Dois gráficos - o termo "geniais" ocorre-me mas pode ser algum exagero - de Charles Franklin sobre as sondagens da Super Tuesday. Mas insisto: são geniais porque num mesmo gráfico se vê:
1. As vantagens de Clinton/McCain sobre Obama/Romney em cada estado;
2. A importância relativa de cada estado em termos de delegados;
3. As tendências.
Mais e melhor seria difícil. Um exemplo de como vale a pena aderir a este "movimento".
quinta-feira, janeiro 31, 2008
quarta-feira, janeiro 30, 2008
Edwards
Edwards abandona. Por agora não apoia Clinton ou Obama. Resta saber - as sondagens ainda não medem isso - o efeito do apoio dos Kennedy a Obama. Mas isso não deve chegar. O que poderia ainda lançar incerteza sobre o dia 5 - talvez a única coisa que o poderia fazer - seria o apoio de Edwards a Obama.
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A propósito das eleições americanas, não posso deixar de anunciar a vinda ao ICS de Michael Werz, fellow do German Marshall Fund, para uma palestra sobre o tema, já em rescaldo da Super Tuesday. O título é The Two Year Campaign: Remarks on the most unusual American Election since World War II. Vai ser dia 14, às 17.00h. Mais informações aqui.
E no dia seguinte vai à FLAD, para uma palestra sobre as relações entre os EUA e a Europa. É aproveitar, que vai certamente valer a pena.
E no dia seguinte vai à FLAD, para uma palestra sobre as relações entre os EUA e a Europa. É aproveitar, que vai certamente valer a pena.
Clinton e McCain
...ganharam na Florida. Giuliani cai fora, e apoia McCain. Para os três estados mais importantes da Super Tuesday - Califórnia, Nova Iorque e Nova Jérsia - ambos lideram as sondagens, com vantagens, no caso de Clinton, confortáveis. Georgia e, claro, Illinois, parecem ser, de momento, os únicos em que Obama pode ganhar. Não sei o que vos parece, mas a coisa começa a ficar com ar de encerrada.
segunda-feira, janeiro 28, 2008
Sem título, técnica mista sobre papel, 2008
"Atenção: não há três mas sim cinco tempos verbais; além do passado, do presente e do futuro, todos tempos finitos, há ainda dois tempos infinitos - o nunca e o sempre"
Paulo Teixeira Pinto
(na sua crónica no suplemento NS, do DN, no passado dia 26, que continha também por um poema da sua autoria, um texto sobre o International Klein Blue e uma citação do Almada Negreiros)
Paulo Teixeira Pinto
(na sua crónica no suplemento NS, do DN, no passado dia 26, que continha também por um poema da sua autoria, um texto sobre o International Klein Blue e uma citação do Almada Negreiros)
South Carolina
Os erros foram maiores que em New Hampshire, mas como o vencedor foi o esperado nem se nota. Funny how the psychology of poll numbers works.
Se o vencedor foi o esperado, é magnitude da vantagem que espanta. Mas a pergunta central é esta:
There is a simple explanation for Obama's victory last night: he won African American voters. They constituted 53% of the vote, and 80% of them went for Obama. This is an incredible result. Of this there is no doubt. But it invites a question - can Obama win white voters?
E a resposta é: sim, não e talvez. Pronto, ficamos assim.
Se o vencedor foi o esperado, é magnitude da vantagem que espanta. Mas a pergunta central é esta:
There is a simple explanation for Obama's victory last night: he won African American voters. They constituted 53% of the vote, and 80% of them went for Obama. This is an incredible result. Of this there is no doubt. But it invites a question - can Obama win white voters?
E a resposta é: sim, não e talvez. Pronto, ficamos assim.
quinta-feira, janeiro 24, 2008
Sampaio/Cavaco: as consequências da coabitação para a função de popularidade do PR (a olhómetro, para já)
Um gráfico muito simples, mostrando os saldos entre opiniões positivas e negativas para Sampaio e Cavaco nos barómetros Marktest e Eurosondagem, o primeiro entre Março de 2005 e Março de 2006 e o segundo deste então. Ambos mostram o declínio de Sampaio durante o primeiro ano de mandato do actual governo e uma recuperação final. Deste ponto de vista, é um espelho do que se passou com a popularidade do Primeiro Ministro no mesmo período.

Mas com Cavaco, a história é algo diferente. Para além de mostrar a velocidade alucinante com que Cavaco deixou de ser o "Presidente da direita" e chegou aos níveis "base" de alta popularidade de um Presidente da República, o gráfico mostra também como Cavaco é menos vulnerável ao declínio da popularidade do Primeiro Ministro desde o início de 2007. Na Marktest - onde a descida de Sócrates é mais visível - Cavaco está trendless. Na Eurosondagem, há declínio, mas ligeiro. A coabitação - ou falta dela - tem consequências.
quarta-feira, janeiro 23, 2008
segunda-feira, janeiro 21, 2008
Rescaldo Nevada e SC e o que se segue
Como se pode ver por aqui, aqui e aqui, as sondagens não se portaram mal nestes dois estados. O que segue, dia 26, é a Carolina do Sul para os Democratas, onde tudo sugere uma vitória de Obama: 10 pontos de vantagem na média das últimas quatro sondagens e favoritismo claro nos mercados electrónicos. Segue-se depois a Florida para os dois partidos, no dia 29, última etapa antes da Super Tuesday no dia 5 de Fevereiro (os Republicanos ainda têm o Maine antes disso no dia 1).
Curiosamente, segundo parece (e confesso-me algo perdido nos meandros do caos eleitoral americano), nenhum mandato será atribuído nas primárias do partido Democrata na Florida, e apenas metade nas do partido Republicano, pelo facto de terem sido antecipadas contra a vontade dos órgãos nacionais dos partidos. Mas isso retira pouco à importância deste estado. Será crucial para Giuliani, cuja vantagem inicial parece, à luz das sondagens, ter-se evaporado. McCain começa a parecer - relutantemente - o frontrunner, mas evitar um GOP dividido após a Super Tuesday pode em grande medida depender do que suceder na Florida. E depois da presumível vitória de Obama em SC, era importante para ele que conseguisse evitar ou mitigar a vitória que se antevê para Clinton na Florida, para que seja o showdown no dia 5 a resolver o assunto a favor de um ou de outro.
Curiosamente, segundo parece (e confesso-me algo perdido nos meandros do caos eleitoral americano), nenhum mandato será atribuído nas primárias do partido Democrata na Florida, e apenas metade nas do partido Republicano, pelo facto de terem sido antecipadas contra a vontade dos órgãos nacionais dos partidos. Mas isso retira pouco à importância deste estado. Será crucial para Giuliani, cuja vantagem inicial parece, à luz das sondagens, ter-se evaporado. McCain começa a parecer - relutantemente - o frontrunner, mas evitar um GOP dividido após a Super Tuesday pode em grande medida depender do que suceder na Florida. E depois da presumível vitória de Obama em SC, era importante para ele que conseguisse evitar ou mitigar a vitória que se antevê para Clinton na Florida, para que seja o showdown no dia 5 a resolver o assunto a favor de um ou de outro.
sexta-feira, janeiro 18, 2008
A blogosfera e a política
A blogosfera chegou às ciências sociais "sérias" (a Economia e a Ciência Política, portanto*): o último número (duplo) da Public Choice (no less) é dedicado ao tema Blogs, Politics and Power. Ainda não li uma linha, a não ser a Introdução:
"Blogs are not only more than a passing fad; they are a major topic for research both because they affect politics in their own right, and as a means of approaching important questions for the social sciences more generally."
A ler urgentemente.
*Os psicólogos (sociais) são sérios quando trabalham em articulação com uma delas. Hate mail de sociólogos, antropólogos e historiadores pode ser enviado para o endereço acima. Economistas que acham que a Ciência Política não é seria não precisam de escrever, que eu já sei. Cientistas que acham que "ciência social" é um oxímoro não lêem este blogue. :-)
"Blogs are not only more than a passing fad; they are a major topic for research both because they affect politics in their own right, and as a means of approaching important questions for the social sciences more generally."
A ler urgentemente.
*Os psicólogos (sociais) são sérios quando trabalham em articulação com uma delas. Hate mail de sociólogos, antropólogos e historiadores pode ser enviado para o endereço acima. Economistas que acham que a Ciência Política não é seria não precisam de escrever, que eu já sei. Cientistas que acham que "ciência social" é um oxímoro não lêem este blogue. :-)
Florida or bust
Giuliani apostou tudo na ideia de que nenhum momentum claro iria emergir das primárias nos pequenos estados - "early chaos" - e que, logo, o melhor era fazer o mais racional à luz do sistema eleitoral: apostar tudo nos grandes estados. O primeiro é a Florida, no dia 29.
Mas, há um pequeno problema:
1. Milagrosamente, McCain voltou ao mundo dos vivos. Mais: está a subir em todos os próximos estados e nas sondagens nacionais. O early chaos é menos caótico do que parece.
2. Florida está cada vez menos segura para Giuliani. As últimas cinco sondagens colocam-no atrás de McCain e Giuliani já não é o favorito nos mercados electrónicos. Se perde Florida, não é apenas Florida: é toda uma estratégia eleitoral que vai parecer, à luz dos analistas e dos eleitores, ter ido pelos ares.
Mas, há um pequeno problema:
1. Milagrosamente, McCain voltou ao mundo dos vivos. Mais: está a subir em todos os próximos estados e nas sondagens nacionais. O early chaos é menos caótico do que parece.
2. Florida está cada vez menos segura para Giuliani. As últimas cinco sondagens colocam-no atrás de McCain e Giuliani já não é o favorito nos mercados electrónicos. Se perde Florida, não é apenas Florida: é toda uma estratégia eleitoral que vai parecer, à luz dos analistas e dos eleitores, ter ido pelos ares.
quarta-feira, janeiro 16, 2008
Nevada, dia 19
Nas sondagens, e entre os Democratas, Obama aproxima-se de Clinton (a sondagem mais recente tem Obama com 2 pontos de avanço). Entre os Republicanos, entre estimativas pontuais e tendencias, é a confusão total. Neste momento, os mercados apostam em Obama e Romney.
Hirschman
"With this argument, the reactionary takes on once again the progressive’s clothes and argues as though both the new and the old progress were desirable, and then shows typically how a new reform, if carried out, would mortally endanger an older, highly prized one that has only recently been put into place. The older, hard-won conquests or accomplishments, so it is argued, are still fragile, still need to be consolidated and would be placed in jeopardy by the new program. I therefore call this argument the jeopardy thesis."
"Once again, then, a group of social analysts found itself irresistibly attracted to deriding those who aspire to change the world for the better. And it is not enough to show that these naive Weltverbesserer (world improvers) fall flat on their face: it must be proven that they are actually, if I may coin the corresponding German term, Weltverschlechterer (world worseners) , that they leave the world in a worse shape than prevailed before any 'reform' had been instituted."
"I hope that I will have convinced the reader that it is worthwhile to trace these theses through the debates of the last two hundred years, if only to marvel at certain invariants in argument and rhetoric, just as Flaubert liked to marvel at the invariant bêtise of his contemporaries. To show how the participants in these debates are caught by compelling reflexes and lumber predictably through certain set motions and maneuvers (...) My account and critique of the lines of argument most commonly used on behalf of reactive/reactionary causes could serve to make advocates of such causes a bit reluctant to trot out these same arguments over again and inclined to plead their case with greater originality, sophistication, and restraint. Second, my exercise could have an even more useful impact on reformers and sundry progressives. They are given notice here of the kinds of arguments and objections that are most likely to be raised against their programs. Hence, they may be impelled to take extra care in guarding against conceivable perverse effects and other problematic consequences."
"Once again, then, a group of social analysts found itself irresistibly attracted to deriding those who aspire to change the world for the better. And it is not enough to show that these naive Weltverbesserer (world improvers) fall flat on their face: it must be proven that they are actually, if I may coin the corresponding German term, Weltverschlechterer (world worseners) , that they leave the world in a worse shape than prevailed before any 'reform' had been instituted."
"I hope that I will have convinced the reader that it is worthwhile to trace these theses through the debates of the last two hundred years, if only to marvel at certain invariants in argument and rhetoric, just as Flaubert liked to marvel at the invariant bêtise of his contemporaries. To show how the participants in these debates are caught by compelling reflexes and lumber predictably through certain set motions and maneuvers (...) My account and critique of the lines of argument most commonly used on behalf of reactive/reactionary causes could serve to make advocates of such causes a bit reluctant to trot out these same arguments over again and inclined to plead their case with greater originality, sophistication, and restraint. Second, my exercise could have an even more useful impact on reformers and sundry progressives. They are given notice here of the kinds of arguments and objections that are most likely to be raised against their programs. Hence, they may be impelled to take extra care in guarding against conceivable perverse effects and other problematic consequences."
Albert O. Hirschman, "Two Hundred Years of Reactionary Rhetoric: The Case of the Perverse Effect", Tanner Lectures on Human Values, 1988 (obrigado à Mónica pela lembrança)
Iraque/Vietname
Apesar das melhorias reais no terreno, as mudanças na opinião pública são imperceptíveis. A última sondagem da Gallup sobre o Iraque é já de meados de Dezembro passado. O primeiro gráfico mostra a evolução das respostas à mesma questão colocada também pela Gallup sobre o Vietname, em sondagens realizadas a partir de 1965, e numa escala temporal aproximada (com 100 dias de diferença):

Balões de oxigénio
Para Romney (que ganha em Michigan), para as sondagens (que, numa análise geral, colocavam Romney em ligeira vantagem) e para os mercados electrónicos (que, correctamente, deram no final menos hipóteses a McCain do que as próprias sondagens).
Clinton ganhou? Sim, claro. Mas perdeu entre o eleitorado negro.
O excelente Jay Cost:
"Tonight's results are another indication that African Americans are breaking his [Obama's] way. The Clinton campaign should be worried about this. It appears as if Obama might be able to take an important part of the traditional Democratic coalition. He is thus moving beyond the relatively narrow appeal of previous "insurgent" Democratic candidates like Bill Bradley and Gary Hart. This is bad news for Clinton."
Clinton ganhou? Sim, claro. Mas perdeu entre o eleitorado negro.
O excelente Jay Cost:
"Tonight's results are another indication that African Americans are breaking his [Obama's] way. The Clinton campaign should be worried about this. It appears as if Obama might be able to take an important part of the traditional Democratic coalition. He is thus moving beyond the relatively narrow appeal of previous "insurgent" Democratic candidates like Bill Bradley and Gary Hart. This is bad news for Clinton."
segunda-feira, janeiro 14, 2008
Dois genes
Um paper com uma explicação genética para a participação eleitoral. Vou começar a preencher os papéis do subsídio de desemprego.
Michigan
Para os Democratas, é simples: Clinton será a candidata mais votada. Obama e Edwards não aparecem nos boletins. Mas a coisa é complicada. Tudo explicado aqui.
Para os Republicanos, Romney e McCain taco-a-taco nas sondagens (fonte: Pollster) e nos mercados electrónicos. As primeiras dão ligeira vantagem a Romney, os segundos a McCain (à hora a que escrevo isto) mas ambos sinalizam subida na fase final para Romney,



Entretanto, os recentes ataques mútuos de Obama e Clinton revelam a enorme delicadeza das circunstâncias desta eleição e os riscos que as campanhas negativas comportam para estas candidaturas (mais para Clinton do que para Obama, parece-me).
Para os Republicanos, Romney e McCain taco-a-taco nas sondagens (fonte: Pollster) e nos mercados electrónicos. As primeiras dão ligeira vantagem a Romney, os segundos a McCain (à hora a que escrevo isto) mas ambos sinalizam subida na fase final para Romney,



Entretanto, os recentes ataques mútuos de Obama e Clinton revelam a enorme delicadeza das circunstâncias desta eleição e os riscos que as campanhas negativas comportam para estas candidaturas (mais para Clinton do que para Obama, parece-me).
Popularidade
Com os novos dados da Eurosondagem de Janeiro de 2008, o saldo entre opiniões positivas e negativas para Sócrates, Cavaco e Menezes (sendo que, para este último, há ainda poucas observações). A discrepância entre os resultados da Marktest e da Eurosondagem para Sócrates permanece.
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