segunda-feira, novembro 14, 2005

Eurosondagem, Presidenciais, 12 Novembro (continuação)

Primeiro os dados:



Algumas notas:

1. A sondagem divulgada há menos tempo (a do Expresso/RR/SIC) não é a última da lista porque as sondagens estão colocadas por ordem crescente da data de trabalho de campo, e não de divulgação.

2. Há discrepâncias de não mais de 0,1% entre os resultados apresentados pela Eurosondagem após a redistribuição de indecisos e aqueles que eu apresento. A razão é simples: respeitando a decisão da empresa de apresentar esses dados com uma casa decimal, fiz o cálculo da redistribuição dos indecisos (15%) pelas restantes opções válidas. Os meus resultados não coincidem com os da Eurosondagem. Nada disto, contudo, tem qualquer importância, como se verá no ponto seguinte.

3. Há por aí alguma discussão sobre o que estes resultados estão a dizer assim que se considera a margem de erro amostral. O que eles estão a dizer é o seguinte:

"Se a amostra obtida da população eleitora residente em domicílios com telefone no Continente tivesse sido aleatória, haveria 95% de probabilidades que as intenções de voto em cada um dos candidatos - redistribuindo proporcionalmente os indecisos - se situassem entre os valores máximos e mínimos do seguinte quadro:



Logo, na base destes resultados, não podemos dizer, nem só com 95% de confiança, se, entre a população eleitora residente em domicílios com telefone fixo no Continente:

a. As intenções de voto em Cavaco Silva são neste momento superiores a 50%;
b. Soares tem mais intenções de voto que Alegre ou vice-versa;
c. Louçã tem mais intenções de voto que Jerónimo ou vice-versa.

Acresce a isto que a amostra da Eurosondagem - tal como todas as feitas por qualquer sondagem em qualquer sítio no Mundo - pode ter sido seleccionada com procedimentos aleatórios, mas não é nunca uma sondagem cujos membros da amostra tenham sido seleccionados com probabibilidade igual a todos os outros (devido à incapacidade de contactar membros do universo seleccionados aleatoriamente, recusas em pertencer à amostra, etc.). É por tudo isto que a afirmação "Cavaco deve ganhar à primeira volta" não faz sentido (para já não falar do facto de usar intenções de voto recolhidas a três meses das eleições como elemento que permite prever o que vai suceder no dia das eleições).

4. A diferença entre os resultados da última (Aximage) e da penúltima (Eurosondagem) sondagens dificilmente terão a ver com mudanças nas intenções de voto dos eleitores ao longo do tempo, dado que os trabalhos de campo foram conduzidos quase simultaneamente. Restam as opções metodológicas e o erro amostral como explicação das diferenças. O segundo, por enquanto, ainda as justifica. Mas se começarmos a detectar de forma sistemática que as amostras por quotas produzem melhores resultados para Cavaco e Alegre do que as amostras aleatórias, importa começar a considerar as opções metodológicas como fonte destas discrepâncias. Por enquanto é cedo.

5. A vantagem de Cavaco Silva sobre os restantes candidatos está a diminuir? Para percebermos se a passagem do tempo está a produzir efeitos nesse sentido, a melhor maneira é manter constantes as opções metodológicas e esperar que a confirmação de tendências dentro de cada instituto diminua a probabilidade das discrepâncias serem mero ruído aleatório. Logo, só com mais sondagens de cada instituto haverá respostas mais credíveis. É preciso esperar para ver.
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