Intercampus, 30 Set- 3 Out, N=609, Tel.
PSD: 53,5%
PS: 16,9%
CDS-PP:11,8%
CDU: 3,9%
PND: 2,8%
BE: 2,5%
Outros: 8,5% (ou 8,8%, não se percebe bem)
Aqui.
terça-feira, outubro 04, 2011
Madeira
Que sondagens existem? Depositada na ERC e colocada nos seus arquivos públicos, que eu saiba, a mais recente é esta, de Julho (Julho!) passado:
PSD: 57%
PS: 16%
CDS-PP: 10%
CDU: 4%
BE: 3%
PAN, MPT, PTP e PND com 2% cada.
A anterior tinha sido esta, de Junho. Eu percebo: o assunto não está na ordem do dia.
Depois, claro, também há coisas como esta: Sondagem na posse do PSD que aponta para a renovação da maioria absoluta". Hum...
Parece que 5ª feira é que é. Mais uns dias e já não era preciso.
PSD: 57%
PS: 16%
CDS-PP: 10%
CDU: 4%
BE: 3%
PAN, MPT, PTP e PND com 2% cada.
A anterior tinha sido esta, de Junho. Eu percebo: o assunto não está na ordem do dia.
Depois, claro, também há coisas como esta: Sondagem na posse do PSD que aponta para a renovação da maioria absoluta". Hum...
Parece que 5ª feira é que é. Mais uns dias e já não era preciso.
quarta-feira, setembro 28, 2011
100 dias
O PSD teve 38,7% nas eleições. Olhando para os arquivos do blogue, o que diziam as sondagens feitas 100 dias após as eleições?
- 2005: descida do PS em relação aos 45% das eleições no caso da Eurosondagem (40,5%) e uma subida no caso da Marktest (46%).
- 2009: o PS andava com cerca de 38% quer na Marktest quer na Eurosondagem, ou seja, 2 pontos acima dos resultados das eleições, e com 33% na Aximage.
- 2011: PSD 1 ponto acima em relação às eleições na Eurosondagem, 2 na Aximage, 4 na Católica e 8 na Marktest.
quarta-feira, setembro 21, 2011
terça-feira, setembro 20, 2011
Homens
1. Sad Men, de Richard Cohen, sobre Mad Men, detergentes e o declínio da classe-média americana.
2. Confidence Men, o livro de Ron Suskind sobre a presidência Obama, revela uma "macho White House".
3. Homo economicus: um digno sucessor para The Worldly Philosophers? Duvido respeitosamente.
2. Confidence Men, o livro de Ron Suskind sobre a presidência Obama, revela uma "macho White House".
3. Homo economicus: um digno sucessor para The Worldly Philosophers? Duvido respeitosamente.
segunda-feira, setembro 19, 2011
IMPACT
Aqui em DC, onde existem algumas das piores escolas públicas nos Estados Unidos, foi criada uma coisa chamada IMPACT, um sistema de avaliação dos professores cujo critério fundamental é baseado em melhorias verificadas de um ano para o outro nos resultados dos testes anuais aos alunos realizados em Abril. Há também cinco observações anuais de aulas, três pela administração da escola e duas por observadores externos formados para o efeito. Professores com a classificação máxima recebem um bónus anual que pode ir até $25,000. Professores com repetidas classificações máximas recebem aumentos de salário que podem ir até $20,000 anuais.
O que o sitezinho não explica bem é que os professores que optarem por receber o bónus - 70% dos 670 classificados este ano como highly effective - abdicam também de benefícios em caso de despedimento. Mas como se explica aqui, estes professores são precisamente os que têm menos probabilidade de serem despedidos, o que ajuda a explicar o facto de o número dos que optam por receber o bónus ter aumentado significativamente. Mais giro ainda é de onde vem o dinheiro para os bónus e aumentos: de uma coisa chamada DC Public Education Fund, apoiado por donativos...privados.
Há uma discussão muito interessante sobre se os modelos que visam estimar o aumento do desempenho dos alunos o fazem de forma correcta, se, apesar de tomarem em conta a mudança relativa (e não o desempenho absoluto) dos alunos, não continuam a prejudicar professores que ensinam nas áreas mais problemáticas, ou se o sistema gera os incentivos correctos. Mas o Washington Post parece achar que a coisa é genericamente boa.
O que o sitezinho não explica bem é que os professores que optarem por receber o bónus - 70% dos 670 classificados este ano como highly effective - abdicam também de benefícios em caso de despedimento. Mas como se explica aqui, estes professores são precisamente os que têm menos probabilidade de serem despedidos, o que ajuda a explicar o facto de o número dos que optam por receber o bónus ter aumentado significativamente. Mais giro ainda é de onde vem o dinheiro para os bónus e aumentos: de uma coisa chamada DC Public Education Fund, apoiado por donativos...privados.
Há uma discussão muito interessante sobre se os modelos que visam estimar o aumento do desempenho dos alunos o fazem de forma correcta, se, apesar de tomarem em conta a mudança relativa (e não o desempenho absoluto) dos alunos, não continuam a prejudicar professores que ensinam nas áreas mais problemáticas, ou se o sistema gera os incentivos correctos. Mas o Washington Post parece achar que a coisa é genericamente boa.
sábado, setembro 17, 2011
domingo, setembro 11, 2011
Pequeno-almoço de Domingo (ou, Washington Post entregue em casa às 6 da manhã)
1. Um bom exemplo de como o jornalismo e a Ciência Política se podem tornar mutuamente mais relevantes.
2. De como a política americana pode ser tão deprimente como a portuguesa.
3. Michael Lind sobre como seria o Mundo sem as torres ainda lá estivessem.
4. Uma bibliografia sobre o 11 de Setembro.
5. Não li o livro nem a recensão mas o título já vale os $26.99.
2. De como a política americana pode ser tão deprimente como a portuguesa.
3. Michael Lind sobre como seria o Mundo sem as torres ainda lá estivessem.
4. Uma bibliografia sobre o 11 de Setembro.
5. Não li o livro nem a recensão mas o título já vale os $26.99.
sexta-feira, agosto 26, 2011
terça-feira, agosto 16, 2011
Horácio, Virgílio e Arnaldo.
A partir de amanhã estou por aqui. Quanto a aulas, começo levemente. Na investigação, três projectos: desenvolver mais algumas ideias com o LA-C sobre referendos; mais aplicações de wavelets à política, também com o LA-C (e com a Joana); e explorar estes dados, já que vou estar tão perto deles. E se tudo correr bem, um seminário em Abril sobre Elections Under Financial Crisis ou algo assim, usando dados de estudos pós-eleitorais já terminados (Islândia 2009, Irlanda e Portugal 2011) e outro onde espero poder convencer os coordenadores a fazerem as mesmas perguntas (Espanha 2011). Entretanto, há a campanha para as presidenciais americanas. Regresso daqui a um ano. Tempus fugit, carpe diem e hasta la vista, babies.
sexta-feira, julho 01, 2011
Eurosondagem, 26-28 Junho, N=1010, Tel.
PSD: 40,8%
PS: 25%
CDS-PP: 13,6%
CDU: 7,7%
BE: 4,8%
OBN: 8,1%
Cavaco Silva, Passos Coelho e Paulo Portas são únicos líderes políticos com saldo de popularidade positivo. Aqui.
Mais resultados sugerem:
1. Avaliação mais positiva que negativa da composição do governo.
2. Satisfação com a inclusão de alguns ministros mais jovens e com a reduzida dimensão do governo.
PS: 25%
CDS-PP: 13,6%
CDU: 7,7%
BE: 4,8%
OBN: 8,1%
Cavaco Silva, Passos Coelho e Paulo Portas são únicos líderes políticos com saldo de popularidade positivo. Aqui.
Mais resultados sugerem:
1. Avaliação mais positiva que negativa da composição do governo.
2. Satisfação com a inclusão de alguns ministros mais jovens e com a reduzida dimensão do governo.
quinta-feira, junho 30, 2011
terça-feira, junho 28, 2011
Ensino Superior e Ciência, agora no Programa do Governo
O programa do XIX Governo foi conhecido hoje. Na continuação de um post anterior, assinalo as passagens que me pareceram mais relevantes no que ao ensino superior e à ciência diz respeito:
- "Introduzir incentivos salariais para investigadores em função da capacidade de mobilizar recursos, desenvolver investigação de alta qualidade, licenciamento de patentes e impacto numa lógica de cooperação empresarial".
- "Assegurar que os contratos de confiança com as universidades incluem metas para a criação de spin-offs, registo e licenciamento de patentes".
- "Estudo de possíveis medidas conducentes à reorganização da rede pública de instituições de Ensino Superior, com eventual especialização das instituições em termos de oferta de cursos e de investigação".
- "Discussão do modelo de financiamento do ensino superior, com vista, por um lado, a uma maior estabilidade e previsibilidade e, por outro, à consideração de factores de qualidade da actividade e de incentivos ao seu melhoramento".
- "aumento do ratio em I&D sobre o PIB e na diversificação das fontes de financiamento".
- "Privilegiar os apoios públicos às actividades de I&D de excelência".
- "Lançar um programa competitivo de apoio a Programas de Doutoramento que demonstrem a melhor qualidade, estrutura e garantia de rentabilidade".
- "Reforçar o investimento em áreas críticas para o desenvolvimento social e económico de Portugal, nomeadamente nas ciências da vida e da saúde, com enormes repercussões financeiras na saúde pública, na agricultura, no ambiente e na biodiversidade".
- "Agilizar disposições legislativas que facilitem a integração de investigadores do sector público no sector privado e que valorizem curricularmente as actividades de transferência de tecnologia".
- "Incentivar a integração do sistema científico nacional no espaço europeu de investigação, a saber, aumentando a participação de empresas e centros de investigação nos programas quadro e incentivando grandes linhas de investigação industrial mediante a colaboração público-privada".
- "Abrir anualmente, em data regular, concursos para projectos de investigação em todas as áreas científicas".
Há mais, mas isto pareceu-me o mais concreto. Posso estar a ver mal, porque só li isto uma vez e rapidamente. Mas em comparação com o programa do PSD, este programa de governo parece-me mais cauteloso no que diz respeito à reorganização da rede de ensino superior (antes falava-se abertamente da identificação de cursos "sem viabilidade", agora fala-se de "estudo de possíveis medidas conducentes à reorganização"), à anteriormente prevista "segmentação das instituições em termos de ensino e investigação, à limitação de financiamento para a investigação apenas a algumas instituições (fala-se agora de "discussão do modelo de financiamento"), à regra de não renovação de pós-doutoramentos e ao fim das bolsas individuais para doutoramento. Não quer dizer que essas medidas não estejam previstas ou não sejam realizadas, mas não aparecem aqui da mesma forma, ou, se quiserem, no mesmo tom. A ideia geral de uma ligação às empresas e de diversificação de fontes de financiamento permanece, mas também menos enfática. E há na página 118 um surpreendente - mas, para quem está nesta área, compreensível e justo - elogio a aspectos da actuação de anteriores governos neste domínio da ciência.
- "Introduzir incentivos salariais para investigadores em função da capacidade de mobilizar recursos, desenvolver investigação de alta qualidade, licenciamento de patentes e impacto numa lógica de cooperação empresarial".
- "Assegurar que os contratos de confiança com as universidades incluem metas para a criação de spin-offs, registo e licenciamento de patentes".
- "Estudo de possíveis medidas conducentes à reorganização da rede pública de instituições de Ensino Superior, com eventual especialização das instituições em termos de oferta de cursos e de investigação".
- "Discussão do modelo de financiamento do ensino superior, com vista, por um lado, a uma maior estabilidade e previsibilidade e, por outro, à consideração de factores de qualidade da actividade e de incentivos ao seu melhoramento".
- "aumento do ratio em I&D sobre o PIB e na diversificação das fontes de financiamento".
- "Privilegiar os apoios públicos às actividades de I&D de excelência".
- "Lançar um programa competitivo de apoio a Programas de Doutoramento que demonstrem a melhor qualidade, estrutura e garantia de rentabilidade".
- "Reforçar o investimento em áreas críticas para o desenvolvimento social e económico de Portugal, nomeadamente nas ciências da vida e da saúde, com enormes repercussões financeiras na saúde pública, na agricultura, no ambiente e na biodiversidade".
- "Agilizar disposições legislativas que facilitem a integração de investigadores do sector público no sector privado e que valorizem curricularmente as actividades de transferência de tecnologia".
- "Incentivar a integração do sistema científico nacional no espaço europeu de investigação, a saber, aumentando a participação de empresas e centros de investigação nos programas quadro e incentivando grandes linhas de investigação industrial mediante a colaboração público-privada".
- "Abrir anualmente, em data regular, concursos para projectos de investigação em todas as áreas científicas".
Há mais, mas isto pareceu-me o mais concreto. Posso estar a ver mal, porque só li isto uma vez e rapidamente. Mas em comparação com o programa do PSD, este programa de governo parece-me mais cauteloso no que diz respeito à reorganização da rede de ensino superior (antes falava-se abertamente da identificação de cursos "sem viabilidade", agora fala-se de "estudo de possíveis medidas conducentes à reorganização"), à anteriormente prevista "segmentação das instituições em termos de ensino e investigação, à limitação de financiamento para a investigação apenas a algumas instituições (fala-se agora de "discussão do modelo de financiamento"), à regra de não renovação de pós-doutoramentos e ao fim das bolsas individuais para doutoramento. Não quer dizer que essas medidas não estejam previstas ou não sejam realizadas, mas não aparecem aqui da mesma forma, ou, se quiserem, no mesmo tom. A ideia geral de uma ligação às empresas e de diversificação de fontes de financiamento permanece, mas também menos enfática. E há na página 118 um surpreendente - mas, para quem está nesta área, compreensível e justo - elogio a aspectos da actuação de anteriores governos neste domínio da ciência.
segunda-feira, junho 27, 2011
Continua a não haver sondagens sobre:
1. O que os portugueses acham de cada um das principais medidas do memorando.
2. O que acham da composição do novo governo.
3. O que acham das possíveis lideranças do maior partido da oposição.
Etc.
Etc.
Etc.
Gastaram o dinheiro todo nas tracking.
2. O que acham da composição do novo governo.
3. O que acham das possíveis lideranças do maior partido da oposição.
Etc.
Etc.
Etc.
Gastaram o dinheiro todo nas tracking.
A composição dos governos
Um texto a reler por estes dias é "Portugal: the Primacy of Independents", de António Costa Pinto e Pedro Tavares de Almeida, num livro chamado The Selection of Ministers in Europe: Hiring and Firing, organizado por Keith Dowding.
Costa Pinto e Tavares de Almeida mostram, entre outras coisas, que o governo mais pequeno até 2005 (contando com secretários de estado) teve 46 postos (Cavaco Silva 1985 e Nobre da Costa). E o principal tema do capítulo é a grande proporção (comparativamente muito elevada) de "independentes" sem experiência político-partidária ou parlamentar nos governos portugueses, independentemente de composição partidária e tipo (maioritário, minoritário, coligação).
Costa Pinto e Tavares de Almeida mostram, entre outras coisas, que o governo mais pequeno até 2005 (contando com secretários de estado) teve 46 postos (Cavaco Silva 1985 e Nobre da Costa). E o principal tema do capítulo é a grande proporção (comparativamente muito elevada) de "independentes" sem experiência político-partidária ou parlamentar nos governos portugueses, independentemente de composição partidária e tipo (maioritário, minoritário, coligação).
quarta-feira, junho 22, 2011
Programa do PSD: Ensino Superior e Ciência
Sabe-se que são muito poucas as pessoas que lêem os programas eleitorais dos partidos. É normal. Eu, que faço disto profissão, li-os na diagonal e mal. Mas houve uma parte que li com atenção, particularmente no Programa do PSD. Numa escolha puramente pessoal, possivelmente mais enviesada para o que está ligado à Ciência, deixo aqui uma lista de medidas e intenções na área do Ensino Superior e Ciência. Vou tentar deixar de fora objectivos muito genéricos e concentrar-me em coisas que me parece serem susceptíveis de serem traduzidas em medidas concretas a curto ou médio prazo. Podíamos tentar iniciar aqui um debate. O que pensam os leitores destas medidas, ou do seu sentido geral? Se houver outros aspectos do programa que achem merecer discussão, força.
- "Revisão do mapa nacional de universidades e institutos politécnicos"; "Identificação exaustiva e rigorosa dos cursos sem viabilidade na conjuntura actual" e "evitar a duplicação de ofertas [de cursos superiores], dando primazia às instituições com cursos de referência e especializando instituições com menor massa crítica a nível nacional";
-"Segmentar as Instituições de Ensino Superior em Termos de Educação e Investigação. O Governo deve desenvolver uma orientação política clara e incentivos relevantes para a especialização das
instituições em termos de pedagogia e investigação";
-"Flexibilização dos percursos de carreira possíveis, com valorização de outras dimensões que não só o ensino, a investigação e a publicação; Em particular, devem ser valorizadas as iniciativas relacionadas com a inovação empresarial, a criação de empresas e a geração de empregos de elevado valor acrescentado";
-"Criação de um novo modelo de financiamento para o ensino superior mais diversificado em termos de actividade e baseado no desempenho concreto das instituições"; "dotações para investigação básica limitadas a certas instituições, dotações para investigação aplicada limitadas, com «match funding» de empresas e associações sectoriais; prémios para o nível de internacionalização dos alunos e docentes e para presença em listas de referência internacionais; prémios para a empregabilidade dos cursos, a nível nacional e internacional; prémios para a ligação ao tecido empresarial";
-"Apoios [à investigação] passarem a estar entrados em políticas de estímulo à procura (tecido produtivo), em contraponto ao actual sistema, muito centrado na oferta (tecido científico)";
-"A FCT deverá privilegiar a atribuição de bolsas aos programas doutorais e não de forma individual aos candidatos";
-"O Governo deverá definir, com carácter de prioridade, e sem prejuízo de uma investigação fundamental, uma política no sentido de envolver os seus Laboratórios e Centros de Investigação Tecnológica, incluindo os universitários, a estabelecer e dinamizar parcerias com as empresas, com vista a desenvolver programas de investigação aplicada";
-"Os estabelecimentos de Ensino Superior devem ser incentivados a orientar os doutorandos nas áreas tecnológicas para temas de desenvolvimento de novos produtos, promovendo programas doutorais em estreita colaboração com as empresas";
-"Como regra, só em situações muito excepcionais, deve haver repetição de bolsas de pós-doutoramento";
-"Há que avançar de forma clara no espaço europeu de investigação, aumentando a participação de empresas e centros de investigação nos programas quadro, atingindo a curto prazo o objectivo mínimo de captar em financiamento um valor idêntico ao peso económico do País. Entre outros factores, devemos apoiar as grandes linhas de investigação industrial, mediante a colaboração público-privado".
P.S.- Perguntam-me por e-mail se não deveria incluir o programa do CDS-PP. Mas o programa eleitoral do CDS-PP , em 75 páginas, não menciona a palavra "ciência" uma única vez, e das seis vezes que aparece a palavra "investigação", quatro delas é a propósito de investigação criminal...
- "Revisão do mapa nacional de universidades e institutos politécnicos"; "Identificação exaustiva e rigorosa dos cursos sem viabilidade na conjuntura actual" e "evitar a duplicação de ofertas [de cursos superiores], dando primazia às instituições com cursos de referência e especializando instituições com menor massa crítica a nível nacional";
-"Segmentar as Instituições de Ensino Superior em Termos de Educação e Investigação. O Governo deve desenvolver uma orientação política clara e incentivos relevantes para a especialização das
instituições em termos de pedagogia e investigação";
-"Flexibilização dos percursos de carreira possíveis, com valorização de outras dimensões que não só o ensino, a investigação e a publicação; Em particular, devem ser valorizadas as iniciativas relacionadas com a inovação empresarial, a criação de empresas e a geração de empregos de elevado valor acrescentado";
-"Criação de um novo modelo de financiamento para o ensino superior mais diversificado em termos de actividade e baseado no desempenho concreto das instituições"; "dotações para investigação básica limitadas a certas instituições, dotações para investigação aplicada limitadas, com «match funding» de empresas e associações sectoriais; prémios para o nível de internacionalização dos alunos e docentes e para presença em listas de referência internacionais; prémios para a empregabilidade dos cursos, a nível nacional e internacional; prémios para a ligação ao tecido empresarial";
-"Apoios [à investigação] passarem a estar entrados em políticas de estímulo à procura (tecido produtivo), em contraponto ao actual sistema, muito centrado na oferta (tecido científico)";
-"A FCT deverá privilegiar a atribuição de bolsas aos programas doutorais e não de forma individual aos candidatos";
-"O Governo deverá definir, com carácter de prioridade, e sem prejuízo de uma investigação fundamental, uma política no sentido de envolver os seus Laboratórios e Centros de Investigação Tecnológica, incluindo os universitários, a estabelecer e dinamizar parcerias com as empresas, com vista a desenvolver programas de investigação aplicada";
-"Os estabelecimentos de Ensino Superior devem ser incentivados a orientar os doutorandos nas áreas tecnológicas para temas de desenvolvimento de novos produtos, promovendo programas doutorais em estreita colaboração com as empresas";
-"Como regra, só em situações muito excepcionais, deve haver repetição de bolsas de pós-doutoramento";
-"Há que avançar de forma clara no espaço europeu de investigação, aumentando a participação de empresas e centros de investigação nos programas quadro, atingindo a curto prazo o objectivo mínimo de captar em financiamento um valor idêntico ao peso económico do País. Entre outros factores, devemos apoiar as grandes linhas de investigação industrial, mediante a colaboração público-privado".
P.S.- Perguntam-me por e-mail se não deveria incluir o programa do CDS-PP. Mas o programa eleitoral do CDS-PP , em 75 páginas, não menciona a palavra "ciência" uma única vez, e das seis vezes que aparece a palavra "investigação", quatro delas é a propósito de investigação criminal...
quinta-feira, junho 09, 2011
Outlier
Não sei porquê (sei, sei), achei que o último livro do Martin Amis já não conseguiu melhorar depois disto, na página 4:
Sobre as sondagens
Paulo Morais escreve sobre as sondagens no Blasfémias. Quatro comentários:
1. As empresas, pela voz dos seus responsáveis, já frequentemente assinalam que intenções de voto não são previsões. Lamentavelmente, essa argumentação é um bocado descredibilizada quando vêm depois a público reclamar sem mais que as suas sondagens foram as que mais se aproximaram dos resultados eleitorais como se isso tivesse um significado mais especial do que aquilo que tem.
2. Quando Paulo Morais diz que as intenções de voto no PSD foram subavaliadas e as do PS e do CDS inflacionadas, incorre, involuntariamente, no mesmo lapso. Como sabe Paulo Morais que elas terão sido inflacionadas e subavaliadas? Por comparação com os resultados eleitorais? Mas afinal...
3. De resto, mesmo que queiramos incorrer nesse primeiro lapso, há um segundo lapso no texto de Paulo Morais: as intenções de voto captadas no CDS estiveram completamente alinhadas com os que vieram a ser os seus resultados.
4. Não é para mim evidente a relação entre a pequena dimensão de alguns círculos e a estimação de intenções de voto a nível nacional, mas se calhar percebi mal.
Com tudo isto não quero dizer:
- que não faça sentido comparar intenções de voto com resultados. Faz sentido, desde que tenhamos em conta e tentemos estimar tudo aquilo que pode fazer com que umas sejam diferentes das outras e que, como sucede em todos os estudos observacionais (ao contrário dos experimentais), compreendamos que nunca temos a certeza de conseguir "tomar em conta" todos esses factores.
- que tudo esteja bem no tratamento dos indecisos. Podia-se talvez fazer melhor.
- que tudo esteja bem - e este para mim é um dos pontos mais importantes - na estimação do que é um "votante provável". Mas vai haver sempre limites. Nos Estados Unidos, ou em países como a Suécia, quem faz sondagens sabe se uma pessoa que declara uma intenção de voto e a intenção de votar votou realmente nas últimas eleições, pela consulta dos registos eleitorais. Em Portugal isso não é possível. E enquanto não for, vai ser difícil ter bons modelos.
- que grandes semelhanças entre as sondagens entre si, em cada momento e nos seus movimentos, não possam explicações menos benévolas. Já falei disso aqui muitas vezes.
E como isto é um país pequeno, e como muita gente olha para a realidade a preto e branco, e como discordâncias são frequentemente interpretadas em termos pessoais, acrescento que conheço bem Paulo Morais e tenho muita, mas mesmo muita, simpatia por ele.
1. As empresas, pela voz dos seus responsáveis, já frequentemente assinalam que intenções de voto não são previsões. Lamentavelmente, essa argumentação é um bocado descredibilizada quando vêm depois a público reclamar sem mais que as suas sondagens foram as que mais se aproximaram dos resultados eleitorais como se isso tivesse um significado mais especial do que aquilo que tem.
2. Quando Paulo Morais diz que as intenções de voto no PSD foram subavaliadas e as do PS e do CDS inflacionadas, incorre, involuntariamente, no mesmo lapso. Como sabe Paulo Morais que elas terão sido inflacionadas e subavaliadas? Por comparação com os resultados eleitorais? Mas afinal...
3. De resto, mesmo que queiramos incorrer nesse primeiro lapso, há um segundo lapso no texto de Paulo Morais: as intenções de voto captadas no CDS estiveram completamente alinhadas com os que vieram a ser os seus resultados.
4. Não é para mim evidente a relação entre a pequena dimensão de alguns círculos e a estimação de intenções de voto a nível nacional, mas se calhar percebi mal.
Com tudo isto não quero dizer:
- que não faça sentido comparar intenções de voto com resultados. Faz sentido, desde que tenhamos em conta e tentemos estimar tudo aquilo que pode fazer com que umas sejam diferentes das outras e que, como sucede em todos os estudos observacionais (ao contrário dos experimentais), compreendamos que nunca temos a certeza de conseguir "tomar em conta" todos esses factores.
- que tudo esteja bem no tratamento dos indecisos. Podia-se talvez fazer melhor.
- que tudo esteja bem - e este para mim é um dos pontos mais importantes - na estimação do que é um "votante provável". Mas vai haver sempre limites. Nos Estados Unidos, ou em países como a Suécia, quem faz sondagens sabe se uma pessoa que declara uma intenção de voto e a intenção de votar votou realmente nas últimas eleições, pela consulta dos registos eleitorais. Em Portugal isso não é possível. E enquanto não for, vai ser difícil ter bons modelos.
- que grandes semelhanças entre as sondagens entre si, em cada momento e nos seus movimentos, não possam explicações menos benévolas. Já falei disso aqui muitas vezes.
E como isto é um país pequeno, e como muita gente olha para a realidade a preto e branco, e como discordâncias são frequentemente interpretadas em termos pessoais, acrescento que conheço bem Paulo Morais e tenho muita, mas mesmo muita, simpatia por ele.
quarta-feira, junho 08, 2011
Alegre/Bloco
Em complemento a este post do Aventar, um zoom sobre as intenções de voto dos três "pequenos partidos" a partir de Janeiro de 2010. A linha vertical é Novembro de 2010, início aproximado do declínio de Manuel Alegre nas sondagens para as presidenciais. Não estou a tentar vender teoria alguma. Fiquei intrigado com o post do Aventar e fui ver melhor, achei curioso, e é só isso.
P.S.- Claro que a descida de Alegre foi concomitante com a subida de Nobre. Aqui sim já estou a tentar passar uma teoriazita ou outra, assim ainda um bocadinho vaga.
P.S.- Claro que a descida de Alegre foi concomitante com a subida de Nobre. Aqui sim já estou a tentar passar uma teoriazita ou outra, assim ainda um bocadinho vaga.
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