sexta-feira, setembro 25, 2009

Quadro final

Todas as sondagens de Setembro. Para as últimas quatro, variação em relação à última sondagem do mesmo instituto e uma média ponderada:



Como se pode ver, duas tendências comuns a todas: descida do BE e subida do CDS-PP. Outro aspecto relevante é, claro, a impressionante convergência das quatro sondagens, maior ainda do que a ocorreu nas últimas sondagens de 2005. Já várias vezes discuti aqui este fenómeno recorrente, para o qual vejo três explicações plausíveis:

1. Cristalização do voto (e já citei aqui tantas vezes um famoso artigo de Andrew Gelman e Gary King que nem faço link outra vez);
2. Maior investimento por parte dos institutos nas derradeiras sondagens;
3. Institutos looking over their shoulders.

A 3ª explicação, que foi mencionada aqui há uns dias num comentário, é potencialmente a mais perturbante. Mas aqui, duas notas:

1. Não acredito, muito sinceramente, que alguém obtenha um resultado e o mude deliberadamente para se ajustar a uma qualquer expectativa do que vão ser os resultados as eleições ou aos resultados de outros institutos. As coisas passam-se, potencialmente, de forma muito mais subtil. Como explicam Gary King e os seus colegas neste outro artigo - um óptimo exemplo do tipo de "auditoria" que se pode fazer a um conjunto de sondagens pré-eleitorais e que a Comissão nomeada pela ERC faria bem em imitar - a produção de "estimativas de resultados" exige um conjunto de ajustamentos dos dados que se baseiam numa série de pressuposições sobre quem é um votante provável, como se distribuem os indecisos, como se corrigem distorções da amostra, etc, etc, etc. É por essas pressuposições e nesses ajustamentos, creio, que as expectativas se podem subtilmente "inflitrar".

2. Mas também noto que, em todas as sondagens, não há mudanças em relação ao que têm sido práticas constantes dos vários institutos quando fazem sondagens pré-eleitorais (a Marktest abandonou a ponderação pós-amostral por recordação de voto em 2005, mas já o tinha feito há algum tempo; a Aximage usa um modelo de redistribuição de indecisos que me parece igual ao usado no passado; Intercampus e CESOP fazem o mesmo que fazem sempre nas últimas pré-eleitorais). Pelo que, para responder ao comentador, acredito mais, neste caso, nas explicações 1 e 2.
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