Vou fugir um pouco à prática de colocar aqui os dados em detalhe porque Fernando Pereira Bastos me enviou um ficheiro fantástico com tudo isso. Logo, disponibilizo-o aqui e limito-me a fazer alguns comentários. Desculpem esta descentralização, mas é simplesmente porque acho que não conseguiria fazer melhor.
1. Desvios entre intenções de voto registadas nas últimas sondagens e resultados eleitorais semelhantes aos verificados em 2009, mas com alguma diminuição global.
2. Boca das urnas, a mesma coisa, e aqui mais importante, porque estamos de facto a comparar comportamentos (não intenções) com resultados: desvios entre pontos centrais dos intervalos e resultados semelhantes aos de 2009, mas globalmente mais baixos.
3. Fenómeno de discrepância entre intenções de voto registadas para CDS-PP e resultados eleitorais desapareceu nesta eleição. Houve em 2002 e 2009, não houve em 2005 e 2011, e confesso que não tenho uma explicação que consiga apoiar com dados. Só especulações.
Para além daquilo que o Fernando fez, vou apenas actualizar um quadro que já tinha aqui apresentado. Vou considerar como sondagens da última semana apenas as que tinham amostras independentes:
- Aximage, 2 de Junho
- Marktest, 31 de Maio
- Católica, 29 de Maio
- Intercampus, 29 de Maio e 2 de Junho
- Eurosondagem, 29 de Maio de 2 de Junho
segunda-feira, junho 06, 2011
First things first
A nossa pool! Este post dava ligação para um ficheiro com todas as apostas registadas. Adicionei posteriormente umas apostas que estavam num comentário em que não tinha reparado.
Resultados às 10h de hoje:
PSD: 38,6%
PS: 28,1%
CDS-PP: 11,7%
CDU: 7,9%
BE: 5,2%
No dia 3 de Maio, às 17:16, recebi este comentário:
"PSD = 38
PS = 30
CDS-PP = 12
CDU = 8
BE = 5
OBN = 7"
Foi do Koimbra, grande vencedor, com um desvio absoluto médio de 0,62. Parabéns! As cinco primeiras classificações:
1º Koimbra (0,62)
2º Carlos Loureiro (0,78)
3º Hugo (0,94)
4º mcorreia, Nuno e, bem, eu próprio (1,34)
5º João Saro (1,38).
Koimbra: mande a sua morada para o e-mail do Margens de Erro, sff.
P.S. - O ficheiro está aqui para consulta.
Resultados às 10h de hoje:
PSD: 38,6%
PS: 28,1%
CDS-PP: 11,7%
CDU: 7,9%
BE: 5,2%
No dia 3 de Maio, às 17:16, recebi este comentário:
"PSD = 38
PS = 30
CDS-PP = 12
CDU = 8
BE = 5
OBN = 7"
Foi do Koimbra, grande vencedor, com um desvio absoluto médio de 0,62. Parabéns! As cinco primeiras classificações:
1º Koimbra (0,62)
2º Carlos Loureiro (0,78)
3º Hugo (0,94)
4º mcorreia, Nuno e, bem, eu próprio (1,34)
5º João Saro (1,38).
Koimbra: mande a sua morada para o e-mail do Margens de Erro, sff.
P.S. - O ficheiro está aqui para consulta.
sexta-feira, junho 03, 2011
Recta final
Na verdade estou sem tempo. Mas também acho que não há muito mais para dizer. Não me recordo de eleições com sondagens tão convergentes na última semana. O que não quer dizer:
1. Que estejam certas. Podem ser afectadas por enviesamentos comuns.
2. Que sirvam de previsão para os resultados de Domingo. Mesmo que estejam a medir com precisão as intenções de votar e de voto, intenções são intenções, e podem ser afectadas por movimentos entre a sua manifestação e o dia das eleições, especialmente de abstenção e mobilização diferenciais. O passado não sugere grandes surpresas, mas o passado nunca sugere surpresas até as surpresas acontecerem.
O melhor é votar. 2ª feira falamos.
1. Que estejam certas. Podem ser afectadas por enviesamentos comuns.
2. Que sirvam de previsão para os resultados de Domingo. Mesmo que estejam a medir com precisão as intenções de votar e de voto, intenções são intenções, e podem ser afectadas por movimentos entre a sua manifestação e o dia das eleições, especialmente de abstenção e mobilização diferenciais. O passado não sugere grandes surpresas, mas o passado nunca sugere surpresas até as surpresas acontecerem.
O melhor é votar. 2ª feira falamos.
quinta-feira, junho 02, 2011
O chato
Eu sei que sou insuportável. Mas isto não dá:
"PSD cai 1 décima mas dilata vantagem sobre PS"
Eh pá, tenham paciência. Nem quero entrar na questão de "décima" vs. "décimo". E até percebo que uma descida de um décimo de ponto percentual possa aparecer numa tabela ou num gráfico. Mas num título? Que espécie de coisa é uma descida de 0,1 numa sondagem? Eu tinha dito que havia riscos nesta coisa da tracking poll, e este é o pior. Leiam lá isto. Nem é preciso fazer contas. É só ficar com a ideia geral.
"PSD cai 1 décima mas dilata vantagem sobre PS"
Eh pá, tenham paciência. Nem quero entrar na questão de "décima" vs. "décimo". E até percebo que uma descida de um décimo de ponto percentual possa aparecer numa tabela ou num gráfico. Mas num título? Que espécie de coisa é uma descida de 0,1 numa sondagem? Eu tinha dito que havia riscos nesta coisa da tracking poll, e este é o pior. Leiam lá isto. Nem é preciso fazer contas. É só ficar com a ideia geral.
Sondagem do CESOP
Intenções de voto não são comportamentos de voto, pelo que comporta um certo risco tratar a relação das primeiras com variáveis explicativas, risco esse que é contornado pelas sondagens pós-eleitorais (e por exit polls feitas a pensar nisso, volto a insistir). Mas os resultados da sondagem da Católica são tão interessantes desse ponto de vista que é impossível resistir. Estou a olhar para os gráficos do DN e não os encontrei online. Mas quando estiver depositada na ERC vão poder perceber melhor o que estou a dizer.
1. A relação curvilinear entre idade e a opção "De certeza que vai votar": mais jovens votam menos, a propensão cresce depois e volta a descer no fim do ciclo de vida. É muito débil ainda este padrão, mas vai fortalecer certamente quando olharmos para comportamentos em vez de intenções.
2. O bom desempenho do CDS e (especialmente) BE entre os mais jovens. O padrão é familiar.
3. A correlação negativa - forte mesmo nas intenções de voto - entre instrução e voto no PS, cujo desempenho entre os mais instruídos é bastante fraco. Entre os que não completaram o secundário, pelo contrário, o PS supera mesmo o PSD em intenções de voto. Também aqui se confirmam padrões de 2009. Mas o PSD parece ter recuperado entre os mais instruídos em comparação com 2009.
Tudo isto é para confirmar depois, mas é este tipo de coisas a que as sondagens e aqueles que as divulgam deviam dar sempre importância. E é também o tipo de coisas que dá confiança na validade daquilo que se mediu numa sondagem, tal como já me tinha sucedido ontem na análise dos resultados da Intercampus.
1. A relação curvilinear entre idade e a opção "De certeza que vai votar": mais jovens votam menos, a propensão cresce depois e volta a descer no fim do ciclo de vida. É muito débil ainda este padrão, mas vai fortalecer certamente quando olharmos para comportamentos em vez de intenções.
2. O bom desempenho do CDS e (especialmente) BE entre os mais jovens. O padrão é familiar.
3. A correlação negativa - forte mesmo nas intenções de voto - entre instrução e voto no PS, cujo desempenho entre os mais instruídos é bastante fraco. Entre os que não completaram o secundário, pelo contrário, o PS supera mesmo o PSD em intenções de voto. Também aqui se confirmam padrões de 2009. Mas o PSD parece ter recuperado entre os mais instruídos em comparação com 2009.
Tudo isto é para confirmar depois, mas é este tipo de coisas a que as sondagens e aqueles que as divulgam deviam dar sempre importância. E é também o tipo de coisas que dá confiança na validade daquilo que se mediu numa sondagem, tal como já me tinha sucedido ontem na análise dos resultados da Intercampus.
Assistente fora do escritório
Não vou conseguir responder a tantos e-mails com a brevidade que vocês acham - e bem - que eles merecem. Vou tentar responder, mas vai demorar. Desculpem.
Candidatos a deputados por Lisboa
É onde eu voto. A lista de candidatos pode ser consultada aqui. Bem sei que no nosso sistema esta consideração é talvez pouco relevante, e talvez menos do que deveria ser. Mas pensar deste ponto de vista pode fazer algum sentido, especialmente para quem estiver muito indeciso.
Um e-mail sobre OBN's nas intenções de voto e nos comportamentos de voto
Recebi um e-mail de um leitor com este gráfico. Não fui verificar dados mas suponho serem baseados no quadro no post abaixo com as sondagens das últimas semanas. A "projecção" que o leitor faz para 2011 é simplesmente a média das diferenças passadas entre as médias das intenções de voto e daqueles que acabaram por ser os resultados finais. O leitor informou-me também, com uma clareza que nem sempre ocorre nestas coisas, que é militante do MEP, tendo compreensivelmente grande interesse nesta questão. À vossa consideração.
Pool
Há uma pessoa que, imagino, gostaria que o resultado de Domingo fosse a média que está neste post.
Actualizações várias
O quadro das sondagens desde meados de Abril. Recordem que estou a considerar apenas amostras independentes no caso das tracking polls:
As tendências mês a mês (e, no final, para a penúltima e última semanas antes das eleições) controlando house effects. PS desce da semana anterior para esta, PSD e CDU (ligeiramente) sobem, CDS pára depois de meses sempre a subir. Mas faltam sondagens.
E um quadro - provisório - com as sondagens das últimas semanas desde 2002. "Última semana" significa que o trabalho de campo terminou a partir do Domingo anterior à eleição:
A incerteza sobre quem lidera as intenções de voto nesta eleição diminuiu muito com as sondagens que foram realizadas a partir do final da semana passada e cujos resultados estamos a conhecer agora.
As tendências mês a mês (e, no final, para a penúltima e última semanas antes das eleições) controlando house effects. PS desce da semana anterior para esta, PSD e CDU (ligeiramente) sobem, CDS pára depois de meses sempre a subir. Mas faltam sondagens.
E um quadro - provisório - com as sondagens das últimas semanas desde 2002. "Última semana" significa que o trabalho de campo terminou a partir do Domingo anterior à eleição:
A incerteza sobre quem lidera as intenções de voto nesta eleição diminuiu muito com as sondagens que foram realizadas a partir do final da semana passada e cujos resultados estamos a conhecer agora.
quarta-feira, junho 01, 2011
Marktest, 28-31 Maio, N=1208, Tel.
PSD: 38,5% (-0,8)
PS: 30,1% (-3,3)
CDS/PP: 9,7% (+0,7)
CDU: 8,5% (+2,0)
BE: 4,5% (-0,3)
Aqui. Comparação com a sondagem da Marktest de 10 de Maio.
PS: 30,1% (-3,3)
CDS/PP: 9,7% (+0,7)
CDU: 8,5% (+2,0)
BE: 4,5% (-0,3)
Aqui. Comparação com a sondagem da Marktest de 10 de Maio.
Eurosondagem, 27-31 Maio, N=2051, Tel.
PSD: 35,4% (-0,1)
PS: 31,3% (-0,9)
CDS/PP: 13,4% (+0,8)
CDU: 7,9% (+0,3)
BE: 6,0% (-0,3)
Aqui. Se olharmos para os últimos dois dias, temos:
30-31 Maio, N=1025, Tel.
PSD: 35,6% (+0,8)
PS: 31,2% (-0,9)
CDS/PP: 13,6% (+1,0)
CDU: 7,9% (+0,3)
BE: 5,8% (-0,7)
PS: 31,3% (-0,9)
CDS/PP: 13,4% (+0,8)
CDU: 7,9% (+0,3)
BE: 6,0% (-0,3)
Aqui. Se olharmos para os últimos dois dias, temos:
30-31 Maio, N=1025, Tel.
PSD: 35,6% (+0,8)
PS: 31,2% (-0,9)
CDS/PP: 13,6% (+1,0)
CDU: 7,9% (+0,3)
BE: 5,8% (-0,7)
CESOP/Católica, 28-29 Maio, N=3963, Presencial
PSD: 36% (=)
PS: 31% (-5)
CDS/PP: 11% (+1)
CDU: 8% (-1)
BE: 7% (+1)
Aqui. A comparação é com a sondagem do CESOP cujo trabalho de campo terminou dia 22 de Maio.
PS: 31% (-5)
CDS/PP: 11% (+1)
CDU: 8% (-1)
BE: 7% (+1)
Aqui. A comparação é com a sondagem do CESOP cujo trabalho de campo terminou dia 22 de Maio.
Alguns padrões nas sondagens recentes
Passeando pelos depósitos de sondagens recentes na ERC, alguns padrões interessantes nas sondagens da Intercampus (todos eles meramente correlacionais):
1. Mulheres muito mais propensas a manifestar que "não sabem" em que partido votariam.
2. 55 ou + muito menos propensos a manifestar que não vão votar.
3. Dentro daqueles que manifestam intenção de voto, os que tencionam votar na CDU são os que mais dizem que "vão votar de certeza" (95% ou mais nas últimas sondagens). A diferença não é muito grande em relação aos outros partidos, mas tem-se tornado mais forte à medida que avançamos nas diferentes vagas das sondagens da Intercampus. E outra coisa: entre os eleitores do PSD, a percentagem dos que dizem ter a certeza que vão às urnas é sempre superior à percentagem equivalente no PS.
1. Mulheres muito mais propensas a manifestar que "não sabem" em que partido votariam.
2. 55 ou + muito menos propensos a manifestar que não vão votar.
3. Dentro daqueles que manifestam intenção de voto, os que tencionam votar na CDU são os que mais dizem que "vão votar de certeza" (95% ou mais nas últimas sondagens). A diferença não é muito grande em relação aos outros partidos, mas tem-se tornado mais forte à medida que avançamos nas diferentes vagas das sondagens da Intercampus. E outra coisa: entre os eleitores do PSD, a percentagem dos que dizem ter a certeza que vão às urnas é sempre superior à percentagem equivalente no PS.
Ainda boca das urnas
Um excelente resumo sobre como são feitas. Em Portugal é muitíssimo parecido, com a diferença do post anterior e, claro, da operação logística absolutamente descomunal que acontece nos Estados Unidos. De resto, ficava tão caro que as estações se juntaram e passaram a encomendar a sondagem a uma única empresa, utilizando depois os dados como quiserem.
Boca das urnas
No próximo dia 5, é provável que tenhamos o costume: às 20.00h, são anunciadas três projecções, muito próximas entre si, e bastante próximas em relação ao total de votos escrutinados. Desse ponto de vista, não me recordo de uma eleição em que tenha havido problemas (com excepção de uma ou outra eleição regional; quem procurar aqui no blogue encontra um ou outro desses casos). Depois vão andar pelas sedes partidárias, ouvir 457 membros de secretariados e comissões políticas, 967 comentadores (sendo eu um deles), discursos de vitória e de derrota, filmagens de carros e motas a caminho dos ditos, etc.
Mas há um aspecto em que as nossas sondagens à boca das urnas são claramente deficientes: basicamente, não ficamos a aprender nada sobre como as pessoas votaram. Vou dar-vos um exemplo do tipo de coisas que se poderia ficar a saber:
No caso americano, uma infografia fabulosa do NYT mostra o voto segundo uma série de variáveis socio-demográficas. Na Alemanha, algo semelhante, a votação por diferentes grupos sociais, havendo igualmente cruzamentos com avaliações de líderes e percepção de importância de diferentes problemas sociais.
Isto seria impossível de fazer em Portugal? Não. O principal problema novo seria o de transmitir dos pontos de amostragem para a central os dados sobre as restantes variáveis para além das votações agregadas. Mas há soluções tecnológicas capazes de o fazer que não exigiriam investimentos demasiado grandes. Mesmo que os valores das variáveis tivessem de ser ditados pelo telefone, seria sempre possível fazê-lo junto de uma sub-amostra bem menor do que os habituais 15 a 30 mil inquiridos e mesmo assim obter resultados fiáveis e relevantes.
Haveria um custo adicional, certamente. O que se passa, contudo, é que as televisões não acham isto suficientemente interessante para pagarem esse custo adicional. É só mais um exemplo de como as sondagens poderiam aprofundar (em vez de "superficializar") o debate político, mas de como os clientes resistem a correr o risco de mudar a cobertura das noites eleitorais, receando que os espectadores não se interessem. Sempre achei e sempre lhes disse que estão enganados e que valeria a pena arriscar. Pode ser que um dia.
Mas há um aspecto em que as nossas sondagens à boca das urnas são claramente deficientes: basicamente, não ficamos a aprender nada sobre como as pessoas votaram. Vou dar-vos um exemplo do tipo de coisas que se poderia ficar a saber:
No caso americano, uma infografia fabulosa do NYT mostra o voto segundo uma série de variáveis socio-demográficas. Na Alemanha, algo semelhante, a votação por diferentes grupos sociais, havendo igualmente cruzamentos com avaliações de líderes e percepção de importância de diferentes problemas sociais.
Isto seria impossível de fazer em Portugal? Não. O principal problema novo seria o de transmitir dos pontos de amostragem para a central os dados sobre as restantes variáveis para além das votações agregadas. Mas há soluções tecnológicas capazes de o fazer que não exigiriam investimentos demasiado grandes. Mesmo que os valores das variáveis tivessem de ser ditados pelo telefone, seria sempre possível fazê-lo junto de uma sub-amostra bem menor do que os habituais 15 a 30 mil inquiridos e mesmo assim obter resultados fiáveis e relevantes.
Haveria um custo adicional, certamente. O que se passa, contudo, é que as televisões não acham isto suficientemente interessante para pagarem esse custo adicional. É só mais um exemplo de como as sondagens poderiam aprofundar (em vez de "superficializar") o debate político, mas de como os clientes resistem a correr o risco de mudar a cobertura das noites eleitorais, receando que os espectadores não se interessem. Sempre achei e sempre lhes disse que estão enganados e que valeria a pena arriscar. Pode ser que um dia.
Twitosfera até dia 31 de Maio
Até agora tenho sido parco em comentários sobre estes dados do projecto REACTION, especialmente porque não sei bem o que dizer que não seja puramente descritivo:
- As menções a Sócrates diminuíram de peso nas menções totais até meados de Maio, tendo voltado a crescer desde desde aí. O mesmo não sucede nas menções positivas (em relação ao total de menções positivas), que estão estáveis desde meados de Maio
- Paulo Portas é mencionado na Twitosfera com uma frequência desproporcionalmente elevada em relação ao peso eleitoral do CDS, e isso é especialmente verdade no que respeita às menções positivas, onde cresce desde meados de Maio aparentemente à custa (digamos assim) de Sócrates e Passos Coelho.
Um leitor sugeria que tomasse de alguma forma em conta a relação entre menções positivas e negativas. É o que faço no gráfico seguinte, que calcula um índice: (2*%positivas + %neutras)/2. O índice varia entre 0 (100% negativas) e 100 (100% positivas):

Entre os tweets que mencionam cada um dos líderes, os dos pequenos partidos têm menos negatividade.
Para já só queria mostrar estas coisas. Acho que tem de haver muita análise a posteriori para compreendermos a utilidade disto, para além de medir o que se passa na twitosfera portuguesa, que já me parece suficientemente interessante.
terça-feira, maio 31, 2011
Eurosondagem, 26-30 Maio, N=2059, Tel.
PSD: 35,5%
PS: 32,2%
CDS: 12,6%
CDU: 7,6%
BE: 6,3%
Aqui. Em relação aos resultados de ontem, PSD sobe 0,7 pontos, é a única mudança assinalável. No trabalho de campo conduzido exclusivamente no dia 30, os resultados foram os seguintes:
PS: 32,2%
CDS: 12,6%
CDU: 7,6%
BE: 6,3%
Aqui. Em relação aos resultados de ontem, PSD sobe 0,7 pontos, é a única mudança assinalável. No trabalho de campo conduzido exclusivamente no dia 30, os resultados foram os seguintes:
PSD: 36,4%
PS: 32,4%
CDS: 12,3%
CDU: 7,6%
BE: 6,1%
Mas estamos neste caso a falar de cerca de 500 inquiridos.
Gráfico dinâmico
Há por aí muitos gráficos com sondagens. Este, feito por mim, este, na Marktest, ou este e este, no Público e na SIC Notícias, respectivamente. E de certeza que há mais.
Mas o que não há, que eu saiba, é um gráfico dinâmico onde se possa, que sei eu, ver todos os resultados desde 2005, escolher diferentes empresas ou partidos, modificar o eixo y para ver melhor o que se passa com os pequenos partidos ou escolher diferentes intervalos de tempo.
Não há? Não havia. Mas o Bernardo Caldas, 19 anos, estudante de Engenharia Electrotécnica e de Computadores no Instituto Superior Técnico, achou que devia haver. E achou bem. Parece-me que fez isto em dois fins de tarde. E vocês, na infografia dos jornais online, já voltaram de tomar o cafézinho?
Mas o que não há, que eu saiba, é um gráfico dinâmico onde se possa, que sei eu, ver todos os resultados desde 2005, escolher diferentes empresas ou partidos, modificar o eixo y para ver melhor o que se passa com os pequenos partidos ou escolher diferentes intervalos de tempo.
Não há? Não havia. Mas o Bernardo Caldas, 19 anos, estudante de Engenharia Electrotécnica e de Computadores no Instituto Superior Técnico, achou que devia haver. E achou bem. Parece-me que fez isto em dois fins de tarde. E vocês, na infografia dos jornais online, já voltaram de tomar o cafézinho?
segunda-feira, maio 30, 2011
Eurosondagem, 25-29 Maio, N=2052, Tel.
PSD: 34,7%
PS: 32,1%
CDS-PP: 12,9%
CDU: 7,7%
BE: 6,3%
Aqui. Estes resultados são produzidos inquirindo 2052 pessoas mas ponderando os quatro dias de trabalho de campo de forma diferente (não houve trabalho de campo dia 28). Eu tenho tratado os resultados de uma maneira alternativa, olhando para os resultados de blocos de cerca de 1000 inquiridos de cada vez. Se o fizermos (e compararmos com os 1000 anteriores), ficamos, salvo erro, assim:
27-29 Maio, N=1025
PSD: 34,8% (+1,0)
PS: 32,1% (-0,6)
PS: 32,1%
CDS-PP: 12,9%
CDU: 7,7%
BE: 6,3%
Aqui. Estes resultados são produzidos inquirindo 2052 pessoas mas ponderando os quatro dias de trabalho de campo de forma diferente (não houve trabalho de campo dia 28). Eu tenho tratado os resultados de uma maneira alternativa, olhando para os resultados de blocos de cerca de 1000 inquiridos de cada vez. Se o fizermos (e compararmos com os 1000 anteriores), ficamos, salvo erro, assim:
27-29 Maio, N=1025
PSD: 34,8% (+1,0)
PS: 32,1% (-0,6)
CDS-PP: 12,6% (-0,7)
CDU: 7,6% (-0,1)
BE: 6,5% (=)
Intercampus, 25-29 Maio, N=1010, Tel.
PSD: 37% (-2,6)
PS: 32,3% (-0,9)
CDS-PP: 12,7% (+0,6)
CDU: 7,7% (+1,1)
BE: 5,2% (-0,4)
Aqui. Espero que isto não lance confusão, mas tal como tenho sempre feito estou a comparar com a última amostra independente da Intercampus, ou seja, o estudo cujo trabalho de campo terminou a 22 de Maio. Como é óbvio pela notícia, se compararmos com a amostra da sondagem imediatamente anterior (com a qual esta partilha dois dias de trabalho de campo), o PSD sobe.
PS: 32,3% (-0,9)
CDS-PP: 12,7% (+0,6)
CDU: 7,7% (+1,1)
BE: 5,2% (-0,4)
Aqui. Espero que isto não lance confusão, mas tal como tenho sempre feito estou a comparar com a última amostra independente da Intercampus, ou seja, o estudo cujo trabalho de campo terminou a 22 de Maio. Como é óbvio pela notícia, se compararmos com a amostra da sondagem imediatamente anterior (com a qual esta partilha dois dias de trabalho de campo), o PSD sobe.
Intenções de voto e resultados eleitorais
Sondagens não são previsões, já sabemos. Mas se houvesse um padrão regular nas diferenças entre as intenções de voto medidas pelas sondagens e os resultados eleitorais, isso seria desde logo um passo possível numa tentativa de usar as intenções de voto para prever resultados. O que tenho para dizer sobre o assunto está aqui (.pdf) em colaboração com o Luís Aguiar-Conraria e o Miguel Maria Pereira. Mas numa abordagem um pouco mais descritiva, o que encontramos quando comparamos as sondagens feitas nas últimas duas semanas antes das eleições (medindo intenções de voto) e aqueles que acabam por ser os resultados? O quadro abaixo mostra o que se encontra nas três últimas eleições legislativas:
Não quero tirar daqui conclusão alguma. O que concluo sobre este tipo de análise está no artigo linkado acima. Os leitores tirarão as suas.
Nota: tendo em conta os comentários aqui e noutros sítios, duas coisas. Primeiro, o intervalo mostra os valores mínimos e máximos. A média é a média dessas E das restantes sondagens. Segundo, olho apenas para 2002 e seguintes porque antes não se podia divulgar sondagens na última semana.
Não quero tirar daqui conclusão alguma. O que concluo sobre este tipo de análise está no artigo linkado acima. Os leitores tirarão as suas.
Nota: tendo em conta os comentários aqui e noutros sítios, duas coisas. Primeiro, o intervalo mostra os valores mínimos e máximos. A média é a média dessas E das restantes sondagens. Segundo, olho apenas para 2002 e seguintes porque antes não se podia divulgar sondagens na última semana.
Probabilidade de o PS ganhar as eleições, segundo MRS
"Eu próprio dizia, há quatro ou cinco dias, que achava que o PS tinha 10% de hipóteses de vitória, olhando para a evolução das sondagens, há uma semana atrás ou no começo da semana. Aumentou essas probabilidades, eu hoje já diria que tem para aí 30% ou 35% das hipóteses", afirmou ontem Marcelo Rebelo de Sousa, no jornal das 8 da TVI.
"Outros, Brancos e Nulos"
Um amigo chamou-me a atenção para a possibilidade da parcela "Outros, Brancos e Nulos" estar a aumentar nas sondagens. Fiquei curioso, mas desde logo um pouco preocupado. Primeiro, fico sempre um pouco inquieto quando se trata de analisar o conceito de "Outros, Brancos e Nulos", uma categoria residual, no sentido em que reúne coisas muito diferentes entre si. Segundo, receio sempre que os resultados das sondagens nesta categoria tenham um tratamento demasiado diferente de sondagem para sondagem. Na Marktest, por exemplo, notem como os resultados, mesmo depois de distribuídos os indecisos, atribuem 12,6% à categoria "Voto Branco/Outros" e como depois a Marktest "pondera" os resultados finais da seguinte forma: "ajustado o valor dos votos brancos e outros com base no valor obtido nas últimas Eleições para a Assembleia da República - Fev.2005" (deve ser gralha o Fev. 2005). Por outras palavras: a Marktest acha que a sondagem está a sobrestimar os OB's e recalcula tudo atribuindo-lhes um valor mais baixo. O único outro caso que conheço bem é o do CESOP, onde as pessoas que declaram voto em branco são questionadas sobre a sua inclinação de voto. Só aqueles que dizem que votariam em branco E não demonstram uma inclinação de voto são tratados como votos em branco no final. E não sei o que se faz ou como se faz nas outras empresas. Tudo isto para dizer que:
1. Há pelo menos duas empresas que sentem que captam votos em branco acima das reais intenções dos inquiridos;
2. As empresas tratam desta assunto de formas muito diferentes.
Dito isto, podemos olhar, com muita cautela, para a evolução dos OBN's. A primeira coisa que vi foi isto:
Se presumirmos a possibilidade de os OBNs estarem a mudar linearmente com a passagem do tempo e formos à procura desse padrão, ele está lá, e é de crescimento. Mas o que acontece se tornarmos esta evolução mais sensível a mudanças na tendência?
Crescimento até início do ano e depois diminuição. Mas tudo isto merece outro tipo de tratamento. Se o tratamento dos OBN's é muito sensível ao que é feito por cada empresa, temos um caso onde controlar por house effects se torna particularmente importante. E se fizermos isso, o que vemos?
1. Entre Março de 2005 e Janeiro de 2011, a percentagem de OBN's aumenta quase 4 pontos.
2. Entre Janeiro de 2011 e a segunda metade de Maio, desce 2,5 pontos.
Logo, a afirmação de que os OBN's estão a subir é correcta a médio/longo prazo, mas incorrecta a curto-prazo. É o melhor que consigo concluir neste momento.
1. Há pelo menos duas empresas que sentem que captam votos em branco acima das reais intenções dos inquiridos;
2. As empresas tratam desta assunto de formas muito diferentes.
Dito isto, podemos olhar, com muita cautela, para a evolução dos OBN's. A primeira coisa que vi foi isto:
Se presumirmos a possibilidade de os OBNs estarem a mudar linearmente com a passagem do tempo e formos à procura desse padrão, ele está lá, e é de crescimento. Mas o que acontece se tornarmos esta evolução mais sensível a mudanças na tendência?
Crescimento até início do ano e depois diminuição. Mas tudo isto merece outro tipo de tratamento. Se o tratamento dos OBN's é muito sensível ao que é feito por cada empresa, temos um caso onde controlar por house effects se torna particularmente importante. E se fizermos isso, o que vemos?
1. Entre Março de 2005 e Janeiro de 2011, a percentagem de OBN's aumenta quase 4 pontos.
2. Entre Janeiro de 2011 e a segunda metade de Maio, desce 2,5 pontos.
Logo, a afirmação de que os OBN's estão a subir é correcta a médio/longo prazo, mas incorrecta a curto-prazo. É o melhor que consigo concluir neste momento.
"Perceba a treta das sondagens"
Por Luís Filipe Malheiro, no Jornal da Madeira. Um excerto:
"Sempre que as pessoas ouvirem falar de sondagens, percebam logo que estão a ser enganadas, porque estamos a falar de um embuste e de uma aldrabice que deveria, apadrinhada pela comunicação social, justificar a intervenção do Ministério Público, levando a tribunal as empresas vendedoras desta falcatrua para além da reacção de outras entidades com tutela neste domínio, casos da Comissão Nacional de Eleições e da ERC."
"Sempre que as pessoas ouvirem falar de sondagens, percebam logo que estão a ser enganadas, porque estamos a falar de um embuste e de uma aldrabice que deveria, apadrinhada pela comunicação social, justificar a intervenção do Ministério Público, levando a tribunal as empresas vendedoras desta falcatrua para além da reacção de outras entidades com tutela neste domínio, casos da Comissão Nacional de Eleições e da ERC."
domingo, maio 29, 2011
Paulo Morais no Blasfémias
Sobre os efeitos das sondagens. Globalmente acho que a literatura lhe dá razão.
sábado, maio 28, 2011
Ponto da situação (rectificado)
Sobre a Eurosondagem, o que começou a ser feito a partir de ontem é a apresentação de uma média ponderada dos últimos 4 dias de trabalho de campo: 40% o dia anterior, 30% antes desse, 20% antes desse e 10% antes desse. Eu acho isto interessante e já houve comentários também nesse sentido aqui no blogue. Mas vou apresentar uma coisa mais convencional. O quadro abaixo é uma lista de resultados de amostras independentes desde meados de Abril. Com isto quero dizer que conto apenas com as sondagens de Intercampus "uma sim uma não" e, no caso da Eurosondagem, agrego os resultados de dois dias consecutivos. Calculo também a dimensão da amostra na base da qual as estimativas são apresentadas e duas médias ponderadas por essa dimensão: a das últimas cinco sondagens e a das últimas sondagens de cada empresa.
Várias coisas:
1. Parecem poucas, não parecem? Se filtrarmos as tracking pegando apenas em amostras independentes, ficam menos sondagens do que nos vai parecendo no dia-a-dia.
2. Últimas cinco sondagens (as mais recentes): entre 34 e 36 para o PSD; entre 32 e 36 para o PS; entre 10 e 13 para o CDS; entre 8 e 9 para CDU; entre 6 e 7 para BE. Acham muito? Não é, tendo em conta as dimensões das amostras efectivas.
3. Recordo médias da nossa pool de previsões:
PSD: 34,2%
PS: 32,2%
CDS-PP: 11,9%
CDU: 8,4%
BE: 7,2%
Giro, não é?
P.S.- O quadro anterior tinha um erro numa sondagem da Intercampus e outro numa sondagem Aximage. Agradeço a Fernando Pereira Bastos. Acrescento também que as sondagens da Aximage têm sido apresentadas sem distribuir indecisos. Para tornar os seus resultados comparáveis com os das restantes, tratei os indecisos como abstencionistas.
Várias coisas:1. Parecem poucas, não parecem? Se filtrarmos as tracking pegando apenas em amostras independentes, ficam menos sondagens do que nos vai parecendo no dia-a-dia.
2. Últimas cinco sondagens (as mais recentes): entre 34 e 36 para o PSD; entre 32 e 36 para o PS; entre 10 e 13 para o CDS; entre 8 e 9 para CDU; entre 6 e 7 para BE. Acham muito? Não é, tendo em conta as dimensões das amostras efectivas.
3. Recordo médias da nossa pool de previsões:
PSD: 34,2%
PS: 32,2%
CDS-PP: 11,9%
CDU: 8,4%
BE: 7,2%
Giro, não é?
P.S.- O quadro anterior tinha um erro numa sondagem da Intercampus e outro numa sondagem Aximage. Agradeço a Fernando Pereira Bastos. Acrescento também que as sondagens da Aximage têm sido apresentadas sem distribuir indecisos. Para tornar os seus resultados comparáveis com os das restantes, tratei os indecisos como abstencionistas.
O que acontece quando se proíbe a publicação de sondagens durante a campanha?
Em Itália, as sondagens são proibidas a partir de duas semanas antes do dia das eleições. Mas neste fim de semana há eleições locais, incluindo em Milão. Como fazer? Assim:
Obrigado ao Goffredo Adinolfi pela dica.
Ed ecco a voi le ultimissime corse clandestine. Come al solito i nostri osservatori vogliono rimanere segreti (il perché è facilmente capibile da chi è pratico dell meccanismo delle corse clandestine). Vi assicuro, però, che sono stati tra gli osservatori più precisi nello scorso turno (se non i migliori).
Ma ecco i risultati!
milano (davanti a 64 mila spettatori)
ferrari 54 km (-1 km)
red bull 46 km (+1 km)
red bull 46 km (+1 km)
napoli ( davanti a 58 mila spettatori)
toro rosso 51 km (-1 km)
red bull 49 km (+1 km)
red bull 49 km (+1 km)
cagliari (davanti a 59 mila spettatori)
ferrari 52 km (-1 km)
red bull 48 km (+1 km)
red bull 48 km (+1 km)
Obrigado ao Goffredo Adinolfi pela dica.
sexta-feira, maio 27, 2011
Eurosondagem, 23-26 Maio, N=(temos de falar sobre o assunto), Tel.
PSD: 33,9%
PS: 32,3%
CDS-PP: 13,4%
CDU: 7,9%
BE: 6,3%
Aqui. Eu vou ter de dedicar um post específico a este assunto mas agora não tenho tempo. A única coisa que interessa dizer para já é que quatro das cinco empresas de sondagens já estão em consenso: principais partidos muito próximos, vantagem, a existir, para o PSD.
P.S- Digo "já estão" na expectativa de que o que está a suceder seja o padrão habitual de convergência entre as sondagens nas últimas duas semanas. Mas o que se segue pode desmentir isto...
PS: 32,3%
CDS-PP: 13,4%
CDU: 7,9%
BE: 6,3%
Aqui. Eu vou ter de dedicar um post específico a este assunto mas agora não tenho tempo. A única coisa que interessa dizer para já é que quatro das cinco empresas de sondagens já estão em consenso: principais partidos muito próximos, vantagem, a existir, para o PSD.
P.S- Digo "já estão" na expectativa de que o que está a suceder seja o padrão habitual de convergência entre as sondagens nas últimas duas semanas. Mas o que se segue pode desmentir isto...
Intercampus, 21-26 Maio, N=1015, Tel.
PSD: 35,8% (+0,1)
PS: 34,1% (=)
CDS-PP: 11,4% (-0,6)
CDU: 7,7% (+0,2)
BE: 6,5% (+0,3)
Aqui. Comparação com a sondagem cujo trabalho de campo terminou dia 19.
PS: 34,1% (=)
CDS-PP: 11,4% (-0,6)
CDU: 7,7% (+0,2)
BE: 6,5% (+0,3)
Aqui. Comparação com a sondagem cujo trabalho de campo terminou dia 19.
Comentários
Só para dizer que tento responder a todos os comentários que contenham perguntas, mas às vezes faço-o tarde. E pode-me passar algum. Se assim for, insistam. E queria também dizer que para os pessimistas na qualidade do debate público sobre sondagens ou na qualidade dos comentários nos blogues - e eu sou às vezes um deles - ler aquilo que vocês têm escrito aqui é um verdadeiro bálsamo.
Eurosondagem, N=1550, 23-25 Maio, Tel.
O resultado apresentado pela Eurosondagem de hoje parece-me ser a média ponderada dos resultados de 3 dias de trabalho de campo, um com 525 inquiridos, outro com 510 inquiridos, e outro com 515 inquiridos.
PSD: 33,6%
PS: 32,5%
CDS-PP: 12,8%
CDU: 8,1%
BE: 6,5%
Aqui.
PSD: 33,6%
PS: 32,5%
CDS-PP: 12,8%
CDU: 8,1%
BE: 6,5%
Aqui.
quinta-feira, maio 26, 2011
Gráfico actualizado
Nota: tomei as recentes duas sondagens da Eurosondagem como sendo uma única, com uma amostra de 1035, terminada anteontem.
quarta-feira, maio 25, 2011
Eurosondagem, 24 de Maio, N=1035, Tel.
PSD: 33,7% (+0,6)
PS: 32,0% (-0,6)
CDS-PP: 13,2% (-0,5)
CDU: 8,1% (+0,5)
BE: 6,7% (+0,1)
Aqui. Estes resultados representam a média entre o trabalho de campo de dia 23 (sondagem divulgada ontem) e o trabalho de campo de ontem. A comparação é com os resultados divulgados ontem. Daqui em diante tentarei apenas comparar amostras independentes. Espero estar a compreender correctamente o que foi feito do ponto de vista da dimensão da amostra.
PS: 32,0% (-0,6)
CDS-PP: 13,2% (-0,5)
CDU: 8,1% (+0,5)
BE: 6,7% (+0,1)
Aqui. Estes resultados representam a média entre o trabalho de campo de dia 23 (sondagem divulgada ontem) e o trabalho de campo de ontem. A comparação é com os resultados divulgados ontem. Daqui em diante tentarei apenas comparar amostras independentes. Espero estar a compreender correctamente o que foi feito do ponto de vista da dimensão da amostra.
Sondagens nas eleições britânicas de 2010
Um ano depois das eleições no Reino Unido, um número especial do Journal of Elections, Public Opinion and Parties sobre o assunto. E de acesso livre, ainda por cima. Com alguns dos melhores especialistas mundiais no estudo do comportamento eleitoral. Artigos sobre as lideranças, a decisão do voto e as consequências dos resultados. E dois sobre sondagens:
Why Did the Polls Overestimate Liberal Democrat Support? Sources of Polling Error in the 2010 British General Election.
Confounding the Commentators: How the 2010 Exit Poll Got it (More or Less) Right.
Um deles começa assim:
"Pollsters once again found themselves in the firing line in the aftermath of the 2010 British general election." Ah, como vos compreendo.
E conclui:
"During the 2010 British general election campaign the polling industry as a whole exhibited a bias: it overestimated Liberal Democrat support. Our analysis demonstrates that it is very unlikely this could have been the consequence of a late swing in public opinion. It was also not clearly the result of any of the polling methodological features we tested." Ora bolas. E ah, como vos compreendo.
Why Did the Polls Overestimate Liberal Democrat Support? Sources of Polling Error in the 2010 British General Election.
Confounding the Commentators: How the 2010 Exit Poll Got it (More or Less) Right.
Um deles começa assim:
"Pollsters once again found themselves in the firing line in the aftermath of the 2010 British general election." Ah, como vos compreendo.
E conclui:
"During the 2010 British general election campaign the polling industry as a whole exhibited a bias: it overestimated Liberal Democrat support. Our analysis demonstrates that it is very unlikely this could have been the consequence of a late swing in public opinion. It was also not clearly the result of any of the polling methodological features we tested." Ora bolas. E ah, como vos compreendo.
Alguns resultados interessantes da sondagem do CESOP
Tal como apresentados no DN de hoje:
1. 85% dos inquiridos afirma não ter lido sequer uma parte dos programas eleitorais de qualquer partido.
2. Os únicos líderes políticos cuja avaliação desce em relação à sondagem anterior são Cavaco Silva e José Sócrates.
3. PSD é visto por mais pessoas como tendo as melhores soluções para o relançamento económico do país do que o PS; na Saúde e na Educação a situação inverte-se.
4. 30% dos inquiridos acham que há um partido que faria melhor do que o actual se fosse governo. Parecendo eventualmente um valor baixo, é comparativamente elevado em relação a sondagens anteriores.
1. 85% dos inquiridos afirma não ter lido sequer uma parte dos programas eleitorais de qualquer partido.
2. Os únicos líderes políticos cuja avaliação desce em relação à sondagem anterior são Cavaco Silva e José Sócrates.
3. PSD é visto por mais pessoas como tendo as melhores soluções para o relançamento económico do país do que o PS; na Saúde e na Educação a situação inverte-se.
4. 30% dos inquiridos acham que há um partido que faria melhor do que o actual se fosse governo. Parecendo eventualmente um valor baixo, é comparativamente elevado em relação a sondagens anteriores.
Encontros na Universidade do Minho
Sondagens: a realidade e os mitos, com Marcelo Rebelo de Sousa, Henrique Monteiro, José Leite Pereira, Dinis Pestana e Estelita Vaz, moderado por Felisbela Lopes. Dia 26, 5ª feira, às 21.00h, na Reitoria.
Indecisos
1. Quantos são? 28%? 25,1%? 25,4%? Ou 8,3%? Ou 33,3%? Qualquer discussão sobre este assunto tem de começar por reconhecer que o conceito de "indecisos" captado por estas sondagens terá quase certamente de ser diferente. Indecisos sobre se vão votar mas decididos sobre o partido? Decididos que vão votar mas indecisos sobre como? As duas coisas? Isto mais não os que não querem responder à questão sobre se vão votar? Ou os que não querem responder à questão sobre em que partido votariam? Ambas? O quê?
2. Presumindo que as empresas medem isto de forma internamente consistente, há mais qualquer coisa que podemos dizer. A 10 de Setembro de 2009, a duas semanas das eleições, a Católica captava que 19% do eleitores manifestavam tencionar votar mas diziam não saber em quem. A uma semana das eleições, esse valor tinha baixado para 17%. Agora, a duas semanas das eleições, estamos com 28%. Mas notem como as coisas se complicam quando olhamos para a Marktest: em 2009, na última sondagem antes de eleições, a Marktest captava 37% de indecisos. Na mais recente, 33,3%. Mas na última sondagem de Setembro de 2009 apenas 2,6% de pessoas diziam que não iriam votar! Vou ser franco: acho que na Marktest há muita abstenção misturada com indecisão e vou-me arriscar a dizer que nestas eleições parece haver uma percentagem superior de pessoas que se sente indecisa em comparação com 2009.
3. Porque estas coisas mudam mesmo de eleição para eleição. Segundo os dados dos inquéritos pós-eleitorais do projecto Comportamento Eleitoral dos Portugueses, eis as percentagens de eleitores em relação ao total (incluindo abstencionistas) que afirmam ter decidido em quem votar na última semana antes da eleição:
2002: 9%
2005: 17%
2009: 10%
4. Como tratar os indecisos numa sondagem de intenção de voto?
- Primeiro seria importante garantir que estamos a falar da mesma coisa. Tal como os dados iniciais sugerem, não estamos.
- Segundo, seria importante garantir que os dados brutos estão sempre disponíveis: distribuir os indecisos desta ou daquele forma é importante para que os resultados das sondagens sejam comparáveis entre si e comparáveis com os resultados de eleições, mas os leitores devem ter acesso aos dados antes de qualquer distribuição. Hoje em dia, pelo menos através dos depósitos na ERC, essa informação existe.
- Terceiro: não há consenso sobre a melhor maneira de lidar com a questão. Nos Estados Unidos, a grande discussão é a de saber se os indecisos devem ser distribuidos igualmente ou proporcionalmente pelos dois principais partidos, ou ainda se se deve usar uma pergunta de "inclinação de voto". Há estratégias mais complicadas, mas tendem a ser usadas mais por analistas dos resultados do que pelas empresas, precisamente por serem complicadas e difíceis de transmitir. E quando são usadas pelas empresas - "o challenger rule" da Gallup, por exemplo, que supõe que os indecisos se inclinam mais para o partido menos votado - isso baseia-se em conhecimento de um contexto completamente diferente do nosso. Em Portugal, naturalmente, ninguém redistribui indecisos igualmente pelos partidos: isso não faz sentido num sistema multipartidário. O que se faz é ou tratá-los como abstencionistas (o que significa distribui-los proporcionalmente pelas opções válidas) ou usar uma pergunta de inclinação de voto (Católica).
5. O que não se faz: nenhuma empresa redistribui na base de resultados eleitorais passados; nenhuma empresa pondera os seus resultados na base de recordações de voto em eleições anteriores. Digo isto porque vi a confusão surgir quer em comentários a este blogue quer num debate ontem na SIC Notícias.
2. Presumindo que as empresas medem isto de forma internamente consistente, há mais qualquer coisa que podemos dizer. A 10 de Setembro de 2009, a duas semanas das eleições, a Católica captava que 19% do eleitores manifestavam tencionar votar mas diziam não saber em quem. A uma semana das eleições, esse valor tinha baixado para 17%. Agora, a duas semanas das eleições, estamos com 28%. Mas notem como as coisas se complicam quando olhamos para a Marktest: em 2009, na última sondagem antes de eleições, a Marktest captava 37% de indecisos. Na mais recente, 33,3%. Mas na última sondagem de Setembro de 2009 apenas 2,6% de pessoas diziam que não iriam votar! Vou ser franco: acho que na Marktest há muita abstenção misturada com indecisão e vou-me arriscar a dizer que nestas eleições parece haver uma percentagem superior de pessoas que se sente indecisa em comparação com 2009.
3. Porque estas coisas mudam mesmo de eleição para eleição. Segundo os dados dos inquéritos pós-eleitorais do projecto Comportamento Eleitoral dos Portugueses, eis as percentagens de eleitores em relação ao total (incluindo abstencionistas) que afirmam ter decidido em quem votar na última semana antes da eleição:
2002: 9%
2005: 17%
2009: 10%
4. Como tratar os indecisos numa sondagem de intenção de voto?
- Primeiro seria importante garantir que estamos a falar da mesma coisa. Tal como os dados iniciais sugerem, não estamos.
- Segundo, seria importante garantir que os dados brutos estão sempre disponíveis: distribuir os indecisos desta ou daquele forma é importante para que os resultados das sondagens sejam comparáveis entre si e comparáveis com os resultados de eleições, mas os leitores devem ter acesso aos dados antes de qualquer distribuição. Hoje em dia, pelo menos através dos depósitos na ERC, essa informação existe.
- Terceiro: não há consenso sobre a melhor maneira de lidar com a questão. Nos Estados Unidos, a grande discussão é a de saber se os indecisos devem ser distribuidos igualmente ou proporcionalmente pelos dois principais partidos, ou ainda se se deve usar uma pergunta de "inclinação de voto". Há estratégias mais complicadas, mas tendem a ser usadas mais por analistas dos resultados do que pelas empresas, precisamente por serem complicadas e difíceis de transmitir. E quando são usadas pelas empresas - "o challenger rule" da Gallup, por exemplo, que supõe que os indecisos se inclinam mais para o partido menos votado - isso baseia-se em conhecimento de um contexto completamente diferente do nosso. Em Portugal, naturalmente, ninguém redistribui indecisos igualmente pelos partidos: isso não faz sentido num sistema multipartidário. O que se faz é ou tratá-los como abstencionistas (o que significa distribui-los proporcionalmente pelas opções válidas) ou usar uma pergunta de inclinação de voto (Católica).
5. O que não se faz: nenhuma empresa redistribui na base de resultados eleitorais passados; nenhuma empresa pondera os seus resultados na base de recordações de voto em eleições anteriores. Digo isto porque vi a confusão surgir quer em comentários a este blogue quer num debate ontem na SIC Notícias.
terça-feira, maio 24, 2011
Do not panic
2005. No fim de Janeiro, dia 28, uma sondagem atribuía 45% de intenções de voto ao partido A, com 13 pontos de vantagem sobre o partido B. Mas logo no dia 1 de Fevereiro, outra dava 49% de intenções de voto ao A, 18 pontos sobre o B. Dia 11, era publicada outra sondagem que dava 48% para o A, mas no dia seguinte era divulgada uma que lhe dava 44,4%. Na última semana, as estimativas para o partido A oscilaram entre 43% e 46,8%, quase 4 pontos de diferença. E a margem do A sobre o B? Entre 12 e 19,2 pontos.
2009. A 9 de Setembro, terminou o trabalho de campo de uma sondagem que obtinha 34% de intenções de voto para o partido A, com uma muito escassa vantagem de 0,9 pontos sobre o partido B. Mas quatro dias depois, terminava o trabalho de campo de outra sondagem que dava 38% ao partido A, 6 pontos de vantagem sobre o partido B. No dia seguinte, o partido A aparecia com 32,9%. Mas menos de uma semana depois todas as sondagens davam uma vantagem muito mais confortável ao partido A.
As histórias anteriores estão documentadas aqui e aqui. Elas servem para percebermos que o que então ia acontecendo nas semanas que antecederam essas eleições não é necessariamente diferente do que está a ocorrer agora. Como os dois principais partidos estão aparentemente mais próximos entre si do que em 2005 ou 2009, notamos mais a dispersão dos resultados de uma sondagem para outra. Mas é só isso. Do not panic. As sondagens são isto mesmo, e os eleitores também. Só é preciso ter cuidado com as precipitações.
2009. A 9 de Setembro, terminou o trabalho de campo de uma sondagem que obtinha 34% de intenções de voto para o partido A, com uma muito escassa vantagem de 0,9 pontos sobre o partido B. Mas quatro dias depois, terminava o trabalho de campo de outra sondagem que dava 38% ao partido A, 6 pontos de vantagem sobre o partido B. No dia seguinte, o partido A aparecia com 32,9%. Mas menos de uma semana depois todas as sondagens davam uma vantagem muito mais confortável ao partido A.
As histórias anteriores estão documentadas aqui e aqui. Elas servem para percebermos que o que então ia acontecendo nas semanas que antecederam essas eleições não é necessariamente diferente do que está a ocorrer agora. Como os dois principais partidos estão aparentemente mais próximos entre si do que em 2005 ou 2009, notamos mais a dispersão dos resultados de uma sondagem para outra. Mas é só isso. Do not panic. As sondagens são isto mesmo, e os eleitores também. Só é preciso ter cuidado com as precipitações.
Eurosondagem, N=525, 23 Maio, Tel.
PSD: 33,1% (-2,7)
PS: 32,6% (+0,1)
CDS-PP: 13,7% (+2,6)
CDU: 7,6% (-0,1)
BE: 6,6% (=)
Aqui. Comparação com última sondagem da mesma empresa, de 3 de Maio.
PS: 32,6% (+0,1)
CDS-PP: 13,7% (+2,6)
CDU: 7,6% (-0,1)
BE: 6,6% (=)
Aqui. Comparação com última sondagem da mesma empresa, de 3 de Maio.
CESOP/Católica, 21-22 Maio, N=1136, Presencial
PSD: 36% (+2)
PS: 36% (=)
CDS-PP: 10% (=)
CDU: 9% (=)
BE: 6% (+1)
Aqui. Comparação é com a última sondagem do CESOP, de 1 de Maio.
PS: 36% (=)
CDS-PP: 10% (=)
CDU: 9% (=)
BE: 6% (+1)
Aqui. Comparação é com a última sondagem do CESOP, de 1 de Maio.
O efeito dos debates
Com a sondagem de ontem, e dependendo do que se siga hoje e nos próximos dias, a ideia de que o debate Sócrates/Passos Coelho pode ter afectado as intenções de voto vai fazer o seu caminho. Mas algumas notas sobre o assunto:
1. O CESOP fez-me chegar o relatório síntese da sondagem feita após o debate. É exactamente a mesma informação, e nada mais, do que está depositado na ERC e será disponibilizado no seu site, pelo que não tenho acesso a informação privilegiada. E os resultados são muito interessantes: a "vitória" de Passos dá-se por duas razões. Primeiro, enquanto que 74% dos simpatizantes do PS acharam que Sócrates ganhou, 88% dos simpatizantes do PSD acharam que Passos ganhou. Entre os restantes, houve empate para 21%, 34% achou que Sócrates ganhou e 34% achou que Passos ganhou. Segundo, ao contrário do que sucede na população em geral, a amostra daqueles que assistiram ao debate tem mais simpatizantes do PSD que do PS. Por outras palavras:
- houve exposição selectiva: o debate atraiu desproporcionalmente os eleitores que se identificam com o PSD;
- entre os que assistiram, as prediposições dos eleitores fiéis ao PSD foram mais reforçadas pelo debate do que as dos eleitores fiéis ao PS;
- logo, o resultado final é que, das pessoas que assistiram, há mais gente que acha que PPC ganhou do que JS ganhou.
Entre os que simpatizam com outros partidos e os que não simpatizam com partido algum, 71% disseram que o debate não contribuiu para definir a sua intenção de voto.
2. A investigação sobre a matéria nos Estados Unidos é, como de costume, imensa. Um resumo possível das conclusões é que o efeito dos debates nas intenções de voto é real, mas a sua dimensão é muito heterogénea de estudo para estudo e de eleição para eleição. Mais interessante é a possibilidade de que os debates afectem indirectamente o voto, ao mudarem os temas de relevância para as pessoas e a sua percepção da personalidade dos candidatos (mas não a percepção da sua competência). Em geral, contudo, o cânone sobre isto - e a ideia que muitos tentam refutar, mas raramente com sucesso - é que os debates reforçam preferências pré-existentes e têm um efeito líquido de conversão de eleitores bastante pequeno.
3. Tom Holbrook, o autor do excelente Do Campaigns Matter?, mostrava há uns anos que "the norm is for very little swing in candidate support following debates. Across all thirteen presidential debates the average absolute change in candidate support was 1 percentage point."
4. Em Portugal, o que se sabe? Cito Eduardo Cintra Torres num estudo empírico neste livro:"os debates servem funções de reforço e de certeza de voto, não sendo possível confirmar estatisticamente com as fontes disponíveis uma ligação a um efeito de conversão do eleitorado" (p. 102). Mas ECT avisa também que "não só cada eleição é um caso, como cada candidato deve se tratado como um caso". Daqui a dias talvez tenhamos uma visão mais clara do que se pode estar a passar em 2011.
P.S.- A culpa é toda minha, porque usei neste post o termo "ganhar o debate". Peço desculpa. Na verdade, o que a sondagem pergunta é "quem é que lhe parece que esteve melhor no debate de hoje?", tal como tinha mostrado aqui. Importa também dizer que a sondagem colocou perguntas sobre quem tem melhores propostas para diferentes áreas. Não sei se isto muda muito estas reflexões, mas era só para clarificar.
1. O CESOP fez-me chegar o relatório síntese da sondagem feita após o debate. É exactamente a mesma informação, e nada mais, do que está depositado na ERC e será disponibilizado no seu site, pelo que não tenho acesso a informação privilegiada. E os resultados são muito interessantes: a "vitória" de Passos dá-se por duas razões. Primeiro, enquanto que 74% dos simpatizantes do PS acharam que Sócrates ganhou, 88% dos simpatizantes do PSD acharam que Passos ganhou. Entre os restantes, houve empate para 21%, 34% achou que Sócrates ganhou e 34% achou que Passos ganhou. Segundo, ao contrário do que sucede na população em geral, a amostra daqueles que assistiram ao debate tem mais simpatizantes do PSD que do PS. Por outras palavras:
- houve exposição selectiva: o debate atraiu desproporcionalmente os eleitores que se identificam com o PSD;
- entre os que assistiram, as prediposições dos eleitores fiéis ao PSD foram mais reforçadas pelo debate do que as dos eleitores fiéis ao PS;
- logo, o resultado final é que, das pessoas que assistiram, há mais gente que acha que PPC ganhou do que JS ganhou.
Entre os que simpatizam com outros partidos e os que não simpatizam com partido algum, 71% disseram que o debate não contribuiu para definir a sua intenção de voto.
2. A investigação sobre a matéria nos Estados Unidos é, como de costume, imensa. Um resumo possível das conclusões é que o efeito dos debates nas intenções de voto é real, mas a sua dimensão é muito heterogénea de estudo para estudo e de eleição para eleição. Mais interessante é a possibilidade de que os debates afectem indirectamente o voto, ao mudarem os temas de relevância para as pessoas e a sua percepção da personalidade dos candidatos (mas não a percepção da sua competência). Em geral, contudo, o cânone sobre isto - e a ideia que muitos tentam refutar, mas raramente com sucesso - é que os debates reforçam preferências pré-existentes e têm um efeito líquido de conversão de eleitores bastante pequeno.
3. Tom Holbrook, o autor do excelente Do Campaigns Matter?, mostrava há uns anos que "the norm is for very little swing in candidate support following debates. Across all thirteen presidential debates the average absolute change in candidate support was 1 percentage point."
4. Em Portugal, o que se sabe? Cito Eduardo Cintra Torres num estudo empírico neste livro:"os debates servem funções de reforço e de certeza de voto, não sendo possível confirmar estatisticamente com as fontes disponíveis uma ligação a um efeito de conversão do eleitorado" (p. 102). Mas ECT avisa também que "não só cada eleição é um caso, como cada candidato deve se tratado como um caso". Daqui a dias talvez tenhamos uma visão mais clara do que se pode estar a passar em 2011.
P.S.- A culpa é toda minha, porque usei neste post o termo "ganhar o debate". Peço desculpa. Na verdade, o que a sondagem pergunta é "quem é que lhe parece que esteve melhor no debate de hoje?", tal como tinha mostrado aqui. Importa também dizer que a sondagem colocou perguntas sobre quem tem melhores propostas para diferentes áreas. Não sei se isto muda muito estas reflexões, mas era só para clarificar.
Sondagens e os "outros": uma sugestão
O que está aqui em cima é uma parte de um quadro de relatório-síntese de uma das sondagens que fiz para a Católica há uns anos. Queria chamar a atenção para o asterisco referente a "outros": dá-se a informação do número de inquiridos na amostra que declara tencionar votar em partidos que não os cinco principais. Comecei a fazer isto inspirado pelas sondagens em França, onde esta informação é também facultada. Eu acho que isto devia ser sistematicamente mostrado. É perfeitamente compreensível e correcto que as sondagens não apresentem resultados percentuais para partidos que valem menos de 1% das intenções de voto. Mas os "pequenos partidos" já têm obstáculos suficientes para fazer passar as suas ideias para ainda por cima as sondagens fazerem de conta que eles não existem. Não custa nada dar esta informação, desta ou de outra maneira qualquer que se entenda mais apropriada. Mas dá-la.
segunda-feira, maio 23, 2011
Intercampus, 18-22 Maio, N=1021, Tel.
PSD: 39,6% (+ 3,5)
PS: 33,2% (- 2,2)
CDS-PP: 12,1% (- 0,5)
CDU: 6,6% (- 0,9)
BE: 5,6% (-0,6)
Aqui. A comparação é com a sondagem cujo trabalho de campo terminou a 15 de Maio.
PS: 33,2% (- 2,2)
CDS-PP: 12,1% (- 0,5)
CDU: 6,6% (- 0,9)
BE: 5,6% (-0,6)
Aqui. A comparação é com a sondagem cujo trabalho de campo terminou a 15 de Maio.
House effects
Esqueçam a questão da percentagem de intenções de voto em cada partido. Coloquem uma outra questão: qual foi a evolução ao longo do tempo para cada um? Subiu, desceu, quando? O que tenho abaixo é um gráfico que mostra a tendência para cada partido, a partir de estimativas para cada mês (e para a 1ª e 2ª metades de Maio) "limpas" de house effects. A distribuição, a ordem dos partidos no gráfico (é a dos resultados eleitorais de 2009), etc, mais uma vez repito, nada disso é importante aqui: dependendo da empresa que colocamos como categoria de referência, essas distribuições mudam. Mas a evolução de um momento para o outro é sempre igual independentemente disso.
O gráfico mostra que a grande descida do PSD ocorre de Março para Abril, e que é concomitante com uma subida do PS no mesmo período. O PSD continua a descer de Abril para a 1ª metade de Maio, e desta vez essa descida é concomitante não com uma nova subida do PS mas com uma subida do CDS-PP. Subida essa que continua quando comparamos as sondagens da 1ª metade com Maio com as mais recentes, ao passo que o PS dá sinais (ligeiros) de descida. Dito isto, a "2ª metade de Maio" é um conceito ainda vago e indeterminado, dado que temos apenas duas e o mês ainda não chegou ao fim. Mas estas estimativas usam o facto de essas duas sondagens terem sido feitas pala Intercampus e pela Aximage e tomam em conta o que isso implicou no passado.
É a primeira vez que apresento as coisas assim e isto pode não estar claro. Tentarei explicar melhor se for preciso.
O gráfico mostra que a grande descida do PSD ocorre de Março para Abril, e que é concomitante com uma subida do PS no mesmo período. O PSD continua a descer de Abril para a 1ª metade de Maio, e desta vez essa descida é concomitante não com uma nova subida do PS mas com uma subida do CDS-PP. Subida essa que continua quando comparamos as sondagens da 1ª metade com Maio com as mais recentes, ao passo que o PS dá sinais (ligeiros) de descida. Dito isto, a "2ª metade de Maio" é um conceito ainda vago e indeterminado, dado que temos apenas duas e o mês ainda não chegou ao fim. Mas estas estimativas usam o facto de essas duas sondagens terem sido feitas pala Intercampus e pela Aximage e tomam em conta o que isso implicou no passado.
É a primeira vez que apresento as coisas assim e isto pode não estar claro. Tentarei explicar melhor se for preciso.
domingo, maio 22, 2011
sábado, maio 21, 2011
CESOP/Católica, 21 Maio, N=659, Tel.
Quem esteve melhor no debate?
Passos Coelho: 46,4%
José Sócrates: 33,9%
Empate: 12,7%
Ns/Nr: 7%
O debate contribuiu para definir o seu sentido de voto?
Não: 59,3%
Pouco: 8,6%
Contribuiu ou contribuiu muito: 32%
Quem apresentou as melhores propostas...
Para relançar a economia?
PPC: 50,5%
JS: 25,3%
Ns/Nr: 24,1%
Na saúde?
Para melhorar a vida dos portugueses?
Algumas notas:
- Casas decimais? Ora bolas.
- O universo é o dos eleitores no Continente que viram o debate.
- Tudo isto é interessante, mas mais interessante ainda seria ter cruzamentos disto com identificação partidária, posição ideológica, intenção de votar e intenção de voto. Pode ser que lá estejam quando formos ver o depósito na ERC.
- Esta sondagem devia ter mais destaque noticioso. É raro - e muito difícil - fazer trabalhos destes.
Passos Coelho: 46,4%
José Sócrates: 33,9%
Empate: 12,7%
Ns/Nr: 7%
O debate contribuiu para definir o seu sentido de voto?
Não: 59,3%
Pouco: 8,6%
Contribuiu ou contribuiu muito: 32%
Quem apresentou as melhores propostas...
Para relançar a economia?
PPC: 50,5%
JS: 25,3%
Ns/Nr: 24,1%
Na saúde?
PPC: 44,6%
JS: 32,2%
Ns/Nr: 23,2%
Para melhorar a vida dos portugueses?
PPC: 47,8%
JS: 23,1%
Ns/Nr: 29,1%
Aqui.
Algumas notas:
- Casas decimais? Ora bolas.
- O universo é o dos eleitores no Continente que viram o debate.
- Tudo isto é interessante, mas mais interessante ainda seria ter cruzamentos disto com identificação partidária, posição ideológica, intenção de votar e intenção de voto. Pode ser que lá estejam quando formos ver o depósito na ERC.
- Esta sondagem devia ter mais destaque noticioso. É raro - e muito difícil - fazer trabalhos destes.
A situação
Das oito sondagens (com amostras independentes) conduzidas em Maio, temos como média:
PSD: 35,5%
PS: 33,8%
CDS-PP: 11,5%
CDU: 7,9%
BE: 6,2%
Dito isto, importa não esquecer que o conjunto de todas estas sondagens de Maio representa já uma "amostra" de quase 8000 pessoas e que, desse ponto de vista, poder-se-ia dizer, sob certos pressupostos, que a vantagem do PSD é pequena mas estatisticamente significativa.
PSD: 35,5%
PS: 33,8%
CDS-PP: 11,5%
CDU: 7,9%
BE: 6,2%
Dito isto, importa não esquecer que o conjunto de todas estas sondagens de Maio representa já uma "amostra" de quase 8000 pessoas e que, desse ponto de vista, poder-se-ia dizer, sob certos pressupostos, que a vantagem do PSD é pequena mas estatisticamente significativa.
Mais gráficos
Chamaram-me muito a atenção comentários que, baseados no gráfico anterior, se referiram a "tendências" e projecções na base dessas tendências. Peço muito cuidado com esse tipo de raciocínio. O gráfico que tenho vindo a apresentar resulta de uma escolha inicial que, não sendo completamente arbitrária (quis que fosse bastante sensível a eventos recentes), não tem nenhum fundamento "absoluto". E a partir dessa escolha inicial tenho apenas sido consistente. Mas reparem no que sucede se eu passar a largura de banda para o smoother de 10% para 20% (ou seja, aumentando as observações recentes que são tomadas em conta):
Já parece algo diferente, correcto? Eu sei que há uma bibliografia sobre selecção de largura de banda para smoothers, mas sinceramente não tenho competência suficiente para isso. Se alguém estiver a ler isto e tenha ideias sobre o assunto por favor diga.
Já parece algo diferente, correcto? Eu sei que há uma bibliografia sobre selecção de largura de banda para smoothers, mas sinceramente não tenho competência suficiente para isso. Se alguém estiver a ler isto e tenha ideias sobre o assunto por favor diga.
sexta-feira, maio 20, 2011
Aximage, 14-18 Maio, N=750, Tel.
PSD: 31,1%
PS: 29,5%
CDS-PP: 12,9%
CDU: 7,3%
BE: 5,2%
Indecisos: 8,3%
Aqui. O que acontece se tratarmos os indecisos como abstencionistas, assim tornando os resultados desta sondagem comparáveis com resultados eleitorais e das restantes sondagens?
PSD: 33,9% (=)
PS: 32,2% (+1,7)
CDS-PP: 14,1% (+2,0)
CDU: 8,0% (-2,0)
BE: 5,7% (-2,6)
PS: 29,5%
CDS-PP: 12,9%
CDU: 7,3%
BE: 5,2%
Indecisos: 8,3%
Aqui. O que acontece se tratarmos os indecisos como abstencionistas, assim tornando os resultados desta sondagem comparáveis com resultados eleitorais e das restantes sondagens?
PSD: 33,9% (=)
PS: 32,2% (+1,7)
CDS-PP: 14,1% (+2,0)
CDU: 8,0% (-2,0)
BE: 5,7% (-2,6)
Intercampus, 14-19 Maio, N=1018, Tel.
PSD: 35,7% (+1,8)
PS: 34,1% (-2,7)
CDS-PP: 12,8% (-0,6)
CDU: 7,5% (+0,1)
BE: 6,8% (+0,8)
Aqui. A comparação é feita com a sondagem cujo trabalho de campo terminou dia 12 de Maio.
PS: 34,1% (-2,7)
CDS-PP: 12,8% (-0,6)
CDU: 7,5% (+0,1)
BE: 6,8% (+0,8)
Aqui. A comparação é feita com a sondagem cujo trabalho de campo terminou dia 12 de Maio.
Um comentário
"O programa Opinião Pública desta tarde na SIC Notícias, está a perguntar aos tele-espectadores se acreditam na possibilidade de "empate técnico" nas eleições 'tal como apontam as sondagens'."
Acrescento apenas que, apesar deste fascinante tema não receber suficiente atenção no debate público em Portugal, há pelo menos um importante precedente.
Acrescento apenas que, apesar deste fascinante tema não receber suficiente atenção no debate público em Portugal, há pelo menos um importante precedente.
As "tracking polls"
Com as sondagens feitas pela Intercampus para a TVI e o Público e com o que está previsto a partir da próxima semana por parte da Eurosondagem para a SIC e o Expresso, a questão do que é uma "tracking poll" volta a levantar-se. Uma boa maneira de começar a perceber bem do que se trata é ler esta nota da CNN sobre o assunto. Mas deixem-me que cite a melhor fonte sobre o tema para este efeito, o muito útil e acessível The Voter's Guide to Election Polls de Michael Traugott e Paul Lavrakas (p. 17, 2ª edição, 2000, tradução minha):
"As tracking polls usam diferentes técnicas metodológicas para produzir estimativas diárias durante as últimas duas a quatro semanas da campanha. Por exemplo, pequenas amostras de inquiridos podem ser contactadas via telefone todos os dias e sujeitos a breves séries de questões. Em si mesmas, estas amostras diárias de 100 a 200 entrevistas são demasiado pequenas para fornecer estimativas precisas do apoio a este ou aquele candidato ou da vantagem de um candidato sobre outro. Logo, as empresas de sondagens facultam médias 'rolantes' de três dias consecutivos de entrevistas para fornecer as estimativas. Assim, entrevistas conduzidas numa 2ª feira em Outubro contribuem para a produção de estimativas de períodos de três dias cobrindo Sábado-Domingo-2ª feira, Domingo-2ª feira- 3ª feira, e 2ª feira-3ªfeira-4ª feira, por exemplo.
Cada uma destas estimativas acaba assim por ser baseada em 500 a 600 entrevistas, agregadas ao longo destes períodos de três dias. Se o candidato A era apoiado por 49% da amostra no Sábado (baseado em 200 entrevistas), 45% da amostra no Domingo (baseado noutras 200 entrevistas) e 47% da amostra na 2ª feira (baseado em 200 entrevistas), o apoio médio para este período, divulgado na 3ª feira, seria 47% (baseado num total de 600 entrevistas)."
Traugott e Lavrakas explicam depois alguns dos problemas que algumas tracking polls podem ter (pp. 17-18):
- como são sondagens feitas numa única noite, podem não empregar os mesmos procedimentos para tentar recontactar os inquiridos quando não foi possível inquiri-los nessa noite;
- algumas empresas, para apressarem o trabalho, não escolhem os inquiridos aleatoriamente;
Eu acrescento:
- estes problemas apontados por Traugott e Lavrakas são problemas potenciais e habituais nos Estados Unidos, não significando isso que sejam problemas intrínsecos às tracking polls;
- o exemplo que dão não reflecte exactamente o que fazem aqui a Intercampus e fará a Eurosondagem, tendo números e períodos temporais diferentes. Mas o princípio é o mesmo;
- as tracking polls devem ser lidas com especial cuidado: se bem que tenham a vantagem de produzir informação diária que pode ser lida como indicando tendências, essas flutuações de dia para dia podem acabar por ser "sobre-interpretadas" como resultantes deste ou daquele facto, quando na realidade podem carecer de qualquer significância estatística.
Em estéreo com o Escrita Política da TSF.
"As tracking polls usam diferentes técnicas metodológicas para produzir estimativas diárias durante as últimas duas a quatro semanas da campanha. Por exemplo, pequenas amostras de inquiridos podem ser contactadas via telefone todos os dias e sujeitos a breves séries de questões. Em si mesmas, estas amostras diárias de 100 a 200 entrevistas são demasiado pequenas para fornecer estimativas precisas do apoio a este ou aquele candidato ou da vantagem de um candidato sobre outro. Logo, as empresas de sondagens facultam médias 'rolantes' de três dias consecutivos de entrevistas para fornecer as estimativas. Assim, entrevistas conduzidas numa 2ª feira em Outubro contribuem para a produção de estimativas de períodos de três dias cobrindo Sábado-Domingo-2ª feira, Domingo-2ª feira- 3ª feira, e 2ª feira-3ªfeira-4ª feira, por exemplo.
Cada uma destas estimativas acaba assim por ser baseada em 500 a 600 entrevistas, agregadas ao longo destes períodos de três dias. Se o candidato A era apoiado por 49% da amostra no Sábado (baseado em 200 entrevistas), 45% da amostra no Domingo (baseado noutras 200 entrevistas) e 47% da amostra na 2ª feira (baseado em 200 entrevistas), o apoio médio para este período, divulgado na 3ª feira, seria 47% (baseado num total de 600 entrevistas)."
Traugott e Lavrakas explicam depois alguns dos problemas que algumas tracking polls podem ter (pp. 17-18):
- como são sondagens feitas numa única noite, podem não empregar os mesmos procedimentos para tentar recontactar os inquiridos quando não foi possível inquiri-los nessa noite;
- algumas empresas, para apressarem o trabalho, não escolhem os inquiridos aleatoriamente;
Eu acrescento:
- estes problemas apontados por Traugott e Lavrakas são problemas potenciais e habituais nos Estados Unidos, não significando isso que sejam problemas intrínsecos às tracking polls;
- o exemplo que dão não reflecte exactamente o que fazem aqui a Intercampus e fará a Eurosondagem, tendo números e períodos temporais diferentes. Mas o princípio é o mesmo;
- as tracking polls devem ser lidas com especial cuidado: se bem que tenham a vantagem de produzir informação diária que pode ser lida como indicando tendências, essas flutuações de dia para dia podem acabar por ser "sobre-interpretadas" como resultantes deste ou daquele facto, quando na realidade podem carecer de qualquer significância estatística.
Em estéreo com o Escrita Política da TSF.
quinta-feira, maio 19, 2011
Shares na twitosfera até às 19h de ontem
Totais:
Evolução do share de menções:
Evolução do share de menções positivas:
E uma notícia no jornal i sobre o projecto REACTION.
Evolução do share de menções:
Evolução do share de menções positivas:
E uma notícia no jornal i sobre o projecto REACTION.
quarta-feira, maio 18, 2011
Keeping it (more or less) simple
Média das últimas 5 sondagens conduzidas por empresas diferentes:
PSD: 35,9%
PS: 33,6%
CDS-PP: 11,0%
CDU: 8,1%
BE: 6,2%
Média ponderada (dimensão da amostra) das últimas 5 sondagens conduzidas por empresas diferentes:
PSD: 35,9%
PS: 33,6%
CDS-PP: 11,0%
CDU: 8,1%
BE: 6,2%
Média ponderada (dimensão da amostra) das últimas 5 sondagens conduzidas por empresas diferentes:
PSD: 35,8%
PS: 33,7%
CDS-PP: 10,9%
CDU: 8,0%
BE: 6,1%
Pool de previsões (média):
PSD: 34,2%
PS: 32,2%
CDS-PP: 11,9%
CDU: 8,4%
BE: 7,2%
terça-feira, maio 17, 2011
Menções na twitosfera: evolução do share
Poucas observações? Sem dúvida. Amanhã estas linhas podem ficar bastante diferentes. Mera curiosidade? Talvez. É o que é, para já acho que é a única coisa que se pode dizer.
Bem, talvez mais qualquer coisinha. Paula Carvalho e outros colegas envolvidos no REACTION têm um paper onde analisam comentários a 10 notícias online do Público sobre os debates televisivos para as eleições de 2009. São 2.795 comentários, 3.537 frases anotadas, que foram analisadas manualmente (ao contrário do que temos aqui agora). Foram classificadas em termos dos seus alvos (os líderes) e a sua polaridade ( de "muito negativa" a "muito positiva"). O que descobriram? Entre outras coisas:
1. 60% das frases eram comentários negativos.
2. Sócrates era quem tinha mais comentários negativos, mas...
3. Foi o share de comentários positivos, não o total de comentários ou o saldo entre positivos e negativos, que mais se correlacionou com o voto.
Vamos então ver a evolução do share das menções positivas na twitosfera:
Há uma frase que me irrita brutalmente quando aplicada às sondagens mas que aqui acho que se aplica: isto vale o que vale. Mas com o tempo e a experiência poderemos talvez deixar de a usar e saber melhor o que realmente vale.
segunda-feira, maio 16, 2011
Intercampus, 11-15 Maio, N=1025, Tel.
PSD: 36,1% (-0,1)
PS: 35,4% (+0,3)
CDS-PP: 12,6% (+1,7)
CDU: 7,5% (-0,2)
BE: 6,2% (-0,3)
Por razões já aqui explicadas, a comparação é com a sondagem cujo trabalho de campo terminou a 8 de Maio.
PS: 35,4% (+0,3)
CDS-PP: 12,6% (+1,7)
CDU: 7,5% (-0,2)
BE: 6,2% (-0,3)
Por razões já aqui explicadas, a comparação é com a sondagem cujo trabalho de campo terminou a 8 de Maio.
El apasionante tobogán de las enigmáticas elecciones portuguesas del 5 de junio
Muita simpatia, e com um sabor especial para mim por vir de onde vem. Obrigado e cá o espero.
sábado, maio 14, 2011
Passos Coelho vs. Portas (das 19h do dia 13 às 7h dos dia 14)
A partir de hoje o REACTION está a gerar dados de 12 em 12 horas. Acho que nem é preciso comentar este.
sexta-feira, maio 13, 2011
House effects
Variação da estimativa de Abril para Maio (até agora):
PSD: - 1,5
PS: + 0,2
CDS-PP: + 2,1
CDU: - 0,2
BE: - 0,6
PSD: - 1,5
PS: + 0,2
CDS-PP: + 2,1
CDU: - 0,2
BE: - 0,6
Intercampus, 7-12 Maio, N=1029, Tel.
PS: 36,8% (+2,0)
PSD: 33,9% (-3,1)
CDS-PP: 13,4% (+2,9)
CDU: 7,4% (-0,5)
BE: 6,0% (-1,0)
Estou a comparar não com a última sondagem da Intercampus, mas sim com a imediatamente anterior a essa, dado que esta partilha 40% da amostra com a que terminou dia 8. Decidi também eliminar a sondagem anterior da base de dados a partir da qual faço os gráficos, de forma a ter apenas amostras independentes. Sei que em parte estou a perder informação, mas acho preferível assim.
P.S.- Este post já foi mudado três vezes de tão mal escrito que estava. Teve uma versão anterior, e outra anterior a essa, sendo que a segunda foi anterior à primeira, etc.
PSD: 33,9% (-3,1)
CDS-PP: 13,4% (+2,9)
CDU: 7,4% (-0,5)
BE: 6,0% (-1,0)
Estou a comparar não com a última sondagem da Intercampus, mas sim com a imediatamente anterior a essa, dado que esta partilha 40% da amostra com a que terminou dia 8. Decidi também eliminar a sondagem anterior da base de dados a partir da qual faço os gráficos, de forma a ter apenas amostras independentes. Sei que em parte estou a perder informação, mas acho preferível assim.
P.S.- Este post já foi mudado três vezes de tão mal escrito que estava. Teve uma versão anterior, e outra anterior a essa, sendo que a segunda foi anterior à primeira, etc.
quinta-feira, maio 12, 2011
Capítulo 1
Para abrir o apetite (ou para o matar definitivamente), com a autorização da FFMS, partilho aqui o primeiro capítulo do livro (.pdf).
Evolução do share de menções na twitosfera
Dados do REACTION. As cores explicam-se a si próprias, creio. Muita volatilidade, poucos dias, é o que há. Mas já é sugestivo.
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