quinta-feira, maio 05, 2005

UK: as sondagens do dia

São as seguintes:



Parecem as sondagens para as últimas legislativas portuguesas: ou acertam todos em cheio ou espatifam-se todos. É extremamente curioso como sondagens que, até há dias, apresentavam discrepâncias importantes (ver aqui) convergem desta maneira no último dia, apesar de continuarem a apresentar as diferenças metodológicas anteriores. Vejo três explicações possíveis:

1. Um mero acaso;

2. A "realidade" mudou, com os eleitores a decidirem-se à última hora de forma a que as diferenças metodológicas deixem de influenciar as estimativas;

3. A terceira é algo mais perversa: quem faz as sondagens olha para um lado e para o outro, pondera os resultados que obtém de acordo com as suas expectativas daquilo que os resultados irão ser, e escolhe os métodos de ponderação e análise de resultados que mais se aproximam dessas expectativas. Resultado: como quem faz as sondagens está imerso no mesmo mundo social e comunicacional, os resultados tendem a convergir.

A terceira explicação pode ser interpretada como apontando alguma desonestidade por parte de quem faz as sondagens. Mas "desonestidade" é um bocado forte. Não acredito que alguém diga que os conservadores vão ter 36% quando as sondagem lhes dá 42%, mudando arbitrariamente os resultados que obtém. O que sucede é que aquilo que a sondagem "dá" depende de uma série de opções sobre como ponderar a probabilidade de voto, como corrigir a composição socio-demográfica da amostra, etc, etc, etc. E aquilo que acho que acontece é que essas opções, na última sondagem, são mais indutivas do que dedutivas. Ou seja: em vez de fazerem essas opções e divulgarem os números que daí resultam, os técnicos olham para os números que resultam das diferentes opções e divulgam os resultados em que mais acreditam.

Mas há aqui, claro, alguma arbitrariedade, e pode haver até um certo espírito defensivo ("se eu não me afastar muito daquilo que os outros dão, não vou ser nem muito pior nem muito melhor que eles"). Não é, propriamente, uma ciência, isso de certeza...

De resto, cerca de 25% dos ingleses dizem-se indecisos. Mais que prováveis abstencionistas.

E já agora: para além da ajuda dos seus colegas barnabitas , mais um elemento para ajudar o Daniel a perceber como se pode tomar a decisão de votar nos Trabalhistas mesmo que se discorde da actuação de Blair no Iraque:

The survey contains a sting in the tail for Mr Blair because more than half the electorate want him to resign within two years rather than carry on for another full term. And only one in three want Mr Blair to stay on longer than two years.
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