sexta-feira, maio 20, 2011

As "tracking polls"

Com as sondagens feitas pela Intercampus para a TVI e o Público e com o que está previsto a partir da próxima semana por parte da Eurosondagem para a SIC e o Expresso, a questão do que é uma "tracking poll" volta a levantar-se. Uma boa maneira de começar a perceber bem do que se trata é ler esta nota da CNN sobre o assunto. Mas deixem-me que cite a melhor fonte sobre o tema para este efeito, o muito útil e acessível The Voter's Guide to Election Polls de Michael Traugott e Paul Lavrakas (p. 17, 2ª edição, 2000, tradução minha):

"As tracking polls usam diferentes técnicas metodológicas para produzir estimativas diárias durante as últimas duas a quatro semanas da campanha. Por exemplo, pequenas amostras de inquiridos podem ser contactadas via telefone todos os dias e sujeitos a breves séries de questões. Em si mesmas, estas amostras diárias de 100 a 200 entrevistas são demasiado pequenas para fornecer estimativas precisas do apoio a este ou aquele candidato ou da vantagem de um candidato sobre outro. Logo, as empresas de sondagens facultam médias 'rolantes' de três dias consecutivos de entrevistas para fornecer as estimativas. Assim, entrevistas conduzidas numa 2ª feira em Outubro contribuem para a produção de estimativas de períodos de três dias cobrindo Sábado-Domingo-2ª feira, Domingo-2ª feira- 3ª feira, e 2ª feira-3ªfeira-4ª feira, por exemplo.

Cada uma destas estimativas acaba assim por ser baseada em 500 a 600 entrevistas, agregadas ao longo destes períodos de três dias. Se o candidato A era apoiado por 49% da amostra no Sábado (baseado em 200 entrevistas), 45% da amostra no Domingo (baseado noutras 200 entrevistas) e 47% da amostra na 2ª feira (baseado em 200 entrevistas), o apoio médio para este período, divulgado na 3ª feira, seria 47% (baseado num total de 600 entrevistas)."

Traugott e Lavrakas explicam depois alguns dos problemas que algumas tracking polls podem ter (pp. 17-18):

- como são sondagens feitas numa única noite, podem não empregar os mesmos procedimentos para tentar recontactar os inquiridos quando não foi possível inquiri-los nessa noite;
- algumas empresas, para apressarem o trabalho, não escolhem os inquiridos aleatoriamente;

Eu acrescento:

- estes problemas apontados por Traugott e Lavrakas são problemas potenciais e habituais nos Estados Unidos, não significando isso que sejam problemas intrínsecos às tracking polls;
- o exemplo que dão não reflecte exactamente o que fazem aqui a Intercampus e fará a Eurosondagem, tendo números e períodos temporais diferentes. Mas o princípio é o mesmo;
- as tracking polls devem ser lidas com especial cuidado: se bem que tenham a vantagem de produzir informação diária que pode ser lida como indicando tendências, essas flutuações de dia para dia podem acabar por ser "sobre-interpretadas" como resultantes deste ou daquele facto, quando na realidade podem carecer de qualquer significância estatística.

Em estéreo com o Escrita Política da TSF.
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