
terça-feira, setembro 15, 2009
"Indecisos"
Não sabe se vai votar: 24%
Em princípio vai votar: 30%
De certeza que vai votar: 46%
Homens: 36%
Mulheres: 64%
18-24 anos: 11%
25-34 anos: 24%
35-44 anos: 16%
45-54 anos: 17%
55-64 anos: 15%
65+ anos: 17%
Menos que secundário: 60%
Secundário completo: 26%
Superior: 13%
Não têm simpatia por qualquer partido: 45%
Simpatia pelo PS: 20%
Simpatia pelo PSD: 18%
Simpatia pelo BE: 6%
Simpatia pela CDU/PCP:3%
Simpatia pelo CDS-PP:3%
Ns/Nr: 6%
Sem posição no eixo esquerda-direita: 18%
Posição média no eixo esquerda-direita dos que têm posição: 4,9 numa escala de 0 (esquerda) a 10 (direita)
Avaliação média Louçã: 9,8
Avaliação média Jerónimo: 8,6
Avaliação média Sócrates: 7,7
Avaliação média MFL: 8,4
Avaliação média Portas: 7,8
Tirem as vossas conclusões.
Porto. Marktest, 3-6 Setembro, N=399, Tel.
PS (Elisa Ferreira): 31,1%
CDU (Rui Sá): 9,6%
BE (João Teixeira Lopes): 7,8%
Notícia aqui.
Teaser 2
Primeiro, para entrar, é preciso capital. Num mercado com dinheiro real, como o Intrade ou os Iowa Markets, abre-se uma conta e deposita-se dinheiro. Mas num mercado com dinheiro fictício, como o Inklingmarkets ou o Mercado de Previsões brasileiro, cada participante registado recebe à partida um montante virtual que depois será usado para investir.
Investir em quê, já agora? Num mercado de previsões, o que se compra ou vende são "contratos" cujo valor final está ligado à concretização de um determinado evento ou a um valor concreto. O primeiro é um contrato "tudo ou nada": o seu valor pode ser interpretado como exprimindo a probabilidade de um determinado evento ocorrer. Se o evento ocorrer, o investidor que tenha esse títulos em carteira obterá, no final, o valor 100 por cada título. Se o evento não ocorrer, receberá 0 (zero). O segundo contrato é um contrato "valor esperado": no final, cada título valerá exactamente aquilo que a realidade ditar como valor real. Exemplos? O contrato "O partido vencedor das próximas eleições legislativas terá apenas uma maioria relativa dos deputados" valerá 100 se o evento acontecer, zero se não ocorrer. O contrato "Percentagem de votos do Partido Socialista nas próximas eleições legislativas" valerá exactamente a percentagem de votos no PS nas eleições de 27 de Setembro. Simples.
Como realizar mais valias num mercado de previsões? Cada contrato tem uma cotação. Imaginem que a cotação de "O partido vencedor das próximas eleições legislativas terá apenas uma maioria relativa dos deputados" é, num determinado momento, 10. Isso significa que, de acordo com as expectativas daqueles que jogaram até ao momento no mercado, expressas nos preços e quantidades de títulos comprados e vendidos, a probabilidade de o partido vencedor nas eleições de 27 de Setembro ter apenas uma maioria relativa é de 10%. Parece-me relativamente óbvio que este título está subavaliado pelo mercado. A probabilidade de uma maioria relativa (em vez de absoluta) é muito maior que 10%. O que devo fazer? Óbvio: Comprar. No dia 27, preparo-me, com alta probabilidade, para lucrar 90 unidades monetárias em cada título. Imaginem agora que, para o contrato "Percentagem de votos do Partido Socialista nas próximas eleições legislativas", a cotação é 50. Eu não sei bem o que vocês fariam, mas se fosse a vocês Vendia tudo o que tivesse disto em carteira antes que o valor baixe para algo mais realista. E se baixar até 20? Bem, comprem outra vez que é quase certo que vão fazer mais valias.
Logo, não é preciso esperar pelo resultado das eleições para ir realizando capital. Vendendo caro aquilo que comprei barato, vou lucrando. E se houver um contrato especialmente atraente no mercado ("Percentagem de votos da CDU nas próximas eleições legislativas" cotado a 2, por exemplo), reinvisto e sei que tenho alta probabilidade de lucrar. Acompanhando as cotações, comprando contratos cujo valor me pareça baixo (e tenha tendência a subir) e vendendo contratos cujo valor me pareça alto (e tenha tendência a descer), vou realizando ganhos e evitando perdas. Simples.
O resultado final disto é que cada contrato vai ter, ao longo do tempo, cotações que resultam do encontro entre os Vendedores e os Compradores. Quantidades e preços são oferecidos ou pedidos e com isso se fazem os preços de transacção. Essas cotações exprimem, a cada momento, a agregação das expectativas dos participantes no mercado. E cada contrato tem um ranking, onde se mostram os participantes que foram realizando melhores palpites sobre a valorização ou desvalorização dos contratos.
Saber mais? A Wikipedia tem uma entrada que me parece muito boa sobre o tema. Há blogues sobre o assunto: Midas Oracle, Oddhead, Usable Markets e muitos outros. Vários livros: de James Surowieki (The Wisdom of Crowds), Robert Hahn (Information Markets: A New Way of Making Decisions) e do ecléctico Cass Sunstein (Infotopia: How Many Minds Produce Knowledge). E uma revista: The Journal of Prediction Markets.
Mas em Portugal não há, pois não? Bem...
segunda-feira, setembro 14, 2009
Eleições na Alemanha
domingo, setembro 13, 2009
Debate legislativas. Aximage, 12 Setembro, N=200, Tel.
Sócrates: 45,6%
Ferreira Leite: 30,2%
Empate: 24,2%
Intervalo de confiança a 95% (N=200)
Sócrates: 38,7%-52,5%
Ferreira Leite: 23,9%-36,5%
Empate: 18,3%-30,1%
Aqui.
sábado, setembro 12, 2009
Legislativas. Marktest, 4-7 Setembro, N=811, Tel.
PSD: 32,4%
BE: 16,2%
CDU: 6,9%
CDS-PP: 5,2%
OBN: 4%
Em relação ao total da amostra, 32,4% dos inquiridos não sabe em quem votará ou não respondeu, enquanto 3% diz que não votará. Aqui.
sexta-feira, setembro 11, 2009
Legislativas. Eurosondagem, 6-9 Setembro, N=2025, Presencial.
PSD: 32,5%
BE: 9,6%
CDU: 9,4%
CDS-PP: 8%
OBN: 6,9%
19% dos 2025 ter-se-ão manifestado indecisos. Não consigo apurar se alguns terão afirmado que não votariam ou recusado responder.
Pedido de desculpa
Legislativas. CESOP, 4-8 Setembro, N=1281, Pres.
quinta-feira, setembro 10, 2009
Heurística eleitoral
Teaser
1. Olhar para as sondagens. É a mais comum. Mas tem problemas. Por um lado, um dos fenómenos mais comuns quando se analisam as sondagens feitas antes de uma eleição é a existência de uma grande dispersão entre os resultados, mesmo tomando em conta os chamados "house effects", dispersão essa que só diminui à medida que nos aproximamos do próprio dia da eleição. Por outro lado, mesmo essa convergência entre as diferentes sondagens pode ocorrer em torno de valores que, por um enviesamento qualquer ou por fenómenos que ocorram entre o último dia de trabalho de campo e a eleição, acabam por ser diferentes do resultado eleitoral. Foi o que aconteceu, por exemplo, nas últimas europeias.
2. Uma segunda maneira de tentar prever um resultado de uma eleição é construir um modelo que contenha variáveis que se julga poderem contribuir para a explicação de um resultado. Podemos, por exemplo, presumir que a votação num determinado partido é uma função da situação da economia, do tempo em que se encontra no poder, da popularidade do primeiro-ministro, ou outra coisa qualquer que pareça teoricamente relevante e explicativo. Se testarmos esse modelo na base de informação passada e se ele parecer capaz de explicar bem a variância dos resultados e de "prever" bem cada uma das eleições passadas, basta aplicá-lo aos dados presentes e prever o futuro. Podemos também proceder a uma análise da série temporal e nela procurar, mesmo sem preocupações teóricas ou explicativas, padrões recorrentes que nos permitam inferir qual o valor dessa variável num momento posterior. No primeiro caso, estamos a usar um modelo econométrico, tal como os que são usados frequentemente nos Estados Unidos ou aquele que eu e o Luís Aguiar-Conraria fizemos para Portugal. No segundo caso, estamos a usar uma análise de séries temporais. E é cada vez mais comum combinar as duas abordagens, construindo modelos que, ao mesmo tempo, modelam factores explicativos dos resultados a par da sua ciclicidade. O problema, claro, é que, quando se trata de eleições, temos sempre poucas observações. Modelos construídos na base de poucas observações têm de ser parcimoniosos mas acabam, por isso mesmo, por estar frequentemente mal especificados. E ainda por cima, estão frequentemente limitados a prever o resultado de um dado partido (normalmente, o partido de governo).
3. A terceira abordagem consiste em usar os "mercados de previsões". Estes mercados trazem uma abordagem completamente diferente do problema. Agregam informação dispersa pelo eleitorado, dando maior peso a uma minoria de previsões particularmente informadas e introduzindo incentivos que mitigam "cheap talk" e "wishful thinking". Os Iowa Markets, por exemplo, são mercados electrónicos onde se compram e vendem contratos (com dinheiro real) que são desenhados de forma a representarem a probabilidade de vitória de um determinado candidato ou partido ou a percentagem de votos que virá a obter. Os contratos podem ser negociados em qualquer momento da sua vigência, fazendo com que as cotações representem, em cada momento, o consenso dos participantes sobre a melhor estimativa para o resultado eleitoral que o contrato representa. O desempenho dos IEM tem sido notável. Por exemplo, em 2004, em 33 das 34 semanas anteriores às eleições, o valor dos contratos para a percentagem de votos de George Bush esteve a menos de 1% de diferença daquele que veio a ser o resultado final. Desde Setembro de 2006, e quase ininterruptamente até ao dia da eleição presidencial americana em 2008, o IEM previa uma vitória do partido Democrata. Um estudo sobre todas as presidenciais desde 1988 mostra que, a longo-prazo, as cotações dos mercados electrónicos tendem a estar sempre mais perto dos resultados finais do que as sondagens realizadas nos mesmos períodos. E vários estudos mostram mesmo que não há diferenças significativas entre mercados "a dinheiro real" e mercados "fictícios" (play money), desde que, claro, a "reputação" jogue como incentivo nos segundos.
Pois é. Mas em Portugal não há mercados de previsões eleitorais. Ou haverá?
segunda-feira, setembro 07, 2009
Legislativas. Aximage, 1-4 Setembro, N=750, Tel.
PS: 34,5%
PSD: 28,9%
BE: 10,4%
CDS-PP: 8,1%
CDU: 7,8%
"Indecisos": 6%
A soma destes valores corresponde a 95,7%. Os 4,3% que faltam devem corresponder a outros partidos, brancos e nulos. A notícia é omissa sobre qual a percentagem entre os 750 que afirmou que não iria votar. Mas é possível, e tem sido hábito, que a edição em papel do CM traga informação mais completa.
Redistribuindo proporcionalmente os indecisos pelas diferentes opções, ficamos com:
PS: 36,7%
PSD: 30,7%
BE: 11,1%
CDS-PP: 8,6%
CDU: 8,3%
OBN:4,6%
A comparar com a anterior sondagem da Aximage.
sábado, setembro 05, 2009
Lisboa. Marktest, 31 Agosto-2 Setembro, N=502, Tel.
PSD/CDS-PP/PPM/MPT-Pedro Santana Lopes: 32,7%
BE-Luis Fazenda: 9,2%
CDU-Ruben de Carvalho: 7,0%
OBN: 7,3%
Estas intenções de voto (válidos + brancos) foram manifestadas por 315 inquiridos. 32% do total da amostra afirmam "não saber" em quem votariam ou não respondem.
A comparar com sondagens anteriores de Abril (esta e esta), Junho e Julho.
P.S.- Eu preferiria que o Eduardo não falasse (e que não se falasse em geral) de "previsões". Em parte, é por não se distinguir entre "previsões" e "sondagens" que o debate sobre as sondagens Europeias teve os contornos surreais que teve. Sobre o assunto, ver um post que aqui escrevi há quase quatro anos.
P.P.S. - Parece que há dúvidas sobre como se passou nesta sondagem dos resultados brutos para a estimativa. Ora vejamos:
Resultados brutos:
PS-António Costa: 27,6%
PSD/CDS-PP/PPM/MPT-Pedro Santana Lopes: 20,6%
BE-Luis Fazenda: 5,8%
CDU-Ruben de Carvalho: 4,4%
OBN: 4,6%
Não vota: 4,6%
NS/NR: 32,4%
Se tratarmos as respostas NS/NR como abstenção, vamos obter os resultados que estão lá em cima. É prática normal. Há outras alternativas, mas esta é a mais frequentemente adoptada, aqui e na maioria dos outros países (excepto nos EUA, sistema bipartidário onde muitas vezes se redistribuem indecisos de forma equitativa por Republicanos e Democratas).
terça-feira, setembro 01, 2009
Giro, e menos giro
Para além disso, erraram nas sondagens incluídas: faltam a Eurosondagem e a Intercampus.
OK, já me passou.
P.S.- O i vai rectificar. Obrigado.
segunda-feira, agosto 31, 2009
"Modernidade" vs. "os pilares da sociedade"
Bem, mas não será só isso. É natural que o PS se volte para estes temas e que o PSD não esteja propriamente entusiasmado em tê-los na campanha. Tomemos como indicador - certamente parcial - das opiniões sobre estes temas a posição dos eleitores sobre os direitos dos casais formados por pessoas do mesmo sexo. Num inquérito de Outubro de 2008, feito pelo CESOP, perguntava-se aos inquiridos se concordavam com o acesso desses casais ao casamento civil em condições iguais aos dos casais heterossexuais e, em caso negativo, se defendiam a ausência de qualquer reconhecimento legal, a manutenção do regime actual (mero reconhecimento de uniões de facto) ou a possibilidade de uniões civis (sem serem casamentos).
Se tomarmos a última opção, assim como a defesa do casamento, como representando apoio a uma mudança do statu quo, eis como se distribuem os grupos de simpatia partidária:
% de inquiridos que defendem casamento ou união civil entre pessoas do mesmo sexo:
PS: 59%
PSD: 48%
Sem simpatia partidária: 61%
Ou seja: apesar de ambos os partidos estarem divididos, ao introduzir este tema na agenda política, o PS tenta presumivelmente encostar o PSD a uma posição ("conservadora", chamemos-lhe assim) de manutenção do statu quo, que divide os seus simpatizantes, ao passo que defende posição maioritária quer entre os seus simpatizantes quer entre os "independentes".
Claro que uma resposta possível do PSD seria a de, por exemplo, pagar ao PS na mesma moeda e descrevê-lo como "radical" e "extremista" quando defende o "casamento" para pessoas do mesmo sexo, por exemplo. E isto porque, quando voltamos a olhar para os mesmos dados, vemos que o casamento propriamente dito suscita as seguintes reacções:
% de inquiridos que defendem casamento entre pessoas do mesmo sexo:
PS: 47%
PSD: 29%
Sem simpatia partidária: 45%
Assim, quando o assunto é tematizado nestes termos, é o PS, e não o PSD, que parece mais dividido.
Contudo, percebe-se que o PS insista. Outra coisa que era perguntada no mesmo estudo era se "um partido que tenha sobre este assunto uma posição diferente da sua é um partido onde nunca votaria ou poderia, mesmo assim, votar nesse partido". Eis as respostas:
% de inquiridos que afirmam que "nunca votariam" num partido com uma posição diferente da sua neste tema:
PS: 37%
PSD: 47%
Sem simpatia partidária: 37%
Ou seja, parece ser (mesmo que marginalmente) mais fácil para o PSD perder eleitores com a posição "errada" sobre estes assuntos do que para o PS. Já agora, para os eleitores do Bloco e do CDS-PP, os resultados são, previsivelmente, semelhantes aos do PSD: 45 e 48%, respectivamente. Mas BE e CDS-PP não correm riscos de terem posições "erradas" sobre estes assuntos: mais de 70% dos eleitores do BE são a favor do casamento e mais de 80% dos eleitores do CDS-PP são contra. E claro, o PS está também a pensar nos eleitores do Bloco quando coloca o tema no centro da agenda.
Assim, para ou bem ou para mal, parece fazer sentido esperar mais disto até ao dia 27 de Setembro por parte do PS. O PSD é que terá de decidir se alinha ("diluíram-se pilares da sociedade como a família e o casamento") ou não. Não parece muito sensato alinhar e, num sistema puramente bipartidário, o PSD deveria fugir disto como o diabo da cruz. Mas, claro, há o CDS-PP à espreita, etc. O multipartidarismo é mesmo uma coisa complicada.
terça-feira, agosto 25, 2009
Faz favor de não dar estes resultados, sim?
"A um mês das eleições é importante repetir que as sondagens custam muito dinheiro às empresas de Comunicação Social que não podem andar por aí a vender gato por lebre aos seus clientes. A um mês das eleições não vale a pena começarem por aí a inventar isto e aquilo, indecisos para trás e para a frente, altos níveis de abstenção e outras coisas mais para justificarem erros crassos e resultados verdadeiramente enganadores. A um mês das eleições só faltava mesmo que as sondagens começassem a repetir empates técnicos a torto e a direito entre o PS e o PSD. A um mês das eleições Legislativas é perfeitamente legítimo começar, desde já, a desconfiar do que aí vem em matéria de sondagens."
Por outras palavras, ARF considera que as sondagens que vão ser feitas nas próximas semanas devem indicar diferenças estatisticamente significativas entre o PS e o PSD. "Era o que faltava" que não o fizessem. E se o fizerem, estão a vender gato por lebre aos seus clientes. Ora toma. Desta forma, a Aximage, empresa que faz as sondagens para o Correio da Manhã, e Jorge de Sá, o seu director, ficam a saber que resultados são ou não são aceitáveis para um dos "grandes repórteres" do jornal para o qual conduzem sondagens.
sexta-feira, agosto 14, 2009
Acabou a recessão!, que bom, que bom
Saíram os números para o 2º trimestre de 2009. O primeiro-ministro agarra-se aos 0.3% de crescimento do PIB e a oposição agarra-se ao aumento da taxa de desemprego em 0,2 pontos percentuais. Cada um encontrou a sua bóia de salvação. Aconselha-se cautela: ambas as bóias estão furadas.
Comecemos pela taxa de desemprego. Dizem os números que subiu de 8,9% para 9,1%. Logo a oposição culpa o primeiro-ministro por estes números maléficos. O relatório sobre as estatísticas do des(emprego) está disponível online. Lendo o documento, descobrimos que estes números são calculados com base numa amostra. Depois, com base nessa amostra, extrapola-se para a população total. Claro que, mesmo que o procedimento seja feito na perfeição, existe sempre uma margem de erro associada a estas estatísticas. O documento, detalhado como é, dá-nos informação suficiente para calcularmos um intervalo de confiança para a estatística que nos interessa.
Se calcularmos um intervalo de confiança de 95% para a taxa de desemprego, descobrimos que esse intervalo nos diz que a taxa de desemprego se situará entre os 8,6 e os 9,6%. Ou seja, estes números dizem-nos que é perfeitamente possível que a taxa de desemprego tenha diminuído, em vez de ter aumentado. Não é intelectualmente honesto usar este número como arma de arremesso contra o governo.
E a taxa de crescimento do PIB? Passa-se o mesmo, só que aqui é o primeiro-ministro a embandeirar em arco. 0,3% de crescimento face ao trimestre anterior é, com toda a certeza, um valor estatisticamente não significativo. Infelizmente, no INE, não consigo encontrar informação que me permita calcular intervalos de confiança, mas é fácil argumentar por que motivo é perfeitamente possível que o crescimento real tenha sido negativo.
Em primeiro lugar, é prática corrente rever estas estimativas. Por exemplo, a estimativa que saiu sobre a taxa de crescimento no primeiro trimestre deste ano, já foi revista em baixa em 0,2 pontos percentuais. Se uma revisão semelhante for aplica ao segundo semestre, já teremos uma estimativa para a taxa de crescimento de apenas 0,1%. Em segundo lugar, os dados são sazonalmente ajustados (para corrigir o fortíssimo efeito sazonal do Natal). Tal procedimento é puramente estatístico/econométrico e, como tal, tem a ele associado uma margem de erro. Acresce que este é um ano excepcional devido à crise internacional, fazendo com que a queda brutal na produção no 1º trimestre deste ano se confunda com as fortes quedas sazonais associadas ao trimestre que vem depois do Natal. Sendo mais difícil separar os efeitos, a probabilidade de erro é maior. Finalmente, o cálculo do PIB é também uma estimativa com base numa amostra, pelo que os argumentos apresentados relativamente à taxa de desemprego se aplicam, ipsis verbis, à taxa de crescimento do PIB.
É assim perfeitamente possível que a taxa de crescimento do PIB neste trimestre tenha sido negativa, sendo cedo para decretar o fim da recessão. O ministro da finanças, Teixeira dos Santos, como economista sério que é, sabe disto perfeitamente e, provavelmente por isso mesmo, já disse que com base nestes números não podíamos dizer que a crise acabou. Temos de esperar para ver.
Post Scriptum: Entrada publicada em estéreo na Destreza das Dúvidas.
sábado, agosto 01, 2009
Legislativas. Marktest, 23-26 Julho, N=811, Tel.
PSD: 34,2%
BE: 14,3%
CDU: 7,4%
CDS-PP: 4,4%
OBN: 4,2%
Em relação aos 811 inquiridos, 36,7% declinaram responder à pergunta sobre intenção de voto ou afirmaram não saber. Creio que a Marktest abandonou a ponderação dos resultados na base da recordação de voto em 2005. A única ponderação que faz agora consiste em reduzir os votos brancos e nulos a valores mais realistas (os de 2005) do que aqueles que são revelados na amostra.


