segunda-feira, maio 25, 2009

Em 2004, foi assim

Um fenómeno muito conhecido e quase sempre repetido é que, à medida que nos vamos aproximando da data das eleições, os resultados das sondagens começam a convergir. Seja porque só no final as intenções dos eleitores começam a "cristalizar" seja porque as sondagens look over their shoulders, é isso que quase sempre sucede. Veremos o que sucederá na próxima semana. Mas em 2004, foi isso mesmo que sucedeu. O quadro mostra os resultados das sondagens divulgadas na última semana. Onde foram apresentados resultados com indecisos, tratei-os como abstencionistas, para tornar os resultados comparáveis entre si e com resultados de eleições. Como vemos, por essa altura, todas indicavam mais intenções de voto para o PS do que para a coligação PSD/CDS-PP, como veio a suceder. E as diferenças entre as sondagens são bem menores que aqueles que verificamos hoje nas sondagens realizadas até agora para as europeias de 2009.





Contudo, ao contrário do que veio a suceder um ano depois nas legislativas, permaneceram grandes variações quer na estimação das intenções de voto na coligação quer na votação da CDU. E todos indicaram mais intenções de voto no BE do que aquele que veio a ser o seu resultado (mesmo que as diferenças sejam insignificantes em dois casos). Por outras palavras, repetindo um padrão já conhecido, eleições com muito elevada abstenção tendem a produzir maiores discrepâncias entre as sondagens e os resultados eleitorais, assim como maiores discrepâncias das sondagens entre si. Intenções de voto recolhidas acabam por não se converter em comportamentos, e diferentes pressuposições sobre como tratar o fenómeno da abstenção e estimar o que poderá ser o "votante provável" acabam por fazer sentir os seus efeitos neste confronto entre sondagens realizadas a uma semana das eleições e os resultados. Logo, eu seria céptico sobre a possibilidade das próximas sondagens "resolverem" todas as dúvidas sobre o que poderá suceder dia 7, especialmente porque, desta vez, tudo o que vimos até ao momento sugere que a margem de vitória de seja quem for o vencedor será certamente menor.
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