segunda-feira, outubro 20, 2008

Ainda o Bradley effect

A síntese da questão e do debate por Mark Blumenthal, aqui e aqui.

E uma visão "iconoclasta" (nunca existiu), aqui (mas muito prejudicada pelo facto do efeito ter sido detectado em muitas eleições e sondagens pré-eleitorais).

O Professor e o Monstro.

Larry Bartels tem um ensaio imperdível intitulado "The Irrational Electorate" na The Wilson Quartely. A economia comportamental está na berra, e chega a altura da sua influência se sentir também na Ciência Política. Bartels chega a citar um dos mais conhecidos livros de divulgação sobre o tema, que por acaso li nestas férias:

Outros livros relacionados que li nestas férias, já agora:




Achei-os todos muito bons, o Winner's Curse mais canonicamente académico, os restantes óptimos livros de divulgação académica (o Nudge mais "policy-oriented", aparentemente próximo dos círculos de Obama), como cá não há.
Voltando a Bartels:
"These and other recent studies offer abundant evidence that election outcomes can be powerfully affected by factors unrelated to the competence and convictions of the candidates. But if voters are so whimsical, choosing the candidate with the most ­competent-­looking face or the most recent television ad, how do they often manage to sound so sensible? Most people seem able to provide ­cogent-­sounding reasons for voting the way they do. However, careful observation suggests that these “reasons” often are merely rationalizations constructed from readily available campaign rhetoric to justify preferences formed on other ­grounds."
O ensaio é uma crítica à ideia de que os votantes são racionais e de que a sua ignorância possa ser compensada quer pelo recurso a "heurísticas" quer pela agregação das decisões individuais.

E uma curiosidade: Rush Limbaugh adorou o ensaio. Sim, Rush Limbaugh:
"I mention this story, actually it's an article from the Wilson Quarterly, the Woodrow Wilson Center for scholars: "The Irrational Electorate." It's by Larry Bartels who directs the Center for the Study of Democratic Politics in Princeton University's Woodrow Wilson School of Public and International Affairs. He is the author of Unequal Democracy: The Political Economy of the New Gilded Age, published earlier this year by the Russell Sage Foundation and Princeton University Press. Now, when you print it out, it runs four or five pages. I'm not a scholar, and Mr. Bartels is, and, to me, the first part -- I had to read this a bunch of times. It reads like gobbledygook, and what it is is an analysis of a whole bunch of studies worldwide over many, many decades of the electorates, the electorates in democracies. And let me just give you some excerpts. One sentence in this piece -- and this is about how people determine who they are going to vote for. People are very short term in their focus. They tend to vote based on how the economy is going, rewarding or throwing the bums out regardless of party. But here's some interesting bits for you."

Açores 2

Rodrigo Moita de Deus pergunta no 31 de Armada: "Nas últimas legislativas regionais da Madeira também houve directos de televisão e mesas redondas com comentadores?"

Uma das maiores constipações da minha vida foi apanhada no dia 6 de Maio de 2007, noite das eleições regionais da Madeira, sentado três horas ao ar livre na Baía do Funchal enquanto José Alberto Carvalho, Marcelo Rebelo de Sousa, António Vitorino e, a espaços, Joe Berardo e outros madeirenses, discutiam animadamente os mais variados assuntos (incluindo a vitória de Sarkozy) em directo e ao vivo para a RTP nacional.

Por isso sim - atchim - houve directos de televisão e mesas redondas com comentadores...

Açores

De seguida, o quadro comparando as estimativas da sondagem à boca da urnas do CESOP com os que vieram a ser os resultados finais.
Não é mau, mas é pior que na Madeira, não é? Enquanto que tudo está muito próximo para os restantes partidos, o PS foi claramente sobrestimado.
Porquê? Os Açores é sempre uma chatice. Não se consegue ir a todas as ilhas e não conhecemos a política local: o carteiro que era candidato de um partido e agora passou para outro; os eleitores que andam chateados com a Câmara Municipal e castigam o partido nas regionais, etc. Ainda por cima, este ano, à conta do círculo de compensação, os pequenos partidos foram a todo o lado.
Pelo que consigo perceber neste momento, há duas razões para a sobrestimação do PS:
1. O problema começa logo na sondagem feita em S. Miguel e na Terceira (as únicas ilhas a que realmente fomos). Os resultados reais no conjunto das duas ilhas são 29,4% para o PSD e 53,5% para o PS. Mas nós tínhamos 27,1% para o PSD e 55,5% para o PS. Porquê este desvio? Não é assim tão grande, mas é maior do que costumamos apanhar. Não parecem ser as recusas: a correlação entre a percentagem de pessoas que recusou responder e a votação no PSD em 2004 é de .22, positiva (como se esperaria) mas baixa.
2. A extrapolação do que se passa na Terceira e S. Miguel para o resto dos Açores é perigosa, ou foi perigosa nesta eleição. Mesmo com os valores correctos para Terceira e S. Miguel, o nosso modelo continua a dar votos a mais ao PS (51%). Conclusão: parece que a entrada dos pequenos partidos em todos os círculos eleitorais mudou o jogo.

sexta-feira, outubro 17, 2008

Manipulação no Intrade

A propósito deste post:

Trader Drove Up Price of McCain ‘Stock’ in Online Market.

Obrigado ao José Gomes André pela notícia.

"Robocalls"

Podem ouvir aqui e aqui duas das chamadas telefónicas pré-gravadas que a candidatura de McCain anda a fazer na Carolina do Norte, no Ohio, no Colorado e na Virginia.
(via The Ballot).

Brooks on Obama

O conservador preferido dos liberais americanos, David Brooks, escreve um belo artigo sobre Obama no NYT. Brooks tem dúvidas: um potencial grande presidente, ou um "mero observador em vez de um líder"? Mas ver Obama comparado a F.D.R. e a Reagan é, ao mesmo tempo, extravagante e arguto:

"Some candidates are motivated by something they lack. For L.B.J., it was respect. For Bill Clinton, it was adoration. These politicians are motivated to fill that void. Their challenge once in office is self-regulation. How will they control the demons, insecurities and longings that fired their ambitions? But other candidates are propelled by what some psychologists call self-efficacy, the placid assumption that they can handle whatever the future throws at them. Candidates in this mold, most heroically F.D.R. and Ronald Reagan, are driven upward by a desire to realize some capacity in their nature. They rise with an unshakable serenity that is inexplicable to their critics and infuriating to their foes. Obama has the biography of the first group but the personality of the second."

Visualização de informação

Charles Franklin tem mais um gráfico - agora o nerd em mim toma conta - lindo no Political Arithmetik. E com esse gráfico, mostra:

1. Como a tarefa de McCain é incrivelmente difícil;
2. Como não se pode dizer que ela é completamente impossível, especialmente tendo em conta o que, aparentemente, se está a passar no Ohio. Ver aqui e, nas "tools", escolher a opção de smoothing "more sensitive".

Obama faz o que lhe compete quando avisa apoiantes: "I guess it's two words for you: New Hampshire".

Azares

O Público coloca na primeira página "McCain cada vez mais longe de Obama". A média móvel da vantagem de Obama sobre McCain na Real Clear Politics passa de +8,2 (dia 14) para +7,3 (dia15) para +6,8 (dia 16). A internet está em baixo na Rua Viriato?

Só me meto com o Público porque é o "meu" jornal, quer como leitor quer como colunista.

quinta-feira, outubro 16, 2008

Darth Vader vai à oficina

Cheney receives shock to correct heartbeat.

O Senado

Nos blogues portugueses, não se tem falado muito nas eleições para o Senado, mas agora que a vitória nas presidenciais parece muito provável, a preocupação dos Democratas é ganhar suficientes lugares no Senado para terem não só uma maioria mas também uma maioria "fillibuster-proof", ou seja, 60 lugares.

Como estão as coisas? Bem, democratas e republicanos têm 49 senadores cada, e há ainda 2 independentes: Joe Lieberman (cada vez mais próximo dos Republicanos, mas liberal - no sentido americano - em muitos temas) e Bernie Sanders (o único socialista no Senado e que vota com os Democratas a maior parte das vezes). Lieberman e Sanders fazem parte do grupo parlamentar dos Democratas (mas Lieberman pode mudar de ideias).

Em Novembro, estão em disputa 35 lugares, 23 nas mãos de Republicanos e 12 nas mãos de Democratas. Há uma série de estados onde nada deve mudar. Não há estados Democratas em risco de passaram para Republicanos. Mas há várias possibilidades de mudança de mãos de Republicanos para Democratas: Alaska, Colorado, Georgia, Minnesota, New Hampshire, New Mexico, North Carolina, Oregon e Virginia. Nove potenciais pick-ups, que deixariam os Democratas com 58 senadores. Com Sanders, 59. E Lieberman 60. Parece que, se queremos emoções no dia 4, vai ter de ser aqui.

Os debates

A vantagem de Obama, em pontos percentuais, nas sondagens sobre os "vencedores dos debates":

Dia 27 de Setembro:
CNN: +13
CBS (indecisos): +28
Mediacurves (independentes): +22

Dia 8 de Outubro:
CNN: +24
CBS (indecisos): +12
Mediacurves (independentes): +18

Dia 15 de Outubro:
CNN: +27
CBS (indecisos):+31
Mediacurves (independentes):+30

É curioso que seja neste último debate que as vantagens de Obama sejam maiores, tendo em conta que, objectivamente, não é nada evidente que este tenha sido o melhor debate para ele, pelo contrário. Mas esta amostra é, se pensarmos bem, auto-seleccionada (só viu o debate quem quis) e a leitura do que se passou é, naturalmente, moldada pelo "mood" geral da campanha. McCain esteve melhor que nos debates anteriores, mas manifestamente não chegou, e nunca poderia ter chegado (a não ser que tivesse havido uma catástrofe qualquer).

quarta-feira, outubro 15, 2008

Boatos

Aproveito para informar que o Centro de Sondagens e Estudos de Opinião da Universidade Católica não conduziu nem vai conduzir qualquer estudo nos Açores medindo intenções de voto. O único trabalho que será feito é uma sondagem à boca das urnas, cujos resultados serão divulgados à hora de encerramento das urnas. Logo, todos os alegados resultados de uma "sondagem da Católica nos Açores" que circulam por aí são falsos.

Early voting

A impressão que me ficou desta visita a uma secção de voto em Columbus parece ser mais representativa do que eu imaginava. Nas sondagens que vem fazendo nalguns estados, a Survey USA tem tentado apanhar os early voters. Conclusões (via FiveThirtyEight):

1. Nos estados do Ohio, Novo México, Georgia e Indiana, até aos dias 9-13 de Outubro, tinham votado mais de 10% dos eleitores recenseados. Na Carolina do Norte, até ao dia 6, apenas 5%.
2. Entre os que ainda não votaram - entre as intenções de voto - Obama domina no Indiana, Novo México e Ohio, enquanto McCain domina na Georgia e na Carolina do Norte.
3. Mas entre os early voters, Obama domina nos cinco estados, com margens que chegam aos 34%.

Mera correlação entre prediposição para votar antes e preferência por Obama? Ou também sinal de uma excepcional mobilização dos Democratas?

ACORN

Começam a acumular-se relatos de tentativas de fraude no registo de novos eleitores por parte de uma organização chamada ACORN, alegadamente apartidária mas com também alegadas ligações ao Partido Democrata e até a Obama. Obama já tentou neutralizar o potencial escândalo.

Comício em Columbus




Maldade


Afinal, sempre apareceram. Numa secção de voto em Columbus, Ohio, voluntário Republicano produz uma convincente imitação do candidato do partido à presidência dos Estados Unidos.

terça-feira, outubro 14, 2008

The Ohio State Buckeyes





Apesar da separação entre Estado e Igreja, há uma religião oficial no Ohio. O estádio está cheio para todos os jogos. São 105.000 pessoas. Começam por beber uns copos numa zona chamada Heiny Gate. Esta zona está vedada e ninguém pode levar bebidas alcoólicas para fora dela. Contudo, para muitos undergrduates, os copos começam 6ª feira à noite e só acabam na noite do dia seguinte. Depois seguem, os que cabem, para a St. John Arena, onde toca a TBDBITL: The Best Damn Band in the Land. Depois a banda segue em passo de corrida para o estádio, onde há uma cerimónia adicional à entrada do túnel. No estádio, todos de pé, primeiro para ouvir a Carmen Ohio e depois para o hino dos Estados Unidos. O Script Ohio consiste em escrever o nome do estádio com os elementos da banda. Depois há o "dotting the i", ou seja, um dos músicos serve de "ponto no i". Depois disto tudo ainda há o jogo, e pelo meio cheerleaders, os gestos que fazem O-H-I-O com os braços em cada um dos quatro lados do estádio, o half-time show, festejos se Michigan está a perder, o Hang On Sloopy no último quarter e, se ganham os Buckeyes, tocam os sinos no estádio. Ganhámos a Purdue, não me lembro por quantos. O jogo foi chato, toda a gente achou. Há um livro do Eric Hobsbwam que se chama The Invention of Tradition de que gostei muito quando li, há muito muito tempo.

Está tudo decidido?

Larry Bartels e Robert Erikson

Já agora, lembro-me de há uns anos anunciar neste blogue a chegada à blogosfera de vários cientistas políticos. Mas com Bartels e Erikson, chegámos finalmente ao topo da cadeia alimentar.