sexta-feira, março 12, 2010

Eurosondagem, 4-9 Março 2009, N=1025, Tel.

Aqui e aqui.

Intenções de voto antes e depois de redistribuição de indecisos:
PS: 29,3% (36,9%)
PSD: 20,8% (26,2%)
CDS-PP: 11,8% (14,8%)
BE: 7,0% (8,8%)
CDU: 6,7% (8,4%)
NS/NR: 20,5%

Há ainda questões ligadas à corrida para a liderança do PSD. 45,2% dos inquiridos dizem que Pedro Passos Coelho "é o melhor dos candidatos à liderança do PSD para ganhar as legislativas a José Sócrates" contra 24,3% que mencionam Paulo Rangel; 47,1% apontam PPC como "quem deve liderar o PSD" (contra 22,1% que apontam PR); 43,4% dizem que é com PPC que "o Governo terá mais facilidade em estabelecer acordos" (contra 20,6% que apontam PR).

E entre os eleitores do PSD? Seria bom saber. Talvez o Expresso apresente esses dados amanhã.

quinta-feira, março 11, 2010

CESOP, 6-9 Mar., N=1148, Presencial

Divulgado aqui, aqui e aqui.

Intenções de voto (antes e após redistribuição de indecisos):
PS: 20% (41%)
PSD:15% (33%)
CDS-PP: 5% (10%)
CDU: 3% (6%)
BE: 3% (6%)
Outros: 1% (1%)
BN:4% (3%)
Não votava: 18%
Não sabe: 21%
Recusa: 9%

Muito semelhantes aos resultados da última sondagem conhecida (a da Intercampus, divulgada no Público) no PSD, PS e CDU, mas diferentes nos partidos mais pequenos, com o CDS-PP a aparecer melhor nesta sondagem e o BE pior.

Outros resultados divulgados até ao momento:

1. Má avaliação do governo (apenas 28% de opiniões positivas sobre actuação).
2. Má avaliação da oposição como alternativa (55% acham que ninguém faria melhor, o que ajuda a explicar as intenções de voto).
3. Descidas de todos os líderes políticos, exceptuando Cavaco Silva e Paulo Portas.
4. 79% acham que PM deixou coisas por esclarecer no caso "Face Oculta", mas 60% que a sua opinião sobre PM não mudou por causa disso.
5. 56% acham que PM deve continuar no cargo; 65% querem eleições antecipadas se isso não suceder.

Nos próximos dias:
1. Preferências sobre liderança no PSD, entre eleitores em geral e entre simpatizantes do PSD;
2. Prioridades na reacção à crise económica.
3. Monarquia vs. República.
4. Presidenciais.
5. Qualidade da democracia em Portugal.

segunda-feira, março 08, 2010

Ler

Fazer uma pesquisa das publicações em revistas académicas internacionais escritas em Portugal é uma coisa que dá boa disposição logo pela manhã. Não estou a ser irónico. No ISI Web of Knowledge, só a contar com as publicações em ciências sociais e humanidades, há já 124 artigos em inglês publicados nos primeiros meses de 2010 por investigadores a trabalhar em Portugal. Seguem-se alguns destaques. Podem não ser as melhores - é-me impossível dizer - mas são as que mais interesse me despertaram.

1. "Attitudes toward assisted death amongst Portuguese oncologists", de Ferraz Gonçalves, na Supportive Care in Cancer.

2. "Firm-level social returns to education", de Pedro S. Martins e Jim Y. Jin, no Journal of Population and Economics.

3. "What do we really know about fiscal sustainability in the EU? A panel data diagnostic", de António Afonso e Christophe Rault, na Review of World Economics.

4. "The Socioeconomic determinants of economic inequality: Evidence from Portugal", de Santiago Budria, na Revista Internacional de Sociologia (uma revista espanhola que publica em inglês).

5. "Social mobility in Portugal (1860-1960): operative issues and trends", de Helder Adegar Fonseca e Paulo Eduardo Guimarães, na Continuity and Change.

6. "Genetics and criminal behaviour: recent accomplishments", de Arlindo Lagoa e outros, na Medecine Science and the Law.

7. "Violence in Juvenile Dating Relationships Self-Reported Prevalence and Attitudes in a Portuguese Sample", de Carla Machado e outros, no Journal of Family Violence.

Para além disto, mais perto de casa:

- não é de 2010, mas é recente, um artigo de Hajo Boomgaarden e André Freire: "Religion and Euroscepticism: Direct, Indirect, or No Effects?", na West European Politics.

- Michael Lewis-Beck e Marina Costa Lobo: "Anchoring the Portuguese Voter: Panel Dynamics in a New Electorate", na Political Research Quarterly.

Finalmente, shameless plugs. Deverá sair este ano um artigo com a Marina sobre eurocepticismo em Portugal (no discurso partidário e no comportamento eleitoral) na South European Society and Politics e um artigo com o LA-C sobre quorums e referendos no European Journal of Political Economy.

sexta-feira, março 05, 2010

Intercampus, 23-27 Fev., N=1015, Tel.

Muita informação actual e interessante na sondagem do Público de hoje.

Intenções de voto (antes e após redistribuição de indecisos):
PS: 28,5 (40,36)
PSD: 24,2 (34,35)
BE: 7,1 (10,05)
CDS-PP: 5,5 (7,82)
CDU: 4,4 (6,28)
Outros: 0,8

Agora para um meu pet peeve: só para terem uma ideia, aquele 0,06% que faz a diferença entre 40,3% e 40,36% para o PS representa 0,4 inquiridos.

Outros resultados:

1. 59,8% acham que Sócrates mentiu deliberadamente quando disse na AR que não sabia da vontade da PT querer comprar a TVI. Curioso que não há um único NS/NR nesta pergunta (40,2% acham que o PM não mentiu), ou será que foram excluídos do total? E se foram, quantos serão? Não é irrelevante.

2. Entre os que disseram achar que o PM mentiu, 74% acham que a mentira não tem justificação.

3. 54% acham que o PM tem condições para continuar a governar. Também não há NS/NR nesta pergunta. O que está acima aplica-se.

4. 74,56% (ou, quem sabe, 74, 5643452837%) acham que Cavaco Silva será o próximo PR e 59,06% gostavam que assim fosse.

5. 50,5% acham que PR deveria ter mais poderes.

6. 30,4% gostariam que António Costa sucedesse a Sócrates caso este abandonasse a liderança do PS e 16,6% que fosse Jaime Gama (como lisboeta, também tenho uma opinião sólida sobre este assunto).

7. Se houvesse demissão do governo, 64,8% queriam eleições.

8. 57,9% querem que o governo faça acordos à esquerda e à direita.

9. 28% queriam MRS, 26% queriam PPC, 20% queriam PR e 7% JPAB para o PSD. Em parte, é uma pena a pergunta incluir MRS e não haver resultados por simpatia partidária, nomeadamente entre os simpatizantes do PSD.

quinta-feira, março 04, 2010

Sobre a última e sobre as próximas sondagens

A sondagem da Marktest que for conduzida em Abril vai ser interessante. De momento, o PSD tem 30,9% das intenções de voto, e tem vindo a subir. Mas tem vindo a subir mesmo quando MFL é avaliada negativamente pela maioria dos eleitores e, curiosamente, pelos próprios que agora afirmam tencionar votar no PSD: entre eles, apenas 29% fazem uma avaliação positiva da MFL, contra 53% que fazem uma avaliação negativa.

Um novo líder do PSD, independentemente de quem seja, pode provavelmente contar com menor hostilidade inicial ou, pelo menos, alguma indiferença. Em suma, a diferença que isso cause nas intenções de voto no PSD será um bom teste à influência dos líderes nessas intenções.

quarta-feira, março 03, 2010

Artigo

Um artigo de Miguel Lebre de Freitas, no Jornal de Negócios, via Economia Política. O Economia Política fala, a propósito disto, do Europa 2020. A mim, a crónica de Lebre de Freitas lembrou-me de um artigo muito recente de James Buchanan, intitulado Economists have no clothes:

Unfortunately, economists, generally, failed to understand that aggregate variables that may be measured with tolerable accuracy ex post may not be variables subject to control, directly or even indirectly. The fundamental misconception here lies in the understanding of what ‘the economy’ is. The ‘economic problem’ is not (despite Lionel Robbins) an engineering problem that may be defined simply as the allocation of scarce resources among alternative uses. The economy, in some inclusive definitional sense, is perhaps best described as an order that consists of an interlinked set of exchanges, simple and complex, from which outcomes emerge that may in some respects be meaningfully measured but that cannot be chosen, and thereby controlled, by concentrated decision takers.

Marktest, 16-21 Fev, N=804, Tel.

Com algum atraso, retomo os resultados da última sondagem Marktest. Resultados mais assinaláveis:

1. Intenção de voto no PS cai de 40,5 para 36,7% de Janeiro para Fevereiro.
2. PSD prolonga tendência de subida que já vem desde as eleições.
3. CDS prolonga tendência de descida desde a mesma altura.
4. Saldo de opiniões positivas-negativas sobre o PM passa de -6,4 para -27,5.
5. Saldo de opiniões positivas-negativas sobre MFL mantêm-se em torno dos -50.
6. 74% daqueles que dizem tencionar votar no PS têm imagem positiva do PM; 80% daqueles que dizem tencionar votar no PSD têm imagem negativa.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

PORDATA

Sou algo suspeito, porque faço parte do Conselho Científico da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Mas dificilmente se poderia imaginar uma primeira iniciativa da FFMS mais auspiciosa do que a PORDATA.

Primeiro, porque a PORDATA congrega num único suporte um conjunto de dados estatísticos sobre a sociedade e a economia portuguesas que se encontravam dispersos por muitas fontes oficiais, tornando essa informação mais acessível e transparente. Segundo, porque a própria construção da PORDATA levou, no contacto com essas fontes, à detecção de lacunas e problemas nessa mesma informação. Neste sentido, a PORDATA já contribuiu não apenas para a disseminação de informação mas também para a melhoria da sua qualidade. Terceiro, porque uma das coisas em que se teve maior cuidado na construção desta base foi na análise das mudanças de critérios na medição das variáveis, permitindo a quem analisa os dados perceber em que casos as evoluções ao longo do tempo reflectem alterações reais ou, pelo contrário, simples mudanças de critérios. Sabendo como pensam os governos e como este tipo de dados se presta à manipulação, isto não é coisa de somenos. E quarto, porque estes dados são disponibilizados pela PORDATA de uma maneira mais amigável, manejável e atraente do que em qualquer fonte oficial portuguesa que conheça. É evidente que o seu uso ainda exige um conjunto de competências mínimas. Mas o facto de o suporte de tratamento de informação ter sido criado de raiz permite que seja mais friendly que os sites e suportes das fontes oficiais, facilitando o seu uso não apenas por especialistas mas também por jornalistas, estudantes e público interessado em geral.

E há um último ponto, para mim não menos relevante. Por várias razões que não vale a pena tratar aqui, acho que o advento da blogosfera e das redes sociais como fontes de informação e locais de debate tem causado duas tendências contraditórias. A primeira, muito positiva, é de fornecer um constante recurso de fact-checking no debate público. Políticos e jornalistas sabem que, se não fizerem cuidadosamente o seu trabalho, há sempre alguém algures que sabe algo que os primeiros julgavam que ninguém sabia e os segundos não se deram ao trabalho de apurar e estudar devidamente. Mas a segunda, mais perturbante, tem sido a de mergulhar o debate público num mar de opiniões. Hoje, é fácil encontrar todo o tipo de opiniões sobre todos os temas, expressas não apenas pelos cidadãos em geral e pelos políticos, mas também por aqueles - especialistas, responsáveis da administração pública e jornalistas - dos quais esperaríamos mais juízos de facto e menos juízos de valor. Em suma, há uma tendência crescente para tratar os factos como se fossem meras opiniões e as meras opiniões como factos. Assim, acho muito positivo que a primeira iniciativa pública da FFMS não seja a de nos atirar mais opiniões para cima, mas sim a de nos facultar, simplesmente, informação.

Muitos parabéns a Maria João Valente Rosa, responsável pelo projecto.

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Aximage, 10-13 Fev., N=600, Tel.

Três aspectos desta sondagem:

1. Intenção de voto, indicando subida do PSD e descida do PS. Importa dizer, contudo, que as diferenças entre sondagens, tendo em conta as dimensões das amostras, não são estatisticamente significativas.

2. Opiniões sobre PM e "Face Oculta".

3. Preferências sobre melhor líder para o PSD. Entre o eleitorado em geral, PPC 41,9%, PR 37,1% e JPAB 12,2%. Neste caso, a diferença entre PPC e PR é estatisticamente significativa. Depois entre eleitores do PSD: PPC 40,8%, PR 40,7%. Aqui a diferença carece de significância estatística, mas não pelas razões mencionadas no artigo ("Uma diferença que, por se situar dentro da margem de erro da sondagem, revela um empate técnico entre os dois candidatos"). Primeiro, a sub-amostra dos eleitores do PSD é muito menos que a amostra do eleitorado, pelo que a "margem de erro da sondagem" seria sempre mau indicador. Segundo, porque a significância estatística da diferença entre duas proporções não se estima através da margem de erro da sondagem (ver aqui).

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Política comparada

Aqui há uns anos, o Primeiro Ministro da Hungria, Ferenc Gyurcsány, foi apanhado numa gravação a admitir a outros membros do partido que "temos andando a mentir nos últimos dois anos". Seguiram-se motins. Gyurcsány, contudo, aguentou mais três anos no poder, até Março de 2009. Agora vêm eleições. O partido de Gyurcsány, o MSZP, tinha conseguido mais de 40% dos votos nas eleições anteriores, em 2006. Agora, a um mês das eleições, as sondagens dão-lhes 22%. E tendo em conta o sistema eleitoral húngaro, o MSZP arrisca-se a ser praticamente eliminado do parlamento e a dar 2/3 dos assentos ao FIDESZ.

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Mais um de mil exemplos possíveis dos efeitos da linguagem das perguntas nos resultados de uma sondagem


Aqui, via Marginal Revolution.

Eurosondagem, 4-9 Fevereiro, N=1025, tel.

Resultados aqui. A frase que retenho da notícia, e que diz muito sobre como os números nunca são apenas os números numa notícia sobre sondagens: "por caricato que possa parecer, a popularidade dos agentes políticos e judiciais mantém-se este mês intacta", escreve-se.

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Alguns gráficos do Trocas de Opinião

Médias móveis das últimas 20 transacções, ponderado o número de títulos transaccionados, desde o início da vigência do contrato até hoje:

1. Paulo Rangel próximo Presidente do PSD? (início a 12-10-2009):


2. Pedro Passos Coelho próximo Presidente do PSD? (início a 12-10-2009):


3. Governo cai antes de Setembro de 2010 (início a 2-10-2009):


4.Défice vai ficar acima dos 8% (início a 17-11-2009):


5. Cavaco Silva recandidata-se à Presidência (início a 2-10-2009):

domingo, fevereiro 07, 2010

Aximage, 2-5 Fev., N=600, Tel.

Detalhes aqui. Apesar da notícia destacar a má avaliação de José Sócrates, aqui não há surpresas. Nesta sondagem, de 0 a 20, a avaliação média do PM é de 8,3. Em Janeiro, era 9,2. Em Dezembro, 10,3. Em Novembro, 11,3. Em Outubro, 12,1. Desde as eleições, Sócrates perde praticamente um ponto por mês. Mais certinho era difícil.

Já nas intenções de voto parece haver ainda menos novidades. Há quem possa achar isto intrigante, tendo em conta a descida do PM. Mas vale a pena lembrar que Manuela Ferreira Leite tem sido ainda pior avaliada do que José Sócrates nas sondagens anteriores da Aximage e que, na sondagem da Marktest (não tenho dados comparáveis da Aximage), é o único caso em que um líder partidário é avaliado de forma predominantemente negativa pelos próprios eleitores do partido.

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Notas sobre alguns resultados da última sondagem Marktest

Há dias falei aqui da última sondagem da Marktest. Olhando para as tabelas de contingência com calma, alguns dados interessantes:

1. 25% dos eleitores do PS classificam a actuação de Cavaco Silva como "negativa". Valor é igual ao de Novembro mas mais alto que em Setembro passado, e o mais alto de sempre.

2. 80% dos eleitores do PS avaliam a actuação de José Sócrates como "positiva"; 80% dos eleitores do PSD avaliam a actuação de José Sócrates como "negativa". Estamos quase tão polarizados como nos Estados Unidos (ver aqui e aqui).

3. 50% dos eleitores do PSD avaliam negativamente a actuação de Manuela Ferreira Leite, contra 35% que a avaliam positivamente.

Naturalmente, a margem de erro associada a estas estimativas é superior à da amostra em geral.

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

"Waking up in the poll booth"

No número de Dezembro de 2009 da Perspectives on Politics, que só agora recebi em papel, vem um artigo muito interessante para quem faz e consome sondagens, de Robert E. Goodin e James Mahmud Rice. Goodin e Rice mostram, usando inquéritos em painel - onde o mesmo grupo de pessoas é seguido antes, durante e depois da campanha eleitoral (ou seja, depois das eleições) - que uma parte não irrelevante dos eleitores vota de uma forma diferente daquela que revela em sondagens feitas durante a campanha, e curiosamente, mais semelhantes àquela que manifesta antes da campanha. Isto faz com que, ao contrário do que se poderia pensar, nem sempre é verdade que sondagens feitas mais próximo das eleições sejam melhores preditoras do voto. E sugere que:

"there is indeed something about the poll booth that changes the way people think. When telling an American pollster whether or not they approve of the way the president is handling his job, or even when telling a British or Australian pollster how they would vote if the election were held today, they give an off-the-top-of-their-head response. Voting, however, is serious business. For responsible voters who take their civic duty seriously, it is an occasion to pause and reflect on how good a job the incumbent really has done – not just over the last little while but over the whole period in office."