sexta-feira, fevereiro 06, 2009

"Porque não telefonam para os telemóveis também?"

Pergunta-se num comentário. Aqui vai:

1. Custos de comunicação, tornando certo tipo de trabalhos economicamente inviáveis (tudo o que for sondagens para os media, por exemplo);
2. Perda da informação territorial que (por enquanto) ainda está associada aos números fixos. Há maneira de tentar resolver (obter a informação de residência na própria chamada) mas aí o ponto anterior ainda fica mais complicado.
3. Grande número de números válidos (com cartões SIM activados) mas sem utilização real (telefones desligados), provocando mensagens de voice mail, obrigando a novas tentativas durante o trabalho de campo que vão ser inevitavelmente fracassadas.
4. Falta de confiança nos dados sobre o universo. As estimativas dos domicílios cell-only em Portugal oscilam entre os 15% e os 48% (!!!).
5. A unidade de amostragem numa sondagem telefónica convencional é o domicílio, dentro do qual se selecciona aleatoriamente um indivíduo pertencente ao universo; a unidade de amostragem numa sondagem através de móvel é o indivíduo. Isto seria resolúvel se o ponto 4 não fosse o que é.

Acho que é isto. Não é por acaso que, até nos Estados Unidos, a utilização de telemóveis para sondagens políticas a sério só começou este ano e ainda a um nível algo experimental.
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