quinta-feira, maio 05, 2011

Um livro























Não é o livro que ando a querer escrever há uns anos sobre sondagens, eleições e opinião pública. Esse seria um livro mais técnico, destinado a uma audiência especializada. Mas ainda não tive tempo para esse. Tenho-o antes "escrito" a pouco e pouco, em fragmentos, com a ajuda de outras pessoas, em artigos com este, este ou este. Um dia aparecerá.

Este, pelo contrário, é um livro breve (100 páginas), pouco técnico (na medida do possível) e destinado a uma audiência interessada mas não especializada. Discute coisas como o conceito de erro amostral, as outras fontes de erro em sondagens, as implicações de se colocarem perguntas desta ou daquela forma, e os usos das sondagens e dos seus resultados. E fá-lo recorrendo a exemplos simples e concretos, retirados de sondagens feitas em Portugal e, noutros casos, nos Estados Unidos. Assim, em certo sentido, o livro é uma extensão deste blogue, nos temas e até no estilo. Esteve, de resto, para se chamar Margens de Erro, e só não se chama assim porque, obviamente, a maior parte das pessoas não teria a mínima ideia do que isso quereria dizer.

Há dois tipos de atitude que encontramos frequentemente em relação às sondagens em Portugal. A primeira é a aceitação crítica dos números como se eles reflectissem uma qualquer "verdade" absoluta e inalterável. Mas basta perceber o que é uma sondagem, olhar para os detalhes sobre como são feitas e as limitações que eles implicam e ter alguma noção do que significa "opinião pública" para perceber como essa aceitação acrítica é deslocada. A segunda é a rejeição total das sondagens, frequentemente acompanhada de acusações muito graves mas nunca fundamentadas de adulteração e manipulação dos resultados. Mas basta olhar para a forma como essas acusações são feitas e olhar para os resultados das sondagens com mínima sofisticação para perceber que o objectivo dessas acusações é, aí sim, manipular e condicionar os eleitores na sua leitura dos dados disponíveis, por muito frágeis e precários que esses dados possam ser. Uma e outra atitudes, um e outro tipos de discurso, são muito nocivos para a qualidade do debate público sobre as sondagens, mas só acabam por ser eficazes se contarem com o desconhecimento dos cidadãos. Logo, a motivação básica para escrever o livro foi simples, e é a mesma que me leva a manter este blogue: contribuir, modestamente, para diminuir esse desconhecimento e, logo, contrariar esse tipo de atitudes e discursos.

O livro vai ser lançado no próximo dia 18, 4ª feira, às 17h,  no Instituto de Ciências Sociais (a final da Liga Europa é só às 19.30h :-)). Estão todos convidados. Dia 19 estará nas livrarias e no dia 26 de Maio será vendido com a revista Visão, à qual desde já agradeço. E aproveito também para repetir um outro agradecimento que já faço no livro: a todos aqueles que têm comentado, directamente ou por e-mail, as coisas que foram sendo escritas neste blogue. Aprendi muito com esses comentários, críticos ou não.

P.S. - Sei que é difícil, mas procurem resistir à tentação de fazer comentários sobre a cor da capa.
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