segunda-feira, maio 30, 2011

"Outros, Brancos e Nulos"

Um amigo chamou-me a atenção para a possibilidade da parcela "Outros, Brancos e Nulos" estar a aumentar nas sondagens. Fiquei curioso, mas desde logo um pouco preocupado. Primeiro, fico sempre um pouco inquieto quando se trata de analisar o conceito de "Outros, Brancos e Nulos", uma categoria residual, no sentido em que reúne coisas muito diferentes entre si. Segundo, receio sempre que os resultados das sondagens nesta categoria tenham um tratamento demasiado diferente de sondagem para sondagem. Na Marktest, por exemplo, notem como os resultados, mesmo depois de distribuídos os indecisos, atribuem 12,6% à categoria "Voto Branco/Outros" e como depois a Marktest "pondera" os resultados finais da seguinte forma: "ajustado o valor dos votos brancos e outros com base no valor obtido nas últimas Eleições para a Assembleia da República - Fev.2005" (deve ser gralha o Fev. 2005). Por outras palavras: a Marktest acha que a sondagem está a sobrestimar os OB's e recalcula tudo atribuindo-lhes um valor mais baixo. O único outro caso que conheço bem é o do CESOP, onde as pessoas que declaram voto em branco são questionadas sobre a sua inclinação de voto. Só aqueles que dizem que votariam em branco E não demonstram uma inclinação de voto são tratados como votos em branco no final. E não sei o que se faz ou como se faz nas outras empresas. Tudo isto para dizer que:

1. Há pelo menos duas empresas que sentem que captam votos em branco acima das reais intenções dos inquiridos;
2. As empresas tratam desta assunto de formas muito diferentes.

Dito isto, podemos olhar, com muita cautela, para a evolução dos OBN's. A primeira coisa que vi foi isto:



















Se presumirmos a possibilidade de os OBNs estarem a mudar linearmente com a passagem do tempo e formos à procura desse padrão, ele está lá, e é de crescimento. Mas o que acontece se tornarmos esta evolução mais sensível a mudanças na tendência?



















Crescimento até início do ano e depois diminuição. Mas tudo isto merece outro tipo de tratamento. Se o tratamento dos OBN's é muito sensível ao que é feito por cada empresa, temos um caso onde controlar por house effects se torna particularmente importante. E se fizermos isso, o que vemos?

1. Entre Março de 2005 e Janeiro de 2011, a percentagem de OBN's aumenta quase 4 pontos.
2. Entre Janeiro de 2011 e a segunda metade de Maio, desce 2,5 pontos.

Logo, a afirmação de que os OBN's estão a subir é correcta a médio/longo prazo, mas incorrecta a curto-prazo. É o melhor que consigo concluir neste momento.
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