terça-feira, abril 05, 2011

Aliança PCP/PEV/BE?

Nas eleições de 2009, BE e CDU conquistaram, respectivamente, 16 e 15 assentos parlamentares, num total de 31. Imaginem que, em 2009, BE e CDU tinham feito listas conjuntas e conquistavam, em cada círculo, a soma exacta dos votos obtidos pelas duas listas, sem alterações para os restantes partidos. Quantos deputados teria eleito essa lista conjunta?

A resposta é 39, 8 deputados a mais em relação ao que realmente sucedeu em 2009. 4 seriam roubados ao PS (em Viana, Viseu, Setúbal e Beja ),  3 ao PSD (em Aveiro, Coimbra e Faro) e 1 ao CDS-PP (no Porto).

P.S.- Obrigado pelas correcções. Tenho estado a confiar numa macro que tem um problema que, neste caso, deu nisto. Vou corrigir.
P.P.S.- Mergulhando mais no assunto, parece que afinal estava tudo bem com a análise anterior: Porto 2009; Porto 2009 com votos de BE e PCP-PEV somados. Mas vejam lá.

A última sondagem da Aximage

Amavelmente, a Aximage mandou-me os dados completos da última sondagem enquanto o depósito não aparece na ERC. Aqui vai. Entre parêntesis, evolução em relação à sondagem anterior (Março) da mesma empresa:

PSD: 34,8% (-3,1)
PS: 28,4% (+0,5)
CDS-PP: 10,8% (+1,9)
CDU: 8,5% (-2,2)
BE: 6,5% (=)
OBN: 5,5% (+0,4)
Indecisos: 5,5% (+2,5)

Se quisermos tornar estes resultados comparáveis com resultados eleitorais, temos de fazer qualquer coisa aos indecisos. A opção aqui é a mais simples: tratá-los como abstencionistas (opção da minha responsabilidade, e não da Aximage):


PSD: 36,8% (-2,2)
PS: 30,1% (+1,3)
CDS-PP: 11,4% (+2,3)
CDU: 9,0% (-2,0)
BE: 6,9% (+0,2)
OBN: 5,8% (+0,6)

Espero que esteja tudo certo, mas se detectarem erros digam. Como já disse, creio que é cedo para tirarmos conclusões sobre a forma como as atitudes das pessoas podem ou não ter mudado depois do chumbo do PEC e da demissão do governo. Uma sondagem é só uma sondagem. Mas há outro resultado aqui que não é favorável para o PSD: uma queda acentuada da avaliação de Pedro Passos Coelho (de 10,9 em média de 0 a 20 para 8,5). Mas temos de esperar por mais estudos para começar a ficar com uma imagem mais clara.

segunda-feira, abril 04, 2011

House effects

Um dos gráficos anteriores mostra a evolução das intenções de voto em cada partido, de um mês para outro, quando controlamos o facto de cada sondagem ter sido feita por uma empresa diferente. Por outras palavras, estima-se um valor para cada mês através de uma regressão sem constante que tem variáveis mudas identificando cada empresa e cada mês, mantendo uma das empresas como categoria de referência (neste caso, a Eurosondagem, por ser a que divulgou mais estudos). Isto faz sentido apenas na medida em que queiramos ter uma ideia da evolução ao longo do tempo sem estarmos dependentes do facto de diferentes empresas fazerem estudos em momentos e em quantidades diferentes, e tomando em conta o facto conhecido de que, pelo conjunto de escolhas técnicas e práticas que adoptam, cada empresa poder ter uma tendência para valorizar mais uns partidos e desvalorizar outros.

Um dos outputs interessantes desta análise mostra-nos que tendências são essas para cada empresa. Os gráficos seguintes mostram os house effects de cada empresa em relação a cada partido em comparação com a Eurosondagem. É muito importante perceber o que isto diz. Estes gráficos não mostram que esta ou aquela empresa subvaloriza ou sobrevaloriza cada partido em comparação com a "realidade". Eles não fazem a mais pequena ideia do que poderá ser a "realidade". Eles comparam os resultados obtidos por quatro empresas em comparação com uma outra empresa, escolhida apenas por ser aquela que tem mais sondagens feitas. E eles não sugerem que há enviesamentos deliberados, mas apenas que pode haver uma relação entre procedimentos adoptados e os resultados que se estimam para cada partido, independentemente do momento em que as sondagens foram feitas. As linhas de erro representam intervalos de confiança de 95%





Sondagens: ponto de situação

O primeiro gráfico é o habitual, mostrando todas as sondagens de intenção de voto desde 2005 até ao momento e um smoother de 25% (a última sondagem da Aximage não está incluída, à espera de que possa fazer uma redistribuição de indecisos na base da informação no depósito na ERC):


De Janeiro de 2010 até agora, um zoom sobre PS e PSD e smoother mais sensível (10%). A linha vertical a tracejado é a demissão de Sócrates, mostrando como é fútil tentar, neste momento, detectar mudanças posteriores.


















Novo zoom, desta vez sobre CDS-PP, CDU e BE.



















Finalmente, os resultados por mês controlando "house effects":

sábado, abril 02, 2011

Compensa assinar o Público?

Segundo Rita Brandão Guerra, no Público, "as duas sondagens mais recentes (Intercampus e Eurosondagem), ambas divulgadas após a demissão de José Sócrates, mostram que o PSD entra em queda relativamente aos resultados que obtinha antes do chumbo do PEC IV, por um lado, e ao anúncio da demissão de Sócrates, por outro."

Ora vejamos:

Evolução PSD na Eurosondagem: +0,4
Evolução PSD na Intercampus: +5,4 se compararmos com Janeiro (presencial) e +0,6 se compararmos com Dezembro (telefónica)

Compensa assinar o Público?

Aximage, 28-30 Março, N=600, Tel.

PSD: 34,8%
PS: 28,4%
CDS-PP: 10,8%
CDU: 8,5%
BE: 6,5%

Aqui.

A soma disto é 89%, pelo que, nos 11% em falta, deverão estar outros partidos, brancos, nulos e indecisos. Mas quantos de cada? A notícia não diz. Temos de aguardar pelo depósito na ERC. Ainda estou para ver em que século é que a ERC tenciona obrigar os jornais a publicarem os resultados brutos, tal como obriga a lei. A não ser que notícias online não contem.

É a primeira sondagem em muito tempo com más notícias para o PSD. Pode ser um outlier.

sexta-feira, abril 01, 2011

Eurosondagem, 27-30 Março, N=1021, Tel.

Intenções de voto após redistribuição proporcional de indecisos. Entre parêntesis, comparação com resultados de sondagem anterior:

PSD: 37,3% (+0,4)
PS: 30,4% (-0,2)
CDS-PP: 10,7% (+0,8)
CDU: 8,4% (-0,2)
BE: 7,7% (=)

Aqui.

domingo, março 27, 2011

Intercampus, 24-26 Março, N=805, Tel

PSD: 42,2%
PS: 32,8%
CDS-PP: 8,7%
BE: 7,9%
CDU: 7,1%

Aqui.

P.S.- Um leitor estranha que a comparação na notícia seja feita não com a última sondagem da Intercampus, mas sim com uma sondagem anterior. Creio que isso decorre do facto de a última sondagem da Intercampus, de Janeiro, utilizar entrevistas presenciais em vez de inquérito telefónico. Mas façamos então a comparação com sondagem mais recente da Intercampus (Janeiro):

PSD: +5,4 (tinha 36,8%)
PS: +2,0 (tinha 30,8%)
CDS-PP: +2,9 (tinha 5,8%)
BE: +0,6 (tinha 7,3%)
CDU: = (tinha 7,1%)

Como é? Todos sobem (e um mantém)? Uma pista possível é que, na sondagem anterior, a Intercampus registou 9,1% de votos brancos e nulos e 3,1% para outros partidos.

quinta-feira, março 24, 2011

Incerteza (último)


















Finalmente, temos este gráfico, claro. Boas perspectivas para o PSD. Mas se fizermos aqui um zoom no ano de 2009 e aumentarmos a sensibilidade do smoother...


















As circunstâncias hoje são completamente diferentes, muito mais favoráveis ao PSD. Mas algures em 2009, muita gente - provavelmente no próprio governo - se terá convencido, por volta das europeias, que o desfecho das legislativas era a inevitável vitória do PSD. Em dois meses, a ilusão ficou desfeita.

Tudo isto para dizer que gostava de poder dar certezas, mas não posso. Gostaria que das próximas eleições resultasse uma solução de governo clara, e já cheguei ao ponto em que gostaria que fosse clara fosse ela qual fosse. Mas acho que temos boas razões para, pelo menos, pensar duas vezes.

Incerteza 4: simpatias partidárias.

Outra predisposição relevante é a identificação com um partido. Identificar-me com um partido significa sentir-me próximo dele em comparação com outros, ter por ele uma simpatia especial, uma tradição de proximidade e empatia. Em Portugal, há pouco disto. Mas há algo. E a esmagadora maioria da pessoas que a têm acabam por votar nesse partido. Pode acontecer muita coisa. Mas se o nosso partido nos der uma boa versão dos acontecimentos e se nos activar contras as versões dos outros, a coisa, no fim, acaba por se reconduzir ao nosso "estado normal": essa simpatia. Em Portugal, como é?
















Isto já era sim em 2005, tal e qual. Pode ter mudado desde 2009? Pode. Mas o facto de não ter mudado de 2005 para 2009 sugere que, claro, também pode não ter mudado desde então. E se não mudou, o PSD parte para a eleição, deste ponto de vista, com uma segunda desvantagem estrutural (para além da explicada no post anterior).

Incerteza 3: ideologia

As campanhas, as pessoas, os eventos e as campanhas contam. Mas os eleitores não partem "virgens" para as campanhas. Têm predisposições, à luz das quais avaliam tudo o resto . Uma dessas predisposições pode aferir-se à luz do seu posicionamento ideológico. E aqui as coisas complicam-se para o PSD.

Este gráfico mostra onde o eleitor mediano se posiciona numa escala de 0 a 10 (em que 0 significa a posição mais à esquerda e 10 mais à direita) e onde o eleitorado português posiciona os partidos (os dados são dos inquéritos pós-eleitorais do projecto Comportamento Eleitoral dos Portugueses):















O PS é o partido do eleitor mediano. PSD é visto como estando longe do centro, e cada vez mais próximo do CDS. Isto é para todos os eleitores. O gráfico seguinte mostra os mesmos dados, desta vez apenas para os eleitores que se descrevem como estando no "centro" (pontos 4, 5 e 6):
















Apenas o PS é visto como estando dentro do campo ideológico dos eleitores centristas. PSD à direita, indistinguível do CDS. Boas notícias para o CDS, porventura. Menos boas para o PSD.

Se calcularmos a distância média entre a posição de cada eleitor e a posição que atribui a cada partido, o que vemos?
























Distância aumenta desde 2002 para PSD e PS, diminui para pequenos partidos, o que ajuda a explicar as últimas tendências eleitorais. Mas, em média, os eleitores colocam o PSD mais longe das suas posições ideológicas do que o PS.

"Ideologia" é uma coisa complicada que uma posição sumária numa escala de 0 a 10 pode captar mal. Um passo na direcção da especificação da coisa consiste em pedir opiniões sobre temas concretos:















Esquerda, esquerda, esquerda e, na maior parte dos casos, cada vez mais esquerda (se bem que algumas mudanças careçam de significância estatística). Eu sou daqueles que acham que as respostas às sondagens, assim como as respostas às propostas políticas concretas, dependem muito do enquadramento que lhes seja dado. Por outras palavras, eu acho que isto não é um retrato único, perfeito ou inamovível da realidade. Mas que é um retrato mau para um partido de centro-direita, lá isso é.

Incerteza 2: a avaliação do governo.

Sabe-se que os eleitores são retrospectivos e castigam e recompensam os governos em eleições. Logo, a avaliação que fazem do governo há-de contar para qualquer coisa. E nesse capítulo, as notícias para o PS são péssimas:

1. Católica, Outubro de 2010: 80% (oitenta) consideravam o desempenho do governo "mau" ou "muito mau" (41% "muito mau").
2. Aximage, Marco de 2011: 50% consideravam a actuação do governo pior do que aquilo que esperavam.
3. Eurosondagem, Fevereiro de 2011: 44% de opiniões negativas sobre actuação do governo, contra 19% de opiniões positivas.

Dito isto, atenção ao seguinte:
1. Novamente, estamos a falar da totalidade da amostra, e não de presumíveis votantes.
2. Católica em Outubro: apenas 25% dos inquiridos dizem achar que um partido da oposição faria melhor se estivesse a governar.

E outra coisa interessante dessa sondagem da Católica: questionados sobre as medidas propostas no Orçamento de Estado na altura, aquela que, de longe, mais pessoas diziam que as iria afectar directamente e às suas famílias (79%) e que seria mais difícil para os afectados (76%) era...o aumento do IVA. Para compararmos, 32% diziam que um possível congelamento de pensões os iria afectar e 36% a seleccionavam como sendo uma das mais difíceis para os afectados. O que, em conjugação com as notícias de hoje e recordando também o episódio da revisão constitucional, confirma que o PSD se pode descrever, do ponto de vista estrito do pragmatismo eleitoral, como uma agremiação de suicidas. Isto não implica, note-se, e muito sinceramente, qualquer juízo da minha parte sobre a justeza ou necessidade da medida.

Finalmente, regresso ao início: o "castigo" e a "recompensa" decorrem, evidentemente, de uma avaliação de responsabilidades. Já se percebeu que todo o discurso político do PS vai estar orientado para fornecer considerações aos eleitores que os levem a valorizar a "responsabilidade" (ou "culpa", "imaturidade", "irresponsabilidade") do PSD pela "perda de face" causada pelo pedido de ajuda financeira à Europa e ao FMI e pelas medidas alegadamente mais gravosas que terão de resultar desse pedido de ajuda. Previsivelmente, o PSD tentará colocar a "culpa" da situação do país em toda a actuação do governo até ao momento, e há sinais claros de um outro elemento desse discurso: afinal, a situação do país é ainda mais grave do que o Governo dizia. E a esquerda colocará a culpa de tudo isto nas medidas já aplicadas pelo governo, com a colaboração anterior do PSD, e nas regras impostas do exterior. Este vai ser o combate retórico mais importante desta campanha, e não faço a mínima ideia sobre qual será o seu desfecho.

Incerteza 1: a popularidade dos líderes.

Incrivelmente, a apresentação do PEC 4, o debate que se seguiu e o desfecho de ontem ocorreram sem que tivesse sido, que eu saiba, conduzida uma única sondagem sobre o tema para divulgação pública. Pelos vistos, as empresas e os órgãos de comunicação social andaram entretidos, respectivamente, a fazer e encomendar sondagens sobre o Sporting. São opções. Isto significa, contudo, que a reacção da opinião pública ao que se passou é impossível de aferir neste momento. Talvez aqui a dias saibamos qualquer coisa.

Mas por outro lado, talvez não seja mau de todo. Sem informação de curtíssimo prazo, podemos concentrar as atenções em factores de menos curto ou até longo prazo que nos permitam, se não antever o que se vai passar, pelos menos ter uma ideia dos possíveis cenários. Dos factores conhecidos, o de mais "curto-prazo" é a popularidade dos líderes.

Aqui, as notícias são más para o PS. Na última sondagem da Marktest, 70% dos inquiridos tinham opinião negativa sobre José Sócrates, contra 18% de opiniões positivas. Na Aximage, Sócrates tem uma avaliação média de 6,8 em 20 pontos possíveis. Na Eurosondagem, onde os números lhe são menos desfavoráveis, o saldo entre opiniões positivas e negativas é de menos de 5 pontos. Na última sondagem da Católica - de Outubro, há tanto tempo! - a avaliação média do PM era de 6,5 pontos em 20 e apenas 35% dos inquiridos lhe davam uma nota de 10 ou mais.

Dito isto, a verdade é que nenhum dos líderes político-partidários é particularmente bem visto. Na Marktest, Pedro Passos Coelho aparece com tantas opiniões positivas como negativas e uns perturbantes 29% que "não sabem". Na Eurosondagem, o saldo para Passos Coelho é praticamente igual ao de Sócrates. É na Aximage e na Católica que o líder do PSD aparece mais bem avaliado comparativamente a Sócrates. Mas na Católica essa avaliação média é ainda negativa (9,2 de 0 a 20) enquanto que na Aximage, apesar de ser positiva (10,6 de 0 a 20) está bem abaixo dos valores de há um ano atrás.

Acresce a isto que estes valores são obtidos de "amostras totais", e não necessariamente dos presumiveis votantes. Muita desta negatividade pode estar concentrada em eleitores que não tencionam votar. A avaliação dos líderes conta muito, sabemos, nas escolhas eleitorais. Mas é também a mais volátil das variáveis explicativas do voto, num certo sentido demasiado próxima do próprio voto. É preciso olhar para outras coisas.

segunda-feira, março 21, 2011

Baden-Württemberg




















O estado em que estou agora, Baden-Württemberg, tem eleições para a semana, dia 27. Actualmente, o governo é uma coligação entre a CDU e o FDP. A CDU governa há décadas. Mas as coisas estão complicadas.

Primeiro foi o assunto Stuttgart 21, um mega-projecto de construção e urbanização que gerou enorme contestação. Verdes e Linke estão contra. E agora é o tema "nuclear". Stefan Mappus, o Ministro-Presidente, tem sido um dos mais vigorosos defensores da extensão da vida das centrais, coisa que lhe encaixa muito mal agora. Merkel bem tentou limitar os danos, mas pode ser tarde. Nas últimas sondagens, os Verdes ultrapassaram o SPD e aparecem agora em 2º lugar nas intenções de voto. Podemos ter, pela primeira vez, os Verdes à frente de um governo estadual. E para a CDU, perder um bastião de mais de 50 anos seria a pior notícia dos últimos meses. Não necessariamente o fim, mas uma péssima notícia.

Para os jornalistas do Público


O Margens de Erro é um exclusivo dos Assinantes Margens de Erro



Caros jornalistas do Público: a partir de hoje leiam o Margens de Erro em formato de e-blogue, uma mudança absolutamente revolucionária na comunicação digital. O sistema de assinaturas foi ligeiramente, vamos chamar-lhe assim, "modificado". Assinem o Margens de Erro Digital a partir de 2,30 € e acedam a todos os conteúdos exclusivos que tenho para vocês. Por 2,30€ por semana podem ler o blogue a qualquer hora do dia e pesquisar posts antigos. Mas por 5,74€ por semana, para além do que está acima, até me podem telefonar a perguntar se eu acho que o estado do tempo previsto para esta semana tem alguma relação com a probabilidade de demissão do governo, que eu até faço de conta que a pergunta tem resposta e digo-vos tanta coisa que o artigo fica logo escrito. Nem precisam ligar a seguir para o José Adelino Maltez e podem dizer na mesma que falaram com "politólogos" porque eu falo em nome de "Pedro Magalhães" e de "Pedro Coutinho" (e se quiserem controvérsia até digo coisas contraditórias). Como vêem, 5,74€ é pouco dinheiro mas rende bastante.

Caso decidam não assinar, peço-vos que não olhem para os gráficos, não leiam análises de resultados de sondagens e não me sigam a timeline no Twitter. E ainda que retirem do lado direito da página do Público a frase "O seu Jornal do dia é lhe oferecido por:" e por baixo a publicidade do Barclaycard. Ou que escrevam "é-lhe" em vez de "é lhe". Ou "vendido" em vez de "oferecido". Enfim, o que acharem melhor.

Deste vosso admirador e ainda leitor,
Pedro Magalhães

P.S.- Para uma reacção realmente com graça à nova paywall do NYT, ver aqui.

domingo, março 20, 2011

Por que a razão a política não é atraente (ou não é atraente para as pessoas certas)?

É das perguntas que mais me fazem. Mas quem responde, e bem, é Medeiros Ferreira:

"As pessoas com mais qualidade afastaram-se da vida política?

O poder político perdeu poder. Com a entrada de Portugal no sistema monetário europeu e a privatização da banca passou-se da república dos empresários para a república dos financeiros, que tem várias expressões, mas enfraqueceu o poder político, que é visto muitas vezes como uma espécie de epifenómeno dos grandes grupos financeiros ou muito dependente dos grandes negócios.

E é dependente dos grandes grupos financeiros?

Portugal é um país onde não há crescimento económico, mas onde há grandes negócios, e isso enfraqueceu o poder político. O resultado é que muita gente deixou de ir para a política. Se o poder político é uma espécie de epifenómeno, as pessoas afastam-se, porque não se querem sujeitar a estar ao serviço de outras coisas que não sejam as suas próprias convicções. Por outro lado, a actividade política - e vou dizer uma coisa muito impopular - não tem boas condições materiais de atracção.

Os políticos ganham mal?

Não há condições de poder, porque está enfraquecido, e não há condições materiais de atracção para pessoas que estejam disponíveis para ser úteis e não ficar numa situação de dependência. Por outro lado, há o próprio funcionamento interior dos partidos, que vai gerando uma espécie de terceira geração de dirigentes, que já andam nisto há 30 anos e têm uma noção burocrática do modo de fazer política.



Os partidos políticos não estão também muito fechados, sem capacidade para reflectir sobre os novos problemas? O PS tem as Novas Fronteiras...
Isso não existe. É só para aparecer na televisão, mas não é só o PS. O PSD é a mesma coisa. E não foi só o PS que deixou de pensar o país. Eu quase me comovo quando vejo um grupo a estudar o país. Já não há pensamento estratégico sobre o país e não há um pensamento estratégico que parta do plano nacional para se entender como Portugal se deve inserir na integração europeia. "


No jornal i.

Ninguém disse que isto tinha de ter lógica

"Paulo Portas falou para os que ainda acreditam em sondagens (...)  [e] pediu um voto reforçado no CDS para que o partido consiga descolar do BE e do PCP nas sondagens." 


In Público.