segunda-feira, dezembro 10, 2012
Polls since the 2011 election
LOWESS line uses a 25% bandwidth. Everything pretty much the same as in October, except that PS's edge over PSD is now clearer, at about 6 points.
terça-feira, novembro 27, 2012
Pitagórica, 9-16 Nov, N=505, Tel.
PS: 36.2 % (+2.1)
PSD: 26.4% (-3.1)
CDU: 9.8% (+0.7)
CDS-PP: 9.8% (+1.5)
BE: 7.5% (+0.3)
Tem sido dado muito destaque a um dos resultados da sondagem, a ideia de que "três em dez inquiridos defende uma intervenção dos militares". Mas vejamos bem a pergunta e as respostas:
"Vasco Lourenço tem vindo a sugerir por diversas vezes que os militares podem estar na eminência de um golpe militar que restaure o 'espírito de Abril'. Os militares devem tomar alguma iniciativa contra este governo?"
Sim: 29.3%
Não: 63%
Ns/Nr: 7.7%
Primeiro, é duvidoso que a introdução sirva apenas para relembrar algo que os inquiridos já saibam. Pelo contrário: não sei até que ponto a generalidade dos eleitores segue as declarações de Vasco Lourenço sobre estes temas, mas é provável que, para muitos, a introdução que foi feita à pergunta coloque os inquiridos perante um elemento completamente novo. Segundo, uma pesquisa rápida revela frases de Vasco Lourenço como, por exemplo, "a hipótese de um golpe militar não tem qualquer sentido". Assim, o estímulo é novo para uns e, para outros, contraditório. Finalmente, "tomar alguma iniciativa contra este governo" pode significar muitas coisas diferentes. Logo, eu resistiria a tirar conclusões precipitadas deste resultado.
PSD: 26.4% (-3.1)
CDU: 9.8% (+0.7)
CDS-PP: 9.8% (+1.5)
BE: 7.5% (+0.3)
Tem sido dado muito destaque a um dos resultados da sondagem, a ideia de que "três em dez inquiridos defende uma intervenção dos militares". Mas vejamos bem a pergunta e as respostas:
"Vasco Lourenço tem vindo a sugerir por diversas vezes que os militares podem estar na eminência de um golpe militar que restaure o 'espírito de Abril'. Os militares devem tomar alguma iniciativa contra este governo?"
Sim: 29.3%
Não: 63%
Ns/Nr: 7.7%
Primeiro, é duvidoso que a introdução sirva apenas para relembrar algo que os inquiridos já saibam. Pelo contrário: não sei até que ponto a generalidade dos eleitores segue as declarações de Vasco Lourenço sobre estes temas, mas é provável que, para muitos, a introdução que foi feita à pergunta coloque os inquiridos perante um elemento completamente novo. Segundo, uma pesquisa rápida revela frases de Vasco Lourenço como, por exemplo, "a hipótese de um golpe militar não tem qualquer sentido". Assim, o estímulo é novo para uns e, para outros, contraditório. Finalmente, "tomar alguma iniciativa contra este governo" pode significar muitas coisas diferentes. Logo, eu resistiria a tirar conclusões precipitadas deste resultado.
sábado, novembro 17, 2012
Eurosondagem, 7-13 Nov, N=1033, Tel.
PS: 35% (+0.2)
PSD: 26.9% (-3.1)
CDS-PP: 10.1% (+0.1)
CDU: 10% (+0.5)
BE: 9.5% (+1.8)
Pedro Passos Coelho, the PM, remains the most unpopular party leader. Here.
PSD: 26.9% (-3.1)
CDS-PP: 10.1% (+0.1)
CDU: 10% (+0.5)
BE: 9.5% (+1.8)
Pedro Passos Coelho, the PM, remains the most unpopular party leader. Here.
terça-feira, novembro 13, 2012
Aximage, 2-6 Nov., N=602, Tel.
PS: 32.1% (-1.6)
PSD: 26.3% (+1.4)
CDU: 9.6% (+0.1)
CDS: 7.9% (=)
BE: 7.5% (+0.5)
There are 5.2% undecided. The PM is the party leader with lower approval. The Minister of Economy, Álvaro Santos Pereira, is the cabinet member - except the PM - with lower approval. Here.
PSD: 26.3% (+1.4)
CDU: 9.6% (+0.1)
CDS: 7.9% (=)
BE: 7.5% (+0.5)
There are 5.2% undecided. The PM is the party leader with lower approval. The Minister of Economy, Álvaro Santos Pereira, is the cabinet member - except the PM - with lower approval. Here.
segunda-feira, novembro 05, 2012
Eleições americanas: o estado da corrida
Não há outras eleições no mundo que recebam tanta atenção e sobre as quais se saiba tanto como as presidenciais americanas. As razões são óbvias: elas ocorrem na maior potência económica e militar do planeta e numa das suas democracias mais antigas, e são estudadas pela maior comunidade de especialistas sobre o tema. Isto não significa que haja certezas inabaláveis sobre o que move o eleitorado americano, e muito menos sobre o desfecho de uma eleição em particular. Mas significa que é possível falar sobre cada eleição na posse de informação incomparavelmente mais rica do que sucede com a esmagadora maioria das eleições. O que se segue é uma de muitas sínteses possíveis de toda essa informação.
O longo prazo
A primeira coisa que se julga saber sobre as presidenciais americanas é que os seus resultados têm características cíclicas. Pelo menos desde o final do século XIX, existe um padrão através do qual, a cada período de bons resultados para os candidatos de um dos partidos, se sucede, de forma regular, um período de bons resultados para os candidatos do outro partido. Várias hipóteses são avançadas para explicar este fenómeno. Na medida em que estar no poder conceda vantagens eleitorais para um candidato, o facto de um presidente em exercício se poder candidatar a um segundo mandato mas não a um terceiro introduz desde logo um elemento de ciclicidade: é sempre mais provável que um presidente consiga a reeleição, mas cumpridos esses dois mandatos, a competição entre os partidos reequilibra-se. Sabe-se também que o eleitorado americano reage às políticas públicas como uma espécie de termóstato: em face de políticas mais conservadoras por parte de presidentes Republicanos, os eleitores moderados respondem pedindo a correção dos excessos de conservadorismo; em face de políticas mais “liberais” (no sentido americano), a correção funciona na direção oposta. O resultado disto é que os americanos não consentem que um mesmo partido controle a Casa Branca por demasiado tempo.
Há quatro anos, vários artigos na imprensa usavam estas ideias para sugerir a possibilidade de que Obama se preparasse para inaugurar um novo ciclo político, que o poderia colocar no poder até 2016. Contudo, um estudo publicado há poucos meses no American Journal of Political Science mostrava que esses ciclos políticos, prevalecentes desde 1890, se tornaram mais curtos desde os anos 60 do século passado, não havendo sequer apoio empírico para sua a existência a partir dos anos 80. Não se sabe bem o que terá perturbado a ciclicidade eleitoral americana. O aparecimento ocasional de “terceiros candidatos” relevantes, tal como em 1992 e, em menor grau, 2000? A crescente polarização ideológica de políticos e eleitores, aumentado a radicalização das políticas adoptadas e, logo, acelerando as reações negativas dos eleitores? A crescente instabilidade das identificações partidárias? Não se sabe, mas o certo é que um dos padrões de longo prazo que poderia dar alguma segurança a Obama nesta eleição concreta parece ter desaparecido.
O médio prazo
Uma das conclusões mais seguras sobre o que determina o desempenho eleitoral de um partido no governo é que ele é fortemente afectado pela situação da economia. É isso que faz com que, a uma razoável distância de uma eleição (de seis meses a um ano), enquanto as sondagens ainda vão mostrando grande volatilidade, já seja possível prever, dentro de um intervalo de resultados razoavelmente apertado, qual a percentagem de votos que o partido de governo irá obter na próxima eleição. Todos os anos de eleições, por volta de Julho, a comunidade de forecasters eleitorais nos Estados Unidos começa a divulgar as suas previsões, feitas na base de modelos econométricos. As variáveis económicas destes modelos incluem, por exemplo, o crescimento da economia e do rendimento disponível, a taxa de desemprego, a evolução da despesa pública ou as percepções que os eleitores fazem do estado da economia, medidas através de sondagens.
Da análise destes modelos e dos seus resultados para a eleição de 2012 decorrem pelo duas conclusões. A primeira é que a evolução da economia americana no último ano não foi nem suficientemente má para condenar Obama à derrota nem suficientemente boa para o impulsionar decisivamente para a vitória. Os diferentes modelos, cujas previsões variavam ligeiramente dependendo dos aspectos concretos da economia que valorizavam e dos outros factores que tomavam em conta, apontavam, em média, para uma percentagem da votação nacional para Obama (em relação ao total de votos para os dois maiores partidos) de 50,4%. Em suma, apontavam para uma eleição que, pelo menos do ponto de vista do voto popular, deveria ser uma das mais renhidas de sempre.
A segunda conclusão tem interesse para além do contexto específico desta eleição: só relativamente tarde na campanha as sondagens começam a convergir para resultados que os modelos de previsão já conseguem revelar com razoável antecedência. Isto sugere que a sucessão de eventos que caracteriza uma campanha, as “gafes”, as entrevistas nos “talk shows”, os debates e os esforços gerais de mobilização e persuasão por parte das campanhas acabam por fazer menos diferença no resultado final do que possa parecer. Em parte, porque esses esforços de persuasão e mobilização das duas candidaturas são geralmente tão eficazes e equilibrados entre si que se cancelam mutuamente. Em parte também porque os eventos de campanha são interpretados pelos eleitores à luz das suas predisposições políticas latentes, formadas com alguma antecedência, que os modelos de previsão parcialmente captam, e que a campanha acaba por ativar mais do que modificar. E finalmente, porque tendo em conta o efeito dessas predisposições no voto, o espaço que sobra para que os eventos de campanha possam produzir grandes mudanças acaba por ser, afinal, relativamente reduzido.
O curto prazo
Dito isto, houve dois eventos que de facto fizeram diferença nas intenções de voto nos últimos meses. Sabemos isso com alguma segurança devido ao grande número de sondagens que se realizam nos Estados Unidos e à multiplicação de sites que as analisam de diferentes maneiras. O Real Clear Politics limita-se a calcular médias, nacionais e por estado. Outros, como o Five Thirty Eight de Nate Silver, o Pollster de Mark Blumenthal e Simon Jackman, o Votamatic de Drew Linzer ou o Princeton Election Consortium de Sam Wang, também usam as sondagens como matéria prima, mas agregam-nas de diferentes maneiras, ponderando-as não apenas na base da dimensão das amostras mas também, nalguns casos, do desempenho passado das empresas que as realizam ou de tendências gerais que se sabe afectarem determinados conjuntos de estados. O que todos estes sites mostram é que, à data em que escrevo este texto, Obama e Romney estão praticamente empatados nas intenções de voto a nível nacional, porventura até com ligeira vantagem para Romney. Mas nem sempre foi assim. No início de Setembro, a convenção Democrata atirou Obama para uma vantagem que chegou a ser, segundo estas análises, de 5 pontos percentuais. No início de Outubro, o primeiro debate entre os dois candidatos, onde Romney derrotou Obama, neutralizou essa vantagem. Os eventos nas campanhas, afinal, podem fazer diferença. Raramente e pouco, é certo, mas o suficiente para poderem ser decisivos.
Contudo, a outra coisa que todos estes “agregadores de sondagens” mostram é que este “empate” entre Obama e Romney é enganador. As presidenciais americanas são eleições indiretas, para um colégio eleitoral com 538 membros, eleitos estado a estado por um sistema maioritário de lista. Por outras palavras, o candidato que conquistar mais votos num estado elege a totalidade dos “grandes eleitores” desse estado. São eles, em conjunto com os dos outros estados, quem elege o Presidente. E desse ponto de vista, Obama parece ter alguma vantagem. Desde Junho deste ano que os candidatos têm limitado as suas ações de campanha a cerca de dez estados. Isto sucede porque 41 deles – incluindo o Distrito de Columbia – se encontram, para todos os efeitos, “decididos”. Mesmo com as estimativas mais cautelosas, a vantagem de Romney em 23 estados - especialmente localizados no Sul e no Noroeste do país – é de tal modo grande que se pode já dizer que, dos 270 lugares no colégio eleitoral de que precisa para a vitória, 191 deverão estar garantidos. O problema para Romney é que o seu adversário se encontra em situação semelhante em 18 estados que elegem nada menos que 217 “grandes eleitores.” Faltam-lhe, por assim dizer, apenas 53, contra os 79 de que Romney precisa. Dos estados ainda em disputa, Pennsylvania e Wisconsin, onde há mais de vinte anos não ganham republicanos, deverão estar seguros para Obama. Basta-lhe adicionar vitórias no Ohio e no Nevada (ou no Iowa), por exemplo, onde atualmente lidera as sondagens estaduais, para a presidência ser sua. Quanto a Romney, o único estado ainda em disputa que se pode colocar com alguma segurança na sua contagem é a Carolina do Norte. O seu caminho até à vitória é mais íngreme.
Que surpresas são ainda possíveis? Uma delas seria uma deslocação dos eleitores na recta final a favor de Romney que fosse de tal modo expressiva que colocasse Obama em desvantagem nos estados ainda em disputa e onde por enquanto ainda tem vantagem (Ohio, Nevada, Iowa, Virgínia, New Hampshire e Colorado). Chamamos-lhe “surpresa” porque, como já vimos, os eventos capazes de produzir semelhantes deslocações são raros. A segunda surpresa seria se as sondagens na base das quais repousam todos estes cenários estivessem, afinal, erradas. “Erradas”, neste contexto, teria de significar que estariam, na sua generalidade, sejam as nacionais sejam as estaduais, afectadas por um qualquer enviesamento que esteja a subestimar sistematicamente a votação em Romney. Muitos argumentos têm sido usados para apoiar a plausibilidade dessa ideia, tais como as baixas taxas de resposta às sondagens, o grande número de eleitores que tem apenas telefone móvel ou a dificuldade em estimar quem são de facto os “votantes prováveis”. Mas isso seria também uma grande surpresa. Nada na investigação existente sugere que esses potenciais problemas tendam a levar a uma subestimação dos votos nos candidatos republicanos. Estes problemas, certamente já presentes em 2000, 2004 ou 2008, não produziram esses alegados efeitos. Em suma, tudo ponderado, Obama é, sem dúvida, favorito. Mas pensem nisto de outra forma: peguem num dado; escolham um resultado possível, por exemplo, o 5. Lancem o dado repetidamente. De cada vez que vos sair um 5, foi Romney que ganhou a eleição. É isto, mais coisa menos coisa, que nos dizem as sondagens. Pouco provável, sim. Impossível, não.
Publicado originalmente no Público.
O longo prazo
A primeira coisa que se julga saber sobre as presidenciais americanas é que os seus resultados têm características cíclicas. Pelo menos desde o final do século XIX, existe um padrão através do qual, a cada período de bons resultados para os candidatos de um dos partidos, se sucede, de forma regular, um período de bons resultados para os candidatos do outro partido. Várias hipóteses são avançadas para explicar este fenómeno. Na medida em que estar no poder conceda vantagens eleitorais para um candidato, o facto de um presidente em exercício se poder candidatar a um segundo mandato mas não a um terceiro introduz desde logo um elemento de ciclicidade: é sempre mais provável que um presidente consiga a reeleição, mas cumpridos esses dois mandatos, a competição entre os partidos reequilibra-se. Sabe-se também que o eleitorado americano reage às políticas públicas como uma espécie de termóstato: em face de políticas mais conservadoras por parte de presidentes Republicanos, os eleitores moderados respondem pedindo a correção dos excessos de conservadorismo; em face de políticas mais “liberais” (no sentido americano), a correção funciona na direção oposta. O resultado disto é que os americanos não consentem que um mesmo partido controle a Casa Branca por demasiado tempo.
Há quatro anos, vários artigos na imprensa usavam estas ideias para sugerir a possibilidade de que Obama se preparasse para inaugurar um novo ciclo político, que o poderia colocar no poder até 2016. Contudo, um estudo publicado há poucos meses no American Journal of Political Science mostrava que esses ciclos políticos, prevalecentes desde 1890, se tornaram mais curtos desde os anos 60 do século passado, não havendo sequer apoio empírico para sua a existência a partir dos anos 80. Não se sabe bem o que terá perturbado a ciclicidade eleitoral americana. O aparecimento ocasional de “terceiros candidatos” relevantes, tal como em 1992 e, em menor grau, 2000? A crescente polarização ideológica de políticos e eleitores, aumentado a radicalização das políticas adoptadas e, logo, acelerando as reações negativas dos eleitores? A crescente instabilidade das identificações partidárias? Não se sabe, mas o certo é que um dos padrões de longo prazo que poderia dar alguma segurança a Obama nesta eleição concreta parece ter desaparecido.
O médio prazo
Uma das conclusões mais seguras sobre o que determina o desempenho eleitoral de um partido no governo é que ele é fortemente afectado pela situação da economia. É isso que faz com que, a uma razoável distância de uma eleição (de seis meses a um ano), enquanto as sondagens ainda vão mostrando grande volatilidade, já seja possível prever, dentro de um intervalo de resultados razoavelmente apertado, qual a percentagem de votos que o partido de governo irá obter na próxima eleição. Todos os anos de eleições, por volta de Julho, a comunidade de forecasters eleitorais nos Estados Unidos começa a divulgar as suas previsões, feitas na base de modelos econométricos. As variáveis económicas destes modelos incluem, por exemplo, o crescimento da economia e do rendimento disponível, a taxa de desemprego, a evolução da despesa pública ou as percepções que os eleitores fazem do estado da economia, medidas através de sondagens.
Da análise destes modelos e dos seus resultados para a eleição de 2012 decorrem pelo duas conclusões. A primeira é que a evolução da economia americana no último ano não foi nem suficientemente má para condenar Obama à derrota nem suficientemente boa para o impulsionar decisivamente para a vitória. Os diferentes modelos, cujas previsões variavam ligeiramente dependendo dos aspectos concretos da economia que valorizavam e dos outros factores que tomavam em conta, apontavam, em média, para uma percentagem da votação nacional para Obama (em relação ao total de votos para os dois maiores partidos) de 50,4%. Em suma, apontavam para uma eleição que, pelo menos do ponto de vista do voto popular, deveria ser uma das mais renhidas de sempre.
A segunda conclusão tem interesse para além do contexto específico desta eleição: só relativamente tarde na campanha as sondagens começam a convergir para resultados que os modelos de previsão já conseguem revelar com razoável antecedência. Isto sugere que a sucessão de eventos que caracteriza uma campanha, as “gafes”, as entrevistas nos “talk shows”, os debates e os esforços gerais de mobilização e persuasão por parte das campanhas acabam por fazer menos diferença no resultado final do que possa parecer. Em parte, porque esses esforços de persuasão e mobilização das duas candidaturas são geralmente tão eficazes e equilibrados entre si que se cancelam mutuamente. Em parte também porque os eventos de campanha são interpretados pelos eleitores à luz das suas predisposições políticas latentes, formadas com alguma antecedência, que os modelos de previsão parcialmente captam, e que a campanha acaba por ativar mais do que modificar. E finalmente, porque tendo em conta o efeito dessas predisposições no voto, o espaço que sobra para que os eventos de campanha possam produzir grandes mudanças acaba por ser, afinal, relativamente reduzido.
O curto prazo
Dito isto, houve dois eventos que de facto fizeram diferença nas intenções de voto nos últimos meses. Sabemos isso com alguma segurança devido ao grande número de sondagens que se realizam nos Estados Unidos e à multiplicação de sites que as analisam de diferentes maneiras. O Real Clear Politics limita-se a calcular médias, nacionais e por estado. Outros, como o Five Thirty Eight de Nate Silver, o Pollster de Mark Blumenthal e Simon Jackman, o Votamatic de Drew Linzer ou o Princeton Election Consortium de Sam Wang, também usam as sondagens como matéria prima, mas agregam-nas de diferentes maneiras, ponderando-as não apenas na base da dimensão das amostras mas também, nalguns casos, do desempenho passado das empresas que as realizam ou de tendências gerais que se sabe afectarem determinados conjuntos de estados. O que todos estes sites mostram é que, à data em que escrevo este texto, Obama e Romney estão praticamente empatados nas intenções de voto a nível nacional, porventura até com ligeira vantagem para Romney. Mas nem sempre foi assim. No início de Setembro, a convenção Democrata atirou Obama para uma vantagem que chegou a ser, segundo estas análises, de 5 pontos percentuais. No início de Outubro, o primeiro debate entre os dois candidatos, onde Romney derrotou Obama, neutralizou essa vantagem. Os eventos nas campanhas, afinal, podem fazer diferença. Raramente e pouco, é certo, mas o suficiente para poderem ser decisivos.
Contudo, a outra coisa que todos estes “agregadores de sondagens” mostram é que este “empate” entre Obama e Romney é enganador. As presidenciais americanas são eleições indiretas, para um colégio eleitoral com 538 membros, eleitos estado a estado por um sistema maioritário de lista. Por outras palavras, o candidato que conquistar mais votos num estado elege a totalidade dos “grandes eleitores” desse estado. São eles, em conjunto com os dos outros estados, quem elege o Presidente. E desse ponto de vista, Obama parece ter alguma vantagem. Desde Junho deste ano que os candidatos têm limitado as suas ações de campanha a cerca de dez estados. Isto sucede porque 41 deles – incluindo o Distrito de Columbia – se encontram, para todos os efeitos, “decididos”. Mesmo com as estimativas mais cautelosas, a vantagem de Romney em 23 estados - especialmente localizados no Sul e no Noroeste do país – é de tal modo grande que se pode já dizer que, dos 270 lugares no colégio eleitoral de que precisa para a vitória, 191 deverão estar garantidos. O problema para Romney é que o seu adversário se encontra em situação semelhante em 18 estados que elegem nada menos que 217 “grandes eleitores.” Faltam-lhe, por assim dizer, apenas 53, contra os 79 de que Romney precisa. Dos estados ainda em disputa, Pennsylvania e Wisconsin, onde há mais de vinte anos não ganham republicanos, deverão estar seguros para Obama. Basta-lhe adicionar vitórias no Ohio e no Nevada (ou no Iowa), por exemplo, onde atualmente lidera as sondagens estaduais, para a presidência ser sua. Quanto a Romney, o único estado ainda em disputa que se pode colocar com alguma segurança na sua contagem é a Carolina do Norte. O seu caminho até à vitória é mais íngreme.
Que surpresas são ainda possíveis? Uma delas seria uma deslocação dos eleitores na recta final a favor de Romney que fosse de tal modo expressiva que colocasse Obama em desvantagem nos estados ainda em disputa e onde por enquanto ainda tem vantagem (Ohio, Nevada, Iowa, Virgínia, New Hampshire e Colorado). Chamamos-lhe “surpresa” porque, como já vimos, os eventos capazes de produzir semelhantes deslocações são raros. A segunda surpresa seria se as sondagens na base das quais repousam todos estes cenários estivessem, afinal, erradas. “Erradas”, neste contexto, teria de significar que estariam, na sua generalidade, sejam as nacionais sejam as estaduais, afectadas por um qualquer enviesamento que esteja a subestimar sistematicamente a votação em Romney. Muitos argumentos têm sido usados para apoiar a plausibilidade dessa ideia, tais como as baixas taxas de resposta às sondagens, o grande número de eleitores que tem apenas telefone móvel ou a dificuldade em estimar quem são de facto os “votantes prováveis”. Mas isso seria também uma grande surpresa. Nada na investigação existente sugere que esses potenciais problemas tendam a levar a uma subestimação dos votos nos candidatos republicanos. Estes problemas, certamente já presentes em 2000, 2004 ou 2008, não produziram esses alegados efeitos. Em suma, tudo ponderado, Obama é, sem dúvida, favorito. Mas pensem nisto de outra forma: peguem num dado; escolham um resultado possível, por exemplo, o 5. Lancem o dado repetidamente. De cada vez que vos sair um 5, foi Romney que ganhou a eleição. É isto, mais coisa menos coisa, que nos dizem as sondagens. Pouco provável, sim. Impossível, não.
Publicado originalmente no Público.
segunda-feira, outubro 22, 2012
Pitagórica, 8-12 Oct., N=503, Tel.
PS: 34,1%
PSD: 29,5%
CDU: 9,1%
CDS-PP: 8,3%
BE: 7,2%
Here. Other findings: massive government disapproval and preference over cutting expenditure over increasing taxes, although this last question appears to have been formulated in a way - "Should the government cut expenditures instead of increasing taxes?" - that is probably not the best. Also interesting is where people thought where cuts should be made: 61% public companies, 38% local government, 0,7% education, 0,3% health. Besides the question of what the response categories actually were, one wonders how many respondents understood the real implications of their answers...
PSD: 29,5%
CDU: 9,1%
CDS-PP: 8,3%
BE: 7,2%
Here. Other findings: massive government disapproval and preference over cutting expenditure over increasing taxes, although this last question appears to have been formulated in a way - "Should the government cut expenditures instead of increasing taxes?" - that is probably not the best. Also interesting is where people thought where cuts should be made: 61% public companies, 38% local government, 0,7% education, 0,3% health. Besides the question of what the response categories actually were, one wonders how many respondents understood the real implications of their answers...
sexta-feira, outubro 19, 2012
segunda-feira, outubro 15, 2012
Rescaldo sondagens Açores
Pouca coisa para trabalharmos. O site da ERC regista uma sondagem de intenção de voto, realizada pela Eurosondagem, com trabalho de campo terminado a 2 de Outubro. Entre parêntesis, diferença em relação aos que vieram a ser os resultados finais:
PS: 41,9% (-7,1)
PSD: 35% (+2)
CDS-PP: 9.7% (+4)
CDU: 3,7% (+1,8)
BE: 3,3%(+1)
O erro absoluto médio é 3,2, bastante acima do que sucede normalmente em sondagens nacionais. A sondagem à boca das urnas da Católica teve resultados, como teria de ser devido à sua natureza, bastante melhores:
PS: 50% (+1)
PSD: 31% (-2)
CDS-PP: 7.5% (+1.8)
CDU: 3% (+1.1)
BE: 3%(+0.7)
Desvio absoluto médio de 1.3, igual ao que se passou em 2008. E uma curiosidade: esta é a segunda eleição seguida, depois das legislativas, em que o CDS-PP é sobrestimado pelas sondagens. Algo se deverá estar a passar, ou no eleitorado do CDS ou nas sondagens.
PS: 41,9% (-7,1)
PSD: 35% (+2)
CDS-PP: 9.7% (+4)
CDU: 3,7% (+1,8)
BE: 3,3%(+1)
O erro absoluto médio é 3,2, bastante acima do que sucede normalmente em sondagens nacionais. A sondagem à boca das urnas da Católica teve resultados, como teria de ser devido à sua natureza, bastante melhores:
PS: 50% (+1)
PSD: 31% (-2)
CDS-PP: 7.5% (+1.8)
CDU: 3% (+1.1)
BE: 3%(+0.7)
Desvio absoluto médio de 1.3, igual ao que se passou em 2008. E uma curiosidade: esta é a segunda eleição seguida, depois das legislativas, em que o CDS-PP é sobrestimado pelas sondagens. Algo se deverá estar a passar, ou no eleitorado do CDS ou nas sondagens.
sábado, outubro 13, 2012
terça-feira, outubro 02, 2012
Marktest, 17-20 Sept, N=805, Tel.
PS: 29.6% (+3.8)
PSD: 20.2% (-6.5)
CDU: 10.1% (+0.2)
BE: 8.6% (+1.7)
CDS-PP: 5.2% (+0.8)
Values in parentheses from previous July 2012 poll. Here.
PSD: 20.2% (-6.5)
CDU: 10.1% (+0.2)
BE: 8.6% (+1.7)
CDS-PP: 5.2% (+0.8)
Values in parentheses from previous July 2012 poll. Here.
segunda-feira, outubro 01, 2012
Before the debates: polls and forecasts
Two days before the first debate, where do we stand in terms of election forecasts for the US presidential election?
1. Polls: polls are not forecasts, but they are of course informative. One obvious argument is that, the closest we get to the election, the less likely it is that any factor will emerge that may change the balance of forces. But the other - actually more plausible - argument is that, the more time elapses and the campaign progresses, the more likely it is that voters' intentions reflect the "fundamentals" of the election and the latent preferences of voters. At the moment, all poll aggregators place Obama ahead by about 4 points.
2. Models: econometric models use data from past elections, at the national or state level, and a number of contextual variables (mostly from the economy - such as change in national or per capita income, unemployment, and others - and sometimes from approval polls) to predict outcomes. The latest issue of PS collects almost all of them. The average is 50.4 for Obama, an extremely narrow advantage. An article using ensemble Bayesian model averaging of those models estimates that "between 46.4% and 52.5% of the US voters will support the incumbent in 2012, and there is a 0.60 probability that the vote for Obama will be greater than 50%." Very close indeed.
3. Prediction markets: these are markets where investors buy and sell shares of political outcomes. Their performance has been extremely good, although there is a debate on whether they are "superior" to polls when the latter are properly treated. In any case, this is what the markets have been telling us until now:
Iowa Vote Share:
Iowa probability of winning:
Intrade Obama's probability of winning:
1. Polls: polls are not forecasts, but they are of course informative. One obvious argument is that, the closest we get to the election, the less likely it is that any factor will emerge that may change the balance of forces. But the other - actually more plausible - argument is that, the more time elapses and the campaign progresses, the more likely it is that voters' intentions reflect the "fundamentals" of the election and the latent preferences of voters. At the moment, all poll aggregators place Obama ahead by about 4 points.
2. Models: econometric models use data from past elections, at the national or state level, and a number of contextual variables (mostly from the economy - such as change in national or per capita income, unemployment, and others - and sometimes from approval polls) to predict outcomes. The latest issue of PS collects almost all of them. The average is 50.4 for Obama, an extremely narrow advantage. An article using ensemble Bayesian model averaging of those models estimates that "between 46.4% and 52.5% of the US voters will support the incumbent in 2012, and there is a 0.60 probability that the vote for Obama will be greater than 50%." Very close indeed.
3. Prediction markets: these are markets where investors buy and sell shares of political outcomes. Their performance has been extremely good, although there is a debate on whether they are "superior" to polls when the latter are properly treated. In any case, this is what the markets have been telling us until now:
Iowa Vote Share:
Iowa probability of winning:
Intrade Obama's probability of winning:
quinta-feira, setembro 27, 2012
quarta-feira, setembro 26, 2012
O que tenho lido sobre as eleições americanas: uma selecção.
1. O Pollster.com, para os últimos números das sondagens nacionais e estaduais e o que implicam para o colégio eleitoral, e os comentários de Mark Blumenthal (aqui sobre o "post-convention" bounce de Obama).
2. Também sobre as sondagens (e sobre previsões que se podem fazer na sua base), Nate Silver no FiveThirtyEight.
3. Votamatic, idem.
4. John Sides, em dois blogues: YouGov e Monkey Cage. Aqui sobre como a discussão sobre os rendimentos de Romney afectaram a sua campanha, e aqui sobre as "gaffes" e o seu (duvidoso) efeito nas sondagens.
5. Brendan Nyhan, aqui sobre a estranha persistência do mito de que Obama seria muçulmano.
6. Andrew Gelman (também no Monkey Cage), sobre quase tudo o que me interessa, incluindo e para além de eleições. Aqui resumindo por que razão Romney é um mau candidato (e dificilmente outro seria bom tendo em conta aquilo em que se tornou o Partido Republicano).
7. Pollyvote, tudo sobre diferentes formas de prever resultados eleitorais.
8. Jay Cost, ajudando a que os Republicanos não percam completamente a esperança.
9. Lynn Vavreck, que contribui para vários dos blogues acima, aqui sobre os eleitores indecisos.
Tudo disto é um bocado técnico, pouco especulativo e muito colado aos dados empíricos. Mas sucede que isso é precisamente o tipo de coisa que me interessa. Para "grandes reflexões", nem sempre impecáveis do ponto de vista empírico mas sempre impecavelmente bem escritas e inteligentes, leio o David Brooks, aqui sobre as mutações do conservadorismo americano.
2. Também sobre as sondagens (e sobre previsões que se podem fazer na sua base), Nate Silver no FiveThirtyEight.
3. Votamatic, idem.
4. John Sides, em dois blogues: YouGov e Monkey Cage. Aqui sobre como a discussão sobre os rendimentos de Romney afectaram a sua campanha, e aqui sobre as "gaffes" e o seu (duvidoso) efeito nas sondagens.
5. Brendan Nyhan, aqui sobre a estranha persistência do mito de que Obama seria muçulmano.
6. Andrew Gelman (também no Monkey Cage), sobre quase tudo o que me interessa, incluindo e para além de eleições. Aqui resumindo por que razão Romney é um mau candidato (e dificilmente outro seria bom tendo em conta aquilo em que se tornou o Partido Republicano).
7. Pollyvote, tudo sobre diferentes formas de prever resultados eleitorais.
8. Jay Cost, ajudando a que os Republicanos não percam completamente a esperança.
9. Lynn Vavreck, que contribui para vários dos blogues acima, aqui sobre os eleitores indecisos.
Tudo disto é um bocado técnico, pouco especulativo e muito colado aos dados empíricos. Mas sucede que isso é precisamente o tipo de coisa que me interessa. Para "grandes reflexões", nem sempre impecáveis do ponto de vista empírico mas sempre impecavelmente bem escritas e inteligentes, leio o David Brooks, aqui sobre as mutações do conservadorismo americano.
quinta-feira, setembro 20, 2012
More poll results and caveats
Starting with the caveats, note that in a "poll-poor" environment such as Portugal, it's understandable that a single poll gets a lot of attention. But let's not forget that a poll is just a poll. And although this last one somehow "feels right" (unlike this one), that does not make it "right" or "wrong," whatever that means when we talk about measuring public opinion. We need more data.
Furthermore, recall that the last Catholic University poll was conducted in late May/early June. This means that the massive PSD drop cannot be assigned exclusively to the measures related to social security contributions: the "Relvas affair(s)" and the privatization of public television were two very contentious issues that preceded the last austerity measures. Finally, note that the poll was conducted not only at the height (so far) of mobilization against the government but also following a week during which PSD figures, employers, unions, and even the minor coalition partners voiced their disagreement with the government's measures. So, although it is always possible that things can get worse for the PSD, it's probably safe to say that they had never as bad as in that period when the fieldwork took place.
Having said that, a few more interesting results:
* In the previous poll by the same institute, the PM was positively rated (getting 10 or more in a 0 to 20 scale) by 48% of respondents. This figure now dropped to 34%, making him the party leader with the worst approval rating.
* 78% of respondents disagree with the notion that the reduction of companies' social security contributions will help fighting unemployment, while 81% disagree with the notion this will have an impact on consumer prices. This is, in a way, a measure of how unsuccessful the communication of this measure was, as well as of the large consensus against it on the part of the kind of sources (media, expert, partisan) people likely used to form any sort of opinion about it.
* In contrast, there is an absolutely massive support for measures that were barely discussed, such as increasing taxes over luxury items or over high value real estate: support is always above 80%.
* 48% of respondents think now likely that Portugal will face a situation similar to Greece in the short-run, against 34% just three months ago.
*60% of respondents believe that no opposition party would do better than the current government if it was in power. Considering that 77% make a negative evaluation of the work of the current government, this helps explaining why, while the PSD drops in this poll, the PS fails to capitalize.
Furthermore, recall that the last Catholic University poll was conducted in late May/early June. This means that the massive PSD drop cannot be assigned exclusively to the measures related to social security contributions: the "Relvas affair(s)" and the privatization of public television were two very contentious issues that preceded the last austerity measures. Finally, note that the poll was conducted not only at the height (so far) of mobilization against the government but also following a week during which PSD figures, employers, unions, and even the minor coalition partners voiced their disagreement with the government's measures. So, although it is always possible that things can get worse for the PSD, it's probably safe to say that they had never as bad as in that period when the fieldwork took place.
Having said that, a few more interesting results:
* In the previous poll by the same institute, the PM was positively rated (getting 10 or more in a 0 to 20 scale) by 48% of respondents. This figure now dropped to 34%, making him the party leader with the worst approval rating.
* 78% of respondents disagree with the notion that the reduction of companies' social security contributions will help fighting unemployment, while 81% disagree with the notion this will have an impact on consumer prices. This is, in a way, a measure of how unsuccessful the communication of this measure was, as well as of the large consensus against it on the part of the kind of sources (media, expert, partisan) people likely used to form any sort of opinion about it.
* In contrast, there is an absolutely massive support for measures that were barely discussed, such as increasing taxes over luxury items or over high value real estate: support is always above 80%.
* 48% of respondents think now likely that Portugal will face a situation similar to Greece in the short-run, against 34% just three months ago.
*60% of respondents believe that no opposition party would do better than the current government if it was in power. Considering that 77% make a negative evaluation of the work of the current government, this helps explaining why, while the PSD drops in this poll, the PS fails to capitalize.
quarta-feira, setembro 19, 2012
Católica, 15-17 Set, N=1,132, Face to face
PS: 31% (-2)
PSD: 24% (-12)
CDU: 13% (+4)
BE: 11% (+2)
CDS-PP: 7% (+1)
Others: 3%
Source. The comparison is with the last Católica poll, from May 2012.
PSD: 24% (-12)
CDU: 13% (+4)
BE: 11% (+2)
CDS-PP: 7% (+1)
Others: 3%
Source. The comparison is with the last Católica poll, from May 2012.
sexta-feira, setembro 14, 2012
Eurosondagem, 10-13 Sept., n=1037, Tel.
PS: 33.7% (+0.7)
PSD: 33.0% (-1.1)
CDS-PP: 10.3% (+0.2)
CDU: 9.3% (+0.5)
BE: 7.0% (+0.4)
PSD: 33.0% (-1.1)
CDS-PP: 10.3% (+0.2)
CDU: 9.3% (+0.5)
BE: 7.0% (+0.4)
quinta-feira, setembro 13, 2012
Aximage, 3-6 Sept, n=600, Tel.
First public poll since August 17th, and first poll by this company since early July. Fieldwork predates the announcements by the Prime Minister and the Minister of Finance of new austerity measures, so you can probably see this as just giving a first inkling of the likely massacre to come.
PS: 35.4% (+4.6)
PSD: 33.3% (-1.7)
CDS-PP: 7.1% (-0.8)
I'll fill you in on the other parties when I get them.
PS: 35.4% (+4.6)
PSD: 33.3% (-1.7)
CDS-PP: 7.1% (-0.8)
I'll fill you in on the other parties when I get them.
Transatlantic Trends: alguns resultados
Os resultados do inquérito Transatlantic Trends, apoiado em Portugal pela FLAD, são divulgados em inglês e suficientemente conhecidos lá fora. Logo, passo para português neste post. Os inquéritos cobrem muitos temas, especialmente de política internacional, mas têm dado muita atenção ao tema da crise económica nos últimos anos. O trabalho de campo ocorreu em Junho passado. Destaco alguns resultados:
Em geral, com poucas excepções, há mais pessoas a avaliar positivamente a actuação da UE do que dos seus próprios governos nacionais. É natural: os governos são partidários, dividem as pessoas; a UE não é vista da mesma forma. Dito isto, é curioso que uma crise cuja responsabilidade tem sido atribuída à incapacidade de decisão na Europa permita, mesmo assim, que na maior parte dos casos a actuação da UE seja vista como positiva. Quem paga as favas são os governos: afinal, são eles que podemos castigar ou recompensar, ao contrário de uma distante e politicamente irresponsável UE. Notar também as excepções: Alemanha, Turquia e Suécia.
Uma mini-surpresa: na maior parte dos países, a actuação da chanceler Merkel é vista como positiva pela maior parte dos inquiridos. Aqui, claro, há uma clivagem:
Na Turquia, em Portugal, em Itália, e em Espanha, essa avaliação é predominantemente negativa. E está fortemente relacionada com uma pior opinião da Alemanha enquanto país. Isto é algo que, sendo porventura compreensível na Turquia, me parece um bocado perturbante nos restantes países, devo dizer.
Na maior parte destes países, a avaliação que se faz dos efeitos do Euro (ou dos que seriam os efeitos do Euro para os países que não o têm) é mais negativa que positiva. E onde ele não existe, pelos vistos, poucos o querem. Por outro lado, noutra pergunta, há já 50% de espanhóis que acham que seria melhor sair, valor que chega aos 40% em Portugal...
Que fazer? Uma das perguntas coloca os inquiridos perante três opções: diminuir despesas para diminuir a dívida; manter o nível de despesas; ou aumentar para promover crescimento? O gráfico seguinte mostra as percentagens para a primeira opção:
Apesar da diminuição em relação a 2011, Portugal continuava em Junho o campeão da defesa do corte das despesas do Estado. Claro, a pergunta é colocada em abstracto, sem especificar onde se corta, o que facilita o apoio. Para além disso, cortar despesas é bastante diferente de aumentar impostos ou contribuições para a segurança social, o que nos deve tornar ainda mais cuidadosos sobre interpretações destes resultados como sendo de "apoio" às medidas de quaisquer governos. Mas dito isto, há (ou talvez mais exactamente, havia em Junho) um capital político não irrelevante de apoio a uma redução das despesas do estado nalguns países, especialmente em Portugal. Já o que se fez com esse capital é outro assunto.
O que me leva ao último gráfico. "Algumas pessoas dizem que o nosso sistema económico funciona de forma justa para todos, enquanto que outros dizem que a maior parte dos benefícios do nosso sistema só vão para alguns. Qual destas opiniões se aproxima mais da sua?"
Tal como sucede em todos os estudos que alguma vez me lembro de ter visto sobre este tema, Portugal destaca-se por uma sensibilidade particularmente elevada às questões da justiça distributiva do sistema económico. Num país tão desigual como o nosso e, porventura, com uma cultura política marcada ainda pelo 25 de Abril, não creio que isto seja particularmente surpreeendente. O que surpreende é que seja tão frequentemente esquecido.
Em geral, com poucas excepções, há mais pessoas a avaliar positivamente a actuação da UE do que dos seus próprios governos nacionais. É natural: os governos são partidários, dividem as pessoas; a UE não é vista da mesma forma. Dito isto, é curioso que uma crise cuja responsabilidade tem sido atribuída à incapacidade de decisão na Europa permita, mesmo assim, que na maior parte dos casos a actuação da UE seja vista como positiva. Quem paga as favas são os governos: afinal, são eles que podemos castigar ou recompensar, ao contrário de uma distante e politicamente irresponsável UE. Notar também as excepções: Alemanha, Turquia e Suécia.
Uma mini-surpresa: na maior parte dos países, a actuação da chanceler Merkel é vista como positiva pela maior parte dos inquiridos. Aqui, claro, há uma clivagem:
Na Turquia, em Portugal, em Itália, e em Espanha, essa avaliação é predominantemente negativa. E está fortemente relacionada com uma pior opinião da Alemanha enquanto país. Isto é algo que, sendo porventura compreensível na Turquia, me parece um bocado perturbante nos restantes países, devo dizer.
Na maior parte destes países, a avaliação que se faz dos efeitos do Euro (ou dos que seriam os efeitos do Euro para os países que não o têm) é mais negativa que positiva. E onde ele não existe, pelos vistos, poucos o querem. Por outro lado, noutra pergunta, há já 50% de espanhóis que acham que seria melhor sair, valor que chega aos 40% em Portugal...
Que fazer? Uma das perguntas coloca os inquiridos perante três opções: diminuir despesas para diminuir a dívida; manter o nível de despesas; ou aumentar para promover crescimento? O gráfico seguinte mostra as percentagens para a primeira opção:
Apesar da diminuição em relação a 2011, Portugal continuava em Junho o campeão da defesa do corte das despesas do Estado. Claro, a pergunta é colocada em abstracto, sem especificar onde se corta, o que facilita o apoio. Para além disso, cortar despesas é bastante diferente de aumentar impostos ou contribuições para a segurança social, o que nos deve tornar ainda mais cuidadosos sobre interpretações destes resultados como sendo de "apoio" às medidas de quaisquer governos. Mas dito isto, há (ou talvez mais exactamente, havia em Junho) um capital político não irrelevante de apoio a uma redução das despesas do estado nalguns países, especialmente em Portugal. Já o que se fez com esse capital é outro assunto.
O que me leva ao último gráfico. "Algumas pessoas dizem que o nosso sistema económico funciona de forma justa para todos, enquanto que outros dizem que a maior parte dos benefícios do nosso sistema só vão para alguns. Qual destas opiniões se aproxima mais da sua?"
Tal como sucede em todos os estudos que alguma vez me lembro de ter visto sobre este tema, Portugal destaca-se por uma sensibilidade particularmente elevada às questões da justiça distributiva do sistema económico. Num país tão desigual como o nosso e, porventura, com uma cultura política marcada ainda pelo 25 de Abril, não creio que isto seja particularmente surpreeendente. O que surpreende é que seja tão frequentemente esquecido.
quarta-feira, setembro 12, 2012
Leader approval
A few days ago I gave you the long-run view on voting intentions. Now for the long-run view on leader approval. Pollsters in Portugal ask this question in very different ways, rendering frequencies not comparable. There are ways to go around this, but for now I decided to focus on a single pollster that makes their data publicly accessible in a very nice way: Marktest. So this is is percentage of respondents who make a "positive" assessment of the performance of the leader of the PS, the PSD, and of the President of the Republic (there's just another response option, "negative") since 2005. The lines are lowess smoothers (80% bandwidth):
So, a few things:
1. The most remarkable phenomenon is the decline in the President's approval. One would need to display a much longer series to show this fully, but I think it's probably not too bold to say that Cavaco is now the most unpopular President Portugal has ever had since polls have measured this sort of thing regularly (since the mid-1980s). The fact that he is now as popular (or, better put, unpopular) as the two main party leaders is, I think, particularly striking, given the nature of his office.
2. In spite of the decline in the former Prime Minister Sócrates' popularity, PSD never had, until Passos Coelho, somebody who could match him. Furthermore, Passos Coelho started at a level well below the popularity of Sócrates at the beginning of his own term. Having said that, the political and economic circumstances are, of course, dramatically different from those in 2005/2006.
3. A good piece of news for Coelho is that his level of approval has stayed relatively stable until July 2012, unlike his party, which has suffered a decline in voting intentions. Of course, we'll have to see how the horrifying political summer the government has been experiencing will play out in the next polls.
4. Seguro, the new PS leader, has been rising, although having started from very low levels (for PS leaders' usual standards).
So, a few things:
1. The most remarkable phenomenon is the decline in the President's approval. One would need to display a much longer series to show this fully, but I think it's probably not too bold to say that Cavaco is now the most unpopular President Portugal has ever had since polls have measured this sort of thing regularly (since the mid-1980s). The fact that he is now as popular (or, better put, unpopular) as the two main party leaders is, I think, particularly striking, given the nature of his office.
2. In spite of the decline in the former Prime Minister Sócrates' popularity, PSD never had, until Passos Coelho, somebody who could match him. Furthermore, Passos Coelho started at a level well below the popularity of Sócrates at the beginning of his own term. Having said that, the political and economic circumstances are, of course, dramatically different from those in 2005/2006.
3. A good piece of news for Coelho is that his level of approval has stayed relatively stable until July 2012, unlike his party, which has suffered a decline in voting intentions. Of course, we'll have to see how the horrifying political summer the government has been experiencing will play out in the next polls.
4. Seguro, the new PS leader, has been rising, although having started from very low levels (for PS leaders' usual standards).
Subscrever:
Mensagens (Atom)














