sexta-feira, maio 08, 2009
Sondagens e democracia
Por estes dias, passa-se algo que me faz lembrar estas palavras de Greenberg. Ao abrigo do novo Estatuto dos Açores, a Assembleia Legislativa Regional prepara-se para legalizar a "Sorte de Varas" em toda a região, ou seja, se bem percebo - não sou nada entendido - as corridas de touros com picadores. O tema tem sido controverso nos Açores mas - digo isto à distância, talvez esteja errado - não parece ser suficientemente importante para poder ditar o resultado de futuras eleições. Em circunstâncias destas, os agentes políticos têm incentivos para acederem à vontade de interesses particularistas, que até podem ser partilhados por muito pouca gente mas estão bem organizados e dão grande importância a um determinado tema. Neste caso, os membros da Tertúlia Tauromáquica Terceirense.
Mas o que pensa a generalidade dos açorianos de tudo isto? A verdade é que não se sabe. É até possível que a maioria esteja a favor ou seja indiferente. É certo que, na Assembleia Legislativa dos Açores entraram, se não erro, 406 petições sobre o assunto, 17 a favor da Sorte de Varas e 389 contra. Mas não é absolutamente garantido que isto reflicta a distribuição das preferências dos açorianos. Houve uma sondagem online, com resultados muito desfavoráveis, mas amostras voluntárias em sites de internet não dão garantias se sequer se aproximarem de uma boa imagem das opiniões do universo dos açorianos.
Logo, o ideal seria, claro, um referendo regional. Num artigo já com uns anos, o economista político Bruno Frey explica uma das vantagens dos referendos. Os políticos podem formar coligações contra os eleitores, impedindo a entrada de certos temas na agenda política e impondo outros. Especialmente se houver possibilidade dos cidadãos proporem iniciativas de referendo, os referendos retiram o monopólio no controlo da agenda política aos políticos e revelam as preferências dos eleitores em temas nos quais os políticos prefeririam que elas não fossem conhecidas (presumindo, claro, que não se utilizariam o tipo de regras de quórum de aprovação ou participação que distorcem os resultados). Infelizmente, nos Açores, se não estou em erro, só a Assembleia Legislativa pode apresentar propostas de referendo regional. Logo, o instrumento que poderia quebrar uma coligação da classe política contra os eleitores está nas mãos da...classe política.
O que sobra? Sondagens. É pena que só sobre isto. Mas elas poderiam ajudar a confirmar se, de facto, a maioria dos açorianos apoia ou é indiferente a esta proposta ou se, pelo contrário, é contra. O facto de não se planear um referendo nem haver vislumbre de sondagens sobre o assunto consente supor, infelizmente, que deverá ser a segunda hipótese a verdadeira.
Corredor do Poder
Legislativas. Eurosondagem, 30 Abril-5 Maio, N=1021, Tel.
PSD: 30,5% (29,6%)
BE: 9,8% (9,6%)
CDU: 9,2% (9,4%)
CDS-PP: 6,9% (7,0%)
OBN: 4,8% (4,8%)
Aqui.
quinta-feira, maio 07, 2009
Mais Espanha
quarta-feira, maio 06, 2009
Espanha
Factos
Num post abaixo, escrevi que o deputado António Carlos Monteiro tinha afirmado na RTP-N que, nas últimas regionais dos Açores, o CDS-PP tinha tido o dobro dos votos que aquilo que uma sondagem da Católica previa. Contestei essa afirmação, mostrando que o CESOP não tinha conduzido nenhuma sondagem pré-eleitoral nessa eleição e mostrando os resultados da única sondagem que a Católica tinha feito para essa eleição, uma sondagem à boca das urnas divulgada pela RTP no fecho das urnas.
Num comentário a esse post, entre outras considerações, António Sousa Monteiro desmente ter dito aquilo que eu afirmei que ele disse. Escreve, nomeadamente, o seguinte:
"Aconselho-o também a ser mais cuidadoso nas afirmações que faz e quando imputa aos outros mentiras ou invenções. Tive o cuidado de ouvir novamente tudo o que disse no programa em causa: desvalorizei todas as sondagens porque subavaliavam em regra o CDS-PP, chamei à atenção para que os resultados nos Açores tinham penalizado o centrão e o CDS tinha tido o dobro do previsto, sem nunca ter mencionado o nome da Católica (aliás a Universidade onde tirei o curso e que lamento ver o nome associado a estas sondagens).Vá verificar tudo o que eu disse e veja se sou eu ou o Pedro Magalhães quem inventou ou mentiu? Terá sido por enfiar a carapuça?"
Segui o conselho do senhor deputado. Passo assim à transcrição das afirmações de António Sousa Monteiro no programa Pontos de Vista, emitido pela RTP-N no dia 2 de Maio:
"Eu só diria o seguinte. Se até já o PCP se queixa das sondagens, então o que é que o CDS pode fazer. Aliás, nos Açores - e as sondagens que foram feitas para o acto eleitoral dos Açores demonstraram que o CDS valia muito mais do que aquilo que aparecia nas sondagens. Aliás, nos Açores, teve o dobro daquilo que a vossa sondagem na RTP previa."
A não ser que o deputado Sousa Monteiro - mesmo após ter ido comentar uma sondagem da Católica para a RTP e depois de ter tido "o cuidado de ouvir novamente tudo o que disse" - ainda não tenha descortinado que é a Universidade Católica que faz as sondagens para a RTP, teremos então de concluir que os factos contrariam não apenas a sua primeira afirmação - a da existência da tal sondagem - mas também a segunda - a de que não afirmou aquilo que eu disse que ele afirmou. O vídeo está disponível aqui, no site da RTP. A transcrição refere-se a um trecho que ocorre quando o relógio no canto superior direito marca 1:44.
Late deciders
segunda-feira, maio 04, 2009
Colecção
O CDS-PP e as sondagens
O problema, contudo, é quando se fazem afirmações que colidem, de forma comprovável, com a realidade. Essas, lamento, não posso deixar passar. Já mencionei um deputado do CDS-PP que imaginou uma sondagem inexistente do CESOP. E agora, quer em comentários abaixo quer em num post de Paulo Pinto Mascarenhas, aparece a ideia de que "a Católica costuma falhar redondamente nas previsões sobre o CDS."
Sugiro que dêem uma vista de olhos no quadro abaixo. Contém, para as eleições mais recentes em que o PP concorreu sozinho e para as quais o CESOP fez sondagens, assim como para todas as legislativas e europeias com as mesmas características:
- as estimativas para o CDS-PP da última sondagem publicada pelo CESOP antes das eleições;
- a média dos resultados das restantes sondagens;
- o resultado do CDS-PP nas eleições;
- o confronto entre as estimativas do CESOP e a média das restantes sondagens com os resultados reais;
- o erro amostral associado às estimativas feitas pelo CESOP para o CDS-PP, tendo em conta a dimensão da amostra e pressupondo aleatoriedade;
- se a estimativa ficou, no confronto com o resultado, dentro do erro amostral.
1. Em nove eleições consideradas, a estimativa do CESOP esteve cinco vezes abaixo do resultado que o CDS-PP acabou por ter, e quatro vezes acima desse resultado.
2. Em quatro desses cinco vezes que subestimou o resultado do CDS-PP, o CESOP subestimou-o menos que a média das restantes sondagens realizadas para as mesmas eleições.
3. Em duas dessas cinco vezes, a estimativa do CESOP ficou dentro dos limites do erro amostral.
Quer isto dizer que está tudo óptimo para mim? Não. Há quatro dos nove casos que me aborrecem: as legislativas de 2002 e as Europeias de 1999, em que apesar de termos subestimado o CDS-PP menos do que a média das restantes sondagens, as estimativas ficaram fora do erro amostral; Lisboa 2005, em que sobrestimámos a votação no CDS-PP (pouco) mais do que admissível pelo erro amostral ; e as legislativas de 2005, em que subestimámos o CDS-PP mais do que a média das restantes sondagens e fora do erro amostral.
Dito isto, espero que tenha ficado claro que a afirmação "a Católica costuma falhar redondamente nas previsões sobre o CDS" é falsa. Não tem outra classificação possível. Primeiro, porque a Católica não costuma "falhar redondamente" nas "previsões" sobre o CDS. Segundo, porque quando a Católica subestimou o CDS-PP, subestimou-o quase sempre menos que a média das restantes sondagens. Isto não impede que reflictamos sobre a possibilidade de que haja um problema geral na estimação dos votos no CDS-PP, como tive a oportunidade a de discutir aqui há uns anos neste mesmo blogue. Mas isso não autoriza a afirmação citada.
O post aqui fica, como registo, e para aqui farei ligação quando voltar a ouvir o "lapso" (vamos designá-lo com benevolência) do costume. Da maior parte das pessoas que agitam esta ideia, que espero ter mostrado ser comprovadamente falsa, não espero que venham agora a público corrigir as suas afirmações. A não ser de um: Paulo Pinto de Mascarenhas. É o único caso em que vou ficar desapontado se aguardar em vão.
Europeias e legislativas.
A minha primeira reacção, automática, quando olhei para os resultados pela primeira vez, foi pensar que sim. Fiquei a matutar nas razões. Por um lado, como vimos, são raros os eleitores que conhecem os cabeças de lista ou a data das eleições. É perfeitamente possível que, nesta fase, estejam a responder à pergunta das europeias da mesma forma que responderiam a uma pergunta sobre legislativas. Isto pode vir a dissipar-se com o tempo, à medida que a eleição se tornar mais "sobre as europeias" ou, pelo menos, sobre os cabeças de lista. Acresce a isto que as duas perguntas foram feitas no mesmo inquérito às mesmas pessoas. Houve uma separação clara entre elas, e a pergunta sobre as europeias foi prececida de uma série de estímulos específicos sobre essas eleições. Mas não se pode excluir a possibilidade de "contaminação".
Mas depois lembrei-me de que esta eleição europeia é atípica, no sentido em que se dá no final do ciclo eleitoral das legislativas. Já se sabe que isso costuma implicar uma punição menor para os grandes partidos em geral e para o governo em particular. Em Portugal é também assim, pelo menos a julgar pelo único caso em que as europeias precederam as legislativas por poucos meses, em 1999. E quais foram os resultados nessas duas eleições?
Europeias, Junho de 1999:
PS: 43,1%
PSD: 31,1%
PCP-PEV: 10,3%
CDS-PP: 8,2%
BE: 1,8%
Legislativas, Outubro de 1999:
PS: 44,1%
PSD: 32,3%
PCP-PEV: 9,0%
CDS-PP: 8,3%
BE: 2,4%
Olhando para isto, e mesmo (ou especialmente) tendo em conta que os níveis de participação eleitoral foram muito diferentes (61% nas legislativas, 40% nas europeias), a minha preocupação agora é que os resultados das sondagens possam não ter sido suficientemente semelhantes...
Legislativas. CESOP/Católica, 25-26 Abril, N=1244, Presencial.
PSD: 34%
BE: 12%
CDU: 7%
CDS-PP: 2%
OBN: 4%
Mais detalhes aqui.
Em grande medida, esta sondagem CESOP/Católica mostra continuidades com o estudo anterior (de Dezembro passado) e com outras sondagens de outros institutos. O PS continua a ser o partido com mais intenções de voto, como em todas as sondagens de todos os institutos realizadas desde, pelo menos, Novembro de 2005. Da mesma forma, está aquém da maioria absoluta, como em quase todos os estudos divulgados desde o "caso da licenciatura". O Bloco de Esquerda, que nos dois estudos anteriores do CESOP estava praticamente empatado com a CDU, passa-lhe desta vez à frente, na linha das outras sondagens entretanto divulgadas. Francisco Louçã continua a ser o líder partidário avaliado mais favoravelmente pelos eleitores, ao passo que José Sócrates continua em terreno negativo. A avaliação que é feita do governo pela maioria dos eleitores - e não apenas pelos votantes prováveis - continua também negativa: 61% classificam-no como "mau" ou "muito mau", contra 60% no estudo de Dezembro. E da mesma forma, a maioria (54%, contra 56% em Dezembro passado) continua a achar que nenhum partido da oposição faria melhor que o actual governo se estivesse no poder. Até a votação no CDS-PP, que nas últimas sondagens do CESOP tem aparecido com valores particularmente baixos, não foge àquilo que a tem caracterizado nos últimos meses: uma enorme instabilidade. Em todas as sondagens feitas desde Outubro, mesmo retirando as do CESOP, o CDS tem obtido valores que oscilam entre os 4% e os 10%.
Dito isto, estes resultados suscitam uma questão interessante. Uma das tendências do conjunto de todas as sondagens conduzidas por todos os institutos desde 2005 é a de uma aparente diminuição da bipartidarização do sistema, expressa na soma de votos do PS e do PSD. Nas eleições de 2005, PS e PSD obtiveram, em conjunto, 74% dos votos. Mas se olharmos para todas as sondagens conduzidas nos últimos seis meses, são raros os casos em que essa soma correspondeu a mais de 70%. Este estudo, contudo, recoloca a soma dos dois partidos em 75%, dada a subida do PSD em quatro pontos percentuais desde Dezembro. Várias hipóteses se levantam aqui. A primeira, que não podemos excluir, é que esta sondagem não esteja a captar, por razões metodológicas difíceis de inventariar ou por mero erro amostral, essa real queda do Bloco Central. A segunda é que, pelo contrário, a queda do Bloco Central tenha sido algo sobrestimada por outras sondagens. A verdade é que as sondagens do CESOP nunca apontaram para perdas tão drásticas como as de outros institutos (o valor mais baixo desde 2005 foi, precisamente, o de Dezembro passado, 71%). E a terceira, mais interessante, é que a aproximação das eleições esteja agora a reconduzir eleitores aos principais partidos - especialmente ao PSD - , motivados, entre outras coisas, por considerações de natureza estratégica (ou seja, pelo "voto útil"). Teremos de esperar por mais estudos (ou pelas próprias eleições) para percebermos qual delas (se alguma) é a mais plausível.
(comentário publicado também em versão abreviada no DN; o título foi atribuído pelo jornal)
sábado, maio 02, 2009
Dois a mais
Ainda bem que eu sei que o CDS-PP não é só isto. Caso contrário, ficaria a pensar que 2% de votos eram dois a mais.
Sondagens, esta e as outras
1. Uma sondagem é só uma sondagem. Precisamos de mais para perceber se o que aqui aparece estará a captar algo real ou será fruto de erro aleatório ou outro problema qualquer. Os resultados do PS e do PSD parecem-me muito congruentes com o que ando a dizer sobre isto há algum tempo. Mas claro que estou surpreendido com os resultados da CDU e do CDS-PP. Surpreendido, mas não disposto a trocar estes resultados por "intuições" ou outras "crenças".
2. Esta sondagem, apesar de, do ponto de vista temporal, estar a uma distância curta das eleições, está, pelos vistos, para os eleitores, a uma distância mental imensa. Quando mais de 80% das pessoas recenseadas não sabem que são os cabeças de lista do PS ou do PSD, e quando mesmo entre os simpatizantes de cada partido, os valores são superiores a 70%, isto significa que há muito muito caminho para percorrer.
sexta-feira, maio 01, 2009
quinta-feira, abril 30, 2009
Lisboa. Eurosondagem, 26-28 Abril, N=1025, Tel.
PSD/CDS-PP/PPM/MPT: 31,1%
Cidadãos por Lisboa: 9,6%
CDU:8,0%
BE:6,1%
OBN:6,9%
quarta-feira, abril 29, 2009
Legislativas. Marktest, 14-19 Abril, N=803, Tel.
PSD: 26,4% (28,4%)
BE: 13,6% (12,6%)
CDU: 11,2% (8,9%)
CDS-PP: 8,3% (9,4%)
OBN: 4,3% (4,0%)
Aqui (via Eleições 2009).
domingo, abril 26, 2009
EU Profiler
Normalmente, estas aplicações presumem a existência de duas dimensões: uma de "esquerda/direita" socioeconómica e outra de "conservador/progressista" no domínio dos valores sociais. O EU Profiler assume que estes temas escalam numa mesma dimensão e transformam a segunda numa dimensão pró-anti Europeia. Percebo a ideia, tendo em conta que as eleições são europeias e que é preciso dar peso a esse aspecto. Mas na verdade, a dimensão pró-anti Europeia tende a escalar com o conservadorismo-progressismo: "support for European integration tends to be high among parties that can be characterised as Green/Alternative/Libertarian (GAL) and low among parties that rather qualify as Traditional/Authoritarian/Nationalist (TAN)". Logo, pode haver aqui um problema.
Outra dificuldade é que, apesar do esforço louvável para tornar o inquérito mais próximo de cada contexto eleitoral e de permitir que sirva como "voting advice", a verdade é que todas as respostas continuam a ser medidas numa escala "abstracta" esquerda/direita ou pró/anti integração. Assim, eu percebo que se pergunte, por exemplo, pelo referendo europeu. Mas tenho dúvidas sobre como se codificam as respostas: ser-se pelo uso do referendo é ser-se pró ou anti-integração? Da mesma forma, questões sobre o TGV ou a regionalização ajudam a que nos aproximemos de conflitos políticos concretos, mas como se codificam as respostas numa escala esquerda/direita?
Numa ou noutra perguntas, a tradução poderia estar melhor (o que significa "tornar a imigração mais restritiva"?) mas enfim. Dito tudo isto, parece-me bom nesta aplicação, apesar de tudo, o esforço de contextualização, a preocupação com medir a saliência de cada tema para as pessoas, o esforço em documentar o posicionamento dos partidos com textos de programas, moções e declarações públicas, e a flexibilidade da ferramenta (permitindo comparações focalizadas). E uma declaração de interesses: estou neste momento a trabalhar com outras pessoas na possibilidade de adaptar esta aplicação para as eleições legislativas. Todos os comentários e opiniões que nos façam chegar sobre o EU Profiler são bem vindos.
sábado, abril 25, 2009
Autárquicas, Lisboa. Aximage, 21-23 Abril, N=600, Tel. (revisto)
PSD/CDS-PP/PPM/MPT:29,6%
CDU:8,4%
Cidadãos por Lisboa: 7,1%
BE:3,8%
Aqui. A notícia não diz quantos dos restantes 15% são votos brancos, nulos, noutros partidos ou indecisos.
P.S.- Um amigo fez-me chegar os resultados completos. Aqui vão:
Com indecisos:
PS:36,1%
PSD/CDS-PP/PPM/MPT:29,6%
CDU:8,4%
Cidadãos por Lisboa: 7,1%
BE:3,8%
OBN: 5,2%
Indecisos: 9,8%
Redistribuição proporcional:
PS:40%
PSD/CDS-PP/PPM/MPT:32,8%
CDU:9,3%
Cidadãos por Lisboa: 7,9%
BE:4,2%
OBN: 5,8%
Europeias. Intercampus, 17-22 Abril, N=1201, Tel.
PSD: 33,5%
BE: 18%
CDU: 7,9%
CDS-PP: 6,9%
Aqui. A soma disto é 100,3%, pelo que, pelos vistos, na redistribuição, se terá presumido que não há votos noutros partidos, nem em branco, nem nulos.
Uma sondagem é só uma sondagem, mas como esta é a única até agora, o melhor, por isso mesmo, é pô-la em perspectiva. Se os resultados acabassem por ser estes, estariam em linha com as previsões aqui para o PSD, mas mais longe para os outros partidos. E seriam muito maus para todos os partidos menos o BE. O PS só teve resultados piores em eleições europeias em 1987 e 1989. Um partido de governo só teve resultados piores que estes em 1989 e 2004. O PSD só teve resultados piores em 1989 e 2004. A CDU nunca teve menos de 9%. E o CDS-PP, sozinho, nunca teve menos de 8%.
5ª feira há mais.
terça-feira, abril 21, 2009
Uma teoria da dissonância cognitiva
Meirinho
quinta-feira, abril 16, 2009
Participação nas europeias e os resultados do EB71

segunda-feira, abril 13, 2009
O precedente e a regra
Mas atenção: a regra é que o Conselho nomeia um candidato a Presidente da Comissão por maioria qualificada, nomeação essa que depois é aceite ou não pelo Parlamento Europeu. E o Parlamento volta a votar a totalidade da composição da Comissão, Presidente incluído. Logo, da regra resulta apenas que quem o Conselho nomear precisa de não ser bloqueado por uma maioria no Parlamento. Ora, para ser mais concreto, tendo em conta os resultados prováveis das eleições de Junho, isto exige que os Liberais se juntem ao EPP e aos Conservadores britânicos para dar uma maioria ao candidato do EPP, em vez de se juntarem a outros grupos parlamentares para o bloquearem. Garantido? Bem, "ni pour ni contre".
domingo, abril 12, 2009
Aximage, 1-3 Abr., N=600, Tel.
PS:39,9% (40,2%)
PSD:26,3% (25,2%)
BE:13,2% (13,2%)
CDU:10,8% (9,5%)
CDS:6,0% (7,1%)
OBN:4,0% (4,7%)
Resultados brutos:
PS:38,1% (38,3%)
PSD:25,1% (24,0%)
BE:12,6% (12,6%)
CDU:10,3% (9,0%)
CDS:5,7% (6,8%)
OBN:3,8% (4,5%)
Indecisos:4,3% (4,8%)
Aqui.
sábado, abril 11, 2009
Previsões europeias
O que Hix, Marsh e Vivyan fazem é pressupôr que a votação de cada partido é uma função dos resultados desse partido numa sondagem conduzida alguns meses antes da eleição e da votação desse partido nas Europeias anteriores. Para além disso, se esse partido for um partido de governo ou eurocéptico, usa-se também informação sobre os resultados anteriores nas legislativas. E caso seja um partido no governo, toma-se em conta o facto desse partido estar ou não no primeiro ano de mandato.
sábado, abril 04, 2009
sexta-feira, abril 03, 2009
E agora...
Portugal nos índices internacionais de "bom governo"
Bertelsmann Foundation Management Index (2007-2008) Portugal 20º; entre as novas democracias, 4º (depois da Coreia do Sul, da Eslováquia e da Hungria).
World Bank Governance Indicators (2007, calculei a média dos 6 indicadores): Portugal 20º; entre as novas democracias, 1º.
World Economic Forum Global Competitiveness Index (2007-2008): Portugal 23º, entre as novas democracias, 4º (depois de Coreia do Sul, Espanha e República Checa).
Heritage Foundation Index of Economic Freedom (2007-2008): Portugal 25º; entre as novas democracias, 7º.
Há mais coisas, sob perspectivas diferentes, tais como o Product Market Regulation Index (mas faltam dados para alguns países) ou, pelo lado do grau de democracia, a Polity IV ou a Freedom House (mas nestes não há variância para as democracias mais avançadas, como a nossa, e o que está sob estudo é algo diferente). E haverá mais índices deste género? Digam coisas.
Isto é bom? É mau? Meio cheio? Meio vazio? Não sei. Eu não fico satisfeito com menos do que o 1º lugar e, para além disso, o conjunto da OCDE pode ajudar a que nos posicionemos melhor (faltam aqui muitas outras "novas democracias"). Mas concordo que, deste ponto de vista, parece que o mundo não nos vê assim tão profundamente atolados como nós próprios vemos. Enfim, o costume.
Actualizações
Eurosondagem, 25-31 Março, N=1011, Tel.
quarta-feira, abril 01, 2009
Deliberação da ERC
terça-feira, março 31, 2009
Sustainable Governance Indicators 2009
Os resultados estão neste site. Os resultados gerais para Portugal estão aqui, e existe um relatório mais pormenorizado para Portugal, que assinala os aspectos em que os "peritos" contactados divergiram mais seriamente na sua análise. Se bem que esteja lá muita coisa em que não me revejo, não me custa concordar com o tom geral, tal como aplicado ao período 2004-2007. Mas ao reler tudo fico com a ideia de que algumas coisas mudaram na 2ª parte do mandato ou, pelo menos, que a observação da 2ª parte do mandato me levaria a rever algumas das conclusões. Mas aí está. Principais resultados:
Status:
"At rank 20, Portugal's status performance is below average. Profound socioeconomic disparities and weak economic performance are mitigated somewhat by well-developed democratic institutions and a proactive integration policy". Os únicos aspectos em que estamos acima da média é na área da segurança (baixa criminalidade) e integração dos imigrantes. Os aspectos em que estamos pior são a situação socioeconómica do país e o nível de coesão social.
Management:
"At rank 19, Portugal's management performance is below average. Although the government generally has achieved its policy objectives, its strategic planning at times lacks substance." Os aspectos em que estamos acima da média tem a ver com a capacidade do executivo transformar propostas em legislação. Os aspectos em que estamos pior têm a ver com a implementação das políticas, o planeamento estratégico, a medição dos impactos das políticas e a capacidade de parlamento e cidadãos controlarem a acção do governo.
Eleições europeias
"First, starting with the old15 states, governing parties certainly lose. Nevertheless, the results from models 2 and 3 reveal that large governing parties lose more than small parties in government. Second, the results on the variables that capture the cubic effect of party size reveal that larger parties lose votes, while small parties gain votes and medium-sized parties remain stable, regardless of whether these parties are in government or opposition. Third, we find a relationship between the timing of a European election in a national electoral cycle and the extent of government losses. More precisely, there is a “honeymoon effect”, such that governing parties gain votes in European elections when these are held shortly after a national election, as was the case in Britain in 1979 and in Spain and Greece in 2004."
" The first result to note is that adding party family, European policy positions, and left-right positions to the mix does not change the main results of the second-order elections model as it applies in the old15 member states. Basically, large governing parties lose votes in European elections (if the election is not held immediately after a national election), regardless of their party family, whether they are pro-European or anti-European, or whether they are on the left, the right or at the extremes. This result is robust across all specifications. In other words, big parties tend to lose regardless of their policy stances, a finding that supports the second order explanation over the Europe-matters explanation, with voters following their hearts rather than heads."
" Nevertheless, differences in the performance of parties in European elections are not only explicable in terms of the second-order national elections framework. There is some evidence that a party’s position on the EU matters. In fact, extreme anti EU parties gain some almost 4 more percentage points more than those who are neutral (scoring -0.5 or +0.5 on the anti/pro scale), while those who are extremely positive gain almost a point more than those who are neutral."
"Small parties gain and large parties, particularly large government parties once an initial honeymoon is over, lose. This fairly mechanical formulation accounts for almost 40% of the apparent volatility we see in the performance of parties between national elections and European elections. We also found, nonetheless, that even when size and government status are held constant, anti-EU parties do much better than average. Green parties also perform relatively well, and socialist parties relatively poorly, although these differences are small. These outcomes do seem to be motivated by European concerns of voters. However, in substantive terms, these are minor effects. For example, anti-EU parties are relatively rare, and for the other party families, their European policy preferences hardly mark a difference. (...) Broadly speaking, then, our results point to “punishment against governments” rather than “protest against the EU” as a primary force making European elections different from national elections. The exceptions to this are perhaps just that, exceptions."
"Turning to the bigger picture, there has been a dramatic increase in the power of the European Parliament in the last two decades and there is growing evidence that politics inside this assembly is highly competitive and partisan (e.g. Hix et al. 2006). However, after six rounds of direct-elections to this institution the ‘electoral connection’ between citizens and MEPs remains extremely weak. Citizens do not primarily use European Parliament elections to express their preferences on the policy issues on the EU agenda or to reward or punish the MEPs or the parties in the European Parliament for their performance in the EU. Put another way, European Parliament elections have failed to produce a democratic mandate for governance at the European level, and there are few signs that further increases in the powers of the European Parliament would be sufficient to change this situation."
À atenção da rapaziada neste novo (e bem vindo) blogue.
Zoom
Bem, vejamos a coisa assim:
1. O gráfico que contém todas as estimativas - vamos chamar-lhe "Mr. Smoother" - faz o seu trabalhinho da seguinte forma: pega em cada observação e transforma-a numa observação "amaciada", usando para esse efeito um sub-conjunto de observações na sua vizinhança (no caso, 25% do total das observações) e dando dando mais peso àquelas que estão mais próximas. Juntando os pontos "amaciados" ficamos com uma linha cuja variabilidade é inferior à real variabilidade dos dados e que, desejavalmente, nos permite visualizar melhor tendências sem estarmos a ser confundidos por ruído aleatório.
O problema de Mr. Smoother é que é um bocadinho ingénuo: se eu lhe atirar com 50 sondagens de um instituto e uma de outro para cima, ele ignora esse facto e continua com o seu trabalhinho como se nada fosse. Mas compensa essa ingenuidade com um sólido conservadorismo: como "tempera" cada observação com informação das observações vizinhas, Mr. Smoother não se deixa enganar facilmente por flutuações irrelevantes e, para dizer que algo está a mudar, exige ser convencido e persuadido repetidamente. Só se lhe mostrar várias observações consecutivas que apontam na mesma direcção é que ele se decide a dizer que algo está a mudar. Não lhe fica mal.
2. O Dr. House Effects (PhD) é toda uma outra personalidade: chega ao fim de um mês e grita "Subiu!", "Desceu!", "Não mudou!" em comparação com o mês anterior. E diz estas coisas mesmo se eu só lhe mostrar uma sondagem para esse mês. Como é que a criatura se arrisca a dizer uma coisa destas? Bem, a diferença entre o Dr. House Effects e o Mr. Smoother é que o primeiro, quando diz qualquer coisa, olha para todas as observações desde 2005. E sabe uma coisa sobre cada uma delas que o Mr. Smoother resolve ignorar: que instituto fez cada sondagem.
Tomando essa informação em conta, o Dr. House Effects apura que, ao longo de todo o período, há institutos que tendem a dar melhores ou piores resultados para um determinado partido. E quando lhe dizem que um determinado resultado veio de um determinado instituto, o Dr. House Effects toma essa informação em conta para estimar um resultado para cada mês. Ele não diz que esse resultado é o resultado "certo". Esse assunto não o interessa. O que lhe interessa é dar resultados mensais comparáveis uns com os outros, independentemente do "mix" particular de institutos que fizeram sondagens em cada mês. Gosta de arriscar e pode-se mais facilmente espatifar, ao contrário do Sr. Smoother. Mas é menos ingénuo que o seu colega.
Como vêem nos dois posts anteriores, o Dr. House Effects anda há uns tempos a gritar: "Hey, o PS subiu bastante de Setembro para Outubro, mas a partir de Dezembro começou a descer novamente!". Mr. Smoother já tinha percebido a subida há algum tempo, mas demorava a ser convencido da descida. Mas com as últimas sondagens, começa também a achar que sim. O Dr. House Effects grita: "por que é que não olhaste para as tendências por instituto? Eu tinha-te dito!":

Mr. Smoother não quer saber e vai continuar como dantes. Antes tarde e seguro que cedo e errado.
O "zoom" mostra também que não é fácil apurar causas destas coisas. Na Marktest é limpinho: PS sobe após à crise financeira e desce após o caso Freeport. Mas os resultados das outras sondagens são compatíveis com outras hipóteses, nomeadamente a de que a descida não passa de um retomar de uma tendência anterior.
sábado, março 28, 2009
Marktest, 17-21 Março, N=800, Tel.
PSD: 28,4% (28,8%)
BE: 12,6% (14,0%)
CDS-PP: 9,4% (4,1%)
CDU: 8,9% (10,6%)
quinta-feira, março 26, 2009
Finalmente
Antecipação
Projecção com base na ponderação da amostra considerando o voto em eleições anteriores
A projecção apresentada da intenção de voto para a totalidade dos eleitores não pode ser feita linearmente considerando a elevada percentagem de lares excluídos da amostra efectiva pelo não contacto, pelas ausências e recusas e cujo comportamento não será necessariamente representado pelos respondentes.
Para garantir que a amostra é representativa do eleitorado, em cada mês, é perguntado ao entrevistado em que partido votou nas últimas eleições legislativas , Fevereiro 2005. Com base nestes resultados a amostra é reequilibrada por forma a poder ajustar-se fielmente à estrutura dos resultados eleitorais de 2005. Nesta ponderação é utilizado o processo de "rim-weighting" que é um processo iterativo o qual para alem de reproduzir os resultados eleitorais de 2005, mantêm a composição da amostra no que respeita às variáveis de controlo: região, sexo, idade. Após este procedimento são retabulados as respostas sobre a intenção de voto actual, obtém-se a estimativa da intenção de voto. O valor dos Voto em Branco/Outros/Nulos, é ajustado ao valor médio obtido nos dois últimos actos eleitorais para a Assembleia da República. Estes resultados são apresentados ao cliente como sendo resultado de uma previsão da responsabilidade da Marktest, com base nos resultados da sondagem.
Sobre a prática de ponderar os resultados na base de recordação de voto, ler, por exemplo, Weighting, no UK Polling Report, especialmente a secção intitulada "Political weighting".
E pronto: já libertei o fim de semana.
P.S.- Boas hipóteses, mas a resposta é difícil. Se a Marktest divulgar a distribuição das respostas à pergunta sobre a recordação de voto a coisa fica mais fácil. Capazes disso são eles, espero.
segunda-feira, março 23, 2009
Ainda JM
"O Sr. Jorge Miranda (ASDI): Por um lado, quanto às entidades com poder genérico de iniciativa, verifica-se que, da parte da FRS, se mantêm as actualmente constantes do n.° 1 do artigo 281.° e se acrescenta uma referência a grupo parlamentar. O PCP, em vez da referência a grupo parlamentar, indica um determinado número de deputados. Julgo ser mais correcta a posição do PCP do que a posição constante do projecto da FRS, porque um grupo parlamentar pode hoje ser formado por um número extremamente reduzido de deputados e convém que a iniciativa, no domínio da apreciação da inconstitucionalidade, não seja aberta sem quaisquer cautelas. Parece-me também que o número proposto pelo PCP - um décimo do número de deputados- é um número razoável e vai ao encontro das preocupações de harmonização que deve haver neste domínio. É um domínio particularmente sensível, em que não se trata de desencadear uma qualquer acção política -se fosse isso, valeria a pena dar-se a qualquer grupo parlamentar, mesmo que formado por 2 deputados, tal poder -, mas, pelo contrário, trata-se de algo em que apenas a partir de certo número de deputados deve haver possibilidade de uma intervenção do Tribunal Constitucional.
(...)
O Sr. Presidente [Borges de Carvalho (PPM)]: Registe-se a posição notavelmente altruísta do Sr. Deputado Jorge Miranda, de que eu não seria, evidentemente, capaz.
(...)
O Sr. Nunes de Almeida (PS): O deputado Jorge Miranda colocou-me, como deve calcular, numa situação difícil. Esta proposta da FRS tinha em conta os pequenos grupos parlamentares, já que era subscrita por deputados de um chamado partido grande e de dois partidos pequenos. O Dr. Jorge Miranda libertou-nos, de certa forma. Não podia, em nome de todos, retirar o que cá está, pois não está presente a UEDS. Restaria, portanto, essa questão.
(...)
O Sr. Jorge Miranda (ASDI) - Sr. Presidente, relativamente à minha intervenção onde, de forma algo extemporânea, me referi aos grupos parlamentares, valeria a pena dizer que, por um lado, se aqui aparecem os grupos parlamentares, foi por bondade ou por consideração específica que o PS teve em relação aos outros dois grupos subscritores do projecto da FRS. Foi também, para falar com toda a franqueza, tendo em vista a discussão a travar nesta Comissão. Desde o momento em que aparece uma fórmula, como a do PCP, que parece preferível, da nossa parte não há nenhum problema, até porque, repito, esta matéria da fiscalização da constitucionalidade se situa muito para além da defesa dos interesses políticos deste ou daquele grupo parlamentar. Temos de tomar em consideração a necessidade de evitar qualquer banalização da fiscalização. Um dos grandes perigos que pode haver no domínio da fiscalização da constitucionalidade é o da banalização, do abuso, da chicana constitucional. À partida, é de supor que um décimo dos deputados da Assembleia da República ponderarão, até devido à sua representatividade, mais uma qualquer solicitação ao Tribunal Constitucional do que um qualquer grupo parlamentar, formado, por hipótese, por 2, 3 ou 4 deputados. E nada impedirá que quaisquer deputados, individualmente considerados, integrantes de diversos grupos parlamentares, se juntem para o efeito. Além disso, esta solução tem a vantagem de valorizar o estatuto do deputado, a qual deve ser uma preocupação fundamental da revisão constitucional, com vista à consolidação do regime democrático em Portugal. Por tudo isto, congratulo-me com o princípio de consenso a que parece ter-se chegado."
In D.A.R. II Série, Suplemento ao nº 69, II Legislatura, 2ª sessão legislativa. Acta da reunião do dia 13 de Janeiro de 2002 da Comissão Eventual para a Revisão Constitucional, pp. 1-36.
domingo, março 22, 2009
Outlier: Jorge Miranda
Agora não tenho tempo para procurar as páginas do DAR onde o tema foi discutido, mas recordo a surpresa geral com que a intervenção de Jorge Miranda foi recebida. Miranda defendeu que, sabendo bem que o projecto da FRS convinha à ASDI, achava mal. Achava que os parlamentares deveriam poder iniciar a sucessiva, mas que importava colocar alguns limites, exigindo que uma proporção significativa de deputados subscrevessem o pedido, de forma a evitar uma trivialização da litigância constitucional. Lembro-me inclusivamente que ficou tudo tão pasmado com a sua intervenção que houve um deputado, não me recordo quem, que alertou Jorge Miranda para o facto de que a ideia que estava a defender ir prejudicar o seu próprio partido, mas que lhe agradecia a posição, dado que facilitaria o consenso. Ao que, se não erro, JM respondeu que tomava essa posição por questões de princípio, independentemente de isso ir prejudicar o seu grupo parlamentar. Acabou por haver acordo em torno da proposta do PCP e a ASDI ficou sem direito de iniciar a sucessiva.
Apesar de tudo o resto de muito mais importante que Jorge Miranda fez na sua vida, é disto que me lembro quando penso nele. Nunca tinha visto nada assim, e nunca mais voltei a ver.
Começa bem
Elisa Ferreira, em entrevista ao Correio da Manhã.
sexta-feira, março 20, 2009
Menções de políticos na imprensa


Passos Coelho, 2826 resultados; Ferreira Leite, 9008. Ora bolas. Mas continua a ser interessante. Seria óptimo se houvesse maneira de obter estes dados de forma realmente fiável, em série temporal, e jornal a jornal. As empresas de recortes não terão isto? Os agregadores de notícias não permitirão este tipo de análise?
quinta-feira, março 19, 2009
quarta-feira, março 18, 2009
Greenberg, on solicitousness about public opinion.
Greenberg, again.
Podcast de conferência na Royal Society for the encouragement of Arts, Manufactures and Commerce (RSA) , 3 de Março de 2009, a propósito de Dispatches from the War Room.
terça-feira, março 17, 2009
Stanley Greenberg
Podcast de conferência na Royal Society for the encouragement of Arts, Manufactures and Commerce (RSA) , 3 de Março de 2009, a propósito de Dispatches from the War Room.
segunda-feira, março 16, 2009
Contem-me como foi.

Se coloco aqui isto é porque me suscita uma questão muito simples. Para alguns, a resposta vai ser fácil: as sondagens não prestam, ou têm dificuldade em captar determinado tipo de eleitores em períodos longe das eleições, etc e tal. Tudo bem. Sinceramente, não excluo, mas gostava de perceber que argumentos existem. Mas para outros, a questão permanece: como foi que uma coisa destas aconteceu ao PSD?
P.S.- Por aqui a discussão vai boa.
sexta-feira, março 13, 2009
Mais gráficos
O primeiro mostra a soma das percentagens de votos válidos obtidos pelo PS e pelo PSD em cada eleição. Em 1979 e 1980, a votação do PSD é estimada como uma proporção do voto na AD, calculada na base da média dos resultados PSD, CDS e PPM nas eleições imediatamente anteriores e posteriores. E para 2009, os 67% são a estimativa das sondagens para Março de 2009, controlados "house effects". O que o gráfico diz é simples: se as eleições fossem hoje (eu sei, eu sei), PS e PSD teriam, no seu conjunto, o pior resultado desde as eleições de 1985.
O segundo gráfico repete esta informação mais adiciona uma série, a da soma dos votos válidos nos candidatos presidenciais apoiados pelo PS e pelo PSD (1º volta, quando houve duas). Exclui, no entanto, todas as eleições presidenciais onde o Presidente se apresentou a reeleição, por terem características muito diferentes.
Há uma "teoria" sobre a bipartidarização em Portugal que a vê como efeito das presidenciais, ou seja, como efeito da constituição de dois "blocos" em torno de dois principais candidatos, que ajudaria a cristalizar os votos em torno dos dois principais partidos. A "teoria" inversa - bipartidarização concentra votos nos candidatos dos dois principais partidos - é igualmente plausível e, confesso, nem sei bem por onde começaria para testar uma ou outra como deve ser. Mas a observação das duas séries é, digamos, sugestiva. Até para pensarmos em como as presidenciais de 2006 podem ter ajudado a "soltar" eleitores do PS...
quinta-feira, março 12, 2009
A popularidade de Sócrates
Mesmo não tendo responsabilidades na peça, vamos ver se posso ajudar:
1. Os dados são da Marktest. Isso é mencionado no jornal. O gráfico do Público há-de ser muito parecido, por exemplo, com este que aqui publiquei, no que a Sócrates diz respeito, a não ser que me parece que o Público se limita a calcular o saldo "opiniões positivas" - "opiniões negativas", e eu corrijo esse saldo pelas não respostas.
2. É também verdade aquilo que Eduardo Pitta afirma: nos estudos da Eurosondagem divulgados no Expresso, na RR e na SIC, Sócrates está em terreno positivo.
3. De notar, contudo, que a comparação entre os resultados de um e outro instituto é complicada pelo facto de a Eurosondagem ter uma opção adicional de resposta: "nem boa nem má". Mas como venho mostrando aqui há muito tempo, isso não explica tudo. Os resultados da Eurosondagem para o PR exibem tendências muito semelhantes às da Marktest, mas não tanto no caso do PM. isto não é um juízo sobre quem "tem razão". Não faço ideia. É uma constatação de facto.
4. Eduardo Pitta já não tem razão quando diz que "a afirmação dos jornalistas contradiz todas — repito: todas — as sondagens encomendadas e divulgadas até hoje pelo próprio Público, pelo DN, pelo Correio da Manhã, pelo JN, pelo Expresso, pela RTP, pela SIC, pela TVI, pela Rádio Renascença, pela TSF, pela Visão, pela Sábado, etc."
4.1 Nas sondagens do CESOP/Católica, onde os líderes políticos são avaliados de outra forma - numa escala de 0 a 20 - Sócrates está, há algum tempo, em terreno negativo no que respeita à avaliação média dos eleitores (abaixo de 10 pontos). Em Janeiro de 2007, essa avaliação média era de 10,2 pontos. Em Maio de 2007, ainda 10,1. Mas em Outubro de 2007 já estava em 8,9, em Fevereiro de 2008 era de 9,3, em Julho de 2008 era 8,5, em Outubro de 2008 era 8,4, e em Dezembro passado 8,8. Logo, apesar dos indicadores serem diferentes, os resultados do CESOP (JN, RTP e Antena 1) são congruentes com os da Marktest, quer no momento da queda (após Maio de 2007) quer na ideia de uma recuperação ligeira após Outubro de 2008.
4.2 Os resultados do CESOP/Católica têm exibido bastantes semelhanças com os da Aximage, que usa o mesmo método: nota média de 0 a 20.Não tenho recolhido a série completa, mas para infirmar aquilo que Eduardo Pitta diz sobre as "outras sondagens" basta dizer que, em Dezembro passado, por exemplo, a média das avaliações de Sócrates na sondagem Aximage era 8,8 (tal como na sondagem da Católica).
5. Nada disto impede que a maioria dos eleitores tenha mais confiança em Sócrates como PM do que qualquer outro líder partidário, um dado que Eduardo Pitta também menciona e que é muito importante. Mas isso é outra questão.
quarta-feira, março 11, 2009
Pensionistas

The pulse of what people are thinking
"Jon Favreau, the president’s chief speechwriter, said there was a familiar refrain during these meetings, with Mr. Axelrod urging the team not to become consumed by the insularity of Washington. 'Can I speak on behalf of the American people here?' he said Mr. Axelrod often asks aloud. That is precisely why, Mr. Axelrod said, he convened the Wednesday Night Meetings: to keep the pulse of what people were thinking. Locked in the White House all day, he added, he can no longer hear those voices on his own.
[T]he Wednesday night meetings suggest that the strong belief in polling and focus groups from the campaign are alive in the White House. Joel Benenson, a pollster for Mr. Obama, is among the participants in the sessions. He said that Mr. Axelrod often asked one question above all: 'How do we make sure that the arguments from the president’s agenda are made in the most persuasive way?'
segunda-feira, março 09, 2009
Bases de dados
Se detectarem erros, ficarei imensamente grato que mos apontem, para poder corrigir. Não garanto actualização tão regular para as bases como para os gráficos que vou apresentando, mas a verdade é que qualquer um de vós poderá, a partir de agora, usar estas bases para as actualizar. Se usarem estes dados para algum fim público, só peço que mencionem onde os encontraram.
sábado, março 07, 2009
Aximage, 2-5 Mar, N=600, Tel.
PS:40,2% (40,0%)
PSD:25,2% (24,9%)
BE:13,2% (12,6%)
CDU:9,5% (9,6%)
CDS:7,1% (8,1%)
OBN:4,7% (4,9%)
Resultados brutos:
PS:38,3% (38,2%)
PSD:24,0% (23,8%)
BE:12,6% (12,0%)
CDU:9,0% (9,2%)
CDS:6,8% (7,7%)
OBN:4,5% (4,7%)
Indecisos:4,8% (4,5%)
Este é o tipo de resultados que, suspeito, os jornalistas detestam: nada para dizer a não ser falar de "subida de 0,1 pontos percentuais". A notícia está aqui. Obrigado aos leitores que foram, entretanto, deixando estes resultados nos comentários.
sexta-feira, março 06, 2009
Actualização: estimativas mensais, controlados "house effects"

Notem a diferença em relação ao gráfico abaixo. Nesse, o smoother que capta a tendência é afectado pela contribuição diferente que diferentes institutos são para a mancha de pontos. Mas quando estimamos um resultado mensal onde se assumem efeitos fixos dos institutos de sondagem, o retrato é um pouco diferente: há um boost para o PS em Outubro (crise), mas lento declínio desde aí. PSD estabiliza após queda de Outubro. Ou se quiserem ver a coisa doutra forma, PSD não recupera do embate da segunda metade de 2008 ao passo que PS, após boost de curto-prazo trazido pela crise, retoma tendência anterior.
Eurosondagem, 26 Fev-3 Mar, N= 1018, Tel.
PSD: 28,3% (29,1%)
BE: 10,4% (10,1%)
CDU: 9,6% (8,8%)
CDS-PP: 7,7% (6,9%)
OBN: 5,0% (4,8%)
Aqui.
quarta-feira, março 04, 2009
"Personalização"

Isto para dizer duas coisas. Primeiro, que a vida não está fácil para ninguém, Presidente incluído. Segundo, que concordando genericamente com o que a Marina diz sobre a "falta de novidade" da "personalização da política", isto (o "Movimento Sócrates 2009") é capaz de ser um bocadinho exagerado à luz daquilo que o "líder" parece ter para oferecer em valor eleitoral acrescentado.
segunda-feira, março 02, 2009
Outlier: o pluralismo da comunicação social.
Interessam-me especialmente o segundo e quarto argumentos. Discuti-os aqui, há umas semanas, no blogue da Sedes. Como ficará óbvio da leitura desse post, acho que o veto era uma necessidade absoluta. Ainda bem que ocorreu.
domingo, março 01, 2009
Marktest, 17-22 Fevereiro, N=806, Tel.
PSD: 28,8% (24,9%)
BE: 14,0% (10,1%)
CDU: 10,6% (11,9%)
CDS-PP: 4,1% (9,7%)













