Correio da Manhã, pelo JN, pelo Expresso, pela RTP, pela SIC, pela TVI, pela Rádio Renascença, pela TSF, pela Visão, pela Sábado, etc."

4.1 Nas sondagens do CESOP/Católica, onde os líderes políticos são avaliados de outra forma - numa escala de 0 a 20 - Sócrates está, há algum tempo, em terreno negativo no que respeita à avaliação média dos eleitores (abaixo de 10 pontos). Em Janeiro de 2007, essa avaliação média era de 10,2 pontos. Em Maio de 2007, ainda 10,1. Mas em Outubro de 2007 já estava em 8,9, em Fevereiro de 2008 era de 9,3, em Julho de 2008 era 8,5, em Outubro de 2008 era 8,4, e em Dezembro passado 8,8. Logo, apesar dos indicadores serem diferentes, os resultados do CESOP (JN, RTP e Antena 1) são congruentes com os da Marktest, quer no momento da queda (após Maio de 2007) quer na ideia de uma recuperação ligeira após Outubro de 2008.

4.2 Os resultados do CESOP/Católica têm exibido bastantes semelhanças com os da Aximage, que usa o mesmo método: nota média de 0 a 20.Não tenho recolhido a série completa, mas para infirmar aquilo que Eduardo Pitta diz sobre as "outras sondagens" basta dizer que, em Dezembro passado, por exemplo, a média das avaliações de Sócrates na sondagem Aximage era 8,8 (tal como na sondagem da Católica).

5. Nada disto impede que a maioria dos eleitores tenha mais confiança em Sócrates como PM do que qualquer outro líder partidário, um dado que Eduardo Pitta também menciona e que é muito importante. Mas isso é outra questão.

quarta-feira, março 11, 2009

Pensionistas

Há dias, no lançamento de um livro, Pacheco Pereira terá afirmado que o PCP é um partido "alimentado por pensionistas". Li isto no Mirante, não consigo encontrar a notícia online e não sei bem em que contexto a afirmação foi feita. Mas certamente que não se refere a uma característica distintiva do PCP no âmbito do comportamento eleitoral em Portugal. Este e este quadros já chegariam, mas podemos ir mais longe:

Se há partidos onde os pensionistas tenham maior propensão para votar, é no PS e no partido de Pacheco Pereira.

The pulse of what people are thinking

No Pollster, Mark Blumenthal cita um recente perfil de David Axelrod, assessor principal de Obama, publicado no NYT. O artigo fala das "reuniões de 4ª feira à noite":

"Jon Favreau, the president’s chief speechwriter, said there was a familiar refrain during these meetings, with Mr. Axelrod urging the team not to become consumed by the insularity of Washington. 'Can I speak on behalf of the American people here?' he said Mr. Axelrod often asks aloud. That is precisely why, Mr. Axelrod said, he convened the Wednesday Night Meetings: to keep the pulse of what people were thinking. Locked in the White House all day, he added, he can no longer hear those voices on his own.

[T]he Wednesday night meetings suggest that
the strong belief in polling and focus groups from the campaign are alive in the White House. Joel Benenson, a pollster for Mr. Obama, is among the participants in the sessions. He said that Mr. Axelrod often asked one question above all: 'How do we make sure that the arguments from the president’s agenda are made in the most persuasive way?'

Foi (também) sobre isto que eu tentei escrever aqui.

segunda-feira, março 09, 2009

Bases de dados

No lado direito, passam a estar disponíveis duas folhas de Excel com os dados sobre as estimativas de intenção de voto e avaliações do Presidente, do Primeiro Ministro e do líder do PSD desde 2005. No que respeita às intenções de voto, procurei incluir todas as sondagens de que tive conhecimento, com os procedimentos, cautelas e omissões descritos aqui e aqui. No que respeita à popularidade, incluo apenas a Eurosondagem e a Marktest, por serem as séries mais longas.

Se detectarem erros, ficarei imensamente grato que mos apontem, para poder corrigir. Não garanto actualização tão regular para as bases como para os gráficos que vou apresentando, mas a verdade é que qualquer um de vós poderá, a partir de agora, usar estas bases para as actualizar. Se usarem estes dados para algum fim público, só peço que mencionem onde os encontraram.

sábado, março 07, 2009

Aximage, 2-5 Mar, N=600, Tel.

Resultados com redistribuição proporcional de indecisos:
PS:40,2% (40,0%)
PSD:25,2% (24,9%)
BE:13,2% (12,6%)
CDU:9,5% (9,6%)
CDS:7,1% (8,1%)
OBN:4,7% (4,9%)

Resultados brutos:
PS:38,3% (38,2%)
PSD:24,0% (23,8%)
BE:12,6% (12,0%)
CDU:9,0% (9,2%)
CDS:6,8% (7,7%)
OBN:4,5% (4,7%)
Indecisos:4,8% (4,5%)

Este é o tipo de resultados que, suspeito, os jornalistas detestam: nada para dizer a não ser falar de "subida de 0,1 pontos percentuais". A notícia está aqui. Obrigado aos leitores que foram, entretanto, deixando estes resultados nos comentários.

sexta-feira, março 06, 2009

Outlier: Out, liar.


Maybe not.


O marketing político não devia ser visto como uma disciplina completamente inútil

O Bloco Central


Actualização: estimativas mensais, controlados "house effects"


Notem a diferença em relação ao gráfico abaixo. Nesse, o smoother que capta a tendência é afectado pela contribuição diferente que diferentes institutos são para a mancha de pontos. Mas quando estimamos um resultado mensal onde se assumem efeitos fixos dos institutos de sondagem, o retrato é um pouco diferente: há um boost para o PS em Outubro (crise), mas lento declínio desde aí. PSD estabiliza após queda de Outubro. Ou se quiserem ver a coisa doutra forma, PSD não recupera do embate da segunda metade de 2008 ao passo que PS, após boost de curto-prazo trazido pela crise, retoma tendência anterior.

Actualização: estimativas de resultados eleitorais


Eurosondagem, 26 Fev-3 Mar, N= 1018, Tel.

PS: 39,0% (40,3%)
PSD: 28,3% (29,1%)
BE: 10,4% (10,1%)
CDU: 9,6% (8,8%)
CDS-PP: 7,7% (6,9%)
OBN: 5,0% (4,8%)

Aqui.

quarta-feira, março 04, 2009

"Personalização"

Os dados completos da última sondagem da Marktest já podem ser encontrados aqui. Há um gráfico que não mostro há muito tempo, o da popularidade dos líderes. Mostro de seguida os dados da Marktest (porque os da Eurosondagem, tal como apresentados no Expresso, estão sistematicamente incompletos de há meses para cá e o site da SIC é uma confusão pegada onde nunca se encontra nada). Cada valor corresponde ao saldo entre opiniões positivas e negativas, corrigido pela percentagem de não respostas.

Isto para dizer duas coisas. Primeiro, que a vida não está fácil para ninguém, Presidente incluído. Segundo, que concordando genericamente com o que a Marina diz sobre a "falta de novidade" da "personalização da política", isto (o "Movimento Sócrates 2009") é capaz de ser um bocadinho exagerado à luz daquilo que o "líder" parece ter para oferecer em valor eleitoral acrescentado.

segunda-feira, março 02, 2009

Outlier: o pluralismo da comunicação social.

A Presidência acaba de anunciar o veto do decreto que aprova "a Lei do pluralismo e da não concentração dos meios de comunicação social". Os argumentos ligam-se ao facto de a Comissão Europeia estar ainda a discutir os critérios desse pluralismo, a utilização de conceitos indeterminados como "instrumentos de aferição reconhecidos no meio", à possível necessidade de intervenção do Estado no sector e a necessidade de "consenso político alargado para a aprovação de regras objectivas, claras e transparentes".

Interessam-me especialmente o segundo e quarto argumentos. Discuti-os aqui, há umas semanas, no blogue da Sedes. Como ficará óbvio da leitura desse post, acho que o veto era uma necessidade absoluta. Ainda bem que ocorreu.

domingo, março 01, 2009

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Outlier: "Lá Fora", no Museu da Electricidade.

O que se passa, assim muito rapidamente, é que a exposição tem coisas (e não são poucas) realmente boas. Acaba a 15 de Março.

O eleitorado português em 2005, 13

Termino como comecei:

"Portuguese society at the beginning of the period under examination here was the most unequal in terms of income distribution, and in the nineteen century shared a tradition of conflict between traditionalist religious believers and anticlericals with both Italy and Spain, and yet, with the partial exception of the PCP, does not have parties whose electorates are anchored in these cleavages."

O eleitorado português em 2005, 12


Mais de um em cada quatro eleitores da CDU em 2005 encontravam-se filiados num sindicato. A "infraestrutura" reencontra-se, em parte, com a "superestrutura".

O eleitorado português em 2005, 11


Com todas as cautelas sobre a fiabilidade dos dados sobre o rendimento do agregado familiar tal como recolhidas em inquéritos, é curiosa a ausência de relação entre, digamos assim, a "infraestrutura" e a "superestrutura", não sei se me faço entender.

O eleitorado português em 2005, 10


As diferenças são pequenas. Mas é curioso que o eleitorado do PS tenha sido o único onde as mulheres estiveram em maioria, e que o eleitorado da CDU seja o mais "masculinizado"

O eleitorado português em 2005, 9

Quando analisamos como se distribui o eleitorado de cada partido em termos das suas qualificações académicas, é evidente a diferença do BE e, em menor grau, do CDS-PP: uma forte presença de diplomados do ensino superior. Forte, digamos, em termos do país e do que se passa nos outros partidos.

O eleitorado português em 2005, 8

Outra maneira de olhar para a questão consiste em analisar não a predisposição deste ou daquele grupo social para votar neste ou naquele partido, mas sim a composição do eleitorado de cada partido do ponto de vista socio-demográfico. Começando pela idade:

É comum dizer-se que o eleitorado do PCP está "muito envelhecido". Mas isso não é mais verdade para o PCP do que para os restantes partidos. Com a excepção do BE, claro, que se distinguiu muito dos restantes no que respeita à composição etária do seu eleitorado em 2005.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

O eleitorado português em 2005, 7


Assim - e no gráfico anterior - se vê a força do Pêçê. E irá o PS dar-se bem aqui em 2009? Hum...

O eleitorado português em 2005, 6


PS e CDU receberam uma parcela desproporcional das opções dos votantes sindicalizados. Voltará a ser assim para o PS em 2009? Hum...

O eleitorado português em 2005, 5



Previsivelmente, os partidos da esquerda dão-se muito melhor junto do eleitorado menos religioso. Curioso, e conhecido, o facto de não haver relação entre a religiosidade e o voto no PS. É por isso que as coisas são assim.

O eleitorado português em 2005, 4



Duas notas. Primeiro, os dados obtidos através de inquéritos sobre o rendimento são reconhecidamente pouco fiáveis. Segundo - e isto aplica-se a todos os gráficos anteriores e seguintes - "correlação não é causalidade". E no entanto, joga bem com os dados sobre a instrução, não joga?

O eleitorado português em 2005, 3



Entre os votantes com maiores qualificações académicas, o CDS-PP e o BE tiveram claramente melhor desempenho que entre a generalidade dos votantes.

O eleitorado português em 2005, 2



Mulheres e homens não votam de maneiras que se possa dizer serem significativamente diferentes.

O eleitorado português em 2005, 1

Há uns tempos, no Twitter, perguntaram-me o que se sabia sobre a relação entre a composição social do eleitorado e o voto. Creio que se pode responder rapidamente dizendo aquilo que uma quantidade já muito razoável de estudos vem confirmando de há uns anos para cá: "the Portuguese electorate is relatively low in social-structural anchoring of partisanship"(1). Por outras palavras, são poucos e fracos os correlatos sociais do comportamento de voto em Portugal. Quem quiser explicar por que razão os portugueses votam neste ou naquele partido terá de olhar para outros factores, nomeadamente o posicionamento ideológico, a identificação partidária, a avaliação do estado da economia e a avaliação dos líderes partidários.

Dito isto, o exercício não é completamente inútil. O que se segue é uma série de gráficos que comparam as percentagens de voto em cada partido nas eleições de 2005 e o comportamento de voto declarado de alguns grupos sociais. Os dados são do inquérito pós-eleitoral de 2005 coordenado aqui no ICS no âmbito do projecto Comportamento Eleitoral dos Portugueses. (2) A cinzento, os resultados eleitorais; a negro, as opções de voto válidas de diferentes grupos sociais. (3)
Começamos pela questão da idade, nomeadamente pelo comportamento de voto dos mais jovens. Falta aqui, claro, a abstenção, a opção que verdadeiramente triunfou entre os mais jovens. Mas se olharmos apenas para as opções de voto válidas, é fácil verificar que os mais jovens não são muito diferentes da generalidade do eleitorado nas escolhas que fazem. Excepção: o voto no BE. Entre os mais jovens, em 2005, o BE já era o terceiro partido.


(2) 5 Março a 8 de Maio de 2005; N=2801, aleatória estratificada por região e habitat; presencial; Continente. Coordenação geral de António Barreto e coordenação executiva de André Freire, Marina Costa Lobo e Pedro Magalhães.
(3) Os resultados da totalidade da amostra foram ponderados de acordo com os resultados eleitorais reais, de forma a corrigir desvios causados por não colaboração e não respostas.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Agradecimentos

Nalguns casos muito atrasados, ao Quarta República, ao Bios Politikos, ao Pensamentos, a o tempo das cerejas, ao Delito de Opinião, ao Vasco Campilho, ao Dissonância Cognitiva, ao Insurgente e ao Da Literatura. E espero não me estar a esquecer de ninguém.

Dispatches from the War Room

Um livro de Stanley Greenberg, pollster e consultor político, sobre o seu trabalho com Blair, Clinton, Mandela, Barak e Sánchez de Lozada.

Foi comentado toda a semana no Pollster.com. Já está no shopping cart. Pelos comentários, este é bem capaz de ser o livro mais importante sobre a relação entre as sondagens e a política publicado nos últimos anos.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Intervalo até ao fim da próxima semana

Entretanto, o meu filho de seis anos gosta imenso disto. Eu na idade dele gostava do Patolas Patatchim, o Pato Equilibrista.

Recordação

Resultados de uma sondagem CESOP/Católica, 4-5 Out. 2008, N=1297, presencial.

Acha que casais formados por pessoas do mesmo sexo deviam ter acesso ao casamento civil em iguais circunstâncias aos outros casais? (total da amostra):
Sim: 42%
Não: 53%
Não sabe: 4%
Recusa responder: 1%

Entre simpatizantes PS:
Sim: 47%
Não: 51%
Não sabe: 1%
Recusa responder: 1%

Entre simpatizantes PSD:
Sim: 29%
Não: 67%
Não sabe: 4%
Recusa responder: 0%

Das seguintes frases, qual a que mais se aproxima da sua posição?
Os casais formados por pessoas do mesmo sexo deviam ter acesso ao casamento civil em iguais circunstâncias aos outros casais :42%
Os casais de pessoas do mesmo sexo deviam poder celebrar uma união civil com os mesmos direitos e deveres de um casamento: 1%
Os casais de pessoas do mesmo sexo deviam poder celebrar uma união civil mas sem todos os direitos e deveres de um casamento: 4%
A lei devia limitar-se a reconhecer a existência de uniões de facto, como sucede hoje em dia: 11%
A lei não deveria reconhecer de forma alguma os casais formados por pessoas do mesmo sexo: 33%
Não sabe : 7%
Recusa responder: 3%


Um partido que tenha sobre este assunto uma posição diferente da sua é um partido no qual…
Nunca votaria: 35%
Poderia mesmo assim votar nesse partido: 49%
Não sabe: 14%
Não responde: 2%

Acha que deveria haver em Portugal um referendo sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo?
Sim: 51%
Não: 44%
Não sabe: 5%
Não responde: 1%

Mais detalhes, incluindo ficha técnica, aqui.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Aximage, 2-5 Fev, N=600, Tel.

Entre parêntesis, resultados de Janeiro:

Resultados com redistribuição proporcional de indecisos:
PS: 40,0% (40,2%)
PSD: 24,9% (25,1%)
BE:12,6% (12,3%)
CDU:9,6% (8,7%)
CDS:8,1% (8,3%)
OBN: 4,9% (5,5%)

Resultados brutos:
PS: 38,2% (37,3%)
PSD: 23,8% (23,3%)
BE:12,0% (11,4%)
CDU:9,2% (8,1%)
CDS:7,7% (7,7%)
OBN: 4,7% (5,1%)
Indecisos:4,5% (7,1%)

Aqui.

(Actualizado e corrigido um erro em relação à sondagem de Janeiro; espero que seja o último)

"Porque não telefonam para os telemóveis também?"

Pergunta-se num comentário. Aqui vai:

1. Custos de comunicação, tornando certo tipo de trabalhos economicamente inviáveis (tudo o que for sondagens para os media, por exemplo);
2. Perda da informação territorial que (por enquanto) ainda está associada aos números fixos. Há maneira de tentar resolver (obter a informação de residência na própria chamada) mas aí o ponto anterior ainda fica mais complicado.
3. Grande número de números válidos (com cartões SIM activados) mas sem utilização real (telefones desligados), provocando mensagens de voice mail, obrigando a novas tentativas durante o trabalho de campo que vão ser inevitavelmente fracassadas.
4. Falta de confiança nos dados sobre o universo. As estimativas dos domicílios cell-only em Portugal oscilam entre os 15% e os 48% (!!!).
5. A unidade de amostragem numa sondagem telefónica convencional é o domicílio, dentro do qual se selecciona aleatoriamente um indivíduo pertencente ao universo; a unidade de amostragem numa sondagem através de móvel é o indivíduo. Isto seria resolúvel se o ponto 4 não fosse o que é.

Acho que é isto. Não é por acaso que, até nos Estados Unidos, a utilização de telemóveis para sondagens políticas a sério só começou este ano e ainda a um nível algo experimental.

Mesma sondagem, títulos diferentes.

Sondagem: Socialistas em queda.

PS desce nas intenções de voto... mas PSD ainda cai mais

"O PSD tem muito mais razões para estar preocupado"

Bipartidarismo perde para a esquerda

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Eurosondagem, 28 Jan-3 Fev, N= 1025, Tel.

PS: 40,3%
PSD: 29,1%
BE: 10,1%
CDU: 8,8%
CDS-PP: 6,9%
OBN: 4,8%

Aqui (obrigado @rfam)

Perspectiva

Só para pôr as coisas em perspectiva, os resultados de uma sondagem CESOP/Católica de Maio de 2007, comparados com a sondagem recente sobre o caso Freeport:

Com que interesse tem acompanhado ...?
Muito ou algum interesse:
- Caso Univ. Independente (2007): 44% (em relação ao total da amostra)
- Caso Freeport (2009): 49% (em relação ao total da amostra, e não apenas em relação aos que dizem ter ouvido falar do caso).

Acha que José Sócrates esclareceu completamente as dúvidas que surgiram ou que ficaram ainda coisas por esclarecer?
Ficaram coisas por esclarecer:
- Caso Univ. Independente (2007): 62%
- Caso Freeport (2009): 51%

No seguimento desta controvérsia, a sua opinião sobre José Sócrates...
Piorou:
- Caso Univ. Independente (2007): 19%
- Caso Freeport (2009): 26%

Telefónicas

Há dias, no Twitter, o Gabriel Silva perguntava:

GabrielfSilva @PCMagalhaes 1a questão técnica (q há mto desejava fazer): as sondagens por telefone é só para fixo? Se sim, tal não distorce 1 bocadinho?...

Começo por dizer que sei muito menos sobre isto do que devia. O grosso do trabalho da Católica são presenciais, e os inquéritos académicos com que lido no ICS (European Social Survey, European Values Study, estudos eleitorais de vários tipos, etc) também, pelo que nunca fiz investigação própria sobre a matéria. Mas há algumas coisas que se podem dizer.

A primeira é que, segundo o INE, em 2008, havia 30% de alojamentos privados que não tinham telefone fixo. Isto significa um primeiro desvio sério em relação à pressuposição de amostragem aleatória da população: a probabilidade dos residentes em domicílios sem telefone fixo de serem seleccionados para responder às sondagens telefónicas que são feitas em Portugal sobre intenções de voto ou estudos políticos vários não é igual à dos restantes. É zero. Zero.

Isto é um problema? À partida, a resposta tem de ser sempre "Sim". É por isso os inquéritos académicos que servem de "golden standard" para a indústria são todos presenciais: se as pessoas que não vivem em alojamentos com telefone fixo forem sistematicamente diferentes das outras, todas as inferências que se façam da amostra para a população em geral vão estar enviesadas.

Contudo, na prática, as coisas podem não ser tão graves como se possa pensar:

1. Pode haver matérias em que aquilo em que a população que vive em alojamentos sem fixo é diferente da população sem fixo não esteja correlacionado com as variáveis de interesse.
2. A utilização de amostragem por quotas ou ponderação pós-amostral, dando à amostra características conhecidas do universo, pode ajudar a corrigir esses enviesamentos.
3. As vantagens das sondagens telefónicas- nomeadamente, um controlo muito mais apertado sobre o trabalho de campo do que nas presenciais - podem compensar as desvantagens.
4. As características socio-demográficas da população sem telefone fixo podem ser suficientemente heterogéneas para neutralizarem os enviesamentos causados. Por exemplo, há boas razões para supor que a população sem fixo combina população idosa e rural com população mais jovem e urbana (mobile-only).

Tudo isto são questões para investigar, coisa que não fiz. Nos Estados Unidos, onde até há uns anos toda a gente tinha fixo, o grande espectro hoje é a população "mobile-only". E apesar de toneladas de papel de investigação sobre o assunto, que relata diferenças significativas entre as diferentes populações, a causa dessas diferenças permanece um mistério. Em Portugal, julgo saber que há estudos de mercado que tratam esta população, e era bom haver estudos sobre o assunto. Não conheço nenhum.

No fim de tudo, diria o seguinte:
1. Resistiria sempre muitíssimo à ideia de fazer um estudo académico sobre atitudes e comportamentos sociais pelo telefone em Portugal.
2. Sou menos resistente à ideia de fazer estudos sobre intenções de voto e atitudes políticas pelo telefone, por uma razão simples: não existem diferenças significativas entre a precisão das sondagens, confrontadas com resultados eleitorais, ditadas pelo modo de inquirição (mas isto é para um objectivo muito concreto, ou seja, descrever opiniões políticos ou intenções de voto. Para investigação séria e "pesada" sobre causas de comportamentos políticos, acho as telefónicas, genericamente, inapropriadas).
3. Se as perspectivas futuras fossem a de um desaparecimento do fixo e aumento da população "mobile-only", estaria disposto a rever a posição 2. Mas felizmente para nós, os pacotes de comunicações, que incluem internet, cabo e telefone, podem ajudar a contrariar esta tendência.
4. Independentemente disto, há um espectro mais grave: as pessoas cada vez menos querem responder a sondagens. Mas isso é uma verdade para as presenciais e para as telefónicas. Hoje, taxas de resposta de 30% em estudos presenciais académicos, com montanhas de dinheiro, 5 ou 6 revisitas ao mesmo domicílio, etc, são consideradas óptimas. O estudo da Católica sobre o Freeport demorava três minutos a responder e teve uma taxa de resposta de 52%. A metade que responde é igual à metade que recusou ou não estava acessível? Não é. O grande problema, para mim, é este. Parece que a resposta do futuro é o chamado "multi-mode" ou "mixed-mode", ou seja, adoptar para um mesmo inquérito vários métodos de inquirição (postal, presencial, internet, telefónica) adaptados a cada população. A ver.

Bach tocado por Gould, Vampire Weekend, enfim, mantendo uma certa coerência musical.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Margens com menos erro.

Não sei se já repararam na coluna do lado direito. Daqui até às eleições, o Luís Aguiar-Conraria vai também andar por estes lados. A ideia, claro, é espremermos os dados das sondagens eleitorais até ao tutano. Nem vai ser preciso ler a assinatura dos posts: se for disparate, é meu; se for inteligente, o mais provável é que seja dele.

Finalmente, um fã.

"Um rapaz doutorado a dizer uma bujardas destas, ainda se fosse um almeida da CML seria aceitável, agora um doutorado.., expert em estatísticas e extrapolações..."

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

(Atrasada): Intercampus, 17-21 Janeiro, N=609, Tel.

PS: 42,3%
PSD: 27%
BE: 12,2%
PCP: 11,9%
CDS-PP: 5,7%

Estes resultados foram apresentados na última 6ª feira, em comparação com os da sondagem que terminou dia 28. Mas não os consegui ver apresentados na emissão da TVI da 6ª feira anterior (onde apenas se mostrou a "pontuação" dos líderes políticos). Acho que faz sentido, contudo, tomá-los em conta.

Intercampus, 23 a 28 Janeiro, N=621, Tel.

PS: 36,9%
PSD: 31,4%
BE:13,6%
PCP: 13%
CDS-PP:5,1%

A soma destes resultados dá 100%, pelo que a projecção não contempla votos para outros partidos, brancos e nulos.

Obrigado, Helena.

domingo, fevereiro 01, 2009

Intercampus

Não consigo descobrir os resultados da sondagem divulgada 6ª feira na TVI. Alguém sabe?

sábado, janeiro 31, 2009

Marktest, 20-23 Janeiro, N=809

PS: 39,6%
PSD: 24,9%
CDU: 11,9%
BE: 10,1%
CDS-PP: 9,7%

O título no Semanário Económico - "José Sócrates está mais longe da maioria absoluta" - é um caso interessante. A jornalista esperaria perdas em relação à última sondagem, devido ao caso Freeport. Mas o trabalho de campo acabou a 23, pelo que não poderia reflectir claramente quaisquer efeitos do caso. Logo, uma perda de 0,5 pontos percentuais em relação a Novembro passado, que normalmente significaria "estabilidade", passa a significar "José Sócrates está mais longe da maioria absoluta".

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Intervalo higiénico

Para quem se interessa por política, como eu, os últimos dias têm sido animados. Mas hoje à tarde, um intervalo. Já estou, pelo menos em relação a isto, como o João Gonçalves: ponho isto (por acaso o que tenho é o Schiff, mas não faz mal) no leitor de CD's e, dois segundos depois, fica-se a achar que esta fantochada toda, esta gente - eu incluído -e este país não têm, afinal, importância de espécie alguma. Experimentem clicar e vejam lá se não é.



Já me passa.

Tempo político

A Marina Costa Lobo, minha colega no ICS, tem agora um blogue: Tempo Político. Já dá para perceber que vai valer a pena seguir. Gostei especialmente do post a propósito de Samuel Huntington, onde se ilustra uma tendência do Embaixador José Cutileiro para falar de coisas sobre as quais nada sabe. Não é a primeira vez.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Shortcuts

Aqui ao lado, na barra lateral, encontram ligações directas para dois gráficos. Um é um scatterplot para todas as sondagens, enquanto o outro tem as estimativas mensais controlados os "house effects".

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Linhas de referência

Daqui a umas semanas, o gráfico que mostrei num post abaixo vai ter, para além dos dados das sondagens que se seguirem, uma linha de referência adicional. Vou marcá-la no dia 21 de Janeiro e vou-lhe dar o título "Freeport".

House effects

Um dos problemas dos gráficos anteriores é o facto de as diferentes estimativas não serem rigorosamente comparáveis entre si. Aquilo que gostaríamos de ter para apreciarmos a existência de tendências nas intenções de voto seriam estimativas cuja variação de um momento para outro se devesse apenas a dois factores: ruído aleatório (inevitável tendo em conta que estamos a lidar com amostras) e mudanças reais nas preferências dos eleitores. Mas o problema é que lidamos com sondagens de diferentes institutos, em números diferentes de instituto para instituto, e cujos resultados são afectados por escolhas e práticas metodológicas próprias que afectam os resultados, os chamados "house effects".

Como limpamos os resultados destes "house effects"? O meu problema, claro, é que à medida que estas questões se complicam a minha rudimentar econometria começa a patinar. Mas socorro-me de Robert Erikson e Christopher Wlezien, que sugerem o seguinte procedimento:

1. Estimar um modelo de regressão linear para os resultados para cada partido de todas as sondagens, onde se introduzem variáveis mudas para cada instituto de sondagens (no nosso caso 5-1 dummies).

2. Acrescentar ao modelo dummies para períodos temporais;

3. Omitir a constante do modelo.

Os coeficientes para cada uma das dummies de período temporal são a estimativa de resultados eleitorais para cada período e para cada partido ajustada em relação aos "house effects". Feita a operação, trabalhando com períodos temporais mensais, obtemos o seguinte:


O lado simpático disto é que não é muito diferente dos gráficos mostrados aqui, que se limitam a usar todos os dados de todas as sondagens. Mas o que farei daqui em diante - a não ser que me mostrem que isto é um disparate - é apresentar ambos os gráficos.

Tendências

Num comentário a um post anterior, diz-se que "normalmente sobem primeiro os partidos mais contestatários e mais perto das eleições é que os partidos com reais hipoteses de constituir uma alternativa de governo começam a subir. Foi assim com Durão Barroso quando subiu a 1º ministro."

Será? Não sei. Gostava de ver dados. A única coisa que tenho são dados sobre os três meses anteriores às eleições de 2002:

Aqui, sucedeu exactamente o contrário do que o leitor sugere. Em 2005 a hipótese também não se confirma. Mas os períodos são curtos . Tudo depende do que significa "mais perto".

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Comentários

Desde que abri a caixa há uns meses, ainda não rejeitei qualquer comentário. Até hoje. Só para ficar registado, não publicarei comentários com insultos dirigidos a outras pessoas (se forem insultos dirigidos a mim provavelmente até publico). Os restantes critérios decidirei à medida que for recebendo os comentários, porque aqui quem decide o que aparece sou eu e publico aquilo que muito bem me apetecer. Mas sempre que rejeitar algum aviso, para terem uma ideia da taxa de rejeição.

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Partido a partido, instituto a instituto: CDS


?

Partido a partido, instituto a instituto: BE


A subir de há um ano para cá.

Partido a partido, instituto a instituto: CDU


A subir.

Partido a partido, instituto a instituto: PSD

O mesmo para o PSD:


Como já alguém assinalou num comentário, há simetria com as tendências do PS. Eurosondagem algo discrepante na fase final, mas o resto confere.

Partido a partido, instituto a instituto: PS

Antes de ter grandes certezas sobre se os gráficos abaixo estão de facto a captar tendências reais, vale a pena ver o que se passa instituto a instituto. O gráfico abaixo analisa os resultados dos três institutos com mais sondagens desde Março de 2005, neste caso para as estimativas de resultados eleitorais do PS.
Tendo em conta a agitação habitual sobre as alegadas "discrepâncias" entre os resultados das sondagens, é curioso verificar que as tendências são relativamente congruentes entre estes três institutos. Só a Eurosondagem, na fase final, parece não estar a apanhar uma tendência clara de subida para o PS.

Outlier: um pedido de ajuda aos latinistas

Segundo Pacheco Pereira, um dos dez sinais do "situacionismo" nos dias de hoje é que "Manuela Ferreira Leite é atacada ad hominem na sua 'credibilidade'". Mas eu diria ad feminam, e não ad hominem. Que vos parece, ó latinistas?

P.S.- Suspeito que esta pergunta pode ser vista como sendo algo "situacionista".

terça-feira, janeiro 20, 2009


Foto: H. Darr Beiser, USA TODAY

Intenções de voto: actualização

Alma caridosa - neste caso concreto, a de alguém que sabe mais de sondagens a dormir do que eu acordado - enviou-me os dados da Aximage desde 2005. São 27, excluindo aquelas em que apenas foram apresentados no Correio da Manhã intenções de voto brutas no PS e no PSD. Falta a estes dados, na maioria dos casos, uma distinção entre indecisos e "outros, brancos e nulos", o que dificulta as operações. Mas presumi que os OBN são 5%, o valor médio nas poucas sondagens da Aximage que apresentaram esses valores. A partir daqui, redistribuí da maneira habitual, etc.

Abaixo, a actualização do gráfico com os novos dados, usando o smoothing mais sensível e as linhas de referência discutidas no post abaixo. As diferenças são quase indetectáveis, como seria de prever.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Ano eleitoral

De Março de 2005 até hoje, fui recolhendo as notícias sobre algumas sondagens que iam saindo. Até agora, tenho tratado apenas os dados respeitantes à popularidade dos líderes do PS e do PSD tal como recolhidos pela Marktest e pela Eurosondagem. Mas em ano de eleições, vale a pena voltar um pouco atrás e olhar para as intenções de voto.

Para que nos entendamos, as regras são as seguintes:

1. Os dados dizem respeito às estimativas de resultados eleitorais, ou seja, os resultados das sondagens de intenções de voto comparáveis com resultados de eleições. Em muitos casos, os órgãos de comunicação social apresentam esses resultados, quase sempre redistribuindo os indecisos proporcionalmente pelas restantes opções. No caso da Católica, há uma segunda pergunta colocada aos NS/NR sobre "inclinação de voto". Os que respondem são redistribuidos nessa base, os restantes proporcionalmente. Finalmente, quando nem os institutos nem os media procederam à redistribuição, eu próprio fi-lo, usando a opção de os redistribuir proporcionalmente pelas opções válidas (incluindo, para este efeito, uma categoria de "outros, brancos ou nulos"). Tudo relativamente banal.

2. Ao longo dos últimos três anos, julgo ter informação sobre todas as sondagens realizadas pela Marktest e pela Eurosondagem, para além das do CESOP/Católica, naturalmente. No total, são 44 da Eurosondagem, 39 da Marktest (que não coloca dados no site desde Novembro) e 9 do CESOP. Sabemos, contudo, que a Aximage e a Intercampus também têm conduzido sondagens. Uma pesquisa muito minuciosa na Net, nos sites da TVI e do Correio da Manhã, permitiu detectar 5 sondagens da Aximage e 3 da Intercampus. Há sem dúvida mais sondagens da Aximage, mas as notícias do Correio da Manhã na Net anteriores a Julho de 2008 apresentam apenas intenções de voto brutas no PS e no PSD. No caso da Intercampus, se houve sondagens antes de Junho de 2008, não as consegui encontrar. Se alguém tiver a informação em falta e quiser enviar-me, ficarei grato.

O que se pode fazer com esta informação? Bem, vamos ver aquilo que consigo espremer destes dados. Para começar, o mais simples e mais agnóstico: um plot dos resultados de todas as 100 sondagens de que disponho para cada partido. A cada conjunto de dados para cada partido ajusto uma linha, presumindo que as tendências não são lineares. Trata-se de uma linha de regressão local, dando maior peso às observações imediatamente adjacentes do que às outras. Podia fazer de conta que sei muito bem o que estou a fazer, mas não vale a pena: limito-me a recorrer a umas funções do SPSS que me fornecem estas curvas e a ter uma vaga ideia de como são estimadas: aqui. Mas com as devidas diferenças, estou a fazer o que estes senhores fazem regularmente. E tal como eles, esta abordagem é completamente agnóstica (o que não significa que seja superior a outras) : tomo em conta todas as sondagens de que disponho, ignoro o facto de que há dois institutos de sondagens muito sobrerepresentados e não tomo em conta que as estimativas têm precisões diferentes (baseando-se em dimensões amostrais que vão dos 600 aos 1354). Dito isto, aqui vai:




Este smoother é, digamos, medianamente sensível (Kernel: Epanechnikov, 35% points to fit). Posso torná-lo mais "insensível" (obrigando-o a tomar mais observações em consideração):

Ou, pelo contrário, mais sensível às flutuações de cada momento:

Fiquemos com este último, para já. Adiciono de seguida umas linhas de referência verticais com algumas datas: as autárquicas de 2005; o caso "Universidade Independente"; a eleição de Menezes; e a eleição de Ferreira Leite:
Cliquem para ampliar, e digam lá se isto não tem a sua graça.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Detalhes

A sondagem da Aximage para o Correio da Manhã gerou alguma agitação adicional por um dos seus resultados ter sido divulgado antecipadamente na blogosfera: os 23% de intenções de voto para o PSD. Dito isto, perdoem-me que repita uma banalidade, mas há um pequeno detalhe. Um leitor menos habituado a estas coisas olha para estes 23%, pensa nos 29% que o PSD teve nas eleições de 2005, pensa eventualmente nos 27% que o PSD tinha na última sondagem da Intercampus, ou nos 30% que tinha na última sondagem da Católica, ou até nos 30% que tinha na última sondagem da Eurosondagem, e fica surpreendido com a dimensão da discrepância: 4 pontos menos que a outra sondagem com valores mais baixos.

Mas atenção: os 23% da Aximage para o PSD são calculados em relação a um total onde estão incluídas intenções de voto ou de votação em branco ou nulo (o que é contabilizado nas legislativas) assim como "indecisos" (7,1%). Pelo que estes 23% não podem ser comparados nem com resultados eleitorais nem com os resultados das outras sondagens acima descritos. Se fizermos para estes resultados o mesmo que a Intercampus, a Eurosondagem e a Católica* fazem com as suas intenções de voto brutas, ou seja, redistribuir os indecisos proporcionalmente pelas restantes opções de voto, os resultados são os seguintes (arredondados à unidade):

PS: 40%
PSD: 25%
BE:12%
CDU: 9%
CDS:8%
OBN:5%

É só um detalhe. Sobre se a "boa" estimativa para o PSD é 25 ou 30%, não creio que se possa saber e isso é, de resto, o que menos interessa. O que interessa é que o resultado da Aximage está perfeitamente alinhado na tendência (que é o mais importante): o PSD desce na Aximage (de Dezembro para Janeiro), como já descia na Intercampus (de Outubro para Dezembro), como já descia na Católica (de Outubro para Dezembro) e como já descia na Eurosondagem (de Novembro para Dezembro). Não creio que haja dúvida razoável sobre a noção de que o PSD está a perder apoio eleitoral nos últimos meses.

*O asterisco é só porque a Católica faz uma coisa ligeiramente mais complicada, que é usar as respostas dos indecisos a uma segunda pergunta sobre "inclinação de voto" para os distribuir. Mas os que não respondem a essa pergunta são tratados da mesma forma, ou seja, como abstencionistas.

terça-feira, janeiro 13, 2009

Imperdível, 2

No Monkey Cage, post a post, a discussão de alguns dos artigos mencionados no post abaixo

Imperdível

O primeiro conjunto de artigos académicos sobre as eleições americanas já está disponível. Na internet, claro: The Forum, publicado pela Berkeley Electronic Press, volume 6, número 4. Dez artigos, quase todos por gente muito conhecida da área, sobre temas que vão desde a participação eleitoral até ao papel dos grupos de interesse na eleição. Imperdível.

sábado, janeiro 10, 2009

Das duas, três

 Uma nota rapidíssima sobre este post de Eduardo Pitta (que é também um dos poucos bloggers que ainda leio regularmente) onde, a propósito da notícia do Sol sobre o Orçamento, dos comentários de Mário Crespo sobre "fontes anónimas" e a reacção da Casa Civil, se cita Crespo com aprovação: "Uma coisa é certa: ou as notícias saem lá de dentro [da Presidência da República] ou são inventadas pelos jornais." 

Eu acho que é possível, mas acho também que falta uma óbvia terceira possibilidade. Exemplifico: há dias, um jornalista ligava-me para confirmar a existência de um alegado estudo da Católica que teria sido feito a pedido de Belém, que o Presidente já teria citado várias vezes em reuniões de trabalho, e que supostamente mostraria que os portugueses "sabiam distinguir bem entre eleições" e apoiaria a convocação de eleições legislativas para a mesma data que as europeias. Pergunto ao Eduardo: de onde é que ele acha que terá vindo este conto de ficção científica? Das duas, três.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Sondagens em Israel, 2

Benjamin Netanyahu’s Likud party has lost momentum as a general ballot in Israel draws near, according to a poll by Teleseker published in Maariv. A prospective tally of seats shows the rightist party would get 28 seats in the Knesset in next month’s election, down seven since December. The ruling Kadima party would also get 28 seats—up seven in three weeks. Labour is third with 16 mandates, followed by Israel Our Home with 12 seats, and the International Organization of Torah-observant Sephardic Jews (Shas) with 11 mandates.

Ler mais aqui.

Sondagens em Israel, 1

Maagar Mochot/Israel Radio, 28.12.08, N= 502, Telefone

Do you support the current military operation in Gaza?
Support: 81%
Oppose: 12%
Not sure: 7%

Will the current operation stop the Qassam rockets against Israel?
Forever: 6%
For a long period: 11%
For a short period: 24%
No: 39%
Not sure: 20%

terça-feira, dezembro 30, 2008

Outlier: sobre o Estatuto dos Açores

Em parte em comentário ao que Luís Campos e Cunha escreve no Blog da Sedes, tenho alguma dificuldade em compreender por que razão o Presidente não optou, em qualquer momento deste processo, por enviar o Estatuto dos Açores para fiscalização preventiva pelo Tribunal Constitucional. Há muito tempo que não me debruço sobre estes temas, o assunto é muitíssimo complicado, não sou jurista e podia escrever mais alguns "disclaimers". Mas para abreviar, acho que fez mal, por várias razões:

1. A apreciação que o Presidente fez do Estatuto na sua comunicação ao país de ontem (assim como na do Verão passado) não deixa margem para dúvidas: sem nunca usar o termo, não há dúvida que o Presidente entende que o Estatuto é inconstitucional. Se assim entende, então não pode argumentar que fez "tudo o que estava ao [seu] alcance para defender os superiores interesses do Estado". Não fez uma coisa: solicitar ao supremo intérprete da constitucionalidade das leis que faça o seu trabalho em relação uma lei que o PR entende ser inconstitucional.

2. Ao não o fazer, abre caminho a uma série de interpretações - todas provavelmente ilegítimas, mas não por isso menos possíveis de tentar fazer vingar na opinião pública - sobre a sua actuação, nomeadamente a de que suspeita que o Tribunal não apoiaria a sua interpretação ou até de que suspeita que o Tribunal seria influenciado pelos interesses partidários que criticou na sua comunicação. Ao não pedir a fiscalização, o Presidente, mesmo que involuntariamente, desvaloriza o TC.

3. Faz ainda uma outra coisa. O TC, na fiscalização preventiva, serve para precisamente para confirmar ou infirmar dúvidas que o Presidente tenha sobre a constitucionalidade das leis. E serve especialmente para evitar que leis inconstitucionais entrem em vigor. O que vai suceder, contudo, é que uma lei que o Presidente entende ser inconstitucional vai acabar por entrar em vigor. E vai entrar em vigor sem que o intérprete supremo se tenha pronunciado sobre o que retém (ou não) da interpretação do Presidente. Cria-se assim na opinião pública uma sensação perturbante: a de que, no nosso sistema, é possível que entrem em vigor leis inconstitucionais, ou que o Presidente entende serem inconstitucionais, sem que haja uma última palavra sobre se são inconstitucionais ou não.

4. Num plano ainda mais "político" da questão, ter enviado a lei pra o TC teria evitado ainda outras interpretações, nomeadamente a de que o tema com que Presidente se preocupou mais até agora no seu mandato foi um tema ligado aos seus próprios poderes. A comunicação ao país procurou infirmar esta ideia. Mas ela teria sido infirmada mais eficazmente se a questão tivesse sido deslocada da discordância política do Presidente com o estatuto e com o comportamento dos agentes políticos para o plano mais "abstracto" da adequação da lei à nossa ordem constitucional.

5. Mais geral ainda: na afirmação de que "não se trata apenas de uma questão jurídico-constitucional" há uma desvalorização implícita do que é "jurídico-constitucional". O que a Constituição - e a sua interpretação - fazem é, precisamente, lidar com "os fundamentos essenciais que alicerçam o nosso sistema político" ou "o relacionamento entre órgãos de soberania". De resto, a Constituição e o seu intérprete até fazem muito mais do que isso. Logo, dever-se-ia olhar para isto ao contrário daquilo que fez o Presidente: não se trata apenas de uma questão política, é também uma questão jurídico-constitucional, ou seja, é a questão mais importante de todas na nossa vida colectiva.

6. Agora, mesmo que seja pedida fiscalização sucessiva, quem conhece e estudou o Tribunal sabe o que vai suceder: a decisão só será conhecida daqui a muito tempo, e quase ninguém vai dar por isso, mesmo que a decisão seja desfavorável. Todos os efeitos negativos anteriores já terão ocorrido e sem correcção possível.

7. O plano mais "político" de todos é o menos interessante: se o Presidente sai fortalecido, ou enfraquecido ou nem uma coisa nem outra no fim disto tudo em relação ao governo do PS. Não sei. Mas no nosso sistema, em face de uma maioria absoluta, o veto e a fiscalização preventiva são as "armas dos fracos". A sua eficácia é limitada ou incerta para colocar obstáculos directos às maiorias. Mas o seu uso é indispensável para legitimar outras formas de actuação junto da opinião pública. Caso contrário, com o devido respeito, "ladra-se", mas não se "morde". A "autoridade moral" precisa de vir com alguma artilharia por detrás.

Postado também aqui.

Rescaldo das previsões eleitorais U.S.

O rescaldo "oficial" das sondagens pré-eleitorais nos Estados Unidos pode ser encontrado aqui. O National Council on Public Polls conclui que "the 19 national presidential polls conducted in 2008 and published at the end of the campaign came very close to the election outcome" e que "despite widely discussed concerns such as the growing size of the cell-phone-only population (and this year the possibility of a repeat of Bradley/Wilder effect), there was no change in poll average error [em relação a 2004]."

O resultado de 46,6% dos votos para McCain (em relação à soma McCain + Obama) pode também ser comparado com os modelos quantitativos de forecasting que foram apresentados nos meses anteriores. É curioso verificar que os três modelos que mais sobrestimaram o voto em McCain foram os de Norpoth (que tomava em conta os resultados das primárias), os de Lewis-Beck e Tien (que introduziam uma "correcção" para o "Bradley effect") e os de Campbell (que utilizava dados de intenção de voto).

Os Iowa Political Markets estimavam, em 2 de Novembro, 46,7% para McCain...

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Barómetro CESOP/Católica

O relatório-síntese da última sondagem do CESOP para a RTP, Antena 1 e JN pode ser descarregado aqui. Para além das perguntas habituais, dois temas: perspectivas para 2009 e as relações entre o governo e o Presidente da República.

terça-feira, dezembro 16, 2008

Novidades

Bem sei que o meu silêncio sobre as sondagens que têm saído pode parecer estranho. Mas há uma boa razão. Em Janeiro, em preparação do ano eleitoral de 2009, haverá aqui novidades. Nessa altura falamos.

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Outlier: o absentismo dos deputados

Das três uma (ou duas, ou três): ou os "problemas do país" não mudam, ou eu já ando nisto há demasiado tempo e já disse todo o pouco que tenho para dizer sobre eles, ou então estou um velho rezingão que não consegue mudar de opinião. Em suma: o que acho que tenho para dizer sobre o assunto do absentismo dos deputados está aqui, num texto de 2006.

Uma floresta de enganos

O absentismo dos deputados parece ser suficientemente grave para que, segundo se anuncia, o Presidente da República vá amanhã falar sobre o assunto no parlamento. Estamos em terreno de tal modo fértil para a demagogia e as banalidades que não estou seguro, confesso, de conseguir chegar ao fim deste texto sem incorrer numa ou noutras. Será então prudente que comece pelos factos.

O primeiro é que os parlamentares portugueses parecem ter adoptado para si próprios um dos mais duros regimes de punição de faltas às sessões plenárias existentes nas democracias ocidentais, prevendo — salvo motivo justificado — a perda de mandato por falta de comparência a apenas quatro sessões plenárias. Uma visita à
base de dados da União Interparlamentar revela, por exemplo, que dos vinte e cinco regimentos dos parlamentos da União Europeia, apenas em quatro deles (Áustria, Finlândia, Letónia e Portugal) se prevê a perda de mandato de deputado por semelhante motivo. Na maioria dos casos existem apenas sanções pecuniárias, havendo inclusivamente seis países — Bélgica, Dinamarca, Holanda, Suécia, Reino Unido e Estónia — em que não existe sequer uma obrigatoriedade de presença no plenário. Não consta que tenha sido isto que levou ao declínio do Império Britânico, nem que seja factor de peso na “qualidade” das democracias dinamarquesa ou sueca. E não deixa de ser enigmático que, na mesma altura em que instituições como o Centro Europeu de Pesquisa e Documentação Parlamentar discutem a utilização de meios electrónicos que permitam discussões e votações sem a presença física dos deputados no parlamento - para que possam passar mais tempo junto dos seus círculos eleitorais e noutras actividades políticas - os nossos deputados coloquem tanto empenho em criar regras que, supostamente, os deveriam manter sentados no hemiciclo.

O segundo facto ajuda a decifrar o enigma. Na verdade, não é evidente que os parlamentares portugueses tenham tido alguma vez a intenção de colocar estas regras draconianas em prática, se não na letra pelo menos no espírito. Por exemplo, em Julho de 2001, numa das várias épocas de caça ao deputado faltoso abertas pela comunicação social nos últimos anos, relatava-se que nada menos de 30 deputados tinham já ultrapassado o limite de três faltas injustificadas nessa sessão legislativa. Mas ficou-se também a saber que o processo de perda de mandatos não tinha sequer sido accionado, alegando-se que os serviços administrativos tinham marcado faltas ao plenário a quem estava a trabalhar em comissão. E pelo caminho, foi o próprio Presidente da Assembleia quem veio afirmar, afinal, a sua discordância “pessoal” com o “excesso de rigor” da norma. Ao longo dos meses que se seguiram, os faltosos puderam — chamemos-lhe assim — “justificar” as suas faltas, muito depois do período regulamentar para tal. Através deste e outros processos semelhantes ocorridos nos últimos anos, nunca um deputado perdeu o mandato por excesso de faltas injustificadas, sendo mesmo raríssimos os casos de faltas que tenham ficado por justificar.

O que se costuma seguir a esta constatação é a denúncia pública do “escândalo”, a contrição dos líderes partidários e parlamentares e o apelo a mais regras “moralizadoras”, de forma a “recuperar o prestígio” do parlamento junto da opinião pública. Tudo bem. Mas talvez seja importante recordar que não há qualquer estudo de opinião que sugira que a imagem que os portugueses têm do seu parlamento seja minimamente afectada, para o mal ou para o bem, quer pelos supostos “escândalos” quer pelas supostas “reformas” que lhes têm respondido ao longo dos últimos anos. Não tem havido, em termos da imagem do parlamento, um “antes” ou um “depois” dos diversos “pacotes” de reforma parlamentar. O que a investigação sugere é, pelo contrário, que o anti-partidarismo dos portugueses é forte, arreigado e não tem sofrido mudanças especialmente notáveis nos últimos anos. E que as avaliações que fazem do parlamento são muito mais sensíveis a factores como o desemprego, a inflação e o crescimento económico, sendo também mais negativas, naturalmente, entre os simpatizantes dos partidos que estão a cada momento na oposição. De facto, nem é sequer seguro que os cidadãos tenham uma “imagem” propriamente dita do “parlamento”, de tão dependente que ela parece ser daquela que é feita do sistema político em geral e do seu desempenho.

Deste modo, a preocupação com o impacto destes rocambolescos eventos na imagem do parlamento e dos políticos está provavelmente a confundir causas e efeitos. Se os parlamentares vão aprovando para si próprios normas de conduta de aplicabilidade incerta e, nalguns casos, indesejada à partida, é precisamente porque querem dar ao público aquilo que pensam — provavelmente com razão — que o público quer, ou seja, regras que tratem os políticos na base de um princípio generalizado de suspeição. E se de seguida os mesmos parlamentares subvertem o espírito das normas que por eles próprios aprovadas, é porque também julgam — mais uma vez com acerto — que, quando chegar a hora da verdade, nada disto vai ter qualquer efeito no que realmente conta: a sua colocação em lugares elegíveis nas listas e a opção de voto dos eleitores neste ou naquele partido.

É por tudo isto que o habitual discurso do “escândalo”, seguido da necessidade de “moralização”, pode facilmente tornar-se, nesta floresta de enganos, no mais situacionista dos discursos. Em primeiro lugar, porque permite que não se repense sequer por um segundo qual poderá ser o papel dos deputados e dos parlamentos nas democracias contemporâneas, ou sequer os mecanismos de responsabilização política que poderiam dispensar a adopção de regras mais ou menos absurdas que tratam deputados eleitos como funcionários públicos tendencialmente relapsos. E em segundo lugar, porque ajuda a perpetuar um jogo perverso entre políticos, jornalistas e opinião pública que, a esta hora, os primeiros já aprenderam a jogar de olhos fechados.

domingo, novembro 30, 2008

Lawrence Summers, novo director do Conselho Económico Nacional de Barack Obama

''President Summers asked me, didn't I agree that, in general, economists are smarter than political scientists, and political scientists are smarter than sociologists?"

Contado por Peter Ellisson ao Boston Globe, via Josep Colomer.

quinta-feira, novembro 27, 2008

Coisas que os americanos esperam de Obama.

ABC News, 19-23 Novembro, N=1003, Telefónica.

How much do you think Obama will be able to do to improve the economy - a great deal, a good amount, only some or not much at all?
A great deal/a good amount: 44%
Only some/not much: 49%
Nothing (voluntary): 1%
No opinion: 6%

Would you approve or disapprove of Obama selecting Hillary Clinton to serve as Secretary of State? Would you approve/disapprove strongly or somewhat?
Approve: 66%
Disapprove: 27%
No opinion: 7%

AP-GfK, 6-10 Novembro, N=1,001, Telefónica
Do you think Barack Obama should appoint some qualified Republicans to important posts in his administration, or do you think he should only appoint Democrats to those positions?
Some Republicans: 73%
Only Democrats: 15%
Unsure: 12%

terça-feira, novembro 25, 2008

Só para tirar uma dúvida.

Num artigo da autoria de Joana Ferreira da Costa e Leonete Botelho, na página 8 do Público, escreve-se a certa altura o seguinte:

"Sabe-se ainda que [Rui Rio] fala muitas vezes com Manuela, o que alimenta alguns cenários de sucessão surpreendentes. Como a possibilidade de a líder se afastar sem se demitir, com uma doença oportuna por exemplo, lá para a Primavera, estendendo a passadeira vermelha a Rui Rio."

A ver se eu entendi bem: as jornalistas que assinam a peça acham que o facto de Rui Rio e Manuela Ferreira Leite falarem muitas vezes a sós...

a) Permite que se infira que Manuela Ferreira Leite irá, na Primavera de 2009...
b) Ou tem levado a que outras pessoas (quais?) infiram que Manuela Ferreira Leite irá, na Primavera de 2009...
c) Inventar uma doença para poder passar a liderança a Rui Rio, ou...
d) Aproveitar uma doença que já tenha como pretexto para o mesmo.

É mesmo isto que está escrito hoje na página 8 do Público? Percebi bem? Obrigado.