segunda-feira, maio 30, 2011

Probabilidade de o PS ganhar as eleições, segundo MRS

"Eu próprio dizia, há quatro ou cinco dias, que achava que o PS tinha 10% de hipóteses de vitória, olhando para a evolução das sondagens, há uma semana atrás ou no começo da semana. Aumentou essas probabilidades, eu hoje já diria que tem para aí 30% ou 35% das hipóteses", afirmou ontem Marcelo Rebelo de Sousa, no jornal das 8 da TVI.

Um mês de twitosfera (29 de Abril a 29 de Maio)




"Outros, Brancos e Nulos"

Um amigo chamou-me a atenção para a possibilidade da parcela "Outros, Brancos e Nulos" estar a aumentar nas sondagens. Fiquei curioso, mas desde logo um pouco preocupado. Primeiro, fico sempre um pouco inquieto quando se trata de analisar o conceito de "Outros, Brancos e Nulos", uma categoria residual, no sentido em que reúne coisas muito diferentes entre si. Segundo, receio sempre que os resultados das sondagens nesta categoria tenham um tratamento demasiado diferente de sondagem para sondagem. Na Marktest, por exemplo, notem como os resultados, mesmo depois de distribuídos os indecisos, atribuem 12,6% à categoria "Voto Branco/Outros" e como depois a Marktest "pondera" os resultados finais da seguinte forma: "ajustado o valor dos votos brancos e outros com base no valor obtido nas últimas Eleições para a Assembleia da República - Fev.2005" (deve ser gralha o Fev. 2005). Por outras palavras: a Marktest acha que a sondagem está a sobrestimar os OB's e recalcula tudo atribuindo-lhes um valor mais baixo. O único outro caso que conheço bem é o do CESOP, onde as pessoas que declaram voto em branco são questionadas sobre a sua inclinação de voto. Só aqueles que dizem que votariam em branco E não demonstram uma inclinação de voto são tratados como votos em branco no final. E não sei o que se faz ou como se faz nas outras empresas. Tudo isto para dizer que:

1. Há pelo menos duas empresas que sentem que captam votos em branco acima das reais intenções dos inquiridos;
2. As empresas tratam desta assunto de formas muito diferentes.

Dito isto, podemos olhar, com muita cautela, para a evolução dos OBN's. A primeira coisa que vi foi isto:



















Se presumirmos a possibilidade de os OBNs estarem a mudar linearmente com a passagem do tempo e formos à procura desse padrão, ele está lá, e é de crescimento. Mas o que acontece se tornarmos esta evolução mais sensível a mudanças na tendência?



















Crescimento até início do ano e depois diminuição. Mas tudo isto merece outro tipo de tratamento. Se o tratamento dos OBN's é muito sensível ao que é feito por cada empresa, temos um caso onde controlar por house effects se torna particularmente importante. E se fizermos isso, o que vemos?

1. Entre Março de 2005 e Janeiro de 2011, a percentagem de OBN's aumenta quase 4 pontos.
2. Entre Janeiro de 2011 e a segunda metade de Maio, desce 2,5 pontos.

Logo, a afirmação de que os OBN's estão a subir é correcta a médio/longo prazo, mas incorrecta a curto-prazo. É o melhor que consigo concluir neste momento.

"Perceba a treta das sondagens"

Por Luís Filipe Malheiro, no Jornal da Madeira. Um excerto:

"Sempre que as pessoas ouvirem falar de sondagens, percebam logo que estão a ser enganadas, porque estamos a falar de um embuste e de uma aldrabice que deveria, apadrinhada pela comunicação social, justificar a intervenção do Ministério Público, levando a tribunal as empresas vendedoras desta falcatrua para além da reacção de outras entidades com tutela neste domínio, casos da Comissão Nacional de Eleições e da ERC."

sábado, maio 28, 2011

Ponto da situação (rectificado)

Sobre a Eurosondagem, o que começou a ser feito a partir de ontem é a apresentação de uma média ponderada dos últimos 4 dias de trabalho de campo: 40% o dia anterior, 30% antes desse, 20% antes desse e 10% antes desse. Eu acho isto interessante e já houve comentários também nesse sentido aqui no blogue. Mas vou apresentar uma coisa mais convencional. O quadro abaixo é uma lista de resultados de amostras independentes desde meados de Abril. Com isto quero dizer que conto apenas com as sondagens de Intercampus "uma sim uma não" e, no caso da Eurosondagem, agrego os resultados de dois dias consecutivos. Calculo também a dimensão da amostra na base da qual as estimativas são apresentadas e duas médias ponderadas por essa dimensão: a das últimas cinco sondagens e a das últimas sondagens de cada empresa.


Várias coisas:

1. Parecem poucas, não parecem? Se filtrarmos as tracking pegando apenas em amostras independentes, ficam menos sondagens do que nos vai parecendo no dia-a-dia.
2. Últimas cinco sondagens (as mais recentes): entre 34 e 36 para o PSD; entre 32 e 36 para o PS; entre 10 e 13 para o CDS; entre 8 e 9 para CDU; entre 6 e 7 para BE. Acham muito? Não é, tendo em conta as dimensões das amostras efectivas.

3.  Recordo médias da nossa pool de previsões:
PSD: 34,2%
PS: 32,2%
CDS-PP: 11,9%
CDU: 8,4%
BE: 7,2%
Giro, não é?

P.S.- O quadro anterior tinha um erro numa sondagem da Intercampus e outro numa sondagem Aximage. Agradeço a Fernando Pereira Bastos. Acrescento também que as sondagens da Aximage têm sido apresentadas sem distribuir indecisos. Para tornar os seus resultados comparáveis com os das restantes, tratei os indecisos como abstencionistas.

O que acontece quando se proíbe a publicação de sondagens durante a campanha?

Em Itália, as sondagens são proibidas a partir de duas semanas antes do dia das eleições. Mas neste fim de semana há eleições locais, incluindo em Milão. Como fazer? Assim:


Ed ecco a voi le ultimissime corse clandestine. Come al solito  i nostri osservatori vogliono rimanere segreti (il perché è facilmente capibile da chi è pratico dell meccanismo delle corse clandestine). Vi assicuro, però, che sono stati tra gli osservatori più precisi nello scorso turno (se non i migliori).

Ma ecco i risultati!


 milano (davanti a 64 mila spettatori)

ferrari 54 km (-1 km)
 red bull 46 km (+1 km)


napoli ( davanti a 58 mila spettatori)

toro rosso 51 km (-1 km)
red bull 49 km (+1 km)


 cagliari (davanti a 59 mila spettatori)
ferrari 52 km (-1 km)
 red bull 48 km (+1 km)

Obrigado ao Goffredo Adinolfi pela dica.

Isto merece ser lido com atenção

"The idea substantiated in the MoU that an entire country can be reengineered - notwithstanding its faults, the World’s 38th biggest economy - based on a 3-week 34-page outline is remarkable."

sexta-feira, maio 27, 2011

Eurosondagem, 23-26 Maio, N=(temos de falar sobre o assunto), Tel.

PSD: 33,9%
PS: 32,3%
CDS-PP: 13,4%
CDU: 7,9%
BE: 6,3%

Aqui. Eu vou ter de dedicar um post específico a este assunto mas agora não tenho tempo. A única coisa que interessa dizer para já é que quatro das cinco empresas de sondagens já estão em consenso: principais partidos muito próximos, vantagem, a existir, para o PSD.

P.S- Digo "já estão" na expectativa de que o que está a suceder seja o padrão habitual de convergência entre as sondagens nas últimas duas semanas. Mas o que se segue pode desmentir isto...

Intercampus, 21-26 Maio, N=1015, Tel.

PSD: 35,8% (+0,1)
PS: 34,1% (=)
CDS-PP: 11,4% (-0,6)
CDU: 7,7% (+0,2)
BE: 6,5% (+0,3)

Aqui. Comparação com a sondagem cujo trabalho de campo terminou dia 19.

Comentários

Só para dizer que tento responder a todos os comentários que contenham perguntas, mas às vezes faço-o tarde. E pode-me passar algum. Se assim for, insistam. E queria também dizer que para os pessimistas na qualidade do debate público sobre sondagens ou na qualidade dos comentários nos blogues - e eu sou às vezes um deles - ler aquilo que vocês têm escrito aqui é um verdadeiro bálsamo.

Eurosondagem, N=1550, 23-25 Maio, Tel.

O resultado apresentado pela Eurosondagem de hoje parece-me ser a média ponderada dos resultados de 3 dias de trabalho de campo, um com 525 inquiridos, outro com 510 inquiridos, e outro com 515 inquiridos.

PSD: 33,6%
PS: 32,5%
CDS-PP: 12,8%
CDU: 8,1%
BE: 6,5%

Aqui.

quarta-feira, maio 25, 2011

Eurosondagem, 24 de Maio, N=1035, Tel.

PSD: 33,7% (+0,6)
PS: 32,0% (-0,6)
CDS-PP: 13,2% (-0,5)
CDU: 8,1% (+0,5)
BE: 6,7% (+0,1)

Aqui. Estes resultados representam a média entre o trabalho de campo de dia 23 (sondagem divulgada ontem) e o trabalho de campo de ontem. A comparação é com os resultados divulgados ontem. Daqui em diante tentarei apenas comparar amostras independentes. Espero estar a compreender correctamente o que foi feito do ponto de vista da dimensão da amostra.

Sondagens nas eleições britânicas de 2010

Um ano depois das eleições no Reino Unido, um número especial do Journal of Elections, Public Opinion and Parties sobre o assunto. E de acesso livre, ainda por cima. Com alguns dos melhores especialistas mundiais no estudo do comportamento eleitoral. Artigos sobre as lideranças, a decisão do voto e as consequências dos resultados. E dois sobre sondagens:

Why Did the Polls Overestimate Liberal Democrat Support? Sources of Polling Error in the 2010 British General Election.

Confounding the Commentators: How the 2010 Exit Poll Got it (More or Less) Right.

Um deles começa assim:

"Pollsters once again found themselves in the firing line in the aftermath of the 2010 British general election." Ah, como vos compreendo.

E conclui:

"During the 2010 British general election campaign the polling industry as a whole exhibited a bias: it overestimated Liberal Democrat support. Our analysis demonstrates that it is very unlikely this could have been the consequence of a late swing in public opinion. It was also not clearly the result of any of the polling methodological features we tested." Ora bolas. E ah, como vos compreendo.

Alguns resultados interessantes da sondagem do CESOP

Tal como apresentados no DN de hoje:
1. 85% dos inquiridos afirma não ter lido sequer uma parte dos programas eleitorais de qualquer partido.
2. Os únicos líderes políticos cuja avaliação desce em relação à sondagem anterior são Cavaco Silva e José Sócrates.
3. PSD é visto por mais pessoas como tendo as melhores soluções para o relançamento económico do país do que o PS; na Saúde e na Educação a situação inverte-se.
4. 30% dos inquiridos acham que há um partido que faria melhor do que o actual se fosse governo. Parecendo eventualmente um valor baixo, é comparativamente elevado em relação a sondagens anteriores.

Encontros na Universidade do Minho

Sondagens: a realidade e os mitos, com Marcelo Rebelo de Sousa, Henrique Monteiro, José Leite Pereira, Dinis Pestana e Estelita Vaz, moderado por Felisbela Lopes. Dia 26, 5ª feira, às 21.00h, na Reitoria.

Twitosfera: desde 28 de Abril























Dados REACTION até às 19h de ontem.

Indecisos

1. Quantos são? 28%? 25,1%? 25,4%? Ou 8,3%? Ou 33,3%? Qualquer discussão sobre este assunto tem de começar por reconhecer que o conceito de "indecisos" captado por estas sondagens terá quase certamente de ser diferente. Indecisos sobre se vão votar mas decididos sobre o partido? Decididos que vão votar mas indecisos sobre como? As duas coisas? Isto mais não os que não querem responder à questão sobre se vão votar? Ou os que não querem responder à questão sobre em que partido votariam? Ambas? O quê?

2. Presumindo que as empresas medem isto de forma internamente consistente, há mais qualquer coisa que podemos dizer. A 10 de Setembro de 2009, a duas semanas das eleições, a Católica captava que 19% do eleitores manifestavam tencionar votar mas diziam não saber em quem. A uma semana das eleições, esse valor tinha baixado para 17%. Agora, a duas semanas das eleições, estamos com 28%. Mas notem como as coisas se complicam quando olhamos para a Marktest: em 2009, na última sondagem antes de eleições, a Marktest captava 37% de indecisos. Na mais recente, 33,3%. Mas na última sondagem de Setembro de 2009 apenas 2,6% de pessoas diziam que não iriam votar!  Vou ser franco: acho que na Marktest há muita abstenção misturada com indecisão e vou-me arriscar a dizer que nestas eleições parece haver uma percentagem superior de pessoas que se sente indecisa em comparação com 2009.

3. Porque estas coisas mudam mesmo de eleição para eleição. Segundo os dados dos inquéritos pós-eleitorais do projecto Comportamento Eleitoral dos Portugueses, eis as percentagens de eleitores em relação ao total (incluindo abstencionistas) que afirmam ter decidido em quem votar na última semana antes da eleição:

2002: 9%
2005: 17%
2009: 10%

4. Como tratar os indecisos numa sondagem de intenção de voto?
- Primeiro seria importante garantir que estamos a falar da mesma coisa. Tal como os dados iniciais sugerem, não estamos.
- Segundo, seria importante garantir que os dados brutos estão sempre disponíveis: distribuir os indecisos desta ou daquele forma é importante para que os resultados das sondagens sejam comparáveis entre si e comparáveis com os resultados de eleições, mas os leitores devem ter acesso aos dados antes de qualquer distribuição. Hoje em dia, pelo menos através dos depósitos na ERC, essa informação existe.
- Terceiro: não há consenso sobre a melhor maneira de lidar com a questão. Nos Estados Unidos, a grande discussão é a de saber se os indecisos devem ser distribuidos igualmente ou proporcionalmente pelos dois principais partidos, ou ainda se se deve usar uma pergunta de "inclinação de voto". Há estratégias mais complicadas, mas tendem a ser usadas mais por analistas dos resultados do que pelas empresas, precisamente por serem complicadas e difíceis de transmitir. E quando são usadas pelas empresas - "o challenger rule" da Gallup, por exemplo, que supõe que os indecisos se inclinam mais para o partido menos votado - isso baseia-se em conhecimento de um contexto completamente diferente do nosso. Em Portugal, naturalmente, ninguém redistribui indecisos igualmente pelos partidos: isso não faz sentido num sistema multipartidário. O que se faz é ou tratá-los como abstencionistas (o que significa distribui-los proporcionalmente pelas opções válidas) ou usar uma pergunta de inclinação de voto (Católica).

5. O que não se faz: nenhuma empresa redistribui na base de resultados eleitorais passados; nenhuma empresa pondera os seus resultados na base de recordações de voto em eleições anteriores. Digo isto porque vi a confusão surgir quer em comentários a este blogue quer num debate ontem na SIC Notícias.