segunda-feira, março 08, 2010

Ler

Fazer uma pesquisa das publicações em revistas académicas internacionais escritas em Portugal é uma coisa que dá boa disposição logo pela manhã. Não estou a ser irónico. No ISI Web of Knowledge, só a contar com as publicações em ciências sociais e humanidades, há já 124 artigos em inglês publicados nos primeiros meses de 2010 por investigadores a trabalhar em Portugal. Seguem-se alguns destaques. Podem não ser as melhores - é-me impossível dizer - mas são as que mais interesse me despertaram.

1. "Attitudes toward assisted death amongst Portuguese oncologists", de Ferraz Gonçalves, na Supportive Care in Cancer.

2. "Firm-level social returns to education", de Pedro S. Martins e Jim Y. Jin, no Journal of Population and Economics.

3. "What do we really know about fiscal sustainability in the EU? A panel data diagnostic", de António Afonso e Christophe Rault, na Review of World Economics.

4. "The Socioeconomic determinants of economic inequality: Evidence from Portugal", de Santiago Budria, na Revista Internacional de Sociologia (uma revista espanhola que publica em inglês).

5. "Social mobility in Portugal (1860-1960): operative issues and trends", de Helder Adegar Fonseca e Paulo Eduardo Guimarães, na Continuity and Change.

6. "Genetics and criminal behaviour: recent accomplishments", de Arlindo Lagoa e outros, na Medecine Science and the Law.

7. "Violence in Juvenile Dating Relationships Self-Reported Prevalence and Attitudes in a Portuguese Sample", de Carla Machado e outros, no Journal of Family Violence.

Para além disto, mais perto de casa:

- não é de 2010, mas é recente, um artigo de Hajo Boomgaarden e André Freire: "Religion and Euroscepticism: Direct, Indirect, or No Effects?", na West European Politics.

- Michael Lewis-Beck e Marina Costa Lobo: "Anchoring the Portuguese Voter: Panel Dynamics in a New Electorate", na Political Research Quarterly.

Finalmente, shameless plugs. Deverá sair este ano um artigo com a Marina sobre eurocepticismo em Portugal (no discurso partidário e no comportamento eleitoral) na South European Society and Politics e um artigo com o LA-C sobre quorums e referendos no European Journal of Political Economy.

sexta-feira, março 05, 2010

Intercampus, 23-27 Fev., N=1015, Tel.

Muita informação actual e interessante na sondagem do Público de hoje.

Intenções de voto (antes e após redistribuição de indecisos):
PS: 28,5 (40,36)
PSD: 24,2 (34,35)
BE: 7,1 (10,05)
CDS-PP: 5,5 (7,82)
CDU: 4,4 (6,28)
Outros: 0,8

Agora para um meu pet peeve: só para terem uma ideia, aquele 0,06% que faz a diferença entre 40,3% e 40,36% para o PS representa 0,4 inquiridos.

Outros resultados:

1. 59,8% acham que Sócrates mentiu deliberadamente quando disse na AR que não sabia da vontade da PT querer comprar a TVI. Curioso que não há um único NS/NR nesta pergunta (40,2% acham que o PM não mentiu), ou será que foram excluídos do total? E se foram, quantos serão? Não é irrelevante.

2. Entre os que disseram achar que o PM mentiu, 74% acham que a mentira não tem justificação.

3. 54% acham que o PM tem condições para continuar a governar. Também não há NS/NR nesta pergunta. O que está acima aplica-se.

4. 74,56% (ou, quem sabe, 74, 5643452837%) acham que Cavaco Silva será o próximo PR e 59,06% gostavam que assim fosse.

5. 50,5% acham que PR deveria ter mais poderes.

6. 30,4% gostariam que António Costa sucedesse a Sócrates caso este abandonasse a liderança do PS e 16,6% que fosse Jaime Gama (como lisboeta, também tenho uma opinião sólida sobre este assunto).

7. Se houvesse demissão do governo, 64,8% queriam eleições.

8. 57,9% querem que o governo faça acordos à esquerda e à direita.

9. 28% queriam MRS, 26% queriam PPC, 20% queriam PR e 7% JPAB para o PSD. Em parte, é uma pena a pergunta incluir MRS e não haver resultados por simpatia partidária, nomeadamente entre os simpatizantes do PSD.

quinta-feira, março 04, 2010

Sobre a última e sobre as próximas sondagens

A sondagem da Marktest que for conduzida em Abril vai ser interessante. De momento, o PSD tem 30,9% das intenções de voto, e tem vindo a subir. Mas tem vindo a subir mesmo quando MFL é avaliada negativamente pela maioria dos eleitores e, curiosamente, pelos próprios que agora afirmam tencionar votar no PSD: entre eles, apenas 29% fazem uma avaliação positiva da MFL, contra 53% que fazem uma avaliação negativa.

Um novo líder do PSD, independentemente de quem seja, pode provavelmente contar com menor hostilidade inicial ou, pelo menos, alguma indiferença. Em suma, a diferença que isso cause nas intenções de voto no PSD será um bom teste à influência dos líderes nessas intenções.

quarta-feira, março 03, 2010

Artigo

Um artigo de Miguel Lebre de Freitas, no Jornal de Negócios, via Economia Política. O Economia Política fala, a propósito disto, do Europa 2020. A mim, a crónica de Lebre de Freitas lembrou-me de um artigo muito recente de James Buchanan, intitulado Economists have no clothes:

Unfortunately, economists, generally, failed to understand that aggregate variables that may be measured with tolerable accuracy ex post may not be variables subject to control, directly or even indirectly. The fundamental misconception here lies in the understanding of what ‘the economy’ is. The ‘economic problem’ is not (despite Lionel Robbins) an engineering problem that may be defined simply as the allocation of scarce resources among alternative uses. The economy, in some inclusive definitional sense, is perhaps best described as an order that consists of an interlinked set of exchanges, simple and complex, from which outcomes emerge that may in some respects be meaningfully measured but that cannot be chosen, and thereby controlled, by concentrated decision takers.

Marktest, 16-21 Fev, N=804, Tel.

Com algum atraso, retomo os resultados da última sondagem Marktest. Resultados mais assinaláveis:

1. Intenção de voto no PS cai de 40,5 para 36,7% de Janeiro para Fevereiro.
2. PSD prolonga tendência de subida que já vem desde as eleições.
3. CDS prolonga tendência de descida desde a mesma altura.
4. Saldo de opiniões positivas-negativas sobre o PM passa de -6,4 para -27,5.
5. Saldo de opiniões positivas-negativas sobre MFL mantêm-se em torno dos -50.
6. 74% daqueles que dizem tencionar votar no PS têm imagem positiva do PM; 80% daqueles que dizem tencionar votar no PSD têm imagem negativa.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

PORDATA

Sou algo suspeito, porque faço parte do Conselho Científico da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Mas dificilmente se poderia imaginar uma primeira iniciativa da FFMS mais auspiciosa do que a PORDATA.

Primeiro, porque a PORDATA congrega num único suporte um conjunto de dados estatísticos sobre a sociedade e a economia portuguesas que se encontravam dispersos por muitas fontes oficiais, tornando essa informação mais acessível e transparente. Segundo, porque a própria construção da PORDATA levou, no contacto com essas fontes, à detecção de lacunas e problemas nessa mesma informação. Neste sentido, a PORDATA já contribuiu não apenas para a disseminação de informação mas também para a melhoria da sua qualidade. Terceiro, porque uma das coisas em que se teve maior cuidado na construção desta base foi na análise das mudanças de critérios na medição das variáveis, permitindo a quem analisa os dados perceber em que casos as evoluções ao longo do tempo reflectem alterações reais ou, pelo contrário, simples mudanças de critérios. Sabendo como pensam os governos e como este tipo de dados se presta à manipulação, isto não é coisa de somenos. E quarto, porque estes dados são disponibilizados pela PORDATA de uma maneira mais amigável, manejável e atraente do que em qualquer fonte oficial portuguesa que conheça. É evidente que o seu uso ainda exige um conjunto de competências mínimas. Mas o facto de o suporte de tratamento de informação ter sido criado de raiz permite que seja mais friendly que os sites e suportes das fontes oficiais, facilitando o seu uso não apenas por especialistas mas também por jornalistas, estudantes e público interessado em geral.

E há um último ponto, para mim não menos relevante. Por várias razões que não vale a pena tratar aqui, acho que o advento da blogosfera e das redes sociais como fontes de informação e locais de debate tem causado duas tendências contraditórias. A primeira, muito positiva, é de fornecer um constante recurso de fact-checking no debate público. Políticos e jornalistas sabem que, se não fizerem cuidadosamente o seu trabalho, há sempre alguém algures que sabe algo que os primeiros julgavam que ninguém sabia e os segundos não se deram ao trabalho de apurar e estudar devidamente. Mas a segunda, mais perturbante, tem sido a de mergulhar o debate público num mar de opiniões. Hoje, é fácil encontrar todo o tipo de opiniões sobre todos os temas, expressas não apenas pelos cidadãos em geral e pelos políticos, mas também por aqueles - especialistas, responsáveis da administração pública e jornalistas - dos quais esperaríamos mais juízos de facto e menos juízos de valor. Em suma, há uma tendência crescente para tratar os factos como se fossem meras opiniões e as meras opiniões como factos. Assim, acho muito positivo que a primeira iniciativa pública da FFMS não seja a de nos atirar mais opiniões para cima, mas sim a de nos facultar, simplesmente, informação.

Muitos parabéns a Maria João Valente Rosa, responsável pelo projecto.

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Aximage, 10-13 Fev., N=600, Tel.

Três aspectos desta sondagem:

1. Intenção de voto, indicando subida do PSD e descida do PS. Importa dizer, contudo, que as diferenças entre sondagens, tendo em conta as dimensões das amostras, não são estatisticamente significativas.

2. Opiniões sobre PM e "Face Oculta".

3. Preferências sobre melhor líder para o PSD. Entre o eleitorado em geral, PPC 41,9%, PR 37,1% e JPAB 12,2%. Neste caso, a diferença entre PPC e PR é estatisticamente significativa. Depois entre eleitores do PSD: PPC 40,8%, PR 40,7%. Aqui a diferença carece de significância estatística, mas não pelas razões mencionadas no artigo ("Uma diferença que, por se situar dentro da margem de erro da sondagem, revela um empate técnico entre os dois candidatos"). Primeiro, a sub-amostra dos eleitores do PSD é muito menos que a amostra do eleitorado, pelo que a "margem de erro da sondagem" seria sempre mau indicador. Segundo, porque a significância estatística da diferença entre duas proporções não se estima através da margem de erro da sondagem (ver aqui).

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Política comparada

Aqui há uns anos, o Primeiro Ministro da Hungria, Ferenc Gyurcsány, foi apanhado numa gravação a admitir a outros membros do partido que "temos andando a mentir nos últimos dois anos". Seguiram-se motins. Gyurcsány, contudo, aguentou mais três anos no poder, até Março de 2009. Agora vêm eleições. O partido de Gyurcsány, o MSZP, tinha conseguido mais de 40% dos votos nas eleições anteriores, em 2006. Agora, a um mês das eleições, as sondagens dão-lhes 22%. E tendo em conta o sistema eleitoral húngaro, o MSZP arrisca-se a ser praticamente eliminado do parlamento e a dar 2/3 dos assentos ao FIDESZ.

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Mais um de mil exemplos possíveis dos efeitos da linguagem das perguntas nos resultados de uma sondagem


Aqui, via Marginal Revolution.

Eurosondagem, 4-9 Fevereiro, N=1025, tel.

Resultados aqui. A frase que retenho da notícia, e que diz muito sobre como os números nunca são apenas os números numa notícia sobre sondagens: "por caricato que possa parecer, a popularidade dos agentes políticos e judiciais mantém-se este mês intacta", escreve-se.

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Alguns gráficos do Trocas de Opinião

Médias móveis das últimas 20 transacções, ponderado o número de títulos transaccionados, desde o início da vigência do contrato até hoje:

1. Paulo Rangel próximo Presidente do PSD? (início a 12-10-2009):


2. Pedro Passos Coelho próximo Presidente do PSD? (início a 12-10-2009):


3. Governo cai antes de Setembro de 2010 (início a 2-10-2009):


4.Défice vai ficar acima dos 8% (início a 17-11-2009):


5. Cavaco Silva recandidata-se à Presidência (início a 2-10-2009):

domingo, fevereiro 07, 2010

Aximage, 2-5 Fev., N=600, Tel.

Detalhes aqui. Apesar da notícia destacar a má avaliação de José Sócrates, aqui não há surpresas. Nesta sondagem, de 0 a 20, a avaliação média do PM é de 8,3. Em Janeiro, era 9,2. Em Dezembro, 10,3. Em Novembro, 11,3. Em Outubro, 12,1. Desde as eleições, Sócrates perde praticamente um ponto por mês. Mais certinho era difícil.

Já nas intenções de voto parece haver ainda menos novidades. Há quem possa achar isto intrigante, tendo em conta a descida do PM. Mas vale a pena lembrar que Manuela Ferreira Leite tem sido ainda pior avaliada do que José Sócrates nas sondagens anteriores da Aximage e que, na sondagem da Marktest (não tenho dados comparáveis da Aximage), é o único caso em que um líder partidário é avaliado de forma predominantemente negativa pelos próprios eleitores do partido.

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Notas sobre alguns resultados da última sondagem Marktest

Há dias falei aqui da última sondagem da Marktest. Olhando para as tabelas de contingência com calma, alguns dados interessantes:

1. 25% dos eleitores do PS classificam a actuação de Cavaco Silva como "negativa". Valor é igual ao de Novembro mas mais alto que em Setembro passado, e o mais alto de sempre.

2. 80% dos eleitores do PS avaliam a actuação de José Sócrates como "positiva"; 80% dos eleitores do PSD avaliam a actuação de José Sócrates como "negativa". Estamos quase tão polarizados como nos Estados Unidos (ver aqui e aqui).

3. 50% dos eleitores do PSD avaliam negativamente a actuação de Manuela Ferreira Leite, contra 35% que a avaliam positivamente.

Naturalmente, a margem de erro associada a estas estimativas é superior à da amostra em geral.

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

"Waking up in the poll booth"

No número de Dezembro de 2009 da Perspectives on Politics, que só agora recebi em papel, vem um artigo muito interessante para quem faz e consome sondagens, de Robert E. Goodin e James Mahmud Rice. Goodin e Rice mostram, usando inquéritos em painel - onde o mesmo grupo de pessoas é seguido antes, durante e depois da campanha eleitoral (ou seja, depois das eleições) - que uma parte não irrelevante dos eleitores vota de uma forma diferente daquela que revela em sondagens feitas durante a campanha, e curiosamente, mais semelhantes àquela que manifesta antes da campanha. Isto faz com que, ao contrário do que se poderia pensar, nem sempre é verdade que sondagens feitas mais próximo das eleições sejam melhores preditoras do voto. E sugere que:

"there is indeed something about the poll booth that changes the way people think. When telling an American pollster whether or not they approve of the way the president is handling his job, or even when telling a British or Australian pollster how they would vote if the election were held today, they give an off-the-top-of-their-head response. Voting, however, is serious business. For responsible voters who take their civic duty seriously, it is an occasion to pause and reflect on how good a job the incumbent really has done – not just over the last little while but over the whole period in office."

segunda-feira, janeiro 25, 2010

"Minority Governments and Budget Deficits: The Role of the Opposition"

Um paper de leitura muito oportuna, de Albert Falcó-Gimeno e Ignacio Jurado. Abstract:

"Research on the political causes of budget deficits is a still insufficiently explored realm for political science. In this paper we argue that the role of the opposition is a key feature to be taken into account. Governments can be more or less active in Parliament, but they have to pass a general spending proposal annually. If governments are in legislative minority, they will have to bargain with the opposition. As a logical consequence, the interests of the opposition on deficits shall be reflected in the annual deficit results. We develop a theoretical framework in which the opposition has a short term interest in deficits because they weaken governments and a long term aversion to them because, as likely future government holders, they will have to deal with the debt. We prove empirically that, depending on the probability that opposition parties rule in the next term and on the ability they have to weaken a current government with a deficit, they will support different deficit outcomes. We also find that the non-deficit paradigm diffused from the 1990s onwards, with the approval of the Maastricht criteria as the best example, has been a constraint to the internal politics interaction, modifying the previous outcomes."

Ainda as eleições no Massachussets.

Michael Baum, um cientista político americano na U Mass., bom amigo e conhecedor da realidade portuguesa, recebeu há dias uma lista de perguntas do Diário Económico. Segundo me disse, as respostas não chegaram a tempo para serem incluídas no jornal. Mas divulgo-as aqui, com autorização do Michael, por serem tão interessantes:

- What do you think of yesterday's results of the elections in Massachusetts?
Surprising in the sense of how badly the Democratic Party of Masschusetts, the Coakley Campaign, and the DNC reacted to what was obviously a very poor campaign strategy. They simply took for granted their 20-point lead of some weeks ago and didn't realize that the state of Massachusetts is not as blue Democrat as everyone seems to think. The best analysis of the results thus far, in my opinion, appears here at the NYtimes:
http://www.nytimes.com/interactive/2010/01/19/us/politics/massachusetts-election-map.html

- Was it a result that you antecipated?
Yes and No. Nobody predicted several weeks ago when Brown was a relatively unknown state senator, national guard member, and former nude layout model in Cosmopolitan Magazine that he could win, nor could anyone predict what a terrible campaigner Coakley would be; but in the past week I was actually not that surprised to see Brown win since his numbers were growing so quickly and Coakley's were dropping like a stone. The turnout wasn't large enough to bring the overwhelming advantage Democrats have in registered voters to any fruition for Coakley, and Independents went in large numbers for Brown.

- What are going to be the consequences of this election outcome locally, in Massachusetts, and at a national level?
For the nation the consequences are hard to predict. Everyone seems to be focused on the fact that Democrats now only have 59 votes in the Senate, and thus will be unable to stop Republican filibusters. While technically true, the fact is that of the 60 votes the Democrats had, several were always tenuous on any number of policy issues. Take for example, Sen. Lieberman, who caucuses with the Democrats; or Senators from the Midwest like Nelson, or Mary Landrieu from Louisiana, all of whom required significant concessions from the Obama administration on health care reform to use but one example, in order to get their support. So although the Democrats look like they have a significant and historic majority in Congress (which they do), in reality they had to run very centrist candidates in several states in order to win, and so their majority is really quite a bit narrower in the Senate than it appears.
Locally, the implications are equally hard to predict. Of course, one of the great ironies is that Massachusetts is one of the few states that will not likely be affected very much if healthcare reform fails nationally. That is because we have a statewide universal health care plan that already resembles in many ways the plan that Obama was pushing for the country. Brown, like most Republicans, is against raising taxes. So this means there it will be more difficult for Democrats to push through any policies that would require higher taxes on banks, wealthy individuals, carbon emitters, large corporations, etc. Locally, that means that states like Massachusetts will most likely have to continue to reduce their spending in those discretionary areas where they can do so-- that means areas like public higher education, care for the poor and mentally ill, prison spending, and other social services. At my own university, the University of Massachusetts (public), the percentage of our budget which comes from the state is now down to something like 18%. So we really are not any longer a public university, we are a privately funded university with some modest public support and a public mission.. That trend will only get worse.

- What are the consequences for the portuguese community? How did the portuguese voted in this election: more democrat or more republican?
Urban areas in Massachusetts, like Fall River and New Bedford, voted overwhelmingly for Coakley. This is typical of both Massachusetts and national politics; urban areas tend to vote more Democratic than rural and suburban areas of the United States. So there was nothing new in this regard. Fall River voted 57% to 41% for Coakley, while New Bedford voted 59% to 39% for Coakley. The consequences for the Portuguese community will likely be negative in the sense that their children are more likely to attend public schools (at least those unable to afford Catholic school tuition), and as a poorer community than the average in Massachusetts, they are more likely to rely on social services than the average Massachusetts resident. Consequently, insofar as the election of another Republican senator leads to less federal funding for state mandates, less stimulus monies, and less federal spending on public education (which I think is a reasonable prediction), then this community would tend to suffer more than most in Massachusetts.

- What does it mean a republican victory in a state predominantely democrat, in the last 47 years?
Personally I don't see it as such a dramatic change. Massachusetts citizens have elected Republican governors in the past, and given the increase in registered independent voters in Massachusetts, it is predictable that elections will become more volatile in Massachusetts in the future. Given our current (Democratic) Governor's low level of popularity, we might also predict that his reelection is in jeopardy this year, and there is a very good chance that Democrats could lose the governorship again.

- Is this bad for president Obama, after winning in the state by a large majority in 2008?
Yes clearly. The fact that he invested political capital by coming up here over the weekend to campaign for Coakley also looks bad for him. But clearly, expectations surrounding the election of Pres. Obama were and remain unrealistic. The American political system is designed to be very difficult to change in any significant way. There are many veto players in the American system, and people who thought that a Democrat majority in both houses, plus a Democratic president were going to equal dramatic change in a more progressive direction were simply not paying very close attention to our history nor to the kinds of Democrats the party was electing in many constituencies that are hardly progressive.

- Why do you think the people of Massachussets changed their minds in voting republican this time?
All the polls suggest that Obama still retains relatively high personal approval ratings here, despite the end of his honeymoon some time ago. So this was not so much a vote against Obama, as many pundits might like to portray it. I think it was primarily a large group of independent-minded voters, who came out in force for Obama a year ago, because they thought that he represented a force for change in Washington, and now because they are disillusioned with the pace of that change, they voted for Brown as a force for change in Washington. Will Brown be any more of a change agent in Washington than Obama has been? I doubt it. He is a relatively moderate Republican, despite the efforts of the Coakley campaign to label him as a typically conservative Republican. What is the change that Massachusetts voters seek? That depends a lot on whom you ask. I think the Democratic Party is really trying to figure that out right now and I suspect that we will see the Party promoting more populist measures as a way to try and tap into this amorphous public anger at the status quo--ergo the discussion of a modest tax on Wall Street bonuses. But note that the tax that is being discussed by the Obama administration is infinitely weaker than the one that the Gordon Brown government has pushed through British Parliament. That is just another example of how the American political system always tends to water down policies towards the center. The genius of the Republican Party in the United States is that they have managed to drag what constitutes "the center" more and more to the right over the last 20 to 30 years, and in this the Democratic Party is complicit--either out of fear for being branded "soft" on communism during the Cold War era, or the so-called "War on Terror" now, or on criminals, etc. In economic terms, when you see who funds the campaigns of many Democratic senators, their singular lack of will in reforming the nature of American capitalism in a more social democratic direction is not at all surprising...

- Do you think the election of a republican senator in Massachusetts means the end of the Health Care reform in the Congress?
That is the big $94 question, isn't it? Personally, I think the proposed Senate bill is already so weakened that it represents only a marginal improvement on our status quo. Granted, that marginal improvement would mean health insurance for millions of currently uninsured Americans, but if the premiums that they would have to pay for that coverage are as high as many analysts are saying, then that coverage would be meaningless for millions of people anyway. That said, is something better than nothing? I guess that depends on where you sit.
The House bill still has a public healthcare option in it, and I think any serious student of comparative health care policy knows that that is the only realistic option for dramatically reducing the costs of healthcare in the United States. Public opinion in the US in November was still very much in favor of a public option (61% support overall, 82% among Democrats, and 56% among Independents according to the CBS New Poll of Nov. 13-16, 2009. N= 1167 adults nationwide.), but that support is highly contingent on question wording and it appears that Republicans have been successful in eroding that support in the past month or so. Unfortunately, most Americans don't understand what the public option really means, or they have been taught not to understand this, and the Obama administration knows this, and so under the name of political realism they long ago gave up on pushing for a public option as a requirement for Obama's signature. I must admit that I am very pessimistic about any meaningful or dramatic shift in the wildly piecemeal and dysfunctional nature of American healthcare. Our politicians will likely continue to nibble around the edges, and negotiate deals that look like change, but which in reality represent very little substantive change for the lower and middle classes. Even when our existing systems blow up, as did Wall Street's financial capital model defended by both Democratic and Republican administrations for years, we aren't seeing wholesale change nor serious efforts to dramatically tighten regulations to make sure it doesn't happen again.

Aximage, 6-11 Jan., N=600, Tel.

A última sondagem da Aximage de que aqui falámos foi também usada para recolher intenções de voto numas hipotéticas presidenciais. Resultados aqui e aqui.

Recordem-se que, quando se fala das intenções de voto nas presidenciais entre os eleitores que tencionam votar num determinado partido, estas percentagens são calculadas em relação a sub-amostras, nalguns casos de dimensão reduzidíssima. Se a amostra tem 600 eleitores, 60% dizem que não vão votar, e 8% que votariam, por exemplo, na CDU, temos 19 pessoas que votariam na CDU. A margem de erro associada é enorme. Isto é só para que se perceba o que quer dizer "30,6% do eleitorado da CDU votaria Cavaco". Muito pouco.

sábado, janeiro 16, 2010

Aximage, 6-11 Jan., N=600, Tel.

Pode ser lida aqui. Ministro das Finanças é o pior avaliado, Ministra da Educação a melhor avaliada. As voltas que o mundo dá.

Eurosondagem, 7-12 Janeiro, N=1010, Tel.

Pode ser lida aqui. Nas intenções de voto receio sempre o costume ("partido x subiu 0,5%" e coisas do género) mas no texto diz-se, e bem, "sem alterações". 22% dos portugueses acham que Alegre é o melhor candidato de esquerda para as próximas presidenciais, seguido de Gama (22%) e (interessante) Sócrates (15%). Quanto ao resto, é extraordinária a quantidade de coisas complicadíssimas sobre as quais os portugueses alegadamente têm opiniões. Sobre "não-atitudes", o clássico, o über-clássico, e um óptimo capítulo mais recente.

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Um post populista

Um teste para Vexas:

1. É verdade que um grupo de peritos nomeado pelo Ministério das Finanças recomendou ao Governo, em Outubro passado, que agravasse a tributação das mais-valias de investimentos em Bolsa?
VERDADE
MENTIRA

2. O programa de governo do PS, partido de governo, previa "aproximar o regime de tributação das mais-valias mobiliárias ao praticado nos países da OCDE"?
VERDADE
MENTIRA

3. A proposta de Orçamento de Estado de 2010 vai incluir o agravamento de impostos sobre as mais-valias de acções?
VERDADE
MENTIRA

As respostas correctas podem ser encontradas aqui, aqui e aqui. Se respondeu "verdade" às três perguntas, congratulo-o pelo rigor do seu pensamento lógico. Se respondeu "verdade" às duas primeiras e "mentira" à segunda, congratulo-o pelo seu profundo conhecimento da (ir)realidade política portuguesa.

quarta-feira, janeiro 06, 2010

A iniciativa popular do referendo

Num depoimento ao Diário de Notícias, Vitalino Canas assinala que "só uma minoria dos países permite aos cidadãos convocar directamente um referendo". Tem, obviamente, toda a razão. Por um lado, segundo a Freedom House, em 2008, só 90 dos 193 países independentes eram democracias eleitorais livres, pelo que, à partida, há uma maioria de países onde a questão nem se coloca. Por outro lado, no sentido mais estrito da frase, a possibilidade de os cidadãos convocarem directamente um referendo é minoritária mesmo entre as democracias. De resto, é o mais minoritária possível: não existe em sítio algum. Mesmo nos países onde um determinado número de cidadãos pode solicitar a realização de um referendo sobre uma decisão tomada ou a tomar por uma autoridade política ou forçar um voto nacional sobre uma medida proposta por esse grupo de cidadãos (a distinção tradicional entre "referendo" e "iniciativa"), a convocação da votação propriamente passa sempre por um crivo de qualquer espécie. É frequente, por exemplo, tribunais superiores verificarem requisitos legais formais, a formulação da pergunta ou limitações de conteúdo. Compreensivelmente, não faz sentido que um referendo ou uma iniciativa produzam resultados contrários à constituição de um país ou ao direito internacional, e há matérias que não podem (nem devem) ser sujeitas a referendo. Cabe a autoridades judiciais ou políticas fazer esse tipo de verificações.

Dito isto, a verdade é que os países democráticos onde se prevê que os cidadãos possam suscitar referendos e/ou iniciativas não são tão poucos como isso. Só na Europa há quinze. E desses quinze, há oito em que existe sempre uma de várias formas possíveis de, satisfeito o número mínimo de assinaturas e os requisitos legais básicos, um grupo de cidadãos ver realizada uma votação sobre uma decisão política do parlamento ou sobre uma proposta (ou contra-proposta) desse grupo de cidadãos. Portugal, pelo contário, é daqueles onde as modalidades de iniciativa popular são mais limitadas e onde a proposta de um referendo se encontra sujeita a um crivo político mais apertado.

A democracia directa tem coisas boas e más. É um modo de decisão particularmente delicado quando estão em jogo direitos de minorias, se bem que os resultados dos estudos existentes sejam menos conclusivos a esse respeito do que possa pensar (ver, por um lado, isto e isto, e por outro, isto e isto) e os direitos das minorias, sendo cruciais, não são tudo numa democracia. Mas independentemente disso, ou do que possa achar do tema em concreto que agora se discute em Portugal*, há uma coisa inescapável: no nosso país, o direito de iniciativa popular do referendo encontra-se de tal modo condicionado que se aproxima de uma ficção. Nestas circunstâncias, acho que era quase preferível que não estivesse consagrado. Pelo menos evitava-se que os agentes políticos se viessem vangloriar, algo excessivamente, com a noção de que a nova lei do referendo "veio escancarar portas que até aqui estavam fechadas", introduzir "os cidadãos no circuito, porque passam a poder tomar a iniciativa de referendo" e fazer com que passem a ser "verdadeiros e próprios protagonistas."** Não veio.

*Já agora, para o que interesse, a minha opinião sobre o assunto do casamento entre pessoas do mesmo sexo explica-se rapidamente: acho que esses casais devem ter direitos exactamente iguais aos de casais heterossexuais, é-me relativamente indiferente que se chame a esse contrato e sistema de direitos e deveres "casamento" ou outra coisa qualquer (mas admito que não seja indiferente para muita gente) e ainda não travei conhecimento com um argumento substantivo racionalmente aceitável que me justifique a exclusão da adopção no âmbito desse contrato. Mas esta opinião nada tem a ver com o que está acima.

**Vitalino Canas, em artigo de opinião no DN, 7/3/1998.

segunda-feira, dezembro 28, 2009

A "classe média" e as "mulheres a dias"

Anda para aí uma controvérsia sobre a "classe média": o que significa, quem a compõe e que padrões de rendimento e de consumo a caracterizam. As minhas aulas de "Sociologia das Classes Sociais e da Estratificação" na licenciatura em Sociologia no ISCTE são já uma memória algo distante e receio que o tema não me tenha ocupado nos últimos anos. Imagino também que as definições económicas de "classe média" não coincidam necessariamente com as definições sociológicas, e talvez por aí se explique parte (mas na verdade só uma pequena parte) da controvérsia. Se bem entendo, os economistas tendem a favorecer definições de classe média na base dos rendimentos dos indivíduos e dos agregados familiares a que pertencem. Já os sociólogos tendem a olhar para uma combinação de características, incluindo a profissão, a situação na profissão, as qualificações académicas, a posição na hierarquia profissional, a propriedade dos "meios de produção" e outras.

Mais concretamente, os economistas usam, parece-me, dois tipos de abordagem. A primeira consiste em olhar para a distribuição de rendimentos num determinado país e dizer que a "classe média" desse país é composta pelos indivíduos ou famílias cujos rendimentos se situam algures no meio dessa distribuição: o terceiro quintil (20% da população); os segundo, terceiro ou quarto quintis (60% da população); ou um intervalo qualquer em torno da mediana. Já dá para perceber que a simplicidade e aparente exactidão da abordagem coexiste com um grau considerável de arbitrariedade na definição das fronteiras entre a "classe média" e as outras classes (os 20% do meio, os 60% do meio, ou outra proporção qualquer? E porquê?). A segunda abordagem, seguida aqui, por exemplo, consiste em dizer que a classe média é composta por aqueles que estão ao mesmo tempo acima do limiar da pobreza mas que não podem mantêr-se acima desse limiar sem trabalhar (ao contrário dos "ricos", que poderiam viver de juros, rendimentos e lucros). Pelas contas de Einsenhauer, nos Estados Unidos, a "classe média" é composta por nada mais nada menos que 82% da população. Aqui haverá porventura menos arbitrariedade na estipulação do que significa "classe média", mas uma "classe social" a que pertencem 4 em cada 5 indivíduos certamente não terá, a não ser num muito alto grau de abstracção e generalidade, padrões de consumo homogéneos, para já não falar nas coisas que costumam interessar aos sociólogos (atitudes, comportamentos, identidades, valores, crenças, etc).

Os sociólogos olham para isto de outra forma, mas sem que isso signifique que o conceito "classe média" ganhe grande tracção. É certo que, em geral, para os sociólogos, "classes médias" englobam muito genericamente todos aqueles que não pertencem nem à "burguesia" (patrões, empresários, dirigentes de empresas, quadros superiores da administração pública, profissionais liberais de altos rendimentos) nem ao "proletariado" (assalariados de profissões manuais, agrícolas ou industriais). Mas esses membros da - para usar uma terminologia marxiana - "pequena burguesia" ou dos chamados "lugares contraditórios de classe" ocultam uma diversidade enorme de situações e uma proporção enorme da população ou dos agregados familiares de Portugal (nos cálculos de um trabalho recente de Cristina Roldão utilizando o European Social Survey, qualquer coisa entre 34 e 59 por cento da população, dependendo das tipologias utilizadas). Logo, não surpreende que qualquer afirmação genérica sobre a "classe média" seja sempre controversa e, em princípio, quase por definição, errada ou irrelevante. Também não surpreende que, num estudo recente sobre classes sociais na Europa escrito pelos três portugueses que mais têm estudado e escrito sobre o assunto há mais de 30 anos, o termo "classe média" não mereça sequer uma única menção: é demasiado vago, impreciso e denotativo de realidades completamente heterogéneas para dispor de utilidade descritiva ou explicativa.

Dito isto, haverá alguma coisa a dizer sobre a questão em apreço: se a maioria da classe média portuguesa emprega "mulheres a dias", a tempo parcial ou completo? Já perceberam que acho que a pergunta não faz sentido e a resposta também não fará. Mas vamos lá ver uma coisa:

1. Neste post, Paulo Pedroso sugere que um "inquérito às classes médias" mostraria que a resposta a essa questão é afirmativa. Bem, em 2002 o International Social Survey Program realizou um inquérito a amostras nacionais em vários países e estimou em 8,4% a proporção das famílias portuguesas onde a limpeza da casa é feita com a participação de "uma terceira pessoa" que não um membro do agregado familiar (incluindo, note-se, ajuda paga ou não paga, o que sobrestima em muito, como veremos, a percentagem de famílias que contratam serviços de "mulheres a dias") . Mas o mais curioso é que, quando cruzamos rendimento do agregado familiar (por escalões) com o recurso a "terceiras pessoas" para a limpeza, verificamos que a relação é curvilinear: percentagens maiores nos extremos da distribuição de rendimentos (muito maior, claro, nos rendimentos mais elevados). Por outras palavras, quem recorre menos a terceiras pessoas para a limpeza da casa são os indivíduos em agregados familiares com rendimentos...intermédios. Claro que isto não significa que os mais pobres recorram mais a "mulheres a dias" que os escalões intermédios, mas sim que, nos escalões inferiores, estamos certamente a falar em ajuda não paga. Mas lá que é irónico, é. E tudo isto, claro, completamente incompatível com a ideia de que a "maioria" das famílias de "classe média" em Portugal recorrem a este tipo de serviço, a não ser que a definição de classe média seja não só extremamente restritiva mas também diferente de qualquer noção familiar à Sociologia ou à Economia.

2. Os valores baixos - 8,4% para o total, 37% para as famílias de mais altos rendimentos (acima dos 2500 euros, dados de 2002) - podem surpreender. Mas notem: não conheço dados para Portugal, mas em Espanha - na base de inquéritos, não de estatísticas oficiais, mais falíveis nestes domínios onde está envolvido muito trabalho informal - as pessoas empregadas no trabalho doméstico representam 3,9% do total da força de trabalho, segundo um relatório da Organização Mundial do Trabalho preparado para a International Labor Conference do próximo ano. Das duas uma: ou os números para Portugal são muito maiores do que em Espanha, ou volta-se a não vislumbrar qualquer possibilidade de que uma força de trabalho com estes números tão escassos forneça serviços à maior parte de 20, 24, 59, 60 ou 82% dos lares portugueses, seja qual for a definição de "classe média" que utilizemos. Para que a resposta à pergunta inicial seja afirmativa, a definição de "classe média" teria de ser, novamente, extremamente restritiva.

Isto não retira interesse a outras questões genéricas, especialmente às diferenças entre Portugal e outros países. O valor de 8,4% (11,5% para as famílias com mulheres empregadas) é, na base do inquérito do ISSP, comparativamente alto, e é possível que nisto jogue algo do que Fernanda Câncio ou Paulo Pedroso defendem como explicações. Mas o ponto mais importante é prévio: ao contrário do que defende Paulo Pedroso, é nos factos, e não nas explicações, que começa o problema. E sem nos entendermos no explanandum, nem vale a pena perder muito tempo com o explanans.

P.S. - Sobre o assunto, ler um post de Paulo Pedroso, ao qual respondi, e outro de Elísio Estanque. Sem querer negligenciar o resto, o último parágrafo do post de EE interessou-me particularmente: ele explica de onde veio toda esta discussão e é, em si mesmo, todo um projecto de investigação.

terça-feira, dezembro 22, 2009

Novidades Trocas

No Trocas de Opinião há algumas novidades:

1. Apresentação em tempo real das ordens de venda mais baixas e de compra mais altas:



2. Organização dos contratos por temas e arquivo dos contratos já fechados:

3. E, claro, alguns novos contratos.

Sobre o modo de negociação dos contratos, bem, os responsáveis ainda não chegaram a acordo sobre se e como alterar. Entretanto, contudo, o mercado não se vem portando nada mal, prevendo correctamentre que Portugal não seria cabeça de série para o Mundial (apesar do 5º lugar no ranking da FIFA), estimando desde cedo que o treinador do Sporting seria um português e nunca contemplando a hipótese de que o BCE subisse as taxas de juro em Dezembro.

quarta-feira, dezembro 16, 2009

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Eurosondagem, 25 Nov-1 Dez, N=1031, Tel.

Os resultados estão aqui. A interpretação varia. Aqui PS e PSD "seguram intenções de voto". Já aqui, "PS dilata vantagem sobre PSD". Num caso, a comparação é com a sondagem anterior. Noutro, com os resultados eleitorais.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Prémio "Gráficos mais assustadores do ano"

Vai directamente para as figuras 5.9 e 5.10 do estudo "A Dimensão Económica da Literacia em Portugal: Uma Análise", encomendado pelo Plano Nacional de Leitura a uma equipa chefiada por T. Scott Murray, antigo director do Statistics Canada. Ei-los:





"Os empregos altamente qualificados estão reservados aos indivíduos com mais educação, enquanto no que respeita ao resto do mercado de trabalho, as competências atingidas, reflectidas nos níveis de escolarização ou medidas na escala de literacia em prosa, têm pouco ou nenhum impacto na forma como os empregos bem remunerados são distribuídos", escreve-se na página 83.

Um mercado de trabalho que produz uma monstruosidade destas não tem defesa possível. A não ser, claro, por parte dos senhores e senhoras que ocupam o terceiro e quatro quintis.

quinta-feira, novembro 26, 2009

O que está errado com o Natal

A última edição do Planet Money, da NPR, tem uma entrevista com o economista Joel Waldfogel, autor de Scroogenomics: Why You Shouldn't Buy Presents For The Holidays. Tudo começou com um artigo da American Economic Review onde Waldfogel mostra que, segundo inquéritos aplicados a pessoas que receberam presentes, quem os oferece pagou por eles um valor superior àquele que é atribuído por quem os recebe. Entre um décimo a um terço do valor do que é comprado é destruído pelo acto da dádiva.

A solução seria dar sempre dinheiro, que aqueles que o receberiam poderiam usar para o fim que entendessem e lhes fosse mais satisfatório, evitando destruição de valor. Mas como oferecer dinheiro é socialmente sancionado, Waldfogel prevê a generalização de "cheques-brinde" ou, melhor ainda, que se ofereçam cheques-beneficência, que os destinatários poderiam usar para oferecer à instituição de caridade que entendessem. Dádivas caritativas estão altamente correlacionadas com o rendimento das pessoas, sugerindo que a beneficência é o verdadeiro "bem de luxo".

Este artigo da Economist sugere desde logo algumas razões para que a história seja um bocado mais complicada, e há uma quantidade surpreendente grande de referências que discutem este tema. Mas que o tema é fascinante, é.

quinta-feira, novembro 12, 2009

O relatório sobre as sondagens, 3ª (e última) parte

Em dois posts anteriores, divulguei e discuti algumas conclusões do relatório feito a solicitação da ERC sobre as sondagens em Portugal. No primeiro, sintetizei as principais conclusões e recomendações. No segundo, discuti as recomendações. Neste último post, atrasado por falta de tempo, abordo as principais conclusões do relatório no que respeita às próprias sondagens, seus resultados e confronto com resultados eleitorais.

Para este fim, o relatório baseia-se em 38 sondagens publicadas na semana anterior às eleições europeias de 2009 (5), regionais Madeira 2008 (3), regionais Açores 2007 (1), intercalares Lisboa 2007 (5), presidenciais 2006 (6), autárquicas Lisboa 2005 (5), autárquicas Porto 2005 (5) e legislativas 2005 (8). De seguida, os autores do relatório comparam os resultados dessas sondagens - das estimativas de intenções de voto válidas + brancos e nulos (excepto nas presidenciais, suponho) com os que vieram a ser os resultados reais. Calculam o desvio em módulo (valor absoluto) entre uns e outros e depois a média desses desvios para cada sondagem. Ficamos assim com um indicador de "precisão" de cada sondagem: "em média, os resultados deste sondagem desviaram-se dos valores reais em x".

Como a base de dados recolhida pela equipa responsável pelo relatório continha informação sobre algumas características da sondagem e da eleição respectiva, o relatório, a partir da página 23, calcula um valor médio para esse indicador de precisão por eleição, empresa/instituto de sondagens, procedimento de amostragem e técnica de recolha. As conclusões desta análise encontram-se resumidas na página 4:

"Nas sondagens, cujos dados da Ficha técnica permitiram o cálculo dos desvios em módulo entre os valores estimados através da projecção e os valores reais da eleição para os diferentes partidos (trinta e duas em trinta e oito), o desvio médio em módulo foi no conjunto de 2,3%.

Foi menor nas projecções:
- para as eleições legislativas de 2005, seguindo-se-lhes as projecções para as eleições presidenciais de 2006 e intercalares de Lisboa de 2007;
- realizadas pela empresa Ipom, seguida de Universidade Católica e Aximage;
- que utilizaram o procedimento de amostragem aleatória de selecção de freguesias tipo e último aniversariante, seguido pelos procedimentos de amostragem de selecção aleatória de indivíduo
através de “master sample” e selecção aleatória de lar e último aniversariante;
- que recorreram à entrevista pessoal;

Foi maior nas projecções
- para as eleições europeias de 2009;
- realizadas pela empresa Pitagórica, seguida da Intercampus;
- que utilizaram o procedimento de selecção “homem mais novo” - Pitagórica - e selecção aleatória de lar e quotas de indivíduo;
- que recorreram à entrevista telefónica.
"

E conclui-se também, na base destes dados, que "não existe correlação significativa entre a dimensão da amostra e a precisão das estimativas" (p. 16).

Estas conclusões do relatório da ERC fazem-me lembrar uma famosa conferência feita em 1952 por Jerzy Neyman, uma das figuras cimeiras da estatística moderna, onde contava a história de um amigo (imaginário) que recolheu dados sobre a população de cegonhas e o número de nascimentos em 54 condados dos Estados Unidos. A correlação entre o número de cegonhas e o número de bebés nascidos durante o período considerado atinge o valor de .83, próximo do limite máximo de 1 (correlação perfeita). Na conferência em causa, o amigo de Neyman sugeria que, na base dos resultados, era evidente que a presença de cegonhas estava a influenciar os nascimentos, e propunha a realização de uma experiência de controlo de natalidade, que consistia na remoção de todas as cegonhas de um sub-conjunto de condados seleccionados aleatoriamente. O problema do amigo de Neyman, claro, é que não estava a tomar em conta o facto de que o número de mulheres varia de condado para condado, e que esse número está correlacionado quer com o número de nascimentos quer com o número de cegonhas (condados maiores, mais cegonhas). Se dividirmos os condados por grupos com aproximadamente o mesmo número de mulheres e procurarmos dentro de cada um desses grupos a correlação entre cegonhas e nascimentos, essa correlação é nula. Mantendo constante uma variável de controlo (o nº de mulheres) que está relacionada quer com a suposta variável independente quer com a variável dependente, remove-se a influência dessa variável e estima-se um valor "verdadeiro" (ou "menos enviesado", pelo menos) para a relação entre o nº de cegonhas e o nº de nascimentos, neste caso, obviamente, zero.

Imaginemos agora que, por alguma razão, as eleições com maiores taxas de abstenção - Europeias, por exemplo - foram aquelas onde mais frequentemente se recorreu a entrevistas telefónicas. Não sei se é assim, mas não seria estranho. Sondagens presenciais são mais caras e obrigam a maior investimento, investimento esse que costuma ser reservado para eleições vistas como mais importantes. E imaginemos agora que as eleições com maiores taxas de abstenção são também aquelas onde os desvios entre os resultados das eleições e os resultados das sondagens são maiores. Não sei se é assim - ou melhor, até sei, por aqui e por aqui - mas imaginemos que é esse o caso. Se assim for, a afirmação do relatório de que "os desvios foram maiores nas sondagens que recorreram a entrevista telefónica", sendo factualmente correcta, é muito provavelmente irrelevante do ponto de vista da análise dos correlatos da precisão das sondagens. Tal como na relação entre cegonhas e bebés, a melhor estimação para a relação "verdadeira" entre técnica de recolha e precisão das sondagens pode muito bem ser zero. Por extensão, o mesmo pode suceder com todas as restantes afirmações sobre empresas, amostragem, etc.

A afirmação sobre a ausência de relação significativa entre a dimensão da amostra e a precisão das sondagens feita no relatório pertence à mesma categoria genérica das anteriores, ilustrando-a, contudo, de maneira diferente. Uma relação verdadeira que permanece invisível quando nos limitamos a correlacionar duas variáveis só vai aparecer quando estimamos um modelo correctamente especificado. No caso concreto, basta que as sondagens realizadas em eleições com maior abstenção - menor precisão - tenham tendencialmente usado amostras maiores para que quaisquer efeitos favoráveis da dimensão da amostra na precisão permaneçam ocultos numa simples correlação (e nem entro pelo problema de se presumir, na correlação estimada no relatório, uma relação linear entre dimensão amostral e precisão, coisa que se percebe rapidamente não poder ser esperada quando se olha para isto).

É estranho que um relatório redigido por pessoas desta qualidade, que se propõe fazer um "diagnóstico" sobre as sondagens e uma "análise" da sua "precisão" tenha optado por ignorar completamente o conceito de controlo estatístico. Só por falta de tempo se explica isto. É certo que nunca se diz no relatório que esta ou aquela metodologia produz resultados mais ou menos precisos. E é também verdade que, a certa altura, se afirma que "não se estão aqui a considerar obviamente quer as inter-relações entre esses factores quer o efeito de outros factores que se sabe afectarem os resultados, o que poderá ser objecto de outra análise mais aprofundada, se essa informação for disponibilizada". Mas este disclaimer não chega. "A análise mais aprofundada" não carecia de informação não disponibilizada. Muitos dos factores que sabe influenciarem a "precisão" das sondagens, no sentido que o relatório atribui ao termo, são conhecidos. E como sondagens não são previsões de resultados eleitorais, a sua comparação sistemática com esse resultados não pode deixar de ser feita mantendo em mente e testando, no mínimo, um modelo qualquer que inclua pelo menos alguns desses factores que fazem, muito simplesmente, com que sondagens não possam ser tratadas como previsões. E sabendo-se que o relatório ia ser lido (também) em busca de factores explicativos da precisão das sondagens, a mera enunciação de "médias" por empresa, técnica de recolha e amostragem ou a mera correlação com dimensões amostrais correu, uma vez mais, o risco de obfuscar os fenómenos em vez de os clarificar. Digo isto perfeitamente ciente de que as conclusões da ERC são muito favoráveis ao instituto que dirijo, inclusivamente do ponto de vista das técnicas de recolha e amostragem que usamos, para já não falar dos "standards" de divulgação da informação (tratados no post anterior). Mas não estaria a ser intelectualmente honesto se dissesse que estas conclusões estão correctas. Até podem estar, substantivamente falando, e ficaria contente se assim fosse. Mas o relatório fica muito aquém de o provar. É pena.

Contudo, não quero ser excessivamente negativo. Num país, digamos, maior, mais rico e com melhores universidades, nem este relatório nem este post teriam sido necessários para coisa alguma. As "bases de dados" que o relatório propõe já existiriam. Papers sobre este assunto já teriam sido escritos, discutidos em conferências, e nelas elogiados pela sua competência ou assassinados pela sua indigência. Seriam publicados em boas revistas se fossem bons, em revistas menos boas se fossem menos bons, ou em .pdf's nas páginas pessoais dos autores se fossem péssimos. Mas como vivemos num país pequeno, pobre e com más universidades, isto é melhor que nada, acho.

P.S. - Sobre a comparação entre a "abstenção real" e a "abstenção estimada" nas sondagens, que o relatório faz nas páginas 22 e 23, nem vale a pena perder muito tempo. Por um lado, a comparação é feita com recurso à abstenção oficial, e nem sequer se fez um esforço para tentar estimar um valor real (usando como denominador, por exemplo, a voting age population). Por outro lado, o relatório toma como "estimativas da abstenção" coisas que não o são, como discutido no post anterior sobre o tema.

terça-feira, novembro 10, 2009

Mais Trocas

A pedido de várias famílias, um primeiro contrato sobre Economia no Trocas: este. Em breve, vamos arrumar os contratos em temas.

domingo, novembro 08, 2009

A negociação e formação de preços no Trocas

Começou a circular há alguns dias um inquérito aos inscritos no Trocas de Opinião. Nas respostas já recebidas chegaram já muitas e boas sugestões, cuja concretização depende apenas de tempo. Somos cinco pessoas, mas todas com day jobs, pelo que a capacidade de implementar alterações é limitada. Agradecemos as vossas ideias e a vossa paciência.

Entretanto, há quem tenha levantado a questão de saber como exactamente se procede à compra e venda de contratos e como se forma o preço. Aqui vai a melhor explicação que consigo dar.

1. Uma das maneiras de perceber como isto funciona é considerar que, neste momento, estão pendentes de concretização várias centenas de ordens de compra e venda de contratos no Trocas de Opinião. Por exemplo, desde o dia 15 de Outubro que está no sistema uma ordem de compra de 400 contratos "Governo cai antes de Setembro de 2010" por 4,99 trocos. A razão pela qual este investidor continua a não conseguir comprar qualquer título com esta ordem é porque nenhuma das ordens de venda actualmente pendentes foi introduzida por pessoas dispostas a receber menos que 16 trocos. Neste momento, há até no sistema quem esteja disposto a pagar 12 trocos por cada um destes contratos. Mas como não há ninguém disposto a receber menos de 16, enquanto não aparecer alguém a querer comprar por mais e/ou alguém a querer vender por menos, este título não é transaccionado, e a sua cotação ficará pelo valor actual, 17,5 trocos, ou seja, o valor ao qual se deu o último negócio. De resto, uma das alterações prioritárias que vamos introduzir - e que vários utilizadores já tinham sugerido - é fazer com que, a qualquer momento, se possa saber para cada contrato aquilo que vos acabo de dizer: quem está disposto a comprar por mais, e quem está disposto a vender por menos.

2. Mas imaginem agora que entrava no sistema uma ordem de compra de 200 contratos "Governo cai antes de Setembro de 2010" por 18 euros. O que sucederia?

- Primeiro, o sistema verifica se o investidor que coloca a ordem tem trocos suficientes para comprar 200 contratos ao preço máximo que se dispõe pagar por cada um (e tendo em conta as ordens que já tem pendentes no sistema). Se não tiver, é avisado de que não tem trocos suficientes e a coisa fica por aí. Se tiver, passamos ao ponto seguinte.

- Segundo, o sistema verifica se o investidor tem ordens pendentes de mais de 200 contratos. Se tiver, não o deixa introduzir a nova ordem, tendo em conta a limitação de 400 contratos que introduzimos após as autárquicas, de forma a evitar o "free for all" que foram as vendas a descoberto. Mas se a ordem agora introduzida, somada às pendentes, for inferior a 400 contratos, passamos ao ponto seguinte.

- Terceiro, o sistema vai emparelhar esta ordem de compra (200 contratos a 18 trocos) com ordens de venda pendentes. Como o faz?
*Procura todas as ordens de venda com valor igual ou inferior a 18 (pessoas que estão dispostas a receber 18 ou menos trocos pelo contrato);
*Destas, escolha a que tem o valor inferior, ou seja, emparelha a ordem de compra com quem esteja disposto a receber menos pelos contratos que quer vender;
*Se houver várias ordens de venda com o mesmo valor, começa pela ordem de venda que foi introduzida no sistema há mais tempo;
* Faz o negócio pela média entre o valor mais alto que quem quer comprar está disposto a oferecer e o valor mais baixo que quem quer vender está disposto a receber. Neste caso concreto, há uma ordem de venda a 16 (a mais baixa de todas para este contrato) e foi introduzida uma ordem de compra a 18. O negócio vai fazer-se a 17 trocos.

3. Imaginem agora que quem estava a vender a 16 estava a vender apenas 100 contratos. Nesse caso, quem introduziu ordem de compra concretiza a aquisição de 100 contratos a 17 trocos mas quer ainda comprar mais 100 a, no máximo, 18 trocos. O que sucede aqui é que o algoritmo recomeça para a quantidade restante. Neste caso, não vai haver negócio, porque a ordem de venda mais alta a seguir à 16 foi uma colocada por alguém que não está disposto a receber menos de 42 trocos (safa!). Como a ordem de 200 foi colocada por alguém que não está disposto a pagar mais de 18, fica uma ordem a 18 para 100 contratos pendente.

Nos vários comentários recebidos, seja aqui seja de outras formas, há dois aspectos mais mencionados:

1. O primeiro é o facto de a cotação "passar" pelo valor das ordens de compra ou de venda de alguém sem que haja negócio. Mas se olharem para a explicação anterior, é fácil perceber como isso sucede. Imaginem que há, no exemplo anterior, uma ordem de venda por 17.25, que quem vende por 16 está a vender 100 contratos e quem compra por 18 quer comprar apenas 100. O negócio dá-se entre quem vende por 16 e quem compra por 18, a cotação baixa de 17.5 para 17, e quem vende por 17.25 não consegue vender.

2. O segundo aspecto mais controverso, relacionado com o anterior, mas mais importante, é o mecanismo de fixação do preço. Fazer pela média da melhor (mais alta) oferta de compra e da melhor (mais baixa) oferta de venda é uma hipótese, mas não é a única. Já nos sugeriram outras coisas:
- Imaginem que há duas ofertas de venda pendentes, uma a 5 e outra a 10, e que aparece uma oferta de compra a 20. Nesse caso, o negócio vai-se fazer a 12.5 entre quem oferece 20 e quem aceita 5. Mas há quem nos tenha sugerido que, havendo quem queira vender a 10, quem compra nunca devia pagar mais do que 10.
- Outra sugestão é que, no exemplo anterior, o negócio se dê também entre quem dá 20 e quem vende por 5, mas que o preço seja fixado na cotação actual do título sempre que ela se situe entre 5 e 20.

As sugestões nem são incompatíveis. Podia começar pela:
- cotação actual;
- caso a cotação esteja fora do intervalo oferta de compra mais alta - oferta de venda mais baixa, então o valor da oferta de venda mais próxima (por baixo) da oferta de compra mais alta;
- caso só haja uma oferta de venda abaixo da oferta de compra, então sim a média (o sistema actual).

Estou a perceber bem, Luís, JP e Pedro? Se calhar não. Mas se sim, que vantagem em relação ao sistema actual? Menos volatilidade? Digam coisas.

Aximage, 3-6 Nov., N=600.

Tema: Melhor candidato à liderança do PSD. 57% Marcelo, 34% Passos Coelho. Entre "eleitorado que vota tradicionalmente no PSD" (seja lá como se tenha medido isso), Marcelo reforça vantagem. Quer Marcelo quer Passos Coelho batem cada um dos restantes putativos candidatos em comparações 2 a 2. Notícia aqui.

quarta-feira, novembro 04, 2009

O relatório sobre as sondagens, 2ª parte (longo)

O relatório feito por uma comissão nomeada pela ERC para fazer um "diagnóstico sobre a situação das sondagens" foi divulgado há duas semanas. Num post anterior, disponibilizei esse relatório e um resumo das suas principais conclusões.

A primeira coisa que queria notar é o silêncio sepulcral com que as conclusões desse relatório foram recebidas, com excepção de meia-dúzia de notícias divulgadas no próprio dia. Esse silêncio era expectável, mas não por isso menos instrutivo. Nos últimos meses, foram muitas as dezenas de comentadores, políticos e bloggers, dos mais inteligentes e informados até aos semi-analfabetos, que acharam que tinham coisas interessantes e importantes para dizer sobre as sondagens, os institutos que as fazem, os seus resultados, os seus métodos e as suas consequências. Passadas as eleições, e havendo informação produzida por uma fonte independente quer dos partidos quer dos institutos de sondagens, verifica-se que quase ninguém tem nada para dizer sobre o assunto. Só se podem tirar duas conclusões. Ou todas estas pessoas foram atingidas por uma súbita falta de tempo e disponibilidade para pensar no assunto, ou então a esmagadora maioria desses comentários - com raríssimas excepções - não foram feitos por pessoas interessadas nas sondagens, na sua qualidade ou nas suas consequências. Foram feitos com motivações estrita, única e exclusivamente políticas. Não é que não se soubesse, mas é bom dispormos agora da prova categórica.

Dito isto, passemos ao relatório. Neste post, dividi as conclusões em três tipos: constatações sobre divulgação/depósito dos resultados das sondagens; constatações sobre as próprias sondagens e seus resultados; e recomendações. Quanto às primeiras, não tenho comentários para fazer. As coisas são o que são, e só resta esperar que todos se sintam alertados para algumas omissões que continuam a existir nas fichas técnicas depositadas na ERC e que contribuam para as corrigir. O mesmo não sucede quer em relação à análise dos resultados das sondagens propriamente ditos quer em relação às recomendações contidas no relatório.

Sobre as recomendações, subscrevo facilmente muitas das que são feitas: a indicação clara dos procedimentos de amostragem; a inclusão do questionário completo no depósito feito na ERC; a apresentação dos resultados em números inteiros; a indicação de todas as variáveis usadas para a ponderação pós-amostral; ou a elaboração de manuais e cursos para jornalistas. O tema do abandono das casas decimais nos resultados foi aparentemente controverso na conferência onde o relatório foi apresentado, mas Portugal deve ser dos poucos países onde isso sucede:

"The field is not an exact science, nor can it measure minute degrees of difference. Readers should be skeptical of studies that report poll results in terms as exact as two decimal places (7.03 percent, for example). Even one decimal place is usually misleading."

"The figures for the actual election result are given to the nearest decimal place, since they are real figures. The polls results, on the other hand, are expressed only as whole percentages. This is because they are estimates, subject to sampling error (...), and while it is possible to express the poll results to any number of decimal places, it is implying a spurious level of accuracy to quote a figure of 34.3%, when it is really 34.3% plus or minus 3%."


"Don't use decimals. In reporting polling numbers, you should always use whole percentages, never results with decimal points. Since these results are always subject to error, using decimals implies a precision that does not exist."


Dito isto, há recomendações com as quais não concordo:

- Em primeiro lugar, a recomendação de que, em amostras por quotas, se utilize ponderação pelo último voto. Isto significa que, nas sondagens, os inquiridos deverão ser questionados sobre o partido em que votaram nas últimas eleições e, caso haja discrepâncias entre os resultados obtidos na amostra e os resultados eleitorais reais das últimas eleições, se deve proceder a reequilíbrio amostral. Não creio que caiba à ERC, nem a uma comissão de diagnóstico nomeada pela ERC, a recomendação da adopção de opções técnicas e metodológicas cuja bondade na melhoria das estimativas não seja inequívoca. E a verdade é que não é de todo evidente que isso suceda com a ponderação por recordação de voto. O tema é controverso, há quem utilize esta ponderação e quem não a utilize, e, mais importante, não há qualquer evidência empírica para o caso português de que a sua utilização melhore os resultados. Isto não implica que não se deva discutir a sua adopção. E até possível que se conclua que, afinal, é mesmo a melhor opção no caso português. Mas é matéria para discussão e estudo, não para uma "recomendação" emanada de uma comissão nomeada pelo regulador sem bases factuais.

- O relatório sugere que, em amostras por quotas, se mencione que "o erro é desconhecido". Mas isto é enganador. É uma recomendação que, à partida, parece fundada em bases técnicas, mas é-o apenas superficialmente. É verdade que o conceito de erro amostral e a sua estimação presume amostras probabilísticas, coisa que as amostras por quotas, por definição, não são. Mas a verdade é que as amostras ditas aleatórias também não o são. Mesmo quando seleccionam números de telefone por puro random digit dialing, a incapacidade de estabelecer contacto com inquiridos que teriam sido seleccionados aleatoriamente ou de obter deles respostas faz com que a amostra deixe de ser uma amostra probabilistica do universo que se pretende e se diz representar. E em sondagens presenciais, mesmo que seleccionem localidades, domicílios e inquiridos aleatoriamente, a utilização de cluster sampling introduz erro adicional ao erro subjacente a uma amostragem puramente aleatória. Não é impossível estimar esse erro, mas é bastante complicado e, de resto, controverso. Logo, a única coisa que uma ficha técnica pode razoavelmente dizer em qualquer sondagem é aquilo que a comissão sugere na 2ª parte da sua recomendação: "Se fosse utilizado um procedimento aleatório, o erro máximo seria de x%". O erro, em rigor, é sempre desconhecido, e dizer isso apenas nas amostras por quotas é que é, isso sim, enganador.

- A indicação da percentagem de entrevistas controladas, entrevistadores inspeccionados e número de entrevistas anuladas após inspecção seria sem dúvida uma informação útil a adicionar à ficha técnica depositada na ERC. Mas iludimo-nos se pensarmos que essa informação pode ser sempre depositada antes da divulgação pública de uma sondagem pré-eleitoral. Em estudos académicos ou qualquer outro tipo de sondagem que não esteja sujeito a um calendário apertado de divulgação, não hesito em apoiar a ideia. Mas é muito frequente que, de forma a que uma sondagem seja conduzida o mais perto possível da data das eleições, minimizando diferenças entre resultados de sondagens de intenção de voto e resultados eleitorais, não sobre depois tempo para conduzir todos os controlos e inspecções antes da divulgação pública dos resultados. Logo, em muitos casos, a indicação que a comissão sugere para a ficha técnica depositada na ERC antes da divulgação pública dos resultados não pode, pura e simplesmente, ser feita.

- O relatório sugere que é importante que as fichas técnicas passem conter informação sobre "abstenção estimada". Não contesto de forma alguma que as fichas técnicas depositadas na ERC e a divulgação que é feita das sondagens junto de amostras que visam representar a totalidade dos eleitores incluam informação sobre a parte que, quando questionada sobre se vai ou não votar, responde que não o tenciona fazer. Também me inclino bastante - por achar o tema quase consensual na literatura - para que um questionário contenha sempre uma ou várias questões, separadas da questão de intenção de voto propriamente dita, destinadas a apurar a probabilidade de que um inquirido vá votar. Nuns casos, essas perguntas servirão para estimar um "eleitorado provável" de entre o conjunto de eleitores inquiridos, dando às intenções de voto desses um peso maior (ou exclusivo). Noutros casos - que me parecem pouco inventariados no relatório - parecem servir mesmo para definir a própria amostra, fazendo com que seja exclusivamente composta de "eleitores prováveis". O que já não compreendo bem é a recomendação de que se apresente sempre um valor para a "abstenção estimada". "There is no standard, widely accepted way for estimating a person's likelihood of voting. Most polling organizations combine the answers to several questions to estimate the likely electorate, and some methods work better than others". Obrigar os institutos a apresentarem as frequências das perguntas que utilizaram para estes efeitos é uma coisa. Obrigá-los a apresentar uma "estimativa" da abstenção é outra. Não creio que a segunda deva ser exigida.

- Finalmente, o relatório recomenda a criação de um "programa informático" que "passe a calcular os diferentes intervalos de confiança (com níveis de significância de 5% e 1%) e, analisando tendências, ponha em evidência dados que saiam fora dos limites previstos, alertando para a necessidade de uma análise das bases técnicas da sondagem em questão". Acho óptimo que a ERC ou seja quem for recolha e disponibilize resultados de sondagens e de todos os aspectos técnicos ligados à sua realização. De resto, a ERC vai fazendo cada vez melhor trabalho neste domínio. Mas não sei como vai a ERC compatibilizar esta recomendação do relatório, especialmente no que diz respeito aos intervalos de confiança, com esta outra:

"No caso de sondagem por quotas, a indicação da margem de erro tem um sentido meramente indicativo do erro que se correria se ela fosse probabilística. Mas como não o é, o erro pode ser muito maior, maior, menor ou muito menor, pelo que em nosso entender se deve claramente referir que “o erro é desconhecido." (p. 23)

De resto, a afirmação de que "o erro pode ser muito maior, maior, menor ou muito menor" aplica-se igualmente a amostragem aleatória. E mais importante, claro, é este conceito de "saiam fora dos limites previstos". Na base do que acabam por a ser os resultados das eleições? Ah, mas isso é matéria para o próximo post.

domingo, novembro 01, 2009

A banda sonora da minha adolescência

O primeiro responsável pela banda sonora da minha adolescência morreu ontem. Houve outros, como Ricardo Saló e Aníbal Cabrita (no "Noites de Luar"), mas António Sérgio foi o primeiro que fez com que, na altura, a música que ouvíamos fosse a coisa mais importante das nossas vidas.

Duas canções que, estou quase certo, ouvi pela primeira vez no "Som da Frente". Mais adolescente que a segunda não existe. E contudo, ainda a tenho no i-Pod.



quinta-feira, outubro 29, 2009

Um dia

Planet Money é o nome de um blog e de um podcast da National Public Radio dedicado a temas económicos, tratados de forma acessível e divertida mas nunca simplista. Não perco um podcast.

Há duas semanas, um desses podcasts foi dedicado a um funcionário da Exxon em Angola e a Minguito, um rapaz que vive nas ruas de Luanda vendendo pastilha elástica e cigarros. O dia em que um órgão de comunicação social português disser algo de semelhante ao que aqui é dito sobre Angola e o seu governo será um dia feliz para a imprensa portuguesa. Receio que esse dia não esteja para breve.

quarta-feira, outubro 28, 2009

O Trocas

Há uma série de novidades na calha para o Trocas, que serão implementadas a pouco e pouco. A principal será a introdução em tempo real das melhores ordens de venda e de compra para cada contrato, para que quem queira negociar se oriente melhor. Mais e melhores gráficos, novas formas de participação e discussão no mercado, etc.

Entretanto há um novo contrato com um novo putativo futuro líder do PSD: Morais Sarmento (e a ver se não teremos de meter outro em breve). Em geral, contudo, o mercado nunca teve certezas sobre o PSD. Foram raras transacções feitas a mais de 50. Mas importa dizer que o título mais valorizado desde o início dos contratos quase nunca deixou de ser Pedro Passos Coelho.

Relatório sobre sondagens e inquéritos de opinião

Em Julho deste ano, a ERC deliberou constituir uma comissão para efectuar um diagnóstico sobre a situação das sondagens e apresentar sugestões sobre medidas a adoptar. Essa comissão foi formada por José Vidal de Oliveira, da Escola Superior de Comunicação Social; Helena Nicolau, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação; e Fernando Cascais, Director do CENJOR.

Essa comissão produziu um relatório que foi apresentado há dias numa conferência da ERC, apresentação essa que foi coberta pela comunicação social em várias notícias. O próprio relatório irá, ao que sei, ser publicado pela ERC, mas não se encontra ainda disponível na net. Pode ser, contudo, descarregado aqui. Esta é a que julgo ser a versão definitiva, depois de uma versão preliminar ter recebido comentários das empresas e outros interessados. O relatório baseia-se principalmente numa base de dados composta por 38 sondagens realizadas sobre 8 eleições diferentes, das legislativas de 2005 até às europeias de 2009.

Para quem não tiver paciência para ler, o que conclui este relatório? Vou dividir as conclusões em três partes: constatações sobre divulgação/depósito dos resultados das sondagens; constatações sobre as próprias sondagens e seus resultados; e recomendações.

1. Constatações sobre divulgação/depósito das sondagens e seus resultados:
- Nem sempre os universos foram correctamente definidos (faltando a algumas especificar que, em telefónicas, estamos na maioria dos casos a definir universos de residentes em lares com telefones fixos, etc.) - p.12;
- Nem sempre as fichas técnicas explicam como são seleccionados os inquiridos - p.15;
- Nem todos os questionários utilizados são disponibilizados - p.17;
- O conceito de inspecção/supervisão das entrevistas e entrevistadores não é interpretado de maneira uniforme - p. 22;
- Há fichas técnicas omissas sobre se a amostra é ou não objecto de ponderação, por que variáveis e se uma das variáveis é o último voto - p. 22;
- A análise da cobertura jornalística das sondagens revela grande visibilidade dada aos resultados, interpretação editorial colada à informação quantitativa, enquadramento competitivo, erros e excessivas simplificações e tendência para transformação de observações em prognósticos - pp. 40-41;
- Apresentação frequente das sondagens com resultados até às décimas - p.41.


2. Constatações sobre as próprias sondagens e seus resultados:
- Os procedimentos de amostragem adoptados pelas diferentes empresas, se cumpridos, não levantam objecções - p.15;
- Não existe relação entre a dimensão da amostra utilizada e a média dos desvios absolutos entre as intenções de voto estimadas para os principais partidos em sondagens pré-eleitorais e os resultados reais na eleição - p. 16;
- Nem todas as sondagens utilizam questionários onde se coloquem perguntas sobre a intenção de votar - pp.17-19;
- Existe grande disparidade do número máximo de entrevistas por entrevistador/dia nas várias empresas e institutos - p. 21;
- "Nas eleições europeias, a Marktest foi a única empresa que revelou o sentido correcto de voto entre PSD e CDS (...), o que não impediu de ser a que apresentou maior desvio médio em módulo entre o valor estimado e o valor da eleição, a nível de patidos e brancos/nulos" - p. 25;
- Os maiores desvios foram encontrados para as eleições europeias de 2009; os menores para as legislativas de 2005 - p. 27;
- Os desvios foram menores nas projecções para as legislativas de 2005 (8 sondagens), presidenciais de 2006 (6) e intercalares de Lisboa em 2007 (5); nas sondagens realizadas pelo Ipom (1), Universidade Católica (7) e Aximage (5); que utilizaram o procedimento de amostragem de selecção aleatória de freguesias tipo e último aniversariante(7); que recorreram à entrevista pessoal (17) - p. 4 e pp. 24-25.
- Os desvios foram maiores nas projecções para as europeias de 2009 (5 sondagens), feitas pela empresa Pitagórica (1), seguida da Intercampus (7); que utilizaram o procedimento de selecção "homem mais novo" (1); e que recorreram à entrevista telefónica (21) - p.4 e pp. 24-25;
- O PS e o PSD são os partidos para os quais os desvios apresentam maior variabilidade - p. 30;
- Os resultados das projecções para o PSD tenderam a ser subavaliados em todas as projecções para as autárquicas de 2005 em Lisboa e ligeiramente sobreavaliados nas projecções para as legislativas de 2005 - p.30;
- Em 6 das 8 eleições, os resultados as projecções para o PS tenderam a ser sobreavaliados - p. 30;
- Os resultados do CDS foram subavaliados em todas as projecções para as europeias de 2009 - p. 30;
- Os resultados das projecções para a CDU estão sempre muito próximos da realidade para todas as eleições em estudo - p.30;
- Os resultados das projecções para o BE estão sempre muito próximos da realidade para todas as eleições em estudo - p.30.


3. Recomendações:
- É secundária a quantificação exacta dos membros do universo - p.14;
- É desejável que as fichas técnicas indiquem de modo uniforme e mais claro o procedimento de amostragem, as variáveis de estratificação e o processo usado para selecção de unidades iniciais, intermédias e finais - p. 15;
- É importante que as fichas técnicas passem conter informação sobre "abstenção estimada" - p. 19;
- É importante que o questionário faça parte integrante da ficha técnica depositada - p.19;
- O facto de a taxa de instalação de telefone fixo não ser de 100% e a elevada taxa de posse de telefone móvel recomenda que a amostra seja composta por entrevistados com telefone fixo no lar e entrevistados com móvel sem telefone fixo no lar - p. 20;
- Sugere-se indicação na ficha técnica da percentagem de entrevistas controladas, entrevistadores inspeccionados e número de entrevistas anuladas após inspecção - p. 22;
- Necessidade de indicação de variáveis utilizadas para ponderação - p. 22;
- Em amostras por quotas, sugere-se reequilíbrio amostral por último voto - p.22;
- Em amostras por quotas, não deve ser apresentada margem de erro máxima, mas sim referir que "o erro é desconhecido. Se fosse utilizado um procedimento aleatório, o erro máximo seria de x%" - p. 23;
- Deveria ser abandonada a apresentação dos resultados até às décimas e dar mais relevo ao intervalo de confiança - p. 41;
- Republicações de resultados de sondagens deveriam fazer referência à publicação inicial, responsável e fonte - p. 42;
- Elaboração de um pequeno manual sobre procedimentos correctos e incorrectos no tratamento editorial das sondagens e criação de um curso-modelo de curta duração sobre sondagens para jornalistas - p. 56;
- Criação de um "programa informático" que, cito, "passe a calcular os diferentes intervalos de confiança (com níveis de significância de 5% e 1%) e, analisando tendências, ponha em evidência dados que saiam fora dos limites previstos, alertando para a necessidade de uma análise das bases técnicas da sondagem em questão" - p. 57.

Há outras recomendações sobre a natureza da ficha técnica a preencher pelas empresas e depositar na ERC, às quais, pela sua especificidade, vos poupo.

Como imaginam, tenho opiniões sobre tudo isto. Mas o que eu gostava mesmo era de saber o que pensam as pessoas que se interessam por este assunto, visitam este blogue e costumam comentar sondagens. Não há muitas oportunidades para debater estes assuntos fora do calor eleitoral, e esta é uma delas. Aproveitem. Daqui a uns tempos direi o que penso deste relatório e das suas conclusões.