Com algum atraso, encontro um post de João Rodrigues no Arrasão sobre a Pordata. Descrevendo a base como "excelente", o autor assinala criticamente o seguinte facto: "o Estado cria ou ajuda a criar e os 'privados' ficam com os lucros ou, quando não é caso disso, com o que importa: a estima e os louros que o dinheiro consegue comprar em sociedades demasiado desiguais".
Eu estou completamente de acordo, e até vou mais longe. Olhando com a atenção para as fontes de Pordata, constato que a base beneficiou não apenas do trabalho de recolha e organização de dados que António Barreto fez quando estava no Instituto de Ciências Sociais (do Estado) mas também do trabalho de recolha e tratamento de dados feitos por uma multidão de instituições estatais, tais como o Banco de Portugal, o INE, vários ministérios, a Biblioteca Nacional e outras. Um escândalo, na verdade.
Só vejo uma solução: enquanto o Estado não assumir a responsabilidade de produzir uma plataforma que organize toda a esta informação e a torne acessível, os privados não lhe deveriam ter acesso para os fins que entenderem. Que é isto de comprar "estima e louros" com informação gerada com o dinheiro dos contribuintes? E até digo mais: verifico que João Rodrigues tem uma série de publicações, que vão desde a "economia política do futebol" até à análise do "discurso económico". Infelizmente não li, mas estou plenamente confiante que nenhum destes trabalhos usa estatísticas oficiais, e é assim mesmo que deve ser. Que é isso de usar competências académicas adquiridas numa sociedade demasiado desigual e dados produzidos pelo Estado para obter estima e louros na comunidade académica? Em rigor, acho que apenas o Estado deveria ter acesso aos dados que ele próprio cria ou ajuda a criar, para não haver cá badalhoquices.
E se pensarmos bem ainda conseguimos ir mais longe: esta coisa de haver por aí académicos em instituições privadas a produzir conhecimento e a obter estima e louros com dados do Estado tem de ser muito bem revisto. E os estrangeiros? Os países deles que paguem. E por que raio deverão os FMI's e as OCDE's meter o bedelho nos dados do nosso querido Estado? Enfim, isto bem pensado leva-nos longe. Ainda bem que há gente que pensa como eu.
segunda-feira, março 15, 2010
domingo, março 14, 2010
Presidenciais
Mais resultados da sondagem do CESOP, aqui. À pergunta sobre qual dos candidatos conhecidos (mais o actual PR) poderia ser melhor Presidente da República, as respostas:
Cavaco Silva: 57%
Manuel Alegre: 19%
Fernando Nobre: 8%
NS/NR: 16%
Não é uma pergunta sobre intenção de voto, como se pode constatar pelo próprio facto de não perguntar inicialmente aos inquiridos se tencionam ou não votar. Mas dá indicações importantes, que confluem com os resultados recentes da Aximage (menos com os resultados da Eurosondagem, apesar de nesta última se introduzirem cenários mais complicados que podem ter afectado as respostas).
E mais uma vez, o JN estica-se excessivamente na interpretação do resultado da sondagem, transformando aquilo que os outros tratam como "preferência" (bem a RTP e o DN aqui) numa "reeleição praticamente garantida".
Ainda uma pergunta sobre Monarquia vs. República. 72% preferem República.
Cavaco Silva: 57%
Manuel Alegre: 19%
Fernando Nobre: 8%
NS/NR: 16%
Não é uma pergunta sobre intenção de voto, como se pode constatar pelo próprio facto de não perguntar inicialmente aos inquiridos se tencionam ou não votar. Mas dá indicações importantes, que confluem com os resultados recentes da Aximage (menos com os resultados da Eurosondagem, apesar de nesta última se introduzirem cenários mais complicados que podem ter afectado as respostas).
E mais uma vez, o JN estica-se excessivamente na interpretação do resultado da sondagem, transformando aquilo que os outros tratam como "preferência" (bem a RTP e o DN aqui) numa "reeleição praticamente garantida".
Ainda uma pergunta sobre Monarquia vs. República. 72% preferem República.
sábado, março 13, 2010
CESOP sobre candidatos PSD
Mais resultados de sondagens recentes já abordadas aqui. Neste caso, a do CESOP:
Resultados para a totalidade da amostra e, entre parêntesis, entre os eleitores que afirmam simpatizar com o PSD:
1. Qual seria, na sua opinião, o melhor candidato para a liderança do PSD?
Pedro Passos Coelho: 27% (35%)
Paulo Rangel: 22% (32%)
Aguiar Branco: 7% (8%)
Castanheira Barros:1% (0%)
Outro (espontâneo): 6% (5%)
Não sabe: 36% (19%)
Recusa responder: 2% (1%)
2. Na sua opinião, qual dos quatro candidatos anunciados à liderança do PSD poderá ser melhor primeiro ministro?
Pedro Passos Coelho: 26% (32%)
Paulo Rangel: 19% (30%)
Aguiar Branco: 7% (8%)
Castanheira Barros:1% (0%)
Nenhum deles (espontâneo): 8% (5%)
Não sabe: 38% (23%)
Recusa responder: 2% (1%)
A forma como no JN se interpretam os resultados da sondagem (que tem como universo a generalidade dos eleitores e uma sub-amostra do eleitorado que simpatiza com o PSD e não pede intenções de voto) como indicando possíveis resultados das eleições no PSD (que envolve militantes com capacidade de voto) é obviamente pouco sensata.
Resultados para a totalidade da amostra e, entre parêntesis, entre os eleitores que afirmam simpatizar com o PSD:
1. Qual seria, na sua opinião, o melhor candidato para a liderança do PSD?
Pedro Passos Coelho: 27% (35%)
Paulo Rangel: 22% (32%)
Aguiar Branco: 7% (8%)
Castanheira Barros:1% (0%)
Outro (espontâneo): 6% (5%)
Não sabe: 36% (19%)
Recusa responder: 2% (1%)
2. Na sua opinião, qual dos quatro candidatos anunciados à liderança do PSD poderá ser melhor primeiro ministro?
Pedro Passos Coelho: 26% (32%)
Paulo Rangel: 19% (30%)
Aguiar Branco: 7% (8%)
Castanheira Barros:1% (0%)
Nenhum deles (espontâneo): 8% (5%)
Não sabe: 38% (23%)
Recusa responder: 2% (1%)
A forma como no JN se interpretam os resultados da sondagem (que tem como universo a generalidade dos eleitores e uma sub-amostra do eleitorado que simpatiza com o PSD e não pede intenções de voto) como indicando possíveis resultados das eleições no PSD (que envolve militantes com capacidade de voto) é obviamente pouco sensata.
Aximage, 5-8 Março, 600, Tel.
Aqui. Os resultados divulgados dizem respeito a uma pergunta sobre intenção de voto nas presidenciais:
Cavaco Silva: 56%
Manuel Alegre: 21,6%
Fernando Nobre: 13,8%
Comparar com os resultados das Eurosondagem:
Cavaco Silva: 36,9%
Manuel Alegre: 25%
Fernando Nobre: 9,6%
Candidato apoiado pelo PCP: 5,0%
Outro que ainda vai aparecer: 6,9%
Ns/Nr: 16,9%
Um bom exemplo de como, com uma mesma pergunta, as opções de resposta facultadas podem mudar tudo.
Cavaco Silva: 56%
Manuel Alegre: 21,6%
Fernando Nobre: 13,8%
Comparar com os resultados das Eurosondagem:
Cavaco Silva: 36,9%
Manuel Alegre: 25%
Fernando Nobre: 9,6%
Candidato apoiado pelo PCP: 5,0%
Outro que ainda vai aparecer: 6,9%
Ns/Nr: 16,9%
Um bom exemplo de como, com uma mesma pergunta, as opções de resposta facultadas podem mudar tudo.
sexta-feira, março 12, 2010
Eurosondagem, 4-9 Março 2009, N=1025, Tel.
Aqui e aqui.
Intenções de voto antes e depois de redistribuição de indecisos:
PS: 29,3% (36,9%)
PSD: 20,8% (26,2%)
CDS-PP: 11,8% (14,8%)
BE: 7,0% (8,8%)
CDU: 6,7% (8,4%)
NS/NR: 20,5%
Há ainda questões ligadas à corrida para a liderança do PSD. 45,2% dos inquiridos dizem que Pedro Passos Coelho "é o melhor dos candidatos à liderança do PSD para ganhar as legislativas a José Sócrates" contra 24,3% que mencionam Paulo Rangel; 47,1% apontam PPC como "quem deve liderar o PSD" (contra 22,1% que apontam PR); 43,4% dizem que é com PPC que "o Governo terá mais facilidade em estabelecer acordos" (contra 20,6% que apontam PR).
E entre os eleitores do PSD? Seria bom saber. Talvez o Expresso apresente esses dados amanhã.
Intenções de voto antes e depois de redistribuição de indecisos:
PS: 29,3% (36,9%)
PSD: 20,8% (26,2%)
CDS-PP: 11,8% (14,8%)
BE: 7,0% (8,8%)
CDU: 6,7% (8,4%)
NS/NR: 20,5%
Há ainda questões ligadas à corrida para a liderança do PSD. 45,2% dos inquiridos dizem que Pedro Passos Coelho "é o melhor dos candidatos à liderança do PSD para ganhar as legislativas a José Sócrates" contra 24,3% que mencionam Paulo Rangel; 47,1% apontam PPC como "quem deve liderar o PSD" (contra 22,1% que apontam PR); 43,4% dizem que é com PPC que "o Governo terá mais facilidade em estabelecer acordos" (contra 20,6% que apontam PR).
E entre os eleitores do PSD? Seria bom saber. Talvez o Expresso apresente esses dados amanhã.
quinta-feira, março 11, 2010
CESOP, 6-9 Mar., N=1148, Presencial
Divulgado aqui, aqui e aqui.
Intenções de voto (antes e após redistribuição de indecisos):
PS: 20% (41%)
PSD:15% (33%)
CDS-PP: 5% (10%)
CDU: 3% (6%)
BE: 3% (6%)
Outros: 1% (1%)
BN:4% (3%)
Não votava: 18%
Não sabe: 21%
Recusa: 9%
Muito semelhantes aos resultados da última sondagem conhecida (a da Intercampus, divulgada no Público) no PSD, PS e CDU, mas diferentes nos partidos mais pequenos, com o CDS-PP a aparecer melhor nesta sondagem e o BE pior.
Outros resultados divulgados até ao momento:
1. Má avaliação do governo (apenas 28% de opiniões positivas sobre actuação).
2. Má avaliação da oposição como alternativa (55% acham que ninguém faria melhor, o que ajuda a explicar as intenções de voto).
3. Descidas de todos os líderes políticos, exceptuando Cavaco Silva e Paulo Portas.
4. 79% acham que PM deixou coisas por esclarecer no caso "Face Oculta", mas 60% que a sua opinião sobre PM não mudou por causa disso.
5. 56% acham que PM deve continuar no cargo; 65% querem eleições antecipadas se isso não suceder.
Nos próximos dias:
1. Preferências sobre liderança no PSD, entre eleitores em geral e entre simpatizantes do PSD;
2. Prioridades na reacção à crise económica.
3. Monarquia vs. República.
4. Presidenciais.
5. Qualidade da democracia em Portugal.
Intenções de voto (antes e após redistribuição de indecisos):
PS: 20% (41%)
PSD:15% (33%)
CDS-PP: 5% (10%)
CDU: 3% (6%)
BE: 3% (6%)
Outros: 1% (1%)
BN:4% (3%)
Não votava: 18%
Não sabe: 21%
Recusa: 9%
Muito semelhantes aos resultados da última sondagem conhecida (a da Intercampus, divulgada no Público) no PSD, PS e CDU, mas diferentes nos partidos mais pequenos, com o CDS-PP a aparecer melhor nesta sondagem e o BE pior.
Outros resultados divulgados até ao momento:
1. Má avaliação do governo (apenas 28% de opiniões positivas sobre actuação).
2. Má avaliação da oposição como alternativa (55% acham que ninguém faria melhor, o que ajuda a explicar as intenções de voto).
3. Descidas de todos os líderes políticos, exceptuando Cavaco Silva e Paulo Portas.
4. 79% acham que PM deixou coisas por esclarecer no caso "Face Oculta", mas 60% que a sua opinião sobre PM não mudou por causa disso.
5. 56% acham que PM deve continuar no cargo; 65% querem eleições antecipadas se isso não suceder.
Nos próximos dias:
1. Preferências sobre liderança no PSD, entre eleitores em geral e entre simpatizantes do PSD;
2. Prioridades na reacção à crise económica.
3. Monarquia vs. República.
4. Presidenciais.
5. Qualidade da democracia em Portugal.
quarta-feira, março 10, 2010
segunda-feira, março 08, 2010
Ler
Fazer uma pesquisa das publicações em revistas académicas internacionais escritas em Portugal é uma coisa que dá boa disposição logo pela manhã. Não estou a ser irónico. No ISI Web of Knowledge, só a contar com as publicações em ciências sociais e humanidades, há já 124 artigos em inglês publicados nos primeiros meses de 2010 por investigadores a trabalhar em Portugal. Seguem-se alguns destaques. Podem não ser as melhores - é-me impossível dizer - mas são as que mais interesse me despertaram.
1. "Attitudes toward assisted death amongst Portuguese oncologists", de Ferraz Gonçalves, na Supportive Care in Cancer.
2. "Firm-level social returns to education", de Pedro S. Martins e Jim Y. Jin, no Journal of Population and Economics.
3. "What do we really know about fiscal sustainability in the EU? A panel data diagnostic", de António Afonso e Christophe Rault, na Review of World Economics.
4. "The Socioeconomic determinants of economic inequality: Evidence from Portugal", de Santiago Budria, na Revista Internacional de Sociologia (uma revista espanhola que publica em inglês).
5. "Social mobility in Portugal (1860-1960): operative issues and trends", de Helder Adegar Fonseca e Paulo Eduardo Guimarães, na Continuity and Change.
6. "Genetics and criminal behaviour: recent accomplishments", de Arlindo Lagoa e outros, na Medecine Science and the Law.
7. "Violence in Juvenile Dating Relationships Self-Reported Prevalence and Attitudes in a Portuguese Sample", de Carla Machado e outros, no Journal of Family Violence.
Para além disto, mais perto de casa:
- não é de 2010, mas é recente, um artigo de Hajo Boomgaarden e André Freire: "Religion and Euroscepticism: Direct, Indirect, or No Effects?", na West European Politics.
- Michael Lewis-Beck e Marina Costa Lobo: "Anchoring the Portuguese Voter: Panel Dynamics in a New Electorate", na Political Research Quarterly.
Finalmente, shameless plugs. Deverá sair este ano um artigo com a Marina sobre eurocepticismo em Portugal (no discurso partidário e no comportamento eleitoral) na South European Society and Politics e um artigo com o LA-C sobre quorums e referendos no European Journal of Political Economy.
1. "Attitudes toward assisted death amongst Portuguese oncologists", de Ferraz Gonçalves, na Supportive Care in Cancer.
2. "Firm-level social returns to education", de Pedro S. Martins e Jim Y. Jin, no Journal of Population and Economics.
3. "What do we really know about fiscal sustainability in the EU? A panel data diagnostic", de António Afonso e Christophe Rault, na Review of World Economics.
4. "The Socioeconomic determinants of economic inequality: Evidence from Portugal", de Santiago Budria, na Revista Internacional de Sociologia (uma revista espanhola que publica em inglês).
5. "Social mobility in Portugal (1860-1960): operative issues and trends", de Helder Adegar Fonseca e Paulo Eduardo Guimarães, na Continuity and Change.
6. "Genetics and criminal behaviour: recent accomplishments", de Arlindo Lagoa e outros, na Medecine Science and the Law.
7. "Violence in Juvenile Dating Relationships Self-Reported Prevalence and Attitudes in a Portuguese Sample", de Carla Machado e outros, no Journal of Family Violence.
Para além disto, mais perto de casa:
- não é de 2010, mas é recente, um artigo de Hajo Boomgaarden e André Freire: "Religion and Euroscepticism: Direct, Indirect, or No Effects?", na West European Politics.
- Michael Lewis-Beck e Marina Costa Lobo: "Anchoring the Portuguese Voter: Panel Dynamics in a New Electorate", na Political Research Quarterly.
Finalmente, shameless plugs. Deverá sair este ano um artigo com a Marina sobre eurocepticismo em Portugal (no discurso partidário e no comportamento eleitoral) na South European Society and Politics e um artigo com o LA-C sobre quorums e referendos no European Journal of Political Economy.
sexta-feira, março 05, 2010
Intercampus, 23-27 Fev., N=1015, Tel.
Muita informação actual e interessante na sondagem do Público de hoje.
Intenções de voto (antes e após redistribuição de indecisos):
PS: 28,5 (40,36)
PSD: 24,2 (34,35)
BE: 7,1 (10,05)
CDS-PP: 5,5 (7,82)
CDU: 4,4 (6,28)
Outros: 0,8
Agora para um meu pet peeve: só para terem uma ideia, aquele 0,06% que faz a diferença entre 40,3% e 40,36% para o PS representa 0,4 inquiridos.
Outros resultados:
1. 59,8% acham que Sócrates mentiu deliberadamente quando disse na AR que não sabia da vontade da PT querer comprar a TVI. Curioso que não há um único NS/NR nesta pergunta (40,2% acham que o PM não mentiu), ou será que foram excluídos do total? E se foram, quantos serão? Não é irrelevante.
2. Entre os que disseram achar que o PM mentiu, 74% acham que a mentira não tem justificação.
3. 54% acham que o PM tem condições para continuar a governar. Também não há NS/NR nesta pergunta. O que está acima aplica-se.
4. 74,56% (ou, quem sabe, 74, 5643452837%) acham que Cavaco Silva será o próximo PR e 59,06% gostavam que assim fosse.
5. 50,5% acham que PR deveria ter mais poderes.
6. 30,4% gostariam que António Costa sucedesse a Sócrates caso este abandonasse a liderança do PS e 16,6% que fosse Jaime Gama (como lisboeta, também tenho uma opinião sólida sobre este assunto).
7. Se houvesse demissão do governo, 64,8% queriam eleições.
8. 57,9% querem que o governo faça acordos à esquerda e à direita.
9. 28% queriam MRS, 26% queriam PPC, 20% queriam PR e 7% JPAB para o PSD. Em parte, é uma pena a pergunta incluir MRS e não haver resultados por simpatia partidária, nomeadamente entre os simpatizantes do PSD.
Intenções de voto (antes e após redistribuição de indecisos):
PS: 28,5 (40,36)
PSD: 24,2 (34,35)
BE: 7,1 (10,05)
CDS-PP: 5,5 (7,82)
CDU: 4,4 (6,28)
Outros: 0,8
Agora para um meu pet peeve: só para terem uma ideia, aquele 0,06% que faz a diferença entre 40,3% e 40,36% para o PS representa 0,4 inquiridos.
Outros resultados:
1. 59,8% acham que Sócrates mentiu deliberadamente quando disse na AR que não sabia da vontade da PT querer comprar a TVI. Curioso que não há um único NS/NR nesta pergunta (40,2% acham que o PM não mentiu), ou será que foram excluídos do total? E se foram, quantos serão? Não é irrelevante.
2. Entre os que disseram achar que o PM mentiu, 74% acham que a mentira não tem justificação.
3. 54% acham que o PM tem condições para continuar a governar. Também não há NS/NR nesta pergunta. O que está acima aplica-se.
4. 74,56% (ou, quem sabe, 74, 5643452837%) acham que Cavaco Silva será o próximo PR e 59,06% gostavam que assim fosse.
5. 50,5% acham que PR deveria ter mais poderes.
6. 30,4% gostariam que António Costa sucedesse a Sócrates caso este abandonasse a liderança do PS e 16,6% que fosse Jaime Gama (como lisboeta, também tenho uma opinião sólida sobre este assunto).
7. Se houvesse demissão do governo, 64,8% queriam eleições.
8. 57,9% querem que o governo faça acordos à esquerda e à direita.
9. 28% queriam MRS, 26% queriam PPC, 20% queriam PR e 7% JPAB para o PSD. Em parte, é uma pena a pergunta incluir MRS e não haver resultados por simpatia partidária, nomeadamente entre os simpatizantes do PSD.
quinta-feira, março 04, 2010
Sobre a última e sobre as próximas sondagens
A sondagem da Marktest que for conduzida em Abril vai ser interessante. De momento, o PSD tem 30,9% das intenções de voto, e tem vindo a subir. Mas tem vindo a subir mesmo quando MFL é avaliada negativamente pela maioria dos eleitores e, curiosamente, pelos próprios que agora afirmam tencionar votar no PSD: entre eles, apenas 29% fazem uma avaliação positiva da MFL, contra 53% que fazem uma avaliação negativa.
Um novo líder do PSD, independentemente de quem seja, pode provavelmente contar com menor hostilidade inicial ou, pelo menos, alguma indiferença. Em suma, a diferença que isso cause nas intenções de voto no PSD será um bom teste à influência dos líderes nessas intenções.
Um novo líder do PSD, independentemente de quem seja, pode provavelmente contar com menor hostilidade inicial ou, pelo menos, alguma indiferença. Em suma, a diferença que isso cause nas intenções de voto no PSD será um bom teste à influência dos líderes nessas intenções.
quarta-feira, março 03, 2010
Artigo
Um artigo de Miguel Lebre de Freitas, no Jornal de Negócios, via Economia Política. O Economia Política fala, a propósito disto, do Europa 2020. A mim, a crónica de Lebre de Freitas lembrou-me de um artigo muito recente de James Buchanan, intitulado Economists have no clothes:
Unfortunately, economists, generally, failed to understand that aggregate variables that may be measured with tolerable accuracy ex post may not be variables subject to control, directly or even indirectly. The fundamental misconception here lies in the understanding of what ‘the economy’ is. The ‘economic problem’ is not (despite Lionel Robbins) an engineering problem that may be defined simply as the allocation of scarce resources among alternative uses. The economy, in some inclusive definitional sense, is perhaps best described as an order that consists of an interlinked set of exchanges, simple and complex, from which outcomes emerge that may in some respects be meaningfully measured but that cannot be chosen, and thereby controlled, by concentrated decision takers.
Unfortunately, economists, generally, failed to understand that aggregate variables that may be measured with tolerable accuracy ex post may not be variables subject to control, directly or even indirectly. The fundamental misconception here lies in the understanding of what ‘the economy’ is. The ‘economic problem’ is not (despite Lionel Robbins) an engineering problem that may be defined simply as the allocation of scarce resources among alternative uses. The economy, in some inclusive definitional sense, is perhaps best described as an order that consists of an interlinked set of exchanges, simple and complex, from which outcomes emerge that may in some respects be meaningfully measured but that cannot be chosen, and thereby controlled, by concentrated decision takers.
Marktest, 16-21 Fev, N=804, Tel.
Com algum atraso, retomo os resultados da última sondagem Marktest. Resultados mais assinaláveis:
1. Intenção de voto no PS cai de 40,5 para 36,7% de Janeiro para Fevereiro.
2. PSD prolonga tendência de subida que já vem desde as eleições.
3. CDS prolonga tendência de descida desde a mesma altura.
4. Saldo de opiniões positivas-negativas sobre o PM passa de -6,4 para -27,5.
5. Saldo de opiniões positivas-negativas sobre MFL mantêm-se em torno dos -50.
6. 74% daqueles que dizem tencionar votar no PS têm imagem positiva do PM; 80% daqueles que dizem tencionar votar no PSD têm imagem negativa.
1. Intenção de voto no PS cai de 40,5 para 36,7% de Janeiro para Fevereiro.
2. PSD prolonga tendência de subida que já vem desde as eleições.
3. CDS prolonga tendência de descida desde a mesma altura.
4. Saldo de opiniões positivas-negativas sobre o PM passa de -6,4 para -27,5.
5. Saldo de opiniões positivas-negativas sobre MFL mantêm-se em torno dos -50.
6. 74% daqueles que dizem tencionar votar no PS têm imagem positiva do PM; 80% daqueles que dizem tencionar votar no PSD têm imagem negativa.
terça-feira, fevereiro 23, 2010
PORDATA
Sou algo suspeito, porque faço parte do Conselho Científico da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Mas dificilmente se poderia imaginar uma primeira iniciativa da FFMS mais auspiciosa do que a PORDATA.
Primeiro, porque a PORDATA congrega num único suporte um conjunto de dados estatísticos sobre a sociedade e a economia portuguesas que se encontravam dispersos por muitas fontes oficiais, tornando essa informação mais acessível e transparente. Segundo, porque a própria construção da PORDATA levou, no contacto com essas fontes, à detecção de lacunas e problemas nessa mesma informação. Neste sentido, a PORDATA já contribuiu não apenas para a disseminação de informação mas também para a melhoria da sua qualidade. Terceiro, porque uma das coisas em que se teve maior cuidado na construção desta base foi na análise das mudanças de critérios na medição das variáveis, permitindo a quem analisa os dados perceber em que casos as evoluções ao longo do tempo reflectem alterações reais ou, pelo contrário, simples mudanças de critérios. Sabendo como pensam os governos e como este tipo de dados se presta à manipulação, isto não é coisa de somenos. E quarto, porque estes dados são disponibilizados pela PORDATA de uma maneira mais amigável, manejável e atraente do que em qualquer fonte oficial portuguesa que conheça. É evidente que o seu uso ainda exige um conjunto de competências mínimas. Mas o facto de o suporte de tratamento de informação ter sido criado de raiz permite que seja mais friendly que os sites e suportes das fontes oficiais, facilitando o seu uso não apenas por especialistas mas também por jornalistas, estudantes e público interessado em geral.
E há um último ponto, para mim não menos relevante. Por várias razões que não vale a pena tratar aqui, acho que o advento da blogosfera e das redes sociais como fontes de informação e locais de debate tem causado duas tendências contraditórias. A primeira, muito positiva, é de fornecer um constante recurso de fact-checking no debate público. Políticos e jornalistas sabem que, se não fizerem cuidadosamente o seu trabalho, há sempre alguém algures que sabe algo que os primeiros julgavam que ninguém sabia e os segundos não se deram ao trabalho de apurar e estudar devidamente. Mas a segunda, mais perturbante, tem sido a de mergulhar o debate público num mar de opiniões. Hoje, é fácil encontrar todo o tipo de opiniões sobre todos os temas, expressas não apenas pelos cidadãos em geral e pelos políticos, mas também por aqueles - especialistas, responsáveis da administração pública e jornalistas - dos quais esperaríamos mais juízos de facto e menos juízos de valor. Em suma, há uma tendência crescente para tratar os factos como se fossem meras opiniões e as meras opiniões como factos. Assim, acho muito positivo que a primeira iniciativa pública da FFMS não seja a de nos atirar mais opiniões para cima, mas sim a de nos facultar, simplesmente, informação.
Muitos parabéns a Maria João Valente Rosa, responsável pelo projecto.
Primeiro, porque a PORDATA congrega num único suporte um conjunto de dados estatísticos sobre a sociedade e a economia portuguesas que se encontravam dispersos por muitas fontes oficiais, tornando essa informação mais acessível e transparente. Segundo, porque a própria construção da PORDATA levou, no contacto com essas fontes, à detecção de lacunas e problemas nessa mesma informação. Neste sentido, a PORDATA já contribuiu não apenas para a disseminação de informação mas também para a melhoria da sua qualidade. Terceiro, porque uma das coisas em que se teve maior cuidado na construção desta base foi na análise das mudanças de critérios na medição das variáveis, permitindo a quem analisa os dados perceber em que casos as evoluções ao longo do tempo reflectem alterações reais ou, pelo contrário, simples mudanças de critérios. Sabendo como pensam os governos e como este tipo de dados se presta à manipulação, isto não é coisa de somenos. E quarto, porque estes dados são disponibilizados pela PORDATA de uma maneira mais amigável, manejável e atraente do que em qualquer fonte oficial portuguesa que conheça. É evidente que o seu uso ainda exige um conjunto de competências mínimas. Mas o facto de o suporte de tratamento de informação ter sido criado de raiz permite que seja mais friendly que os sites e suportes das fontes oficiais, facilitando o seu uso não apenas por especialistas mas também por jornalistas, estudantes e público interessado em geral.
E há um último ponto, para mim não menos relevante. Por várias razões que não vale a pena tratar aqui, acho que o advento da blogosfera e das redes sociais como fontes de informação e locais de debate tem causado duas tendências contraditórias. A primeira, muito positiva, é de fornecer um constante recurso de fact-checking no debate público. Políticos e jornalistas sabem que, se não fizerem cuidadosamente o seu trabalho, há sempre alguém algures que sabe algo que os primeiros julgavam que ninguém sabia e os segundos não se deram ao trabalho de apurar e estudar devidamente. Mas a segunda, mais perturbante, tem sido a de mergulhar o debate público num mar de opiniões. Hoje, é fácil encontrar todo o tipo de opiniões sobre todos os temas, expressas não apenas pelos cidadãos em geral e pelos políticos, mas também por aqueles - especialistas, responsáveis da administração pública e jornalistas - dos quais esperaríamos mais juízos de facto e menos juízos de valor. Em suma, há uma tendência crescente para tratar os factos como se fossem meras opiniões e as meras opiniões como factos. Assim, acho muito positivo que a primeira iniciativa pública da FFMS não seja a de nos atirar mais opiniões para cima, mas sim a de nos facultar, simplesmente, informação.
Muitos parabéns a Maria João Valente Rosa, responsável pelo projecto.
segunda-feira, fevereiro 22, 2010
Aximage, 10-13 Fev., N=600, Tel.
Três aspectos desta sondagem:
1. Intenção de voto, indicando subida do PSD e descida do PS. Importa dizer, contudo, que as diferenças entre sondagens, tendo em conta as dimensões das amostras, não são estatisticamente significativas.
2. Opiniões sobre PM e "Face Oculta".
3. Preferências sobre melhor líder para o PSD. Entre o eleitorado em geral, PPC 41,9%, PR 37,1% e JPAB 12,2%. Neste caso, a diferença entre PPC e PR é estatisticamente significativa. Depois entre eleitores do PSD: PPC 40,8%, PR 40,7%. Aqui a diferença carece de significância estatística, mas não pelas razões mencionadas no artigo ("Uma diferença que, por se situar dentro da margem de erro da sondagem, revela um empate técnico entre os dois candidatos"). Primeiro, a sub-amostra dos eleitores do PSD é muito menos que a amostra do eleitorado, pelo que a "margem de erro da sondagem" seria sempre mau indicador. Segundo, porque a significância estatística da diferença entre duas proporções não se estima através da margem de erro da sondagem (ver aqui).
1. Intenção de voto, indicando subida do PSD e descida do PS. Importa dizer, contudo, que as diferenças entre sondagens, tendo em conta as dimensões das amostras, não são estatisticamente significativas.
2. Opiniões sobre PM e "Face Oculta".
3. Preferências sobre melhor líder para o PSD. Entre o eleitorado em geral, PPC 41,9%, PR 37,1% e JPAB 12,2%. Neste caso, a diferença entre PPC e PR é estatisticamente significativa. Depois entre eleitores do PSD: PPC 40,8%, PR 40,7%. Aqui a diferença carece de significância estatística, mas não pelas razões mencionadas no artigo ("Uma diferença que, por se situar dentro da margem de erro da sondagem, revela um empate técnico entre os dois candidatos"). Primeiro, a sub-amostra dos eleitores do PSD é muito menos que a amostra do eleitorado, pelo que a "margem de erro da sondagem" seria sempre mau indicador. Segundo, porque a significância estatística da diferença entre duas proporções não se estima através da margem de erro da sondagem (ver aqui).
segunda-feira, fevereiro 15, 2010
Política comparada
Aqui há uns anos, o Primeiro Ministro da Hungria, Ferenc Gyurcsány, foi apanhado numa gravação a admitir a outros membros do partido que "temos andando a mentir nos últimos dois anos". Seguiram-se motins. Gyurcsány, contudo, aguentou mais três anos no poder, até Março de 2009. Agora vêm eleições. O partido de Gyurcsány, o MSZP, tinha conseguido mais de 40% dos votos nas eleições anteriores, em 2006. Agora, a um mês das eleições, as sondagens dão-lhes 22%. E tendo em conta o sistema eleitoral húngaro, o MSZP arrisca-se a ser praticamente eliminado do parlamento e a dar 2/3 dos assentos ao FIDESZ.
sexta-feira, fevereiro 12, 2010
Eurosondagem, 4-9 Fevereiro, N=1025, tel.
Resultados aqui. A frase que retenho da notícia, e que diz muito sobre como os números nunca são apenas os números numa notícia sobre sondagens: "por caricato que possa parecer, a popularidade dos agentes políticos e judiciais mantém-se este mês intacta", escreve-se.
terça-feira, fevereiro 09, 2010
Alguns gráficos do Trocas de Opinião
Médias móveis das últimas 20 transacções, ponderado o número de títulos transaccionados, desde o início da vigência do contrato até hoje:
1. Paulo Rangel próximo Presidente do PSD? (início a 12-10-2009):

2. Pedro Passos Coelho próximo Presidente do PSD? (início a 12-10-2009):

3. Governo cai antes de Setembro de 2010 (início a 2-10-2009):

4.Défice vai ficar acima dos 8% (início a 17-11-2009):

5. Cavaco Silva recandidata-se à Presidência (início a 2-10-2009):
1. Paulo Rangel próximo Presidente do PSD? (início a 12-10-2009):

2. Pedro Passos Coelho próximo Presidente do PSD? (início a 12-10-2009):

3. Governo cai antes de Setembro de 2010 (início a 2-10-2009):

4.Défice vai ficar acima dos 8% (início a 17-11-2009):

5. Cavaco Silva recandidata-se à Presidência (início a 2-10-2009):
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