sexta-feira, junho 29, 2007

Apertem os cintos de segurança

E a propósito do post anterior, este gráfico é retirado de um paper de Francisco José Veiga e Linda Veiga sobre a popularidade do PM e outros orgãos políticos. As linhas a vermelho marcam - um bocado a olhómetro, dado que não tenho os dados - o início e o fim dos semestres das presidências portuguesas da UE.

Estão a ver o mesmo que eu? Não tenho uma teoria sobre o assunto. Mas é giro, não é?

Popularidade líderes políticos, Junho

Sondagem Marktest para o Diário de Notícias e a TSF.

Sócrates prossegue a sua descida, no seguimento do caso "Independente". Chegou ao segundo valor mais baixo desde que é PM, só superado (pela negativa) pelos valores de Setembro de 2005.

Com a descida de Sócrates, isto arrisca-se a passar despercebido, mas o líder do principal partido da oposição tem uma avaliação ainda mais negativa que o PM e também tem vindo a descer. Essa descida, contudo, já vem de mais longe. Marques Mendes nunca foi tão impopular como é hoje.

Cavaco pelas alturas.








terça-feira, junho 26, 2007

A constituição europeia

Por estes dias, vale a pena dar uma vista de olhos pelos resultados do Eurobarómetro (.pdf) mais recente, realizado entre Abril e Maio passados. Alguns destaques:

1. Taking results for this wave only, it can be seen that there are no countries where those against a constitution outnumber those in the ‘for’ camp. In particular, we note that support in France and the Netherlands, the two countries rejecting the constitution via referenda, stands at 68% and 55% respectively.

2. However, those holding the ‘against’ view do form a very significant segment of opinion in Finland (43% ‘against’, 4 points lower than ‘for’) and the UK (36% ‘against’, 7 points lower than ‘for’).

Nos 27, este apoio cresceu de 2006 para cá. Mas atenção: a questão é colocada apenas "em abstracto", em termos de "uma constituição" e não "que constituição".

Outlier: O resto é paisagem

"Antes, o roteiro da arte contemporânea terminava em Madrid. A partir de hoje, começa aqui, em Lisboa". José Sócrates, ontem, na inauguração do Museu Colecção Berardo.

Não quero ser chato nem "polícia da linguagem". Mas isto deve querer dizer que o Museu de Arte Contemporânea de Serralves fica algures entre Barcelona, Valência e Madrid. E nem falo disto.

segunda-feira, junho 25, 2007

Outlier: Mais um momento "so, what do you think about Portugal?"*

Parlamento Europeu acredita no sucesso da presidência portuguesa

*Pergunta regulamentar a fazer por jornalistas a celebridades estrangeiras que visitam o país, na esperança, sempre fundada, de que saia qualquer coisa simpática.

Peso morto

O anúncio do abandono de Blair deu-se no dia 10 de Maio. De seguida, por instituto, respectivamente:

- a vantagem a favor dos Conservadores, em pontos percentuais, nas intenções de voto na última sondagem realizada antes do dia 10 de Maio;
- a vantagem a favor dos Conservadores, em pontos percentuais, nas intenções de voto na primeira sondagem realizada depois do dia 10 de Maio;
- a vantagem dos Conservadores, em pontos percentuais, na sondagem mais recente.

YouGov:5/4/2
MORI: 7/2/-3
Populus: 8/4/3
ICM: 7/2/5
Communicate:9/4 (a primeira sondagem após 10 de Maio é também a mais recente).

Fonte: UK Polling Report.

sexta-feira, junho 22, 2007

Sondagens de Lisboa

Não se admirem com o facto de não ter feito grandes comentários à sondagem da Aximage para o Correio da Manhã. É porque não sei bem o que dizer. Quando há muitas sondagens disponíveis, é possível tentar, com os controlos apropriados, detectar tendências. Mas quando há poucas, e ainda por cima com a dispersão que estas têm, o melhor é estar calado (mas veja-se como sou suficientemente tonto para não resistir no final deste post). E basta olharmos para o que se passou em 2005 para percebermos que:

1. Não é de todo garantido que esta dispersão de resultados diminua à medida que nos aproximaremos do dia das eleições, como acontece noutras eleições e é normal que aconteça.

2. As discrepâncias entre as diferentes sondagens e aqueles que vêm a ser os resultados eleitorais não têm as explicações que muitas vezes lhes tendemos a atribuir.

3. As sondagens feitas em Lisboa são geralmente imprecisas, ponto.

Mas dito isto, se esta sucessão de resultados captasse "tendências" reais (e não uma miríade de outros factores causadores de variação), não me parece que esta sondagem venha assim em tanta contradição com as anteriores. Se olharmos com atenção, vemos:

1. Costa sobe (com Intercampus outlier);
2. Negrão sobe (com Aximage outlier);
3. Carmona e Roseta descem.
4. Ruben sobe.

Ficavam surpreendidos com o esmorecer do entusiasmo nos candidatos independentes e com o reforço do voto partidário à medida que a campanha avança? Mas porquê? (mas isto não fui eu que disse)

O chavismo e as sondagens: uma troca de e-mails

No artigo de hoje apresentas uma sondagem sobre o apoio da populacao a Chávez, e como costumas ser tão rigoroso há algo que tenho de perguntar, tendo em conta as grandes disparidades sociais que existem na Venezuela. Como foi feita tal sondagem? Telefonicamente? Nas zonas ricas? pobres? Misto? Sinceramente, e tendo em conta toda a problemática/dualidade da sociedade venezuelana, sinto que seja quase impossível ser feita uma sondagem imparcial. Não terá sido também esta encomendada pelos media, estando estes claramente alinhados a um tipo de resposta? No fim, rematas com "É em momentos como este que as minhas dúvidas existenciais sobre a contribuição das sondagens para a democracia se dissipam completamente. Depois voltam, mas o momento é de aproveitar."Achas que este tipo de sondagem contribui de que forma para a democracia? Ou, a que te referes quando falas de democracia?
Nota: não acho grande piada ao Chávez, embora ache interessante muito do que ele anda a fazer pela Venezuela, por isso não consideres isto um mail de apoio incondicional ao Chávez, mas apenas o que é, uma série de dúvidas.

Na verdade, concedo facilmente que o caso da Venezuela (e possivelmente o de muitas outras "semi-democracias" ou "semi-autoritarismos") é um bom exemplo de como as sondagens tendem a ser objecto de forte manipulação. Já relatei isso no caso da Venezuela há uns meses atrás, e confesso que não sei o suficiente sobre o panorama político da Venezuela para conseguir navegar com segurança por este mar de acusações mútuas.

Mas sei o seguinte: no referendo de 15 de Agosto 2004, o resultado final foi 59/41, favorável ao Não, ou seja, como saberás, favorável a Chávez. A Datos, em Junho, estava a dar 51/39, o que redistribuindo dá 57/43. É um resultado muito próximo do final, e favorável a Chávez. Tomei isto, conciliado agora com os resultados desfavoráveis a Chávez, como indicação de que estamos perante uma empresa minimamente séria. Isto pode não chegar, mas é a indicação que tenho, e não me parece má.

Agora, é certo que a sondagem - e deveria ter mencionado isso no post - não foi feita a uma amostra nacional mas sim a uma amostra da população residente nas 8 maiores cidades, representando apenas 1/3 da população do país. Mas a amostra, como verás, tem uma maioria de inquiridos dos estratos sociais mais baixos. Assim, mesmo com algumas precauções, e especialmente tendo em conta resultados tão expressivos, acho que se pode dizer com alguma segurança que as últimas medidas de Chávez estão a ser mal recebidas pela população.

Finalmente, por que é que contribui para a democracia? Se não conhecêssemos estes resultados, aquilo que saberíamos da vontade do povo seria apenas aquilo que Chávez e os seus opositores teriam para nos dizer. E tendo em conta que Chávez vem silenciando os opositores, seria provavelmente apenas a versão do primeiro. Mas com esta sondagem, sabemos algo mais, e melhor.


Eu dei uma vista de olhos no powerpoint da sondagem, mas, não conhecendo a realidade "socio-geografica" do país não consigo ter opinião sobre a justeza dos sítios escolhidos. Tenho algumas dificuldades em acreditar que consigamos saber o que se passa na Venezuela através de sondagens, e penso, ao contrário do que dizes, que muito do que nos chega, é pelo contrario, contrario a Chávez, e não oriundo deste ou do estado/máquina estatal venezuelana. Como podemos nós compreender um pais claramente do 3º mundo, com problemas gravíssimos de fome, miséria, degradação social em todos os aspectos? É-me muito difícil criticar Chávez a nível das medidas, quando o vejo (pode ser apenas aparente) a efectivar medidas que melhoram as condições de vida dos extractos mais baixos. É-me difícil criticar Chávez por fechar um canal de televisão que se dedicava 24/24 a criticas absolutamente destrutivas, e quantas vezes mentirosas contra o estado (inclusive dentro das telenovelas, com todo o controlo social que isso implica). Qual seria a reacção do estado português a uma SIC ou TVI que participasse activamente num golpe de estado, e em milhentas iniciativas para derrubar o estado? Penso que não seja a liberdade de expressão que esteja em causa, mas sim algo diferente.

Lisboa, Aximage, 20 Junho

Mais uma sondagem, aqui. O quadro completo:

quinta-feira, junho 21, 2007

O chavismo já teve melhores dias

Venezuela, Datos, 8-10 Junho, Telefónica e Presencial, N=600

¿En que grado está usted de acuerdo con la medida tomada por el gobierno nacional de no renovar la concesión a RCTV?
Muy de Acuerdo/De Acuerdo: 20,4%
Ni de Acuerdo ni en Desacuerdo: 12,2%
Muy en Desacuerdo/ En desacuerdo: 66,9%

¿Usted estaría de acuerdo con la salida del aire de Globovisión?
Si:17,2%
No: 75,2%
Nr: 7,7%

En vista de las manifestaciones estudiantiles que se han llevado a cabo en el país recientemente, ¿qué opinión le merece la actitud de los estudiantes?
Muy bien: 29,7%
Bien: 26,5%
Regular: 19,3%
Mal: 15,3%
Muy mal: 8,5%
No sabe/No responde: 0,7%

¿Piensa usted que el cierre de RCTV atenta contra la libertad de expresión en Venezuela?
Si: 56,5%
No: 36,3%
Ns/Nr: 7,2%

Resultados completos aqui. É em momentos como este que as minhas dúvidas existenciais sobre a contribuição das sondagens para a democracia se dissipam completamente. Depois voltam, mas o momento é de aproveitar.

quarta-feira, junho 20, 2007

Reagan II?

Atentem neste gráfico retirado do Political Arithmetik:

O que este gráfico mostra, simplesmente, é que Fred Thompson, ex-senador do Tennessee e actor no Law and Order, ultrapassou McCain nas sondagens para as primárias do Partido Republicano. E Thompson não é sequer ainda (oficialmente) candidato. Reagan II à vista.

terça-feira, junho 19, 2007

Boa pergunta

A que é colocada aqui sobre a popularidade do Primeiro Ministro. Como sabem os leitores deste blogue, não tenho dados suficientes para dar resposta. A não ser para dizer:

1. Apesar dos valores absolutos serem diferentes, as sondagens Eurosondagem e Marktest parecem reflectir tendências semelhantes, como se vê aqui.

2. Das quatro sondagens que regularmente medem a apreciação do Primeiro-Ministro, apenas a Eurosondagem o coloca, em termos absolutos, num patamar claramente positivo. As restantes não o fazem: aqui, aqui e aqui. E isto independentemente das intenções de voto maioritárias no PS (expressas, de resto, por pouco mais de metade das amostras, o que não sucede com a avaliação do PM). E apesar das dúvidas sobre o impacto do caso Independente, apesar de a pouco e pouco, à medida que resultados sucessivos após Março inferiores à média anterior se vão sucedendo, esse impacto negativo me parecer cada vez mais inquestionável.

3. Continuo a suspeitar que algumas das diferenças radicam na heterogeneidade dos questionários, da formulação das perguntas e da opções de resposta.

O povo é quem mais ordena

Católica, 13 de Maio de 2007, N= 1337, Aleatória, Face-a-face

Acha que já há condições para tomar uma decisão definitiva ou que se devia fazer mais estudos sobre a localização do novo aeroporto?

Já há condições para uma decisão: 19%
Devia-se fazer mais estudos: 47%
Não sabe: 32%
Não responde: 1%

sexta-feira, junho 15, 2007

Outlier: A frase do ano (pelo menos)

«Estou a fazer um investimento cultural», tendo em conta que «o Benfica faz parte da minha cultura», rematou Joe Berardo.

Até o "rematou" está perfeito.

Lisboa, Intercampus

A sondagem divulgada hoje no Público é interessante porque usa inquirição presencial e simulação de voto em urna, permitindo confrontar resultados obtidos com essa metodologia com os anteriores (onde se fizeram sondagens telefónicas). Há alguns elementos de informação que a notícia não faculta, tais como os resultados brutos ou as opções de amostragem. O que temos é o seguinte:




Confirma-se Costa na frente (mas dúvida sobre com que vantagem) e Carmona abaixo de Negrão. Roseta bastante abaixo de valores anteriores e Ruben e Sá Fernandes bastante acima.

A mão no bolso

O melhor resumo da minha comunicação na Gulbenkian, no ciclo Estado do Mundo, aqui.

O Presidente, o Congresso as Primárias

Ponto de situação, no indispensável Political Arithmetik. Destaques:

1. Bush no ponto mais baixo de popularidade de sempre;

2. Declínio no apoio ao Congresso, especialmente para Republicanos mas também para os Democratas;

3. Pessimismo generalizado e crescente sobre a direcção do país;

4. Surpresa nas primárias Republicanas: McCain e Giuliani em declínio, Fred Thompson - ex-senador do Tennessee - a subir. Para quem não esteja bem a ver de quem se trata, pode clicar aqui e garanto que ficará surpreendido.

5. Menos surpresas nas primárias do Partido Democrata: Obama e Clinton estabilizam (depois de subida do primeiro e descida da segunda), mas Gore sobe nas sondagens...

quinta-feira, junho 14, 2007

terça-feira, junho 12, 2007

Um aeroporto no deserto

TVI, Intercampus, 11 Junho, N=605, Telefónica, nacional

Preferência por localização do novo aeroporto
"Margem Sul": 48,4%
Ota: 16,9%
Outros: 3,1%
Ns/Nr: 31,6%

O que vale a quem, como eu, trabalha nesta actividade, é que há sempre mais de metade dos inquiridos que em qualquer sondagem e em qualquer pergunta têm sempre opinião sobre seja o que for. Que Deus os guarde.

Mais a sério, este é um dos grandes temas do estudo da opinião pública: como as pessoas exprimem opiniões na base de reduzidíssima informação e sem qualquer (aparente) base racional. E até que ponto decisões como essas podem, de facto, ser "racionais". Um número inteiro de uma revista dedicado ao assunto: aqui.

4,7%, 0 deputados

Procuro não me repetir, mas tenho desta vez o pretexto de estar a repetir o que outros disseram:

"Ce qui est remarquable concernant ce vote utile, c'est que Nicolas Sarkozy a composé avec l'électorat habituel du Front National à l'instar de ce que François Mitterrand avait réussi à faire avec le parti communiste en 1981. Nous sommes quasi dans le même contexte aujourd'hui qu'en 1981 - à l'exception des convictions politiques des deux hommes." (Gérard Grunberg, Director de pesquisa no CEVIPOF)

segunda-feira, junho 11, 2007

França, legislativas

Com o andar da carruagem, confesso que me fui desinteressando das legislativas francesas, pela aparente previsibilidade da coisa. Pelos vistos, não fui o único: a abstenção ontem terá andado pelos 39,5%. Em 2002, aliás, o valor foi parecido, o que faz das duas últimas legislativas as eleições com maior abstenção na história da democracia francesa. Se nos recordarmos da elevada participação nas presidenciais, ficamos com a confirmação daquilo que já se sabe há muito tempo: o papel fundamental das instituições e dos contextos políticos na explicação da participação eleitoral.

O quadro seguinte mostra as últimas sondagens e os resultados com 98% dos inscritos. Correram razoavelmente bem, com alguma sobrestimação do partido de Bayrou.





quarta-feira, junho 06, 2007

Controvérsia sobre a sondagem Data Crítica, 2

Num post anterior, mencionei uma queixa que o PND tinha feito sobre uma sondagem da Data Crítica, alegando que, nessa sondagem, os inquiridos tinham sido confrontados com uma lista de candidatos mas que, no caso do PND, o nome do candidato tinha sido omitido, e alegando esse facto revela "falta de precisão rigor e objectividade, constituindo uma violação do princípio da igualdade de tratamento das várias candidaturas."

No comentário que fiz, assinalei que:

1. A ser verdade o que está na queixa do PND e a não ser um mero lapso na aplicação do guião, mencionar todos os cabeças de lista menos os de um partido não me parecia boa ideia;

2. E que, a ser verdade o que está na queixa do PND e a não ser um mero lapso na aplicação do guião, não mencionar os partidos dos cabeças de lista também não me parecia boa ideia.

Recebi um e-mail da Data Crítica, do qual transcrevo o excerto relevante. Permito-me apenas sublinhar os pontos que têm relação directa quer com a queixa do PND quer com os meus comentários anteriores. Farei alguns comentários adicionais no final.

"1) As perguntas relacionadas com as intenções de voto não foram inicialmente colocadas pelo entrevistador de forma assistida. Isto é, a pergunta foi inicialmente apresentada ao inquirido com a formulação da pergunta, não sendo sugerida ou proposta qualquer opção de resposta. Caso o inquirido indicasse espontaneamente um candidato, ou força partidária, a sua opção era assinalada pelo inquiridor. Caso o inquirido não soubesse, ou hesitasse, na resposta sobre o candidato, era lida a lista de candidatos que consta do questionário. Alguns dos comentários efectuados baseiam-se no pressuposto de que a lista de candidatos foi inicialmente lida, na sondagem realizada pela Data Crítica, a todos inquiridos – o que não é correcto.

Não foi identificado qualquer caso, no decurso da supervisão realizada, em que a lista de candidatos tenha sido lida inicialmente pelo inquiridor, no momento da primeira formulação da pergunta. Não foi obviamente objecto de supervisão post hoc a chamada específica em que a queixa se baseia, devido aos princípios e normas de anonimato e confidencialidade estabelecidos. Consideramos, contudo, que o cenário mais provável corresponderá a uma resposta equívoca ou hesitante, por parte do inquirido, sobre a sua intenção de voto, no momento da primeira formulação da pergunta – cujas eventuais motivações não nos compete procurar interpretar;

2) A lista de candidatos incluída no questionário identifica, para além do nome do cabeça de lista, as forças partidárias através das quais os candidatos apresentam as listas, ou a situação de candidatura independente. Não consideramos, por esse motivo, que seja de todo aplicável à sondagem realizada pela Data Crítica o comentário segundo o qual terão sido identificadas “as opções com o nome do cabeça de lista sem mencionar o partido”;

3) No caso do Partido da Nova Democracia (PND) foi, efectivamente, incluída no questionário a força política, não sendo mencionado o primeiro candidato da lista. Esta opção foi tomada devido ao facto de a entrega da candidatura no Tribunal e a apresentação da candidatura terem sido efectuadas no dia 28 de Maio – dia em que teve início a recolha de informação – e de não ter sido localizada informação que permitisse estabelecer de forma inequívoca que a lista do PND seria encabeçada pelo Dr. Manuel Monteiro – inclusivamente no jornal online do PND. Uma vez que o questionário é preparado e finalizado com antecedência, a entrega da candidatura do PND e a sua apresentação pública surgiram depois de a preparação da recolha de informação se encontrar concluída. Foi, na altura, avaliada a possibilidade de incluir a referência ao candidato, mas tal operação só poderia ser efectuada a meio do processo de recolha. Considerámos, por um conjunto de motivos que poderemos vir a detalhar, caso esta questão venha a merecer debate adicional, mais adequado manter a formulação original. Esta opção é baseada em critérios metodológicos e não tem evidentemente por objectivo introduzir qualquer distorção no princípio da igualdade de tratamento de candidaturas."


Em síntese, temos que:

1. Segundo a Data Crítica, "caso o inquirido não soubesse, ou hesitasse, na resposta sobre o candidato, era lida a lista de candidatos que consta do questionário, e "a lista de candidatos incluída no questionário identifica, para além do nome do cabeça de lista, as forças partidárias através das quais os candidatos apresentam as listas, ou a situação de candidatura independente." Segundo o PND, naquele inquérito concreto, "em seguida foram-lhe apresentados os nomes dos candidatos independentes Carmona Rodrigues e Helena Roseta e os nomes dos candidatos apresentados pelo PS, PSD, CDS, BE, CDU e PCTP/MRPP", ou seja, depreende-se, a lista fornecida continha apenas os nomes dos candidatos. Logo, houve um erro: ou errou o PND na descrição do sucedido, ou errou o inquiridor da Data Crítica que aplicou o questionário àquele inquirido em concreto.

2. Confirma-se que, no caso do PND, apenas o partido foi usado para descrever a opção, e não o nome do candidato. A Data Crítica dá a sua explicação do sucedido.

3. Último ponto, o que para mim é relevante: toda a gente parece ter a noção da enorme importância da formulação das perguntas e da potencial sensibilidade dos resultados a essa formulação.

terça-feira, junho 05, 2007

Popularidade Sócrates

Sondagens Marktest e Eurosondagem; no eixo y, percentagem de opiniões positivas subtraída de opiniões negativas; linha de referência vertical indica antes e depois do caso Independente.

Um problema sem solução (simples), 2

Nuno Guedes enviou-me (obrigado) três artigos seus publicados no Expresso que falam deste mesmo assunto. Alguns excertos:

"Recenseamento: 1,5 milhões de votos trocados
Os portugueses devem votar no local da sua residência habitual. Um milhão e meio de eleitores estão em situação irregular face à actual lei do recenseamento eleitoral, garante o Secretariado Técnico dos Assuntos para o Processo Eleitoral (STAPE), responsável pela organização de eleições e referendos. Há sete anos, quando a legislação mudou e passou a exigir que a residência habitual do eleitor fosse a que está no bilhete de identidade, o número, resultante do cruzamento do recenseamento com o registo civil, chegava aos três milhões, recorda Jorge Miguéis, director-geral do STAPE.

Os eleitores mal recenseados tinham cinco anos para fazer a mudança, mas o prazo caducou em 2004 e a lei não deixou qualquer meio ou sanção para regularizar estes casos. ‘‘Alertámos o Ministério da Administração Interna para a situação, que na altura considerou a legislação irrealista’’, conta o responsável, que explica: ‘‘Não houve meios para fazer cumprir a lei. Seriam necessárias milhões de notificações’’.

Em 2005, ano de autárquicas e legislativas, um terço dos 308 concelhos do país tinha dez ou mais por cento de eleitores quando comparado com a população residente segundo o Instituto Nacional de Estatística. Sobretudo, no interior centro e norte do continente (distritos de Bragança, Castelo Branco, Guarda, Viana do Castelo, Vila Real, Viseu) e Madeira. Votos que em cerca de 80 municípios eram suficientes para alterar o vencedor das eleições autárquicas.

Na capital, a situação é semelhante, mas por perda de população para a periferia. Lisboa tem mais 90 mil eleitores do que pessoas a viver na cidade - Carmona Rodrigues ganhou a autarquia por 45 mil votos. No Porto, a situação é igual - 37 mil recenseados a mais. Nos concelhos à volta, a situação inverte-se e a população com mais de 18 anos é quase sempre bastante superior aos inscritos para votar. ‘‘Lisboa perdeu mais de um habitante por hora nos últimos 10 anos’’, recorda Fernando Seara, presidente da Câmara de Sintra, que tem um défice de 65 mil eleitores no concelho."


"Sócrates vive em Lisboa mas vota na Covilhã
Há duas décadas que José Sócrates vive em Lisboa, desde que foi eleito deputado, pela primeira vez, em 1987. Na declaração de rendimentos entregue no Tribunal Constitucional, desde 1999 que a única morada apresentada pelo primeiro-ministro fica na capital, rua Castilho.
Sem respostas, o Expresso perguntou aos colaboradores mais directos de José Sócrates por que continua a votar na Covilhã e que residência tem no bilhete de identidade, que deveria corresponder à sua morada habitual. Em São Bento a ausência de resposta foi justificada pela falta de tempo do primeiro-ministro."

segunda-feira, junho 04, 2007

Um problema sem solução (simples)

Já repararam como, entre os concelhos da Grande Lisboa, as diferenças entre o nº de eleitores inscritos no recenseamento eleitoral e as estimativas da população com 18 ou mais anos são, elas próprias, muito diferentes entre si?

Por exemplo: a 31 de Dezembro de 2006, havia 266.655 eleitores inscritos no concelho de Sintra, incluindo cidadãos da União Europeia e outros estrangeiros residentes com capacidade eleitoral. Contudo, em finais de 2005, a estimativa provisória intercensitária de residentes no concelho de Sintra com 18 ou mais anos andava pelos 330.000. Muito mais residentes que inscritos.

E no concelho de Lisboa? Os mesmos dados apontam para 525.043 inscritos. Mas ao contrário de Sintra, onde há mais residentes que inscritos, em Lisboa é o inverso: a estimativa de residentes aponta para 440.000.

Esqueçamos a discrepância de um ano entre estimativa e recenseamento, dado que ela é comum aos dois concelhos. Se repetiram esta operação consistentemente para todos os concelhos da Grande Lisboa, vão verificar que, com a excepção de Cascais e Lisboa, há mais residentes que inscritos em todos os concelhos. Isto é curioso, dado que contraria o padrão que se julga existir no resto do país (mais inscritos que residentes). E Cascais é muito menos excepção que Lisboa, dado que o nº de inscritos e residentes é quase o mesmo. Só em Lisboa há uma enorme discrepância entre inscritos e residentes e a favor dos inscritos.

Já perceberam onde isto nos leva, não já? Há muita gente inscrita em Lisboa que já não reside em Lisboa. E se não perceberam bem a implicação disto, eu digo: quando uma sondagem escolhe nºs de telefone de domicílios no concelho de Lisboa, ou quando se faz uma sondagem presencial pelas ruas das freguesias de Lisboa, há muitos inscritos cuja probabibilidade de serem seleccionados para responder à sondagem é nula, porque eles não residem no concelho.

E se eles vierem votar na mesma? E se os que vêm votar forem tendencialmente diferentes dos votantes que residem em Lisboa? Bonito serviço.

Controvérsia sobre a sondagem Data Crítica

Mini-controvérsia instalada por causa da sondagem da Data Crítica que menciono no post anterior. O PND enviou uma queixa à CNE e à ERC:

No passado dia 29 de Maio, a Dra. Maria Augusta Montes, por coincidência membro da Direcção do Partido da Nova Democracia foi inquirida no âmbito da realização de uma sondagem telefónica pela empresa Datacrítica, com vista às próximas eleições intercalares para a Câmara Municipal de Lisboa. A pergunta relativa à intenção de voto foi-lhe formulada nos seguintes termos: “Se as eleições fossem hoje em qual destes candidatos votaria?”. Em seguida foram-lhe apresentados os nomes dos candidatos independentes Carmona Rodrigues e Helena Roseta e os nomes dos candidatos apresentados pelo PS, PSD, CDS, BE, CDU e PCTP/MRPP e em seguida foi-lhe apresentada a opção “representante da Nova Democracia”, omitindo o nome do candidato à Presidência da CML apresentado pelo Partido da Nova Democracia, o Dr. Manuel Monteiro.

Começo já por dizer - full disclosure - que tenho um amigo na Data Crítica. Mas também que não falei com ele sobre isto. Quatro comentários:

1. Pode ter sido um problema de aplicação deficiente, por um inquiridor concreto, do guião da entrevista.

2. Se não foi esse o caso, não parece boa ideia que, na listagem da série de opções de voto, sejam identificadas algumas pelo nome do cabeça de lista e outra sem esse nome.

3. Independentemente disso, também não me parece boa ideia - pelo menos neste fase - identificar as opções com o nome do cabeça de lista sem mencionar o partido. Os partidos são uma pista fundamental para que os eleitores tomem decisões, e nesta fase inicial omitir o partido parece-me dar um estímulo deficiente e demasiado irrealista ao eleitor, pressupondo que ele sabe mais do que aquilo que realmente sabe. Mais tarde, quando os candidatos forem conhecidos e a sua ligação a partidos também, poderá já não fazer diferença.

4. E independentemente de tudo isto, por aqui se vêem as limitações das sondagens: com muitas opções, é preciso reduzir a lista de alguma forma, ou a pergunta deixa de ser compreensível. Quem se lembra de uma lista lida oralmente com 12 ou mais opções? Os "pequenos partidos" é que sofrem. Talvez por isto também os resultados das sondagens só tendam a convergir uns com os outros no final de uma campanha: neste momento, as sondagens captam apenas as opções daqueles que já as tomaram e que, quando se lhes lê a lista, estão só à espera de ouvir a opção que corresponde à decisão já tomada. Para os outros, o pressuposto de que, numa sondagem, se está a colocar as pessoas perante um contexto "realista" de tomada de decisão e que através dele se capta de forma fiável essa decisão, é dificilmente sustentável.

sexta-feira, junho 01, 2007

Lisboa, Data Crítica, 29 de Maio

Foi divulgada mais uma sondagem sobre as intercalares de Lisboa, pela Data Crítica para o Diário Económico. Quem quiser saber as intenções de voto escusa de ir ler a notícia publicada no Diário Económico - pelo menos a da versão online - porque elas não estão lá. Mas a Data Crítica fez a amabilidade de me enviar esses resultados, que também terão sido enviados para a ERC. Aqui estão eles:



É cedo para detectar tendências consistentes e muito menos para presumir que estaremos próximo do que sucederá dia 15. Mas não há dúvidas sobre a liderança de Costa, e começam a sedimentar-se três ideias adicionais:

- Nas sondagens mais recentes, Carmona está, afinal, atrás de Negrão;

- Ruben de Carvalho e Sá Fernandes sofrem a bem sofrer com a presença de Roseta;

- Telmo Correia vai ter de fazer um esforço muito grande para que alguém se aperceba da sua existência.