sexta-feira, junho 03, 2011

Recta final

Na verdade estou sem tempo. Mas também acho que não há muito mais para dizer. Não me recordo de eleições com sondagens tão convergentes na última semana. O que não quer dizer:

1. Que estejam certas. Podem ser afectadas por enviesamentos comuns.
2. Que sirvam de previsão para os resultados de Domingo. Mesmo que estejam a medir com precisão as intenções de votar e de voto, intenções são intenções, e podem ser afectadas por movimentos entre a sua manifestação e o dia das eleições, especialmente de abstenção e mobilização diferenciais. O passado não sugere grandes surpresas, mas o passado nunca sugere surpresas até as surpresas acontecerem.

O melhor é votar. 2ª feira falamos.

A evolução desde Janeiro de 2010

Os resultados desde meados de Abril














Já agora, deixem-me fazer uma experiência:

Aximage, 29 Maio-1 Junho, N=1200, Tel.

PSD: 36,3%
PS: 30,1%
CDS-PP: 12,4%
CDU: 8,1%
BE: 6,6%

Aqui.

Intercampus, 28 Maio-1 Junho, N=1026, Presencial

PSD: 36,5%
PS: 31,1%
CDS-PP: 11,6%
CDU: 7,4%
BE: 6%

Aqui.

Eurosondagem, 29 Maio-1 Junho, N=2037, Tel.

PSD: 35,9%
PS: 31,1%
CDS-PP: 13,0%
CDU: 7,8%
BE: 5,9%

Aqui.

quinta-feira, junho 02, 2011

O chato

Eu sei que sou insuportável. Mas isto não dá:

"PSD cai 1 décima mas dilata vantagem sobre PS"

Eh pá, tenham paciência. Nem quero entrar na questão de "décima" vs. "décimo". E até percebo que uma descida de um décimo de ponto percentual possa aparecer numa tabela ou num gráfico. Mas num título? Que espécie de coisa é uma descida de 0,1 numa sondagem? Eu tinha dito que havia riscos nesta coisa da tracking poll, e este é o pior. Leiam lá isto. Nem é preciso fazer contas. É só ficar com a ideia geral.

Sondagem do CESOP

Intenções de voto não são comportamentos de voto, pelo que comporta um certo risco tratar a relação das primeiras com variáveis explicativas, risco esse que é contornado pelas sondagens pós-eleitorais (e por exit polls feitas a pensar nisso, volto a insistir). Mas os resultados da sondagem da Católica são tão interessantes desse ponto de vista que é impossível resistir. Estou a olhar para os gráficos do DN e não os encontrei online. Mas quando estiver depositada na ERC vão poder perceber melhor o que estou a dizer.

1. A relação curvilinear entre idade e a opção "De certeza que vai votar": mais jovens votam menos, a propensão cresce depois e volta a descer no fim do ciclo de vida. É muito débil ainda este padrão, mas vai fortalecer certamente quando olharmos para comportamentos em vez de intenções.

2. O bom desempenho do CDS e (especialmente) BE entre os mais jovens. O padrão é familiar.

3. A correlação negativa - forte mesmo nas intenções de voto - entre instrução e voto no PS, cujo desempenho entre os mais instruídos é bastante fraco. Entre os que não completaram o secundário, pelo contrário, o PS supera mesmo o PSD em intenções de voto. Também aqui se confirmam padrões de 2009. Mas o PSD parece ter recuperado entre os mais instruídos em comparação com 2009.

Tudo isto é para confirmar depois, mas é este tipo de coisas a que as sondagens e aqueles que as divulgam deviam dar sempre importância. E é também o tipo de coisas que dá confiança na validade daquilo que se mediu numa sondagem, tal como já me tinha sucedido ontem na análise dos resultados da Intercampus.

Assistente fora do escritório

Não vou conseguir responder a tantos e-mails com a brevidade que vocês acham - e bem - que eles merecem. Vou tentar responder, mas vai demorar. Desculpem.

Candidatos a deputados por Lisboa

É onde eu voto. A lista de candidatos pode ser consultada aqui. Bem sei que no nosso sistema esta consideração é talvez pouco relevante, e talvez menos do que deveria ser. Mas pensar deste ponto de vista pode fazer algum sentido, especialmente para quem estiver muito indeciso.

Um e-mail sobre OBN's nas intenções de voto e nos comportamentos de voto

Recebi um e-mail de um leitor com este gráfico. Não fui verificar dados mas suponho serem baseados no quadro no post abaixo com as sondagens das últimas semanas. A "projecção" que o leitor faz para 2011 é simplesmente a média das diferenças passadas entre as médias das intenções de voto e daqueles que acabaram por ser os resultados finais. O leitor informou-me também, com uma clareza que nem sempre ocorre nestas coisas, que é militante do MEP, tendo compreensivelmente grande interesse nesta questão. À vossa consideração.

Pool

uma pessoa que, imagino, gostaria que o resultado de Domingo fosse a média que está neste post.

Não percam

O gráfico feito pelo Bernardo Caldas, melhorado e já totalmente actualizado.

Actualizações várias

O quadro das sondagens desde meados de Abril. Recordem que estou a considerar apenas amostras independentes no caso das tracking polls:













As tendências mês a mês (e, no final, para a penúltima e última semanas antes das eleições) controlando house effects. PS desce da semana anterior para esta, PSD e CDU (ligeiramente) sobem, CDS pára depois de meses sempre a subir. Mas faltam sondagens.














E um quadro - provisório - com as sondagens das últimas semanas desde 2002. "Última semana" significa que o trabalho de campo terminou a partir do Domingo anterior à eleição:






















A incerteza sobre quem lidera as intenções de voto nesta eleição diminuiu muito com as sondagens que foram realizadas a partir do final da semana passada e cujos resultados estamos a conhecer agora.

quarta-feira, junho 01, 2011

Marktest, 28-31 Maio, N=1208, Tel.

PSD: 38,5% (-0,8)
PS: 30,1% (-3,3)
CDS/PP: 9,7% (+0,7)
CDU: 8,5% (+2,0)
BE: 4,5% (-0,3)


Aqui. Comparação com a sondagem da Marktest de 10 de Maio.

Eurosondagem, 27-31 Maio, N=2051, Tel.

PSD: 35,4% (-0,1)
PS: 31,3% (-0,9)
CDS/PP: 13,4% (+0,8)
CDU: 7,9% (+0,3)
BE: 6,0% (-0,3)

Aqui. Se olharmos para os últimos dois dias, temos:


30-31 Maio, N=1025, Tel.
PSD: 35,6% (+0,8)
PS: 31,2% (-0,9)
CDS/PP: 13,6% (+1,0)
CDU: 7,9% (+0,3)
BE: 5,8% (-0,7)

CESOP/Católica, 28-29 Maio, N=3963, Presencial

PSD: 36% (=)
PS: 31% (-5)
CDS/PP: 11% (+1)
CDU: 8% (-1)
BE: 7% (+1)

Aqui. A comparação é com a sondagem do CESOP cujo trabalho de campo terminou dia 22 de Maio.

Alguns padrões nas sondagens recentes

Passeando pelos depósitos de sondagens recentes na ERC, alguns padrões interessantes nas sondagens da Intercampus (todos eles meramente correlacionais):

1. Mulheres muito mais propensas a manifestar que "não sabem" em que partido votariam.
2. 55 ou + muito menos propensos a manifestar que não vão votar.
3. Dentro daqueles que manifestam intenção de voto, os que tencionam votar na CDU são os que mais dizem que "vão votar de certeza" (95% ou mais nas últimas sondagens). A diferença não é muito grande em relação aos outros partidos, mas tem-se tornado mais forte à medida que avançamos nas diferentes vagas das sondagens da Intercampus. E outra coisa: entre os eleitores do PSD, a percentagem dos que dizem ter a certeza que vão às urnas é sempre superior à percentagem equivalente no PS.

Ainda boca das urnas

Um excelente resumo sobre como são feitas. Em Portugal é muitíssimo parecido, com a diferença do post anterior e, claro, da operação logística absolutamente descomunal que acontece nos Estados Unidos. De resto, ficava tão caro que as estações se juntaram e passaram a encomendar a sondagem a uma única empresa, utilizando depois os dados como quiserem.

Boca das urnas

No próximo dia 5, é provável que tenhamos o costume: às 20.00h, são anunciadas três projecções, muito próximas entre si, e bastante próximas em relação ao total de votos escrutinados. Desse ponto de vista, não me recordo de uma eleição em que tenha havido problemas (com excepção de uma ou outra eleição regional; quem procurar aqui no blogue encontra um ou outro desses casos). Depois vão andar pelas sedes partidárias, ouvir 457 membros de secretariados e comissões políticas, 967 comentadores (sendo eu um deles), discursos de vitória e de derrota, filmagens de carros e motas a caminho dos ditos, etc.

Mas há um aspecto em que as nossas sondagens à boca das urnas são claramente deficientes: basicamente, não ficamos a aprender nada sobre como as pessoas votaram. Vou dar-vos um exemplo do tipo de coisas que se poderia ficar a saber:
































No caso americano, uma infografia fabulosa do NYT mostra o voto segundo uma série de variáveis socio-demográficas. Na Alemanha, algo semelhante, a votação por diferentes grupos sociais, havendo igualmente cruzamentos com avaliações de líderes e percepção de importância de diferentes problemas sociais.

Isto seria impossível de fazer em Portugal? Não. O principal problema novo seria o de transmitir dos pontos de amostragem para a central os dados sobre as restantes variáveis para além das votações agregadas. Mas há soluções tecnológicas capazes de o fazer que não exigiriam investimentos demasiado grandes. Mesmo que os valores das variáveis tivessem de ser ditados pelo telefone, seria sempre possível fazê-lo junto de uma sub-amostra bem menor do que os habituais 15 a 30 mil inquiridos e mesmo assim obter resultados fiáveis e relevantes.

Haveria um custo adicional, certamente. O que se passa, contudo, é que as televisões não acham isto suficientemente interessante para pagarem esse custo adicional. É só mais um exemplo de como as sondagens poderiam aprofundar (em vez de "superficializar") o debate político, mas de como os clientes resistem a correr o risco de mudar a cobertura das noites eleitorais, receando que os espectadores não se interessem. Sempre achei e sempre lhes disse que estão enganados e que valeria a pena arriscar. Pode ser que um dia.