segunda-feira, abril 13, 2009
O precedente e a regra
Mas atenção: a regra é que o Conselho nomeia um candidato a Presidente da Comissão por maioria qualificada, nomeação essa que depois é aceite ou não pelo Parlamento Europeu. E o Parlamento volta a votar a totalidade da composição da Comissão, Presidente incluído. Logo, da regra resulta apenas que quem o Conselho nomear precisa de não ser bloqueado por uma maioria no Parlamento. Ora, para ser mais concreto, tendo em conta os resultados prováveis das eleições de Junho, isto exige que os Liberais se juntem ao EPP e aos Conservadores britânicos para dar uma maioria ao candidato do EPP, em vez de se juntarem a outros grupos parlamentares para o bloquearem. Garantido? Bem, "ni pour ni contre".
domingo, abril 12, 2009
Aximage, 1-3 Abr., N=600, Tel.
PS:39,9% (40,2%)
PSD:26,3% (25,2%)
BE:13,2% (13,2%)
CDU:10,8% (9,5%)
CDS:6,0% (7,1%)
OBN:4,0% (4,7%)
Resultados brutos:
PS:38,1% (38,3%)
PSD:25,1% (24,0%)
BE:12,6% (12,6%)
CDU:10,3% (9,0%)
CDS:5,7% (6,8%)
OBN:3,8% (4,5%)
Indecisos:4,3% (4,8%)
Aqui.
sábado, abril 11, 2009
Previsões europeias
O que Hix, Marsh e Vivyan fazem é pressupôr que a votação de cada partido é uma função dos resultados desse partido numa sondagem conduzida alguns meses antes da eleição e da votação desse partido nas Europeias anteriores. Para além disso, se esse partido for um partido de governo ou eurocéptico, usa-se também informação sobre os resultados anteriores nas legislativas. E caso seja um partido no governo, toma-se em conta o facto desse partido estar ou não no primeiro ano de mandato.
sábado, abril 04, 2009
sexta-feira, abril 03, 2009
E agora...
Portugal nos índices internacionais de "bom governo"
Bertelsmann Foundation Management Index (2007-2008) Portugal 20º; entre as novas democracias, 4º (depois da Coreia do Sul, da Eslováquia e da Hungria).
World Bank Governance Indicators (2007, calculei a média dos 6 indicadores): Portugal 20º; entre as novas democracias, 1º.
World Economic Forum Global Competitiveness Index (2007-2008): Portugal 23º, entre as novas democracias, 4º (depois de Coreia do Sul, Espanha e República Checa).
Heritage Foundation Index of Economic Freedom (2007-2008): Portugal 25º; entre as novas democracias, 7º.
Há mais coisas, sob perspectivas diferentes, tais como o Product Market Regulation Index (mas faltam dados para alguns países) ou, pelo lado do grau de democracia, a Polity IV ou a Freedom House (mas nestes não há variância para as democracias mais avançadas, como a nossa, e o que está sob estudo é algo diferente). E haverá mais índices deste género? Digam coisas.
Isto é bom? É mau? Meio cheio? Meio vazio? Não sei. Eu não fico satisfeito com menos do que o 1º lugar e, para além disso, o conjunto da OCDE pode ajudar a que nos posicionemos melhor (faltam aqui muitas outras "novas democracias"). Mas concordo que, deste ponto de vista, parece que o mundo não nos vê assim tão profundamente atolados como nós próprios vemos. Enfim, o costume.
Actualizações
Eurosondagem, 25-31 Março, N=1011, Tel.
quarta-feira, abril 01, 2009
Deliberação da ERC
terça-feira, março 31, 2009
Sustainable Governance Indicators 2009
Os resultados estão neste site. Os resultados gerais para Portugal estão aqui, e existe um relatório mais pormenorizado para Portugal, que assinala os aspectos em que os "peritos" contactados divergiram mais seriamente na sua análise. Se bem que esteja lá muita coisa em que não me revejo, não me custa concordar com o tom geral, tal como aplicado ao período 2004-2007. Mas ao reler tudo fico com a ideia de que algumas coisas mudaram na 2ª parte do mandato ou, pelo menos, que a observação da 2ª parte do mandato me levaria a rever algumas das conclusões. Mas aí está. Principais resultados:
Status:
"At rank 20, Portugal's status performance is below average. Profound socioeconomic disparities and weak economic performance are mitigated somewhat by well-developed democratic institutions and a proactive integration policy". Os únicos aspectos em que estamos acima da média é na área da segurança (baixa criminalidade) e integração dos imigrantes. Os aspectos em que estamos pior são a situação socioeconómica do país e o nível de coesão social.
Management:
"At rank 19, Portugal's management performance is below average. Although the government generally has achieved its policy objectives, its strategic planning at times lacks substance." Os aspectos em que estamos acima da média tem a ver com a capacidade do executivo transformar propostas em legislação. Os aspectos em que estamos pior têm a ver com a implementação das políticas, o planeamento estratégico, a medição dos impactos das políticas e a capacidade de parlamento e cidadãos controlarem a acção do governo.
Eleições europeias
"First, starting with the old15 states, governing parties certainly lose. Nevertheless, the results from models 2 and 3 reveal that large governing parties lose more than small parties in government. Second, the results on the variables that capture the cubic effect of party size reveal that larger parties lose votes, while small parties gain votes and medium-sized parties remain stable, regardless of whether these parties are in government or opposition. Third, we find a relationship between the timing of a European election in a national electoral cycle and the extent of government losses. More precisely, there is a “honeymoon effect”, such that governing parties gain votes in European elections when these are held shortly after a national election, as was the case in Britain in 1979 and in Spain and Greece in 2004."
" The first result to note is that adding party family, European policy positions, and left-right positions to the mix does not change the main results of the second-order elections model as it applies in the old15 member states. Basically, large governing parties lose votes in European elections (if the election is not held immediately after a national election), regardless of their party family, whether they are pro-European or anti-European, or whether they are on the left, the right or at the extremes. This result is robust across all specifications. In other words, big parties tend to lose regardless of their policy stances, a finding that supports the second order explanation over the Europe-matters explanation, with voters following their hearts rather than heads."
" Nevertheless, differences in the performance of parties in European elections are not only explicable in terms of the second-order national elections framework. There is some evidence that a party’s position on the EU matters. In fact, extreme anti EU parties gain some almost 4 more percentage points more than those who are neutral (scoring -0.5 or +0.5 on the anti/pro scale), while those who are extremely positive gain almost a point more than those who are neutral."
"Small parties gain and large parties, particularly large government parties once an initial honeymoon is over, lose. This fairly mechanical formulation accounts for almost 40% of the apparent volatility we see in the performance of parties between national elections and European elections. We also found, nonetheless, that even when size and government status are held constant, anti-EU parties do much better than average. Green parties also perform relatively well, and socialist parties relatively poorly, although these differences are small. These outcomes do seem to be motivated by European concerns of voters. However, in substantive terms, these are minor effects. For example, anti-EU parties are relatively rare, and for the other party families, their European policy preferences hardly mark a difference. (...) Broadly speaking, then, our results point to “punishment against governments” rather than “protest against the EU” as a primary force making European elections different from national elections. The exceptions to this are perhaps just that, exceptions."
"Turning to the bigger picture, there has been a dramatic increase in the power of the European Parliament in the last two decades and there is growing evidence that politics inside this assembly is highly competitive and partisan (e.g. Hix et al. 2006). However, after six rounds of direct-elections to this institution the ‘electoral connection’ between citizens and MEPs remains extremely weak. Citizens do not primarily use European Parliament elections to express their preferences on the policy issues on the EU agenda or to reward or punish the MEPs or the parties in the European Parliament for their performance in the EU. Put another way, European Parliament elections have failed to produce a democratic mandate for governance at the European level, and there are few signs that further increases in the powers of the European Parliament would be sufficient to change this situation."
À atenção da rapaziada neste novo (e bem vindo) blogue.
Zoom
Bem, vejamos a coisa assim:
1. O gráfico que contém todas as estimativas - vamos chamar-lhe "Mr. Smoother" - faz o seu trabalhinho da seguinte forma: pega em cada observação e transforma-a numa observação "amaciada", usando para esse efeito um sub-conjunto de observações na sua vizinhança (no caso, 25% do total das observações) e dando dando mais peso àquelas que estão mais próximas. Juntando os pontos "amaciados" ficamos com uma linha cuja variabilidade é inferior à real variabilidade dos dados e que, desejavalmente, nos permite visualizar melhor tendências sem estarmos a ser confundidos por ruído aleatório.
O problema de Mr. Smoother é que é um bocadinho ingénuo: se eu lhe atirar com 50 sondagens de um instituto e uma de outro para cima, ele ignora esse facto e continua com o seu trabalhinho como se nada fosse. Mas compensa essa ingenuidade com um sólido conservadorismo: como "tempera" cada observação com informação das observações vizinhas, Mr. Smoother não se deixa enganar facilmente por flutuações irrelevantes e, para dizer que algo está a mudar, exige ser convencido e persuadido repetidamente. Só se lhe mostrar várias observações consecutivas que apontam na mesma direcção é que ele se decide a dizer que algo está a mudar. Não lhe fica mal.
2. O Dr. House Effects (PhD) é toda uma outra personalidade: chega ao fim de um mês e grita "Subiu!", "Desceu!", "Não mudou!" em comparação com o mês anterior. E diz estas coisas mesmo se eu só lhe mostrar uma sondagem para esse mês. Como é que a criatura se arrisca a dizer uma coisa destas? Bem, a diferença entre o Dr. House Effects e o Mr. Smoother é que o primeiro, quando diz qualquer coisa, olha para todas as observações desde 2005. E sabe uma coisa sobre cada uma delas que o Mr. Smoother resolve ignorar: que instituto fez cada sondagem.
Tomando essa informação em conta, o Dr. House Effects apura que, ao longo de todo o período, há institutos que tendem a dar melhores ou piores resultados para um determinado partido. E quando lhe dizem que um determinado resultado veio de um determinado instituto, o Dr. House Effects toma essa informação em conta para estimar um resultado para cada mês. Ele não diz que esse resultado é o resultado "certo". Esse assunto não o interessa. O que lhe interessa é dar resultados mensais comparáveis uns com os outros, independentemente do "mix" particular de institutos que fizeram sondagens em cada mês. Gosta de arriscar e pode-se mais facilmente espatifar, ao contrário do Sr. Smoother. Mas é menos ingénuo que o seu colega.
Como vêem nos dois posts anteriores, o Dr. House Effects anda há uns tempos a gritar: "Hey, o PS subiu bastante de Setembro para Outubro, mas a partir de Dezembro começou a descer novamente!". Mr. Smoother já tinha percebido a subida há algum tempo, mas demorava a ser convencido da descida. Mas com as últimas sondagens, começa também a achar que sim. O Dr. House Effects grita: "por que é que não olhaste para as tendências por instituto? Eu tinha-te dito!":

Mr. Smoother não quer saber e vai continuar como dantes. Antes tarde e seguro que cedo e errado.
O "zoom" mostra também que não é fácil apurar causas destas coisas. Na Marktest é limpinho: PS sobe após à crise financeira e desce após o caso Freeport. Mas os resultados das outras sondagens são compatíveis com outras hipóteses, nomeadamente a de que a descida não passa de um retomar de uma tendência anterior.
sábado, março 28, 2009
Marktest, 17-21 Março, N=800, Tel.
PSD: 28,4% (28,8%)
BE: 12,6% (14,0%)
CDS-PP: 9,4% (4,1%)
CDU: 8,9% (10,6%)
quinta-feira, março 26, 2009
Finalmente
Antecipação
Projecção com base na ponderação da amostra considerando o voto em eleições anteriores
A projecção apresentada da intenção de voto para a totalidade dos eleitores não pode ser feita linearmente considerando a elevada percentagem de lares excluídos da amostra efectiva pelo não contacto, pelas ausências e recusas e cujo comportamento não será necessariamente representado pelos respondentes.
Para garantir que a amostra é representativa do eleitorado, em cada mês, é perguntado ao entrevistado em que partido votou nas últimas eleições legislativas , Fevereiro 2005. Com base nestes resultados a amostra é reequilibrada por forma a poder ajustar-se fielmente à estrutura dos resultados eleitorais de 2005. Nesta ponderação é utilizado o processo de "rim-weighting" que é um processo iterativo o qual para alem de reproduzir os resultados eleitorais de 2005, mantêm a composição da amostra no que respeita às variáveis de controlo: região, sexo, idade. Após este procedimento são retabulados as respostas sobre a intenção de voto actual, obtém-se a estimativa da intenção de voto. O valor dos Voto em Branco/Outros/Nulos, é ajustado ao valor médio obtido nos dois últimos actos eleitorais para a Assembleia da República. Estes resultados são apresentados ao cliente como sendo resultado de uma previsão da responsabilidade da Marktest, com base nos resultados da sondagem.
Sobre a prática de ponderar os resultados na base de recordação de voto, ler, por exemplo, Weighting, no UK Polling Report, especialmente a secção intitulada "Political weighting".
E pronto: já libertei o fim de semana.
P.S.- Boas hipóteses, mas a resposta é difícil. Se a Marktest divulgar a distribuição das respostas à pergunta sobre a recordação de voto a coisa fica mais fácil. Capazes disso são eles, espero.
segunda-feira, março 23, 2009
Ainda JM
"O Sr. Jorge Miranda (ASDI): Por um lado, quanto às entidades com poder genérico de iniciativa, verifica-se que, da parte da FRS, se mantêm as actualmente constantes do n.° 1 do artigo 281.° e se acrescenta uma referência a grupo parlamentar. O PCP, em vez da referência a grupo parlamentar, indica um determinado número de deputados. Julgo ser mais correcta a posição do PCP do que a posição constante do projecto da FRS, porque um grupo parlamentar pode hoje ser formado por um número extremamente reduzido de deputados e convém que a iniciativa, no domínio da apreciação da inconstitucionalidade, não seja aberta sem quaisquer cautelas. Parece-me também que o número proposto pelo PCP - um décimo do número de deputados- é um número razoável e vai ao encontro das preocupações de harmonização que deve haver neste domínio. É um domínio particularmente sensível, em que não se trata de desencadear uma qualquer acção política -se fosse isso, valeria a pena dar-se a qualquer grupo parlamentar, mesmo que formado por 2 deputados, tal poder -, mas, pelo contrário, trata-se de algo em que apenas a partir de certo número de deputados deve haver possibilidade de uma intervenção do Tribunal Constitucional.
(...)
O Sr. Presidente [Borges de Carvalho (PPM)]: Registe-se a posição notavelmente altruísta do Sr. Deputado Jorge Miranda, de que eu não seria, evidentemente, capaz.
(...)
O Sr. Nunes de Almeida (PS): O deputado Jorge Miranda colocou-me, como deve calcular, numa situação difícil. Esta proposta da FRS tinha em conta os pequenos grupos parlamentares, já que era subscrita por deputados de um chamado partido grande e de dois partidos pequenos. O Dr. Jorge Miranda libertou-nos, de certa forma. Não podia, em nome de todos, retirar o que cá está, pois não está presente a UEDS. Restaria, portanto, essa questão.
(...)
O Sr. Jorge Miranda (ASDI) - Sr. Presidente, relativamente à minha intervenção onde, de forma algo extemporânea, me referi aos grupos parlamentares, valeria a pena dizer que, por um lado, se aqui aparecem os grupos parlamentares, foi por bondade ou por consideração específica que o PS teve em relação aos outros dois grupos subscritores do projecto da FRS. Foi também, para falar com toda a franqueza, tendo em vista a discussão a travar nesta Comissão. Desde o momento em que aparece uma fórmula, como a do PCP, que parece preferível, da nossa parte não há nenhum problema, até porque, repito, esta matéria da fiscalização da constitucionalidade se situa muito para além da defesa dos interesses políticos deste ou daquele grupo parlamentar. Temos de tomar em consideração a necessidade de evitar qualquer banalização da fiscalização. Um dos grandes perigos que pode haver no domínio da fiscalização da constitucionalidade é o da banalização, do abuso, da chicana constitucional. À partida, é de supor que um décimo dos deputados da Assembleia da República ponderarão, até devido à sua representatividade, mais uma qualquer solicitação ao Tribunal Constitucional do que um qualquer grupo parlamentar, formado, por hipótese, por 2, 3 ou 4 deputados. E nada impedirá que quaisquer deputados, individualmente considerados, integrantes de diversos grupos parlamentares, se juntem para o efeito. Além disso, esta solução tem a vantagem de valorizar o estatuto do deputado, a qual deve ser uma preocupação fundamental da revisão constitucional, com vista à consolidação do regime democrático em Portugal. Por tudo isto, congratulo-me com o princípio de consenso a que parece ter-se chegado."
In D.A.R. II Série, Suplemento ao nº 69, II Legislatura, 2ª sessão legislativa. Acta da reunião do dia 13 de Janeiro de 2002 da Comissão Eventual para a Revisão Constitucional, pp. 1-36.
domingo, março 22, 2009
Outlier: Jorge Miranda
Agora não tenho tempo para procurar as páginas do DAR onde o tema foi discutido, mas recordo a surpresa geral com que a intervenção de Jorge Miranda foi recebida. Miranda defendeu que, sabendo bem que o projecto da FRS convinha à ASDI, achava mal. Achava que os parlamentares deveriam poder iniciar a sucessiva, mas que importava colocar alguns limites, exigindo que uma proporção significativa de deputados subscrevessem o pedido, de forma a evitar uma trivialização da litigância constitucional. Lembro-me inclusivamente que ficou tudo tão pasmado com a sua intervenção que houve um deputado, não me recordo quem, que alertou Jorge Miranda para o facto de que a ideia que estava a defender ir prejudicar o seu próprio partido, mas que lhe agradecia a posição, dado que facilitaria o consenso. Ao que, se não erro, JM respondeu que tomava essa posição por questões de princípio, independentemente de isso ir prejudicar o seu grupo parlamentar. Acabou por haver acordo em torno da proposta do PCP e a ASDI ficou sem direito de iniciar a sucessiva.
Apesar de tudo o resto de muito mais importante que Jorge Miranda fez na sua vida, é disto que me lembro quando penso nele. Nunca tinha visto nada assim, e nunca mais voltei a ver.
Começa bem
Elisa Ferreira, em entrevista ao Correio da Manhã.
sexta-feira, março 20, 2009
Menções de políticos na imprensa


Passos Coelho, 2826 resultados; Ferreira Leite, 9008. Ora bolas. Mas continua a ser interessante. Seria óptimo se houvesse maneira de obter estes dados de forma realmente fiável, em série temporal, e jornal a jornal. As empresas de recortes não terão isto? Os agregadores de notícias não permitirão este tipo de análise?
quinta-feira, março 19, 2009
quarta-feira, março 18, 2009
Greenberg, on solicitousness about public opinion.
Greenberg, again.
Podcast de conferência na Royal Society for the encouragement of Arts, Manufactures and Commerce (RSA) , 3 de Março de 2009, a propósito de Dispatches from the War Room.
terça-feira, março 17, 2009
Stanley Greenberg
Podcast de conferência na Royal Society for the encouragement of Arts, Manufactures and Commerce (RSA) , 3 de Março de 2009, a propósito de Dispatches from the War Room.
segunda-feira, março 16, 2009
Contem-me como foi.

Se coloco aqui isto é porque me suscita uma questão muito simples. Para alguns, a resposta vai ser fácil: as sondagens não prestam, ou têm dificuldade em captar determinado tipo de eleitores em períodos longe das eleições, etc e tal. Tudo bem. Sinceramente, não excluo, mas gostava de perceber que argumentos existem. Mas para outros, a questão permanece: como foi que uma coisa destas aconteceu ao PSD?
P.S.- Por aqui a discussão vai boa.
sexta-feira, março 13, 2009
Mais gráficos
O primeiro mostra a soma das percentagens de votos válidos obtidos pelo PS e pelo PSD em cada eleição. Em 1979 e 1980, a votação do PSD é estimada como uma proporção do voto na AD, calculada na base da média dos resultados PSD, CDS e PPM nas eleições imediatamente anteriores e posteriores. E para 2009, os 67% são a estimativa das sondagens para Março de 2009, controlados "house effects". O que o gráfico diz é simples: se as eleições fossem hoje (eu sei, eu sei), PS e PSD teriam, no seu conjunto, o pior resultado desde as eleições de 1985.
O segundo gráfico repete esta informação mais adiciona uma série, a da soma dos votos válidos nos candidatos presidenciais apoiados pelo PS e pelo PSD (1º volta, quando houve duas). Exclui, no entanto, todas as eleições presidenciais onde o Presidente se apresentou a reeleição, por terem características muito diferentes.
Há uma "teoria" sobre a bipartidarização em Portugal que a vê como efeito das presidenciais, ou seja, como efeito da constituição de dois "blocos" em torno de dois principais candidatos, que ajudaria a cristalizar os votos em torno dos dois principais partidos. A "teoria" inversa - bipartidarização concentra votos nos candidatos dos dois principais partidos - é igualmente plausível e, confesso, nem sei bem por onde começaria para testar uma ou outra como deve ser. Mas a observação das duas séries é, digamos, sugestiva. Até para pensarmos em como as presidenciais de 2006 podem ter ajudado a "soltar" eleitores do PS...
quinta-feira, março 12, 2009
A popularidade de Sócrates
Mesmo não tendo responsabilidades na peça, vamos ver se posso ajudar:
1. Os dados são da Marktest. Isso é mencionado no jornal. O gráfico do Público há-de ser muito parecido, por exemplo, com este que aqui publiquei, no que a Sócrates diz respeito, a não ser que me parece que o Público se limita a calcular o saldo "opiniões positivas" - "opiniões negativas", e eu corrijo esse saldo pelas não respostas.
2. É também verdade aquilo que Eduardo Pitta afirma: nos estudos da Eurosondagem divulgados no Expresso, na RR e na SIC, Sócrates está em terreno positivo.
3. De notar, contudo, que a comparação entre os resultados de um e outro instituto é complicada pelo facto de a Eurosondagem ter uma opção adicional de resposta: "nem boa nem má". Mas como venho mostrando aqui há muito tempo, isso não explica tudo. Os resultados da Eurosondagem para o PR exibem tendências muito semelhantes às da Marktest, mas não tanto no caso do PM. isto não é um juízo sobre quem "tem razão". Não faço ideia. É uma constatação de facto.
4. Eduardo Pitta já não tem razão quando diz que "a afirmação dos jornalistas contradiz todas — repito: todas — as sondagens encomendadas e divulgadas até hoje pelo próprio Público, pelo DN, pelo Correio da Manhã, pelo JN, pelo Expresso, pela RTP, pela SIC, pela TVI, pela Rádio Renascença, pela TSF, pela Visão, pela Sábado, etc."
4.1 Nas sondagens do CESOP/Católica, onde os líderes políticos são avaliados de outra forma - numa escala de 0 a 20 - Sócrates está, há algum tempo, em terreno negativo no que respeita à avaliação média dos eleitores (abaixo de 10 pontos). Em Janeiro de 2007, essa avaliação média era de 10,2 pontos. Em Maio de 2007, ainda 10,1. Mas em Outubro de 2007 já estava em 8,9, em Fevereiro de 2008 era de 9,3, em Julho de 2008 era 8,5, em Outubro de 2008 era 8,4, e em Dezembro passado 8,8. Logo, apesar dos indicadores serem diferentes, os resultados do CESOP (JN, RTP e Antena 1) são congruentes com os da Marktest, quer no momento da queda (após Maio de 2007) quer na ideia de uma recuperação ligeira após Outubro de 2008.
4.2 Os resultados do CESOP/Católica têm exibido bastantes semelhanças com os da Aximage, que usa o mesmo método: nota média de 0 a 20.Não tenho recolhido a série completa, mas para infirmar aquilo que Eduardo Pitta diz sobre as "outras sondagens" basta dizer que, em Dezembro passado, por exemplo, a média das avaliações de Sócrates na sondagem Aximage era 8,8 (tal como na sondagem da Católica).
5. Nada disto impede que a maioria dos eleitores tenha mais confiança em Sócrates como PM do que qualquer outro líder partidário, um dado que Eduardo Pitta também menciona e que é muito importante. Mas isso é outra questão.
quarta-feira, março 11, 2009
Pensionistas

The pulse of what people are thinking
"Jon Favreau, the president’s chief speechwriter, said there was a familiar refrain during these meetings, with Mr. Axelrod urging the team not to become consumed by the insularity of Washington. 'Can I speak on behalf of the American people here?' he said Mr. Axelrod often asks aloud. That is precisely why, Mr. Axelrod said, he convened the Wednesday Night Meetings: to keep the pulse of what people were thinking. Locked in the White House all day, he added, he can no longer hear those voices on his own.
[T]he Wednesday night meetings suggest that the strong belief in polling and focus groups from the campaign are alive in the White House. Joel Benenson, a pollster for Mr. Obama, is among the participants in the sessions. He said that Mr. Axelrod often asked one question above all: 'How do we make sure that the arguments from the president’s agenda are made in the most persuasive way?'
segunda-feira, março 09, 2009
Bases de dados
Se detectarem erros, ficarei imensamente grato que mos apontem, para poder corrigir. Não garanto actualização tão regular para as bases como para os gráficos que vou apresentando, mas a verdade é que qualquer um de vós poderá, a partir de agora, usar estas bases para as actualizar. Se usarem estes dados para algum fim público, só peço que mencionem onde os encontraram.
sábado, março 07, 2009
Aximage, 2-5 Mar, N=600, Tel.
PS:40,2% (40,0%)
PSD:25,2% (24,9%)
BE:13,2% (12,6%)
CDU:9,5% (9,6%)
CDS:7,1% (8,1%)
OBN:4,7% (4,9%)
Resultados brutos:
PS:38,3% (38,2%)
PSD:24,0% (23,8%)
BE:12,6% (12,0%)
CDU:9,0% (9,2%)
CDS:6,8% (7,7%)
OBN:4,5% (4,7%)
Indecisos:4,8% (4,5%)
Este é o tipo de resultados que, suspeito, os jornalistas detestam: nada para dizer a não ser falar de "subida de 0,1 pontos percentuais". A notícia está aqui. Obrigado aos leitores que foram, entretanto, deixando estes resultados nos comentários.
sexta-feira, março 06, 2009
Actualização: estimativas mensais, controlados "house effects"

Notem a diferença em relação ao gráfico abaixo. Nesse, o smoother que capta a tendência é afectado pela contribuição diferente que diferentes institutos são para a mancha de pontos. Mas quando estimamos um resultado mensal onde se assumem efeitos fixos dos institutos de sondagem, o retrato é um pouco diferente: há um boost para o PS em Outubro (crise), mas lento declínio desde aí. PSD estabiliza após queda de Outubro. Ou se quiserem ver a coisa doutra forma, PSD não recupera do embate da segunda metade de 2008 ao passo que PS, após boost de curto-prazo trazido pela crise, retoma tendência anterior.
Eurosondagem, 26 Fev-3 Mar, N= 1018, Tel.
PSD: 28,3% (29,1%)
BE: 10,4% (10,1%)
CDU: 9,6% (8,8%)
CDS-PP: 7,7% (6,9%)
OBN: 5,0% (4,8%)
Aqui.
quarta-feira, março 04, 2009
"Personalização"

Isto para dizer duas coisas. Primeiro, que a vida não está fácil para ninguém, Presidente incluído. Segundo, que concordando genericamente com o que a Marina diz sobre a "falta de novidade" da "personalização da política", isto (o "Movimento Sócrates 2009") é capaz de ser um bocadinho exagerado à luz daquilo que o "líder" parece ter para oferecer em valor eleitoral acrescentado.
segunda-feira, março 02, 2009
Outlier: o pluralismo da comunicação social.
Interessam-me especialmente o segundo e quarto argumentos. Discuti-os aqui, há umas semanas, no blogue da Sedes. Como ficará óbvio da leitura desse post, acho que o veto era uma necessidade absoluta. Ainda bem que ocorreu.
domingo, março 01, 2009
Marktest, 17-22 Fevereiro, N=806, Tel.
PSD: 28,8% (24,9%)
BE: 14,0% (10,1%)
CDU: 10,6% (11,9%)
CDS-PP: 4,1% (9,7%)
quarta-feira, fevereiro 25, 2009
Outlier: "Lá Fora", no Museu da Electricidade.
O eleitorado português em 2005, 12
O eleitorado português em 2005, 11
O eleitorado português em 2005, 10
O eleitorado português em 2005, 9
O eleitorado português em 2005, 8

segunda-feira, fevereiro 23, 2009
O eleitorado português em 2005, 6
O eleitorado português em 2005, 5

Previsivelmente, os partidos da esquerda dão-se muito melhor junto do eleitorado menos religioso. Curioso, e conhecido, o facto de não haver relação entre a religiosidade e o voto no PS. É por isso que as coisas são assim.
O eleitorado português em 2005, 4
O eleitorado português em 2005, 3
O eleitorado português em 2005, 1

sexta-feira, fevereiro 20, 2009
Agradecimentos
Dispatches from the War Room
Foi comentado toda a semana no Pollster.com. Já está no shopping cart. Pelos comentários, este é bem capaz de ser o livro mais importante sobre a relação entre as sondagens e a política publicado nos últimos anos.
quinta-feira, fevereiro 12, 2009
Intervalo até ao fim da próxima semana
Recordação
Acha que casais formados por pessoas do mesmo sexo deviam ter acesso ao casamento civil em iguais circunstâncias aos outros casais? (total da amostra):
Sim: 42%
Não: 53%
Não sabe: 4%
Recusa responder: 1%
Entre simpatizantes PS:
Sim: 47%
Não: 51%
Não sabe: 1%
Recusa responder: 1%
Entre simpatizantes PSD:
Sim: 29%
Não: 67%
Não sabe: 4%
Recusa responder: 0%
Das seguintes frases, qual a que mais se aproxima da sua posição?
Os casais formados por pessoas do mesmo sexo deviam ter acesso ao casamento civil em iguais circunstâncias aos outros casais :42%
Os casais de pessoas do mesmo sexo deviam poder celebrar uma união civil com os mesmos direitos e deveres de um casamento: 1%
Os casais de pessoas do mesmo sexo deviam poder celebrar uma união civil mas sem todos os direitos e deveres de um casamento: 4%
A lei devia limitar-se a reconhecer a existência de uniões de facto, como sucede hoje em dia: 11%
A lei não deveria reconhecer de forma alguma os casais formados por pessoas do mesmo sexo: 33%
Não sabe : 7%
Recusa responder: 3%
Um partido que tenha sobre este assunto uma posição diferente da sua é um partido no qual…
Nunca votaria: 35%
Poderia mesmo assim votar nesse partido: 49%
Não sabe: 14%
Não responde: 2%
Acha que deveria haver em Portugal um referendo sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo?
Sim: 51%
Não: 44%
Não sabe: 5%
Não responde: 1%
Mais detalhes, incluindo ficha técnica, aqui.
terça-feira, fevereiro 10, 2009
Obama, popularidade e "bipartisanship"
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
sábado, fevereiro 07, 2009
Comme d'habitude
Esta estratégia política tem dado óptimos resultados no passado.
sexta-feira, fevereiro 06, 2009
Aximage, 2-5 Fev, N=600, Tel.
Resultados com redistribuição proporcional de indecisos:
PS: 40,0% (40,2%)
PSD: 24,9% (25,1%)
BE:12,6% (12,3%)
CDU:9,6% (8,7%)
CDS:8,1% (8,3%)
OBN: 4,9% (5,5%)
Resultados brutos:
PS: 38,2% (37,3%)
PSD: 23,8% (23,3%)
BE:12,0% (11,4%)
CDU:9,2% (8,1%)
CDS:7,7% (7,7%)
OBN: 4,7% (5,1%)
Indecisos:4,5% (7,1%)
Aqui.
(Actualizado e corrigido um erro em relação à sondagem de Janeiro; espero que seja o último)
"Porque não telefonam para os telemóveis também?"
1. Custos de comunicação, tornando certo tipo de trabalhos economicamente inviáveis (tudo o que for sondagens para os media, por exemplo);
2. Perda da informação territorial que (por enquanto) ainda está associada aos números fixos. Há maneira de tentar resolver (obter a informação de residência na própria chamada) mas aí o ponto anterior ainda fica mais complicado.
3. Grande número de números válidos (com cartões SIM activados) mas sem utilização real (telefones desligados), provocando mensagens de voice mail, obrigando a novas tentativas durante o trabalho de campo que vão ser inevitavelmente fracassadas.
4. Falta de confiança nos dados sobre o universo. As estimativas dos domicílios cell-only em Portugal oscilam entre os 15% e os 48% (!!!).
5. A unidade de amostragem numa sondagem telefónica convencional é o domicílio, dentro do qual se selecciona aleatoriamente um indivíduo pertencente ao universo; a unidade de amostragem numa sondagem através de móvel é o indivíduo. Isto seria resolúvel se o ponto 4 não fosse o que é.
Acho que é isto. Não é por acaso que, até nos Estados Unidos, a utilização de telemóveis para sondagens políticas a sério só começou este ano e ainda a um nível algo experimental.
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
Perspectiva
Com que interesse tem acompanhado ...?
Muito ou algum interesse:
- Caso Univ. Independente (2007): 44% (em relação ao total da amostra)
- Caso Freeport (2009): 49% (em relação ao total da amostra, e não apenas em relação aos que dizem ter ouvido falar do caso).
Acha que José Sócrates esclareceu completamente as dúvidas que surgiram ou que ficaram ainda coisas por esclarecer?
Ficaram coisas por esclarecer:
- Caso Univ. Independente (2007): 62%
- Caso Freeport (2009): 51%
No seguimento desta controvérsia, a sua opinião sobre José Sócrates...
Piorou:
- Caso Univ. Independente (2007): 19%
- Caso Freeport (2009): 26%
Telefónicas
GabrielfSilva @PCMagalhaes 1a questão técnica (q há mto desejava fazer): as sondagens por telefone é só para fixo? Se sim, tal não distorce 1 bocadinho?...
Começo por dizer que sei muito menos sobre isto do que devia. O grosso do trabalho da Católica são presenciais, e os inquéritos académicos com que lido no ICS (European Social Survey, European Values Study, estudos eleitorais de vários tipos, etc) também, pelo que nunca fiz investigação própria sobre a matéria. Mas há algumas coisas que se podem dizer.
A primeira é que, segundo o INE, em 2008, havia 30% de alojamentos privados que não tinham telefone fixo. Isto significa um primeiro desvio sério em relação à pressuposição de amostragem aleatória da população: a probabilidade dos residentes em domicílios sem telefone fixo de serem seleccionados para responder às sondagens telefónicas que são feitas em Portugal sobre intenções de voto ou estudos políticos vários não é igual à dos restantes. É zero. Zero.
Isto é um problema? À partida, a resposta tem de ser sempre "Sim". É por isso os inquéritos académicos que servem de "golden standard" para a indústria são todos presenciais: se as pessoas que não vivem em alojamentos com telefone fixo forem sistematicamente diferentes das outras, todas as inferências que se façam da amostra para a população em geral vão estar enviesadas.
Contudo, na prática, as coisas podem não ser tão graves como se possa pensar:
1. Pode haver matérias em que aquilo em que a população que vive em alojamentos sem fixo é diferente da população sem fixo não esteja correlacionado com as variáveis de interesse.
2. A utilização de amostragem por quotas ou ponderação pós-amostral, dando à amostra características conhecidas do universo, pode ajudar a corrigir esses enviesamentos.
3. As vantagens das sondagens telefónicas- nomeadamente, um controlo muito mais apertado sobre o trabalho de campo do que nas presenciais - podem compensar as desvantagens.
4. As características socio-demográficas da população sem telefone fixo podem ser suficientemente heterogéneas para neutralizarem os enviesamentos causados. Por exemplo, há boas razões para supor que a população sem fixo combina população idosa e rural com população mais jovem e urbana (mobile-only).
Tudo isto são questões para investigar, coisa que não fiz. Nos Estados Unidos, onde até há uns anos toda a gente tinha fixo, o grande espectro hoje é a população "mobile-only". E apesar de toneladas de papel de investigação sobre o assunto, que relata diferenças significativas entre as diferentes populações, a causa dessas diferenças permanece um mistério. Em Portugal, julgo saber que há estudos de mercado que tratam esta população, e era bom haver estudos sobre o assunto. Não conheço nenhum.
No fim de tudo, diria o seguinte:
1. Resistiria sempre muitíssimo à ideia de fazer um estudo académico sobre atitudes e comportamentos sociais pelo telefone em Portugal.
2. Sou menos resistente à ideia de fazer estudos sobre intenções de voto e atitudes políticas pelo telefone, por uma razão simples: não existem diferenças significativas entre a precisão das sondagens, confrontadas com resultados eleitorais, ditadas pelo modo de inquirição (mas isto é para um objectivo muito concreto, ou seja, descrever opiniões políticos ou intenções de voto. Para investigação séria e "pesada" sobre causas de comportamentos políticos, acho as telefónicas, genericamente, inapropriadas).
3. Se as perspectivas futuras fossem a de um desaparecimento do fixo e aumento da população "mobile-only", estaria disposto a rever a posição 2. Mas felizmente para nós, os pacotes de comunicações, que incluem internet, cabo e telefone, podem ajudar a contrariar esta tendência.
4. Independentemente disto, há um espectro mais grave: as pessoas cada vez menos querem responder a sondagens. Mas isso é uma verdade para as presenciais e para as telefónicas. Hoje, taxas de resposta de 30% em estudos presenciais académicos, com montanhas de dinheiro, 5 ou 6 revisitas ao mesmo domicílio, etc, são consideradas óptimas. O estudo da Católica sobre o Freeport demorava três minutos a responder e teve uma taxa de resposta de 52%. A metade que responde é igual à metade que recusou ou não estava acessível? Não é. O grande problema, para mim, é este. Parece que a resposta do futuro é o chamado "multi-mode" ou "mixed-mode", ou seja, adoptar para um mesmo inquérito vários métodos de inquirição (postal, presencial, internet, telefónica) adaptados a cada população. A ver.
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
Margens com menos erro.
terça-feira, fevereiro 03, 2009
CESOP/Católica, 30Jan-1Fev, N=801, Tel. "Caso Freeport"
segunda-feira, fevereiro 02, 2009
(Atrasada): Intercampus, 17-21 Janeiro, N=609, Tel.
PSD: 27%
BE: 12,2%
PCP: 11,9%
CDS-PP: 5,7%
Estes resultados foram apresentados na última 6ª feira, em comparação com os da sondagem que terminou dia 28. Mas não os consegui ver apresentados na emissão da TVI da 6ª feira anterior (onde apenas se mostrou a "pontuação" dos líderes políticos). Acho que faz sentido, contudo, tomá-los em conta.
Intercampus, 23 a 28 Janeiro, N=621, Tel.
PSD: 31,4%
BE:13,6%
PCP: 13%
CDS-PP:5,1%
A soma destes resultados dá 100%, pelo que a projecção não contempla votos para outros partidos, brancos e nulos.
Obrigado, Helena.
domingo, fevereiro 01, 2009
sábado, janeiro 31, 2009
Marktest, 20-23 Janeiro, N=809
PSD: 24,9%
CDU: 11,9%
BE: 10,1%
CDS-PP: 9,7%
O título no Semanário Económico - "José Sócrates está mais longe da maioria absoluta" - é um caso interessante. A jornalista esperaria perdas em relação à última sondagem, devido ao caso Freeport. Mas o trabalho de campo acabou a 23, pelo que não poderia reflectir claramente quaisquer efeitos do caso. Logo, uma perda de 0,5 pontos percentuais em relação a Novembro passado, que normalmente significaria "estabilidade", passa a significar "José Sócrates está mais longe da maioria absoluta".
sexta-feira, janeiro 30, 2009
Intervalo higiénico
Já me passa.
Tempo político
segunda-feira, janeiro 26, 2009
Shortcuts
sexta-feira, janeiro 23, 2009
Linhas de referência
House effects
O lado simpático disto é que não é muito diferente dos gráficos mostrados aqui, que se limitam a usar todos os dados de todas as sondagens. Mas o que farei daqui em diante - a não ser que me mostrem que isto é um disparate - é apresentar ambos os gráficos.
Tendências
Será? Não sei. Gostava de ver dados. A única coisa que tenho são dados sobre os três meses anteriores às eleições de 2002:

Aqui, sucedeu exactamente o contrário do que o leitor sugere. Em 2005 a hipótese também não se confirma. Mas os períodos são curtos . Tudo depende do que significa "mais perto".
quinta-feira, janeiro 22, 2009
Comentários
quarta-feira, janeiro 21, 2009
Partido a partido, instituto a instituto: PSD
Partido a partido, instituto a instituto: PS
Outlier: um pedido de ajuda aos latinistas
P.S.- Suspeito que esta pergunta pode ser vista como sendo algo "situacionista".
terça-feira, janeiro 20, 2009
Intenções de voto: actualização
Abaixo, a actualização do gráfico com os novos dados, usando o smoothing mais sensível e as linhas de referência discutidas no post abaixo. As diferenças são quase indetectáveis, como seria de prever.
segunda-feira, janeiro 19, 2009
Ano eleitoral
Para que nos entendamos, as regras são as seguintes:
1. Os dados dizem respeito às estimativas de resultados eleitorais, ou seja, os resultados das sondagens de intenções de voto comparáveis com resultados de eleições. Em muitos casos, os órgãos de comunicação social apresentam esses resultados, quase sempre redistribuindo os indecisos proporcionalmente pelas restantes opções. No caso da Católica, há uma segunda pergunta colocada aos NS/NR sobre "inclinação de voto". Os que respondem são redistribuidos nessa base, os restantes proporcionalmente. Finalmente, quando nem os institutos nem os media procederam à redistribuição, eu próprio fi-lo, usando a opção de os redistribuir proporcionalmente pelas opções válidas (incluindo, para este efeito, uma categoria de "outros, brancos ou nulos"). Tudo relativamente banal.
2. Ao longo dos últimos três anos, julgo ter informação sobre todas as sondagens realizadas pela Marktest e pela Eurosondagem, para além das do CESOP/Católica, naturalmente. No total, são 44 da Eurosondagem, 39 da Marktest (que não coloca dados no site desde Novembro) e 9 do CESOP. Sabemos, contudo, que a Aximage e a Intercampus também têm conduzido sondagens. Uma pesquisa muito minuciosa na Net, nos sites da TVI e do Correio da Manhã, permitiu detectar 5 sondagens da Aximage e 3 da Intercampus. Há sem dúvida mais sondagens da Aximage, mas as notícias do Correio da Manhã na Net anteriores a Julho de 2008 apresentam apenas intenções de voto brutas no PS e no PSD. No caso da Intercampus, se houve sondagens antes de Junho de 2008, não as consegui encontrar. Se alguém tiver a informação em falta e quiser enviar-me, ficarei grato.
O que se pode fazer com esta informação? Bem, vamos ver aquilo que consigo espremer destes dados. Para começar, o mais simples e mais agnóstico: um plot dos resultados de todas as 100 sondagens de que disponho para cada partido. A cada conjunto de dados para cada partido ajusto uma linha, presumindo que as tendências não são lineares. Trata-se de uma linha de regressão local, dando maior peso às observações imediatamente adjacentes do que às outras. Podia fazer de conta que sei muito bem o que estou a fazer, mas não vale a pena: limito-me a recorrer a umas funções do SPSS que me fornecem estas curvas e a ter uma vaga ideia de como são estimadas: aqui. Mas com as devidas diferenças, estou a fazer o que estes senhores fazem regularmente. E tal como eles, esta abordagem é completamente agnóstica (o que não significa que seja superior a outras) : tomo em conta todas as sondagens de que disponho, ignoro o facto de que há dois institutos de sondagens muito sobrerepresentados e não tomo em conta que as estimativas têm precisões diferentes (baseando-se em dimensões amostrais que vão dos 600 aos 1354). Dito isto, aqui vai:

Este smoother é, digamos, medianamente sensível (Kernel: Epanechnikov, 35% points to fit). Posso torná-lo mais "insensível" (obrigando-o a tomar mais observações em consideração):





























