terça-feira, maio 17, 2011
Menções na twitosfera: evolução do share
Poucas observações? Sem dúvida. Amanhã estas linhas podem ficar bastante diferentes. Mera curiosidade? Talvez. É o que é, para já acho que é a única coisa que se pode dizer.
Bem, talvez mais qualquer coisinha. Paula Carvalho e outros colegas envolvidos no REACTION têm um paper onde analisam comentários a 10 notícias online do Público sobre os debates televisivos para as eleições de 2009. São 2.795 comentários, 3.537 frases anotadas, que foram analisadas manualmente (ao contrário do que temos aqui agora). Foram classificadas em termos dos seus alvos (os líderes) e a sua polaridade ( de "muito negativa" a "muito positiva"). O que descobriram? Entre outras coisas:
1. 60% das frases eram comentários negativos.
2. Sócrates era quem tinha mais comentários negativos, mas...
3. Foi o share de comentários positivos, não o total de comentários ou o saldo entre positivos e negativos, que mais se correlacionou com o voto.
Vamos então ver a evolução do share das menções positivas na twitosfera:
Há uma frase que me irrita brutalmente quando aplicada às sondagens mas que aqui acho que se aplica: isto vale o que vale. Mas com o tempo e a experiência poderemos talvez deixar de a usar e saber melhor o que realmente vale.
segunda-feira, maio 16, 2011
Intercampus, 11-15 Maio, N=1025, Tel.
PSD: 36,1% (-0,1)
PS: 35,4% (+0,3)
CDS-PP: 12,6% (+1,7)
CDU: 7,5% (-0,2)
BE: 6,2% (-0,3)
Por razões já aqui explicadas, a comparação é com a sondagem cujo trabalho de campo terminou a 8 de Maio.
PS: 35,4% (+0,3)
CDS-PP: 12,6% (+1,7)
CDU: 7,5% (-0,2)
BE: 6,2% (-0,3)
Por razões já aqui explicadas, a comparação é com a sondagem cujo trabalho de campo terminou a 8 de Maio.
El apasionante tobogán de las enigmáticas elecciones portuguesas del 5 de junio
Muita simpatia, e com um sabor especial para mim por vir de onde vem. Obrigado e cá o espero.
sábado, maio 14, 2011
Passos Coelho vs. Portas (das 19h do dia 13 às 7h dos dia 14)
A partir de hoje o REACTION está a gerar dados de 12 em 12 horas. Acho que nem é preciso comentar este.
sexta-feira, maio 13, 2011
House effects
Variação da estimativa de Abril para Maio (até agora):
PSD: - 1,5
PS: + 0,2
CDS-PP: + 2,1
CDU: - 0,2
BE: - 0,6
PSD: - 1,5
PS: + 0,2
CDS-PP: + 2,1
CDU: - 0,2
BE: - 0,6
Intercampus, 7-12 Maio, N=1029, Tel.
PS: 36,8% (+2,0)
PSD: 33,9% (-3,1)
CDS-PP: 13,4% (+2,9)
CDU: 7,4% (-0,5)
BE: 6,0% (-1,0)
Estou a comparar não com a última sondagem da Intercampus, mas sim com a imediatamente anterior a essa, dado que esta partilha 40% da amostra com a que terminou dia 8. Decidi também eliminar a sondagem anterior da base de dados a partir da qual faço os gráficos, de forma a ter apenas amostras independentes. Sei que em parte estou a perder informação, mas acho preferível assim.
P.S.- Este post já foi mudado três vezes de tão mal escrito que estava. Teve uma versão anterior, e outra anterior a essa, sendo que a segunda foi anterior à primeira, etc.
PSD: 33,9% (-3,1)
CDS-PP: 13,4% (+2,9)
CDU: 7,4% (-0,5)
BE: 6,0% (-1,0)
Estou a comparar não com a última sondagem da Intercampus, mas sim com a imediatamente anterior a essa, dado que esta partilha 40% da amostra com a que terminou dia 8. Decidi também eliminar a sondagem anterior da base de dados a partir da qual faço os gráficos, de forma a ter apenas amostras independentes. Sei que em parte estou a perder informação, mas acho preferível assim.
P.S.- Este post já foi mudado três vezes de tão mal escrito que estava. Teve uma versão anterior, e outra anterior a essa, sendo que a segunda foi anterior à primeira, etc.
quinta-feira, maio 12, 2011
Capítulo 1
Para abrir o apetite (ou para o matar definitivamente), com a autorização da FFMS, partilho aqui o primeiro capítulo do livro (.pdf).
Evolução do share de menções na twitosfera
Dados do REACTION. As cores explicam-se a si próprias, creio. Muita volatilidade, poucos dias, é o que há. Mas já é sugestivo.
House effects
Sei que quem apanhe estas discussões a meio pode não fazer ideia do que significa o título deste post, por isso deixem-me repetir o texto de um post anterior (quem já leu salte para o fim):
1. O gráfico que contém todas as estimativas - vamos chamar-lhe "Mr. Smoother" - faz o seu trabalhinho da seguinte forma: pega em cada observação e transforma-a numa observação "amaciada", usando para esse efeito um sub-conjunto de observações na sua vizinhança (no caso,2510% do total das observações) e dando mais peso àquelas que estão mais próximas. Juntando os pontos "amaciados" ficamos com uma linha cuja variabilidade é inferior à real variabilidade dos dados e que, desejavalmente, nos permite visualizar melhor tendências sem estarmos a ser confundidos por ruído aleatório.
O problema de Mr. Smoother é que é um bocadinho ingénuo: se eu lhe atirar com 50 sondagens de um instituto e uma de outro para cima, ele ignora esse facto e continua com o seu trabalhinho como se nada fosse. Mas compensa essa ingenuidade com um sólido conservadorismo: como "tempera" cada observação com informação das observações vizinhas, Mr. Smoother não se deixa enganar facilmente por flutuações irrelevantes e, para dizer que algo está a mudar, exige ser convencido e persuadido repetidamente. Só se lhe mostrar várias observações consecutivas que apontam na mesma direcção é que ele se decide a dizer que algo está a mudar. Não lhe fica mal.
2. O Dr. House Effects (PhD) é toda uma outra personalidade: chega ao fim de um mês e grita "Subiu!", "Desceu!", "Não mudou!" em comparação com o mês anterior. E diz estas coisas mesmo se eu só lhe mostrar uma sondagem para esse mês. Como é que a criatura se arrisca a dizer uma coisa destas? Bem, a diferença entre o Dr. House Effects e o Mr. Smoother é que o primeiro, quando diz qualquer coisa, olha para todas as observações desde 2005. E sabe uma coisa sobre cada uma delas que o Mr. Smoother resolve ignorar: que instituto fez cada sondagem.
Tomando essa informação em conta, o Dr. House Effects apura que, ao longo de todo o período, há institutos que tendem a dar melhores ou piores resultados para um determinado partido. E quando lhe dizem que um determinado resultado veio de um determinado instituto, o Dr. House Effects toma essa informação em conta para estimar um resultado para cada mês. Ele não diz que esse resultado é o resultado "certo". Esse assunto não o interessa. O que lhe interessa é dar resultados mensais comparáveis uns com os outros, independentemente do "mix" particular de institutos que fizeram sondagens em cada mês. Gosta de arriscar e pode-se mais facilmente espatifar, ao contrário do Sr. Smoother. Mas é menos ingénuo que o seu colega.
O Sr. Smoother vai falar amanhã, quando tiver nas mãos a sondagem da Intercampus. mas o que o Dr. House Effects gostaria de dizer neste momento é que:
- A sondagem da Marktest não muda uma conclusão que já se tirava das anteriores: a comparação de Abril com esta primeira metade de Maio sugere que o PS terá deixado de subir nas sondagens.
- A descida do PSD de Abril para a primeira metade de Maio vê-se algo mitigada, mas continua a aparecer nos dados.
- Confirma-se subida do CDS.
1. O gráfico que contém todas as estimativas - vamos chamar-lhe "Mr. Smoother" - faz o seu trabalhinho da seguinte forma: pega em cada observação e transforma-a numa observação "amaciada", usando para esse efeito um sub-conjunto de observações na sua vizinhança (no caso,
O problema de Mr. Smoother é que é um bocadinho ingénuo: se eu lhe atirar com 50 sondagens de um instituto e uma de outro para cima, ele ignora esse facto e continua com o seu trabalhinho como se nada fosse. Mas compensa essa ingenuidade com um sólido conservadorismo: como "tempera" cada observação com informação das observações vizinhas, Mr. Smoother não se deixa enganar facilmente por flutuações irrelevantes e, para dizer que algo está a mudar, exige ser convencido e persuadido repetidamente. Só se lhe mostrar várias observações consecutivas que apontam na mesma direcção é que ele se decide a dizer que algo está a mudar. Não lhe fica mal.
2. O Dr. House Effects (PhD) é toda uma outra personalidade: chega ao fim de um mês e grita "Subiu!", "Desceu!", "Não mudou!" em comparação com o mês anterior. E diz estas coisas mesmo se eu só lhe mostrar uma sondagem para esse mês. Como é que a criatura se arrisca a dizer uma coisa destas? Bem, a diferença entre o Dr. House Effects e o Mr. Smoother é que o primeiro, quando diz qualquer coisa, olha para todas as observações desde 2005. E sabe uma coisa sobre cada uma delas que o Mr. Smoother resolve ignorar: que instituto fez cada sondagem.
Tomando essa informação em conta, o Dr. House Effects apura que, ao longo de todo o período, há institutos que tendem a dar melhores ou piores resultados para um determinado partido. E quando lhe dizem que um determinado resultado veio de um determinado instituto, o Dr. House Effects toma essa informação em conta para estimar um resultado para cada mês. Ele não diz que esse resultado é o resultado "certo". Esse assunto não o interessa. O que lhe interessa é dar resultados mensais comparáveis uns com os outros, independentemente do "mix" particular de institutos que fizeram sondagens em cada mês. Gosta de arriscar e pode-se mais facilmente espatifar, ao contrário do Sr. Smoother. Mas é menos ingénuo que o seu colega.
O Sr. Smoother vai falar amanhã, quando tiver nas mãos a sondagem da Intercampus. mas o que o Dr. House Effects gostaria de dizer neste momento é que:
- A sondagem da Marktest não muda uma conclusão que já se tirava das anteriores: a comparação de Abril com esta primeira metade de Maio sugere que o PS terá deixado de subir nas sondagens.
- A descida do PSD de Abril para a primeira metade de Maio vê-se algo mitigada, mas continua a aparecer nos dados.
- Confirma-se subida do CDS.
Marktest, 9-10 Maio, N=805, Tel.
A notícia é um bocado críptica sobre percentagens mas com jeito vai-se lá:
PSD: 39,7% (+4,4)
PS: 33,4% (-2,7)
CDS-PP: 9,0% (+1,5)
CDU: 6,5% (-1,6)
BE: 4,8% (-1,2)
PSD: 39,7% (+4,4)
PS: 33,4% (-2,7)
CDS-PP: 9,0% (+1,5)
CDU: 6,5% (-1,6)
BE: 4,8% (-1,2)
quarta-feira, maio 11, 2011
Passos Coelho vs. Jerónimo (10-11 Maio)
Não mudei a escala à esquerda do dia anterior só para percebermos como Passos Coelho e Jerónimo de Sousa geraram muito menos menções na twittosfera que Portas e Sócrates. Saldo entre menções positivas e negativas muito parecido para os dois.
Intercampus
A Intercampus está mesmo a usar uma tracking poll no trabalho para a TVI e o Público. Em cada resultado ventilado, 60% da amostra é nova e 40% faz parte da amostra anterior. Tudo normal. Nem é a primeira vez que se faz - e já se faz há bastante tempo nas sondagens partidárias - com a diferença de que, neste caso, a renovação feita de cada vez que se ventilam resultados é maior (também porque as divulgações não são diárias). A única coisa a tomar em conta, então, é que os diferentes resultados não são de amostras completamente independentes.
Notoriedade na twittosfera
Desde o dia 29 de Abril até às 19h de ontem, quais os líderes partidários mais mencionados na twittosfera? Na base dos dados do REACTION, a resposta não oferece qualquer espécie de dúvida:
E de cada vez que foram mencionados, como se distribuíram essas menções por "negativas", "neutras" e "positivas"?
José Sócrates foi quem, proporcionalmente (e também em termos absolutos, naturalmente), recebeu mais menções negativas. Mas foi também, depois de Portas, o que recebeu proporcionalmente mais menções positivas.
E de cada vez que foram mencionados, como se distribuíram essas menções por "negativas", "neutras" e "positivas"?
José Sócrates foi quem, proporcionalmente (e também em termos absolutos, naturalmente), recebeu mais menções negativas. Mas foi também, depois de Portas, o que recebeu proporcionalmente mais menções positivas.
terça-feira, maio 10, 2011
Sócrates vs. Portas
Na twittosfera, Portas ganhou no último dia:
Sócrates teve mais menções entre as 19h de ontem e as 19h de hoje, mas especialmente à custa de menções negativas. Portas também tem muitas menções negativas: de resto, estes líderes partidários, como veremos mais à frente, são os que suscitam mais tráfego e maior polarização dos utilizadores do Twitter. Mas Portas teve, quer em termos relativos quer absolutos, menos menções negativas e mais positivas que Sócrates.
Dados: REACTION. Vejam este post para uma explicação do que está aqui feito.
Sócrates teve mais menções entre as 19h de ontem e as 19h de hoje, mas especialmente à custa de menções negativas. Portas também tem muitas menções negativas: de resto, estes líderes partidários, como veremos mais à frente, são os que suscitam mais tráfego e maior polarização dos utilizadores do Twitter. Mas Portas teve, quer em termos relativos quer absolutos, menos menções negativas e mais positivas que Sócrates.
Dados: REACTION. Vejam este post para uma explicação do que está aqui feito.
REACTION
REACTION significa "Retrieval, Extraction and Aggregation Computing Technology for Integrating and Organizing News", e é um projecto coordenado por Mário Silva que envolve equipas da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, da Faculdade de Engenharia do Porto, da Universidade do Texas Austin e da Universidade Nova de Lisboa (o Centro de Investigação Media e Jornalismo onde está o António Granado), assim como equipas do SAPO e do Público. Um dos objectivos do REACTION consiste em detectar e analisar conteúdos online com referências a instituições, pessoas e eventos, fazendo-o de forma automatizada.
Imaginem que queríamos saber quantas vezes é que, na twittosfera, eram mencionados os diferentes líderes partidários. E que queríamos, na base dos textos, inferir automaticamente se o teor dos comentários sobre esses líderes era positivo ou negativo? Se pudéssemos fazer isto, ficávamos com uma espécie de barómetro da opinião tal como veiculada na twittosfera. E quem diz isto diz outros conteúdos online, tal como blogues, notícias ou opinião online, comentários a uns e outros, etc. Ora bem, o REACTION deu um primeiro passo neste sentido. Desenvolveram um crawler que recolhe os tweets de 25.000 utilizadores portugueses do Twitter e analisa:
1. Menções aos líderes dos cinco principais partidos. Para isso, foi preciso desenvolver recursos que permitam detectar que "José Sócrates" é a mesma coisa que "Eng. Pinto de Sousa" e que o "Jerónimo", neste caso, não é um índio apache. Testes confrontando análise manual com os resultados dos algoritmos mostram que a capacidade de identificação correcta já está bem acima dos 90%.
2. Análise da "polaridade" das mensagens, distinguindo aquelas que emitem juízos positivos, negativos e meramente "descritivos" (ou neutros). Isto é mais díficil, e exige a automatização de uma análise linguística, nomeadamente um léxico de adjectivos e sua associação a um determinado alvo.
Os primeiros resultados começaram a estar disponíveis a partir do passado dia 29 de Abril, medindo o número de menções na twittosfera a cada um dos líderes partidários e a sua polaridade (positivo, neutro ou negativo) por dia (entre as 19h do dia 18 e as 19h do dia 29). Deste então, o sistema tem gerado resultados diários.
O que é então o gráfico no post abaixo?
As colunas da esquerda mostram o número absoluto de tweets mencionando Jerónimo de Sousa e Paulo Portas e sua polaridade entre as 19h do dia 6 de Maio (o dia do debate Jerónimo-Portas) e as 19h dos dia 7, apanhando portanto o debate e o seu rescaldo. Várias precauções:
1. Os tweets não eram necessariamente apenas sobre o debate.
2. A análise de polaridade é muito conservadora, ou seja, haverá certamente tweets na categoria neutra que emitem uma avaliação, mas que o sistema está a classificar como neutros para não cometer falsas identificações.
3. Quando começarmos a olhar para isto dia-a-dia, vamos detectar uma volatilidade brutal, marcada por eventos, memes que circulam na net, etc.
Resultados: primeiro, Portas foi muito mais mencionado na twittosfera do que Jerónimo. Logo, naturalmente, recebe, em termos absolutos, muitos mais comentários quer negativos quer positivos. O saldo para ambos os políticos é negativo, ou seja, é mais frequente serem criticados que elogiados, padrão habitual nos estudos congéneres. Mas na distribuição de comentários - colunas à direita - Portas recebe, proporcionalmente, mais comentários positivos que Jerónimo e o saldo é-lhe mais favorável.
O que significa tudo isto? Bem, não sei. Vamos ver. Como é óbvio, a ideia de que os utilizadores na twittosfera são representativos da população eleitoral é absurda. Mas há vários estudos que sugerem que o conteúdo da twittosfera pode ser um bom preditor de fenómenos políticos relevantes. Só dois exemplos. Este mostra que a distribuição de menções aos partidos na Alemanha (partidos, atenção, não líderes) se aproximou bastante da distribuição final dos votos, para além de revelar que as associações conjuntas de partidos reflectem proximidades políticas e ideológicas reais e que os sentimentos expressos em relação aos líderes reflectem padrões intuitivamente previsíveis. E este mostra correlações interessantes entre indicadores do mesmo género e as sondagens políticas e os índices de confiança do consumidor. Temos um problema de escala, claro, e a twittosfera portuguesa é muito menos "politizada" do que poderíamos pensar (apenas cerca de 1% do total dos tweets menciona líderes políticos). Mas vamos ver onde isto nos leva. Logo vamos olhar para um gráfico semelhante ao anterior, mas desta vez, claro, sobre Portas e Sócrates.
P.S.- Daqui a dias, estará disponível um site no SAPO com resultados destas análises.
Imaginem que queríamos saber quantas vezes é que, na twittosfera, eram mencionados os diferentes líderes partidários. E que queríamos, na base dos textos, inferir automaticamente se o teor dos comentários sobre esses líderes era positivo ou negativo? Se pudéssemos fazer isto, ficávamos com uma espécie de barómetro da opinião tal como veiculada na twittosfera. E quem diz isto diz outros conteúdos online, tal como blogues, notícias ou opinião online, comentários a uns e outros, etc. Ora bem, o REACTION deu um primeiro passo neste sentido. Desenvolveram um crawler que recolhe os tweets de 25.000 utilizadores portugueses do Twitter e analisa:
1. Menções aos líderes dos cinco principais partidos. Para isso, foi preciso desenvolver recursos que permitam detectar que "José Sócrates" é a mesma coisa que "Eng. Pinto de Sousa" e que o "Jerónimo", neste caso, não é um índio apache. Testes confrontando análise manual com os resultados dos algoritmos mostram que a capacidade de identificação correcta já está bem acima dos 90%.
2. Análise da "polaridade" das mensagens, distinguindo aquelas que emitem juízos positivos, negativos e meramente "descritivos" (ou neutros). Isto é mais díficil, e exige a automatização de uma análise linguística, nomeadamente um léxico de adjectivos e sua associação a um determinado alvo.
Os primeiros resultados começaram a estar disponíveis a partir do passado dia 29 de Abril, medindo o número de menções na twittosfera a cada um dos líderes partidários e a sua polaridade (positivo, neutro ou negativo) por dia (entre as 19h do dia 18 e as 19h do dia 29). Deste então, o sistema tem gerado resultados diários.
O que é então o gráfico no post abaixo?
As colunas da esquerda mostram o número absoluto de tweets mencionando Jerónimo de Sousa e Paulo Portas e sua polaridade entre as 19h do dia 6 de Maio (o dia do debate Jerónimo-Portas) e as 19h dos dia 7, apanhando portanto o debate e o seu rescaldo. Várias precauções:
1. Os tweets não eram necessariamente apenas sobre o debate.
2. A análise de polaridade é muito conservadora, ou seja, haverá certamente tweets na categoria neutra que emitem uma avaliação, mas que o sistema está a classificar como neutros para não cometer falsas identificações.
3. Quando começarmos a olhar para isto dia-a-dia, vamos detectar uma volatilidade brutal, marcada por eventos, memes que circulam na net, etc.
Resultados: primeiro, Portas foi muito mais mencionado na twittosfera do que Jerónimo. Logo, naturalmente, recebe, em termos absolutos, muitos mais comentários quer negativos quer positivos. O saldo para ambos os políticos é negativo, ou seja, é mais frequente serem criticados que elogiados, padrão habitual nos estudos congéneres. Mas na distribuição de comentários - colunas à direita - Portas recebe, proporcionalmente, mais comentários positivos que Jerónimo e o saldo é-lhe mais favorável.
O que significa tudo isto? Bem, não sei. Vamos ver. Como é óbvio, a ideia de que os utilizadores na twittosfera são representativos da população eleitoral é absurda. Mas há vários estudos que sugerem que o conteúdo da twittosfera pode ser um bom preditor de fenómenos políticos relevantes. Só dois exemplos. Este mostra que a distribuição de menções aos partidos na Alemanha (partidos, atenção, não líderes) se aproximou bastante da distribuição final dos votos, para além de revelar que as associações conjuntas de partidos reflectem proximidades políticas e ideológicas reais e que os sentimentos expressos em relação aos líderes reflectem padrões intuitivamente previsíveis. E este mostra correlações interessantes entre indicadores do mesmo género e as sondagens políticas e os índices de confiança do consumidor. Temos um problema de escala, claro, e a twittosfera portuguesa é muito menos "politizada" do que poderíamos pensar (apenas cerca de 1% do total dos tweets menciona líderes políticos). Mas vamos ver onde isto nos leva. Logo vamos olhar para um gráfico semelhante ao anterior, mas desta vez, claro, sobre Portas e Sócrates.
P.S.- Daqui a dias, estará disponível um site no SAPO com resultados destas análises.
segunda-feira, maio 09, 2011
Intercampus, 4-8 Maio, N=1020, Tel.
Bem, agora fico com uma dúvida. O trabalho de campo da anterior sondagem da Intercampus ocorreu entre os dias 2 e 5 de Maio. Esta, a divulgada hoje, entre os dias 4 e 8 e Maio. Quererá isto dizer que parte da amostra da anterior está a ser usada na de hoje? Não há nada de errado com isso: seria uma tracking poll. Mas se é assim, importa perceber que, em cada sondagem, só parte dos resultados são novos. Enfim, talvez seja lapso. Mas a proximidade muito grande com os resultados da anterior sugerem a possibilidade de que seja mesmo uma tracking. Assim que souber digo.
PSD: 36,2% (-0,8)
PS: 35,1% (+0,3)
CDS-PP: 10,9% (+0,4)
CDU: 7,7% (-0,2)
BE: 6,5% (-0,5)
PSD: 36,2% (-0,8)
PS: 35,1% (+0,3)
CDS-PP: 10,9% (+0,4)
CDU: 7,7% (-0,2)
BE: 6,5% (-0,5)
House effects
O modelo que estima os resultados por mês onde o trabalho de campo foi terminado controlando os efeitos do facto de as sondagens terem sido feitas por empresas diferentes sugere que o PSD voltou a descer de Abril para Maio (2 pontos) mas que o PS deixou de subir. Por outras palavras, o apertar da diferença das sondagens realizadas de Abril para Maio dá-se à custa de uma descida do PSD, não de uma subida do PS (ao contrário do que sucedeu de Março para Abril, em que PS subiu e PSD desceu). Os valores estimados não são importantes, porque variam de acordo com a empresa que seja tomada como categoria de referência. Só as tendências são relevantes nesta análise.
Já agora, quem é que subiu das sondagens de Abril para as sondagens de Maio? O CDS-PP, claro, 1,8 pontos.
Já agora, quem é que subiu das sondagens de Abril para as sondagens de Maio? O CDS-PP, claro, 1,8 pontos.
sexta-feira, maio 06, 2011
Não há três sem quatro
Intercampus, 2-5 Maio, N=1009, Telefónica
PSD: 37,0% (-1,7)
PS: 34,8% (+1,7)
CDS-PP: 10,5% (+1,1)
CDU: 7,9% (-0,2)
BE: 7,0% (-0,6)
Aqui. Mais do mesmo.
PSD: 37,0% (-1,7)
PS: 34,8% (+1,7)
CDS-PP: 10,5% (+1,1)
CDU: 7,9% (-0,2)
BE: 7,0% (-0,6)
Aqui. Mais do mesmo.
Deputados
Estou curioso para saber o que estimam algumas das pessoas que aqui fazem comentários e que têm os seus próprios modelos, mas o meu proportional swing põe o PSD+CDS com maioria absoluta em duas das sondagens anteriores, e quase quase noutra. De resto, o cenário de PS com mais votos e PSD com mais deputados, já aqui levantado várias vezes por comentadores, começa a sair do reino da completa implausibilidade. Isto, mais uma confusão nas mesas de voto do género da que tivemos nas presidenciais, era mesmo a única coisa que nos faltava para irmos parar durante uns tempos às primeiras páginas da imprensa mundial.
Aqui vamos nós
Aí vem o chato, ou seja, eu. Não sei, na base disto, quantas pessoas dizem na sondagem da Eurosondagem que não tencionam votar. Mas vamos presumir - é uma possibilidade - que havia uma pergunta-filtro que deixava fora da amostra os que não tencionavam votar e que todas as percentagens relevantes se calculam em relação ao total de 2048. Então temos que 21% (430 pessoas) dizem que não sabem ou não respondem à questão de intenção de voto. Sobram 1618. É esta a amostra na base da qual as percentagens de intenções de voto válidas são calculadas. Na Católica, a amostra relevante é de 1033 pessoas.
E agora a pergunta: tendo em conta a dimensão das amostras, as diferenças entre os diferentes resultados obtidos pelas duas sondagens é estatisticamente significativa? A resposta é NÃO.
Margens de erro das diferenças entre proporções para as duas amostras independentes CESOP e Eurosondagem:
PSD: 3,7
PS: 3,7
CDS-PP: 2,4
CDU: 2,2
BE: 1,8
Em todos os casos, estas margens de erro são superior à diferenças entre as duas sondagens para os cinco partidos.
Já agora: o que passa em relação à vantagem PS sobre PSD ou PSD sobre PS? É simples: as margens de erros das diferenças, nos dois casos, são também superiores às diferenças detectadas na amostra (2 pontos a favor do PS na Católica, 3,3 pontos a favor do PSD na Eurosondagem).
Tudo o que está antes aplica-se também à Aximage, especialmente tendo em conta que estamos a falar de uma amostra bem menor. Em resumo: as três sondagens de hoje são compatíveis com a ideia de que estão a captar uma mesma realidade. Eu sei que o que interessa é o "quem vai à frente na sondagem" e etc. Mas as coisas são o que são.
Tudo isto explicado aqui.
E agora a pergunta: tendo em conta a dimensão das amostras, as diferenças entre os diferentes resultados obtidos pelas duas sondagens é estatisticamente significativa? A resposta é NÃO.
Margens de erro das diferenças entre proporções para as duas amostras independentes CESOP e Eurosondagem:
PSD: 3,7
PS: 3,7
CDS-PP: 2,4
CDU: 2,2
BE: 1,8
Em todos os casos, estas margens de erro são superior à diferenças entre as duas sondagens para os cinco partidos.
Já agora: o que passa em relação à vantagem PS sobre PSD ou PSD sobre PS? É simples: as margens de erros das diferenças, nos dois casos, são também superiores às diferenças detectadas na amostra (2 pontos a favor do PS na Católica, 3,3 pontos a favor do PSD na Eurosondagem).
Tudo o que está antes aplica-se também à Aximage, especialmente tendo em conta que estamos a falar de uma amostra bem menor. Em resumo: as três sondagens de hoje são compatíveis com a ideia de que estão a captar uma mesma realidade. Eu sei que o que interessa é o "quem vai à frente na sondagem" e etc. Mas as coisas são o que são.
Já agora, vantagens significativas:
1. PSD sobre CDS-PP, naturalmente, em todas.
2. CDS-PP sobre CDU, na Eurosondagem.
3. CDU sobre BE, na Católica.
Tudo isto explicado aqui.
Óbvio, mas importante
As três sondagens divulgadas hoje têm por base trabalho de campo que terminou antes da divulgação do pacote CE/BCE/FMI. Não esquecer.
Três sondagens três
1. Aximage, 29 Abril - 2 Maio, N=600, Tel.
Antes de distribuir indecisos:
PSD: 31,5%
PS: 28,3%
CDS-PP: 11,2%
CDU: 9,3%
BE: 7,7%
OBN: 4,9%
Indecisos: 7,1%
Resultados comparáveis com resultados eleitorais (e comparação com resultado anterior da Aximage):
PSD: 33,9% (-2,9)
PS: 30,5% (+0,4)
CDS-PP: 12,1% (+0,7)
CDU: 10,0% (+1,0)
BE: 8,3% (+1,4)
OBN: 5,3% (-0,5)
2. CESOP/Católica, 30 Abril - 1 Maio, N=1370, Presencial
PS: 36% (+3)
PSD: 34% (-5)
CDS-PP: 10% (+3)
CDU: 9% (+1)
BE: 5% (-1)
OBN: 6% (-1)
3. Eurosondagem, 28 Abril - 3 Maio, N=2048, Presencial
PSD: 35,8% (-0,6)
PS: 32,5% (-0,2)
CDS-PP: 11,1% (-0,2)
CDU: 7,7% (-0,1)
BE: 6,6% (-0,3)
OBN: 6,3% (+1,3)
Antes de distribuir indecisos:
PSD: 31,5%
PS: 28,3%
CDS-PP: 11,2%
CDU: 9,3%
BE: 7,7%
OBN: 4,9%
Indecisos: 7,1%
Resultados comparáveis com resultados eleitorais (e comparação com resultado anterior da Aximage):
PSD: 33,9% (-2,9)
PS: 30,5% (+0,4)
CDS-PP: 12,1% (+0,7)
CDU: 10,0% (+1,0)
BE: 8,3% (+1,4)
OBN: 5,3% (-0,5)
2. CESOP/Católica, 30 Abril - 1 Maio, N=1370, Presencial
PS: 36% (+3)
PSD: 34% (-5)
CDS-PP: 10% (+3)
CDU: 9% (+1)
BE: 5% (-1)
OBN: 6% (-1)
3. Eurosondagem, 28 Abril - 3 Maio, N=2048, Presencial
PSD: 35,8% (-0,6)
PS: 32,5% (-0,2)
CDS-PP: 11,1% (-0,2)
CDU: 7,7% (-0,1)
BE: 6,6% (-0,3)
OBN: 6,3% (+1,3)
quinta-feira, maio 05, 2011
Pool
Está aqui um ficheiro com todas as apostas registadas (são 101, incluindo a minha). Verifiquem, para o caso de haver lapsos. Não considerei apostas que somassem mais de 100% ou que apostassem em menos de 5 partidos. Arrendondei tudo a números inteiros.
Média e desvio-padrão:
PSD: 34,1 (2,6)
PS: 32,2 (2,8)
CDS-PP: 11,9 (2,1)
CDU: 8,4 (1,0)
BE: 7,1 (1,3)
Estava curioso para saber se haveria diferenças significativas entre estimativas antes e depois do anúncio do pacote EU/FMI na 3ª feira. A resposta é não, a não ser num caso: o PSD. Pré-pacote: 34,5. Pós-pacote: 33,4. A diferença é estatisticamente significativa com p<0,07. Restantes médias pré- e pós-pacote:
PS: 32,1 / 32,4
CDS-PP: 11,7 /12,2
CDU: 8,3 / 8,6
BE: 7,0 / 7,3
Média e desvio-padrão:
PSD: 34,1 (2,6)
PS: 32,2 (2,8)
CDS-PP: 11,9 (2,1)
CDU: 8,4 (1,0)
BE: 7,1 (1,3)
Estava curioso para saber se haveria diferenças significativas entre estimativas antes e depois do anúncio do pacote EU/FMI na 3ª feira. A resposta é não, a não ser num caso: o PSD. Pré-pacote: 34,5. Pós-pacote: 33,4. A diferença é estatisticamente significativa com p<0,07. Restantes médias pré- e pós-pacote:
PS: 32,1 / 32,4
CDS-PP: 11,7 /12,2
CDU: 8,3 / 8,6
BE: 7,0 / 7,3
Um livro
Não é o livro que ando a querer escrever há uns anos sobre sondagens, eleições e opinião pública. Esse seria um livro mais técnico, destinado a uma audiência especializada. Mas ainda não tive tempo para esse. Tenho-o antes "escrito" a pouco e pouco, em fragmentos, com a ajuda de outras pessoas, em artigos com este, este ou este. Um dia aparecerá.
Este, pelo contrário, é um livro breve (100 páginas), pouco técnico (na medida do possível) e destinado a uma audiência interessada mas não especializada. Discute coisas como o conceito de erro amostral, as outras fontes de erro em sondagens, as implicações de se colocarem perguntas desta ou daquela forma, e os usos das sondagens e dos seus resultados. E fá-lo recorrendo a exemplos simples e concretos, retirados de sondagens feitas em Portugal e, noutros casos, nos Estados Unidos. Assim, em certo sentido, o livro é uma extensão deste blogue, nos temas e até no estilo. Esteve, de resto, para se chamar Margens de Erro, e só não se chama assim porque, obviamente, a maior parte das pessoas não teria a mínima ideia do que isso quereria dizer.
Há dois tipos de atitude que encontramos frequentemente em relação às sondagens em Portugal. A primeira é a aceitação crítica dos números como se eles reflectissem uma qualquer "verdade" absoluta e inalterável. Mas basta perceber o que é uma sondagem, olhar para os detalhes sobre como são feitas e as limitações que eles implicam e ter alguma noção do que significa "opinião pública" para perceber como essa aceitação acrítica é deslocada. A segunda é a rejeição total das sondagens, frequentemente acompanhada de acusações muito graves mas nunca fundamentadas de adulteração e manipulação dos resultados. Mas basta olhar para a forma como essas acusações são feitas e olhar para os resultados das sondagens com mínima sofisticação para perceber que o objectivo dessas acusações é, aí sim, manipular e condicionar os eleitores na sua leitura dos dados disponíveis, por muito frágeis e precários que esses dados possam ser. Uma e outra atitudes, um e outro tipos de discurso, são muito nocivos para a qualidade do debate público sobre as sondagens, mas só acabam por ser eficazes se contarem com o desconhecimento dos cidadãos. Logo, a motivação básica para escrever o livro foi simples, e é a mesma que me leva a manter este blogue: contribuir, modestamente, para diminuir esse desconhecimento e, logo, contrariar esse tipo de atitudes e discursos.
O livro vai ser lançado no próximo dia 18, 4ª feira, às 17h, no Instituto de Ciências Sociais (a final da Liga Europa é só às 19.30h :-)). Estão todos convidados. Dia 19 estará nas livrarias e no dia 26 de Maio será vendido com a revista Visão, à qual desde já agradeço. E aproveito também para repetir um outro agradecimento que já faço no livro: a todos aqueles que têm comentado, directamente ou por e-mail, as coisas que foram sendo escritas neste blogue. Aprendi muito com esses comentários, críticos ou não.
P.S. - Sei que é difícil, mas procurem resistir à tentação de fazer comentários sobre a cor da capa.
Sobre as eleições de 5 de Junho, em inglês
A minha interpretação dos acontecimentos - so far - no The Monkey Cage.
quarta-feira, maio 04, 2011
Ainda mais pool
É interessante como à medida que aumentam as apostas os valores médios praticamente não mexem. Neste momento estamos com 71 apostas e com os seguintes resultados (média e desvio-padrão):
PSD: 34,3 (2,5)
PS: 32,2 (2,7)
CDS-PP: 11,8 (2,2)
CDU: 8,3 (1,0)
BE:7,0 (1,3)
Depois de dia 5 vamos tentar olhar para isto de uma maneira ligeiramente mais sofisticada. E estou para ver se as que forem enviadas depois do pacote são significativamente diferentes...
terça-feira, maio 03, 2011
O referendo no Reino Unido
Na próxima 5ª feira, os britânicos vão votar num referendo sobre a adopção do chamado "voto alternativo", em substituição do sistema maioritário uninominal agora existente. A pergunta:
"At present, the UK uses the 'first past the post' system to elect MPs to the House of Commons. Should the 'alternative vote' system be used instead?"
O "voto alternativo" é um sistema através do qual os eleitores, em vez de escolherem apenas um candidato no seu voto, podem exprimir uma ordenação de preferências. Isto está longe da representação proporcional que os Liberais Democratas tinham prometido, mas foi o compromisso possível. O contexto do referendo está muito bem explicado nesta entrada na Wikipedia, incluindo as posições dos diferentes partidos. Ver também este artigo.
O que dizem as sondagens? Basicamente, que o Não deverá ganhar, especialmente as sondagens conduzidas desde meados de Abril. Mas é interessante a inconsistência entre as diferentes estimativas, porventura resultado do facto de o referendo ir ser caracterizado por uma enorme abstenção.
"At present, the UK uses the 'first past the post' system to elect MPs to the House of Commons. Should the 'alternative vote' system be used instead?"
O "voto alternativo" é um sistema através do qual os eleitores, em vez de escolherem apenas um candidato no seu voto, podem exprimir uma ordenação de preferências. Isto está longe da representação proporcional que os Liberais Democratas tinham prometido, mas foi o compromisso possível. O contexto do referendo está muito bem explicado nesta entrada na Wikipedia, incluindo as posições dos diferentes partidos. Ver também este artigo.
O que dizem as sondagens? Basicamente, que o Não deverá ganhar, especialmente as sondagens conduzidas desde meados de Abril. Mas é interessante a inconsistência entre as diferentes estimativas, porventura resultado do facto de o referendo ir ser caracterizado por uma enorme abstenção.
domingo, maio 01, 2011
Mais pool
Enquanto não há mais sondagens, resta-me este entretenimento. Alguns problemas:
1. Casas decimais: será feito arredondamento.
2. Apostas incompletas: não serão consideradas.
3. Apostas que somam mais de 100%: não serão consideradas.
4. Apostas que somam 100% sem OBN: não estão a perceber a coisa.
Aqueles que estão nas condições anteriores podem rever aposta. Digam se assim quiserem. Seja como for, dia 5 torno acessível uma folha de Excel com todas as apostas para que possam confirmar se as registei correctamente.
Resultados até ao momento com 47 apostas, média (e desvio-padrão):
1. Casas decimais: será feito arredondamento.
2. Apostas incompletas: não serão consideradas.
3. Apostas que somam mais de 100%: não serão consideradas.
4. Apostas que somam 100% sem OBN: não estão a perceber a coisa.
Aqueles que estão nas condições anteriores podem rever aposta. Digam se assim quiserem. Seja como for, dia 5 torno acessível uma folha de Excel com todas as apostas para que possam confirmar se as registei correctamente.
Resultados até ao momento com 47 apostas, média (e desvio-padrão):
PSD: 34,4 (2,3)
PS: 32,2 (2,8)
CDS-PP: 11,5 (2,0)
CDU: 8,4 (0,9)
BE: 7,1 (1,3)
Em relação ao post anterior, o número de submissões quase duplicou, mas quase nada mudou em relação às médias.
sábado, abril 30, 2011
A pool até ao momento
Um total de 26 submissões. Um participante enviou duas, pelo que só considerei a primeira. E outro enviou estimativas que somam 110%, pelo que não as considerei.
Média (e desvio-padrão):
PSD: 34,4 (1,7)
PS: 32,0 (2,4)
CDS-PP: 11,4 (1,6)
CDU: 8,5 (0,9)
BE: 7,0 (0,8)
PSD à frente de PS: 17 em 26
CDU à frente de CDS: 0 em 26
BE à frente de CDU: 0 em 26
Média (e desvio-padrão):
PSD: 34,4 (1,7)
PS: 32,0 (2,4)
CDS-PP: 11,4 (1,6)
CDU: 8,5 (0,9)
BE: 7,0 (0,8)
PSD à frente de PS: 17 em 26
CDU à frente de CDS: 0 em 26
BE à frente de CDU: 0 em 26
quinta-feira, abril 28, 2011
Pool de apostas eleitorais e um prémio
Assim de forma meio espontânea, iniciou-se nos comentários ao post abaixo uma pool de previsões eleitorais. Até eu, agora que já não tenho responsabilidades enquanto produtor de sondagens, me arrisquei, e sem econometria desta vez (ou melhor, só com um bocadinho pequenino, depois explico). Já agora, porque não institucionalizar isto mais um pouco? Deixem as vossas apostas nos comentários a este post.
Regras:
1. Querem-se estimativas, sem casas decimais, para resultados de PSD, PS, CDS-PP, CDU e BE. A soma destas estimativas com os resultados dos restantes partidos, brancos e nulos será de 100%.
2. Os resultados serão comparados com os provisórios que irão estar disponíveis no site congénere deste às 10 horas da manhã no dia 6 de Junho. Bem sei que há Europa e fora da Europa, e boicotes e resultados definitivos e tal, mas é preciso apurar um vencedor no dia seguinte ou isto não tem piada nenhuma.
3. Será enviado um prémio ao leitor cuja previsão tenha um menor desvio absoluto médio em relação aos resultados dos cinco partidos. Esse prémio é um livro intitulado "Sondagens, eleições e opinião pública", a ser editado nesta colecção durante o mês de Maio e da autoria de alguém que vocês já podem imaginar quem será. Capa dura e autografado. O correio vai ser mais caro que o livro mas enfim. Se esse leitor quiser permanecer anónimo não lhe posso enviar o prémio, mas envio ao 2º mais próximo, etc...e por aí fora.
4. No caso de empates no 1º lugar, enviarei exemplares a todos os 1ºs classificados.
5. Se se constatar que, após publicação de resultados definitivos em D.R., havia outro concorrente que afinal ficou mais perto, recebe um livro também. Vão é ter de me avisar que eu não vou apurar isso.
ADENDA: Data limite para submissão de previsões: 5 de Maio de 2011, 20h.
Regras:
1. Querem-se estimativas, sem casas decimais, para resultados de PSD, PS, CDS-PP, CDU e BE. A soma destas estimativas com os resultados dos restantes partidos, brancos e nulos será de 100%.
2. Os resultados serão comparados com os provisórios que irão estar disponíveis no site congénere deste às 10 horas da manhã no dia 6 de Junho. Bem sei que há Europa e fora da Europa, e boicotes e resultados definitivos e tal, mas é preciso apurar um vencedor no dia seguinte ou isto não tem piada nenhuma.
3. Será enviado um prémio ao leitor cuja previsão tenha um menor desvio absoluto médio em relação aos resultados dos cinco partidos. Esse prémio é um livro intitulado "Sondagens, eleições e opinião pública", a ser editado nesta colecção durante o mês de Maio e da autoria de alguém que vocês já podem imaginar quem será. Capa dura e autografado. O correio vai ser mais caro que o livro mas enfim. Se esse leitor quiser permanecer anónimo não lhe posso enviar o prémio, mas envio ao 2º mais próximo, etc...e por aí fora.
4. No caso de empates no 1º lugar, enviarei exemplares a todos os 1ºs classificados.
5. Se se constatar que, após publicação de resultados definitivos em D.R., havia outro concorrente que afinal ficou mais perto, recebe um livro também. Vão é ter de me avisar que eu não vou apurar isso.
ADENDA: Data limite para submissão de previsões: 5 de Maio de 2011, 20h.
terça-feira, abril 26, 2011
Gráfico actualizado
Já conta com as últimas sondagens da Marktest e da Eurosondagem. Se tomarmos em conta os house effects, as mudanças de Março para Abril:
PSD: -3,8
PS: +4,2
CDS-PP: estável
CDU: estável
BE: -0,8
domingo, abril 24, 2011
"Para que servem as sondagens políticas?"
Um artigo de opinião de Felisbela Lopes no Correio do Minho.
sexta-feira, abril 22, 2011
quinta-feira, abril 21, 2011
Marktest, 11-13 Abril, N=803, Tel. (Actualizado)
PS: 36,1% (+11,6)
PSD: 35,3% (-11,4)
CDU: 8,1% (+1,4)
CDS-PP: 7,5% (+1,3)
BE: 6,0% (-2,9)
OBN: 7,0% (+0,1)
Aqui.
Vale a pena olhar para os resultados brutos, ou seja, antes de distribuição de indecisos e de "correcção" (por ajustamento em relação a eleições anteriores) dos votos brancos e nulos:
PS: 18,6% (+4,8)
PSD: 18,1% (-8,1)
CDU: 4,2% (+0,5)
CDS-PP: 3,9% (+0,4)
BE: 3,1% (-1,9)
OBN: 10,2% (+1,1)
Não voto: 5,5% (-4,6)
Não sabe/Não responde: 36,4% (+7,8)
PSD: 35,3% (-11,4)
CDU: 8,1% (+1,4)
CDS-PP: 7,5% (+1,3)
BE: 6,0% (-2,9)
OBN: 7,0% (+0,1)
Aqui.
Vale a pena olhar para os resultados brutos, ou seja, antes de distribuição de indecisos e de "correcção" (por ajustamento em relação a eleições anteriores) dos votos brancos e nulos:
PS: 18,6% (+4,8)
PSD: 18,1% (-8,1)
CDU: 4,2% (+0,5)
CDS-PP: 3,9% (+0,4)
BE: 3,1% (-1,9)
OBN: 10,2% (+1,1)
Não voto: 5,5% (-4,6)
Não sabe/Não responde: 36,4% (+7,8)
terça-feira, abril 12, 2011
Easter break
Nos próximos dias, vou estar sentado a esta porta à espera que se concretize a miraculosa reserva. Este blogue regressa dia 24.
Gráfico actualizado
Já com a última sondagem da Intercampus:
Para termos uma ideia de mudanças recentes, podemos estimar as intenções de voto para PSD e PS controlando house effects (com Eurosondagem como categoria de referência):
PSD: Março: 39,7; Abril: 36,6
PS: Março: 30,5; Abril: 33,6
Mas só temos 2 sondagens de Abril e o mês não terminou.
Para termos uma ideia de mudanças recentes, podemos estimar as intenções de voto para PSD e PS controlando house effects (com Eurosondagem como categoria de referência):
PSD: Março: 39,7; Abril: 36,6
PS: Março: 30,5; Abril: 33,6
Mas só temos 2 sondagens de Abril e o mês não terminou.
segunda-feira, abril 11, 2011
As últimas 4 sondagens de 4 empresas diferentes
PSD: [36,8% - 37,3% - 38,7% - 39%] – amplitude: 2,2 p.p.
PS: [30,1% - 30,4% - 33% - 33,1%] – amplitude: 3 p.p.
CDS-PP: [7% - 9,4% - 10,7% - 11,4%] – amplitude: 4,4 p.p.
CDU: [8% - 8,1% - 8,4% - 9%] – amplitude: 1 p.p.
BE: [6% - 6,9% - 7,6% - 7,7%] – amplitude: 1,7 p.p.
Vantagem PSD sobre PS:
Eurosondagem: +6,9 pontos
Aximage: +6,7 pontos
CESOP/Católica: +6 pontos
Intercampus: +5,6 pontos
Não incluo a última da Marktest pelo simples facto de ser anterior à demissão do governo. Num post anterior, sugeri que a admissão da necessidade financiamento externo poderia afectar o PS. Mas a última sondagem da Intercampus, cujo trabalho de campo começou já depois, não mostra nem vislumbre disso.
PS: [30,1% - 30,4% - 33% - 33,1%] – amplitude: 3 p.p.
CDS-PP: [7% - 9,4% - 10,7% - 11,4%] – amplitude: 4,4 p.p.
CDU: [8% - 8,1% - 8,4% - 9%] – amplitude: 1 p.p.
BE: [6% - 6,9% - 7,6% - 7,7%] – amplitude: 1,7 p.p.
Vantagem PSD sobre PS:
Eurosondagem: +6,9 pontos
Aximage: +6,7 pontos
CESOP/Católica: +6 pontos
Intercampus: +5,6 pontos
Não incluo a última da Marktest pelo simples facto de ser anterior à demissão do governo. Num post anterior, sugeri que a admissão da necessidade financiamento externo poderia afectar o PS. Mas a última sondagem da Intercampus, cujo trabalho de campo começou já depois, não mostra nem vislumbre disso.
Intercampus, 8-10 Abril, N=805, Tel
sábado, abril 09, 2011
sexta-feira, abril 08, 2011
Um livro
Uma das leituras que mais me impressionou nos últimos tempos foi a deste livro: The Institutional Foundations of Public Policy in Argentina, de Pablo Spiller e Mariano Tommasi. Este livro é sobre aquilo a que os autores chamam as outer features, os "atributos exteriores", das políticas públicas. Independentemente de serem de "esquerda" ou de "direita", mais ou menos proteccionistas destes ou daqueles sectores, redistributivas ou não (as inner features), há atributos que todas as "boas" políticas públicas têm: estabilidade, para serem credíveis e darem aos agentes económicos horizontes longos de actuação; adaptabilidade, para permitirem reacções a choques económicos ou mudanças tecnológicas; coerência, garantindo articulação entre diferentes agências do estado; aplicabilidade, susceptíveis de recolher o assentimento de interesses e actores capazes de, na prática, subverter a implementação das medidas; e uma característica um pouco mais evanescente, a que os autores chamam intertemporal technical glue: a existência de arenas - no governo, nos partidos, na administração, em think tanks, etc. - onde conhecimento científico é incorporado nas políticas públicas, contribuindo assim para todos os objectivos anteriores (estabilidade, adaptabilidade, coerência e aplicabilidade).
O livro é uma demonstração do que sucede quanto tudo isto está ausente. É também uma investigação sobre o que leva a essa ausência: partidos políticos com horizontes temporais de muito curto prazo, exclusivamente motivados por benefícios em termos de cargos e votos, e ausência de instituições capazes de mudar essa estrutura de incentivos. Estes partidos são incapazes de chegar a acordos políticos intertemporais que garantam que a alternância não tenha de significar uma mudança radical de políticas. E são igualmente incapazes de cooperar para que se possa responder a novas circunstâncias económicas com mudanças de políticas que não sirvam para fins exclusivos de oportunismo eleitoral. Nestes contextos, os interesses sociais - empresas e sindicatos - acabam por ser contaminados e por seguir também estratégias não-cooperativas de maximização de benefícios de curto-prazo. O resultado? O default argentino de 2001, uma das motivações iniciais por detrás da escrita deste estudo.
Vale muito a pena ler este livro. Sendo motivado pelo caso argentino, é também, parece-me, um belo retrato daquilo que nos trouxe ao ponto a que chegámos em Portugal.
P.S.- Podem ler um excerto aqui. Um paper que antecipa as ideias fundamentais aqui.
quinta-feira, abril 07, 2011
Alemanha
Via @bossito.
Bem, esta sondagem é um pouco desviante em relação às outras. Mas é sempre surpreendente ver uma coisa destas.
House effects are in da house
Confrontando os resultados das últimas 4 sondagens com a estimação dos house effects, baseada em todas as sondagens desde 2005, é muito interessante verificar as regularidades:
1. PSD: obtém os melhores resultados com o CESOP e a Intercampus, o que corresponde ao que se deveria esperar na base da estimação dos house effects.
2. PS: obtém os melhores resultados com o CESOP e a Intercampus. Intercampus confirma house effect, mas aqui esperaríamos a Eurosondagem acima do CESOP. Mas isto pode reflectir mudança ao longo do tempo.
3. CDS-PP: obtém os melhores resultados com Aximage e Eurosondagem. Check.
4. CDU: obtém os melhores resultados com a Aximage e a Eurosondagem. Aximage check, mas esperaríamos que Intercampus desse melhor. Mas as diferenças são pequenas.
5. BE: obtém os melhores resultados com Eurosondagem e Intercampus. Intercampus confirma.
Queria relembrar que os house effects estimados não apontam para quem esteja a medir melhor cada partido. Apontam apenas para o facto de haver diferenças sistemáticas entre os institutos, tal como existem em qualquer sítio do mundo onde se façam sondagens.
P.S. - A Marktest pode vir baralhar isto um bocado. Aguardemos...
1. PSD: obtém os melhores resultados com o CESOP e a Intercampus, o que corresponde ao que se deveria esperar na base da estimação dos house effects.
2. PS: obtém os melhores resultados com o CESOP e a Intercampus. Intercampus confirma house effect, mas aqui esperaríamos a Eurosondagem acima do CESOP. Mas isto pode reflectir mudança ao longo do tempo.
3. CDS-PP: obtém os melhores resultados com Aximage e Eurosondagem. Check.
4. CDU: obtém os melhores resultados com a Aximage e a Eurosondagem. Aximage check, mas esperaríamos que Intercampus desse melhor. Mas as diferenças são pequenas.
5. BE: obtém os melhores resultados com Eurosondagem e Intercampus. Intercampus confirma.
Queria relembrar que os house effects estimados não apontam para quem esteja a medir melhor cada partido. Apontam apenas para o facto de haver diferenças sistemáticas entre os institutos, tal como existem em qualquer sítio do mundo onde se façam sondagens.
P.S. - A Marktest pode vir baralhar isto um bocado. Aguardemos...
Gráfico actualizado
Já inclui as sondagens da Aximage e do CESOP/Católica. Mas ouçam: como me comentavam no Twitter, as sondagens andam com um prazo de validade baixo. O que se passou ontem pode ter consequências. Tudo depende, mais uma vez, de quem aparece como tendo tido "a culpa".
Não excluo que, para o PS e para o governo, resistir à ajuda externa possa ter resultado da convicção de que essa ajuda seria uma coisa negativa. Mas a verdade é que ter resistido até às eleições teria produzido um outro efeito "benéfico": obrigar a que fosse um futuro governo PSD ou PSD/CDS a trazer o FMI para dentro de casa. Mas isso perdeu-se ontem: foi este Governo que o trouxe. Pode argumentar que foi obrigado a fazê-lo devido à actuação da oposição e do Presidente, claro. Mas o que a sondagem da Católica mostra é que uma maioria relativa clara coloca as culpas no governo caso fosse necessária intervenção externa. Não num qualquer futuro governo, mas neste. Logo, a questão que se segue para as próximas sondagens é perceber o efeito disto.
quarta-feira, abril 06, 2011
Sondagens pós-demissão
PSD: [36,8% - 37,3% - 39% - 42,2%] – amplitude: 5,4 p.p.
PS: [30,1% - 30,4% - 32,8% - 33%] – amplitude: 2,9 p.p.
CDS-PP: [7% - 8,7% - 10,7% - 11,4%] – amplitude: 4,4 p.p.
CDU: [7,1% - 8% - 8,4% - 9%] – amplitude: 1,9 p.p.
BE: [6% - 6,9% - 7,7% - 7,9%] – amplitude: 1,9 p.p.
Surpreendidos que a maior incerteza esteja na estimação dos resultados do PSD e do CDS?
PS: [30,1% - 30,4% - 32,8% - 33%] – amplitude: 2,9 p.p.
CDS-PP: [7% - 8,7% - 10,7% - 11,4%] – amplitude: 4,4 p.p.
CDU: [7,1% - 8% - 8,4% - 9%] – amplitude: 1,9 p.p.
BE: [6% - 6,9% - 7,7% - 7,9%] – amplitude: 1,9 p.p.
Surpreendidos que a maior incerteza esteja na estimação dos resultados do PSD e do CDS?
terça-feira, abril 05, 2011
Mais exercícios
Imaginem que têm à vossa frente, numa folha de Excel, os resultados das eleições de 2009, por distrito, assim como os resultados nacionais. Um exercício muito simples que se pode fazer na base disto é supor que uma mudança dos resultados a nível nacional se repercute de forma homogénea por todos os distritos. Há países onde o sistema de partidos de encontra muito "nacionalizado" deste ponto de vista, e outros em que isso não é verdade. Portugal parece, contudo, ter um nível de "nacionalização dinâmica" comparativamente elevado. O que nos deixa um pouco menos inquietos em relação à pressuposição inicial.
O que quer dizer "repercutir de forma homogénea"? No Reino Unido usou-se muito a ideia do uniform swing: se os Trabalhistas descerem 10 pontos a nível nacional, isso significa que desceram 10 pontos em cada distrito. O problema é se há distritos em que os Trabalhistas têm menos de 10% dos votos: ficam com votação negativa? A alternativa mais comum é o proportional swing: se os Trabalhistas têm 10% num determinado círculo e descem de 50% para 40% a nível nacional, não descem 10 pontos no círculo (ficando com 0% dos votos). Descem 20% (não 20 pontos). Por outras palavras, ficam com 8% dos votos nesse círculo onde antes tinham 10%.
Imaginem que pegamos nos resultados nacionais de 2009, nos resultados por distrito de 2009 e na última sondagem da Aximage e presumimos que há um swing nos distritos para todos os partidos proporcional ao swing nacional. Como ficaria o parlamento? Assim:
O que quer dizer "repercutir de forma homogénea"? No Reino Unido usou-se muito a ideia do uniform swing: se os Trabalhistas descerem 10 pontos a nível nacional, isso significa que desceram 10 pontos em cada distrito. O problema é se há distritos em que os Trabalhistas têm menos de 10% dos votos: ficam com votação negativa? A alternativa mais comum é o proportional swing: se os Trabalhistas têm 10% num determinado círculo e descem de 50% para 40% a nível nacional, não descem 10 pontos no círculo (ficando com 0% dos votos). Descem 20% (não 20 pontos). Por outras palavras, ficam com 8% dos votos nesse círculo onde antes tinham 10%.
Imaginem que pegamos nos resultados nacionais de 2009, nos resultados por distrito de 2009 e na última sondagem da Aximage e presumimos que há um swing nos distritos para todos os partidos proporcional ao swing nacional. Como ficaria o parlamento? Assim:
PSD: 36,8% (102 deputados)
PS: 30,1% (77 deputados)
CDS-PP: 11,4% (22 deputados)
CDU: 9,0% (17 deputados)
BE: 6,9% (12 deputados)
Aliança PCP/PEV/BE?
Nas eleições de 2009, BE e CDU conquistaram, respectivamente, 16 e 15 assentos parlamentares, num total de 31. Imaginem que, em 2009, BE e CDU tinham feito listas conjuntas e conquistavam, em cada círculo, a soma exacta dos votos obtidos pelas duas listas, sem alterações para os restantes partidos. Quantos deputados teria eleito essa lista conjunta?
A resposta é 39, 8 deputados a mais em relação ao que realmente sucedeu em 2009. 4 seriam roubados ao PS (em Viana, Viseu, Setúbal e Beja ), 3 ao PSD (em Aveiro, Coimbra e Faro) e 1 ao CDS-PP (no Porto).
P.S.- Obrigado pelas correcções. Tenho estado a confiar numa macro que tem um problema que, neste caso, deu nisto. Vou corrigir.
P.P.S.- Mergulhando mais no assunto, parece que afinal estava tudo bem com a análise anterior: Porto 2009; Porto 2009 com votos de BE e PCP-PEV somados. Mas vejam lá.
A resposta é 39, 8 deputados a mais em relação ao que realmente sucedeu em 2009. 4 seriam roubados ao PS (em Viana, Viseu, Setúbal e Beja ), 3 ao PSD (em Aveiro, Coimbra e Faro) e 1 ao CDS-PP (no Porto).
P.S.- Obrigado pelas correcções. Tenho estado a confiar numa macro que tem um problema que, neste caso, deu nisto. Vou corrigir.
P.P.S.- Mergulhando mais no assunto, parece que afinal estava tudo bem com a análise anterior: Porto 2009; Porto 2009 com votos de BE e PCP-PEV somados. Mas vejam lá.
A última sondagem da Aximage
Amavelmente, a Aximage mandou-me os dados completos da última sondagem enquanto o depósito não aparece na ERC. Aqui vai. Entre parêntesis, evolução em relação à sondagem anterior (Março) da mesma empresa:
PSD: 34,8% (-3,1)
PS: 28,4% (+0,5)
CDS-PP: 10,8% (+1,9)
CDU: 8,5% (-2,2)
BE: 6,5% (=)
OBN: 5,5% (+0,4)
Indecisos: 5,5% (+2,5)
Se quisermos tornar estes resultados comparáveis com resultados eleitorais, temos de fazer qualquer coisa aos indecisos. A opção aqui é a mais simples: tratá-los como abstencionistas (opção da minha responsabilidade, e não da Aximage):
PSD: 34,8% (-3,1)
PS: 28,4% (+0,5)
CDS-PP: 10,8% (+1,9)
CDU: 8,5% (-2,2)
BE: 6,5% (=)
OBN: 5,5% (+0,4)
Indecisos: 5,5% (+2,5)
Se quisermos tornar estes resultados comparáveis com resultados eleitorais, temos de fazer qualquer coisa aos indecisos. A opção aqui é a mais simples: tratá-los como abstencionistas (opção da minha responsabilidade, e não da Aximage):
PSD: 36,8% (-2,2)
PS: 30,1% (+1,3)
CDS-PP: 11,4% (+2,3)
CDU: 9,0% (-2,0)
BE: 6,9% (+0,2)
OBN: 5,8% (+0,6)
Espero que esteja tudo certo, mas se detectarem erros digam. Como já disse, creio que é cedo para tirarmos conclusões sobre a forma como as atitudes das pessoas podem ou não ter mudado depois do chumbo do PEC e da demissão do governo. Uma sondagem é só uma sondagem. Mas há outro resultado aqui que não é favorável para o PSD: uma queda acentuada da avaliação de Pedro Passos Coelho (de 10,9 em média de 0 a 20 para 8,5). Mas temos de esperar por mais estudos para começar a ficar com uma imagem mais clara.
Espero que esteja tudo certo, mas se detectarem erros digam. Como já disse, creio que é cedo para tirarmos conclusões sobre a forma como as atitudes das pessoas podem ou não ter mudado depois do chumbo do PEC e da demissão do governo. Uma sondagem é só uma sondagem. Mas há outro resultado aqui que não é favorável para o PSD: uma queda acentuada da avaliação de Pedro Passos Coelho (de 10,9 em média de 0 a 20 para 8,5). Mas temos de esperar por mais estudos para começar a ficar com uma imagem mais clara.
segunda-feira, abril 04, 2011
House effects
Um dos gráficos anteriores mostra a evolução das intenções de voto em cada partido, de um mês para outro, quando controlamos o facto de cada sondagem ter sido feita por uma empresa diferente. Por outras palavras, estima-se um valor para cada mês através de uma regressão sem constante que tem variáveis mudas identificando cada empresa e cada mês, mantendo uma das empresas como categoria de referência (neste caso, a Eurosondagem, por ser a que divulgou mais estudos). Isto faz sentido apenas na medida em que queiramos ter uma ideia da evolução ao longo do tempo sem estarmos dependentes do facto de diferentes empresas fazerem estudos em momentos e em quantidades diferentes, e tomando em conta o facto conhecido de que, pelo conjunto de escolhas técnicas e práticas que adoptam, cada empresa poder ter uma tendência para valorizar mais uns partidos e desvalorizar outros.
Um dos outputs interessantes desta análise mostra-nos que tendências são essas para cada empresa. Os gráficos seguintes mostram os house effects de cada empresa em relação a cada partido em comparação com a Eurosondagem. É muito importante perceber o que isto diz. Estes gráficos não mostram que esta ou aquela empresa subvaloriza ou sobrevaloriza cada partido em comparação com a "realidade". Eles não fazem a mais pequena ideia do que poderá ser a "realidade". Eles comparam os resultados obtidos por quatro empresas em comparação com uma outra empresa, escolhida apenas por ser aquela que tem mais sondagens feitas. E eles não sugerem que há enviesamentos deliberados, mas apenas que pode haver uma relação entre procedimentos adoptados e os resultados que se estimam para cada partido, independentemente do momento em que as sondagens foram feitas. As linhas de erro representam intervalos de confiança de 95%
Um dos outputs interessantes desta análise mostra-nos que tendências são essas para cada empresa. Os gráficos seguintes mostram os house effects de cada empresa em relação a cada partido em comparação com a Eurosondagem. É muito importante perceber o que isto diz. Estes gráficos não mostram que esta ou aquela empresa subvaloriza ou sobrevaloriza cada partido em comparação com a "realidade". Eles não fazem a mais pequena ideia do que poderá ser a "realidade". Eles comparam os resultados obtidos por quatro empresas em comparação com uma outra empresa, escolhida apenas por ser aquela que tem mais sondagens feitas. E eles não sugerem que há enviesamentos deliberados, mas apenas que pode haver uma relação entre procedimentos adoptados e os resultados que se estimam para cada partido, independentemente do momento em que as sondagens foram feitas. As linhas de erro representam intervalos de confiança de 95%
Sondagens: ponto de situação
O primeiro gráfico é o habitual, mostrando todas as sondagens de intenção de voto desde 2005 até ao momento e um smoother de 25% (a última sondagem da Aximage não está incluída, à espera de que possa fazer uma redistribuição de indecisos na base da informação no depósito na ERC):
De Janeiro de 2010 até agora, um zoom sobre PS e PSD e smoother mais sensível (10%). A linha vertical a tracejado é a demissão de Sócrates, mostrando como é fútil tentar, neste momento, detectar mudanças posteriores.
Novo zoom, desta vez sobre CDS-PP, CDU e BE.
Finalmente, os resultados por mês controlando "house effects":
De Janeiro de 2010 até agora, um zoom sobre PS e PSD e smoother mais sensível (10%). A linha vertical a tracejado é a demissão de Sócrates, mostrando como é fútil tentar, neste momento, detectar mudanças posteriores.
Novo zoom, desta vez sobre CDS-PP, CDU e BE.
Finalmente, os resultados por mês controlando "house effects":
domingo, abril 03, 2011
E assinar a Visão? É certo que tem o Gonçalo M. Tavares e o RAP, mas...
Os resultados desta sondagem estão aqui.
sábado, abril 02, 2011
Compensa assinar o Público?
Segundo Rita Brandão Guerra, no Público, "as duas sondagens mais recentes (Intercampus e Eurosondagem), ambas divulgadas após a demissão de José Sócrates, mostram que o PSD entra em queda relativamente aos resultados que obtinha antes do chumbo do PEC IV, por um lado, e ao anúncio da demissão de Sócrates, por outro."
Ora vejamos:
Evolução PSD na Eurosondagem: +0,4
Evolução PSD na Intercampus: +5,4 se compararmos com Janeiro (presencial) e +0,6 se compararmos com Dezembro (telefónica)
Compensa assinar o Público?
Ora vejamos:
Evolução PSD na Eurosondagem: +0,4
Evolução PSD na Intercampus: +5,4 se compararmos com Janeiro (presencial) e +0,6 se compararmos com Dezembro (telefónica)
Compensa assinar o Público?
Aximage, 28-30 Março, N=600, Tel.
PSD: 34,8%
PS: 28,4%
CDS-PP: 10,8%
CDU: 8,5%
BE: 6,5%
Aqui.
A soma disto é 89%, pelo que, nos 11% em falta, deverão estar outros partidos, brancos, nulos e indecisos. Mas quantos de cada? A notícia não diz. Temos de aguardar pelo depósito na ERC. Ainda estou para ver em que século é que a ERC tenciona obrigar os jornais a publicarem os resultados brutos, tal como obriga a lei. A não ser que notícias online não contem.
É a primeira sondagem em muito tempo com más notícias para o PSD. Pode ser um outlier.
PS: 28,4%
CDS-PP: 10,8%
CDU: 8,5%
BE: 6,5%
Aqui.
A soma disto é 89%, pelo que, nos 11% em falta, deverão estar outros partidos, brancos, nulos e indecisos. Mas quantos de cada? A notícia não diz. Temos de aguardar pelo depósito na ERC. Ainda estou para ver em que século é que a ERC tenciona obrigar os jornais a publicarem os resultados brutos, tal como obriga a lei. A não ser que notícias online não contem.
É a primeira sondagem em muito tempo com más notícias para o PSD. Pode ser um outlier.
sexta-feira, abril 01, 2011
Eurosondagem, 27-30 Março, N=1021, Tel.
Intenções de voto após redistribuição proporcional de indecisos. Entre parêntesis, comparação com resultados de sondagem anterior:
PSD: 37,3% (+0,4)
PS: 30,4% (-0,2)
CDS-PP: 10,7% (+0,8)
CDU: 8,4% (-0,2)
BE: 7,7% (=)
Aqui.
PSD: 37,3% (+0,4)
PS: 30,4% (-0,2)
CDS-PP: 10,7% (+0,8)
CDU: 8,4% (-0,2)
BE: 7,7% (=)
Aqui.
domingo, março 27, 2011
Intercampus, 24-26 Março, N=805, Tel
PSD: 42,2%
PS: 32,8%
CDS-PP: 8,7%
BE: 7,9%
CDU: 7,1%
Aqui.
P.S.- Um leitor estranha que a comparação na notícia seja feita não com a última sondagem da Intercampus, mas sim com uma sondagem anterior. Creio que isso decorre do facto de a última sondagem da Intercampus, de Janeiro, utilizar entrevistas presenciais em vez de inquérito telefónico. Mas façamos então a comparação com sondagem mais recente da Intercampus (Janeiro):
PSD: +5,4 (tinha 36,8%)
PS: +2,0 (tinha 30,8%)
CDS-PP: +2,9 (tinha 5,8%)
BE: +0,6 (tinha 7,3%)
CDU: = (tinha 7,1%)
Como é? Todos sobem (e um mantém)? Uma pista possível é que, na sondagem anterior, a Intercampus registou 9,1% de votos brancos e nulos e 3,1% para outros partidos.
PS: 32,8%
CDS-PP: 8,7%
BE: 7,9%
CDU: 7,1%
Aqui.
P.S.- Um leitor estranha que a comparação na notícia seja feita não com a última sondagem da Intercampus, mas sim com uma sondagem anterior. Creio que isso decorre do facto de a última sondagem da Intercampus, de Janeiro, utilizar entrevistas presenciais em vez de inquérito telefónico. Mas façamos então a comparação com sondagem mais recente da Intercampus (Janeiro):
PSD: +5,4 (tinha 36,8%)
PS: +2,0 (tinha 30,8%)
CDS-PP: +2,9 (tinha 5,8%)
BE: +0,6 (tinha 7,3%)
CDU: = (tinha 7,1%)
Como é? Todos sobem (e um mantém)? Uma pista possível é que, na sondagem anterior, a Intercampus registou 9,1% de votos brancos e nulos e 3,1% para outros partidos.
sexta-feira, março 25, 2011
Marktest, 18-23 Março, N=805, Tel.
PSD: 46,7%
PS: 24,5%
BE: 8,9%
CDU: 6,7%
CDS-PP: 6,3%
Aqui.
A primeira sondagem feita e publicada após a divulgação do PEC 4 é divulgada depois da votação do PEC mas com o trabalho de campo terminado antes (para 82% das entrevistas) da votação.
PS: 24,5%
BE: 8,9%
CDU: 6,7%
CDS-PP: 6,3%
Aqui.
A primeira sondagem feita e publicada após a divulgação do PEC 4 é divulgada depois da votação do PEC mas com o trabalho de campo terminado antes (para 82% das entrevistas) da votação.
quinta-feira, março 24, 2011
Incerteza (último)
Finalmente, temos este gráfico, claro. Boas perspectivas para o PSD. Mas se fizermos aqui um zoom no ano de 2009 e aumentarmos a sensibilidade do smoother...
As circunstâncias hoje são completamente diferentes, muito mais favoráveis ao PSD. Mas algures em 2009, muita gente - provavelmente no próprio governo - se terá convencido, por volta das europeias, que o desfecho das legislativas era a inevitável vitória do PSD. Em dois meses, a ilusão ficou desfeita.
Tudo isto para dizer que gostava de poder dar certezas, mas não posso. Gostaria que das próximas eleições resultasse uma solução de governo clara, e já cheguei ao ponto em que gostaria que fosse clara fosse ela qual fosse. Mas acho que temos boas razões para, pelo menos, pensar duas vezes.
Incerteza 4: simpatias partidárias.
Outra predisposição relevante é a identificação com um partido. Identificar-me com um partido significa sentir-me próximo dele em comparação com outros, ter por ele uma simpatia especial, uma tradição de proximidade e empatia. Em Portugal, há pouco disto. Mas há algo. E a esmagadora maioria da pessoas que a têm acabam por votar nesse partido. Pode acontecer muita coisa. Mas se o nosso partido nos der uma boa versão dos acontecimentos e se nos activar contras as versões dos outros, a coisa, no fim, acaba por se reconduzir ao nosso "estado normal": essa simpatia. Em Portugal, como é?
Isto já era sim em 2005, tal e qual. Pode ter mudado desde 2009? Pode. Mas o facto de não ter mudado de 2005 para 2009 sugere que, claro, também pode não ter mudado desde então. E se não mudou, o PSD parte para a eleição, deste ponto de vista, com uma segunda desvantagem estrutural (para além da explicada no post anterior).
Isto já era sim em 2005, tal e qual. Pode ter mudado desde 2009? Pode. Mas o facto de não ter mudado de 2005 para 2009 sugere que, claro, também pode não ter mudado desde então. E se não mudou, o PSD parte para a eleição, deste ponto de vista, com uma segunda desvantagem estrutural (para além da explicada no post anterior).
Incerteza 3: ideologia
As campanhas, as pessoas, os eventos e as campanhas contam. Mas os eleitores não partem "virgens" para as campanhas. Têm predisposições, à luz das quais avaliam tudo o resto . Uma dessas predisposições pode aferir-se à luz do seu posicionamento ideológico. E aqui as coisas complicam-se para o PSD.
Este gráfico mostra onde o eleitor mediano se posiciona numa escala de 0 a 10 (em que 0 significa a posição mais à esquerda e 10 mais à direita) e onde o eleitorado português posiciona os partidos (os dados são dos inquéritos pós-eleitorais do projecto Comportamento Eleitoral dos Portugueses):
O PS é o partido do eleitor mediano. PSD é visto como estando longe do centro, e cada vez mais próximo do CDS. Isto é para todos os eleitores. O gráfico seguinte mostra os mesmos dados, desta vez apenas para os eleitores que se descrevem como estando no "centro" (pontos 4, 5 e 6):
Apenas o PS é visto como estando dentro do campo ideológico dos eleitores centristas. PSD à direita, indistinguível do CDS. Boas notícias para o CDS, porventura. Menos boas para o PSD.
Se calcularmos a distância média entre a posição de cada eleitor e a posição que atribui a cada partido, o que vemos?
Distância aumenta desde 2002 para PSD e PS, diminui para pequenos partidos, o que ajuda a explicar as últimas tendências eleitorais. Mas, em média, os eleitores colocam o PSD mais longe das suas posições ideológicas do que o PS.
"Ideologia" é uma coisa complicada que uma posição sumária numa escala de 0 a 10 pode captar mal. Um passo na direcção da especificação da coisa consiste em pedir opiniões sobre temas concretos:
Esquerda, esquerda, esquerda e, na maior parte dos casos, cada vez mais esquerda (se bem que algumas mudanças careçam de significância estatística). Eu sou daqueles que acham que as respostas às sondagens, assim como as respostas às propostas políticas concretas, dependem muito do enquadramento que lhes seja dado. Por outras palavras, eu acho que isto não é um retrato único, perfeito ou inamovível da realidade. Mas que é um retrato mau para um partido de centro-direita, lá isso é.
Este gráfico mostra onde o eleitor mediano se posiciona numa escala de 0 a 10 (em que 0 significa a posição mais à esquerda e 10 mais à direita) e onde o eleitorado português posiciona os partidos (os dados são dos inquéritos pós-eleitorais do projecto Comportamento Eleitoral dos Portugueses):
O PS é o partido do eleitor mediano. PSD é visto como estando longe do centro, e cada vez mais próximo do CDS. Isto é para todos os eleitores. O gráfico seguinte mostra os mesmos dados, desta vez apenas para os eleitores que se descrevem como estando no "centro" (pontos 4, 5 e 6):
Apenas o PS é visto como estando dentro do campo ideológico dos eleitores centristas. PSD à direita, indistinguível do CDS. Boas notícias para o CDS, porventura. Menos boas para o PSD.
Se calcularmos a distância média entre a posição de cada eleitor e a posição que atribui a cada partido, o que vemos?
Distância aumenta desde 2002 para PSD e PS, diminui para pequenos partidos, o que ajuda a explicar as últimas tendências eleitorais. Mas, em média, os eleitores colocam o PSD mais longe das suas posições ideológicas do que o PS.
"Ideologia" é uma coisa complicada que uma posição sumária numa escala de 0 a 10 pode captar mal. Um passo na direcção da especificação da coisa consiste em pedir opiniões sobre temas concretos:
Esquerda, esquerda, esquerda e, na maior parte dos casos, cada vez mais esquerda (se bem que algumas mudanças careçam de significância estatística). Eu sou daqueles que acham que as respostas às sondagens, assim como as respostas às propostas políticas concretas, dependem muito do enquadramento que lhes seja dado. Por outras palavras, eu acho que isto não é um retrato único, perfeito ou inamovível da realidade. Mas que é um retrato mau para um partido de centro-direita, lá isso é.
Incerteza 2: a avaliação do governo.
Sabe-se que os eleitores são retrospectivos e castigam e recompensam os governos em eleições. Logo, a avaliação que fazem do governo há-de contar para qualquer coisa. E nesse capítulo, as notícias para o PS são péssimas:
1. Católica, Outubro de 2010: 80% (oitenta) consideravam o desempenho do governo "mau" ou "muito mau" (41% "muito mau").
2. Aximage, Marco de 2011: 50% consideravam a actuação do governo pior do que aquilo que esperavam.
3. Eurosondagem, Fevereiro de 2011: 44% de opiniões negativas sobre actuação do governo, contra 19% de opiniões positivas.
Dito isto, atenção ao seguinte:
1. Novamente, estamos a falar da totalidade da amostra, e não de presumíveis votantes.
2. Católica em Outubro: apenas 25% dos inquiridos dizem achar que um partido da oposição faria melhor se estivesse a governar.
E outra coisa interessante dessa sondagem da Católica: questionados sobre as medidas propostas no Orçamento de Estado na altura, aquela que, de longe, mais pessoas diziam que as iria afectar directamente e às suas famílias (79%) e que seria mais difícil para os afectados (76%) era...o aumento do IVA. Para compararmos, 32% diziam que um possível congelamento de pensões os iria afectar e 36% a seleccionavam como sendo uma das mais difíceis para os afectados. O que, em conjugação com as notícias de hoje e recordando também o episódio da revisão constitucional, confirma que o PSD se pode descrever, do ponto de vista estrito do pragmatismo eleitoral, como uma agremiação de suicidas. Isto não implica, note-se, e muito sinceramente, qualquer juízo da minha parte sobre a justeza ou necessidade da medida.
Finalmente, regresso ao início: o "castigo" e a "recompensa" decorrem, evidentemente, de uma avaliação de responsabilidades. Já se percebeu que todo o discurso político do PS vai estar orientado para fornecer considerações aos eleitores que os levem a valorizar a "responsabilidade" (ou "culpa", "imaturidade", "irresponsabilidade") do PSD pela "perda de face" causada pelo pedido de ajuda financeira à Europa e ao FMI e pelas medidas alegadamente mais gravosas que terão de resultar desse pedido de ajuda. Previsivelmente, o PSD tentará colocar a "culpa" da situação do país em toda a actuação do governo até ao momento, e há sinais claros de um outro elemento desse discurso: afinal, a situação do país é ainda mais grave do que o Governo dizia. E a esquerda colocará a culpa de tudo isto nas medidas já aplicadas pelo governo, com a colaboração anterior do PSD, e nas regras impostas do exterior. Este vai ser o combate retórico mais importante desta campanha, e não faço a mínima ideia sobre qual será o seu desfecho.
1. Católica, Outubro de 2010: 80% (oitenta) consideravam o desempenho do governo "mau" ou "muito mau" (41% "muito mau").
2. Aximage, Marco de 2011: 50% consideravam a actuação do governo pior do que aquilo que esperavam.
3. Eurosondagem, Fevereiro de 2011: 44% de opiniões negativas sobre actuação do governo, contra 19% de opiniões positivas.
Dito isto, atenção ao seguinte:
1. Novamente, estamos a falar da totalidade da amostra, e não de presumíveis votantes.
2. Católica em Outubro: apenas 25% dos inquiridos dizem achar que um partido da oposição faria melhor se estivesse a governar.
E outra coisa interessante dessa sondagem da Católica: questionados sobre as medidas propostas no Orçamento de Estado na altura, aquela que, de longe, mais pessoas diziam que as iria afectar directamente e às suas famílias (79%) e que seria mais difícil para os afectados (76%) era...o aumento do IVA. Para compararmos, 32% diziam que um possível congelamento de pensões os iria afectar e 36% a seleccionavam como sendo uma das mais difíceis para os afectados. O que, em conjugação com as notícias de hoje e recordando também o episódio da revisão constitucional, confirma que o PSD se pode descrever, do ponto de vista estrito do pragmatismo eleitoral, como uma agremiação de suicidas. Isto não implica, note-se, e muito sinceramente, qualquer juízo da minha parte sobre a justeza ou necessidade da medida.
Finalmente, regresso ao início: o "castigo" e a "recompensa" decorrem, evidentemente, de uma avaliação de responsabilidades. Já se percebeu que todo o discurso político do PS vai estar orientado para fornecer considerações aos eleitores que os levem a valorizar a "responsabilidade" (ou "culpa", "imaturidade", "irresponsabilidade") do PSD pela "perda de face" causada pelo pedido de ajuda financeira à Europa e ao FMI e pelas medidas alegadamente mais gravosas que terão de resultar desse pedido de ajuda. Previsivelmente, o PSD tentará colocar a "culpa" da situação do país em toda a actuação do governo até ao momento, e há sinais claros de um outro elemento desse discurso: afinal, a situação do país é ainda mais grave do que o Governo dizia. E a esquerda colocará a culpa de tudo isto nas medidas já aplicadas pelo governo, com a colaboração anterior do PSD, e nas regras impostas do exterior. Este vai ser o combate retórico mais importante desta campanha, e não faço a mínima ideia sobre qual será o seu desfecho.
Incerteza 1: a popularidade dos líderes.
Incrivelmente, a apresentação do PEC 4, o debate que se seguiu e o desfecho de ontem ocorreram sem que tivesse sido, que eu saiba, conduzida uma única sondagem sobre o tema para divulgação pública. Pelos vistos, as empresas e os órgãos de comunicação social andaram entretidos, respectivamente, a fazer e encomendar sondagens sobre o Sporting. São opções. Isto significa, contudo, que a reacção da opinião pública ao que se passou é impossível de aferir neste momento. Talvez aqui a dias saibamos qualquer coisa.
Mas por outro lado, talvez não seja mau de todo. Sem informação de curtíssimo prazo, podemos concentrar as atenções em factores de menos curto ou até longo prazo que nos permitam, se não antever o que se vai passar, pelos menos ter uma ideia dos possíveis cenários. Dos factores conhecidos, o de mais "curto-prazo" é a popularidade dos líderes.
Aqui, as notícias são más para o PS. Na última sondagem da Marktest, 70% dos inquiridos tinham opinião negativa sobre José Sócrates, contra 18% de opiniões positivas. Na Aximage, Sócrates tem uma avaliação média de 6,8 em 20 pontos possíveis. Na Eurosondagem, onde os números lhe são menos desfavoráveis, o saldo entre opiniões positivas e negativas é de menos de 5 pontos. Na última sondagem da Católica - de Outubro, há tanto tempo! - a avaliação média do PM era de 6,5 pontos em 20 e apenas 35% dos inquiridos lhe davam uma nota de 10 ou mais.
Dito isto, a verdade é que nenhum dos líderes político-partidários é particularmente bem visto. Na Marktest, Pedro Passos Coelho aparece com tantas opiniões positivas como negativas e uns perturbantes 29% que "não sabem". Na Eurosondagem, o saldo para Passos Coelho é praticamente igual ao de Sócrates. É na Aximage e na Católica que o líder do PSD aparece mais bem avaliado comparativamente a Sócrates. Mas na Católica essa avaliação média é ainda negativa (9,2 de 0 a 20) enquanto que na Aximage, apesar de ser positiva (10,6 de 0 a 20) está bem abaixo dos valores de há um ano atrás.
Acresce a isto que estes valores são obtidos de "amostras totais", e não necessariamente dos presumiveis votantes. Muita desta negatividade pode estar concentrada em eleitores que não tencionam votar. A avaliação dos líderes conta muito, sabemos, nas escolhas eleitorais. Mas é também a mais volátil das variáveis explicativas do voto, num certo sentido demasiado próxima do próprio voto. É preciso olhar para outras coisas.
Mas por outro lado, talvez não seja mau de todo. Sem informação de curtíssimo prazo, podemos concentrar as atenções em factores de menos curto ou até longo prazo que nos permitam, se não antever o que se vai passar, pelos menos ter uma ideia dos possíveis cenários. Dos factores conhecidos, o de mais "curto-prazo" é a popularidade dos líderes.
Aqui, as notícias são más para o PS. Na última sondagem da Marktest, 70% dos inquiridos tinham opinião negativa sobre José Sócrates, contra 18% de opiniões positivas. Na Aximage, Sócrates tem uma avaliação média de 6,8 em 20 pontos possíveis. Na Eurosondagem, onde os números lhe são menos desfavoráveis, o saldo entre opiniões positivas e negativas é de menos de 5 pontos. Na última sondagem da Católica - de Outubro, há tanto tempo! - a avaliação média do PM era de 6,5 pontos em 20 e apenas 35% dos inquiridos lhe davam uma nota de 10 ou mais.
Dito isto, a verdade é que nenhum dos líderes político-partidários é particularmente bem visto. Na Marktest, Pedro Passos Coelho aparece com tantas opiniões positivas como negativas e uns perturbantes 29% que "não sabem". Na Eurosondagem, o saldo para Passos Coelho é praticamente igual ao de Sócrates. É na Aximage e na Católica que o líder do PSD aparece mais bem avaliado comparativamente a Sócrates. Mas na Católica essa avaliação média é ainda negativa (9,2 de 0 a 20) enquanto que na Aximage, apesar de ser positiva (10,6 de 0 a 20) está bem abaixo dos valores de há um ano atrás.
Acresce a isto que estes valores são obtidos de "amostras totais", e não necessariamente dos presumiveis votantes. Muita desta negatividade pode estar concentrada em eleitores que não tencionam votar. A avaliação dos líderes conta muito, sabemos, nas escolhas eleitorais. Mas é também a mais volátil das variáveis explicativas do voto, num certo sentido demasiado próxima do próprio voto. É preciso olhar para outras coisas.
segunda-feira, março 21, 2011
Baden-Württemberg
O estado em que estou agora, Baden-Württemberg, tem eleições para a semana, dia 27. Actualmente, o governo é uma coligação entre a CDU e o FDP. A CDU governa há décadas. Mas as coisas estão complicadas.
Primeiro foi o assunto Stuttgart 21, um mega-projecto de construção e urbanização que gerou enorme contestação. Verdes e Linke estão contra. E agora é o tema "nuclear". Stefan Mappus, o Ministro-Presidente, tem sido um dos mais vigorosos defensores da extensão da vida das centrais, coisa que lhe encaixa muito mal agora. Merkel bem tentou limitar os danos, mas pode ser tarde. Nas últimas sondagens, os Verdes ultrapassaram o SPD e aparecem agora em 2º lugar nas intenções de voto. Podemos ter, pela primeira vez, os Verdes à frente de um governo estadual. E para a CDU, perder um bastião de mais de 50 anos seria a pior notícia dos últimos meses. Não necessariamente o fim, mas uma péssima notícia.
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