sexta-feira, setembro 25, 2009
Recta final
A verdade é que nunca cheguei a cobrar esse jantar aos meus colegas. Eles ficaram a achar que eu tinha inside information, e tinham razão. À hora do dito jantar, já conhecia os resultados da última sondagem do CESOP. Mas o interessante - e suponho que até hoje eles não repararam - é que os meus palpites foram ligeiramente diferentes dos resultados da sondagem que foi divulgada no dia seguinte. Dei, no palpite, um pouco menos ao PSD e ao BE e um pouco mais ao CDS do que na sondagem. Achei que a campanha estava a correr tão mal a PSL que as coisas ainda iriam piorar nos dias seguintes ao trabalho de campo. Receei uma presumível propensão dos eleitores do BE para votarem "sincero" em sondagens e "útil" nas eleições ou mesmo para se desmobilizarem à última hora. Tive em conta o facto de o CDS-PP, em quase todas as eleições a que concorreu sózinho nos últimos anos, ir sempre em crescendo nas várias sondagens ao longo da campanha, presumindo assim que, na tendência, poderiam fazer melhor no final. Já não sei onde está a dita folhinha, mas recordo-me que, com estas "teorias", acertei em cheio nos resultados. Mas as "teorias" não eram grande coisa: foi provavelmente mera sorte, porque das vezes seguintes que fiz a mesma brincadeira as coisas não correram tão bem.
Se conto a historieta é porque acho que ajuda a perceber a diferença entre aquilo que as sondagens dizem, dessa e desta vez, e aquilo que é uma previsão de um resultado eleitoral (neste caso um mero palpite pessoal). Intrigam-me sempre as pessoas que comentam aqui resultados de sondagens, por vezes ainda a meses das eleições, dizendo "já se sabe que o partido x vai ter mais" ou "é impossível que o partido y tenha isto nas eleições". Se os meus amigos já sabem quais vão ser os resultados e se isso é a única coisa que vos interessa, então por que razão prestam atenção a meras sondagens? (Vão mas é brincar para aqui). Por outras palavras, se bem que não seja possível apurar isto neste momento, a diversidade de abordagens metodológicas das últimas quatro sondagens, conjugada com a similitude dos seus resultados, fazem-me supor que é improvável que não tenham medido com razoável precisão as intenções de voto dos portugueses no momento em que foram feitas (o único receio que tenho a esse respeito é que haja, comum a todas, uma propensão de determinado tipo de eleitor para ocultar as suas intenções, para recusar responder a sondagens ou para não ser encontrado no processo amostral). Mas daí até supor que os resultados do dia 27 vão ser iguais às sondagens vai um salto que, podendo perfeitamente ter por base inicial os resultados das sondagens - como eu tive na minha "previsão" de 2005 - pode ser muito arriscado.
De resto, os líderes partidários, pelas reacções que tiveram às sondagens, mostram que sabem isso perfeitamente: ninguém entrega os pontos, e todos utilizam uma retórica que visa mitigar (ou amplificar) aqueles que julgam ser os efeitos negativos (ou positivos) das próprias percepções criadas pelas sondagens no futuro comportamento dos eleitores. Sócrates diz que sondagens não ganham eleições e combate a "abstenção por certeza de vitória". MFL e Jerónimo combatem a potencial desmobilização dos seus eleitores em face de resultados desfavoráveis. Louçã combate o voto útil no PS, tentando tornar o voto no BE útil para impedir uma putativa maioria PS. Portas usa-as para mobilizar os eleitores do CDS-PP e sugerir uma suposta "inutilidade" do voto no PSD. Em suma: eles acreditam que algumas coisas ainda podem mudar até dia 27, e estão a fazer o possível para que mudem. Tudo normal. É assim mesmo.
É claro, no entanto, que quaisquer especulações sobre o dia 27 podem repousar na relação entre o retrato feito a dias das eleições pelas sondagens das intenções de voto e aquilo que tende a suceder em eleições legislativas. E sobre isso, só tenho isto a dizer:
1. Com estes resultados medidos a menos de uma semana da eleição, se o PS perder, as eleições de 2009 vão-se tornar um estudo de caso apenas comparável ao que sucedeu no Reino Unido em 1992. O que teria uma vantagem, atraíndo para o país uma legião de cientistas políticos sem paralelo desde o PREC :-)
2. No momento em que foram feitas, as sondagens vistas no seu conjunto (uma amostra agregada de 4925 inquiridos), sugerem que havia mais intenções de voto no BE do que no CDS-PP (2,3 pontos de vantagem para uma margem de erro de 1,2 pontos). Mas nem sequer são capazes de dizer se a margem do CDS-PP sobre a CDU (0,6 pontos) correspondia a qualquer coisa de real na inferência para a população. E dito isto, quem sabe se o BE volta a conseguir resistir a alguma desmobilização de última hora? Nas Europeias resistiu. E desta vez?
O resto seria pura especulação, e para isso vou ao Trocas. Em suma: larguem lá as sondagens e vão mas é votar em quem e como acharem melhor.
Na Alemanha também há eleições
Onde está a Eurosondagem?
1. O público fica mais bem servido com mais sondagens e não com menos. Mais sondagens significa que ficamos a dispor de mais resultados com maior variabilidade de métodos. Por outras palavras, descontando erro amostral, ficamos a poder apreciar melhor se diferentes resultados se devem a diferentes opções técnicas ou metodológicas ou se os resultados são independentes delas. Mais sondagens significa mais observações e, logo, menos incerteza. E mais sondagens significa ainda que um outlier -sempre possível - é mais facilmente "desdramatizado" e colocado em contexto.
2. Não fazer sondagens porque os resultados das últimas sondagens de intenções de voto nas Europeias tiveram importantes discrepâncias em relação aos resultados eleitorais é mandar uma mensagem completamente errada à opinião pública sobre o que é uma sondagem. É dizer que ela é uma previsão e que, se essa "previsão" falhar, se cometeu um erro. Pode ser que sim. Mas pode ser que não. É preciso estudar, como não me canso de dizer. E há mais. Depois das Europeias, os relatos e as explicações do "fracasso" ficaram quase exclusivamente nas mãos de políticos ou de comentadores directa ou indirectamente ao serviço de partidos políticos. Não detectei, na esmagadora maioria destes comentários, um único argumento minimamente apresentável de natureza técnica, mas apenas julgamentos sumários, insultos e injuriosas alegações de desonestidade e manipulação. Deixar parecer que este discurso absolutamente inane influenciou uma decisão sobre a condução ou não de sondagens pré-eleitorais é, pura e simplesmente, entregar o ouro aos bandidos.
Desculpem meter-me na vida dos outros e, como mencionei, retiro o que escrevi se me explicarem que as razões foram outras. Mas decisões como estas influenciam a qualidade do debate público sobre as sondagens e a qualidade da informação que é transmitida ao público.
Quadro final

Como se pode ver, duas tendências comuns a todas: descida do BE e subida do CDS-PP. Outro aspecto relevante é, claro, a impressionante convergência das quatro sondagens, maior ainda do que a ocorreu nas últimas sondagens de 2005. Já várias vezes discuti aqui este fenómeno recorrente, para o qual vejo três explicações plausíveis:
1. Cristalização do voto (e já citei aqui tantas vezes um famoso artigo de Andrew Gelman e Gary King que nem faço link outra vez);
2. Maior investimento por parte dos institutos nas derradeiras sondagens;
3. Institutos looking over their shoulders.
A 3ª explicação, que foi mencionada aqui há uns dias num comentário, é potencialmente a mais perturbante. Mas aqui, duas notas:
1. Não acredito, muito sinceramente, que alguém obtenha um resultado e o mude deliberadamente para se ajustar a uma qualquer expectativa do que vão ser os resultados as eleições ou aos resultados de outros institutos. As coisas passam-se, potencialmente, de forma muito mais subtil. Como explicam Gary King e os seus colegas neste outro artigo - um óptimo exemplo do tipo de "auditoria" que se pode fazer a um conjunto de sondagens pré-eleitorais e que a Comissão nomeada pela ERC faria bem em imitar - a produção de "estimativas de resultados" exige um conjunto de ajustamentos dos dados que se baseiam numa série de pressuposições sobre quem é um votante provável, como se distribuem os indecisos, como se corrigem distorções da amostra, etc, etc, etc. É por essas pressuposições e nesses ajustamentos, creio, que as expectativas se podem subtilmente "inflitrar".
2. Mas também noto que, em todas as sondagens, não há mudanças em relação ao que têm sido práticas constantes dos vários institutos quando fazem sondagens pré-eleitorais (a Marktest abandonou a ponderação pós-amostral por recordação de voto em 2005, mas já o tinha feito há algum tempo; a Aximage usa um modelo de redistribuição de indecisos que me parece igual ao usado no passado; Intercampus e CESOP fazem o mesmo que fazem sempre nas últimas pré-eleitorais). Pelo que, para responder ao comentador, acredito mais, neste caso, nas explicações 1 e 2.
quinta-feira, setembro 24, 2009
Legislativas. Aximage, 21-24 Setembro, N=850, Tel.
PS: 38,8%
PSD: 29,1%
BE: 10%
CDS-PP:8,6%
CDU: 8,4%
OBN: 5,1%
Em relação aos 850, havia 5,8% de indecisos.
Legislativas. CESOP-UCP, 17-22 Setembro, N=4367 (2764 intenções de voto válidas), Presencial.
Legislativas. Intercampus, 21-23 Setembro, N=1006, Presencial
PSD: 29,9%
BE: 9,4%
CDU: 8,4%
CDS-PP: 7,7%
OBN: 6,6%
13,2% dos 1006 disseram-se indecisos ou não responderam à pergunta sobre intenção de voto.
Os efeitos das sondagens


Ora bolas.
"Desta vez não haverá empate técnico"
Trocas 1.1.2
Legislativas. Marktest, 18-21 Set., N=811, Tel.
PSD: 31,6%
BE: 9%
CDS-PP: 8,2%
CDU: 7,2%
OBN: 4%
Entre 811, terá havido 37% de "indecisos", o que na Marktest, julgo saber, são pessoas que não quiserem responder ou disseram não saber em quem votariam. Aqui (dado que fontes diferentes dão resultados ligeiramente diferente, é natural que haja ligeiras mudanças neste post amanhã).
quarta-feira, setembro 23, 2009
Consequências
terça-feira, setembro 22, 2009
segunda-feira, setembro 21, 2009
Gemeo-IPAM, 3-6 Set, N=800, Tel.
Há uns tempos, o CESOP-UCP colocou a mesma pergunta num barómetro. Foi em Fevereiro de 2008. Os resultados estão aqui, na página 5.
Indecisos
"Se eu fosse directora de uma agência de sondagens nunca publicaria uma sondagem a oito dias de eleições dizendo que tinha 30 por cento de indecisos. Diria que não tinha reunido as condições para a publicar. Porque evidentemente uma sondagem com 30 por cento de indecisos significa que qualquer partido, mesmo aquele que na sondagem aparece de todos os outros, pode ganhar as eleições. Não tem nenhum significado uma sondagem dessas. Independentemente disso, na mesma posição relativa que estamos hoje e nas eleições europeias os resultados dariam exactamente o contrário. Eu espero que aconteça o mesmo nas legislativas."
Curiosamente, estas declarações ecoam um artigo de opinião escrito há dias por António Ribeiro Ferreira, precisamente um dos entrevistadores de MFL:
"E lembrar também que há quem não tenha qualquer pejo em publicar sondagens com uma margem de indecisos de 30 %."
A primeira curiosidade que isto me despertou foi a de saber qual a sondagem que tinha sido publicada recentemente e em cuja amostra 30% dos inquiridos tinham declarado não saber em quem iriam votar. Não é esta (15%), nem esta (8,9%), nem esta (4,3%), nem esta (17%). Será então porventura esta, onde cerca de 32% dos inquiridos respondeu "não sabe" ou recusou responder à pergunta sobre em que partido tenciona votar nas próximas eleições. A sondagem foi realizada a 20 dias das eleições, não a oito. E os 32% representam aqueles que se declararam indecisos e aqueles que recusaram responder à pergunta.
Mas deixemos de lado a questão de saber se recusar responder à pergunta deve ser lido como representando "indecisão" (muito duvidoso). Vamos supor que, de facto, perto de uma eleição, há 30% do eleitorado que diz estar indeciso numa sondagem. Significa isto que não estão reunidas as condições para a publicar?
Há três coisas que queria lembrar:
1. A percentagem de "indecisos" varia muito de sondagem para sondagem, e por boas razões. Ela depende muito do universo sobre o qual estamos fazer inferências e do próprio questionário. Por exemplo, se a minha amostra é composta apenas por pessoas que dizem à partida que irão votar (e, logo, o universo sobre o qual se está a fazer uma inferência não é o da totalidade dos eleitores mas apenas dos "votantes prováveis"), é muito natural que a percentagem de indecisos seja mais baixa. Aqui, trata-se apenas de indecisão em torno da opção de voto, não da opção de votar. Pelo contrário, quando a amostra é uma amostra do eleitorado em geral, a percentagem dos que que "não sabem" pode reunir facilmente o que não sabem se irão votar e os que não sabem em quem. O "não sabe", aqui, será sempre mais elevado.
2. Mesmo entre sondagens cujas amostras são extraídas para fazer inferências sobre a generalidade do eleitorado, o questionário fará, muito provavelmente, grande diferença a este nível. Se eu tiver uma "pergunta filtro" onde pergunto às pessoas se vão votar, e se só colocar a pergunta de intenção de voto a quem diz tencionar votar (ou pelo menos a quem não exclui imediatamente esse possibilidade), é muito provável que alguns daqueles que não sabem se irão votar sejam filtrados à partida por essa primeira pergunta. Em princípio, os "indecisos" hão-de ser menos. Pelo contrário, se fizer uma única pergunta sobre intenção de voto, essa pergunta junta nos "não sabe" quer aqueles que estão indecisos sobre a opção de voto quer aqueles que estão indecisos sobre se irão votar.
3. E dito isto, 30% de indecisos seria assim tão "anormal"? Num inquérito pós-eleitoral realizado após as eleições de 2005, coordenado por António Barreto no ICS, cerca de 34% daqueles que afirmaram ter votado nessas eleições disseram que tomaram a sua decisão no último mês antes da eleição. Nos Estados Unidos, a percentagem daqueles que afirmam ter decidido em quem votar na última semana oscilou, nas eleições presidenciais mais recentes, entre 11% (em 2004) e 30,7% (em 1996). Nas eleições americanas mais recentes, as de 2008, as sondagens à boca das urnas mostram que 25% dos votantes decidiram no último mês, e que 10% decidiram na última semana. Uma sondagem em Portugal que indicasse 30% de indecisos a 20 dias das eleições seria uma coisa assim tão exótica e ilegítima? Não creio.
Subjacente a tudo isto está, claro, uma concepção do que é uma "sondagem" que nada tem a ver com aquilo que uma sondagem realmente é, e que ignora que uma sondagem é uma medição, junto de uma amostra de uma população, de atitudes e intenções (e não uma previsão de um resultado eleitoral ou um oráculo que tem de dizer "quem vai ganhar"). E se gastei aqui algum tempo a escrever este post não foi, acreditem, para benefício de António Ribeiro Ferreira. Mas Manuela Ferreira Leite merece que isto lhe seja explicado. E tenho a certeza absoluta que, se isto lhe for explicado, compreenderá.
Trocas 1.1
1. A partir de hoje, já é possível a um investidor lançar várias ordens de compra sobre um mesmo contrato, ou várias ordens de venda sobre um mesmo contrato (mas não de compra e de venda simultaneamente). A lógica é simples: eu posso querer comprar 200 títulos do contrato A a 25 pontos, mas não me arrisco a comprar mais de 100 a 30. Caso apareça alguém a vender a 29, compro 100, mas não arrisco comprar 200. Mas se me aparecer um belo negócio (a 24) quero certamente tudo o que me aparecer à frente. Isto permite também, esperamos, que lapsos ou tentativas de manipulação (por exemplo, vendas a descoberto de quantidades brutais de títulos a preços de saldo) tenham uma resposta rápida do mercado, mercê da execução imediata de ordens que foram introduzidas para, precisamente, aproveitar essas pechinchas.
2. Há relatos de investidores que lançaram ordens de compra a um determinado valor e que, sem conseguirem comprar, viram o título a ser transaccionado por valores muito mais baixos. Foi introduzida uma correcção no algoritmo para resolver este problema. A partir de hoje, tem prioridade quem oferece mais. Para ordens iguais, critério cronológico.
Para além disto, haverá outras alterações ao longo do tempo, que se esperam ser apenas de visualização e apresentação. Obrigado a todos pelos contributos para esta experiência.
domingo, setembro 20, 2009
As sondagens de Setembro
sexta-feira, setembro 18, 2009
Legislativas. Eurosondagem, 13-16 Setembro, N=2048, Presencial.
PSD: 31,6%
BE: 9,6%
CDU: 8,4%
CDS-PP: 8,4%
OBN:7,1%
A notícia fala em 15% de indecisos mas não de abstencionistas. Imaginemos assim que as estimativas anteriores têm como base 1741 inquiridos. Se calcularmos a margem de erro associada à diferença entre duas proporções multinomiais, ela ascende, para PS e PSD, a 3,8 pontos, com 95% de confiança. A vantagem de 3,3 pontos apurada na sondagem está dentro dessa margem de erro. Logo, ao contrário do que é dito na notícia, esta sondagem é um "empate técnico" entre PS e PSD. Desculpem ser tão chatinho.
Legislativas. Intercampus, 12-15 Setembro, N=1024, Presencial
PSD: 29,7%
BE: 12%
CDU: 9,2%
CDS-PP: 7%
OBN: 9,2%
Aqui. Estas estimativas são calculadas em relação a uma base de 834 inquiridos. Neste caso, a diferença entre PS e PSD não é estatisticamente significativa a 95%. Recordo que isto não se apura olhando para a "margem de erro" da sondagem, nem sequer com as margens de erro associadas às estimativas, mas assim.
O Trocas
A dimensão da amostra
A resposta canónica é que uma amostra maior produzirá estimativas mais precisas. Vamos imaginar um país com 9 milhões de eleitores em quem metade das pessoas vota no partido A e a outra metade no partido B. E para simplificar, que esta gente nunca muda de opinião, aceita sempre responder a sondagens, nunca mente e que se consegue obter uma amostra onde cada um dos eleitores teve exactamente a mesma probabilidade de ser seleccionado. Se eu retirar uma amostra de 100 pessoas, tenho 95% de hipóteses que, na amostra, a percentagem de pessoas que vota no partido A esteja algures entre 40,2 e 59,8%. Mas se retirar uma amostra de 1000 pessoas, vou obter, com a mesma probabilidade, algo ente 46,9 e 53,1%. Todos sabemos que, na prática, as pressuposições que fiz atrás são irrealistas. Mas a verdade é que a maior parte da investigação que existe sobre o assunto, lá fora e até em Portugal, mostra que, ceteris paribus, sondagens que utilizam amostras maiores tendem a gerar resultados que se aproximam mais daqueles que acabam por ser os resultados eleitorais.
Mas imaginem agora que há um mentiroso em cada cinco eleitores do partido A. Gosta de enganar as sondagens, dizendo sempre que vota no partido B quando, afinal, é um indefectível do partido A. Por outras palavras, se perguntássemos aos 9.000.000 em que partido vão votar, só 40% diriam que votariam no partido A (quando, na verdade, metade vai de facto fazê-lo). Feita a sondagem com 1000 inquiridos seleccionados aleatoriamente, há 95% de probabilidades de que estime um resultado para o partido A algures entre os 37 e os 43%. Feita a sondagem com 100 inquiridos seleccionados aleatoriamente, há 95% de probabilidades de que apareça um resultado entre 30,4 e 49,6% para o partido A.
Chega o dia das eleições e, claro, o partido A tem 50% e o partido B idem. E que sondagem ficou mais perto? É quase certo (com 95% de probabilidades) que a sondagem da amostra maior nunca ficará a menos de 7 pontos do resultado final para o partido A. Mas a sondagem dos 100 inquiridos, por mero acaso, pode facilmente ficar bem mais perto. Quem diz "mentir" às sondagens diz taxas de resposta diferenciais, incapacidade de contactar um determinado tipo de eleitorado, etc. Sondagens com amostras maiores dão estimativas mais precisas, e, logo, se houver enviesamentos, estimam-nos mais precisamente.
Foi o LA-C que me pôs a pensar nisto há uns tempos. Espero ter explicado a coisa correctamente.
Shameless plug

Legislativas. Aximage, 14-17 Setembro, N=753, Tel.
PS: 36,1%
PSD: 29,7%
BE: 10%
CDS-PP: 7,6%
CDU: 7,5%
OBN: 4,8%
Indecisos: 4,3%
Abstenção: 35,7%
Se tratarmos os indecisos como abstencionistas (o que não é feito na sondagem, mas apenas aqui, para tornarmos os resultados das sondagens comparáveis), ficamos com:
PS: 37,7%
PSD: 31,0%
BE: 10,4%
CDS-PP: 7,9%
CDU: 7,8%
OBN: 5,0%
Legislativas. CESOP-UCP, 11-14 Setembro, N=1305, Presencial.
quinta-feira, setembro 17, 2009
Delírio
Trocas de Opinião
Mas melhor ainda é ir ler o que a equipa do Trocas preparou para ajudar os novos investidores: um Guia do Utilizador e um FAQ. A página inicial mostra algumas cotações que resultaram de negociações iniciais entre um conjunto muito pequeno de utilizadores beta. Logo, é muito provável que haja já à partida grandes negócios para fazer, porque as cotações estão muito longe de terem integrado informação suficiente. Mas para isso, e para ver a evolução de cotações de todos os contratos e suas fichas técnicas, é preciso registo. Para os mais sofisticados, há ainda a possibilidade de transaccionar contratos "a descoberto". O FAQ aborda a possibilidade e, lá dentro, na secção Artigos, há um texto que explica o que isto significa.
Quem se registe terá, do lado esquerdo, um menu que permite fazer tudo o que é necessário no mercado: consultar a carteira de títulos de que cada investidor dispõe; listar os contratos existentes no mercado (em resumo ou em detalhe); criar ordens de compra ou venda; ler um extracto com as transações feitas, custos e dinheiro em carteira; rever a história de ordens de compra ou venda (e o estado dessas ordens, se já concretizadas ou aguardando comprador ou vendedor); e consultar as cotações dos contratos. Há também um ranking dos investidores por contrato, ordenado por mais valias realizadas.
O mais importante de tudo é tomar em conta que isto não passa, para já, de uma experiência. E é uma experiência cujo sucesso depende de várias coisas. Em primeiro lugar, de o desenho do mercado e de os algoritmos por detrás das transacções estaram bem concebidos e sem falhas. Suponho que iremos todos descobrir isso ao longo do tempo. E em segundo lugar, esse sucesso depende de...ter sucesso. Um mercado de previsões só produz boas previsões se tiver liquidez e investidores em quantidade suficiente para integrar o máximo de informação. E se alguém quiser distorcer o mercado inflacionando ou deflacionando cotações, essas manipulações geram imediatamente possibilidades de mais valias, que se aproveitadas irão reequilibrar as cotações novamente. Mas isso exige também liquidez e investidores interessados no "lucro".
Mas é uma experiência que tinha de ser feita, e ainda bem que foi. E chegou-me aos ouvidos que não é a única que anda a ser preparada por aí. Se se concretizarem mais coisas, divulgarei aqui também.
quarta-feira, setembro 16, 2009
terça-feira, setembro 15, 2009
O custo do voto, por assim dizer (actualizado)
Vai daí, lembrou-se de calcular o rácio entre as despesas orçamentadas e os votos obtidos nas Europeias, i.e., o "custo" de cada voto para cada partido. Aqui vai, do voto que "ficou mais barato" para o mais caro:
POUS: 13 cêntimos.
PCTP/MRPP: 27 cêntimos.
PH: 29 cêntimos.
PPM: 1 euro e 16 cêntimos.
CDS-PP: 1 euro e 60 cêntimos.
PS: 1 euro e 61 cêntimos.
BE: 1 euro e 90 cêntimos.
PPD-PSD: 1 euro e 95 cêntimos.
CDU: 3 euros e 16 cêntimos.
MPT: 4 euros e 35 cêntimos.
MMS: 6 euros e 93 cêntimos.
MEP: 7 euros e 51 cêntimos.
O MPT orçamentou inicialmente 1.500.500 euros, o que daria, caso tivessem sido realmente gastos, uns espectaculares 64 euros e 8 cêntimos por votante, mas o orçamento rectificativo foi bem mais baixo. MMS e MEP ainda pagaram um almoço de mini-prato a cada um. Para partidos novos, o voto sai caro.
"Indecisos"
Não sabe se vai votar: 24%
Em princípio vai votar: 30%
De certeza que vai votar: 46%
Homens: 36%
Mulheres: 64%
18-24 anos: 11%
25-34 anos: 24%
35-44 anos: 16%
45-54 anos: 17%
55-64 anos: 15%
65+ anos: 17%
Menos que secundário: 60%
Secundário completo: 26%
Superior: 13%
Não têm simpatia por qualquer partido: 45%
Simpatia pelo PS: 20%
Simpatia pelo PSD: 18%
Simpatia pelo BE: 6%
Simpatia pela CDU/PCP:3%
Simpatia pelo CDS-PP:3%
Ns/Nr: 6%
Sem posição no eixo esquerda-direita: 18%
Posição média no eixo esquerda-direita dos que têm posição: 4,9 numa escala de 0 (esquerda) a 10 (direita)
Avaliação média Louçã: 9,8
Avaliação média Jerónimo: 8,6
Avaliação média Sócrates: 7,7
Avaliação média MFL: 8,4
Avaliação média Portas: 7,8
Tirem as vossas conclusões.
Porto. Marktest, 3-6 Setembro, N=399, Tel.
PS (Elisa Ferreira): 31,1%
CDU (Rui Sá): 9,6%
BE (João Teixeira Lopes): 7,8%
Notícia aqui.
Teaser 2
Primeiro, para entrar, é preciso capital. Num mercado com dinheiro real, como o Intrade ou os Iowa Markets, abre-se uma conta e deposita-se dinheiro. Mas num mercado com dinheiro fictício, como o Inklingmarkets ou o Mercado de Previsões brasileiro, cada participante registado recebe à partida um montante virtual que depois será usado para investir.
Investir em quê, já agora? Num mercado de previsões, o que se compra ou vende são "contratos" cujo valor final está ligado à concretização de um determinado evento ou a um valor concreto. O primeiro é um contrato "tudo ou nada": o seu valor pode ser interpretado como exprimindo a probabilidade de um determinado evento ocorrer. Se o evento ocorrer, o investidor que tenha esse títulos em carteira obterá, no final, o valor 100 por cada título. Se o evento não ocorrer, receberá 0 (zero). O segundo contrato é um contrato "valor esperado": no final, cada título valerá exactamente aquilo que a realidade ditar como valor real. Exemplos? O contrato "O partido vencedor das próximas eleições legislativas terá apenas uma maioria relativa dos deputados" valerá 100 se o evento acontecer, zero se não ocorrer. O contrato "Percentagem de votos do Partido Socialista nas próximas eleições legislativas" valerá exactamente a percentagem de votos no PS nas eleições de 27 de Setembro. Simples.
Como realizar mais valias num mercado de previsões? Cada contrato tem uma cotação. Imaginem que a cotação de "O partido vencedor das próximas eleições legislativas terá apenas uma maioria relativa dos deputados" é, num determinado momento, 10. Isso significa que, de acordo com as expectativas daqueles que jogaram até ao momento no mercado, expressas nos preços e quantidades de títulos comprados e vendidos, a probabilidade de o partido vencedor nas eleições de 27 de Setembro ter apenas uma maioria relativa é de 10%. Parece-me relativamente óbvio que este título está subavaliado pelo mercado. A probabilidade de uma maioria relativa (em vez de absoluta) é muito maior que 10%. O que devo fazer? Óbvio: Comprar. No dia 27, preparo-me, com alta probabilidade, para lucrar 90 unidades monetárias em cada título. Imaginem agora que, para o contrato "Percentagem de votos do Partido Socialista nas próximas eleições legislativas", a cotação é 50. Eu não sei bem o que vocês fariam, mas se fosse a vocês Vendia tudo o que tivesse disto em carteira antes que o valor baixe para algo mais realista. E se baixar até 20? Bem, comprem outra vez que é quase certo que vão fazer mais valias.
Logo, não é preciso esperar pelo resultado das eleições para ir realizando capital. Vendendo caro aquilo que comprei barato, vou lucrando. E se houver um contrato especialmente atraente no mercado ("Percentagem de votos da CDU nas próximas eleições legislativas" cotado a 2, por exemplo), reinvisto e sei que tenho alta probabilidade de lucrar. Acompanhando as cotações, comprando contratos cujo valor me pareça baixo (e tenha tendência a subir) e vendendo contratos cujo valor me pareça alto (e tenha tendência a descer), vou realizando ganhos e evitando perdas. Simples.
O resultado final disto é que cada contrato vai ter, ao longo do tempo, cotações que resultam do encontro entre os Vendedores e os Compradores. Quantidades e preços são oferecidos ou pedidos e com isso se fazem os preços de transacção. Essas cotações exprimem, a cada momento, a agregação das expectativas dos participantes no mercado. E cada contrato tem um ranking, onde se mostram os participantes que foram realizando melhores palpites sobre a valorização ou desvalorização dos contratos.
Saber mais? A Wikipedia tem uma entrada que me parece muito boa sobre o tema. Há blogues sobre o assunto: Midas Oracle, Oddhead, Usable Markets e muitos outros. Vários livros: de James Surowieki (The Wisdom of Crowds), Robert Hahn (Information Markets: A New Way of Making Decisions) e do ecléctico Cass Sunstein (Infotopia: How Many Minds Produce Knowledge). E uma revista: The Journal of Prediction Markets.
Mas em Portugal não há, pois não? Bem...
segunda-feira, setembro 14, 2009
Eleições na Alemanha
domingo, setembro 13, 2009
Debate legislativas. Aximage, 12 Setembro, N=200, Tel.
Sócrates: 45,6%
Ferreira Leite: 30,2%
Empate: 24,2%
Intervalo de confiança a 95% (N=200)
Sócrates: 38,7%-52,5%
Ferreira Leite: 23,9%-36,5%
Empate: 18,3%-30,1%
Aqui.
sábado, setembro 12, 2009
Legislativas. Marktest, 4-7 Setembro, N=811, Tel.
PSD: 32,4%
BE: 16,2%
CDU: 6,9%
CDS-PP: 5,2%
OBN: 4%
Em relação ao total da amostra, 32,4% dos inquiridos não sabe em quem votará ou não respondeu, enquanto 3% diz que não votará. Aqui.
sexta-feira, setembro 11, 2009
Legislativas. Eurosondagem, 6-9 Setembro, N=2025, Presencial.
PSD: 32,5%
BE: 9,6%
CDU: 9,4%
CDS-PP: 8%
OBN: 6,9%
19% dos 2025 ter-se-ão manifestado indecisos. Não consigo apurar se alguns terão afirmado que não votariam ou recusado responder.
Pedido de desculpa
Legislativas. CESOP, 4-8 Setembro, N=1281, Pres.
quinta-feira, setembro 10, 2009
Heurística eleitoral
Teaser
1. Olhar para as sondagens. É a mais comum. Mas tem problemas. Por um lado, um dos fenómenos mais comuns quando se analisam as sondagens feitas antes de uma eleição é a existência de uma grande dispersão entre os resultados, mesmo tomando em conta os chamados "house effects", dispersão essa que só diminui à medida que nos aproximamos do próprio dia da eleição. Por outro lado, mesmo essa convergência entre as diferentes sondagens pode ocorrer em torno de valores que, por um enviesamento qualquer ou por fenómenos que ocorram entre o último dia de trabalho de campo e a eleição, acabam por ser diferentes do resultado eleitoral. Foi o que aconteceu, por exemplo, nas últimas europeias.
2. Uma segunda maneira de tentar prever um resultado de uma eleição é construir um modelo que contenha variáveis que se julga poderem contribuir para a explicação de um resultado. Podemos, por exemplo, presumir que a votação num determinado partido é uma função da situação da economia, do tempo em que se encontra no poder, da popularidade do primeiro-ministro, ou outra coisa qualquer que pareça teoricamente relevante e explicativo. Se testarmos esse modelo na base de informação passada e se ele parecer capaz de explicar bem a variância dos resultados e de "prever" bem cada uma das eleições passadas, basta aplicá-lo aos dados presentes e prever o futuro. Podemos também proceder a uma análise da série temporal e nela procurar, mesmo sem preocupações teóricas ou explicativas, padrões recorrentes que nos permitam inferir qual o valor dessa variável num momento posterior. No primeiro caso, estamos a usar um modelo econométrico, tal como os que são usados frequentemente nos Estados Unidos ou aquele que eu e o Luís Aguiar-Conraria fizemos para Portugal. No segundo caso, estamos a usar uma análise de séries temporais. E é cada vez mais comum combinar as duas abordagens, construindo modelos que, ao mesmo tempo, modelam factores explicativos dos resultados a par da sua ciclicidade. O problema, claro, é que, quando se trata de eleições, temos sempre poucas observações. Modelos construídos na base de poucas observações têm de ser parcimoniosos mas acabam, por isso mesmo, por estar frequentemente mal especificados. E ainda por cima, estão frequentemente limitados a prever o resultado de um dado partido (normalmente, o partido de governo).
3. A terceira abordagem consiste em usar os "mercados de previsões". Estes mercados trazem uma abordagem completamente diferente do problema. Agregam informação dispersa pelo eleitorado, dando maior peso a uma minoria de previsões particularmente informadas e introduzindo incentivos que mitigam "cheap talk" e "wishful thinking". Os Iowa Markets, por exemplo, são mercados electrónicos onde se compram e vendem contratos (com dinheiro real) que são desenhados de forma a representarem a probabilidade de vitória de um determinado candidato ou partido ou a percentagem de votos que virá a obter. Os contratos podem ser negociados em qualquer momento da sua vigência, fazendo com que as cotações representem, em cada momento, o consenso dos participantes sobre a melhor estimativa para o resultado eleitoral que o contrato representa. O desempenho dos IEM tem sido notável. Por exemplo, em 2004, em 33 das 34 semanas anteriores às eleições, o valor dos contratos para a percentagem de votos de George Bush esteve a menos de 1% de diferença daquele que veio a ser o resultado final. Desde Setembro de 2006, e quase ininterruptamente até ao dia da eleição presidencial americana em 2008, o IEM previa uma vitória do partido Democrata. Um estudo sobre todas as presidenciais desde 1988 mostra que, a longo-prazo, as cotações dos mercados electrónicos tendem a estar sempre mais perto dos resultados finais do que as sondagens realizadas nos mesmos períodos. E vários estudos mostram mesmo que não há diferenças significativas entre mercados "a dinheiro real" e mercados "fictícios" (play money), desde que, claro, a "reputação" jogue como incentivo nos segundos.
Pois é. Mas em Portugal não há mercados de previsões eleitorais. Ou haverá?
segunda-feira, setembro 07, 2009
Legislativas. Aximage, 1-4 Setembro, N=750, Tel.
PS: 34,5%
PSD: 28,9%
BE: 10,4%
CDS-PP: 8,1%
CDU: 7,8%
"Indecisos": 6%
A soma destes valores corresponde a 95,7%. Os 4,3% que faltam devem corresponder a outros partidos, brancos e nulos. A notícia é omissa sobre qual a percentagem entre os 750 que afirmou que não iria votar. Mas é possível, e tem sido hábito, que a edição em papel do CM traga informação mais completa.
Redistribuindo proporcionalmente os indecisos pelas diferentes opções, ficamos com:
PS: 36,7%
PSD: 30,7%
BE: 11,1%
CDS-PP: 8,6%
CDU: 8,3%
OBN:4,6%
A comparar com a anterior sondagem da Aximage.
sábado, setembro 05, 2009
Lisboa. Marktest, 31 Agosto-2 Setembro, N=502, Tel.
PSD/CDS-PP/PPM/MPT-Pedro Santana Lopes: 32,7%
BE-Luis Fazenda: 9,2%
CDU-Ruben de Carvalho: 7,0%
OBN: 7,3%
Estas intenções de voto (válidos + brancos) foram manifestadas por 315 inquiridos. 32% do total da amostra afirmam "não saber" em quem votariam ou não respondem.
A comparar com sondagens anteriores de Abril (esta e esta), Junho e Julho.
P.S.- Eu preferiria que o Eduardo não falasse (e que não se falasse em geral) de "previsões". Em parte, é por não se distinguir entre "previsões" e "sondagens" que o debate sobre as sondagens Europeias teve os contornos surreais que teve. Sobre o assunto, ver um post que aqui escrevi há quase quatro anos.
P.P.S. - Parece que há dúvidas sobre como se passou nesta sondagem dos resultados brutos para a estimativa. Ora vejamos:
Resultados brutos:
PS-António Costa: 27,6%
PSD/CDS-PP/PPM/MPT-Pedro Santana Lopes: 20,6%
BE-Luis Fazenda: 5,8%
CDU-Ruben de Carvalho: 4,4%
OBN: 4,6%
Não vota: 4,6%
NS/NR: 32,4%
Se tratarmos as respostas NS/NR como abstenção, vamos obter os resultados que estão lá em cima. É prática normal. Há outras alternativas, mas esta é a mais frequentemente adoptada, aqui e na maioria dos outros países (excepto nos EUA, sistema bipartidário onde muitas vezes se redistribuem indecisos de forma equitativa por Republicanos e Democratas).
terça-feira, setembro 01, 2009
Giro, e menos giro
Para além disso, erraram nas sondagens incluídas: faltam a Eurosondagem e a Intercampus.
OK, já me passou.
P.S.- O i vai rectificar. Obrigado.
segunda-feira, agosto 31, 2009
"Modernidade" vs. "os pilares da sociedade"
Bem, mas não será só isso. É natural que o PS se volte para estes temas e que o PSD não esteja propriamente entusiasmado em tê-los na campanha. Tomemos como indicador - certamente parcial - das opiniões sobre estes temas a posição dos eleitores sobre os direitos dos casais formados por pessoas do mesmo sexo. Num inquérito de Outubro de 2008, feito pelo CESOP, perguntava-se aos inquiridos se concordavam com o acesso desses casais ao casamento civil em condições iguais aos dos casais heterossexuais e, em caso negativo, se defendiam a ausência de qualquer reconhecimento legal, a manutenção do regime actual (mero reconhecimento de uniões de facto) ou a possibilidade de uniões civis (sem serem casamentos).
Se tomarmos a última opção, assim como a defesa do casamento, como representando apoio a uma mudança do statu quo, eis como se distribuem os grupos de simpatia partidária:
% de inquiridos que defendem casamento ou união civil entre pessoas do mesmo sexo:
PS: 59%
PSD: 48%
Sem simpatia partidária: 61%
Ou seja: apesar de ambos os partidos estarem divididos, ao introduzir este tema na agenda política, o PS tenta presumivelmente encostar o PSD a uma posição ("conservadora", chamemos-lhe assim) de manutenção do statu quo, que divide os seus simpatizantes, ao passo que defende posição maioritária quer entre os seus simpatizantes quer entre os "independentes".
Claro que uma resposta possível do PSD seria a de, por exemplo, pagar ao PS na mesma moeda e descrevê-lo como "radical" e "extremista" quando defende o "casamento" para pessoas do mesmo sexo, por exemplo. E isto porque, quando voltamos a olhar para os mesmos dados, vemos que o casamento propriamente dito suscita as seguintes reacções:
% de inquiridos que defendem casamento entre pessoas do mesmo sexo:
PS: 47%
PSD: 29%
Sem simpatia partidária: 45%
Assim, quando o assunto é tematizado nestes termos, é o PS, e não o PSD, que parece mais dividido.
Contudo, percebe-se que o PS insista. Outra coisa que era perguntada no mesmo estudo era se "um partido que tenha sobre este assunto uma posição diferente da sua é um partido onde nunca votaria ou poderia, mesmo assim, votar nesse partido". Eis as respostas:
% de inquiridos que afirmam que "nunca votariam" num partido com uma posição diferente da sua neste tema:
PS: 37%
PSD: 47%
Sem simpatia partidária: 37%
Ou seja, parece ser (mesmo que marginalmente) mais fácil para o PSD perder eleitores com a posição "errada" sobre estes assuntos do que para o PS. Já agora, para os eleitores do Bloco e do CDS-PP, os resultados são, previsivelmente, semelhantes aos do PSD: 45 e 48%, respectivamente. Mas BE e CDS-PP não correm riscos de terem posições "erradas" sobre estes assuntos: mais de 70% dos eleitores do BE são a favor do casamento e mais de 80% dos eleitores do CDS-PP são contra. E claro, o PS está também a pensar nos eleitores do Bloco quando coloca o tema no centro da agenda.
Assim, para ou bem ou para mal, parece fazer sentido esperar mais disto até ao dia 27 de Setembro por parte do PS. O PSD é que terá de decidir se alinha ("diluíram-se pilares da sociedade como a família e o casamento") ou não. Não parece muito sensato alinhar e, num sistema puramente bipartidário, o PSD deveria fugir disto como o diabo da cruz. Mas, claro, há o CDS-PP à espreita, etc. O multipartidarismo é mesmo uma coisa complicada.
terça-feira, agosto 25, 2009
Faz favor de não dar estes resultados, sim?
"A um mês das eleições é importante repetir que as sondagens custam muito dinheiro às empresas de Comunicação Social que não podem andar por aí a vender gato por lebre aos seus clientes. A um mês das eleições não vale a pena começarem por aí a inventar isto e aquilo, indecisos para trás e para a frente, altos níveis de abstenção e outras coisas mais para justificarem erros crassos e resultados verdadeiramente enganadores. A um mês das eleições só faltava mesmo que as sondagens começassem a repetir empates técnicos a torto e a direito entre o PS e o PSD. A um mês das eleições Legislativas é perfeitamente legítimo começar, desde já, a desconfiar do que aí vem em matéria de sondagens."
Por outras palavras, ARF considera que as sondagens que vão ser feitas nas próximas semanas devem indicar diferenças estatisticamente significativas entre o PS e o PSD. "Era o que faltava" que não o fizessem. E se o fizerem, estão a vender gato por lebre aos seus clientes. Ora toma. Desta forma, a Aximage, empresa que faz as sondagens para o Correio da Manhã, e Jorge de Sá, o seu director, ficam a saber que resultados são ou não são aceitáveis para um dos "grandes repórteres" do jornal para o qual conduzem sondagens.
sexta-feira, agosto 14, 2009
Acabou a recessão!, que bom, que bom
Saíram os números para o 2º trimestre de 2009. O primeiro-ministro agarra-se aos 0.3% de crescimento do PIB e a oposição agarra-se ao aumento da taxa de desemprego em 0,2 pontos percentuais. Cada um encontrou a sua bóia de salvação. Aconselha-se cautela: ambas as bóias estão furadas.
Comecemos pela taxa de desemprego. Dizem os números que subiu de 8,9% para 9,1%. Logo a oposição culpa o primeiro-ministro por estes números maléficos. O relatório sobre as estatísticas do des(emprego) está disponível online. Lendo o documento, descobrimos que estes números são calculados com base numa amostra. Depois, com base nessa amostra, extrapola-se para a população total. Claro que, mesmo que o procedimento seja feito na perfeição, existe sempre uma margem de erro associada a estas estatísticas. O documento, detalhado como é, dá-nos informação suficiente para calcularmos um intervalo de confiança para a estatística que nos interessa.
Se calcularmos um intervalo de confiança de 95% para a taxa de desemprego, descobrimos que esse intervalo nos diz que a taxa de desemprego se situará entre os 8,6 e os 9,6%. Ou seja, estes números dizem-nos que é perfeitamente possível que a taxa de desemprego tenha diminuído, em vez de ter aumentado. Não é intelectualmente honesto usar este número como arma de arremesso contra o governo.
E a taxa de crescimento do PIB? Passa-se o mesmo, só que aqui é o primeiro-ministro a embandeirar em arco. 0,3% de crescimento face ao trimestre anterior é, com toda a certeza, um valor estatisticamente não significativo. Infelizmente, no INE, não consigo encontrar informação que me permita calcular intervalos de confiança, mas é fácil argumentar por que motivo é perfeitamente possível que o crescimento real tenha sido negativo.
Em primeiro lugar, é prática corrente rever estas estimativas. Por exemplo, a estimativa que saiu sobre a taxa de crescimento no primeiro trimestre deste ano, já foi revista em baixa em 0,2 pontos percentuais. Se uma revisão semelhante for aplica ao segundo semestre, já teremos uma estimativa para a taxa de crescimento de apenas 0,1%. Em segundo lugar, os dados são sazonalmente ajustados (para corrigir o fortíssimo efeito sazonal do Natal). Tal procedimento é puramente estatístico/econométrico e, como tal, tem a ele associado uma margem de erro. Acresce que este é um ano excepcional devido à crise internacional, fazendo com que a queda brutal na produção no 1º trimestre deste ano se confunda com as fortes quedas sazonais associadas ao trimestre que vem depois do Natal. Sendo mais difícil separar os efeitos, a probabilidade de erro é maior. Finalmente, o cálculo do PIB é também uma estimativa com base numa amostra, pelo que os argumentos apresentados relativamente à taxa de desemprego se aplicam, ipsis verbis, à taxa de crescimento do PIB.
É assim perfeitamente possível que a taxa de crescimento do PIB neste trimestre tenha sido negativa, sendo cedo para decretar o fim da recessão. O ministro da finanças, Teixeira dos Santos, como economista sério que é, sabe disto perfeitamente e, provavelmente por isso mesmo, já disse que com base nestes números não podíamos dizer que a crise acabou. Temos de esperar para ver.
Post Scriptum: Entrada publicada em estéreo na Destreza das Dúvidas.
sábado, agosto 01, 2009
Legislativas. Marktest, 23-26 Julho, N=811, Tel.
PSD: 34,2%
BE: 14,3%
CDU: 7,4%
CDS-PP: 4,4%
OBN: 4,2%
Em relação aos 811 inquiridos, 36,7% declinaram responder à pergunta sobre intenção de voto ou afirmaram não saber. Creio que a Marktest abandonou a ponderação dos resultados na base da recordação de voto em 2005. A única ponderação que faz agora consiste em reduzir os votos brancos e nulos a valores mais realistas (os de 2005) do que aqueles que são revelados na amostra.
sexta-feira, julho 31, 2009
Legislativas. Eurosondagem, 23-28 Julho, N= 1036, Tel.
PSD: 31,1%
BE: 10,0%
CDU: 9,4%
CDS-PP: 8,5%
OBN: 8%
Em relação aos 1036 inquiridos, a percentagem daqueles que afirmou não saber ou recusou responder à pergunta de intenção de voto foi de 22,8%. Aqui.
quinta-feira, julho 30, 2009
O caso das sondagens pagas pelo Eliseu
sábado, julho 25, 2009
sexta-feira, julho 24, 2009
sábado, julho 18, 2009
sexta-feira, julho 10, 2009
Um passo
Estes romanos são loucos
1ª questão: "Volete voi che sia abrogato il Decreto del Presidente della Repubblica 30 marzo 1957, n. 361, nel testo risultante per effetto di modificazioni ed integrazioni successive, titolato “Approvazione del testo unico delle leggi recanti norme per la elezione della Camera dei Deputati”, limitatamente alle seguenti parti:
art. 14-bis, comma 1: “I partiti o i gruppi politici organizzati possono effettuare il collegamento in una coalizione delle liste da essi rispettivamente presentate. Le dichiarazioni di collegamento debbono essere reciproche.”;
art. 14-bis, comma 2: “La dichiarazione di collegamento è effettuata contestualmente al deposito del contrassegno di cui all’articolo 14. Le dichiarazioni di collegamento hanno effetto per tutte le liste aventi lo stesso contrassegno.”;
art. 14-bis, comma 3, limitatamente alle parole: “I partiti o i gruppi politici organizzati tra loro collegati in coalizione che si candidano a governare depositano un unico programma elettorale nel quale dichiarano il nome e cognome della persona da loro indicata come unico capo della coalizione.”;
art. 14-bis, comma 4, limitatamente alle parole “1, 2 e”;
art. 14-bis, comma 5, limitatamente alle parole: “dei collegamenti ammessi”;
art. 18-bis, comma 2, limitatamente alle parole: “Nessuna sottoscrizione è altresì richiesta per i partiti o gruppi politici che abbiano effettuato le dichiarazioni di collegamento ai sensi dell’art. 14-bis, comma 1, con almeno due partiti o gruppi politici di cui al primo periodo e abbiano conseguito almeno un seggio in occasione delle ultime elezioni per il Parlamento europeo, con contrassegno identico a quello depositato ai sensi dell’art. 14.”;
art. 24, numero 2), limitatamente alle parole: “alle coalizioni e”;
art. 24, numero 2), limitatamente alle parole: “non collegate”;
art. 24, numero 2), limitatamente alle parole: “, nonché per ciascuna coalizione, l’ordine dei contrassegni delle liste della coalizione”;
art. 31, comma 2, limitatamente alle parole: “delle liste collegate appartenenti alla stessa coalizione”;
art. 31, comma 2, limitatamente alle parole: “di seguito, in linea orizzontale, uno accanto all’altro, su un’unica riga”;
art. 31, comma 2, limitatamente alle parole: “delle coalizioni e”;
art. 31, comma 2, limitatamente alle parole: “non collegate”;
art. 31, comma 2, limitatamente alle parole: “di ciascuna coalizione”;
art. 83, comma 1, numero 2): “2) determina poi la cifra elettorale nazionale di ciascuna coalizione di liste collegate, data dalla somma delle cifre elettorali nazionali di tutte le liste che compongono la coalizione stessa, nonché la cifra elettorale nazionale delle liste non collegate ed individua quindi la coalizione di liste o la lista non collegata che ha ottenuto il maggior numero di voti validi espressi;”;
art. 83, comma 1, numero 3), lettera a): “a) le coalizioni di liste che abbiano conseguito sul piano nazionale almeno il 10 per cento dei voti validi espressi e che contengano almeno una lista collegata che abbia conseguito sul piano nazionale almeno il 2 per cento dei voti validi espressi ovvero una lista collegata rappresentativa di minoranze linguistiche riconosciute, presentata esclusivamente in una delle circoscrizioni comprese in regioni il cui statuto speciale prevede una particolare tutela di tali minoranze linguistiche, che abbia conseguito almeno il 20 per cento dei voti validi espressi nella circoscrizione;”;
art. 83, comma 1, numero 3), lettera b), limitatamente alle parole, ovunque ricorrono: “non collegate”;
art. 83, comma 1, numero 3), lettera b), limitatamente alle parole: “, nonché le liste delle coalizioni che non hanno superato la percentuale di cui alla lettera a) ma che abbiano conseguito sul piano nazionale almeno il 4 per cento dei voti validi espressi ovvero che siano rappresentative di minoranze linguistiche riconosciute, presentate esclusivamente in una delle circoscrizioni comprese in regioni il cui statuto speciale prevede una particolare tutela di tali minoranze linguistiche, che abbiano conseguito almeno il 20 per cento dei voti validi espressi nella circoscrizione”;
art. 83, comma 1, numero 4), limitatamente alle parole: “le coalizioni di liste di cui al numero 3), lettera a), e”;
art. 83, comma 1, numero 4), limitatamente alle parole, ovunque ricorrono: “coalizione di liste o”;
art. 83, comma 1, numero 4), limitatamente alle parole: “coalizioni di liste o”;
art. 83, comma 1, numero 5), limitatamente alle parole: “la coalizione di liste o”;
art. 83, comma l, numero 6): “6) individua quindi, nell’àmbito di ciascuna coalizione di liste collegate di cui al numero 3), lettera a), le liste che abbiano conseguito sul piano nazionale almeno il 2 per cento dei voti validi espressi e le liste rappresentative di minoranze linguistiche riconosciute, presentate esclusivamente in una delle circoscrizioni comprese in regioni il cui statuto speciale prevede una particolare tutela di tali minoranze linguistiche, che abbiano conseguito almeno il 20 per cento dei voti validi espressi nella circoscrizione, nonché la lista che abbia ottenuto la maggiore cifra elettorale nazionale tra quelle che non hanno conseguito sul piano nazionale almeno il 2 per cento dei voti validi espressi;”;
art. 83, comma 1, numero 7): “7) qualora la verifica di cui al numero 5) abbia dato esito positivo, procede, per ciascuna coalizione di liste, al riparto dei seggi in base alla cifra elettorale nazionale di ciascuna lista di cui al numero 6). A tale fine, per ciascuna coalizione di liste, divide la somma delle cifre elettorali nazionali delle liste ammesse al riparto di cui al numero 6) per il numero di seggi già individuato ai sensi del numero 4). Nell’effettuare tale divisione non tiene conto dell’eventuale parte frazionaria del quoziente così ottenuto. Divide poi la cifra elettorale nazionale di ciascuna lista ammessa al riparto per tale quoziente. La parte intera del quoziente così ottenuta rappresenta il numero dei seggi da assegnare a ciascuna lista. I seggi che rimangono ancora da attribuire sono rispettivamente assegnati alle liste per le quali queste ultime divisioni hanno dato i maggiori resti e, in caso di parità di resti, alle liste che abbiano conseguito la maggiore cifra elettorale nazionale; a parità di quest’ultima si procede a sorteggio. A ciascuna lista di cui al numero 3), lettera b), sono attribuiti i seggi già determinati ai sensi del numero 4);”;
art. 83, comma 1, numero 8), limitatamente alle parole: “varie coalizioni di liste o”;
art. 83, comma 1, numero 8), limitatamente alle parole: “per ciascuna coalizione di liste, divide il totale delle cifre elettorali circoscrizionali di tutte le liste che la compongono per il quoziente elettorale nazionale di cui al numero 4), ottenendo così l’indice relativo ai seggi da attribuire nella circoscrizione alle liste della coalizione medesima. Analogamente,”;
art. 83, comma 1, numero 8), limitatamente alle parole, ovunque ricorrono: “coalizione di liste o”;
art. 83, comma 1, numero 8), limitatamente alle parole, ovunque ricorrono: “coalizioni di liste o”;
art. 83, comma 1, numero 8), limitatamente alle parole: “coalizioni o”;
art. 83, comma 1, numero 9): “9) salvo quanto disposto dal comma 2, l’Ufficio procede quindi all’attribuzione nelle singole circoscrizioni dei seggi spettanti alle liste di ciascuna coalizione. A tale fine, determina il quoziente circoscrizionale di ciascuna coalizione di liste dividendo il totale delle cifre elettorali circoscrizionali delle liste di cui al numero 6) per il numero di seggi assegnati alla coalizione nella circoscrizione ai sensi del numero 8). Nell’effettuare tale divisione non tiene conto dell’eventuale parte frazionaria del quoziente. Divide quindi la cifra elettorale circoscrizionale di ciascuna lista della coalizione per tale quoziente circoscrizionale. La parte intera del quoziente così ottenuta rappresenta il numero dei seggi da assegnare a ciascuna lista. I seggi che rimangono ancora da attribuire sono assegnati alle liste seguendo la graduatoria decrescente delle parti decimali dei quozienti così ottenuti; in caso di parità, sono attribuiti alle liste con la maggiore cifra elettorale circoscrizionale; a parità di quest’ultima, si procede a sorteggio. Successivamente l’Ufficio accerta se il numero dei seggi assegnati in tutte le circoscrizioni a ciascuna lista corrisponda al numero dei seggi ad essa attribuito ai sensi del numero 7). In caso negativo, procede alle seguenti operazioni, iniziando dalla lista che abbia il maggior numero di seggi eccedenti, e, in caso di parità di seggi eccedenti da parte di più liste, da quella che abbia ottenuto la maggiore cifra elettorale nazionale, proseguendo poi con le altre liste, in ordine decrescente di seggi eccedenti: sottrae i seggi eccedenti alla lista in quelle circoscrizioni nelle quali essa li ha ottenuti con le parti decimali dei quozienti, secondo il loro ordine crescente e nelle quali inoltre le liste, che non abbiano ottenuto il numero di seggi spettanti, abbiano parti decimali dei quozienti non utilizzate. Conseguentemente, assegna i seggi a tali liste. Qualora nella medesima circoscrizione due o più liste abbiano le parti decimali dei quozienti non utilizzate, il seggio è attribuito alla lista con la più alta parte decimale del quoziente non utilizzata. Nel caso in cui non sia possibile fare riferimento alla medesima circoscrizione ai fini del completamento delle operazioni precedenti, fino a concorrenza dei seggi ancora da cedere, alla lista eccedentaria vengono sottratti i seggi in quelle circoscrizioni nelle quali li ha ottenuti con le minori parti decimali del quoziente di attribuzione e alle liste deficitarie sono conseguentemente attribuiti seggi in quelle altre circoscrizioni nelle quali abbiano le maggiori parti decimali del quoziente di attribuzione non utilizzate.”;
art. 83, comma 2, limitatamente alle parole: “la coalizione di liste o”;
art. 83, comma 2, limitatamente alle parole: “coalizione di liste o”;
art. 83, comma 2, limitatamente alle parole: “di tutte le liste della coalizione o”;
art. 83, comma 3, limitatamente alle parole: “coalizioni di liste e”;
art. 83, comma 3, limitatamente alle parole, ovunque ricorrono: “coalizione di liste o”;
art. 83, comma 3, limitatamente alle parole: “coalizioni di liste o”;
art. 83, comma 4: “L’Ufficio procede poi, per ciascuna coalizione di liste, al riparto dei seggi ad essa spettanti tra le relative liste ammesse al riparto. A tale fine procede ai sensi del comma 1, numero 7), periodi secondo, terzo, quarto, quinto, sesto e settimo.”;
art. 83, comma 5, limitatamente alle parole: “numero 6),”;
art. 83, comma 5, limitatamente alle parole: “e 9)”;
art. 83, comma 5, limitatamente alle parole: “coalizione di liste o”;
art. 83, comma 5, limitatamente alle parole: “coalizioni di liste o”;
art. 84, comma 3: “Qualora al termine delle operazioni di cui al comma 2, residuino ancora seggi da assegnare alla lista in una circoscrizione, questi sono attribuiti, nell’àmbito della circoscrizione originaria, alla lista facente parte della medesima coalizione della lista deficitaria che abbia la maggiore parte decimale del quoziente non utilizzata, procedendo secondo un ordine decrescente. Qualora al termine di detta operazione residuino ancora seggi da assegnare alla lista, questi sono attribuiti, nelle altre circoscrizioni, alla lista facente parte della medesima coalizione della lista deficitaria che abbia la maggiore parte decimale del quoziente già utilizzata, procedendo secondo un ordine decrescente.”;
art. 84, comma 4, limitatamente alle parole: “e 3”;
art. 86, comma 2, limitatamente alle parole: “, 3”?».
2ª questão: "Volete voi che sia abrogato il Decreto legislativo 20 dicembre 1993, n. 533, nel testo risultante per effetto di modificazioni ed integrazioni successive, titolato “Testo unico delle leggi recanti norme per l’elezione del Senato della Repubblica”, limitatamente alle seguenti parti:
art. 1, comma 2, limitatamente alle parole: "di coalizione";
art. 9, comma 3, limitatamente alle parole: "Nessuna sottoscrizione è altresì richiesta per i partiti o gruppi politici che abbiano effettuato le dichiarazioni di collegamento ai sensi dell'art. 14-bis, comma 1, del testo unico delle leggi recanti norme per la elezione della Camera dei deputati, di cui al decreto del Presidente della Repubblica 30 marzo 1957, n. 361, con almeno due partiti o gruppi politici di cui al primo periodo del presente comma e abbiano conseguito almeno un seggio in occasione delle ultime elezioni per il Parlamento europeo, con contrassegno identico a quello depositato ai sensi dell'art. 14 del citato testo unico di cui al decreto del Presidente della Repubblica n. 361 del 1957.";
art. 11, comma 1, lettera a), limitatamente alle parole: "alle coalizioni e";
art. 11, comma 1, lettera a), limitatamente alle parole: "non collegate";
art. 11, comma 1, lettera a), limitatamente alle parole: ", nonché, per ciascuna coalizione, l'ordine dei contrassegni delle liste della coalizione";
art. 11, comma 3, limitatamente alle parole: "delle liste collegate appartenenti alla stessa coalizione";
art. 11, comma 3, limitatamente alle parole: "di seguito, in linea orizzontale, uno accanto all'altro, su un'unica riga";
art. 11, comma 3, limitatamente alle parole: "delle coalizioni e";
art. 11, comma 3, limitatamente alle parole: "non collegate";
art. 11, comma 3, limitatamente alle parole: "di ciascuna coalizione";
art. 16, comma 1, lettera a), limitatamente alle parole: ". Determina inoltre la cifra elettorale circoscrizionale di ciascuna coalizione di liste, data dalla somma delle cifre elettorali circoscrizionali di tutte le liste che la compongono";
art. 16, comma 1, lettera b), numero 1): “1) le coalizioni di liste che abbiano conseguito sul piano regionale almeno il 20 per cento dei voti validi espressi e che contengano almeno una lista collegata che abbia conseguito sul piano regionale almeno il 3 per cento dei voti validi espressi;”;
art. 16, comma 1, lettera b), numero 2), limitatamente alle parole: "non collegate";
art. 16, comma 1, lettera b), numero 2), limitatamente alle parole: "nonché le liste che, pur appartenendo a coalizioni che non hanno superato la percentuale di cui al numero 1), abbiano conseguito sul piano regionale almeno l'8 per cento dei voti validi espressi";
art. 17, comma 1, limitatamente alle parole: "le coalizioni di liste e";
art. 17, comma 1, limitatamente alle parole: "coalizioni di liste o";
art. 17, comma 1, limitatamente alle parole, ovunque ricorrono: "coalizione di liste o";
art. 17, comma 2, limitatamente alle parole: "la coalizione di liste o";
art. 17, comma 3: “Nel caso in cui la verifica di cui al comma 2 abbia dato esito positivo, l'ufficio elettorale regionale individua, nell'àmbito di ciascuna coalizione di liste collegate di cui all'articolo 16, comma 1, lettera b), numero 1), le liste che abbiano conseguito sul piano circoscrizionale almeno il 3 per cento dei voti validi espressi. Procede quindi, per ciascuna coalizione di liste, al riparto, tra le liste ammesse, dei seggi determinati ai sensi del comma 1. A tale fine, per ciascuna coalizione di liste, divide la somma delle cifre elettorali circoscrizionali delle liste ammesse al riparto per il numero di seggi già individuato ai sensi del comma 1, ottenendo così il relativo quoziente elettorale di coalizione. Nell'effettuare tale divisione non tiene conto dell'eventuale parte frazionaria del quoziente. Divide poi la cifra elettorale circoscrizionale di ciascuna lista ammessa al riparto per il quoziente elettorale di coalizione. La parte intera del quoziente così ottenuta rappresenta il numero dei seggi da assegnare a ciascuna lista. I seggi che rimangono ancora da attribuire sono rispettivamente assegnati alle liste per le quali queste ultime divisioni hanno dato i maggiori resti e, in caso di parità di resti, alle liste che abbiano conseguito la maggiore cifra elettorale circoscrizionale; a parità di quest'ultima si procede a sorteggio. A ciascuna lista di cui all'articolo 16, comma 1, lettera b), numero 2), sono attribuiti i seggi già determinati ai sensi del comma 1.”;
art. 17, comma 4, limitatamente alle parole: "alla coalizione di liste o";
art. 17, comma 5, limitatamente alle parole, ovunque ricorrono: "coalizioni di liste o";
art. 17, comma 5, limitatamente alle parole, ovunque ricorrono: "coalizione di liste o";
art. 17, comma 5, limitatamente alle parole: "alle coalizioni di liste e";
art. 17, comma 6: “Per ciascuna coalizione l'ufficio procede al riparto dei seggi ad essa spettanti ai sensi dei commi 4 e 5. A tale fine, per ciascuna coalizione di liste, divide il totale delle cifre elettorali circoscrizionali delle liste ammesse al riparto ai sensi dell'articolo 16, comma 1, lettera b), numero 1), per il numero dei seggi ad essa spettanti. Nell'effettuare tale divisione non tiene conto dell'eventuale parte frazionaria del quoziente così ottenuto. Divide poi la cifra elettorale circoscrizionale di ciascuna lista per quest'ultimo quoziente. La parte intera del risultato così ottenuto rappresenta il numero dei seggi da attribuire a ciascuna lista. I seggi che rimangono ancora da attribuire sono rispettivamente assegnati alla lista per la quale queste ultime divisioni abbiano dato i maggiori resti e, in caso di parità di resti, a quelle che abbiano conseguito la maggiore cifra elettorale circoscrizionale.”;
art. 17, comma 8: “Qualora una lista abbia esaurito il numero dei candidati presentati nella circoscrizione regionale e non sia quindi possibile attribuire tutti i seggi ad essa spettanti, l'ufficio elettorale regionale assegna i seggi alla lista facente parte della medesima coalizione della lista deficitaria che abbia la maggiore parte decimale del quoziente non utilizzata, procedendo secondo un ordine decrescente. Qualora due o più liste abbiano una uguale parte decimale del quoziente, si procede mediante sorteggio.”;
art. 17-bis, limitatamente alle parole: “e 6”;
art. 19, comma 2: “Qualora la lista abbia esaurito il numero dei candidati presentati in una circoscrizione e non sia quindi possibile attribuirle il seggio rimasto vacante, questo è attribuito, nell'àmbito della stessa circoscrizione, ai sensi dell'articolo 17, comma 8."»
3ª questão: " Volete voi che sia abrogato il Decreto del Presidente della Repubblica 30 marzo 1957, n. 361, nel testo risultante per effetto di modificazioni ed integrazioni successive, titolato “Approvazione del testo unico delle leggi recanti norme per la elezione della Camera dei Deputati”, limitatamente alle seguenti parti: art. 19, limitatamente alle parole: “nella stessa”; art. 85."
O sim ganhou nas três questões. Mas a abstenção foi 77%. Por não ter atingido o quórum de 50%, os resultados são inválidos.
Conclusões:
1. Há sistemas políticos ainda piores que o nosso.
2. 23% da população italiana com 18 ou mais anos é composta por juristas.
(Obrigado ao Andrés pela experiência inolvidável de olhar para um boletim de voto destes).
Porto. IPOM, 16-19 Junho, N=797, Tel.
PS: 23,5%
CDU: 9,2%
BE: 8,1%
OBN: 4,1%
Esta é a terceira sondagem publicada sobre as autárquicas do Porto, que eu conheça. Nas três, a diferença entre Rio e Elisa é sempre ampla e significativa. Mas nas duas pós-Europeias a diferença é muito maior.
Obrigado ao Gabriel e ao João.
Grande Porto
Legislativas. Aximage, 1-3 e 6 de Julho, N=749, Tel.
PSD: 30,3%
BE: 13,3%
CDU: 9,5%
CDS-PP: 6,1%
O total é 89,7%. A notícia na net não distingue os restantes 10,3% em indecisos e OBN, mas é possível que a notícia em papel o faça.
quarta-feira, julho 08, 2009
Contribuições para o debate sobre o sistema eleitoral português
Atalhos informacionais
Instrução, sexo e idade são irrelevantes. Curioso, mas não surpreende quando a escolha é apenas entre PS e a direita. O coeficiente associado à instrução é positivo (mais instrução, maior propensão para votar PSL em vez de Costa na amostra) mas não é significativo com p<0,05. Obviamente, a avaliação da actuação de António Costa é o factor determinante, mas é um indicador, em si mesmo, demasiado "próximo" do voto, sendo provavelmente mais instrutivo retirar a variável do modelo. E o mais interessante é que, quando o fazemos, verificamos de que forma a percepção dos problemas da cidade afectam a opção Costa vs. PSL. E são duas, e só duas, as percepções relevantes para distiguir estes dois grupos de eleitores: criminalidade e sujidade das ruas e dos espaços verdes. Quanto maior a gravidade apercebida destes problemas, maior a propensão para votar PSL em vez de Costa.
Quando os grupos comparados são aqueles que tencionam votar em Costa (0) vs. os que tencionam votar num qualquer outro partido (1), a questão da criminalidade deixa de ser significativa. É, portanto, um factor que joga mais na escolha entre Costa e a coligação de direita do que na opção genérica "incumbent" vs. oposição. Mas a questão da sujidade das ruas e espaços verdes permanece (e o coeficiente até cresce em dimensão e significância estatística): é esta percepção, positiva para alguns (29% dos votantes prováveis) mas negativa para a maioria (71% dos votantes prováveis), o aspecto que mais ajuda a diferenciar os que tencionam votar em Costa dos que tencionam votar noutra lista e candidato qualquer.
Banal? Talvez. Mas quando olho para a lista dos outros problemas sobre quais pedimos opiniões aos eleitores, julgo compreender. Trânsito, transportes, habitação, degradação de edifícios são problemas "macro", que envolvem factores fora do controlo da CML (o que não quer dizer que a CML faça tudo aquilo que está ao seu alcance nestes domínios). Criminalidade é, em grande medida, um problema de percepção. Na falta de dados que permitam relacionar as pessoas com contextos concretos de insegurança, o que sobra são percepções fundadas em predisposições ideológicas, e por isso se entende que conte apenas numa escolha Costa/PSL, ou seja, esquerda/direita. E a cultura, digamos, não é problema sério para muita gente.
Resta a "sujidade". Uma espécie de "atalho informacional": se uma câmara é vista como conseguindo manter uma cidade limpa e arranjada, também não há-de ser má em tudo o resto. Mas se é vista como não conseguindo cumprir os "serviços mínimos", isso é mau sinal para tudo o resto. Os eleitores até podem ter pouca informação, mas não são parvos a usarem a que têm.









