Num artigo de ontem do FT, retomado hoje no Público, defende-se a ideia de que as medidas de austeridade aprovadas por alguns governos europeus não terão afectado a sua popularidade. Num certo sentido, a afirmação é insusceptível de ser confirmada ou infirmada. O "pacote de austeridade" italiano foi aprovado anteontem. O português, por exemplo, foi aprovado no dia 21. Hoje é dia 26. O Público cita os resultados de uma sondagem cujo trabalho de campo terminou no dia 18. Enough said.
Dito isto, olhemos para as sondagens dos últimos meses de agitação financeira e ameaças de bancarrota. Na Irlanda, o Fianna Fáil, partido de governo, tem hoje 23% de intenções de voto, o valor mais baixo desde Maio de 2009. De Janeiro até Abril, desceu 4 pontos percentuais, de 27 para 23%. Na Grécia, a popularidade do Primeiro Ministro desceu 15 pontos de Abril para Maio e as intenções de voto no PASOK desceram 4 pontos entre Março e Maio. Na Itália, a popularidade de Berlusconi atingiu o ponto mais baixo nos últimos dois anos. E em Portugal, como sabemos, das últimas três sondagens divulgadas, duas colocam, pela primeira vez em anos, o PSD à frente do PS nas intenções de voto.
Não sei bem do que falam o FT e o Público quando dizem que as medidas de austeridade não afectaram a popularidade dos governos, mas de sondagens não é certamente.
P.S.- De um comentário no Facebook: ""Em Espanha, o PSOE perdeu cerca de 8 pointos em seis meses (dos 42% para os 34%) mas o PP nao ganhou nada (continua nos 40%). Os beneficiados sao os pequenos partidos (IU e UPyD) e a abstencao. Veremos se o mesmo acontece em Portugal!"
A apresentar mensagens correspondentes à consulta popularidade ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta popularidade ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
quarta-feira, maio 26, 2010
sexta-feira, agosto 25, 2006
Líderes
Segue-se a minha melhor estimativa da evolução real dos níveis de popularidade de Sócrates, Cavaco e Mendes, com Sampaio introduzido para servir de ponto de comparação. Há duas empresas a fazerem sondagens regulares, pelo menos uma vez por mês cada. Cada uma delas pergunta aos inquiridos se têm uma opinião positiva ou negativa da actuação dos vários líderes políticos. Mas como a pergunta tem formulações ligeiramente diferentes e, ao que me parece, diferentes opções de resposta (para já não falar de metodologias de amostragem e inquirição diferentes), o que faço é o seguinte:
1. Elaboro um índice de popularidade, calculado da seguinte forma: (2* "% de opiniões favoráveis" + "% de indiferentes")/2. Resulta daqui um valor que oscila entre 0 e 100, com 0 a significar 100% de opiniões negativas, 100 a significar 100% de opiniões positivas, e 50 a significar que há tantas positivas como negativas.
2. Usando dummies para a Eurosondagem e a Marktest e para cada um dos meses onde foram conduzidos inquéritos, corro uma regressão em que a variável dependente é o índice de popularidade para cada líder político e excluindo a constante da equação. Aquilo que obtenho para cada mês é a estimativa do índice de popularidade limpo de "house effects". Tudo isto funcionaria muito melhor se houvesse mais sondagens e mais institutos, mas é o que se pode fazer.

Nas próximas semanas deverão aparecer as sondagens realizadas em Agosto e logo se verá se isso traz novidades especiais. Mas entretanto, é impossível não notar:
1. A estagnação de Marques Mendes a níveis perto do "fifty/fifty" (tantas opiniões positivas como negativas);
2. A subida de Sócrates, lenta mas imperturbável, desde que ultrapassadas as confusões das autárquicas. Não é muito frequente ver um padrão deste género. A curva "clássica" do ciclo de popularidade é um ligeiro aumento logo após as eleições, seguida de uma descida até a meio do mandato, seguida de uma subida até ao final. Mas o que este conseguiu foi perder gás nos primeiros oito meses (se bem que de forma muito menos abrupta do que tinha sucedido com Durão Barroso em 2002) para de seguida começar logo a subir. Macacos me mordam se o apoio de Sócrates a Cavaco nas presidenciais (não erro muito se colocar a coisa nesses termos, pois não?) não tem qualquer coisa a ver com isto...
3. Cavaco sobe ainda mais depressa e já ultrapassou os valores que Sampaio exibia, por exemplo, em Outubro. Sobre isto, há um artigo (para subscritores) de Constança Cunha e Sá no Público, onde a única coisa que não percebo é por que razão a autora parece julgar que a coisa poderia ser diferente.
1. Elaboro um índice de popularidade, calculado da seguinte forma: (2* "% de opiniões favoráveis" + "% de indiferentes")/2. Resulta daqui um valor que oscila entre 0 e 100, com 0 a significar 100% de opiniões negativas, 100 a significar 100% de opiniões positivas, e 50 a significar que há tantas positivas como negativas.
2. Usando dummies para a Eurosondagem e a Marktest e para cada um dos meses onde foram conduzidos inquéritos, corro uma regressão em que a variável dependente é o índice de popularidade para cada líder político e excluindo a constante da equação. Aquilo que obtenho para cada mês é a estimativa do índice de popularidade limpo de "house effects". Tudo isto funcionaria muito melhor se houvesse mais sondagens e mais institutos, mas é o que se pode fazer.

Nas próximas semanas deverão aparecer as sondagens realizadas em Agosto e logo se verá se isso traz novidades especiais. Mas entretanto, é impossível não notar:
1. A estagnação de Marques Mendes a níveis perto do "fifty/fifty" (tantas opiniões positivas como negativas);
2. A subida de Sócrates, lenta mas imperturbável, desde que ultrapassadas as confusões das autárquicas. Não é muito frequente ver um padrão deste género. A curva "clássica" do ciclo de popularidade é um ligeiro aumento logo após as eleições, seguida de uma descida até a meio do mandato, seguida de uma subida até ao final. Mas o que este conseguiu foi perder gás nos primeiros oito meses (se bem que de forma muito menos abrupta do que tinha sucedido com Durão Barroso em 2002) para de seguida começar logo a subir. Macacos me mordam se o apoio de Sócrates a Cavaco nas presidenciais (não erro muito se colocar a coisa nesses termos, pois não?) não tem qualquer coisa a ver com isto...
3. Cavaco sobe ainda mais depressa e já ultrapassou os valores que Sampaio exibia, por exemplo, em Outubro. Sobre isto, há um artigo (para subscritores) de Constança Cunha e Sá no Público, onde a única coisa que não percebo é por que razão a autora parece julgar que a coisa poderia ser diferente.
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
A popularidade de Sócrates
Não venho dar mais uma contribuição para decifrar os "mistérios" da popularidade do Primeiro-Ministro, tema em voga nos jornais por estes dias. Venho apenas mostrar os dados. O próximo gráfico mostra a evolução do "saldo de popularidade" de Sócrates, ou seja, a percentagem de inquiridos que fazem uma avaliação positiva da sua actuação subtraída da percentagem daqueles que fazem uma evolução negativa. Como vêem...


Mas mesmo assim, continuar a falar de um "estado de graça" do Primeiro Ministro ou do Governo, e basear esse diagnóstico nas sondagens, parece-me deslocado. O PS continua à frente das intenções de voto? Em 2001 também estava.
1. A discrepância em termos absolutos entre os resultados da Eurosondagem e os da Marktest é enorme. Nos primeiros, Sócrates anda próximo de um saldo de 40 pontos positivos, e está hoje (ou melhor, estava no fim de Janeiro, quando foi feita a última sondagem) perto do "estado de graça" com que iniciou o mandato. Nos segundos, o saldo positivo é de apenas 8 pontos percentuais, tendo assim quase tantas pessoas a fazerem uma avaliação positiva como aquelas que fazem uma avaliação negativa da sua actuação, e estando muito longe dos mais de 30 pontos positivos com que iniciou o mandato. É o dia e a noite. Qualquer análise da "popularidade" de Sócrates tem de fazer uma escolha sobre em que dados confia. Pelos vistos, a maioria dos comentadores confia nos primeiros.
2. Mas é possível que se trate menos de uma questão de escolha daquilo em que se quer acreditar do que uma mera comparação com o líder da oposição. Nesse caso, percebe-se a ideia:
Mas mesmo assim, continuar a falar de um "estado de graça" do Primeiro Ministro ou do Governo, e basear esse diagnóstico nas sondagens, parece-me deslocado. O PS continua à frente das intenções de voto? Em 2001 também estava.
3. Disto isto, as tendências de evolução são semelhantes para os dois institutos. Para Sócrates, descida até às autárquicas de 2005, seguida de recuperação desde então, mais ou menos acidentada dependendo do instituto. Para Mendes, descida também desde chegada à liderança do partido, seguida de relativa estabilidade. Na Marktest, contudo, os últimos meses têm sido de acentuada degradação para Marques Mendes, e os resultados das sondagens pós-referendo não lhe serão certamente propícios.
quinta-feira, janeiro 24, 2008
Sampaio/Cavaco: as consequências da coabitação para a função de popularidade do PR (a olhómetro, para já)
Um gráfico muito simples, mostrando os saldos entre opiniões positivas e negativas para Sampaio e Cavaco nos barómetros Marktest e Eurosondagem, o primeiro entre Março de 2005 e Março de 2006 e o segundo deste então. Ambos mostram o declínio de Sampaio durante o primeiro ano de mandato do actual governo e uma recuperação final. Deste ponto de vista, é um espelho do que se passou com a popularidade do Primeiro Ministro no mesmo período.

Mas com Cavaco, a história é algo diferente. Para além de mostrar a velocidade alucinante com que Cavaco deixou de ser o "Presidente da direita" e chegou aos níveis "base" de alta popularidade de um Presidente da República, o gráfico mostra também como Cavaco é menos vulnerável ao declínio da popularidade do Primeiro Ministro desde o início de 2007. Na Marktest - onde a descida de Sócrates é mais visível - Cavaco está trendless. Na Eurosondagem, há declínio, mas ligeiro. A coabitação - ou falta dela - tem consequências.
segunda-feira, junho 30, 2008
Previsões para as presidenciais americanas
O último número do International Journal of Forecasting é uma delícia para viciados nas eleições americanas. Vários artigos discutem o desempenho passado de modelos de previsão dos resultados das eleições, das sondagens e dos mercados electrónicos.
(1) weighted-average growth of per capita real personal disposable income over the term, and (2) cumulative US military fatalities owing to unprovoked, hostile deployments of American armed forces in foreign conflicts.

Em 2004, o primeiro modelo a ser divulgado, logo em Janeiro, foi o de Helmut Norpoth. Foi o primeiro modelo porque se baseia em variáveis que podem ser medidas relativamente cedo: os resultados das primárias em New Hampshire, os resultados das duas últimas eleições presidenciais e uma variável medindo identificação partidária (baseada nos resultados das eleições para o Congresso). Aplicado a todas as eleições desde 1912, o modelo prevê correctamente o vencedor em todas as eleições menos uma (1960). Para 2004, previa que Bush iria derrotar Kerry por 54,7% contra 45,3%. Na verdade, o resultado foi 50,7% contra 48,3%. Mas o modelo bateu, de longe, como instrumento de previsão, quer as sondagens quer as cotações dos mercados electrónicos da mesma altura, ou seja, Janeiro de 2004. E o que diz o modelo desta vez para Obama-McCain em 2008? 50,1% contra 49,9%. Um dos problemas disto, claro, está aqui:
O modelo de Douglas Hibbs tem duas variáveis principais:
(1) weighted-average growth of per capita real personal disposable income over the term, and (2) cumulative US military fatalities owing to unprovoked, hostile deployments of American armed forces in foreign conflicts.
Em 2004, previu correctamente a vitória de Bush, errando por apenas 1,8%. A previsão para 2008:
Those political-economic fundamentals imply an expected Republican two-party vote share centered on 48.2%. Barring unforeseen political shocks favoring the Republican candidate (presumptively John McCain), the Democratic standard bearer (presumptively Barack Obama) ought to win the 2008 presidential election by a margin in the neighborhood of 3.6 percentage points.
Ray Fair, com um modelo que inclui crescimento, inflação e nº de períodos trimestrais com crescimento económico elevado prevê 47,8% para os Republicanos. A página deixa-nos brincar com os valores das variáveis independentes e obter novas previsões.
Estes modelos costumam ter versões finais em Julho/Agosto, dado que utilizam dados da economia ou da popularidade do incumbent que só nesta altura estão disponíveis. Mas neste último número do IJF - com artigos escritos entre Julho e Novembro de 2007 - há já outras "previsões condicionais", baseadas em valores hipotéticos dos dados da popularidade e do crescimento. Alan Abramovitz prevê que uma vitória do Partido Republicano é impossível com os actuais valores da popularidade de Bush. Ela só começaria a tornar-se possível com um saldo de popularidade acima dos 10% em Junho de 2008. Neste momento, existe um saldo negativo com valores entre os -30 e os -50%. Michael Lewis-Beck e Charles Tien prevêm, condicionalmente, uma votação para o Partido Republicano entre 41.4 e 48.5%, dependendo de utilização de crescimento económico ou criação de empregos como variáveis independentes.
E depois há, claro, algo completamente diferente: The Keys to the White House, por Alan Lichtman, um historiador da American University. O método de Lichtman é um índice, de natureza qualitativa, que usa simplesmente respostas "sim"/"não" a 13 perguntas básicas. Quanto mais respostas "sim", maior a probabilidade de que o partido no poder renove a vitória. O método prevê correctamente o resultado de todas as eleições desde 1860 (mas ver aqui como a frase anterior não faz muito sentido). Eis as "chaves":
Destas perguntas, Lichtman respondia negativamente, em Novembro de 2007, a oito delas (e com Obama talvez tenha de responder a nove, ou seja, à última). Resposta: Democratas ganham. E como isto é convertível num modelo de previsão de percentagem de voto - nº de keys como variável independente do voto no incumbent - Lichtman prevê 46% para os Republicanos.
A última coisa a tomar em consideração, neste momento, é que, em 2004, a partir de Maio, os valores do Iowa Prediction Market estabilizou numa percentagem para Bush que, comparada com o que se veio a verificar em Novembro, exibia um desvio sempre igual ou inferior a um ponto percentual. E qual tem sido o valor para vote shares?

Em suma: ninguém, com excepção de Norpoth em Janeiro passado, prevê outra coisa que não uma vitória dos Democratas nesta eleição. Vou actualizando isto com as novas previsões à medida que forem saindo.
segunda-feira, novembro 13, 2006
A popularidade de Sócrates
Escreveu-se muito, incluindo aqui, sobre a última sondagem da Marktest, divulgada no Diário de Notícias, que apontava para uma súbita descida da popularidade de José Sócrates. Mas avisou-se também, por exemplo aqui, que uma sondagem era apenas uma sondagem.
Pessoalmente - mas isto era apenas um "gut feeling" - pareceu-me que a sondagem da Marktest terá medido qualquer coisa real. A descida ocorreu após uma série de acontecimentos que previsivelmente deveriam ter impacto sobre a popularidade do Primeiro Ministro. Contudo, os resultados da sondagem realizada pela Eurosondagem e divulgada no Expresso colocam isto em dúvida, ou melhor, sugerem uma hipótese alternativa: a de que quem sofreu em termos da avaliação popular foi o governo, e não o Primeiro Ministro.
Para repetir uma banalidade, mais uma sondagem é só mais uma sondagem. Entretanto, há que esperar por mais resultados. Contudo, a espera pode não resolver todas as dúvidas. Como podem ver se seguida, apesar da Marktest e da Eurosondagem mostrarem resultados que parecem seguir as mesmas tendências (sendo que assistimos agora, precisamente, à principal excepção), há discrepâncias a nível absoluto entre elas (maior popularidade para Sócrates na Eurosondagem) cuja explicação me escapa completamente.
Pessoalmente - mas isto era apenas um "gut feeling" - pareceu-me que a sondagem da Marktest terá medido qualquer coisa real. A descida ocorreu após uma série de acontecimentos que previsivelmente deveriam ter impacto sobre a popularidade do Primeiro Ministro. Contudo, os resultados da sondagem realizada pela Eurosondagem e divulgada no Expresso colocam isto em dúvida, ou melhor, sugerem uma hipótese alternativa: a de que quem sofreu em termos da avaliação popular foi o governo, e não o Primeiro Ministro.
Para repetir uma banalidade, mais uma sondagem é só mais uma sondagem. Entretanto, há que esperar por mais resultados. Contudo, a espera pode não resolver todas as dúvidas. Como podem ver se seguida, apesar da Marktest e da Eurosondagem mostrarem resultados que parecem seguir as mesmas tendências (sendo que assistimos agora, precisamente, à principal excepção), há discrepâncias a nível absoluto entre elas (maior popularidade para Sócrates na Eurosondagem) cuja explicação me escapa completamente.
quarta-feira, março 22, 2006
Popularidades
Nos Estados Unidos e (em menor grau) no Reino Unido, a avaliação do desempenho do chefe do executivo é seguida com enorme atenção pelos órgãos de comunicação social, pelos agentes políticos e pelos estudiosos da opinião pública, suscitando, por parte destes últimos, o tipo de análises aprofundadas que se podem encontrar aqui ou aqui. Por um lado, isto deve-se ao grande desenvolvimento dos estudos de opinião pública e à enorme quantidade de recursos que nelas são dispendidos. E por outro lado, aos próprios sistemas políticos. Nos Estados Unidos, temos a concentração do poder executivo num cargo uninominal. No Reino Unido, apesar de se tratar de um sistema parlamentar, estamos também perante um dos casos onde a concentração de poder nas mãos do PM e líder do partido é maior entre as democracias ocidentais. Logo, a atenção tende também ela a concentrar-se na pessoa do líder, nas suas qualidades e na avaliação que delas fazem os eleitores.
Em Portugal, o que se sabe sobre o factores que mais afectam o comportamento eleitoral é que a avaliação que os eleitores fazem dos líderes tem enorme impacto na decisão do voto, acima do que seria de esperar com um sistema eleitoral proporcional. Logo, seria de esperar que fosse dada grande atenção aos dados disponíveis sobre essa avaliação. Mas assim não sucede. Os meios de comunicação social encomendam apenas as duas empresas de sondagens - Marktest e Eurosondagem - dados regulares sobre essa matéria, e são raros os estudos disponíveis utilizando esses dados (com a notável excepção do trabalho de dois investigadores da Universidade do Minho, Francisco José Veiga e Linda Veiga).
Quais os dados disponíveis desde a tomada de posse do actual governo. A Marktest, no seu barómetro mensal, coloca a seguinte questão sobre vários líderes políticos:
No caso de [líder]: Em sua opinião diria que a actuação de [líder]) tem sido POSITIVA ou NEGATIVA ?
A formulação concreta da pergunta colocada pela Eurosondagem deverá ser semelhante, ficando contudo a dúvida se é fornecida uma opção intermédia "Assim-assim". Nalguns casos, os quadros publicados no Expresso sugerem que assim é (afirmando-se que as percentagens apresentadas excluem respostas "não sabe/não responde" e "assim-assim"). Noutros casos, essa referência está ausente.
Talvez as diferentes formulações ajudem a explicar as discrepâncias entre os resultados das duas empresas. Nos gráficos abaixo, apresenta-se a evolução ao longo do tempo das percentagens de indivíduos que fazem uma avaliação positiva do Primeiro-Ministro, do Presidente da República e do líder do principal partido da oposição nas duas sondagens desde a tomada de posse do actual governo (agradeço à Marktest o envio dos dados completos; os dados da Eurosondagem foram recolhidos do Expresso; datas correspondem ao último dia de trabalho de campo):



Apesar das discrepâncias nas avaliações de Sampaio serem mínimas, o mesmo não sucede para Sócrates ou Marques Mendes: as sondagens publicadas no Expresso tendem a obter maiores percentagens de aprovação para ambos em comparação com a Marktest.
Dito isto, é tranquilizador verificar que, apesar das discrepâncias absolutas, as tendências que detectam são semelhantes. Descida de Sócrates até às autárquicas, seguida de recuperação (claríssima na Marktest, sugerida na Eurosondagem); subida de Marques Mendes imediatamente após autárquicas, e posterior retorno aos níveis (baixos) de Abril de 2005. Em ambos os casos, e para as últimas sondagens, as taxas de aprovação de Sócrates estão cerca de 20 pontos percentuais acima das taxas de aprovação de Marques Mendes.
Os resultados de Sócrates não estão exactamente na linha do que anteriores estudos sobre as funções de popularidade poderiam sugerir. No passado, a popularidade do PM tendeu a diminuir com o aumento do desemprego, especialmente quando o seu governo dispunha de maioria absoluta. E diminuia também assim que se ultrapassava o período inicial de seis meses de "lua de mel". Mas não é bem isso que parece estar a ocorrer. Com o desemprego a aumentar de 7,5% para 8% do primeiro para o último trimestre de 2005 e ultrapassada a "lua de mel", Sócrates quase regressa aos níveis de popularidade de que gozava imediatamente no início do ciclo. Aumenta assim a curiosidade em relação ao que as próximas sondagens dirão: será a recuperação de popularidade dos últimos meses para durar, ou uma fugaz anomalia em relação à tendência de descida que se iniciou logo após a tomada de posse? Logo se verá.
Em Portugal, o que se sabe sobre o factores que mais afectam o comportamento eleitoral é que a avaliação que os eleitores fazem dos líderes tem enorme impacto na decisão do voto, acima do que seria de esperar com um sistema eleitoral proporcional. Logo, seria de esperar que fosse dada grande atenção aos dados disponíveis sobre essa avaliação. Mas assim não sucede. Os meios de comunicação social encomendam apenas as duas empresas de sondagens - Marktest e Eurosondagem - dados regulares sobre essa matéria, e são raros os estudos disponíveis utilizando esses dados (com a notável excepção do trabalho de dois investigadores da Universidade do Minho, Francisco José Veiga e Linda Veiga).
Quais os dados disponíveis desde a tomada de posse do actual governo. A Marktest, no seu barómetro mensal, coloca a seguinte questão sobre vários líderes políticos:
No caso de [líder]: Em sua opinião diria que a actuação de [líder]) tem sido POSITIVA ou NEGATIVA ?
A formulação concreta da pergunta colocada pela Eurosondagem deverá ser semelhante, ficando contudo a dúvida se é fornecida uma opção intermédia "Assim-assim". Nalguns casos, os quadros publicados no Expresso sugerem que assim é (afirmando-se que as percentagens apresentadas excluem respostas "não sabe/não responde" e "assim-assim"). Noutros casos, essa referência está ausente.
Talvez as diferentes formulações ajudem a explicar as discrepâncias entre os resultados das duas empresas. Nos gráficos abaixo, apresenta-se a evolução ao longo do tempo das percentagens de indivíduos que fazem uma avaliação positiva do Primeiro-Ministro, do Presidente da República e do líder do principal partido da oposição nas duas sondagens desde a tomada de posse do actual governo (agradeço à Marktest o envio dos dados completos; os dados da Eurosondagem foram recolhidos do Expresso; datas correspondem ao último dia de trabalho de campo):



Apesar das discrepâncias nas avaliações de Sampaio serem mínimas, o mesmo não sucede para Sócrates ou Marques Mendes: as sondagens publicadas no Expresso tendem a obter maiores percentagens de aprovação para ambos em comparação com a Marktest.
Dito isto, é tranquilizador verificar que, apesar das discrepâncias absolutas, as tendências que detectam são semelhantes. Descida de Sócrates até às autárquicas, seguida de recuperação (claríssima na Marktest, sugerida na Eurosondagem); subida de Marques Mendes imediatamente após autárquicas, e posterior retorno aos níveis (baixos) de Abril de 2005. Em ambos os casos, e para as últimas sondagens, as taxas de aprovação de Sócrates estão cerca de 20 pontos percentuais acima das taxas de aprovação de Marques Mendes.
Os resultados de Sócrates não estão exactamente na linha do que anteriores estudos sobre as funções de popularidade poderiam sugerir. No passado, a popularidade do PM tendeu a diminuir com o aumento do desemprego, especialmente quando o seu governo dispunha de maioria absoluta. E diminuia também assim que se ultrapassava o período inicial de seis meses de "lua de mel". Mas não é bem isso que parece estar a ocorrer. Com o desemprego a aumentar de 7,5% para 8% do primeiro para o último trimestre de 2005 e ultrapassada a "lua de mel", Sócrates quase regressa aos níveis de popularidade de que gozava imediatamente no início do ciclo. Aumenta assim a curiosidade em relação ao que as próximas sondagens dirão: será a recuperação de popularidade dos últimos meses para durar, ou uma fugaz anomalia em relação à tendência de descida que se iniciou logo após a tomada de posse? Logo se verá.
sexta-feira, outubro 27, 2006
Queda de Sócrates 2
Como interpretar?
1. Em primeiro lugar, uma sondagem é uma sondagem. Há mil e uma razões para que esta sondagem em concreto possa não estar a captar mudanças reais.
2. Mesmo que estejamos perante uma mudança real (e saberemos melhor se assim é com futuros resultados), a verdade é que o que era anormal era a elevada popularidade de Sócrates desde as autárquicas. Os ciclos políticos não costumam ser assim.*
3. Dito isto, a confirmar-se, uma descida é uma descida, e parece grande. A que se deverá? Não há nenhuma mudança fundamental no "pano de fundo" de "médio-prazo" que costuma afectar estas coisas, ou seja, a situação económica. De resto, mesmo que houvesse, ela costuma ter um efeito diferido nas atitudes dos eleitores, que demoram algum tempo a interiorizar essas mudanças. E mesmo que tivesse efeito imediato, teria sido para cima, e não para baixo.
4. Pelo que a coisa deve estar ligada a factores de muito curto prazo. Não se pode ter a certeza, claro, mas parece-me que o "fim da crise" decretado pelo Ministro da Economia (e logo retirado) e a questão da electricidade não podem ser irrelevantes. Primeiro, tiveram muito maior amplificação mediática do que anteriores episódios que alguns anunciaram ditar o "fim do estado de graça" (o que nunca aconteceu, até agora). Segundo, porque aquilo que os torna importantes é o facto de eles entrarem em contradição directa com o princípio genérico que visa legitimar a actuação do governo desde o início: a "resolução" da crise pelo ataque aos "privilégios" e aos "privilegiados" e a noção de que os sacrifícios serão distribuídos de forma equitativa ou mesmo progressiva. Sem crise, então para que servem os sacrifícios? E são os consumidores (os eleitores em geral) que têm a culpa dos aumentos da electricidade? Não tenho informação nem competência para avaliar a actuação do Ministério da Economia e da Inovação em todas as suas dimensões. Mas do ponto de vista político e comunicacional, é um tumor maligno.
5. Gostava muito de saber em que estratos sociais é que a descida de Sócrates na sondagem da Markest foi mais acentuada. Era capaz de apostar que foi nos mais baixos.
6. Também me cheira (só isso) que os meios de comunicação social começam a ficar menos dóceis com o governo. Não faço ideia se os noticiários da RTP são "governamentalizados" - há anos não vejo televisão a essas horas - e não me parece sensato, com todo o respeito (a sério), usar o Abrupto como fonte de análise imparcial sobre o tema. Mas o que a multiplicação de críticas à RTP quer provavelmente dizer é que, pelo menos, o contraste entre a cobertura da RTP e dos restantes meios de comunicação começa a tornar-se evidente.
7. E atenção, que vem aí a saúde, tema "popular" por excelência. Se a coisa correr como no caso da electricidade - em que a explicação cabal do "porquê" dos aumentos chegou depois do anúncio dos próprios - é melhor Sócrates apertar o cinto de segurança. Correia de Campos é já, na sondagem da Marktest, o ministro cuja popularidade mais desceu em Outubro.
*A propósito disto, uma nota. Numa conferência recente em que apresentei um estudo sobre o comportamento eleitoral nas presidenciais, um dos membros do público chamou a atenção para um factor muito importante: as eleições locais. O PS foi severamente castigado nas autárquicas, o que pode ter "descomprimido o ambiente" para o período seguinte, levando à recuperação da popularidade de Sócrates (que temos mostrado neste blogue e é visível no post anterior) e, de resto, ao facto de, quando analisamos dados individuais sobre decisão de voto nas presidenciais, a avaliação do governo não ter tido qualquer impacto. A hipótese é muito interessante.
1. Em primeiro lugar, uma sondagem é uma sondagem. Há mil e uma razões para que esta sondagem em concreto possa não estar a captar mudanças reais.
2. Mesmo que estejamos perante uma mudança real (e saberemos melhor se assim é com futuros resultados), a verdade é que o que era anormal era a elevada popularidade de Sócrates desde as autárquicas. Os ciclos políticos não costumam ser assim.*
3. Dito isto, a confirmar-se, uma descida é uma descida, e parece grande. A que se deverá? Não há nenhuma mudança fundamental no "pano de fundo" de "médio-prazo" que costuma afectar estas coisas, ou seja, a situação económica. De resto, mesmo que houvesse, ela costuma ter um efeito diferido nas atitudes dos eleitores, que demoram algum tempo a interiorizar essas mudanças. E mesmo que tivesse efeito imediato, teria sido para cima, e não para baixo.
4. Pelo que a coisa deve estar ligada a factores de muito curto prazo. Não se pode ter a certeza, claro, mas parece-me que o "fim da crise" decretado pelo Ministro da Economia (e logo retirado) e a questão da electricidade não podem ser irrelevantes. Primeiro, tiveram muito maior amplificação mediática do que anteriores episódios que alguns anunciaram ditar o "fim do estado de graça" (o que nunca aconteceu, até agora). Segundo, porque aquilo que os torna importantes é o facto de eles entrarem em contradição directa com o princípio genérico que visa legitimar a actuação do governo desde o início: a "resolução" da crise pelo ataque aos "privilégios" e aos "privilegiados" e a noção de que os sacrifícios serão distribuídos de forma equitativa ou mesmo progressiva. Sem crise, então para que servem os sacrifícios? E são os consumidores (os eleitores em geral) que têm a culpa dos aumentos da electricidade? Não tenho informação nem competência para avaliar a actuação do Ministério da Economia e da Inovação em todas as suas dimensões. Mas do ponto de vista político e comunicacional, é um tumor maligno.
5. Gostava muito de saber em que estratos sociais é que a descida de Sócrates na sondagem da Markest foi mais acentuada. Era capaz de apostar que foi nos mais baixos.
6. Também me cheira (só isso) que os meios de comunicação social começam a ficar menos dóceis com o governo. Não faço ideia se os noticiários da RTP são "governamentalizados" - há anos não vejo televisão a essas horas - e não me parece sensato, com todo o respeito (a sério), usar o Abrupto como fonte de análise imparcial sobre o tema. Mas o que a multiplicação de críticas à RTP quer provavelmente dizer é que, pelo menos, o contraste entre a cobertura da RTP e dos restantes meios de comunicação começa a tornar-se evidente.
7. E atenção, que vem aí a saúde, tema "popular" por excelência. Se a coisa correr como no caso da electricidade - em que a explicação cabal do "porquê" dos aumentos chegou depois do anúncio dos próprios - é melhor Sócrates apertar o cinto de segurança. Correia de Campos é já, na sondagem da Marktest, o ministro cuja popularidade mais desceu em Outubro.
*A propósito disto, uma nota. Numa conferência recente em que apresentei um estudo sobre o comportamento eleitoral nas presidenciais, um dos membros do público chamou a atenção para um factor muito importante: as eleições locais. O PS foi severamente castigado nas autárquicas, o que pode ter "descomprimido o ambiente" para o período seguinte, levando à recuperação da popularidade de Sócrates (que temos mostrado neste blogue e é visível no post anterior) e, de resto, ao facto de, quando analisamos dados individuais sobre decisão de voto nas presidenciais, a avaliação do governo não ter tido qualquer impacto. A hipótese é muito interessante.
sexta-feira, abril 28, 2006
Opinião publicada e opinião pública (2)
E eis que, nem de propósito, chegam os dados da Marktest para medir o "fim do estado de graça do governo". Os gráficos seguintes mostram a evolução da popularidade de Sócrates nas sondagens Marktest medida de três formas: as opiniões positivas; o saldo entre opiniões positivas e negativas; e um índice, que varia de 0 a 100, calculado da seguinte forma: (2*%opiniões positivas + %ns;nr;"assim-assim")/2



"Fim do estado de graça" parece exagerado. E é só uma sondagem, sujeita a múltiplas fontes de erro, e cujos resultados carecem de ser confirmados (ou não) por mais observações. Mas por outro lado, estes resultados levantam a hipótese de que, pelo menos, a subida que Sócrates vinha fazendo desde as eleições autárquicas possa ter chegado para já ao seu limite máximo: é a primeira sondagem Marktest desde Novembro em que o índice de popularidade de Sócrates não sobe. Veremos o que trazem as próximas sondagens.
Entretanto, com esta sondagem da Marktest, podemos actualizar o gráfico já apresentado aqui e assim "fechar" o mês de Abril, apreciando a evolução dos índices de popularidade do PM, do PR e do Líder da Oposição por mês, limpos de "house effects". Não há grandes diferenças em relação aos resultados anteriores quando englobamos na análise os resultados da Marktest e a Eurosondagem. Sócrates e Cavaco quase par a par (se bem que Sócrates tenha muito mais opiniões quer positivas quer negativas e Cavaco ainda muita indiferença), Mendes quase não mexe pouco acima do limiar positivo dos 50.



"Fim do estado de graça" parece exagerado. E é só uma sondagem, sujeita a múltiplas fontes de erro, e cujos resultados carecem de ser confirmados (ou não) por mais observações. Mas por outro lado, estes resultados levantam a hipótese de que, pelo menos, a subida que Sócrates vinha fazendo desde as eleições autárquicas possa ter chegado para já ao seu limite máximo: é a primeira sondagem Marktest desde Novembro em que o índice de popularidade de Sócrates não sobe. Veremos o que trazem as próximas sondagens.
Entretanto, com esta sondagem da Marktest, podemos actualizar o gráfico já apresentado aqui e assim "fechar" o mês de Abril, apreciando a evolução dos índices de popularidade do PM, do PR e do Líder da Oposição por mês, limpos de "house effects". Não há grandes diferenças em relação aos resultados anteriores quando englobamos na análise os resultados da Marktest e a Eurosondagem. Sócrates e Cavaco quase par a par (se bem que Sócrates tenha muito mais opiniões quer positivas quer negativas e Cavaco ainda muita indiferença), Mendes quase não mexe pouco acima do limiar positivo dos 50.
sexta-feira, dezembro 09, 2005
Balão de oxigénio para Bush
Os números de popularidade de George W. Bush mostram sinais de recuperação ou, pelo menos, sugerem que a sangria dos últimos meses se encontra estancada. Para uma análise sistemática dos últimos resultados vale a pena ir aos sítios do costume: aqui e aqui.
P.S.- Só uma pequena correcção ao Acidental, já que este post foi lá citado. Escreve-se ali que "George Bush está em fase de recuperação de popularidade, nomeadamente no que diz respeito à intervenção no Iraque". A primeira parte é correcta, a segunda não sabemos. Enquanto que a primeira resulta da análise de oito sondagens e mostra uma tendência estatisticamente significativa, a segunda resulta apenas da sondagem CBS, onde, de resto, a taxa de "desaprovação" baixou apenas 3 pontos (dentro, por isso, da margem de erro amostral). Desculpem a minudência mas é só porque tem implicações substantivas: na verdade, um factor muito mais plausível para a inversão na tendência de declínio da popularidade de Bush é, tão só, a baixa no preço dos combustíveis...
P.S.- Só uma pequena correcção ao Acidental, já que este post foi lá citado. Escreve-se ali que "George Bush está em fase de recuperação de popularidade, nomeadamente no que diz respeito à intervenção no Iraque". A primeira parte é correcta, a segunda não sabemos. Enquanto que a primeira resulta da análise de oito sondagens e mostra uma tendência estatisticamente significativa, a segunda resulta apenas da sondagem CBS, onde, de resto, a taxa de "desaprovação" baixou apenas 3 pontos (dentro, por isso, da margem de erro amostral). Desculpem a minudência mas é só porque tem implicações substantivas: na verdade, um factor muito mais plausível para a inversão na tendência de declínio da popularidade de Bush é, tão só, a baixa no preço dos combustíveis...
segunda-feira, março 03, 2008
Popularidade Líderes Políticos Fevereiro 2008
A Marktest deixou, aparentemente, de trabalhar para a parceria DN/TSF, mas continua a conduzir o seu barómetro político, cujos resultados podem ser consultados aqui. Saiu também, entretanto, uma sondagem da Eurosondagem. A evolução da popularidade dos líderes dos dois principais partidos e do PR é apresentada nos gráficos seguintes (saldo % opiniões positivas-% opiniões negativas). As linhas são curvas de regressão local, à excepção de Menezes (insuficientes observações):

Nem tudo o que está aqui é congruente entre si (permanece a enorme discrepância entre Mkt e Euro no que respeita ao PM) ou com os resultados do último estudo do CESOP. As convergências são:
As dúvidas:
Note-se que os resultados do CESOP não são directamente comparáveis com os outros, porque no questionário se pede aos inquiridos que façam uma avaliação de 0 a 20 para os líderes, enquanto que os restantes perguntam se avaliam positiva ou negativamente a sua actuação.
Nem tudo o que está aqui é congruente entre si (permanece a enorme discrepância entre Mkt e Euro no que respeita ao PM) ou com os resultados do último estudo do CESOP. As convergências são:
1. Cavaco paira sobre os líderes partidários;
2. Avaliação de Menezes degrada-se.
As dúvidas:
1. Avaliação de Sócrates maioritariamente positiva (Eurosondagem) ou negativa (CESOP, Marktest)?
2. Sócrates melhor (Eurosondagem, CESOP) ou pior (Marktest) avaliado que Menezes?
3. Sócrates estável ou recupera desde Outubro (Eurosondagem, CESOP) ou continua a declinar (Marktest)?
Note-se que os resultados do CESOP não são directamente comparáveis com os outros, porque no questionário se pede aos inquiridos que façam uma avaliação de 0 a 20 para os líderes, enquanto que os restantes perguntam se avaliam positiva ou negativamente a sua actuação.
segunda-feira, junho 14, 2010
Eurosondagem, 8 Jun., N=1025, Tel.
Intenções de voto após redistribuição de indecisos:
PSD: 34,9%
PS: 34,8%
CDS-PP: 10,1%
BE: 7,7%
CDU: 7,5%
Notícia aqui. Outros dados da sondagem:
1. Paulo Portas é o líder partidário em maior queda de popularidade;
2. Cavaco Silva cresce em popularidade e 67% acham que vai ser o próximo PR;
3. Avaliação da actuação concreta do PR da questão dos "casamentos gay" é maioritariamente positiva;
4. Mais de metade defendem fim da legislatura antes de 2013.
PSD: 34,9%
PS: 34,8%
CDS-PP: 10,1%
BE: 7,7%
CDU: 7,5%
Notícia aqui. Outros dados da sondagem:
1. Paulo Portas é o líder partidário em maior queda de popularidade;
2. Cavaco Silva cresce em popularidade e 67% acham que vai ser o próximo PR;
3. Avaliação da actuação concreta do PR da questão dos "casamentos gay" é maioritariamente positiva;
4. Mais de metade defendem fim da legislatura antes de 2013.
quinta-feira, março 24, 2011
Incerteza 1: a popularidade dos líderes.
Incrivelmente, a apresentação do PEC 4, o debate que se seguiu e o desfecho de ontem ocorreram sem que tivesse sido, que eu saiba, conduzida uma única sondagem sobre o tema para divulgação pública. Pelos vistos, as empresas e os órgãos de comunicação social andaram entretidos, respectivamente, a fazer e encomendar sondagens sobre o Sporting. São opções. Isto significa, contudo, que a reacção da opinião pública ao que se passou é impossível de aferir neste momento. Talvez aqui a dias saibamos qualquer coisa.
Mas por outro lado, talvez não seja mau de todo. Sem informação de curtíssimo prazo, podemos concentrar as atenções em factores de menos curto ou até longo prazo que nos permitam, se não antever o que se vai passar, pelos menos ter uma ideia dos possíveis cenários. Dos factores conhecidos, o de mais "curto-prazo" é a popularidade dos líderes.
Aqui, as notícias são más para o PS. Na última sondagem da Marktest, 70% dos inquiridos tinham opinião negativa sobre José Sócrates, contra 18% de opiniões positivas. Na Aximage, Sócrates tem uma avaliação média de 6,8 em 20 pontos possíveis. Na Eurosondagem, onde os números lhe são menos desfavoráveis, o saldo entre opiniões positivas e negativas é de menos de 5 pontos. Na última sondagem da Católica - de Outubro, há tanto tempo! - a avaliação média do PM era de 6,5 pontos em 20 e apenas 35% dos inquiridos lhe davam uma nota de 10 ou mais.
Dito isto, a verdade é que nenhum dos líderes político-partidários é particularmente bem visto. Na Marktest, Pedro Passos Coelho aparece com tantas opiniões positivas como negativas e uns perturbantes 29% que "não sabem". Na Eurosondagem, o saldo para Passos Coelho é praticamente igual ao de Sócrates. É na Aximage e na Católica que o líder do PSD aparece mais bem avaliado comparativamente a Sócrates. Mas na Católica essa avaliação média é ainda negativa (9,2 de 0 a 20) enquanto que na Aximage, apesar de ser positiva (10,6 de 0 a 20) está bem abaixo dos valores de há um ano atrás.
Acresce a isto que estes valores são obtidos de "amostras totais", e não necessariamente dos presumiveis votantes. Muita desta negatividade pode estar concentrada em eleitores que não tencionam votar. A avaliação dos líderes conta muito, sabemos, nas escolhas eleitorais. Mas é também a mais volátil das variáveis explicativas do voto, num certo sentido demasiado próxima do próprio voto. É preciso olhar para outras coisas.
Mas por outro lado, talvez não seja mau de todo. Sem informação de curtíssimo prazo, podemos concentrar as atenções em factores de menos curto ou até longo prazo que nos permitam, se não antever o que se vai passar, pelos menos ter uma ideia dos possíveis cenários. Dos factores conhecidos, o de mais "curto-prazo" é a popularidade dos líderes.
Aqui, as notícias são más para o PS. Na última sondagem da Marktest, 70% dos inquiridos tinham opinião negativa sobre José Sócrates, contra 18% de opiniões positivas. Na Aximage, Sócrates tem uma avaliação média de 6,8 em 20 pontos possíveis. Na Eurosondagem, onde os números lhe são menos desfavoráveis, o saldo entre opiniões positivas e negativas é de menos de 5 pontos. Na última sondagem da Católica - de Outubro, há tanto tempo! - a avaliação média do PM era de 6,5 pontos em 20 e apenas 35% dos inquiridos lhe davam uma nota de 10 ou mais.
Dito isto, a verdade é que nenhum dos líderes político-partidários é particularmente bem visto. Na Marktest, Pedro Passos Coelho aparece com tantas opiniões positivas como negativas e uns perturbantes 29% que "não sabem". Na Eurosondagem, o saldo para Passos Coelho é praticamente igual ao de Sócrates. É na Aximage e na Católica que o líder do PSD aparece mais bem avaliado comparativamente a Sócrates. Mas na Católica essa avaliação média é ainda negativa (9,2 de 0 a 20) enquanto que na Aximage, apesar de ser positiva (10,6 de 0 a 20) está bem abaixo dos valores de há um ano atrás.
Acresce a isto que estes valores são obtidos de "amostras totais", e não necessariamente dos presumiveis votantes. Muita desta negatividade pode estar concentrada em eleitores que não tencionam votar. A avaliação dos líderes conta muito, sabemos, nas escolhas eleitorais. Mas é também a mais volátil das variáveis explicativas do voto, num certo sentido demasiado próxima do próprio voto. É preciso olhar para outras coisas.
quinta-feira, março 12, 2009
A popularidade de Sócrates
Eduardo Pitta comenta a peça do Público sobre a evolução da popularidade do PM, questionando-se sobre a fonte que os leva a dizer que Sócrates está em terreno negativo desde Maio de 2007.
Mesmo não tendo responsabilidades na peça, vamos ver se posso ajudar:
1. Os dados são da Marktest. Isso é mencionado no jornal. O gráfico do Público há-de ser muito parecido, por exemplo, com este que aqui publiquei, no que a Sócrates diz respeito, a não ser que me parece que o Público se limita a calcular o saldo "opiniões positivas" - "opiniões negativas", e eu corrijo esse saldo pelas não respostas.
2. É também verdade aquilo que Eduardo Pitta afirma: nos estudos da Eurosondagem divulgados no Expresso, na RR e na SIC, Sócrates está em terreno positivo.
3. De notar, contudo, que a comparação entre os resultados de um e outro instituto é complicada pelo facto de a Eurosondagem ter uma opção adicional de resposta: "nem boa nem má". Mas como venho mostrando aqui há muito tempo, isso não explica tudo. Os resultados da Eurosondagem para o PR exibem tendências muito semelhantes às da Marktest, mas não tanto no caso do PM. isto não é um juízo sobre quem "tem razão". Não faço ideia. É uma constatação de facto.
4. Eduardo Pitta já não tem razão quando diz que "a afirmação dos jornalistas contradiz todas — repito: todas — as sondagens encomendadas e divulgadas até hoje pelo próprio Público, pelo DN, pelo Correio da Manhã, pelo JN, pelo Expresso, pela RTP, pela SIC, pela TVI, pela Rádio Renascença, pela TSF, pela Visão, pela Sábado, etc."
4.1 Nas sondagens do CESOP/Católica, onde os líderes políticos são avaliados de outra forma - numa escala de 0 a 20 - Sócrates está, há algum tempo, em terreno negativo no que respeita à avaliação média dos eleitores (abaixo de 10 pontos). Em Janeiro de 2007, essa avaliação média era de 10,2 pontos. Em Maio de 2007, ainda 10,1. Mas em Outubro de 2007 já estava em 8,9, em Fevereiro de 2008 era de 9,3, em Julho de 2008 era 8,5, em Outubro de 2008 era 8,4, e em Dezembro passado 8,8. Logo, apesar dos indicadores serem diferentes, os resultados do CESOP (JN, RTP e Antena 1) são congruentes com os da Marktest, quer no momento da queda (após Maio de 2007) quer na ideia de uma recuperação ligeira após Outubro de 2008.
4.2 Os resultados do CESOP/Católica têm exibido bastantes semelhanças com os da Aximage, que usa o mesmo método: nota média de 0 a 20.Não tenho recolhido a série completa, mas para infirmar aquilo que Eduardo Pitta diz sobre as "outras sondagens" basta dizer que, em Dezembro passado, por exemplo, a média das avaliações de Sócrates na sondagem Aximage era 8,8 (tal como na sondagem da Católica).
5. Nada disto impede que a maioria dos eleitores tenha mais confiança em Sócrates como PM do que qualquer outro líder partidário, um dado que Eduardo Pitta também menciona e que é muito importante. Mas isso é outra questão.
Mesmo não tendo responsabilidades na peça, vamos ver se posso ajudar:
1. Os dados são da Marktest. Isso é mencionado no jornal. O gráfico do Público há-de ser muito parecido, por exemplo, com este que aqui publiquei, no que a Sócrates diz respeito, a não ser que me parece que o Público se limita a calcular o saldo "opiniões positivas" - "opiniões negativas", e eu corrijo esse saldo pelas não respostas.
2. É também verdade aquilo que Eduardo Pitta afirma: nos estudos da Eurosondagem divulgados no Expresso, na RR e na SIC, Sócrates está em terreno positivo.
3. De notar, contudo, que a comparação entre os resultados de um e outro instituto é complicada pelo facto de a Eurosondagem ter uma opção adicional de resposta: "nem boa nem má". Mas como venho mostrando aqui há muito tempo, isso não explica tudo. Os resultados da Eurosondagem para o PR exibem tendências muito semelhantes às da Marktest, mas não tanto no caso do PM. isto não é um juízo sobre quem "tem razão". Não faço ideia. É uma constatação de facto.
4. Eduardo Pitta já não tem razão quando diz que "a afirmação dos jornalistas contradiz todas — repito: todas — as sondagens encomendadas e divulgadas até hoje pelo próprio Público, pelo DN, pelo Correio da Manhã, pelo JN, pelo Expresso, pela RTP, pela SIC, pela TVI, pela Rádio Renascença, pela TSF, pela Visão, pela Sábado, etc."
4.1 Nas sondagens do CESOP/Católica, onde os líderes políticos são avaliados de outra forma - numa escala de 0 a 20 - Sócrates está, há algum tempo, em terreno negativo no que respeita à avaliação média dos eleitores (abaixo de 10 pontos). Em Janeiro de 2007, essa avaliação média era de 10,2 pontos. Em Maio de 2007, ainda 10,1. Mas em Outubro de 2007 já estava em 8,9, em Fevereiro de 2008 era de 9,3, em Julho de 2008 era 8,5, em Outubro de 2008 era 8,4, e em Dezembro passado 8,8. Logo, apesar dos indicadores serem diferentes, os resultados do CESOP (JN, RTP e Antena 1) são congruentes com os da Marktest, quer no momento da queda (após Maio de 2007) quer na ideia de uma recuperação ligeira após Outubro de 2008.
4.2 Os resultados do CESOP/Católica têm exibido bastantes semelhanças com os da Aximage, que usa o mesmo método: nota média de 0 a 20.Não tenho recolhido a série completa, mas para infirmar aquilo que Eduardo Pitta diz sobre as "outras sondagens" basta dizer que, em Dezembro passado, por exemplo, a média das avaliações de Sócrates na sondagem Aximage era 8,8 (tal como na sondagem da Católica).
5. Nada disto impede que a maioria dos eleitores tenha mais confiança em Sócrates como PM do que qualquer outro líder partidário, um dado que Eduardo Pitta também menciona e que é muito importante. Mas isso é outra questão.
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
Not really, but who cares
Rui Castro, no 31 da Armada, afirma que "de acordo com o barómetro feito pela Marktest para o DN e para a TSF, o Governo socialista e o Primeiro Ministro atingem os mais elevados níveis de popularidade desde que iniciaram funções há 2 anos".
Como podem ver no gráfico do post anterior, isto não é rigorosamente verdade, pelo menos no dito Barómetro.* But who cares? Isto, de resto, é só mais um exemplo daquilo que que falava aqui. É verdadeiramente curioso este desfasamento entre aquilo que os dados dizem sobre a opinião pública e aquilo que é, na "opinião publicada" (para lhe dar este nome), a percepção da popularidade do governo. Geralmente, estes desfasamentos são explicados em termos de uma assimetria no acesso à informação: enquanto a "opinião publicada" tem informação privilegiada, as "massas" reagem mais "tarde" ou são mais "manipuláveis". Foi assim, por exemplo, que se tentou explicar por que razão o PS continuava a merecer forte apoio popular em 2001, quando a "opinião publicada" já dava o governo Guterres como moribundo.
Mas desta vez, enquanto as "massas" estão longe de ser unânimes no apoio ao Primeiro-Ministro, são as "elites" que o apoiam ou, pelo menos (o que, na prática, não é tão diferente como possa parecer) partilham uma percepção de que o apoio é esmagador. Como se explica isto? Deixando de lado explicações socio-económicas das posições de "elites" e "massas" (mas não sei de as devemos deixar completamente de lado), talvez a explicação seja a mesma: a "informação privilegiada" que as "elites" têm (ou julgam ter) é a de que os "custos" da governação Sócrates são inevitáveis ou mesmo desejáveis, ao passo que "as massas" estão menos dispostas a ver a coisa por esse lado tão "reformista" e de "longo-prazo".
Mas veremos, no final, quem realmente sabia o quê.
* Suponho que a afirmação de Rui Castro seja mais ditada pelas intenções de voto no PS no mesmo Barómetro, que são realmente muito altas. Mas quem dá muita importância face value a intenções de voto em sondagens a dois anos de legislativas está, na minha opinião, a perder o seu tempo.
Como podem ver no gráfico do post anterior, isto não é rigorosamente verdade, pelo menos no dito Barómetro.* But who cares? Isto, de resto, é só mais um exemplo daquilo que que falava aqui. É verdadeiramente curioso este desfasamento entre aquilo que os dados dizem sobre a opinião pública e aquilo que é, na "opinião publicada" (para lhe dar este nome), a percepção da popularidade do governo. Geralmente, estes desfasamentos são explicados em termos de uma assimetria no acesso à informação: enquanto a "opinião publicada" tem informação privilegiada, as "massas" reagem mais "tarde" ou são mais "manipuláveis". Foi assim, por exemplo, que se tentou explicar por que razão o PS continuava a merecer forte apoio popular em 2001, quando a "opinião publicada" já dava o governo Guterres como moribundo.
Mas desta vez, enquanto as "massas" estão longe de ser unânimes no apoio ao Primeiro-Ministro, são as "elites" que o apoiam ou, pelo menos (o que, na prática, não é tão diferente como possa parecer) partilham uma percepção de que o apoio é esmagador. Como se explica isto? Deixando de lado explicações socio-económicas das posições de "elites" e "massas" (mas não sei de as devemos deixar completamente de lado), talvez a explicação seja a mesma: a "informação privilegiada" que as "elites" têm (ou julgam ter) é a de que os "custos" da governação Sócrates são inevitáveis ou mesmo desejáveis, ao passo que "as massas" estão menos dispostas a ver a coisa por esse lado tão "reformista" e de "longo-prazo".
Mas veremos, no final, quem realmente sabia o quê.
* Suponho que a afirmação de Rui Castro seja mais ditada pelas intenções de voto no PS no mesmo Barómetro, que são realmente muito altas. Mas quem dá muita importância face value a intenções de voto em sondagens a dois anos de legislativas está, na minha opinião, a perder o seu tempo.
sábado, maio 31, 2008
Popularidade Líderes Políticos, Maio 2008
Com os resultados do Barómetro Marktest, cujo trabalho de campo terminou no dia 26 de Maio, fica aqui a actualização dos saldos de popularidade do Presidente e do Primeiro-Ministro (novo método de cálculo explicado aqui). A verde, Marktest. A azul, Eurosondagem. Linhas verticais: para o gráfico do Presidente, primeira sondagem após eleição de Cavaco Silva; para gráfico Sócrates, primeira sondagem após divulgação de caso Independente pelo Público.



segunda-feira, julho 10, 2006
Popularidade líderes políticos Portugal
Depois de uns dias sem posts, regresso com a análise habitual dos barómetros da Marktest e da Eurosondagem. O primeiro gráfico mostra a evolução dos índices de popularidade de José Sócrates, Marques Mendes, Cavaco Silva e (como ponto de comparação com o anterior) Jorge Sampaio de Março de 2005 a 23 de Junho de 2006 (último dia de trabalho de campo do último barómetro Marktest). A forma como o índice é calculado já foi explicada em posts anteriores, mas recordo que pode oscilar entre 0 (100% de opiniões negativas) e 100 (100% de opiniões positivas).

Como podem verificar, segundo a Marktest:
1. Cavaco continua a subir, aproximando-se dos valores de Sampaio no final do mandato;
2. Estabilidade para Sócrates e Mendes, com o primeiro a manter a vantagem que conquistou ao segundo a partir do fim de 2005. Último barómetro dá ligeira descida do primeiro e subida do segundo, mas é cedo para tirar conclusões. Estas flutuações já ocorreram em meses anteriores, tendo sido de seguida corrigidas, parecendo ser mais fruto de erro aleatório do que outra coisa qualquer. Veremos se o mesmo sucede no próximo mês (se bem que a realização deste tipo de inquéritos durante o Verão comporta os mais variados problemas, a começar pela qualidade das amostras).
O gráfico seguinte mostra a mesma análise para a Eurosondagem, desde Abril de 2005 a 4 de Julho de 2006 (último dia de trabalho de campo da última sondagem). Há semelhanças e diferenças em relação à Marktest. Semelhanças em relação a Cavaco, cuja subida constante desde a tomada de posse se confirma (apesar de total estabilidade de Junho para Julho). Diferenças no que respeita a Sócrates, que obtém resultados mais lisonjeiros aqui na Eurosondagem, nunca tendo estado a par com Marques Mendes e mostrando tendência de subida.

Politicamente, contudo, tudo igual: Cavaco ganhou rapidamente "pátina" presidencial; Sócrates mantém imagem mais positiva que negativa; líder da oposição ainda longe do PM. Tanto trabalho para tão poucas novidades...

Como podem verificar, segundo a Marktest:
1. Cavaco continua a subir, aproximando-se dos valores de Sampaio no final do mandato;
2. Estabilidade para Sócrates e Mendes, com o primeiro a manter a vantagem que conquistou ao segundo a partir do fim de 2005. Último barómetro dá ligeira descida do primeiro e subida do segundo, mas é cedo para tirar conclusões. Estas flutuações já ocorreram em meses anteriores, tendo sido de seguida corrigidas, parecendo ser mais fruto de erro aleatório do que outra coisa qualquer. Veremos se o mesmo sucede no próximo mês (se bem que a realização deste tipo de inquéritos durante o Verão comporta os mais variados problemas, a começar pela qualidade das amostras).
O gráfico seguinte mostra a mesma análise para a Eurosondagem, desde Abril de 2005 a 4 de Julho de 2006 (último dia de trabalho de campo da última sondagem). Há semelhanças e diferenças em relação à Marktest. Semelhanças em relação a Cavaco, cuja subida constante desde a tomada de posse se confirma (apesar de total estabilidade de Junho para Julho). Diferenças no que respeita a Sócrates, que obtém resultados mais lisonjeiros aqui na Eurosondagem, nunca tendo estado a par com Marques Mendes e mostrando tendência de subida.

Politicamente, contudo, tudo igual: Cavaco ganhou rapidamente "pátina" presidencial; Sócrates mantém imagem mais positiva que negativa; líder da oposição ainda longe do PM. Tanto trabalho para tão poucas novidades...
segunda-feira, junho 12, 2006
Popularidade II
Para facilitar a leitura, fica a evolução dos índices de popularidade nos dois barómetros (Marktest e Eurosondagem):
Marktest

Eurosondagem

Como vêem, tudo muito parecido, a não ser com Sócrates. A Marktest parece ser mais sensível a mudanças do que a Eurosondagem; a Marktest sugere que Sócrates está a descer desde Março, enquanto a Eurosondagem lhe dá sinais de recuperação recente.
Marktest

Eurosondagem

Como vêem, tudo muito parecido, a não ser com Sócrates. A Marktest parece ser mais sensível a mudanças do que a Eurosondagem; a Marktest sugere que Sócrates está a descer desde Março, enquanto a Eurosondagem lhe dá sinais de recuperação recente.
quarta-feira, junho 07, 2006
Estancou a sangria?
Há sinais de que a popularidade de Bush, no mínimo, parou de descer e, no máximo, estará a recuperar. O Political Arithmetik analisa os dados e aponta as posições de Bush sobre a imigração (apoiadas transversalmente pela população) como presumíveis responsáveis. Mas assinala também como esta recuperação está intimamente ligada a uma subida da popularidade de Bush entre os simpatizantes do Partido Republicano. A aproximação das eleições é certamente responsável por esta remobilização das bases.
segunda-feira, abril 10, 2006
Popularidade líderes Abril
Com a divulgação do estudo da Eurosondagem, é possível actualizar o gráfico apresentado antes aqui. O que se faz, recorde-se, é:
1. Recorrer aos Barómetros Marktest (TSF, DN) e Eurosondagem (Expresso, SIC, RR), nas questões de avaliação da actuação dos líderes políticos;
2. Calcular um índice (2*% "Positiva" + %"Assim-assim;Ns;Nr)/2, que varia entre 0 e 100;
3. Calcular valores para cada mês do ano, limpos de "house effects".

Sampaio termina em Março com um score de 81 pontos em 100. Cavaco entra em Março com 64,4 pontos mas já subiu em Abril para 68,8. Sócrates prossegue recuperação de popularidade iniciada após as autárquicas, estando a menos de 10 pontos do score verificado no primeiro mês de governação. Mendes está estável, com menos 10 pontos do que tinha quando assumiu, há um ano, a liderança do PSD.
1. Recorrer aos Barómetros Marktest (TSF, DN) e Eurosondagem (Expresso, SIC, RR), nas questões de avaliação da actuação dos líderes políticos;
2. Calcular um índice (2*% "Positiva" + %"Assim-assim;Ns;Nr)/2, que varia entre 0 e 100;
3. Calcular valores para cada mês do ano, limpos de "house effects".

Sampaio termina em Março com um score de 81 pontos em 100. Cavaco entra em Março com 64,4 pontos mas já subiu em Abril para 68,8. Sócrates prossegue recuperação de popularidade iniciada após as autárquicas, estando a menos de 10 pontos do score verificado no primeiro mês de governação. Mendes está estável, com menos 10 pontos do que tinha quando assumiu, há um ano, a liderança do PSD.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
