segunda-feira, setembro 21, 2009

Indecisos

Numa entrevista ao Correio da Manhã, a líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, faz as seguintes declarações:

"Se eu fosse directora de uma agência de sondagens nunca publicaria uma sondagem a oito dias de eleições dizendo que tinha 30 por cento de indecisos. Diria que não tinha reunido as condições para a publicar. Porque evidentemente uma sondagem com 30 por cento de indecisos significa que qualquer partido, mesmo aquele que na sondagem aparece de todos os outros, pode ganhar as eleições. Não tem nenhum significado uma sondagem dessas. Independentemente disso, na mesma posição relativa que estamos hoje e nas eleições europeias os resultados dariam exactamente o contrário. Eu espero que aconteça o mesmo nas legislativas."

Curiosamente, estas declarações ecoam um artigo de opinião escrito há dias por António Ribeiro Ferreira, precisamente um dos entrevistadores de MFL:

"E lembrar também que há quem não tenha qualquer pejo em publicar sondagens com uma margem de indecisos de 30 %."

A primeira curiosidade que isto me despertou foi a de saber qual a sondagem que tinha sido publicada recentemente e em cuja amostra 30% dos inquiridos tinham declarado não saber em quem iriam votar. Não é esta (15%), nem esta (8,9%), nem esta (4,3%), nem esta (17%). Será então porventura esta, onde cerca de 32% dos inquiridos respondeu "não sabe" ou recusou responder à pergunta sobre em que partido tenciona votar nas próximas eleições. A sondagem foi realizada a 20 dias das eleições, não a oito. E os 32% representam aqueles que se declararam indecisos e aqueles que recusaram responder à pergunta.

Mas deixemos de lado a questão de saber se recusar responder à pergunta deve ser lido como representando "indecisão" (muito duvidoso). Vamos supor que, de facto, perto de uma eleição, há 30% do eleitorado que diz estar indeciso numa sondagem. Significa isto que não estão reunidas as condições para a publicar?

Há três coisas que queria lembrar:

1. A percentagem de "indecisos" varia muito de sondagem para sondagem, e por boas razões. Ela depende muito do universo sobre o qual estamos fazer inferências e do próprio questionário. Por exemplo, se a minha amostra é composta apenas por pessoas que dizem à partida que irão votar (e, logo, o universo sobre o qual se está a fazer uma inferência não é o da totalidade dos eleitores mas apenas dos "votantes prováveis"), é muito natural que a percentagem de indecisos seja mais baixa. Aqui, trata-se apenas de indecisão em torno da opção de voto, não da opção de votar. Pelo contrário, quando a amostra é uma amostra do eleitorado em geral, a percentagem dos que que "não sabem" pode reunir facilmente o que não sabem se irão votar e os que não sabem em quem. O "não sabe", aqui, será sempre mais elevado.

2. Mesmo entre sondagens cujas amostras são extraídas para fazer inferências sobre a generalidade do eleitorado, o questionário fará, muito provavelmente, grande diferença a este nível. Se eu tiver uma "pergunta filtro" onde pergunto às pessoas se vão votar, e se só colocar a pergunta de intenção de voto a quem diz tencionar votar (ou pelo menos a quem não exclui imediatamente esse possibilidade), é muito provável que alguns daqueles que não sabem se irão votar sejam filtrados à partida por essa primeira pergunta. Em princípio, os "indecisos" hão-de ser menos. Pelo contrário, se fizer uma única pergunta sobre intenção de voto, essa pergunta junta nos "não sabe" quer aqueles que estão indecisos sobre a opção de voto quer aqueles que estão indecisos sobre se irão votar.

3. E dito isto, 30% de indecisos seria assim tão "anormal"? Num inquérito pós-eleitoral realizado após as eleições de 2005, coordenado por António Barreto no ICS, cerca de 34% daqueles que afirmaram ter votado nessas eleições disseram que tomaram a sua decisão no último mês antes da eleição. Nos Estados Unidos, a percentagem daqueles que afirmam ter decidido em quem votar na última semana oscilou, nas eleições presidenciais mais recentes, entre 11% (em 2004) e 30,7% (em 1996). Nas eleições americanas mais recentes, as de 2008, as sondagens à boca das urnas mostram que 25% dos votantes decidiram no último mês, e que 10% decidiram na última semana. Uma sondagem em Portugal que indicasse 30% de indecisos a 20 dias das eleições seria uma coisa assim tão exótica e ilegítima? Não creio.

Subjacente a tudo isto está, claro, uma concepção do que é uma "sondagem" que nada tem a ver com aquilo que uma sondagem realmente é, e que ignora que uma sondagem é uma medição, junto de uma amostra de uma população, de atitudes e intenções (e não uma previsão de um resultado eleitoral ou um oráculo que tem de dizer "quem vai ganhar"). E se gastei aqui algum tempo a escrever este post não foi, acreditem, para benefício de António Ribeiro Ferreira. Mas Manuela Ferreira Leite merece que isto lhe seja explicado. E tenho a certeza absoluta que, se isto lhe for explicado, compreenderá.

Trocas 1.1

Bem, parece que o Trocas de Opinião esteve com problemas de servidor ontem. Hoje, pelos vistos, está tudo resolvido. E aproveitou-se para fazer duas alterações de fundo (para além arranjos gráficos, que vão continuar ao longo do tempo), fruto de vários comentários recebidos aqui, por e-mail e pessoalmente.

1. A partir de hoje, já é possível a um investidor lançar várias ordens de compra sobre um mesmo contrato, ou várias ordens de venda sobre um mesmo contrato (mas não de compra e de venda simultaneamente). A lógica é simples: eu posso querer comprar 200 títulos do contrato A a 25 pontos, mas não me arrisco a comprar mais de 100 a 30. Caso apareça alguém a vender a 29, compro 100, mas não arrisco comprar 200. Mas se me aparecer um belo negócio (a 24) quero certamente tudo o que me aparecer à frente. Isto permite também, esperamos, que lapsos ou tentativas de manipulação (por exemplo, vendas a descoberto de quantidades brutais de títulos a preços de saldo) tenham uma resposta rápida do mercado, mercê da execução imediata de ordens que foram introduzidas para, precisamente, aproveitar essas pechinchas.

2. Há relatos de investidores que lançaram ordens de compra a um determinado valor e que, sem conseguirem comprar, viram o título a ser transaccionado por valores muito mais baixos. Foi introduzida uma correcção no algoritmo para resolver este problema. A partir de hoje, tem prioridade quem oferece mais. Para ordens iguais, critério cronológico.

Para além disto, haverá outras alterações ao longo do tempo, que se esperam ser apenas de visualização e apresentação. Obrigado a todos pelos contributos para esta experiência.

domingo, setembro 20, 2009

As sondagens de Setembro


Como sempre, para tornar as sondagens comparáveis, quando não redistribuiram indecisos fui eu próprio que o fiz, tratando-os como abstencionistas. Procurei que o N fosse sempre o efectivo, ou seja, aquele na base do qual as percentagens são estimadas.

sexta-feira, setembro 18, 2009

Legislativas. Eurosondagem, 13-16 Setembro, N=2048, Presencial.

PS: 34,9%
PSD: 31,6%
BE: 9,6%
CDU: 8,4%
CDS-PP: 8,4%
OBN:7,1%

A notícia fala em 15% de indecisos mas não de abstencionistas. Imaginemos assim que as estimativas anteriores têm como base 1741 inquiridos. Se calcularmos a margem de erro associada à diferença entre duas proporções multinomiais, ela ascende, para PS e PSD, a 3,8 pontos, com 95% de confiança. A vantagem de 3,3 pontos apurada na sondagem está dentro dessa margem de erro. Logo, ao contrário do que é dito na notícia, esta sondagem é um "empate técnico" entre PS e PSD. Desculpem ser tão chatinho.

Legislativas. Intercampus, 12-15 Setembro, N=1024, Presencial

PS: 32,9%
PSD: 29,7%
BE: 12%
CDU: 9,2%
CDS-PP: 7%
OBN: 9,2%

Aqui. Estas estimativas são calculadas em relação a uma base de 834 inquiridos. Neste caso, a diferença entre PS e PSD não é estatisticamente significativa a 95%. Recordo que isto não se apura olhando para a "margem de erro" da sondagem, nem sequer com as margens de erro associadas às estimativas, mas assim.

O Trocas

É cedo, muito muito cedo. Há ainda poucos investidores. Mas notem a evolução da cotação do PS nas últimas 24 horas no Trocas de Opinião:
Ignoremos, para já a previsão em concreto ou a procura de tendências subjacentes. O que me agrada ver aqui é a forma como o mercado reage a tentativas de manipulação. Subidas ou descidas abruptas das cotações - resultantes, por exemplo, de ordens de compra a 100 ou de venda a 1 - são quase imediatamente seguidas de um reequilíbrio.
Quanto ao resto, é cedo, muito cedo, repito. E isto não passa de uma experiência. Mas aqui ficam as cotações às 12:21:
PS: 38.15
PSD: 33.25
BE: 12
CDU: 8.5
CDS: 8
Isto leva-nos para uma outra discussão sobre as capacidades preditivas dos mercados em comparação com as das sondagens (na medida em que uma sondagem seja uma "previsão", que na verdade não é). É que, com estas cotações, é difícil ignorar o facto de que, naturalmente, os resultados das sondagens são uma das informações agregadas pelo próprio mercado...

A dimensão da amostra

Num comentário, pergunta-se que diferença faz a dimensão de uma amostra. A resposta é porventura mais interessante do que se possa imaginar.

A resposta canónica é que uma amostra maior produzirá estimativas mais precisas. Vamos imaginar um país com 9 milhões de eleitores em quem metade das pessoas vota no partido A e a outra metade no partido B. E para simplificar, que esta gente nunca muda de opinião, aceita sempre responder a sondagens, nunca mente e que se consegue obter uma amostra onde cada um dos eleitores teve exactamente a mesma probabilidade de ser seleccionado. Se eu retirar uma amostra de 100 pessoas, tenho 95% de hipóteses que, na amostra, a percentagem de pessoas que vota no partido A esteja algures entre 40,2 e 59,8%. Mas se retirar uma amostra de 1000 pessoas, vou obter, com a mesma probabilidade, algo ente 46,9 e 53,1%. Todos sabemos que, na prática, as pressuposições que fiz atrás são irrealistas. Mas a verdade é que a maior parte da investigação que existe sobre o assunto, lá fora e até em Portugal, mostra que, ceteris paribus, sondagens que utilizam amostras maiores tendem a gerar resultados que se aproximam mais daqueles que acabam por ser os resultados eleitorais.

Mas imaginem agora que há um mentiroso em cada cinco eleitores do partido A. Gosta de enganar as sondagens, dizendo sempre que vota no partido B quando, afinal, é um indefectível do partido A. Por outras palavras, se perguntássemos aos 9.000.000 em que partido vão votar, só 40% diriam que votariam no partido A (quando, na verdade, metade vai de facto fazê-lo). Feita a sondagem com 1000 inquiridos seleccionados aleatoriamente, há 95% de probabilidades de que estime um resultado para o partido A algures entre os 37 e os 43%. Feita a sondagem com 100 inquiridos seleccionados aleatoriamente, há 95% de probabilidades de que apareça um resultado entre 30,4 e 49,6% para o partido A.

Chega o dia das eleições e, claro, o partido A tem 50% e o partido B idem. E que sondagem ficou mais perto? É quase certo (com 95% de probabilidades) que a sondagem da amostra maior nunca ficará a menos de 7 pontos do resultado final para o partido A. Mas a sondagem dos 100 inquiridos, por mero acaso, pode facilmente ficar bem mais perto. Quem diz "mentir" às sondagens diz taxas de resposta diferenciais, incapacidade de contactar um determinado tipo de eleitorado, etc. Sondagens com amostras maiores dão estimativas mais precisas, e, logo, se houver enviesamentos, estimam-nos mais precisamente.

Foi o LA-C que me pôs a pensar nisto há uns tempos. Espero ter explicado a coisa correctamente.

Shameless plug


Mais logo, às 18h, no ICS (Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9, junto ao ISCTE e perto da Biblioteca Nacional), o lançamento de um livro e uma mesa-redonda. O livro chama-se "As eleições legislativas e presidenciais, 2005-2006: campanhas e escolhas eleitorais num regime semipresidencial". Foi organizado por mim e pela Marina Costa Lobo. Os capítulos baseiam-se num conjunto de dados recolhidos em 2005 e 2006, sobre a cobertura que os media fizeram das campanhas e - através de dois inquéritos pós-eleitorais - as atitudes e comportamentos dos eleitores. Para além de capítulos escritos por mim e pela Marina, há também capítulos escritos por Braulio Gomez e Irene Palacios, Carlos Jalali, André Freire, Eduardo Cintra Torres, José Santana Pereira e Susana Salgado. Os últimos quatro irão participar também numa mesa-redonda onde falarão daquilo que fizeram neste livro, assim como das eleições que se avizinham.

Legislativas. Aximage, 14-17 Setembro, N=753, Tel.

Resultados com indecisos:
PS: 36,1%
PSD: 29,7%
BE: 10%
CDS-PP: 7,6%
CDU: 7,5%
OBN: 4,8%
Indecisos: 4,3%

Abstenção: 35,7%

Se tratarmos os indecisos como abstencionistas (o que não é feito na sondagem, mas apenas aqui, para tornarmos os resultados das sondagens comparáveis), ficamos com:

PS: 37,7%
PSD: 31,0%
BE: 10,4%
CDS-PP: 7,9%
CDU: 7,8%
OBN: 5,0%

Legislativas. CESOP-UCP, 11-14 Setembro, N=1305, Presencial.

O relatório-síntese pode ser descarregado aqui.

quinta-feira, setembro 17, 2009

Delírio

Os boatos que circulam sobre resultados de sondagens, por vezes mesmo antes dessas sondagens terem sido completadas ou os seus dados analisados, são uma coisa absolutamente delirante. Um dia hei-de vos contar.

Trocas de Opinião

Ora aí está, desde as 12.00h de hoje, o Trocas de Opinião, um mercado electrónico de previsões políticas e sociais com play money. Quem quiser uma introdução sobre como funcionam estas coisas e para que servem pode ir ver posts passados (um sobre as capacidades preditivas dos mercados em geral e no campo eleitoral em particular e outro sobre funcionamento genérico).

Mas melhor ainda é ir ler o que a equipa do Trocas preparou para ajudar os novos investidores: um Guia do Utilizador e um FAQ. A página inicial mostra algumas cotações que resultaram de negociações iniciais entre um conjunto muito pequeno de utilizadores beta. Logo, é muito provável que haja já à partida grandes negócios para fazer, porque as cotações estão muito longe de terem integrado informação suficiente. Mas para isso, e para ver a evolução de cotações de todos os contratos e suas fichas técnicas, é preciso registo. Para os mais sofisticados, há ainda a possibilidade de transaccionar contratos "a descoberto". O FAQ aborda a possibilidade e, lá dentro, na secção Artigos, há um texto que explica o que isto significa.

Quem se registe terá, do lado esquerdo, um menu que permite fazer tudo o que é necessário no mercado: consultar a carteira de títulos de que cada investidor dispõe; listar os contratos existentes no mercado (em resumo ou em detalhe); criar ordens de compra ou venda; ler um extracto com as transações feitas, custos e dinheiro em carteira; rever a história de ordens de compra ou venda (e o estado dessas ordens, se já concretizadas ou aguardando comprador ou vendedor); e consultar as cotações dos contratos. Há também um ranking dos investidores por contrato, ordenado por mais valias realizadas.

O mais importante de tudo é tomar em conta que isto não passa, para já, de uma experiência. E é uma experiência cujo sucesso depende de várias coisas. Em primeiro lugar, de o desenho do mercado e de os algoritmos por detrás das transacções estaram bem concebidos e sem falhas. Suponho que iremos todos descobrir isso ao longo do tempo. E em segundo lugar, esse sucesso depende de...ter sucesso. Um mercado de previsões só produz boas previsões se tiver liquidez e investidores em quantidade suficiente para integrar o máximo de informação. E se alguém quiser distorcer o mercado inflacionando ou deflacionando cotações, essas manipulações geram imediatamente possibilidades de mais valias, que se aproveitadas irão reequilibrar as cotações novamente. Mas isso exige também liquidez e investidores interessados no "lucro".

Mas é uma experiência que tinha de ser feita, e ainda bem que foi. E chegou-me aos ouvidos que não é a única que anda a ser preparada por aí. Se se concretizarem mais coisas, divulgarei aqui também.

terça-feira, setembro 15, 2009

O custo do voto, por assim dizer (actualizado)

O Jesus Sanz, um doutorando espanhol aqui no ICS, ficou muito impressionado com o facto dos gastos orçamentados pelos partidos para campanhas eleitorais ser informação pública e facilmente acessível. Segundo me diz, na sua nativa Espanha, não sucede o mesmo.

Vai daí, lembrou-se de calcular o rácio entre as despesas orçamentadas e os votos obtidos nas Europeias, i.e., o "custo" de cada voto para cada partido. Aqui vai, do voto que "ficou mais barato" para o mais caro:

POUS: 13 cêntimos.
PCTP/MRPP: 27 cêntimos.
PH: 29 cêntimos.
PPM: 1 euro e 16 cêntimos.
CDS-PP: 1 euro e 60 cêntimos.
PS: 1 euro e 61 cêntimos.
BE: 1 euro e 90 cêntimos.
PPD-PSD: 1 euro e 95 cêntimos.
CDU: 3 euros e 16 cêntimos.
MPT: 4 euros e 35 cêntimos.
MMS: 6 euros e 93 cêntimos.
MEP: 7 euros e 51 cêntimos.

O MPT orçamentou inicialmente 1.500.500 euros, o que daria, caso tivessem sido realmente gastos, uns espectaculares 64 euros e 8 cêntimos por votante, mas o orçamento rectificativo foi bem mais baixo. MMS e MEP ainda pagaram um almoço de mini-prato a cada um. Para partidos novos, o voto sai caro.

Uma história da X Legislatura, actualizada


Zoom 1:


Zoom 2:


"Indecisos"

Na sondagem do CESOP-UCatólica da semana passada, 19% dos inquiridos (234, após ponderação pós-amostral) recusaram a ideia de se irem certamente abster mas disseram não saber em quem tencionam votar no dia 27. Algumas coisas sobre esses "indecisos":

Não sabe se vai votar: 24%
Em princípio vai votar: 30%
De certeza que vai votar: 46%

Homens: 36%
Mulheres: 64%

18-24 anos: 11%
25-34 anos: 24%
35-44 anos: 16%
45-54 anos: 17%
55-64 anos: 15%
65+ anos: 17%

Menos que secundário: 60%
Secundário completo: 26%
Superior: 13%

Não têm simpatia por qualquer partido: 45%
Simpatia pelo PS: 20%
Simpatia pelo PSD: 18%
Simpatia pelo BE: 6%
Simpatia pela CDU/PCP:3%
Simpatia pelo CDS-PP:3%
Ns/Nr: 6%

Sem posição no eixo esquerda-direita: 18%
Posição média no eixo esquerda-direita dos que têm posição: 4,9 numa escala de 0 (esquerda) a 10 (direita)

Avaliação média Louçã: 9,8
Avaliação média Jerónimo: 8,6
Avaliação média Sócrates: 7,7
Avaliação média MFL: 8,4
Avaliação média Portas: 7,8

Tirem as vossas conclusões.

Porto. Marktest, 3-6 Setembro, N=399, Tel.

PSD/CDS-PP (Rui Rio): 44,7%
PS (Elisa Ferreira): 31,1%
CDU (Rui Sá): 9,6%
BE (João Teixeira Lopes): 7,8%

Notícia aqui.

Teaser 2

Como funciona um mercado de previsões? Bem, é mais simples do que possa parecer.

Primeiro, para entrar, é preciso capital. Num mercado com dinheiro real, como o Intrade ou os Iowa Markets, abre-se uma conta e deposita-se dinheiro. Mas num mercado com dinheiro fictício, como o Inklingmarkets ou o Mercado de Previsões brasileiro, cada participante registado recebe à partida um montante virtual que depois será usado para investir.

Investir em quê, já agora? Num mercado de previsões, o que se compra ou vende são "contratos" cujo valor final está ligado à concretização de um determinado evento ou a um valor concreto. O primeiro é um contrato "tudo ou nada": o seu valor pode ser interpretado como exprimindo a probabilidade de um determinado evento ocorrer. Se o evento ocorrer, o investidor que tenha esse títulos em carteira obterá, no final, o valor 100 por cada título. Se o evento não ocorrer, receberá 0 (zero). O segundo contrato é um contrato "valor esperado": no final, cada título valerá exactamente aquilo que a realidade ditar como valor real. Exemplos? O contrato "O partido vencedor das próximas eleições legislativas terá apenas uma maioria relativa dos deputados" valerá 100 se o evento acontecer, zero se não ocorrer. O contrato "Percentagem de votos do Partido Socialista nas próximas eleições legislativas" valerá exactamente a percentagem de votos no PS nas eleições de 27 de Setembro. Simples.

Como realizar mais valias num mercado de previsões? Cada contrato tem uma cotação. Imaginem que a cotação de "O partido vencedor das próximas eleições legislativas terá apenas uma maioria relativa dos deputados" é, num determinado momento, 10. Isso significa que, de acordo com as expectativas daqueles que jogaram até ao momento no mercado, expressas nos preços e quantidades de títulos comprados e vendidos, a probabilidade de o partido vencedor nas eleições de 27 de Setembro ter apenas uma maioria relativa é de 10%. Parece-me relativamente óbvio que este título está subavaliado pelo mercado. A probabilidade de uma maioria relativa (em vez de absoluta) é muito maior que 10%. O que devo fazer? Óbvio: Comprar. No dia 27, preparo-me, com alta probabilidade, para lucrar 90 unidades monetárias em cada título. Imaginem agora que, para o contrato "Percentagem de votos do Partido Socialista nas próximas eleições legislativas", a cotação é 50. Eu não sei bem o que vocês fariam, mas se fosse a vocês Vendia tudo o que tivesse disto em carteira antes que o valor baixe para algo mais realista. E se baixar até 20? Bem, comprem outra vez que é quase certo que vão fazer mais valias.

Logo, não é preciso esperar pelo resultado das eleições para ir realizando capital. Vendendo caro aquilo que comprei barato, vou lucrando. E se houver um contrato especialmente atraente no mercado ("Percentagem de votos da CDU nas próximas eleições legislativas" cotado a 2, por exemplo), reinvisto e sei que tenho alta probabilidade de lucrar. Acompanhando as cotações, comprando contratos cujo valor me pareça baixo (e tenha tendência a subir) e vendendo contratos cujo valor me pareça alto (e tenha tendência a descer), vou realizando ganhos e evitando perdas. Simples.

O resultado final disto é que cada contrato vai ter, ao longo do tempo, cotações que resultam do encontro entre os Vendedores e os Compradores. Quantidades e preços são oferecidos ou pedidos e com isso se fazem os preços de transacção. Essas cotações exprimem, a cada momento, a agregação das expectativas dos participantes no mercado. E cada contrato tem um ranking, onde se mostram os participantes que foram realizando melhores palpites sobre a valorização ou desvalorização dos contratos.

Saber mais? A Wikipedia tem uma entrada que me parece muito boa sobre o tema. Há blogues sobre o assunto: Midas Oracle, Oddhead, Usable Markets e muitos outros. Vários livros: de James Surowieki (The Wisdom of Crowds), Robert Hahn (Information Markets: A New Way of Making Decisions) e do ecléctico Cass Sunstein (Infotopia: How Many Minds Produce Knowledge). E uma revista: The Journal of Prediction Markets.

Mas em Portugal não há, pois não? Bem...

segunda-feira, setembro 14, 2009

Eleições na Alemanha

No dia 27 de Setembro haverá outras eleições legislativas: na Alemanha. Para acompanhar as sondagens de lá, nada melhor que esta página do Spiegel Online. Mas quem quiser os números em bruto, pode também ir aqui. As coisas estão com bom ar para uma coligação CDU-CSU/FDP.

domingo, setembro 13, 2009

Debate legislativas. Aximage, 12 Setembro, N=200, Tel.

Quem ganhou o debate?
Sócrates: 45,6%
Ferreira Leite: 30,2%
Empate: 24,2%

Intervalo de confiança a 95% (N=200)
Sócrates: 38,7%-52,5%
Ferreira Leite: 23,9%-36,5%
Empate: 18,3%-30,1%

Aqui.

sábado, setembro 12, 2009

Legislativas. Marktest, 4-7 Setembro, N=811, Tel.

PS: 35,3%
PSD: 32,4%
BE: 16,2%
CDU: 6,9%
CDS-PP: 5,2%
OBN: 4%

Em relação ao total da amostra, 32,4% dos inquiridos não sabe em quem votará ou não respondeu, enquanto 3% diz que não votará. Aqui.

sexta-feira, setembro 11, 2009

Legislativas. Eurosondagem, 6-9 Setembro, N=2025, Presencial.

PS: 33,6%
PSD: 32,5%
BE: 9,6%
CDU: 9,4%
CDS-PP: 8%
OBN: 6,9%

19% dos 2025 ter-se-ão manifestado indecisos. Não consigo apurar se alguns terão afirmado que não votariam ou recusado responder.

Pedido de desculpa

Dei-me conta há minutos que uma sondagem da Marktest para TSF e DE, de cujos resultados já tinha conhecimento detalhado, não foi ainda divulgada por estes órgãos de comunicação social. Infelizmente, pensando que a divulgação já tinha ocorrido, já os tinha colocado aqui. Lamento o sucedido e peço muitas desculpas a todos. Já apaguei o post.

Legislativas. CESOP, 4-8 Setembro, N=1281, Pres.

Os resultados completos podem ser consultados aqui.

P.S- E obrigado ao Eduardo por não lhes chamar "previsão" :)

quinta-feira, setembro 10, 2009

Heurística eleitoral

Diz-se muitas vezes que os eleitores recorrem a pistas simples para tomarem decisões. Em vez de analisarem programas eleitorais, recorrem à sua identificação partidária, à situação económica, ao comportamento e opiniões das pessoas que os rodeiam, etc. Aqui há uns meses, avancei a minha heurística para as próximas autárquicas em Lisboa. Mas se não tivesse essa, usava esta. A minha decisão ficaria igualmente facilitada e chegaria à mesma conclusão. De resto, a minha única curiosidade é saber o que pensa hoje Helena Roseta sobre este assunto e o que pensam os 19.740 lisboetas que nela votaram.

Teaser

Quem quiser saber com antecedência quais vão ser os resultados as próximas legislativas tem três hipóteses:

1. Olhar para as sondagens. É a mais comum. Mas tem problemas. Por um lado, um dos fenómenos mais comuns quando se analisam as sondagens feitas antes de uma eleição é a existência de uma grande dispersão entre os resultados, mesmo tomando em conta os chamados "house effects", dispersão essa que só diminui à medida que nos aproximamos do próprio dia da eleição. Por outro lado, mesmo essa convergência entre as diferentes sondagens pode ocorrer em torno de valores que, por um enviesamento qualquer ou por fenómenos que ocorram entre o último dia de trabalho de campo e a eleição, acabam por ser diferentes do resultado eleitoral. Foi o que aconteceu, por exemplo, nas últimas europeias.

2. Uma segunda maneira de tentar prever um resultado de uma eleição é construir um modelo que contenha variáveis que se julga poderem contribuir para a explicação de um resultado. Podemos, por exemplo, presumir que a votação num determinado partido é uma função da situação da economia, do tempo em que se encontra no poder, da popularidade do primeiro-ministro, ou outra coisa qualquer que pareça teoricamente relevante e explicativo. Se testarmos esse modelo na base de informação passada e se ele parecer capaz de explicar bem a variância dos resultados e de "prever" bem cada uma das eleições passadas, basta aplicá-lo aos dados presentes e prever o futuro. Podemos também proceder a uma análise da série temporal e nela procurar, mesmo sem preocupações teóricas ou explicativas, padrões recorrentes que nos permitam inferir qual o valor dessa variável num momento posterior. No primeiro caso, estamos a usar um modelo econométrico, tal como os que são usados frequentemente nos Estados Unidos ou aquele que eu e o Luís Aguiar-Conraria fizemos para Portugal. No segundo caso, estamos a usar uma análise de séries temporais. E é cada vez mais comum combinar as duas abordagens, construindo modelos que, ao mesmo tempo, modelam factores explicativos dos resultados a par da sua ciclicidade. O problema, claro, é que, quando se trata de eleições, temos sempre poucas observações. Modelos construídos na base de poucas observações têm de ser parcimoniosos mas acabam, por isso mesmo, por estar frequentemente mal especificados. E ainda por cima, estão frequentemente limitados a prever o resultado de um dado partido (normalmente, o partido de governo).

3. A terceira abordagem consiste em usar os "mercados de previsões". Estes mercados trazem uma abordagem completamente diferente do problema. Agregam informação dispersa pelo eleitorado, dando maior peso a uma minoria de previsões particularmente informadas e introduzindo incentivos que mitigam "cheap talk" e "wishful thinking". Os Iowa Markets, por exemplo, são mercados electrónicos onde se compram e vendem contratos (com dinheiro real) que são desenhados de forma a representarem a probabilidade de vitória de um determinado candidato ou partido ou a percentagem de votos que virá a obter. Os contratos podem ser negociados em qualquer momento da sua vigência, fazendo com que as cotações representem, em cada momento, o consenso dos participantes sobre a melhor estimativa para o resultado eleitoral que o contrato representa. O desempenho dos IEM tem sido notável. Por exemplo, em 2004, em 33 das 34 semanas anteriores às eleições, o valor dos contratos para a percentagem de votos de George Bush esteve a menos de 1% de diferença daquele que veio a ser o resultado final. Desde Setembro de 2006, e quase ininterruptamente até ao dia da eleição presidencial americana em 2008, o IEM previa uma vitória do partido Democrata. Um estudo sobre todas as presidenciais desde 1988 mostra que, a longo-prazo, as cotações dos mercados electrónicos tendem a estar sempre mais perto dos resultados finais do que as sondagens realizadas nos mesmos períodos. E vários estudos mostram mesmo que não há diferenças significativas entre mercados "a dinheiro real" e mercados "fictícios" (play money), desde que, claro, a "reputação" jogue como incentivo nos segundos.

Pois é. Mas em Portugal não há mercados de previsões eleitorais. Ou haverá?

segunda-feira, setembro 07, 2009

Legislativas. Aximage, 1-4 Setembro, N=750, Tel.

Resultados tal como apresentados aqui:
PS: 34,5%
PSD: 28,9%
BE: 10,4%
CDS-PP: 8,1%
CDU: 7,8%
"Indecisos": 6%

A soma destes valores corresponde a 95,7%. Os 4,3% que faltam devem corresponder a outros partidos, brancos e nulos. A notícia é omissa sobre qual a percentagem entre os 750 que afirmou que não iria votar. Mas é possível, e tem sido hábito, que a edição em papel do CM traga informação mais completa.

Redistribuindo proporcionalmente os indecisos pelas diferentes opções, ficamos com:
PS: 36,7%
PSD: 30,7%
BE: 11,1%
CDS-PP: 8,6%
CDU: 8,3%
OBN:4,6%

A comparar com a anterior sondagem da Aximage.

sábado, setembro 05, 2009

Lisboa. Marktest, 31 Agosto-2 Setembro, N=502, Tel.

PS-António Costa: 43,8%
PSD/CDS-PP/PPM/MPT-Pedro Santana Lopes: 32,7%
BE-Luis Fazenda: 9,2%
CDU-Ruben de Carvalho: 7,0%
OBN: 7,3%

Estas intenções de voto (válidos + brancos) foram manifestadas por 315 inquiridos. 32% do total da amostra afirmam "não saber" em quem votariam ou não respondem.

A comparar com sondagens anteriores de Abril (esta e esta), Junho e Julho.

P.S.- Eu preferiria que o Eduardo não falasse (e que não se falasse em geral) de "previsões". Em parte, é por não se distinguir entre "previsões" e "sondagens" que o debate sobre as sondagens Europeias teve os contornos surreais que teve. Sobre o assunto, ver um post que aqui escrevi há quase quatro anos.

P.P.S. - Parece que há dúvidas sobre como se passou nesta sondagem dos resultados brutos para a estimativa. Ora vejamos:

Resultados brutos:
PS-António Costa: 27,6%
PSD/CDS-PP/PPM/MPT-Pedro Santana Lopes: 20,6%
BE-Luis Fazenda: 5,8%
CDU-Ruben de Carvalho: 4,4%
OBN: 4,6%
Não vota: 4,6%
NS/NR: 32,4%

Se tratarmos as respostas NS/NR como abstenção, vamos obter os resultados que estão lá em cima. É prática normal. Há outras alternativas, mas esta é a mais frequentemente adoptada, aqui e na maioria dos outros países (excepto nos EUA, sistema bipartidário onde muitas vezes se redistribuem indecisos de forma equitativa por Republicanos e Democratas).

terça-feira, setembro 01, 2009

Giro, e menos giro

O i reproduziu este gráfico na página 17. Ficou giro. Menos giro é não terem dito de onde o tiraram. Dizer que os "dados" foram "recolhidos" pelo "Pedro Magalhães" não basta. Recolher dados é simples, e é, de resto, algo que os jornalistas deviam fazer. Já os gráficos têm autor e um lugar- um blogue - de onde foram tirados. É assim: http://www.margensdeerro.blogspot.com/. Simples. A relação da imprensa com os blogues é que continua complicada.

Para além disso, erraram nas sondagens incluídas: faltam a Eurosondagem e a Intercampus.

OK, já me passou.

P.S.- O i vai rectificar. Obrigado.

segunda-feira, agosto 31, 2009

"Modernidade" vs. "os pilares da sociedade"

O PS parece apostado em descrever o PSD e a sua actual liderança como um partido conservador no plano dos valores. Perante uma audiência "jota", Sócrates disse, segundo o Público, "que portugueses vão escolher entre modernidade ou uma mundivisão retrógrada". Sobre estes assuntos, no programa, o PSD tende a ser omisso. Muitas referências à família "como célula básica da nossa estrutura social", menção com significado claro para quem lê com olhos de ver, mas não há aqui nenhum cavalo de batalha, possivelmente até porque o PSD não considera estes assuntos prioritários para o país.

Bem, mas não será só isso. É natural que o PS se volte para estes temas e que o PSD não esteja propriamente entusiasmado em tê-los na campanha. Tomemos como indicador - certamente parcial - das opiniões sobre estes temas a posição dos eleitores sobre os direitos dos casais formados por pessoas do mesmo sexo. Num inquérito de Outubro de 2008, feito pelo CESOP, perguntava-se aos inquiridos se concordavam com o acesso desses casais ao casamento civil em condições iguais aos dos casais heterossexuais e, em caso negativo, se defendiam a ausência de qualquer reconhecimento legal, a manutenção do regime actual (mero reconhecimento de uniões de facto) ou a possibilidade de uniões civis (sem serem casamentos).

Se tomarmos a última opção, assim como a defesa do casamento, como representando apoio a uma mudança do statu quo, eis como se distribuem os grupos de simpatia partidária:

% de inquiridos que defendem casamento ou união civil entre pessoas do mesmo sexo:
PS: 59%
PSD: 48%
Sem simpatia partidária: 61%

Ou seja: apesar de ambos os partidos estarem divididos, ao introduzir este tema na agenda política, o PS tenta presumivelmente encostar o PSD a uma posição ("conservadora", chamemos-lhe assim) de manutenção do statu quo, que divide os seus simpatizantes, ao passo que defende posição maioritária quer entre os seus simpatizantes quer entre os "independentes".

Claro que uma resposta possível do PSD seria a de, por exemplo, pagar ao PS na mesma moeda e descrevê-lo como "radical" e "extremista" quando defende o "casamento" para pessoas do mesmo sexo, por exemplo. E isto porque, quando voltamos a olhar para os mesmos dados, vemos que o casamento propriamente dito suscita as seguintes reacções:

% de inquiridos que defendem casamento entre pessoas do mesmo sexo:
PS: 47%
PSD: 29%
Sem simpatia partidária: 45%

Assim, quando o assunto é tematizado nestes termos, é o PS, e não o PSD, que parece mais dividido.

Contudo, percebe-se que o PS insista. Outra coisa que era perguntada no mesmo estudo era se "um partido que tenha sobre este assunto uma posição diferente da sua é um partido onde nunca votaria ou poderia, mesmo assim, votar nesse partido". Eis as respostas:

% de inquiridos que afirmam que "nunca votariam" num partido com uma posição diferente da sua neste tema:
PS: 37%
PSD: 47%
Sem simpatia partidária: 37%

Ou seja, parece ser (mesmo que marginalmente) mais fácil para o PSD perder eleitores com a posição "errada" sobre estes assuntos do que para o PS. Já agora, para os eleitores do Bloco e do CDS-PP, os resultados são, previsivelmente, semelhantes aos do PSD: 45 e 48%, respectivamente. Mas BE e CDS-PP não correm riscos de terem posições "erradas" sobre estes assuntos: mais de 70% dos eleitores do BE são a favor do casamento e mais de 80% dos eleitores do CDS-PP são contra. E claro, o PS está também a pensar nos eleitores do Bloco quando coloca o tema no centro da agenda.

Assim, para ou bem ou para mal, parece fazer sentido esperar mais disto até ao dia 27 de Setembro por parte do PS. O PSD é que terá de decidir se alinha ("diluíram-se pilares da sociedade como a família e o casamento") ou não. Não parece muito sensato alinhar e, num sistema puramente bipartidário, o PSD deveria fugir disto como o diabo da cruz. Mas, claro, há o CDS-PP à espreita, etc. O multipartidarismo é mesmo uma coisa complicada.

terça-feira, agosto 25, 2009

Uma história da X Legislatura


Clicar na imagem para ampliar. Para uma explicação do que representa este gráfico, ver aqui.

Faz favor de não dar estes resultados, sim?

Numa crónica publicada ontem no Correio da Manhã, António Ribeiro Ferreira, "grande repórter" do jornal, escreve o seguinte:

"A um mês das eleições é importante repetir que as sondagens custam muito dinheiro às empresas de Comunicação Social que não podem andar por aí a vender gato por lebre aos seus clientes. A um mês das eleições não vale a pena começarem por aí a inventar isto e aquilo, indecisos para trás e para a frente, altos níveis de abstenção e outras coisas mais para justificarem erros crassos e resultados verdadeiramente enganadores. A um mês das eleições só faltava mesmo que as sondagens começassem a repetir empates técnicos a torto e a direito entre o PS e o PSD. A um mês das eleições Legislativas é perfeitamente legítimo começar, desde já, a desconfiar do que aí vem em matéria de sondagens."

Por outras palavras, ARF considera que as sondagens que vão ser feitas nas próximas semanas devem indicar diferenças estatisticamente significativas entre o PS e o PSD. "Era o que faltava" que não o fizessem. E se o fizerem, estão a vender gato por lebre aos seus clientes. Ora toma. Desta forma, a Aximage, empresa que faz as sondagens para o Correio da Manhã, e Jorge de Sá, o seu director, ficam a saber que resultados são ou não são aceitáveis para um dos "grandes repórteres" do jornal para o qual conduzem sondagens.

sexta-feira, agosto 14, 2009

Acabou a recessão!, que bom, que bom

Saíram os números para o 2º trimestre de 2009. O primeiro-ministro agarra-se aos 0.3% de crescimento do PIB e a oposição agarra-se ao aumento da taxa de desemprego em 0,2 pontos percentuais. Cada um encontrou a sua bóia de salvação. Aconselha-se cautela: ambas as bóias estão furadas.

Comecemos pela taxa de desemprego. Dizem os números que subiu de 8,9% para 9,1%. Logo a oposição culpa o primeiro-ministro por estes números maléficos. O relatório sobre as estatísticas do des(emprego) está disponível online. Lendo o documento, descobrimos que estes números são calculados com base numa amostra. Depois, com base nessa amostra, extrapola-se para a população total. Claro que, mesmo que o procedimento seja feito na perfeição, existe sempre uma margem de erro associada a estas estatísticas. O documento, detalhado como é, dá-nos informação suficiente para calcularmos um intervalo de confiança para a estatística que nos interessa.

Se calcularmos um intervalo de confiança de 95% para a taxa de desemprego, descobrimos que esse intervalo nos diz que a taxa de desemprego se situará entre os 8,6 e os 9,6%. Ou seja, estes números dizem-nos que é perfeitamente possível que a taxa de desemprego tenha diminuído, em vez de ter aumentado. Não é intelectualmente honesto usar este número como arma de arremesso contra o governo.

E a taxa de crescimento do PIB? Passa-se o mesmo, só que aqui é o primeiro-ministro a embandeirar em arco. 0,3% de crescimento face ao trimestre anterior é, com toda a certeza, um valor estatisticamente não significativo. Infelizmente, no INE, não consigo encontrar informação que me permita calcular intervalos de confiança, mas é fácil argumentar por que motivo é perfeitamente possível que o crescimento real tenha sido negativo.

Em primeiro lugar, é prática corrente rever estas estimativas. Por exemplo, a estimativa que saiu sobre a taxa de crescimento no primeiro trimestre deste ano, já foi revista em baixa em 0,2 pontos percentuais. Se uma revisão semelhante for aplica ao segundo semestre, já teremos uma estimativa para a taxa de crescimento de apenas 0,1%. Em segundo lugar, os dados são sazonalmente ajustados (para corrigir o fortíssimo efeito sazonal do Natal). Tal procedimento é puramente estatístico/econométrico e, como tal, tem a ele associado uma margem de erro. Acresce que este é um ano excepcional devido à crise internacional, fazendo com que a queda brutal na produção no 1º trimestre deste ano se confunda com as fortes quedas sazonais associadas ao trimestre que vem depois do Natal. Sendo mais difícil separar os efeitos, a probabilidade de erro é maior. Finalmente, o cálculo do PIB é também uma estimativa com base numa amostra, pelo que os argumentos apresentados relativamente à taxa de desemprego se aplicam, ipsis verbis, à taxa de crescimento do PIB.

É assim perfeitamente possível que a taxa de crescimento do PIB neste trimestre tenha sido negativa, sendo cedo para decretar o fim da recessão. O ministro da finanças, Teixeira dos Santos, como economista sério que é, sabe disto perfeitamente e, provavelmente por isso mesmo, já disse que com base nestes números não podíamos dizer que a crise acabou. Temos de esperar para ver.


Post Scriptum: Entrada publicada em estéreo na Destreza das Dúvidas.

sábado, agosto 01, 2009

Legislativas. Marktest, 23-26 Julho, N=811, Tel.

PS: 35,5%
PSD: 34,2%
BE: 14,3%
CDU: 7,4%
CDS-PP: 4,4%
OBN: 4,2%

Em relação aos 811 inquiridos, 36,7% declinaram responder à pergunta sobre intenção de voto ou afirmaram não saber. Creio que a Marktest abandonou a ponderação dos resultados na base da recordação de voto em 2005. A única ponderação que faz agora consiste em reduzir os votos brancos e nulos a valores mais realistas (os de 2005) do que aqueles que são revelados na amostra.

sexta-feira, julho 31, 2009

Legislativas. Eurosondagem, 23-28 Julho, N= 1036, Tel.

PS: 33,0%
PSD: 31,1%
BE: 10,0%
CDU: 9,4%
CDS-PP: 8,5%
OBN: 8%

Em relação aos 1036 inquiridos, a percentagem daqueles que afirmou não saber ou recusou responder à pergunta de intenção de voto foi de 22,8%. Aqui.

quinta-feira, julho 30, 2009

O caso das sondagens pagas pelo Eliseu

Analisado em detalhe no Le Monde, aqui. A história resume-se rapidamente: o Tribunal de Contas apurou que a presidência pagou sondagens que depois foram publicadas no Figaro. A empresa, Opinion Way, defende-se.

sexta-feira, julho 10, 2009

Um passo

"O Conselho Regulador da ERC deliberou ainda constituir uma comissão para efectuar um diagnóstico sobre a situação das sondagens e de apresentar sugestões sobre as medidas a adoptar. Essa comissão será constituída por Vidal de Oliveira, especialista em sondagens, Helena Nicolau, professora da Faculdade de Ciências de Lisboa, e Fernando Cascais, presidente do CENJOR."

Estes romanos são loucos

No dia 21 e 22 de Junho passados, os italianos votaram num referendo com três questões. Ei-las:

1ª questão: "Volete voi che sia abrogato il Decreto del Presidente della Repubblica 30 marzo 1957, n. 361, nel testo risultante per effetto di modificazioni ed integrazioni successive, titolato “Approvazione del testo unico delle leggi recanti norme per la elezione della Camera dei Deputati”, limitatamente alle seguenti parti:
art. 14-bis, comma 1: “I partiti o i gruppi politici organizzati possono effettuare il collegamento in una coalizione delle liste da essi rispettivamente presentate. Le dichiarazioni di collegamento debbono essere reciproche.”;
art. 14-bis, comma 2: “La dichiarazione di collegamento è effettuata contestualmente al deposito del contrassegno di cui all’articolo 14. Le dichiarazioni di collegamento hanno effetto per tutte le liste aventi lo stesso contrassegno.”;
art. 14-bis, comma 3, limitatamente alle parole: “I partiti o i gruppi politici organizzati tra loro collegati in coalizione che si candidano a governare depositano un unico programma elettorale nel quale dichiarano il nome e cognome della persona da loro indicata come unico capo della coalizione.”;
art. 14-bis, comma 4, limitatamente alle parole “1, 2 e”;
art. 14-bis, comma 5, limitatamente alle parole: “dei collegamenti ammessi”;
art. 18-bis, comma 2, limitatamente alle parole: “Nessuna sottoscrizione è altresì richiesta per i partiti o gruppi politici che abbiano effettuato le dichiarazioni di collegamento ai sensi dell’art. 14-bis, comma 1, con almeno due partiti o gruppi politici di cui al primo periodo e abbiano conseguito almeno un seggio in occasione delle ultime elezioni per il Parlamento europeo, con contrassegno identico a quello depositato ai sensi dell’art. 14.”;
art. 24, numero 2), limitatamente alle parole: “alle coalizioni e”;
art. 24, numero 2), limitatamente alle parole: “non collegate”;
art. 24, numero 2), limitatamente alle parole: “, nonché per ciascuna coalizione, l’ordine dei contrassegni delle liste della coalizione”;
art. 31, comma 2, limitatamente alle parole: “delle liste collegate appartenenti alla stessa coalizione”;
art. 31, comma 2, limitatamente alle parole: “di seguito, in linea orizzontale, uno accanto all’altro, su un’unica riga”;
art. 31, comma 2, limitatamente alle parole: “delle coalizioni e”;
art. 31, comma 2, limitatamente alle parole: “non collegate”;
art. 31, comma 2, limitatamente alle parole: “di ciascuna coalizione”;
art. 83, comma 1, numero 2): “2) determina poi la cifra elettorale nazionale di ciascuna coalizione di liste collegate, data dalla somma delle cifre elettorali nazionali di tutte le liste che compongono la coalizione stessa, nonché la cifra elettorale nazionale delle liste non collegate ed individua quindi la coalizione di liste o la lista non collegata che ha ottenuto il maggior numero di voti validi espressi;”;
art. 83, comma 1, numero 3), lettera a): “a) le coalizioni di liste che abbiano conseguito sul piano nazionale almeno il 10 per cento dei voti validi espressi e che contengano almeno una lista collegata che abbia conseguito sul piano nazionale almeno il 2 per cento dei voti validi espressi ovvero una lista collegata rappresentativa di minoranze linguistiche riconosciute, presentata esclusivamente in una delle circoscrizioni comprese in regioni il cui statuto speciale prevede una particolare tutela di tali minoranze linguistiche, che abbia conseguito almeno il 20 per cento dei voti validi espressi nella circoscrizione;”;
art. 83, comma 1, numero 3), lettera b), limitatamente alle parole, ovunque ricorrono: “non collegate”;
art. 83, comma 1, numero 3), lettera b), limitatamente alle parole: “, nonché le liste delle coalizioni che non hanno superato la percentuale di cui alla lettera a) ma che abbiano conseguito sul piano nazionale almeno il 4 per cento dei voti validi espressi ovvero che siano rappresentative di minoranze linguistiche riconosciute, presentate esclusivamente in una delle circoscrizioni comprese in regioni il cui statuto speciale prevede una particolare tutela di tali minoranze linguistiche, che abbiano conseguito almeno il 20 per cento dei voti validi espressi nella circoscrizione”;
art. 83, comma 1, numero 4), limitatamente alle parole: “le coalizioni di liste di cui al numero 3), lettera a), e”;
art. 83, comma 1, numero 4), limitatamente alle parole, ovunque ricorrono: “coalizione di liste o”;
art. 83, comma 1, numero 4), limitatamente alle parole: “coalizioni di liste o”;
art. 83, comma 1, numero 5), limitatamente alle parole: “la coalizione di liste o”;
art. 83, comma l, numero 6): “6) individua quindi, nell’àmbito di ciascuna coalizione di liste collegate di cui al numero 3), lettera a), le liste che abbiano conseguito sul piano nazionale almeno il 2 per cento dei voti validi espressi e le liste rappresentative di minoranze linguistiche riconosciute, presentate esclusivamente in una delle circoscrizioni comprese in regioni il cui statuto speciale prevede una particolare tutela di tali minoranze linguistiche, che abbiano conseguito almeno il 20 per cento dei voti validi espressi nella circoscrizione, nonché la lista che abbia ottenuto la maggiore cifra elettorale nazionale tra quelle che non hanno conseguito sul piano nazionale almeno il 2 per cento dei voti validi espressi;”;
art. 83, comma 1, numero 7): “7) qualora la verifica di cui al numero 5) abbia dato esito positivo, procede, per ciascuna coalizione di liste, al riparto dei seggi in base alla cifra elettorale nazionale di ciascuna lista di cui al numero 6). A tale fine, per ciascuna coalizione di liste, divide la somma delle cifre elettorali nazionali delle liste ammesse al riparto di cui al numero 6) per il numero di seggi già individuato ai sensi del numero 4). Nell’effettuare tale divisione non tiene conto dell’eventuale parte frazionaria del quoziente così ottenuto. Divide poi la cifra elettorale nazionale di ciascuna lista ammessa al riparto per tale quoziente. La parte intera del quoziente così ottenuta rappresenta il numero dei seggi da assegnare a ciascuna lista. I seggi che rimangono ancora da attribuire sono rispettivamente assegnati alle liste per le quali queste ultime divisioni hanno dato i maggiori resti e, in caso di parità di resti, alle liste che abbiano conseguito la maggiore cifra elettorale nazionale; a parità di quest’ultima si procede a sorteggio. A ciascuna lista di cui al numero 3), lettera b), sono attribuiti i seggi già determinati ai sensi del numero 4);”;
art. 83, comma 1, numero 8), limitatamente alle parole: “varie coalizioni di liste o”;
art. 83, comma 1, numero 8), limitatamente alle parole: “per ciascuna coalizione di liste, divide il totale delle cifre elettorali circoscrizionali di tutte le liste che la compongono per il quoziente elettorale nazionale di cui al numero 4), ottenendo così l’indice relativo ai seggi da attribuire nella circoscrizione alle liste della coalizione medesima. Analogamente,”;
art. 83, comma 1, numero 8), limitatamente alle parole, ovunque ricorrono: “coalizione di liste o”;
art. 83, comma 1, numero 8), limitatamente alle parole, ovunque ricorrono: “coalizioni di liste o”;
art. 83, comma 1, numero 8), limitatamente alle parole: “coalizioni o”;
art. 83, comma 1, numero 9): “9) salvo quanto disposto dal comma 2, l’Ufficio procede quindi all’attribuzione nelle singole circoscrizioni dei seggi spettanti alle liste di ciascuna coalizione. A tale fine, determina il quoziente circoscrizionale di ciascuna coalizione di liste dividendo il totale delle cifre elettorali circoscrizionali delle liste di cui al numero 6) per il numero di seggi assegnati alla coalizione nella circoscrizione ai sensi del numero 8). Nell’effettuare tale divisione non tiene conto dell’eventuale parte frazionaria del quoziente. Divide quindi la cifra elettorale circoscrizionale di ciascuna lista della coalizione per tale quoziente circoscrizionale. La parte intera del quoziente così ottenuta rappresenta il numero dei seggi da assegnare a ciascuna lista. I seggi che rimangono ancora da attribuire sono assegnati alle liste seguendo la graduatoria decrescente delle parti decimali dei quozienti così ottenuti; in caso di parità, sono attribuiti alle liste con la maggiore cifra elettorale circoscrizionale; a parità di quest’ultima, si procede a sorteggio. Successivamente l’Ufficio accerta se il numero dei seggi assegnati in tutte le circoscrizioni a ciascuna lista corrisponda al numero dei seggi ad essa attribuito ai sensi del numero 7). In caso negativo, procede alle seguenti operazioni, iniziando dalla lista che abbia il maggior numero di seggi eccedenti, e, in caso di parità di seggi eccedenti da parte di più liste, da quella che abbia ottenuto la maggiore cifra elettorale nazionale, proseguendo poi con le altre liste, in ordine decrescente di seggi eccedenti: sottrae i seggi eccedenti alla lista in quelle circoscrizioni nelle quali essa li ha ottenuti con le parti decimali dei quozienti, secondo il loro ordine crescente e nelle quali inoltre le liste, che non abbiano ottenuto il numero di seggi spettanti, abbiano parti decimali dei quozienti non utilizzate. Conseguentemente, assegna i seggi a tali liste. Qualora nella medesima circoscrizione due o più liste abbiano le parti decimali dei quozienti non utilizzate, il seggio è attribuito alla lista con la più alta parte decimale del quoziente non utilizzata. Nel caso in cui non sia possibile fare riferimento alla medesima circoscrizione ai fini del completamento delle operazioni precedenti, fino a concorrenza dei seggi ancora da cedere, alla lista eccedentaria vengono sottratti i seggi in quelle circoscrizioni nelle quali li ha ottenuti con le minori parti decimali del quoziente di attribuzione e alle liste deficitarie sono conseguentemente attribuiti seggi in quelle altre circoscrizioni nelle quali abbiano le maggiori parti decimali del quoziente di attribuzione non utilizzate.”;
art. 83, comma 2, limitatamente alle parole: “la coalizione di liste o”;
art. 83, comma 2, limitatamente alle parole: “coalizione di liste o”;
art. 83, comma 2, limitatamente alle parole: “di tutte le liste della coalizione o”;
art. 83, comma 3, limitatamente alle parole: “coalizioni di liste e”;
art. 83, comma 3, limitatamente alle parole, ovunque ricorrono: “coalizione di liste o”;
art. 83, comma 3, limitatamente alle parole: “coalizioni di liste o”;
art. 83, comma 4: “L’Ufficio procede poi, per ciascuna coalizione di liste, al riparto dei seggi ad essa spettanti tra le relative liste ammesse al riparto. A tale fine procede ai sensi del comma 1, numero 7), periodi secondo, terzo, quarto, quinto, sesto e settimo.”;
art. 83, comma 5, limitatamente alle parole: “numero 6),”;
art. 83, comma 5, limitatamente alle parole: “e 9)”;
art. 83, comma 5, limitatamente alle parole: “coalizione di liste o”;
art. 83, comma 5, limitatamente alle parole: “coalizioni di liste o”;
art. 84, comma 3: “Qualora al termine delle operazioni di cui al comma 2, residuino ancora seggi da assegnare alla lista in una circoscrizione, questi sono attribuiti, nell’àmbito della circoscrizione originaria, alla lista facente parte della medesima coalizione della lista deficitaria che abbia la maggiore parte decimale del quoziente non utilizzata, procedendo secondo un ordine decrescente. Qualora al termine di detta operazione residuino ancora seggi da assegnare alla lista, questi sono attribuiti, nelle altre circoscrizioni, alla lista facente parte della medesima coalizione della lista deficitaria che abbia la maggiore parte decimale del quoziente già utilizzata, procedendo secondo un ordine decrescente.”;
art. 84, comma 4, limitatamente alle parole: “e 3”;
art. 86, comma 2, limitatamente alle parole: “, 3”?».

2ª questão: "Volete voi che sia abrogato il Decreto legislativo 20 dicembre 1993, n. 533, nel testo risultante per effetto di modificazioni ed integrazioni successive, titolato “Testo unico delle leggi recanti norme per l’elezione del Senato della Repubblica”, limitatamente alle seguenti parti:

art. 1, comma 2, limitatamente alle parole: "di coalizione";
art. 9, comma 3, limitatamente alle parole: "Nessuna sottoscrizione è altresì richiesta per i partiti o gruppi politici che abbiano effettuato le dichiarazioni di collegamento ai sensi dell'art. 14-bis, comma 1, del testo unico delle leggi recanti norme per la elezione della Camera dei deputati, di cui al decreto del Presidente della Repubblica 30 marzo 1957, n. 361, con almeno due partiti o gruppi politici di cui al primo periodo del presente comma e abbiano conseguito almeno un seggio in occasione delle ultime elezioni per il Parlamento europeo, con contrassegno identico a quello depositato ai sensi dell'art. 14 del citato testo unico di cui al decreto del Presidente della Repubblica n. 361 del 1957.";
art. 11, comma 1, lettera a), limitatamente alle parole: "alle coalizioni e";
art. 11, comma 1, lettera a), limitatamente alle parole: "non collegate";
art. 11, comma 1, lettera a), limitatamente alle parole: ", nonché, per ciascuna coalizione, l'ordine dei contrassegni delle liste della coalizione";
art. 11, comma 3, limitatamente alle parole: "delle liste collegate appartenenti alla stessa coalizione";
art. 11, comma 3, limitatamente alle parole: "di seguito, in linea orizzontale, uno accanto all'altro, su un'unica riga";
art. 11, comma 3, limitatamente alle parole: "delle coalizioni e";
art. 11, comma 3, limitatamente alle parole: "non collegate";
art. 11, comma 3, limitatamente alle parole: "di ciascuna coalizione";
art. 16, comma 1, lettera a), limitatamente alle parole: ". Determina inoltre la cifra elettorale circoscrizionale di ciascuna coalizione di liste, data dalla somma delle cifre elettorali circoscrizionali di tutte le liste che la compongono";
art. 16, comma 1, lettera b), numero 1): “1) le coalizioni di liste che abbiano conseguito sul piano regionale almeno il 20 per cento dei voti validi espressi e che contengano almeno una lista collegata che abbia conseguito sul piano regionale almeno il 3 per cento dei voti validi espressi;”;
art. 16, comma 1, lettera b), numero 2), limitatamente alle parole: "non collegate";
art. 16, comma 1, lettera b), numero 2), limitatamente alle parole: "nonché le liste che, pur appartenendo a coalizioni che non hanno superato la percentuale di cui al numero 1), abbiano conseguito sul piano regionale almeno l'8 per cento dei voti validi espressi";
art. 17, comma 1, limitatamente alle parole: "le coalizioni di liste e";
art. 17, comma 1, limitatamente alle parole: "coalizioni di liste o";
art. 17, comma 1, limitatamente alle parole, ovunque ricorrono: "coalizione di liste o";
art. 17, comma 2, limitatamente alle parole: "la coalizione di liste o";
art. 17, comma 3: “Nel caso in cui la verifica di cui al comma 2 abbia dato esito positivo, l'ufficio elettorale regionale individua, nell'àmbito di ciascuna coalizione di liste collegate di cui all'articolo 16, comma 1, lettera b), numero 1), le liste che abbiano conseguito sul piano circoscrizionale almeno il 3 per cento dei voti validi espressi. Procede quindi, per ciascuna coalizione di liste, al riparto, tra le liste ammesse, dei seggi determinati ai sensi del comma 1. A tale fine, per ciascuna coalizione di liste, divide la somma delle cifre elettorali circoscrizionali delle liste ammesse al riparto per il numero di seggi già individuato ai sensi del comma 1, ottenendo così il relativo quoziente elettorale di coalizione. Nell'effettuare tale divisione non tiene conto dell'eventuale parte frazionaria del quoziente. Divide poi la cifra elettorale circoscrizionale di ciascuna lista ammessa al riparto per il quoziente elettorale di coalizione. La parte intera del quoziente così ottenuta rappresenta il numero dei seggi da assegnare a ciascuna lista. I seggi che rimangono ancora da attribuire sono rispettivamente assegnati alle liste per le quali queste ultime divisioni hanno dato i maggiori resti e, in caso di parità di resti, alle liste che abbiano conseguito la maggiore cifra elettorale circoscrizionale; a parità di quest'ultima si procede a sorteggio. A ciascuna lista di cui all'articolo 16, comma 1, lettera b), numero 2), sono attribuiti i seggi già determinati ai sensi del comma 1.”;
art. 17, comma 4, limitatamente alle parole: "alla coalizione di liste o";
art. 17, comma 5, limitatamente alle parole, ovunque ricorrono: "coalizioni di liste o";
art. 17, comma 5, limitatamente alle parole, ovunque ricorrono: "coalizione di liste o";
art. 17, comma 5, limitatamente alle parole: "alle coalizioni di liste e";
art. 17, comma 6: “Per ciascuna coalizione l'ufficio procede al riparto dei seggi ad essa spettanti ai sensi dei commi 4 e 5. A tale fine, per ciascuna coalizione di liste, divide il totale delle cifre elettorali circoscrizionali delle liste ammesse al riparto ai sensi dell'articolo 16, comma 1, lettera b), numero 1), per il numero dei seggi ad essa spettanti. Nell'effettuare tale divisione non tiene conto dell'eventuale parte frazionaria del quoziente così ottenuto. Divide poi la cifra elettorale circoscrizionale di ciascuna lista per quest'ultimo quoziente. La parte intera del risultato così ottenuto rappresenta il numero dei seggi da attribuire a ciascuna lista. I seggi che rimangono ancora da attribuire sono rispettivamente assegnati alla lista per la quale queste ultime divisioni abbiano dato i maggiori resti e, in caso di parità di resti, a quelle che abbiano conseguito la maggiore cifra elettorale circoscrizionale.”;
art. 17, comma 8: “Qualora una lista abbia esaurito il numero dei candidati presentati nella circoscrizione regionale e non sia quindi possibile attribuire tutti i seggi ad essa spettanti, l'ufficio elettorale regionale assegna i seggi alla lista facente parte della medesima coalizione della lista deficitaria che abbia la maggiore parte decimale del quoziente non utilizzata, procedendo secondo un ordine decrescente. Qualora due o più liste abbiano una uguale parte decimale del quoziente, si procede mediante sorteggio.”;
art. 17-bis, limitatamente alle parole: “e 6”;
art. 19, comma 2: “Qualora la lista abbia esaurito il numero dei candidati presentati in una circoscrizione e non sia quindi possibile attribuirle il seggio rimasto vacante, questo è attribuito, nell'àmbito della stessa circoscrizione, ai sensi dell'articolo 17, comma 8."»

3ª questão: " Volete voi che sia abrogato il Decreto del Presidente della Repubblica 30 marzo 1957, n. 361, nel testo risultante per effetto di modificazioni ed integrazioni successive, titolato “Approvazione del testo unico delle leggi recanti norme per la elezione della Camera dei Deputati”, limitatamente alle seguenti parti: art. 19, limitatamente alle parole: “nella stessa”; art. 85."


O sim ganhou nas três questões. Mas a abstenção foi 77%. Por não ter atingido o quórum de 50%, os resultados são inválidos.

Conclusões:

1. Há sistemas políticos ainda piores que o nosso.
2. 23% da população italiana com 18 ou mais anos é composta por juristas.

(Obrigado ao Andrés pela experiência inolvidável de olhar para um boletim de voto destes).

Porto. IPOM, 16-19 Junho, N=797, Tel.

PSD/CDS-PP: 55,2%
PS: 23,5%
CDU: 9,2%
BE: 8,1%
OBN: 4,1%

Esta é a terceira sondagem publicada sobre as autárquicas do Porto, que eu conheça. Nas três, a diferença entre Rio e Elisa é sempre ampla e significativa. Mas nas duas pós-Europeias a diferença é muito maior.

Obrigado ao Gabriel e ao João.

Grande Porto

Desculpem a ignorância, mas o Grande Porto tem site? Já publicou duas sondagens, mas não consigo saber os pormenores (amostra, instituto, etc.). Alguém ajuda?

Legislativas. Aximage, 1-3 e 6 de Julho, N=749, Tel.

PS: 30,5%
PSD: 30,3%
BE: 13,3%
CDU: 9,5%
CDS-PP: 6,1%

O total é 89,7%. A notícia na net não distingue os restantes 10,3% em indecisos e OBN, mas é possível que a notícia em papel o faça.

quarta-feira, julho 08, 2009

Contribuições para o debate sobre o sistema eleitoral português

Na Indonésia, o Presidente Susilo Bambang Yudhoyono parece ter sido reeleito. Numa das notícias, explica-se que, segundo a lei eleitoral indonésia, os candidatos, depois de registarem as suas candidaturas junto da Comissão Nacional de Eleições, são sujeitos a uma bateria de exames físicos e psicológicos no hospital do Exército, incluindo a aplicação do Minnesota Multiphasix Personality Inventory, um teste destinado a detectar sintomas de hipocondria, depressão, histeria, paranóia e esquizofrenia.

Atalhos informacionais

Pegando nos dados dos inquérito sobre Lisboa feito pelo CESOP, é possível testar os efeitos de alguns atributos dos eleitores nas suas actuais intenções de voto. Foi o que fiz, numa análise muito rough and ready (faltam variáveis de controlo potencialmente importantes, tais como ideologia, id. partidária, etc.). A pergunta é: que aspectos ajudam mais a distinguir aqueles que tencionam votar Santana Lopes dos que tencionam votar António Costa? Usei uma regressão logística, com voto em Costa codificado como 0 e PSL como 1.

Instrução, sexo e idade são irrelevantes. Curioso, mas não surpreende quando a escolha é apenas entre PS e a direita. O coeficiente associado à instrução é positivo (mais instrução, maior propensão para votar PSL em vez de Costa na amostra) mas não é significativo com p<0,05. Obviamente, a avaliação da actuação de António Costa é o factor determinante, mas é um indicador, em si mesmo, demasiado "próximo" do voto, sendo provavelmente mais instrutivo retirar a variável do modelo. E o mais interessante é que, quando o fazemos, verificamos de que forma a percepção dos problemas da cidade afectam a opção Costa vs. PSL. E são duas, e só duas, as percepções relevantes para distiguir estes dois grupos de eleitores: criminalidade e sujidade das ruas e dos espaços verdes. Quanto maior a gravidade apercebida destes problemas, maior a propensão para votar PSL em vez de Costa.

Quando os grupos comparados são aqueles que tencionam votar em Costa (0) vs. os que tencionam votar num qualquer outro partido (1), a questão da criminalidade deixa de ser significativa. É, portanto, um factor que joga mais na escolha entre Costa e a coligação de direita do que na opção genérica "incumbent" vs. oposição. Mas a questão da sujidade das ruas e espaços verdes permanece (e o coeficiente até cresce em dimensão e significância estatística): é esta percepção, positiva para alguns (29% dos votantes prováveis) mas negativa para a maioria (71% dos votantes prováveis), o aspecto que mais ajuda a diferenciar os que tencionam votar em Costa dos que tencionam votar noutra lista e candidato qualquer.

Banal? Talvez. Mas quando olho para a lista dos outros problemas sobre quais pedimos opiniões aos eleitores, julgo compreender. Trânsito, transportes, habitação, degradação de edifícios são problemas "macro", que envolvem factores fora do controlo da CML (o que não quer dizer que a CML faça tudo aquilo que está ao seu alcance nestes domínios). Criminalidade é, em grande medida, um problema de percepção. Na falta de dados que permitam relacionar as pessoas com contextos concretos de insegurança, o que sobra são percepções fundadas em predisposições ideológicas, e por isso se entende que conte apenas numa escolha Costa/PSL, ou seja, esquerda/direita. E a cultura, digamos, não é problema sério para muita gente.

Resta a "sujidade". Uma espécie de "atalho informacional": se uma câmara é vista como conseguindo manter uma cidade limpa e arranjada, também não há-de ser má em tudo o resto. Mas se é vista como não conseguindo cumprir os "serviços mínimos", isso é mau sinal para tudo o resto. Os eleitores até podem ter pouca informação, mas não são parvos a usarem a que têm.

sexta-feira, julho 03, 2009

Outro planeta

Passei esta semana em Braga, na Universidade do Minho, num Curso de Verão organizado pelo Núcleo de Investigação em Politicas Económicas, onde trabalha o meu amigo LA-C. O curso foi leccionado por Joshua Angrist, do MIT, um economista americano muito conhecido que falou sobre um conjunto de técnicas econométricas destinadas a estimar rigorosamente efeitos causais recorrendo a dados observacionais ou a corrigir problemas ocorridos em estudos experimentais onde, apesar da aleatorização dos sujeitos, não se consegue evitar que os grupos de controlo e de tratamento se seleccionem, em parte, a si próprios. Parte significativa da matemática utilizada para provar teoremas, confesso, passou-me por cima. Mas as técnicas e a sua aplicação não são especialmente complicadas e a coisa toda foi muito bem feita, bem organizada e muito estimulante.

Se falo nisto é apenas para assinalar que muitos dos trabalhos de Angrist têm como objectivo estimar as consequências de variações institucionais e de intervenções concretas nas politicas públicas. Que tipos de escolas produzem melhores resultados nos exames dos alunos? Qual o efeito da dimensão das turmas? Vale a pena avaliar os professores, e como? Que impacto têm as políticas laborais activas? Quais os efeitos do serviço militar obrigatório nos rendimentos futuros dos recrutados? E do prolongamento da escolaridade obrigatória? Etc, etc, etc. Aquilo que mais me impressionou no contacto com esta bibliografia é a compreensão da distância abissal entre a natureza do debate sobre as politicas públicas em Portugal e nos Estados Unidos. Nos EUA, a preocupação com medir os efeitos das politicas vai ao ponto de os organismos públicos organizarem frequentemente experiências. Um dos exemplos dados por Angrist foi uma experiência em Minneapolis, onde, para os casos de violência doméstica, os polícias tinham instruções para lidar com eles de formas diferentes mas aleatorizadas, de forma a que a comparação entre os efeitos das diferentes abordagens (medidos como a necessidade de regressar à mesma casa nos 6 meses seguintes) pudesse ser feita sem necessidade de excessiva preocupação com todos os outros factores que podem afectar esses efeitos. E como estas experiências há centenas.

E Portugal? Posso estar enganado. E se me dessem exemplos de uma (1) medida legislativa que tivesse sido precedida por estudos deste género eu ficava contente por me ter enganado. Mas estamos, creio, noutro planeta.

Legislativas. Eurosondagem, 25-30 Junho, N=1024, Tel.

PS: 35,1%
PSD: 33,0%
CDU: 9,7%
BE: 9,6%
CDS-PP: 7,4%
OBN: 5,2%

Aqui. Uma frase intrigante na notícia: "Registe-se ainda que neste barómetro os indecisos situam-se nos 19,5% e a taxa dos que não sabem e não respondem atinge os 16,7%."

quarta-feira, julho 01, 2009

Porto. CESOP, 22-28 Junho, N=684, Tel.

Podem descarregar aqui uma síntese dos resultados. É um bocadinho mais pesado que o costume porque tem gráficos.

sexta-feira, junho 26, 2009

Legislativas. Marktest, 16-20 Junho, N=800, Tel.

PSD: 35,8%
PS: 34,5%
BE: 13,1%
CDU: 7,7%
CDS: 4,4%
OBN: 4,5%


Aqui.

Actualização: agora que os resultados estão no site da Marktest, é possível corrigir a própria notícia da TSF linkada acima, que atribui 9,4% à CDU. Na verdade, são 7,7%. Mas ao contrário do que é sugerido num comentário muito infeliz a este post, o CDS-PP tem mesmo 4,4%. Já tinha na notícia da TSF, e continua a ter na ficha técnica da sondagem da Marktest.

sábado, junho 20, 2009

Consensos e outros não tanto

"Estudos sobre o sector", mais "difusão de informação", publicação no site da ERC das fichas técnicas e iniciativa da ERC em reunir as empresas são coisas boas e foram consensuais. Mas a minha posição (e creio não estar sozinho) continua a mesma: há hipóteses em cima da mesa para explicar o que se passou; a abstenção não é a única das possíveis explicações; sem estudos, essas hipóteses nunca passarão disso mesmo.

sexta-feira, junho 19, 2009

"Freguesias-tipo"?

O único conhecimento que tenho deste assunto é pela notícia de jornal. Mas a confirmar-se a argumentação, a única coisa que posso fazer é sugerir a leitura do seguinte excerto:

"Because it is so important that the sample for an opinion poll is a true reflection of the country as a whole, the sample of constituencies for an opinion poll is checked for political balance. This is done in much the same way, by calculating the share of the votes at the last general election just in those constituencies sampled, and comparing it with the national result."

in Nick Moon. 1999. Opinion polls: history, theory and practice. Manchester: Manchester University Press, pp. 51-52 (itálicos meus, a ver se se percebe a utilização do plural).

terça-feira, junho 16, 2009

Auditar ou proibir?

Por estar ligado à temática deste blogue, reproduzo também aqui o artigo de ontem no Público:

Em 1992, as últimas sondagens realizadas no Reino Unido apontavam para uma eleição renhida, mas com uma curta vantagem dos Trabalhistas. Contados os votos, os Conservadores tinham ganho a eleição com 7,6 pontos de vantagem, subestimada pelas sondagens em cerca de 9 pontos percentuais. Seguiu-se uma controvérsia sobre a fiabilidade das sondagens e a Market Research Society reuniu um painel de peritos para investigar o assunto. O relatório final listava as possíveis causas para o fracasso das sondagens: a inadequação das variáveis utilizadas para definir quotas ou para ponderar os resultados de amostras aleatórias, levando a uma sub-representação de eleitores Conservadores; a desactualização dos dados das estatísticas nacionais utilizados; taxas de recusa diferenciais entre eleitores Trabalhistas e Conservadores (os “shy Tories”), levando a que os segundos estivessem ainda mais sub-representados nas amostras; e opções inadequadas quer para a redistribuição de indecisos quer para tratamento de “abstencionistas declarados”. Este relatório* teve consequências importantes na forma como se passaram a fazer sondagens no Reino Unido, seja na amostragem seja na forma como se passou a lidar com os eleitores que se afirmam “indecisos” ou “abstencionistas” nas sondagens.

À luz do recente fracasso das sondagens para as eleições europeias, por que não promover uma “auditoria” semelhante em Portugal após esta e futuras eleições? As fichas técnicas divulgadas na imprensa, ou mesmo as depositadas na Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), estão longe de fornecerem toda a informação necessária para apreciar a enorme quantidade de opções técnicas e práticas adoptadas pelos diferentes institutos. Uma investigação por um painel de peritos independentes poderia abordar em detalhe, por exemplo, as opções de amostragem, a construção dos questionários, a formação dos inquiridores ou o trabalho de campo. Com os dados brutos em seu poder, esse painel poderia apreciar as consequências de opções alternativas no tratamento dos dados, nomeadamente das “não respostas” e dos “indecisos”, assim como os desvios das amostras em relação a características conhecidas da população e as maneiras de os corrigir. Não faltariam pessoas capazes de fazer este tipo de auditoria. Se porventura se considerar que a ERC não é a entidade apropriada para a promover, ou que a APODEMO (a associação representativa das empresas do sector) está demasiado próxima dos interesses das empresas, certamente que na Associação Portuguesa de Sociologia, na Associação Portuguesa de Ciência Política ou na Sociedade Portuguesa de Matemática se encontrarão especialistas para formar semelhante painel. E é sempre possível convocar peritos estrangeiros, sem qualquer ligação aos interesses corporativos, económicos ou políticos em jogo.

Creio que quase todos teriam a ganhar com isto. Para o grande público, a noção de que o trabalho das empresas seria pública e regularmente escrutinado constituiria uma garantia adicional de que as empresas teriam ainda mais incentivos do que têm hoje para fazerem o melhor que está ao seu alcance dentro dos constrangimentos existentes. E haveria também benefícios para as próprias empresas. A realização destes estudos após cada eleição poderia contribuir para levar o batalhão de comentadores que, usando regular e sistematicamente as sondagens para fazer valer os seus argumentos e preferências políticas entre eleições, se mostram logo dispostos após as eleições a declarar a “incompetência” (após os fracassos) ou a “competência” (após os sucessos) das empresas de sondagens, a proferirem as suas sentenças com um pouco mais de informação. Para quem trabalha no ramo, isto seria também uma ocasião para aprender, repensar opções metodológicas e melhorar a qualidade do trabalho. “Segredos”? Há limites para o tipo de “segredos” que pode haver numa actividade com esta importância e potencial (apesar de raramente demonstrado) impacto político. É verdade que isto não garante que as coisas iriam sempre correr bem. Em várias eleições britânicas desde 1992, os desvios das sondagens foram ainda consideráveis. Em França, depois da catástrofe de 1997, onde as sondagens foram incapazes de antecipar a derrota da direita, os vários estudos realizados não impediram um segundo fracasso em 2002, com a subestimação da votação em Le Pen. Outros exemplos destas persistentes dificuldades poderiam ser avançados. Mas até a forma como esse fracassos são lidos e interpretados poderia ser um pouco mais tranquila e racional se fossem sempre seguidos de uma abordagem transparente do que se terá passado.

A alternativa que tem sido avançada a tudo isto é a de proibir a realização e divulgação de sondagens durante a campanha. Não seríamos caso único. Mas podemos, por isso mesmo, apreciar melhor as consequências de semelhante proibição. Na verdade, seria uma medida com a qual quer os partidos quer algumas empresas do sector poderiam concordar facilmente. Muitas continuariam a poder conduzir a maior parte do trabalho que já fazem hoje nestas áreas, ou seja – especialmente em véspera de autárquicas – trabalhos para os partidos políticos. E não seria a proibição da divulgação de sondagens nas últimas duas, três ou quatro semanas antes de uma eleição que impediria alguns partidos de fazerem aquilo que já fazem hoje. Por exemplo, comparar sondagens realizadas a um mês ou mais das eleições com os resultados finais, em eleições actuais ou passadas, sempre que isso lhes for útil para a sua argumentação política. Nem os impediria de anunciar, durante a campanha, a existência de “sondagens” realizadas por si ou para si próprios, cujos resultados e métodos permaneceriam completamente opacos e inverificáveis para os eleitores.

Nunca estive seguro de que as sondagens de intenções de voto divulgadas ao longo da campanha dessem uma grande contribuição para a nossa democracia. Elas alimentam a ilusão de que os resultados podem ser sempre infalivelmente previstos e ocupam porventura excessivo espaço na cobertura das eleições, transformando-as numa “corrida de cavalos” que talvez nos afaste do essencial que deveria ser discutido numa campanha. E já perdi as derradeiras ilusões sobre a capacidade do que escrevi acima para persuadir aqueles que preferem sempre ver nas sondagens um esforço deliberado para manipular a opinião pública. No que proponho, esses verão provavelmente um esforço adicional de manipulação, disfarçando sob uma discussão técnica aquilo que julgam ser um ânimo político das sondagens contra estes ou aqueles partidos. Seja. Não se pode discutir racionalmente com quem tem interesse em, precisamente, afastar a racionalidade da discussão. Contudo, aos restantes, mesmo que sejam uma minoria, sugiro que ponderem as consequências da proibição: mais desinformação, mais opacidade e mais (em vez de menos) manipulação política da opinião pública.

*Resumido aqui, e um estudo adicional aqui.

segunda-feira, junho 08, 2009

Deputados

(Graças a comentários de leitores, rectificado. Obrigado. ):

Num comentário abaixo, sugere-se que seria interessante ver qual seria a distribuição de deputados numas legislativas se os resultados por distrito fossem exactamente iguais aos de ontem. Recorrendo ao site da RTP - que ao Ministério da Justiça, por alguma razão, não consigo aceder - é possível obter os dados por distrito. Não os tenho em base de dados, pelo que os valores foram introduzidos à mão, podendo - espero que não - haver erro de digitação. Mas com estas salvaguardas, os resultados (com a nova distribuição de deputados que está em vigor para as eleições de Setembro/Outubro) seriam os seguintes:

PSD: 96 deputados
PS: 73 deputados
CDU: 23 deputados
BE: 21 deputados
CDS: 16 deputados
MEP: 1 deputado

Estou aqui a presumir que os resultados nos círculos Europa e Fora da Europa seriam iguais aos de 2002. Em suma, neste exercício, PSD+CDS têm 112 deputados. PS+CDU+BE têm 117.

Uma das rectificações que menciono na abertura teve a ver com o MEP. De facto, com 46 deputados a serem eleitos em Lisboa, os 2,32% do MEP seriam suficientes para 1 deputado.

A outra tem a ver com os dados a que acedi de manhã no site da RTP, que estavam incorrectos. Um parágrafo que estava aqui anteriormente sobre me ter chamado a atenção o facto do BE ter ultrapassado os 10% em vários distritos a Norte do Tejo deixou de fazer sentido assim que pude ver os dados no site do MJ.

Safa. Vou mudar o nome deste blogue para A Lei de Murphy. Bem, nem isso consigo: já há.

domingo, junho 07, 2009

Rescaldo

Os resultados ainda são provisórios, mas é muito improvável que qualquer mudança tenha qualquer espécie de importância deste ponto de vista. Avancemos, então, para o rescaldo das sondagens nestas eleições:

1. Serviram as sondagens como um bom elemento de previsão para os resultados? Bem, é evidente que não, mas vejamos a coisa em mais detalhe. O que sempre se faz aqui neste blogue é calcular o chamado "erro 3 de Mosteller", ou seja, simplesmente a média dos desvios absolutos entre os resultados eleitorais e das últimas sondagens para os principais partidos:



Em média, as sondagens diferenciaram-se dos resultados eleitorais de cada um dos cinco maiores partidos em 2,5 pontos no caso da Marktest, 2,8 nos casos do CESOP e da Eurosondagem e 3 pontos no caso da Aximage. A "média das médias" é 2,8 pontos. As diferenças entre o desempenho das diferentes sondagens não é muito relevante: são uniformemente distantes dos resultados finais, em especial em comparação com o desempenho geralmente muito superior nas eleições nacionais imediatamente anteriores, como as Presidenciais ou as Legislativas. Mas a Marktest, para além de ter o menor erro médio, tem uma clara vantagem em relação às outras num aspecto crucial: foi a única a, correctamente, colocar o PSD à frente do PS. Parabéns à Marktest.

2. Nas sondagens à boca das urnas - que medem comportamentos em vez de intenções - o desempenho, claro, foi superior, quando comparamos os resultados com os pontos centrais dos intervalos fornecidos:



O erro médio da Intercampus foi 0,5, do CESOP 0,9, e da Eurosondagem 1,1 pontos. A Intercampus foi quem esteve globalmente mais perto.

3. Vai correr alguma tinta sobre a falta de "credibilidade" das sondagens pré-eleitorais, e é inteiramente justo que se aborde a coisa assim à luz destes resultados. Mas note-se que isto não é novidade em relação às Europeias. Em 2004, "a média dos erros absolutos médios" cometidos pelas quatro últimas sondagens pré-eleitorais foi de 2,5 pontos, pouco menor que em 2009. E em geral, como tinha recordado aqui no dia 5, este é o padrão geral na comparação entre as sondagens feitas para as Europeias com o que se passa nas Legislativas desde 1991. Grande candidato para explicar o problema? A abstenção, evidentemente. Mas isto não isenta quem faz sondagens de responsabilidades: infelizmente, há uma frase de um artigo que escrevi em 2005 que continua a ser verdade:

"However, large errors remain the norm in polls pertaining to European Parliament elections, suggesting a shared inability of Portuguese polling organizations in dealing appropriately with the problems caused by low turnout."

Fica-me a fraca consolação de não ter de lhe mudar uma vírgula.

4. E tendo em conta tudo o que se passou na campanha no que respeita a sondagens, especialmente, desta vez, em relação ao CDS-PP e (não só, mas especialmente) ao CESOP, já sei o que me espera nos próximos dias. "Eu bem te disse" será o mínimo dos mínimos. Pois. Mas notem:

- continua a ser verdade que o CDS-PP não é invariavelmente subestimado, nas sondagens pré-eleitorais, em todo o tipo de eleições e, nalguns casos, essa subestimação (ou sobrestimação) é estatisticamente irrelevante.
- a hipótese de que o eleitor do CDS-PP é mais atreito a ocultar o seu sentido de voto, várias vezes aventada para explicar os casos em que as sondagens pré-eleitorais têm resultados inferiores aos das eleições, colide com a capacidade das sondagens à boca das urnas para captarem o voto no CDS-PP, como se pode ver acima. Se ocultaram numa, porque não ocultaram nas outras?

Dito isto, obviamente, o que se passou desta vez tem peso, e não só por ser mais notório à luz da controvérsia ocorrida: é que a subestimação do CDS-PP, desta vez, foi muito maior do que tinha ocorrido antes quando o CDS-PP foi subestimado no passado (mais do que nas legislativas de 2002, certamente, e até mais do que nas Europeias de 1999, se a memória não me falha aqui). As sondagens pré-eleitorais subestimaram o CDS-PP entre 5,1 (Marktest) e 2,3 (Eurosondagem) pontos. Basta ver a olho para perceber que é muito ponto para um partido com menos de 10% dos votos. Por mero acaso é que isto não aconteceu. Mas porquê? Dificuldade em captar a tendência (ascendente) do CDS-PP em campanha? A tal "ocultação" (mas como compaginá-la com os resultados da boca das urnas)? Problemas de amostragem (mas como é que sondagens telefónicas, presenciais, aleatórias e por quotas partilham o mesmo problema)? Mais hipóteses (não conspirativas)? Se as têm, seria interessante discuti-las.

Obrigado pela atenção, e até breve.