sexta-feira, janeiro 21, 2011
A sondagem do Metro
Perguntam-me o que acho da sondagem do Metro: esta. O jornal explica que é uma sondagem a leitores, e faz bem. É pena isso não estar assinalado na 1ª página e aparecer enterrado num textinho na página 3, mas enfim. O texto confunde os conceitos de amostra e universo e diz que houve o cuidado de colocar a ordem dos candidatos igual à dos boletins, o que é engraçado, como se isso pudesse ser o maior problema desta brincadeira.
Mas notem o seguinte. Todas as amostras são, de certa forma, voluntárias, pelo que todas têm enviesamentos, representando quem quer responder a sondagens e não a população em geral. Infelizmente, com o aumento das recusas e com a dificuldade em contactar as pessoas, começa a suceder que a diferença entre as sondagens a sério e isto que o Metro aqui faz se está a tornar cada vez menos uma diferença de espécie e cada vez mais uma mera diferença de grau.
O que, por sua vez, tem feito com que alguns pensem que seria melhor assumir as limitações disto tudo, aproveitar a internet e corrigir as distorções com ponderadores. E foi assim que nasceu a You Gov. Nada mau. O futuro talvez passe por muitas coisas como este Metro Life Panel, se bem feito, naturalmente (não estou a dizer que não seja. Não faço ideia).
Mas notem o seguinte. Todas as amostras são, de certa forma, voluntárias, pelo que todas têm enviesamentos, representando quem quer responder a sondagens e não a população em geral. Infelizmente, com o aumento das recusas e com a dificuldade em contactar as pessoas, começa a suceder que a diferença entre as sondagens a sério e isto que o Metro aqui faz se está a tornar cada vez menos uma diferença de espécie e cada vez mais uma mera diferença de grau.
O que, por sua vez, tem feito com que alguns pensem que seria melhor assumir as limitações disto tudo, aproveitar a internet e corrigir as distorções com ponderadores. E foi assim que nasceu a You Gov. Nada mau. O futuro talvez passe por muitas coisas como este Metro Life Panel, se bem feito, naturalmente (não estou a dizer que não seja. Não faço ideia).
Uma ideia genial
Pelo menos desde as 23.00h de ontem (como se comprova por este tweet), o jornal Sol tinha na sua 1ª página resultados do que parecia à primeira vista ser uma sondagem. Mas lendo com atenção essa 1ª página, começa-se a inferir algo que depois se confirma na leitura do artigo da autoria do jornalista Manuel Magalhães (sem relação): o Sol não fez qualquer sondagem, e o que apresenta é uma média de cinco sondagens. Há alguns erros na tabela apresentada (não há nenhuma sondagem da Católica que dê 66,7% a Cavaco Silva, etc.) mas os resultados das últimas cinco parecem correctos.
É uma ideia genial. Na 1ª página, o que parece ser uma sondagem, mas realizada a custo zero. E ainda por cima, a "sondagem" do Sol não vai ser, de certeza absoluta, a mais afastada dos resultados do dia 23. Gente esperta.
Mas espera: os resultados da sondagem da Aximage só foram publicados no Correio da Manhã de hoje. E a sondagem da Católica às duas da manhã de hoje. E a da Eurosondagem à meia-noite. Como é que o Sol e Manuel Magalhães acharam que tinham o direito a fazer e difundir uma 1ª página na base de informação que estava sob embargo? E como poderá o Sol ter tido acesso a estes resultados para calcular médias e fazer uma 1ª página às 23 de ontem? Haverá algum sítio onde os resultados de todas as sondagens das várias empresas sejam obrigatoriamente conhecidos antes da sua divulgação pública? Deixa-me pensar... Espera... Será? Não é possível...
Uma selva, pura e simples.
É uma ideia genial. Na 1ª página, o que parece ser uma sondagem, mas realizada a custo zero. E ainda por cima, a "sondagem" do Sol não vai ser, de certeza absoluta, a mais afastada dos resultados do dia 23. Gente esperta.
Mas espera: os resultados da sondagem da Aximage só foram publicados no Correio da Manhã de hoje. E a sondagem da Católica às duas da manhã de hoje. E a da Eurosondagem à meia-noite. Como é que o Sol e Manuel Magalhães acharam que tinham o direito a fazer e difundir uma 1ª página na base de informação que estava sob embargo? E como poderá o Sol ter tido acesso a estes resultados para calcular médias e fazer uma 1ª página às 23 de ontem? Haverá algum sítio onde os resultados de todas as sondagens das várias empresas sejam obrigatoriamente conhecidos antes da sua divulgação pública? Deixa-me pensar... Espera... Será? Não é possível...
Uma selva, pura e simples.
Aximage, 10-14 Janeiro, N=1000, Tel.
Cavaco Silva: 54,7% (-2,4)
Manuel Alegre: 25,6% (+4,7)
Fernando Nobre: 10,7% (+2)
Francisco Lopes: 6,3% (?)
Defensor de Moura: 1,8% (-1,3)
José Manuel Coelho: 0,9% (?)
Não está online. A mensagem é igual à das mensagens anteriores (excepto Marktest): Cavaco com menos de 60%; Alegre com mais de 20% mas menos de 30%.
Manuel Alegre: 25,6% (+4,7)
Fernando Nobre: 10,7% (+2)
Francisco Lopes: 6,3% (?)
Defensor de Moura: 1,8% (-1,3)
José Manuel Coelho: 0,9% (?)
Não está online. A mensagem é igual à das mensagens anteriores (excepto Marktest): Cavaco com menos de 60%; Alegre com mais de 20% mas menos de 30%.
CESOP/Católica, 15-18 Jan, N=4321, Presencial
Entre parêntesis, mudança em relação a anterior sondagem da mesma empresa:
Cavaco Silva: 59% (-4)
Manuel Alegre: 22% (+2)
Fernando Nobre: 10% (+3)
Francisco Lopes: 6% (+3)
José Manuel Coelho: 2%
Defensor de Moura: 1% (=)
Aqui. A estimativa da Católica para Cavaco está significativamente acima da da Intercampus, mas não da da Eurosondagem. Está abaixo da da Eurosondagem para Alegre, mas não é significativamente diferente da da Intercampus. Nobre está, para todos os efeitos, igual nas três últimas sondagens. Lopes está acima para Intercampus, sem diferença significativa entre Católica e Eurosondagem. Nas tendências, iguais em quase tudo, a não ser que, para Católica, Alegre sobe. Mas a última sondagem da Católica foi há mais tempo. Unanimemente a subir, Nobre e Lopes. Unanimemente a descer, Cavaco.
Em suma, as últimas três sondagens estão a dizer-nos coisas muito parecidas.
Cavaco Silva: 59% (-4)
Manuel Alegre: 22% (+2)
Fernando Nobre: 10% (+3)
Francisco Lopes: 6% (+3)
José Manuel Coelho: 2%
Defensor de Moura: 1% (=)
Aqui. A estimativa da Católica para Cavaco está significativamente acima da da Intercampus, mas não da da Eurosondagem. Está abaixo da da Eurosondagem para Alegre, mas não é significativamente diferente da da Intercampus. Nobre está, para todos os efeitos, igual nas três últimas sondagens. Lopes está acima para Intercampus, sem diferença significativa entre Católica e Eurosondagem. Nas tendências, iguais em quase tudo, a não ser que, para Católica, Alegre sobe. Mas a última sondagem da Católica foi há mais tempo. Unanimemente a subir, Nobre e Lopes. Unanimemente a descer, Cavaco.
Em suma, as últimas três sondagens estão a dizer-nos coisas muito parecidas.
Eurosondagem, 13-18 Janeiro, N=2063, Presencial
Entre parêntesis, mudança em relação a última sondagem da mesma empresa:
Cavaco Silva: 56,3% (-3,7)
Manuel Alegre: 25,0% (-5)
Fernando Nobre: 10,1% (+5,3)
Francisco Lopes: 5,2% (+0,7)
Defensor de Moura: 2,0% (+1,3)
José Manuel Coelho: 1,4%
Aqui. Para todos os efeitos, esta sondagem diz-nos exactamente a mesma coisa que a da Intercampus, excepto na votação para Francisco Lopes. O que quero dizer com isto é que, tendo em conta a dimensão das amostras, as diferenças entre as proporções estimadas para os 3 primeiros candidatos nas duas sondagens carecem de significância estatística. Para além disso, apontam para as mesmas tendências: Cavaco e Alegre descem, restantes sobem.
Cavaco Silva: 56,3% (-3,7)
Manuel Alegre: 25,0% (-5)
Fernando Nobre: 10,1% (+5,3)
Francisco Lopes: 5,2% (+0,7)
Defensor de Moura: 2,0% (+1,3)
José Manuel Coelho: 1,4%
Aqui. Para todos os efeitos, esta sondagem diz-nos exactamente a mesma coisa que a da Intercampus, excepto na votação para Francisco Lopes. O que quero dizer com isto é que, tendo em conta a dimensão das amostras, as diferenças entre as proporções estimadas para os 3 primeiros candidatos nas duas sondagens carecem de significância estatística. Para além disso, apontam para as mesmas tendências: Cavaco e Alegre descem, restantes sobem.
quinta-feira, janeiro 20, 2011
Intercampus, 16-19 Janeiro, N=1004, Presencial
Entre parêntesis, mudança desde sondagem anterior da mesma empresa:
Cavaco Silva: 54,6% (-5,5)
Manuel Alegre: 22,8% (-2,5)
Fernando Nobre: 9,1% (+4,9)
Francisco Lopes: 8,2% (+1,9)
José Manuel Coelho: 2,7% (+1,1)
Defensor de Moura: 2,6% (+0,1)
Aqui. A soma disto é 100%.
Cavaco Silva: 54,6% (-5,5)
Manuel Alegre: 22,8% (-2,5)
Fernando Nobre: 9,1% (+4,9)
Francisco Lopes: 8,2% (+1,9)
José Manuel Coelho: 2,7% (+1,1)
Defensor de Moura: 2,6% (+0,1)
Aqui. A soma disto é 100%.
quarta-feira, janeiro 19, 2011
Taxa de resposta
Como se calcula a taxa de resposta numa sondagem? A taxa de resposta é a percentagem de entrevistas concluídas (802, no caso desta sondagem) em relação a um total que consiste em:
EC: entrevistas concluídas
EP: entrevistas parciais ou incompletas
R: recusas
NC: não-contactos (casos em que se confirma a existência de um inquirido elegível mas com o qual não se consegui estabelecer contacto).
Está explicado aqui.
EC: entrevistas concluídas
EP: entrevistas parciais ou incompletas
R: recusas
NC: não-contactos (casos em que se confirma a existência de um inquirido elegível mas com o qual não se consegui estabelecer contacto).
Está explicado aqui.
Marktest, 14-16 Janeiro, N=802, Tel.
Cavaco Silva: 61,5%
Manuel Alegre: 15%
Fernando Nobre: 12,7%
Francisco Lopes: 3,3%
José Manuel Coelho: 2,1%
Defensor de Moura: 1,2%
Aqui. A soma disto dá 95,8%. A notícia reporta que "a percentagem de votos brancos e outros [quais outros?] é de 4,2 por cento". Se os deixarmos de fora, para tornar o resultado comparável com o de uma eleição, ficamos assim (entre parêntesis, comparação com sondagem anterior da mesma empresa):
Cavaco Silva: 64,2% (-14,1)
Manuel Alegre: 15,7% (+0,7)
Fernando Nobre: 13,3% (+9,3)
Francisco Lopes: 3,4% (+2,7)
José Manuel Coelho: 2,2%
Defensor de Moura: 1,3%
Manuel Alegre: 15%
Fernando Nobre: 12,7%
Francisco Lopes: 3,3%
José Manuel Coelho: 2,1%
Defensor de Moura: 1,2%
Aqui. A soma disto dá 95,8%. A notícia reporta que "a percentagem de votos brancos e outros [quais outros?] é de 4,2 por cento". Se os deixarmos de fora, para tornar o resultado comparável com o de uma eleição, ficamos assim (entre parêntesis, comparação com sondagem anterior da mesma empresa):
Cavaco Silva: 64,2% (-14,1)
Manuel Alegre: 15,7% (+0,7)
Fernando Nobre: 13,3% (+9,3)
Francisco Lopes: 3,4% (+2,7)
José Manuel Coelho: 2,2%
Defensor de Moura: 1,3%
terça-feira, janeiro 18, 2011
Mais uma vez
Anxo Luxilde, jornalista do La Vanguardia, cita-me como sendo "director de los sondeos de la Universidad Católica". Mas não: no fim de 2009, o meu mandato chegou ao fim, e solicitei que não fosse renovado. Agora estou no ICS em exclusividade. O novo - enfim, há cerca de um ano - director do CESOP é Rogério Santos.
domingo, janeiro 16, 2011
quarta-feira, janeiro 12, 2011
Insónias
Ainda se lembram dos resultados das últimas sondagens nas eleições presidenciais de 2001? Não? Então vejam com muita atenção.
Uma conferência
Estive hoje numa conferência sobre Matemática e Eleições. Fui falar sobre sondagens. Estavam mais de 100 pessoas na assistência. Falei de erro amostral e outros tipos de erro, de cobertura, de "não-contacto" e "não-resposta".
Muitas perguntas. Perguntaram-se se o erro amostral é afectado pela dimensão da população sobre a qual estamos a fazer inferências. Se a abstenção afecta a diferença entre as intenções de voto e os resultados, e como e porquê. Em que medida os dados do recenseamento da população são úteis para quem faz sondagens. Se sempre é verdade que as sondagens subestimam sistematicamente o CDS e, se sim, por que será. O que se faz para corrigir distorções entre a composição das amostras e aquilo que julgamos saber sobre a população? E se nós sabemos as fontes de erro "não-amostral", o que podemos fazer para as contrariar? E porque não fazemos mais e melhor?
Quem me fez estas e outras perguntas foram alunos de 15 e 16 anos do Colégio Paulo VI, em Gondomar. Não é só as perguntas terem sido boas. Foram todas curtas, muito incisivas, feitas por pessoas que perguntam porque, simplesmente, querem saber. Nada do que sucede normalmente nas conferências em Portugal ("Bem, a minha pergunta não é bem uma pergunta, é um comentário," etc). Em suma, continuo optimista.
Muitas perguntas. Perguntaram-se se o erro amostral é afectado pela dimensão da população sobre a qual estamos a fazer inferências. Se a abstenção afecta a diferença entre as intenções de voto e os resultados, e como e porquê. Em que medida os dados do recenseamento da população são úteis para quem faz sondagens. Se sempre é verdade que as sondagens subestimam sistematicamente o CDS e, se sim, por que será. O que se faz para corrigir distorções entre a composição das amostras e aquilo que julgamos saber sobre a população? E se nós sabemos as fontes de erro "não-amostral", o que podemos fazer para as contrariar? E porque não fazemos mais e melhor?
Quem me fez estas e outras perguntas foram alunos de 15 e 16 anos do Colégio Paulo VI, em Gondomar. Não é só as perguntas terem sido boas. Foram todas curtas, muito incisivas, feitas por pessoas que perguntam porque, simplesmente, querem saber. Nada do que sucede normalmente nas conferências em Portugal ("Bem, a minha pergunta não é bem uma pergunta, é um comentário," etc). Em suma, continuo optimista.
segunda-feira, janeiro 10, 2011
Presidenciais
Acrescentei os resultados das últimas sondagens Intercampus e Marktest. Corrigi os resultados das anteriores sondagens Intercampus, porque não me tinha dado conta de que, anteriormente, tinham apresentado projecções incluindo brancos e nulos no total. E acrescentei uma sondagem da Aximage de Junho passado.
sábado, janeiro 08, 2011
Aximage, 3-6 Jan., N=600, Tel.
Cavaco Silva: 57,1%
Manuel Alegre: 20,8%
Fernando Nobre: 8,7%
Francisco Lopes: ?
Defensor de Moura: 3,1%
José Manuel Coelho: ?
Aqui.
Manuel Alegre: 20,8%
Fernando Nobre: 8,7%
Francisco Lopes: ?
Defensor de Moura: 3,1%
José Manuel Coelho: ?
Aqui.
sexta-feira, janeiro 07, 2011
Intercampus, 3-6 Janeiro, N=1002, Presencial
Cavaco Silva: 60,1%
Manuel Alegre: 25,3%
Francisco Lopes: 6,3%
Fernando Nobre: 4,2%
Defensor de Moura: 2,5%
José Manuel Coelho: 1,6%
Aqui.O total é 98,4%. Suponho que o resto são votos em branco, que não são contabilizados para apuramento final. A notícia fala de uma queda de 6,9 pontos para Cavaco. Notem que a anterior sondagem da Intercampus era, ao contrário desta, telefónica. É só uma sondagem. Há erro amostral. Etc. Mas não tenho ilusões nenhumas: toda a gente vai dizer que isto é um efeito do BPN.
P.S.- Se olharem para a sondagem anterior, vão ver Cavaco com 64,3 e talvez pareça estranho que se fale numa queda de 6,9. Mas os resultados da sondagem anterior foram apresentados com percentagens calculadas em relação ao total de votos válidos + em branco. Redistribuídos, Cavaco ficava com 67, e daí a queda de 6,9 para a sondagem de hoje.
Manuel Alegre: 25,3%
Francisco Lopes: 6,3%
Fernando Nobre: 4,2%
Defensor de Moura: 2,5%
José Manuel Coelho: 1,6%
Aqui.
P.S.- Se olharem para a sondagem anterior, vão ver Cavaco com 64,3 e talvez pareça estranho que se fale numa queda de 6,9. Mas os resultados da sondagem anterior foram apresentados com percentagens calculadas em relação ao total de votos válidos + em branco. Redistribuídos, Cavaco ficava com 67, e daí a queda de 6,9 para a sondagem de hoje.
terça-feira, janeiro 04, 2011
Inquérito ao Emprego passa a ser telefónico
Acho a notícia de hoje sobre a mudança do modo de aplicação do Inquérito ao Emprego muito interessante, pelo menos de dois pontos de vista. O primeiro é que nos ajuda a perceber que, manifestamente, muitas pessoas não perdem tempo a pensar de onde vem a esmagadora maioria da informação das estatísticas nacionais. Por exemplo, hoje, a TSF anunciava que o BE iria pedir esclarecimentos sobre a mudança, anunciando que "as estatísticas nacionais não podem ser sondagens". Não podem? Mas é precisamente isso que são. Com excepção da informação que resulta dos recenseamentos da população, a maior parte das estatísticas nacionais, em qualquer país do mundo, resultam, precisamente, de inquéritos amostrais, ou seja, de sondagens (ver aqui a forma como o Inquérito ao Emprego vinha sendo conduzido até agora). Se devem ser presenciais, telefónicas ou online é algo que se pode discutir longamente, e é óbvio que são feitas com recursos e tempo muitíssimo maiores que qualquer sondagem para a comunicação social. Mas são, no fundamental, sondagens, quer lhes queiramos chamar isso ou outra coisa qualquer.
O segundo ponto interessante é que, por isso mesmo, o INE talvez devesse ter sido capaz de prever que a súbita "recordação" desse simples facto poderia ser acompanhada de suspeitas e acusações várias, mesmo que completamente descabeladas. Uma das coisas que se diz na nota informativa do INE (descarregar aqui) é que a decisão de passagem para inquérito telefónico foi tomada em 2008 e que os trabalhos para a execução do “Projecto para o planeamento, concepção, preparação e implementação da entrevista telefónica no Inquérito ao Emprego (...) "decorreram desde então com grande intensidade". Houve um "trabalho rigoroso e intenso de planeamento, investigação, concepção e preparação" e foi realizado um "um conjunto vasto de testes estatísticos para medir o impacto das alterações a introduzir". Óptimo. Mas se é assim, por que razão "a descrição detalhada do processo de transição para o modo de recolha telefónico, bem como dos impactos nas estimativas a publicar no 1º trimestre de 2011 e nos conteúdos informacionais objecto de difusão, constarão de documento metodológico a disponibilizar oportunamente"' Haverá momento mais oportuno do que este? Se houve tanta preparação e investigação, não teria sido melhor divulgar os seus resultados agora? Acompanhar este anúncio com documentação metodológica detalhada seria a melhor maneira de fazer que esta mudança no modo de aplicação do inquérito fosse melhor compreendida. Assim, temos confusão desnecessária. Estou a ver mal?
O segundo ponto interessante é que, por isso mesmo, o INE talvez devesse ter sido capaz de prever que a súbita "recordação" desse simples facto poderia ser acompanhada de suspeitas e acusações várias, mesmo que completamente descabeladas. Uma das coisas que se diz na nota informativa do INE (descarregar aqui) é que a decisão de passagem para inquérito telefónico foi tomada em 2008 e que os trabalhos para a execução do “Projecto para o planeamento, concepção, preparação e implementação da entrevista telefónica no Inquérito ao Emprego (...) "decorreram desde então com grande intensidade". Houve um "trabalho rigoroso e intenso de planeamento, investigação, concepção e preparação" e foi realizado um "um conjunto vasto de testes estatísticos para medir o impacto das alterações a introduzir". Óptimo. Mas se é assim, por que razão "a descrição detalhada do processo de transição para o modo de recolha telefónico, bem como dos impactos nas estimativas a publicar no 1º trimestre de 2011 e nos conteúdos informacionais objecto de difusão, constarão de documento metodológico a disponibilizar oportunamente"' Haverá momento mais oportuno do que este? Se houve tanta preparação e investigação, não teria sido melhor divulgar os seus resultados agora? Acompanhar este anúncio com documentação metodológica detalhada seria a melhor maneira de fazer que esta mudança no modo de aplicação do inquérito fosse melhor compreendida. Assim, temos confusão desnecessária. Estou a ver mal?
terça-feira, dezembro 28, 2010
quinta-feira, dezembro 23, 2010
Eurosondagem, 15-20 Dez, N=2052, Presencial
terça-feira, dezembro 21, 2010
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