segunda-feira, novembro 21, 2005

Revisitar as sondagens presidenciais

Sugere-me um leitor que revisite as sondagens para as presidenciais de 1986 e 1996.

Tenho hesitado em fazê-lo (ao contrário do que fiz aqui, aqui, aqui ou aqui para as legislativas). O que se passa é que me falta informação metodológica importante, especialmente em relação aos resultados das últimas sondagens publicadas por cada órgão de comunicação social. Para além disso, baseio-me nalguns casos em fontes indirectas, ou seja, artigos de jornal sobre as sondagens publicados após as eleições, especialmente em 1996 (quando nem sequer estava no país). Tudo isto retira alguma utilidade ao exercício.

Contudo, se o exercício é inútil quanto às diferenças metodológicas entre as sondagens e suas consequências, é particularmente útil no que respeita às diferenças entre eleições e entre a regulação da actividade das sondagens que prevalecia à data dessas eleições. Já veremos como.

Junto portanto os resultados de 1996 e 2001. Eleições antes dessas é inútil, dado que só durante 1991 se tornou possível divulgar resultados uma semana antes das eleições. Claro que toda a gente se lembra das sondagens de 1986. Mas o que eventualmente muitos não recordam é que as sondagens que foram conhecidas foram publicadas um mês antes das eleições, ou seja, antes da campanha começar! Qualquer comparação delas com os resultados eleitorais é inútil do ponto de vista da apreciação da qualidade da informação prestada à opinião pública (se bem que não do ponto de vista das dinâmicas de campanha).

Em 1996, foram estes os últimos resultados divulgados antes das eleições:



Seguem-se as projecções divulgadas na noite eleitoral em 1996 (não lhes chamo sondagens à boca das urnas porque, em rigor, não o eram, dada a proibição de fazer inquéritos à saída dos locais de voto; os institutos usavam soluções mais ou menos criativas para contornar o problema):



Em 2001, as pré-eleitorais:



E as (agora sim) sondagens à boca das urnas:



As lacunas na informação metodológica impedem grandes reflexões sobre estas sondagens, e recordo mais uma vez que, especialmente em relação a 1996, alguma da informação que recolhi foi indirecta, o que levanta a possibilidade de imprecisões. Mas é possível dizer-se rapidamente o seguinte:

1. Mais abstenção, maior distância entre sondagens pré-eleitorais e resultados eleitorais: restam-me poucas dúvidas que o severo encurtamento da vantagem de Jorge Sampaio em 2001, na comparação entre sondagens e resultados, se deveu em parte a elevadíssima abstenção e, especialmente, a desmobilização dos eleitores do actual Presidente;

2. A diferença que fazem as sondagens à boca das urnas: a precisão das "projecções" na noite eleitoral em 2001 foi muito grande e, na altura, muito maior do que a atingida em qualquer eleição anterior, presidential ou outra. É impossível não relacionar isto com a mudança da legislação em 2000, que permitiu a realização de verdadeiras sondagens à boca das urnas.

Sobre sondagens

A ler, um artigo de Tiago Mendes no Diário Económico.

Sobre a interdependência entre as sondagens e os resultados eleitorais, só me resta remeter para este post.

E se o autor me permite uma correcção, importa notar que uma sondagem à boca das urnas não é uma previsão. Uma sondagem à boca das urnas mede comportamentos já ocorridos (questionando eleitores à saída das urnas, após o voto), permitindo que se faça, na base da amostra, uma inferência acerca daquilo que ocorreu (pretérito) no universo dos eleitores.

Pode-se dizer, sim, que precisamente por não ser (nem poder ser encarada como) uma previsão, uma sondagem à boca das urnas elimina algumas das fontes de incerteza associadas a qualquer estimativa pré-eleitoral de resultados eleitorais (tais como a instabilidade nas intenções de voto, a abstenção diferencial, etc.), seja ela baseada numa sondagem pré-eleitoral propriamente dita ou em outros preditores para além das intenções de voto (estado da economia, popularidade dos líderes, etc.), para além de ter a vantagem de contar, geralmente, com amostras de maior dimensão do que as usadas em sondagens pré-eleitorais.

A exposição dos candidatos nos media

As observações de Jorge Candeias fazem sentido. Por um lado, a questão de medição. O que significa "notícias protagonizadas por cada personalidade"? Suponho que uma notícia é contada como tal quando os candidatos são explicitamente objecto de notícia, mas não posso estar seguro. Não descobri no site da Marktest a definição operacional desta variável.

Por outro lado, o período coberto. Observa-se na Lâmpada Mágica:

E também pergunto a mim próprio por que motivo foi escolhido o período de tempo que foi. É que desde 22 de Agosto até hoje houve as eleições autárquicas e uma campanha eleitoral (e uma longa pré-campanha) em que os líderes dos partidos se fartaram de aparecer, por inerência de cargo. E adivinhem quem são os líderes partidários que se candidataram a Belém? Nem mais: Louçã e Jerónimo, os dois mais "protagonistas" entre os "protagonistas". Dá-me a sensação de que aqui estamos a comparar coisas que não são comparáveis, o que é capaz de criar enviezamentos no método e, portanto, nos resultados.

A data de início deve-se, creio, ao lançamento das primeiras candidaturas, mas o problema mantém-se. Mas resolve-se. Basta ir aqui e tomar como âmbito temporal um período mais curto. Olhemos, por exemplo, para o que se passou desde a semana 42 (uma semana depois das autárquicas) até à semana 45 (que terminou no dia 13 de Novembro):

Mário Soares: 79 notícias, 215 minutos;
Cavaco Silva: 54 notícias, 163 minutos;
Manuel Alegre: 55 notícias, 147 minutos;
Jerónimo de Sousa: 52 notícias, 139 minutos;
Francisco Louçã: 51 notícias, 139 minutos.

De facto, faz diferença a exclusão do período das autárquicas. Após este período, Mário Soares conseguiu aparecer nas televisões com uma frequência e duração superior à dos restantes candidatos. Cavaco Silva surge em segundo lugar, mas muito por força daquele dia em que as televisões acompanharam o lançamento da sua candidatura, o que levou a notícias com muito longa duração.

Isto mede aquilo que mede. Não mede conteúdo/enviesamento da notícia, não mede o seu posicionamento na hierarquia do alinhamento noticioso, nem deve contar com notícias indirectamente relacionadas com os candidatos. Vale o que vale, como se diz das sondagens...

quarta-feira, novembro 16, 2005

Plus ça change...

1. Entre 53% e 63% dos franceses (dependendo da formulação da pergunta) aprovam a actuação de (ou têm confiança em) Sarkozy em face da violência urbana (BVA, 10 Novemebro, em .pdf; IFOP, 13 de Novembro, aqui e aqui; IPSOS, 16 de Novembro, aqui);

2. 61% dos franceses declaram que, caso Sarkozy se apresente às eleições presidenciais, votarão certamente (19%) ou possivelmente (42%) nele, mantendo-o acima de qualquer outro candidato potencial (IPSOS, aqui);

3. As soluções mais apontadas pelos franceses para resolver a "crise dos banlieus" a médio prazo consistem em "dar mais meios para a educação" (47%), "assegurar uma melhor mixité social(como traduzir?) (45%) e "desenvolver policiamento de proximidade" (40%) - CSA, 8 Novembro, aqui.

P.S. - Os resultados descritos nos pontos 1 e 2 ganham novo sentido se lidos à luz de uma crónica, onde (para variar em relação a um seu recente registo jornalístico mais, digamos, engagé) Rui Ramos faz uma interessante análise da "alta política" por detrás da violência urbana em França.

terça-feira, novembro 15, 2005

Off topic: está-se sempre a aprender

A ler em conjunto:

1: Becker
2. Posner
3. Canhoto

Os dois primeiros via o (cada vez mais indispensável) Pura Economia.

O único comentário (banalíssimo) que me ocorre é que, quando se vê alguém como Posner defender o valor social da discriminação positiva (apesar de lamentar a sua contradição com os valores meritocráticos) e o Canhoto defender a flexibilização das leis laborais (é certo que em troca de maior protecção social da empregabilidade e dos rendimentos dos desempregados involuntários), isto deverá querer dizer que as soluções reais para os problemas reais já não andarão certamente pelos sítios habituais.

(Não sou especialista, longe disso, mas sobre os argumentos defendidos pelo Canhoto, vale a pena ler isto, especialmente o capítulo "Recasting Welfare Regimes for a Postindustrial Era").

Quem são os indecisos?

De um e-mail de um leitor:

Penso que neste caso específico a redistribuição proporcional dos indecisos não será uma boa opção. Parece-me que o facto de a candidatura de Cavaco ser bastante consensual à direita (ninguém de direita manifesta qualquer intenção de se candidatar para além de Cavaco) reduz muito a indecisão nesse eleitorado. Já no caso da esquerda, a existência de tantos candidatos é geradora de uma maior indecisão. As candidaturas de Alegre e Soares são importantes fontes de indefinição no eleitorado de esquerda.

Esta situação leva-me a pensar que a esmagadora maioria dos ainda indecisos se irá distribuir pelos candidatos da esquerda (e eventualmente pela abstenção) e muito spoucos por Cavaco. Esperar, como se deduz pela redistribuição dos indecisos na sondagem da Euroexpansão, que cerca de 8% dos 15% de indecisos vão optar por votar Cavaco parece-me francamente exagerado. Os indecisos estão à esquerda e se esta os souber conquistar, Cavaco não ganha as eleições. Ou seja, Cavaco não vai ganhar as eleições, a esquerda é que as poderá perder.

Parece-me plausível a ideia de que a indecisão é maior entre o eleitorado potencial dos candidatos de esquerda, especialmente o eleitorado do PS, como sugeri aqui. Mas para apreciar a validade da ideia, seria importante ver quais as identificações partidárias ou posicionamentos ideológicos (aqueles que os têm e declaram) dos que agora se dizem "indecisos", e apurar se a sua distribuição está significativamente mais "à esquerda" do que a da restante população que indica uma intenção válida de voto. A ficha técnica da Eurosondagem dá ideia que esse tipo de questões não foi colocada. No caso da Aximage, fica claro que essas questões são colocadas, mas não me recordo de alguma vez ver essa análise. Outro ponto importante, claro, é que estas percentagens de "indecisos" muito provavelmente subestimam a percentagem real de eleitores que não têm uma decisão tomada acerca de em quem irão votar. Isso sucede porque há uma parte "submersa" do eleitorado que não surge nas sondagens: as recusas, ou seja, aqueles que recusam fazer parte da amostra.

Mas por outro lado, nada garante que a "indecisão", seja a medida nas sondagens seja a "real", se converta em "voto" à última da hora. Muita dessa "indecisão" acaba por desembocar em abstenção. Assim foi, por exemplo, nas legislativas de 2005: um estudo de painel feito pela Católica para o Público, a RTP, a RDP e o ICS mostra que mais de um terço das respostas "não sabe/não responde" à pergunta sobre intenção de voto em Janeiro de 2005 acabaram por redundar, em Fevereiro (e na base das declarações dos próprios) em abstenção.

segunda-feira, novembro 14, 2005

Eurosondagem, Presidenciais, 12 Novembro (continuação)

Primeiro os dados:



Algumas notas:

1. A sondagem divulgada há menos tempo (a do Expresso/RR/SIC) não é a última da lista porque as sondagens estão colocadas por ordem crescente da data de trabalho de campo, e não de divulgação.

2. Há discrepâncias de não mais de 0,1% entre os resultados apresentados pela Eurosondagem após a redistribuição de indecisos e aqueles que eu apresento. A razão é simples: respeitando a decisão da empresa de apresentar esses dados com uma casa decimal, fiz o cálculo da redistribuição dos indecisos (15%) pelas restantes opções válidas. Os meus resultados não coincidem com os da Eurosondagem. Nada disto, contudo, tem qualquer importância, como se verá no ponto seguinte.

3. Há por aí alguma discussão sobre o que estes resultados estão a dizer assim que se considera a margem de erro amostral. O que eles estão a dizer é o seguinte:

"Se a amostra obtida da população eleitora residente em domicílios com telefone no Continente tivesse sido aleatória, haveria 95% de probabilidades que as intenções de voto em cada um dos candidatos - redistribuindo proporcionalmente os indecisos - se situassem entre os valores máximos e mínimos do seguinte quadro:



Logo, na base destes resultados, não podemos dizer, nem só com 95% de confiança, se, entre a população eleitora residente em domicílios com telefone fixo no Continente:

a. As intenções de voto em Cavaco Silva são neste momento superiores a 50%;
b. Soares tem mais intenções de voto que Alegre ou vice-versa;
c. Louçã tem mais intenções de voto que Jerónimo ou vice-versa.

Acresce a isto que a amostra da Eurosondagem - tal como todas as feitas por qualquer sondagem em qualquer sítio no Mundo - pode ter sido seleccionada com procedimentos aleatórios, mas não é nunca uma sondagem cujos membros da amostra tenham sido seleccionados com probabibilidade igual a todos os outros (devido à incapacidade de contactar membros do universo seleccionados aleatoriamente, recusas em pertencer à amostra, etc.). É por tudo isto que a afirmação "Cavaco deve ganhar à primeira volta" não faz sentido (para já não falar do facto de usar intenções de voto recolhidas a três meses das eleições como elemento que permite prever o que vai suceder no dia das eleições).

4. A diferença entre os resultados da última (Aximage) e da penúltima (Eurosondagem) sondagens dificilmente terão a ver com mudanças nas intenções de voto dos eleitores ao longo do tempo, dado que os trabalhos de campo foram conduzidos quase simultaneamente. Restam as opções metodológicas e o erro amostral como explicação das diferenças. O segundo, por enquanto, ainda as justifica. Mas se começarmos a detectar de forma sistemática que as amostras por quotas produzem melhores resultados para Cavaco e Alegre do que as amostras aleatórias, importa começar a considerar as opções metodológicas como fonte destas discrepâncias. Por enquanto é cedo.

5. A vantagem de Cavaco Silva sobre os restantes candidatos está a diminuir? Para percebermos se a passagem do tempo está a produzir efeitos nesse sentido, a melhor maneira é manter constantes as opções metodológicas e esperar que a confirmação de tendências dentro de cada instituto diminua a probabilidade das discrepâncias serem mero ruído aleatório. Logo, só com mais sondagens de cada instituto haverá respostas mais credíveis. É preciso esperar para ver.

sábado, novembro 12, 2005

Eurosondagem, Presidenciais, 12 de Novembro

Por enquanto a, notícia. Análise mais desenvolvida 2ª feira.

Contudo, para já, importa só assinalar que, com estes resultados, a afirmação do Expresso de que "Cavaco deve ganhar à 1ª volta" é absurda a pelo menos dois níveis. Quando será que deixaremos de falar sobre sondagens como se fossem o horóscopo da Maya? E quando será que os jornalistas começarão a interiorizar o conceito de margem de erro amostral (que, para uma sondagem aleatória como a dimensão desta, tem um valor máximo de 2,5%)? Enfim, o costume.

Resultados:
Cavaco Silva: 52,5%
Mário Soares: 18%
Manuel Alegre:16,9%
Francisco Louçã: 6,3%
Jerónimo de Sousa: 5,7%

sexta-feira, novembro 11, 2005

Aximage, Presidenciais, 11 Novembro

Mais uma sondagem, a terceira em geral e a segunda da Aximage desde que se confirmaram todas as principais candidaturas. Olhando para as distribuições nas amostras, há uma tendência de descida de Cavaco e subida dos restantes candidatos, mas na inferência para o universo, estas diferenças podem não passar de "ruído aleatório". Só com mais sondagens poderemos apreciar se a tendência tem maior probabilidade de estar a descrever algo real.

Do ponto de vista metodológico, quanto mais depressa tivermos sondagens que usem amostragem aleatória e/ou inquirição face-a-face melhor, para apreciarmos em que medida os resultados existentes até agora podem ou não estar a ser afectados pelas opções técnicas tomadas (amostragem por quotas e inquirição telefónica).

Segundo notícia em "caixa" no jornal, o eleitorado do PS continua, como anteriormente, dividido entre Cavaco, Soares e Alegre.

quinta-feira, novembro 10, 2005

"George W. Bush? Não conheço."*



Neste artigo do L.A. Times, uma análise preliminar dos possíveis efeitos da impopularidade do Presidente nas eleições e referendos da passada terça-feira e nas próximas eleições de 2006.

*Frase recomendada para candidatos Republicanos às eleições para o Congresso no próximo ano.

As razões da crise em França, segundo os franceses

Ds CSA/TMO (que tem sido responsável por quase todas as sondagens mais interessantes sobre o tema) vem um novo estudo: Les raisons de la crise actuelle des banlieues . Principais resultados:

Quelles sont selon-vous les raisons principales de ce qui se passe actuellement en banlieue? (pergunta de resposta múltipla, soma das percentagens superior a 100%):

Le contrôle insuffisant des parents sur leurs enfants: 69%
Le chômage et la précarité, l'absence de perspective d'avenir: 55%
Les propos tenus par Nicolas Sarkozy (Kärcher, racaille…): 29%
La télévision qui incite les jeunes à aller de plus en plus loin: 24%
L'absence de la police dans certains quartiers: 21%
Les divers trafics des bandes: 21%
L'insuffisance des moyens pour la prévention de la délinquance: 19%
La montée du repli communautaire et de l'intégrisme religieux: 15%
Les discriminations à l'égard des jeunes: 10%
L'attitude trop brutale de la police avec les jeunes: 8%
Aucune de ces raisons: 1%


Temos assim que, para a grande maioria da população, as responsabilidades pela crise são atribuídas, por um lado, à educação e ao contexto familiar e, por outro, à situação social e económica. Uma análise mais detalhada mostra que não há grandes clivagens sociais ou políticas a este nível: dentro de todos os sub-grupos amostrais sobre os quais existe informação (definidos na base do sexo, idade, identificação partidária, instrução, profissão e situação profissional, etc.) estas duas razões são sempre as mais apontadas.

Quanto às restantes razões, aí sim há divisões. Os mais jovens e os que se situam à esquerda tendem a atribuir mais culpas a Sarkozy, enquanto os que se situam à direita ligam mais claramente a crise a problemas ligados à criminalidade e a lei a ordem. Tudo normal e previsível.

quarta-feira, novembro 09, 2005

Mais sondagens francesas

CSA/TMO, 8 de Novembro, N=805, Quotas, Telefónica, Resultados completos aqui (.pdf).

Apenas 1% dos franceses mostra "simpatia" com o que se tem passado, enquanto apenas 12% declaram "compreensão". Curiosamente, o valor dos que dizem ser "compreensivos" sobe para 26% no escalão de instrução mais elevado, mas isso pode ser efeito da formulação das opções de resposta (lá como cá, "compréhensif" não significa necessariamente empatia, podendo significar apenas que se julga conhecer entender as razões do fenómeno).

Questionados sobre o que pensam acerca das propostas de Villepin, o apoio é largamente maioritário, quer para o recolher obrigatório (73%) quer para o reestabelecimento do financiamento às associações locais (89%) e para a formação profissional dos jovens a partir dos 14 anos (83%). À parte os extremos (PC e extrema-esquerda nuns casos, FN noutros), estas ideias não suscitam clivagens sociais ou ideológicas significativas.

E numa sondagem LH2 do dia 5, o apoio ao Governo aumentou.

terça-feira, novembro 08, 2005

Sociologia a mais e Sociologia a menos

Augusto Santos Silva, sociólogo, militante do PS, ministro:

"'Ninguém sabe qual vai ser o próximo Presidente da República. Até ao passado mês de Julho todos os estudos de opinião davam o não candidato assumido (Cavaco Silva) como o próximo PR. Era um passeio triunfal. Agora não há uma única sondagem que dê por garantida a vitória de Cavaco Silva à primeira volta' disse Santos Silva. 'Foi a entrada em cena de Mário Soares que transformou uma coroação num a verdadeira eleição', argumentou. Considerou ainda a primeira volta das Presidenciais, a 22 de Janeiro, como as 'primárias' do candidato da esquerda. 'A direita ou ganha à primeira volta ou não ganha. É impossível, nos termos da sociologia eleitoral portuguesa, que a direita ganhe à segunda volta', garantiu."


Nuno Melo, líder parlamentar do CDS-PP:

"O líder parlamentar do CDS-PP classificou hoje os distúrbios que se registam em França há doze dias como 'uma pesada factura' de 'políticas de imigração laxistas' nos países da União Europeia que têm sido governados pela esquerda. (...) Nuno Melo sublinhou que 'nada, mas mesmo nada, justifica a violência, nada justifica que se atente contra a vida de cidadãos inocentes, que se destruam bens, muitas vezes adquiridos com muitas dificuldades'. 'Quando se assiste a isto, em primeiro lugar tem de se impor a ordem e depois discutir a sociologia', defendeu.

Impeachment

A hipótese é, como se costuma dizer (nunca percebi exactamente porquê), "académica". Mas os resultados são significativos na medida em que, pela primeira vez, há uma maioria a favor do "Sim":

Zogby, 29 Out.-2 Nov., N= 1200, Telefónica.

If it is found that George W. Bush did not tell the truth about his reasons for going to war with Iraq, do you think Congress should hold him accountable through impeachment?
Yes:53% (em Junho, 42%)
No: 42% (em Junho, 50%)
DK/NA: 5% (em Junho, 8%)

Entretanto, discute-se nos Estados Unidos "quão baixas" poderão vir a ser as taxas de aprovação de Bush. O mais recente recorde negativo é 35%, e há sinais que possa vir a baixar ainda mais. Por um lado, porque o apoio entre os eleitores que se identificam como "Republicanos" está a diminuir. Por outro lado, porque o número de eleitores que se identificam como "Republicanos" parece estar, ele próprio, a diminuir.

Haja esperança

Escreve-se na Lâmpada Mágica:

Espero que alguém (alô Pedro) esteja a contar o tempo de antena que têm tido os vários candidatos à presidência, contando, como é óbvio, com o tempo de antena que é dado aos seus apoiantes quando eles falam dos candidatos. Tenho a certeza de que os resultados seriam extremamente interessantes e mostrariam com clareza cristalina quem é filho e quem é enteado nesta "democracia" mediática que temos.

Há razões para ter esperança. A imprensa tem divulgado (pelo menos o Público), salvo erro desde 2002, o resultado de análises feitas por uma empresa chamada Memorandum do conteúdo dos noticiários televisivos, incluindo nº de notícias por figuras políticas e seu tempo de exposição. Por outro lado, a Cyberlex, já aqui mencionada (e pouco depois, por coincidência, mencionada também pelo Abrupto), fez para as eleições de 2005 uma análise da imprensa onde, entre outras coisas, se analisa também a visibilidade dada a figuras políticas.

Sei isto melhor porque - perdoem a publicidade - ambas as empresas foram contratadas por um projecto de que sou um dos coordenadores no ICS para nos fornecerem análises detalhadas dos conteúdos da televisão e da imprensa durante a campanha das legislativas de 2005. Os resultados dessas análises - muito interessantes, creio - foram divulgados numa sessão que ocorreu aqui no ICS no dia 17 de Junho e relatados, nas suas linhas gerais, na imprensa.

Convém só dizer, contudo, o óbvio: nem toda a exposição mediática é boa. O candidato com maior exposição e tempo de antena nos jornais e na televisão durante a campanha para as legislativas de 2005 foi, de longe, Pedro Santana Lopes...

segunda-feira, novembro 07, 2005

Premonições

TNS/Sofres, 26-27 Outubro*, N=1000, Quotas, Telefónica

A votre avis, est-ce que dans les deux ou trois mois à venir, les principaux problèmes qui vont se poser en France...


*A morte dos dois jovens em Clichy-sous-Bois ocorreu na noite do dia 27.

Le malaise français, em números (3)

Sondagem CSA/TMO, 2-3 Novembro 2005, N=1002, Quotas, Telefónica.

Avez-vous une très bonne image, une assez bonne image, une assez mauvaise image ou une très mauvaise image de Nicolas Sarkozy comme Ministre de l'intérieur ?



Apesar (ou por causa) da "racaille"...

Uma análise mais detalhada mostra que as opiniões maioritariamente negativas sobre Sarkozy estão concentradas entre os desempregados, trabalhadores por conta própria e indivíduos com elevada instrução (singular combinação).

Le malaise français, em números (2)

Um estudo do IFOP com uma amostra de 38000 inquiridos (!!) revela alguns dados interessantes sobre as orientações políticas dos estrangeiros residentes em França.

1) Orientações de esquerda, particularmente PS, são hegemónicas entre os estrangeiros, particularmente os de religião muçulmana.


2) Relação entre religião muçulmana e identificação partidária ainda mais intensa entre os cidadãos de nacionalidade francesa do que entre os estrangeiros residentes. O fenómeno é explicado pela correlação entre idade e nacionalidade entre os muçulmanos: os estrangeiros são principalmente os mais velhos (1ª geração) e, logo, mais conservadores e tradicionalistas.


3) Um fenómeno fascinante, o da pertença de muçulmanos à FN em números consideráveis e comparáveis ao da população em geral, especialmente entre os estrangeiros. A explicação, bem plausível, do IFOP:

On constate que la proximité au FN (...) est comparable parmi les Français et les étrangers (un peu moins élevé parmi les musulmans), signe que le discours sécuritaire, la référence aux traditions, la dénonciation de l’establishment mais aussi le refus de toute (nouvelle) immigration peut séduire d’autres personnes que les seuls Français de souche.

sexta-feira, novembro 04, 2005

Le malaise français, em números

Confiança no Presidente da República:



Confiança no Primeiro-Ministro:


Expectativas sobre conflitos sociais no futuro próximo:


Tudo aqui.

P.S.- E este anglófilo impenitente foi avisado por francófila amiga que, ao contrário do que já aqui esteve escrito, "malaise" é substantivo masculino. Pensando bem, só podia.