Bem, parece que o Trocas de Opinião esteve com problemas de servidor ontem. Hoje, pelos vistos, está tudo resolvido. E aproveitou-se para fazer duas alterações de fundo (para além arranjos gráficos, que vão continuar ao longo do tempo), fruto de vários comentários recebidos aqui, por e-mail e pessoalmente.
1. A partir de hoje, já é possível a um investidor lançar várias ordens de compra sobre um mesmo contrato, ou várias ordens de venda sobre um mesmo contrato (mas não de compra e de venda simultaneamente). A lógica é simples: eu posso querer comprar 200 títulos do contrato A a 25 pontos, mas não me arrisco a comprar mais de 100 a 30. Caso apareça alguém a vender a 29, compro 100, mas não arrisco comprar 200. Mas se me aparecer um belo negócio (a 24) quero certamente tudo o que me aparecer à frente. Isto permite também, esperamos, que lapsos ou tentativas de manipulação (por exemplo, vendas a descoberto de quantidades brutais de títulos a preços de saldo) tenham uma resposta rápida do mercado, mercê da execução imediata de ordens que foram introduzidas para, precisamente, aproveitar essas pechinchas.
2. Há relatos de investidores que lançaram ordens de compra a um determinado valor e que, sem conseguirem comprar, viram o título a ser transaccionado por valores muito mais baixos. Foi introduzida uma correcção no algoritmo para resolver este problema. A partir de hoje, tem prioridade quem oferece mais. Para ordens iguais, critério cronológico.
Para além disto, haverá outras alterações ao longo do tempo, que se esperam ser apenas de visualização e apresentação. Obrigado a todos pelos contributos para esta experiência.
segunda-feira, setembro 21, 2009
domingo, setembro 20, 2009
As sondagens de Setembro
sexta-feira, setembro 18, 2009
Legislativas. Eurosondagem, 13-16 Setembro, N=2048, Presencial.
PS: 34,9%
PSD: 31,6%
BE: 9,6%
CDU: 8,4%
CDS-PP: 8,4%
OBN:7,1%
A notícia fala em 15% de indecisos mas não de abstencionistas. Imaginemos assim que as estimativas anteriores têm como base 1741 inquiridos. Se calcularmos a margem de erro associada à diferença entre duas proporções multinomiais, ela ascende, para PS e PSD, a 3,8 pontos, com 95% de confiança. A vantagem de 3,3 pontos apurada na sondagem está dentro dessa margem de erro. Logo, ao contrário do que é dito na notícia, esta sondagem é um "empate técnico" entre PS e PSD. Desculpem ser tão chatinho.
PSD: 31,6%
BE: 9,6%
CDU: 8,4%
CDS-PP: 8,4%
OBN:7,1%
A notícia fala em 15% de indecisos mas não de abstencionistas. Imaginemos assim que as estimativas anteriores têm como base 1741 inquiridos. Se calcularmos a margem de erro associada à diferença entre duas proporções multinomiais, ela ascende, para PS e PSD, a 3,8 pontos, com 95% de confiança. A vantagem de 3,3 pontos apurada na sondagem está dentro dessa margem de erro. Logo, ao contrário do que é dito na notícia, esta sondagem é um "empate técnico" entre PS e PSD. Desculpem ser tão chatinho.
Legislativas. Intercampus, 12-15 Setembro, N=1024, Presencial
PS: 32,9%
PSD: 29,7%
BE: 12%
CDU: 9,2%
CDS-PP: 7%
OBN: 9,2%
Aqui. Estas estimativas são calculadas em relação a uma base de 834 inquiridos. Neste caso, a diferença entre PS e PSD não é estatisticamente significativa a 95%. Recordo que isto não se apura olhando para a "margem de erro" da sondagem, nem sequer com as margens de erro associadas às estimativas, mas assim.
PSD: 29,7%
BE: 12%
CDU: 9,2%
CDS-PP: 7%
OBN: 9,2%
Aqui. Estas estimativas são calculadas em relação a uma base de 834 inquiridos. Neste caso, a diferença entre PS e PSD não é estatisticamente significativa a 95%. Recordo que isto não se apura olhando para a "margem de erro" da sondagem, nem sequer com as margens de erro associadas às estimativas, mas assim.
O Trocas
É cedo, muito muito cedo. Há ainda poucos investidores. Mas notem a evolução da cotação do PS nas últimas 24 horas no Trocas de Opinião:
Ignoremos, para já a previsão em concreto ou a procura de tendências subjacentes. O que me agrada ver aqui é a forma como o mercado reage a tentativas de manipulação. Subidas ou descidas abruptas das cotações - resultantes, por exemplo, de ordens de compra a 100 ou de venda a 1 - são quase imediatamente seguidas de um reequilíbrio.
Quanto ao resto, é cedo, muito cedo, repito. E isto não passa de uma experiência. Mas aqui ficam as cotações às 12:21:
PS: 38.15
PSD: 33.25
BE: 12
CDU: 8.5
CDS: 8
Isto leva-nos para uma outra discussão sobre as capacidades preditivas dos mercados em comparação com as das sondagens (na medida em que uma sondagem seja uma "previsão", que na verdade não é). É que, com estas cotações, é difícil ignorar o facto de que, naturalmente, os resultados das sondagens são uma das informações agregadas pelo próprio mercado...
A dimensão da amostra
Num comentário, pergunta-se que diferença faz a dimensão de uma amostra. A resposta é porventura mais interessante do que se possa imaginar.
A resposta canónica é que uma amostra maior produzirá estimativas mais precisas. Vamos imaginar um país com 9 milhões de eleitores em quem metade das pessoas vota no partido A e a outra metade no partido B. E para simplificar, que esta gente nunca muda de opinião, aceita sempre responder a sondagens, nunca mente e que se consegue obter uma amostra onde cada um dos eleitores teve exactamente a mesma probabilidade de ser seleccionado. Se eu retirar uma amostra de 100 pessoas, tenho 95% de hipóteses que, na amostra, a percentagem de pessoas que vota no partido A esteja algures entre 40,2 e 59,8%. Mas se retirar uma amostra de 1000 pessoas, vou obter, com a mesma probabilidade, algo ente 46,9 e 53,1%. Todos sabemos que, na prática, as pressuposições que fiz atrás são irrealistas. Mas a verdade é que a maior parte da investigação que existe sobre o assunto, lá fora e até em Portugal, mostra que, ceteris paribus, sondagens que utilizam amostras maiores tendem a gerar resultados que se aproximam mais daqueles que acabam por ser os resultados eleitorais.
Mas imaginem agora que há um mentiroso em cada cinco eleitores do partido A. Gosta de enganar as sondagens, dizendo sempre que vota no partido B quando, afinal, é um indefectível do partido A. Por outras palavras, se perguntássemos aos 9.000.000 em que partido vão votar, só 40% diriam que votariam no partido A (quando, na verdade, metade vai de facto fazê-lo). Feita a sondagem com 1000 inquiridos seleccionados aleatoriamente, há 95% de probabilidades de que estime um resultado para o partido A algures entre os 37 e os 43%. Feita a sondagem com 100 inquiridos seleccionados aleatoriamente, há 95% de probabilidades de que apareça um resultado entre 30,4 e 49,6% para o partido A.
Chega o dia das eleições e, claro, o partido A tem 50% e o partido B idem. E que sondagem ficou mais perto? É quase certo (com 95% de probabilidades) que a sondagem da amostra maior nunca ficará a menos de 7 pontos do resultado final para o partido A. Mas a sondagem dos 100 inquiridos, por mero acaso, pode facilmente ficar bem mais perto. Quem diz "mentir" às sondagens diz taxas de resposta diferenciais, incapacidade de contactar um determinado tipo de eleitorado, etc. Sondagens com amostras maiores dão estimativas mais precisas, e, logo, se houver enviesamentos, estimam-nos mais precisamente.
Foi o LA-C que me pôs a pensar nisto há uns tempos. Espero ter explicado a coisa correctamente.
A resposta canónica é que uma amostra maior produzirá estimativas mais precisas. Vamos imaginar um país com 9 milhões de eleitores em quem metade das pessoas vota no partido A e a outra metade no partido B. E para simplificar, que esta gente nunca muda de opinião, aceita sempre responder a sondagens, nunca mente e que se consegue obter uma amostra onde cada um dos eleitores teve exactamente a mesma probabilidade de ser seleccionado. Se eu retirar uma amostra de 100 pessoas, tenho 95% de hipóteses que, na amostra, a percentagem de pessoas que vota no partido A esteja algures entre 40,2 e 59,8%. Mas se retirar uma amostra de 1000 pessoas, vou obter, com a mesma probabilidade, algo ente 46,9 e 53,1%. Todos sabemos que, na prática, as pressuposições que fiz atrás são irrealistas. Mas a verdade é que a maior parte da investigação que existe sobre o assunto, lá fora e até em Portugal, mostra que, ceteris paribus, sondagens que utilizam amostras maiores tendem a gerar resultados que se aproximam mais daqueles que acabam por ser os resultados eleitorais.
Mas imaginem agora que há um mentiroso em cada cinco eleitores do partido A. Gosta de enganar as sondagens, dizendo sempre que vota no partido B quando, afinal, é um indefectível do partido A. Por outras palavras, se perguntássemos aos 9.000.000 em que partido vão votar, só 40% diriam que votariam no partido A (quando, na verdade, metade vai de facto fazê-lo). Feita a sondagem com 1000 inquiridos seleccionados aleatoriamente, há 95% de probabilidades de que estime um resultado para o partido A algures entre os 37 e os 43%. Feita a sondagem com 100 inquiridos seleccionados aleatoriamente, há 95% de probabilidades de que apareça um resultado entre 30,4 e 49,6% para o partido A.
Chega o dia das eleições e, claro, o partido A tem 50% e o partido B idem. E que sondagem ficou mais perto? É quase certo (com 95% de probabilidades) que a sondagem da amostra maior nunca ficará a menos de 7 pontos do resultado final para o partido A. Mas a sondagem dos 100 inquiridos, por mero acaso, pode facilmente ficar bem mais perto. Quem diz "mentir" às sondagens diz taxas de resposta diferenciais, incapacidade de contactar um determinado tipo de eleitorado, etc. Sondagens com amostras maiores dão estimativas mais precisas, e, logo, se houver enviesamentos, estimam-nos mais precisamente.
Foi o LA-C que me pôs a pensar nisto há uns tempos. Espero ter explicado a coisa correctamente.
Shameless plug

Mais logo, às 18h, no ICS (Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9, junto ao ISCTE e perto da Biblioteca Nacional), o lançamento de um livro e uma mesa-redonda. O livro chama-se "As eleições legislativas e presidenciais, 2005-2006: campanhas e escolhas eleitorais num regime semipresidencial". Foi organizado por mim e pela Marina Costa Lobo. Os capítulos baseiam-se num conjunto de dados recolhidos em 2005 e 2006, sobre a cobertura que os media fizeram das campanhas e - através de dois inquéritos pós-eleitorais - as atitudes e comportamentos dos eleitores. Para além de capítulos escritos por mim e pela Marina, há também capítulos escritos por Braulio Gomez e Irene Palacios, Carlos Jalali, André Freire, Eduardo Cintra Torres, José Santana Pereira e Susana Salgado. Os últimos quatro irão participar também numa mesa-redonda onde falarão daquilo que fizeram neste livro, assim como das eleições que se avizinham.
Legislativas. Aximage, 14-17 Setembro, N=753, Tel.
Resultados com indecisos:
PS: 36,1%
PSD: 29,7%
BE: 10%
CDS-PP: 7,6%
CDU: 7,5%
OBN: 4,8%
Indecisos: 4,3%
Abstenção: 35,7%
Se tratarmos os indecisos como abstencionistas (o que não é feito na sondagem, mas apenas aqui, para tornarmos os resultados das sondagens comparáveis), ficamos com:
PS: 37,7%
PSD: 31,0%
BE: 10,4%
CDS-PP: 7,9%
CDU: 7,8%
OBN: 5,0%
PS: 36,1%
PSD: 29,7%
BE: 10%
CDS-PP: 7,6%
CDU: 7,5%
OBN: 4,8%
Indecisos: 4,3%
Abstenção: 35,7%
Se tratarmos os indecisos como abstencionistas (o que não é feito na sondagem, mas apenas aqui, para tornarmos os resultados das sondagens comparáveis), ficamos com:
PS: 37,7%
PSD: 31,0%
BE: 10,4%
CDS-PP: 7,9%
CDU: 7,8%
OBN: 5,0%
Legislativas. CESOP-UCP, 11-14 Setembro, N=1305, Presencial.
O relatório-síntese pode ser descarregado aqui.
quinta-feira, setembro 17, 2009
Delírio
Os boatos que circulam sobre resultados de sondagens, por vezes mesmo antes dessas sondagens terem sido completadas ou os seus dados analisados, são uma coisa absolutamente delirante. Um dia hei-de vos contar.
Trocas de Opinião
Ora aí está, desde as 12.00h de hoje, o Trocas de Opinião, um mercado electrónico de previsões políticas e sociais com play money. Quem quiser uma introdução sobre como funcionam estas coisas e para que servem pode ir ver posts passados (um sobre as capacidades preditivas dos mercados em geral e no campo eleitoral em particular e outro sobre funcionamento genérico).
Mas melhor ainda é ir ler o que a equipa do Trocas preparou para ajudar os novos investidores: um Guia do Utilizador e um FAQ. A página inicial mostra algumas cotações que resultaram de negociações iniciais entre um conjunto muito pequeno de utilizadores beta. Logo, é muito provável que haja já à partida grandes negócios para fazer, porque as cotações estão muito longe de terem integrado informação suficiente. Mas para isso, e para ver a evolução de cotações de todos os contratos e suas fichas técnicas, é preciso registo. Para os mais sofisticados, há ainda a possibilidade de transaccionar contratos "a descoberto". O FAQ aborda a possibilidade e, lá dentro, na secção Artigos, há um texto que explica o que isto significa.
Quem se registe terá, do lado esquerdo, um menu que permite fazer tudo o que é necessário no mercado: consultar a carteira de títulos de que cada investidor dispõe; listar os contratos existentes no mercado (em resumo ou em detalhe); criar ordens de compra ou venda; ler um extracto com as transações feitas, custos e dinheiro em carteira; rever a história de ordens de compra ou venda (e o estado dessas ordens, se já concretizadas ou aguardando comprador ou vendedor); e consultar as cotações dos contratos. Há também um ranking dos investidores por contrato, ordenado por mais valias realizadas.
O mais importante de tudo é tomar em conta que isto não passa, para já, de uma experiência. E é uma experiência cujo sucesso depende de várias coisas. Em primeiro lugar, de o desenho do mercado e de os algoritmos por detrás das transacções estaram bem concebidos e sem falhas. Suponho que iremos todos descobrir isso ao longo do tempo. E em segundo lugar, esse sucesso depende de...ter sucesso. Um mercado de previsões só produz boas previsões se tiver liquidez e investidores em quantidade suficiente para integrar o máximo de informação. E se alguém quiser distorcer o mercado inflacionando ou deflacionando cotações, essas manipulações geram imediatamente possibilidades de mais valias, que se aproveitadas irão reequilibrar as cotações novamente. Mas isso exige também liquidez e investidores interessados no "lucro".
Mas é uma experiência que tinha de ser feita, e ainda bem que foi. E chegou-me aos ouvidos que não é a única que anda a ser preparada por aí. Se se concretizarem mais coisas, divulgarei aqui também.
Mas melhor ainda é ir ler o que a equipa do Trocas preparou para ajudar os novos investidores: um Guia do Utilizador e um FAQ. A página inicial mostra algumas cotações que resultaram de negociações iniciais entre um conjunto muito pequeno de utilizadores beta. Logo, é muito provável que haja já à partida grandes negócios para fazer, porque as cotações estão muito longe de terem integrado informação suficiente. Mas para isso, e para ver a evolução de cotações de todos os contratos e suas fichas técnicas, é preciso registo. Para os mais sofisticados, há ainda a possibilidade de transaccionar contratos "a descoberto". O FAQ aborda a possibilidade e, lá dentro, na secção Artigos, há um texto que explica o que isto significa.
Quem se registe terá, do lado esquerdo, um menu que permite fazer tudo o que é necessário no mercado: consultar a carteira de títulos de que cada investidor dispõe; listar os contratos existentes no mercado (em resumo ou em detalhe); criar ordens de compra ou venda; ler um extracto com as transações feitas, custos e dinheiro em carteira; rever a história de ordens de compra ou venda (e o estado dessas ordens, se já concretizadas ou aguardando comprador ou vendedor); e consultar as cotações dos contratos. Há também um ranking dos investidores por contrato, ordenado por mais valias realizadas.
O mais importante de tudo é tomar em conta que isto não passa, para já, de uma experiência. E é uma experiência cujo sucesso depende de várias coisas. Em primeiro lugar, de o desenho do mercado e de os algoritmos por detrás das transacções estaram bem concebidos e sem falhas. Suponho que iremos todos descobrir isso ao longo do tempo. E em segundo lugar, esse sucesso depende de...ter sucesso. Um mercado de previsões só produz boas previsões se tiver liquidez e investidores em quantidade suficiente para integrar o máximo de informação. E se alguém quiser distorcer o mercado inflacionando ou deflacionando cotações, essas manipulações geram imediatamente possibilidades de mais valias, que se aproveitadas irão reequilibrar as cotações novamente. Mas isso exige também liquidez e investidores interessados no "lucro".
Mas é uma experiência que tinha de ser feita, e ainda bem que foi. E chegou-me aos ouvidos que não é a única que anda a ser preparada por aí. Se se concretizarem mais coisas, divulgarei aqui também.
quarta-feira, setembro 16, 2009
terça-feira, setembro 15, 2009
O custo do voto, por assim dizer (actualizado)
O Jesus Sanz, um doutorando espanhol aqui no ICS, ficou muito impressionado com o facto dos gastos orçamentados pelos partidos para campanhas eleitorais ser informação pública e facilmente acessível. Segundo me diz, na sua nativa Espanha, não sucede o mesmo.
Vai daí, lembrou-se de calcular o rácio entre as despesas orçamentadas e os votos obtidos nas Europeias, i.e., o "custo" de cada voto para cada partido. Aqui vai, do voto que "ficou mais barato" para o mais caro:
POUS: 13 cêntimos.
PCTP/MRPP: 27 cêntimos.
PH: 29 cêntimos.
PPM: 1 euro e 16 cêntimos.
CDS-PP: 1 euro e 60 cêntimos.
PS: 1 euro e 61 cêntimos.
BE: 1 euro e 90 cêntimos.
PPD-PSD: 1 euro e 95 cêntimos.
CDU: 3 euros e 16 cêntimos.
MPT: 4 euros e 35 cêntimos.
MMS: 6 euros e 93 cêntimos.
MEP: 7 euros e 51 cêntimos.
O MPT orçamentou inicialmente 1.500.500 euros, o que daria, caso tivessem sido realmente gastos, uns espectaculares 64 euros e 8 cêntimos por votante, mas o orçamento rectificativo foi bem mais baixo. MMS e MEP ainda pagaram um almoço de mini-prato a cada um. Para partidos novos, o voto sai caro.
Vai daí, lembrou-se de calcular o rácio entre as despesas orçamentadas e os votos obtidos nas Europeias, i.e., o "custo" de cada voto para cada partido. Aqui vai, do voto que "ficou mais barato" para o mais caro:
POUS: 13 cêntimos.
PCTP/MRPP: 27 cêntimos.
PH: 29 cêntimos.
PPM: 1 euro e 16 cêntimos.
CDS-PP: 1 euro e 60 cêntimos.
PS: 1 euro e 61 cêntimos.
BE: 1 euro e 90 cêntimos.
PPD-PSD: 1 euro e 95 cêntimos.
CDU: 3 euros e 16 cêntimos.
MPT: 4 euros e 35 cêntimos.
MMS: 6 euros e 93 cêntimos.
MEP: 7 euros e 51 cêntimos.
O MPT orçamentou inicialmente 1.500.500 euros, o que daria, caso tivessem sido realmente gastos, uns espectaculares 64 euros e 8 cêntimos por votante, mas o orçamento rectificativo foi bem mais baixo. MMS e MEP ainda pagaram um almoço de mini-prato a cada um. Para partidos novos, o voto sai caro.
"Indecisos"
Na sondagem do CESOP-UCatólica da semana passada, 19% dos inquiridos (234, após ponderação pós-amostral) recusaram a ideia de se irem certamente abster mas disseram não saber em quem tencionam votar no dia 27. Algumas coisas sobre esses "indecisos":
Não sabe se vai votar: 24%
Em princípio vai votar: 30%
De certeza que vai votar: 46%
Homens: 36%
Mulheres: 64%
18-24 anos: 11%
25-34 anos: 24%
35-44 anos: 16%
45-54 anos: 17%
55-64 anos: 15%
65+ anos: 17%
Menos que secundário: 60%
Secundário completo: 26%
Superior: 13%
Não têm simpatia por qualquer partido: 45%
Simpatia pelo PS: 20%
Simpatia pelo PSD: 18%
Simpatia pelo BE: 6%
Simpatia pela CDU/PCP:3%
Simpatia pelo CDS-PP:3%
Ns/Nr: 6%
Sem posição no eixo esquerda-direita: 18%
Posição média no eixo esquerda-direita dos que têm posição: 4,9 numa escala de 0 (esquerda) a 10 (direita)
Avaliação média Louçã: 9,8
Avaliação média Jerónimo: 8,6
Avaliação média Sócrates: 7,7
Avaliação média MFL: 8,4
Avaliação média Portas: 7,8
Tirem as vossas conclusões.
Não sabe se vai votar: 24%
Em princípio vai votar: 30%
De certeza que vai votar: 46%
Homens: 36%
Mulheres: 64%
18-24 anos: 11%
25-34 anos: 24%
35-44 anos: 16%
45-54 anos: 17%
55-64 anos: 15%
65+ anos: 17%
Menos que secundário: 60%
Secundário completo: 26%
Superior: 13%
Não têm simpatia por qualquer partido: 45%
Simpatia pelo PS: 20%
Simpatia pelo PSD: 18%
Simpatia pelo BE: 6%
Simpatia pela CDU/PCP:3%
Simpatia pelo CDS-PP:3%
Ns/Nr: 6%
Sem posição no eixo esquerda-direita: 18%
Posição média no eixo esquerda-direita dos que têm posição: 4,9 numa escala de 0 (esquerda) a 10 (direita)
Avaliação média Louçã: 9,8
Avaliação média Jerónimo: 8,6
Avaliação média Sócrates: 7,7
Avaliação média MFL: 8,4
Avaliação média Portas: 7,8
Tirem as vossas conclusões.
Porto. Marktest, 3-6 Setembro, N=399, Tel.
PSD/CDS-PP (Rui Rio): 44,7%
PS (Elisa Ferreira): 31,1%
CDU (Rui Sá): 9,6%
BE (João Teixeira Lopes): 7,8%
Notícia aqui.
PS (Elisa Ferreira): 31,1%
CDU (Rui Sá): 9,6%
BE (João Teixeira Lopes): 7,8%
Notícia aqui.
Teaser 2
Como funciona um mercado de previsões? Bem, é mais simples do que possa parecer.
Primeiro, para entrar, é preciso capital. Num mercado com dinheiro real, como o Intrade ou os Iowa Markets, abre-se uma conta e deposita-se dinheiro. Mas num mercado com dinheiro fictício, como o Inklingmarkets ou o Mercado de Previsões brasileiro, cada participante registado recebe à partida um montante virtual que depois será usado para investir.
Investir em quê, já agora? Num mercado de previsões, o que se compra ou vende são "contratos" cujo valor final está ligado à concretização de um determinado evento ou a um valor concreto. O primeiro é um contrato "tudo ou nada": o seu valor pode ser interpretado como exprimindo a probabilidade de um determinado evento ocorrer. Se o evento ocorrer, o investidor que tenha esse títulos em carteira obterá, no final, o valor 100 por cada título. Se o evento não ocorrer, receberá 0 (zero). O segundo contrato é um contrato "valor esperado": no final, cada título valerá exactamente aquilo que a realidade ditar como valor real. Exemplos? O contrato "O partido vencedor das próximas eleições legislativas terá apenas uma maioria relativa dos deputados" valerá 100 se o evento acontecer, zero se não ocorrer. O contrato "Percentagem de votos do Partido Socialista nas próximas eleições legislativas" valerá exactamente a percentagem de votos no PS nas eleições de 27 de Setembro. Simples.
Como realizar mais valias num mercado de previsões? Cada contrato tem uma cotação. Imaginem que a cotação de "O partido vencedor das próximas eleições legislativas terá apenas uma maioria relativa dos deputados" é, num determinado momento, 10. Isso significa que, de acordo com as expectativas daqueles que jogaram até ao momento no mercado, expressas nos preços e quantidades de títulos comprados e vendidos, a probabilidade de o partido vencedor nas eleições de 27 de Setembro ter apenas uma maioria relativa é de 10%. Parece-me relativamente óbvio que este título está subavaliado pelo mercado. A probabilidade de uma maioria relativa (em vez de absoluta) é muito maior que 10%. O que devo fazer? Óbvio: Comprar. No dia 27, preparo-me, com alta probabilidade, para lucrar 90 unidades monetárias em cada título. Imaginem agora que, para o contrato "Percentagem de votos do Partido Socialista nas próximas eleições legislativas", a cotação é 50. Eu não sei bem o que vocês fariam, mas se fosse a vocês Vendia tudo o que tivesse disto em carteira antes que o valor baixe para algo mais realista. E se baixar até 20? Bem, comprem outra vez que é quase certo que vão fazer mais valias.
Logo, não é preciso esperar pelo resultado das eleições para ir realizando capital. Vendendo caro aquilo que comprei barato, vou lucrando. E se houver um contrato especialmente atraente no mercado ("Percentagem de votos da CDU nas próximas eleições legislativas" cotado a 2, por exemplo), reinvisto e sei que tenho alta probabilidade de lucrar. Acompanhando as cotações, comprando contratos cujo valor me pareça baixo (e tenha tendência a subir) e vendendo contratos cujo valor me pareça alto (e tenha tendência a descer), vou realizando ganhos e evitando perdas. Simples.
O resultado final disto é que cada contrato vai ter, ao longo do tempo, cotações que resultam do encontro entre os Vendedores e os Compradores. Quantidades e preços são oferecidos ou pedidos e com isso se fazem os preços de transacção. Essas cotações exprimem, a cada momento, a agregação das expectativas dos participantes no mercado. E cada contrato tem um ranking, onde se mostram os participantes que foram realizando melhores palpites sobre a valorização ou desvalorização dos contratos.
Saber mais? A Wikipedia tem uma entrada que me parece muito boa sobre o tema. Há blogues sobre o assunto: Midas Oracle, Oddhead, Usable Markets e muitos outros. Vários livros: de James Surowieki (The Wisdom of Crowds), Robert Hahn (Information Markets: A New Way of Making Decisions) e do ecléctico Cass Sunstein (Infotopia: How Many Minds Produce Knowledge). E uma revista: The Journal of Prediction Markets.
Mas em Portugal não há, pois não? Bem...
Primeiro, para entrar, é preciso capital. Num mercado com dinheiro real, como o Intrade ou os Iowa Markets, abre-se uma conta e deposita-se dinheiro. Mas num mercado com dinheiro fictício, como o Inklingmarkets ou o Mercado de Previsões brasileiro, cada participante registado recebe à partida um montante virtual que depois será usado para investir.
Investir em quê, já agora? Num mercado de previsões, o que se compra ou vende são "contratos" cujo valor final está ligado à concretização de um determinado evento ou a um valor concreto. O primeiro é um contrato "tudo ou nada": o seu valor pode ser interpretado como exprimindo a probabilidade de um determinado evento ocorrer. Se o evento ocorrer, o investidor que tenha esse títulos em carteira obterá, no final, o valor 100 por cada título. Se o evento não ocorrer, receberá 0 (zero). O segundo contrato é um contrato "valor esperado": no final, cada título valerá exactamente aquilo que a realidade ditar como valor real. Exemplos? O contrato "O partido vencedor das próximas eleições legislativas terá apenas uma maioria relativa dos deputados" valerá 100 se o evento acontecer, zero se não ocorrer. O contrato "Percentagem de votos do Partido Socialista nas próximas eleições legislativas" valerá exactamente a percentagem de votos no PS nas eleições de 27 de Setembro. Simples.
Como realizar mais valias num mercado de previsões? Cada contrato tem uma cotação. Imaginem que a cotação de "O partido vencedor das próximas eleições legislativas terá apenas uma maioria relativa dos deputados" é, num determinado momento, 10. Isso significa que, de acordo com as expectativas daqueles que jogaram até ao momento no mercado, expressas nos preços e quantidades de títulos comprados e vendidos, a probabilidade de o partido vencedor nas eleições de 27 de Setembro ter apenas uma maioria relativa é de 10%. Parece-me relativamente óbvio que este título está subavaliado pelo mercado. A probabilidade de uma maioria relativa (em vez de absoluta) é muito maior que 10%. O que devo fazer? Óbvio: Comprar. No dia 27, preparo-me, com alta probabilidade, para lucrar 90 unidades monetárias em cada título. Imaginem agora que, para o contrato "Percentagem de votos do Partido Socialista nas próximas eleições legislativas", a cotação é 50. Eu não sei bem o que vocês fariam, mas se fosse a vocês Vendia tudo o que tivesse disto em carteira antes que o valor baixe para algo mais realista. E se baixar até 20? Bem, comprem outra vez que é quase certo que vão fazer mais valias.
Logo, não é preciso esperar pelo resultado das eleições para ir realizando capital. Vendendo caro aquilo que comprei barato, vou lucrando. E se houver um contrato especialmente atraente no mercado ("Percentagem de votos da CDU nas próximas eleições legislativas" cotado a 2, por exemplo), reinvisto e sei que tenho alta probabilidade de lucrar. Acompanhando as cotações, comprando contratos cujo valor me pareça baixo (e tenha tendência a subir) e vendendo contratos cujo valor me pareça alto (e tenha tendência a descer), vou realizando ganhos e evitando perdas. Simples.
O resultado final disto é que cada contrato vai ter, ao longo do tempo, cotações que resultam do encontro entre os Vendedores e os Compradores. Quantidades e preços são oferecidos ou pedidos e com isso se fazem os preços de transacção. Essas cotações exprimem, a cada momento, a agregação das expectativas dos participantes no mercado. E cada contrato tem um ranking, onde se mostram os participantes que foram realizando melhores palpites sobre a valorização ou desvalorização dos contratos.
Saber mais? A Wikipedia tem uma entrada que me parece muito boa sobre o tema. Há blogues sobre o assunto: Midas Oracle, Oddhead, Usable Markets e muitos outros. Vários livros: de James Surowieki (The Wisdom of Crowds), Robert Hahn (Information Markets: A New Way of Making Decisions) e do ecléctico Cass Sunstein (Infotopia: How Many Minds Produce Knowledge). E uma revista: The Journal of Prediction Markets.
Mas em Portugal não há, pois não? Bem...
segunda-feira, setembro 14, 2009
Eleições na Alemanha
No dia 27 de Setembro haverá outras eleições legislativas: na Alemanha. Para acompanhar as sondagens de lá, nada melhor que esta página do Spiegel Online. Mas quem quiser os números em bruto, pode também ir aqui. As coisas estão com bom ar para uma coligação CDU-CSU/FDP.
domingo, setembro 13, 2009
Debate legislativas. Aximage, 12 Setembro, N=200, Tel.
Quem ganhou o debate?
Sócrates: 45,6%
Ferreira Leite: 30,2%
Empate: 24,2%
Intervalo de confiança a 95% (N=200)
Sócrates: 38,7%-52,5%
Ferreira Leite: 23,9%-36,5%
Empate: 18,3%-30,1%
Aqui.
Sócrates: 45,6%
Ferreira Leite: 30,2%
Empate: 24,2%
Intervalo de confiança a 95% (N=200)
Sócrates: 38,7%-52,5%
Ferreira Leite: 23,9%-36,5%
Empate: 18,3%-30,1%
Aqui.
sábado, setembro 12, 2009
Legislativas. Marktest, 4-7 Setembro, N=811, Tel.
PS: 35,3%
PSD: 32,4%
BE: 16,2%
CDU: 6,9%
CDS-PP: 5,2%
OBN: 4%
Em relação ao total da amostra, 32,4% dos inquiridos não sabe em quem votará ou não respondeu, enquanto 3% diz que não votará. Aqui.
PSD: 32,4%
BE: 16,2%
CDU: 6,9%
CDS-PP: 5,2%
OBN: 4%
Em relação ao total da amostra, 32,4% dos inquiridos não sabe em quem votará ou não respondeu, enquanto 3% diz que não votará. Aqui.
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